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UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA HERDY

ESCOLA DE GESTÃO E NEGÓCIOS


Cursos de Administração e Secretariado Executivo

METODOLOGIA E PENSAMENTO LÓGICO:


manual para o aprimoramento dos estudos e da produção acadêmica

Vania Martins dos Santos

Duque de Caxias
2007
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO, p. 6
2 A NATUREZA DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO, p. 8
2.1 CIÊNCIA E SENSO COMUM, p. 8
2.2 CIÊNCIA E CONHECIMENTO FILOSÓFICO, p. 10
2.3 CIÊNCIA E CONHECIMENTO RELIGIOSO (TEOLÓGICO) , p. 11
2.4 CIÊNCIA COMO CONHECIMENTO EM PROCESSO, p. 11
2.4.1 Ciência como conhecimento histórico, p. 13
2.5 CLASSIFICAÇÃO MODERNA DAS CIÊNCIAS, p. 14
2.5.1 Ciências formais e ciências factuais, p. 14
2.5.2 Ciências sociais, p. 16
3 A EFICIÊNCIA NOS ESTUDOS, p. 19
3.1 ORGANIZAÇÃO DO TEMPO, p. 20
3.1.1 O tempo livre para o estudo, p. 20
3.1.2 Aproveitamento do tempo de estudo, p. 21
3.2 APROVEITAMENTO DAS AULAS, p. 21
3.2.1 Leitura prévia dos textos, p. 22
3.2.2 Anotações de aula, p. 22
3.2.3 Revisão das aulas, p. 23
3.3 DISCIPLINA NOS ESTUDOS, p. 23
4 A LEITURA TRABALHADA, p. 24
4.1 PREPARAÇÃO PARA A LEITURA, p. 25
4.1.1 Seleção da leitura, p. 25
4.1.2 Ambiente de estudo, p. 26
4.2 A BUSCA DAS IDÉIAS PRINCIPAIS DO TEXTO, p. 26
4.2.1 Marcação dos textos, p. 27
4.3 VELOCIDADE DA LEITURA, p. 29
4.4 LEITURA ANALÍTICA, p. 29
4.4.1 Delimitação da unidade de leitura, p. 30
4.4.2 Análise textual, p. 30
4.4.3 Análise temática, p. 31
4.4.4 Análise interpretativa, p. 32
4.4.5 Problematização, p. 33
4.4.6 Síntese pessoal, p. 33
4.5 IMPORTÂNCIA DA LEITURA TRABALHADA, p. 34
5 DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA, p. 36
5.1 RESUMO PARA DOCUMENTAÇÃO DE TEXTOS, p. 36
5.1.1 Tipos de resumo, p. 36
5.2 OUTRAS APLICAÇÕES DO RESUMO, p. 38
6 ELABORAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS, p. 39
6.1 ESTRUTURA DO TRABALHO ACADÊMICO, p. 41
6.2 NORMAS DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS, p. 42
6.2.1 Capa, p. 42
6.2.2 Lombada, p. 43
6.2.3 Folha de rosto, p. 43
6.2.4 Errata, p. 44
6.2.5 Termo de aprovação, p. 45
6.2.6 Dedicatória, p. 45
6.2.7 Agradecimentos, p. 46
6.2.8 Epígrafe, p. 46
6.2.9 Resumo na língua do texto, p. 46
6.2.10 Resumo em língua estrangeira, p. 47
6.2.11 Lista de ilustrações, tabelas, abreviaturas, siglas e símbolos, p. 47
6.2.12 Sumário, p. 47
6.3 ELABORAÇÃO DE ELEMENTOS TEXTUAIS, p. 48
6.3.1 Introdução do trabalho acadêmico, p. 48
6.3.2 Desenvolvimento do trabalho acadêmico, p. 49
6.3.3 Conclusão do trabalho acadêmico, p. 51
6.4 NORMAS DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS, p. 51
6.4.1 Referências bibliográficas, p. 51
6.4.2 Glossário, p. 52
6.4.3 Apêndice(s), p. 52
6.4.4 Anexo(s), p. 52
6.4.5 Índice, p. 53
6.5 NORMAS GERAIS DE FORMATAÇÃO, p. 53
6.5.1 Formato, p. 53
6.5.2 Margens, p. 53
6.5.3 Espacejamento, p. 54
6.5.4 Paginação, p. 54
6.5.5 Numeração progressiva das seções, p. 54
6.5.6 Uso de aspas, itálico e negrito, p. 55
6.5.7 Notas de rodapé, p. 55
6.5.8 Alíneas, p. 56
6.5.9 Siglas e abreviaturas, p. 56
6.5.10 Normas para inclusão de ilustrações, p. 57
6.5.11 Normas para inclusão de tabelas, p. 57
7 NORMAS PARA FAZER CITAÇÕES, p. 62
7.1 NORMAS PARA CITAÇÕES DIRETAS, p. 63
7.2 NORMAS PARA CITAÇÕES INDIRETAS, p. 64
7.3 NORMAS PARA CITAÇÃO DE CITAÇÃO, p. 65
7.4 NORMAS COMPLEMENTARES PARA CITAÇÕES, p. 66
8 NORMAS PARA ELABORAÇÃO DE REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, p. 68
8.1 MONOGRAFIA , p. 69
8.1.1 Monografia no todo, p. 69
8.1.2 Parte de monografia de mesmo autor, p. 70
8.1.3 Parte de monografia com autoria própria, p. 70
8.1.4 Teses, dissertações e trabalhos monográficos, p. 70
8.1.5 Monografia disponível na internet, p. 70
8.2 PUBLICAÇÃO PERIÓDICA, p. 71
8.2.1 Parte de publicação periódica (artigo e/ou matéria de revista) , p. 71
8.2.2 Parte de publicação periódica (artigo e/ou matéria de jornal) , p. 71
8.2.3 Artigo e/ou matéria de periódico disponível na internet, p. 71
8.3 EVENTO, p. 72
8.3.1 Trabalho apresentado em evento, p. 72
8.3.2 Trabalho apresentado em evento disponível na internet, p. 72
8.4 IMAGEM EM MOVIMENTO, p. 72
8.5 ENTREVISTA, p. 73
8.5.1 Entrevista publicada, p. 73
8.5.2 Entrevista não-publicada, p. 73
8.6 INFORMAÇÃO VERBAL, p. 73
8.7 MENSAGEM ELETRÔNICA, p. 74
8.8 DOCUMENTOS JURÍDICOS, p. 74
8.8.1 Documentos jurídicos em meio eletrônico, p. 75
8.9 BÍBLIA, p. 75
8.9.1 Bíblia em parte, p. 75
8.10 REGRAS GERAIS PARA TRANSCRIÇÃO DE ELEMENTOS, p. 75
8.10.1 Documentos com mais de um autor (até três autores) , p. 75
8.10.2 Documentos com mais de três autores, p. 76
8.10.3 Sobrenomes compostos, p. 76
8.10.4 Autores repetidos, p. 76
8.10.5 Autor entidade, p. 77
8.10.6 Autor entidade genérica, p. 77
8.10.7 Autoria desconhecida, p. 77
8.10.8 Indicação da editora, p. 78
8.10.9 Indicação de informações ausentes, p. 78
8.10.10 Informações complementares aos documentos, p. 79
9 INICIANDO AS ATIVIDADES DE PESQUISA, p. 86
9.1 AS FONTES DE PESQUISA, p. 81
9.1.1 Fontes bibliográficas, p. 81
9.1.2 A pesquisa na internet, p. 83
9.1.2.1 Os problemas da pesquisa na internet, p. 84
10 ESCOLHA E DELIMITAÇÃO DO TEMA DE PESQUISA, p. 87
10.1 A ESCOLHA DO TEMA, p. 87
10.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA, p. 88
10.2.1 As fontes de inspiração, p. 89
10.2.2 A formulação do problema, p. 90
10.2.3 Uma “boa” pergunta de partida, p. 91
11 OS MÉTODOS CIENTÍFICOS, p. 95
11.1 DUAS TRADIÇÕES EM METODOLOGIA CIENTÍFICA, p. 96
11.1.1 Métodos quantitativos, p. 96
11.1.2 Métodos qualitativos, p. 97
11.2 DELINEAMENTO DOS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS, p. 99
11.2.1 Classificação dos tipos de pesquisa quanto aos fins, p. 99
11.2.2 Classificação dos tipos de pesquisa quanto aos meios, p. 100
12 A REDAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO, p. 103
12.1 REGRAS DE ESTILO, p. 104
12.1.1 Clareza, p. 104
12.1.2 Precisão, p. 105
12.1.3 Objetividade, p. 106
12.2 RECOMENDAÇÕES GERAIS, p. 106
13 CONCLUSÃO, p. 107
REFERÊNCIAS BILBLIOGRÁFICAS, p. 108
APÊNDICE A – Lista das principais normas de formatação do trabalho
acadêmico, p. 111
ANEXO A – Classificação dos tipos de pesquisa quanto aos fins e aos meios
segundo Vergara, p. 112
6

1 INTRODUÇÃO

O estudante que ingressa na vida universitária tem diversos desafios a


enfrentar em sua vida acadêmica. A universidade é um ambiente social e cultural
muito particular, bastante diferente do ambiente que caracteriza a vida escolar pré-
universitária. Novas atitudes, habilidades e competências passam a ser requeridas
do aluno que, muitas vezes, não se sente totalmente preparado para respondê-las.
Muitos estudantes confessam, já no primeiro período, encontrar dificuldades
para orientar seus estudos no curso universitário. Na maioria das vezes, sentem que
sua participação nas aulas não é produtiva, que a leitura dos textos não lhe permite
reter muitos conhecimentos, ou que a redação dos trabalhos e das respostas dos
testes não é satisfatória.
Estas e outras dificuldades são bastante comuns a quem ingressa em uma
nova etapa da formação intelectual. Para enfrentá-las com sucesso, o estudante
pode contar com o auxílio de métodos e técnicas de estudo e de aprendizagem que,
corretamente aplicados, melhoram os resultados de suas atividades acadêmicas.
Neste sentido, este manual apresenta aos estudantes uma síntese das principais
recomendações oferecidas pelos tradicionais guias de metodologia do trabalho
científico, com o intuito de informar àqueles que ingressam na faculdade as
melhores maneiras de tirar o máximo de proveito do curso que vão fazer.
Com este intento, o estudante é apresentado, no capítulo 2, às primeiras
noções de ciência e às principais características que distinguem essa forma de
conhecimento. O capítulo 3 aborda as técnicas para organizar os estudos e obter
melhor aproveitamento das aulas. O capítulo 4 trata do aprimoramento da leitura
dos textos, através da técnica de leitura analítica. As técnicas para elaboração de
resumos, muito solicitados pelos professores, são apresentadas no capítulo 5. O
capítulo 6 trata dos padrões de elaboração e de apresentação de trabalhos
acadêmicos, familiarizando o estudante com as normas da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), que serão exigidas ao longo de todo o curso. No capítulo
7, o estudante aprende a citar documentos em seus trabalhos acadêmicos, com
base nas normas da ABNT. A elaboração de referências bibliográficas segundo a
ABNT é tratada no capítulo 8. O capítulo 9 orienta os estudantes na busca de
informações para a elaboração de trabalhos, apresentando as principais fontes
bibliográficas de pesquisa. No capítulo 10, o estudante tem contato com alguns
7

recursos que lhe ajudarão nas etapas fundamentais de escolha e delimitação do


tema de trabalho. O capítulo 11 faz uma apresentação geral de alguns métodos que
o estudante pode empregar na realização de suas pesquisas acadêmicas. O
capítulo 12 finaliza as etapas de iniciação à ciência apresentando as regras
fundamentais para redigir os trabalhos dentro dos padrões acadêmicos.
Desta maneira espera-se contribuir para a adaptação do estudante a um dos
mais importantes objetivos da universidade: contribuir para sua formação científica.
Para pensar e produzir como um cientista, é preciso libertar-se de velhos hábitos e
assumir novas posturas intelectuais. Segundo estudiosos e pesquisadores da área,
alguns recursos metodológicos são essenciais nesta jornada. É indispensável,
portanto, tornar acessíveis aos estudantes tais recursos.
De um curso universitário bem feito pode depender, em grande parte, o
sucesso profissional do aluno e a evolução de seu nível cultural. Para que isto seja
alcançado, é importante investir no real aprendizado do conhecimento, que não
significa simplesmente reproduzir o que foi ouvido nas aulas, mas adquirir recursos
que permitam a intervenção inteligente nos problemas que se apresentam, tanto na
vida intelectual, quanto na vida profissional.
O diploma da graduação, embora uma importante conquista, não constitui
mais, por si só, um diferencial significativo no mercado de trabalho. O novo perfil do
trabalhador requisitado no mercado valoriza muito as habilidades do profissional em
dominar e utilizar os conhecimentos adquiridos na resolução de problemas que se
apresentam no exercício de suas funções. Por outro lado, mudanças na realidade
educacional do país indicam uma ampliação do número de estudantes matriculados
em universidades, ampliando a disputa pelo mercado de trabalho. Neste contexto,
certamente, a qualidade da formação universitária adquire maior importância do que
a simples conclusão do curso. Não basta se formar, é preciso ter uma excelente
formação.
8

2 A NATUREZA DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Etimologicamente, ciência significa conhecimento. Habitualmente,


empregamos a expressão “tomar ciência” no sentido de obter conhecimento sobre
alguma coisa. Entretanto, ciência não significa um conhecimento qualquer, mas “um
conhecimento que não só apreende ou registra fatos, mas também os demonstra
pelas suas causas determinantes ou constitutivas” (RUIZ, 1996, p. 128). Esta
proposição de Ruiz é apenas uma das inúmeras definições acerca do que constitui a
ciência, cada uma destacando certo aspecto que caracteriza esta forma de
conhecimento. Isoladamente, nenhum destes aspectos define de modo adequado o
que seja ciência, razão pela qual serão apontadas neste capítulo as diversas
características que, tomadas em conjunto, a diferenciam de outras formas de
conhecimento produzidas pelo homem.

2.1 CIÊNCIA E SENSO COMUM

As principais diferenças entre ciência e senso comum não estão relacionadas


aos fatos ou aos fenômenos que despertam o interesse humano, mas aos modos
como se produz o conhecimento sobre estes objetos. Fenômenos que são alvo de
rigorosos estudos científicos também despertam a curiosidade do homem comum,
que pode, por exemplo, se interessar pelo que ocorre nas empresas ou na economia
de seu país, sem que seja administrador ou economista. Entretanto, o conhecimento
que o homem comum é capaz de produzir sobre estas realidades tende a diferir
bastante daquele oferecido pelo economista e pelo administrador.
Lungarzo (1989) recorre a um exemplo perfeitamente ilustrativo destas
diferenças.Todas as pessoas podem conhecer determinados fatos, mesmo que não
sejam cientistas. Todos sabem que a dinamite explode quando é submetida à ação
do fogo. Este é um conhecimento familiar ao senso comum, porém nem todos
conhecem as razões pelas quais este fenômeno ocorre. Até mesmo os que
conhecem as explicações do senso comum só sabem que a dinamite contém certas
substâncias responsáveis pela explosão. Se esta mesma realidade é submetida ao
exame do cientista, a abordagem tem outro alcance: “o químico é capaz de nos
explicar com detalhes o que acontece dentro de um explosivo quando ele é
submetido à ação do fogo, seu efeito sobre os componentes químicos, as forças que
9

são liberadas, a intensidade da explosão, etc” (LUNGARZO, 1989, p. 13). Enquanto


o homem comum explica os fatos por meio de conhecimentos que também são do
senso comum, o cientista tenta encontrar explicações mais profundas, baseadas em
conhecimentos mais exatos e precisos.
Para distinguir o conhecimento científico das demais formas de conhecimento,
outras características são consideradas essenciais (LUNGARZO, 1989; RUIZ, 1996):

a) o conhecimento científico é crítico. O cientista analisa, questiona e


submete a exame a validade das afirmações, ao invés de aceitá-las dócil e
passivamente. O espírito indagador do cientista duvida das explicações já
estabelecidas, e não aceita conclusões apenas por estarem baseadas na
autoridade da tradição ou de homens de prestígio. O senso crítico faz o
cientista caminhar a igual distância entre os extremos do dogmatismo
(aceitação incondicional de uma idéia) e do ceticismo (ausência de
qualquer certeza).
b) o conhecimento cientifico é organizado e metódico. Enquanto o senso
comum é composto por um conjunto de conhecimentos desconexos,
obtidos ao acaso ou em situações não planejadas, o conhecimento
científico é orientado por padrões de pesquisa e organizado em um
conjunto no qual os elementos se relacionam de modo ordenado;
c) o conhecimento cientifico é generalizante. O cientista desenvolve o
conhecimento acerca de conjuntos ou classes de fatos e não apenas
sobre determinados fatos isolados. O senso comum registra fatos
singulares ou aproxima fatos similares através de analogias parciais,
enquanto a ciência pesquisa a constituição destes fenômenos, para
apreender os elementos comuns entre os mesmos. A ciência generaliza
porque é capaz de atingir a constituição íntima dos fenômenos e identificar
suas causas comuns;
d) o conhecimento cientifico é prognosticador. Baseado em princípios ou leis,
o cientista pode predizer com alguma certeza de que maneira fatos futuros
ocorrerão. A ciência se empenha em tornar o universo compreensível, esta
é a finalidade de suas teorias. Da compreensão dos fenômenos pela
ciência decorrem conseqüências práticas: o maior controle dos
10

fenômenos, a capacidade de prognosticar, e tantos outros recursos da


ciência aplicada que podem melhorar a qualidade da vida humana.

É através destes princípios que a o cientista consegue ultrapassar a visão


desordenada e fragmentada do senso comum, compreendendo a cadeia de
fenômenos que se esconde por trás de suas aparências. O cientista pretende ir além
da maneira superficial e acrítica de ver a realidade por parte do sendo comum,
propondo uma forma sistemática, metódica e crítica de compreender, explicar e
dominar o mundo (KÖCHE, 1999).

2.2 CIÊNCIA E CONHECIMENTO FILOSÓFICO

De acordo com Ferrater Mora (1982), ciência e filosofia mantêm entre si


relações muito complexas, a começar pelo próprio fato de ser a ciência um dos
objetos da filosofia, razão pela qual há uma filosofia da ciência, assim como há uma
filosofia da arte e da religião. Nem sempre são claras as linhas que delimitam o
conhecimento filosófico, pois este oferece às ciências de todas as áreas seus
princípios, além de formular problemas que muitas vezes desafiam o saber
estabelecido em outros campos de conhecimento.
Atribui-se a Pitágoras (século VI antes de Cristo) a criação da palavra
filosofia, composta do adjetivo philos, que significa amigo, e de sophia, que significa
sabedoria. Na Grécia, aqueles que buscavam soluções racionais para os problemas
humanos eram chamados sábios. Sábio destacado de sua época, Pitágoras recusou
a denominação, pois lhe pareceu presunçosa a idéia de que alguém “sabe”, isto é,
tem um conhecimento definitivo sobre as coisas. Pitágoras preferiu a expressão
filósofo, que sugere busca e devoção à sabedoria, ao invés de posse definitiva da
mesma. Esta noção permanece como a própria essência da filosofia, que, segundo
Jaspers (apud CERVO; BERVIAN, 1996), está na busca do saber e não na sua
posse.
Filosofia é um modo de conhecimento racional dirigido ao questionamento
dos problemas humanos, que são examinados à luz da razão, sem o recurso da
iluminação divina (RUIZ, 1996). Tal como o conhecimento científico, a filosofia
também tenta substituir o conhecimento do senso comum, mas ultrapassa os limites
da ciência, permitindo a reflexão sobre as preocupações fundamentais do espírito
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humano. “O que é a verdade?”, “como devemos viver?” são algumas das questões
tratadas pelos filósofos e que não podem ser respondidas cientificamente.
A investigação de questões em um nível que ultrapassa a abordagem
científica se traduz, em algumas vertentes do pensamento filosófico, em indagações
metafísicas, que investigam os primeiros princípios e as principais causas que se
situam para além ou por detrás do ser físico enquanto tal.
A filosofia não deve, contudo, ser tomada como mero devaneio, pois baseia-
se em princípios racionais e na coerência lógica, ainda que na modernidade filósofos
tenham questionado a própria idéia de racionalidade. Este é um questionamento
próprio da filosofia, que não se fixa no objeto de estudo, mas indaga sobre o sujeito
que conhece e os próprios meios de conhecê-lo.

2.3 CIÊNCIA E CONHECIMENTO RELIGIOSO (TEOLÓGICO)

A teologia é um tipo de conhecimento que se funda na fé. As verdades


religiosas estão apresentadas nos livros sagrados ou são divinamente reveladas,
dispensando-se evidências comprobatórias sobre elas. É necessário crer no
conhecimento revelado, mesmo quando as evidências contradizem as verdades
estabelecidas, pois estas são absolutas e definitivas, não estando sujeitas à revisão
nem pela evidência lógica, nem pela empírica (MATTAR NETTO, 2005). Esta
característica se contrapõe a um princípio fundamental do conhecimento científico: a
verificabilidade de suas conclusões. Só é científico o conhecimento que pode
demonstrar a veracidade de suas informações e conclusões.
O conhecimento teológico, em geral, oferece respostas para as questões que
não podem ser respondidas nem pela filosofia, nem pela ciência, pois envolve uma
postura de aceitação dos dogmas religiosos como verdades incontestáveis, postura
esta incompatível com o questionamento crítico presente no conhecimento filosófico
e científico.

2.4 CIÊNCIA COMO CONHECIMENTO EM PROCESSO

A ciência não representa um ponto de chegada para o conhecimento humano,


em torno do qual estão estabelecidas verdades fixas e definitivas, mas um processo
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em constante evolução, no qual novas evidências devem ser buscadas e novos


exames estabelecidos a partir de novas óticas.
Popper (1993) destaca a característica da ciência como um conhecimento em
processo. A reflexão do cientista começa a partir da ocorrência ou percepção de um
problema. Isto pode decorrer de uma observação direta dos fatos pelo cientista ou,
ainda, de uma reflexão crítica a respeito das teorias existentes. Ao ter consciência
da existência de um problema, o cientista tenta formular explicações provisórias
(hipóteses) para o problema verificado. Criadas as hipóteses, estas devem ser
confrontadas com os dados empíricos e também comparadas com outras hipóteses
existentes. Neste processo de testagem, as hipóteses são submetidas a “testes de
falseabilidade”, isto é, a hipótese é submetida a testes rigorosos que possam
derrubá-la e, caso isto não aconteça, então diz-se que a hipótese é “corroborada”.
Se algum caso mostra que as hipóteses são falsas, então o pesquisador reinicia seu
trabalho, reformulando-as e dando início a novos testes. Quando uma hipótese é
corroborada, não é conveniente afirmar que foi aceita de maneira definitiva, por mais
que tenham sido rigorosos os testes a que foi submetida. A hipótese ganha um
status científico temporário e passa a constituir o acervo teórico existente, até que
novas investigações a rejeitem.
Kuhn (1992) observa que a ciência avança em etapas sucessivas,
configuradas por paradigmas. Os paradigmas são modelos ou padrões científicos
que guiam uma comunidade de cientistas na elaboração de problemas e na
formulação de soluções. Os paradigmas são, em geral, constituídos por teorias
amplas que possuem a capacidade de explicar grande número de casos
observados. Há uma estabilidade nos paradigmas quando as atividades de pesquisa
giram em torno da busca de casos que comprovam os paradigmas existentes e
aceitos pela comunidade científica. Contudo, quando começam a surgir casos
discrepantes, que não podem ser abarcados pelas explicações destes paradigmas,
ocorre uma “crise de paradigmas”. Esta crise pode ter como resultado a
reformulação dos paradigmas existentes, para que possam contemplar os novos
casos apresentados, ou a formulação de paradigmas novos. Segundo o autor, não
há um paradigma fixo e absoluto para a investigação científica; ao contrário, as
sucessões de paradigmas marcam as diversas etapas do conhecimento científico.
Segundo Morin (2003) a ciência é ainda mais mutável do que outras formas
de conhecimento, pois enquanto estas têm a estabilidade assegurada pelas
13

tradições ou por universos sobrenaturais que não podem ser verificados, a ciência,
que se baseia na busca de evidências que justificam e demonstram as explicações
dos fatos, é sempre refutável. Para o autor, “as teorias científicas são mortais, e são
mortais por serem científicas” (MORIN, 2003, p. 22).
Embora o conhecimento científico esteja fundamentado em dados verificados,
seu progresso não caminha em direção a certezas absolutas. O campo científico tem
se configurado como um campo aberto, onde combatem diferentes teorias e visões
de mundo. Entretanto, não se deve conceber este campo como um espaço de “vale-
tudo”, pois o combate está baseado nas “regras do jogo”, como, por exemplo, o
respeito aos dados e a obediência a critérios de coerência. O respeito a estas regras
é o que garante a permanência da peculiaridade do conhecimento científico face às
outras formas de conhecimento.

2.4.1 Ciência como conhecimento histórico

Outra razão a reforçar o caráter inacabado da ciência é o fato de esta ser um


produto da atividade humana, situada em um contexto histórico específico. As
verdades científicas refletem o estado do conhecimento até então acumulado neste
contexto. Sendo histórica, a verdade científica terá sempre caráter inacabado, pois
hipóteses confirmadas satisfatoriamente, tendo em vista o instrumental disponível
em dado momento, poderão ser revistas em outras condições históricas.
A própria ciência da sociedade (sociologia) afirma que o homem é um ser
social, enraizado na cultura de seu grupo. Por que haveria de ser o cientista um ser
superior, descomprometido com sua sociedade? O cientista, contudo, tem a
capacidade de exercer uma crítica sobre sua própria cultura. Assim, se o
conhecimento científico não pode ser isolado das condições de sua elaboração, é
indispensável que todo cientista se interrogue sobre seu enraizamento sociocultural,
estando atento às seguintes tendenciosidades (bias) em suas pesquisas (DUSILEK,
1985):

a) tendência a reconhecer apenas as evidências que favorecem seu próprio


ponto de vista;
b) aceitar de maneira acrítica informações de uma fonte de autoridade
(política, religiosa ou até mesmo científica);
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c) tomar as emoções e a afetividade que um fenômeno desperta como base


de interpretação do mesmo;
d) apegar-se às formulações do passado, com medo de mudanças nos
paradigmas de pensamento;
e) julgar a partir de idéias estereotipadas recebidas do lar, da escola ou da
convivência social;
f) generalizar de modo impreciso, tomando como verdadeiro para toda uma
classe de pessoas ou de fatos aquilo que é verdadeiro apenas para um
pequeno grupo.

2.5 CLASSIFICAÇÃO MODERNA DAS CIÊNCIAS

Desde a antigüidade é possível identificar a preocupação em dividir e


classificar as ciências, de acordo com seus objetos de estudo. Esta divisão tem sua
utilidade, tendo em vista a multiplicidade de objetos que podem ser tratados
cientificamente e a impossibilidade de dominar todos os conhecimentos científicos.
Isto não significa, contudo, que estas delimitações configurem áreas estanques de
conhecimentos que não se comunicam; ao contrário, pode existir um saudável
diálogo entre os diversos ramos da ciência, sendo comum que os pesquisadores não
se restrinjam totalmente à sua própria área científica.
A moderna classificação das ciências parte de uma distinção essencial entre
ciências formais ou abstratas e ciências factuais ou empíricas (LUNGARZO, 1989).

2.5.1 ciências formais e ciências factuais

As ciências formais, compostas pela lógica e pela matemática, são também


chamadas de “abstratas”, porque lidam com objetos que não são concretos, isto é,
não são entidades do mundo real, que possam ser percebidas pelos sentidos. Estas
ciências lidam com idéias, conceitos, números, sentenças, equações, entre outros
objetos, cujas propriedades abstratas são apenas pensadas e não dependem de
nenhuma experiência particular. Isto não significa que estas ciências não estejam
vinculadas ao mundo real; ao contrário, são constantemente aplicadas tanto em
outras ciências quanto na própria vida cotidiana. Contudo, a origem destes
conhecimentos não provém do mundo real, pois trata-se de construções conceituais.
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As ciências factuais são aquelas cujos objetos são fatos, fenômenos ou


situações reais. São também chamadas de empíricas, palavra de origem grega
(empiria) que significa “experiência”, reafirmando-se o caráter destas ciências como
ciências dos fatos ou da experiência dos fatos.
Embora as ciências factuais evidentemente criem conceitos e teorias, estes
são formulados a partir de dados fornecidos pela experiência. Nas ciências factuais,
os cientistas fazem experimentos e observações (ou se baseiam em teorias que
resultaram destes procedimentos) a partir dos quais extraem os dados que
sustentam suas afirmações. O cientista factual usa, como fonte de seus
conhecimentos, eventos reais, sejam eles do mundo físico, biológico ou cultural.
Entre as ciências que compõem o ramo das ciências factuais, há uma
distinção importante entre ciências naturais e ciências sociais. As ciências naturais,
como a física, a química e a biologia, se ocupam dos fenômenos que ocorrem no
mundo natural, enquanto o objeto das ciências humanas ou sociais, representadas,
por exemplo, pela sociologia e pela psicologia, são os fenômenos relacionados com
o homem, a cultura e a sociedade.
A próxima seção se deterá na análise das características das ciências sociais,
tendo em vista que a administração é classificada como uma ciência social aplicada,
isto é, uma ciência que busca a solução de problemas específicos pela aplicação
direta de conhecimentos teóricos e metodológicos produzidos por outras ciências
(CARAVANTES; PANNO; KLOECKNER, 2005).

2.5.2 Ciências sociais

As ciências sociais apresentam algumas particularidades que as diferenciam


das ciências naturais e que, segundo algumas correntes de pensamento,
constituiriam sérios impedimentos à sua condição de “ciência verdadeira”
(CHALMERS, 1994). De acordo com este ponto de vista, alguns procedimentos
necessários ao conhecimento científico não estariam ao alcance dos estudiosos da
vida social humana, como, por exemplo, o uso do método experimental, a
quantificação dos fenômenos e a descoberta de suas leis de funcionamento.
As atividades humanas seriam imprevisíveis, dado que o homem é um ser
pensante, inteligente e afetivo, que intervém ativamente no mundo, transformando-o.
Nem o homem, nem a sociedade, nem a cultura são mecanismos fixos aos quais
16

podem ser aplicados exatamente as mesmas técnicas aplicadas ao estudo da


natureza. Estas mesmas características dos fenômenos sociais tornariam inviável a
realização de experimentos, já que estes requerem condições rigorosas de controle
e manipulação dos fatores pesquisados.
Estas são questões intensamente discutidas pela filosofia da ciência, que
também inclui correntes de pensamento que defendem o caráter científico das
ciências sociais. Em favor da perspectiva de que as pesquisas sociais podem ser
científicas encontram-se os seguintes argumentos (GIL, 1999):

a) o papel dos experimentos no desenvolvimento da ciência não deve ser


superestimado, pois existem ciências naturais que não se valem destes
métodos, como a astronomia e a geologia. Cabe destacar também que
há estudos no campo da psicologia e até mesmo da sociologia que
fazem uso de métodos experimentais, como foi o caso do importante
“Experimento de Hawthorne”, conduzido por Elton Mayo (1880-1949), na
fábrica da Western Eletric Company;
b) embora a quantificação dos fenômenos seja menos precisa nas ciências
sociais, há técnicas estatísticas que podem ser aplicadas de modo
bastante satisfatório em pesquisas sociais, como é o caso das amostras
e escalas (estudadas no capítulo 11 sobre métodos científicos);
c) certamente o comportamento humano é mais mutável e complexo do que
o comportamento dos fenômenos da natureza, porém hoje admite-se que
este último não é totalmente regido por leis absolutas. Assim, a diferença
entre as ciências da natureza e da sociedade estaria somente em que as
últimas são mais probabilísticas que as primeiras.

Entretanto, alguns aspectos devem ser considerados em relação ao caráter


científico das ciências da sociedade. A dualidade do observador é característica
marcante destas ciências e significa que o pesquisador social, ao mesmo tempo em
que observa a sociedade, é também parte dela. De acordo com Fernandes (1976), o
homem é ao mesmo tempo sujeito do conhecimento (observa e analisa os fatos da
sociedade) e objeto do conhecimento (participante dos fatos sociais).
Dentro desta perspectiva, a postura neutra de não interferir nos fatos
estudados (neutralidade científica) é difícil de ser alcançada, já que o cientista é
17

parte integrante da realidade que estuda, interferindo nela e, ao mesmo tempo,


sendo por ela influenciado. É importante, portanto, que o pesquisador tenha
consciência destas interferências.
A objetividade científica nas ciências sociais significa que, tanto quanto seja
humanamente possível, o pesquisador deve controlar suas preferências subjetivas
para perceber o que se passa na realidade com clareza, ainda que esta realidade
não esteja de acordo com suas crenças e valores. Os resultados da pesquisa não
devem ser determinados pelas preferências valorativas do investigador, mas devem
estar de acordo com os dados factuais obtidos através de métodos científicos.
Embora a natureza das ciências sociais seja diferente daquela que caracteriza as
ciências naturais, ambos os cientistas devem se submeter às regras da ciência na
condução de suas pesquisas, para que a objetividade científica possa ser alcançada
nas ciências sociais.
De acordo com Quivy e Campenhoudt (2003, p. 20);

Em ciências sociais temos que nos proteger de dois defeitos


opostos: um cientificismo ingênuo que consiste em crer nas
possibilidades de estabelecer verdades definitivas e de adotar um
rigor análogo ao dos físicos ou dos biólogos, ou, inversamente, um
ceticismo que negaria a própria possibilidade de conhecimento
científico. (...) Os nossos conhecimentos constroem-se com o apoio
de quadros teóricos e metodológicos explícitos, lentamente
elaborados, que constituem um campo pelo menos parcialmente
estruturado, e esses conhecimentos são apoiados pela observação
de fatos concretos.

A exclusão completa dos valores humanos da atividade científica,


especialmente nas ciências sociais, seria impossível. A própria escolha do tema da
pesquisa, diante da infinidade de questões que podem ser objeto de investigação
científica, já reflete a existência de “preferências” do pesquisador. Contudo, na
condução do trabalho científico, o investigador deve observar as regras da lógica e
da pesquisa, para que os resultados alcançados sejam válidos universalmente.
A validade universal da ciência significa que o cientista não projeta seus
próprios juízos de valor na investigação em que está empenhado, de modo que os
resultados alcançados em uma pesquisa científica devem ser respostas
universalmente válidas para todos os que procuram a resposta àquela questão. O
cientista social, como qualquer outro cientista, deve coletar e analisar dados de
forma rigorosa, planejada e organizada, com base em métodos que, mesmo
18

empregados por pesquisadores diferentes, levam a resultados semelhantes.


Preferências políticas ou religiosas, por exemplo, embora se manifestem na
orientação da curiosidade do cientista por determinado tema, não devem impedir a
validade universal das descobertas científicas. Afirma Weber: “tomar uma posição
política prática é uma coisa, e analisar as estruturas políticas e as posições
partidárias é outra” (WEBER, 1982, p. 172). O trabalho do cientista consiste em
estudar de modo metódico e sistemático a realidade. A cientificidade desse estudo
deve ser garantida pelo rigor da pesquisa, que significa que as hipóteses
desenvolvidas devem ser submetidas a verificações e confrontadas com os dados
da realidade.
19

3 A EFICIÊNCIA NOS ESTUDOS

Ruiz (1996) destaca algumas das dificuldades enfrentadas pelos alunos que
iniciam os cursos de graduação e têm que se adaptar às regras características desta
nova etapa de sua formação acadêmica. A prática dos estudos universitários tem
suas particularidades. Neste novo ambiente, todos são tratados como adultos
responsáveis e capazes de dirigir sua própria vida, motivo pelo qual têm suas
atividades de estudo vigiadas com muito menos rigor, em comparação às inúmeras
formas de controle que a escola impõe no ensino médio.
Em outras palavras, o aluno passa a ser quase integralmente
responsabilizado pela aplicação da disciplina em seus estudos. As metas são
estipuladas pelos professores, pouco importando para estes como os alunos
distribuem seu tempo, como lêem os textos exigidos e como se organizam para
produzir os trabalhos acadêmicos. Se a maior liberdade para estudar como melhor
lhe convém é geralmente bem-vinda entre os estudantes, por outro lado, nem todos
entendem que também precisam adquirir novas atitudes, tornando-se mais
responsáveis e autodisciplinados, para obter bons resultados nos estudos e cumprir
as exigências da vida acadêmica.
É importante ter consciência de que ninguém pode fazer um bom curso,
qualquer que seja ele, comparecendo de maneira irregular às aulas e adotando a
postura de alcançar somente a nota mínima exigida para sua aprovação. Além disso,
é importante conscientizar-se também de que o conteúdo oferecido nas aulas pelo
professor, embora indispensável para o estudante, não é suficiente para o
aproveitamento de todo o potencial de conhecimento que um curso universitário
pode oferecer ao aluno. O trabalho, tanto individual quanto em grupo, exercido fora
do tempo de aula é de igual importância para este aproveitamento.
A falta de motivação e de preparo para assumir estas novas
responsabilidades constitui um dos fatores determinantes do fracasso de muitos
estudantes que, embora tenham lutado muito para ingressar na faculdade, acabam
por abandoná-la antes do término do curso. Portanto, uma reflexão sobre as razões
de cursar uma universidade e sobre o comprometimento com os resultados
esperados é um bom ponto de partida para o estudante.
Outra condição é tomar conhecimento e aplicar os recursos que permitem
organizar melhor o tempo de estudos, aumentar o aproveitamento das aulas, extrair
20

um conteúdo mais rico dos textos lidos e aproximar-se gradativamente do padrão


que acompanha toda a vida acadêmica dos que cursam uma universidade. O
alcance deste padrão deve ser buscado pelo estudante com a consciência de que
“fazer um curso superior não é ouvir aulas para conseguir adivinhar os testes, mas
instrumentar-se para o trabalho científico” (RUIZ, 1996, p. 20).

3.1 ORGANIZAÇÃO DO TEMPO

De acordo com Ruiz, (1996, p. 21), “o progresso é, em grande parte, uma luta
contra os ponteiros do relógio”. Esta afirmativa retrata um dos problemas mais
comuns na vida daqueles que ingressam na universidade e o primeiro passo para
lidar com ele consiste em reorganizar os compromissos e atribuições da vida, de
modo a abrir espaços para o estudo, ajudando a garantir o melhor aproveitamento
possível do tempo.

3.1.1 O tempo livre para o estudo

Uma técnica comumente utilizada para revisar a distribuição do tempo


consiste em anotar em uma folha de papel todas as atividades diárias (profissionais,
sociais, familiares, de lazer e escolares) uma após a outra, desde o início da rotina
até a hora de dormir. Em seguida, anota-se o horário em que cada uma destas
atividades costuma iniciar e terminar. Nos casos em que a rotina diária é variada ao
longo da semana, deve-se fazer o levantamento para todos os dias da semana. Em
seguida, procura-se identificar os espaços vazios entre as atividades e, caso estes
não existam, procura-se identificar as atividades que não sejam essenciais para
então substituí-las pelo estudo. Talvez isso signifique dormir um pouco menos ou
dedicar menos tempo ao lazer, mas é importante ter em mente a necessidade de
distinguir as atividades essenciais das acessórias, o que significa, inevitavelmente,
que opções terão de ser feitas.
O ideal para a construção de uma disciplina nos estudos, segundo Ruiz
(1996), é reservar um tempo, ainda que mínimo, para os estudos em todos os dias
da semana. É importante não menosprezar as brechas de tempo identificadas na
lista de atividades, mesmo que estas pareçam muito curtas. Trinta minutos diários
reservados ao estudo significam, ao final de um mês, cerca de quinze horas, o que
21

certamente já é um ponto de partida para quem pensa não ter tempo algum para
estudar.

3.1.2 Aproveitamento do tempo de estudo

A programação de estudos inicialmente feita costuma passa por revisões, até


que se encontre a organização adequada ao maior rendimento do estudante. Além
de encontrar tempo, é necessário também utilizá-lo de maneira produtiva. Por isso,
conforme o aluno aprende a aplicar outras técnicas de estudo, como a de leitura
trabalhada e a de elaboração de resumos, tende a aproveitar melhor o tempo,
mesmo que curto.
Além disso, a organização do tempo inclui não apenas a identificação do
período de tempo disponível para o estudo, como também a programação correta de
sua utilização. Como é necessário cumprir obrigações para mais de uma disciplina,
deve-se identificar os momentos adequados para estudar cada uma delas. É
importante que, durante o tempo proposto, qualquer que seja ele, haja a
concentração total no trabalho. Esta concentração também depende de treinamento,
e tende a ser aperfeiçoada conforme os estudos vão sendo incorporados à rotina
diária de estudos.
Aqueles que, após a tentativa de reorganização do tempo, chegam a
conclusão de que não há espaço em sua rotina para o estudo, ou, ainda, que os
estudos não constituem uma das atividades essenciais de suas vidas, estão em
séria contradição com as exigências da vida acadêmica. Atitude inadimissível é a de
justificar o fracasso escolar pela falta de tempo ou pelo acúmulo de obrigações.
Embora seja louvável que alguém se dedique aos estudos após um dia inteiro de
trabalho, isto não pode dispensar nenhum estudante de cumprir com o compromisso
de estudar.

3.2 APROVEITAMENTO DAS AULAS

A aula é um tempo precioso com o qual o estudante conta, principalmente


quando sabe aproveitá-lo. Embora seja importante contar com um professor bem
preparado, organizado e motivado, o aproveitamento das aulas depende,
essencialmente, do próprio estudante. O melhor aproveitamento das aulas começa
22

antes mesmo de se entrar em sala. Assim como o professor deve preparar a aula
para melhor aproveitar o tempo de sua explanação, também o aluno deve se
preparar para melhor aproveitar o tempo de seu aprendizado (MORGAN, 1980).

3.2.1 Leitura prévia dos textos

A preparação para as aulas deve levar em conta, em primeiro lugar, o


conhecimento, pelo aluno, do programa de curso do professor, de modo que possa
identificar os assuntos que serão abordados em cada aula específica. Além disso, é
necessário reunir todo o material solicitado previamente pelo professor,
principalmente o texto que será abordado na aula. O estudante deve ler este texto
antes da aula, para formar uma noção antecipada do que o professor irá explanar
em classe. Nesta leitura prévia, o aluno identifica os pontos obscuros, cujo
esclarecimento poderá ser solicitado ao professor e, mais importante, sai da
condição de ignorância total do assunto, dando um passo importante para assimilar
melhor a aula (SALOMON, 2000). Atitudes adequadas por parte do estudante, tais
como pontualidade e concentração nos assuntos abordados, é claro, ampliam em
muito esta assimilação.

3.2.2 Anotações de aula

A aula expositiva do professor é uma forma de reforçar os conhecimentos já


adquiridos na leitura prévia dos textos de aula, além de uma oportunidade de obter
informações que ultrapassam o conteúdo destes textos. Esta é, sem dúvida, uma
das principais contribuições que um professor pode oferecer à formação intelectual
de seus alunos. Além disso, assuntos destacados em aula pelo professor costumam
ser os mais prováveis candidatos a constituir matéria de prova. Muitos alunos não
têm o hábito de fazer anotações e surpreendem-se quando os professores lhes
perguntam na prova sobre assuntos que, aparentemente, não foram abordados em
lugar algum.
Como ressalta Morgan (1980), anotar os principais assuntos e, após a aula,
organizá-los, é uma boa forma de estudar e fixar a matéria. Ter em mente as metas
da aula e ler os textos recomendados previamente pelo professor são atitudes que
tornam o estudante ainda mais preparado para anotar as informações certas e
23

organizá-las adequadamente depois, mesmo quando se tem um professor de quem


não é fácil tomar anotações de aula. Não há regras objetivas para identificar o que
constitui os pontos fundamentais de uma aula, mas mesmo os professores mais
desorganizados dão sugestões para a organização dos estudantes, e é importante
saber reconhecê-las. Indicações do professor de que “o ponto principal é...”, “é
importante destacar que...”, ou mesmo a repetição de certas informações ao longo
da exposição ajudam a orientar o aluno na escolha do que deve ou não ser anotado.
Além disso, é importante ter em mente quais os objetivos de cada aula estipulados
pelo professor e procurar registrar as informações que respondem a estes objetivos.

3.2.3 Revisão das aulas

Além de preparar-se para a aula e conseguir entender o desenvolvimento do


assunto pelo professor, é importante reservar um tempo para a revisão das aulas.
Para os alunos que se preparam para as aulas e aproveitam bem a exposição do
professor, esta tarefa torna-se mais fácil e demanda menos tempo. A revisão
contempla não apenas a fase de compreensão e fixação dos tópicos já abordados
pelo professor, como também a tentativa de integrar estes tópicos em um todo
coerente. Este recurso de revisão “globalizadora”, como destaca Ruiz (1996, p. 26) é
muito importante na organização da aprendizagem e na preparação para as
avaliações, pois evita que se acumulem na mente do estudante pontos obscuros e
assuntos pouco elaborados.

3.3 DISCIPLINA NOS ESTUDOS

De acordo com Salomon (2000), todo e qualquer método de estudos, para


que se torne eficiente, precisa de treino e de prática. É necessário reservar um
período razoável para este treinamento, dentro de um horário mínimo cumprido com
seriedade. Embora pareça difícil e desgastante, a utilização de métodos para o
estudo mais proveitoso leva o estudante a obter melhor qualificação universitária.
Este deve ser um compromisso do aluno. Ruiz (1996, p. 27) lembra a necessidade
da coerência na postura acadêmica do estudante: “O aluno que paga uma faculdade
para adquirir o direito a uma carteira dura, onde possa perder tempo durante as
aulas, está clamando aos quatro ventos que lhe falta algo na caixa craniana”.
24

4 A LEITURA TRABALHADA

Conforme Ruiz (1996), a freqüência às aulas, embora indispensável, não é


atitude suficiente para que o aluno seja bem-sucedido em seus estudos. É preciso
ler os textos obrigatórios e complementares de cada disciplina e, acima de tudo, é
necessário “ler bem” esta bibliografia, extraindo dela o máximo de proveito para os
estudos.
A leitura é um instrumento fundamental para o aluno ampliar os horizontes de
seu conhecimento, enriquecer seu vocabulário, ter contato com abordagens
diferentes sobre os mesmos assuntos e participar melhor das aulas, em condições
de dialogar com as informações fornecidas pelo professor em sua exposição.
A leitura é incorporada à rotina acadêmica do aluno não apenas em função de
sua preparação para as aulas, como também para a realização de trabalhos de
pesquisa, quando é necessário ir às fontes, aos autores, seus livros, artigos e outros
documentos que fornecem as bases para o desenvolvimento do tema.
Da mesma forma que não é possível fazer um bom curso estudando apenas
durante o tempo das aulas, também não se pode esperar bons resultados do estudo
sem acessar boas fontes de leitura. Ninguém pode ter boa formação universitária
sem freqüentar livrarias e bibliotecas e sem ter acesso, ao menos, aos livros básicos
de cada disciplina. A condição ideal é não permanecer preso à leitura do livro
escolhido pelo professor da disciplina como livro-texto. Como lembra Ruiz (1996,
p.34), acerca de uma observação dos antigos, “devemos temer o homem de um livro
só”. É sempre bem-vinda a busca de outras fontes, que diversificam a leitura
proposta pelo professor e permitem aprofundar o conhecimento sobre determinados
tópicos do programa do curso.
Mas em que consiste uma “boa leitura”? É uma leitura que tem uma
finalidade, que busca a identificação das idéias fundamentais desenvolvidas pelo
autor e a articulação do que foi lido com os assuntos abordados nas aulas ou
desenvolvidos nos trabalhos de pesquisa (MORGAN, 1980).
Quem não consegue ler bem não consegue resumir um texto, preparar um
trabalho sobre ele, nem mesmo anotar corretamente os tópicos principais de uma
aula, em suma, não consegue estudar (RUIZ, 1996).
Neste capítulo serão demonstradas as principais técnicas que ajudam a
promover maior eficiência na leitura. A aplicação destas técnicas contribui para
25

capacitar o leitor a desenvolver e reconstruir criativamente, por meio da leitura


crítica, o que já foi construído por outros, ao invés de simplesmente reproduzir as
informações lidas.

4.1 PREPARAÇÃO PARA A LEITURA

A leitura eficiente requer duas condições iniciais: a seleção correta da obra e


a escolha do ambiente adequado para a obtenção do maior rendimento no
desempenho da atividade.

4.1.1 Seleção da leitura

Em boa parte de suas atividades de estudo na graduação, o estudante


encontra-se envolvido com a leitura de textos indicados pelos professores. Contudo,
há inúmeras situações em que o aluno deve buscar por si mesmo esta fonte de
conhecimentos, seja para fazer trabalhos ao longo do curso, seja para aprofundar
temas de seu interesse. Por esta razão, é necessário saber selecionar bem as fontes
de leitura.
O título do documento é a primeira informação disponível acerca de seu
conteúdo, mas não é suficiente como critério principal de escolha da leitura. É
recomendável identificar o autor e as informações básicas sobre o mesmo (se é
pesquisador, professor, profissional da área, se está ligado a alguma instituição,
etc.), além de examinar sumariamente o livro cujo título nos chama inicialmente a
atenção. Algumas informações essenciais estão contidas na “orelha” do livro ou em
sua contracapa, onde geralmente se encontra uma breve apresentação do livro e de
quem o escreveu. O sumário e o prefácio do livro oferecem uma boa idéia dos
objetivos do autor e dos temas que aborda naquela obra. A observação destes
vários elementos é um passo importante para a seleção do que se vai ler, que deve
ser somada à orientação dos professores especialistas na área em que se está
pesquisando.
Na consulta a teses e artigos científicos, o estudante deve procurar pelos
resumos, itens constantes destes trabalhos, que apresentam uma visão geral dos
assuntos e questões neles tratados. A seleção das fontes consultadas na internet é
tratada especialmente na seção 9.1.2 deste trabalho.
26

De acordo com Ruiz (1996), todo estudante deve estar empenhado na


formação de uma pequena biblioteca de obras selecionadas, uma vez que os livros
são suas ferramentas de trabalho. Os primeiros livros podem ser aqueles indicados
pelos professores como livros de texto em seus programas. Em seguida, parte-se
para os livros mais especializados dentro da área de interesse que se vai
desenvolvendo.

4.1.2 Ambiente de estudo

O ambiente físico deve reunir o máximo de condições favoráveis para o


rendimento do estudante. Em geral, ambientes onde é possível sentar-se em
silêncio, com iluminação e temperatura agradáveis, são apontados como ideais para
o estudo. Entretanto, é importante que cada um faça um auto-exame sobre o que é
necessário para que sinta confortável e capaz de concentrar-se na leitura. Aqueles
que não conseguem encontrar um espaço totalmente adequado às condições ideais
de estudo não devem concluir que estão impossibilitados de estudar. É importante
descobrir quais são estas condições e tentar criá-las, e, mesmo que elas não
estejam sempre disponíveis, é preciso, ainda assim, ler e estudar com velocidade e
eficiência.

4.2 A BUSCA DAS IDÉIAS PRINCIPAIS DO TEXTO

A finalidade básica da leitura, como base dos estudos, é a procura, a


captação, a crítica, a retenção e a integração de conhecimentos (RUIZ, 1996). Isto
se faz, inicialmente pela busca das idéias principais que compõem cada texto, cada
capítulo ou seção, e, na maioria das obras acadêmicas, em cada parágrafo. O
estudante deve estar atento para o fio condutor do pensamento do autor que está
sendo lido.
A leitura ineficiente se concentra em cada palavra do texto, como se todas
tivessem o mesmo papel na construção dos argumentos do autor, enquanto a leitura
eficiente busca e compara as idéias, para distinguir as principais das secundárias.
Aquele que lê identificando idéias capta melhor o conteúdo da leitura. Isto,
evidentemente, é fruto de treinamento, razão pela qual é necessário dedicar-se
freqüentemente à tarefa de ler,exercitando através da busca das idéias-chaves do
27

texto, a capacidade de abstração e de síntese que permite tirar melhor proveito do


estudo. As dificuldades iniciais surgidas nas primeiras leituras não devem desviar o
estudante desta prática. É necessário ler com este propósito os livros de texto, as
apostilas e toda a bibliografia consultada nos trabalhos de pesquisa, criando o hábito
de identificar a idéia principal em torno do qual o texto se estrutura.
As idéias principais aparecem sempre em relação a um conjunto de idéias
que as apóiam. Estes “pormenores importantes” podem se manifestar na forma de
um argumento que justifique a idéia principal, um exemplo ao qual esta pode ser
aplicada, ou uma comparação que a torne mais clara. O bom leitor acompanha estes
pormenores para entender como o autor encadeia o raciocínio e demonstra a
validade de suas idéias. Para cada idéia mestra, há pelo menos um pormenor
importante que a acompanha, pois uma idéia-chave sem o apoio do pormenor
importante equivale a uma estrutura sem nenhum apoio (MORGAN, 1980). Algumas
vezes, os pormenores são tantos, que se torna difícil selecionar os mais importantes.
É preciso então usar da reflexão e comparar para decidir. Por exemplo: qual dos
exemplos apresentados pelo autor é a melhor prova de suas idéias?

4.2.1 Marcação dos textos

Sublinhar os textos é uma prática que ajuda a destacar as idéias mestras das
secundárias. Ao sublinhar, destaca-se o principal em cada parágrafo, diferenciando-
o do acessório. É importante ter em mente este objetivo, para que não se exercite a
prática de sublinhar de modo indiscriminado, poluindo visualmente o texto e
dificultando ainda mais a tarefa de leitura. O importante é que ao final de certo
trecho, o estudante tenha em mente uma sentença que expressa o seu ponto
essencial (MORGAN, 1980). Além de manter atento o leitor e ajudá-lo a encadear
logicamente o texto, este hábito também favorece o trabalho de revisão do
estudante que, assim, encontra com mais facilidade as informações essenciais.
Como se acham as idéias-chaves? Depende da parte do texto de onde se vai
extraí-la: do parágrafo, da seção, ou do capítulo do texto (MORGAN, 1980).
Começando pelo parágrafo, que é a menor unidade do texto, sabe-se que a maioria
dos autores acadêmicos expõe uma idéia principal, e apenas uma, em cada um de
seus parágrafos. Cabe ao estudante descobri-la. A idéia principal, na maioria das
28

vezes, não é encontrada em uma única sentença, com poucas palavras. Porém ela
pode ser reescrita (mentalmente ou em um resumo) de forma condensada.
Em seguida deve-se procurar as idéias de escopo mais amplo do que as que
se encontram a cada parágrafo. É importante encadear as idéias principais
destacadas dos parágrafos, tentando descobrir o sentido do que o autor quer dizer
na seção ou capítulo.
Cada estudante pode adotar uma simbologia pessoal para destacar as idéias
principais do texto. É possível sublinhar, fazer anotações à margem, incluir um sinal
próximo a cada idéia-chave identificada ou sinais diferentes para níveis diferentes de
importância das idéias. O importante é que esta simbologia seja coerente para o
leitor, de modo que possa identificá-la a qualquer momento. Ruiz (1996) oferece as
seguintes sugestões para marcar de modo mais eficiente os textos, tirando melhor
proveito da leitura:

a) não sublinhar em demasia: basta sublinhar as palavras-chaves, evitando


destacar longos períodos;
b) não sublinhar logo na primeira leitura: ler determinado número de parágrafos
que são, em seguida, retornados para sublinhar o que for mais importante
(sublinhar inteligentemente na primeira leitura será mais fácil quando se
estiver treinado e experimentado na leitura de textos);
c) reconstituir os parágrafos a partir das palavras sublinhadas: a leitura das
palavras sublinhadas, embora pertencentes a frases diferentes, deve ter um
sentido concatenado (isto é o que permite uma leitura bastante rápida na
ocasião da revisão do texto);
d) assinalar dúvidas e pontos de discordância: t ser levados para apreciação do
professor durante as aulas;
e) procurar palavras desconhecidas no dicionário, para facilitar a compreensão
do texto e enriquecer o vocabulário. Para esclarecer os termos, é importante
não só o uso de dicionários da língua materna, como também o de dicionários
técnicos, que permitem a consulta a termos especializados.
29

4.3 VELOCIDADE DA LEITURA

Obter alguma velocidade na leitura é muito importante na economia do tempo.


Além disso, é possível ter uma leitura veloz sem prejuízo da eficiência e da
compreensão do conteúdo do texto (RUIZ, 1996). Não existe uma velocidade-padrão
para a leitura, pois isto depende das características do texto e do leitor. Cada um
deve encontrar sua velocidade ideal, mas alguns aspectos devem ser observados
para isto.
Uma das técnicas desenvolvidas para aumentar a velocidade da leitura
consiste no emprego dos olhos de modo a não ler palavra por palavra, mas a
abarcar no campo de visão todo um grupo de palavras ou unidades de pensamento
(MORGAN, 1980; GALLIANO, 1986).
Pesquisas indicam que, ao ler, o olho não percorre de modo totalmente
contínuo as linhas impressas, mas tende a fazer saltos, deslocando-se e fixando-se
alternadamente durante a leitura. O número de palavras que se identifica em uma
única parada constitui o campo de visão. Quanto maior este for, mais rápida será a
leitura, pois em cada parada se absorve uma maior quantidade de texto. Por outro
lado, quanto menor for o campo de visão, mais o leitor estará limitado a palavras
isoladas, que o levam a retroceder continuamente na leitura, já que sua percepção é
interrompida por pausas em demasia. Os bons leitores aprendem a focar, em cada
parada, a média de duas ou mais palavras e não precisam, portanto, fazer tantas
pausas durante a leitura. Além disso, os bons leitores levam também menos tempo
em cada parada, reduzindo ao mínimo o tempo necessário para compreender as
palavras vistas na pausa.
Uma característica dos maus leitores é que retraçam os passos muito
freqüentemente, retrocedendo na leitura a cada duas frases. Com estas “regressões”
perdem tempo na leitura e têm dificuldades de formar uma idéia sobre o parágrafo
que acabaram de ler. Segundo Morgan (1980), buscar uma maior concentração e
criar o hábito de ler freqüentemente são fatores que ajudam a combater a má leitura.

4.4 LEITURA ANALÍTICA

Para Severino (2002), um dos maiores obstáculos ao estudo e à


aprendizagem das ciências é representado pela dificuldade de compreensão dos
30

textos teóricos, que possuem estrutura e linguagem bastante diferentes daquelas


comumente encontradas em textos literários ou jornalísticos, aos quais, em geral, o
estudante está mais habituado. É necessário, então, que o aluno desenvolva uma
disciplina intelectual que o permita abordar o texto da forma mais rica e proveitosa
possível. Para o autor, há seis etapas fundamentais na abordagem do estudante aos
textos científicos, que compõem a “leitura analítica”:

a) delimitação da unidade de leitura;


b) análise textual;
c) análise temática;
d) análise interpretativa;
e) problematização;
f) síntese pessoal.

4.4.1 Delimitação da unidade de leitura

A unidade de leitura é a parte do texto que possui uma totalidade de sentido,


podendo ser um capítulo, uma seção ou subseção do texto. Desta maneira são
determinados os limites dentro dos quais o estudante focará sua atenção, em busca
da compreensão da mensagem do autor. Somente após o término da análise da
primeira unidade identificada é que se passa a uma unidade seguinte. Completado o
processo para cada unidade, então, o aluno terá condições de produzir uma
interpretação global do texto, abarcando-o de forma completa. É recomendável que
o estudo do texto ocorra com uma continuidade mínima, que não comprometa a
perda do sentido que se vai construindo na leitura.
O autor recomenda também que sejam buscadas informações sobre o autor
da unidade, junto a professores ou a comentadores que já analisaram o pensamento
do autor, e que podem servir de apoio no esclarecimento das idéias expostas ao
longo do texto.

4.4.2 Análise textual

A análise textual é a primeira forma de aproximação do estudante com o


texto. Nesta etapa, é feita uma leitura completa e contínua da unidade selecionada,
31

que permite um contato inicial com a mesma e uma visão de conjunto do raciocínio e
do estilo de texto do autor. Ao invés de se esforçar para compreender o texto nesse
primeiro contato, o estudante deve ir assinalando em suas margens as palavras
desconhecidas e todas as dúvidas que interferem na captação das idéias, como por
exemplo, a referência a fatos históricos ou a teorias que o autor do texto supõe já
serem conhecidos pelo leitor. Se o leitor desconhece o sentido destas referências,
deve procurar informações sobre elas antes de passar para a unidade seguinte de
leitura. A descoberta destas dúvidas é tão importante quanto a própria compreensão
do que se lê, pois são estas dúvidas que guiam o estudante na busca de
informações que enriquecerão sua leitura.

4.4.3 Análise temática

Após o esclarecimento dos conceitos e demais referências obscuras do texto,


o leitor ingressa na fase da análise temática. É neste etapa que o estudante tenta
descobrir qual é a idéia central da unidade selecionada, tentando responder à
pergunta fundamental: “de que trata o texto”? A resposta a esta questão leva o leitor
a identificar o tema em torno do qual é organizada a unidade de leitura.
Como os autores de textos científicos exploram os temas problematizando-os,
é necessário identificar também o problema formulado pelo autor na unidade. Que
questão move o autor? Qual a dificuldade que se propõe a resolver? Nem sempre a
problemática dos textos aparece de forma explícita, como por exemplo, na forma de
uma pergunta clara e direta. Muitas vezes, o problema formulado está implícito no
texto, sendo necessário um esforço adicional do leitor para identificá-lo.
A resposta fornecida pelo autor ao problema formulado consiste em sua tese
ou proposição central, uma idéia mestra que será defendida pelo autor naquela
unidade. Em textos com boa estruturação lógica, cada unidade contém apenas uma
proposição central, estando as demais idéias da unidade vinculadas e servindo de
apoio a esta. A identificação das idéias de apoio permite ao leitor observar o
raciocínio do autor, isto é, como ele demonstra sua idéia central e quais são os
argumentos que utiliza em favor de sua validade.
É possível em alguns textos que o autor aborde temas paralelos ao tema
central, apresentando idéias secundárias no decorrer da unidade e que
complementam seu pensamento. Para identificá-las, basta ler o texto, após as
32

etapas acima enunciadas, perguntando se a unidade ainda trata de algum assunto.

4.4.4 Análise interpretativa

A fase de interpretação do texto vai além da captação das idéias centrais do


autor, alcançada na fase anterior (análise temática). Interpretar significa construir um
sentido próprio a respeito das idéias contidas no texto. Este é o momento de o
estudante interferir na unidade de leitura, dialogando com o autor e fazendo seu
próprio conhecimento evoluir.
Há vários modos de abordar o texto nesta fase, como, por exemplo,
relacionando as idéias contidas na unidade com a perspectiva teórica geral do autor
ou comparando estas idéias com as abordagens de outros autores. Este não é um
passo simples, mas a busca de informações sobre o autor, recomendada na seção
sobre delimitação da unidade de leitura, auxilia bastante nesta tarefa.
A tarefa de interpretar o texto inclui a elaboração de um juízo crítico sobre as
idéias nele contidas, o que significa tomar uma posição própria a respeito das idéias
enunciadas. É válido neste momento avaliar o nível de coerência do texto, sua
originalidade e contribuição para a discussão dos assuntos em questão (nas aulas
ou nos trabalhos).
A etapa de interpretação é uma fase complexa da leitura analítica, pois
pressupõe uma reflexão mais arrojada do estudante, que deve explorar as idéias do
autor, questionando-as e comparando-as com idéias de outros autores.
Evidentemente, as primeiras leituras às quais o aluno se dedica na universidade não
alcançam a plenitude da interpretação. Servem antes para elevar seu nível cultural e
intelectual, formando um repertório de conhecimentos que serão utilizados nas
leituras seguintes.
Um passo mínimo que pode ser dado pelo estudante que se inicia no universo
de textos científicos é avaliar a importância do que está sendo lido, por exemplo,
comparando o que foi dito no texto com o que se pensava anteriormente sobre o
assunto, examinando os pontos de concordância e de discordância em relação ao
autor. O ingresso na universidade normalmente promove um choque entre as idéias
contidas nos textos acadêmicos (ou mesmo nas aulas) e as idéias do senso comum
com as quais os estudantes estão envolvidos até aquele momento. Por isso é
recomendável consultar outras fontes e conversar com professores em busca de
33

elementos que vão ampliando o cabedal de conhecimentos e permitindo um diálogo


mais rico com as idéias do autor. Quanto mais progredir a maturidade intelectual do
estudante, mais apto ele estará para avaliar criticamente o texto.

4.4.5 Problematização

Esta forma de abordar o texto visa à formulação de problemas para


discussão, bastante útil para o estudo em grupo e para a preparação das aulas e
dos seminários. É importante não confundir a problematização do texto com a
identificação dos problemas que mobilizam o autor consultado. O problema é a
questão que o próprio autor do texto formula e pretende resolver, enquanto a
problematização é proposta pelo estudante que lê o texto, que elabora questões que
podem ser objeto de discussão e debate.
Seguindo a sugestão de Morgan (1980), uma forma de problematizar o texto é
correlacionar as abordagens propostas pelo autor com as situações concretas, já
que uma das finalidades da leitura é embasar a reflexão sobre os problemas do
mundo real.

4.4.6 Síntese pessoal

Última etapa da análise textual, a síntese pessoal é o ponto de chegada


permitido pela compreensão, interpretação e reflexão sobre as idéias do autor, que
deixam o estudante em condições de reelaborar sinteticamente a mensagem do
texto, com suas próprias palavras. Retomando todos os pontos abordados nas
etapas anteriores, o estudante está apto para elaborar um texto, com redação
própria, que oferece uma visão global e condensada do conteúdo da unidade de
leitura. Cumpridas as etapas da leitura analítica, o estudante não só obtém melhor
aproveitamento do texto, como também se encontra em condições perfeitas para
resumi-lo.
Com a constante leitura e o treinamento intelectual, chega-se a uma etapa em
que esses passos não precisam ser percorridos de modo mecânico, pois o domínio
do método permite seu uso de modo natural pelo leitor. No quadro 1 encontra-se
uma síntese das etapas propostas por Severino (2002) para a a leitura analítica.
34

Preparação do texto; esclarecimentos sobre o autor


ANÁLISE TEXTUAL
e sobre o vocabulário empregado no texto
Compreensão da mensagem do autor: tema,
ANÁLISE TEMÁTICA
problema, tese, raciocínio e idéias secundárias
Interpretação da mensagem do autor; associação e
ANÁLISE
comparação de idéias; apreciação crítica do texto
INTERPRETATIVA
Levantamento e discussão de problemas acerca do
PROBLEMATIZAÇÃO
texto; discussão da aplicabilidade a situações
concretas
Reelaboração da mensagem do autor com base em
SÍNTESE
reflexão e redação próprias
QUADRO 1: etapas da leitura analítica
Fonte: adaptado de Severino (2002, p.61)

4.5 IMPORTÂNCIA DA LEITURA TRABALHADA

As técnicas aqui apresentadas contribuem para o melhor aproveitamento


desta rica fonte de conhecimentos que são as obras com as quais o estudante tem
contato ao longo de sua vida acadêmica.
Através da leitura eficiente progride-se no desenvolvimento intelectual, pondo-
se em prática a capacidade de extrair as informações fundamentais do que se lê, e,
principalmente, a avaliar a importância do que está sendo lido. Ao invés de se limitar
a agregar informações superficiais e assistemáticas, o estudante usa seu potencial
intelectual, analisando, comparando, criticando e aplicando aquilo lê, aperfeiçoando
desta maneira seu treino científico.
Para finalizar a seção e estimular a reflexão, são apontadas a seguir as dez
características do bom leitor, segundo Salomon (2000):

a) lê com objetivo determinado;


b) lê unidades de pensamento ao invés de palavras soltas;
c) tem vários padrões de velocidade, de acordo com o que lê;
d) avalia o que lê;
e) busca desenvolver bom vocabulário;
f) discute o que lê com professores e colegas de classe;
35

g) adquire livros e vai à biblioteca com freqüência;


h) lê assuntos variados;
i) lê muito e gosta de ler;
j) seleciona o que lê.
36

5 DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

O resumo constitui a principal técnica de documentação de textos pelo


estudante. A leitura trabalhada, conforme apresentada no capitulo anterior, constitui
uma excelente base para a aplicação correta desta técnica. Aqueles que lêem com
discernimento e destacam com inteligência as idéias principais do material
consultado estão aptos para a elaboração de um bom resumo (RUIZ, 1986).

5.1 RESUMO PARA DOCUMENTAÇÃO DE TEXTOS

O resumo como técnica de documentação pessoal do material estudado é


também chamado de fichamento e consiste em “um trabalho de condensação de um
texto capaz de reduzi-lo a seus elementos de maior importância” (RUIZ, 1996, p. 44).
Também é possível utilizar esta técnica para sintetizar as informações retiradas da
aula de um professor ou de uma palestra.
O resumo é um recurso de aprendizagem que torna dispensável, no momento
de revisão dos estudos, a consulta ao conteúdo do texto original. Este recurso é
bastante útil nos períodos de avaliação, quando não há tempo hábil para reler
integralmente todos os textos abordados ao longo do semestre. O trabalho de
resumir, portanto, facilita o acesso às informações do texto e reduz o tempo
destinado à preparação para as provas, contribuindo para um maior aproveitamento
dos estudos. Além disso, através do resumo tem-se a oportunidade de exercitar as
qualidades de uma boa redação, já que a clareza e a concisão são atributos
constantemente praticados nesta ocasião.

5.1.1 Tipos de resumo

A estrutura do resumo, em geral, contém a referência completa do texto


consultado (nome do autor, título, data de publicação, etc.) e uma síntese das idéias
principais nele apresentadas.
Não é recomendável elaborar o resumo na forma de tópicos, mas sim na
forma de um texto, que o estudante elabora concatenando as idéias principais do
documento consultado.
37

Nos resumos podem ser incluídas passagens tidas como fundamentais no


texto, como é o caso da definição dos conceitos centrais feita pelo autor. É
importante nestas situações fazer a devida indicação da página. Quando o resumo é
feito inteiramente a partir da cópia de passagens relevantes do texto, chama-se
resumo de citação.
É possível incluir em um resumo, além da síntese do material consultado,
uma análise crítica do mesmo, devendo-se, é claro, manter a fidelidade ao
pensamento do autor. Neste caso, para que a crítica não se transforme em uma
apreciação superficial e sem fundamento, é necessário tanto ser imparcial no
julgamento da idéias do autor, quanto conhecer o assunto a ser criticado. Este tipo
de resumo é conhecido como resumo crítico ou resenha.
Segundo Galliano (1986), outra forma de sintetizar as informações do texto é
através do resumo esquemático. O esquema é uma representação gráfica, sintética,
das idéias principais e pormenores importantes extraídos da leitura do texto. A
vantagem do esquema é prestar uma informação visual imediata sobre o conteúdo
do texto sintetizado. Este tipo de anotação deve ser montado em uma seqüência
lógica que ordena claramente as idéias selecionadas, hierarquizando-as, através de
divisões e subdivisões.
A montagem de um esquema pressupõe a compreensão das relações existentes
entre suas diversas partes, para que sejam subordinadas de forma correta. Os
elementos que irão compor o esquema devem ser cuidadosamente selecionados e
subordinados entre si, o que só é possível quando já se tem noção das idéias
principais e dos pormenores significativos do texto (só então é que se parte para a
ordenação dos mesmos).
Nos manuais de metodologia do trabalho científico não é habitual a
recomendação de subdividir os resumos em introdução, desenvolvimento e
conclusão, embora não haja uma regra específica proibindo tal modelo. Para
Salomon (2000), esta pode ser uma estrutura de apresentação útil no caso de
resenhas (resumos críticos), mas que se torna, evidentemente, inviável no caso de
resumos esquemáticos ou de citação.
Ruiz (1996) oferece as seguintes orientações gerais para a elaboração de
resumos:
38

a) jamais resumir antes de fazer uma leitura trabalhada: é necessário


esclarecer todo o texto, sublinhando-o e fazendo as devidas anotações em
sua margem, para evitar que idéias essenciais escapem ou que idéias
irrelevantes sejam tomadas como importantes;
b) ser fiel às idéias do autor: a função de quem resume é a de sintetizar as
idéias do texto e não de criá-las. Nos casos em que o leitor faz uma
avaliação crítica do texto, é importante deixar clara a distinção entre o que
pensa o autor do texto e a avaliação que o leitor faz destas idéias;
c) ser breve e compreensível: o resumo não deve se estender em demasia,
mas deve conter informações suficientes que dispensem a consulta ao
texto original;
d) fazer a citação correta no caso de transcrição textual: quando o autor
condensa em frases precisas suas próprias idéias, podem-se transcrever
estas passagens, destacando-as com aspas e indicando a fonte;
e) acrescentar a correta referência bibliográfica: os dados que permitem a
identificação do texto, tais como autor, título, data de publicação, entre
outros, devem ser apresentados no resumo.

5.2 OUTRAS APLICAÇÕES DO RESUMO

O estudante, ao utilizar o resumo como técnica de documentação pessoal dos


textos, tem, evidentemente, a liberdade de escolher o tipo de resumo que melhor se
adapta às características do texto consultado ou à finalidade de sua leitura. Contudo,
o resumo, quando solicitado pelo professor, também é um trabalho acadêmico e,
neste caso, é importante estar atento às exigências estabelecidas pelo professor (se
este deseja, por exemplo, um resumo esquemático ou crítico, com ou sem citações,
etc.).
O resumo como elemento obrigatório de teses, monografias, artigos científicos e
outros trabalhos acadêmicos têm um padrão específico a ser seguido, que pode ser
consultado na seção 6.2.9 deste manual.
39

6 ELABORAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS

O trabalho acadêmico, de acordo com a NBR 14724:2002 da ABNT, é um


documento escrito que representa o resultado de estudo realizado em uma
disciplina, curso ou programa, sob coordenação de um orientador, e que deve
expressar conhecimento sobre o assunto escolhido.
Nesta nova etapa de sua vida intelectual, o aluno precisa ter consciência de
que todo trabalho acadêmico deve ser fruto de pesquisa e reflexão sobre o tema
proposto. Em outras palavras, fazer um trabalho acadêmico não significa juntar
desordenadamente partes de outros trabalhos e livros ou, o que é pior,
simplesmente copiar trabalhos prontos de outros autores. Além de pesquisar em
livros, artigos, teses, textos on line e outras fontes, o aluno precisa usar o senso
crítico para refletir a analisar aquilo que lê, para então redigir um trabalho próprio,
que possua alguma originalidade. O sentido do termo “originalidade” aqui
empregado, como lembra Salomon (2000, p. 257) não significa, para o estudante
que inicia suas atividades acadêmicas, aprodução de idéias radicalmente novas em
um trabalho, mas uma “volta às fontes” do conhecimento e da pesquisa. Por esta
razão, o trabalho acadêmico deve ser a decorrência natural de um processo cuja
base é formada pelo método e pelas práticas do estudo eficiente.
A proposta de realização de trabalhos acadêmicos no curso de graduação
serve para desenvolver nos alunos a habilidade de criar conhecimento e assim
corrigir algumas das piores deformações das atividades de pesquisa.
De acordo com Salomon (2000, p. 261-262), uma das mais graves limitações
dos trabalhos desenvolvidos por alunos consiste na “transcrição cega de textos
superficialmente consultados e que resulta em um trabalho cuja apresentação
material e quantidade de páginas predominam como critérios de valoração”.
São diversos os tipos de trabalho acadêmico que podem ser solicitados aos
estudantes ao longo da vida acadêmica: artigos científicos, projetos de pesquisa,
monografias, além de outros tipos de trabalho que são solicitados em cursos de pós-
graduação, mestrado e doutorado.
Uma breve apresentação das características principais destes trabalhos
encontra-se no quadro a seguir.
40

Parte de uma publicação com autoria declarada, que apresenta e


ARTIGO
discute idéias, métodos, técnicas, processos e resultados nas
CIENTÍFICO
diversas áreas do conhecimento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2003a, p.1)

DISSERTAÇÃO Representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição


de um estudo científico retrospectivo, de tema único e bem
delimitado, com o objetivo de reunir, interpretar e analisar
informações. Deve evidenciar conhecimento da literatura existente
sobre o assunto e a capacidade de sistematização do candidato. É
feito sob a coordenação de um orientador (doutor) visando a
obtenção do título de mestre (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2002c, p.3)
Representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição
TESE
de um estudo científico de tema único e bem delimitado. Deve ser
elaborado com base em investigação original, constituindo-se em
real contribuição para a especialidade em questão. É feito sob a
coordenação de um orientador (doutor) visando a obtenção do
título de doutor (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2002c, p.3)
Tem por objetivo a reflexão sobre um tema ou problema específico
MONOGRAFIA
e que resulta de um processo de investigação sistemática. É
normalmente exigido na graduação como trabalho de conclusão
de curso (BASTOS et al, 2003, p. 17)
Procedimento racional e sistemático que tem como objetivo
PROJETO DE
proporcionar respostas aos problemas que são propostos,
PESQUISA
mediante a utilização de métodos científicos. No projeto de
pesquisa, o pesquisador relata o caminho que pretende trilhar na
busca das respostas ao problema que pretende investigar (GIL,
1999, p. 43).
QUADRO 2: tipos de trabalho acadêmico
Fonte: adaptado de ABNT (2002c e 2003a); Bastos et al (2003); Gil (1999)

O tipo de trabalho acadêmico mais comum nos cursos de graduação é a


monografia, definida por Bastos el al (2003, p.17) como “o resultado de um processo
41

de investigação sistemática que tem por objetivo a reflexão sobre um tema ou


problema específico”. A monografia é assim chamada por ser delimitada, estruturada
e desenvolvida em torno de um único tema. O assunto, uma vez escolhido, é
delimitado para que se possa aprofundar o conhecimento em torno de um pequeno
conjunto de fatores ou variáveis que compõem o problema a ser investigado. Em
uma monografia, o estudante sistematiza o resultado de suas leituras, pesquisas,
críticas e reflexões acerca do tema proposto. Ao invés de se abordar genericamente
diversos aspectos, escreve-se de forma mais detalhada e consistente sobre
aspectos bem delimitados do assunto tratado (TACHIZAWA, 2002, p. 16).
Na elaboração da monografia é necessário que o estudante cumpra as regras
da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que especificam tanto a
estrutura quanto as normas de apresentação dos trabalhos acadêmicos. Nas
próximas seções serão abordadas estas normas, que poderão ser aplicadas na
elaboração dos trabalhos solicitados em disciplinas dos cursos de Administração e
Secretariado Executivo da UNIGRANRIO. No caso da elaboração de artigos
científicos ou de projetos de pesquisa, é necessária a consulta ao Manual de
Normalização de Trabalhos Acadêmicos da Escola de Gestão e Negócios, para
observação das normas específicas a estes tipos de trabalho acadêmico.

6.1 ESTRUTURA DO TRABALHO ACADÊMICO

A estrutura do trabalho acadêmico é constituída de elementos pré-textuais,


textuais e pós-textuais, assim definidos:

a) elementos pré-textuais: são aqueles que antecedem o texto, com


informações que ajudam na identificação e utilização do trabalho;
b) elementos textuais: são aqueles que compõem o texto do trabalho;
c) elementos pós-textuais: são aqueles que complementam o trabalho.

Os elementos que figuram no trabalho acadêmico estão dispostos no quadro


3 e são compostos por elementos obrigatórios e opcionais, seguindo as orientações
da norma NBR 14724:2002 da ABNT. As normas gerais para a apresentação destes
elementos encontram-se nas seções 6.2 a 6.4.5 deste manual.
42

ESTRUTURA ELEMENTO
Pré-textuais Capa (obrigatório)
Lombada (opcional)
Folha de rosto (obrigatório)
Errata (opcional)
Folha de aprovação (obrigatório)
Dedicatória (opcional)
Agradecimentos (opcional)
Epígrafe (opcional)
Resumo na língua vernácula (obrigatório)
Resumo em língua estrangeira (obrigatório)
Lista de ilustrações (opcional)
Sumário (obrigatório)
Textuais Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Pós-textuais Referências bibliográficas (obrigatório)
Glossário (opcional)
Apêndices (opcional)
Anexos (opcional)
Índice (opcional)
QUADRO 3: Estrutura do trabalho acadêmico
Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002c)

6.2 NORMAS DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS

Os elementos pré-textuais do trabalho acadêmico devem ser apresentados


conforme as orientações contidas nas seções 6.2.1 a 6.2.12.

6.2.1 Capa

Elemento obrigatório do trabalho, que constitui sua proteção externa e contém


os dados essenciais que o identificam, apresentados na seguinte ordem:
43

a) nome da instituição: centralizado junto à margem superior, com letras


maiúsculas negritadas;
b) nome do instituto ou escola: logo abaixo do nome da instituição, com letras
maiúsculas sem negrito;
c) nome do curso: logo abaixo do nome do instituto ou escola, com letras
minúsculas (exceto as iniciais) sem negrito;
d) título do trabalho: centralizado no meio da folha, com letras maiúsculas
negritadas. O subtítulo (quando houver) vem em letras minúsculas (sem
negrito) e é separado do título por dois pontos;
e) nome completo do(s) autor(es): alinhados a partir do meio para a direita,
com letras minúsculas (exceto as iniciais) sem negrito. No caso de
trabalho em grupo, os nomes são dispostos em ordem alfabética;
f) local (cidade) da instituição e data (ano) de entrega do trabalho:
centralizados junto à margem inferior com letras minúsculas sem negrito.

Para efeito de padronização da capa, todas as informações devem ser


apresentadas com espaço 1,5 de entrelinhas e fonte tamanho 12. A capa deve ser
apresentada sem bordas e respeitando as margens utilizadas em todo o trabalho. O
modelo de capa encontra-se na figura 1, localizada ao final do capítulo 6 deste
manual.

6.2.2 Lombada

É a parte do trabalho que reúne as margens internas das folhas, através de


costura, grampo ou outro recurso. É um elemento opcional, em geral utilizado
quando o trabalho é encadernado. Indica os nomes dos autores, o título e o volume
do trabalho.

6.2.3 Folha de rosto

Elemento obrigatório, que contém os dados essenciais à identificação do


trabalho, apresentados na seguinte ordem:

a) nome completo do(s) autor(es): centralizado junto à margem superior, com


44

letras minúsculas (exceto as iniciais) sem negrito. No caso de trabalho em


grupo, os nomes são dispostos em ordem alfabética;
b) título do trabalho: centralizado no meio da folha, com letras maiúsculas
negritadas. O subtítulo (quando houver) vem em letras minúsculas (sem
negrito) e é separado do título por dois pontos;
c) nota de apresentação: é alinhada do meio para a direita. Seu texto indica a
natureza do trabalho acadêmico (disciplina, curso e Universidade em que
é apresentado) e é redigido com letras minúsculas (exceto as iniciais de
nomes próprios) sem negrito;
d) nome completo do professor orientador: letras minúsculas (exceto as
iniciais do nome) sem negrito;
e) local (cidade) da instituição e data (ano) de entrega do trabalho:
centralizados junto à margem inferior com letras minúsculas sem negrito.

Para efeito de padronização da folha de rosto, todas as informações devem


ser apresentadas com espaço 1,5 de entrelinhas e fonte tamanho 12, à exceção da
nota de apresentação, que deve ser digitada com espaço simples. A folha de rosto
deve ser apresentada sem bordas e respeitando as margens utilizadas em todo o
trabalho. O modelo de folha de rosto encontra-se na figura 2, localizada ao final do
capítulo 6 deste manual.

6.2.4 Errata

Elemento opcional que lista as folhas e as linhas nas quais ocorrem


erros, seguidas das devidas correções. Pode ser acrescida ao trabalho depois de
impresso, apresentada em papel avulso ou encartada no mesmo. A palavra errata
deve vir centralizada na folha e digitada com letras maiúsculas negritadas. A errata
pode ser feita conforme o modelo a seguir.

ERRATA

Folha Linha Onde se lê Leia-se


56 4 publicaao publicação
45

6.2.5 Termo de aprovação

Elemento obrigatório em monografias de conclusão de curso, teses,


dissertações e demais trabalhos submetidos a bancas examinadoras. Contém os
dados essenciais à aprovação do trabalho, apresentados na seguinte ordem:

a) a expressão termo de aprovação vem centralizada junto à margem


superior, com letras maiúsculas negritadas;
b) título do trabalho: vem logo abaixo do termo de aprovação, com letras
maiúsculas negritadas. O subtítulo (quando houver) vem em letras
minúsculas (sem negrito) e é separado do título por dois pontos;
c) texto de aprovação: o texto é alinhado do meio para a direita e digitado
com letras minúsculas (exceto iniciais de nomes próprios) sem negrito,
devendo indicar a natureza do trabalho acadêmico, os nomes dos autores,
o nome do curso e da instituição a que é submetido e a data de aprovação
do mesmo (preenchida após a aprovação do trabalho);
d) nome completo do professor orientador e dos membros da banca
examinadora: os nomes aparecem logo após o texto de aprovação,
centralizados no meio da folha e digitados com letras minúsculas (exceto
as iniciais) sem negrito. As assinaturas dos componentes da banca são
colocadas após a aprovação do trabalho;
e) local (cidade) da instituição e data (ano) de entrega do trabalho:
centralizados junto à margem inferior com letras minúsculas sem negrito.

Para efeito de padronização do termo de aprovação, todas as informações


devem ser apresentadas com espaço 1,5 de entrelinhas e fonte tamanho 12, à
exceção do texto de aprovação, que deverá ser digitado com espaço simples. O
termo de aprovação deve ser apresentado sem bordas e respeitando as margens
utilizadas em todo o trabalho. O modelo de termo de aprovação encontra-se na
figura 3, localizada ao final do capítulo 6 deste manual.

6.2.6 Dedicatória

Elemento opcional no qual o autor, em texto geralmente curto, presta


46

homenagens ou dedica seu trabalho.


A palavra dedicatória não possui indicativo numérico, e aparece centralizada
com letras maiúsculas negritadas.

6.2.7 Agradecimentos

Elemento opcional, para o qual não exigem normas específicas,


recomendando-se o bom senso na elaboração de um texto simples e direto.
A palavra agradecimentos aparece centralizada com letras maiúsculas
negritadas e sem indicativo numérico.

6.2.8 Epígrafe

Elemento opcional, através do qual o autor apresenta citação, seguida da


indicação de autoria, representativa do assunto tratado no trabalho.
Epígrafes podem também constar nas folhas de abertura das seções
primárias.

6.2.9 Resumo na língua do texto

Elemento obrigatório, constituído de um texto conciso e objetivo que sintetiza


os pontos relevantes do trabalho. Deve ser escrito em até 500 palavras (exceto
resumos de artigos, cujo limite é constituído por 250 palavras).
O resumo não deve ser apresentado na forma de tópicos enumerados e sim
na forma de um texto composto por uma seqüência de frases. Deve ser seguido das
palavras-chaves representativas do conteúdo do trabalho.
A norma NBR 6028:2003 da ABNT recomenda o uso da voz ativa e da
terceira pessoa do singular na redação do resumo, que deve ressaltar o objetivo, o
método, os resultados e as conclusões do documento.
A palavra resumo aparece centralizada no meio da folha, com letras
maiúsculas negritadas e sem indicativo numérico, como os demais elementos pré-
textuais do trabalho acadêmico.
47

6.2.10 Resumo em língua estrangeira

Elemento obrigatório que representa versão do resumo em idioma de


divulgação internacional, obedecendo às mesmas normas de apresentação do
resumo na língua do texto.
O título desta parte do trabalho (abstract em inglês, resumem em espanhol ou
résumé em francês) vem centralizado em letras maiúsculas negritadas e sem
indicativo numérico.

6.2.11 Lista de ilustrações, tabelas, abreviaturas, siglas e símbolos

Elemento opcional, elaborado de acordo com a ordem de apresentação


destes elementos no texto, com cada item designado por seu nome específico e
acompanhado do respectivo número de página onde é encontrado.
Cada lista deve ser elaborada em folha à parte (uma folha para a lista de
ilustrações, uma folha para a lista de tabelas, e assim por diante).

6.2.12 Sumário

Elemento obrigatório que apresenta as seções e demais partes que compõem


o trabalho acadêmico, com suas respectivas indicações de página.
Não se deve confundir sumário com índice, já que índice é um elemento
opcional do trabalho acadêmico, colocado após os anexos, e que apresenta uma
lista de palavras, ordenadas de acordo com determinado critério, que localiza e
remete para as informações contidas no texto.
As normas de apresentação do sumário são as seguintes:

a) a palavra sumário vem centralizada junto à margem superior, com letras


maiúsculas negritadas e sem indicativo numérico;
b) o sumário deve acompanhar a numeração progressiva das seções do
texto, indicando o título das mesmas e a respectiva página inicial de cada
seção, em algarismos arábicos;
c) a subordinação dos itens do sumário deve ser destacada pela mesma
apresentação tipográfica utilizada no texto (títulos das seções primárias
48

com letras maiúsculas negritadas, títulos das seções secundárias com


letras maiúsculas sem negrito, títulos das seções terciárias com letras
minúsculas negritadas e títulos das seções quaternárias com letras
minúsculas sem negrito);
d) O sumário deve incluir apenas as partes do trabalho que vêm depois dele,
isto é, os elementos textuais e pós-textuais. Não figuram no sumário,
portanto, os elementos pré-textuais, como resumo, dedicatória, epígrafe,
etc.

O sumário deste manual pode ser tomado como modelo para a formatação do
sumário de trabalhos acadêmicos.

6.3 ELABORAÇÃO DOS ELEMENTOS TEXTUAIS

De acordo com Severino (2002, p. 82), todos os capítulos ou seções do


trabalho, bem como os parágrafos que os constituem, devem ter uma seqüência
lógica de estruturação e de redação, de modo que todo o texto fique claro e
compreensível para o leitor que não participou de sua elaboração. Do ponto de vista
da estrutura formal, o trabalho acadêmico tem três partes fundamentais: introdução,
desenvolvimento e conclusão. É dentro desta estrutura que se desenvolve o
raciocínio argumentativo do autor do trabalho.
A seguir serão apresentadas, de modo breve, algumas orientações gerais
para a elaboração da parte textual do trabalho acadêmico. No capítulo 12 deste
manual encontram-se as orientações específicas para a redação científica do texto
acadêmico.

6.3.1 Introdução do trabalho acadêmico

Como o próprio nome sugere, é a parte destinada à apresentação geral do


trabalho, devendo fornecer as informações necessárias para o entendimento do
assunto tratado no estudo: a formulação e a delimitação do problema, os objetivos e
justificativas do estudo e a indicação da metodologia utilizada. Por sua função de
apresentação, a introdução deve ser redigida de modo a despertar o interesse e
prender a atenção do leitor.
49

Nos trabalhos acadêmicos, a introdução deve anunciar o tema do trabalho,


delimitando com clareza a extensão e a profundidade adotadas em sua abordagem.
É necessário mostrar precisamente qual é a questão específica da qual o estudo se
ocupa (formulação do problema) e os propósitos buscados ao longo da investigação
(objetivos). É necessário ter o cuidado, entretanto, de não entrar em detalhes sobre
o desenvolvimento do tema nesta parte trabalho e, principalmente, de não anunciar
as conclusões sobre o problema proposto. No capítulo 10 deste manual, encontram-
se as orientações para a formulação de uma “boa pergunta de partida”.
Para Salomon (2000, p. 339), a introdução deve cumprir ainda uma outra
função: a de apresentar, de forma sintética, o “quadro de referência teórico” do
trabalho, através de uma breve referência aos estudos mais importantes dedicados
ao problema, de modo a indicar as lacunas que justificam a existência do trabalho
que será desenvolvido.
Na introdução deve-se também explicar porque é importante estudar o tema
escolhido, indicando-se todas as contribuições que o estudo pode trazer para a
academia e para a sociedade (justificativa do trabalho).
Para explicitar qual a metodologia empregada no estudo, o autor deve relatar
sucintamente se a abordagem é qualitativa ou quantitativa, se o trabalho tem
finalidade descritiva ou explicativa, se foi utilizado algum experimento ou trabalho de
campo, etc. No anexo A deste manual, encontra-se um resumo das tipologias de
pesquisa que podem ser empregadas no trabalho acadêmico.
Não há necessidade de destacar em subtítulos cada um dos itens referidos,
de modo que todas as informações podem aparecer sob um mesmo título:
introdução.

6.3.2 Desenvolvimento do trabalho acadêmico

O desenvolvimento constitui o núcleo do trabalho acadêmico, sendo por isso


sua parte mais extensa. Nele, o autor descreve e analisa os fatos e apresenta suas
idéias principais, argumentando em favor de sua validade.
De acordo com Severino (2002, p. 75), o trabalho acadêmico deve “transmitir
uma mensagem”, isto é, comunicar os resultados da pesquisa e da reflexão do autor
sobre o tema proposto. Esta é a principal função do desenvolvimento em um
trabalho acadêmico: fazer a demonstração das idéias do autor do trabalho a respeito
50

do tema escolhido, de modo a construir as bases para a tomada de posição em


relação ao problema formulado. Por isso o estudante discute os estudos já
existentes sobre o assunto e apresenta todos os demais dados resultantes de sua
pesquisa nesta etapa do trabalho.
É necessário descrever os conceitos, teorias e posições de autores sobre o
assunto tratado, fazendo a comparação dos argumentos divergentes ou
convergentes entre autores. Esta demonstração analítica das obras dos autores, que
constitui um elemento central no desenvolvimento do trabalho, é denominada por
alguns autores como referencial teórico ou revisão da literatura. Os resultados desta
análise crítica e comparativa das abordagens teóricas devem ser demonstrados,
explicitando-se o posicionamento do autor do trabalho.
Não é obrigatório separar um único capítulo para apresentar este referencial,
que pode estar integrado ao corpo do trabalho, dando sustentação ao
desenvolvimento da idéia principal da monografia. É muito importante também que
as teorias sejam apresentadas observando-se as normas de citação da ABNT, que
são apresentadas no capítulo 7 deste manual.
No caso das monografias que resultam de experimentos ou de trabalhos de
campo, é necessário ainda cumprir uma outra etapa, além da revisão bibliográfica,
referente à discussão e análise dos dados empíricos coletados. A apresentação dos
dados coletados pode incluir gráficos, tabelas, e outros recursos que esclareçam a
questão discutida. A análise destes dados é elemento importante na construção da
argumentação do autor do trabalho acadêmico, isto é, na demonstração de sua idéia
ou tese principal. Por esta razão, nos casos de trabalhos que envolvem dados
empíricos, é recomendável também um aprofundamento na explicação dos
procedimentos metodológicos que foram apenas anunciados na introdução (naquele
momento se restringindo a classificar o tipo de pesquisa e indicar os instrumentos de
coleta de dados escolhidos). Neste caso, se o autor do trabalho aplicou
questionários, será necessário explicitar, por exemplo, como as respostas foram
quantificadas ou, no caso de entrevistas, a partir de que perspectiva foram
interpretadas as respostas.
Não só em virtude de sua extensão, como também de sua complexidade, o
desenvolvimento do trabalho deve ser dividido em subseções, numeradas
progressivamente, com a finalidade de melhor compreensão do tema exposto. De
acordo com Ruiz (1996, p. 76) não existe uma norma de divisão universal para todos
51

os tipos de monografia, sendo mais adequada aquela que melhor se ajusta à


natureza de cada trabalho, tendo em vista sua constituição e complexidade. É
recomendado apenas que se divida o corpo do texto no menor número possível de
partes, tanto no que diz respeito às seções quanto às subseções, adotando-se, para
cada uma delas um título que expresse claramente a idéia principal nelas contida.

6.3.3 Conclusão do trabalho acadêmico

Esta etapa constitui o momento de arremate do trabalho, no qual são


retomadas as principais idéias e argumentos desenvolvidos ao longo do trabalho,
reforçando-se desta maneira a demonstração da proposição central da monografia.
A conclusão, também chamada de considerações finais, deve ser breve e
concisa, respondendo com clareza ao problema elaborado na introdução e tratado
ao longo do desenvolvimento. Por isso a conclusão, segundo Köche (1997, p. 147),
é o ponto para o qual convergem todas as etapas do estudo, sendo uma
“decorrência natural” do que já foi demonstrado ao longo do trabalho. A conclusão é,
portanto, um trabalho de síntese dos principais resultados alcançados, sem maiores
análises ou comentários. Como síntese, a conclusão deve relacionar as diversas
partes da argumentação e unir as idéias principais desenvolvidas.
É comum que no trabalho acadêmico se chegue a mais de uma conclusão.
Entretanto, não é permitida a inclusão de novos dados nesta parte do trabalho
(SALOMON, 2000, p. 349). Os assuntos apontados no desenvolvimento do trabalho
e que não foram explorados devidamente, por fugirem ao objetivo principal da
monografia, devem ser recomendados como sugestões para futuras investigações.

6.4 NORMAS DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS

Os elementos pós-textuais devem ser apresentados conforme 6.4.1 a 6.4.5.

6.4.1 Referências bibliográficas

As referências bibliográficas são constituídas por conjuntos padronizados de


elementos descritivos, retirados dos documentos consultados, e que permitem a
identificação dos mesmos. Para compor as referências bibliográficas, o autor do
52

trabalho acadêmico deve dispor de informações tais como autor, título, local, editora
e ano de publicação dos documentos consultados. As normas específicas para
elaboração da referências bibliográficas encontram-se no capítulo 8 deste manual.

6.4.2 Glossário

Elemento opcional do trabalho acadêmico, que consiste em uma relação de


palavras de uso restrito empregadas no texto, tais como termos técnicos, regionais,
arcaísmos, etc., que devem aparecer acompanhadas de suas respectivas definições.
O glossário deve ser apresentado em ordem alfabética e, ao contrário do
índice, não deve conter indicação das páginas nas quais ocorrem os termos.

6.4.3 Apêndice(s)

Elemento opcional, composto de documentação complementar ao trabalho,


elaborada pelo autor do mesmo. Cada apêndice é apresentado em folha própria e
identificado através de letras maiúsculas consecutivas, seguidas de travessão e dos
respectivos títulos em letras minúsculas. Nos casos em que, excepcionalmente, a
lista exceder as letras do alfabeto, usam-se letras maiúsculas dobradas.
Exemplo: APÊNDICE A – Resultados da avaliação 360° na empresa
Transportes e Cargas LTDA.

6.4.4 Anexo(s)

Elemento opcional, composto de documentação não elaborada pelo autor,


cujas informações complementam o trabalho.
Cada anexo é apresentado em folha própria e identificado através de letras
maiúsculas consecutivas, seguidas de travessão e dos respectivos títulos em letras
minúsculas.
Nos casos em que, excepcionalmente, a lista exceder as letras do alfabeto,
usam-se letras maiúsculas dobradas.
Exemplo: ANEXO A – Contrato social da empresa Transportes e Cargas
LTDA.
53

6.4.5 Índice

Elemento opcional, composto de uma lista de palavras ou frases, ordenadas


segundo certo critério (por exemplo, índice onomástico ou de assunto), com a
respectiva indicação das páginas em que aparecem no texto. É utilizado apenas
quando a extensão e a complexidade do trabalho exigem rápida localização das
informações citadas no texto. No caso, por exemplo, de um trabalho que cite grande
quantidade de empresas ao longo do texto, é recomendável a elaboração de um
índice para que os leitores localizem mais facilmente cada uma das empresas
citadas.

6.5 NORMAS GERAIS DE FORMATAÇÃO

Nesta seção serão apresentadas as normas de formatação que permitem a


padronização da apresentação gráfica dos trabalhos acadêmicos, de acordo com a
norma NBR 14724:2002 da ABNT. As mesmas encontram-se resumidas no
apêndice A.

6.5.1 Formato

O trabalho deve ser digitado em papel A4 (210x297 mm) apenas no anverso


(frente) da folha.
Embora a norma NBR 14724:2002 da ABNT não determine uma fonte
específica para a digitação do trabalho (recomendando apenas que seja utilizada a
mesma para todo o trabalho), este manual recomenda o uso das fontes arial ou
times new roman.
O tamanho da fonte utilizada é 12 para todo o trabalho, com exceção das
citações diretas com mais de três linhas, paginação, legendas de ilustrações e de
tabelas e notas de rodapé, cujas fontes devem ser menores e uniformes.

6.5.2 Margens

As folhas devem apresentar margem superior e esquerda de 3 cm e inferior e


direita de 2 cm.
54

O início de cada parágrafo do texto deve ser recuado a 1 TAB a partir da


margem esquerda.

6.5.3 Espacejamento

O texto deve ser digitado com espaço 1,5 de entrelinhas, com exceção das
citações diretas com mais de 3 linhas, notas de apresentação, notas de rodapé,
legendas das ilustrações e das tabelas e referências bibliográficas, cujos espaços de
entrelinhas devem ser simples.
Entre os parágrafos e os títulos das seções devem ser usados dois espaços
de 1,5 (2 enter). Entre um parágrafo e outro utiliza-se apenas 1 enter.

6.5.4 Paginação

Todas as folhas que compõem o trabalho, a partir da folha de rosto, são


contadas seqüencialmente, porém a numeração de página somente aparece a partir
da primeira folha da parte textual do trabalho (introdução).
A numeração da página é feita com algarismos arábicos, digitados com fonte
menor que 12 e colocados no canto superior direito da folha.
No caso de existirem apêndices e/ou anexos, as folhas dos mesmos são
também contadas e numeradas, obedecendo à seqüência do trabalho.

6.5.5 Numeração progressiva das seções

A numeração progressiva tem a função de evidenciar a sistematização do


conteúdo do trabalho. As principais divisões do texto são chamadas de seções
primárias (ou capítulos). Estas subdividem-se em seções secundárias, que se
subdividem em terciárias, e assim por diante, recomendando-se limitar as
subdivisões até as seções quinárias, para não comprometer a fluidez do texto.
Todas as seções do trabalho devem, sem exceção, conter um texto relacionado a
elas.
Os títulos das seções textuais devem ser alinhados à esquerda. Seu
indicativo numérico é feito com algarismos arábicos, que precedem o título da seção,
separado da mesma por um espaço. Não se deve utilizar ponto, hífen, travessão ou
55

qualquer outro sinal após o número indicativo da seção. Os títulos das seções pré-
textuais e pós-textuais não são numerados e devem aparecer centralizados na folha.
Os títulos das seções primárias (capítulos) devem iniciar em nova folha. O
indicativo destas seções deve ser grafado em números inteiros a partir de 1. O
indicativo de uma seção secundária é constituído pelo número inteiro indicativo da
seção primária a que pertence, seguido de ponto e do número que lhe for atribuído
na seqüência do assunto, repetindo-se o mesmo procedimento em relação às
demais seções.
Exemplo de título de seção secundária: 3.1 O MÉTODO DO ESTUDO DE
CASO
Os títulos das seções devem ser destacados tipograficamente: as seções
primárias são grafadas com letras maiúsculas negritadas, as seções secundárias
com letras maiúsculas sem negrito, as seções ternárias com letras minúsculas
negritadas, e as seções quaternárias e quinárias com letras minúsculas sem negrito.
Esta mesma formatação tipográfica deve ser reproduzida no sumário do trabalho.

6.5.6 Uso de aspas, itálico e negrito

As aspas são utilizadas no início e no final de citações diretas com até três
linhas, ou de termos utilizados com sentido irônico ou, ainda, com significado
diferente (como apelidos e gírias).
O recurso tipográfico do negrito é utilizado para destacar palavras que
merecem ênfase (somente quando não for possível dar realce pela redação) e no
título das obras que constam nas referências bibliográficas.
O itálico é um recurso tipográfico utilizado para destacar:

a) palavras e frases em língua estrangeira;


b) expressões em latim;
c) nomes de espécies em Botânica, Zoologia e Paleontologia;
d) títulos de documentos (livros, revistas, artigos e outros) citados no texto.

6.5.7 Notas de rodapé

As notas de rodapé destinam-se a esclarecer, comprovar ou justificar


56

informações, cuja inclusão no texto prejudica a fluência de sua leitura.


São inseridas por comando dado ao computador, que as posiciona ao final da
folha, dentro das margens, mas sob uma linha horizontal. As notas devem ser
numeradas seqüencialmente em algarismo arábicos e digitadas em fonte menor que
a do texto, com espacejamento simples entre as linhas (porém duplo entre notas
localizadas na mesma página). A numeração é única e consecutiva para cada
unidade importante do trabalho (capítulo ou seção primária). Não se deve reiniciar a
numeração a cada página.

6.5.8 Alíneas

Quando for necessário enumerar diversos assuntos dentro de uma seção,


sem lhes atribuir um título, deve-se utilizar a subdivisão por alíneas. Observe a
formatação das alíneas que vão da letra a até a letra f, contidas nesta mesma seção,
que pode ser tomada como modelo. A disposição gráfica das alíneas obedece às
seguintes regras:

a) o trecho final do texto anterior às alíneas termina em dois pontos;


b) as alíneas são ordenadas alfabeticamente, com letras minúsculas
seguidas de sinal de fechamento de parênteses;
c) as alíneas são recuadas a 1 TAB a partir da margem esquerda;
d) o texto de cada alínea começa por letra minúscula e termina em ponto-e-
vírgula, exceto a última, que termina em ponto;
e) a segunda e as demais linhas de uma alínea devem estar alinhadas com a
primeira letra da própria alínea;
f) quando o texto exige, as alíneas podem ser divididas em subalíneas,
começando por hífen e terminando sempre em vírgula.

6.5.9 Siglas e abreviaturas

Quando aparecem pela primeira vez em um texto, devem ser precedidas do


nome completo que as descreve e colocadas entre parênteses. Outras vezes em
que aparecem no texto, escreve-se apenas a sigla ou a abreviatura.
Exemplo: de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
57

(IBGE), houve declínio da renda nacional durante o período. O IBGE prepara nova
pesquisa.

6.5.10 Normas para inclusão de ilustrações

Qualquer que seja o tipo de ilustração (gráfico, organograma, quadro, etc.)


sua identificação aparece na parte inferior, onde se informa o tipo de ilustração e o
algarismo arábico que indica sua ordem de ocorrência no texto, seguido de uma
breve e explicativa legenda.
Logo abaixo da legenda, é mencionada a fonte de onde foi extraída a
ilustração, indicando-se sobrenome do autor, data e página da obra de referência.
Quando elaborada pelo autor do trabalho, a fonte é designada como “elaboração
própria”. Se for adaptada de outrem, a indicação correta é “adaptada de” seguida do
sobrenome do autor, ano e página da fonte consultada.
As ilustrações devem estar localizadas o mais próximo possível do trecho do
texto que as menciona. Contudo, em caso de ilustrações extensas, estas podem ser
apresentadas nos anexos do trabalho. Os quadros e as figuras apresentadas neste
manual podem ser tomadas como modelo de formatação de ilustrações.

6.5.11 Normas para inclusão de tabelas

Conforme a norma NBR 14724:2002 da ABNT, a inclusão de tabelas nos


trabalhos acadêmicos deve seguir as normas de apresentação definidas pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma tabela, de acordo com o
IBGE (1993, p.9) é uma “forma não discursiva de apresentar informações, nas quais
o dado numérico se destaca como informação central”.
Cumpre esclarecer que um quadro é uma ilustração semelhante à tabela, por
ser constituído basicamente de colunas e linhas. Contudo, os quadros apresentam
informações textuais, enquanto as tabelas apresentam, essencialmente, informações
numéricas.
A identificação de uma tabela deve ser feita na parte superior, com algarismos
arábicos, numerados de modo crescente, precedidos da palavra TABELA e seguidos
de legenda explicativa, indicando a natureza dos dados apresentados e sua
abrangência.
58

A numeração das tabelas pode estar subordinada às seções primárias do


trabalho, como, por exemplo, Tabela 10.3 (indicando a terceira tabela da décima
seção primária). Outra forma de numerar as tabelas é utilizando a numeração
seqüencial simples, como, por exemplo, Tabela 6 (indicando a sexta tabela
apresentada no trabalho, independente de sua localização nesta ou naquela seção).
No rodapé da tabela, deve ser indicada sua fonte, apresentando-se o
sobrenome do autor, o ano e a página da obra consultada. Estas informações
devem ser precedidas pela palavra Fonte.
A moldura da tabela deve conter pelo menos três traços horizontais paralelos:
o primeiro para separar o topo, o segundo para separar o cabeçalho e o terceiro
para separar o rodapé. Não se utilizam traços verticais para delimitar a tabela à
esquerda e à direita.
Para facilitar a identificação dos dados apresentados, toda tabela deve
possuir cabeçalho, indicando o conteúdo das colunas e indicadores do conteúdo das
linhas.
Para a informação completa das normas de apresentação de tabelas,
recomenda-se a consulta às Normas de apresentação tabular (IBGE, 1993).
Exemplo de formatação de tabela:

TABELA 1: População ocupada, por ramo de atividade, nas regiões sul e sudeste em 2001
Ramos de atividade (%)
Regiões Agrícola Industria Comércio Serviços
Sul 24,5 19,9 12,3 15,2
Sudeste 12,9 19,9 14,9 18,3
Fonte: Anuário Estatístico do Brasil, IBGE, 1975
59

UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA HERDY


ESCOLA DE GESTÃO E NEGÓCIOS
Curso de Administração

O MARKETING NO SÉCULO XXI: desafios e tendências

Janaína Marcondes
José Gonçalves dos Santos
Felipe Martins da Silveira

Duque de Caxias
2006
FIGURA 1: modelo de capa de trabalho acadêmico (observação: não utilizar bordas)
Fonte: elaboração própria
60

Janaína Marcondes
José Gonçalves dos Santos
Felipe Martins da Silveira

O MARKETING NO SÉCULO XXI: desafios e tendências

Trabalho apresentado à disciplina de


Marketing do curso de Administração da
UNIGRANRIO como requisito para aprovação
na mesma

Orientador: Prof. Paulo Neves

Duque de Caxias
2006
Figura 2: Modelo de folha de rosto de trabalho acadêmico (observação: não utilizar bordas)
Fonte: elaboração própria
61

TERMO DE APROVAÇÃO

IMPACTOS DO PROGRAMA DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO


SOBRE O DESEMPENHO DE FUNCIONÁRIOS DE UMA EMPRESA DE
TRANSPORTES

Trabalho Final de Curso defendido por


Eduardo Gomes Braga, Luiz Vagner da Silva,
Simone Pereira dos Santos e Valéria
Antunes, apresentado ao curso de
Administração da Universidade do Grande
Rio Prof. José de Souza Herdy
(UNIGRANRIO) e aprovado em (dia) de (mês)
de (ano) pela banca examinadora constituída
pelos professores:

_________________________________________________
Prof. orientador Augusto Pereira Oliveira

_________________________________________________
Profa. Dra. Elisa de Sá

_________________________________________________
Prof. Dr. Pedro Henrique Manoel

Duque de Caxias
2006
FIGURA 3: modelo de termo de aprovação (observação: não utilizar bordas)
Fonte: elaboração própria
62

7 NORMAS PARA FAZER CITAÇÕES

A norma NBR 10520: 2002 da ABNT define como citação qualquer menção
de informações extraídas de outra fonte. A citação é direta quando se trata de
transcrição textual que reproduz exatamente o trecho original, e indireta quando se
trata de uma transcrição livre (que não reproduz exatamente o trecho original) do
pensamento do autor, mantendo-se, entretanto, a fidelidade ao conteúdo de seu
pensamento.
Na elaboração de trabalhos acadêmicos, é essencial a indicação das fontes
das citações utilizadas no texto. A prática de apontar claramente as origens das
idéias e conceitos utilizados na produção científica é importante tanto para a
orientação dos leitores, quanto para o respeito ao princípio da propriedade
intelectual. Aqueles que copiam a obra de outros autores sem autorização e sem
citar a fonte cometem plágio e estão sujeitos a punições previstas por lei (CABRAL,
1998, p. 78).
Não há fórmulas que permitam apontar a quantidade adequada de citações
em um trabalho. Análises críticas de teorias, por exemplo, requerem a transcrição de
vários trechos das obras. Contudo, recomenda-se o bom senso nesta prática, de
modo que não se confunda a necessidade de usar citações para sustentar uma tese
com a transferência do esforço intelectual do autor do trabalho para os autores
consultados (ECO, 2004, p. 123).
É importante destacar que todas as obras citadas ao longo do texto devem
ser devidamente listadas nas referências bibliográficas, conforme as orientações
apresentadas no capítulo 8 deste manual.
De acordo com a ABNT, as citações podem ser apresentadas pelo sistema
numérico (inserido em notas de rodapé) ou pelo sistema autor-data, dentro do
próprio texto. Para a padronização dos trabalhos acadêmicos apresentados à Escola
de Gestão e Negócios da UNIGRANRIO, é recomendado o sistema autor-data, que
será exemplificado em todos os modelos apresentados neste manual. As notas de
rodapé ficam neste caso reservadas para a inserção de notas explicativas.
A seguir serão apresentadas as regras gerais para fazer citações, válidas
para todos os tipos de documentos, inclusive os retirados da internet. A citação
deste tipo de documento não requer a indicação do endereço do site no texto, mas
tal indicação aparece obrigatoriamente nas referências bibliográficas.
63

7.1 NORMAS PARA CITAÇÕES DIRETAS

Há duas formas de apresentação das citações diretas. Na primeira forma,


cita-se o autor (pelo sobrenome) ou a instituição responsável pela idéia, ou, ainda, o
título de entrada do documento consultado (no caso de autoria desconhecida) e,
entre parênteses, o ano da obra, o volume (quando houver mais de um) e o número
da página da qual foi retirada a citação, separados por vírgula. A seguir, então,
apresenta-se, entre aspas duplas, a transcrição da idéia do autor. Exemplo:

De acordo com Katz e Kahn (1987, p. 237), a autoridade é “o poder associado a


uma posição em uma organização.”

Uma outra forma de fazer as citações consiste em apresentar primeiro, entre


aspas duplas, a transcrição da idéia e depois, entre parênteses, o sobrenome do
autor (ou o nome da instituição ou, ainda, o título de entrada), o ano e a página
referentes ao documento que serviu de fonte. Neste caso, a autoria deve ser
destaca com letras maiúsculas. Exemplo:

Neste artigo, a autoridade é conceituada como “o poder associado a uma posição


em uma organização.” (KATZ; KAHN, 1987, p. 237).

A citação direta com mais de três linhas deve ser apresentada sem aspas em
um parágrafo distinto com recuo de 4 cm a partir da margem esquerda, espaço
simples e fonte menor do que a utilizada no texto. É recomendada a utilização de 2
espaços de 1,5 (2 enter) entre este tipo de citação e os parágrafos anterior e
posterior do texto. O modelo encontra-se a seguir:

É importante destacar as características de um bom plano de negócios:

Que seja uma ferramenta para o empreendedor expor suas idéias


em uma linguagem que os leitores do plano de negócios entendam e,
principalmente, que mostre viabilidade e probabilidade de sucesso
em seu mercado. O plano de negócios é uma ferramenta que se
aplica tanto no lançamento de novos empreendimentos quanto no
planejamento de empresas maduras (DORNELAS, 2005, p.40).
64

Para este tipo de citação, também é possível utilizar o modelo de


apresentação que primeiro indica a autoria da idéia. Exemplo:

É importante mencionar as características que, segundo Dornelas (2005, p. 40),


constituem um bom plano de negócios:

Que seja uma ferramenta para o empreendedor expor suas idéias


em uma linguagem que os leitores do plano de negócios entendam e,
principalmente, que mostre viabilidade e probabilidade de sucesso
em seu mercado. O plano de negócios é uma ferramenta que se
aplica tanto no lançamento de novos empreendimentos quanto no
planejamento de empresas maduras.

Nas citações diretas é possível omitir partes do texto, desde que, é claro, não
seja comprometido seu sentido original. A supressão deve ser indicada por
reticências entre colchetes. Exemplo:

Durkheim (1989, v.2, p. 167) já havia destacado a importância do sentido da tarefa


para o trabalhador especializado:

A divisão do trabalho pressupõe que o trabalhador, bem longe de


permanecer curvado sobre a sua tarefa, não perca de vista os seus
colaboradores, aja sobre eles e receba a sua influência. Não é
portanto uma máquina que repete movimentos de que não apercebe
a direção, mas sabe que tendem para algum lado, para uma
finalidade [...].

7.2 NORMAS PARA CITAÇÕES INDIRETAS

A apresentação sintetizada das idéias de um autor dispensa o uso de aspas.


Deve-se indicar a autoria (ou o título do documento, no caso de autoria
desconhecida) e o ano do documento. A indicação do número da página é opcional,
porém recomendada. Embora a citação indireta não reproduza exatamente a
redação do texto do autor consultado, é importante estar atento ao raciocínio do
autor, para que a idéia destacada não tenha seu sentido original adulterado
(MATTAR NETO, 2005, p. 232). Exemplos:
65

Como já demonstrado por Zarifian (2001, p. 56), a competência não nega as


qualificações dos trabalhadores; ao contrário, as valoriza.

A competência não nega as qualificações dos trabalhadores; ao contrário, as


valoriza (ZARIFIAN, 2001, p.56).

Respeitar os princípios do desenvolvimento sustentável significa adotar formas de


desenvolvimento que atendam às necessidades atuais da humanidade, sem
comprometer a possibilidade de as gerações futuras também o fazerem
(COMISSÃO MUNDIAL PARA O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1991).

A citação indireta pode estar baseada em obras de diversos autores, que


devem ser mencionados simultaneamente, em ordem alfabética, separados por
ponto-e-vírgula. Exemplo:

Como já apontado em diversos estudos, os empreendedores são grandes


propulsores do desenvolvimento econômico (DRUCKER, 1987; SACHS, 1986;
SCHUMPETER, 1982).

7.3 NORMAS PARA CITAÇÃO DE CITAÇÃO

É a citação (direta ou indireta) de um texto ao qual não se teve acesso. Este


tipo de citação só deve ser utilizado quando não for possível a consulta ao
documento original, como é o caso de documentos muito antigos ou cujos dados
não permitam sua localização. Nas referências, lista-se apenas a obra consultada
(no caso do exemplo a seguir, a obra de Chiavenato). Em nota de rodapé pode-se
inserir a referência completa da obra citada (no caso do exemplo, a obra de Levitt).
Os exemplos a seguir retratam uma citação de Levitt retirada da obra de Chiavenato:

Uma das mais importantes mudanças no campo da gestão das organizações diz
respeito ao deslocamento do foco das estratégias do produto para o cliente: “Uma
indústria é um processo de satisfação de consumidores e não simplesmente um
processo de produção de bens.” (LEVITT, 1966, p.63 apud CHIAVENATO,1999, p.5.
66

De acordo com Levitt (1996 apud CHIAVENATO, 1999, p. 267), o principal objetivo
de uma organização deve ser a satisfação de seus consumidores e não
simplesmente a produção de bens.

7.4 NORMAS COMPLEMENTARES PARA CITAÇÕES

Os modelos de apresentação de citações abordados anteriormente sofrem


pequenas variações nas seguintes situações:

a) quando for necessário citar, direta ou indiretamente, documentos


diferentes de um mesmo autor, porém publicados em um mesmo ano,
acrescentam-se, após a indicação da data, letras minúsculas em ordem
alfabética. Exemplo: Chiavenato (1999a);
b) no caso das citações indiretas de diversos documentos de mesma autoria,
publicados em anos diferentes e mencionados ao mesmo tempo, as
respectivas datas devem ser informadas (separadas por vírgulas) após a
indicação do autor. Exemplo: Chiavenato (1999, 2002);
c) no caso da citação de dois autores com o mesmo sobrenome, deve-se
diferenciá-los pelo uso das iniciais de seus prenomes. Permanecendo a
coincidência, colocam-se os prenomes por extenso. Exemplo: (RIBEIRO,
C., 1986) e (RIBEIRO, O., 1999);
d) quando a citação constituir texto traduzido pelo autor do trabalho, deve-se
incluir, após a indicação da página, a expressão tradução nossa, em letras
minúsculas;
e) para enfatizar trechos da citação, pode-se destacá-los em negrito,
indicando-se tal alteração com a expressão grifo nosso (em letras
minúsculas), após a indicação da página, ou grifo do autor (em letras
minúsculas), quando o destaque já fizer parte da obra consultada;
f) para as citações de documentos sem autoria definida, é suficiente indicar,
em letras maiúsculas, apenas a primeira palavra do título do documento
(precedida do artigo, quando for o caso) seguida de reticências e das
informações restantes (ano do documento e página consultada);
67

g) as citações diretas com até três linhas são demarcadas por aspas duplas.
As aspas simples são utilizadas para citação dentro de citação (isto é,
quando o autor já havia utilizado aspas dentro do próprio trecho citado);
h) no caso de citação de uma única obra com mais de três autores, utiliza-se
a expressão et al após a indicação do sobrenome do primeiro autor da
lista. Exemplo: Bastos et al (2003, p.17);
i) quando se tratar de dados obtidos por informação verbal (palestras,
debates, etc.), deve-se indicar, entre parênteses a expressão “informação
verbal”, mencionando-se os dados disponíveis (autor, nome e data do
evento, nome da instituição no qual ocorreu, etc.) em nota de rodapé.
68

8 NORMAS PARA ELABORAÇÃO DE REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

As referências bibliográficas, de acordo com NBR 6023: 2002 da ABNT, são


conjuntos padronizados de elementos descritivos, retirados dos documentos
consultados, que permitem a identificação dos mesmos.
É importante não confundir referência bibliográfica com bibliografia. As
referências bibliográficas apresentam a lista dos documentos efetivamente citados
pelo autor ao longo de seu trabalho. A função das referências bibliográficas é,
portanto, a de permitir a identificação dos documentos que viabilizaram o
desenvolvimento de um trabalho. Já a bibliografia é a relação de todos os
documentos existentes sobre determinado assunto ou produzidos por determinado
autor, mesmo que não citados por quem elabora um trabalho acadêmico.
As referências bibliográficas, de acordo com a ABNT, podem aparecer no
rodapé da página, no fim de cada capítulo ou em lista ao final do texto, sendo
possível ordená-las por ordem alfabética ou por ordem de citação no texto.
Para fins de padronização dos trabalhos acadêmicos apresentados à Escola
de Gestão e Negócios da UNIGRANRIO, recomenda-se a apresentação das
referências em lista própria, ordenada alfabeticamente e localizada após a
conclusão do trabalho.
Para efeito das regras gerais de apresentação, as referências devem ser
alinhadas somente à margem esquerda do texto, de modo que seja possível
identificar individualmente cada documento, com espaço simples de entrelinhas na
mesma referência e dois espaços simples entre uma referência e outra.
Este manual não pretende abordar todos os casos previstos na norma ABNT
para elaboração de referências. É recomendado, por isso, a consulta a esta norma
para o esclarecimento dos casos aqui omitidos.
A elaboração correta das referências bibliográficas requer a identificação do
tipo de material a ser referenciado (monografia, publicação periódica, evento, etc.),
pois as informações solicitadas variam de acordo com o suporte documental no qual
se apresentam.
Uma seqüência genérica dos elementos essenciais de uma referência pode
ser apresentada da seguinte maneira (MATTAR NETO, 2005, p. 213):
69

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome. Título. Edição. Local: Editora, data.

A memorização desta seqüência genérica permite elaborar vários tipos de


referência. Contudo, para a consulta mais proveitosa deste manual, recomenda-se,
além da identificação do tipo de material a ser referenciado (monografia, publicação
periódica, evento, etc.), a identificação do tipo de autoria do documento (autor
pessoal, autor entidade, sem autoria determinada, etc.), já que as seções de
apresentação das normas encontram-se divididas por estes critérios. A última seção
(8.10) é reservada à apresentação das normas gerais, que se aplicam a todos os
tipos de documento.

8.1 MONOGRAFIA

A norma NBR 6023:2002 da ABNT inclui nesta categoria livros, manuais,


guias, catálogos, enciclopédias e dicionários, além dos trabalhos acadêmicos, tais
como trabalhos monográficos, teses e dissertações. Para referenciar corretamente
as monografias é importante distinguir os casos em que se consulta a obra como um
todo, dos casos em que se consulta apenas uma parte.
As partes de uma monografia incluem capítulos, verbetes, entre outros. A
forma de referenciar a parte consultada muda conforme o autor da parte coincide ou
não com o autor da obra como um todo.
A seguir serão apresentados os modelos correspondentes a cada um dos
casos mencionados:

8.1.1 Monografia no todo

SOBRENOME, prenome do autor. Título da obra: subtítulo. ed. Local: Editora, ano.
volume (v.).

MEDEIROS, João Bosco. Manual da secretária: técnicas de trabalho. 8. ed. São


Paulo: Atlas, 2003.

DURKHEIM, Émile. A divisão do trabalho social. 3 ed. Lisboa: Editorial Presença,


1989. 2 v.
70

8.1.2 Parte de monografia de mesmo autor

SOBRENOME, prenome do autor . Título da parte. In: _____. Título da obra:


subtítulo. Local: Editora, ano. nº cap., p. inicial-final da parte consultada.

CHIAVENATO, Idalberto. O ambiente das organizações. In: _____. Administração


dos novos tempos. Rio de Janeiro: Campus, 1999. cap. 3 (parte II), p. 73-98.

8.1.3 Parte de monografia com autoria própria

Este caso se refere à consulta de um texto específico contido em uma


coletânea de textos de vários autores, sendo necessário informar o nome do
responsável pelo conjunto da obra, seguido da indicação abreviada do status de sua
participação, como, por exemplo, organizador (Org.) ou coordenador (Coord.).

SOBRENOME, prenome do autor da parte. Título da parte: subtítulo. In:


SOBRENOME, prenome do responsável pela obra. Título da obra: subtítulo. Local:
Editora, ano. p. inicial-final da parte consultada.

NEIVA, Elaine Rabelo. Metodologia para avaliação da mudança organizacional. In:


LIMA, Suzana Maria Valle (Org.). Mudança organizacional: teoria e gestão. Rio de
Janeiro: Editora FGV, 2003. p. 191-216.

8.1.4 Teses, dissertações e trabalhos monográficos

SOBRENOME, Prenome do autor. Título: subtítulo. ano. no pag. Categoria (Grau e


Área de concentração) – Instituição, Local.

FURTADO, Júnia Ferreira. O livro da capa verde: a vida no Distrito Diamantino no


período da Real Extração. 1991. 262 p. Dissertação (Mestrado em História) -
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências, Universidade de São Paulo, São Paulo.

8.1.5 Monografia disponível na internet

Ao referenciar monografias consultadas on line, devem-se mencionar todas


as informações essenciais do documento, conforme os modelos anteriormente
apresentados. Devem ser acrescentadas as informações sobre o endereço
eletrônico e a data de acesso do documento, sendo opcional o acréscimo dos dados
referentes a hora, minutos e segundos deste acesso.
71

TEIXEIRA JR., Alberto. Sistemas de informação na gestão da pequena e média


empresa brasileira. 2001. 45p. Monografia (Pós-graduação em Auditoria e
Controladoria) – Fundação Educacional Jaime de Altavila, Maceió, 2001. Disponível
em: <http://www.biblioteca.sebrae.com.br/>. Acesso em: 28 jan. 2006.

8.2 PUBLICAÇÃO PERIÓDICA

Periódicos são publicações editadas em unidades sucessivas, tais como


jornais, revistas, cadernos, etc., com designações numéricas ou cronológicas e
continuidade indefinida. Não devem ser confundidos com coleções ou séries, que
reúnem conjuntos específicos de obras com correspondência temática entre si e
com um número definido de unidades sucessivas.

8.2.1 Parte de publicação periódica (artigo e/ou matéria de revista)

SOBRENOME, prenome do autor. Título do artigo/matéria. Título do periódico,


Local, ano, volume, número, p. inicial-final, data ou intervalo de publicação.

FORJAZ, Maria Cecília Espina. Globalização e crise do Estado Nacional. Revista de


Administração de Empresas, São Paulo,v. 40, n.2, p. 38-50, abr./jun. 2000.

PADUAN, Roberta. A agenda do Ponto Frio. Exame, São Paulo, ano 38, n.20, p. 48-
50, 13 out. 2004.

8.2.2 Parte de publicação periódica (artigo e/ou matéria de jornal)

SOBRENOME, prenome do autor. Título do artigo/matéria. Título do periódico,


Local, data de publicação. Seção ou caderno do jornal, paginação correspondente.
Quando não houver seção ou caderno, a paginação precede a data.

LEIRAS, Daniela. Pós-graduação eleva salários médios em 66%. O Globo, Rio de


Janeiro, 27 nov. 2005. Caderno Boa Chance, p.5.

8.2.3 Artigo e/ou matéria de periódico disponível na internet

As referências devem obedecer aos padrões já indicados para periódicos,


acrescentando-se, ao final, informações sobre o endereço eletrônico e a data de
acesso do documento, sendo opcional o acréscimo dos dados referentes a hora,
minutos e segundos deste acesso.
72

BENDASSOLLI, Pedro Fernando. Chega de diversão!. RAE Executivo, São Paulo,


v. 2, n. 4, p. 57-61, nov 2003 a jan. 2004. Disponível em:
<http://www.rae.com.br/executivo/>. Acesso em: 12 fev. 2005.

8.3 EVENTO

Inclui todos os documentos reunidos em produto final (atas, anais, resumos,


entre outros) próprio de um evento (Congresso, Seminário, Simpósio, etc.).

8.3.1 Trabalho apresentado em evento

SOBRENOME, prenome do autor. Título do trabalho. In: NOME DO EVENTO,


numeração do evento, ano, local de realização. Tipo do documento (anais, atas,
etc.)... Local: Editora, data de publicação. p. inicial-final.

VIEIRA JR., Cláudio. Um sistema de gerenciamento de base de dados orientado a


objetos. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE BANCO DE DADOS, 4, 1995, Manaus.
Anais... Manaus: Imprensa Universitária da UFA, 1995. p. 9-18.

8.3.2 Trabalho apresentado em evento disponível na internet

A referência obedece aos padrões indicados para trabalhos apresentados em


evento, acrescentando-se ao final as informações referentes ao endereço e à data
de acesso do documento consultado.

LEMOS, Charlene Kathlen de. Bibliotecas comunitárias em regiões de exclusão


social na cidade de São Paulo. In: ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, CIÊNCIA E GESTÃO DA INFORMAÇÃO,
26., 2003, Curitiba. Anais eletrônicos... Disponível em:
<http://www.decigi.ufpr.br/anais_enebd/documentos/oral/artigoeneb.rtf>. Acesso em:
20 jul. 2004.

8.4 IMAGEM EM MOVIMENTO

Inclui filmes, fitas de videocassete, DVD, entre outros.

TÍTULO do filme. Direção de. Produção de. Local: produtora, data. Suporte em
unidades físicas.
73

BLADE Runner. Direção de Ridley Scott. Produção de Michael Deeley. Los Angeles:
Warner Brothers, 1991. 1 DVD

Quando necessário, acrescentam-se elementos complementares para melhor


identificar o documento, tais como intérpretes, autor do roteiro, tempo de duração do
filme, etc.

8.5 ENTREVISTA

A referência é diferenciada para entrevistas publicadas e não-publicadas.

8.5.1 Entrevista publicada

SOBRENOME, Prenome do entrevistado. Título da entrevista. Referência da


publicação. Nota de Entrevista.

CARDOSO, Fernando Henrique. Fim do sufoco. Veja, São Paulo, ano 32, n. 51, p.
11-13, 22 dez. 1999. Entrevista concedida a Expedito Filho e Guilherme Barros.

8.5.2 Entrevista não-publicada

SOBRENOME, Prenome do entrevistado. Nota indicando a origem da entrevista.


Local, data.

WATKINS, Maurício. Entrevista concedida a Maria Helena Negrão Iwerson.


Curitiba, 20 out. 1998.

8.6 INFORMAÇÃO VERBAL

O seguinte modelo, segundo Mattar Neto (2005, p.225), pode ser utilizado
para referenciar informações obtidas através de palestras, conferências ou eventos
não publicados em anais científicos ou outros meios:

AUTOR DO DEPOIMENTO. Assunto ou título. Local do depoimento, Instituição (se


houver), data em que a informação foi apresentada. Nota indicando o tipo de
depoimento (conferência, discurso, palestra, etc.).
74

CALDERÓN, Patricia Loazia; SANTOS, Vania Martins dos. A cultura nas


organizações. Duque de Caxias: UNIGRANRIO, 08 maio 2004. Informação verbal.
Palestra ministrada aos alunos da Unigranrio.

8.7 MENSAGEM ELETRÔNICA

A norma NBR 6023:2002 da ABNT recomenda que mensagens que circulam


por meio de correio eletrônico sejam referenciadas somente quando não existir
nenhuma outra fonte para o assunto em questão. Dado o caráter informal e efêmero
deste tipo de mensagem, não é recomendável o seu uso como fonte científica de
pesquisa. Entretanto, nos casos que se fazem necessários, a ABNT recomenda o
seguinte modelo:

AUTOR DA MENSAGEM. Título. [identificação do tipo de comunicação]. Nota


indicando o destinatário e a data de recebimento.

PIRES, Vanda Cristina. Avaliação de desempenho.[E-mail]. Mensagem recebida


por jrmendes@unigranrio.com.br em 21 nov. 2002.

8.8 DOCUMENTOS JURÍDICOS

Compreende todo tipo de legislação, tais como a Constituição, as emendas,


leis complementares, medidas provisórias, etc. Os elementos essenciais estão
destacados no modelo, sendo recomendado apresentar elementos complementares
para melhor identificar o documento (como, por exemplo, a função da legislação):

JURISDIÇÃO, Título, numeração, data (sem abreviações) e dados da publicação. No


caso de Constituições e suas emendas, entre o nome da jurisdição e o título,
acrescenta-se a palavra Constituição, seguida do ano de publicação, entre
parênteses.

BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995.

BRASIL. Resolução n.17, de 1991. Autoriza o desbloqueio de Letras Financeiras do


Tesouro Nacional. Coleção de Leis da República Federativa do Brasil, Brasília,
DF, v.183, p.1156-1157, maio/jun.1991.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.


Brasília, DF: Senado, 1988.
75

8.8.1 Documentos jurídicos em meio eletrônico

Obedece ao mesmo padrão de referência para documentos jurídicos, com o


acréscimo da descrição física do meio eletrônico (CD-Rom, homepage, etc.).

BRASIL. Lei n.9887, de 7 de dezembro de 1999. altera a legislação tributária federal.


Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 8 dez. 1999.
Disponível em: <http://www.in.gov.br/mp_leis/leis_texto.asp?id=LEI%209887>.
Acesso em: 22 dez.1999.

8.9 BÍBLIA

BÍBLIA. Idioma. Título. Tradução ou versão. Edição. Local: Editora, data.

BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. 2. ed.


São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1979.

8.9.1 Bíblia em parte

BÍBLIA. Título da parte. Idioma. Título. Tradução ou versão. ed. Local: Editora, data.

BÍBLIA. Gálatas. Português. Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida.


2. ed. Curitiba: Sociedade Bíblica do Brasil, 1979.

8.10 REGRAS GERAIS PARA TRANSCRIÇÃO DE ELEMENTOS

Os padrões indicados nesta seção para apresentação dos elementos que


compõem as referências podem ser aplicados a todos os tipos de documentos.

8.10.1 Documentos com mais de um autor (até três autores)

Indicam-se os autores pelo último sobrenome, em maiúsculas, seguido dos


prenomes. Usa-se ponto-e-vírgula para separar os autores entre si.

BOYD JR., Harper; WESTFALL, Ralph. Pesquisa Mercadológica. 4.ed. Rio de


Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1979.
76

8.10.2 Documentos com mais de três autores

Quando existirem mais de três autores, sem indicação de responsabilidade


pelo conjunto da obra, apenas o primeiro nome entra na referência, seguido da
expressão et al. Quando houver indicação explícita de responsabilidade pelo
conjunto da obra, a entrada é feita pelo nome do responsável, seguido da
abreviação do tipo de participação, como por exemplo, organizador (Org.),
coordenador (Coord.), compilador (Comp.).

PARK, Kil Hyang (Coord.). Introdução ao estudo da administração. São Paulo:


Pioneira, 1997.

FLEURY, Maria Tereza Leme et al. Cultura e poder nas organizações. 2.ed. São
Paulo: Atlas, 1996.

8.10.3 Sobrenomes compostos

Nos casos em que os sobrenomes dos autores forem unidos por hífen, ou
compostos por duas ou mais palavras que formam expressão, como “... Filho”,
“...Jr.”, “Santo...” e “São...”, inicia-se a referência pela primeira parte do sobrenome.

CAMARGO FILHO, Enio. Poluição e desenvolvimento. 3.ed. São Paulo: Zahar,


1988.

8.10.4 Autores repetidos

Quando são incluídas várias obras de um mesmo autor na lista de referências


bibliográficas, deve-se substituir o nome do autor, nas referências seguintes à
primeira, por um traço sublinear equivalente a seis espaços e ponto.

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 3. ed. São


Paulo: Makron Books, 1998.

______. Administração dos novos tempos. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
77

8.10.5 Autor entidade

As obras de responsabilidade de entidades, tais como congressos,


seminários, empresas associações e similares têm entrada pelo seu próprio nome,
por extenso.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6027: informação e


documentação: sumário: apresentação. Rio de Janeiro, maio 2003.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico:


dados distritais. Rio de Janeiro, 1982.

8.10.6 Autor entidade genérica

Quando a entidade é órgão administrativo de um país, seu nome é precedido


pelo nome do órgão superior ou pelo nome da jurisdição geográfica ao qual está
submetido.

SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Diretrizes para a política


ambiental do Estado de São Paulo. São Paulo, 1993.

BRASIL. Ministério da Justiça. Relatório de atividades. Brasília, DF, 1993.

8.10.7 Autoria desconhecida

Em caso de autoria desconhecida, deve-se dar a entrada pelo título. Não se


deve utilizar a expressão “anônimo” no lugar do nome do autor desconhecido.
Destaca-se a primeira palavra do título com letras maiúsculas.

DIAGNÓSTICO do setor editorial brasileiro. São Paulo: Câmara Brasileira do livro,


1993.

ÉTICA. In: ENCICLOPÉDIA Larousse Cultural. São Paulo: Nova Cultural, 1995. v.
10, p. 2286.

AS 500 maiores empresas do Brasil. Conjuntura Econômica, Rio de Janeiro, v. 38,


n.9, set. 1984. Edição Especial.
78

8.10.8 Indicação da editora

De acordo com a ABNT, o nome da editora deve ser indicado tal como se
apresenta no documento, abreviando-se os prenomes e suprimindo-se as palavras
relativas à natureza jurídica ou comercial (tais como editora, livraria, etc.), desde que
não prejudiquem a identificação do documento. Por exemplo: embora o nome da
editora apareça na ficha catalográfica do livro consultado como “Editora Atlas”, na
referência bibliográfica do trabalho deve constar apenas “Atlas” (supressão de
natureza comercial). O nome da editora “Livraria José Olympio Editora” deve ser
registrada na referência apenas como “J. Olympio” (abreviação de prenome).
No caso de editoras universitárias não é recomendável suprimir a palavra
“Editora”, como no caso do exemplo oferecido pela própria ABNT, ao grafar a editora
da Universidade de São Paulo como “Editora da Usp”.
A sugestão da ABNT, conforme observa Mattar Neto (2005), cria alguns
problemas de padronização para o pesquisador, uma vez que os nomes das
editoras, principalmente os de editoras universitárias, aparecem grafados de
diferentes formas até em um mesmo documento, dependendo do local em que o
nome da editora apareça. Neste sentido, o nome da editora da Universidade de São
Paulo pode aparecer registrado como “Edusp”, “Ed. da USP” ou “Editora da
Universidade de São Paulo”. Nestes casos, o autor sugere que o pesquisador use o
bom senso para chegar a um padrão único para referenciar todas as editoras
universitárias em seu trabalho, como, por exemplo, “Ed. da USP”, “Ed. da UFMG” e
“Ed. da UFSC”.

8.10.9 Indicação de informações ausentes

Quando informações essenciais à composição da referência bibliográfica não


podem ser identificadas, utilizam-se as seguintes siglas, abreviadas entre colchetes,
para indicar a ausência da informação no documento:

a) sine loco [S.I]: não sendo possível determinar o local;


b) sine nomine [s.n.]: a editora não pode ser identificada;
c) sine loco: sine nomine [S.I.: s.n.]: quando o local e o editor não podem ser
identificados;
79

HARNECKER, Marta. Conceitos elementais do materialismo histórico. [S.I.:s.n.],


1973.

Se nenhuma data de publicação puder ser determinada, registra-se uma data


aproximada entre colchetes, conforme os exemplos:
a) [1971 ou 1972]: um ano ou outro;
b) [1980?]: data provável;
c) [1967]: data certa, porém não indicada no documento;
d) [197-]: década certa;
e) [197-?]: década provável;
f) [18-]: século certo;
g) [18-?]: século provável.

Exemplo de referência com data certa, porém não indicada no documento:

LAURIA, Marie. Como ser uma boa secretária. Rio de Janeiro: Artenova, [1978].

8.10.10 Informações complementares aos documentos

De acordo com a ABNT, os elementos essenciais de uma referência


bibliográfica são aqueles indispensáveis à identificação do documento: autor, título,
edição (quando houver indicação), local, editora e data de publicação.
Quando necessário, apresentam-se os elementos complementares, cujo
acréscimo permite melhor caracterizar o documento (como, por exemplo, indicação
do número de páginas da obra).
Entretanto, é importante esclarecer que a elaboração de referências deve
obedecer a um mesmo princípio: quando se opta pela informação dos elementos
complementares, estes devem ser incluídos em todas as referências da lista. Nos
modelos apresentados neste manual, constam apenas os elementos essenciais.
Exemplo de referência com elementos complementares:

LUNGARZO, Carlos. O que é ciência. São Paulo: Brasiliense, 1989. 86 p. (Coleção


Primeiros Passos, 220).
80

9 INICIANDO AS ATIVIDADES DE PESQUISA

A realização de trabalhos acadêmicos é uma constante na vida de qualquer


estudante universitário. Realizar uma boa pesquisa é um passo fundamental na
elaboração destes trabalhos. Com a finalidade de desenvolver a capacidade de
pesquisa dos estudantes, alguns princípios metodológicos são recomendados.

9.1 AS FONTES DE PESQUISA

Mattar Neto (2005) sugere uma regra bastante prática para dar início às
atividades de pesquisa, quando o professor não fornece uma bibliografia a respeito
do tema solicitado: procurar os professores especialistas naquele assunto, que
poderão indicar uma bibliografia básica, bem como alguns sites confiáveis para
acessar na internet. O próprio professor solicitante do trabalho também pode ser
consultado na montagem desta fase inicial do trabalho. A atitude de buscar
informações às cegas, principalmente quando se trata de pesquisar temas amplos
ou cercados de grande produção acadêmica, costuma provocar perda de tempo e
sobrecarga de trabalho, ferindo os princípios básicos da metodologia.
As aulas também podem ser aproveitadas como valiosas fontes de pesquisa
e não devem, portanto, ser tratadas pelo estudante como atividades à parte do
processo de pesquisa. Nas aulas é possível tirar dúvidas sobre o desenvolvimento
do trabalho e, principalmente, estar atento às relações entre o tema que se está
pesquisando e os assuntos abordados em sala pelo professor, o que pode ajudar
bastante na orientação dos rumos da pesquisa. Quando as atividades de pesquisa
dos alunos estão integradas às aulas do professor, tanto a disciplina quanto o
trabalho em construção tendem a ser enriquecidos.
Eventos acadêmicos e científicos, tais como congressos, palestras, jornadas,
seminários, entre outros, são ricas fontes de pesquisa, pois neles são divulgados os
estudos e pesquisas mais recentes em cada área. Estes eventos, embora pouco
explorados pelos estudantes, são comuns no meio acadêmico e boa parte deles é
posteriormente publicada em anais, resumos e outros meios de divulgação. Embora
nem sempre seja fácil acessar este tipo de publicação, o esforço de pesquisa é
geralmente compensado pela contribuição destes trabalhos às atividades de
pesquisa dos estudantes.
81

A biblioteca é uma das mais tradicionais fontes da atividade de pesquisa.


Mesmo no caso de estudos experimentais ou de campo, o pesquisador não pode
dispensar este recurso, pois sempre recorre a livros, artigos, textos técnicos e outros
materiais para compor a fundamentação teórica de seu trabalho (GIL, 1999).
Uma primeira forma de acessar o acervo de uma biblioteca é através de seu
catálogo, organizado por assunto, título e autor. Atualmente, estes catálogos tendem
a estar informatizados, e podem ser consultados não apenas através das
tradicionais fichas (algumas bibliotecas já eliminaram este sistema), como também
em computadores instalados na própria biblioteca. Muitas instituições disponibilizam
também a consulta on line a seu catálogo. Pela comodidade e economia de tempo,
vale a pena acessar os sites das principais instituições de ensino e pesquisa e
verificar se oferecem este recurso.

9.1.1 Fontes bibliográficas

As fontes bibliográficas pesquisadas com mais freqüência nas bibliotecas são


os livros de leitura corrente, as obras de referência, os periódicos e as teses e
dissertações (GIL, 1999).
Os livros de leitura corrente compreendem as obras literárias divididas por
gênero (romance, policial, etc.) e as obras de divulgação, que visam a transmitir
informações sobre determinados assuntos. Os estudantes, em geral, concentram
suas pesquisas nas obras de divulgação, especialmente as de divulgação técnica e
científica.
As obras de referência são divididas em obras de referência informativa
(dicionários, enciclopédias, anuários) e obras de referência remissiva (índices de
livros e periódicos e coleções de resumos de trabalhos científicos). As obras de
referência informativa são de uso pontual, como é o caso dos dicionários e
enciclopédias, aos quais se recorre constantemente em busca de termos ou
conceitos específicos. Na pesquisa científica, os dicionários temáticos ou técnicos
são de grande utilidade, pois permitem a consulta a termos dificilmente encontrados
nos dicionários de língua, proporcionando informações mais completas. As
enciclopédias especializadas têm papel semelhante, oferecendo um tratamento
altamente técnico, já que os verbetes são escritos geralmente por especialistas. Nos
anuários estão contidos dados, econômicos, sociais, culturais muito importantes na
82

caracterização de determinados fenômenos. Através das obras de referência


remissiva, o pesquisador localiza as pesquisas já desenvolvidas sobre determinado
tema.
Os periódicos compreendem jornais e revistas, nos quais são publicados
artigos, tanto de caráter jornalístico, quanto científico. Periódicos científicos são
importantes meios de comunicação científica. É através deles que os pesquisadores
divulgam formalmente os resultados de suas investigações. Os jornais são
importantes para a busca de informações atualizadas e as revistas tendem a
apresentar artigos mais elaborados e aprofundados. Consultando as referências
bibliográficas dos artigos é possível localizar diversas outras fontes de pesquisa
(indicações de outros artigos, livros, etc.). Vale a pena verificar a existência de
periódicos especializados no assunto que se vai pesquisar. Muitas revistas e jornais
disponibilizam catálogos (hoje, na maioria dos casos, online) com a organização dos
artigos por assunto, título ou autor.
As teses e dissertações constituem uma produção acadêmica de grande
utilidade para o pesquisador, por estarem baseadas em estudos e pesquisas
aprofundados sobre determinado assunto. As seções de revisão teórica e de
referências bibliográficas das teses e dissertações auxiliam bastante os
pesquisadores em seus levantamentos bibliográficos.
É recomendável verificar junto às bibliotecas pesquisadas a existência de
material audiovisual, como filmes, documentários, vídeos, etc. Embora em geral
ignorado nos trabalhos acadêmicos, este tipo de material também pode enriquecer a
pesquisa do estudante e oferecer informações especializadas, como é o caso de
vídeos de palestras ou seminários.
Esta etapa da pesquisa, na qual o estudante consulta a biblioteca, raramente
se esgota com a visita a uma única instituição. Muitas vezes, o documento que se
procura não está disponível na biblioteca da universidade, mas pode ser localizado
no acervo de outra instituição.
Há certos tipos de documentos que não são encontrados em bibliotecas e que
são, principalmente no caso das pesquisas documentais, importantes para o
investigador. É o caso, por exemplo, de relatórios de empresas que só são
encontrados através de trabalho de campo na própria organização. No trabalho de
campo é possível encontrar outras fontes de pesquisa, como folhetos, jornais de
circulação interna, material de propaganda, atas de reuniões, entre outros. Não
83

devem ser desconsideradas as informações que as organizações disponibilizam em


seus sites na internet.

9.1.2 A pesquisa na internet

De acordo com Mattar Neto (2005) estamos vivenciando um período de


transição de um sistema tradicional de comunicação científica, baseado na
impressão de documentos, para um sistema de publicação eletrônica, muito embora
haja grande resistência a esta mudança, até mesmo no ambiente acadêmico. Alguns
professores não são afeitos às novas tecnologias e valorizam apenas os trabalhos
baseados em fontes tradicionais de pesquisa, enquanto os alunos, já familiarizados
com a informática, tendem a preferir a pesquisa na internet. Estes recursos,
entretanto, não podem ser tratados de modo excludente, mas sim integrados como
recursos válidos nas atividades de pesquisa.
Embora a internet ofereça hoje um extraordinário acervo de informações, tal
recurso não substitui a consulta às fontes tradicionais de pesquisa, sobretudo as
bibliotecas. Ainda é pequena a parcela de livros cujo conteúdo é integralmente
publicado na internet ou acessado gratuitamente. Por outro lado, é possível
encontrar on line material importante de pesquisa que dificilmente seria acessado
por outras vias, como é o caso, por exemplo, de teses arquivadas somente em suas
instituições de origem.
Um recurso bastante cômodo da internet é a pesquisa ao acervo de
bibliotecas, que permite identificar os livros existentes sobre o assunto pesquisado e
em quais bibliotecas estão localizados. Sites de livrarias e de editoras também são
úteis para identificar material disponível comercialmente, que nem sempre está
incluído no catálogo de bibliotecas. Algumas livrarias disponibilizam resumos,
comentários e sumários dos livros oferecidos, o que pode ajudar bastante ao
pesquisador na seleção do material que lhe interessa. Da mesma maneira, jornais,
revistas e instituições de pesquisa possuem seus endereços e podem ser acessados
para os mesmos fins.
Através da internet também é possível entrevistar pessoas que não estariam
disponíveis para um contato direto, como por exemplo, profissionais de empresas
localizadas em outras regiões. É importante estar atento para os padrões corretos de
84

citação e de referência bibliográfica para tais fontes, conforme os respectivos


capítulos 7 e 8 deste manual.

9.1.2.1 Os problemas da pesquisa na internet

A internet é um conjunto de redes de computadores interligados no mundo


inteiro, permitindo o acesso dos interessados a milhares de informações
armazenadas em seus sites.
O principal problema da pesquisa na internet é o da confiabilidade das
informações obtidas. A internet oferece informações ricas e diversificadas, porém
nem sempre confiáveis. Estar “publicado” na internet não é garantia de qualidade
para nenhum tipo de material encontrado nesta fonte, pois é relativamente fácil e
barato disponibilizar informações on line (bem mais do que publicá-las em meios
tradicionais, como livros, revistas e outros tipos de material impresso). Não
devemos, portanto, confiar automaticamente na qualidade das informações
disponíveis em sites da internet; ao contrário, devemos ser ainda mais rigorosos na
seleção das informações recolhidas.
É preciso ter em mente que os filtros característicos dos materiais impressos,
tais como editores, revisores, instituições de ensino e pesquisa, não existem
necessariamente no caso do material “publicado” na internet, o que torna a seleção
e a avaliação das informações disponíveis uma responsabilidade de quem a
consome.
Portanto, o primeiro passo na filtragem de informações da internet é identificar
quem publica ou se responsabiliza pela informação, avaliando-se neste caso a
reputação das instituições e as credenciais dos autores aos quais se ligam os
documentos consultados. Quando não for possível identificar nenhum autor ou
responsável pela página, as informações nela contidas não devem ser usadas nos
trabalhos acadêmicos, pois sua confiabilidade é nula. O mesmo ocorre quando não
conseguimos encontrar nenhuma referência sobre o autor ou a instituição que
disponibiliza a informação.
Um bom começo é reconhecer os endereços dos sites visitados. No quadro a
seguir estão indicados os significados das abreviações de endereços na internet.
85

.edu Universidade e outras instituições educacionais


.com Empresas e demais instituições comerciais
.gov Organizações governamentais
.mil Organizações militares
.org Organizações em geral (incluindo as não-governamentais)
.net Redes (networks)
Quadro 4: abreviações de endereços na internet.
Fonte: adaptado de Mattar Neto (2005, p. 162).

Após a localização dos sites, é necessário identificar o autor do documento:


trata-se de um profissional reconhecido? Alguém posicionado em uma empresa, cujo
ponto de vista profissional seja significativo para a pesquisa? Trata-se de um
acadêmico, ligado a uma instituição de ensino e/ou de pesquisa reconhecida? Algum
autor que já publicou outros livros? Um bom recurso é buscar junto a professores e
profissionais especializados indicações de sites nos quais costumam realizar suas
pesquisas.
Outro aspecto a se considerar é que a grande quantidade e diversidade de
informações disponíveis na internet, na maioria das vezes, não se encontra
organizada. A classificação do material pesquisado também cabe quase
inteiramente a quem consome a informação. Quase sempre a primeira consulta, feita
através de ferramentas de busca, produz resultados muito amplos, com inúmeras
informações que não interessam à pesquisa. Por outro lado, quando se tenta limitar
os termos da busca para se tentar encontrar exatamente o tipo de informação
necessária, a quantidade de sites resultantes da pesquisa acaba sendo frustrante.
Os sites de busca, em geral, disponibilizam a opção de pesquisa refinada,
através da qual é possível limitar os resultados, como por exemplo, indicando-se o
agrupamento de palavras desejado, a língua em que está publicado o documento, a
data de publicação, entre outros.
Mattar Neto (2005) sugere o uso da pesquisa booleana na internet para
facilitar a localização de informações. Através desta pesquisa, utiliza-se uma cadeia
de palavras que descreve o tipo de informação que se deseja pesquisar. Os
operadores booleanos mais utilizados são AND (indicando que as palavras
empregadas devem aparecer juntas nos resultados da busca), OR (indicando que
uma ou outra palavra empregada na busca deve estar presente nos resultados) e
86

NOT (indicando que determinada palavra deve ser excluída da busca). Outros
operadores booleanos são:

a) parênteses para agrupar palavras. Exemplo: (cultura organizacional);


b) uso de strings (partes de palavras) para localizar resultados que incluem
qualquer palavra iniciada com aquele string. Exemplo: “metod” para
localizar resultados que incluam “metodologia” , “métodos”;
c) sinal de adição para agrupar palavras. Exemplo: cultura+organizacional;
d) sinal de subtração para excluir palavras. Exemplo: cultura-organizacional;
e) aspas para indicar uma frase inteira a ser localizada. Exemplo: “impactos
da cultura na organização”.
87

10 ESCOLHA E DELIMITAÇÃO DO TEMA DE PESQUISA

No início da pesquisa para elaboração de um trabalho acadêmico, tem-se


uma noção vaga do problema que se quer estudar – a introdução de uma nova
tecnologia na empresa, os resultados de uma nova prática de gestão de recursos
humanos – mas não se tem uma noção muito clara de como será abordada a
questão. A sensação predominante, muitas vezes, é a de não ter rumo para iniciar a
pesquisa. De acordo com Quivy e Campenhouldt (2003), esta é a forma como a
maioria dos trabalhos de estudantes começa. Este “caos original” que marca o início
do percurso do investigador é um momento natural da atividade científica, que não
parte de certezas estabelecidas. O principal problema, aponta o autor, é sair deste
estado sem demorar em demasia e sem incorrer nos erros freqüentemente
provocados pelo estado inicial de inquietação, como, por exemplo, tentar reunir de
modo desorganizado todas as obras possíveis sobre determinado assunto, ou partir
diretamente para o campo de pesquisa, antes mesmo de se ter uma hipótese de
trabalho.
Neste capítulo, serão tratadas duas etapas essenciais na elaboração de
trabalhos acadêmicos: a escolha do tema e a formulação do problema.

10.1 A ESCOLHA DO TEMA

A primeira fase do processo de elaboração de um trabalho monográfico é a


escolha do assunto a tratar. Escolher um assunto significa, segundo Salomon
(2000), preferir, conforme as próprias inclinações e possibilidades, uma questão
dentre as tantas que podem ser objeto de pesquisa científica.
Esta preferência, segundo o autor, não envolve apenas fatores
metodológicos, mas também fatores de ordem pessoal. O assunto não deve ser
escolhido em função do cumprimento da obrigação acadêmica, mas selecionado
dentre as matérias que mais interessam ao estudante no curso. O rendimento do
trabalho científico depende, em grande parte, da adequação do tema às tendências
e aptidões do estudante. Se o pesquisador não demonstra interesse mais profundo
pela questão que investiga, terá pouca motivação para solucionar o problema.
O cuidado essencial a ser tomado neste caso é não confundir o interesse
pessoal por determinado assunto com o desejo de ver comprovado seu ponto de
88

vista pessoal sobre o mesmo através da manipulação tendenciosa dos dados


(DUSILEK, 1985).
De acordo com Eco (2004, p.6), são quatro as “regras óbvias” para a escolha
do tema:

a) o tema deve respondera os interesses do pesquisador;


b) as fontes de consulta devem ser acessíveis;
c) as fontes de consulta devem ser manejáveis, de acordo com o alcance
cultural e intelectual do investigador;
d) o quadro metodológico deve estar ao alcance da formação do candidato.

Portanto, é necessário, por parte do estudante, um auto-exame de suas


capacidades, inclinações e interesses, verificando as próprias possibilidades e
limitações. O estudante deve se certificar de que tem condições de enfrentar a
complexidade do tema e de encontrar informações sobre ele, para a escolha de um
assunto acessível a seu grau de estudo, de cultura e de acessibilidade aos dados.
Muitos fracassam por não conseguir medir o próprio cabedal de conhecimentos e
não colocar o assunto de acordo com suas reais inclinações e condições de
pesquisa.

10.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

Não é suficiente, contudo, escolher um tema para a elaboração de um


trabalho acadêmico. O caminho mais comum é, nos momentos iniciais, escolher um
tema amplo e genérico, para, então, encontrar dentro dele um problema específico
que será objeto de investigação. Portanto, é preciso delimitar, dentro do assunto
amplo escolhido, um problema que se pretende tratar. O problema é, segundo
Salomon (2000, p. 154) “a questão que se coloca diante do estudioso como um
desafio à sua capacidade de encontrar soluções”, requerendo, por esta razão, um
tratamento científico.
A função da delimitação do tema é tornar nítidas as fronteiras entre os
elementos que terão maior interesse na pesquisa e os demais elementos que,
embora façam parte do assunto pesquisado, permanecerão de fora da abordagem.
Ao longo deste exercício, a formulação do problema é constantemente reformulada,
89

sendo comum que o aluno julgue já ter alcançado a delimitação perfeita, enquanto o
orientador solicita maior precisão nesta delimitação. Mesmo após o início das
atividades de pesquisa, novas questões poderão surgir, forçando uma revisão do
problema formulado (MATTAR NETO, 2005).

10.2.1 As fontes de inspiração

O fato de o estudante possuir um tema para a pesquisa não significa que


esteja em condições de formular um problema de investigação. O tema inicial da
pesquisa é, em geral, amplo e não favorece a definição de uma questão específica.
Um levantamento bibliográfico preliminar pode ajudar no processo de delimitação da
área de estudo (GIL, 2002). É importante o contato com os principais conceitos que
envolvem o tema da pesquisa, com as explicações teóricas já desenvolvidas, bem
como com as pesquisas que abordaram o assunto recentemente. A orientação do
professor ou de um especialista na seleção deste material inicial é indispensável
para que não se desperdice tempo com a leitura de material pouco apropriado.
Para formular adequadamente um problema em relação ao assunto, o
estudante pode ter como fonte de inspiração:

a) a reflexão sobre as teorias existentes: analisando-as, é possível


encontrar lacunas ou contradições que mereçam ser exploradas. Para
isto, é necessário adotar uma postura crítica em relação ao que se lê. A
atitude passiva de simples aceitação do que se lê e ouve representa,
segundo Dusilek (1985, p. 64) “uma sepultura em termos de
conhecimento criativo”. A bibliografia mais recente sobre o assunto ajuda
a indicar tópicos ou questões ainda não pesquisadas de modo suficiente;
b) a observação da realidade: observando-se os fatos, descobrem-se
aqueles ainda não explicados ou que contradizem as teorias existentes.
Dusilek (1985) sugere que o estudante escolha áreas nas quais tem
alguma experiência, pois a experiência prática em determinado campo
tende a facilitar a localização dos problemas existentes;
c) os seminários: quando bem dirigidos e aproveitados, são campo fértil
para novas idéias, dado o esforço conjunto de reflexão e debate dos
assuntos, muitas vezes originando questões cujas respostas não
90

aparecem nos textos consultados. Sempre é útil conversar com os


professores, orientadores, pessoas experientes no assunto e colegas
envolvidos com problemas semelhantes.

Se o estudante não possui qualquer área a qual tenha se dedicado com mais
afinco até então, é válido buscar a orientação de professores e especialistas, além
de freqüentar congressos, seminários, palestras e outros eventos que reúnem
estudiosos ou são vitrines de seus trabalhos mais recentes.

10.2.2 A formulação do problema

Não existem regras absolutas para a formulação de um problema, e sim


recomendações baseadas na experiência de pesquisadores. Gil (1999) sugere que o
problema seja formulado como uma pergunta, pois isto facilita a identificação do que
se deseja exatamente pesquisar. Por exemplo, pode-se formular um problema do
seguinte modo: “as estratégias de marketing na empresa Y e a liderança de
mercado”. Contudo, quando se formula o problema como uma pergunta – “quais as
estratégias de marketing que levaram a empresa Y à liderança de mercado?” – tem-
se um problema mais explícito.
O problema deve ser formulado em torno de no mínimo duas variáveis
identificadas. Variáveis são aspectos, propriedades, características ou fatores
identificados em um objeto de estudo, cuja relação é investigada na pesquisa
científica (KÖCHE, 1999). Nas pesquisas em administração, são exemplos comuns
de variáveis: qualidade, produtividade, eficiência, eficácia, motivação e custo.
Todo problema de investigação é uma questão que pergunta como as
variáveis estão relacionadas em uma dada situação de pesquisa (KERLINGER,
1979). A pesquisa testa se as relações propostas são ou não pertinentes. Na
formulação de Köche (1999, p. 108): “O problema é um enunciado interrogativo que
questiona sobre a possível relação que possa haver entre, no mínimo, duas
variáveis, pertinentes ao objeto de estudo investigado e passível de testagem ou
observação empírica”.
De acordo com a nomenclatura de Tuckman (1972, apud KÖCHE, 1999, p.
113), as variáveis podem ser classificadas em:
91

a) variável independente: é aquela que é a condição ou causa determinante


da ocorrência de determinado resultado;
b) variável dependente: é aquela que resulta, é efeito ou conseqüência da
variável independente;
c) variável moderadora: é aquela que também pode ser causa ou fator
condicionante para que ocorra determinado efeito, porém, seu nível de
importância é secundário, quando comparado à variável independente.
Sua utilização se dá em pesquisas cujos problemas são complexos e
envolvem variados fatores inter-relacionados. Nestes casos, a variável
moderadora serve para analisar até que ponto estes fatores interferem
na relação entre as variáveis dependente e independente;
d) variável de controle: é aquela que poderia afetar a variável dependente,
mas que é neutralizada para não interferir nesta relação. É também
utilizada em estudos sobre questões complexas, que envolvem diversos
fatores que não podem ser analisados ao mesmo tempo.

Vamos tomar como exemplo o seguinte problema: “quais os impactos da


remuneração por competência sobre a motivação dos funcionários do sexo feminino,
de nível tático e operacional, na empresa Y?”. Neste caso, “remuneração por
competência” é a variável independente, enquanto “motivação dos funcionários” é a
variável dependente. O posicionamento dos funcionários (se estão no nível tático ou
operacional) é a variável moderadora. A variável “gênero” é a variável de controle,
neutralizada, uma vez que a pesquisa incide apenas sobre mulheres. Não é
necessário que um mesmo problema envolva todos os tipos de variáveis. Conforme
Köche (1999), as variáveis em um problema podem ser apenas duas (contudo, não
menos do que duas).

10.2.3 Uma “boa” pergunta de partida

Um dos principais fatores que contribuem para uma pesquisa bem-sucedida é


a identificação e formulação clara e precisa do problema cuja solução a pesquisa
visa a alcançar (DUSILEK, 1985). O tempo investido na identificação correta do
problema é compensado pela objetividade na busca dos dados necessários à
solução da questão. Neste sentido, Quivy e Campenhoudt (2003) identificam os
92

critérios que permitem formular uma boa pergunta de partida, isto é, uma pergunta
clara, exeqüível e pertinente.
Em primeiro lugar, a formulação do problema deve ser precisa quanto aos
aspectos que o investigador pretende abordar. Por exemplo, quando ser formula a
pergunta “Qual o impacto das empresas sobre a vida dos habitantes de Duque de
Caxias?”, tem-se um problema muito vago, dado que são variadas as empresas
nesta região e variados também os aspectos da vida dos habitantes que podem ser
afetados com a existência destas organizações. O problema caminha em direção à
delimitação quando o investigador identifica, por exemplo, um determinado projeto
social de uma empresa específica, e então avalia seus impactos sobre a renda ou o
nível de escolaridade de uma população selecionada.
A concisão ou objetividade da pergunta é outro elemento que contribui para
sua clareza. Neste sentido, devem-se evitar formulações demasiadamente longas e
desordenadas. O autor sugere que se submeta a pergunta a um grupo de pessoas,
convidando cada uma delas a comentar o que entendeu da pergunta. Caso as
interpretações sejam as mesmas e correspondam às intenções de seu autor, tem-se
um bom indício da clareza da pergunta.
Outro aspecto destacado por Quivy e Campenhouldt (2003) é que as
ambições da pergunta formulada devem estar de acordo com a capacidade e os
recursos do estudante para respondê-la, característica que o autor chama de
“exeqüibilidade”. Uma boa pergunta deve ser realista, isto é, adequada aos recursos
pessoais, materiais e técnicos com os quais o estudante pode contar. Por exemplo,
a pergunta “As empresas dos países integrantes do Mercosul aumentaram suas
vendas após a formação deste bloco econômico?”. Como seria possível a um
estudante investigar o balanço financeiro de um sem número de empresas, dos mais
diversos ramos de negócio, localizadas em países diferentes, desde o início da
formação do Mercosul até os dias atuais? Certamente o tempo de pesquisa e o
orçamento demandados para a solução desta questão ultrapassariam com folga
seus recursos disponíveis.
No caso da intenção de realizar trabalho de campo em uma organização, a
viabilidade da pesquisa deverá ser cuidadosamente planejada. Sem a cooperação
da organização, é impossível realizar o trabalho. É preciso, antes de tudo, negociar o
interesse da organização na realização do trabalho e sua permissão de acesso aos
dados. Muitas vezes, a negociação pode levar a um redirecionamento dos objetivos
93

do trabalho ou à busca de novas fontes de informação, ou mesmo ao reinício do


processo de escolha do assunto (ROESCH, 2004).
Para Quivy e Campenhouldt (2003), é recomendável evitar perguntas que já
supõe respostas implícitas, como, por exemplo, “será que a propaganda estimula o
consumo?” Na mente de quem formula a questão, a resposta só poderá ser “sim” ou
“não”, e isto termina por conduzir o pesquisador a selecionar, ao longo de sua
investigação, os dados convenientes à comprovação da resposta preconcebida.
Uma boa pergunta deve ser “aberta”, isto é, supor respostas variadas e não uma
certeza a priori. Quando o pesquisador encaminha a pergunta para “Qual a
percepção dos trabalhadores X da empresa Y sobre a política Z de recursos
humanos?” , alcança uma boa gama de possibilidades de resposta.
Para Salomon (2000), um problema bem formulado deve possuir relevância
em três aspectos:
a) relevância operativa: significa que a abordagem e a solução do problema
são capazes de gerar novos conhecimentos. Neste sentido, destacam-se
os estudos que não se limitam a reproduzir trabalhos já existentes, mas
que contribuem para o estágio atual de conhecimento do assunto,
oferecendo novas abordagens e preenchendo lacunas no campo de
pesquisas;
b) relevância contemporânea: significa que o enfrentamento do problema se
apresenta como uma necessidade, tendo em vista as lacunas no
conhecimento científico disponível naquele momento. Não basta que o
problema a ser investigado seja de interesse pessoal do pesquisador, é
necessário que seja também relevante para a comunidade acadêmica ao
qual se destina;
c) relevância humana: diz respeito à utilidade, acarretada para o homem e a
sociedade, da solução do problema.

De acordo com Kerlinger (1979), um primeiro passo para elaborar um


problema científico é saber reconhecer o que não é um problema científico. É
importante não formular questões que remetam a problemas de valor, que não são
passíveis de verificação empírica, como por exemplo, o que é “melhor” ou “pior”, o
que é “certo” ou “errado” acerca de determinado problema. Um exemplo de
formulação de problema não científico é a pergunta “qual a melhor saída para a
94

questão da pobreza?”. A questão da pobreza, é claro, pode ser tratada


cientificamente, mas é preciso cuidado na definição dos termos do problema, de
modo que este possa ser pesquisado segundo métodos científicos. Todo problema
científico deve envolver variáveis que podem ser observadas ou manipuladas
cientificamente, como por exemplo: “a política social X de redução da pobreza
elevou a renda da comunidade Y?”. Se é possível caracterizar a política social em
questão e medir a renda da população alvo da pesquisa, então ocorrem duas
variáveis que podem ser observadas cientificamente.
Para finalizar, uma sugestão de Salomon que ressalta a importância de
elaborar uma “boa pergunta de partida”: “ainda que não se exija do iniciante uma
extraordinária contribuição para o progresso científico, não se pode conceder-lhe o
direito à mediocridade” (SALOMON, 2000, p. 273).
95

11 OS MÉTODOS CIENTÍFICOS

Uma das características da ciência que permite organizar, comparar e testar


seus enunciados é a existência de métodos, que podem ser definidos como
conjuntos de procedimentos sistemáticos que traçam de modo ordenado a forma de
proceder do cientista para alcançar os resultados desejados (GIL, 1999). O método
científico, ao oferecer ao pesquisador um caminho a ser seguido, possibilita a
condução das atividades de pesquisa de maneira sistemática e racional, permitindo
a detecção de erros e auxiliando na tomada de decisões ao longo do processo de
pesquisa.
Embora muitas vezes a palavra método seja tomada como sinônimo de
técnica, é relevante distinguir os termos. Método diz respeito ao plano de ação que
ordena as atividades de pesquisa, enquanto a técnica está ligada aos modos
práticos de realizar as atividades propostas, sendo, portanto, uma operacionalização
do método. Assim, temos o método indutivo, que esclarece os procedimentos lógicos
a serem seguidos na investigação, e a técnica da entrevista, como procedimento
específico de coleta de dados.
A questão do método científico está ligado à necessidade de se estabelecer
procedimentos seguros para alcançar um conhecimento válido, assim distinguindo
as conclusões verdadeiras das falsas. As perguntas fundamentais que o método
científico tenta responder são: como proceder para alcançar o conhecimento? Como
proceder para saber se ele é válido (verdadeiro) ou não?
Estas perguntas tiveram, em cada época, respostas diferentes, de acordo
com a teoria da ciência vigente. Isso mostra a existência de várias concepções de
método, cada uma oferecendo seus critérios de validação do conhecimento. Popper
(apud KÖCHE, 1997) afirma claramente que não existe um só método, cujos
procedimentos conduzam a resultados inquestionavelmente exatos. Nenhum método
científico é uma fórmula mágica, com normas prontas e definitivas. Praticamente, há
tantos métodos quantos forem os problemas analisados e os paradigmas existentes.
Isto, contudo, não significa que a ciência seja um campo anárquico de
conhecimento. No meio acadêmico e científico, há critérios consensualmente
estabelecidos e que são utilizados na prática de pesquisa, mas que não são
definitivos, podendo se renovar periodicamente. Além disso, a variedade de
abordagens disponíveis não deve dispensar o pesquisador de definir com clareza
96

qual a abordagem por ele escolhida e quais os critérios fundamentais que serão
utilizados em seu processo de investigação.
A escolha do método não deve ser casual em uma pesquisa, devendo-se
levar em conta a natureza do objeto ao qual se aplica (aquilo que se quer estudar) e
os objetivos que se tem em vista. Por esta razão, sua aplicação nem sempre é a
mesma para todos os tipos de estudo. De acordo com Gil (1999), a escolha do
método depende da natureza do objeto que se pretende pesquisar, dos recursos
disponíveis, do nível de abrangência do estudo e, principalmente, da inspiração
filosófica do pesquisador.

11.1 DUAS TRADIÇÕES EM METODOLOGIA CIENTÍFICA

Levando em conta a inspiração filosófica que orienta a escolha dos métodos


de pesquisa pelo investigador, Roesch (2005) aponta duas tradições fundamentais
na pesquisa científica: a do método quantitativo e a do método qualitativo. A cada
um deles estão associadas certas suposições metodológicas, fundadas em posturas
filosóficas a respeito das possibilidades de investigação da realidade.

11.1.1 Métodos quantitativos

São inspirados pela visão positivista, segundo a qual o mundo social existe
externamente ao homem, sendo suas propriedades mensuráveis através de
métodos objetivos. O fundador do positivismo, Augusto Comte (1798-1857), defendia
a aplicação dos métodos das ciências da natureza ao estudo da realidade social
humana, acreditando que os fenômenos sociais eram regidos por leis que poderiam
ser descobertas pelo cientista. São idéias características desta abordagem
(ROESCH, 2005):

a) independência: o observador é independente do que está sendo


observado;
b) objetividade: a escolha do que estudar e como estudar pode ser
determinada por critérios objetivos, em lugar de inclinações pessoais do
pesquisador;
97

c) causalidade: o objetivo das ciências sociais é o de identificar explicações


causais e leis fundamentais que fundamentam regularidades no
comportamento social humano;
d) generalização: é necessário selecionar um número suficiente de casos
que permitam identificar regularidades do comportamento social humano.

Por estas razões, o método quantitativo enfatiza a utilização de dados


padronizados que permitem ao pesquisador fazer as generalizações. Em geral, a
análise de dados é baseada em técnicas estatísticas. Este tipo de método é
bastante adequado quando o pesquisador pretende identificar e medir a freqüência
de determinados fenômenos. A seguir são destacados dois procedimentos comuns
às pesquisas quantitativas (MATTAR, 1999):

a) amostras: a premissa da coleta a partir de amostras é a de que há


similaridade suficiente entre os elementos de uma população, de tal
forma que uns poucos elementos, corretamente selecionados,
representarão adequadamente as características de toda a população.
Uma amostra pode ser constituída, por exemplo, por dez empregados de
um universo de 1.000 que trabalham em uma empresa. Para que esta
“pequena parte” do universo seja representativa e permita a posterior
projeção dos resultados para todo o universo da pesquisa, é necessário
seguir alguns princípios metodológicos, caso contrário, a amostra não
pode ser estendida à população como um todo;
b) escalas: permitem investigar opiniões e atitudes de maneira precisa e
mensurável. São instrumentos construídos com o objetivo de medir a
intensidade das opiniões e atitudes de maneira objetiva. Consistem em
solicitar aos indivíduos pesquisados que assinalem, dentro de uma série
de alternativas previamente planejadas pelo pesquisador, aquelas que
melhor correspondem à sua percepção acerca do fato pesquisado.

11.1.2 Métodos qualitativos

Os métodos qualitativos são inspirados pela abordagem compreensiva de


Max Weber (1864-1920) e pela abordagem fenomenológica de Edmund Husserl
98

(1859-1938). Nesta perspectiva, o mundo é criado pela consciência humana, o que


implica o reconhecimento da importância do sujeito no processo de construção do
conhecimento. A realidade não é objetiva e exterior ao homem, mas recebe um
significado a partir do sujeito que a conhece. Nesta visão, a tarefa do cientista não é
coletar dados e quantificá-los para identificar padrões, mas apreciar as diferentes
construções e significados que as pessoas atribuem às suas experiências. Deve-se
procurar interpretar estas experiências, ao invés de procurar causas externas e leis
fundamentais de funcionamento.
Esta abordagem supõe que os fenômenos sociais possuem características
diferentes daquelas apresentadas pelos fenômenos da natureza, exigindo, por esta
razão, um procedimento metodológico diferenciado (GOLDBERG, 1997). Dentro
desta perspectiva, os cientistas da natureza lidam com objetos externos passíveis de
serem conhecidos de forma objetiva, enquanto nas ciências sociais os
investigadores lidam com emoções, valores e subjetividades. A abordagem mais
adequada para os fenômenos sociais não seria a que pretende quantificá-los, mas
sim a que pretende compreender cada caso concreto em sua singularidade. A
observação dos fenômenos da sociedade deve levar a uma compreensão dos
mesmos, ao invés de levar ao estabelecimento de leis generalizantes. Algumas
técnicas de coleta de dados comuns a este método são (ROESCH, 2005):

a) observação participante: consiste na participação real do pesquisador na


situação pesquisada. Baseia-se na idéia de que os fenômenos devem
ser observados no contexto em que ocorrem, para que seu significado
possa ser apreendido. A convivência com o universo pesquisado é
valorizada como técnica de obtenção de informações que permite ao
investigador alcançar o sentido particular dos fenômenos. O observador
assume, até certo ponto, a condição de membro do grupo, razão pela
qual esta técnica possibilita o conhecimento da vida do grupo a partir do
interior dele mesmo;
b) entrevistas em profundidade: por meio desta técnica, o pesquisador
aborda um respondente de cada vez, de maneira direta e pessoal, para
que este revele de modo completo e detalhado suas motivações,
crenças, atitudes e sentimentos sobre determinado tópico;
99

c) grupo de foco (focus group): é uma entrevista realizada por um


moderador bem treinado com um pequeno grupo de respondentes
visando a descobrir possíveis idéias ou soluções para um problema por
meio da discussão do tema. Os entrevistados são estimulados a opinar e
debater livremente sobre o assunto de interesse da pesquisa, enquanto o
moderador vai registrando as considerações dos participantes.

11.2 DELINEAMENTO DOS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para delinear os métodos empregados em um estudo é usual a utilização de


uma classificação com base em dois critérios: de acordo com os fins aos quais se
destina a pesquisa e de acordo com os procedimentos técnicos empregados
(VERGARA, 2004; GIL, 2002). Esta classificação não deve ser tomada de modo
rígido, tendo em vista que algumas pesquisas, em função de suas características,
não se enquadram perfeitamente nos modelos que compõem esta tipologia. É
possível também combinar algumas destas classificações em uma mesma pesquisa.

11.2.1 Classificação dos tipos de pesquisa quanto aos fins

Cada estudo tem um objetivo específico, mas, de acordo com Vergara (2004),
é possível agrupar estes objetivos em certos tipos amplos, que serão descritos a
seguir.
A pesquisa exploratória é realizada quando um problema ainda é pouco
conhecido e as hipóteses a seu respeito ainda não foram claramente definidas. O
objetivo deste tipo de pesquisa é o de proporcionar maior familiaridade com o
problema, visando a levantar questões e hipóteses para estudos futuros.
Geralmente, as pesquisas exploratórias envolvem levantamento bibliográfico,
entrevistas exploratórias e análise de exemplos que favorecem à caracterização
inicial do problema, sem, contudo, resolvê-lo de imediato.
A pesquisa descritiva não tem o compromisso de explicar os fenômenos
observados, mas sim o de descrever suas características, identificando sua
natureza, sua composição e os processos que os constituem. Estão incluídas neste
caso as pesquisas que têm por objetivo levantar as opiniões, atitudes e crenças de
determinado grupo de pessoas, ou delinear suas características, tais como
100

distribuição por sexo, faixa etária, nível sócio-econômico, etc. As pesquisas


descritivas são bastante requisitadas pelas organizações e costumam constituir
etapa prévia para pesquisas de caráter explicativo ou intervencionista.
A pesquisa explicativa busca demonstrar por que ocorre determinado
fenômeno, esclarecendo os fatores que contribuem para sua ocorrência. Este tipo de
pesquisa não deve ser considerado excludente em relação às pesquisas descritivas,
já que a identificação dos fatores que determinam um fenômeno (explicação) exige
que este seja devidamente descrito e detalhado. É explicativa uma pesquisa que,
por exemplo, visa a identificar os fatores que levaram determinada organização a
perder a liderança de mercado.
A pesquisa metodológica dedica-se à descoberta e ao aperfeiçoamento de
instrumentos metodológicos, como os de coleta e manipulação de dados. Enquadra-
se neste tipo uma pesquisa cujo objetivo é o de criar um instrumento que torne
possível avaliar o grau de descentralização decisória em uma organização.
A pesquisa aplicada visa a investigar, comprovar ou rejeitar hipóteses já
sugeridas pelos modelos teóricos existentes, medindo a força das teorias e
hipóteses existentes e ajudando a identificar lacunas e contradições nas mesmas. É
um meio bastante válido para investigar, por exemplo, os resultados da aplicação de
determinados modelos teóricos de gestão nas organizações.
A pesquisa intervencionista não se contenta em explicar os fenômenos, mas,
motivada pela necessidade de resolver problemas concretos, visa a interferir nesta
realidade, provocando nela determinadas modificações. Em virtude de exigir o
envolvimento direto do pesquisador na situação investigada, este tipo de pesquisa é
objeto de controvérsia, sendo considerada em certos meios como desprovida da
objetividade que deve caracterizar os procedimentos científicos.

11.2.2 Classificação dos tipos de pesquisa quanto aos meios

De acordo com as técnicas e procedimentos empregados pelo pesquisador, é


possível agrupar as pesquisas nos seguintes tipos descritos a seguir (VERGARA,
2004; RUIZ, 1996; RUDIO, 1978).
A pesquisa bibliográfica é uma constante na vida dos que se propõe a
pesquisar, pois constitui a base para qualquer tipo de investigação, em qualquer
área que se realize. Consiste no levantamento e exame do conjunto de
101

conhecimentos reunidos em obras sobre determinado tema ou problema assumido


como objeto de pesquisa. A vantagem deste tipo de pesquisa é que permite a
investigação de uma gama de fenômenos mais ampla do que aquela que poderia
ser pesquisada diretamente, como é o caso, por exemplo, de dados que se
encontram dispersos por diversos países, porém registrados em obras que os
analisam.
A pesquisa de campo é muito utilizada nas ciências sociais e consiste na
observação do fenômeno no contexto onde ocorre, campo no qual o pesquisador
coleta as informações que lhe permitirão caracterizar o fenômeno. Os instrumentos
mais comuns para esta coleta são a aplicação de questionários e a realização de
entrevistas. Basicamente, a pesquisa de campo focaliza um objeto, por exemplo,
uma organização ou um grupo de pessoas, e realiza uma observação direta de suas
atividades, entrevistando informantes para captar sua visão do que ocorre na
situação investigada. No estudo de campo, o pesquisador realiza boa parte do
trabalho pessoalmente, dada a importância da experiência direta do investigador
com a situação de estudo.
A pesquisa experimental permite que o pesquisador observe e manipule a
ocorrência de um fenômeno, reproduzindo-o em um ambiente artificial, dentro de
condições previamente estabelecidas e rigorosamente controladas. A pesquisa
experimental consiste fundamentalmente em determinar um objeto de estudo,
selecionar e investigar as variáveis que os influenciam e definir as formas de
controle dos efeitos que a variável produz no objeto. Nas ciências humanas, há
muitos limites éticos para a utilização de experimentos, razão pela qual os
procedimentos experimentais só são empregados em um reduzido número de
situações. Entretanto, os experimentos são recursos muito importantes na testagem
de hipóteses e modelos.
A pesquisa documental é realizada sobre qualquer informação sob a forma de
texto, imagem, som, gravação, etc., que não é encontrada em livrarias e bibliotecas,
mas em arquivos pessoais ou de instituições públicas e privadas. Uma breve lista de
alguns tipos de documentos tradicionalmente utilizados neste tipo de pesquisa inclui
contratos, correspondências, diários, fotografias, leis, relatórios de empresas, entre
outros.
A pesquisa-ação é um tipo particular de pesquisa intervencionista que visa a
solucionar um problema coletivo através da cooperação e participação entre os
102

pesquisadores e os envolvidos na situação problema. Na pesquisa-ação os métodos


são menos sistemáticos e mais específicos ao problema, às pessoas ou à
organização pesquisada. Neste caso, o pesquisador se torna parte do processo de
mudança, ao encorajar as pessoas envolvidas com a pesquisa a avaliarem seus
próprios problemas para resolvê-lo.
O estudo de caso é um tipo de pesquisa amplamente utilizado nas ciências
humanas. Consiste em um estudo profundo e exaustivo de uma ou poucas unidades
de observação, que podem ser pessoas, grupos, produtos, empresas, etc. É
bastante apropriado ao estudo de fenômenos contemporâneos, pois permite a
utilização de várias fontes de dados e a abordagem dos fenômenos com base em
vários ângulos, produzindo-se assim um conhecimento detalhado do problema
investigado. É um tipo de pesquisa bastante adequado à revisão de teorias, pois
através dele podem-se identificar situações exploradas de modo insuficiente pelas
teorias existentes, apontando-se assim a necessidade de novas explicações dos
aspectos negligenciados.
Na pesquisa ex-post facto, o pesquisador não tem controle direto sobre a
variável que supõe ser a causadora do fenômeno (variável independente), pois esta
já ocorreu, não sendo possível reproduzi-la através de experimentos. Por exemplo,
em uma pesquisa sobre a influência da deficiência alimentar sobre o desempenho
no trabalho, não seria possível submeter as pessoas a diferentes níveis de privação
de alimentos, ao bel prazer do pesquisador. Contudo, é possível identificar grupos
de indivíduos que já sofreram este tipo de deficiência e então estudar seus níveis de
desempenho.
Um resumo da classificação dos tipos de pesquisa apresentados acima
encontra-se no anexo A.
103

12 A REDAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO

Não será possível, dentro dos limites deste manual, ensinar a escrever bem,
mas apenas destacar alguns elementos característicos da redação de trabalhos
científicos.
Comumente não são exigidas em um trabalho científico as qualidades
literárias que marcam os escritores de romances e outras obras de ficção. Enquanto
estas são produto da imaginação artística do autor, o trabalho científico deve se
preocupar principalmente com a comunicação precisa de um estudo (GALLIANO,
1986). A comunicação escrita se realiza através de um código comum, a língua, que
é regida por regras gramaticais, cujos padrões são aceitos por todos. Quando se
despreza esse código, corre-se o risco de produzir distorções e erros de
interpretação no processo de comunicação. Portanto, quem deseja ter seus textos
compreendidos corretamente deve escrevê-los de acordo com as regras gramaticais
de sua língua.
O domínio das regras de ortografia e gramática é pré-requisito para qualquer
um que se candidate a elaborar um trabalho acadêmico. Portanto, aqueles que
possuem falhas neste campo devem dedicar algum tempo para corrigi-las. A
ocorrência de erros no uso destas regras desqualifica o autor do trabalho, mesmo
quando este tem uma boa idéia a apresentar.
Como ressalta Galliano (1986), os profissionais de comunicação têm como
regra prática jamais escrever para si próprios, mas sempre direcionar a mensagem a
determinado “alguém”. Aqueles que conhecem bem o público para o qual é
direcionada sua mensagem ampliam as chances de “formatá-la” de maneira correta
e de serem entendidos de maneira clara e direta. Ao se definir corretamente o
público alvo do texto, portanto, resolve-se boa parte dos problemas da redação.
O estudante que redige um trabalho acadêmico deve ter em mente que sua
produção não se destina a um público comum, mas a um público especializado no
assunto que está sendo apresentado, sendo necessário usar uma linguagem
especializada e adequada aos padrões estabelecidos pela comunidade acadêmica.
Trata-se de uma comunicação científica.
Uma comunicação científica é, segundo Salomon (2000), uma comunicação
de conhecimentos extraídos de obras de pesquisa científica e/ou tratados à maneira
científica, com o fim de informar. Nesta definição incluem-se livros, teses, artigos,
104

monografias, relatórios de pesquisa, entre outros. Conforme destaca Dusilek (1985),


a comunidade acadêmica julga de maneira rigorosa o enquadramento da produção e
da comunicação aos padrões científicos. Bons trabalhos mal redigidos podem
ocasionar problemas de reputação para quem o apresenta. Nem sempre os
trabalhos solicitados ao longo da graduação são desta natureza. Contudo, mesmo
os trabalhos mais simples, solicitados em disciplinas específicas, devem se
aproximar ao máximo dos padrões da comunicação científica.

12.1 REGRAS DE ESTILO

Em relação ao estilo, são comumente recomendadas três características:


objetividade, precisão e clareza. Textos obscuros, imprecisos ou incoerentes não
comunicam, apenas deixam confuso o leitor. É importante reler, corrigir e reescrever
o texto do trabalho acadêmico até que sejam obtidos os três itens mencionados, que
serão explorados a seguir.

12.1.1 Clareza

A clareza é capacidade de transmitir com exatidão as idéias. A clareza está,


conforme destaca Dusilek (1985), atrelada a o conhecimento do assunto tratado.
Não é recomendável escrever para “clarear as idéias”, ao contrário, deve-se formar
primeiro uma idéia nítida do que se vai expor, e então iniciar a redação do texto:
“aquilo que se conhece bem pode-se enunciar com clareza” (DUSILEK, 1985, p.
114). Uma regra específica bem adequada à necessidade de clareza do texto é
escrever frases não muito longas e que contenham, cada uma, uma única idéia. É
melhor expressar as idéias de maneira gradual, do que tentar expressar todas elas
de uma só vez, em uma só frase. Como regra geral, vale a atenção ao bom senso.
Não se deve abusar de frases demasiadamente curtas, imprimindo um estilo
“telegráfico” ao texto.
Outros dois fatores que contribuem para a clareza do texto são a unidade e a
coerência. A unidade é obtida quando cada frase de um parágrafo é relevante para o
tópico em discussão, evitando-se o texto prolixo, ou repleto de frases
desnecessárias que dificultam o acompanhamento do raciocínio do autor. A
coerência é resultado da conexão lógica das frases no parágrafo. Assim, o uso de
105

exemplos deve ser um recurso utilizado para reforçar o argumento que sustenta a
idéia desenvolvida no parágrafo.

12.1.2 Precisão

A precisão está vinculada ao compromisso do cientista com a veracidade das


informações apresentadas. Por isso é necessário mencionar as fontes consultadas e
empregar os termos apropriados à analise das questões abordadas. O uso
vocabulário técnico ajuda o estudante nesta missão. Tal vocabulário é necessário
porque alguns conceitos só podem ser formulados através de termos técnicos
especializados, que não podem ser substituídos por palavras sinônimas encontradas
no linguajar comum, principalmente pelo sentido impreciso destas últimas. Assim, os
autores que não usam a terminologia específica de sua área cometem o erro de
empobrecer seu trabalho, aparentando imprecisão em suas idéias. Isto, contudo,
não significa que deva predominar no texto acadêmico uma linguagem hermética,
isto é, que só seja entendida por iniciados no assunto. O uso dos conceitos já
desenvolvidos na área científica em que se enquadra o trabalho é indispensável,
mas não deve ser supervalorizada. O texto não deve ter redação rebuscada a ponto
de torná-lo incompreensível e pouco objetivo. O bom senso é necessário para
estabelecer o equilíbrio entre a linguagem técnica e a comum (GALLIANO, 1986).
Embora seja necessário o uso de expressões que remetem aos padrões
científicos – tais como “a análise dos dados indica”, “segundo o pesquisador tal”, “as
pesquisas desenvolvidas sugerem que” – é importante evitar o desvio de linguagem
conhecido como circunlóquio, que significa o uso de muitas palavras para expressar
algo que poderia ser dito em poucas palavras. Por exemplo: “os pesquisadores
estiveram envolvidos no processo de fazer”, em lugar de “os pesquisadores fizeram”;
ou então “tendo em vista o conjunto das circunstâncias mencionadas”, em lugar de
“portanto”.
Como regra específica, é recomendado que se evite o uso de termos que
sugerem radicalidade, como “tudo”, “sempre” ou “nunca” e também de expressões
vagas, tais como “ligeiramente”, “certos casos”, “antigamente” e “alguns estudiosos”.
Expressões generalizantes, tais como “todo mundo sabe...”, também devem ser
evitadas, por sugerirem afirmações desprovidas de base teórica ou empírica. Em
106

função do requisito de precisão do texto, é necessário ser exato na menção das


fontes consultadas e na identificação dos casos tratados no trabalho.

12.1.3 Objetividade

Para reforçar o caráter objetivo do discurso científico, é mais adequada a


utilização da linguagem impessoal. É melhor empregar expressões que não
implicam nenhuma personalização do discurso, como por exemplo “conclui-se que”
(em lugar de “eu concluo que”, ou de “nós concluímos que”). Um estilo formal deve
ser cultivado, sem, contudo, cair no pedantismo. Deve-se escrever para transmitir
idéias, não para impressionar. Os grandes escritores nem sempre são aqueles que
escrevem de modo complicado (DUSILEK, 1985, p. 117). É recomendável também
evitar o uso de regionalismos ou gírias que perdem totalmente o sentido quando
empregadas em outros contextos.

12.2 RECOMENDAÇÕES GERAIS

Dusilek (1985) recomenda a elaboração de um rascunho do trabalho, com a


finalidade de tornar perceptíveis as deficiências de comunicação a serem corrigidas,
a fim de que a versão final do trabalho alcance os padrões da comunidade
acadêmica. É rara a habilidade de escrever sobre assuntos acadêmicos sem
primeiro recorrer a um esboço. Ao preparar um, é recomendável pensar nos pontos
principais que serão abordados e em como estarão divididos no trabalho, para então
desenvolvê-los com os “pormenores significativos”.
Por mais que as técnicas de redação possam melhorar a qualidade da
redação acadêmica, é indispensável desenvolver o hábito da leitura de textos
científicos, pois somente este recurso permite que o estudante adquira novo
vocabulário e familiarize-se com o estilo de redação característico dos trabalhos
científicos: “O bom estilo é reflexo da personalidade culta do universitário”
(DUSILEK, 1985, p. 118).
Por fim, é importante reforçar a recomendação de conhecer e empregar as
normas de apresentação de trabalhos acadêmicos da ABNT, apresentadas no
capítulo 6 deste manual.
107

13 CONCLUSÃO

Ao longo deste manual procurou-se demonstrar que o uso de métodos e


técnicas de estudo e de aprendizagem pode auxiliar o estudante em sua jornada de
iniciação ao pensamento científico. Certamente, métodos e técnicas de estudo não
são remédios infalíveis contra todas as deficiências que incomodam a vida dos
alunos, entretanto, isto não diminui a contribuição essencial da metodologia para a
vida estudantil: ampliar a capacidade de aprender a aprender na faculdade.
O planejamento na utilização do tempo, a preparação adequada para as aulas
e a leitura trabalhada dos textos enriquecem de maneira fundamental a passagem
do estudante pela vida acadêmica e ajudam a torná-lo mais habituado à natureza
essencialmente reflexiva do pensamento científico.
A atividade criativa que caracteriza a ciência não se dá a esmo; ao contrário,
é orientada por determinados padrões que lhe dão sustentação. Desta maneira, o
estudante deve seguir princípios metodológicos na coleta de dados de pesquisa, na
sistematização destes dados e no relato final das conclusões obtidas neste
processo, que constituem seu trabalho final.
O bom trabalho acadêmico parte de uma pesquisa criteriosa e de uma
delimitação precisa do tema. Para alcançar o status de produção acadêmica, todo o
rigor possível deve ser observado nos procedimentos metodológicos da pesquisa e,
finalmente, na preparação do trabalho, cuja redação e também apresentação gráfica
devem seguir os padrões estabelecidos pela comunidade científica, para a qual é
direcionado.
Aprimorando tais bases, o estudante, além de obter o significativo diferencial
de uma formação acadêmica mais sólida, se torna também cada vez mais apto à
prática científica, que tem como bases fundamentais o exercício permanente do
pensamento crítico e analítico e o emprego de métodos que permitem a superação
da visão fragmentada do senso comum em direção a uma visão ordenada e
sistemática. Por estas razões, o cientista é capaz de compreender e explicar de
maneira única a cadeia de eventos que liga os fenômenos, permitindo ampliar o
domínio do homem sobre o mundo que o cerca.
108

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WEBER, Max. Ensaios de sociologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1982.


111

APÊNDICE A – Lista das principais normas de formatação do trabalho


acadêmico

FORMATO Papel A4, fonte arial ou times new roman, tamanho 12, exceto
citações diretas com mais de 3 linhas, paginação, legendas de
ilustrações e tabelas e notas de rodapé (fonte menor e
uniforme)
MARGENS Superior e esquerda: 3cm; inferior e direita: 2 cm. O início de
cada parágrafo tem recuo de 1 TAB da margem esquerda
ESPACEJAMENTO 1,5 entrelinhas, exceto citações diretas com mais de 3 linhas,
notas de apresentação e de rodapé e referências bibliográficas
(espaço simples). Utilizam-se 2 enter entre os parágrafos e os
títulos das seções. Entre um parágrafo e outro utiliza-se
apenas 1 enter.
PAGINAÇÃO Contar a partir da folha de rosto e colocar o número a partir da
introdução, no canto superior da folha. Utilizam-se algarismo
arábicos e fonte menor que 12
TÍTULOS DAS Primárias: letras maiúsculas negritadas; secundárias: letras
SEÇÕES maiúsculas sem negrito; ternárias: letras minúsculas
negritadas; quaternárias e quinárias: letras minúsculas sem
negrito. Os titulos das seções primárias iniciam em nova folha.
Os títulos das seções textuais são numerados e alinhados à
esquerda, enquanto os títulos das seções pré e pós-textuais
aparecem centralizados e sem indicativo numérico
ILUSTRAÇÕES E Os títulos das tabelas aparecem na parte superior, enquanto
TABELAS os das ilustrações aparecem na parte inferior das mesmas. Em
ambos os casos, deve-se citar a fonte na parte inferior
112

ANEXO A – Classificação dos tipos de pesquisa quanto aos fins e aos meios
segundo Vergara (2004)

QUANTO AOS FINS QUANTO AOS MEIOS


Exploratória: consiste em uma Bibliográfica: consiste no levantamento e
caracterização inicial de fenômenos exame do conjunto de conhecimentos
ainda pouco conhecidos, sem o reunidos em obras sobre determinado
compromisso de resolvê-los de imediato tema ou problema
Descritiva: visa a descrever a natureza, De campo: consiste na observação e
a composição e os processos que coleta de informações sobre o fenômeno
constituem o fenômeno investigado, no contexto em que este ocorre
sem o compromisso de explicá-los.
Explicativa: visa a esclarecer os fatores Experimental: consiste na manipulação e
que provocam a ocorrência de observação do fenômeno em um
determinado fenômeno ambiente artificial, dentro de condições
previamente estabelecidas e
rigorosamente controladas
Metodológica: dedica-se à descoberta Documental: consiste na pesquisa de
ou aperfeiçoamento de metodologias de informações sob a forma de texto,
coleta e análise de dados imagem, som, gravação, entre outros, que
não são encontrados em livrarias e
bibliotecas, mas geralmente arquivados
em instituições públicas e privadas ou por
pessoas
Aplicada: visa a investigar, comprovar Pesquisa-ação: consiste no estímulo à
ou rejeitar hipóteses já sugeridas pelos cooperação e participação dos
modelos teóricos existentes pesquisados na solução da situação
problema em que estão envolvidos
Intervencionista: visa a interferir na Estudo de caso: consiste em um estudo
realidade estudada, provocando profundo, exaustivo e circunscrito a uma
modificações que permitam a solução ou poucas unidades de observação, que
de seus problemas concretos podem ser pessoas, grupos, produtos,
empresas, etc.

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