Você está na página 1de 3

A liturgia no coração da Igreja

Por uma melhor celebração litúrgica

O que é a Liturgia?

Quando o assunto é liturgia, normalmente a conversa “esquenta”. Creio que podemos fazer uma analogia com o
coração, órgão sensível, complexo e do qual depende grande parte da nossa vitalidade. Pois bem, a liturgia é
o coração da Igreja: nela celebramos a nossa fé e através dela descobrimos a fé da Igreja, conforme o antigo
ditado: lex orandi lex credendi, isto é, “a lei da oração é a lei da fé”.
Em suma, não se pode mexer no coração arbitrariamente; caso contrário, se caminha rumo à morte. A reforma
litúrgica do Concílio Vaticano II foi uma expressão da ação do Espírito Santo que dinamiza constantemente a mesma
Igreja. Contudo, é fato que nem todos entenderam o espírito dessa reforma. O cardeal Roger Etchegaray, escrevia que
“algumas vezes os animadores dessa renovação orientam os seus esforços apenas para as modalidades da celebração
e não nos ajudam verdadeiramente a penetrar no mistério litúrgico”

A Igreja vive da liturgia

 Sendo a Liturgia, como disse o Concílio Vaticano II, cume e fonte da ação da Igreja, não se pode imaginar Igreja
sem Liturgia, nem Liturgia sem Igreja. Por conseguinte, as origens da Igreja e da Liturgia devem coincidir:
Quando nasceu a Igreja, deve ter nascido também a Liturgia.

 A Liturgia é, portanto, a celebração do mistério pascal de Cristo que culmina na celebração eucarística.

Estrutura, elementos e partes da missa

Estrutura geral da missa

Na missa, o povo de Deus é convocado e reunido, sob a presidência do sacerdote que representa a pessoa de Cristo.
Cristo está realmente presente tanto na assembleia reunida em seu nome, como na pessoa do ministro, na sua Palavra,
e também, de modo substancial e permanente, sob as espécies eucarísticas.
A missa consta, por assim dizer, de duas partes: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, tão intimamente unidas
entre si, que constituem um só ato de culto. Há também alguns ritos que abrem e encerram a celebração.

Diversos elementos da missa

Leitura e explanação da Palavra de Deus

Quando se leem as Sagrada Escrituras na Igreja, o próprio Deus fala a seu Povo, e Cristo, presente em sua palavra,
anuncia o Evangelho. Por isso todos devem escutar com veneração as leituras da Palavra de Deus, elemento de máxima
importância na liturgia. Daí decorre a exigência para os leitores de ter uma atitude espiritual de quem de quem está
sendo porta-voz de deus que fala ao seu povo.

Maneira de proferir os diversos textos

A preparação espiritual se alia à preparação técnica: postura do corpo, tom de voz, semblante, a maneira de
aproximar-se da mesa da Palavra, as vestes. Todos os textos devem ser proferidos em voz alta e distinta onde a voz
corresponde ao gênero do próprio texto, conforme se trate leitura, oração, aclamação ou canto. Essa correspondência
deve ocorrer também quanto à forma de celebração e à solenidade da assembleia.

Função do leitor

Os leitores têm um lugar próprio nas ações litúrgicas. Ter um lugar próprio quer dizer ter um serviço a realizar, não por
livre iniciativa ou por exigência dos próprios leitores, mas quando isso lhes é indicado ou pedido pelo bispo ou pelo
presbítero, aos quais compete ordenar e organizar tudo o que se refere à celebração.
O primeiro leitor só deve deslocar-se para fazer a primeira leitura quando tiver terminado a oração Coleta, da qual faz
parte o Amem da assembleia. Não é agradável, nem ajuda a celebração, vê-lo já a caminhar, para o ambão, quando o
presidente ainda ora ao Pai, em nome e na pessoa de Cristo. Pormenores como estes são bons indicadores para
percebermos se os ministros da celebração já descobriram o espírito da sagrada liturgia, da ação litúrgica em geral, e de
cada celebração em particular.
Dar a Vida ao texto:
A primeira função do leitor, é, podemos dizer, dar vida ao texto, tão diferentes quanto ao conteúdo e quanto ao estilo
literário, e que o leitor deve conhecer antes de ler, ou melhor proclamar, na assembleia.
Ler bem não é fácil, implica re-criar, dar vida às palavras do texto, dar voz ao autor, que é o próprio Deus, como se afirma
ao terminar a leitura: Palavra do Senhor. Pode comparar-se a função do leitor à de um músico (pianista, violinista…)
que, ao executar o trecho de outro compositor, não é um simples executante de notas musicais, mas imprime aos sons
que se ouvem o sentido, a vida, a expressão, o sentimento que o compositor quis dar àquela peça. Ler, mais que
pronunciar palavras soltas, é tornar viva uma mensagem que é de vida.
Depende muito do leitor que os ouvintes escutem ou não a Palavra e se deixem interpelar por Deus que nos fala.
Contudo, não se trata só que todos ouçam, mas que entendam o que ouvem, captando a mensagem no seu sentido
profundo e lhe respondam convictamente: graças a Deus…
É um ministério difícil. Por vezes a leitura não é fácil e os ouvintes nem sempre estão motivados e preparados para
entender o núcleo do texto. Se, a juntar a isto, o leitor incorre em defeitos comuns: a precipitação, a má pronúncia, o
tom monótono, mau uso do microfone, a pressa…, cai-se, então, no risco de a celebração da Palavra ser pouco mais que
um momento da missa, rotineira e ineficaz, sem impacto algum e sem eco na mente e no coração dos que ouvem.
Por isso se insiste na necessidade de o leitor preparar sempre o que vai ler, conhecer a passagem bíblica, o seu estilo,
as frases mais importantes, as expressões mais difíceis. Não bastam cinco minutos antes, mas, se possível, ter o texto
em casa. Aliás com os meios de comunicação que temos ao alcance não será tão difícil assim.

O salmista

A função do salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores, pois o Salmo é
também palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos à sua revelação. Por isso o Salmo deve ser
proclamado do ambão, e se possível, cantado (ao menos o refrão).

Cantores e músicos

Importância do canto

Creio que já devemos ter percebido em nossas celebrações litúrgicas a maior parte da participação ativa dos fiéis é
assegurada pela música, sobretudo nos domingos e dias festivos. E não é para menos, pois a música tem o dom de atrair
e facilitar a contemplação.
O Apóstolo Paulo aconselha os fiéis que se reúnem em assembleia para aguardar a vinda do Senhor a cantarem juntos
salmos, hinos e cânticos espirituais (Cl 3,16), pois o canto constitui um sinal de alegria do coração (At 2,46). Por isso,
dizia com razão Santo Agostinho: “Cantar é próprio de quem ama”, e há um proverbio antigo que afirma: “Quem canta
bem, reza duas vezes”.
Portanto, é importante dar grande valor ao uso do canto na celebração. Ainda que não seja necessário cantar sempre
todos os textos de per si destinados ao canto, por exemplo nas missas dos dias da semana, deve-se zelar para que não
falte o canto dos ministros e do povo nas celebrações dos domingos e festas de preceito.
Conforme a orientação do Concílio Vaticano II, a música apropriada à liturgia é aquela que está mais intimamente
integrada à ação litúrgica e ao momento ritual ao qual ela se destina (cf. SC 112).
A música é a ‘alma’ da liturgia. Daí o cuidado para a escolha de um repertório bíblico-litúrgico, que expresse o
verdadeiro sentido da liturgia, a celebração do mistério pascal de Cristo.
E se resta-nos alguma dúvida sobre o que é uma música litúrgica e, ao mesmo tempo, seu uso, a CNBB nos mostra de forma
bastante clara: “Quanto mais uma obra musical se insere e se integra na ação litúrgica e em seus diversos ritos, ‘aqui e agora’,
e na celebração comunitária, tanto mais é adequada ao uso litúrgico. Ao contrário, quanto mais uma obra musical se emancipa
do texto, do contexto, das leis e ritos litúrgicos, muito embora se torne demonstração de arte e de cultura ou de saber humano,
tanto mais é imprópria ao uso litúrgico”.
A primeira regra é que os cantos da Santa Missa devem ser escolhidos segundo o Tempo Litúrgico, a tônica da Celebração e
seu próprio lugar dentro dela. A outra norma geral é que, há sempre necessidade de fidelidade às normas litúrgicas ao se escolher
os cantos, especialmente ao não se substituir hinos litúrgicos por cânticos que falam uma o u duas palavras da forma original
(não é porque um canto diz “Glória” que ele poderia ser usado no Hino de Louvor). Por fim, há uma terceira regra geral e que,
de certa forma, gera as outras duas: é um direito de todo cristão católico ter música de boa qualidade e idônea na celebração da
Santa Missa.

O silêncio na celebração
O silêncio oportunamente, como parte da celebração, deve-se observar o silêncio sagrado. A sua natureza depende do momento
em que ocorre na celebração. Assim, no ato penitencial e após o convite à oração, cada fiel se recolhe; após uma leitura ou a
homilia, medita-se brevemente que s se ouviu; após a comunhão.
Convém que já antes da própria celebração se conserve o silêncio na igreja, na sacristia, na secretária e mesmo nos lugares mais
próximos, para que todos se disponham devoto e devidamente para realizar os sagrados mistérios.