Você está na página 1de 186

Higiene do Trabalho – Riscos Biológicos

no Ambiente de Trabalho

Brasília-DF.
Elaboração

Mario Paulo Cassiano e Paes

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração


Sumário

APRESENTAÇÃO.................................................................................................................................. 6

ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA..................................................................... 7

INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 9

UNIDADE I
FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS............................................................................................................... 13

CAPÍTULO 1
OS AGENTES BIOLÓGICOS...................................................................................................... 13

CAPÍTULO 2
AGENTE BIOLÓGICO E RISCO BIOLÓGICO.............................................................................. 15

CAPÍTULO 3
AGENTES BIOLÓGICOS NAS NORMAS DE SST ......................................................................... 22

UNIDADE II
AGENTES MICROBIOLÓGICOS.............................................................................................................. 25

CAPÍTULO 1
A DESCOBERTA DOS MICRÓBIOS............................................................................................ 25

CAPÍTULO 2
APÓS A MICROBIOLOGIA........................................................................................................ 31

UNIDADE III
CONCEITOS ESSENCIAIS SOBRE AGENTES BIOLÓGICOS........................................................................ 35

CAPÍTULO 1
INFLAMAÇÃO E INFECÇÃO..................................................................................................... 35

CAPÍTULO 2
ANTIBIÓTICO X ANTI-INFLAMATÓRIO........................................................................................ 38

CAPÍTULO 3
VACINAS, SOROS E IMUNOGLOBULINAS.................................................................................. 41

CAPÍTULO 4
INFECTIVIDADE, PATOGENICIDADE, VIRULÊNCIA E IMUNOGENICIDADE..................................... 46
UNIDADE IV
LISTA OFICIAL BRASILEIRA DE AGENTES BIOLÓGICOS RELACIONADOS AO TRABALHO............................ 48

CAPÍTULO 1
BASE LEGAL............................................................................................................................ 48

CAPÍTULO 2
A LISTA (RELAÇÃO) DE DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO............................................ 51

UNIDADE V
DETALHANDO OS AGENTES................................................................................................................... 54

CAPÍTULO 1
BACTÉRIAS E BACILOS............................................................................................................. 54

CAPÍTULO 2
VÍRUS...................................................................................................................................... 87

CAPÍTULO 3
DEMAIS AGENTES BIOLÓGICOS............................................................................................. 106

UNIDADE VI
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO............................................................................................. 120

CAPÍTULO 1
IMPORTÂNCIA DESTE TIPO DE ACIDENTE ............................................................................... 120

CAPÍTULO 2
PRECAUÇÕES UNIVERSAIS..................................................................................................... 123

CAPÍTULO 3
MATERIAIS PERFUROCORTANTES............................................................................................ 126

CAPÍTULO 4
CONDUTA PÓS ACIDENTE BIOLÓGICO.................................................................................. 134

UNIDADE VII
HT/PPRA E PCMSO - RISCOS BIOLÓGICOS.......................................................................................... 147

CAPÍTULO 1
PPRA..................................................................................................................................... 148

CAPÍTULO 2
PCMSO................................................................................................................................ 155
UNIDADE VIII
ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE E APOSENTADORIA ESPECIAL – AGENTES BIOLÓGICOS....................... 156

CAPÍTULO 1
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE............................................................................................. 156

UNIDADE IX
OUTROS ASPECTOS DOS AGENTES BIOLÓGICOS................................................................................. 162

CAPÍTULO 1
QUALIDADE DO AR EM AMBIENTES CLIMATIZADOS................................................................. 162

PARA (NÃO) FINALIZAR.................................................................................................................... 167

REFERÊNCIAS................................................................................................................................. 168
Apresentação

Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se


entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade.
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da
Educação a Distância – EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade


dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo


a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.

Conselho Editorial

6
Organização do Caderno
de Estudos e Pesquisa

Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em


capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para
aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos
Cadernos de Estudos e Pesquisa.

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

7
Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Para (não) finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem


ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.

8
Introdução
Caro aluno,

Bem-vindo à disciplina de Higiene do Trabalho (HT) ou Higiene Ocupacional


(HO). Essa é, sem dúvida, uma das mais importantes disciplinas no estudo da
Saúde e Segurança do Trabalho (SST).

Primeiramente, precisamos entender o conceito de HT. O termo “higiene”


tem sua origem na mitologia grega, onde uma das filhas de Esculápio (Deus
da Medicina e da cura) chamava-se Hígia, a deusa da limpeza e da sanidade.
Portanto, quando pensamos em “higiene”, o termo sempre nos remete ao sentido
de “limpeza”.

Assim, a HT está ligada à “limpeza” do ambiente, pois é comum que os locais de


trabalho contenham agentes que possam agredir (serem nocivos) à saúde dos
trabalhadores e da comunidade em torno desses ambientes.

O termo “agente” significa “que age, que produz algum efeito” (Dicionário
Michaelis). Os agentes ambientais do trabalho são divididos conforme a sua
natureza em físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.

Quadro 1. Classificação dos agentes ambientais segundo sua natureza.

Físicos Químicos Biológicos Ergonômicos Acidentes


» Ruído Diversos agentes em forma » Bactérias » Posturas forçadas » Queda de altura
de:
» Calor » Vírus » Levantamento ou » Queda de objetos
» Líquidos deslocamento de
» Frio » Parasitas » trânsito de veículos
pesos
» Gases
» Umidade » Protozoários » Máquinas
» Movimentos
» Vapores desprotegidas
» Radiações » Fungos repetitivos
» Poeiras » Escada sem proteção
» Condições » Outros » Sobrecarga psíquica
hiperbáricas » Neblinas » etc.
» etc.
» Vibrações » Névoas
Fonte: Do autor

A HT trata, em especial, dos agentes ambientais dos tipos físicos, químicos e


biológicos. Os riscos ergonômicos e de acidentes são objeto de outras disciplinas.

É primordial um conhecimento aprofundado sobre estes agentes, haja vista que


na execução da tarefa de higienização do ambiente precisamos:

»» saber reconhecê-los;

»» identificar se podem ou não ser nocivos à saúde humana;

9
»» avaliar se suas intensidades ou concentrações estão em nível de
nocividade;

»» saber como esses agentes penetram ou são absorvidos pelo corpo


humano;

»» propor as medidas de HT adequadas àquele agente.

Quando a intensidade ou concentração desses agentes estão em um nível capaz


de causar efeitos nocivos à saúde humana, passamos a considerá-los um risco,
e então, precisamos atuar neste ambiente com medidas de HT para eliminar ou
minimizar os possíveis efeitos sobre a saúde dos trabalhadores e da comunidade.

Fundamental também é conhecer como esses agentes podem penetrar ou ser


absorvidos pelo corpo humano e como atuam no organismo dos trabalhadores,
para se conseguir agir preventivamente em SST, como demostrado na figura
abaixo:

Figura 1. Conhecer os riscos para saber as ações a tomar.

Como proteger:
Como o agente
Tipo de EPI-EPC
penetra/é
PPRA e outras
absorvido
ações ambientais
Conhecer os no corpo
AGENTES/RISCOS
Como controlar a
Ação/agressão/
saúde do
doença no
trabalhador:
trabalhador
PCMSO

Fonte: Do autor.

Uma vez conhecendo bem como o agente pode ser absorvido ou penetra no
corpo do trabalhador, torna-se mais simples propor medidas e programas de
HT, evitando-se essa situação. Esse conhecimento é norteador na escolha dos
Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) e de Equipamentos de Proteção
Individual (EPI).

Figura 2. Exemplo de situação de risco ambiental e ações preventivas.

Agente EPC EPI EXAME

Poeira Exaustor Máscara Raio X Pulmões


Fonte: Do autor. Poeira e exaustor: Do autor. Máscara: <https://openclipart.org/detail/297799/face-mask />. Rx pulmões:
<https://radiopaedia.org/cases/normal-chest-x-ray>. Acesso em: 27/4/2019.

10
Já os conhecimentos dos efeitos do agente do corpo do trabalhador irão
propiciar o adequado acompanhamento preventivo da saúde dessas pessoas.

No exemplo da figura acima, temos o agente químico poeira. Este agente


fica disperso no ar do ambiente de trabalho e é absorvido pela respiração,
podendo causar danos à saúde pulmonar do trabalhador.

Entre as possíveis medidas de HT, pode-se instalar um exaustor (EPC),


removendo a poeira ambiental e indicando a adequada máscara de proteção
respiratória (EPI) para os trabalhadores expostos.

Além disto, ciente de que o efeito nocivo é sobre o aparelho respiratório, o


seguimento médico preventivo adequado necessitará de exames clínicos e
complementares que avaliem o aparelho respiratório.

Com esse preâmbulo, fica mais fácil entender o conceito de HT ou HO*,


definida pela Associação Internacional de Higiene Ocupacional (International
Occupational Hygiene Association - IOHA) como a“A disciplina de antecipar,
reconhecer, avaliar e controlar riscos para a saúde no ambiente de trabalho
com o objetivo de proteger a saúde e bem-estar do trabalhador e proteger a
comunidade como um todo.”

Neste caderno optaremos por usar apenas o termo “Higiene do Trabalho - HT”
e não “Higiene Ocupacional – HO”, pois o termo HO tem um viés que pode
induzir ao erro ideológico de que é a ocupação que adoece, sendo que, na
verdade, o modo como essa ocupação é executada, ou como o processo
produtivo (trabalho) é realizado, é que pode gerar patologias.

Este caderno consiste em um material básico aos conhecimentos exigidos do


profissional prevencionista com relação ao Agentes/Riscos biológicos.

Porque o Engenheiro de Segurança do Trabalho (EST) e outros profissionais


de SST precisam conhecer sobre agentes biológicos?

Porque são inúmeros os ramos de atividade econômica nos quais os


trabalhadores podem se expor a agentes biológicos e que demandam o
conhecimento em HT de um profissional de SST, para atuar preventivamente,
entre os quais pode-se citar: hospitais, laboratórios, empresas de
saneamento, atividade pecuária, indústria de alimentos, entre outras.

Neste material, teremos informações sobre os principais agentes biológicos e


sobre as legislações, normas e programas legais destinados às empresas e aos
trabalhadores expostos a esses agentes.

11
Conheceremos as principais medidas preventivas ambientais e individuais para
evitar que os trabalhadores e a comunidade venham a se contaminar com esses
agentes, aplicando a legislação e programas preventivos pertinentes.

Trataremos das ações a serem tomadas em casos de acidente com material biológico.

Por fim, diante do surgimento do eSocial (uma plataforma digital de informações


sociais e trabalhistas do governo brasileiro), entenderemos como fazer a
interconexão de todos esses dados com as instituições governamentais.

Objetivos
»» Conhecer os tipos de agentes biológicos.

»» Conhecer os agentes biológicos e situações descritas na legislação


trabalhista.

»» Saber reconhecer quando esses agentes passam a ser um risco à saúde.

»» Conhecer as atividades econômicas (empresas, instituições) que estão


relacionadas à exposição a agentes biológicos.

»» Conhecer as possíveis medidas de higiene ambiental (proteção coletiva)


e de proteção individual ao trabalhador quando houver exposição aos
riscos biológicos.

»» Conhecer e saber aplicar os programas preventivos, previstos na


legislação trabalhista, em relação aos riscos biológicos.

»» Conhecer as condutas necessárias em casos de acidente biológico.

»» Conhecer a interconexão da legislação trabalhistas e programas de


prevenção com o eSocial.

12
FUNDAMENTOS UNIDADE I
BIOLÓGICOS

CAPÍTULO 1
Os agentes biológicos

Conceito amplo
Genericamente, agentes biológicos são seres vivos em suas mais diversas formas
de vida, dispersos pelos múltiplos hábitats do planeta.

Buscando facilitar o entendimento, vamos dividi-los em:

»» macroscópicos: seres que podem ser vistos a olho nu, ou seja, sem
necessidade de usar aparelhos especiais para observá-los;

»» microscópicos: seres que, de tão pequenos, somente podem ser vistos


com aparelhagem (lentes, microscópios etc.).

Onipresença
Os agentes biológicos estão presentes no nosso dia a dia, principalmente quando
se trata de seres microscópicos.

No momento em que você está lendo este texto, está respirando esses agentes, já
que estão no ar ambiental. Igualmente, estão presentes no teclado do seu celular
ou computador, na sua cadeira, na sua cama, na sua pele e até na sua saliva.

São onipresentes, podendo estar até mesmo em ambientes bastante inóspitos,


por exemplo, em locais com temperatura extremas, como no polo ártico ou em
áreas vulcânicas.

13
UNIDADE I │ FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS

Adicionalmente, essa onipresença pode ser observada nos agentes macroscópicos,


por exemplo, os insetos, que estão presentes nos lares, nos comércios, nas
indústrias, nos ambientes de lazer e na natureza que nos rodeia.

Figura 3. Demodex foliculorum - Ácaro, microscópico, presente na pele humana.

Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Haarbalgmilbe.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Conceito restrito
Em HT, o conceito de agente biológico se restringe a seres que podem estar
no ambiente laboral e que, conforme a situação, podem agir sobre a saúde dos
trabalhadores e a comunidade em torno desses ambientes laborais.

Entre esses agentes, há seres microscópios e macroscópicos que, como visto,


podem estar dispersos por todos os locais de trabalho, desde ambientes
administrativos, passando por ambientes da produção, oficinas e, obviamente,
por ambientes de maior sujidade.

Diante dessa onipresença precisamos compreender quando esses agentes podem ser
um risco à saúde do ser humano.

14
CAPÍTULO 2
Agente biológico e risco biológico

Agente x risco

Se os agentes biológicos estão em todos os lugares, quando então eles são


um risco?

Essa é uma das perguntas mais importantes em HT.

Paracelsus (1493-1541), médico do século XVI, já dizia: “A diferença entre o remédio


e o veneno é a dose”.

Com base nesse conceito, vamos buscar entender melhor a diferença de “agente” e
“risco”.

Facilitando a compreensão, vamos usar dois exemplos: primeiro de um agente


químico e depois de um agente físico, o ruído.

Analisemos, primeiramente, um agente químico. A dose de um agente químico está


relacionada a quanto desse agente é absorvido pelo corpo humano.

A absorção desses agentes químicos nos ambientes laborais ocorre pela respiração
(em especial) e pela pele. A dose absorvida dependerá então:

»» da concentração do agente no ar: quanto maior a quantidade de agente


químico no ar, maior a absorção pela respiração;

»» do tempo que o trabalhador fica naquele ambiente: quanto mais tempo


ficar no ambiente, mais vezes irá respirar o agente.

Então, o conceito de dose é essencial. Quanto maior a dose recebida


pelo organismo, maior a chance de causar algum dano ao organismo do
trabalhador.

A natureza do agente também é muito importante. Esse termo “natureza”


expressa o tipo, a especificação do agente. Mantendo-se no exemplo dos agentes
químicos, há agentes que são tóxicos em quantidade bem menor que outros,
vejamos abaixo:

15
UNIDADE I │ FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS

Quadro 2. Diferença de concentração de toxicidade entre a acetona e o ácido cianídrico.

Agente químico Concentração no ar com possível nocividade (mg/m3)


Acetona 1870 mg/m3
Ácido Cianídrico 9 mg/m3
Fonte: Do autor .

Observem que a natureza do agente “acetona” é menos tóxica, pois é necessária


uma concentração no ar muito mais alta para que possa provocar malefícios à
saúde do trabalhador. Por outro lado, o ácido cianídrico já traz nocividade em uma
concentração bem menor.

Então, o importante é a dose absorvida.

O quadro acima reflete a concentração do agente no ar, capaz de causar possível


dano à saúde se o trabalhador ficar exposto por um período de oito horas.

Como vimos, a dose está relacionada não somente à quantidade do agente no ar,
mas também ao tempo que o trabalhador fica exposto àquele ar contaminado.

Sigamos com o outro exemplo: do agente físico ruído.

Nenhum lugar é livre de ruído. Até uma sala de meditação tem algum nível
de ruído. A intensidade do ruído é medida em decibel (dB). No Quadro 1 são
apresentados alguns exemplos do nível de ruído em alguns ambientes/situações.

Quadro 3. Exemplos de níveis de ruído em ambientes.

Ambiente Nível de ruído


Quarto silencioso 10 - 20 dB
Biblioteca 30 - 40 dB
Igreja 40 - 50 dB
Conversa coloquial 50 - 60 dB
Aspirador de pó 70 – 80 dB
Fonte: Do autor.

Tal qual o exemplo do agente químico anterior, o agente ruído tende a ser mais
nocivo à saúde nas situações quando a dose recebida for excessiva para o ouvido
humano. Deve-se lembrar que a dose está relacionada à intensidade (volume) e ao
tempo de exposição do trabalhador ao ruído.

No caso do ruído, os estudos estatísticos populacionais evidenciam uma maior


nocividade ao longo dos anos de exposição quando a intensidade estiver acima de

16
FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS │ UNIDADE I

85 dB para uma exposição diária de oito horas. Oitenta e cinco dB é, portanto, o


critério referencial estatístico, que serve de base para concessão do Adicional de
Insalubridade definido pela NR-15 (MINISTÉRIO DO TRABALHO, 2014). Esse é o
chamado Limite de Tolerância (LT).

Dose = concentração ou intensidade do agente + tempo de exposição.

Isto posto, pode-se observar que um agente só será um risco à saúde do ser
humano se estiver em uma determinada concentração/intensidade e com
um tempo de exposição suficiente para gerar este dano.

A Norma Regulamentadora 9 (NR-9) de SST, que está intimamente relacionada à


HT, traz a seguinte definição

9.1.5 Para efeito desta NR, consideram-se riscos ambientais os


agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de
trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou
intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos
à saúde do trabalhador. (Grifo nosso)

Natureza do agente
Vejamos então:

A possível nocividade à saúde do trabalhador por um agente será determinada por:

Quadro 4. Natureza e dose do agente.

Natureza do Agente Dose


“Tipo” (espécie) do agente Intensidade/concentração + Tempo de exposição
Fonte: Do autor.

Como citado anteriormente no exemplo de agente químico, observou-se, que a


natureza do agente acetona é menos tóxica do que do agente ácido cianídrico.
Precisa-se de uma dose bem maior de acetona para que ocorra dano à saúde do
ser humano.

O mesmo ocorre com os agentes biológicos. Há seres que, por sua natureza,
têm uma chance maior de causar malefícios à saúde do trabalhador. A natureza
nociva dos agentes biológicos está ligada a algumas características, que
trataremos adiante.

17
UNIDADE I │ FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS

No caso dos agentes biológicos, a natureza é essencial, pois veremos que é difícil
um controle rigoroso da concentração e do tempo de exposição, ou seja, a dose.

Em função desta natureza a legislação trabalhista, estabeleceu os tipos de agentes


biológicos que devem ser foco da HT, como veremos a seguir.

A natureza ou os tipos de agentes biológicos que são objetos da HT estão


definidos em várias normas legais.

Há muita interpretação equivocada sobre quais seriam os agentes


biológicos. Essa incorreção ocorre, em especial com relação a insetos,
animais peçonhentos, plantas tóxicas, entre outros. A legislação e
normatizações legais em SST colocam essas situações como agentes de
acidentes ou químicos e não como agentes biológicos, como veremos a
seguir.

A natureza dos agentes biológicos e a


legislação trabalhista
Na atuação como engenheiro higienista ocupacional, precisamos trabalhar
respeitando as leis trabalhistas, bem como as normas vigentes que tratam do tema.

Como já estudado na disciplina de legislação trabalhista, a Lei 6.514/1977 é a


de maior relevância em SST. Foi com base nela que o Ministério do Trabalho
desenvolveu as Normas Regulamentadoras (NRs) de SST.

Entre as inúmeras NRs, há uma que está intimamente relacionada à HT. Trata-se
da NR-9 ou Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).

Observe o que descreve o primeiro item da NR-9:

9.1 Do objeto e campo de aplicação

9.1.1 Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece a obrigatoriedade


da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores
e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA, visando à
preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através
da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente
controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou
que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em
consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos
naturais. (Grifo nosso)

18
FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS │ UNIDADE I

Lembra do conceito de HT visto na introdução deste caderno? Assim era


definido pela Associação Internacional de Higiene Ocupacional (International
Occupational Hygiene Association - IOHA): “A disciplina de antecipar,
reconhecer, avaliar e controlar riscos para a saúde no ambiente de
trabalho com o objetivo de proteger a saúde e bem-estar do trabalhador
e proteger a comunidade como um todo.” (grifo nosso).

Fica evidente, pela parte grifada da NR-9 e do conceito da IOHA, que essa é a
norma regulamentadora que está mais imbricada ao tema de HT.

Ciente dessa nítida proximidade do PPRA com a HT, demostrada acima, vejamos
a definição de agentes biológicos da NR-9: “9.1.5.3 Consideram-se agentes
biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus,
entre outros”. (Grifo nosso)

Adicionalmente, outras normatizações legais definem quais as naturezas dos


agentes biológicos que serão foco de atenção pela HT. Vejamos:

A NR-32 (SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM SERVIÇOS DE SAÚDE)


normatiza a SST em atividades com evidente exposição a riscos biológicos,
haja vista ser dedicada a empresas de serviços em saúde, tais como hospitais,
laboratórios, entre outros.

Pois bem, essa é mais uma norma que traz em seu cerne a natureza dos agentes
biológicos foco de nossa atenção em SST: 32.2.1.1 Consideram-se Agentes
Biológicos os microrganismos, geneticamente modificados ou não; as
culturas de células; os parasitas; as toxinas e os príons

Outra norma legal importante, que trata do assunto é a Lista de Doenças


Relacionadas ao Trabalho, definida pelo Ministério da Saúde e adotada pelo
Sistema Único de Saúde (Portaria n o 1339/GM em 18 de novembro de 1999).

Nessa lista, estão assim definidas as doenças relacionadas ao trabalho atinentes


aos agentes biológicos:

Quadro 5. Agentes biológicos da lista.

Bactérias Vírus Fungos Protozoários


»» Tuberculose »» Dengue »» Dermatofitoses e outras »» Malária
micoses superficiais
»» Carbúnculo »» Febre amarela »» Leishmanioses
»» Candidíase
»» Brucelose »» Hepatites virais
»» Paracoccidioidomicose
»» Leptospirose »» AIDS
»» Tétano
»» Psitacose
Fonte: Do autor.

19
UNIDADE I │ FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS

Por fim e dirimindo qualquer dúvida sobre os tipos de agentes biológicos que os
profissionais de SST devem focar, estão as definições do eSocial.

Figura 4. eSocial.

Fonte: <http://portal.esocial.gov.br/>. Acesso em: 27/4/2019.

O eSocial é um novo sistema digital de escrituração (lançamento) dos


dados trabalhistas, fiscais e previdenciários do Governo Federal, estando
também em seu bojo, as informações sobre SST.

O eSocial foi instituído pelo Governo Federal, por meio do Decreto n o 8.373, de
11 de dezembro de 2014, com o objetivo de unificar todas as informações sobre
obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas em um só sistema.

Figura 5. eSocial – Unificação.

Fonte: <http://www.enat.receita.fazenda.gov.br/pt-br/area_nacional/noticias/e-social/view>. Acesso em: 27/4/2019.

Anteriormente, as informações eram lançadas para cada órgão governamental.


Por exemplo, a parte fiscal (impostos, contribuições etc.) na Receita Federal;
o Fundo de garantia (FGTS) na Caixa Econômica Federal; as informações
trabalhistas e de SST (registro, função, riscos, insalubridade etc.) no Ministério
do Trabalho, e assim por diante.

20
FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS │ UNIDADE I

O eSocial criou um lugar único para todas essas informações.

A parte relativa à SST do eSocial, traz todos os possíveis riscos do ambiente


laboral.

Como o eSocial será o padrão das informações em SST, não restam dúvidas quanto
à natureza dos agentes biológicos que devem ser foco da HT, como se observa no
quadro abaixo do eSocial:

Quadro 6. Fatores de Riscos do Meio Ambiente do Trabalho.

Anexo II da NDE no 01/2018 – Tabelas – Versão 2.0


CÓD. FATOR DE RISCO
BIOLÓGICOS
03.01.001 Agentes biológicos infecciosos e infectocontagiosos (bactérias, vírus, protozoários, fungos, príons, parasitas e outros)
03.01.999 Outros
Fonte: <https://portal.esocial.gov.br/manuais/nde-01-2018-v2-0.zip>. Acesso em: 27/4/2019.

Poderia se aventar que agentes tais como animais peçonhentos, insetos, plantas
tóxicas poderiam ser enquadradas no código 03.01.999 (outros). Porém, neste
mesmo quadro, estes agentes são definidos como agentes de acidente ou químicos,
como pode ser visto nos exemplos, do mesmo quadro abaixo:

Quadro 7. Agentes mecânicos.

05.01.017 Animais peçonhentos


05.01.018 Animais domésticos
05.01.019 Animais selvagens
Fonte: <https://portal.esocial.gov.br/manuais/nde-01-2018-v2-0.zip>. Acesso em: 27/4/2019.

21
CAPÍTULO 3
Agentes biológicos nas normas de SST

Micro- e macro-organismos
Definimos no capítulo anterior quais são os tipos de agentes biológicos foco das
normas legais e que serão objeto de estudo de nosso caderno de HT.

Em especial, pudemos observar os definidos na NR-9 e pelo eSocial, que, em breve,


irá nortear todas as informações de SST aos diversos órgãos governamentais.

Considera-se agente biológico:

Quadro 8. Agentes biológicos e normas.

NR-9 – PPRA “bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros”
eSocial “bactérias, vírus, protozoários, fungos, príons, parasitas e outros”
Fonte: Do autor.

Observem que nas listas da NR-9 e do eSocial há alguns agentes diferentes. A


NR-9 menciona os bacilos que não estão na lista do eSocial. Já a lista do eSocial
traz príons que não estão na lista da NR-9.

Isto ocorre porque os bacilos, como veremos à frente, são tipos de bactérias e os
príons podem ser enquadrados no item “outros” da NR-9.

Didaticamente, podemos classificá-los em agentes Microscópicos e Macroscópicos:

Quadro 9. Agentes macro- e microscópicos.

MICROscópicos MACROscópicos
»» Bactérias »» _
»» Fungos »» Fungos
»» Bacilos »» _
»» Parasitas »» Parasitas
»» Protozoários »» _
»» Vírus »» _
»» Outros »» Outros
Fonte: Do autor.

As bactérias, protozoários, vírus são necessariamente microscópicos. Já os fungos e


parasitas podem ser microscópicos e macroscópicos.

22
FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS │ UNIDADE I

Dimensões dos agentes microscópicos


Como citado, agentes microscópicos somente podem ser visualizados com a ajuda de
aparelhos especiais (microscópios e lentes).

Na figura abaixo, pode-se ter uma ideia da diminuta dimensão desses agentes:
Observem que a ponta de um cabelo humano pode conter inúmeros protozoários,
bactérias e milhares de vírus.

Figura 6. Tamanho comparativo de agentes microscópicos.

Protozoário

Bactéria

Vírus

Hemácia
(Célula vermelha do sangue)

Fio de cabelo

Fonte: Do autor.

São também microscópicos vários tipos de fungos.

Agentes macroscópicos
São seres que conseguimos visualizar a olho nu, ou seja, sem necessidade de aparelhos
de aumento. Entre os agentes listados nas normas, temos: parasitas e fungos.

Os parasitas são seres que vivem às custas de outro ser, conhecido como hospedeiro,
e provoca prejuízo a ele. Os parasitas podem ser divididos em unicelulares
(microscópicos), e nesses se enquadram os protozoários. Portanto, os protozoários
são considerados parasitas unicelulares.

Entretanto, nas normas em SST, os normatizadores optaram por fazer a separação


didática de parasitas e protozoários.

Assim sendo, pelas normas nacionais de SST, os parasitas são os seres


macroscópicos. Como exemplo, podemos citar as verminoses intestinais
(lombriga, solitárias, entre outros).

23
UNIDADE I │ FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS

Figura 7. Parasitas macroscópicos (Lombriga – Ascaris lumbricoides).

Fonte: <http://www.sironaanimalhealth.com/wp-content/uploads/2014/07/paracites.png>. Acesso em: 27/4/2019.

Com relação aos fungos, a maioria são seres microscópicos. Porém, todos nós,
a princípio, conhecemos bem alguns fungos macroscópicos. Podemos citar os
cogumelos, que são comestíveis, como os champignons. Outros, como os chamados
“orelhas de pau”, que são facilmente visíveis na natureza.

Figura 8. Fungos macroscópicos: champignons.

Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Champignons_Agaricus.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Figura 9. Fungos macroscópicos: “Orelha de Pau” - Pycnoporus sanguineus.

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4e/Pycnoporus_sanguineus_284381.jpg/1024px-
Pycnoporus_sanguineus_284381.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

24
AGENTES UNIDADE II
MICROBIOLÓGICOS

CAPÍTULO 1
A descoberta dos micróbios

Ficou claro que estamos em convívio diário com os agentes biológicos,


principalmente com os agentes microscópicos. Neste capítulo, precisamos
aprofundar o conhecimento sobre esses microrganismos.

Um breve histórico dos micróbios


A descoberta da existência dos micróbios foi umas maiores revoluções da história
médica e mudou profundamente a medicina e o entendimento das doenças.

Figura 10. Antonie van Leeuwenhoek (Holanda, 1632-1723). O primeiro microbiologista.

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Anton_van_Leeuwenhoek#/media/File:Jan_Verkolje_-_Antonie_van_Leeuwenhoek.jpg>.
Acesso em: 27/4/2019.

Antonie van Leeuwenhoek (Holanda, 1632-1723) foi o primeiro microbiologista


conhecido. Ele chamou os micróbios de animalículos. A primeira referência
específica às bactérias foi feita em uma carta datada de 9 de outubro de 1676.

25
UNIDADE II │ AGENTES MICROBIOLÓGICOS

Nesta descoberta, começa uma das maiores revoluções da história da medicina..

Antes da descoberta dos micróbios


A medicina pré-descoberta dos microrganismos, era uma ciência repleta de
crendices. Pensava-se que as doenças, em especial as epidêmicas (infecciosas)
eram causadas por ar podre, destino, castigo ou praga divina, pecado, maldições,
feitiçaria, entres outras superstições.

Vigoravam as chamadas eoria miasmática das doenças e teoria dos humores.

Pela teoria dos miasmas, locais imundos, contendo dejetos e lixos orgânicos em
decomposição emanavam odores, cheiros podres ou sustâncias invisíveis no ar,
nocivas e causadoras das doenças infecciosas e epidemias.

Exemplo:

MALÁRIA: “Maus ares”, daí o nome desta doença.

Atualmente, sabemos que essa doença infecciosa é causada por um micróbio


(protozoário), chamado Plasmodium e é transmitida por um mosquito.

Figura 11. Mosquito do gênero Anopheles (transmissor da Malária).

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Anopheles_albimanus#/media/File:Anopheles_albimanus_mosquito.jpg>. Acesso em:


27/4/2019.

O conceito miasmático, apesar de equivocado em sua essência, foi responsável


por algumas importantes medidas de saúde pública, que atualmente ainda são
aplicadas, tais como o enterro dos mortos, o aterro dos excrementos humanos e a
recolha do lixo. Com isso, houve um impulso na limpeza e na higiene, acabando
por salvar inúmeras vidas.
26
AGENTES MICROBIOLÓGICOS │ UNIDADE II

Teoria miasmática

<http://www.ghtc.usp.br/server/pdf/ram-Miasmas-Sci-Am.PDF>.

Na teoria dos humores, de uma maneira simplificada, inferia-se que algumas


doenças eram causadas por um desequilíbrio dos humores (fluídos) do corpo
humano. Nesta crença, inferia-se que havia no corpo quatro tipos de humores:
sangue, fleuma (catarro), bílis amarela e bílis negra. Se houvesse um desbalanço
entre estes humores, surgiriam certas doenças.

Naquele tempo, em função da orientação baseada nessas teorias e de que


as doenças seriam fruto do pecado, castigo, praga divina, feitiçaria etc.,
os tratamentos eram realizados através de rezas, penitências, sangrias,
sanguessugas, jejuns etc.

Os médicos daquela época, desconhecendo os micróbios e embasados na teoria


miasmática, vestiam-se de uma maneira especial para atender aos pacientes
quando havia uma epidemia:

Nos séculos 17 e 18 os médicos usavam máscaras parecidas com bicos de aves,


cheias de ervas aromáticas (erva cidreira, hortelã, canfora etc.), para protegê-los
dos miasmas.

Figura 12. Médicos e a teoria miasmática.

Fontes: <https://en.wikipedia.org/wiki/Plague_doctor>; <https ://www.stlfinder.com/model/plague-doctor-mask-3d-model-


jTtYGxrV/8176965>. Acesso em: 27/4/2019.

27
UNIDADE II │ AGENTES MICROBIOLÓGICOS

A teoria microbiana das doenças


A partir da descoberta da existência dos microrganismos por Leeuwenhoek, houve
um progressivo conhecimento desses seres. Este estudo, ou ciência, é conhecido
como microbiologia.

Com o advento dessa ciência, surgiram pesquisas sobre a ligação desses agentes com
algumas doenças.

Os grandes cientistas da microbiologia

Figura 13. Louis PASTEUR (1822-1895).

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Pasteur#/media/File:Louis_Pasteur,_foto_av_Paul_Nadar,_Crisco_edit.jpg>. Acesso


em: 27/4/2019.

Figura 14. Robert KOCH (1843-1910).

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Koch#/media/File:Robert_Koch_BeW.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Os cientistas Louis Pasteur (francês) e Robert Koch (alemão) foram os grandes


expoentes na determinação da causa microbiana das doenças.

28
AGENTES MICROBIOLÓGICOS │ UNIDADE II

Pasteur, pesquisando a causa da deterioração de certos alimentos, descobriu que


esta ocorria pela ação de micróbios.

Baseado neste fato, criou o método da pasteurização, muito utilizado ainda hoje, na
preservação do leite e de outros alimentos. Trata-se de um processo de aquecimento
do leite (70ºC), seguido de um resfriamento (4ºC). Esse choque térmico mata a
maioria das bactérias que fermentam o leite (e outros alimentos).

Figura 15. Pasteurização.

Fontes: Do autor e <https://openclipart.org/detail/262501/detailed-cow-line-art>. Acesso em: 27/4/2019.

Pasteur foi o grande defensor da teoria microbiana na gênese de doenças. Fez várias
experiências em torno disso, tendo grande impacto no tratamento e na prevenção
das doenças. Foi dele a invenção da vacina contra o vírus da raiva. Essa doença,
transmitida por mordida de cães e outros animais, levou à morte muitas pessoas
antes do surgimento da vacina.

Robert Koch: Este médico alemão, contemporâneo de Pasteur, foi um personagem


icônico na história de microbiologia. Demostrou claramente a gênese microbiana
de certas doenças, sendo o seu trabalho essencial no conhecimento das doenças
epidêmicas, infecciosas e transmissíveis.

Koch foi o primeiro a demostrar, efetivamente, uma doença causada por um agente
microbiológico: o carbúnculo. Essa doença é causada por uma bactéria, o Bacillus
anthracis, sendo considerada uma doença do trabalho, como veremos no tópico
relacionado às bactérias.

29
UNIDADE II │ AGENTES MICROBIOLÓGICOS

Koch foi o responsável também por demostrar que a tuberculose era causada por
uma bactéria, que em função disso foi denominada “bacilo de Koch” (Mycobacterium
tuberculosis).

Muitos foram os estudos relevantes de Koch para a Medicina.

PASTEUR: <https://www.sciencehistory.org/historical-profile/louis-pasteur>.

KOCH: <https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1905/koch/biographical/>.

30
CAPÍTULO 2
Após a microbiologia

Com o desenvolvimento da ciência médica microbiológica, observou-se que


inúmeras doenças eram causadas por esses agentes e iniciou-se uma corrida por
meios de combater esses microrganismos.

O primeiro antibiótico
Alexander Fleming foi um médico e microbiologista britânico.

Durante seus estudos sobre bactérias, houve uma contaminação acidental por
uma espécie de fungo, o Penicillium notatum, em uma de suas placas de Petri
(Placas de vidro para cultivo de bactérias).

Figura 16. O primeiro antibiótico: penicilina.

Penicillium notatum
Alexander
FLEMING
1881 -1955

Colônias de bactérias

Fontes: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_Fleming#/media/File:Alexander_Fleming_3.jpg>; <http://www.pbs.org/wgbh/


aso/databank/entries/dm28pe.html>. Acesso em: 27/4/2019.

Tratava-se de uma placa de cultivo de um tipo de bactéria chamada estafilococos.


Fleming verificou que, em torno dos fungos, as bactérias não se desenvolviam
(multiplicavam) e, além disto, havia inúmeras bactérias lisadas (mortas) próximas
ao fungo.

Fleming desenvolveu, então, o estudo sobre porque aqueles fungos matavam as


bactérias, descobrindo assim a penicilina, uma substância produzida pelo fungo e
que se tornou o primeiro antibiótico existente.

31
UNIDADE II │ AGENTES MICROBIOLÓGICOS

O universo microbiológico
Como citado, os micróbios estão em toda parte. Estão no ar que respiramos, no
moveis, nas bebidas e comidas de que nos alimentamos, em nossa pele, em nosso
cabelo e inclusive, em nossas vísceras. Nossas salivas e fezes são ricas em micróbios.

A imensa maioria desses seres é inofensiva. Poucos são patogênicos, ou seja, capazes
de trazer danos à saúde dos seres humanos.

Conceito: Patogênico (do grego).

Pathos: sofrimento ou doença.

Genia: Gerar ou produzir.

Figura 17. Micróbios e patogenicidade.

A maioria dos micróbios do mundo á inofensiva aos humanos

Poucos micróbios são sempre patogênicos

Alguns podem ser patogênicos

A maioria NÃO é patogênica

Algas microscópicas produzem 30% a


50% de todo oxigênio que respiramos

Fonte: Do autor .

Os micróbios “do bem”


Além da maioria dos seres microbiológicos serem inofensivos à saúde, vários
deles são benéficos para a humanidade, pois produzem alimentos, remédios,
degradam dejetos, entre outros benefícios, como podemos ver nos exemplos
a seguir.

32
AGENTES MICROBIOLÓGICOS │ UNIDADE II

Figura 18. Micróbios que ajudam a medicina: fungos.

Fontes: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Penicilliummandarijntjes.jpg>; <https://dicassobresaude.com/wp-content/


uploads/2017/09/Penicilina-G-Benzatinica.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Penicilina

Fungos – microscópicos

Os fungos do gênero Penicillium, podem deteriorar alimentos (bolor), mas foi


desses fungos que se extraiu o primeiro e um dos mais importantes antibióticos para
combater as infecções bacterianas nos seres humanos: a penicilina.

Como citado anteriormente, a penicilina, extraída de um fungo microscópico,


revolucionou o tratamento das infecções por algumas bactérias.

Figura 19. Micróbios que ajudam a medicina: bactérias.

Fontes: <https://ichef.bbci.co.uk/news/660/media/images/53234000/gif/_53234379_escherichia-coli.gif>; <https://www.


humulin.com/assets/img/6508_elhu_7030_3_vl_st_abv_300.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

O diabetes é uma patologia que se caracteriza pela elevação da glicose no sangue


devido a uma deficiência relativa ou absoluta de insulina, uma substância que
é produzida no pâncreas.

33
UNIDADE II │ AGENTES MICROBIOLÓGICOS

Até há pouco tempo, as pessoas portadoras de diabetes usavam insulina retirada


do pâncreas de bois e porcos que eram abatidos nos frigoríficos. Acontece que
a insulina bovina ou suína é diferente da humana e muitos diabéticos tinham
alergia, além de outros efeitos adversos com o uso dessas insulinas.

Por meio de um processo de engenharia genética, atualmente, bactérias


produzem insulina idêntica à humana em laboratório que é usada por diabéticos
de todo o mundo.

Micróbios que nos alimentam

As leveduras são fungos microscópicos usados na produção de vários alimentos.


São usadas na produção de pães, bebidas alcoólicas, tais como cerveja e vinho,
sendo responsáveis pela fermentação e pela produção do álcool presentes nessas
bebidas. Algumas bactérias são importantes em certos alimentos, como os
lactobacilos do iogurte.

Micróbios que ajudam o meio ambiente

As algas microscópicas, tanto de água doce quanto de água salgada, são responsáveis
pela produção de grande parte do oxigênio que respiramos.

Há fungos e bactérias saprófitas ou decompositores, que degradam a matéria


orgânica dos seres mortos. Quando ocorre a morte de uma planta ou de um animal,
esses micróbios são responsáveis pela decomposição desse material orgânico.

Então, a maioria dos micróbios não faz mal à saúde humana e, em muitos
casos, ajudam a humanidade em sua saúde e bem-estar.

34
CONCEITOS ESSENCIAIS
SOBRE AGENTES UNIDADE III
BIOLÓGICOS

CAPÍTULO 1
Inflamação e infecção

Há uma frequente confusão entre os termos inflamação e infecção. A diferenciação


conceitual é importante no entendimento dos riscos biológicos.

Inflamação
A inflamação é um fenômeno natural do organismo frente a algum tipo de agressão,
não necessariamente por um agente biológico. Vejamos um exemplo: Um goleiro,
ao defender uma bola chutada, sofre um trauma no dedo, ocorrendo uma luxação. O
termo luxação significa que uma articulação (junta), saiu do lugar (os ossos deslocaram
e perderam a junção), como na figura abaixo

Figura 20. Luxação.

Fonte: <https://www.cancercarewny.com/content.aspx?chunkiid=11860>. Acesso em: 27/4/2019.

Nesse acidente, ocorrem lesões diversas das estruturas articulares, entre elas na
cápsula articular, ligamentos, cartilagem, vasos sanguíneos etc. há uma agressão
a essas estruturas. O tratamento, geralmente, é reposicionar o osso no local e
imobilizar com gesso ou férula e esperar a cicatrização dos tecidos lesados.

35
UNIDADE III │ CONCEITOS ESSENCIAIS SOBRE AGENTES BIOLÓGICOS

Observe que, nessa situação, haverá uma inflamação no local, caracterizada


por inchaço, dor, calor, vermelhidão (eritema) e às vezes um extravasamento
de sangue (hematoma).

Veja que não há qualquer agente biológico (bactéria, vírus ou outros) causando a
inflamação. A inflamação ocorreu como uma reação normal do organismo, frente a
essas lesões com o objetivo de cicatrizá-las (curar).

Uma inflamação é então uma reação normal do organismo que se caracteriza em


especial por:

»» inchaço: há um extravasamento de plasma do sangue que é rico em


células e nutrientes que irão “limpar” e “dissolver” as estruturas
lesadas, bem como desencadear o processo de cicatrização, formando
novos tecidos no local;

»» dor: sabiamente, o organismo provoa dor no local, para que seja


emitido um sinal de alerta de que as estruturas foram lesadas e há
necessidade de repousar o local para que possa haver o processo de
cicatrização;

»» calor e eritema: o aumento da temperatura e a vermelhidão locais


ocorrem pelo aumento da circulação de sangue no local, levando os
nutrientes e as células responsáveis pelo processo de cicatrização.

As causas de inflamação podem ser diversas:

»» traumatismos;

»» agentes irritantes;

»» alergias;

»» queimaduras;

»» doenças imunológicas;

»» agentes biológicos;

»» outras.

Os agentes biológicos são apenas uma das causas de inflamação. Nesse caso
temos uma inflamação causada por uma infecção.

36
CONCEITOS ESSENCIAIS SOBRE AGENTES BIOLÓGICOS │ UNIDADE III

O sufixo “ite” está relacionado a uma inflamação, não importando a causa:

»» hepatite: inflamação do fígado (pode ser por vírus, álcool, químicos etc.);

»» amigdalite: inflamação da amígdala (por bactéria, vírus, alergia,


química etc.);

»» rinite: inflamação do nariz (por bactéria, vírus, alergia, química etc.).

Infecção
Ação exercida no interior do organismo por agentes vivos patogênicos (bactérias,
vírus, fungos e protozoários), segundo o dicionário Michaelis.

Observe que uma infecção pressupõe a presença de um agente biológico


invadindo e agredindo o organismo.

Uma infecção (agentes biológicos) sempre causa uma inflamação.

Uma inflamação não necessariamente tem infecção, pois, como observado,


pode ser causada por outros agentes (traumáticos, físicos, químicos etc.).

37
CAPÍTULO 2
Antibiótico X anti-inflamatório

Ciente agora da diferença entre inflamação e infecção, fica mais fácil entender a
diferença das medicações antibiótico e anti-inflamatório.

significa significa
Anti Contra Bio Vida

Assim:

Anti-biótico: usado contra micróbios (o nome mais correto é Antimicrobiano).

Anti-inflamatório: usado contra inflamações.

Figura 21. Antinflamatório x Antibioltico.

Anti-inflamatório Anti-biótico (antimicrobiano)

Basicamente: Alivia dor Basicamente: Mata micróbios

Reduz
substâncias,
dor e inchaço

Fontes: <https://en.wikipedia.org/wiki/Sprain#/media/File:Sprain_SAG.jpg>; <https://openclipart.org/detail/162823/funny-green-


bactera>. Acesso em: 27/4/2019.

Os antibióticos são medicamentos usados contra infecções por micróbios, mais


especificamente, infecções por bactérias.

Já os medicamentos anti-inflamatórios agem diminuindo a inflamação


local, não importando a causa (por agentes biológicos, físicos, químicos,
traumáticos etc.). Atuam principalmente aliviando a dor local.

38
CONCEITOS ESSENCIAIS SOBRE AGENTES BIOLÓGICOS │ UNIDADE III

Uma inflamação é um fenômeno natural e faz parte do processo de cura e


nem sempre deve ser combatida com anti-inflamatórios. Às vezes o repouso
do local é o melhor a ser feito.

Temos que lembrar, conforme citado acima, que a inflamação é um processo


natural no organismo frente a uma agressão e faz parte do processo de cura.
Além disto, os anti-inflamatórios são medicamentos com possíveis graves efeitos
adversos, podendo até levar à morte.

Portanto, não se deve usar anti-inflamatório de maneira indiscriminada. Sempre


evitar a automedicação.

Muitas infecções que adquirimos, por exemplo, respiratórias (faringite, rinite,


sinusite etc.), intestinais (diarreias agudas – gastroenterites), generalizadas
(dengue, rubéola), entre outras, são causadas por vírus. São as chamadas viroses.
Neste caso o antibiótico não tem qualquer efeito sobre a infecção.

Antibióticos não matam vírus e, para a maioria das doenças virais não há
remédios (antivirais).

Alguns exemplos de viroses

»» herpes/catapora (antiviral Aciclovir);

»» AIDS;

»» gripe (antiviral Tamiflu);

»» dengue;

»» hepatite;

»» sarampo;

»» rubéola;

»» caxumba;

»» ébola;

»» etc.

As viroses são muito comuns, tanto em crianças como adultos.

39
UNIDADE III │ CONCEITOS ESSENCIAIS SOBRE AGENTES BIOLÓGICOS

<https://drauziovarella.uol.com.br/infectologia/saiba-como-reconhecer-e-
lidar-com-as-viroses-infantis-mais-comuns/>.

<http://www.scielo.br/pdf/jped/v79s1/v79s1a09.pdf>.

Após o surgimento da AIDS, nos anos 80, houve grande evolução na pesquisa por
medicamentos de combate aos vírus (antivirais). Atualmente, existem medicamentos
para algumas doenças virais (gripe, hepatite, herpes etc.). Para algumas outras,
temos vacinas.

Figura 22. Patologias virais e vacinas.

Importante

Para muitas patologias virais existem vacinas para


preveni-las.

Vacina Sem Vacina

• Gripe • Aids
• Hepatites A e B • Dengue
• Sarampo • Zika
• Paralisia infantil • Chikungunya
• Rubéola • Hepatite C
• Caxumba • Ebola
• Hantavirose
• etc.
Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Middle_East_respiratory_syndrome#/media/File:Mers-virus-3D-image.jpg>. Acesso em:
27/4/2019.

40
CAPÍTULO 3
Vacinas, soros e imunoglobulinas

Ao atuar preventivamente em relação aos riscos biológicos, é essencial entender os


conceitos de vacinas, soros e imunoglobulinas.

Vacina

História

O termo vacina veio do Latim “vaccinae”, que significa “da vaca”.

Esta origem do nome veio por que a primeira vacina descoberta foi a da varíola por
um médico britânico, chamado Edward Jenner.

Jenner observou que as vacas apresentam uma doença semelhante à varíola. Era
um quadro mais leve e que também acometia as pessoas que ordenhavam essas
vacas.

As pessoas que apresentavam a varíola “da vaca” tinham lesões e um quadro mais
brando e a incidência da varíola humana nessa população era muito baixa.

Figura 23. Dr. Jenner: criação da vacina.

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/James_Phipps#/media/File:Jenner_phipps_01.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Então, Jenner supôs que de algum modo quem adquiria a varíola “da vaca”, ficava
resistente, protegido, da varíola humana.

41
UNIDADE III │ CONCEITOS ESSENCIAIS SOBRE AGENTES BIOLÓGICOS

O Dr. Jenner, em 1796, testou sua hipótese em um garoto de 8 anos, chamado James
Phipps. Ele injetou secreção da ferida de uma portadora de varíola “da vaca” em
Phipps. Após isto, o garoto desenvolveu a doença. Apresentou um quadro semelhante
ao das pessoas que ordenhavam as vacas, com poucas lesões e um quadro de febre
leve e logo ficou curado.

Após a cura da varíola bovina, Jenner inoculou a varíola humana em Phipps e o


garoto não adoeceu.

Dr. Jenner comprovou então que se poderia proteger (tornar imune) as pessoas
da varíola humana, que era uma doença grave e matava milhares de pessoas,
inoculando previamente a vacina “da vaca”.

Imunidade
Nosso organismo apresenta um sistema de defesa complexo, o sistema imune ou
imunológico. O termo imune significa protegido.

O sistema de defesa envolve vários órgãos, células e substâncias que nos protegem
diariamente da ação de agentes biológicos, químicos e outros.

Em especial, com relação aos agentes biológicos, precisamos enfatizar as células


brancas do sangue e os anticorpos. De uma maneira simples, as células brancas
do corpo são como “soldados” que atacam e destroem os agentes estranhos que
invadem o nosso corpo. Já os anticorpos são substâncias produzidas por um tipo
de célula branca e que se “ligam” ao agente invasor, destruindo-o ou facilitando a
destruição deles pelas células brancas.

Tipos de imunidade

Quando se adquire imunidade contra uma determinada doença infeciosa, significa


que o indivíduo está protegido contra aquele agente biológico. Pode ser uma
proteção completa, sem qualquer risco de adquirir a doença, ou parcial, tendo
ainda risco de adquirir a doença, porém em uma forma mais leve e sem maiores
riscos à vida.

Didaticamente divide-se a imunidade em:

»» Ativa: ocorre quando o indivíduo é acometido pela doença ou é


vacinado O corpo reage à presença de um agente biológico e produz
células e anticorpos de defesa.

42
CONCEITOS ESSENCIAIS SOBRE AGENTES BIOLÓGICOS │ UNIDADE III

»» Passiva: o corpo recebe o anticorpo pronto, produzido por um animal


(soro) ou outros seres humanos (imunoglobulinas).

Figura 24. Imunização ativa x imunização passiva.

Contato
Informações Célula defesa Célula defesa
Vacina Célula defesa
para B
T B
Célula defesa
Produz “memória” para
Micróbio B Anticorpos o micróbio

• Morto
• Parte
• Inativado
• Modificado

Célula defesa Célula defesa Anticorpos Célula defesa


Ataque do B Neutralizam o B
B
micróbio Produz Micróbio “memória” para
“memória” para
Anticorpos rapidamente o micróbio
o micróbio

Fontes: <https://openclipart.org/detail/201983/horse800px>; <https://en.wikipedia.org/wiki/Travel_medicine#/media/


File:Vaccination_contre_la_grippe_A_(H1N1)_de_2009.jpg>; <https://openclipart.org/detail/129163/siluetas-personajes-
masculinos; <https://openclipart.org/detail/154741/feverish-woman>. Acesso em: 27/4/2019.

Ação da vacina

No caso da vacina, injeta-se preventivamente o agente biológico da doença de que


se quer proteger. O agente sofre modificações em laboratório para não gerar a
doença e apena induzir a resposta do sistema imune, gerando células de defesa e
anticorpos contra aquele agente. Essas modificações são por inativação (morte ou
enfraquecimento) do agente, inoculação apenas de parte do agente, ou modificação
parcial do agente.

Quando essa vacina é injetada, desencadeia uma reação imunológica, gerando


células e anticorpos contra o agente. Desenvolve-se uma “memória” imunológica e,
se o agente da doença penetra no organismo vacinado, é prontamente destruído.

43
UNIDADE III │ CONCEITOS ESSENCIAIS SOBRE AGENTES BIOLÓGICOS

Figura 25. Como a vacina age.

Contato
Informações Célula defesa Célula defesa
Vacina Célula defesa
para B
T B
Célula defesa
Produz “memória” para
Micróbio B Anticorpos o micróbio
• Morto
• Parte
• Inativado
• Modificado

Célula defesa Célula defesa Anticorpos Célula defesa


Ataque do B Neutralizam o B
B
micróbio Produz Micróbio “memória” para
“memória” para
Anticorpos rapidamente o micróbio
o micróbio

Fontes: Do autor,; <https://openclipart.org/detail/205971/virus>; <https://openclipart.org/detail/13288/lymphocyte>; <https://


openclipart.org/detail/129163/siluetas-personajes-masculinos>. Acesso em: 27/4/2019.

Ação dos soros e imunoglobulinas


No caso de soro ou imunoglobulinas, a imunização é passiva, pois o paciente
recebe o anticorpo “pronto”. Esse anticorpo vem do sangue de um animal (soro)
ou de seres humanos (imunoglobulinas).

Vamos imaginar casos hipotéticos:

»» soro antirrábico: contém anticorpos retirados de algum animal em


laboratório que foi exposto ao vírus da raiva modificado e produziu
anticorpos contra este vírus. Quando um paciente é mordido por um cão
ou morcego com grande risco de adquirir raiva, é aplicado o soro para
evitar a contaminação;

»» imunoglobulina anti-hepatite B: retirados os anticorpos do sangue


de pacientes que já tiveram hepatite B e estão curados (imunizados)
ou foram vacinados. Quando um trabalhador tem um acidente com
sangue de um paciente que está contaminado pela hepatite B e há
grande risco de a pessoa acidentada adquirir a doença, pode-se aplicar
a imunoglobulina específica (anticorpo) para hepatite B.

44
CONCEITOS ESSENCIAIS SOBRE AGENTES BIOLÓGICOS │ UNIDADE III

Veja que nesses dois casos, a imunização é passiva, pois o paciente já recebe o
anticorpo pronto, vindo de um animal ou de outros seres humanos.

Figura 26. Soros e imunoglobulinas.

Soro - Imunoglobulinas
Imunização PASSIVA

Soro
Y
ANTICORPOS
(Origem animal)
Micróbio Y

• Morto
• Parte
• Inativado
• Modificado
Ou
• Infecção prévia Y Imunoglobulina
Y
Ou ANTICORPOS
• Toxina - veneno (Origem humana)

Fontes: <https://openclipart.org/detail/201983/horse800px>; <https://openclipart.org/detail/129163/siluetas-personajes-


masculinos>. Acesso em: 27/4/2019.

Esse tipo de imunização é usado em casos urgentes, pois no caso da vacina, há um


prazo para que ela possa fazer efeito, ou seja, gerar anticorpos.

45
CAPÍTULO 4
Infectividade, patogenicidade,
virulência e imunogenicidade

Como observado, uma minoria dos agentes biológicos é patogênica ao ser humano.
Convivemos diariamente com esses agentes sem que nos sejam nocivos.

Alguns conceitos são importantes para entender quais características dos agentes
biológicos os tornam um risco à saúde humana.

»» Infectividade: capacidade de penetrar desenvolver/multiplicar no novo


hospedeiro, ocasionando infecção.

»» Vírus gripe: alta infectividade, facilmente se transmite às pessoas


suscetíveis.

»» Fungos: em geral baixa infectividade; presentes no ambiente,


dificilmente se instalam e se multiplicam no organismo do homem.

Patogenicidade: capacidade de, após penetrar, causar a doença (sintomas)

»» Vírus do sarampo: alta patogenicidade, quase todos que são


contaminados pelo o vírus, desenvolvem a doença.

»» Vírus da Poliomielite (paralisia infantil): Baixa patogenicidade. Entre


as pessoas que são contaminads pelo vírus, somente cerca de um por
cento desenvolve a doença.

Virulência: capacidade de gerar casos graves/fatais (indica grande quantidade de


casos fatais)

»» Vírus da raiva: alta virulência (Mata quase todos os infectados)

»» Vírus do sarampo: alta infectividade, alta patogenicidade, e baixa


virulência (é raro ocorrer morte por sarampo, só ocorre quando
complicado por desnutrição etc.)

Imunogenicidade: capacidade de induzir resposta imune

»» Vírus do sarampo, rubéola, caxumba etc.: alta imunogenicidade. Uma


vez contaminado, não se desenvolve a doença outra vez.

46
CONCEITOS ESSENCIAIS SOBRE AGENTES BIOLÓGICOS │ UNIDADE III

»» Vírus da Gripe: baixa imunogenicidade. Imunidade temporária, e pode-


se adquirir novamente.

O grau de risco do agente é baseado nas características de cada agente


biológico.A NR-32 traz anexos que mostram esta classificação de risco do
agente biológico em quatro classes, bem como a classificação dos principais
agentes.

Quadro 10. Classificação dos riscos biológicos.

ANEXO 1
Os agentes biológicos são classificados em:
Classe de risco 1 baixo risco individual para o trabalhador e para a coletividade, com baixa probabilidade de causar doença ao ser humano.
risco individual moderado para o trabalhador e baixa probabilidade de disseminação para a coletividade. Podem causar
Classe de risco 2
doenças ao ser humano, para as quais existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento.
risco individual elevado para o trabalhador com probabilidade de disseminação para a coletividade. Podem causar doenças
Classe de risco 3
e infecções graves ao ser humano, para as quais nem sempre existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento.
risco individual elevado para o trabalhador e probabilidade elevada de disseminação para a coletividade. Apresenta grande
Classe de risco 4 poder de transmissibilidade de um indivíduo a outro. Podem causar doenças graves ao ser humano, para as quais não
existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento.
Fonte: BRASIL, NORMA REGULAMENTADORA N o 32, de 11 de novembro 2005. Segurança e saúde no trabalho em serviços de
saúde.

47
LISTA OFICIAL BRASILEIRA
DE AGENTES BIOLÓGICOS UNIDADE IV
RELACIONADOS AO
TRABALHO

CAPÍTULO 1
Base legal

A lei 8.213/1991, que dispõe sobre a Previdência Social, é também a lei que
regulamenta sobre os acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Esta lei define
doenças relacionadas à atividade laboral e acidentes do trabalho como acidentes
de trabalho. Portanto tanto acidentes como doenças são denominados acidentes de
trabalho, como se pode ver nos artigos abaixo:

LEI 8213/1991

Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a


serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos
no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou
perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução,
permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.

...

Art. 20. Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo


anterior, as seguintes entidades mórbidas:

I - doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada


pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante
da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da
Previdência Social;

II - doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada


em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se
relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I

48
LISTA OFICIAL BRASILEIRA DE AGENTES BIOLÓGICOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE IV

§ 2o Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída


na relação prevista nos inciso I e II deste artigo resultou das
condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se
relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá-la
acidente do trabalho. (Grifo nosso)

Portanto, nesses artigos da Lei 8.213/1991 são considerados acidentes de trabalho


tanto os acidentes propriamente ditos, quanto as doenças relacionadas ao trabalho
(profissional e do trabalho).

Observa-se ainda que a lei define que uma relação (uma lista) de doenças
relacionadas ao trabalho seria elaborada pelo Ministério do Trabalho e da
Previdência Social.

Outro aspecto importante desta Lei está no § 2o, acima descrito. Observa-se que
a legislação não propõe uma lista conclusiva de doenças. Ela define que, mesmo a
doença não estando na lista, poderá ser considerada acidente de trabalho, caso se
constate que a doença “resultou das condições em que o trabalho é executado ou com
ele se relaciona diretamente”.

Um exemplo, para facilitar o entendimento:

»» Veremos que a Doença de Chagas, causada por um protozoário, não


consta da lista oficial. Porém, imaginemos uma pessoa que trabalhe em
um laboratório de pesquisa sobre Doença de Chagas se contamine com
o protozoário. Nesse caso, apesar desta doença não constar da lista, ela
“resultou das condições em que o trabalho é executado ou com ele se
relaciona diretamente”, como a lei afirma. Portanto, trata-se de uma
doença do trabalho.

Existe uma lista oficial de doenças relacionadas ao trabalho que é utilizada


por órgãos federais (INSS, Ministério da Saúde (SUS), Ministério do Trabalho,
entre outros). Porém, esta lista não é conclusiva, podendo outras doenças
serem consideradas acidente de trabalho.

A Lei 8.080 de 1990, que dispõe sobre a organização e funcionamento do Sistema


Único de Saúde (SUS), também tem definida, em seu Artigo 6 o, a elaboração desta
lista de doenças relacionadas ao trabalho.

49
UNIDADE IV │ LISTA OFICIAL BRASILEIRA DE AGENTES BIOLÓGICOS RELACIONADOS AO TRABALHO

LEI 8080/1990

Art. 6o Estão incluídas ainda no campo de atuação do Sistema Único


de Saúde (SUS):

...

§ 3o Entende-se por saúde do trabalhador, para fins....

VII - revisão periódica da LISTAGEM OFICIAL de doenças originadas no


processo de trabalho, tendo na sua elaboração a colaboração das entidades
sindicais (Grifo nosso)

Esta mesma lista compõe o Anexo II do Decreto 3.048/99 e dá base legal à


perícia médica do INSS para analisar se a doença do trabalhador está ou não
relacionada ao trabalho, o chamado Nexo Técnico Previdenciário.

Com nexo: Doença ou acidente do Trabalho

Sem nexo: Doença ou acidente comum (não relacionado ao trabalho)

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3048compilado.htm>.

50
CAPÍTULO 2
A lista (relação) de doenças
relacionadas ao trabalho

Conforme vimos, as leis definiam a edição de uma relação/lista de doenças


relacionadas ao trabalho. Esta lista veio através da Portaria no 1.339, de 18 de
novembro de 1999, que assim define em seu preâmbulo:

O Ministro de Estado da Saúde, no uso de suas atribuições, e


considerando

Considerando o artigo 6o, parágrafo 3o inciso VII da Lei no


8.080/1990, que delega ao Sistema Único de Saúde - SUS a revisão
periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo de
trabalho;

Considerando a Resolução do Conselho Nacional de Saúde, no 220,


de 05 de maio de 1997, que recomenda ao Ministério da Saúde a
publicação da Lista de Doenças relacionadas ao Trabalho;

Considerando a importância da definição do perfil nosológico da


população trabalhadora para o estabelecimento de políticas públicas
no campo da saúde do trabalhador, resolve:

Art. 1o Instituir a Lista de Doenças relacionadas ao Trabalho,


a ser adotada como referência dos agravos originados no
processo de trabalho no Sistema Único de Saúde, para uso clínico
e epidemiológico, constante no Anexo I desta Portaria. (Grifo nosso)

Portaria no 1339:

<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1999/prt1339_18_11_1999.
html>.

Os agentes biológicos citados na lista


Nesta lista, estão assim definidas as doenças relacionadas ao trabalho atinentes aos
agentes biológicos:

51
UNIDADE IV │ LISTA OFICIAL BRASILEIRA DE AGENTES BIOLÓGICOS RELACIONADOS AO TRABALHO

Quadro 11. Agentes biológicos da lista.

Bactérias Vírus Fungos Protozoários


»» Tuberculose »» Dengue »» Dermatofitoses e outras »» Malária
micoses superficiais
»» Carbúnculo »» Febre amarela »» Leishmanioses
»» Candidíase
»» Brucelose »» Hepatites virais
»» Paracoccidioidomicose
»» Leptospirose »» AIDS
»» Tétano
»» Psitacose
Fonte: Do autor.

Abaixo, detalhamos a parte da lista que se relaciona aos riscos biológicos:

Quadro 12. Agentes biológicos da lista – detalhada.

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS RELACIONADAS COM O TRABALHO (Grupo I da CID-10)


DOENÇAS AGENTES ETIOLÓGICOS OU FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL
»» Exposição ocupacional ao Mycobacterium tuberculosis (Bacilo de Koch) ou Mycobacterium
bovis, em atividades em laboratórios de biologia, e atividades realizadas por pessoal de saúde,
Tuberculose que propiciam contato direto com produtos contaminados ou com doentes cujos exames
(A15-A19.-) bacteriológicos são positivos (Z57.8) (Quadro 25)
»» Hipersuscetibilidade do trabalhador exposto a poeiras de sílica (Sílico-tuberculose) (J65)
Zoonose causada pela exposição ocupacional ao Bacillus anthracis, em atividades suscetíveis de
Carbúnculo (A22-) colocar os trabalhadores em contato direto com animais infectados ou com cadáveres desses
animais; trabalhos artesanais ou industriais com pelos, pele, couro ou lã. (Z57.8) (Quadro 25)
Zoonose causada pela exposição ocupacional a Brucella melitensis, B. abortus, B.suis, B. canis etc.,
Brucelose (A23.-) em atividades em abatedouros, frigoríficos, manipulação de produtos de carne; ordenha e fabricação
Bactérias de laticínios e atividades assemelhadas. (Z57.8) (Quadro 25)
Exposição ocupacional a Leptospira icterohaemorrhagiae (e outras espécies), pelo contato direto
com águas sujas, ou em locais suscetíveis de serem sujos por dejetos de animais portadores da
leptospira; trabalhos efetuados dentro de minas, túneis, galerias, esgotos em locais subterrâneos;
Leptospirose (A27.-)
trabalhos em cursos d’água; trabalhos de drenagem; contato com roedores; trabalhos com animais
domésticos, e com gado; preparação de alimentos de origem animal, de peixes, de laticínios etc.
(Z57.8) (Quadro 25)
Exposição ao Clostridium tetani, em circunstâncias de acidentes do trabalho na agricultura, na
Tétano (A35.-)
construção civil, na indústria, ou em acidentes de trajeto (Z57.8) (Quadro 25)
Psitacose, Ornitose, Zoonoses causadas pela exposição ocupacional a Chlamydia psittaci ou Chlamydia pneumoniae,
Doença dos Tratadores em trabalhos em criadouros de aves ou pássaros, atividades de veterinária, em zoológicos, e em
de Aves (A70.-) laboratórios biológicos etc.(Z57.8) (Quadro 25)
Exposição ocupacional ao mosquito (Aedes aegypti), transmissor do arbovírus da dengue,
Dengue [Dengue
principalmente em atividades em zonas endêmicas, em trabalhos de saúde pública, em trabalhos de
Clássico] (A90.-)
laboratórios de pesquisa, entre outros. (Z57.8) (Quadro 25)
Exposição ocupacional ao mosquito (Aedes aegypti), transmissor do arbovírus da Febre Amarela,
Febre Amarela (A95.-) principalmente em atividades em zonas endêmicas, em trabalhos de saúde pública, em trabalhos de
laboratórios de pesquisa, entre outros. (Z57.8) (Quadro 25)
Exposição ocupacional ao Vírus da Hepatite A (HAV); Vírus da Hepatite B (HBV); Vírus da Hepatite C
Vírus (HCV); Vírus da Hepatite D (HDV); Vírus da Hepatite E (HEV), em trabalhos envolvendo manipulação,
Hepatites Virais
acondicionamento ou emprego de sangue humano ou de seus derivados; trabalho com “águas
(B15-B19.-)
usadas” e esgotos; trabalhos em contato com materiais provenientes de doentes ou objetos
contaminados por eles. (Z57.8) (Quadro 25)
Doença pelo Vírus Exposição ocupacional ao Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), principalmente em trabalhadores
da Imunodeficiência da saúde, em decorrência de acidentes pérfuro-cortantes com agulhas ou material cirúrgico
Humana (HIV) contaminado, e na manipulação, acondicionamento ou emprego de sangue ou de seus derivados, e
(B20-B24.-) contato com materiais provenientes de pacientes infectados. (Z57.8) (Quadro 25)

52
LISTA OFICIAL BRASILEIRA DE AGENTES BIOLÓGICOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE IV

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS RELACIONADAS COM O TRABALHO (Grupo I da CID-10)


DOENÇAS AGENTES ETIOLÓGICOS OU FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL
Dermatofitose (B35.-) Exposição ocupacional a fungos do gênero Epidermophyton, Microsporum eTrichophyton, em
e Outras Micoses trabalhos em condições de temperatura elevada e umidade (cozinhas, ginásios, piscinas) e outras
Superficiais (B36) situações específicas de exposição ocupacional. (Z57.8) (Quadro 25)
Exposição ocupacional a Candida albicans, Candida glabrata etc., em trabalhos que requerem longas
Candidíase (B37.-) imersões das mãos em água e irritação mecânica das mãos, tais como trabalhadores de limpeza,
lavadeiras, cozinheiras, entre outros. (Z57.8) (Quadro 25)
Fungos
Paracoccidioidomicose
(Blastomicose
Sul Americana, Exposição ocupacional ao Paracoccidioides brasiliensis, principalmente em trabalhos agrícolas ou
Blastomicose Brasileira, florestais e em zonas endêmicas (Z57.8) (Quadro 25)
Doença de Lutz)
(B41.-)
Exposição ocupacional ao Plasmodium malariae; Plasmodium vivax; Plasmodium falciparum ou
outros protozoários, principalmente em atividades de mineração, construção de barragens ou
Malária (B50 – B54.-)
rodovias, em extração de petróleo e outras atividades que obrigam a entrada dos trabalhadores em
zonas endêmicas (Z57.8) (Quadro 25
Protozo-ários
Leishmaniose
Exposição ocupacional à Leishmania braziliensis, principalmente em trabalhos agrícolas ou florestais
Cutânea (B55.1) ou
e em zonas endêmicas, e outras situações específicas de exposição ocupacional. (Z57.8) (Quadro
Leishmaniose Cutâneo-
25)
Mucosa (B55.2)

Fonte: Ministério da Saúde. Portaria N o 1339/GM em 18 de novembro de 1999.

53
DETALHANDO OS UNIDADE V
AGENTES

Nesta unidade do caderno, trataremos detalhadamente de cada tipo de agente


biológico foco da HT, definidos na NR-9 pelo eSocial:

»» NR9 - PPRA: “bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus,


entre outros”;

»» eSocial: “bactérias, vírus, protozoários, fungos, príons, parasitas e outros”.

Facilitando o fluxo do aprendizado, seguiremos a ordem dos agentes biológicos


conforme a lista definida pela Portaria n o 1339, e 18 de novembro de 1999, do
Ministério da Saúde.

CAPÍTULO 1
Bactérias e bacilos

As bactérias são microrganismos unicelulares (única célula) e procariontes (sem


núcleo). As células de organismos mais desenvolvidos têm um núcleo onde fica
localizado o material genético da célula (DNA). Nas células procariontes, como as
das bactérias, o material genético fica disperso por toda a célula.

Formas

As bactérias podem ter vários formatos. Na figura abaixo, podem-se observar alguns
formatos principais.

54
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Figura 27. Formas das bactérias.

Quanto à forma:
estafilococo

• Coco: De forma esférica


estreptococo

• Bacilo: Em forma de bastonete

• Vibrião: Em forma de vírgula

• Espiroqueta: Em forma de espiral.

Fonte: Do autor; <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/de/Bacterial_morphology_diagram-pt.svg>. Acesso em:


27/4/2019.

Observe que a NR-9 refere:

“9.1.5.3 Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos,


bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros.”

Na figura que mostra as formas das bactérias, temos que bacilos são bactérias em
formado de bastão ou bastonete.

Ao lado, uma imagem ao microscópio de bactérias Escherichia coli. Observem o


formato de bastão delas.

Figura 28. Formas das bactérias. Bacilos.

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Bacilo#/media/File:E_choli_Gram.JPG>. Acesso em: 27/4/2019.

Então, porque a NR-9 separa bactérias de bacilos?

55
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Bacilos X bactérias

Alguns tipos de bacilos são bactérias com características que, em termos de


infectividade, multiplicação, patogênese, diferem bastante das bactérias mais
comuns. Em especial os bacilos da tuberculose e hanseníase, como veremos a seguir.

Os normatizadores, à época da publicação da norma (1994), então, optaram por


separar as bactérias dos bacilos. Essa diferenciação não está mais presente em
normas mais recentes como a NR-32 e no manual do eSocial.

Bactérias da lista

A lista de agentes relacionados às doenças do trabalho da Portaria 1.339/1999 do


Ministério da Saúde, conforme demostrado, traz as seguintes doenças de etiologia
bacteriana: Tuberculose, carbúnculo, brucelose, leptospirose, tétano e psitacose.

Vamos agora detalhar cada uma das bactérias da lista.

Tuberculose

Tuberculose (A15-A19): exposição ocupacional ao Mycobacterium


tuberculosis (Bacilo de Koch) ou Mycobacterium bovis, em atividades em
laboratórios de biologia, e atividades realizadas por pessoal de saúde, que
propiciam contato direto com produtos contaminados ou com doentes cujos
exames bacteriológicos são positivos.

Hipersuscetibilidade do trabalhador exposto a poeiras de sílica (Sílico-tuberculose)

(Fonte: Ministério da Saúde. Portaria No 1.339/GM em 18 de novembro de 1999)

“É uma doença infecciosa causada por uma bactéria, Mycobacterium


tuberculosis, que acomete geralmente os pulmões, mas pode ocorrer
em qualquer outro órgão ou ainda se desenvolver, ao mesmo tempo,
em vários órgãos:

» Pleura.

» Gânglios.

56
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

» Meninge.

» Rins e bexiga.

» Fígado.

» Intestino.

» Pele.

» Ossos, entre outros.

Qualquer pessoa infectada (teve contato, mas não está


doente) pelo bacilo de Koch pode desenvolver tuberculose.
A OMS estima que um terço da população mundial esteja
infectada” (Juntos pelo fim da tuberculose – Ministério da Saúde,
2016).

Como citado na parte histórica da Microbiológica, o alemão Robert Koch foi


quem descobriu que a doença era causada por essas bactérias e, por isso, foi
nomeada “bacilo de Koch”.

Figura 29. Robert Koch e o bacilo de “Koch”.

Fontes: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Robert_Koch#/media/File:RobertKoch_cropped.jpg>; <https://commons.


wikimedia.org/wiki/File:Mycobacterium_tuberculosis_MEB_(1).jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Tuberculose no Brasil e no mundo

A tuberculose acomete pessoas no mundo todo, sendo o Brasil um país de grande


prevalência desta patologia.

57
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Figura 30. Taxas estimadas de incidência de tuberculose no Brasil e no mundo em 2016.


Taxas estimadas de incidência, 2016

Incidência por 100


mil habitantes/ano

Brasil: 42 casos/100
2016 mil habitantes/ano

• 9,6 milhões de novos casos de tuberculose em todo o mundo.


• 1,5 milhão de pessoas morreram em decorrência da tuberculose.
• Brasil: Cerca de 70 mil novos casos/ano e 4.500 mortes. O Brasil compõe a lista dos 22 países
que concentram 80% da carga de tuberculose do mundo

Fonte: WHO. Global tuberculosis report 2016.

Transmissão

Figura 31. Transmissão da Tuberculose.

Fonte: <http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/agosto/24/af-album-seriado-tuberculose-30jun16-WEB.pdf>.
Acesso em: 27/4/2019.

Características da transmissão:

»» Os bacilos são expelidos através de aerossóis pelo doente (portador de


doença ativa) quando tosse, fala, espirra ou cospe.

»» Contatos próximos (pessoas que têm contato frequente) têm alto risco de
se infectarem.

58
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

»» A transmissão depende do grau de infecção do doente, quantidade


expelida de secreção, da forma e duração da exposição ao bacilo e da
infectividade do agente.

»» O tratamento cessa a transmissão em torno de 15 dias.

Figura 32. Mycobacterium bovis.

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Cheese#/media/File:Cowgirl_Creamery_Point_Reyes_-_Red_Hawk_cheese.jpg>. Acesso


em: 27/4/2019.

»» 1% a 2% dos casos de tuberculose.

»» Ingestão de laticínios contaminados e não fervidos ou não pasteurizados.


Comum antes da invenção da pasteurização.

»» Diversos queijos ainda são feitos apenas com leite não pasteurizado
e podem ser fontes de contágio (Cuidado com os leites e queijos
“caipiras”).

»» Trabalhador rural – sangue e secreções de bovinos contaminados.


Contato humano-humano (menos comum).

Tuberculose – A doença

A principal forma da doença é a pulmonar e:

»» em 90% das pessoas infectadas, o sistema imune contém o avanço da


doença, formando granulomas tubérculos que são tecidos mortos com o
bacilo dentro.

»» cerca de 10% das pessoas infectadas desenvolvem a tuberculose.

» » alguns fatores favorecem o surgimento da doença:


Imunodeprimidos (HIV), pacientes com câncer, uso de
medicamentos imunossupressores, alcoolismo, desnutrição,
diabetes. A imunodepressão favorece surgimento de formas graves.
59
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Figura 33. Tuberculose pulmonar.

Rx normal Tuberculose Tuberculose

Fontes: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cavitary_tuberculosis_2.jpg>.; <https://pt.wikipedia.org/wiki/Tuberculose#/


media/File:Tuberculosis-x-ray-1.jpg>; <https://radiopaedia.org/cases/normal-chest-x-ray>. Acesso em: 27/4/2019.

Porém, a bactéria pode acometer vários órgãos, como rins, ossos etc.

Figura 34. Tuberculose renal e óssea.

Tuberculose Tuberculose
Renal coluna

Fontes: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Gross_pathology_of_renal_tuberculosis#/media/File:Renal_tuberculosis_
(6539942987).jpg>.; <https://radiopaedia.org/cases/tuberculous-spondylitis-2?lang=us>. Acesso em: 27/4/2019.

Diagnóstico

O principal para o diagnóstico é a história clínica, principalmente a história de tosse


prolongada, associada aos sintomas do quadro abaixo.

Figura 35. Tuberculose – Sintomas.

Fonte: <http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/agosto/24/af-album-seriado-tuberculose-30jun16-WEB.pdf>.
Acesso em: 27/4/2019.

60
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Exames:

»» raio X de tórax;

»» baciloscopia do escarro (pesquisa de bacilo no escarro).

Figura 36. Baciloscopia.

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/27/TB_in_sputum.png>. Acesso em: 27/4/2019.

Tratamento

Antimicrobianos por cerca de 6 meses:

»» dois meses tomando quatro antimicrobianos (Isoniazida, Rifampicina,


Pirazinamida, Etambutol);

»» quatro meses tomando dois antimicrobianos (Isoniazida e Rifampicina);

Vacina

Existe vacina contra tuberculose, a BCG – (Bacilo de Calmette-Guérin).

Dose:

Logo ao nascimento (1o ano de vida até os cinco anos).

Subcutânea – gera cicatriz no braço direito.

Proteção de 50% a 80% (protege contra as formas graves da doença (miliar,


meningite etc.).

O tratamento está disponível gratuitamente no SUS.

61
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Risco

No Brasil ocorrem cerca de 70 mil novos casos por ano. A maioria da população
hoje está imunizada. O risco maior é para os trabalhadores que se expõem
diariamente ao agente, em ambulatório e setores hospitalares especializados
em tuberculose ou em doenças infectocontagiosas.

A transmissão se dá em contato íntimo e prolongado.

Como visto anteriormente, trata-se de agente de baixa patogenicidade, pois


apenas cerca de 10% das pessoas infectadas desenvolvem a doença.

» » Alguns fatores favorecem o surgimento da doença:


Imunodeprimidos (HIV), pacientes com câncer, uso
medicamentos imunossupressores, alcoolismo, desnutrição,
diabetes. A imunodepressão favorece surgimento de formas
graves.

NR-32 – Classificação dos riscos biológicos

Na NR -32 o Mycobacterium Tubeculosis e bovis estão classificados como classe


3 de Risco.

Carbúnculo
Carbúnculo: Zoonose causada pela exposição ocupacional ao Bacillus anthracis,
em atividades suscetíveis de colocar os trabalhadores em contato direto com
animais infectados ou com cadáveres desses animais; trabalhos artesanais ou
industriais com pelos, pele, couro ou lã. (Fonte: Ministério da Saúde. Portaria n o.
1.339/GM em 18 de novembro de 1999).

Trata-se de uma zoonose.

Zoonoses: doenças infecciosas dos animais que podem transmitir ao ser humano.

Como citado na parte histórica da Microbiológica, coube ao alemão Robert Koch, em


1876, demostrar que esta doença era causada por uma bactéria em formato de bastão,
portando um bacilo. Trata-se do Bacillus antracis ou Antraz.

62
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Figura 37. Bacillus anthracis.

Fontes: <https://en.wikipedia.org/wiki/Anthrax#/media/File:Anthrax_PHIL_2033.png>; <https://commons.wikimedia.org/wiki/


File:Bacillus_Anthracis.png>. Acesso em: 27/4/2019.

Antraz no mundo e Brasil


O Antraz ficou muito conhecido no mundo quando ocorreram os atentados
terroristas aos Estados Unidos da América em 2001. Em 11 de setembro de 2001,
houve um ataque às Ttorres Gêmeas” do World Trade Center em Nova Iorque, ao
Pentágono americano, entre outros pontos e foram enviadas cartas contaminadas
com antraz.

Logo após os ataques aéreos, os terroristas começaram a enviar envelopes


(cartas) pelos correios, endereçadas a políticos e jornalistas americanos
contento um pó com esporos do Antraz.

Figura 38. Carta contendo esporos de Antraz.

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Daschle_letter.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Os esporos de B. anthracis podem ser usados como arma biológica em guerras e


ataques terroristas.

Algumas bactérias, entre elas o Antraz, têm a forma vegetativa e a forma


esporulada. A forma esporulada (esporos) são formas “dormentes” e altamente
resistentes às condições inóspitas ambientais. São como “sementes” que quando
em contato com “solo fértil” germinam e passam para a forma “vegetativa”, que
é a forma ativa que gera a infecção.

Os esporos do Antraz, quando inalados, encontram condições de nutrição e umidade


ideais ao seu desenvolvimento no aparelho respiratório, gerando grave infecção
pulmonar, com alta letalidade (quase sempre fatal).

63
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Ocorrência no Brasil e mundo

Como citado anteriormente, trata-se de uma zoonose, ou seja, uma doença


infecciosa que usualmente afeta animais, especialmente ruminantes (tais como
cabras, gado, ovelhas e cavalos). Atualmente, esta zoonose atinge em especial
países da África e Ásia.

Brasil: com a vacinação dos animais no passado e o controle sanitário do


Ministério da Agricultura, o antraz é uma doença praticamente erradicada do
nosso país.

Transmissão
Não é transmitido de pessoa para pessoa. É transmitida para humanos pelo
contato com animais infectados ou seus produtos em atividades industriais,
artesanais, na agricultura ou em laboratórios. Trabalhadores com contato com
pelos de carneiro, lã, couro, pele e ossos, em especial de animais originários da
África e Ásia (matadouros, curtumes, moagem de ossos, tosa de ovinos (doença
dos tosquiadores), manipuladores de lã crua, veterinários e seus auxiliares. Nas
atividades agrícolas, ocorre pelo contato com gado, porco, cavalo doentes ou com
partes contaminadas desses animais.

Antraz – A doença

Forma cutânea

Figura 39. Antraz cutâneo.

Infecções de pele representam mais de 95% dos casos.


Esporos de B. anthracis entram em ferimentos na pele.

Fontes: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Carb%C3%BAnculo#/media/File:Anthrax_PHIL_2033.png>; <https://en.wikipedia.org/wiki/


Anthrax#/media/File:Skin_reaction_to_anthrax.jpg>; <https://en.wikipedia.org/wiki/Anthrax#/media/File:Cutaneous_anthrax_
lesion_on_the_neck._PHIL_1934_lores.jpg>; <https://www.omicsonline.org/israel/anthrax-peer-reviewed-pdf-ppt-articles/>.
Acesso em: 27/4/2019.

64
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

A principal forma da doença é a cutânea. A bactéria infecciona ferimentos na pele.

Forma respiratória

É a forma mais grave. Conhecida como doença dos tosquiadores (trabalhadores da


tosquia da lã de ovelhas).

A maioria dos casos leva ao óbito. A inalação dos esporos do bacilo evolui com grave
infecção respiratória, atingindo gânglios locais e infecção generalizada, evoluindo
para a morte.

Figura 40. Forma respiratória do Antraz.

Forma Respiratória – Muito grave (terrorismo – arma biológica)

Rx Normal Infec. Pulmonar – gânglios aumentados

Doença dos tosquiadores


Pneumonia extensa, disseminando para
gânglios mediastinais e evolui para septicemia
e morte (mortalidade de 50% a 80%, apesar do
tratamento)

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Carb%C3%BAnculo#/media/File:Anthrax_-_inhalational.jpg>; <https://www.caprilvirtual.


com.br/image/destaque/esquila-ovelhas-rs-261114.jpg>; <https://radiopaedia.org/cases/normal-chest-x-ray>. Acesso em:
27/4/2019.

Forma digestiva

Contrai-se a infecção através do consumo de carne contaminada com antraz. Ela


causa: lesões na boca, garganta, intestino; vômitos de sangue, diarreia grave,
inflamação intestinal e perda de apetite.

»» Depois, o antraz se espalha para a corrente sanguínea e por todo o


corpo. As taxas de letalidade são de 25% a 60%, dependendo do início do
tratamento.

65
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Diagnóstico
No diagnóstico da forma cutânea, faz-se a coleta de material da ferida e examina-se
ao microscópio ou faz-se a cultura (cultivo da bactéria em laboratório)

Figura 41. Diagnóstico do Antraz.

• Exame bacteriológico do material das lesões

• Cultura

• Rx

Fontes: <http://news.nursesfornurses.com.au/Nursing-news/wp-content/uploads/2016/09/37052328_ml-620x350.jpg?x15118>;
<https://pulmaosarss.files.wordpress.com/2011/09/anthrax1.jpg>; <https://en.wikipedia.org/wiki/Anthrax#/media/File:Gram_
Stain_Anthrax.jpg; <https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_do_choque_t%C3%B3xico#/media/File:Staphylococcus_
aureus_agar_sangre.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Tratamento
O tratamento é feito com antimicrobianos (Antibióticos) por cerca de 7 a 14 dias
(dependendo da forma). (Penicilina ou tetraciclina ou ciprofloxacina entre outros).

Vacina
“Ele” de novo!.

Louis Pasteur, em 1881, criou a primeira vacina contra Antraz. Vacinou 25 ovelhas
e não vacinou outras 25. Depois inoculou o B. anthracis em todas elas. Todas
vacinadas sobreviveram e todas não vacinadas morreram.

Figura 42. Pasteur e a vacina contra Antraz.

Fontes: <https://scn.wikipedia.org/wiki/Louis_Pasteur>; <https://www.cdc.gov/anthrax/resources/history/>. Acesso em:


27/4/2019.

66
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

» » A vacina é recomendada para pessoas com alto risco (zonas


endêmicas e populações de risco). Soldados americanos são
vacinados quando vão para zonas de risco de ataque biológico. Ela
protege cerca de 90% das pessoas.

»» A vacinação de animais contra o antraz é recomendada em regiões


endêmicas ou epidêmicas.

Risco

Atualmente infecções são incomuns. Há cerca de 2.000 a 20.000 casos no mundo


por ano em humanos (95% cutâneos).

As regiões afetadas mais comuns são o Oriente Médio, partes tropicais da Ásia,
toda a África, região andina, América Central e partes da Europa como Espanha,
Irlanda, Suécia e Grécia. Geralmente infectam pessoas que cuidam e consomem
produtos de herbívoros domésticos ou selvagens como vacas, cabras, ovelhas,
camelos e antílopes.

NR-32 – Classificação dos riscos biológicos

Na NR -32 o Bacillus anthracis está classificado como classe 3 de Risco.

Brucelose

Zoonose causada pela exposição ocupacional a Brucella melitensis, B. abortus,


B. suis, B. canis etc., em atividades em abatedouros, frigoríficos, manipulação de
produtos de carne; ordenha e fabricação de laticínios e atividades assemelhadas.
(Fonte: Ministério da Saúde. Portaria no. 1.339/GM em 18 de novembro de 1999).

Trata-se de uma zoonose.

Zoonoses são doenças infecciosas dos animais que podem ser transmitidas ao
ser humano.

67
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Figura 43. Brucella melitensis.

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Brucella#/media/File:Brucella_melitensis.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

»» A Brucelose:

»» é um cocobacilo;

»» é uma zoonose de animais domésticos e selvagens. Provocada pelas


bactérias:

›› Brucella melitensis (caprinos);

›› Brucella abortus (bovinos – abortos em vacas);

›› Brucella suis (suínos);

›› Brucella canis (caninos).

Figura 44. Brucelose – Abortos em bovinos. Brucella abortus (bovinos – abortos em vacas).

Fonte: <http://www.grupoapoiar.com/brucelose-e-tuberculose/>. Acesso em: 27/4/2019.

Brucelose no Brasil

No Brasil, a doença bovina é endêmica, com prevalência variando de 0,06% a 10,2%


de fêmeas infectadas

68
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Quadro 13. Prevalência de brucelose em bovinos.

Estado Trabalho d* campo Prevalência focos Prevalência animais


BA 2004 4,2 0,66
DF 2003 2,5 0,16
ES 2012 a 2014 9,3 3,8
GO 2002 17.5 3
MA 200? a 2000 11,42 2,52
MG 2010 a 2012 3,59 0,81
MS 2000 30,6 7
Mt 2014 24 5,1
PB 2012 a 2013 4,6 2,5
PE 2008 a 2009 4,S 1,4
PR 2001 4 1,7
RJ 2003 a 2004 15.4 4,1
RO 2014 12,3 1,9
RS 2013 3,S4 0.98
SC 2012 0,91 1,21
SE 2002 a 2003 12,6 3,4
SP 2011 10.2 2,4
TO 2002 a 2003 21.2 4,4
Fonte: <http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/programas-de-saude-animal/
brucelose-e-tuberculose/tb-3-estudos-prevalencia.pdf>. Acesso em: 27/4/2019.

Em 2001 foi criado o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose


e da Tuberculose Animal (PNCEBT). A medida prioritária do programa é a
vacinação de fêmeas bovinas e bubalinas entre 3 e 8 meses de idade. De acordo
com o Departamento de Saúde Animal (DSA), em 2013, o número de fêmeas
bovinas vacinadas nesta faixa etária chegou a 16.329.466, ou seja, uma cobertura
vacinal de 77,5%.

Transmissão
»» A contaminação se dá por:

»» contato ocupacional com animais doentes, sua carcaça, sangue,


urina, secreções vaginais, fetos abortados, placenta. Trabalhadores de
abatedouros, frigoríficos se contaminam na manipulação de carne ou
de produtos derivados, ordenha e fabricação de laticínios e atividades
relacionadas. A contaminação se dá na pele ferida;

»» ingestão de leite ou derivados lácteos provenientes de animais


infectados;

»» contaminação por meio de acidente em laboratórios.

»» A transmissão de pessoa para pessoa é rara.

69
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Figura 45. Brucelose – Transmissão pelos derivados lácteos.

Fonte: <http://www.scrural.sc.gov.br/?attachment_id=3577>. Acesso em: 27/4/2019.

O leite não pasteurizado e os seus produtos são a principal fonte da brucelose.

Brucelose – A doença

No ser humano, os sintomas são muito variados (Doença sem ou com cem sintomas)

Aguda: duração até 2 meses

Pode ser confundida com gripe (virose): febre, sudorese, calafrios, fraqueza, perda
de apetite, dor cabeça, dor corpo, mal-estar, fadiga, linfonodos aumentados.

Crônica: meses, anos

Sintomas mais intensos: febre recorrente, grande fraqueza muscular, forte dor de
cabeça, falta de apetite, perda de peso, tremores, manifestações alérgicas (asma,
urticária etc.), pressão baixa, labilidade emocional, alterações da memória.

A brucelose é uma doença sistêmica que nos quadros mais graves pode afetar
vários órgãos, entre eles o sistema nervoso central, o coração, os ossos, as
articulações, o fígado e o aparelho digestivo.

Diagnóstico

»» O diagnóstico é feito por:

»» exame bacteriológico de material (sangue, medula óssea, linfonodo etc.);

»» cultura;

»» testes sorológicos (pesquisa de anticorpos no sangue).

70
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Tratamento

Antimicrobianos (antibióticos) por cerca de 45 dias (dependendo da forma)


(Doxiciclina, tetraciclina ou sulfametoxazol entre outros)

Prevenção e vacina

»» Não existem atualmente vacinas eficazes em humanos.

»» A prevenção da brucelose no homem depende sobretudo do controle


ou erradicação da doença nos animais (vacinação animal, detecção e
eliminação dos animais infectados).

»» Leite e derivados lácteos devidamente pasteurizados.

»» Treinamento dos trabalhadores.

Figura 46. Marcação vacinal de bovinos.

Fonte: <https://3.bp.blogspot.com/-oAhKle8UPUM/WA5eoSv0O-I/AAAAAAABZyw/vvl_zWgBqzUvonUmNNZYuJqy-tkZEsx3QCLcB/s200/
Brucelose%2B2.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Risco

NR-32 – Classificação dos riscos biológicos

Na NR -32 as espécies de brucella estão classificadas como classe 3 de Risco.

Leptospirose
Exposição ocupacional a Leptospira icterohaemorrhagiae (e outras espécies),
pelo contato direto com águas sujas, ou em locais suscetíveis de serem sujos
por dejetos de animais portadores da leptospira; trabalhos efetuados dentro de
minas, túneis, galerias, esgotos em locais subterrâneos; trabalhos em cursos

71
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

d’água; trabalhos de drenagem; contato com roedores; trabalhos com animais


domésticos, e com gado; preparação de alimentos de origem animal, de peixes,
de laticínios etc. (Fonte: Ministério da Saúde. Portaria N o. 1339/GM em 18 de
novembro de 1999)

Trata-se de uma zoonose.

Trata-se de uma bactéria em formato espiral (espiroqueta) transmitida, em especial,


por ratos.

Figura 47. Transmissão da Leptospirose pela urina de ratos principalmente.

Fonte: <https://openclipart.org/detail/314198/man-body-silhouette; https://openclipart.org/detail/173512/rat-by-rones>;


<https://openclipart.org/detail/5140/cow-silhouette-2>; <https://openclipart.org/detail/260579/horse-silhouette-3>; <https://
openclipart.org/detail/276049/dog-silhouette>. Acesso em: 27/4/2019.

Figura 48. Leptospira.

Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Leptospira#/media/File:Leptospira_interrogans_strain_RGA_01.png>.
Acesso em: 27/4/2019.

Transmissão

»» É uma doença causada por uma bactéria presente principalmente na


urina do rato, que normalmente se espalha pela água suja em enchentes
e esgotos.

72
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

»» As pessoas podem ficar doentes quando entram em contato com


água ou lama contaminada pela urina de roedores (ratazanas,
ratos de telhado e camundongos). Cães, bovinos, ovinos e caprinos
também podem ser portadores. O contato ocupacional se dá com
animais doentes, sua carcaça, sangue, urina, secreções vaginais,
fetos abortados, placenta. Trabalhadores de abatedouros são
contaminados em frigoríficos, na manipulação de carne ou de
produtos derivados, ordenha e fabr.icação de laticínios e atividades
relacionadas. A contaminação se dá na pele ferida.

Ratos

Um dos graves problemas urbanos é a enorme população de ratos.

Figura 49. Exemplo de população de ratos nas cidades.

Fonte: <https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/the-new-york-times/2016/12/17/ratos-correm-a-solta-em-paris-
na-pior-crise-em-decadas.htm?cmpid=tw-uolnot>. Acesso em: 27/4/2019.

Estima-se uma população de:

»» São Paulo: 10 ratos por pessoa.

»» Nova Iorque: 7 ratos por pessoa.

»» Brasil: 5-10 ratos por pessoa.

73
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Em função da imensa presença destes roedores, algumas situações facilitam a


transmissão da leptospirose:

Figura 50. Águas contaminadas.

Fonte: <https://cdn2.wn.com/o25/ph/img/76/c1/3e92ff806fa1f0c365e2dac88b24-grande.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

A bactéria penetra:

»» através da pele íntegra e de mucosas (olhos, nariz, boca);

»» Por pequenos ferimentos;

»» Pela ingestão de água e alimentos contaminados.

Trabalhadores da limpeza urbana: entulhos, bueiros, galerias, esgotos, córregos etc.

Figura 51. Risco para trabalhadores de esgoto e galerias.

Fonte:<http://avareurgente.com/wp-content/uploads/2016/02/268d926891288ce7c7537e78707c3868-600x400.jpg>. Acesso
em: 27/4/2019.

Há um risco muito maior em enchentes.

74
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Lepstospirose – A doença

Existem três formas, variando de leve a gravíssima:

Subclínica: Pode parecer uma gripe/virose – Mal-estar, dor no corpo, indisposição.

Anictérica (pele com coloração normal): 70% dos casos: dor muscular, náuseas,
vômitos, febre, tosse, fotofobia, manchas, olhos vermelhos (petéquias e
hemorragias conjuntivais), dor de cabeça, esplenomegalia, hepatomegalia,
linfadenopatia, dor na panturrilha e lombar intensas.

Figura 52. Leptospirose forma grave: ictero-hemorrágica.

Fonte: <https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/weils-disease>. Acesso em: 27/4/2019.

Ictérica (pele amarelada): forma Grave (Síndrome de Weil): icterícia, insuficiência


renal, hemorragias pulmonar e digestiva – alta letalidade – 20% a 50%.

Diagnóstico

»» O diagnóstico é feito por:

»» exame bacteriológico de material (sangue, liquor, urina etc.);

»» cultura;

»» testes sorológicos (pesquisa de anticorpos no sangue).

Tratamento

Antimicrobianos (Antibióticos) por cerca 7 a 10 dias

(Doxiciclina, penicilina, entre outros)

75
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Prevenção e vacina
»» Não existem atualmente vacinas eficazes em humanos.

»» Controle dos roedores.

»» Evitar o contato com água ou lama que possam estar contaminados pela
urina de rato.

»» EPI para trabalhadores da limpeza urbana (lama, entulhos,


desentupimento de esgoto, bueiros etc.)

»» Obras de saneamento básico (abastecimento de água, lixo e esgoto) e


de combate enchente.

»» Treinamento dos trabalhadores.

Risco

NR-32 – Classificação dos riscos biológicos

Na NR -32 as espécies de brucella estão classificados como classe 2 de Risco.

Tétano
Tétano: eExposição ao Clostridium tetani, em circunstâncias
de acidentes do trabalho na agricultura, na construção civil,
na indústria, ou em acidentes de trajeto. (Ministério da Saúde.
Portaria no 1339/GM em 18 de novembro de 1999).

Trata-se de uma bactéria em formato de bacilo, que geralmente infecta ferimentos.


Durante a infecção, a bactéria produz uma toxina altamente agressiva e letal.

Figura 53. Ferimentos causadores de tétano.

Fontes: <https://www.jeffreysterlingmd.com/tag/tetanus/>; <https://ars.els-cdn.com/content/image/1-s2.0-


S1876034115001410-gr1.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

76
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Características do Clostridium tetani:

»» Tem formato de bacilo.

»» Forma esporos.

»» Esporos são presentes no solo e em fezes de animais.

»» Infectam feridas.

»» Produz toxina.

Transmissão

Figura 54. Ferimento contaminado.

Fonte: <https://g.co/kgs/Hkpf3G>. Acesso em: 27/4/2019.

»» As bactérias – esporos – estão presentes no ambiente (terra, solo, sujeiras,


estrume etc.).

»» Infectam ferimentos, em especial os pequenos e profundos.

»» Quando entram na ferida, produzem neurotoxina (tetanospamina)


que afeta os neurônios motores, gerando espasmos musculares
(contrações, espasmos).

Tétano – A doença

Toxina - Muito grave – 30% a 80% de mortalidade

»» Neurotoxina.

»» Altamente letal (0,1mg mata ser humano).

77
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

»» Ligação irreversível.

»» Tétano em recém-nascidos era comum por infecção do coto do umbigo


(cordão umbilical).

»» Contrações musculares espasmódicas intensas.

»» Opistótono e trismo.

»» Fratura de vértebras.

»» Parada respiratória e/ou cardíaca.

»» Infecções secundárias.

»» Crise hipertensiva e AVC.

Figura 55. Tétano em recém-nascido – contrações – Caso de tétano em recém-nascido.

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Neonatal_tetanus>. Acesso em: 27/4/2019.

Figura 56. Quadro: contração por tétano - Charles Bell em 1809.

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A9tano>. Acesso em: 27/4/2019.

Figura 57. Contrações musculares por tétano – opistótomo.

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A9tano#/media/File:PHIL_tetanus.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

78
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Diagnóstico

»» O diagnóstico é feito por exame clínico-epidemiológico.

Tratamento

»» O tratamento é feito com:

»» soro antitetânico (origem animal);

»» imunoglobulina: gamaglobulina humana hiperimune antitetânica.

Prevenção e vacina

»» A prevenção é feita por:

»» vacinação – três doses e uma dose a cada dez anos;

»» cuidados com os ferimentos (limpeza, assepsia);

»» antibióticos para os ferimentos de risco.

Risco

NR-32 – Classificação dos riscos biológicos

Na NR -32 o C. Tetani está classificado como classe 2 de Risco.

Psitacose, ornitose, doença dos tratadores de


aves
Psitacose, Ornitose, Doença dos Tratadores de Aves: zoonoses causadas pela
exposição ocupacional a Chlamydia psittaci ou Chlamydia pneumoniae, em
trabalhos em criadouros de aves ou pássaros, atividades de Veterinária, em
zoológicos, e em laboratórios biológicos etc. (Ministério da Saúde. Portaria n o
1339/GM em 18 de novembro de 1999).

Doença dos tratadores de aves

Essa doença infecciosa causada pela Chlamydia psittaci ou Chlamydia pneumoniae,


tem as seguintes características:

79
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

»» Relativamente rara.

»» Bactéria intracelular.

»» Presente na poeira das fezes inaladas.

»» Infecção respiratória.

Figura 58. Pistácios.

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Psittacidae#/media/File:AraraCanindeClin.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Transmissão

»» As bactérias estão presentes nas fezes de pássaros.

»» Fezes secas de aves (poeira) – especialmente os psitacídeos (papagaios,


periquitos, araras), mas também pombos, patos, perus, canários, galinhas
entre outros).

»» Raramente a transmissão ocorre de pessoa para pessoa.

A doença

Doença dos tratadores de pássaros

»» Quadros leves lembram resfriados (febre, prostração, mialgia, calafrios


etc.)

»» Quadros graves apresentam pneumonia, esplenomegalia, manchas no


corpo, diarreia, delírios etc.

»» Em geral, a doença é leve ou moderada no homem, podendo ser mais


grave em idosos que não recebam tratamento adequado.

80
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Figura 59. Pneumonia por psitacose.

Rx normal Pneumonia por psitacose


Fonte: <https://radiopaedia.org/cases/normal-chest-x-ray>; <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid
=S0102-35862001000400008>. Acesso em: 27/4/2019.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por:

»» exame clínico-epidemiológico;

»» raio X pulmonar (Tórax);

»» testes sorológicos.

Tratamento

» » O tratamento é feito com antimicrobianos (antibióticos) por cerca


14 a 21 dias (Doxiciclina, tetraciclina, entre outros).

Prevenção e vacina

»» Não existe vacina disponível.

A prevenção é feita com:

»» Vigilância dos locais de venda de animais, aviários, granjas.

»» Limpeza adequada dos locais – evitar de gerar poeira.

»» Limpeza úmida – com corrente e terminal.

81
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

»» Evitando o contato com fezes dos pássaros.

»» Eliminando aves contaminadas.

»» EPI para tratadores.

»» Treinamento dos trabalhadores.

Risco

NR-32 – Classificação dos riscos biológicos

Na NR -32 a Chlamydia psittaci ou Chlamydia pneumoniae estão classificadas


como classe 3 de Risco.

Outras bactérias
Conforme detalhado, essas são as bactérias listadas pela Portaria 1.339/1999
do Ministério da Saúde. Entretanto, devemos lembrar que a legislação (Lei
8.213/1991) define que outros agentes poderão ser implicados como causadores
de doenças do trabalho, desde que a doença “resultou das condições especiais em
que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente”.

LEI 8213/1991

Art. 20.......

§ 1o Não são consideradas como doença do trabalho:

d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região


em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de
exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho.

§ 2o Em caso excepcional, constatando-se que a doença não


incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou
das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele
se relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá-la
acidente do trabalho.

Art. 21. Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos


desta Lei:

III - a doença proveniente de contaminação acidental do


empregado no exercício de sua atividade;

82
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Portanto, outras bactérias poderão estar vinculadas a acidentes e doenças do


trabalho.

Outras bactérias importantes


»» Meningite – Meningococos.

»» Difteria, coqueluche.

»» Doenças pelos alimentos (DTA): Shiguela, salmonela, E. coli,


Estafilococos.

»» Pneumonia – pneumococos.

»» Febre Tifoide.

Meningite
Como vimos anteriormente, o sufixo “ite” está ligado a “inflamação”. Meningite é
a inflamação das meninges. As meninges são membranas que envolvem o sistema
nervoso central (cérebro, cerebelo, medula etc.). São três meninges: dura-máter,
aracnoide e pia-máter.

Figura 60. Meningite.

Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Meninges#/media/File:Meninges_diagram_-_fr.jpg>. Acesso em:


27/4/2019.

As meningites podem ser causadas por diversos agentes: bactérias, vírus, parasitas etc.

Entre as bactérias causadoras, citamos, em especial, os meningococos, hemófilos,


pneumococos.

Existem alguns diferentes tipos de meningococos. O Tipo C é causador do maior


número de casos.

83
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Figura 61. Incidência dos tipos de meningite meningocócica.

Meningite meningocócica

400
350
300
61%

250
200
150
27%
100
50 9% 2% 0,5%
0

TIPO C TIPO B TIPO W TIPO Y TIPO A

Fonte: Do autor,; Ministério da Saúde/SVS - Sistema de Informação de Agravos de Notificação - Sinan Net; <http://tabnet.
datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/cnv/meninbr.def>. Acesso em: 27/4/2019.

Difteria

A diferia é uma infecção causada pela bactéria Corynebacterium diphteriae, que


produz uma toxina grave, podendo levar à morte. A forma mais comum é de uma
infecção de garganta (faringo-amigdalite), mas temos também a forma cutânea.

Figura 62. Formas de difteria.

Difteria cutânea
Faringo-amigdalite
Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Corynebacterium_diphtheriae#/media/File:A_diphtheria_skin_lesion_on_the_leg._
PHIL_1941_lores.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

84
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Vacinas – Bactérias da lista

Quadro 14. Vacinas – Bactérias da lista.


Doença Vacina
BCG - Faz parte do calendário infantil. Vacinação dos profissionais de saúde não reatores ao PPD, está indicada –
Tuberculose
Especialmente profissionais que lidam com os portadores da patologia.
Não faz parte do calendário vacina. Recomendada para pessoas com alto risco (zonas endêmicas e populações de risco
Antraz
- terrorismo).
Brucelose Não tem vacina humana eficaz – (faz-se a vacinação dos animais).
Leptospirose Não tem vacina humana eficaz – (faz-se a vacinação dos animais).
Tétano Faz parte do calendário (três doses mais uma dose a cada dez anos).
Psitacose Não tem vacina humana eficaz.
Fonte: Do autor.

Vacinas – outras bactérias


Existem vacinas para as bactérias citadas que têm uma indicação mais específica
para certos grupos de atividades profissionais.

Quadro 15. Vacinas específicas conforme a função.


Vacina Saúde humana e socorristas Saúde animal Sanitária Alimentos Geral
Meningite X X X
DPT X X X X X
Pneumococo X - idosos, SR, outras patologias
Febre tifoide X –S.R X – S.R
DPT = Difteria, Coqueluche e Tétano; SR = Situação de Risco.
Fonte: Do autor.

Guias práticos de vacinação ocupacional


Esses sites trazem indicações de guias de vacinação ocupacional:

< h t t p : / / w w w. a n a m t . o rg. b r / s i t e / u p l o a d _ a rq u i vo s / s u g e s t o e s _ d e _
leitura_171220131126567055475.pdf>.

<https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-ocupacional.pdf>.

Bactérias multirresistentes – superbactérias


Por fim, não poderíamos deixar de abordar o surgimento das superbactérias.

Vários fatores, em especial o uso indiscriminado de antibióticos, provocou


o surgimento das bactérias multirresistentes. São cepas de bactérias que

85
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

são resistentes a praticamente todo tipo de antibiótico. Pessoas infectadas


com essas bactérias são praticamente sentenciadas a morte, pois nenhuma
medicação tem efeito para eliminá-las.

Figura 63. Superbactérias em um hospital infantil.

Fonte: <https://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/maior-hospital-infantil-do-df-restringe-atendimento-apos-morte-de-bebe-
com-superbacteria.ghtml>. Acesso em: 27/4/2019.

Figura 64. Presença de Superbactérias em uma CTI.

Fonte: <https://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/11/2016/cti-de-hospital-e-interditado-por-causa-de-bacteria-
multirresistente-em-vila-velha>. Acesso em: 27/4/2019.

O trabalho da equipe de SST juntamente com a Comissão Controle de Infecção


Hospitalar (CCIH) é essencial na busca por evitar o surgimento dessas bactérias.

Para conhecer mais sobre bactérias multirresistentes, acesse o site:

<http://anvisa.gov.br/servicosaude/controle/reniss/manual%20_controle_
bacterias.pdf>.

86
CAPÍTULO 2
Vírus

Os vírus são microrganismos muito pequenos. Seus tamanhos variam em


nanômetros e só podem ser visualizados com poderosos e sofisticados
microscópios eletrônicos.

Figura 65. Tamanho comparativo entre alguns vírus e bactérias.

Bactéria

Bactéria E. coli

T4 bacteriófago Adenovírus
Poxvirus

Reovirus Paramyxovirus
Tobaco
Picornavirus Mosaic
Togavirus Herpesvirus vírus

Célula humana

Fonte: <https://www.ppdictionary.com/viruses/virus_sizes.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Figura 66. Microscópio eletrônico.

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Electron_microscope#/media/File:Electron_Microscope.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

87
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Figura 67. Vírus do HIV (verde) sobre a superfície de uma célula humana (linfócito em azul).

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Introduction_to_viruses#/media/File:HIV-budding-Color_cropped.jpg>. Acesso em:


27/4/2019.

Nas figuras acima fica patente o quão pequenos são os vírus. Podemos ver que
centenas ou milhares de vírus podem caber dentro de uma bactéria ou uma célula
humana. Os tamanhos variam conforme o tipo.

Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, ou seja, sempre precisam de


uma célula ou outros micro-organismos para se desenvolverem e multiplicarem.
Eles se multiplicam dentro da célula (intracelulares) usando as estruturas da
célula hospedeira.

Vírus da lista
Como vimos, a lista de agentes relacionados às doenças do trabalho na Portaria
1.339/1999 do Ministério da Saúde, conforme demostrado, traz as seguintes doenças
de etiologia viral: Dengue, Febre amarela, hepatites virais, Doença pelo vírus da
imunodeficiência – HIV.

Vamos agora detalhar cada um desses vírus da lista.

Dengue
Dengue: exposição ocupacional ao mosquito Aedes aegypti, transmissor do
arbovírus da dengue, principalmente em atividades em zonas endêmicas, em
trabalhos de saúde pública, em trabalhos de laboratórios de pesquisa, entre outros.
(Fonte: Ministério da Saúde. Portaria n o 1.339/GM em 18 de novembro de 1999).

88
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

A dengue é uma doença bastante conhecida dos brasileiros, principalmente após


a “explosão” do número de casos no final dos anos 90. Com certeza, quase todos
nós já tivemos um amigo, parente ou conhecido que adquiriu dengue.

Ela se configura como uma doença ocupacional para os trabalhadores que, em


função do seu trabalho, se expõe a um maior risco de adquiri-la, tais como os
agentes de controle do mosquito e os trabalhadores de laboratórios de pesquisa
sobre a doença ou do vetor.

O vetor

O mosquito transmissor, Aedes aegypti, se dispersou por todo o Brasil.

Figura 68. Aedes aegypti.

Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Aedes_aegypti#/media/File:Aedes_aegypti_during_blood_meal.jpg>. Acesso em:


27/4/2019.

É muito importante saber identificar o vetor. O mosquito Aedes aegypti é


muito confundido, pela população em geral, com outros tipos de mosquitos
e insetos. Trata-se de um mosquito pequeno e com pequenas pintas brancas,
como se pode observar nas fotos. Parece com um pernilongo (Culex), porém
tem algumas características diferentes.

Figura 69. Larvas Aedes aegypti.

Fonte: <http://www.imagens.usp.br/?attachment_id=28887>. Acesso em: 27/4/2019.

89
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Características:

»» os Aedes aegypti vivem, em média, de 30 a 35 dias;

»» a fêmea põe ovos de 4 a 6/ dia. 100 de cada vez (água parada);

»» os ovos sobrevivem meses (mesmo estando seco);

»» picam mais pela manhã e do meio para o fim da tarde;

»» rasteiros, não voam acima de 1,5 m de altura;

»» normalmente a picada não dói como a do pernilongo (Culex), (Sente-se


mais o mosquito pousar do que a picada);

»» mosquito que voa alto, que pica à noite e fica zunindo no ouvido, não é o
Aedes.

A doença

Muito comum no Brasil, endêmica e com surtos epidêmicos.

Trata-se de uma infecção causada por um vírus do grupo dos arbovírus. Existem
quatro sorotipos (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4).

No Brasil (2016):

»» cerca de 1.500.000 casos novos (um milhão e meio de pacientes


pegaram a dengue);

»» cerca de 670 mortos;

»» cerca de 10.000 casos de maior atenção.

Transmissão

A fêmea do mosquito se alimenta de sangue, picando o indivíduo. Se esta fêmea


estiver infectada, ao picar, transmite o vírus para o sangue da pessoa. Dentro de
um tempo, que varia de 3 a 15 dias, a doença começa a se manifestar.

90
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Figura 70. Fêmea Aedes aegypti.

Fonte: <http://www.dengue.org.br/mosquito_aedes.html>. Acesso em: 27/4/2019.

A fêmea do Aedes aegypti se torna infectiva entre 10 e 12 dias depois de se alimentar


com o sangue de uma pessoa infectada pelo vírus da dengue.

Manifestação clínica

Figura 71. Manifestações clínicas da Dengue.

Fonte: <http://www.spb.org.br/chikungunya-dengue-febre-amarela-e-zika/>. Acesso em: 27/4/2019.

»» Entre os sintomas da dengue estão:

»» febre;

»» exantema (manchas);

»» cefaleia (dor de cabeça);

»» dor nos olhos;

»» prostração;

»» mialgia (dor muscular);

»» artralgia (dor nas articulações).

91
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Casos graves

Nos casos graves, observa-se dor abdominal, sangramentos, vômitos intensos,


aumento do fígado, falta de ar, queda da pressão etc.;

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por:

»» exame clínico epidemiológico;

»» testes sorológicos (O exame específico para diagnóstico é o


teste ELISA a partir do sexto dia do início dos sintomas (Quatro
tipos: Dengue 1,2,3,4). Portanto, o diagnóstico é por avaliação
clínico-epidemiológica. O tratamento deve se basear nestes achados.
O exame positivo, que só ocorre tardiamente (6o dia), é importante
nos casos graves e para o controle epidemiológico.

Tratamento

Não existem medicamentos específicos para combater o vírus da dengue


(antivirais). O tratamento é baseado no suporte clínico (alimentação, hidratação,
soro, repouso) e no tratamento dos sintomas (analgésicos, antitérmicos etc.)

Prevenção

Controle dos vetores – Aedes aegypti

O controle dos vetores é feito por:

»» eliminação dos focos (água parada);

»» mosquitos geneticamente modificados;

»» combate químico;

»» educação da população;

»» equipamentos de proteção dos trabalhadores de controle da dengue


(Repelentes, vestimenta especial).

92
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Figura 72. Medidas preventivas contra a Dengue.

Fonte: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/agente_comunitario_saude_controle_dengue.pdf>. Acesso em:


27/4/2019.

Vacina

Ainda em avaliação.

A recomendação da ANVISA é que a vacina não seja tomada por pessoas que nunca
tiveram contato com o vírus da dengue.

Figura 73. Vacina contra a Dengue.

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Travel_medicine#/media/File:Vaccination_contre_la_grippe_A_(H1N1)_de_2009.jpg>.
Acesso em: 27/4/2019.

Febre amarela
Febre amarela: exposição ocupacional ao mosquito (Aedes aegypti), transmissor do
arbovírus da Febre Amarela, principalmente em atividades em zonas endêmicas, em
trabalhos de saúde pública, em trabalhos de laboratórios de pesquisa, entre outros.
(Fonte: Ministério da Saúde. Portaria No. 1339/GM em 18 de novembro de 1999).

A febre amarela é uma doença viral, causada por um arbovírus, podendo ser muito
grave e com alta letalidade.

Pode se configurar como uma doença ocupacional para os trabalhadores que, em


função do seu trabalho, se expõem a um maior risco de adquiri-la, tais como os

93
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

agentes de controle do mosquito e os trabalhadores de laboratórios de pesquisa


sobre a doença ou do vetor.

Os vetores e os ciclos de transmissão

A febre amarela tem dois tipos de ciclo de transmissão: o silvestre e o urbano.

»» Silvestre: é a transmissão em áreas florestais ou rurais. Transmitido


por dois tipos de mosquitos: Haemagogus e Sabethes. O ciclo ocorre:

Animais silvestres, em especial, os macacos >>mosquito >> ser humano.

»» Urbano: é a transmissão nas áreas urbanas pelo mesmo mosquito da


dengue, o Aedes aegypti. O Ciclo ocorre:

Ser humano >>mosquito >>ser humano

No Brasil não há casos registrados de febre amarela urbana desde 1942

Conheça mais sobre a febre amarela no vídeo:

<www.youtube.com/watch?time_continue=103&v=gaU9vmhGkSI>.

Figura 74. Mosquitos transmissores de febre amarela.

Aedes aegypti Haemagogus

Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Aedes_aegypti#/media/File:Aedes_aegypti_during_blood_meal.jpg>; <http://


g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2017/4/mosquitos-serao-capturados-em-parque-no-rj-apos-morte-de-macacos.
html>. Acesso em: 27/4/2019.

A doença

Doença infeciosa viral de grande letalidade. Uma das principais características é a


presença de icterícia (pigmento amarelado no sangue, por agressão ao fígado), que
deixa o paciente amarelado, o que determinou o nome da doença.

Recentemente em 2017, houve um surto no Brasil com inúmeros mortos.

94
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Figura 75. Manifestações clínicas da febre amarela.

2017 - Surto: (até abril) COES – Febre Amarela


CENTRO DE OPERAÇÕES DE EMERGÊNCIAS EM
• Cerca de 623 casos humanos confirmados SAÚDE PÚBLICA SOBRE FEBRE AMARELA
• Cerca de 209 mortos - confirmados INFORME – Nº 36/2017
• Letalidade: 33,5%

Infecções subclínicas e/ou leves, até formas


graves, fatais
Principais sintomas são febre alta, dores na
cabeça e no corpo, náuseas, vômitos e
icterícia

Formas graves podem afetar vários órgãos:


rins, fígado, estomago, intestino, aparelho
cardiovascular, levando à morte.

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Hepatitis#/media/File:Jaundice_eye.jpg Acesso em: 27/02/2019>. Acesso em: 27/4/2019.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por:

»» exame clínico epidemiológico;

»» isolamento do vírus no sangue e tecidos;

»» testes sorológicos.

Tratamento

Não existem medicamentos específicos para combater o vírus da febre amarela


(antivirais).

O tratamento é baseado no suporte clínico (alimentação, hidratação, soro,


repouso) e no tratamento dos sintomas (analgésicos, antitérmicos etc.). Casos
graves necessitam de UTI.

Prevenção

Controle dos vetores – Aedes aegypti

A prevenção é feita por:

»» eliminação dos focos (água parada);

95
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

»» mosquitos geneticamente modificados;

»» combate químico;

»» educação da população RURAL;

»» equipamentos de proteção dos trabalhadores de controle (repelentes,


vestimenta especial).

Figura 76. Vacina contra a febre amarela.

Fonte: <http://agenciabr.asil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/1105907-rovros_abr._25012018_6076_1.jpg>. Acesso


em: 27/4/2019.

Vacinação é a principal prevenção. Dose única promove cerca de 100% de


proteção. O reforço deve ser feito a cada dez anos.

Hepatites virais
Hepatites virais: exposição ocupacional ao Vírus da Hepatite A (HAV); Vírus da
Hepatite B (HBV);Vírus da Hepatite C (HCV); Vírus da Hepatite D (HDV); Vírus
da Hepatite E (HEV), em trabalhos envolvendo manipulação, acondicionamento ou
emprego de sangue humano ou de seus derivados; trabalho com “águas usadas” e
esgotos; trabalhos em contato com materiais provenientes de doentes ou objetos
contaminados por eles. (Fonte: Ministério da Saúde. Portaria no 1339/GM em 18 de
novembro de 1999).

Como visto, o sufixo “ite” está relacionado a inflamação. Portanto o termo hepatite,
significa inflamação do fígado.

Porém, as hepatites podem ter várias causas: agentes químicos (álcool, bebidas
alcoólicas, agentes tóxicos, medicamentos etc.); agentes biológicos (bactérias,
protozoários e parasitas, vírus etc.).

96
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Figura 77. Causas de hepatites.

Hepatite pode ser infecciosa ou não

Fontes: <https://openclipart.org/detail/70171/wine-bottle; <https://openclipart.org/detail/82639/male-body-silhouette>;


<https://openclipart.org/detail/37315/liver; <https://openclipart.org/detail/205971/virus>; <https://openclipart.org/detail/32875/
funny-bacillus>. Acesso em: 27/4/2019.

As hepatites virais são uma infecção com inflamação do fígado por certos tipos de
vírus. Existem cinco principais vírus (A, B, C, D e E).

Ela se configura como uma doença ocupacional para os trabalhadores que, em


função do seu trabalho, se expõem a um maior risco de adquiri-la, tais como os
trabalhadores dos estabelecimentos de saúde, os trabalhadores de laboratórios
que podem se expor a sangue contaminado ou laboratórios de pesquisa.
Trabalhadores expostos a água contaminada.

Transmissão
A transmissão das hepatites virais é dividida em:

»» fecal-oral, ou seja, transmissão pelas fezes (águas contaminadas);

»» sangue e secreções contaminadas.

Figura 78. Hepatites virais.

Vírus

Fecal-oral Sangue e secreções


Hepatite A, E Hepatite B, C, D

Fonte: <https://openclipart.org/detail/205971/virus; <http://www.tratabr.asil.org.br/blog/wp-content/uploads/2016/10/039-


1024x685.jpg>. Acesso em: 27/4/2019. <https://en.wikipedia.org/wiki/Venipuncture#/media/File:Venipuncture_using_a_BD_
Vacutainer.JPG>. Acesso em: 27/4/2019.

97
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

A Doença

No Brasil, as hepatites virais mais comuns são vírus A, B e C. São cerca de


quatro milhões de infectados com a forma B e 2 milhões com o tipo C.

A maioria é assintomática (sem sintomas ou com sintomas muito leves, que


passam por um mal-estar qualquer).

Sintomas e sinais comuns

Os principais sintomas da hepatite são:

»» mal-estar;

»» dor de cabeça;

»» febre baixa;

»» diminuição apetite;

»» astenia;

»» fadiga;

»» artralgia;

»» náuseas;

»» vômitos;

»» dor abdominal (região do fígado);

»» aversão a alguns alimentos;

»» icterícia (pele, olhos amarelados);

»» colúria (urina cor de Coca-Cola);

»» acolia (fezes “brancas”).

98
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Figura 79. Sinais de hepatite: icterícia e colúria.

Icterícia

Fonte: <https://www.webmd.com/hepatitis/ss/slideshow-hepatitis-overview>; <http://sobremedicina.net/enfermedades/que-es-


coluria.html>. Acesso em: 27/4/2019.

Hepatite A

Hepatite viral com as seguintes características:

»» Fecal oral: transmissão em condições precárias de saneamento básico


e água, de higiene pessoal e dos alimentos ou em trabalho com “águas
usadas” e esgotos.

»» Não cronifica – cura completa ou morte (0,3%).

»» Até 70% são assintomáticos (adultos mais sintomáticos).

»» Não tem tratamento específico.

Prevenção:

»» Saneamento básico, principalmente controle adequado da qualidade


da água para consumo humano e do sistema de coleta de dejetos
humanos.

»» Ações educativas para os trabalhadores sobre higiene, proteção e


formas de transmissão da doença.

»» Educação em biossegurança para os trabalhadores da saúde.

»» Tem vacina gratuita do calendário infantil.

99
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Figura 80. Água contaminada – fonte de transmissão de Hepatite A.

Fonte: <https://www.poa24horas.com.br/prefeitura-divulga-pregao-para-limpeza-de-galerias-pluviais/>. Acesso em: 27/4/2019.

Hepatites B e C

Hepatite viral com as seguintes características:

»» Transmissão por sangue, secreções e via sexual (a hepatite C é


transmitida principalmente por sangue).

»» Até 90% são assintomáticos.

»» Cronifica (B cerca 5%) e (C cerca 70%) – podem levar a cirrose e


câncer de fígado.

»» Casos que cronificam devem ser tratados para tentar eliminar o vírus.

Prevenção:

»» Educação em biossegurança para os trabalhadores da saúde.

»» A hepatite B tem vacina – vacinação dos trabalhadores susceptíveis.

»» A hepatite C não tem vacina.

Figura 81. Estágios da hepatite: Hepatite B crônica – Cirrose – Câncer.

Hepatite Cirrose Cirrose


crônica e câncer

Fonte: <http://studyingmed.com/wiki/index.php?title=HMB/Lectures/The_liver_in_health_and_disease&mobileaction=toggle_
view_mobile>. Acesso em: 27/4/2019.

100
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

HIV – AIDS
HIV - AIDS (Doença pelo Vírus da Imunodeficiência Human: exposição
ocupacional ao Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), principalmente
em trabalhadores da saúde, em decorrência de acidentes perfurocortantes
com agulhas ou material cirúrgico contaminado, e na manipulação,
acondicionamento ou emprego de sangue ou de seus derivados, e contato com
materiais provenientes de pacientes infectados.(Fonte: Ministério da Saúde.
Portaria N o . 1.339/GM em 18 de novembro de 1999).

Figura 82. Sarcoma de Kaposi em portador de AIDS.

Fonte: <https://www.msdmanuals.com/-/media/manual/professional/images/338_kaposi_sarcoma_slide_3_springer_high_
pt.jpg?la=pt&thn=0&mw=350>. Acesso em: 27/4/2019.

Figura 83. Vírus HIV.

HIV: Human Immunodeficiency Virus


AIDS (SIDA): Acquired Immunodeficiency Syndrome

Fonte: <https://cdns.klimg.com/kapanlagi.com/p/hiv-virus.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

O vírus da imunodeficiência humana (em inglês HIV – Human Immudeficiency


Virus) é o agente biológico causador da AIDS – SIDA.

»» SIDA: Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

»» Em inglês, AIDS: Acquired Immundeficiency Syndrome.

101
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Trata-se de uma síndrome e não de uma doença. O termo síndrome se refere a


um conjunto de sinais e sintomas que podem caracterizar um quadro patológico.
A AIDS pode se manifestar por várias doenças (infecções, tumores, alterações
nutritivas), bem como por sinais e sintomas (perda de peso, febre, fraqueza,
mal-estar, manchas etc.) que, em conjunto, levam ao seu diagnóstico.

Todas essas alterações ocorrem em especial, porque o vírus infecta, agride


e destrói as células brancas de defesa do organismo. Há, paulatinamente,
uma drástica queda do sistema de defesa do organismo, ou seja, uma
imunodeficiência.

O termo adquirida justifica-se porque há outra síndrome de imunodeficiência


humana que é congênita. O indivíduo nasce com essa deficiência por problemas
genéticos. Não se deve confundir com a criança que já nasce com o HIV,
transmitido pela mãe portadora.

Risco ocupacional
A infecção pelo HIV, pode ser considerada ocupacional. Trata-se de uma das
grandes preocupações preventivas para os trabalhadores da saúde pelo risco de
se contaminarem com materiais vindos de pacientes portadores. São também de
risco, os trabalhadores que trabalham em laboratórios de pesquisa sobre o vírus
e a AIDS.

Há um capítulo, neste caderno, dedicado aos acidentes que vitimam os


trabalhadores com material biológico (sangue, secreções, entre outros),
com importante risco de contaminação destes. É uma grande preocupação
mundial a prevenção destes acidentes.

O HIV no Mundo e no Brasil


A infecção pelo HIV é uma pandemia, acometendo todo o globo terrestre.

Dados sobre HIV (2017) no mundo:

»» 37 milhões de portadores

›› 35 milhões de adultos

›› 2 milhões de crianças

»» 1,8 milhões de casos novos

»» 1,0 milhão de mortos

Dados aproximados: <https://unaids.org.br/estatisticas/>.

102
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

No mundo todo, cerca de 0,8% da população está contaminada. Há países africanos


onde mais de 20% da população é infectada.

A AIDS mata cerca de um milhão de pessoas anualmente e cerca de 1,8 milhões de


pessoas se contaminam. Uma tragédia. Quase 2 milhões de novos infectados/ano.

Boletim epidemiológico HIV – Ministério da Saúde

<https://www.kff.org/global-health-policy/fact-sheet/the-global-hivaids-
epidemic/>.

Dados sobre HIV (2016) no Brasil:

»» 830.000 [610.000 – 1.100.000] pessoas vivendo com HIV;

»» 48.000 [35.000 – 64.000] novas infecções pelo HIV;

»» 14.000 mortes [9.700 – 19.000] em 2016.

»» Portadores 0,4% a 0,7% em pessoas de 15 a 49.

Boletim epidemiológico HIV – Ministério da Saúde

<http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2016/boletim-epidemiologico-de-
aids-2016>.

A síndrome
Como vimos, o HIV ataca as células brancas de defesa do corpo. Ele infecta
e destrói principalmente, o linfócito T (subtipo CD4) que é uma célula
coordenadora do sistema de defesa.

Sangue

Figura 84. Sangue normal observado ao microscópio

Hemácias- Células
vermelhas (transporte de
oxigênio)

Leucócito - Célula branca


(de defesa)

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Agranulocyte#/media/File:Monocyte_no_vacuoles.JPG>. Acesso em: 27/4/2019.

103
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Dentre os leucócitos (células brancas), o linfócito tipo “CD4” tem um


importante papel na defesa do nosso organismo. Os vírus HIV destroem essas
células. Quanto menor o número de CD4 no sangue, menor a imunidade e,
portanto, mais grave está o quadro da AIDS.

À medida que a contagem de CD4 vai diminuindo, começam a aparecer as


infecções por agentes biológicos, bem cmo tumores.

As células tumorais são normal e diariamente produzidas em nosso corpo, porém,


são destruídas pelo nosso sistema de defesa. Quando a defesa falha, como na
AIDS, vários tipos de tumores benignos ou malignos podem surgir. O quadro
abaixo mostra a evolução da AIDS desde a contaminação até a morte, em relação
à contagem de CD4.

Figura 85. Evolução da AIDS desde a contaminação até a morte.

Doença Febre intermitente


Exposição semelhante Aumento dos gânglios linfáticos
Células CD4/ml ao HIV à febre Exacerbação de condições da pele
ganglionar Trombocitopenia

Leucoplasia pilosa
Herpes Zoster
Candidíase
Diarreia e perda de peso
Bem
800+
Pneumonia pneumocócica
Citomegalovirus
Tuberculose
Sarcoma de Kaposi

Pneumocystis carinii

Doença “magra”
Saúde
declinando Mycobacterium avium
400
intracellulare

Linfoma não Hodgkin

200
Demência
100
III 50

2-4 meses Variável, 1-5 anos Variável Morte

Fonte: Livro: Atlas colorido e texto de Clínica médica, 2ª edição. Forbes.C.D. e Jackson,W.F. 1997.

Observe pela figura, que após um período variável de 1 a 5 anos, a quantidade de


CD4 vai progressivamente diminuindo e começam a surgir as doenças (infecções
e tumores)

<https://www.gatportugal.org/public/uploads/publicacoes/brochuras/
Basico%20-%20CD4%20e%20carga%20viral.pdf>.

104
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Importante enfatizar que, após o surgimento do coquetel anti-HIV, ou mais


corretamente, TARV (Terapia Antirretroviral), a evolução da síndrome foi
muito modificada. São vários tipos de medicamentos antivirais na TARV, e
estas medicações conseguiram retardar muito a evolução da AIDS. Mesmo
assim, é essencial a prevenção, pois a terapia tem inúmeros possíveis efeitos
colaterais e, além disto, apenas retarda o avanço da doença.

Prevenção

Não existe vacina ainda.

O trabalho educativo é essencial.

Acidentes com agulhas e outros materiais perfurocortantes são a principal causa de


acidentes de trabalho nos trabalhadores da saúde.

O foco das ações da HT deve ser primordialmente na prevenção desses acidentes,


com EPCs, EPIs e educação dos trabalhadores.

Anuário Estatístico da Previdência Social - 2017

O subsetor ‘Saúde e serviços sociais’, foi o que mais apresentou acidentes típicos
(15,86%), sendo a maior parte, acidente com materiais perfurocortantes.

A OSHA – Europa estima em cerca de 1.2 milhões de acidentes com agulhas


e outros materiais perfurocortantes nos trabalhadores da saúde a cada ano.
<https://oshwiki.eu/wiki/Prevention_of_sharp_injuries>.

105
CAPÍTULO 3
Demais agentes biológicos

Neste capítulo, abordaremos os demais agentes biológicos que são foco da HT


e dos programas e normas legais preventivos em SST, lembrando em especial
dos agentes definidos no eSocial e seguindo a lista das doenças relacionadas
ao trabalho do Ministério do Trabalho.

Quadro 16. NDE – eSocial.

“Tabela 23 – Fatores de Risco do Meio Ambiente do Trabalho”

Anexo II da NDE no 01/2018 – Tabelas – Versão 2.0

CÓD. FATOR DE RISCO

BIOLÓGICOS

03.01.001 Agentes biológicos infecciosos e infectocontagiosos (bactérias, vírus, protozoários, fungos, príons, parasitas e outros)

03.01.999 Outros

Fonte: <https://portal.esocial.gov.br/manuais/nde-01-2018-v2-0.zip>. Acesso em: 27/4/2019.

Fungos

Os fungos são agentes biológicos onipresentes. Estão presentes nos mais diversos
ambientes e alguns se tornam um risco nos ambientes de trabalho.

Como vimos na introdução deste caderno, existem fungos macroscópicos e


microscópicos. Dentro dos macroscópicos, citamos os cogumelos que são comestíveis,
como os champignons. Outros, como os chamados “orelhas de pau”, são facilmente
observáveis na natureza.

Vimos também que alguns fungos microscópicos são muito úteis para a
humanidade, como o fungo que produz a penicilina e as leveduras que são
usadas na produção de alimentos.

Podemos dividir as infecções fúngicas, ou também chamadas “micoses”, em


superficiais ou sistêmicas, conforme sua ação sobre o organismo humano.

106
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Figura 86. Micoses superficiais e sistêmicas.

Superficial
Dermatofitose (B35)
Outras Micoses Superficiais (B36)

Candidíase (B37)
Candidíase -Mão

Candidíase - esôfago

Sistêmica
Paracoccidioidomicose (Blastomicose
Sul Americana, Blastomicose
Brasileira, Doença de Lutz) (B41)

Fonte: <http://www.pcds.org.uk/ee/images/made/ee/images/uploads/clinical/Fig_13_CORPORIS_-_EXTENSIVE_800_526_70.
jpg; <https://www.dermnetnz.org/topics/tinea-pedis/>; <https://www.dermnetnz.org/topics/candidiasis-of-skin-folds/;
<https://thrushtreatmentcenter.com/thrush-throat-esophageal-thrush/>; <http://www.aems.edu.br/conexao/edicaoanterior/
Sumario/2013/downloads/2013/1/2.pdf>. Acesso em: 27/4/2019.

As micoses superficiais são infecções fúngicas da pele, bastante comuns, enquanto as


sistêmicas atingem outros órgãos ou sistemas orgânicos e são, relativamente, mais
raras.

Os fungos microscópicos são os de risco ocupacional e vamos passar a detalhar os da


lista da portaria do Ministério da Saúde.

Dermatofitoses e micoses superficiais (atingem a


pele)

Dermatofitose e outras micoses sperficiais: exposição ocupacional a fungos


dos gêneros Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton, em trabalhos em
condições de temperatura elevada e umidade (cozinhas, ginásios, piscinas) e
outras situações específicas de exposição ocupacional. (Fonte: Ministério da
Saúde. Portaria n o 1339/GM em 18 de novembro de 1999).

As dermatofitoses e micoses superficiais são muito comuns na população em geral.


É preciso entender que fungos se desenvolvem com mais facilidade nas seguintes
situações:

107
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

»» umidade;

»» calor;

»» baixa higiene;

»» locais da pele mais abafadas (dobras, regiões de contato pele/pele).

As situações ocupacionais em ambientes quentes, com trabalho braçal, sudorese e


baixa higiene podem contribuir para o surgimento dessas patologias, em especial,
as micoses superficiais nas áreas intertriginosas (áreas de contato pele-pele, como
axilas, virilhas, entre glúteos, entres dos dedos etc.), demonstradas nas imagens
abaixo:

Figura 87. Dermatofitoses (micoses de pele).

Tinea cruris (micose virilha) Tinea pedis (micose pés – pé de atleta)

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/40/Intertrigo-1.jpg>; <https://pt.wikipedia.org/wiki/Intertrigo#/


media/File:Ji2.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Situações ocupacionais que expõem as mãos a umidade excessiva (lavadeiras,


cozinheiros, entre outros) também propiciam o surgimento destas infecções
micóticas, entre os dedos e nas unhas (Onicomicose).

Figura 88. Onicomicose.

Onicomicose (micose unha)

Fonte: Vivier, A. Atlas de dermatologia clínica. 2ª edição. Editora Manole.1997.

108
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

A cândida é um fungo microscópico que pode provocar tanto infecções


superficiais como sistêmicas. No caso das infecções superficiais, elas se
comportam com as dermatofitoses, infectando trabalhadores expostos a
umidade e calor. A lista do Ministério da Saúde, assim define:

Candidíase (B37.-). Exposição ocupacional a Candida albicans, Candida glabr.


ata etc., em trabalhos que requerem longas imersões das mãos em água e
irritação mecânica das mãos, tais como trabalhadores de limpeza, lavadeiras,
cozinheiras, entre outros. (Z57.8) (Quadro 25). (Fonte: Ministério da Saúde.
Portaria n o 1.339/GM em 18 de novembro de 1999).

Abaixo, imagens de infecção por cândida entre os dedos e nas unhas.

Figura 89. Candidíase superficial.

Fonte: <https://www.dermnetnz.org/topics/candidiasis-of-skin-folds/; Vivier>, A. Atlas de dermatologia clínica. 2ª edição. Editora


Manole.1997. Acesso em: 27/4/2019.

Tratamento

Antifúngicos – na maioria das vezes usa-se tratamento na pele com creme e,


dependendo da extensão, pode ser usado tratamento via oral, por quatro a oito
semanas, com exceção das unhas, onde se usa um tempo maior.

Prevenção

Não existe vacina disponível.

»» Higiene é primordial - Secar cuidadosamente as regiões de dobras do


corpo, como axilas, dedos dos pés e virilha.

»» Evitar ficar molhado ou suado por longo período.

»» Ambientes quentes (favorece a sudorese e proliferação do agente).

109
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

»» Usar roupas e calçados arejados.

»» As ações de HT devem focar a temperatura e a umidade, bem como a


educação preventiva dos trabalhadores.

Micoses sistêmicas
Alguns fungos podem desenvolver infecções generalizadas em vários órgãos do
corpo, eventualmente graves e fatais. A candidíase pode ter um acometimento
generalizado, em especial em pacientes imunodeprimidos (AIDS, transplantados,
desnutridos etc.). Entretanto, a principal representante de doença sistêmica
causada por fungo no Brasil é a Blastomicose Sul Americana e por isso está
expressa na lista.

Paracoccidioidomicose (Blastomicose Sul Americana, Blastomicose Brasileira,


Doença de Lutz) (B41.-). Exposição ocupacional ao Paracoccidioides brasiliensis,
principalmente em trabalhos agrícolas ou florestais e em zonas endêmicas.
(Z57.8) (Quadro 25).( Fonte: Ministério da Saúde. Portaria n o 1339/GM em 18 de
novembro de 1999).

A doença

Trata-se de uma infecção por um fungo microscópio, o Paracoccidioides


brasiliensis, que acomete os trabalhadores agrícolas. É um fungo presente no solo.
Trata-se de um fungo oportunista, ou seja, a doença surge quando há uma baixa
da resistência do organismo. Geralmente, a contaminação se dá na juventude e
se manifesta entre os 40 eos 50 anos de idade em trabalhadores rurais etilistas,
tabagistas, desnutridos ou com alguma deficiência imune.

São fungos inalados e atingem inicialmente o aparelho respiratório, se disseminando


depois para outros órgãos, podendo levar à morte.

Figura 90. Paracoccidioidomicose – micose sistêmica.

Fonte:<https://en.wikipedia.org/wiki/Paracoccidioidomycosis#/media/File>; <Paracoccidioidomycosis_lesions.png>; <http://


rmmg.org/content/imagebank/imagens/v24n1a11-fig05.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

110
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Figura 91. Paracoccidioidomicose – micose sistêmica II.

Infecção pulmonar da Blastomicose


Fonte: <http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v39n3/a17v39n3.pdf>; <http://www.aems.edu.br/conexao/edicaoanterior/Sumario/2013/
downloads/2013/1/2.pdf>. Acesso em: 27/4/2019.

Tratamento

O tratamento das micoses é feito com antifúngicos - Sistêmicos – Injetável ou oral,


dependendo do quadro. Cerca de 1 ano de tratamento.

Prevenção

»» Não existe vacina disponível.

»» Como vimos, é um fungo oportunista. Geralmente acomete


trabalhadores rurais etilistas, tabagistas, desnutridos ou com alguma
deficiência imune, então deve-se:

›› combater o tabagismo e alcoolismo;

›› adotar alimentação adequada.

»» Uso de equipamentos de proteção respiratória durante atividades


agrícolas, terraplenagem, preparo de solo, práticas de jardinagem,
transporte de produtos vegetais. Usar maquinário com isolamento da
cabine.

Conheça mais sobre micoses sistêmicas no site:

<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/392600/mod_resource/content/1/
PCM_17_11.pdf>.

111
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Parasitas e protozoários
Os parasitas são também agentes biológicos onipresentes.

Conceito: organismo que vive em outro organismo (hospedeiro) dele retirando seu
alimento e geralmente causando-lhe dano (Dicionário Michaelis).

Os normatizadores optaram por separar parasitas de protozoários. Mas, na verdade,


essa é uma separação didática, pois os protozoários são parasitas unicelulares
(microscópicos).

Podemos então, dividir os parasitas em:

»» Metazoários: parasitas macroscópicos;

›› Ectoparasitas:

·· piolhos;

·· carrapatos;

·· pulgas, entre outros.

›› Endoparasitas:

·· vermes intestinais – lombriga, solitárias, entre outros;

·· parasitas extra intestinais: cisticercos, bicho geográfico, hidatidose .

»» Protozoários: parasitas unicelulares (microscópicos).

Em termos de HT, nos importa, em especial, os protozoários que são os agentes


presentes na lista do Ministério da Saúde.

Malária

Trata-se de uma infecção sistêmica por protozoários do gênero plasmodium.


São três espécies mais importantes: Plasmodium malariae; Plasmodium vivax;
Plasmodium falciparum.

O protozoário é transmitido por picada de um mosquito. É uma das doenças


infeciosas que mais matam em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de
Saúde (OMS), em 2017, houve cerca de 219 milhões pessoas infectadas no mundo,
resultando em 435 mil mortes, sendo a maioria dos casos na África e Ásia. No

112
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

Brasil, nos primeiros seis meses de 2018, tivemos 88.565 novos casos de malária,
a maior parte na região amazônica.

A malária no mundo – OMS -WHO: <https://www.who.int/malaria/en/>.

Figura 92. Malária no Brasil.

Mapa de risco por município de infecção

MALÁRIA

IPA (Casos/1.000 Hab)


Sem transmissão
Baixo risco: <10
Médio risco: >10 e <50
Alto risco: > 50

Fonte: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43998843>. Acesso em: 27/4/2019.

O vetor

O plasmodium é transmitido pela picada das fêmeas dos mosquitos do gênero


anófeles, ou mosquito prego. São várias espécies com ampla distribuição mundial

Figura 93. Anopheles.

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Anopheles#/media/File:AnophelesGambiaemosquito.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

113
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

A doença

Doença infecciosa pelos protozoários plasmodium, como vimos, com grande


letalidade no mundo e no Brasil.

O quadro pode ser desde leve até grave, levando à morte. Os casos mais graves são
causados normalmente pelo plasmodium falciparum.

Os sintomas se iniciam em um período de uma semana a um mês após a picada do


mosquito.

Os plasmodium infectam em especial as células do fígado e os glóbulos vermelhos


do sangue.

Pode ser considerada doença do trabalho quando o trabalhador, para desenvolver


suas atividades, se expõe a áreas endêmicas da malária e pode ser picado pelo
mosquito vetor. Também pode acometer trabalhadores em atividades de pesquisa.

Figura 94. Malária: Plasmodium no sangue.

Glóbulos vermelhos do sangue


infectados pelo plasmodium
(azulados). Os parasitas destroem
estas células

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mal%C3%A1ria#/media/File:Plasmodium.jpg>; <http://israeltrade.org.br/wp-content/


uploads/2016/04/Malaria-Cells.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Os sintomas da malária são:

»» febre alta;

»» calafrios;

»» tremores;

»» sudorese;

»» fraqueza;

114
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

»» icterícia (olhos e pele amarelos);

»» convulsão;

»» falta de ar.

Diagnóstico

»» O diagnóstico é feito por:

»» exame clínico epidemiológico;

»» isolamento do plasmodium no sangue.

Tratamento

O tratamento é feito com medicamentos antimaláricos - Sistêmicos – Injetável ou


oral, dependendo do quadro e do tipo de Plasmodium. Duração do tratamento de
1 a 12 semanas.

Prevenção

»» Não existe vacina disponível (algumas estão em estudo).

»» Proteção em relação ao mosquito: uso de repelentes, roupas de


proteção, mosquiteiro, telas etc. Os mosquitos atacam principalmente
ao amanhecer e ao final de tarde. Evitar locais que são criadouros de
mosquitos, tais como beira de rios e áreas inundadas.

»» Combate ao mosquito – drenar e aterrar locais criadouros do mosquito.

»» Medicação preventiva para exposição às situações de risco.

Leishmaniose

Leishmaniose Cutânea (B55.1) ou Leishmaniose Cutâneo-Mucosa (B55.2):


Exposição ocupacional à Leishmania braziliensis, principalmente em trabalhos
agrícolas ou florestais e em zonas endêmicas, e outras situações específicas de
exposição ocupacional. (Z57.8) (Quadro 25). (Fonte: Ministério da Saúde. Portaria
no 1339/GM em 18 de novembro de 1999).

115
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Doença infecciosa pelo protozoário Leishmania braziliensis, transmitido


pela picada das fêmeas de um mosquito, Subfamília Phlebotominae, gênero
Lutzomyia, também conhecido como mosquito palha, birigui ou cangalha.

Figura 95. Leishmaniose: Protozoário e vetor.

Phlebotomus
Leishmania
Mosquito palha

Fonte: <https://msu.edu/course/zol/316/lsppscope.htm>; <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/17/


Phlebotomus_pappatasi_bloodmeal_begin.jpg/375px-Phlebotomus_pappatasi_bloodmeal_begin.jpg>. Acesso em:
27/4/2019.

A Doença

Durante a picada do mosquito, os protozoários são inoculados na pele.

A Leishmania é um parasita intracelular.

Conforme a espécie do protozoário (há várias espécies de Leishmania) e a resistência


do hospedeiro são observadas as seguintes formas:

»» Cutânea: lesões ulceradas na pele

Figura 96. Leishmaniose Cutânea.

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmaniose#/media/File:Skin_ulcer_due_to_leishmaniasis,_hand_of_Central_American_
adult_3MG0037_lores.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

116
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

»» Leishmaniose cutaneomucosa: lesões que invadem as mucosas


do nariz, boca e faringe.

Figura 97. Leishmaniose cutaneomucosa.

Fonte: Braunwald, E. Atlas of internal medicine. Current Medicine,inc.1999.

»» Leishmaniose visceral ou calazar: acomete as vísceras (baço,


fígado, medula óssea e tecidos linfoides). O cão é fonte de contaminação.

Figura 98. Leishmaniose visceral ou calazar.

Fonte: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_controle_leishmaniose_visceral.pdf>. Acesso em:


27/4/2019.

Figura 99. Leishmaniose visceral ou calazar: cão reservatório.

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a7/Calazar_canino.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

117
UNIDADE V │ DETALHANDO OS AGENTES

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por:

»» exame clínico epidemiológico;

»» isolamento do protozoário nas lesões;

»» testes de reação intradérmica com Leishmania ou teste de Montenegro.

Tratamento

O tratamento é feito com medicamentos antimoniais pentavalentes – Sistêmicos –


Injetável. Depende do tipo, recomenda-se injeções diárias até por 30 dias.

Prevenção

»» Não existe vacina disponível (algumas estão em estudo).

»» Proteção em relação ao mosquito: uso de repelentes, roupas de


proteção, mosquiteiro, telas etc. Ataques ocorrem principalmente
ao amanhecer e ao final de tarde. Evitar locais de mata em regiões
endêmicas.

»» Combate ao mosquito.

»» Cuidado preventivos com os cães (vacinação, coleiras repelentes,


vigilância pela zoonose).

Demais agentes biológicos

Abordamos, até agora, todos os agentes biológicos da Lista de Doenças


Relacionadas ao Trabalho, definida pelo Ministério da Saúde (Portaria n o 1.339/
GM de 18 de novembro de 1999).

Entretanto, não podemos esquecer o que nos traz a Lei 8.213/1991, que trata dos
acidentes e doenças do trabalho:

Lei 8213/1991 (Grifo nosso)

Art. 20.......

§ 1o Não são consideradas como doença do trabalho:

118
DETALHANDO OS AGENTES │ UNIDADE V

d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região


em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de
exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho.

§ 2o Em caso excepcional, constatando-se que a doença


não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste
artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é
executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência
Social deve considerá-la acidente do trabalho.

Art. 21. Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos


desta Lei:

III - a doença proveniente de contaminação acidental do empregado


no exercício de sua atividade;

Observe que essa lei define que, mesmo que a doença/agente não esteja na lista,
esta poderá ser considerada como doença do trabalho se “resultou das condições
especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente”

Imaginemos o seguinte exemplo: uma técnica de enfermagem, que trabalha na


enfermaria de pediatria, onde está ocorrendo um surto de catapora. Apesar do vírus
da catapora não fazer parte da lista, se esta profissional adquirir catapora, trata-se
de uma doença do trabalho, pois “com ele se relaciona diretamente”.

Uma série de agentes biológicos estão ausentes da lista e podem ser


enquadrados desta maneira. Em função disso, a NR-32 traz uma lista enorme
de agentes biológicos em seu Anexo II, que devem ser foco de atenção dos
profissionais de SST.

119
ACIDENTES
COM MATERIAL UNIDADE VI
BIOLÓGICO

CAPÍTULO 1
Importância deste tipo de acidente

Figura 100. WHO.

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/World_Health_Organization#/media/File:World_Health_Organization_Logo.svg>. Acesso


em: 27/4/2019.

A Organização Mundial da Saúde (OMS ou WHO) estima que:

»» existam 35 milhões de profissionais de saúde em todo o mundo;

»» 3 milhões/ano sofram acidentes do trabalho por exposições


percutâneas a patógenos transmitidos pelo sangue (Exposições de 2
milhões Hepatite B, 900 mil Hepatite C e 170 mil para HIV);

»» esses acidentes podem evoluir com infecção: cerca de 15.000 por


Hepatite C, 70.000 por Hepatite B e 1.000 infecções por HIV;

»» Mais de 90% dessas infecções ocorram em países em desenvolvimento.

Figura 101. CDC_NIOSH.

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/National_Institute_for_Occupational_Safety_and_Health#/media/File:NIOSH_logo.svg>.
Acesso em: 27/4/2019.

120
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

»» O CDC/ NIOSH estima que anualmente, nos Estados Unidos da


América (EUA):

»» existam 8 milhões de profissionais de saúde;

»» 600 a 800 mil sofram acidentes do trabalho por exposições


percutâneas;

»» aproximadamente 30 acidentes para cada 100 leitos/ano.

Figura 102. OSH- EUROPA (Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho).

Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ag%C3%AAncia_Europeia_para_a_Seguran%C3%A7a_e_a_Sa%C3%BAde_no_Trabalho#/
media/File>; <Europ%C3%A4ische_Agentur_f%C3%BCr_Sicherheit_und_Gesundheitsschutz_am_Arbeitsplatz_logo.svg>.
Acesso em: 27/4/2019.

»» A OSH- EUROPA (Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no


Trabalho) estima que anualmente, na Europa:

»» Ocorram cerca de 1.2 milhões de acidentes com agulhas e outros


materiais perfurocortantes nos trabalhadores da saúde.

No Brasil:

De acordo com o Anuário Estatístico da Previdência Social-2017, o subsetor


‘Saúde e serviços sociais’, foi o que mais apresentou acidentes típicos
(15,86%). Foram 70.538 acidentes, sendo a maior parte acidente com materiais
perfurocortantes.

Figura 103. Acidentes biológicos – perfurocortantes.

Fonte: <https://www.healthnavigator.org.nz/media/5429/needlestick-injury-200x200.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

121
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

Milhões de trabalhadores se expõe anualmente a sangue e secreções


potencialmente contaminadas.

Mais de 50 patógenos podem ser transmitidos por sangue e secreções.

A exposição ocupacional se dá por de lesão percutânea (espetar agulha ou lesão com


perfurocortantes (cateter, bisturi); contato nas mucosas do olho, boca e nariz por
respingos ou contato com a pele ferida.

Cientes desses dados, não restam dúvidas que acidentes com agulhas e outros
materiais perfurocortantes são a principal causa de acidentes de trabalho nos
trabalhadores da saúde.

Importante ressaltar ainda que, segundo a OMS, estima-se que 90% desses tipos
de acidentes ocorre em países em desenvolvimento, com grande subnotificação
dos casos.

A maioria destes acidentes poderiam ser prevenidos com ações de HT e SST.

Figura 104. Proteção facial.

Fonte: <https://www.kisspng.com/png-surgical-mask-face-shield-dentistry-nose-breadtalk-1766701/>. Acesso em: 27/4/2019.

Diante desses graves dados, a NR-32 - Segurança e Saúde no Trabalho em


Serviços de Saúde, traz em seu bojo uma série de normatizações buscando
a prevenção da ocorrência desses acidentes e, consequentemente, das
contaminações por doenças advindas deles.

Entre essas ações está: (grifo nosso)

32.2.4.16 O empregador deve elaborar e implementar Plano


de Prevenção de Riscos de Acidentes com Materiais
Perfurocortantes, conforme as diretrizes estabelecidas no Anexo III
desta Norma Regulamentadora.

122
CAPÍTULO 2
Precauções universais

Todos os profissionais de saúde e, em especial, da área de SST devem conhecer e


aplicar as precauções universais com relação a risco biológicos.

Conceito

Conjunto simples de práticas eficazes destinadas a proteger os profissionais de


saúde e os pacientes contra a infecção com uma variedade de agentes patogênicos.

Medidas de prevenção para lidar com TODOS os pacientes e materiais utilizados


nestes. Deve-se entender que:

»» não é possível testar todos os pacientes sobre a presença de


patógenos, então deve-se lidar com TODOS os pacientes da mesma
forma, independente do(s) diagnóstico(s). Exemplo: nada impede de
um paciente internado por infarto seja portador de Hepatite C sem
que ninguém saiba, nem mesmo o paciente, pois, como vimos no
capítulo das hepatites virais, a imensa maioria dos portadores desta
patologia são assintomáticos;

» » devem ser adotadas medidas de prevenção com TODOS os


pacientes, independente do grupo de risco. Os grupos de risco
podem não estar infectados e muitas pessoas infectadas, não
pertencerem a grupos de risco;

»» devem ser utilizadas medidas de prevenção na assistência a qualquer


paciente quando houver contato com fluidos orgânicos: sangue,
fluido cérebro-espinhal, sêmen, secreções vaginais, leite materno,
excreções em mucosas ou pele não integra;

»» fluidos orgânicos são, potencialmente, não infectantes: suor, lágrima,


fezes, urina e saliva, exceto se contaminados com sangue.

123
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

Medidas de precauções universais

Figura 105. Precauções universais.


Lavagem das mãos após qualquer contato direto com pacientes.

Cobrir todos os cortes e abr.asões com um curativo impermeável.

Limpar prontamente e com cuidado os derrames de sangue e outros fluidos corporais (hipoclorito de sódio a 1% no
local, por 30 minutos).

Manipular as roupas com cuidado e sem agitação. Recolhê-las e rotular caso seja material contaminado. Cuidado
com agulhas nas roupas de cama.

Cuidar do lixo e seu destino. O lixo hospitalar deve ser coletado em saco plástico, amarrado e acondicionado em
um novo saco mais resistente, amarrado e encaminhado para incineração. O responsável pela coleta do lixo deve
estar paramentado com luvas, avental e botas.

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c9/Wash_your_hands.svg>; <https://mega.ibxk.com.


br/2014/06/04/04174244224643.jpg; <https://kelldrin.com.br/wp-content/uploads/2016/06/59C-Hipoclorito-1Lt-e-5Lt.jpg;https://i.
cbc.ca/1.4023442.1489442781./fileImage/httpImage/image.JPG_gen/derivatives/16x9_780/hospital-laundry.JPG; <http://www.
portoplast.ind.br/subcategoria/saco-para-lixo-hospitalar>. Acesso em: 27/4/2019.

124
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

E.P.I

»» Luvas: contato com fluidos corporais, pele não intacta e membranas


mucosas. A utilização de luvas é obrigatória para executar punção
venosa e para realizar procedimentos invasivos como injeção
endovenosa, intramuscular, colher sangue, passar sonda vesical,
nasogástrica, fazer traqueostomia, cuidar de ferimentos etc.

»» Máscaras: usar uma máscara, proteção para os olhos e avental


impermeável se o sangue ou outros fluidos corporais puderem
respingar.

»» Botas: na realização de procedimentos úmidos ou com significativa


quantidade de material infectante (centro cirúrgico, necropsia,
lavanderia etc.).

Figura 106. Equipamentos de proteção.

Fonte: <https://ilearn.careerforce.org.nz/mod/book/view.php?id=21>. Acesso em: 27/4/2019.

Precauções universais

<https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/publicacoes/
item/precaucoes-padrao-de-contato-para-goticulas-e-para-aerossois>.

<http://portalms.saude.gov.br/artigos/918-saude-de-a-a-z/influenza/13807-
recomendacoes-para-prevencao-e-controle>.

125
CAPÍTULO 3
Materiais perfurocortantes

Como vimos, são a principal causa de acidentes com os profissionais dos serviços de
saúde.

Conceito: NR 32 – Anexo III


Segundo a NR32, materiais perfurocortantes “São aqueles
utilizados na assistência à saúde que têm ponta ou gume, ou
que possam perfurar ou cortar.”

OMS – Situaçoes e atividades de maior risco


Como vimos, a OMS estima algo como 3 milhões de acidentes por ano com
manterial perfurocortante.

Dados do NaSH (National Surveillance System for Healthcare Workers) do CDC


dos EUA (National Surveillance System for Healthcare Workers). Summary Report
for Blood and Body Fluid Exposure Data Collected from Participating Healthcare
Facilities (June 1995 through December 2007 _ Fonte: <https://www.cdc.gov/
nhsn/PDFs/NaSH/NaSH-Report-6-2011.pdf>), mostram que:

»» o contato com fluidos potencialmente contaminantes ocorre em sua


grande maioria por acidentes quer perfuram a pele (percutâneos) com
material perfurocortantes (agulhas, bisturis, cateteres etc.).

Figura 107. Tipo de contato com material biológico.

Mordidas, 1%
Lesões na pele, 3%

Contado com mucosas


14%

Percutâneos
82%

Fonte: <https://www.cdc.gov/nhsn/PDFs/NaSH/NaSH-Report-6-2011.pdf>. Acesso em: 27/4/2019.

126
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

»» Os profissionais que mais se acidentam são os da área de enfermagem.


Entretanto, todos os outros trabalhadores que prestam assistência aos
pacientes (como médicos e técnicos), além do pessoal de suporte (limpeza,
lavanderia, laboratório etc.) estão sujeitos aos acidentes.

Figura 108. Incidência de acidentes por profissão.


Pesquisas 1%
Administração e
Outros 3%
cléricos1%

Odontologia 1%
Serviços de
manutenção e limpeza
3% Enfermagem
42%
Estudantes
4% Outros
técnicos
15%

Médicos
30%

Fonte: <https://www.cdc.gov/nhsn/PDFs/NaSH/NaSH-Report-6-2011.pdf>. Acesso em: 27/4/2019.

»» Os ambientes/atividades onde ocorrem os maiores números de


acidentes são nos serviços de internação de pacientes e salas de
cirugias.

Figura 109. Incidência de acidentes por ambiente.

Lixo e
lavanderia 1% Outros 5%

Laboratórios 4%

Setor de Enfermaria médico/cirúrgica 19%


emergência 8%
Cuidados intensivos, 12%

Enfermaria ginecologia/
Pacientes Unidades de obstetrícia 1%
externos 8% internação 36%
Enfermaria pediátrica 1%

Enfermaria psiquiátrica 1%
Salas de
Salas de cirurgias Berçário 1%
procedimentos
36%
9%
Unidades prisionais <1%

Fonte: <https://www.cdc.gov/nhsn/PDFs/NaSH/NaSH-Report-6-2011.pdf>. Acesso em: 27/4/2019.

127
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

Cuidados com os materiais perfurocortantes


Deve-se ter a máxima atenção durante a realização dos procedimentos:

»» As agulhas NUNCA devem ser reencapadas, entortadas, quebradas


ou retiradas da seringa com as mãos (NR:32 item: 32.2.4.15). Essa
é uma das maiores causas de acidentes com agulhas. Então, estão
terminantemente proibidas os reencapes de agulhas. Agulhas
modernas já estão vindo com sistemas de protenção ao reencape,
como veremos adiante.

Figura 110. Nunca reencapar agulhas.

Fonte: <https://www.osha.gov/SLTC/bloodbornepathogens/recognition.html>. Acesso em: 27/4/2019.

»» Todo material perfurocortante (agulhas, scalp, lâminas de bisturi,


vidrarias entre outros), mesmo que estéril, deve ser desprezado
necessariamente em coletores de segurança à prova de perfuração e à
prova de líquidos, com tampa.

» » Os coletores específicos para descarte de material perfurocortante


não devem ser preenchidos acima do limite de 2/3 de sua
capacidade total e devem ser colocados sempre próximos do local
onde é realizado o procedimento.

Figura 111. Coletor de material perfurocortante.

Fonte: <http://www.descarpack.com.br/arquivos/portfolio-items/coletor-para-material-perfurocortante>. Acesso em: 27/4/2019.

128
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

Hierarquia das medidas de proteção com


relação a objetos perfurocortantes
Como ocorre com relação a qualquer risco ambiental, a HT nos instrui que devemos
seguir as prioridades de ações no ambiente e depois nos indivíduos.

Figura 112. Hierarquia das ações.

Fonte Geradora Meio de Propagação EPC EPI

Fonte: Do autor.

O EPI deve ser sempre a última opção de proteção dos trabalhadores. Diante
disto a NR-32, em seu Anexo III, traz uma hierarquia de medicas protetivas a
serem implementadas.

Figura 113. Medidas de controle para a prevenção de acidentes com materiais perfuro cortantes.

NR 32 – Anexo III

A adoção das medidas de controle deve Eliminação/ substituição


obedecer à seguinte hierarquia: (Evitar injeções desnecessárias. Via
administração)
a) Substituir o uso de agulhas e outros
perfurocortantes quando for tecnicamente
possível;
Medidas de engenharia
(Espaço, organização, coletores)

b) Adotar controles de engenharia no ambiente Material com dispositivo de


(por exemplo, coletores de descarte); segurança
(travas, descartáveis, pontas retrateis,
etc.)

c) Adotar o uso de material perfurocortante com Treinamento e mudanças de


dispositivo de segurança, quando existente, práticas
disponível e tecnicamente possível; e (Não reencapar, cuidados na manipulação,
etc.)

EPI
d) Mudanças na organização e nas práticas de (Luvas, avental, botas)
trabalho.

Fontes: <https://www.fda.gov/ucm/groups/fdagov-public/documents/image/ucm621697.jpg>; <http://www.bayonnenj.org/


web_content/Image/no-syringes.jpg>; <http://www.descarpack.com.br/arquivos/portfolio-items/coletor-rigido-para-material-
perfurocortante>. Acesso em: 27/4/2019.

129
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

Observe que a NR-32, coloca o EPI como a última opção para a proteção contra
o risco de acidentes biológicos com material perfurocortante. Vamos, então,
detalhar as ações preventivas prévias ao EPI.

Eliminação e substituição

Deve haver uma conscientização e treinamento, pela equipe do Serviço


Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT),
para que os médicos evitem a prescrição de medicamentos ministrados por
agulhas ou injeções etc. Sempre se deve dar preferência, quando possivel, a
medicações via oral, transdérmica ou retal. Deste modo, se elimina o risco de
acidente.

Medidas de engenharia ambiental

As medidas ambientais melhoram o espaço e o fluxo de pessoas e materiais:


controle de processos de descarte de material contaminado, disposição de
coletores de material contaminado de fácil acesso aos trabalhadores, troca
frequente dos coletores, coletores de qualidade reconhecida, organização de
fluxo do lixo hospitalar.

Uso de material perfurocortantes com mecanismos


de segurança

Há diversos materiais médicos hospitalares no mercado e em desenvolvimento


com mecanismos de segurança para evitar acidentes com trabalhadores e
pacientes. Abaixo, alguns exemplos:

»» Bisturis: passar a utilizar bisturis descartáveis e com lâmina retrátil.


Os bisturis tradicionais são de aço e, a cada procedimento, devem
receber uma lâmina nova. Antes de o cabo ser enviado para o
processo de esterilização/desinfecção, a lâmina que foi utilizada tem
que ser retirada e descartada. Acontece que, nesses procedimentos,
os trabalhadores se acidentam com a lâmina usada. Com o bisturi
descartável, cabo e lâmina não são reutilizados.

130
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

Figura 114. Bisturi descartável.

Fonte: <https://www.rays.it/en/wp-content/uploads/prodotti/MS-21-768x768.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Bisturi descartável: após o uso, retrai-se a lâmina para dentro do cabo e


descarta-se todo o material.

»» Escalpes e intracaths: há varios modelos de escalpes com mecanismos


de segurança no mercado, e outros em fase de estudos.

No primeiro modelo abaixo, a agulha é retraida para dentro do escalpe


quando se desconecta do paciente. No segundo, a ponta da agulha é
automaticamente protegida quando é deconectada do paciente.

Veja vídeos demostrativos em:

<https://www.youtube.com/watch?v=sraBaCTlP9c> <https://www.youtube.
com/watch?v=tC6BLdE8Fcw>.

Figura 115. Escalpes e intracaths com mecanismo de proteção.

Fonte: <https://www.quickmedical.com/images/page/large/nipro-safety-winged-infusion-set.jpg>; <http://www.polymedicure.


com/?wpccategories=safety-i-v-cannula-with-adva-needle-technology>; <https://www.bbraun.com.br/pt/products/b/introcan-
safety.html>. Acesso em: 27/4/2019.

»» Válvulas de infusão de medicamentos: quando um paciente já tem uma


veia puncionada, recebendo um soro, e precisa receber uma medicaçao
intravenosa extra, é comum que se use uma injeção e introduza a agulha
dentro da mangueira do soro, sem que se puncione uma nova veia para
isso. Com o sistema de válvula, usa-se uma seringa sem agulha para
injetar o medicamento.
131
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

Figura 116. Válvulas de infusão de segurança.

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/ICU_IV_1.jpg>; <https://www.bd.com/assets/images/our-


products/syringes-and-needles/posiflush-saline-flush-syringes_C_IV_0609_0163.png>. Acesso em: 27/4/2019.

» » Agulhas: mecanismos de proteção das agulhas têm sido


desenvolvidos para evitar o reencape de agulhas, que, como vimos,
é um dos principais motivos de acidentes. Nos exemplos das figuras
abaixo, a capa da agulha é encaixada de modo seguro

Figura 117. Agulhas com mecanismos de proteção.

Fonte: <https://www.careshop.co.uk/14407-thickbox_default/bd-eclipse-safety-needle-23gx1-blue-1x100.jpg>; <https://www.


bd.com/pt-br/our-products/blood-and-urine-collection/venous-collection/vacutainer-eclipse>. Acesso em: 27/4/2019.

Quando não se dispuser desses mecanismos, a orientação é NUNCA reencapar a


agulha e descartar a seringa com agulha desencapada no coletor. Os coletores
adequados devem ser resistentes a perfuração por materiais perfurocortantes.

Seleção dos materiais com dispositivos de


segurança

Há vários materiais perfurocortantes com mecanismos de proteção no mercado


e outros em desenvolvimento. Assim, a NR-32 traz uma normatização de como
fazer a seleção de qual material é mais adequado para uso.

NR-32. Anexo III

6. Seleção dos materiais perfuro cortantes com dispositivo


de segurança:

6.1 Esta seleção deve ser conduzida pela Comissão Gestora


Multidisciplinar, atendendo as seguintes etapas:

132
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

a) definição dos materiais perfuro cortantes prioritários para


substituição a partir da análise das situações de risco e dos acidentes
de trabalho ocorridos;

b) definição de critérios para a seleção dos materiais perfuro


cortantes com dispositivo de segurança e obtenção de produtos
para a avaliação;

c) planejamento dos testes para substituição em áreas selecionadas


no serviço de saúde, decorrente da análise das situações de risco e
dos acidentes de trabalho ocorridos; e

d) análise do desempenho da substituição do produto a partir das


perspectivas da saúde do trabalhador, dos cuidados ao paciente e da
efetividade, para posterior decisão de qual material adotar.

Treinamento/capacitação dos trabalhadores em


relação a materiais perfurocortantes

Figura 118. Treinamento dos trabalhadores.

Fonte: <https://openclipart.org/detail/279035/teaching-icon>. Acesso em: 27/4/2019.

NR-32 – Anexo III

Capacitação dos trabalhadores:

Na implementação do plano, os trabalhadores devem ser capacitados antes da


adoção de qualquer medida de controle e de forma continuada para a prevenção
de acidentes com materiais perfurocortantes.

A capacitação deve ser comprovada por meio de documentos que informem a


data, o horário, a carga horária, o conteúdo ministrado, o nome e a formação ou
capacitação profissional do instrutor e dos trabalhadores envolvidos.

133
CAPÍTULO 4
Conduta pós acidente biológico

Figura 119. O acidente ocorreu... e agora?

Fontes: <https://ieltsonlinetests.com/writing-tips/5-challenges-nurses-face-while-answering-ielts-writing-task-2>; <https://www.


cdc.gov/niosh/topics/bbp/images/needlestickinjury-med.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

Os acidentes de trabalho com sangue e outros fluidos potencialmente contaminados


devem ser tratados como emergência médica.

*Necessidade de início precoce da profilaxia pós exposição (PEP) para maior


eficácia da intervenção. Não há benefício da PEP com antirretrovirais (ARV) após
72 horas da exposição (TSAI et al., 1995, TSAI et al., 1998, OTTEN et al., 2000).

Nos casos em que o atendimento ocorrer após 72 horas da exposição, não está
mais indicada a profilaxia ARV.

O prazo máximo para procurar a emergência médica é de 72 horas.

Como prazo ideal, recomenda-se entre 2 a 6 horas após o acidente.

Figura 120. Protocolo de profilaxia do Ministério da Saúde.

Fonte: <http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-profilaxia-pos-exposicao-pep-
de-risco>. Acesso em: 27/4/2019.

134
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

O protocolo de conduta pós exposição do Ministério da Saúde pode ser


acessado em:

<http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-
terapeuticas-para-profilaxia-pos-exposicao-pep-de-risco>.

As medidas profiláticas NÃO são 100% eficazes: a melhor prevenção é não se


acidentar. Deve-se:

»» implementar medidas educativas aos trabalhadores;

»» colocar cartazes informativos com as medidas profiláticas universais


em todos os setores;

»» formar profissionais de referência em cada turno/setor;

»» manter o seguimento dos acidentados com risco de soro conversão


por, no mínimo, seis meses;

»» prevenir, principalmente contra HIV, Hepatite B e Hepatite C.

Materiais (fluídos) de risco

Quais os materias biológicos são considerados de risco para transmissão de


doenças?

Quadro 17 . Fluídos de risco.

Exposição sem risco de transmissão do HIV


Exposição com risco de transmissão do HIV
(Desde que sem sangue)
»» Sangue »» Suor
»» Sêmen »» Lágrima
»» Fluidos vaginais »» Fezes
»» Líquidos de serosas (peritoneal, pleural, pericárdico) »» Urina
»» Líquido amniótico »» Vômitos
»» Líquor »» Saliva (exceto dentistas)
»» Líquido articular »» Secreções nasais
»» Leite materno
Fonte: DIAHV/SVS/MS - Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós Exposição de Risco (PEP) à Infecção Pelo
HIV, IST e Hepatites Virais; <http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-profilaxia-pos-
exposicao-pep-de-risco>. Acesso em: 27/4/2019.

135
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

Observem que o sangue é o principal material contaminante. Não são


considerados de risco: suor, lágrima, fezes, urina, vômito, saliva ou secreções
nasais (desde que não contaminados por sangue). A saliva, nos casos dos
profissionais de odontologia, é de risco, pois quase sempre se contamina com
sangue.

Quanto ao risco de transmissão do HIV, um dos principais objetivos da PEP, o


protocolo do Ministério da Saúde classifica os tipos de acidentes, conforme o
quadro abaixo:

Quadro 18. Tipos de exposição e risco de contaminação.

Exposição com risco de transmissão do HIV Exposição sem risco de transmissão do HIV

»» Percutânea »» Cutânea em pele íntegra


»» Membranas mucosas »» Mordedura sem a presença de sangue
»» Cutâneas - pele não íntegra
»» Mordedura com presença de sangue

Fonte: DIAHV/SVS/MS - Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Para Profilaxia Pós Exposição De Risco (PEP) à Infecção Pelo
Hiv, Ist E Hepatites Virais; <http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-profilaxia-pos-
exposicao-pep-de-risco>. Acesso em: 27/4/2019.

Observe que, quando a pele está íntegra, não há risco de infecção por HIV. As
situações de maior risco são, sem dúvida, quando ocorrem ferimentos da pele com
os objetos perfurocortantes (lesão percutânea), em especial as seguintes situações:

»» lesões profundas provocadas por material cortante;

»» presença de sangue visível no instrumento;

»» acidentes com agulhas previamente utilizadas em veia ou artéria de


paciente-fonte;

»» acidentes com agulhas de grosso calibre;

»» agulhas com lúmen (canal). Agulhas sólidas, como as que são usadas
para suturas (pontos) são de menor risco.

Quanto maior a quantidade de sangue do paciente, maior o risco.

136
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

Figura 121. Tipos de agulha e risco de contaminação.

Fontes: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2b/Syringe_Needle.jpg/1200px-Syringe_Needle.jpg>;
<https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e9/Atraumatisches_Nahtmaterial_17.JPG/1200px-Atraumatisches_
Nahtmaterial_17.JPG>. Acesso em: 27/4/2019.

No caso de contato com algum dos materiais (fluídos) de risco:

»» com a boca, olhos ou mucosas, deve-se lavar com água abundante e


fazer bochechos, ou usar soro fisiológico;

»» com a pele, deve-se remover os fluídos cuidadosamente, lavando a


região com água e sabão. Evitar os uso de escovinhas, pois provocam
a escarificação da pele, ampliando a porta de entrada;

»» o uso de antisséptico não é contra-indicado, entretanto, não há


evidência científica de que seu uso ou a expressão do local do ferimento
reduzam o risco de transmissão;

»» não devem ser realizados procedimentos que aumentem a área


exposta, tais como cortes e injeções locais. Cortar o local ferido
para sair o sangue não tem comprovação de melhora do risco de
transmissão e pode piorar a chance de outras infecções locais.

Paciente fonte

Esse é um assunto importantíssimo, que norteia totalmente a PEP.

O termo “paciente fonte” refere-se ao paciente de onde veio o material de risco


(sangue, fluidos corporais).

A conduta na PEP irá variar conforme se conhecer ou não quem é o paciente


fonte.

O quadro abaixo mostra duas situaçoes comuns: um procedimento de colher


sangue de um paciente e um funcionário na lavanderia hospitalar. No caso

137
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

da colheita de sangue, o paciente é conhecido. Já no caso da funcionária da


lavanderia que se fere com uma agulha perdida em um lençol, não se sabe quem
é o paciente.

Figura 122. Tipos de paciente_fonte.

EM CASO DE ACIDENTE:

PACIENTE - FONTE

CONHECIDO DESCONHECIDO

Repetindo.
Temos que agir rápido. Temos prazo ideal máximo de 2 horas.

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Venipuncture#/media/File:Venipuncture_using_a_BD_Vacutainer.JPG>; <https://i.cbc.


ca/1.4023442.1489442781./fileImage/httpImage/image.JPG_gen/derivatives/16x9_780/hospital-laundry.JPG>. Acesso em:
27/4/2019.

Paciente fonte conhecido

Figura 123. Conduta com paciente-fonte conhecido.

PACIENTE FONTE: CONHECIDO


Exames a serem realizados:
Paciente fonte do acidente Funcionário

Se funcionário vacinado (ou imunizado)


a) Teste rápido para HIV. (30 min) para hepatite B (Anti-HBs > 10 UI/L):
a) Anti-HCV. (p/ hepatite C)
b) HBs Ag. (p/ hepatite B) c) Anti-HIV (Teste rápido)
c) Anti-HBc. (p/ hepatite B)
Sem evidência de proteção para hepatite B,
d) Anti-HCV. (p/ hepatite C) não sabe ou não realizado:
e) Anti-HIV convencional (Elisa). a) HBsAg. (p/ hepatite B)
b) Anti-HBc. (p/ hepatite B)
c) Anti-HBs. (p/ hepatite B)
d) Anti-HCV. (p/ hepatite C)
Pode-se acrescentar VDRL (sífilis) e
Doença de CHAGAS e) Anti-HIV. (Elisa)

Fonte: Do autor.

138
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

Quando se conhece o paciente fonte, a primeira medida é solicitar autorização


e colher os exames necessários desse paciente fonte. Isso porque, se todos os
exames dessa pessoa forem negativos, tranquiliza-se tanto o paciente quanto o
acidentado.

Deve-se fazer também exames do funcionário acidentado,pois é importante


entender:

»» se o paciente fonte for negativo e o trabalhador positivo, a doença do


trabalhador é anterior ao acidente. Isso tem implicações trabalhistas
e judiciais importantes, como pode ser visto na imagem abaixo.

»» se o paciente fonte for positivo e o trabalhador positivo, a doença do


trabalhador é anterior ao acidente, pois, após um acidente, os exames
de sangue demoram semanas ou meses para “positivar”. Isso tem
implicações trabalhistas e judiciais importantes, como pode ser visto
na imagem abaixo:

Portanto, se o trabalhador tem um exame positivo no dia do acidente


para quaisquer dessas doenças, o trabalhador já tinha a doença antes do
acidente (não adquiriu a doença no acidente).

Figura 124. Contaminação por HIV.

Fonte: <http://www.tst.jus.br/noticias/-/asset_publisher/89Dk/content/auxiliar-de-enfermagem-contaminada-pelo-virus-hiv-
recebera-indenizacao-por-dano-moral>. Acesso em: 27/4/2019.

139
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

Paciente fonte desconhecido

Figura 125. Conduta com paciente fonte desconhecido.

PACIENTE FONTE: DESCONHECIDO


Exames a serem realizados:
Funcionário

Se funcionário vacinado (ou imunizado) para hepatite B (Anti-HBs > 10 UI/L):


a) Anti-HCV. (p/ hepatite C)
c) Anti-HIV (Teste rápido)

Sem evidência de proteção para hepatite B, não sabe ou não realizado:


a) HBsAg. (p/ hepatite B)
b) Anti-HBc. (p/ hepatite B)
c) Anti-HBs. (p/ hepatite B)
d) Anti-HCV. (p/ hepatite C)
e) Anti-HIV.

Fonte: Do autor.

Observem, abaixo, duas situações frequentes, onde podemos ter o “paciente fonte”
desconhecido.

Os coletores de lixo urbano, garis, são frequentemente feridos por seringas


deixadas no lixo comum. Os funcionários de lavanderia hospitalar se
acidentam com agullhas “perdidas” entre lençois e outras roupas. Nestes dois
casos, exemplos, não temos como identificar quem foi o usuário do material
perfurocortante e, por consequência, não temos como saber se o material está
ou não contaminado com alguma doença.

Figura 126. Exemplos de acidente com paciente fonte desconhecido.

Fonte: <https://www.indiamart.com/proddetail/hospital-laundry-service-10695674430.html>; <https://omunicipio.com.br/wp-


content/uploads/2017/11/seringa-gari.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

140
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

Nesse caso faremos exames de imediato do trabalhador acidentado, pois, como


vimos, se algum exame se mostrar positivo, a doença não foi adquirda do acidente.

Os trabalhadores já vacinados e comprovadamente imunizados (ou seja, a vacina


foi efetiva) devem ser conduzidos de forma diferente. Para esses trabalhadores,
não são necessários os testes para hepatite B (HBsAG, Anti-HBc e Anti-HBsAG).
Faz-se apenas os exames para Hepatite C e HIV. Se quiser, pode-se acrescentar
VDRL (sífilis) e exame para doença de chagas.

O protocolo de condutas e exames a serem realizados deve ser definido pelo


médico do trabalho da empresa e pelo coordenador do Progama de Controle
Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), conforme prescreve a NR32:

32.2.3.3 Com relação à possibilidade de exposição acidental


aos agentes biológicos, deve constar do PCMSO (grifo nosso)

a) os procedimentos a serem adotados para diagnóstico,


acompanhamento e prevenção da soroconversão e das doenças;

b) as medidas para descontaminação do local de trabalho;

c) o tratamento médico de emergência para os trabalhadores;

d) a identificação dos responsáveis pela aplicação das medidas


pertinentes;

e) a relação dos estabelecimentos de saúde que podem prestar


assistência aos trabalhadores;

f) as formas de remoção para atendimento dos trabalhadores;

g) a relação dos estabelecimentos de assistência à saúde


depositários de imunoglobulinas, vacinas, medicamentos
necessários, materiais e insumos especiais.

Figura 127. Treinamento acidentes biológicos.

Fonte: <https://openclipart.org/detail/278691/teaching-icon>. Acesso em: 27/4/2019.

141
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

É essencial:

»» treinar os trabalhadores sobre como proceder em caso de acidente;

»» ter um responsável por orientar os acidentados em cada setor;

»» o responsável do setor dever conhecer com clareza os procedimentos


a serem adotados (laboratórios, exames, onde encaminhar os
acidentados para tomar as medicações preventivas se houver
necessidade)

Baixe o protocolo de conduta PEP do Ministério da Saúde

<http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2019/fluxograma-para-profissionais-de-
saude-primeiro-atendimento-de-pep>.

Em caso de acidente

Cuidados a serem tomados com o trabalhador acidentado e o paciente fonte:

»» sempre explicar o quadro e a importância dos exames e solicitar, por


escrito, autorização de ambos;

»» informar ambos (trabalhador e paciente fonte) sobre os resultados e


seguimentos posteriores;

»» comprometer-se com o acompanhamento do acidentado durante seis


meses; (Durante esse período ainda há risco de se positivar o teste de
HIV);

»» prestar suporte emocional devido ao estresse pós-acidente;

»» oferecer orientações de prevenção da transmissão secundária.

Nos casos de exposição ao HIV, o profissional acidentado deve usar proteção


durante atividade sexual pelo período de seguimento, mas principalmente nas
primeiras seis a doze semanas pós-exposição. Deve também evitar: gravidez,
doação de sangue, plasma, órgãos, tecidos e sêmen. O aleitamento materno deve
ser interrompido.

142
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

»» comunicar imediatamente o acidente ao serviço médico da instituição;

»» o serviço médico deve registrar o acidente de trabalho e emitir


imediatamente a CAT, geralmente não necessitando afastar o
funcionário (CID10: Y609- Corte, punção, perfuração ou hemorragia
acidentais durante a prestação de cuidado cirúrgico e médico, não
especificados).

Risco de adquirir HIV, hepatite B ou C

Como vimos na introdução deste capítulo, o objetivo principal da PEP


refere-se ao risco do acidentado com o material biológico ser contaminado por
HIV, hepatites B ou C.

Vamos descrever agora um pouco sobre o risco de contaminação por cada um


desses vírus.

Hepatites

O maior receio em relação às hepatites virais B e C são a cronificação (hepatite


crônica), com evolução para cirrose ou câncer de fígado (hepatocarcinoma).

Figura 128. Cronificação das hepatites virais B e C.

Fígado NORMAL
Fígado CIRRÓTICO

Vírus Fígado CIRRÓTICO


Com CÂNCER
Vírus

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Cirrhosis#/media/File:Liver_Cirrhosis.png>. Acesso em: 27/4/2019.

143
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

Figura 129. Evolução da hepatite B.

HEPATITE B

> 50% formas assintomáticas ou com sintomas leves


90 - 95% evoluem para cura (adultos)
5 - 10% = forma crônica (adultos)

CIRROSE HEPÁTICA

Câncer

Nos trabalhadores da saúde, a prevalência


de HBV é de 2 a 4 vezes maior do que na
HEPATOCARCINOMA (câncer) população em geral.

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Cirrhosis#/media/File:Liver_Cirrhosis.png>. Acesso em: 27/4/2019.

Risco de contaminação por hepatite B

»» Risco contágio variável entre 6% e 30%.

»» 1 ml de sangue = 1 a 100 milhões de vírus.

»» O vírus sobrevive até 7 dias no ambiente.

»» Acidente com agulhas oferecem maior risco.

»» Uso de vacina e gamaglobulina: redução de 90 a 95%.

A vacinação pré-exposição contra a hepatite B é a principal medida de


prevenção de hepatite B ocupacional entre profissionais de saúde e outros
profissionais expostos ao risco. Idealmente, a vacinação deverá ser feita
antes da admissão do profissional (ou estudante, estagiário) nos serviços
(Cartão controle de vacinas).

Está indicada para todos aqueles que podem estar expostos aos materiais
biológicos durante suas atividades, inclusive os que não trabalham
diretamente na assistência aos pacientes como, por exemplo, as equipes de
higienização e de apoio (limpeza, lavanderia etc.). Garis e coletores de lixo
também têm indicação da vacina. A vacina é fornecida pelo SUS.

144
ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO │ UNIDADE VI

Figura 130. Imunoglobulina para hepatite B.

Fonte: <http://productstore.savaglobal.com/media/catalog/product/cache/1/image/9df78eab33525d08d6e5fb8d27136e95/
s/a/savabig_200.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

A imunoglobulina contra hepatite B é utilizada dentro das primeiras 24 a 48 horas


após o acidente de não imunizados. Não existe benefício comprovado após uma
semana da exposição.

Figura 131. Hepatite C: evolução.

HEPATITE C

• Não existe vacina.


• Risco de aquisição após exposição percutânea de 3% a 10%.
• Há tratamento no SUS com até 90% de sucesso (Quanto antes iniciar, melhor o resultado
terapêutico).
• Possibilidade de complicações 4 a 10 vezes maior que VHB.
• Até 70% a 80% sem tratamento evoluem para forma crônica.
• Aproximadamente 20% a 30% dos portadores de hepatite C crônica desenvolvem cirrose
após 10 a 20 anos.

CIRROSE HEPÁTICA
HEPATOCARCINOMA

Fonte: Do autor.

Hepatite C

A principal fonte de contaminação é pelo sangue. Atualmente, existem


tratamentos com medicamentos antivirais eficientes, com até 90% de sucesso
na eliminação do vírus, dependendo da fase em que se inicia o tratamento.
Como muitos casos evoluem para cirrose, o tratamento deve ser iniciado o mais
brevemente possível. O SUS fornece o tratamento. Embora o tratamento exista,
as drogas têm efeitos colaterais, por isso a importância da prevenção.

Acidentes com material de risco de portador de hepatite C requerem


acompanhamento especializado para exames mais específicos (função hepática,
carga viral etc.).

145
UNIDADE VI │ ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

HIV

Figura 132. HIV: prevenção.

HIV - AIDS

• Risco de contágio de 0,3% (ou 3 casos em cada 1000 acidentes).


• Quimioprofilaxia, idealmente, em no máximo 2 horas.
• Estudos em animais sugerem que a quimioprofilaxia não é eficaz quando iniciada 24 a 48
horas após a exposição. Recomenda-se que o prazo máximo para início seja de até 72h
após o acidente. A duração é de 28 dias.

A falta de um especialista, no momento imediato do atendimento pós exposição, não


é razão suficiente para retardar o início da quimioprofilaxia.

Fonte: Do autor, 2017.

146
HT/PPRA E
PCMSO - RISCOS UNIDADE VII
BIOLÓGICOS
Introdução
Vimos, na introdução deste caderno, que entre as inúmeras NRs há uma que
está intimamente relacionada à HT. Trata-se da NR-9 ou PPRA (Programa de
Prevenção de Riscos Ambientais).

NR-9

“9.1 Do objeto e campo de aplicação

9.1.1 Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece a obrigatoriedade


da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores
e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA, visando à
preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através
da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente
controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou
que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em
consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos
naturais.” (Grifo nosso)

Definição de HT, de acordo com a Associação Internacional de Higiene


Ocupacional (International Occupational Hygiene Association - IOHA):

“A disciplina de antecipar, reconhecer, avaliar e controlar


riscos para a saúde no ambiente de trabalho com o objetivo
de proteger a saúde e bem-estar do trabalhador e proteger a
comunidade como um todo.” (grifo nosso).

Observando, então, a NR-9 e o conceito da IOHA, fica patente que esta é a norma
regulamentadora que está mais imbricada ao tema de HT.

147
CAPÍTULO 1
PPRA

Agora que conhecemos os diversos riscos biológicos, temos informações que


embasem o objetivo do programa de prevenção de riscos ambientas em relação a
esses agentes. Como citado na norma, temos que:

»» antecipar;

»» reconhecer;

»» avaliar;

»» controlar.

É essencial conhecer bem os agentes/riscos para propor as medidas de HT.

Figura 133. Conhecer bem os riscos é essencial.


Como proteger:
Como o agente Tipo de EPI-EPC
penetra/é absorvido PPRA e outras ações
no corpo ambientais
Fonte: Do autor.

As fases do PPRA
O PPRA é um programa com diretrizes e ações detalhado em um documento base
para a empresa seguir, objetivando eliminar ou minimizar o risco aos quais os
trabalhadores estão expostos.

Figura 134. PPRA.


O Programa tem por objetivo identificar os riscos do ambiente do trabalho e propor
medidas (diretrizes) a serem adotadas para atenuar ou eliminar esse risco.

Programa
(Diretrizes)

Documento
Base
Empresa
Objetivos
Atenuar ou eliminar a presença
de riscos no ambiente laboral.

Fonte: Do autor.

148
HT/PPRA E PCMSO - RISCOS BIOLÓGICOS │ UNIDADE VII

O programa tem fases de implantação:

FIGURA 135. PPRA: fases de implantação.

FASES do PROGRAMA

• ANTECIPAÇÃO: identificação de possível risco na fase de


projeto.

• IDENTIFICAÇÃO: identificação do agente no ambiente de


trabalho.

• QUANTIFICAÇÃO/QUALIFICAÇÃO: avalia-se a
intensidade do agente/risco no ambiente de trabalho.

• Identificação da fonte geradora e meio de propagação

• Funções/trabalhadores expostos ao risco.

• Estabelecimento de medidas a serem adotadas para


atenuar ou eliminar o risco (Cria-se um cronograma de
ações).

Fonte: <https://openclipart.org/detail/181987/architectural-floor-plan>; <https://openclipart.org/detail/205971/virus>; <https://


openclipart.org/detail/249841/first-responder-doctor>. Acesso em: 27/4/2019.

Antecipação

Neste caderno, também destinado ao curso de pós graduação em Engenharia de


Segurança do Trabalho, esta fase é essencial para engenheiros e arquitetos com
conhecimento de SST.

Trata-se da fase de prever e antecipar a ocorrência de riscos ambientais ainda


no momento de projeto. Um profissional da área de SST pode ser contratado
para emitir um parecer e/ou acompanhar um projeto de um hospital, clínica,
laboratório, entre outras, no que tange a HT.

149
UNIDADE VII │ HT/PPRA E PCMSO - RISCOS BIOLÓGICOS

Figura 136. Antecipação: fase de projeto.

Fonte: <https://openclipart.org/detail/24860/architetto-architetto-2>. Acesso em: 27/4/2019.

A visão do higienista ocupacional deve ser de adequar o projeto para evitar riscos
ocupacionais aos futuros trabalhadores do local.

Além das legislações e normas de SST, há também documentos legais do Ministério


da Saúde/ANVISA que regulamentam e norteiam os projetos e a construção de
estabecimentos com riscos biológicos.

Para evitar os riscos biológicos aos futuros trabalhadores desses estabelecimentos,


o fluxo de materiais e pessoas, os sistemas de ventilação, os tipos de materiais de
construção (revestimentos, pinturas, bancadas etc), a disposição de pias, lavatórios,
sanitários, entre tantos outros detalhes, devem ser pensados e repensados.

É extremamente mais fácil fazer mudança de HT no projeto do que depois da obra


em andamento.

Sugestão de estudo complementar: normas relacionadas à parte de projetos


de estabelecimentos de saúde:

»» <https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/
legislacao/item/rdc-50-de-21-de-fevereiro-de-2002>.

»» < h t t p s : / / w w w . r i s c o b i o l o g i c o . o r g / l i s t a /
DiretrizesGeraisContencaoAgentesBiologicos_2010.pdf>.

»» <https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.
php/publicacoes/item/arquitetura-na-prevencao-de-infeccao-
hospitalar>.

150
HT/PPRA E PCMSO - RISCOS BIOLÓGICOS │ UNIDADE VII

»» <http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/processamento_
roupas.pdf>.

»» <http://por tal.anvisa.gov.br/documents/10181/3427425/
RDC_222_2018_.pdf/c5d3081d-b331-4626-8448-c9aa426ec410>.

Identificação e quantificação do risco


biológico
Sabemos da infinidade de agentes biológicos que podem estar presentes nos
ambientes laborais. Como identifica-los e quantificar o risco?

Para isso é essencial conhecer alguns aspectos da NR32 e outras normais legais.

NR-32 (grifo nosso)

32.2.2 Do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais -


PPRA:

32.2.2.1 O PPRA, além do previsto na NR-09, na fase de


reconhecimento, deve conter:

I. Identificação dos riscos biológicos mais prováveis, em função da


localização geográfica e da característica do serviço de saúde e seus
setores, considerando:

a) fontes de exposição e reservatórios;

b) vias de transmissão e de entrada;

c) transmissibilidade, patogenicidade e virulência do agente;

d) persistência do agente biológico no ambiente;

e) estudos epidemiológicos ou dados estatísticos;

f) outras informações científicas.

Quanto à idenfificação dos riscos biológicos mais prováveis, é importante que se


conheça a lista de agentes biológicos do Anexo II da NR32 e as normas relativas
ao Plano de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH) e a Comissão de Controle
de Infecções Hospitalares (CCIH), que foram definidos pela Portaria no 2.616 do
Ministério da Saúde, de 1998.

NR32

32.10.2 No processo de elaboração e implementação do PPRA e


do PCMSO devem ser consideradas as atividades desenvolvidas

151
UNIDADE VII │ HT/PPRA E PCMSO - RISCOS BIOLÓGICOS

pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar – CCIH do


estabelecimento ou comissão equivalente.

A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) é composta por


profissionais da área de saúde de nível superior e tem como parte das atribuições,
identificar e fazer o controle epidemiológico dos agentes biológicos.

Portanto, é essencial esse intercâmbio entre a equipe do SESMT-SST e a equipe da


CCIH.

A avaliação da intensidade do risco é qualitativa, ou seja, não há como quantificar o


risco por esses agentes. Qualitativa, neste caso, quer dizer que o risco irá se basear
no estudo epidemiológio dos agentes mais presentes naquele determinado ambiente
laboral, associado ao grau de risco do agente defindo no Anexo I e II da NR32.

Como vimos na Unidade III, “Conceitos essenciais sobre Agentes Biológicos”, as


características de infectividade, patogenicidade e virulência do agente, associadas à
capacidade de disseminação do agente para a coletividade é que qualifica o risco.

Fonte geradora

A fonte geradora também faz parte do estudo qualitativo epidemiológico da ACGIH,


definindo pacientes, objetos e ambientes que são portadores ou fontes de contágio e
de disseminação dos diversos patógenos.

Identificação das funções e trabalhadores


expostos

Trabalhadores e funções expostos a determinado riscos biológicos devem ser


identificados para serem objeto de condutas preventivas específicas: treinamento,
equipamentos, vacinação, supervisão médica, entre outros.

Açoes de HT e cronograma

As ações do PPRA, ou seja de HT, serão norteadas de acordo com a identificação


e qualificação desses agentes, sempre respeitando a hierarquia de serem
primordiais as ações ambientais e, por último, as ações individuais sobre os
trabalhadores expostos. EPI é sempre a última opção de proteção.

152
HT/PPRA E PCMSO - RISCOS BIOLÓGICOS │ UNIDADE VII

A qualificação e o grau de risco do agente do Anexo I da NR32 também estão


comtemplados nas “Diretrizes Gerais para o Trabalho em Contenção com Material
Biológico” do Ministério da Saúde, 2010. Consulte o site: <https://www.riscobiologico.
org/lista/DiretrizesGeraisContencaoAgentesBiologicos_2010.pdf>.

As ações preventivas dessas diretrizes são coerentes com a qualificação do risco do


agente e da situação ambiental.

PROTEÇAO COLETIVA – EPC – Atuando no meio de


propagação

Ao se fazer o PPRA, programando ações preventivas em relação aos


agentes/riscos biológicos, é essencial conhecer o grau de risco dos agentes e de
determinados ambientes sujeitos a esses riscos.

Neste intento, é essencial conhecer a NBR- 7256 – Tratamento de ar em


estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS) - Requisitos para projeto e execução
das instalações - associado as classificações ambientais de biossegurança (NB-1;
NB-2; NB-3) definidas nas Diretrizes Gerais para o Trabalho em Contenção com
Material Biológico – citada acima.

Figura 137. Fluxo de ar laminar em centro cirúrgico – EPC.

Fonte: <https://www.nafahq.org/cleaning-the-operating-room/>. Acesso em: 27/4/2019.

153
UNIDADE VII │ HT/PPRA E PCMSO - RISCOS BIOLÓGICOS

Figura 138. Cabines de biossegurança para manipulação de materiais biológicos.

Fonte: <https://www.airlinkfiltros.com.br/en/artigos/entenda-diferenca-entre-capela-de-fluxo-laminar-e-cabine-de-seguranca-
biologica/>. Acesso em: 27/4/2019.

154
CAPÍTULO 2
PCMSO

O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) para os


trabalhadores expostos a riscos biológicos tem que focar no controle da saúde
frente aos possíveis agentes, bem como trabalhos educativos e na profilaxia
vacinal.

NR32
32.2.3.1 O PCMSO, além do previsto na NR-07, e observando
o disposto no inciso I do item 32.2.2.1, deve contemplar:

a) o reconhecimento e a avaliação dos riscos biológicos;

b) a localização das áreas de risco segundo os parâmetros do


item 32.2.2;

c) a relação contendo a identificação nominal dos trabalhadores, sua


função, o local em que desempenham suas atividades e o risco a que
estão expostos;

d) a vigilância médica dos trabalhadores potencialmente expostos;

e) o programa de vacinação.

O PCMSO deve também contemplar a conduta com relaçao à ocorrência de


acidentes com material biológico, conforme tratado anteriormente neste caderno.

Sugestão de estudo complementar: Guia de vacinas da Associação Nacional


de Medicina do Trabalho: <http://www.anamt.org.br/site/upload_arquivos/
arquivos_diversos_16620161211277055475.pdf>.

155
ADICIONAIS DE
INSALUBRIDADE E
APOSENTADORIA UNIDADE VIII
ESPECIAL – AGENTES
BIOLÓGICOS

CAPÍTULO 1
Adicional de insalubridade

O adicional de insalubridade é um acréscimo remuneratório ao trabalhador


que se expõe a atividades/agentes insalubres. Este adicional está previsto
na lei maior do país, a Constituição Federal (CF) e em legislação e normas
infraconstitucionais:

Na CF:

“CAPÍTULO II

DOS DIREITOS SOCIAIS

Art. 7 o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de


outros que visem à melhoria de sua condição social:....

XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas,


insalubres ou perigosas, na forma da lei;

Na Lei 6514/1977 (grifo nosso)

“Art. 192 - O exercício de trabalho em condições insalubres, acima


dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do
Trabalho, assegura a percepção de adicional respectivamente
de 40% (quarenta por cento), 20% (vinte por cento) e 10% (dez
por cento) do salário-mínimo da região, segundo se classifiquem
nos graus máximo, médio e mínimo.

Norma Regulamentadora número 15 (NR-15) (Portaria MTb no


3.214, 08 de junho de 1978)

156
ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE E APOSENTADORIA ESPECIAL – AGENTES BIOLÓGICOS │ UNIDADE VIII

NR 15 - ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES

15.2 O exercício de trabalho em condições de insalubridade,


de acordo com os subitens do item anterior, assegura ao trabalhador
a percepção de adicional incidente sobre o salário mínimo da região,
equivalente a:

15.2.1 - 40% (quarenta por cento), para insalubridade de grau


máximo;

15.2.2 - 20% (vinte por cento), para insalubridade de grau médio;

15.2.3 - 10% (dez por cento), para insalubridade de grau mínimo;

Portanto, a legislação e normatização trabalhista define esse adicional remuneratório


em três níveis: grau máximo, médio e mínino.

O Anexo XIV da NR15 detalha as situações e atividades nas quais os trabalhadores


fazem jus ao adicional de insalubridade.

No caso dos agentes biológicos, existem apenas duas graduações: grau máximo
(40%) e médio (20%).

Observação:

Conflitos Jurídicos

A concessão do adicional de insalubridade, bem como outros benefícios


relacionados à exposição aos riscos biológicos é tema de inúmeras discussões
jurídicas. Há decisões conflitantes e algumas jurisprudências e súmulas foram
geradas.

Sugestão de estudo complementar: vídeos do Dr. Marcelo Penteado: “Súmulas


do Tribunal Superior do Trabalho sobre insalubridade – uma série de 4 episódios
sobre as Súmulas do Tribulnal Superior do Trabalho sobre insalubridade”
<https://www.youtube.com/watch?v=UeH_4HriTlg>.

Atividades insalubres do Anexo XIV da NR15


ANEXO No 14

(Aprovado pela Portaria SSST no 12, de 12 de novembro de 1979)


AGENTES BIOLÓGICOS

157
UNIDADE VIII │ ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE E APOSENTADORIA ESPECIAL – AGENTES BIOLÓGICOS

Relação das atividades que envolvem agentes biológicos, cuja insalubridade é


caracterizada pela avaliação qualitativa.

Insalubridade de grau máximo

»» Trabalho ou operações em contato permanente com: pacientes em


isolamento por doenças infectocontagiosas, bem como objetos de uso
desses pacientes, não previamente esterilizados;

»» Trabalho com carnes, glândulas, vísceras, sangue, ossos, couros,


pelos e dejeções de animais portadores de doenças infectocontagiosas
(carbunculose, brucelose, tuberculose);

»» Trabalho em esgotos (galerias e tanques); e

»» Trabalho com lixo urbano (coleta e industrialização).

Insalubridade de grau médio

Trabalhos e operações em contato permanente com pacientes, animais ou com


material infecto-contagiante, em:

»» hospitais, serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios, postos


de vacinação e outros estabelecimentos destinados aos cuidados da
saúde humana. Aplica-se unicamente ao pessoal que tenha contato
com os pacientes, bem como às pessoas que manuseiam objetos de uso
desses pacientes, não previamente esterilizados;

» » hospitais, ambulatórios, postos de vacinação e outros


estabelecimentos destinados ao atendimento e tratamento de
animais. Aplica-se apenas ao pessoal que tenha contato com tais
animais;

»» contato em laboratórios, com animais destinados ao preparo de soro,


vacinas e outros produtos;

»» laboratórios de análise clínica e histopatologia. Aplica-se tão-só ao


pessoal técnico;

» » gabinetes de autópsias, de anatomia e histoanatomopatologia.


Aplica-se somente ao pessoal técnico;

»» cemitérios (exumação de corpos);

158
ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE E APOSENTADORIA ESPECIAL – AGENTES BIOLÓGICOS │ UNIDADE VIII

»» estábulos e cavalariças; e

»» resíduos de animais deteriorados.

Aposentadoria Especial – LTCAT – PPP -eSocial

A Aposentadoria Especial é um dos benefícios da Previdência Social. Na


legislação previdenciária temos alguns tipos de aposentadoria:

»» Aposentadoria por idade

»» Aposentadoria por tempo de contribuição

»» Aposentadoria por invalidez

»» Aposentadoria Especial

A Aposentadoria Especial é concedida com menos tempo de serviço aos


trabalhadores expostos a situações de riscos no ambiente de trabalho após 15,
20 ou 25 anos de trabalho. Ela tem características preventiva e compensatória,
pois busca diminuir o tempo de trabalho do segurado que, sujeito a condições
especiais, exerce ou exerceu atividade cuja natureza pode causar danos à saúde ou
à integridade física.

Lei 8213/1991 (grifo nosso)

“Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida


a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado
sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou
a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e
cinco) anos, conforme dispuser a lei”

LTCAT – PPP – eSOCIAL

A legislação previdenciária prevê que, para que o trabalhador faça jus a este tipo de
aposentadoria, faz-se necessário a comprovação documental do trabalho exercido
“em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física”

Lei 8213/1991 (grifo nosso)

“Art. 57.

...

§ 3o A concessão da aposentadoria especial dependerá de


comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional

159
UNIDADE VIII │ ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE E APOSENTADORIA ESPECIAL – AGENTES BIOLÓGICOS

do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente,


não ocasional nem intermitente, em condições especiais que
prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período
mínimo fixado.

§ 4 o O segurado deverá comprovar, além do tempo de


trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos,
biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à
integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a
concessão do benefício.

“Art. 58

...

§ 1o A comprovação da efetiva exposição do segurado aos


agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma
estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, emitido
pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de
condições ambientais do trabalho expedido por médico do
trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos
da legislação trabalhista.

§ 4o A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil


profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo
trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de
trabalho, cópia autêntica desse documento

Observe nos artigos acima descritos, que a lei prevê a comprovação documental
do trabalho em condições especiais e que uma das condições especiais é o trabalho
exposto a agentes nocivos biológicos.

O Laudo Técnico das Condições do Ambiente de Trabalho (LTCAT) está descrito


no artigo 58, § 1 o e trata-se de uma documentação que comprova a atividade
especial. Deve ser emitido por um engenheiro de segurança do trabalho (EST)
ou um médico do trabalho. Como este caderno está destinado ao curso de pós-
graduação de EST, fica a observação que esta é uma das atividades futuras
destinadas aos pós-graduandos.

O Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) é um formulário individual de cada


trabalhador, mesmo para os não sujeitos a agentes nocivos.

160
ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE E APOSENTADORIA ESPECIAL – AGENTES BIOLÓGICOS │ UNIDADE VIII

O PPP comprovará a cada época de trabalho a exposição ou não a condições


especiais nocivas.

Formulário: <https://www.inss.gov.br/wp-content/uploads/2017/05/
IN85PRESINSSanexoI_PPP.pdf>.

Não é objeto deste caderno detalhar mais sobre essas documentações legais da
aposentadoria especial, porém gostaríamos de enfatizar que, com a chegada do
eSocial, estas informações do LTCAT e do PPP estarão em formato digital. A parte
relativa à SST do eSocial está atualmente prevista para se iniciar em julho/2019 ou
janeiro/2020, conforme o faturamento da empresa.

Riscos biológicos e aposentadoria especial

Como vimos no Artigo 57 acima, os agentes biológicos poderão ensejar o direito a


aposentadoria especial. As situações que podem ser consideradas tempo especial
para agentes biológicos estão descritas no Decreto 3.048/1999, Anexo IV:

Quadro 19. Atividades com tempo especial para agentes biológicos.

BIOLÓGICOS
3.0.0
Exposição aos agentes citados unicamente nas atividades relacionadas.
3.0.1 MICROORGANISMOS E PARASITAS INFECTO-CONTAGIOSOS VIVOS E SUAS TOXINAS (Redação dada pelo Decreto 25 anos
no 4.882, de 2003)
a) trabalhos em estabelecimentos de saúde em contato com pacientes portadores de doenças infecto-contagiosas ou
com manuseio de materiais contaminados;
b) trabalhos com animais infectados para tratamento ou para o preparo de soro, vacinas e outros produtos;
c) trabalhos em laboratórios de autópsia, de anatomia e anátomo-histologia;
d) trabalho de exumação de corpos e manipulação de resíduos de animais deteriorados;
e) trabalhos em galerias, fossas e tanques de esgoto;
f) esvaziamento de biodigestores;
g) coleta e industrialização do lixo.
Fonte: Decreto n o 3.048, de 6 de maio de. - Regulamento da Previdência Social - Anexo IV. Classificação dos Agentes
Nocivos.

Observe que as situações de exposição a agentes biológicos que fazem jus a tempo
especial ocorrem com 25 anos de trabalho. As únicas situações que dão direito
a aposentadoria com 15 ou 20 anos, são as atividades de mineração em locais
subterrâneos, onde há associação de agentes nocivos biológicos, físicos e químicos.

161
OUTROS ASPECTOS
DOS AGENTES UNIDADE IX
BIOLÓGICOS

CAPÍTULO 1
Qualidade do ar em ambientes
climatizados

Atualmente, o mundo moderno vem adotando cada vez mais ambientes


tecnológicos, com equipamentos, máquinas e sistemas de tecnologia da
informação (TI). A adoção desses sistemas tem sido acompanhada da criação
de vários ambientes fechados e climatizados.

Leis e normas têm sido desenvolvidas objetivando a melhoria da qualidade do


ambiente laboral, da segurança e da qualidade de vida dos trabalhadores desses
ambientes.

Há normas definindo temperatura, umidade, velocidade do vento e vários aspectos


ergonômicos (mobiliários, fluxo de trabalho, pausas etc.) a serem adotados nos
locais de trabalho.

Entre as preocupações desses ambientes fechados e climatizados, está a qualidade


e a pureza do ar ambiental.

Breve histórico no mundo e no Brasil


Em 1976, o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos da
América (EUA) fez uma das maiores investigações de doenças na história
dos EUA. A investigação ocorreu após um surto de pneumonia grave entre os
participantes da convenção dos delegados da American Legion na Filadélfia,
Pensilvânia. Todas as pessoas que ficaram doentes haviam comparecido à
convenção e ficaram no mesmo hotel. Esses legionários estavam hospedados
no hotel Bellevue-Stratford. Em 27 de julho, três dias após o término da
convenção, a primeira vítima morreu. Em uma semana, mais de 200 pessoas,

162
OUTROS ASPECTOS DOS AGENTES BIOLÓGICOS │ UNIDADE IX

a maioria homens, haviam sido hospitalizadas e 34 haviam morrido. Assim, o


CDC investigou e identificou uma nova bactéria, que foi nomeada Legionella
pneumophila. Esta bactéria foi espalhada pelo sistema de ar condicionado do
hotel. Tal situação ficou conhecida como Síndrome do edifício doente.

Figura 139. Legionella pneumophila.

Fonte: <https://blogs.cdc.gov/publichealthmatters/files/2016/06/L_pneumophila_banner.jpg>. Acesso em: 27/4/2019.

No Brasil, em 1998, houve a suspeita de que o então Ministro de Estado


das Comunicações, Sérgio Motta, havia morrido contaminado pela bactéria
Legionella pneumophila, disseminada pelo sistema de climatização. Após esse
evento, o Ministério da Saúde editou uma Portaria (3.523/1998) com o objetivo
de “garantir a Qualidade do Ar de Interiores climatizados e a prevenção de
riscos à saúde dos ocupantes destes ambientes”.

Plano de Manutenção Operação e Controle


(PMOC)
Portaria no 3.523, de 28 de agosto de 1998 (Grifo nosso)

Art. 1o Aprovar Regulamento Técnico contendo medidas


básicas referentes aos procedimentos de verificação visual
do estado de limpeza, remoção de sujidades por métodos
físicos e manutenção do estado de integridade e eficiência
de todos os componentes dos sistemas de climatização, para
garantir a Qualidade do Ar de Interiores e prevenção de riscos à
saúde dos ocupantes de ambientes climatizados.

...

Art. 6o Os proprietários, locatários e prepostos, responsáveis por


sistemas de climatização com capacidade acima de 5 TR

163
UNIDADE IX │ OUTROS ASPECTOS DOS AGENTES BIOLÓGICOS

(15.000 kcal/h = 60.000 BTU/H), deverão manter um


responsável técnico habilitado, com as seguintes atribuições:

a) implantar e manter disponível no imóvel um Plano de


Manutenção, Operação e Controle - PMOC, adotado para o
sistema de climatização. Este Plano deve conter a identificação do
estabelecimento que possui ambientes climatizados, a descrição
das atividades a serem desenvolvidas, a periodicidade das mesmas,
as recomendações a serem adotadas em situações de falha do
equipamento e de emergência, para garantia de segurança do sistema
de climatização e outros de interesse, conforme especificações
contidas no Anexo I deste Regulamento Técnico e NBR 13971/1997
da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT.

Recentemente, em 2018, foi aprovada e sancionada uma Lei sobre o assunto:

LEI No 13.589, DE 4 DE JANEIRO DE 2018.

Dispõe sobre a manutenção de instalações e equipamentos de


sistemas de climatização de ambientes.

.....

Art. 3o Os sistemas de climatização e seus Planos de Manutenção,


Operação e Controle - PMOC devem obedecer a parâmetros de
qualidade do ar em ambientes climatizados artificialmente, em
especial no que diz respeito a poluentes de natureza física, química
e biológica, suas tolerâncias e métodos de controle, assim como
obedecer aos requisitos estabelecidos nos projetos de sua instalação.

Parágrafo único. Os padrões, valores, parâmetros, normas e


procedimentos necessários à garantia da boa qualidade do ar
interior, inclusive de temperatura, umidade, velocidade, taxa de
renovação e grau de pureza, são os regulamentados pela Resolução
no 9, de 16 de janeiro de 2003, da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária - ANVISA, e posteriores alterações, assim como as normas
técnicas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

164
OUTROS ASPECTOS DOS AGENTES BIOLÓGICOS │ UNIDADE IX

Figura 140. Sistemas de climatização – PMOC.

Fonte: <https://openclipart.org/detail/312130/air-conditioner>. Acesso em: 27/4/2019.

No PMOC estão previstos filtros para o sistema de climatização, pondendo


a categoria do filtro variar de A1 até A3, conforme a classificaçao de NBR
6401/1980, o ambiente a ser climatizado e os riscos possiveis (químicos ou
biológicos):

Quadro 20. Tipos filtros dos sistemas de climatização.

Classe de filtro Eficiência Obs 3,4,5 (%) Características Aplicações principais

Boa eficiência contra a fração ultrafina


(< 1 µ) da poeira atmosférica, fumaças Salas com controle de teor de poeira.
A1 85 - 97,9
de óleo e tabaco, bactérias e fungos Precisa pré-filtragem.
microscópicos.

Alta eficiência contra a fração ultrafina


Salas com controle de teor de poeira, zonas
(<1 µ) da poeira atmosférica, fumaças
A2 98 - 99,96 assépticas de hospitais (exigências altas).
de óleo e tabaco, bactérias e fungos Precisa pré-filtragem.
microscópicos.

Salas limpas das classes 100, 10000 e


100000 (Nota e). Salas e cabinas estéreis
Eficiência excelente contra a fração
para operações cirúrgicas e ortopédicas
ultrafina (< 1 µ) da poeira atmosférica, (exigências particularmente altas). Todas as
A3 99,97 e acima
fumaças de óleo e tabaco, bactérias, instalações que requerem teste de
fungos microscópicos e vírus. Estanqueidade (leak test).
Precisa pré-filtragem.

Fonte: ABNT - NBR 6401 - 1980- Instalações centrais de ar-condicionado para conforto - Parâmetros básicos de projeto.

Observe que os filtros previstos no PMOC podem evitar a proliferação de


agentes biológicos nocivos aos trabalhadores do ambiente. Esse deve ser um dos
objetivos do PMOC para evitar o surgimento da síndrome do edifício doente.

Importante observar que, apesar da síndrome inicial ter sido descrita


originalmente pelo caso com Legionella pneumophila, a síndrome pode ocorrer
com outros agentes biológicos bacterianos, virais, fúngicos, químicos etc.

165
UNIDADE IX │ OUTROS ASPECTOS DOS AGENTES BIOLÓGICOS

Tipos filtros dos sistemas de climatização

Portaria no 3.523/1998

Síndrome dos Edifícios Doentes: consiste no surgimento de


sintomas que são comuns à população em geral, mas que, numa
situação temporal, pode ser relacionado a um edifício em particular.
Um incremento substancial na prevalência dos níveis dos sintomas,
antes relacionados, proporciona a relação entre o edifício e seus
ocupantes.

A responsabilidade técnica do PMOC cabe aos engenheiros, portanto essa é mais


uma área da atuação do EST.

166
Para (não) Finalizar

Considerações finais
O Brasil tem uma grave situação de ocorrência de doenças e acidentes do trabalho.
De acordo com o Anuário Estatístico da Previdência Social de 2017, nos anos de
2015, 2016 e 2017 ocorreramcerca de 600 mil acidentes e doenças do trabalho.

Cerca de 9 mil profissionais foram considerados inválidos e inúmeras mortes


anualmente estão relacionadas a esses acidentes e doenças. São perdas humanas
incalculáveis e perdas bilionárias para nação.

A HT tem um papel fudamental na melhoria deste quadro estatístico, demandando


profissionais que conheçam bem o assunto, para a implantação das ações
prevencionistas.

Este caderno abordou aspectos essenciais dos agentes/riscos biológicos que dão
base a essas ações.

Muito há o que se fazer. Muito há o que se estudar. Muito há o que se aprender.

Sucesso a vocês nesta difícil, mas promissora caminhada.

Saudações prevencionistas.

167
Referências

ABNT. Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ministério da Educação.


Rotinas de Coleta e Entrega de Enxovais. 2016.

ABNT. Tratamento de ar em estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS)


- Requisitos para projeto e execução das instalações. Associação Brasileira de
Normas Técnicas. ABNT. NBR 7256:2005. 2005.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Investigação e Controle


de Bactérias Multirresistentes. Mai. 2007.

AMERICAN NURSES ASSOCIATION’S. Needlestick Prevention Guide. 2002.


Disponível em: <https://www.who.int/occupational_health/activities/2needguid.
pdf>. Acesso em: abr. 2019.

ANJOS, A.M. et al. Introdução à higiene ocupacional. São Paulo. Fundacentro.


2004. Disponível em: <www.fundacentro.gov.br/biblioteca/biblioteca.../Introdução_
HigieneOcupacional-pdf>. Acesso em: abr. 2019.

BASIC PRINCIPLES IN OCCUPATIONAL HYGIENE. Disponível em: <http://www.


ohlearning.com/Files/Student/KA02%20v30%2022Aug17%20Student%20Manual.
pdf>. Acesso em: 2 fev.2017.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília,


DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: abr. 2019.

BRASIL. Decreto lei 3.048 de 6 de maio de 1999. Regulamento da Previdência Social.


Diário Oficial da União - Seção 1 - 7/5/1999, p. 50.

BRASIL. Decreto lei 8.373 de 11 de dezembro de 2014. Institui o Sistema de Escrituração


Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas - eSocial. Diário Oficial
da União - Seção 1 - 17/12/1945.

BRASIL. Lei 8.213 de 24 de julho de 1991. Planos de Benefícios da Previdência Social e


dá outras providências. Coleção de Leis do Brasil - 1991, p. 1587 Vol. 4.

168
REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei no 13.589 de 4 de janeiro de 2018. Dispõe sobre a manutenção de


instalações e equipamentos de sistemas de climatização de ambientes. Diário Oficial da
União - Seção 1 - 5/1/2018, p. 1.

BRASIL. Lei No 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Consolidação das Leis de Trabalho.


Coleção de Leis do Brasil - 1977, p. 335 Vol. 7.

BRASIL. Ministério da Fazenda. Anuário Estatístico da Previdência Social.


2017. Disponível em: <http://sa.previdencia.gov.br/site/2019/04/AEPS-2017-abril.
pdf>. Acesso em: abr. 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.


RESOLUÇÃO-RE No 9, de 16 de janeiro de 2003. Padrões referenciais de Qualidade
do Ar Interior, em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo.
Diário Oficial da União 20 jan 2003.

BRASIL. Ministério da Saúde. Juntos pelo fim da tuberculose. Disponível em:


<http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/agosto/24/af-album-seriado-
tuberculose-30jun16-WEB.pdf>. Acesso em: abr. 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de lavanderia hospitalar.1986. Disponível


em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/lavanderia.pdf>. Acesso em: abr.
2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria no 1.339, de 18 de novembro de 1999. Lista de


Doenças relacionadas ao Trabalho. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/
bvs/publicacoes/doencas_relacionadas_trabalho_2ed_p1.pdf>. Acesso em: abr. 2019.

BRASIL. Ministério da saúde. Portaria no 2.616, de 12 de maio de 1998. Diretrizes


e normas para a prevenção e o controle das infecções hospitalares. Diário
Oficial da União. Brasília, DF; 13 maio 1998; Seção 1, p. 133.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria no 3523, 28 ago. 1998. Regulamento Técnico


nos ambientes climatizados. Diário Oficial da União, Brasília, 31/8/1998. Seção
1;40-42.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas


para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de risco à infecção pelo HIV. 2017.
Disponível em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2017/protocolo-clinico-e-
diretrizes-terapeuticas-para-profilaxia-pre-exposicao-prep-de-risco>. Acesso em: abr.
2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Série Saúde


& Tecnologia – Textos de Apoio à Programação Física dos Estabelecimentos

169
REFERÊNCIAS

Assistenciais de Saúde – Arquitetura na Prevenção de Infecção Hospitalar.


– Brasília, 1995.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações


Programáticas Estratégicas. Exposição a materiais biológicos. – Brasília: Editora
do Ministério da Saúde, 2006.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos


Estratégicos. Diretrizes gerais para o trabalho em contenção com agentes
biológicos. – 3. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

BRASIL. Ministério da Saúde. Situação epidemiológica da malária. 2018


Disponível em: <http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/
agosto/30/3.%20c%20-%20malaria_CIT_30_ago_2018_cassiopeterka.pdf>.
Acesso em: abr. 2019.

BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria 3.214, de 8 de junho de 1978. Norma


Regulamentadora no 9 - Programa de prevenção de riscos ambientais. Diário Oficial da
União de 6/7/1978 (no 127, Seção I-Parte I, p. 10.423).

BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria no 3.214, de 8 de junho de 1978. Norma


Regulamentadora no 15. - Atividades e operações insalubres. Diário Oficial da União
de 6/7/1978 (no 127, Seção I-Parte I, p. 10.423).

BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria no 485, de 11 de novembro de 2005.


Norma Regulamentadora no 32 - Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde.
Diário Oficial da União de 16/11/2005 – Seção 1).

BRASIL. Secretaria de saúde do Estado de São Paulo. Plano de Prevenção e


Controle de Bactérias Multirresistentes (BMR) para os Hospitais do
Estado de São Paulo. 2016. Disponível em: <http://www.saude.sp.gov.br/
resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/infeccao-
hospitalar/bmr/doc/ih16_bmr_plano.pdf>. Acesso: abr. 2019.

INSTALAÇÕES CENTRAIS DE AR-CONDICIONADO PARA CONFORTO -


Parâmetros básicos de projeto. Associação Brasileira de Normas Técnicas.
ABNT. NBR 6401. 1980.

MICHAELIS. Moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo:


Melhoramentos. Disponível em: <https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/
busca/portugues-brasileiro/Agente/>. Acesso em: 23. mar 2019.

170
REFERÊNCIAS

NATIONAL INSTITUTE FOR OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH. Alert.


Needlestick Injuries. Cincinnati 1999. Disponível em: <https://www.cdc.gov/niosh/
docs/2000-108/pdfs/2000-108.pdf?id=10.26616/NIOSHPUB2000108>. Acesso em:
abr. 2019.

OSHWIKI: Prevention of sharp injuries. Disponível em: <https://oshwiki.eu/


wiki/Prevention_of_sharp_injuries> Acesso em: abr. 2019.

Sociedade Brasileira de Imunização - Calendário vacinal SBIM -2019. Disponível em:


<https://sbim.org.br/calendarios-de-vacinacao>. Acesso em: abr. 2019.

Sociedade Brasileira de Imunização/Associação Nacional de Medicina do Trabalho


- Guia de imunização – Medicina do trabalho 2016-2017. Disponível em:
<https://sbim.org.br/publicacoes/guias/523-guia-medicina-do-trabalho>. Acesso
em: abr. 2019.

VIEIRA, D. A. P.; Fernandes, N. C. A. Q. Microbiologia Geral. 1. ed. Inhumas, 2012.

WILBURN, S.Q.; EIJKEMANS, G. Preventing needlestick injuries among healthcare


workers: a WHO-ICN collaboration. Int J Occup Environ Health. Oct-
Dec;10(4):451-6. 2004.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Aide-memoire for a strategy to protect


health workers from infection with bloodborne viruses. World Health
Organization 2003. Disponível em: <https://apps.who.int/iris/handle/10665/68354>.
Acesso em: abr. 2019.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. World Malaria Report 2015. Disponível


em: <https://www.who.int/malaria/publications/world-malaria-report-2015/report/
en/> . Acesso em: abr. 2019.

Fonte das figuras


Figura 1: do autor.

Figura 2: Exemplo de situação de risco ambiental e ações preventivas. Fonte: Figura:


Do autor, 2017. Poeira e exaustor: Do autor, 2017. Máscara: Disponível em: <https://
openclipart.org/detail/297799/face-mask>. Acesso em: Abr. 2019. Rx pulmões:
Disponível em: <https://radiopaedia.org/cases/normal-chest-x-ray>. Acesso em: abr.
2019.

171
REFERÊNCIAS

Figura 3: Demodex foliculorum - Ácaro, microscópico, presente na pele humana.


Fonte: Disponível em:<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Haarbalgmilbe.
jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 4: eSocial. Disponível em: <http://portal.esocial.gov.br/>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 5: eSocial. Disponível em: <http://www.enat.receita.fazenda.gov.br/pt-br/


area_nacional/noticias/e-social/view>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 6: do autor.

Figura 7: Parasitas macroscópicos (“Lombriga” – Ascaris lumbricoides). Disponível


em: <http://www.sironaanimalhealth.com/wp-content/uploads/2014/07/paracites.
png>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 8: Fungos macroscópicos: champignons. Disponível em: <https://commons.


wikimedia.org/wiki/File:Champignons_Agaricus.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 9: Fungos macroscópicos: “Orelha de Pau” - Pycnoporus sanguineus. Disponível


em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4e/Pycnoporus_
sanguineus_284381.jpg/1024px-Pycnoporus_sanguineus_284381.jpg>. Acesso em:
abr. 2019.

Figura 10: Antonie van Leeuwenhoek.Holanda (1632-1723). O primeiro


microbiologista. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Anton_van_
Leeuwenhoek#/media/File:Jan_Verkolje_-Antonie_van_Leeuwenhoek.jpg>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 11: Mosquito do gênero Anopheles (transmissor da Malária). Disponível em:


<https://en.wikipedia.org/wiki/Anopheles_albimanus#/media/File:Anopheles_
albimanus_mosquito.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 12: Médicos e a teoria miasmática. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/


wiki/Plague_doctor>; https://www.stlfinder.com/model/plague-doctor-mask-3d-
model-jTtYGxrV/8176965>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 13: Louis PASTEUR - 1822 -1895. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/


wiki/Louis_Pasteur#/media/File:Louis_Pasteur,_foto_av_Paul_Nadar,_Crisco_
edit.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 14: Robert KOCH - 1843 -1910. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/


Robert_Koch#/media/File:Robert_Koch_BeW.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

172
REFERÊNCIAS

Figura 15: Pasteurização. Do autor e disponível em: <https://openclipart.org/


detail/262501/detailed-cow-line-art>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 16: O primeiro antibiótico: Penicilina. Disponível em: <https://pt.wikipedia.


org/wiki/Alexander_Fleming#/media/File:Alexander_Fleming_3.jpg> e <http://
www.pbs.org/wgbh/aso/databank/entries/dm28pe.html>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 17: do autor.

Figura 18: Micróbios que ajudam a Medicina_ Fungos. Disponível em: <https://
commons.wikimedia.org/wiki/File:Penicilliummandarijntjes.jpg> e <https://
dicassobresaude.com/wp-content/uploads/2017/09/Penicilina-G-Benzatinica.jpg>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 19: Micróbios que ajudam a Medicina -Bactérias. Disponível em: <https://ichef.
bbci.co.uk/news/660/media/images/53234000/gif/_53234379_escherichia-coli.gif>
e <https://www.humulin.com/assets/img/6508_elhu_7030_3_vl_st_abv_300.jpg>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 20: Luxação. Disponível em: <https://www.cancercarewny.com/content.


aspx?chunkiid=11860> . Acesso em: abr. 2019.

Figura 21: Antinflamatório x Antibioltico. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/


wiki/Sprain#/media/File:Sprain_SAG.jpg>; <https://openclipart.org/detail/162823/
funny-green-bactera> e <https://openclipart.org/detail/32875/funny-bacillus>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 22: Patologias virais – vacinas. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/


Middle_East_respiratory_syndrome#/media/File:Mers-virus-3D-image.jpg>. Acesso
em: abr. 2019.

Figura 23: Dr. Jenner: criação da vacina. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/


wiki/James_Phipps#/media/File:Jenner_phipps_01.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 24: Imunização ativa x imunização passiva. Disponível em: <https://


openclipart.org/detail/201983/horse800px>; <https://en.wikipedia.org/wiki/
Travel_medicine#/media/File:Vaccination_contre_la_grippe_A_(H1N1)_
de_2009.jpg>; <https://openclipart.org/detail/129163/siluetas-personajes-
masculinos.> e <https://openclipart.org/detail/154741/feverish-woman>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 25: Como a vacina age. Fontes: Do autor, 2017 e Disponível em: <https://
openclipart.org/detail/205971/virus>; <https://openclipart.org/detail/13288/

173
REFERÊNCIAS

lymphocyte>; <https://openclipart.org/detail/129163/siluetas-personajes-
masculinos>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 26: Soros e imunoglobulinas. Disponível em: <https://openclipart.org/


detail/201983/horse800px.>; <https://openclipart.org/detail/129163/siluetas-
personajes-masculinos.>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 27: Formas das bactérias. Disponível em: Do autor, 2019; <https://upload.
wikimedia.org/wikipedia/commons/d/de/Bacterial_morphology_diagram-pt.svg>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 28: Formas das bactérias. Bacilos. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/


wiki/Bacilo#/media/File:E_choli_Gram.JPG> . Acesso em: abr. 2019.

Figura 29: Robert Koch e o bacilo de “Koch”. Disponível em: <https://commons.


wikimedia.org/wiki/Robert_Koch#/media/File:RobertKoch_cropped.jpg> <https://
commons.wikimedia.org/wiki/File:Mycobacterium_tuberculosis_MEB_(1).jpg>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 30: Taxas estimadas de incidência de Tuberculose no Brasil e no


Mundo em 2016. Disponível em: <https://apps.who.int/iris/bitstream/hand
le/10665/250441/9789241565394-eng.pdf?sequence=1>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 31: Transmissão da Tuberculose. Disponível em: <http://portalarquivos.saude.


gov.br/images/pdf/2016/agosto/24/af-album-seriado-tuberculose-30jun16-WEB.
pdf>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 32: Mycobacterium bovis. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/


Cheese#/media/File:Cowgirl_Creamery_Point_Reyes_-_Red_Hawk_cheese.jpg>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 33: Tuberculose pulmonar. Disponível em: <https://commons.wikimedia.


org/wiki/File:Cavitary_tuberculosis_2.jpg>; <https://pt.wikipedia.org/wiki/
Tuberculose#/media/File:Tuberculosis-x-ray-1.jpg>; <https://radiopaedia.org/cases/
normal-chest-x-ray>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 34: Tuberculose renal e óssea. Disponível em: <https://commons.wikimedia.


org/wiki/Category:Gross_pathology_of_renal_tuberculosis#/media/File:Renal_
tuberculosis_(6539942987).jpg>; <https://radiopaedia.org/cases/tuberculous-
spondylitis-2?lang=us>. Acesso em: abr. 2019.

174
REFERÊNCIAS

Figura 35: Tuberculose – Sintomas. Disponível em: <http://portalarquivos.saude.gov.


br/images/pdf/2016/agosto/24/af-album-seriado-tuberculose-30jun16-WEB.pdf>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 36: Baciloscopia: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/


commons/2/27/TB_in_sputum.png>. Acesso em: abr 2019.

Figura 37: Bacillus anthracis. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/


Anthrax#/media/File:Anthrax_PHIL_2033.png>; <https://commons.wikimedia.
org/wiki/File:Bacillus_Anthracis.png>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 38: Carta contendo esporos de Antraz. Disponível em: <https://upload.


wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Daschle_letter.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 39: Antraz cutâneo. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/


Carb%C3%BAnculo#/media/File:Anthrax_PHIL_2033.png>; <https://en.wikipedia.
org/wiki/Anthrax#/media/File:Skin_reaction_to_anthrax.jpg>; <https://
en.wikipedia.org/wiki/Anthrax#/media/File:Cutaneous_anthrax_lesion_on_the_
neck._PHIL_1934_lores.jpg> e <https://www.omicsonline.org/israel/anthrax-peer-
reviewed-pdf-ppt-articles/>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 40: Forma respiratória do Antraz. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/


wiki/Carb%C3%BAnculo#/media/File:Anthrax_-_inhalational.jpg>; <https://www.
caprilvirtual.com.br/image/destaque/esquila-ovelhas-rs-261114.jpg> e <https://
radiopaedia.org/cases/normal-chest-x-ray>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 41: Diagnóstico do Antraz. Disponível em: <http://news.nursesfornurses.


com.au/Nursing-news/wp-content/uploads/2016/09/37052328_ml-620x350.
jpg?x15118>; <https://pulmaosarss.files.wordpress.com/2011/09/anthrax1.jpg>;
<https://en.wikipedia.org/wiki/Anthrax#/media/File:Gram_Stain_Anthrax.jpg>
e <https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_do_choque_t%C3%B3xico#/
media/File:Staphylococcus_aureus_agar_sangre.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 42: Pasteur e a vacina contra Antraz. Disponível em: <https://scn.wikipedia.


org/wiki/Louis_Pasteur> e <https://www.cdc.gov/anthrax/resources/history/>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 43: Brucella melitensis. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/


Brucella#/media/File:Brucella_melitensis.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 44: Brucelose – Abortos em bovinos. Disponível em: <http://www.grupoapoiar.


com/brucelose-e-tuberculose/>. Acesso em: abr. 2019.

175
REFERÊNCIAS

Figura 45: Brucelose – Transmissão pelos derivados lácteos. Fo Disponível em: <http://
www.scrural.sc.gov.br/?attachment_id=3577>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 46: Marcação vacinal de bovinos. Disponível em: <https://3.bp.blogspot.com/-


oAhKle8UPUM/WA5eoSv0O-I/AAAAAAABZyw/vvl_zWgBqzUvonUmNNZYuJqy-
tkZEsx3QCLcB/s200/Brucelose%2B2.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 47: Transmissão da Leptospirose pela urina _ de ratos principalmente.


Disponível em: <https://openclipart.org/detail/314198/man-body-silhouette.>;
<https://openclipart.org/detail/173512/rat-by-rones.>; <https://openclipart.org/
detail/5140/cow-silhouette-2>; <https://openclipart.org/detail/260579/horse-
silhouette-3.> e <https://openclipart.org/detail/276049/dog-silhouette>. Acesso
em: abr. 2019.

Figura 48: Leptospira. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/


Category:Leptospira#/media/File:Leptospira_interrogans_strain_RGA_01.png>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 49: Exemplo de população de ratos nas cidades. Disponível em: <https://
noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/the-new-york-times/2016/12/17/
ratos-correm-a-solta-em-paris-na-pior-crise-em-decadas.htm?cmpid=tw-uolnot>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 50: Águas contaminadas. Disponível em: <https://cdn2.wn.com/o25/ph/


img/76/c1/3e92ff806fa1f0c365e2dac88b24-grande.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 51: Risco para trabalhadores de esgoto e galerias. Disponível em: <http://
avareurgente.com/wp-content/uploads/2016/02/268d926891288ce7c7537e7870
7c3868-600x400.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 52: Leptospirose forma grave: ictero-hemorrágica. Disponível em: <https://


www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/weils-disease>. Acesso em:
abr. 2019.

Figura 53: Ferimentos causadores de tétano. Disponível em: <https://www.


jeffreysterlingmd.com/tag/tetanus/;https://ars.els-cdn.com/content/image/1-s2.0-
S1876034115001410-gr1.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 54: Ferimento contaminado. Disponível em: <https://g.co/kgs/Hkpf3G>.


Acesso em: abr. 2019.

Figura 55: Tétano em recém-nascido _ contrações. Disponível em: <https://


en.wikipedia.org/wiki/Neonatal_tetanus>. Acesso em: abr. 2019.

176
REFERÊNCIAS

Figura 56: Quadro: contração por tétano - Charles Bell em 1809. Disponível em:
<https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A9tano>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 57: Contrações musculares por tétano – opistótomo. Disponível em: <https://
pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A9tano#/media/File:PHIL_tetanus.jpg>. Acesso em:
abr. 2019.

Figura 58: Psitácios. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Psittacidae#/


media/File:AraraCanindeClin.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 59: Pneumonia por psitacose. Disponível em: <https://radiopaedia.org/cases/


normal-chest-x-ray>; <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid
=S0102-35862001000400008>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 60: Meningite. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/


Category:Meninges#/media/File:Meninges_diagram_-_fr.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 61: Incidência dos tipos de meningite meningocócica. Disponível em: Do


autor, 2019; Ministério da Saúde/SVS - Sistema de Informação de Agravos de
Notificação - Sinan Net; <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/
cnv/meninbr.def> Acesso em: abr. 2019.

Figura 62: Formas de difteria. Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/


wikipedia/commons/4/47/Dirty_white_pseudomembrane_classically_seen_
in_diphtheria_2013-07-06_11-07.jpg> e <https://en.wikipedia.org/wiki/
Corynebacterium_diphtheriae#/media/File:A_diphtheria_skin_lesion_on_the_
leg._PHIL_1941_lores.jpg>. Acesso em: abr 2019.

Figura 63: Superbactérias em um hospital infantil. Disponível em: <https://g1.globo.


com/distrito-federal/noticia/maior-hospital-infantil-do-df-restringe-atendimento-
apos-morte-de-bebe-com-superbacteria.ghtml>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 64: Presença de Superbactérias em uma CTI. Disponível em: <https://www.


folhavitoria.com.br/geral/noticia/11/2016/cti-de-hospital-e-interditado-por-causa-
de-bacteria-multirresistente-em-vila-velha>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 65: Tamanho comparativo entre alguns vírus e bactérias. Disponível em:
<https://www.ppdictionary.com/viruses/virus_sizes.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 66: Microscópio eletrônico. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/


Electron_microscope#/media/File:Electron_Microscope.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

177
REFERÊNCIAS

Figura 67: Vírus do HIV (verde) sobre a superfície de uma célula humana (linfócito em
azul). F Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Introduction_to_viruses#/
media/File:HIV-budding-Color_cropped.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 68: Aedes aegypti. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/


Aedes_aegypti#/media/File:Aedes_aegypti_during_blood_meal.jpg>. Acesso em:
abr. 2019.

Figura 69: Larvas Aedes aegypti. Disponível em: <http://www.imagens.usp.


br/?attachment_id=28887>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 70: Fêmea Aedes aegypti. Disponível em: <http://www.dengue.org.br/


mosquito_aedes.html>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 71: Manifestações clínicas da Dengue. Disponível em: <http://www.spb.


org.br/chikungunya-dengue-febre-amarela-e-zika/>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 72: Medidas preventivas contra a Dengue. Disponível em: <http://bvsms.


saude.gov.br/bvs/publicacoes/agente_comunitario_saude_controle_dengue.pdf.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 73: Vacina contra a Dengue. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/


Travel_medicine#/media/File:Vaccination_contre_la_grippe_A_(H1N1)_de_2009.
jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 74: Mosquitos transmissores de febre amarela. Disponível em: <https://


commons.wikimedia.org/wiki/Aedes_aegypti#/media/File:Aedes_aegypti_during_
blood_meal.jpg>. Acesso em: abr. 2019. <http://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/
noticia/2017/04/mosquitos-serao-capturados-em-parque-no-rj-apos-morte-de-
macacos.html>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 75: Manifestações clínicas da febre amarela. Disponível em: <https://


en.wikipedia.org/wiki/Hepatitis#/media/File:Jaundice_eye.jpg>. Acesso em: abr.
2019.

Figura 76: Vacina contra febre amarela. Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.


com.br/sites/default/files/atoms/image/1105907-rovros_abr_25012018_6076_1.
jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 77: Causas de hepatites. Disponível em: <https://openclipart.org/


detail/70171/wine-bottle>; <https://openclipart.org/detail/82639/male-body-
silhouette>; <https://openclipart.org/detail/37315/liver.>; <https://openclipart.

178
REFERÊNCIAS

org/detail/205971/virus> e <https://openclipart.org/detail/32875/funny-bacillus>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 78: Hepatites virais. Disponível em: <https://openclipart.org/detail/205971/


virus.>; <http://www.tratabrasil.org.br/blog/wp-content/uploads/2016/10/039-
1024x685.jpg> e <https://en.wikipedia.org/wiki/Venipuncture#/media/
File:Venipuncture_using_a_BD_Vacutainer.JPG>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 79: Sinais de hepatite: icterícia e colúria. Disponível em: <https://www.webmd.


com/hepatitis/ss/slideshow-hepatitis-overview> e <http://sobremedicina.net/
enfermedades/que-es-coluria.html>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 80: Água contaminada – fonte de transmissão de Hepatite A. Disponível em:


<https://www.poa24horas.com.br/prefeitura-divulga-pregao-para-limpeza-de-
galerias-pluviais/>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 81: Estágios da hepatite: Hepatite B crônica – Cirrose – Câncer. Disponível


em: <http://studyingmed.com/wiki/index.php?title=HMB/Lectures/The_liver_in_
health_and_disease&mobileaction=toggle_view_mobile>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 82: Sarcoma de Kaposi em portador de AIDS. Disponível em: <https://www.


msdmanuals.com//media/manual/professional/images/338_kaposi_sarcoma_
slide_3_springer_high_pt.jpg?la=pt&thn=0&mw=350>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 83: Vírus HIV. Disponível em: <https://cdns.klimg.com/kapanlagi.com/p/hiv-


virus.jpg>. Acesso em: abr 2019.

Figura 84: Sangue normal observado ao microscópio. Disponível em: <https://


en.wikipedia.org/wiki/Agranulocyte#/media/File:Monocyte_no_vacuoles.JPG>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 85: Evolução da AIDS desde a contaminação até a morte. Disponível em: Livro:
Atlas colorido e texto de Clínica médica, 2ª edição.Forbes.C.D. e Jackson,W.F. 1997.

Figura 86: Disponível em: <http://www.pcds.org.uk/ee/images/made/ee/images/


uploads/clinical/Fig_13_CORPORIS_EXTENSIVE_800_526_70.jpg>;<https://
www.dermnetnz.org/topics/tinea-pedis/>; <https://www.dermnetnz.org/topics/
candidiasis-of-skin-folds/>; <https://thrushtreatmentcenter.com/thrush-throat-
esophagealthrush/;http://www.aems.edu.br/conexao/edicaoanterior/Sumario/2013/
downloads/2013/1/2.pdf.>. Acesso em: abr. 2019.

179
REFERÊNCIAS

Figura 87: Dermatofitoses (micoses de pele). Disponível em: <https://upload.


wikimedia.org/wikipedia/commons/4/40/Intertrigo-1.jpg> e <https://pt.wikipedia.
org/wiki/Intertrigo#/media/File:Ji2.jpg> Acesso em: abr. 2019.

Figura 88: Onicomicose. Vivier, A. Atlas de dermatologia clínica. 2ª edição. Editora


Manole.1997.

Figura 89: Candidíase Superficial. Disponível em: <https://www.dermnetnz.


org/topics/candidiasis-of-skin-folds/>. Acesso em: abr. 2019 e Vivier, A. Atlas de
dermatologia clínica. 2ª edição. Editora Manole.1997.

Figura 90: Paracoccidioidomicose – micose sistêmica. Disponível em:


<https://en.wikipedia.org/wiki/Paracoccidioidomycosis#/media/
File:Paracoccidioidomycosis_lesions.png> e <http://rmmg.org/content/imagebank/
imagens/v24n1a11-fig05.jpg> Acesso em: abr. 2019.

Figura 91: Paracoccidioidomicose – micose sistêmica II. Disponível em: <http://


www.scielo.br/pdf/rsbmt/v39n3/a17v39n3.pdf>; <http://www.aems.edu.br/
conexao/edicaoanterior/Sumario/2013/downloads/2013/1/2.pdf>. Acesso em:
abr. 2019.

Figura 92: Malária no Brasil. Disponível em: <http://www.paho.org/bra/images/


stories/BRA03A/malariarisco.jpg> e <https://www.bbc.com/portuguese/
brasil-43998843>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 93: Anopheles albimanus. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/


Anopheles_albimanus#/media/File:Anopheles_albimanus_mosquito.jpg>. Acesso
em: abr. 2019.

Figura 94: Malária: Plasmodium no sangue. Disponível em: <https://pt.wikipedia.


org/wiki/Mal%C3%A1ria#/media/File:Plasmodium.jpg> e <http://israeltrade.org.
br/wp-content/uploads/2016/04/Malaria-Cells.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 95: Leishmaniose: Protozoário e vetor. Disponível em: <https://msu.edu/


course/zol/316/lsppscope.htm> e <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
commons/thumb/1/17/Phlebotomus_pappatasi_bloodmeal_begin.jpg/375px-
Phlebotomus_pappatasi_bloodmeal_begin.jpg> Acesso em: abr. 2019.

Figura 96: Leishmaniose Cutânea. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/


Leishmaniose#/media/File:Skin_ulcer_due_to_leishmaniasis,_hand_of_Central_
American_adult_3MG0037_lores.jpg> Acesso em: abr. 2019.

180
REFERÊNCIAS

Figura 97: Leishmaniose cutaneomucosa. Fonte: Braunwald,E. Atlas of internal


medicine. Current Medicine,inc.1999

Figura 98: Leishmaniose visceral ou calazar. Disponível em: <http://bvsms.saude.


gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_controle_leishmaniose_visceral.pdf>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 99: Leishmaniose visceral ou calazar: cão reservatório. Disponível em:


<https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a7/Calazar_canino.jpg>
Acesso em: abr. 2019.

Figura 100: WHO. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/World_Health_


Organization#/media/File:World_Health_Organization_Logo.svg>. Acesso em: abr.
2019.

Figura 101: CDC_NIOSH. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/


Ficheiro:US_CDC_logo.svg> e <https://en.wikipedia.org/wiki/National_Institute_
for_Occupational_Safety_and_Health#/media/File:NIOSH_logo.svg>. Acesso em:
abr. 2019.

Figura 102: OSH- EUROPA (Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no


Trabalho). Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ag%C3%AAncia_
Europeia_para_a_Seguran%C3%A7a_e_a_Sa%C3%BAde_no_Trabalho#/media/
File:Europ%C3%A4ische_Agentur_f%C3%BCr_Sicherheit_und_Gesundheitsschutz_
am_Arbeitsplatz_logo.svg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 103: Acidentes biológicos – perfurocortantes. Disponível em: <https://www.


healthnavigator.org.nz/media/5429/needlestick-injury-200x200.jpg> Acesso em:
abr. 2019.

Figura 104: Proteção facial. Disponível em: <https://www.kisspng.com/png-surgical-


mask-face-shield-dentistry-nose-breadtalk-1766701/> Acesso em: abr. 2019.

Figura 105: Precauções universais. Disponível em: <https://upload.


wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c9/Wash_your_hands.svg>;
<https://mega.ibxk.com.br/2014/06/04/04174244224643.jpg>; <https://
kelldrin.com.br/wp-content/uploads/2016/06/59C-Hipoclorito-1Lt-e-5Lt.
jpg>; <https://i.cbc.ca/1.4023442.1489442781./fileImage/httpImage/
image.JPG_gen/derivatives/16x9_780/hospital-laundry.JPG> e <http://
www.portoplast.ind.br/subcategoria/saco-para-lixo-hospitalar> Acesso
em: abr. 2019.

181
REFERÊNCIAS

Figura 106: Equipamentos de proteção. Disponível em: <https://ilearn.careerforce.


org.nz/mod/book/view.php?id=21> Acesso em: abr. 2019.

Figura 107: Tipo de contato com material biológico. Disponível em: <https://www.
cdc.gov/nhsn/PDFs/NaSH/NaSH-Report-6-2011.pdf> Acesso em: abr. 2019.

Figura 108: Incidência de acidentes por profissão. Disponível em: <https://www.cdc.


gov/nhsn/PDFs/NaSH/NaSH-Report-6-2011.pdf> Acesso em: abr. 2019.

Figura 109: Incidência de acidentes por ambiente. Disponível em: <https://www.cdc.


gov/nhsn/PDFs/NaSH/NaSH-Report-6-2011.pdf> Acesso em: abr. 2019.

Figura 110: Nunca reencapar agulhas. Disponível em: <https://www.osha.gov/


SLTC/bloodbornepathogens/recognition.html> Acesso em: abr. 2019.

Figura 111: Coletor de material perfurocortante. Disponível em: <http://www.


descarpack.com.br/arquivos/portfolio-items/coletor-para-material-perfurocortante>
Acesso em: abr. 2019.

Figura 112: do autor.

Figura 113: Medidas de controle para a prevenção de acidentes com materiais perfuro
cortantes. Disponível em: <https://www.fda.gov/ucm/groups/fdagov-public/
documents/image/ucm621697.jpg>; <http://www.bayonnenj.org/web_content/
Image/no-syringes.jpg> e <http://www.descarpack.com.br/arquivos/portfolio-items/
coletor-para-material-perfurocortante> Acesso em: abr. 2019.

Figura 114: Bisturi descartável. Disponível em: <https://www.rays.it/en/wp-content/


uploads/prodotti/MS-21-768x768.jpg>.

Figura 115: Escalpes e intracaths com mecanismo de proteção. Disponível em:


<https://www.quickmedical.com/images/page/large/nipro-safety-winged-
infusion-set.jpg>; <http://www.polymedicure.com/?wpccategories=safety-i-
v-cannula-with-adva-needle-technology> e <https://www.bbraun.com.br/pt/
products/b/introcan-safety.html> Acesso em: abr. 2019.

Figura 116: Válvulas de infusão de segurança. Disponível em: <https://upload.


wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/ICU_IV_1.jpg>; <https://www.
bd.com/assets/images/our-products/syringes-and-needles/posiflush-saline-flush-
syringes_C_IV_0609_0163.png>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 117: Agulhas com mecanismos de proteção. Disponível em: <https://www.


careshop.co.uk/14407-thickbox_default/bd-eclipse-safety-needle-23gx1-blue-1x100.

182
REFERÊNCIAS

jpg> e <https://www.bd.com/pt-br/our-products/blood-and-urine-collection/
venous-collection/vacutainer-eclipse>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 118: Treinamento dos trabalhadores. Disponível em: <https://openclipart.


org/detail/279035/teaching-icon>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 119: O acidente ocorreu...e agora? Disponível em: <https://ieltsonlinetests.


com/writing-tips/5-challenges-nurses-face-while-answering-ielts-writing-task-2>
e <https://www.cdc.gov/niosh/topics/bbp/images/needlestickinjury-med.jpg.>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 120: Protocolo de profilaxia do Ministério da Saúde. Fo Disponível em:


<http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-
terapeuticas-para-profilaxia-pos-exposicao-pep-de-risco>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 121: Tipos de agulha e risco de contaminação. Disponível em: <https://


upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2b/Syringe_Needle.
jpg/1200px-Syringe_Needle.jpg> e <https://upload.wikimedia.org/
w i k i p e d i a / c o m m o n s / thumb/e/e9/Atraumatisches_Nahtmaterial_17.
JPG/1200px-Atraumatisches_Nahtmaterial_17.JPG>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 122: Tipos de “Paciente_fonte”. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/


wiki/Venipuncture#/media/File:Venipuncture_using_a_BD_Vacutainer.JPG> e
<https://i.cbc.ca/1.4023442.1489442781./fileImage/httpImage/image.JPG_gen/
derivatives/16x9_780/hospital-laundry.JPG>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 123: do autor.

Figura 124: Contaminação por HIV: Disponível em: <http://www.tst.jus.br/


noticias/-/asset_publisher/89Dk/content/auxiliar-de-enfermagem-contaminada-
pelo-virus-hiv-recebera-indenizacao-por-dano-moral>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 125: do autor.

Figura 126: Exemplos de acidente com paciente fonte-desconhecido. Disponível em:


<https://www.indiamart.com/proddetail/hospital-laundry-service-10695674430.
html> e <https://omunicipio.com.br/wp-content/uploads/2017/11/seringa-gari.jpg>.
Acesso em: abr. 2019.

Figura 127: Treinamento acidentes biológicos. Disponível em: <https://openclipart.


org/detail/278691/teaching-icon>. Acesso em: abr. 2019.

183
REFERÊNCIAS

Figura 128: Cronificação das hepatites virais B e C. Disponível em: <https://


en.wikipedia.org/wiki/Cirrhosis#/media/File:Liver_Cirrhosis.png>. Acesso em:
abr. 2019.

Figura 129: Evolução da hepatite B. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/


Cirrhosis#/media/File:Liver_Cirrhosis.png>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 130: Imunoglobulina para hepatite B. Disponível em: <http://productstore.


savaglobal.com/media/catalog/product/cache/1/image/9df78eab33525d08d6e5fb8d
27136e95/s/a/savabig_200.jpg>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 131: do autor.

Figura 132: do autor.

Figura 133: do autor.

Figura 134: do autor.

Figura 135: PPRA. Fases de implantação. Do autor e disponível em: <https://


openclipart.org/detail/181987/architectural-floor-plan.>; <https://openclipart.org/
detail/205971/virus.> e <https://openclipart.org/detail/249841/first-responder-
doctor>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 136: Antecipação – fase de projeto. Disponível em: <https://openclipart.org/


detail/24860/architetto-architetto-2> . Acesso em: abr. 2019.

Figura 137: Fluxo de ar laminar centro cirúrgico – EPC. Disponível em: <https://
www.nafahq.org/cleaning-the-operating-room/>. Acesso em: abr. 2019.

Figura 138: Cabines de biossegurança manipulação de materiais biológicos.


Disponível em: <https://www.airlinkfiltros.com.br/en/artigos/entenda-diferenca-
entre-capela-de-fluxo-laminar-e-cabine-de-seguranca-biologica/>. Acesso em: abr.
2019.

Figura 139: Legionella pneumophila. Disponível em: <https://blogs.cdc.gov/


publichealthmatters/files/2016/06/L_pneumophila_banner.jpg>. Acesso em: abr
2019.

Figura 140: Sistemas de climatização – PMOC. Disponível em: <https://openclipart.


org/detail/312130/air-conditioner>. Acesso em: abr. 2019.

184
REFERÊNCIAS

Sites
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Haarbalgmilbe.jpg>.

<http://www.ghtc.usp.br/server/pdf/ram-Miasmas-Sci-Am.PDF>.

<https://www.sciencehistory.org/historical-profile/louis-pasteur>.

<https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1905/koch/biographical>.

<https://drauziovarella.uol.com.br/infectologia/saiba-como-reconhecer-e-lidar-com-
as-viroses-infantis-mais-comuns/>.

<http://www.scielo.br/pdf/jped/v79s1/v79s1a09.pdf>.

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3048compilado.htm>.

<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1999/prt1339_18_11_1999.html>.

<http://anvisa.gov.br/servicosaude/controle/reniss/manual%20_controle_bacterias.
pdf>.

<www.youtube.com/watch?time_continue=103&v=gaU9vmhGkSI>.

<https://unaids.org.br/estatisticas/>.

<https://www.kff.org/global-health-policy/fact-sheet/the-global-hivaids-epidemic/>.

<http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2016/boletim-epidemiologico-de-aids-2016>.

<https://www.gatportugal.org/public/uploads/publicacoes/brochuras/Basico%20
-%20CD4%20e%20carga%20viral.pdf>.

<https://oshwiki.eu/wiki/Prevention_of_sharp_injuries>.

<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/392600/mod_resource/content/1/
PCM_17_11.pdf>.

<https://www.who.int/malaria/en/>.

<https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/publicacoes/item/
precaucoes-padrao-de-contato-para-goticulas-e-para-aerossois>.

<http://portalms.saude.gov.br/artigos/918-saude-de-a-a-z/influenza/13807-
recomendacoes-para-prevencao-e-controle>.

185
REFERÊNCIAS

<https://www.cdc.gov/nhsn/PDFs/NaSH/NaSH-Report-6-2011.pdf>.

<https://www.youtube.com/watch?v=sraBaCTlP9c>.

<https://www.youtube.com/watch?v=tC6BLdE8Fcw>.

<http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2019/fluxograma-para-profissionais-de-saude-
primeiro-atendimento-de-pep>.

<https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/legislacao/item/rdc-
50-de-21-de-fevereiro-de-2002>.

<https://www.riscobiologico.org/lista/DiretrizesGeraisContencaoAgentes
Biologicos_2010.pdf>.

<https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/publicacoes/item/
arquitetura-na-prevencao-de-infeccao-hospitalar>.

<http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/processamento_roupas.pdf>.

<http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/3427425/RDC_222_2018_.pdf/
c5d3081d-b331-4626-8448-c9aa426ec410>.

<http://www.anamt.org.br/site/upload_arquivos/arquivos_diversos_
16620161211277055475.pdf>.

<https://www.riscobiologico.org/lista/DiretrizesGeraisContencaoAgentes
Biologicos_2010.pdf>.

<https://www.youtube.com/watch?v=UeH_4HriTlg>.

186

Você também pode gostar