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PROGRAMA FORMAÇÃO PELA ESCOLA - FNDE

GILMA SILVA DOS ANJOS

ROSEANE TOMÉ SILVA DA SILVA

AVALIAÇÃO DO TRANSPORTE ESCOLAR NO MUNICÍPIO DE


JERÔNIMO MONTEIRO-ES

Trabalho Final de Conclusão do Curso de Competências


Básicas no Âmbito de Programa Formação pela Escola.

Tutora: Adriana Neves

JERÔNIMO MONTEIRO - ES

2021
INTRODUÇÃO

Sabe-se que o Governo Federal, através do Ministério da Educação,


desenvolve Programas destinados ao Transporte Escolar de alunos que residem na
zona rural. Dentre eles, podemos destacar o Programa Nacional de Apoio ao
Transporte Escolar - PNATE que tem como finalidade assegurar o acesso e a
permanência, nas instituições de ensino, dos estudantes do ensino fundamental
público, moradores de áreas rurais, que utilizam transporte escolar, por meio de
assistência financeira, em caráter suplementar, aos estados, Distrito Federal e
municípios. Cumpre ressaltar que com a publicação da Lei nº. 11.947/2009 o
programa foi ampliado e passou a beneficiar toda a educação básica contemplando
também os alunos da educação infantil e do ensino médio residente em áreas rurais.
O Município de Jerônimo Monteiro recebe os recursos financeiros do Fundo
Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE para custear as despesas com o
Transporte Escolar e tem buscado adequar-se às normas Federais e Estaduais
visando atender as necessidades dos usuários do serviço, bem como garantir a
qualidade e a segurança exigidas nos referidos dispositivos legais. Diante do
exposto surge o questionamento quanto à eficiência do serviço oferecido aos
usuários no âmbito municipal, tendo em vista a possibilidade da existência de
problemas imperceptíveis aos olhos dos administradores, mas que, se sanados,
poderão gerar melhorias para o sistema.
O objetivo do presente trabalho é proceder à análise do serviço de Transporte
Escolar ofertado aos usuários, bem como levantar as características operacionais do
sistema do Município, através de uma pesquisa de opinião meramente acadêmica
que apontará a percepção dos usuários quanto à qualidade, segurança e
atendimento aos anseios dos alunos residentes no Município de Jerônimo Monteiro-
ES.
O art. 2º da Lei 10.880 de 9 de junho de 2004 estabelece critérios para
execução do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar – PNATE que foi
instituído para beneficiar os alunos da educação básica pública residente na zona
rural dos municípios contemplados com os recursos financeiros repassados pelo
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE.
“Art. 2º - Fica instituído o Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar
– PNATE, no âmbito do Ministério da Educação, a ser executado pelo Fundo
Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, com o objetivo de oferecer
transporte escolar aos alunos da educação básica pública, residentes em área rural,
por meio de assistência financeira, em caráter suplementar, aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios, observadas as disposições desta Lei.”
A Constituição Federal no inciso VII, do Artigo 208 assegura ao estudante
garantias que possibilitem o acesso e a permanência do mesmo nas instituições
públicas de ensino:
“O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de:
“(...) VII – atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por
meio de programas suplementares de material didático escolar, transporte,
alimentação e assistência à saúde.”
Tal parecer tem como finalidade ainda indicar possíveis melhorias e até
mesmo o que pode ser feito para que essas mudanças aconteçam, caso elas
existam e sejam necessárias, podendo a Administração Municipal utilizar os
resultados obtidos.
DESENVOLVIMENTO

No Brasil, apesar do montante de recursos alocados para os programas


sociais e de atendimento às necessidades básicas não ser pequeno, ele não é
suficiente para todas as necessidades que os diversos setores apresentam.

O Transporte Escolar refere-se especificamente ao transporte de estudantes


de determinado ponto de origem, geralmente próximo de sua residência, à
escola em que está matriculado e, também, no sentido inverso (da escola
para o ponto de origem de sua viagem). Para aqueles estudantes residentes
na área rural, o transporte torna-se essencialmente importante para que se
consiga ter acesso à escola. A falta de transporte escolar na área rural
torna-se um problema ainda mais grave quando não existem escolas na
própria área e o aluno é obrigado a freqüentar a escola na área urbana.
(NASSI, 2001, p. 156)

No setor de transportes, o diagnóstico para o sistema em operação é


usualmente estruturado como resultado da análise do sistema existente, a partir do
estudo crítico das condições operacionais, retratadas a partir da caracterização da
oferta e da demanda, confrontando-se com padrões operacionais, econômicos e
sociais planejados.

Para uma adequada priorização nas ações e nas escolhas dos programas é
necessário um processo de planejamento bem definido, nos quais os
problemas identificados correspondam à realidade. No entanto, não é
possível identificar problemas e encontrar as soluções mais adequadas sem
uma correta avaliação do sistema, por meio de um diagnóstico que reflita,
da maneira mais adequada, a situação atual. (SPIEGEL, 1993, p. 49)

O diagnóstico é uma etapa fundamental no processo de planejamento, pois


precede e define as demais etapas, sendo, portanto, vital à estruturação do
processo de planejamento. Destarte, é necessário investigar o sistema de transporte
para que seja possível identificar um instrumento que permite a busca das melhorias
na execução de suas atribuições.
Atualmente, a grande maioria dos alunos da zona rural do município de
Jerônimo Monteiro-ES, freqüenta escolas na sede, nos povoados e distritos que,
mesmo sendo mais próximos de suas residências, muitas vezes não dispensam os
serviços do transporte escolar.
Considerando a dispersão das propriedades rurais, não é fácil se conseguir
que todos os alunos tenham um mesmo nível de acessibilidade às escolas. No
entanto, a análise do nível de acessibilidade é uma questão que precisa ser levada
em consideração pelos planejadores dos sistemas de transporte rural escolar, a fim
de se obter as mesmas oportunidades educacionais e equidade de acesso às
escolas.
As condições de acesso dessas crianças às escolas são dificultadas pela
baixa ou irregular oferta de meios de transporte motorizados e pela distância
a ser percorrida, podendo criar entraves ao deslocamento que, quando feito
a pé, sofre interferência de terrenos acidentados, presença de animais,
intempéries, entre outros. Os modos não motorizados (a pé e bicicleta) são
utilizados principalmente quando não há disponibilidade de um serviço de
transporte regular. Em relação aos modos motorizados, ônibus e kombis
são os mais usados no Brasil. (GEIPOT, 1995)

Muitas vezes, o transporte escolar gratuito fornecido pelo poder público


representa a única forma que o aluno carente dispõe de chegar à escola. A
população rural tem mais dificuldades no acesso às unidades de ensino, em geral,
devido às grandes distâncias a serem percorridas. Isto se deve, principalmente, ao
fato de diversas escolas se localizarem fora da área rural. Nestas circunstâncias, o
transporte escolar torna-se fundamental no acesso à unidade de ensino.
Visto que o custo por passageiro do transporte escolar é diretamente
proporcional à distância percorrida pelos veículos e inversamente proporcional ao
número de alunos atendidos por veículo, observa-se que o município sendo
considerado de baixa densidade demográfica (e maior dispersão populacional) são
os que têm os maiores custos devido às maiores distâncias percorridas. Portanto,
poder-se-ia inferir que os custos do transporte escolar (incluindo rural e urbano)
seriam compostos por uma parcela significativa do segmento rural. (GEIPOT, 1995)
Além disso, grande parte dos municípios e Estados nessas condições possui
orçamento limitado. Nestes casos, as pessoas que dependem desse serviço são
prejudicadas e acabam abandonando os bancos escolares por não terem condições
de pagar pelo transporte, ou mesmo por nem haver a prestação de tal serviço.

AÇÕES GOVERNAMENTAIS VOLTADAS PARA O TRANSPORTE ESCOLAR

As ações do Estado são (ou pelo menos deveriam ser) determinadas pelas
demandas da sociedade. Na sociedade contemporânea, a educação, enquanto fator
básico para inclusão social constitui uma das grandes demandas sociais e é tão
importante na vida social que é citada no art. 6º da Constituição Federal Brasileira
(BRASIL, 1988) como sendo um dos direitos primordiais do cidadão. Considerando
que o Estado tem o papel de resguardar os direitos postulados em sua Constituição,
recai sobre o Governo a função de promover o livre acesso à educação.
Em relação ao ensino fundamental, o art. 208 da Constituição lhe delega o
dever de dar assistência ao educando por meio de programas suplementares de
material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.

Se por um lado a formação de professores avança, a construção de escolas


prospera e a evasão diminui, por outro lado, o aprimoramento do transporte
escolar, um direito constitucional, não segue no mesmo ritmo. Esse
problema é amenizado nos centros urbanos com a distribuição de passe
estudantil (ou descontos). No entanto, na área rural, onde vivem mais de 11
milhões de pessoas em idade escolar, a situação do transporte escolar está
longe de ser resolvida (MAGALHÃES, 2004).

De acordo com o censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas


Educacionais – INEP (2004), somente 37% da população da área rural contava com
veículos públicos para ir à escola. Isso significa que ainda há cerca de 7 milhões de
pessoas que enfrentam dificuldades diárias para chegar às salas de aula em função
da distância, muitas vezes percorrida a pé entre a casa e a escola, um esforço que,
sem dúvida, prejudica a aprendizagem.
Tudo isso mostra que ter uma política pública adequada pode promover a
melhoria da qualidade de vida da população que depende dos programas sociais
para ter acesso aos mais variados tipos de serviço. E mais, quando se necessita de
um serviço básico como a educação, o papel da política pública é fundamental.
Nesse sentido, as ações do governo, por meio do programa voltado ao transporte
escolar, devem melhorar o serviço prestado e, conseqüentemente, o acesso dos
jovens à educação, particularmente daqueles que cursam o ensino fundamental e
residem na área rural.
CONCLUSÃO

O que torna uma escola acessível, não é a quantidade de vagas, mas a


possibilidade das crianças chegarem à mesma, com maior dignidade e respeito.
É muito importante ressaltar com grande mérito, que os motoristas, que todos
os dias transitam com os alunos, respeitam todas as normas de transito, há
obediência aos pontos de parada e percurso. Além disso, esses motoristas agem
com muito respeito e profissionalismo com os alunos, o que é uma atitude muito
boa.
O Município de Jerônimo Monteiro-ES com certeza está fazendo muitas
melhorias com o transporte escolar, como citado acima, tem oferecido cursos aos
motoristas, mas é preciso saber que há a ser feito para que haja maiores melhorias
no transporte escolar.
É necessário que as Autoridades do Município tenham um olhar mais reflexivo
e visem melhores condições de acesso aos alunos na escola, e que isso seja feito
com a reforma e quantidades maiores de ônibus para que as crianças não transitem
em pé e assim, não corram nenhum risco de se acidentarem. Com isso, será
possível contribuir para melhoria da qualidade de vida dos alunos matriculados,
permitindo conforto e segurança aos mesmos no trajeto de suas residências a
escola, possibilitando assim o acesso ao ensino de qualidade.
É necessário estar sempre atento ao se implantar sistema de vistoria e
autorização dos veículos e condutores a prestar o serviço. Estabelecer mecanismos
de responsabilização do Poder Público pela prestação do serviço, informando
sempre a população a existência do seu direito a ter um transporte escolar de
qualidade.
Todas as ações incorporadas pelo Município de Jerônimo Monteiro devem
buscar fazer com que o transporte escolar não seja um empecilho para que
estudantes acessem as unidades de ensino, mas sim um facilitador nesse processo.
Dessa forma, a oferta de um serviço de transporte de qualidade pode trazer como
benefícios um melhor acesso dos estudantes às escolas e a redução da evasão
escolar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Constituição Federal de 05 de outubro de 1988. 8. ed. São Paulo: RT,


2008.

________. Lei nº 10.880 de 09 de junho de 2004. Institui o Programa Nacional de


apoio ao Transporte Escolar. 8. ed. São Paulo: RT, 2008.

BUSSAB, W.O. Análise de variância e regressão: uma introdução. 2. Ed. São


Paulo: Atual, 1999.

FEIJÓ, Patrícia Collat Bento. Transporte escolar: a obrigação do poder público


municipal no desenvolvimento do programa. Aspectos jurídicos relevantes.
Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 1259, 12 dez. 2006. Disponível em:
<http://jus.com.br/revista/texto/9239>. Acesso em: 3 maio 2012.

GEIPOT. Avaliação preliminar do transporte rural. Brasília, DF: UFS, 1995.

NASSI, C.; KAWAMOTO, E. Transportes: experiências em rede. Rio de Janeiro:


Finep, 2001.

NEAD-UNIARA. Captação e controle da evasão dos alunos: prática educativa e


gestão do espaço escolar. Araraquara: Uniara, 2011.

MAGALHÃES, M.T.Q. Metodologia para desenvolvimento de sistemas de


Indicadores: uma aplicação no planejamento e Gestão da política nacional de
transportes. Dissertação (Mestrado). Universidade de Brasília. 2004.

SPIEGEL, M.R. Transporte escolar: estatísticas. 3. ed. São Paulo: Makron Books,
1993.