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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DO JUIZADO ESPECIAL

FEDERAL PREVIDENCIÁRIO DE CIDADE-UF.

NOME DA PARTE, já devidamente qualificado


nos autos do presente processo, vem respeitosamente
perante Vossa Excelência, através de seu procurador,
inconformado com a sentença proferida, interpor

RECURSO INOMINADO

com fulcro no art. 513 e segs. do CPC, c/c 42 da Lei


9.099/95. Nessa conformidade, REQUER o recebimento
do recurso, sendo remetidos os autos, com as razões
recursais anexas, à Egrégia Turma Recursal, para que,
ao final, seja dado provimento ao presente recurso. Por
fim, deixa de juntar preparo por ser beneficiário de
AJG.

Nesses termos, pede e espera deferimento;

Local e Data.

ADVOGADO
OAB/UF
RECURSO INOMINADO

Processo nº: XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX


Recorrente: XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Recorrido: Instituto Nacional do Seguro Social
Origem: Juizado Especial Federal Previdenciário de Cidade-UF

Colenda Turma
Eméritos Julgadores

O presente recurso trata de ação em que se postula a concessão do benefício de


prestação continuada, que foi julgado improcedente pelo Exmo. Juiz Federal a quo.
Com efeito, incorreu em equivoco o D. Magistrado, quando considerou a renda do
grupo familiar do Autor como sendo suficiente para prover seu sustento, deixando de
preencher o critério econômico exigido pela LOAS.
Como se demonstrará neste recurso, Digníssimos Julgadores, das provas
elaboradas, está plenamente demonstrado que o Autor é hipossuficiente, não sendo sua
renda mensal suficiente para prover seu sustento e de sua família com dignidade.
Assim, se exporão os motivos pelos quais deve ser reformada a sentença,
concedendo o benefício assistencial ao Recorrente.
DA SATISFAÇÃO DO CRITÉRIO ETÁRIO

De primeiro plano, pertinente mencionar que o Autor contava com XX anos


quando requerido administrativamente a benesse assistencial (evento XX), de modo que
satisfaz, portanto, o critério etário exigido pela legislação inerente à matéria (artigo 2,
Lei 8.742/93; art. 34, Lei 10.741/03).

DO CRITÉRIO SOCIOECONÔMICO

Segundo referiu o D. Magistrado em sua decisão, o Recorrente não faz jus ao


benefício de prestação continuada uma vez que a renda mensal per capta familiar
ultrapassa ¼ do salário mínimo, o que desde já, não satisfaria o critério econômico
exigido pela LOAS. Ademais, desconsiderou para fins de configuração do grupo familiar
os dois filhos do Recorrente, que igualmente residem com o mesmo.

Note-se:

COLACIONAR TRECHO PERTINENTE DA SENTENÇA.

Ora, é cediço que, muito embora a Lei 8.742/93 estabeleça em seu artigo 20, §3º
um patamar econômico para a concessão do benefício de prestação continuada, a
jurisprudência vem considerando que este não é absoluto, ou seja, este critério legal não
pode excluir a análise das condições pessoais e sociais do Requerente, bem como deve
proporcionar a averiguação do caso concreto e das condições em que se encontra
inserido.
Deste modo, demonstrar-se-á no presente recurso, de forma elucidativa aspectos
fáticos e jurídicos relevantes e que não foram levados em consideração na r. decisão e
que são de suma importância para o deslinde da demanda.

DA RELATIVIZAÇÃO DA RENDA MENSAL:

Conforme se depreende da instrução processual, tem-se que o Recorrente reside


com sua esposa e dois filhos, sendo que a renda mensal é oriunda do trabalho da
cônjuge como empregada doméstica no valor de um salário mínimo, bem como, de
trabalhos esporádicos realizados por um dos filhos, sendo tais valores variáveis.

Não obstante as alegações contidas na exordial, informando sobre o grupo


familiar, além das subsídios acastelados pelo laudo socioeconômico produzido ao Evento
XX, o Nobre Magistrado de primeiro grau considerou para o cômputo da renda tão
somente o casal, de forma que, o valor percebido pela esposa seria suficiente para o
sustento de ambos.

Ademais, considerou que, sendo contribuintes do INSS a esposa e o filho, estes


teriam totais condições de prover as suas necessidades básicas, nos termos da LOAS,
desconsiderando todos os subsídios trazidos pelo laudo destinado à análise fática da
situação do Recorrente, detendo-se tão somente no que concerne ao não preenchimento
do requisito da renda per capta imposto pela Lei.

Contudo, tal decisão é por completo descabida, a priori, face a pacificação do


entendimento de que para fins de análise de hipossuficiência, a verificação da renda
mensal consubstancia elemento perfunctório para apreciação do caso, devendo para
tanto que o contexto fático como um todo seja contemplado pela autoridade julgadora.

Isto porque, não obstante as inúmeras decisões neste mesmo sentido, o Superior
Tribunal de Justiça em apreciação ao REsp 1.112.557, tornou relativo o critério
econômico previsto do artigo 20, §3º, da Lei 8.742/93, acolhendo a constatação da
miserabilidade da pessoa idosa ou com deficiência através de outros meios de prova que
não a renda per capta.

Ainda neste tocante, é reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, em regime de


repercussão geral, a inconstitucionalidade do §3º do artigo 20 da Lei 8.742/93 (LOAS),
que institui critério econômico objetivo, bem como, a faculdade de aceitação de outros
meios de prova para a averiguação da hipossuficiência do grupo familiar. Note-se:

BENEFÍCIO ASSISTENCIAL. MANDADO DE SEGURANÇA.


DILAÇÃO PROBATÓRIA. DESNECESSIDADE. PESSOA
IDOSA.  CONDIÇÃO SOCIOECONÔMICA. MISERABILIDADE.
RENDA FAMILIAR.  ART. 20, §3º, DA LEI 8.742/93.
RELATIVIZAÇÃO DO CRITÉRIO ECONÔMICO OBJETIVO. STJ
E STF. PRINCÍPIOS DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E
DO LIVRE CONVENCIMENTO DO JUIZ. BENEFÍCIO DE RENDA
MÍNIMA.  IDOSO. EXCLUSÃO.
1. Embora seja inusitada a utilização do mandado de segurança em
relação a benefícios previdenciários, aqui, excepcionalmente, é
admissível tal instrumento em face de que desnecessária a dilação
probatória. Precedentes.

2. O direito ao  benefício assistencial previsto no art. 203, V, da


Constituição Federal e no art. 20 da Lei 8.742/93 (LOAS) pressupõe
o preenchimento de dois requisitos: a) condição de pessoa com
deficiência ou idosa e b) condição socioeconômica que indique
miserabilidade; ou seja,  a falta de meios para prover a própria
subsistência ou de tê-la provida por sua família.
3. O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp 1.112.557
representativo de controvérsia, relativizou o critério econômico
previsto no art. 20, §3º, da Lei 8.742/93, admitindo a aferição da
miserabilidade da pessoa deficiente ou idosa por outros meios de
prova que não a renda per capita, consagrando os princípios da
dignidade da pessoa humana e do livre convencimento do juiz.
4. Reconhecida pelo STF, em regime de repercussão geral, a
inconstitucionalidade do §3º do art. 20 da Lei 8.742/93 (LOAS), que
estabelece critério econômico objetivo, bem como a possibilidade
de admissão de outros meios de prova para verificação da
hipossuficiência familiar em sede de recursos repetitivos, tenho
que cabe ao julgador, na análise do caso concreto, aferir o estado
de miserabilidade da parte autora e de sua família, autorizador ou
não da concessão do benefício assistencial.
5. Deve ser excluído do cômputo da renda familiar o benefício
previdenciário de renda mínima (valor de um salário mínimo)
percebido por idoso integrante da família. Aplicação analógica do
art. 34, parágrafo único, da Lei 10.741/2003.

(TRF4 5002469-19.2014.404.7202, Quinta Turma, Relator p/


Acórdão Luiz Carlos de Castro Lugon, juntado aos autos em
11/03/2015)  (sem grifos no original).

Verifica-se, portanto, que “diante do compromisso constitucional com a dignidade


da pessoa humana, especialmente no que se refere à garantia das condições básicas de
subsistência física, esse dispositivo deve ser interpretado de modo a amparar
irrestritamente o cidadão social e economicamente vulnerável” 1

Nos termos do entendimento jurisprudencial supra, para que o critério


socioeconômico seja apreciado, se faz indispensável a verificação do contexto fático em
que está inserido o grupo familiar, haja vista as peculiaridades atinentes a cada caso
concreto.

1
TRF4 5002469-19.2014.404.7202, Quinta Turma, Relator p/ Acórdão Luiz Carlos de Castro Lugon,
juntado aos autos em 11/03/2015).
Logo, muito embora fossem desconsiderados do grupo familiar os dois filhos –
como assim fez a r. sentença, tem-se que a percepção de meio salário mínimo per capta,
por si só não possui o condão de descaracterizar a condição de miserabilidade apurada
pelo laudo socioeconômico, bem como, pelas alegações trazidas na peça exordial.

Nesta esteira, frente a defasagem dos critérios financeiros preceituados pelo


artigo 20, §3º, passou-se a admitir novos parâmetros para a configuração da
miserabilidade para fins da concessão de benefício de prestação continuada, utilizando
como parâmetro outros benefícios assistenciais concedidos pelo Governo Federal, como
o programa Bolsa Família. Senão, vejamos:

 PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE


DECLARAÇÃO. BENEFÍCIO ASSISTENCIAL. RENDA PER CAPITA
FAMILIAR SUPERIOR A 1/2 DO SALÁRIO MÍNIMO.
OMISSÃO/OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO.  1. A constatação de que,
para diversos programas assistenciais, o legislador passou a considerar a
renda per capita de ½ salário mínimo como balizador apto para a
verificação da situação de vulnerabilidade econômica do grupo familiar,
ensejou a conclusão de que a já longeva inflexibilidade normativa em
relação ao parâmetro estabelecido no dispositivo sob berlinda o tornou
incompatível com a regra constitucional presente no art. 203, V, da
CF/88, por ser ela veiculadora do direito fundamental à assistência
social.  2. Quanto ao limite mínimo da renda per capita, os rigores da lei
devem ser mitigados, levando-se em consideração a condição social do
deficiente e seu direito ao amparo constitucional, em face não só da
idade elevada, mas também do estado de miserabilidade em que vive o
núcleo familiar, situações que devem ser analisadas caso a caso. 3. Na
hipótese dos autos, o grupo familiar efetivamente possui renda per capita
superior a 1/2 salário mínimo desde 2007 e, embora comprovada a
deficiência física do requerente, não foi demonstrada situação que
permita o afastamento do limite mínimo da renda per capita. 4. Deve ser
pago o LOAS, desde a sua suspensão até setembro de 2007, pois
demonstrado que, à época, a parte autora fazia jus à percepção do
benefício 5. Embargos de declaração parcialmente acolhidos. (TRF-1 -
EDREO: 200701990533709 MT 2007.01.99.053370-9, Relator:
DESEMBARGADORA FEDERAL NEUZA MARIA ALVES DA SILVA,
Data de Julgamento: 01/01/2014, SEGUNDA TURMA, Data de
Publicação: e-DJF1 p.1377 de 14/03/2014)  (sem grifos no original).

Deste modo, sendo a renda constitutiva do grupo familiar o valor de ½ de salário


mínimo  per capta, nota-se que o montante percebido pelos mesmos encontram-se
dentro dos patamares admitidos, não havendo qualquer razão para a improcedência da
demanda, nos termos da decisão a quo, haja vista que pautada em critérios obsoletos e
não mais admitidos em virtude dos princípios constitucionais atinentes ao cidadão.

DO LAUDO SOCIOECONÔMICO:

Primeiramente, vale referir que foi editado o Enunciado nº 50 no 3º Fórum


Nacional dos Juizados Federais, a fim de agregar certo temperamento ao critério da
renda per capta de ¼ do salário mínimo previsto na Lei Orgânica da Assistência Social.
Veja-se sua redação:

A comprovação da condição socioeconômica do autor pode ser


feita por laudo técnico confeccionado por assistente social, por
auto de constatação lavrado por oficial de Justiça ou através da
oitiva de testemunhas.

Como se vislumbra no Evento XX do processo em epígrafe, foi realizada avaliação


socioeconômica na residência do Recorrente a fim de avaliar as condições de vida em
que se encontrava o grupo familiar do mesmo. Tal avaliação deveria não só verificar a
renda familiar, mas preponderar todo o contexto fático apresentado pelo mesmo.

Aí equivocou-se o D. Magistrado, pois, ao decidir a demanda deixou de avaliar o


Laudo realizado pelo Sr. Oficial de Justiça como um todo e de forma criteriosa,
deixando-se influenciar, mormente, pela renda auferida pelos componentes do grupo
familiar.

De pronto, pertinente grifar que, a despeito das considerações feitas pelo Nobre
Magistrado de primeiro grau, o notado laudo foi claro ao apontar que o grupo familiar é
composto pelo Recorrente, a esposa e os dois filhos, sendo que, somente a esposa possui
renda fixa no valor de um salário mínimo. Além disso, aponta que um dos filhos incorre
atualmente em situação de desemprego e o outro não possui renda fixa, sobrevivendo de
“bicos” que realiza como XXXXXXXXXXXXXXX.

 Dessa forma, verifica-se que o grupo familiar é composto por 04 pessoas e, não
por 02 pessoas, como restou assentado na Sentença.

Tais referências ilustram, sem dúvida alguma o erro cometido pelo decisum,
porquanto, não obstante os fundamentos já suscitados quanto a relativização e processo
de inconstitucionalidade dos patamares econômicos estabelecidos pela LOAS, a renda
per capta fixa do grupo familiar encontra-se dentro dos padrões exigidos pela
mencionada legislação.

Outrossim, ressalta-se que a renda eventual, obtida através da realização de bicos


– como ocorre no caso do filho do Recorrente, não pode ser incluída no cálculo da renda
per capta, destaca-se o seguinte precedente:

CONCESSÃO DE BENEFÍCIO ASSISTENCIAL. CONDIÇÃO DE


IDOSO. SITUAÇÃO DE RISCO SOCIAL. REQUISITOS
PREENCHIDOS. CUMPRIMENTO IMEDIATO DO ACÓRDÃO. 1.
O direito ao benefício assistencial pressupõe o preenchimento dos
seguintes requisitos: a) condição de deficiente (pessoa que tem
impedimentos de longo prazo de natureza física, mental,
intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas
barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na
sociedade em igualdade de condição com as demais pessoas) ou
idoso (neste caso, considerando-se, desde 1º de janeiro de 2004, a
idade de 65 anos); e b) situação de risco social (estado de
miserabilidade, hipossuficiência econômica ou situação de
desamparo) da parte autora e de sua família.  2. A condição de idoso
do autor restou comprovada por meio de documentos. 3. A
situação de desamparo necessária à concessão do benefício
assistencial é presumida quando a renda familiar per capita for
inferior ao valor de ¼ (um quarto) do salário mínimo. 4. Operada a
exclusão da renda eventual e incerta percebida pelo autor, a renda
mensal per capita é inferior ao limite estabelecido pelo art. 20, § 3º,
da Lei n.º 8.742/93, configurando-se, assim, a situação de risco
social necessária à concessão do benefício. 5. Comprovado o
preenchimento dos requisitos legais, deve ser concedido o
benefício em favor da parte autora, desde a data do requerimento
administrativo. 6. Determinado o cumprimento imediato do
acórdão no tocante à implantação do benefício, a ser efetivada em
45 dias, nos termos do art. 461 do CPC. (TRF4, AC 0017768-
77.2011.404.9999, Sexta Turma, Relator Celso Kipper, D.E.
05/10/2012)

BENEFÍCIO ASSISTENCIAL AO IDOSO. PREENCHIMENTO DO


REQUISITO SOCIOECONÔMICO. APLICAÇÃO ANALÓGICA
DO ART. 34, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 10.741/03.
APOSENTADORIA POR IDADE. RENDA EVENTUAL DO
CÔNJUGE IDOSO. EXCLUSÃO DO CÁLCULO DA RENDA PER
CAPITA. 1. O benefício previdenciário de valor mínimo recebido
por idoso deve ser excluído do cálculo da renda mensal para fins
de concessão de benefício assistencial, por interpretação analógica
do art. 34, parágrafo único, do Estatuto do Idoso. Precedente da
Turma Nacional de Uniformização: PU 2008.70.53.001213-4, Rel.
Juiz Federal José Antonio Savaris, j. 08.02.2010. 2. A renda precária
e auferida na medida das possibilidades físicas do cônjuge idoso
não pode prejudicar o acesso do requerente à Assistência Social. (,
RCI 2009.70.52.002600-1, Primeira Turma Recursal do PR, Relator
Erivaldo Ribeiro dos Santos, julgado em 02/06/2010)

Frente a isso, não pode ser acolhida, sequer, a insurgência proferida pelo
Magistrado a quo quanto a possibilidade do Recorrente ser auxiliado pelos filhos, uma
vez que o primeiro se encontra desempregado e o segundo somente realiza atividades
laborais esporádicas, que não podem servir nem mesmo como parâmetro da renda
mensal da família, quiçá, ser suficiente para o sustento de uma pessoa e servir de auxílio
para outra.

Ora, Excelências! Por completo descabido o entendimento firmado pela r. decisão,


mormente porque, pautada em considerações impertinentes e sem qualquer relação
com o caso concreto e o melhor entendimento jurídico, sem levar em apreço as
proposituras do laudo produzido nos autos.

Além das informações relacionadas ao grupo familiar, o referido levantamento


realizado pelo Sr. Oficial de Justiça, este também contemplou informações acerca da
residência e seu guarnecimento. Senão, vejamos:

COLACIONAR TRECHO PERTINENTE DO LAUDO


SOCIOECONÔMICO.

Como se percebe, o imóvel foi construído aos poucos (misto) e de forma simples,
inclusive dependendo do auxílio de terceiros. Ademais, o Recorrente é pedreiro, de
modo que, as condições mínimas de conforto de sua residência, evidentemente, se dão
em virtude de sua qualificação profissional e do esforço despendido para a construção do
imóvel. Tal entendimento já foi, inclusive, alvo de decisão da Turma Recursal da JF/RS
(Recurso Cível nº 5001195-97.2012.404.7102).

De mesma banda, no que se refere aos móveis que guarnecem a casa, de acordo
com as fotografias apresentadas é cristalino que todos eles são bastante antigos e alguns
até mesmo improvisados, entretanto, Excelências, não se pode confundir higiene e
organização com inexistência de miserabilidade!
Assim, as condições da residência do Recorrente não podem servir como meio de
descaracterizar a situação de miserabilidade do mesmo, uma vez que, construída a partir
de seu conhecimento profissional na construção civil, bem como, através da ajuda de
parentes. (ALEGAÇÕES PLAUSÍVEIS À RESIDÊNCIA EM CONDIÇÕES
CONSIDERÁVEIS).

Do levantamento realizado, as condições de moradia do Recorrente, por si só já


ilustram sua situação de miserabilidade, pois, as fotografias apresentadas nos autos dão
conta da condição miserável em que está inserido o mesmo e sua família, uma vez que, a
residência não possui qualquer conforto e nem mesmo condições mínimas de higiene e
infraestrutura para a moradia de um idoso, sendo inclusive, local de fácil acesso a
animais como roedores e peçonhentos, visto se encontrar nas proximidades de matagais
e acúmulo de lixo, aliado a inexistência de forro no telhado e as frestas constantes em
toda a estrutura do imóvel.

Como se percebe das imagens, o Recorrente sobrevive em condições que não se


podem considerar, sequer, mínimas à sobrevivência de um ser humano, menos ainda de
uma pessoa com idade avançada e acometida de enfermidades!

Neste ponto, indispensável referir que os casos de Benefício Assistencial deveriam


ser tratados com zelo pela Autarquia Previdenciária, bem como pelo judiciário, visto que,
não se tratam de contribuintes buscando por seus direitos, mas de indivíduos em
situação degradante e sem quaisquer recursos de prover suas necessidades básicas, como
alimentação, higiene e vestuário. (ALEGAÇÕES PLAUSÍVEIS À RESIDÊNCIA EM
CONDIÇÕES RUINS).

Neste ínterim, reportemo-nos aos gastos fixos da família, também aclarado pelo
laudo socioeconômico e que igualmente demonstram a mazela social em que se
encontram. Note-se:
COLACIONAR AS INFORMAÇÕES PERTINENTES DO LAUDO
SOCIOECONÔMICO.

Neste ponto, vislumbra-se que as despesas mais triviais como água, luz e
alimentação já abocanham valor considerável da renda mensal, não havendo meios de
arcar com despesas igualmente importantes como vestuário – que advém de doações,
saúde, transporte e lazer.

Aliás, o Recorrente na condição de pessoa idosa e portadora de enfermidades


como XXXXXXXXXXX, bem como a esposa, que também sofre de XXXXXXXXXXX,
carecem de medicamentos não fornecidos pela administração pública, além de
necessitarem de acompanhamento médico que também gera ônus financeiro que não
pode ser arcado tão somente com o valor auferido pela cônjuge.

Diante disso, é inegável a necessidade do Recorrente em auferir o benefício


pretendido e que, equivocadamente fora barrado pelo Nobre Juízo de primeiro grau ao
desconsiderar o laudo elaborado pelo Oficial Avaliador.

Neste sentido, a jurisprudência é uníssona em seu posicionamento quanto a


necessidade da análise de outras provas que não a renda:

INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO – PREVIDENCIÁRIO –


ASSISTÊNCIA SOCIAL – CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE
PRESTAÇÃO CONTINUADA (LOAS) – IDOSO – RENDA
MENSAL PER CAPTA SUPERIOR A ¼ DE SALÁRIO MÍNIMO –
POSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MISERABILIDADE
POR OUTROS MEIOS DE PROVA – RECURSO CONHECIDO E
PARCIALMENTE PROVIDO. Trata-se de agravo contra
inadmissão de incidente de uniformização nacional, suscitado pela
parte autora, em face de acórdão de Turma Recursal do Juizado
Especial Federal da Seção Judiciária de Pernambuco. Inadmitido o
incidente pela Turma de origem, foi requerida, tempestivamente, a
submissão da admissibilidade à Presidência desta Turma Nacional
nos termos do art. 7º, VI do RI/TNU. A matéria ventilada e a ser
verificada no presente caso é a possibilidade de se conceder o
benefício assistencial, previsto na Lei Orgânica da Assistência
Social, a idoso em casos de renda mensal per capta superior a ¼ do
salário mínimo, considerando outros meios de prova, como as
condições pessoais do beneficiário, para aferir a miserabilidade. O
núcleo familiar, composto pelo Autor e sua esposa, obtém renda
mensal de R$ 597,50 (quinhentos e noventa e sete reais e
cinquenta centavos), proveniente do salário do cônjuge virago.
[...]  Recentemente, o Supremo Tribunal Federal, em sede de
julgamento de recursos representativos da controvérsia (RE nº
567.985/MT e RE 580.963/PR), pela sistemática da repercussão
geral, pacificou sua jurisprudência e declarou, incidenter tantum, a
inconstitucionalidade do § 3º do art. 20 da Lei nº 8.742/93, e do
parágrafo único do art. 34 da Lei nº 10.741/03 (Estatuto do
idoso).  [...].DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para anular o
Acórdão impugnado e determinar o retorno dos autos à Turma
Recursal de origem, com a finalidade de promover a adequação do
julgado com o entendimento da TNU, conforme a premissa
jurídica ora fixada,  no sentido de se realizar novo julgamento
procedendo à análise de outras provas para aferição da
miserabilidade da parte suscitante, como suas condições pessoais e
sociais, visando à concessão de benefício assistencial. (TNU -
PEDILEF: 05006271420114058300  , Relator: JUIZ FEDERAL
WILSON JOSÉ WITZEL, Data de Julgamento: 12/11/2014, Data de
Publicação: 23/01/2015) (sem grifos no original).

Neste sentido, também é o entendimento da Turma Regional de Uniformização


da 4ª Região:

INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO. BENEFÍCIO


ASSISTENCIAL. LOAS. APLICAÇÃO QUESTÃO DE ORDEM N.º
13 DA TNU. 1. A renda superior a ¼ do salário-mínimo não
impede a concessão do benefício assistencial, quando outros fatores
demonstrarem a miserabilidade do requerente. 2. Hipótese em que
a decisão recorrida considerou todos os elementos do
entendimento e afastou o benefício pleiteado, tendo em vista que
os elementos de prova indicaram a ausência de miserabilidade. 3.
Recurso não conhecido, a teor do disposto na Questão de Ordem
n.º 13, TNU.   ( 5001166-72.2011.404.7202, Turma Regional de
Uniformização da 4ª Região, Relator p/ Acórdão Osório Ávila Neto,
juntado aos autos em 14/02/2014)

Ainda, vale assinalar o voto do Exmo. Relator no referido


julgamento, UNIFORMIZANDO ENTENDIMENTO sobre o assunto (com grifos nossos):
Ademais, registro que, em 18/04/2013, o Plenário do STF reviu o
entendimento acerca da constitucionalidade do dispositivo antes
reconhecida na ADIN 1232-1. Ficou consignado nos votos dos
Ministros Relatores da RCL 4374 (Ministro Gilmar Mendes) e do
RE 567985 (Ministro Marco Aurélio),  a alteração da situação fática
a ensejar o reconhecimento de que esse limite de 1/4 do salário
mínimo fica aquém do necessário para amparar o idoso e o
deficiente que não tem condições de prover sua subsistência nem
de tê-la provida por sua família.  Embora não tenham modulado os
efeitos da inconstitucionalidade, é possível concluir deste julgado e
das decisões monocráticas que o STF vem proferindo (RCL
4374/PE, Min Gilmar Mendes), que, enquanto não estendida a
inconstitucionalidade do dispositivo  erga omnes,  a necessidade
deve ser aferida no caso concreto,  de acordo com as reais
condições de miserabilidade do grupo familiar, quando
a  renda  per capita  ultrapasse o valor previsto na Lei, considerados
outros fatores indicativos do estado de penúria do cidadão.  É
justamente esse exame que foi realizado no acórdão recorrido, em
consonância com os entendimentos expostos nos acórdãos
paradigmas.

Assim, frente a análise das informações socioeconômicas abalizadas na instrução


processual, bem como, tendo por base o entendimento pacífico acerca dos critérios
estabelecidos pacificamente pela jurisprudência acerca da renda per capta prevista pela
LOAS, tem-se que, considerando ou não os dois filhos como membros do grupo familiar
(situação fática comprovada pelo Oficial Avaliador ao verificar que ambos residem com
os pais), o Recorrente enquadra-se plenamente nãos requisitos atinentes ao benefício
assistencial, haja vista que é pessoa idosa e hipossuficiente.

É notório frente às fotografias e os demais subsídios trazidos no laudo que a renda


auferida torna-se fator irrelevante frente à condição de miséria e vulnerabilidade em que
está a família e o Recorrente.

Ora, Excelências, resta claro que o Magistrado a quo, ao se manter omisso a


detalhes importantes ao caso concreto, equivocou-se quando deixou de conceder a
benesse previdenciária ao Recorrente, uma vez que ao efetuar a análise conjunta dos fatos
é cristalina a situação de miserabilidade deste e de sua família.

É uma afronta ao Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana,


prestar-se a afirmar que um indivíduo, contando com idade avançada, possa conviver
com a esposa e os filhos em condições ao menos satisfatórias, com o valor ínfimo
recebido.

Assim, após tudo que já fora explanado, mostram-se satisfeitos ambos os


requisitos atinentes à concessão do benefício de prestação continuada, pois o Recorrente
é idoso e vive em situação de EXTREMA vulnerabilidade social.

Portanto, após a análise do caso em tela, o indeferimento do pedido apresentado


na exordial, é uma afronta tanto ao Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa
Humana, bem como, aos objetivos da assistência social, quais sejam: a proteção à
família; e a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção
de sua integração à vida comunitária.

ASSIM SENDO, requer o provimento do recurso


inominado, para o fim de reforma da r. sentença
proferida pelo Juiz a quo, julgando procedente o
pedido exordial, para conceder o benefício de prestação
continuada ao Recorrente, nos termos da
fundamentação retro.

Nestes termos, pede e espera deferimento.

Local e Data.

ADVOGADO
OAB/UF

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