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CURSO EAD DE

ELETROTERAPIA ESTÉTICA
EBOOK4: TERMOTERAPIA

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TERMOTERAPIA
Nesta modalidade, o equipamento que recebe corrente elétrica, transforma essa forma de
energia em energia térmica (calor ou frio), gerando efeitos diversos sobre o organismo.
Dentre os equipamentos que utilizam esse tipo de energia, os mais utilizados são:
• Infravermelho
• Vapor de ozônio e máscara térmica
• Criolipólise

INFRAVERMELHO
A utilização do calor, como benefício para o organismo tanto na área da saúde como na
área da beleza, é relatada na história desde os primórdios das civilizações até aos dias de
hoje. O aumento do calor no organismo desencadeia um conjunto de efeitos fisiológicos,
o que justifica a sua aplicação nos tratamentos estéticos.
Efeitos sobre o organismo:
• Na célula, acelera as reações químicas do organismo, aumenta a atividade metabólica e
modifica a permeabilidade da membrana celular.
• No sistema circulatório, aumenta a circulação, oxigenação e nutrição dos tecidos.
Também aumenta a capacidade leucocitária, a reabsorção de líquidos e detritos do
metabolismo.
• No sistema nervoso, atua sobre as terminações nervosas com efeito antiálgico.
• No tecido adiposo, pode ter efeito de termolipólise (termo: calor| lipólise: quebra –
gasto).
A termolipólise é uma técnica que se realiza aumentando a temperatura do tecido adiposo
através da emissão de radiação infravermelha com um comprimento de ondas curtas
(760 a 1500nm).
Para que a termolipólise ocorra, é necessário que o equipamento gere calor e produza
um aumento de temperatura no tecido adiposo, capaz de desencadear o gasto energético
através dos meios da normalização da temperatura interna. Para que o organismo possa
funcionar normalmente, necessita manter uma temperatura constante e para isso, dispõe
de mecanismos de regulação que permite opor-se a eventuais variações de temperatura.
Diante do aumento de temperatura, o organismo reage acionando os mecanismos de
termorregulação, responsáveis pela diminuição do calor. Entre esses mecanismos,
encontramos:
• Produção de uma vasodilatação periférica para dissipação do calor;
• Produção uma hiperventilação pulmonar para aumentar a perda de água;
• Aumento de sudorese.
Consequentemente:
• Há um aumento do metabolismo
• Há um aumento do gasto energético
Efeitos Fisiológicos
• Efeito lipolítico: segundo a Lei de Van Hoff, o aumento da temperatura de 4ºC produz
um estímulo do catabolismo das células adipócitas e aumenta o metabolismo 20 a 30%
em relação ao metabolismo normal. Para que ocorra a lipólise é necessário de 30 a 45
minutos por aplicação.
• Efeito sobre o sistema circulatório: o aumento da temperatura intensifica a ativação do
sistema circulatório, auxiliando na nutrição e oxigenação celular.
Indicações
• Adiposidades localizadas
• Celulite
• Para aumento do metabolismo celular
• Nos tratamentos de desintoxicação através do processo da sudorese
• Para aumentar a circulação local ou geral
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• Aumentar a permeabilidade transcutânea
Contraindicações
• Alterações da circulação sanguínea (varizes, flebites)
• Sobre lesões cutâneas, feridas, inflamações e
queimaduras
• Gestantes
• Períodos febris
• Infecções
• Tumores e neoplasias
VAPOR DE OZÔNIO/ MÁSCARA TÉRMICA
Equipamentos que emitem calor de forma localizada, para aplicações faciais, visando
aquecimento local para umectação, amolecimento superficial e dilatação dos óstios para
posterior extração de sujidades da pele, realizada pelo profissional da estética.
O vapor de ozônio libera um calor úmido sob forma de vapor d’agua, que pode ser
associado ao ozônio, produzindo efeito bactericida, bacteriostático, fungicida, oxigenante,
estimulante, cicatrizante/ cauterizante, além de diminuir a resistência elétrica da pele.
O vapor de ozônio é gerado quando uma corrente de alta frequência entra em contato
com o vapor d’agua, ionizando suas partículas e liberando ozônio juntamente com o
vapor.
Já a máscara térmica libera calor seco produzido por resistências encobertas por material
sintético em formato de máscara facial, que abrange todo o rosto durante o aquecimento
requerido. Possui a mesma finalidade do vapor de ozônio, sendo ideal para atendimento
home care por ser fácil de transportar.

01. VAPOR

Fonte: Shutterstock

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Indicação:
• Emoliência antes da limpeza de pele e antes das máscaras e hidratações
• Desinfecção da pele
• Amolecimento dos comedões
• Abertura dos óstios facilitando a extração
Contraindicações:
É inexistente, embora seja necessário cuidado na aplicação em peles sensíveis, inflamadas
e telangiectasias.

CRIOLIPÓLISE
A criolipólise é uma opção não invasiva indicada para o tratamento de gordura localizada
em excesso. Veio como uma alternativa aos procedimentos invasivos ou cirúrgicos, que
apresentam maior possibilidade de intercorrências, além de exigir que o paciente se afaste
das suas atividades cotidiana para recuperação pós-operatória.
Em 2008, os médicos Dieter Manstein e Rox Anderson, pesquisadores de Harvard, nos
Estados Unidos, fizeram um estudo da eficácia da criolipólise em animais (porcos). O
objetivo do estudo foi avaliar se danos seletivos na gordura subcutânea poderiam ser
obtidos por aplicação de frio sobre a pele. Eles utilizaram temperaturas de - 5º C e - 8º
C durante 10 minutos. Como resultado, perceberam que o frio resultou em inflamação,
morte adipocitária por apoptose, redução de 40% (em média) da camada de gordura
e, por fim, a fagocitose do adipócito. Este trabalho norteou os trabalhos seguintes para
pilotos com células adiposas e depois, com humanos. Tendo em vista dados publicados
comprovando a eficácia e segurança da criolipólise, em 2010 o uso da técnica teve
autorização do FDA (Food and Drug Administration), para ser utilizada em flancos. A
partir daí surgiram protocolos de aplicação em outras regiões e em 2012, teve liberação
para abdômen e, em 2014, para tratar gordura na região de coxas.

02. EQUIPAMENTO DE CRIOLIPÓLISE

Fonte: Shutterstock

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No artigo de revisão bibliográfica, Fundamentos de Criolipólise, os autores descrevem
a criolipólise “como o resfriamento localizado do tecido adiposo subcutâneo de forma
não invasiva, com temperaturas em torno de - 5º C a - 15º C (medida externamente),
causando paniculite fria localizada, morte adipocitária por apoptose e, consequentemente,
diminuição do contingente adiposo localizado”.

O QUE É APOPTOSE?
Trata-se da morte celular programada fisiologicamente.
“A apoptose é um processo ordenado, no qual o conteúdo da célula é compactado
em pequenos pacotes de membrana para a ‘coleta de lixo’, pelas células do sistema
imunológico” (Khan Academy)
Veja mais em : https://pt.khanacademy.org/science/biology/developmental-
biology/apoptosis-in-development/a/apoptosis

O tratamento com a criolipólise pode ser interessante, mas deve ser escolhido de
forma fundamentada e por isso, a anamnese tem que ser detalhada. É através dela que
vamos escolher se a criolipólise é realmente indicada ao paciente. Um check-list deve ser
seguido para detectar possíveis alterações cutâneas e subcutâneas que possam impedir a
aplicação. As intercorrências com criolipólise foram as mais denunciadas para
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em 2018, de acordo com a
Coordenação de Serviços de Interesse para Saúde, perdendo apenas para a micro
pigmentação.
Agnes afirma que as intercorrências vêm geralmente de 3 fatores: utilização de
manta anticongelante, marca do equipamento e profissional desabilitado. Qualquer
um destes fatores, poderá acarretar responsabilização do profissional, pois é ele
quem escolhe a manta, o equipamento e determina se o paciente está apto ou não
para receber o procedimento.
Para aplicação da criolipólise, é necessário que a pele no local de tratamento
esteja íntegra e saudável, ou seja, o tecido deve estar normal, sem lesões. Caso o paciente
já tenha realizado procedimentos cirúrgicos profundos como lipoaspiração e
abdominoplastia, o local não estará apto a receber a criolipólise, devido a aderência do
tecido; assim como não é recomendada se o paciente estiver fazendo uso de
medicamentos como anti-inflamatórios e corticoides ou ainda, períodos de
resfriados, gripes, herpes, imunidade comprometida. Nestes casos, melhor substituir a
tecnologia por outras.
O sistema de congelamento a vácuo, utilizado na criolipólise, age no tecido adiposo,
que é seletivo para as baixas temperaturas. O resfriamento causa cristalizações dos
lipídeos do citoplasma das células, resultando em uma inviabilidade destas. Como
consequência, depois de 24 a 72 horas da aplicação da criolipólise, o tecido adiposo sofre
uma paniculite, uma inflamação, e a apoptose (morte) das células e posterior fagocitose
pelos macrófagos, responsáveis pela digestão e remoção das células lesadas, ou
seja, estas células são excretadas pelo metabolismo. O processo de apoptose começa
dentro de 3 dias após a criolipólise, com pico em torno de 14 a 30 dias. De acordo
com Borges e Scorza, estudos demonstraram em análise imuno-histoquímica que no
local de aplicação da criolipólise foi encontrada a presença da enzima caspase-3, um
importante marcador de apoptose. Dentro deste tempo, de 14 a 30 dias, o processo
inflamatório reduz e a atividade dos macrófagos é intensificada. Os resultados
clínicos ficam mais evidentes em torno de 60 dias após a aplicação da criolipólise.
Análises de literatura mostram a redução de 20 a 26% da camada de gordura no local.
Os aparelhos costumam ter ajustes automáticos de sucção e temperatura, assim como
o tempo de aplicação. Alguns aparelhos oferecem o aquecimento prévio ao
5 resfriamento. Começam com 5 a 10 minutos de preparo com uma temperatura de - 3º
C a - 4º C e nos próximos 40 a 45 minutos, o vácuo diminui e a temperatura atinge de -
7º C a - 10º C. Na hora da aplicação, a área a ser tratada recebe uma manta protetora,
também chamada membrana anticongelante, que possui substâncias específicas para
pele não congelar. Esta manta funciona como uma “capa protetora” no local.
A manta é feita de um tecido fino, que não pode ser poroso, embebido em um fluído
anticongelante, que pode ter diversas substâncias que promovem a proteção e ajudam o
tecido da área entrar no aplicador, facilitando a formação da prega.
É importante verificar a manta com atenção, pois algumas são fabricadas com
pouco fluído, o que pode dificultar a aplicação. O ideal é que se escolha uma
manta pela qualidade e não pelo preço. Além disso, a manta não é reutilizável: uma
vez usada, deve ser jogada fora. Ela também não pode ser cortada, pois podem perder
a elasticidade e ação de proteção.
Infelizmente, há mantas falsas no mercado. Devemos procurar aquelas autorizadas
pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), pois a manta é de extrema
importância para segurança da técnica.

03. MANTA PROTETORA TAMBÉM


CONHECIDA COMO MEMBRANA
ANTICONGELANTE

Fonte: Faculdade Ibeco


MANTA
PROTETORA
QUE DEVE SER
CERTIFICADA
PELA ANVISA.

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Em seguida, uma manopla da máquina é sobreposta a pele, que vai sofrer uma sucção
da região a ser tratada. O ideal é que esta manopla, que tem formato de um “copo”, esteja
cheia da metade até o topo, observando a quantidade máxima de tecido adiposo que está
dentro da manopla. As manoplas transparentes permitem melhor essa visualização.
Muitas pessoas podem perguntar se a criolipólise pode gerar flacidez, devido a pressão
negativa produzida pelo equipamento. Se a técnica for feita de maneira errada,
poderá sim e por isso, é necessário que a pessoa que for aplicar a criolipólise conheça
bem a técnica. Além disso, é necessário saber avaliar e verificar se o cliente tem
indicação para o tratamento, além das contraindicações e manuseio da máquina.
Indicações:
• Região abdominal (supra e infraumbilical)
• Flancos
• Região lateral da lombar
• Culotes
• Região posterior do braço
• Costas e região da linha do sutiã
• Prega axilar
• Região interna das coxas
• Papada submentoniana
Contraindicações:
• Uo de isotretinoína oral (roacutan);
• Uso de corticoides, principalmente os glicocorticoides, como Prednisolona,
Metilprednisolona, Trianinolona e Dexametasona;
• Ictiose (pele se apresenta escamosa, com fissuras e frágil);
• Diabetes;
• Flacidez tissular (neste caso, o ideal é tratar primeiro a flacidez) – a criolipólise pode
trazer uma hipercromia;
• Obesidade mórbida, obeso ou sobrepeso;
• Abdominoplastia e lipoaspiração;
• Crianças e adolescentes;
• Pós-parto;
• Preenchimentos e silicone;
• Cicatrizes;
• Hérnia e Diástase Muscular;
• Crioglobulinemia;
• Uso de álcool ou tabaco;
• Estrias;
• Insuficiência Renal;
• HIV;
• Gripe e resfriados;
• Febre;
• Herpes labial;
• Psoríase;
• Doenças relacionadas ao frio, como crioglobulinemia, hemoglobinúria paroxística ao
frio, urticária ao frio e fenômeno de Raynaud.

Veja mais em http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/08/veja-os-riscos-do-


tratamento-estetico-que-promete-congelar-gorduras.html

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EFEITOS ADVERSOS
Segundo Tagliolatto et al são relatados poucos efeitos adversos com relação a técnica de
criolipólise, quando executada corretamente. Os efeitos adversos mais frequentes que
foram relatados são: dor leve a moderada e alterações sensoriais, que podem persistir por
2 a 3 semana (foram raros os casos de perda de sensibilidade por 3 a 6 semanas). Eritema e
hematoma podem ocorrer pela sucção. Um edema pode persistir por 4 semanas na região.
Foram relatadas cólicas e espasmos musculares. Alguns casos de lipotimia (perda de força
muscular, sem perda de consciência) também foram relatados durante o tratamento. A
hiperplasia adipocitária paradoxal foi descrita como um efeito raro e ocorre geralmente
de 2 a 3 meses após o tratamento. Há redução inicial na área tratada, mas em seguida, há
um aumento de volume, levando a uma protuberância no local com a forma do aplicador.

Veja mais em:


https://joaotassinary.com.br/patologias-da-estetica/entenda-a-hiperplasia-
adiposa-paradoxal-apos-criolipolise/