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QUAL O RETRATO DO MUNDO EVANGÉLICO HOJE?

Infelizmente, hoje em dia, o mundo evangélico tem sido dominado

por conceitos nada cristãos, visto que, atualmente, as igrejas de

maior destaque (as neopentecostais), têm inserido em seus cultos

elementos estranhos ao cristianismo, os quais têm sido

assimilados pela maioria da população evangélica, inclusive por

membros de igrejas tradicionais.

Em muitas dessas igrejas, a Bíblia é usada, não como texto, mais

como pretexto ou excitante das experiências emocionais e místicas

da multidão; de fato, a autêntica pregação do evangelho é

substituída por uma pregação água com açúcar, demagógica e

mercenária, onde os aspectos radicais do evangelho são amenizados

ou totalmente tirados. Em muitos casos a pregação é trocada pelos

múltiplos testemunhos de curas, prosperidade, exorcismos etc.;

Além, do alongamento quase interminável de cânticos, teatros e

apresentações “especiais”. Nesses cultos, a fé é algo mais a ser

sentido do que entendido, o público perde o vínculo com o

racional e consciente e afunda-se no inconsciente em busca do

êxtase ou percepção sobrenatural, direta e especial de Deus. As

emoções literalmente explodem em gritos, urros, choro, tremores,

suspiros, quedas, calafrios, delírios e em alguns casos, em

histeria coletiva.
Isto não só leva ao fanatismo e superstição, como faz o místico

ser cada vez mais valorizado, e a Bíblia cada vez menos, como

única fonte de revelação divina. Essa busca psicótica por sinais,

poderes miraculosos e novas revelações contemporâneas, faz da

Bíblia um livro obsoleto, irrelevante. A Bíblia é trocada pelo

profeta de plantão, ou pela pessoa que alega “ter comunicação

sobrenatural direta com Deus, a viva voz”.

Além disso, muitos pastores, buscando melhores resultados, têm se

tornado verdadeiros empresários evangélicos. Deixam de ser

pregadores, para serem animadores de palco, a platéia se

transforma num grande circo, ou casa de show, onde artistas bem

pagos se apresentam com testemunhos, bandas e conjuntos de música

gospel que tecnicamente rivalizam com os cantores do mundo e

músicas criadoras de excitação de massas. O ambiente, o programa,

a pregação açucarada, o ofertório, e o apelo, são montados para

produzir os efeitos psicológicos previamente arquitetados. Do

ponto de vista humano, tudo parece muito gostoso e agradável,

tanto que seduz e arrebanha grandes multidões. Muitas vezes são

igrejas superlotadas, capazes de levantar grandes somas de

dinheiro em um só culto, mas o povo não se queixa da extorsão

religiosa, afinal, pagaram para Ter um show que lhes agradasse,

foi o que tiveram, portanto, não têm do que reclamar.


Nessas igrejas, não há um projeto eclesiástico comum aos

freqüentadores, que são apenas pessoas clientes, que buscam uma

resposta mágica para seus problemas. Muitas dessas igrejas

parecem mais com uma estação rodoviária, um lugar por onde as

pessoas passam em busca de uma solução para algum problema, do

que uma comunidade de fé, com um pecúlio espiritual comum aos

seus membros. Algumas delas nem rol de membros possuem. Isto é

muito perigoso porque produz uma legião de pessoas que,

teoricamente, são cristãs por estarem ligadas a uma igreja

chamada cristã, mas que desconhecem os fundamentos básicos do

cristianismo, inclusive a solidariedade, a irmandade em Cristo. É

cada um por si, cada um para resolver seu problema e cuidar de

sua vida. Isto produz um cristianismo mesquinho, de cristãos

isolacionistas.

É triste, contudo, como foi mencionado acima, muitos membros e

líderes de igrejas históricas têm sido influenciados pelos grupos

supracitados. Tal fato tem abalado as estruturas de denominações

bastante tradicionais. Em suma, esse é o retrato do mundo

evangélico hoje: emocionalismo e comércio.