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SemiEdu 2018 - 30 anos do PPGE: diálogos entre políticas públicas, formação de professores e educação básica

A FENOMENOLOGIA COMO MÉTODO E FILOSOFIA DA


EDUCAÇÃO

José Ferreira da Costa (PPGE/UFMT) jofecosta.55@gmail.com

Maria da Anunciação Pinheiro Barros Neta (PRPPGE/UFMT) barrosneta@gmail.com

RESUMO

Este artigo discute as contribuições da Fenomenologia como Filosofia e metodologia na pesquisa em


educação na perspectiva dos movimentos sociais e educação popular. E tem como objetivos compreender
a dimensão filosófica e metodológica da fenomenologia quanto teoria do conhecimento e como
metodologia na área da educação e identificar as contribuições da fenomenologia em Husserl, Merleau-
Ponty e possíveis conexões em Paulo Freire na pesquisa de doutoramento, que ora realizamos com os
professores efetivos do Curso de Pedagogia, no Campus Jane Vanini em Cáceres, ancorada na perspectiva
teórica e metodológica Merleaufreireana. Neste estudo, enfocamos o fenômeno educativo, considerando
que os participantes que são envolvidos são sujeitos e objetos constitutivos do fenômeno na perspectiva
da dialogicidade e da subjetivação dos sujeitos que são iguais quanto autoria, autonomia e competência.
Nesta perspectiva não há o distanciamento entre sujeito e objeto, se substantivam e se subjetivam como
uma totalidade no sentido de autoria. Percebemos na organização e sistematização das informações, que
elas partem da compreensão e interpretação descritiva das narrativas em diálogo com às ideias
manifestadas em Paulo Freire e Merleau-Ponty. Desse modo, constatamos que o diálogo é um dos pilares
tanto na coleta das informações, quanto na organização metodológica das narrativas, que nos possibilitam
compreender a filiação teórica dos interlocutores, bem como as percepções sobre o fenômeno educativo,
os pressupostos teóricos e metodológicos que estão contidos nas ações pedagógicas, que representem os
modos de ensinar e aprender a partir de saberes que se constituem na relação de produção de
conhecimento. Também, identificamos as contribuições da fenomenologia em Husserl, Merleau-Ponty e
possíveis conexões em Paulo Freire na interpretação das narrativas, que expressam, inicialmente, que os
interlocutores trabalham numa perspectiva de Educação transformadora e libertadora. Foi possível
perceber, também, que as narrativas explicitam ações propositivas que privilegiam os saberes de
professores sem ênfase no diálogo com os saberes oriundos dos acadêmicos e da comunidade. Podemos
inferir que os aspectos teóricos se sobrepõem aos práticos, que são fundamentais às relações dialógicas e
interdisciplinares, à ação pedagógica que possibilita a produção de saberes coletivos e plurais entre os
pares.

Palavras-Chave: Fenomenologia. Educação Popular. Percepções.

INTRODUÇÃO

1.1.SITUANDO A PESQUISA
Este estudo compõe-se de um recorte sobre a pesquisa que trabalhamos com os
sentidos da educação narrados pelos professores e professoras do curso de Licenciatura
Plena em Pedagogia da Universidade do Estado de Mato Grosso Campus de Cáceres.

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Assim, tomamos como referência as contribuições de Paulo Freire e de Merleau-


Ponty no contexto filosófico, educacional e metodológico para nos auxiliar na
compreensão dos fenômenos contidos nas narrativas. Inicialmente, fizemos um estudo
teórico de autores como Merleau-Ponty e Freire buscando apreender os aspectos
conceituais e possibilidades de contribuições para a compreensão do objeto que compõe
a nossa pesquisa.

Após o delineamento teórico-metodológico, produzimos uma discussão


focalizando o contexto histórico da Universidade do Estado de Mato Grosso, do curso
de Pedagogia e os fundamentos epistemológicos e metodológicos em que sustentam a
pesquisa, com intuito de situar não apenas o objeto, mas o interlocutor nesse processo.

Mediante os aspectos mencionados, destacamos que esse estudo nasce das


inquietações epistemológicas e da prática educativa, no exercício da docência no curso
de Pedagogia, a partir de nossa percepção acerca de como os acadêmicos apresentam
dificuldades para compreender a dinâmica e a práxis educativa durante o seu processo
formativo. Etapa em que ficam na dependência do uso de textos pelos textos,
desvinculados do contexto social, cultural, histórico e econômico que são bases de onde
ocorre o fenômeno educativo que dá sustentação à formação do indivíduo para a sua
atuação docente.

Esse mecanismo de distanciamento do contexto em que as vivências e


experiências que criam e motivam a ação pelos acontecimentos e saberes dos sujeitos
engajados socialmente sob o princípio da autonomia e do processo de libertação, se
torna um obstáculo ao processo formativo.

Partindo desse pressuposto, que durante a realização das atividades docentes,


percebemos que os nossos alunos falam muito sobre Paulo Freire, usam textos nas suas
produções acadêmicas, nos seus trabalhos de conclusão de curso, mas não conseguem
produzir seus trabalhos com autonomia sustentando-se nas ideias produzidas por
outrem, ideias prontas que geram insegurança e dependência.

Cremos que em razão disso, muitas vezes, na universidade, passamos a reproduzir


as velhas práticas com o discurso de uma prática transformadora. Precisamos construir
uma nova legitimidade, um novo sentido e para isto se faz necessário enfatizar aspectos
que orientam à ação docente.

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Mediante tais constatações percebidas em nossa trajetória profissional que nos


motivaram realizar esta pesquisa, que tem como objetivo compreender a dimensão
filosófica e metodológica da fenomenologia quanto teoria do conhecimento e como
metodologia na área da educação e para tal estaremos enfatizando os aspectos
ontológicos e subjetivos como fundamentos estruturantes das relações na dimensão
holística e ontológica. Assim como identificar as contribuições da fenomenologia em
Husserl, Merleau-Ponty e possíveis conexões em Paulo Freire.

A realização desse estudo nos possibilitará vislumbrar numa perspectiva micro, os


sentidos percebidos pelos professores que atuam na formação inicial no Curso de
Pedagogia.

2. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

Para compreender os sentidos narrados pelos professores e professoras acerca de


sua prática pedagógica, partimos do aprofundamento teórico conceitual de autores que
versam sobre a Fenomenologia enquanto filosofia e método.

Assim, no tocante a compreensão da fenomenologia enquanto método e Filosofia


buscamos referências nos autores Bicudo, Resende, Merleau-Ponty e Paulo Freire. A
partir do estudo, realizamos a pesquisa em Educação tendo como tema: Sentidos da
Educação Narrados pelos Professores e professora do Curso de Pedagogia na
Universidade do Estado de Mato Grosso em Cáceres/MT.

Nesse processo, buscamos perceber qual é a matriz teórica e metodológica que


está contida na formação de professores e professoras e como é que se propõe à
transformação do indivíduo no mundo com o outro, no cotidiano. Entendemos que esta
formação está cheia de sentido, significado e de intencionalidade que é uma constante
em busca de autonomia e transformação que fundamentam-se no princípio da liberdade,
da ética e da identidade do ser, que é histórico, que está contextualizado e se coloca
como inacabado buscando sentido, significado de sua existência.

2.1 A FENOMENOLOGIA ENQUANTO FILOSOFIA E MÉTODO: ASPECTOS


INTRODUTÓRIOS

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A palavra fenomenologia vem da palavra grega fainomenon que é derivado do


verbo fainestai que significa aquilo que se mostra, o que sem manifesta ou o que
aparece. É o que se manifesta para uma consciência que significa intencionalidade que
em outras palavras quer dizer o que está voltado à relação de existência como um todo
porque a parte está no todo e todo está na parte. Não há particularidade sem que haja
universalidade e vice-versa.

Isso significa que, ao pensarmos sobre a arte de compreender as coisas, a partir


dos gregos, na Antiguidade Clássica, percebemos que os gregos, Pitágoras, Parmênides,
Sócrates e Platão travaram uma luta pela compreensão de mundo, no qual está contido a
constituição de humanidade. No Século XX, Edmund HUSSERL buscou compreender
o mundo das ciências contestando a forma de compreensão pelas correntes de
pensamento: Empirismo e Racionalismo por uma visão, em princípio, manifestada na
dimensão do mundo e das coisas como totalidade. Esta visão tem em seu bojo o

Deste modo, para HUSSERL a intencionalidade da consciência está ligada a


atitude fenomenológica e por sua vez está direcionada a algo. Estas relações estão
ligadas às intuições originárias que requerem a interpretação de mundo em que se
percebe o fenômeno como aparece à nossa consciência. Aqui está o sentido de uma
relação com as coisas na sua natureza que é intencional. A ideia de consciência em
HUSSERL é consciência de um objeto intencional e transcendental que se relaciona
entre a consciência e o mundo vivido pelas pessoas. Para compreender este pensador,
temos que percorrer um caminho que não tem um fim determinado, e que para Paulo
Freire e para Merleau-Ponty, se dará numa marcha sem fim, no inacabamento que é a
totalidade da expressão de humanidade que dialoga constantemente com sujeito, o outro
e o mundo!

Neste contexto, a dimensão transcendental da consciência só poderá ser


compreendida a partir da intencionalidade do sujeito que pensa a partir de sua vivência e
experiência na relação com as coisas e com os outros. Essa relação tem como princípio
a intencionalidade de volta às coisas em si, tendo como referência a objetividade e
subjetividade construindo o significado relacional que significa a conectividade sujeito-
objeto e vice-versa.

Nesta perspectiva, fenomenologia é a filosofa da dinâmica da vivência e


significação das coisas a partir da relação intencional que fazemos ao mergulhamos no
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mundo objetivo e assim apreendido pelos sentidos e interpretados pela capacidade


intelectual que significa a tomada de consciência de algo que é essencialmente
ontológico, inacabado e totalizante ou holístico.

A fenomenologia criada por HUSSERL se constitui um novo olhar do


conhecimento sensível, diferenciando da visão empírica do conhecimento. Para a
fenomenologia, a sensação não é uma resposta físico-fisiológica a estímulos externos e
tampouco um reflexo pontual. Em resposta ao intelectualismo, na fenomenologia a
percepção não significa uma síntese das nossas sensações executadas pelo nosso
pensamento. Enfim, em resposta ao empirismo e a racionalismo, a fenomenologia
afirma que não há diferença entre sensação e percepção porque não há parcialidade nas
sensações. Isto significa que sentimos e percebemos totalidades, percebemos as coisas
com um todo como estrutura dotada de sentidos e significações, portanto carregadas das
subjetividades.

Enfim, podemos definir a fenomenologia como o estudo sobre todas as


manifestações ou daquilo que se mostra, que aparece dando significado àqueles que
percebem as coisas na relação subjetiva e objetiva sendo uma atitude reflexiva do
fenômeno, aquilo que se mostra e o como se mostra. Podemos dizer, neste contexto, que
as coisas se mostram para nós, para compreendermos os sentidos de tudo que se
manifesta a nós e em nós como uma dialética inacabada.

A percepção do fenômeno ocorre pelo manifestar-se da realidade que o fenômeno


que se apresenta, mas paulatinamente. O fenômeno se mostra ao sujeito que interroga e
que procura ver além do que aparece, pois não é algo não é algo de ser explicado numa
perspectiva de causa e efeito, mas a interpretação do percebido e a realidade não é
única, mas tantas quanto forem as interpretações. Ela é infinita, inacabada e criadora de
significados, é una e múltipla.

Nesta perspectiva, para BICUDO, (1997, P.19)

Sujeito e fenômeno estão no mundo-vida juntos com outros sujeitos,


co-presenças que percebem fenômenos. A co-participação de sujeitos
em experiências vividas em comum permite-lhes partilhar
compreensões, interpretações, comunicações, desvendar discursos,
estabelecendo-se a esfera da intersubjetividade. (BICUDO, 1997,
p.19).

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Seguindo o raciocínio, a fenomenologia não é uma racionalização do


acontecimento. Ela se reveste de conteúdo a partir da presença e do como o fenômeno
se apresenta e o sujeito e o fenômeno estarão no mesmo nível de relação estabelecendo
o diálogo entre o sujeito e o objeto.
Para chegarmos a algum lugar precisamos ter um caminho, termos metas. Então
para pesquisarmos e compreendermos as coisas, aquilo que queremos saber, temos a
necessidade de percorrer um caminho e este é a metodologia que denominamos de
fenomenologia. Para Husserl este caminho é formado de duas etapas.

Na primeira etapa temos que encontrar os sentidos dos fenômenos que nos
apresenta. Aqui intuímos os sentidos da educação na sua essência. Esta essência é
captada pelas manifestações dos sujeitos que vivem a educação e nas suas experiências
que são contextos históricos que serão expressos no longo de suas vidas. A
compreensão e a interpretação dessas relações históricas, culturais e sociais são
percebidas durante a vida toda na relação intersubjetiva onde há um processo dialógico
na ação das pessoas que é inacabada, pois segue com um novo vir a ser.

Na segunda etapa do método fenomenológico temos o sujeito que é aquele que


pensa sobre os sentidos das coisas e de si, das suas relações, das percepções, da
consciência a partir da reflexão. Na reflexão o sujeito se vê como corpo e pensa e
interpreta o como e o que significa como corpo e o como se dá na totalidade da
natureza, da vida como corpo. Esta dimensão corpórea é fundamental na metodologia
fenomenológica porque não o corpo dentro e fora, mas os dois modos de ser. Sempre
está dentro da dimensão existencial e fora para tomar ciência de ser com o outro, com as
coisas. O ser nesta condição é aquilo que precisa perceber e ser percebido, tocar e ser
tocado. A sensibilidade táctil e visual são dados essenciais para a consciência dele que
se manifesta na carnalidade nas dimensões existenciais. Enfim, a consciência se dará
quando os ser se percebe e compreende-se como estar e ser por inteiro. Por exemplo:
quando o indivíduo olha, está sendo olhado, quando toca está sendo tocado e não sabe o
que acontece primeiro se vê ou toca.

Na pesquisa podemos dizer que a fenomenologia é um movimento que procura


descrever o fenômeno de modo direto daquilo que se vive conscientemente sem a
preocupação teórica sobre as explicações causais, de pressupostos e preconceitos. Tudo
é expresso na carnalidade, na intimidade do mundo e das relações. A manifestação desta
descrição fenomênica se dá na ação do sujeito que é percebida a cada momento vivido e

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experimentado na dimensão de totalidade e universalidade ontológica. Neste sentido

modo rigoroso. O que caracteriza não é ser ou procurar ser esse pensar, mas o modo

2.2. A FENOMENOLOGIA NA PESQUISA DE DOUTORADO EM EDUCAÇÃO

A fenomenologia na pesquisa do doutoramento em educação nós vemos como um


processo de discernimento filosófico e como processo dialógico e interpretativo do
fenômeno educativo. Na nossa abordagem tratamos da fenomenologia como diálogo
entre as ideias de Paulo Freire e de Merleau-Ponty atribuindo uma concepção de
metodologia Merleaufreireana onde os diálogos são interativos requerendo uma visão
universal dos fenômenos percebidos.

A relação entre os sujeitos e os objetos da pesquisa são relações colaborativas,


dialógicas e de interação onde o manifestado, o objeto, e o manifestante (o pesquisador)
estão no mesmo campo de referência onde não pode se separar quem percebe e quem é
percebido, quem interpreta e quem é interpretado porque o fenômeno se manifesta na
relação entre eles no mesmo mundo que se percebe e é percebido. Não há como isolar
sujeito que percebe e o objeto percebido porque na intencionalidade, no desejo do
conhecer há uma relação inseparável entre o campo de percepção do sujeito que percebe
o do objeto percebido, pois há uma relação de aceitação, de doação e abertura de um
para com o outro para que haja a manifestação do fenômeno.

Nessa perspectiva, na nossa pesquisa em educação, em movimentos sociais nos


afirmamos nas concepções de Merleau-Ponty(2010, p.46), onde ele afirma que a
intersubjetividade é uma estrutura da vida intencional, que é relacionada com o cogito
na medida que se revela(...) e assim assumimos uma postura que o sujeito da pesquisa
também é objeto da pesquisa e vice-versa onde há uma articulação da experiência e do
envolvimento dos outros em nós e nós neles que implica na abertura para a
compreensão do fenômeno educativo.

Nesta perspectiva Merleau-Ponty (2010, p.47) aponta para a necessidade do


comprometimento com os outros na lutas pela consciência de si, do outro e do mundo e
afirma que

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(...) o diálogo é o circuito no qual, sem abandonar nada de


minha responsabilidade, deixo o outro, na generosidade da
filiação, me destituir de minha posição central, na consciência
de que, desde sempre, penso no outro como o outro fala em
mim. (Merleau-Ponty, 2010, p. 47).

Neste campo de ação nos colocamos sob a fundamentação metodológica a


unidade entre teoria e práticas. Assim para a nossa compreensão e interpretação dos
dados seguimos a abordagem teoria de Paulo Freire e de Merleau-Ponty o Professor
Passos e no nosso grupo de pesquisa em movimentos sociais chamamos de Metodologia
Merleaufreireana. Desta forma a construção do conjunto de categorias surgirão dos
referenciais teóricos metodológicos e das narrativas dos sujeitos da pesquisa. São onze
professores e professoras efetivas do curso de Pedagogia, no Campus
Universidade do Estado de experiências educacionais.

Na perspectiva filosófica e metodológica não utilizamos as categorias para


análise, mas para compreender e interpretar o fenômeno educacional ora em questão
que são os sentidos da educação narrados pelos professores e professoras do curso de
Pedagogia na Universidade do Estado de Mato Grosso, na cidade de Cáceres. Isto
significa que tomamos todo o material obtido durante a pesquisa para relatar e
interpretar as manifestações dos sujeitos transcritos pelas entrevistas, bibliografias e
demais informações disponíveis nas mais variadas formas.

Para que tudo transcorresse de melhor maneira elaboramos questões abertas como
referência para a entrevista em que foi mais um diálogo entre pesquisador e pesquisados
de forma amistosa, sendo que todas categorias que estão contidas na ideias de Paulo
Freire e de Merleau-Ponty que orientaram este trabalho, tendo a sensibilidade para a
delimitação do foco de estudo, a formulações de questões abertas, o aprofundamento o e
revisão literária e observações durante a realização da pesquisa.

Em seguida, da fase mais formal da pesquisa, quando o pesquisador obteve ideias


claras sobre o estudo, considerando o referencial teórico e metodológico buscou-se a
categorização suficientes para a interpretação dos dados coletados e buscando
desvelamento de manifestações que muitas vezes estão silenciadas.

Outra fase importante quanto a categorização para a interpretação das


manifestação do sujeitos da pesquisa são refletir sobre a ideias, reavaliá-las, procurar
novos conceitos que poderão emergirem nos relatos através das entrevistas

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ultrapassando a descrição em si e acrescentando algo percebido nos depoimentos dos


sujeitos.

Neste contexto a pesquisa se sustenta na fenomenologia quanto método em


Merleau-Ponty e em Paulo Freire onde eles apontam a fenomenologia como um

atitude descritiva como sendo realmente a que corresponde à densidade semântica do

A partir desta perspectiva metodológica objetivamos compreender as vivências e


experiências dos professores e professoras a partir da interpretação dos fenômenos
educacionais relatados. Em primeiro lugar buscamos compreender o significado de
construção de saberes, o como se constrói o conhecimento a partir da ação pedagógica
ancorada na autonomia e no inacabamento. Em segundo lugar buscamos a identificação
de aspectos teóricos e metodológicos da teoria da educação libertadora na formação de
professores.

Assim, a partir das informações coletadas, destacamos as aproximações e


distanciamentos, bem como lacunas. Nesta dimensão a pesquisa se desenvolveu a partir
de leituras relacionada ao curso de pedagogia e da pesquisa que foram base do primeiro
capítulo da tese.

No segundo momento conversamos com os professores através das entrevistas


onde eles narraram as suas percepções em que transcrevemos e estamos interpretando as
entrevistas e a partir desses olhares focaremos na interpretação dos sentidos dados à
educação onde concluiremos a tese.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste estudo compreendemos que a dimensão filosófica e metodológica da


fenomenologia enquanto teoria do conhecimento e como metodologia na área da
educação enfatiza os aspectos ontológicos e subjetivos como fundamentos estruturantes
das relações intersubjetivas na dimensão holística e ontológica.

Assim, percebemos na organização e sistematização das informações, que elas


emergem da compreensão e interpretação descritiva das narrativas em diálogo com às

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ideias manifestadas em Paulo Freire e Merleau-Ponty. Desse modo, constatamos que o


diálogo é um dos pilares fundamentais, tanto na coleta das informações, quanto na
organização metodológica das narrativas, que nos possibilitam compreender a filiação
teórica e metodológica dos interlocutores, bem como as percepções sobre o fenômeno
educativo. Os pressupostos teóricos e metodológicos estão contidos nas ações
pedagógicas, que representam os modos de ensinar e aprender a partir de saberes que se
constituem na relação de produção de conhecimento.

Também, identificamos as contribuições da fenomenologia em Husserl, Merleau-


Ponty e possíveis conexões em Paulo Freire na interpretação das narrativas, que
expressam, inicialmente, que os interlocutores trabalham numa perspectiva de Educação
transformadora e libertadora. Foi possível perceber também que as narrativas explicitam
ações propositivas que privilegiam os saberes de professores sem ênfase no diálogo com
os saberes oriundos dos acadêmicos e da comunidade.

Em suma, podemos inferir que os aspectos teóricos se sobrepõem aos práticos,


que são fundamentais às relações dialógicas e interdisciplinares, à ação pedagógica que
possibilita a produção de saberes coletivos e plurais entre os pares.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BICUDO, Mara Aparecida Viggiani. Sobre a Fenomenologia. In. BICUDO, Maria


Aparecida Viggiani e SPÓSITO, Vitória Helena Cunha (org.). A pesquisa qualitativa
em Educação: um enfoque fenomenológico. Piracicaba: 2.ed. UNIMEP, 1997.

DUPON, Pascal. Vocabulário de Merleau-Ponty. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

____________. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa.


5.ed.São Paulo: Paz e Terra, 1997.

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LUDKE, Menga e ANDRÉ, Marli E.D.A, Pesquisa em Educação: abordagens


qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

MERLEAU-PONTY, M. Signos. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

____________________. Conversas 1948. São Paulo. Martins Fontes, 2004.

REZENDE, Antônio Muniz de. Concepção fenomenológica da Educação. São Paulo:


Cortez e Autores Associados, 1990.

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