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RETROSPECTIVA

45 Anos da
Comédia Cearense
Haroldo Serra

RETROSPECTIVA
45 Anos da
Comédia Cearense

Fortaleza, 2002
Capa, Computação
gráfica iconográfica
HAROLDO JÚNIOR

Revisão
HIRAMISA SERRA

Editor
HIROLDO SERRA

Diagramação
SÉRGIO LINHARES

EDITORA GRÁFICA LCR


Rua Israel Bezerra, 633
Dionísio Torres
Fone (85) 272.7844
Fax (85) 272.6069
Fortaleza - Ceará
e-mail: graficalcr@.px.com.br
“... e formular um voto especial à Comédia Cearense:
não seja melhor do que é. Seria exagero”.

Adísia Sá - O Povo - 15/10/86

“A única coisa que poderíamos dizer diante de tão ge-


nial espetáculo é que eles não precisavam ser tão geniais...
Mas foram”.

Sônia Margarida – Diário da Região – 19/07/71

(Sobre “O Morro do Ouro” no III Festival Nacional de São José


do Rio Preto)

“Hoje em dia a gente vai ao teatro, assistir sem saber, a


uma encenação do Haroldo Serra e dentro de poucos mi-
nutos se pode identificar o estilo dele, pois tem uma linha
de comédia de farsa que denota uma personalidade já for-
mada”.

Yan Michalski – em entrevista ao O Povo – 23/11/97


APRESENTAÇÃO

A razão principal de “Retrospectiva” é registrar a trajetória da


Comédia Cearense. Fala-se muito na falta de memória do movi-
mento cultural cearense e pouca coisa se faz a respeito. Sempre que
precisávamos de informações de grupos, autores e espetáculos ante-
riores a nossa geração, não havia registros. Daí a idéia de editar
uma revista que preservasse as informações sobre o trabalho da
Comédia Cearense. Sabíamos que as publicações sobre cultura têm
vida curta. Um artifício solucionou o problema. A revista não seria
periódica, teria uma numeração cronológica, sem a obrigação de
data preestabelecida de publicação. O primeiro número da “Comé-
dia Cearense” foi editado em 1963 e além de noticias sobre o movi-
mento do grupo, publicou o texto completo de Eduardo Campos,
”O Morro do Ouro”. Incluir textos completos foi uma constante
em quase todos os números. 39 anos e a revista ainda não morreu.
Várias Universidades, inclusive estrangeiras têm exemplares em
suas bibliotecas. Vários textos de autores cearenses foram monta-
dos ou estudados em oficinas e cursos de teatro fora do Ceará. Por
sugestão de Eduardo Campos o número especial comemorativo dos
45 anos da “Comédia Cearense” está circulando em forma de livro.
Uma boa razão para que ele escrevesse o prefácio.
Além da teatrografia, fotos, históricos das principais monta-
gens, resumos críticos e uma relação nominal de todos os que par-
ticiparam da Comédia Cearense, estamos publicando para atender
sobretudo, a futuros pesquisadores, os capítulos: ”Prêmios e Home-
nagens”; “Editora da Comédia Cearense”; “Bastidores”; “Comu-
nicações” e “Teatro Arena Aldeota”. São artigos, documentos, cor-
respondências e algumas reportagens importantes para a história
da Comédia Cearense.
Neste ano de 2002 a Comédia Cearense completa 45 anos de
atividades ininterruptas e Haroldo Serra 50, sem hiato de um ano
sequer. Além da montagem de espetáculos e viagens por outros Es-
tados, exposições de fotos e cartazes, o grupo está implantando a
“Casa da Comédia Cearense” que abrigará o acervo da Comédia,
biblioteca, um teatro jardim e promoverá cursos de teatro, dança,
artes plásticas e outros. Estamos em contato com Marcos Teixeira
Campos, diretor do Departamento de Artes Cênicas da FUNARTE,
para cessão, a título de doação de um moderno sistema de ilumina-
ção e em negociações com Humberto Braga e Stanley Whibbe, da
Secretaria da Música e Artes Cênicas do Ministério da Cultura,
para apoio daquele órgão, principalmente no que diz respeito a cur-
sos de teatro e dança. Cláudio César, responsável pela biblioteca, já
iniciou o processo de catalogação de todo o acervo que pertencia a
Haroldo Serra acrescido com os livros doados pela família do sau-
doso Marcus Miranda. A inauguração será a 31 de agosto. Na opor-
tunidade a Comédia Cearense estará homenageando entidades e
personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do gru-
po. Receberão o “Troféu Tripé”: Demócrito Dummar (O Povo);
Wanda Palhano (O Estado); José Anderson (Diário do Nordeste);
Edilmar Norões (TV Verdes Mares); Roberto Moreira (TV Diário);
Armando Vasconcelos (TV Cidade); Fernando Eugênio (TV Janga-
deiro); Godofredo Pereira (TV Ceará); Roberto de Carvalho Rocha
(Colégio Christus); Álvaro Jarreta (Grupo Pão de Açúcar) e
Fernanda Quinderé, pelos seus 50 anos dedicados à cultura e o es-
critor Márcio de Souza (Presidente da Funarte). Ricardo Guilher-
me encenará seu texto “RÁ”, que numa feliz coincidência conta a
história da Waldemar Garcia, patrono do espaço.

Selecionada pelo Projeto EnCena Brasil – Circulação, a Co-


média Cearense, com as peças “A Caça e o Caçador” , de Francisco
Pereira da Silva e “Nos Trilhos da Paixão”, de Caio Quinderé, fará
temporadas em Mossoró, Recife e Rio.
EM CENA ABERTA

Os fatos que se inserem neste trabalho são os tantos que, vali-


osos, marcaram o percurso altamente consagrador de louvável ins-
tituição – a “Comédia Cearense” - gestora de intenso exercício dra-
mático efetivado no Ceará e, por extensão, com igual desempenho,
pelo país. Desde 1957.
Não muitos os grupos teatrais, no Brasil, que se podem orgu-
lhar das atividades tão alvissareiras empreendidas com o brilho al-
cançado pela “Comédia Cearense”, agremiação exemplar que chega
aos nossos dias exibindo o mesmo entusiasmo, a mesma capacidade
de produzir espetáculos (e projetos) como se a idade, de seus princi-
pais animadores, jamais se atenuasse na permanente disponibili-
dade para fazer.
O de mais significativo, permitam-me mencionar, não está con-
signado nesse itinerário: a extrema renúncia de Haroldo e Hiramisa
Serra aos vagares da vida doméstica, que, por opção bem assumida,
trocaram os dois pela convivência no palco, à luz dos refletores, re-
féns de irretocável idealismo, modelo de dedicação às artes ainda hoje,
infelizmente no Ceará, não avaliado corretamente.
A “Comédia Cearense” é Haroldo Serra; é Hiramisa Serra; é
B. de Paiva, que, em período bastante significativo de sua vida pro-
fissional, esteve no Ceará, dando-nos o tom excitante de sua capaci-
dade artística. E não só desses, arremate-se, fez-se e faz-se a “Comé-
dia”, mas de quantos - artistas e técnicos – fundiram-na em cadinho
especial de efervescente criatividade, a mostrar quanto pode, quan-
to vale, a vocação dramática do artista cearense.
Na existência da “Comédia Cearense”, quando a cortina do
palco fecha, a assinalar o final do espetáculo, é sinal de que logo
voltará a se abrir apresentando outros grandes momentos de per-
durável emoção.
Eduardo Campos
LADY GODIVA

E A R E N S E
de Guilherme Figueiredo

C
De certa forma a Comédia Cearense é uma extensão do Teatro

O M É D I A
Experimental de Arte, grupo teatral surgido em 1952 e fundado
por Marcus Miranda, B. de Paiva, Hugo Bianchi e Haroldo Serra,

C
que inovou a cena cearense e permitiu o surgimento de muitos ta-

D A
lentos locais. O TEA foi o primeiro grupo no Ceará a abdicar do

N O S
auxilio do “ ponto”. Foi sem dúvida, um passo enorme a caminho
de uma interpretação moderna onde o ritmo da encenação não de-

A
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pendia mais do “sopro” vindo do porão do palco. A ida de Hugo
Bianchi, B. de Paiva e Marcus Miranda para o Rio de Janeiro pro-

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vocou a desativação do TEA. Maiores informações no capítulo ”Bas-
tidores”, com a transcrição de texto de Marcelo Costa sobre o Teatro
Experimental de Arte publicado em sua “História do Teatro
Cearense”.
Em 1957, Haroldo, Hiramisa, Glyce Sales, Palmeira Guima-
rães e outros amadores fundaram a Comédia Cearense. O autor
nacional foi escolhido para a estréia do grupo. À época, as tempora-
das se resumiam a um ou dois fins de semana no máximo. “Lady
Godiva”, de Guilherme Figueiredo, foi recorde: 20 encenações, in-
cluindo clubes e teatro. A peça foi encenada na cidade do Crato.
Posteriormente, uma segunda versão.

ESTRÉIA: 07/09/57 – Theatro José de Alencar

Com: Haroldo Serra, Glyce Sales e Palmeira Guimarães


Cenotécnico: Helder Ramos - Luz: Lamartine – Ambientação,
Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

Segunda Versão
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Estréia: 24/09/63 – Theatro José de Alencar.
12 Com: Haroldo Serra, Tereza Paiva e Aderbal Freire Filho.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenários e
Figurinos: Arialdo Pinho – Música: Paurillo Barroso - Produ-
ção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

OS INIMIGOS NÃO MANDAM FLORES


de Pedro Bloch

Estréia: 06/12/57 – Theatro José de Alencar

Com: Esther Barroso e Haroldo Serra


Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Ambientação,
Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

CANÇÃO DENTRO DO PÃO


de R. Magalhães Júnior.

Para a terceira montagem da Comédia Cearense foi escolhido


um autor cearense: R. Magalhães Júnior. Uma montagem arroja-
da. Cenários e figurinos bem cuidados. Ficou vários fins de semana
em cartaz. Um sucesso. Marcou a estréia de Hiramisa Serra.
Em 1960, B. de Paiva volta a Fortaleza e integra-se à Comédia
Cearense. Paralelamente, B. funda o Curso de Arte Dramática da
UFC e dirige o Teatro Universitário.
Graças a um convênio firmado com o Governador Parsifal
Barroso e renovado posteriormente por Virgilio Távora, a Comédia
E R R A

ficou responsável pela direção e administração do Theatro José de


Alencar. A década de sessenta foi muito importante para o grupo.
S

Em 1960, “Canção dentro do Pão”, teve uma nova versão


A R O L D O

especialmente montada para as comemorações do cinqüentenário


do Theatro José de Alencar.
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Estréia: 06/03/58 – Theatro José de Alencar

E A R E N S E
Com: Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Ruy Diniz, Itamar Ca-

C
valcante, Ary Sherlock, Baman Vieira e Glyce Sales.

O M É D I A
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine - Figurinos:
Cira Pereira. Cenário, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

C D A
Segunda Versão

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Estréia: 22/06/60 – Theatro José de Alencar

A
4 5
Com: Hiramisa Serra, Haroldo Serra, B. de Paiva, Gonzaga

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Vasconcelos, Ary Sherlock e Baman Vieira.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:
Cira Pereira – Cenário: J. Figueiredo – Produção: Haroldo
Serra – Direção: B. de Paiva.

MACBETH
de Shakespeare

A união de grupos possibilitou esse momento importante


para o teatro cearense. Teatro Universitário, Comédia Cearense,
Teatro Escola do Ceará e Teatro de Amadores Gráficos tornaram
realidade o sonho de toda gente de teatro: fazer Shakespeare. E o
importante: foi bem feito.

Estréia: 15/07/61 – Theatro José de Alencar

Com: B.de Paiva, Nadir Saboya, Almir Teles, Athualpa Fro-


ta, Haroldo Serra, Zilma Duarte, Agenor Vieira, Aileda
Moreira, Gracinha Soares, Roberto Araújo, Alcides Barreira, 13
Marcus Antônio, Luiz Carlos Valente, Francisco Pinheiro,
Antônio Dias, Francisco Zani, Ricardo Araújo, Agassi Bar-
14 ros, Lucas Cavalcante, Roberto Vasconcelos, Marcus
Fernandes, Roberto César, José Maria Cunha, Leonan
Moreira, Studart Dória, Cláudio Figueiredo, Ilclemar Nunes,
José Carlos Marçal, Edilson Soares, José Humberto, Almir
Klein, Expedito Pereira, Maurício Alves, José Maria Lima,
Álvaro Maia, Dorita Freire, Airileda Moreira, Albaniza Ca-
valcante, João Falcão, Florisvaldo Frota, Juarez Alencar, Afon-
so Barroso e Fernando Oliveira.
Cenotécnico: Paulo Alves – Luz: Lamartine – Sec. de Produ-
ção: Gracinha Soares – Cenários e Figurino: J. Figueiredo –
Ensaios: Waldemar Garcia – Assistentes de Direção: José
Humberto, Florisvaldo Fernandes, Afonso Barroso e Zonardo
Leite – Direção: B. de Paiva

DEU FREUD CONTRA


de Silveira Sampaio

Estréia: 14/08/61 – Comercial Clube

Com: Hiramisa Serra, Consuelo Ferreira, Haroldo Serra,


Mário Santos e Sidrack Silva.
Ambientação Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

O PAGADOR DE PROMESSAS
de Dias Gomes
E R R A

Primeiro grande “estouro” de bilheteria do teatro cearense. Um


mês inteiro de lotação esgotada. A peça saiu de cartaz por falta de
S

pauta. Acreditem... A peça fez mais sucesso em Fortaleza do que o


A R O L D O

próprio filme.
H
Estréia:14/07/62 – Theatro José de Alencar

E A R E N S E
Com: José Humberto, Gracinha Soares, Tereza Paiva,

C
Edilson Soares, Marcus Fernandes, Afonso Barroso, José

O M É D I A
Maria Lima, Aileda Cavalcante, Ernesto Escudero, Hiramisa
Serra, Aderbal Freire Filho, Leonan Moreira, José Newton,
Roberto César, Aécio de Borba, José Maria Cunha, Luiz An-

C D A
tônio Alencar, Francisco Zani, Joaquim Ribeiro, Álvaro Maia,
Antônio Augusto, Renan Cavalcante, Ribeiro Soares e Maura

N O S
Matos.

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Cenotécnico: Helder Ramos Luz: Lamartine – Sec. de Pro-

4 5
dução: Afonso Barroso – Cenário: J. Figueiredo - Produção:

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Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva

“ A realização do espetáculo em Fortaleza, marcou a maiorida-


de do teatro cearense. O espetáculo foi a primeira grande tempora-
da de um elenco da terra para um público que desconhecia o novo
teatro brasileiro”.
Milton Dias

MÉDICO À FORÇA
de Molière

Incursão da Comédia nos clássicos. Para alguns, um dos me-


lhores espetáculos do grupo.

Estréia:23/09/62 – Theatro José de Alencar

No pátio do Theatro José de Alencar, a Comédia promoveu uma


exposição do artista plástico J. Figueiredo, que assina o cenário da
peça. Posteriormente, ainda durante a temporada, foi a vez da ex- 15
posição do excelente Estrigas.
16 Com: Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Aderbal Freire Filho,
Aileda Cavalcante, Roberto César, Studart Dória, José Maria
Lima, Afonso Barroso, B. Paiva, José Humberto e Dora Bar-
ros.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenários: J.
Figueiredo – Figurinos: Francisco Fernandes – Produção:
Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

O MORRO DO OURO
de Eduardo Campos

“... E a peça? Ela é um soco bem forte dado no rosto da socie-


dade”.
Adísia Sá – Tribuna do Ceará – 07/08/63

A primeira versão da peça maior de Eduardo Campos, com


direção de B. de Paiva, foi um grande sucesso. Ousada, provocou
polêmica na imprensa e entre os espectadores. Lotou o José de
Alencar por dois meses.
A segunda versão adaptada e dirigida por Haroldo Serra e
musicada por Belchior e Jorge Melo ficou quase dez anos em cartaz.
Em 1971, com o apoio do Gal. Torres de Melo, então coman-
dante do CPOR, participou, com a presença do autor, do III Festi-
val de São José do Rio Preto – SP, e trouxe para o Ceará o “Arle-
quim” de “Melhor Espetáculo”; o troféu do júri popular de “Me-
lhor Espetáculo”; o de “Melhor Cenografia” e “Menção Honrosa
de Diretor” (Haroldo Serra) e “Melhor Atriz Coadjuvante” (So-
corro Noronha). Esse III Festival foi a hora e a vez do Nordeste:
E R R A

Ceará em primeiro lugar (Morro.../Eduardo Campos); Pernambuco


em segundo ( Rua do Lixo 24/Vital Santos) e Paraíba em terceiro
SA R O L D O

(Quarto de Empregada/Roberto Freire). Ainda em 1971, o Morro


do Ouro foi encenado no encerramento do VII Congresso Brasilei-
ro de Agronomia, realizado em Fortaleza.
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Foi encenado no Rio, em 1972, no Teatro Senac Copacabana,

E A R E N S E
com a participação do ator cearense Milton Morais (Zé Valentão) e
Mírian Pérsia (Madalena).O projeto teve o apoio do então gover-

C
nador César Cals que foi ao Rio especialmente para a estréia. Ga-

O M É D I A
nhou ótima reportagem da revista “O Cruzeiro”.
Em 1976 foi montada em São Paulo no Teatro Aplicado, com
produção de Tom Santos, com excelente receptividade pelo público

C D A
e crítica especializada. Na oportunidade, a Comédia e o produtor
Tom Santos promoveram uma exposição das obras do Ferreira do

N O S
Ceará. O Gal. Torres de Melo, naquela ocasião, radicado em S. Pau-

A
lo, mandou banda de música em farda de gala... Uma festa. Mar-

4 5
cou a estréia profissional do ator José Dumont.

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Foi encenada em dezenas de municípios cearenses integrando
o projeto “Caravana da Cultura”, prioridade do Secretário Ernando
Uchoa, da Secretaria de Cultura.
Inaugurou vários teatros: o Carlos Câmara da EMCETUR,
com as presenças do Ministro Armando Falcão, Gov. César Cals e
Secretários, Demócrito e Vânia Dummar, da crítica teatral Ilka
Marinho Zanotto, do produtor teatral Tom Santos e do autor; o
Teatro Municipal de Juazeiro do Norte e o teatro do Centro Comu-
nitário Presidente Médici.
Convidado por Jack Lang para o Festival de Nancy o “Mor-
ro...” não pode ir (38 passagens aéreas por conta do grupo – impos-
sível).
A comunidade do Morro do Ouro, onde se desenrola a estória,
denominou de Eduardo Campos, o grupo escolar do bairro. O
anexo do Theatro José de Alencar foi denominado Teatro Morro do
Ouro em homenagem ao espetáculo.
A última montagem foi 1990, no Teatro Arena Aldeota, mere-
cendo do Grupo Balaio, Destaques de “Autor” (Eduardo Campos);
“Atriz” (Hiramisa Serra);“Composição Musical” (Belchior e Jorge
Melo) e “Direção Musical”(Mário Mesquita). O texto foi publica- 17
do na revista “Comédia Cearense”, números 1 e 9 ( esgotados).
18 Estréia:11/07/63 – Theatro José de Alencar

Com: Afonso Barroso, Tereza Paiva, Haroldo Serra, José


Humberto, Hiramisa Serra, Edilson Soares, Lourdinha Fal-
cão, Gracinha Soares, Zilma Duarte, Leonan Moreira,
Edinardo Brasil, Laís Freire, Maria da Glória Martins, Eliete
Regina, Mizael Fernandes, José Maria Cunha, Carlos Paiva e
Fátima Alencar. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine
– Cenários e Figurinos: Flávio Phebo Produção: Haroldo
Serra – Direção: B. de Paiva.

Versão Musical

Estréia: 15/06/71 – Theatro José de Alencar

Com: Jorge Mello, Tereza Mello, Atualpa Paiva, Hiramisa Ser-


ra, Martha Vasconcelos, Antonieta Fernandes, Haroldo Serra,
Maria José, Socorro Noronha, Cláudio Pamplona, Benedito
Siqueira, Mário Mesquita, Orlene Moura, Regina Távora,
Wanda Albuquerque, Amália Riomar, Carlos Limaverde, Victor
Junior, Walden Luiz, Arlindo Araújo, Marcus Fernandes, Jane
Azeredo, Everardo Gomes, Fernando Holanda, Olavo Leite,
João Freire, Jorge Oliveira, Jota Wanderley, Odenisio Holanda,
Sérgio Viana, Vânia Queiroz, Raimundo Gadelha, Julieta,
David, e Wanderley Pinto.
Cenotécnico: Célio Facundo – Luz: Hélio Brasil – Som: Mauro
Coutinho – Slides Cor: Nelson Bezerra – Slide (preto e bran-
co): Polion Lemos- Maquiagem: Eubirajara Garcia - Musica:
Belchior e Jorge Mello – Conjunto Musical: Avanson - Ilumi-
E R R A

nação, Adaptação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.


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Rio
A R O L D O

Estréia: 02/02/72 – Teatro SENAC - Copacabana


H
Com: Milton Morais, Mírian Pérsia, Marcus Miranda, Paulo

E A R E N S E
Pinheiro, Jorge Mello, Haroldo Serra, B. de Paiva, Hiramisa
Serra, Tereza Mello, Yara Victória, Almir Teles, Chico Silva,

C
Elizabeth Matos, Mary Neubauer, Vera Monteiro, Amália

O M É D I A
Riomar, Tarcísio Gurgel, Martha Vasconcelos, Francisco Neto,
Célio Barros, Adail Daliano, Cairo Trindade, João Antônio,
Paulo Rogério, Wanderley Pinto e Wilson Cirino. Sonoplastia:

C D A
Manolo - Iluminação: Jorginho de Carvalho- Música: Belchior
e Jorge Mello Conjunto Musical: Daniel Oliveira, Geraldo

N O S
Darbilly e Sérgio Palha – Produção, Ambientação e Direção:

A
Haroldo Serra.

4 5
R E T R O S P E C T I VA
S. Paulo

Estréia: 11/03/76 – Teatro Aplicado

Com: Thereza Teller, Tereza Mello, Jorge Mello, José Dumont,


Paulo Braga, Carlos Costa, Ricardo Guilherme, Zélia Silva,
Luiza Carmela, Vera Lúcia, Jurandir Pereira, Sérgio Migliaccio,
Júlia Grey, Simone Miranda, Inês Otranto, Thaís de Andrade,
Olavo Branco, Edélcio Vigna, Tom Santos, Iêda Gaboardi,
Mário Silva, Sérgio Melo, Jorge Oliveira e Aiman Hamoud.
Assistente de Direção: Ricardo Guilherme – Figurinos:
Hiramisa Serra – Produção: Teatro Aplicado – Ambientação,
Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

Estréia: 03/11/92 – Teatro Arena Aldeota

Com: Guglielmina Saldanha, Jorge Caminha, Haroldo Ser-


ra, Euler Muniz, Rogério Medeiros, Manoela Villar Queiroz,
Aida Massipe, Antonieta Noronha, Poliana Moraes, Marinina
Gruska, Juliane Santos, Ana Cristina, Walden Luiz, Mário 19
Mesquita, J. Arraes, Hiroldo Serra, Otto Maciel, Gina Kerly,
Sara Lacet, Camila Abreu, Mário Henrique, Adail Carvalho,
20 Joelise Collyer, Mara Verly, Paula Ramalho, Ricardo Borges,
Conceição Almeida, Cristina Mendes, Alex Sander, André
Luiz e Juliana Medeiros.
Músicos: Otávio Neto e Alberto Magno – Música: Belchior e
Jorge Melo – Cantor e Diretor Musical: Mário Mesquita –
Som e Luz: Francisco Costa – Contra-Regra: Ana Patrício –
Figurinos: Hiramisa Serra – Iluminação, Ambientação e Di-
reção: Haroldo Serra.

COMENTÁRIOS À PRIMEIRA VERSÃO

“... Jamais vimos um espetáculo de estréia apresentar em tão


grande intimidade produtiva a peça em si e a interpretação...”
Otacílio Colares – Correio do Ceará

“... Acredito que o autor será muito criticado por muita gente
que ainda acha que em uma obra de arte, sobre a nudez pura da
verdade, deve vir sempre o manto diáfano da fantasia...“
Fran Martins - Unitário

“O melhor primeiro ato do teatro brasileiro“.


B. de Paiva

“De todos os personagens de “O Morro do Ouro”, mais meu


foram Zé Valentão – ele está presente em toda a peça ,mesmo que
engaiolado tanto tempo, longe de nossas vistas – e a adorável quenga
do Morro... Madalena é a mais bela criação do nosso teatro. Tem a
perenidade de Tereza Raquim, de Anna Christie, de Anna Lucasta”.
Péricles Leal – Diretor de Televisão
E R R A

“...O Morro do Ouro, ora em cartaz pela Comédia Cearense no


S

José de Alencar, vem atestar a bravura e a maturidade de quantos


A R O L D O

fazem teatro no Ceará. É um espetáculo que toca à grande a quem


acompanha os esforços dos idealistas B. de Paiva e Haroldo Serra...”.
H
... Observando-se o panorama do teatro brasileiro, nos últi-

E A R E N S E
mos cinco anos, temos que reconhecer a existência de novos e ho-
nestos dramaturgos, perfeitos analisadores da problemática social.

C
Assim é Gianfrancesco Guarnieri com ”Gimba” e “Eles não usam

O M É D I A
Black-Tie”, assim também Antônio Calado com “Pedro Mico”. As-
sim Alfredo Dias Gomes com o “Pagador de Promessas” e “A Inva-
são”.

C D A
Nesta lista pode participar agora Eduardo Campos, com o seu
“Morro do Ouro” pela felicidade de caracterizar o popular e o regi-

N O S
onal, de pintar os tipos que enchem os bairros das capitais nordesti-

A
nas, e mais particularmente Fortaleza, da sua honestidade de não

4 5
fazer distorções.

R E T R O S P E C T I VA
É claro que, de certa forma, o público se choca com a crueza da
ação do diálogo. Mas, na sua reportagem social, o autor não pode-
ria poupar a prostituta, empurrada da zona rural para a cidade
grande; como fórmula de sobrevivência o bicheiro, forjando sonhos
para cada um dos fregueses a fim de suportar a vida do asfalto; o
bodegueiro, ganhando cruzado pela venda de cachaça que faz pas-
sar problemas de fome de amor; o contrabandista comerciante mar-
ginal eterno alvo dos “tiras”; a monitora e assistentes sociais de-
nunciadoras de um vazio conhecimento dos problemas de falsas
soluções; as mulheres do “society” eternas caçadoras de novidades
para fugirem à monotonia das quatro paredes do lar; a lavadeira e
outros tipos autênticos de qualquer bairro.
Nesse mostrar as coisas dos subúrbios, Eduardo Campos de-
monstrou ter dado o salto tríplice-semântico-participante, atestou
que a sua honestidade de autor sobrepuja as próprias conveniências
pessoais e de dirigente de empresa, e num arranco de liberdade vol-
tou as idéias, que dormitavam consigo, desde que deixara às mani-
as consideradas loucas de escrever e interpretar para a gente dos
bairros, que o aplaudia como autor e artista.
Eduardo Campos ganhou a dimensão do intelectual moderno, 21
sem barreira e com horizontes definidos, dentro da realidade nacio-
nal para atestar isso. Aí está a sua peça com as ações, os tipos e o
22 linguajar do nosso homem comum, que anda de alpargata de rabicho,
que come uma vez por dia, que sofre e sua nos transportes coletivos,
que não tem dinheiro para casar, que vegeta até a tuberculose o
conduzir para a última morada.
As figuras humanas estão todas ali, com a sua necessidade
econômica, com o seu misticismo doentio, com os seus desejos e
instintos animalescos, com a alegria nos lábios ao viver intensa-
mente a dança do Bumba-Meu-Boi com toda aquela gama que faz
uma criatura se arrastar no lodo e ainda ter tempo para sonhar com
coisas belas.
Em “Morro do Ouro” encontra-se também o talento de
“metteur-en-scëne” de B. de Paiva, imprimindo perfeito equilíbrio
na composição, no ritmo, bem como nas interpretações magistrais
dessa plêiade de jovens revelações onde se destacam Teresa
Bittencourt, José Humberto, Hiramisa Serra, Afonso Barroso e tan-
tos outros.
Excelente também é o cenário de Flávio Phebo, cearense
que reside em S. Paulo, onde foi várias vezes premiado como cenó-
grafo e figurinista. Apesar de estar distante, realizou um trabalho
magistral, recriando com todos os detalhes, os barracos caracterís-
ticos dos bairros dando mais autenticidade ao ambiente onde se
desenrola a peça.
Em suma, esta obra popular de Eduardo Campos, apesar
de algumas deficiências que de tão insignificante não tiram o brilho
do contexto geral, constitui-se uma revolução, rompendo com a ve-
lha estrutura do melodrama e do digestivo e fazendo-nos mais crentes
de que o futuro já se integrou na realidade dos dias presentes, na
vida teatral cearense.
Inácio de Almeida - 1963
E R R A

“Tivemos no José de Alencar, um espetáculo de verdadeiro tea-


S

tro . O que vimos na estréia da peça “O Morro do Ouro”, nascida


A R O L D O

da mentalidade e do talento de Eduardo Campos, resume, a nosso


ver, um espetáculo teatral tecnicamente perfeito.
H
Bem avisado foi o autor, ao entregar a este outro consumado

E A R E N S E
artista que é José Maria Bezerra Paiva, o nosso conhecido B. de
Paiva, a direção, a realização, a vivência enfim, do seu “Morro do

C
Ouro”.

O M É D I A
Nadir Saboya - 1963

COMENTÁRIOS À VERSÃO MUSICAL

C D A
“Quando já se afirmara que o teatro cearense sucumbira , eis

N O S
que, mais uma vez, Haroldo Serra aparece e joga a última cartada.

A
Desta feita, a “tábua de salvação” foi a obra máxima do teatrólogo

4 5
Eduardo Campos, “Morro do Ouro”, que Haroldo “vestiu” de rou-

R E T R O S P E C T I VA
pa nova, a fim de testar a veracidade das afirmações, segundo as
quais, o teatro já era coisa do passado, morto e sepultado, por obra e
graça da Televisão.
A roupagem nova com que Haroldo Serra “vestiu” o velho
“Morro” foi roupagem sonora, concebida segundo a extraordinária
capacidade criadora dos jovens Belchior e Jorge Melo, dois expoen-
tes que acabam de colocar o Ceará na pauta do movimento de MPB
que até então congregava, apenas, cariocas e baianos e algumas ex-
ceções mineiras, paulistas e gaúchas.
Sem tirar o mérito da obra de Eduardo Campos, que conside-
ramos como sua melhor criação, não temos palavras para louvar o
gênio inventivo de Haroldo Serra, que repetiu o feito de Alan e
Lerner, a famosa dupla norte-americana, que transformou o
“Pigmalião”, de Shaw, no soberbo espetáculo “My Fair Lady”. Sal-
vando as devidas proporções, o trabalho de Haroldo Serra merece os
mesmos encômios que receberam os geniais adaptadores da
Broadway.
Mesclando a espetaculosidade mecânica de “O Balcão” e a co-
reografia alucinante de “Hair” e mais ainda, valendo-se de todas as
modernas tendências que são a tônica forte das atuais montagens 23
teatrais nas grandes cidades, o esforçado homem de teatro de nossa
terra construiu o seu “Morro”, que agora, é, realmente, de “Ouro”,
24 graças ao tratamento recebido durante nada menos de nove meses –
período exato de uma gestação.
Nessa fase de montagem de “Morro do Ouro”, houve quem
afirmasse que, como denúncia, a peça está superada, uma vez que a
própria peça quando de sua encenação original, encarregou-se de
solucionar o angustiante problema da famigerada favela onde pro-
liferava a marginalização, pois as autoridades, ante a denúncia le-
vada ao palco, resolveram mudar a situação dos infelizes que ali
moravam.
Mas, não se justificam tais afirmações, uma vez que o “Morro
do Ouro” permanecerá, pelo tempo afora, como símbolo de um pro-
blema social, como identificação de um aglomerado de criaturas que
vegetam na mais absoluta promiscuidade. E não importa se geo-
graficamente se chama “Morro do Ouro”, “Curral”, “Cinzas” ou
“Lagamar”. Por outro lado, como espetáculo em que Haroldo Serra
acaba de situar a obra-prima de Eduardo Campos, “Morro do Ouro”
pode ser incluída nas criações imortais e daqui a cem anos, ela ain-
da será algo digno da admiração pública.
Não é fácil concentrar esta versão musicada de “Morro do
Ouro”, principalmente, porque ela surge, no momento exato em
que o teatro vem sendo apontado como a mais desacreditada das
artes, mormente entre nós. Posso dizer, apenas, que o espetáculo é
chocante, não pelo fato de apresentar a nudez que caracteriza “Hair”,
ou a promiscuidade moral de “Navalha na Carne”, ou os palavrões
de “Roda Viva”. Este espetáculo choca, pela sua grandiosidade, pela
sua contínua vibração, pela sua música maravilhosa, pelo seu liris-
mo, pela sua brutalidade.
Não é este o comentário definitivo que pretendo fazer de “Morro
do Ouro”.
E R R A

Este, virá depois, quando assistir a uma segunda apresenta-


ção. Mas, posso dizer agora: Vá ao teatro! Não deixe passar a opor-
S

tunidade de assistir a coisa mais séria que já se fez nesta terra, em


A R O L D O

matéria de teatro!
Por enquanto, adianto que a peça tem cenas inesquecíveis...
canções inesquecíveis... interpretações inesquecíveis... E uma
H
Hiramisa Serra diferente de todas as Hiramisas que você já vira

E A R E N S E
antes. Ela está, apenas Divina, Maravilhosa, Estupenda como “mu-
lher do aleijado”. E faço minhas, as palavras de Afonso Jucá:

C
“Hiramisa está tão autêntica como mulher de um mendigo que a

O M É D I A
gente, lá do fim da platéia sente a catinga dela...”. Confesso que
também senti.
Marciano Lopes

C D A
O BOM TEATRO EXISTE

A N O S
“Ontem foi apresentada a mais original e bem montada peça

4 5
do festival: O Morro do Ouro, do grupo de Fortaleza. Consegui-

R E T R O S P E C T I VA
ram um perfeito entrosamento entre som, iluminação e interpreta-
ção. Os atores surgiam como que impulsionados por uma varinha
de condão. De todas as partes da platéia só se ouviam aplausos e
mais aplausos. A Basílica, mais uma vez, abrigou um grande pú-
blico que vibrou durante todo o desenrolar das cenas. O Júri Popu-
lar aprovou dando 96% de bom e ótimo e apenas 4% de regular. Só
não entendo os 4% de regular.
Estes jovens estão conseguindo criar uma nova imagem do
Nordeste. Uma imagem colorida, onde se reflete um Estado em
desenvolvimento, em todos os setores e principalmente no teatro.
A mulher do aleijado ( Hiramisa Serra) esteve esplêndida...
A única crítica que poderíamos dizer diante de tão genial espe-
táculo cênico é que eles não precisavam ser tão geniais... mas foram.
Quando terminou o espetáculo ninguém queria retirar-se: sen-
tia-se em cada rosto o desejo de continuidade, pareciam todos cla-
mar: Queremos mais, queremos mais. O Morro do Ouro proporci-
onou a todos que viveram juntos com seus personagens, seus pro-
blemas e suas tradições, uma sensação dourada, uma sensação gos-
tosa de saber que o bom teatro existe. Eles mostraram o colorido da
pobreza e a expressão do desamor dentro de um clima de euforia e 25
grandiosidade.
Sônia Margarida – Diário da Região –
19/07/71 - S.J. do Rio Preto - SP
26 “Quem foi ontem ao auditório da Basílica sentiu o que é comu-
nicação. O Morro do Ouro mexeu com todos, foi um espetáculo
maiúsculo , dentro de um ritmo alucinante, alegre, gostoso, comu-
nicativo, característica marcante do diretor Haroldo Serra, um
cearense que sabe da coisa”.
Valter Vale – A Notícia – 19/07/71- S.J. do Rio Preto - SP

“... Quando estávamos em vésperas da realização do Festival


de Teatro de São José do Rio Preto, a nossa convicção de que “O
Morro do Ouro” iria marcar, entre dezenas de outras peças a serem
ali representadas. E assim o fazíamos baseados no conhecimento
das qualidades intrínsecas da obra, até certo ponto muito avançada
para a época em que apareceu e foi levada ao palco, isso já faz mais
de dez anos, já pela “tarimba” de que ia forrado o numeroso elenco
responsável pela encenação.
As notícias agora chegam lá do sul, e são um coroamento de
um trabalho honesto desenvolvido por Haroldo Serra e sua equipe.
O aplauso do público e do júri em São José do Rio Preto, proporci-
onados à peça e ao elenco, depois da representação, bastariam para
consagrar o autor e os que lhe apresentaram a obra, não fora a exis-
tência de prêmios que foram à mesma conferidos com espírito de
justiça.
Valha o acontecimento como um grito de alerta aos homens do
setor cultural de nosso governo. Tudo temos de melhor, nos mais
diversos escalões de cultura artística; só o que nos há faltado é estí-
mulo e sobretudo estímulo financeiro.
Otacílio Colares – 28/07/71 – Gazeta de Noticias

O SENAC MOSTRA A ARTE MÍSTICA DE UM


E R R A

CEARENSE
S

“O Morro do Ouro veio do Ceará até o Rio. Trouxe consigo


A R O L D O

todo o lirismo e misticismo do Nordeste. Mas em sua caminhada


arrebatou vários prêmios no III Festival de São José do Rio Preto. É
H
uma peça viva, na qual Eduardo Campos revela seu talento como

E A R E N S E
escritor e Haroldo Serra mostra suas virtudes de diretor.
O Morro do Ouro não é um morro como outro qualquer. Con-

C
sistente qual uma rocha, às vezes lírico, às vezes místico, é um vul-

O M É D I A
cão em erupção contínua. Suas lavas atingem, de pronto, a sensibi-
lidade de quem o assiste. Na verdade, é uma peça viva, esculpida
pelo talento do escritor cearense Eduardo Campos e dirigida pelo

C D A
seu conterrâneo Haroldo Serra.
Quem vai ao Teatro do Senac, em Copacabana, está virtual-

N O S
mente no topo do Morro do Ouro, onde poderá aplaudir a coreogra-

A
fia amorosa de Zé Valentão (Milton Morais) e sua quenga preferi-

4 5
da, Madalena, interpretada por Mírian Pérsia. Tudo isso com o

R E T R O S P E C T I VA
acompanhamento do som de Jorge Mello e Belchior, aquele menino
grande que ganhou com Hora do Almoço o Festival de Música
Universitária, promovido pela Rede Tupi de Televisão.
Deixando o topo do Morro do Ouro, encontramos no seu sopé
sua população, composta de canelau, gente sem berço, alguns sem
chão, muitos sem teto, com exceção de um candidato a vereador,
muito demagogo, mas por sinal, muito bom. Também, pudera! In-
terpretado por B. de Paiva, nem poderia ser diferente. Tirante a mãe
de Madalena – que já chega no fim da peça, trazendo o retrato do
padre Cícero nas mãos, com o mesmo ardor com que uma porta-
estandarte conduz a bandeira de sua escola -, todas as mulheres que
habitam o Morro do Ouro são quengas. Não escapa nem a mulher
do aleijado, uma personagem muito bem vivida por Hiramisa Ser-
ra. Mas a “natureza teatral”, na qual elas foram geradas, lhes deu
uma forte dose de calor humano, que faz suar até mesmo os especta-
dores.
Pôr isso, O Morro do Ouro não é um morro qualquer. Pôr
isso, no Terceiro Festival de Teatro Amador, realizado em S. José do
Rio Preto, S. Paulo, a peça fez jus ao Arlequim, primeiro prêmio do
certame e foi a preferida pelo júri popular, além de ganhar outros 27
troféus. Na Guanabara, o Morro do Ouro está sendo encenado sob
os auspícios do governo do Ceará, que vem prestigiando todos os
28 movimentos culturais nas suas mais variadas expressões. Quem se
comunica – como Eduardo Campos - , através de um grupo tão
homogêneo, dirigido por Haroldo Serra, precisa ser ouvido e enten-
dido por todos. Ainda bem que o Morro do Ouro tem eco”.
Orlandino Rocha - Revista “ O Cruzeiro” - 1972

“Sob o patrocínio do Governador do Ceará, César Cals, do


Prefeito Vicente Fialho e do Secretário de Cultura, Ernando Uchôa,
Haroldo Serra trouxe para o Teatro Senac, aqui no Rio, a peça do
cearense Eduardo Campos: “O Morro do Ouro”.
A iniciativa é das mais simpáticas e dá conhecimento ao nosso
público de um autor de quem possivelmente poucos jamais haviam
ouvido falar, assim como do trabalho que vem se desenvolvendo no
campo teatral de um dos mais simpáticos Estados da União.
“O Morro do Ouro” é o retrato de um dos bairros mais popu-
lares de Fortaleza, aquele justamente onde era despejado o lixo da
cidade, mostrando diversos aspectos da vida de seus habitantes. A
peça não chega a ter um desenvolvimento dramático, sendo mais
uma série de flagrantes mostrados através de uma história simples,
mas apresenta vários tipos interessantes e situações curiosas e en-
graçadas.
A adaptação feita por Haroldo Serra, sobretudo na introdução
das músicas excelentes de Belchior e Jorge Mello dá um ritmo trepi-
dante ao espetáculo, tornando-o moderno e agradável. Temos certe-
za que o espetáculo feito por um elenco inteiramente cearense teria
um sabor especial que pode ser notado nas interpretações de Hiramisa
Serra, Teresa Mello, Amália Riomar e Martha Vasconcelos, que fa-
ziam parte da produção original, mas de qualquer maneira, as aqui-
sições feitas no Rio para o elenco, funcionaram perfeitamente.
E R R A

Mírian Pérsia, mulher bonita e atriz completamente segura de


seus dotes, se encarrega do papel principal que desempenha com
S

grande categoria. Milton Morais (diga-se de passagem, cearense


A R O L D O

também, com vários anos de Rio), é o excelente ator que estamos


acostumados a ver e resolve com um pé nas costas o papel de Zé
H
Valentão. B. de Paiva, outro cearense radicado no Rio, faz o político

E A R E N S E
demagogo com muita graça. As demais aquisições cariocas são: Paulo
Pinheiro, Yara Vitória, Célio Barros, Marcus Miranda, Elizabeth

C
Matos, Mary Neubauer, Vera Monteiro, Almir Teles, Francisco Silva

O M É D I A
e Tarcísio Gurgel, todos desempenhando muito bem seus papéis. E
ainda o coro constituído por Adail Daliano, Cairo Trindade, Fran-
cisco Neto, João Antônio, Paulo Rogério, Wanderley Pinto e Wil-

C D A
son Cirino, todos perfeitamente entrosados.
Parabéns, pois, a Haroldo Serra por ter mostrado ao Rio de

N O S
Janeiro o que está se fazendo, em matéria de teatro, no Ceará, e a

A
Belchior e Jorge Mello, ótimos compositores e cantores. Podem ir

4 5
que vão gostar.

R E T R O S P E C T I VA
Roberto de Cleto – O Dia – 20/02/72

UM MORRO ENTRE CAMPOS E SERRA

“... certos desempenhos chegam a ser tocantes em sua esponta-


neidade. Penso especificamente em Hiramisa Serra, a mulher do
aleijado, Elizabete Matos, a grã-fina exuberante e Tereza Mello,
Margarida. Curiosamente, a primeira e a última são da montagem
original. A descontração e garra de Tereza Mello, então jovem uni-
versitária cearense, seriam por si só motivo mais do que justo para
que tanto o Governo do Ceará quanto nós todos prestigiássemos a
montagem de “O Morro do Ouro...”
Gilberto Tumscitz (Gilberto Braga) - O Globo – 16/02/72

INAUGURAÇÃO DO TEATRO DA EMCETUR

“... Demonstração palpável desta orientação tivemos quando


da inauguração do Teatro da Emcetur, com a peça “Morro do Ouro”
de Eduardo Campos. Haroldo Serra, o diretor, soube incorporar ao
espetáculo as técnicas modernas da encenação, ao mesmo tempo 29
em que conservava a comicidade ingênua do texto, valorizando-o
com o ritmo preciso que imprimiu às cenas sucessivas. As luzes, a
30 sonoplastia e expressão corporal dos atores foram utilizadas de modo
estético, mas não “estetiantes”, isto é, não a serviço de efeitos gra-
tuitos , mas de impactos que dão força ao que se pretende comuni-
car aos espectadores. A garra dos atores e o entrosamento de suas
interpretações categorizam-se para vôos ainda maiores. Somente a
continuidade do trabalho lhes permitirá que não se perca essa qua-
lidade de coesão, essencial á vida de um grupo dramático. Conti-
nuidade, aliás, que será necessária para que se perpetue esta menta-
lidade vanguardista que justifica o título de “Terra da Luz” conferida
ao Ceará.
Ilka Zanotto – Gazeta de Noticias – 13/10/74

MUITAS E GRATAS SURPRESAS DO CEARÁ O


MORRO DO OURO EM CARTAZ NO TEATRO APLICA-
DO: BOM TEXTO E BOM ESPETÁCULO

“ A primeira virtude de O Morro do Ouro está em revelar a S.


Paulo um dramaturgo (Eduardo Campos), um diretor (Haroldo
Serra) e diversos intérpretes cearenses. O Teatro Aplicado, no seu
elogiável programa de explorar as várias regiões do país (Lam-
pião no Inferno, Viva o Cordão Encarnado e Derradeira Ceia), mos-
tra agora uma outra realidade brasileira, tão importante para o co-
nhecimento do nosso público, em termos de arte.
Nada disso seria significativo se não estivesse amparado por
outra virtude: o interesse do texto e do espetáculo. E se as qualida-
des não surgissem envoltas em despretensão.
Ninguém tenta revolucionar a dramaturgia brasileira nem os
conceitos da encenação moderna. Deseja-se, apenas, dentro da téc-
nica tradicional do teatro documentar um problema verídico de
E R R A

Fortaleza, que aliás se aplica provavelmente a todas as nossas ca-


pitais. E a direção, informada pelos processos em voga nos palcos de
S

hoje, procura assimilá-los à realidade nordestina.


A R O L D O

Eduardo Campos faz, basicamente, uma peça de costumes, cujos


personagens pertencem a uma favela de Fortaleza, onde deságua o
H
lixo de toda a população. Neste ambiente marcado pela

E A R E N S E
marginalidade avultam as figuras de um contrabandista, uma pros-
tituta, um aleijado, um bicheiro, um dono de botequim e assim por

C
diante. Seus conflitos concentram-se nas questões do dia-a-dia,

O M É D I A
animadas pela vinda da polícia, de um candidato a vereador ou a
mãe da prostituta, devota do Padre Cícero. Não há uma análise em
profundidade de nenhum problema social, mas o desfile de figuras

C D A
expressivas de um cotidiano triste.
Enquanto o texto, de 1963, adota linguagem realista, em voga

N O S
desde a estréia, em 1958, de Eles Não Usam Black-Tie, de

A
Gianfrancesco Guarnieri, Haroldo Serra acrescentou-lhe o elemen-

4 5
to musical. Como a música (de Jorge Mello, que é também cantador,

R E T R O S P E C T I VA
e de Belchior) é bonita e propicia os deslocamentos do conjunto, o
espetáculo ganha uma nova dimensão. Pode ser discutido o sacrifí-
cio da última parte do texto, que sugere ao espectador ter ficado
incompleto, sobretudo, o destino de Zé Valentão.
“O Morro do Ouro” funciona pelo colorido, pela plasticidade,
pelo ritmo sempre dinâmico do desempenho. Mesmo com os defici-
entes recursos técnico da iluminação ou das projeções, o palco se
encontra em continuo movimento. É possível que Haroldo Serra
tenha alterado as características das assistentes sociais, cuja fatui-
dade não precisaria chegar à composição artificial das personagens.
Mas na sua perspectiva solidária com a verdade do morro, compre-
ende-se a deturpação caricatural do mundo lá de fora – tanto as
assistentes como o político e os policiais.
Um elenco de 22 intérpretes, numa produção forçosamente
econômica, deveria ter altos e baixos. A rapidez dos ensaios não
permitiu a superação de trabalhos inaceitáveis. Mas há muitos de-
sempenhos espontâneos e vigorosos, como os de Tereza Mello
(Madalena), Thereza Teller (Elvira), José Dumont (Aleijado),
Ricardo Guilherme (Ezequiel), Vera Silva (Margot) e Zélia Silva
(Mulher do Aleijado). Diversos intérpretes prometem uma carreira 31
de êxito.
As primeiras atividades do empresário Tom Santos não con-
32 venceram de nenhum ponto de vista. Não eram artisticamente séri-
as nem indicavam bons propósitos. As três estréias da última tem-
porada e “Morro do Ouro” são indícios de uma salutar regenera-
ção, que pode converter o Teatro Aplicado num dos centros mais
importantes do palco paulista e brasileiro. São esses os votos de
quem acompanha, quase como torcedor, esse esforço pela implanta-
ção de uma dramaturgia nacional, originária dos vários estados e
cunhadas de popularidade.
Sábato Magaldi – Jornal da Tarde – 16/03/76

O ESCÁRNIO E NÃO O PRANTO

“ São Paulo acolhe atualmente, no Teatro Aplicado, uma


experiência teatral que foge inteiramente à sofisticação das monta-
gens às quais estamos acostumados. Um trabalho simples e distan-
ciado da complacência comercial e dos enfeites aparentemente cria-
tivos mas que escondem a verdade interior de uma obra teatral.
“O Morro do Ouro”, de Eduardo Campos, dirigido por Haroldo
Serra – ambos cearenses e ligados à popularização do teatro em
Fortaleza – é a visão da pobreza e dos dramas da população do bair-
ro com este nome, um dos mais abandonados da capital cearense,
último reduto dos marginais, mendigos e desempregados que o cen-
tro rejeita.
As vicissitudes produzem um sentimento natural de solidari-
edade entre seus habitantes e o autor parte desta constatação para
tecer a história singela da prostituta que tenta esconder sua condi-
ção quando sabe que a mãe virá do interior para visitá-la. E todos os
vizinhos participam da farsa para que a velha senhora não saiba a
verdade.
E R R A

O tema tem um forte apelo melodramático que poderia esvazi-


ar suas intenções críticas. O autor, porém, contorna habilmente o
S

terreno da emoção fácil ao envolver, simultaneamente, os fatos com


A R O L D O

uma irônica rejeição da auto-piedade, atitude não estranha às idéi-


as do teatro de Brecht. A pobreza é cruel mas sobre ela se eleva o
escárnio e não o pranto dos atingidos.
H
“O Morro” incorpora, em sua visão geral do grupo humano

E A R E N S E
que apresenta, elementos da cultura popular como o Bumba- meu-
boi e a música de viola. A junção destes elementos em cenas frag-

C
mentadas fornece ao espectador um quadro genérico da situação. O

O M É D I A
dramaturgo encerra bruscamente a peça sem deixar indicações pre-
cisas sobre o desfecho das muitas tramas que armou. Enquanto a
mãe da prostituta não chega, ou durante a sua permanência, acon-

C D A
teceram amores difíceis e sensuais, violências da polícia e façanhas
engraçadas de um esperto cambista do jogo do bicho. Um fecho mais

N O S
orgânico daria maior consistência ao texto e ao espetáculo.

A
Haroldo Serra, um dos veteranos encenadores de teatro do

4 5
Nordeste – deixou por algum tempo suas atividades como diretor

R E T R O S P E C T I VA
do Teatro José de Alencar, de Fortaleza, e o trabalho junto aos gru-
pos “Comédia Cearense e “Teatro Móvel” e veio reproduzir “O
Morro” em São Paulo a convite do produtor Tom Santos.
Seu espetáculo é claro nas intenções críticas ao fixar determi-
nado drama social sem deixar de dar ao espectador o encanto dos
folguedos populares. É um trabalho maduro, sem preciosismos, que
aproveita ao máximo a potencialidade dos atores, embora o tempo
de ensaios (um mês) tenha sido bastante exíguo. Pena que a crítica
não disponha, no momento, a relação dos intérpretes para citar os
que se destacam ( o bicheiro e o aleijado). A falta de outro recurso
imediato, a solução é registrar nomes conhecidos como os de Thereza
Teller, na melhor composição de sua carreira (a velha) e Luzia
Carmelo, que volta ao palco na criação de um marcante tipo popu-
lar (costureira e lavadeira).
“O Morro”, além dos méritos artísticos evidentes, é um lem-
brete a mais aos empresários paulistas. O nordeste tem um teatro
expressivo embora careça de novas influências renovadoras. Forta-
leza, por exemplo, faz teatro desde de 1830, conforme documenta
Marcelo Farias Costa em sua “História do Teatro Cearense”.
Quem mais, em São Paulo, se habilita a prestigiar estes valo- 33
res?
Jefferson Del Rios - Folha de S. Paulo - 12/03/76
34 “...O espetáculo ganha um ritmo e uma vivacidade que pren-
dem o espectador. Se nesse sentido o diretor obteve excelente resul-
tado, é preciso reconhecer que contou com um elenco jovem que se
entregou ao espetáculo com grande garra, dando mesmo a impres-
são de sentir enorme satisfação em participar da montagem, o que
sempre se comunica ao público.
... Finalmente, é preciso destacar o aproveitamento de elemen-
tos da cultura espontânea popular , o que parece certo como um
caminho para a realização não somente de um teatro, mas de uma
arte brasileira“.
Clovis Garcia - O Estado de S. Paulo – 12/03/76

O LIXÃO RÍ

“Em cena, no Teatro Aplicado, mais um autor nacional – o


cearense Eduardo Campos e seu Morro do Ouro. Irreverente, satí-
rica e com boa dose de observação, a peça retrata o “Lixão” de Forta-
leza, bairro esquecido de todos e somente lembrado pelos políticos
em época de eleição ou por enfastiadas senhoras da Aldeota (o
Morumbi de lá) como ilustração de suas “pesquisas sociais”. Em
torno da história despretensiosa de indivíduos que dão a volta por
cima da miséria que os cerca, armou-se um espetáculo cheio de
música e cores, de acordo com o espírito do texto. Entre os muitos
modos de resistir à injustiça existe a do desafio sorridente e este é o
escolhido por “O Morro do Ouro”.
Movidos pela solidariedade nascida da desgraça que a todos
identifica, os residentes do morro não hesitam em driblar as “aves
de arribação, sejam elas as autoridades políticas ou policiais. Suce-
dem-se rapidamente cenas bem enquadradas, nas quais triunfa sem-
E R R A

pre o espírito de Pedro Malazarte, que ainda anima a todos: no


pega-pega com a polícia, até um bumba-meu-boi invade o palco para
S

despistar os perseguidores do contrabandista amigo.


A R O L D O

Fica do espetáculo uma impressão de coragem colorida e de


alegria irrefreada , que não abafa de todo o travo amargo presente
H
nas entrelinhas. O numerosíssimo elenco saiu com garra da parada

E A R E N S E
bem conduzida pelas mãos hábeis de Haroldo Serra e embelezada
pela música de Jorge Mello e Belchior. São marcantes as interpreta-

C
ções de Thereza Teller, como a mãe Elvira; Tereza Mello, como

O M É D I A
Madalena; Simone Miranda, como a “menina” e Ricardo Guilher-
me como o bicheiro Fortuna.
Ilka Marinho Zanotto – Visão – 05/04/76

C D A
SUCESSSO NO APLICADO

A N O S
“Simples e direto, o diálogo de Eduardo Campos é muito bom

4 5
e apesar de ter sido escrito ha dez anos mantém o interesse e não cai

R E T R O S P E C T I VA
no lugar- comum”...
Hilton Viana – Diário da Noite – 12/03/76

“Eduardo Campos, o autor, dá uma amostra muito real dos


costumes e da cultura do povo do Ceará, aonde apesar da pobreza
da sua gente, valores tradicionais como o respeito à família e a fé
cristã são evidenciados. O colorido típico da região, seus ingênuos
cantos populares amainam a dureza da região... A criatividade da
direção de Haroldo Serra, às vezes excessiva, e um elenco de jovens
que se entregam ao trabalho com garra total, fazem deste musical
simples e ingênuo algo agradável de se ver e ouvir”.
Elvira Gentil – Revista: Este Mês em S. Paulo – 03/76

“ De tendência analítica, sobretudo denunciante, a peça – um


pôster colorido e muito bem dimensionado do norte-nordeste, se
fundamenta numa trilogia indispensável ao entendimento do espe-
táculo: costume, crença e o próprio folclore... A direção em nada
deturpou o desabafo do autor. Ativou apenas sua criatividade e há
de se reconhecer no trabalho de Haroldo Serra um processo metódi-
co de integração, objetivando o conjunto”. 35
Roggiego - Gazeta do Ipiranga –03/76
36 “ O que se destaca no entrecho do espetáculo é o seu acentuado
teor de análise crítica, tomando como ponto de partida o cortejo das
misérias morais, físicas e, portanto sobre humanas de pessoas per-
tencentes a uma determinada comunidade social. A concepção cê-
nica possui a qualidade de saber aproveitar todas as virtualidades
do musical, seja no ritmo das danças ao som das músicas como o
baião, seja na captação das partes dialogadas que ligam umas cenas
às outras. A direção musical de Jorge Mello está sincronizada ao
estilo interpretativo adotado por Haroldo Serra, o que proporcio-
na uma dimensão cênica bastante equilibrada”.
Alípio R. Marcelino – Jornal da Semana –03/76

DEBATE NO TEATRO APLICADO

“...O espetáculo coloca a dramaturgia com outra dimensão,


totalmente divergente da tradicional. Essa fluidez mostra o mundo
cheio de acasos que é o Morro do Ouro e não uma simples estória
contada. A situação sociológica do texto está sujeita a eventualida-
des. O tom satírico como é tratado o problema da religião foi muito
bem colocado pela direção e passa perfeitamente...”
Miroel Silveira – Presidente da Associação
Paulista de Crítico de Arte

“...Realmente eu acho muito importante, mas muito mesmo, a


tentativa de colocar o povo brasileiro em cena. E o que vi no Teatro
Aplicado era o povo brasileiro. Pelos espetáculos que assisti em S.
Paulo nessa atual temporada o nível de representação do Morro do
Ouro é excelente. São atores brasileiros fazendo coisas brasileiras...
O melhor momento em termos de dramaturgia é quando o folclore
E R R A

do bumba-meu-boi é usado na ação dramática. Isto é, um cara vai


tentar passar o contrabando pela polícia através de uma manifesta-
S

ção folclórica. É perfeito, chega a ser obra prima. Eu gostaria de ter


A R O L D O

essas idéias para aproveitar o folclore brasileiro.


H
É uma experiência muito honesta porque a única maneira da

E A R E N S E
gente chegar ao universal é partir da aldeia da gente. Essa monta-
gem é um passo à frente. O cearense veio fazer um teatro deles

C
falando deles. Está surgindo uma necessidade nos autores de pro-

O M É D I A
curar o Brasil. O lamentável é que nós, que representamos a arte
popular brasileira, tenhamos total desconhecimento das nossas
raízes. Precisamos descobrir a verdade de cada um com alguém que

C D A
conheça de perto os seus ( e nossos) problemas. O teatro do Ceará
e suas implicações sociais me interessam profundamente. E se a

N O S
proposta do trabalho é fazer uma dramaturgia cearense isso repre-

A
senta uma contribuição enorme ao teatro brasileiro...”

4 5
Plínio Marcos - Teatrólogo

R E T R O S P E C T I VA
COMENTÁRIOS DE PRÓPRIO PUNHO

“ A melhor coisa que posso dizer desse espetáculo é que ele tem
alma, que toca a alma da gente. Tem coração e a inteligência de
Haroldo Serra, sonhador e realista, realizador notável de coisas
grandes. Que gente! Autenticidade, pureza, grandeza, amor e mui-
to Brasil. Valeu! E como? Eduardo Campos se inscreve como autor
pai d’égua.
Pedro Bloch - Teatrólogo

“O Morro do Ouro” é um espetáculo de imensa validez. Eduar-


do Campos é a Voz do Ceará que nos chega clara e lúcida. Haroldo
Serra orquestrou tudo e todos com maestria com a ajuda positiva
da música jovem e inspirada de Belchior e Jorge Mello. Este sim é
um espetáculo para exportação”.
Van Jafa - Crítico

“É necessário que movimentos como este se tornem uma cons-


tante no intercâmbio cultural do nosso País. Venham, cearenses, 37
venham mais vezes ao Rio”.
Jacy Campos – TV Educativa
38 “Estou encantado! Este é o caminho do teatro brasileiro. Fora
do nosso folclore não há qualquer opção! São amadores! Pois sim!
José Gama - Escritor

“Fui convidada para participar da peça, infelizmente não pude


aceitar por outros compromissos, mas tive muita pena, porque ao
assistir hoje pela segunda vez a peça, cada vez mais vejo o trabalho,
que foi feito por esta equipe tão simpática, tão profissional, formada
por Haroldo Serra. Espero da próxima vez poder trabalhar com eles.
Pois tenho certeza que o Governo do Ceará, que tão bem auxiliou a
vinda do grupo, auxiliará uma próxima vez diante do sucesso jun-
to ao público e da classe teatral daqui do Rio, que muito tem apreci-
ado “O Morro do Ouro”.
Susy Arruda - Atriz

“O Morro do Ouro”, Eduardo Campos, Haroldo Serra e For-


taleza – quatro brasileiros que devem sempre voltar ao Rio mos-
trando o Nordeste, sua verdade, sua abertura, sua gente, seu tea-
tro. Que o governo do Ceará tome por base essa iniciativa e conti-
nue cada vez mais prestigiando o teatro de sua terra”.
Rubens de Falco – Ator

ELES NÃO USAM BLACK-TIE


de Gianfrancesco Guarnieri

Outro grande sucesso da Comédia cearense... Um mês em car-


taz.
E R R A

Estréia: 24/09/63 – Theatro José de Alencar


SA R O L D O

Com Eliete Regina, Hiramisa Serra, José Humberto, Haroldo


Serra, Aderbal Freire Filho, Lourdinha Falcão, Edinardo Bra-
sil, Carlos Paiva, Yeda Gurgel e João Falcão.
H
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Assist. de

E A R E N S E
Direção: José Nilton – Cenário: Flávio Phebo – Produção:
Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

C O M É D I A
O BEIJO NO ASFALTO

C
de Nelson Rodrigues

D A
N O S
Estréia:04/12/63 – Theatro José de Alencar

A
4 5
Com Aderbal Freire Filho, Haroldo Serra, José Humberto,
Edilson Soares, B. de Paiva, Gracinha Soares, Eliete Regina,

R E T R O S P E C T I VA
Aileda Cavalcante e Fernando Augusto.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Assist. de
Direção: José Nilton – Produção: Haroldo Serra – Direção: B.
de Paiva.

“Artisticamente um dos melhores espetáculos da Comédia


Cearense “.
Marcelo Costa

A BARRAGEM
de Guilherme Neto

Guilherme Neto, um faz-tudo do rádio e da televisão do


Ceará. Incentivou e orientou muitos dos valores locais. Pena não
ter continuado a emprestar o seu talento de escritor ao teatro
cearense.

Estréia:28/02/64 – Theatro José de Alencar


39
Com Gracinha Soares, Lourdinha Falcão, B. de Paiva, Haroldo
Serra, Edilson Soares, Tarcísio Gurgel e Edinardo Brasil.
40 Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Assist. de
Direção: Rufino Gomes de Matos – Sonoplastia: Sebastião
Gomes – Cenário: Rinauro Moreira – Produção: Haroldo
Serra – Direção: B. de Paiva.

JOÃO GANGORRA
de R. Magalhães Junior

Estréia: 27/05/64 – Theatro José de Alencar

Com Marcus Miranda, Gracinha Soares, Maria da Glória


Martins, Edilson Soares, José Humberto, Lourdinha Falcão e
Francisco Rocha.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenário:
Arialdo Pinho – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de
Paiva.

ROSA DO LAGAMAR
de Eduardo Campos

“... Um espetáculo que beirou o perfeito ”

MCS – Diário da Região – S.J. do Rio Preto

Com mais de 500 apresentações Rosa do Lagamar, que conti-


nua no repertório do grupo, é sem dúvida um dos espetáculos mais
E R R A

importantes da Comédia e do teatro cearense. A primeira ver-


são,1964, foi dirigida por B. de Paiva e foi encenada no Teatro Na-
S

cional de Comédia, hoje Glauce Rocha, em 1966. A versão musicada


A R O L D O

e dirigida por Haroldo Serra, em 1971, representou o Ceará com


muito sucesso no III Encontro de Estudos do Nordeste – o Teatro,
em Salvador, em julho de 1977. Participou do I Festival de Inverno
H
de Campina Grande (Mostra Nacional de Teatro Amador) e do 9o

E A R E N S E
Festival Nacional de S. José do Rio Preto ,com excelente receptividade
pela crítica e público sendo 2a colocada pelo júri popular e recebendo

C
indicações para “Melhor Espetáculo”; “Melhor Diretor” e “Melhor

O M É D I A
Atriz”. Integrando a Caravana da Cultura, da Sec. de Cultura, foi
apresentada em Teresina, em junho de 1977. Foi selecionada pelo
SNT para o Projeto Mambembão, se apresentando com sucesso de

C D A
público e crítica em Brasília, S. Paulo e Rio de Janeiro, resultando
na indicação de Hiramisa Serra para o prêmio “Mambembe” de

N O S
atriz, ao lado de Fernanda Montenegro, Aracy Balabanian e Clarisse

A
Abujanra. Ganhou “Placa de Bronze” no Theatro José de Alencar

4 5
pela 100a. apresentação e outra no Teatro Carlos Câmara por oca-

R E T R O S P E C T I VA
sião das comemorações das 300 apresentações. Participou da pro-
gramação de reinauguração do Teatro de Icó, em 1980. Foi encena-
da no Palácio da Abolição a convite do Gov. Adauto Bezerra. Uma
de suas apresentações mais emocionantes foi a encenação realizada
no próprio bairro Lagamar. Foi comovente a receptividade e partici-
pação da comunidade em debate promovido com a presença do au-
tor, após o espetáculo. Também encenada no Teatro Móvel e Casa
Amarela. A festa de 500 apresentações, no Teatro Arena Aldeota,
foi promovida pela Fundação Demócrito Rocha que na ocasião pres-
tou homenagem a Hiramisa Serra pelos seus trinta anos de teatro.
Encenada na programação inaugural do Teatro do IBEU, em 1975.
O texto original foi publicado na revista “Comédia Cearense” nú-
meros 2 e 9 ( esgotados). A versão musical foi publicada na Revista
da SBAT, edição de abril de 1990.

Estréia: 05/11/64 – Theatro José de Alencar

Com Hiramisa Serra, Tereza Paiva, Lourdinha Falcão,


Haroldo Serra, Edinardo Brasil, Tarcísio Gurgel, João Falcão,
Antonieta Noronha e José Humberto. Cenotécnico: Helder 41
Ramos – Luz: Lamartine – Cenário: J. Figueiredo – Produ-
ção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.
42 Teatro Nacional de Comédia – Rio – julho de1966

Com: Hiramisa Serra, Tereza Paiva, Haroldo Serra, Matos


Dourado, Roberto César, Jaborandy Matos Dourado, Ayla
Maria, Jório Nerthal, Salete Dias, B. de Paiva e Rogério Froes
(ator convidado). Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de
Paiva.

Versão Musical

Estréia: 14/10/75 – Theatro José de Alencar

Com: Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão, Ricardo Guilher-


me, Haroldo Serra, Marcus Miranda, Erotilde Honório,
Zulene Martins, Antonieta Noronha, Walden Luiz, João An-
tônio, Ivo Rosa, José Gomes (Trepinha), Arlindo Araújo, Paulo
Alencar, Deugiolino Lucas, Beth Araújo, Murilo, Pierre e De
Assis.
Conj. Musical: Quinteto Agreste. Cenotécnico: Antônio
Guedes – Luz: Haroldo Jr. – Som: Hiroldo Serra – Filme:
Polion Lemos – Fotos: Geraldo Oliveira - Música: Haroldo
Serra com arranjos de Helder Peixoto – Iluminação,
Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

ELENCO DO “MAMBEMBÃO “

Brasília: Teatro Escola Parque, de 17 a 21/01/79

São Paulo: Teatro Eugênio Kusnet, de 24 a 28/01/79


E R R A

Rio: Teatro Cacilda Becker, de 31/01 a 04/02/79


SA R O L D O

Com: Hiramisa Serra, Zulene Martins, Arlindo Araújo,


Lourdinha Falcão, Haroldo Serra, Ricardo Guilherme, Beth
H
Araújo, Trepinha, Paulo Alencar, Antonieta Noronha, Walden

E A R E N S E
Luiz e Deugiolino Lucas - Música: Haroldo Serra com ar-
ranjos de Helder Peixoto – Intérpretes: Quinteto Agreste –

C
Filme: Polon Lemos- Fotos: Geraldo Oliveira - Luz: Hiroldo

O M É D I A
Serra – C/Regra: Trepinha e Deugiolino Lucas – Fotos: Geral-
do Oliveira – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo
Serra.

C D A
Teatro Arena Aldeota

A N O S
Estréia: 10/09/88

4 5
R E T R O S P E C T I VA
Com Hiramisa Serra, Zulene Martins, Haroldo Serra, Arnaldo
Matos, Ayla Maria, Lourdinha Falcão, Marcus Miranda, de-
pois Ary Sherlock, Walden Luiz, Raimundo Arrais, Antonieta
Noronha, Macilon Daniel, Josamar Leão, e Rogério Medeiros.
Luz e Som: Hiroldo Serra – Figurinos: Hiramisa Serra – Mú-
sica: Haroldo Serra com arranjos de Helder Peixoto – Ilumi-
nação Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

COMENTÁRIOS À VERSÃO ORIGINAL

“Rosa do Lagamar deixa bem claro a qualidade de Eduardo


Campos, que tem a seu favor a personagem Rosa (telúrica e de ca-
racterísticas gregas)...
... Rosa do Lagamar indica um bom caminho do teatro brasi-
leiro, de um teatro repleto de autenticidade, de um exato teatro re-
gional, a comédia de costumes, típico de aspectos sociais e por vezes
políticos”.
Van Jafa – Correio da Manhã - 14/07/66

“... Mais uma vez foi colocada diante de nós a cristalina mas 43
tão facilmente esquecida verdade. O teatro brasileiro não se restrin-
ge apenas a Rio e São Paulo. O grupo de Fortaleza, por exemplo,
44 demonstra possuir um elenco cuja competência – na medida em
que um único espetáculo possa constituir base válida para um jul-
gamento – pode perfeitamente ser comparada ao nível médio dos
elementos profissionais que costumamos ver no Rio”.
Yan Michalski - Jornal do Brasil – 12/07/66

“... Como em Morte e Vida Severina, do Tuca, o público, na


Rosa, também é levado a participar e tirar suas conclusões, sendo
este um dos maiores méritos do espetáculo cearense...”
Luiz Alberto Sanz – Última Hora – 08/07/66

“... E note-se o sabor da linguagem coloquial, de indiscutível


autenticidade. Vale a pena ler o texto...”
C.V. – O Jornal – 09/07/66

“... Eduardo Campos tinha uma história humana e simples


para contar e soube faze-la de maneira satisfatória...“
Acazé - A Luta – 15/07/66

“Comédia de costumes focalizando aspectos da pobreza de um


bairro de Fortaleza, com muita argúcia de observação. Linguajar
solta, autêntico, com dialogação bastante expressiva, natural, sem
qualquer rebuscamento literário que lhe tire o sabor e a agressividade
de alguns trechos mais vivos, a história não tem originalidade, pois
é calcada no velho e secular problema da habitação pobre construída
em terreno cujo dono aparece mais tarde para promover o despejo
fatal. Mas não se lhe pode negar o cunho de realidade, pois o fato de
tão banal pode até ser caracterizado como reportagem. O que há a
salientar no texto não é propriamente o enredo, a estória em si, mas
E R R A

o seu conteúdo dramático e pitoresco que Eduardo Campos soube


bem manipular; sem cair no melodramático. Tratando-se de autor
S

conhecido como jornalista, ensaísta e ficcionista, devemos salientar


A R O L D O

que é no teatrólogo que mais se evidenciam suas qualidades. O tea-


tro parece-nos o campo onde mais se lhe ajusta a vocação. “Rosa do
H
Lagamar” é uma peça bem desenvolvida e retrata o aspecto urbano

E A R E N S E
comum com muita facilidade e segurança.
A direção se conduziu com acerto na encenação. Dentro das

C
possibilidades do quadro de intérpretes, a representação decorre equi-

O M É D I A
librada e viva. Hiramisa Serra no personagem-título demonstra
desembaraço, embora o natural nervosismo das primeiras cenas.
Teresa Paiva e Salete Dias também se portaram com denodo nas

C D A
figuras de Maria Galante e Emília. Ayla Maria (D. Julieta) um
tanto fria e por demais angélica no tipo que encarna, sem maiores

N O S
ensejos de destaque. É mais cantora do que atriz. Haroldo Serra

A
tira proveito do papel que lhe coube (Vasques) mas sem oportunida-

4 5
de de maior comicidade. B. de Paiva numa ponta (oficial de justiça)

R E T R O S P E C T I VA
demonstra seu domínio de palco. Jório Nerthal faz o bêbado com
segurança. Os demais mantém o bom nível da representação. Ce-
nário bem armado de J. Figueiredo, dentro de simplicidade de reali-
zação.
Síntese: Uma produção honesta o atual espetáculo da Comé-
dia Cearense, no Teatro Nacional de Comédia. Demonstração de
que pelo nordeste já se faz teatro com coragem, sem fantasia e sem
literatice.
Edigar de Alencar – A Notícia – 05/07/66

COMENTARIOS À SEGUNDA VERSÃO

“... E o teatro popular só se encontra na medida em que vai ao


fundo do poço buscar, não somente modelos de comportamento, mas
as próprias raízes vivenciais de tipos dentro de conceito social. A
Comédia Cearense sem passar por processo analógico, esquecendo
deduções desnecessárias, encampa a performance do texto de Eduar-
do Campos, imprimindo uma dinâmica cênica equivalente com a
palavra escrita.
...Clima com nuvens de realismo envolve toda a representação 45
cênica, com Hiramisa Serra comandando no papel principal a
integração com o proposto no texto. Outra presença magnífica é
46 Lourdinha Falcão que em termos de identificação com o persona-
gem que faz, está insuperável. Haroldo Serra, Walden Luiz, Arlindo
Araújo, Antonieta Noronha e Zulene Martins dão a necessária con-
tinuidade estrutural que o texto exige.
Como diretor Haroldo Serra demonstra toda sua experiência
nos contrapontos que ajusta, colocando sua capacidade como
encenador, algo mediador, aproveitando ao máximo o poder de
envolvimento dos artistas com o discurso do autor.
Eliezer Rodrigues - O Povo – 03/10/78

”... Já na entrada do teatro a venda de artigos típicos inicia a


viagem no espaço. No seu interior, as fotos iluminadas dos alaga-
dos, o pequeno filme mostrado no decorrer da peça e a participação
do Quinteto Agreste, cantando algumas músicas anunciadas de
forma coloquial, pelo diretor, reafirmam o aspecto “regional” e acen-
tuam, para a platéia, o clima geral adotado pela encenação. A par-
tir daí, Haroldo procura “brincar” com a peça e o espectador, lan-
çando mão de recursos como a primeira entrada do Dr. Severiano
em seu carro, da polícia, do Oficial de Justiça ou a briga das mulhe-
res. O melodrama fica, assim, restrito ao final do espetáculo, en-
quanto o aspecto de submissão da obra é quebrado, criticamente ,
pela utilização da música – aparentemente enfática – contraposta à
ironia dos estandartes carnavalescos e loquazes”.
Tânia Pacheco – O Globo – 02/02/79

“... No conjunto prevalece o tom descontraído de quem se di-


verte com a solene seriedade do que está dizendo e creio que hoje em
dia é sobretudo a este tom que a Comédia Cearense deve a penetra-
ção e a longevidade de sua Rosa do Lagamar junto ao seu público
E R R A

popular. Sobretudo porque o elenco, com poucas exceções, sabe de-


fender esta empostação com inegável competência, destacando-se a
S

falsa seriedade de Hiramisa Serra e as quase debochadas composi-


A R O L D O

ções de Zulene Martins e Lourdinha Falcão.


Yan Michalski – Jornal do Brasil – 02/02/79
H
UM ESPETÁCULO POÉTICO

E A R E N S E
“Quero fazer um teatro que atinja tanto o juiz da comarca

C
como o vendedor de pirulitos”. Assim Haroldo Serra se pronuncia

O M É D I A
sobre o seu teatro. E esta afirmação fica patente em “Rosa do
Lagamar”, de Eduardo Campos, peça montada pela Comédia
Cearense, sob sua direção, ora apresentada no Teatro Escola Par-

C D A
que. Haroldo Serra, um cearense que trabalha há mais de 25 anos
pelo desenvolvimento teatral do seu estado, é um artista tipicamen-

N O S
te popular. Ele carrega consigo todos os condimentos do teatro cir-

A
cense, do deboche e do escrachado brasileiro.

4 5
Em Rosa do Lagamar é colocado em cena o povo brasileiro,

R E T R O S P E C T I VA
com seus problemas, malandragens, amores e sofrimentos. Tudo no
espetáculo é simples. E esta simplicidade o torna bastante específico
e estabelece a comunicação direta entre os atores e o público. O espe-
táculo até certo ponto é rústico, e o diretor às vezes lança mão de
velhos clichês, mas mesmo assim, como não poderia deixar de ser, o
espetáculo é de grande honestidade. Nele está contida a aspereza do
teatro popular, seu sal, suor, barulho, cheiro, enfim, um teatro bas-
tante próximo do povo.
Rosa do Lagamar é uma antiheroina brasileira. Uma mulher
simples que encontramos em qualquer ponta de rua, em qualquer
botequim de canteiros de obras. Arraigada às suas crenças religio-
sas e a padrões de comportamento. Rosa vive a sonhar com a volta
do marido, que partiu há dez anos. Ela também sonha com um fu-
turo promissor para a filha, que acaba grávida, lhe dando assim um
profundo desgosto.
Em todo o espetáculo, tanto a polícia, como também a alta so-
ciedade, são criticados sagazmente pelo autor, crítica esta reforçada
pela direção do espetáculo. O casal que representa a alta sociedade
cearense é desprovido de qualquer humanismo, e nas suas vestes,
carros, ventiladores, por causa do calor cearense, sentimos toda a 47
futilidade de suas vidas.
O espetáculo está também intimamente ligado a filosofia do
teatro de Brecht, principalmente no seu final, quando os atores can-
48 tam uma marcha carnavalesca, e portando estandartes, conseguem
fazer com que o público pense e reexamine toda a problemática apre-
sentada na peça.
Eduardo Campos, autor de “Rosa do Lagamar”, não desviou
nem por um momento seus olhos dos problemas brasileiros, parti-
cularmente cearenses. E a peça nos traz uma carga de informações
no que concerne aos hábitos, gírias e costumes do povo cearense.
“Rosa do Lagamar” é um espetáculo claro, simples e poético.
Nele a obscenidade é fascinante, exercendo um papel de libertador
social, pois, por sua própria natureza, o teatro popular é anti-auto-
ritário, anti-tradicional, anti-pomposo, anti-pretensioso. É um es-
petáculo para o povo.
José Anderson – Jornal de Brasília – 20/01/79

“... Um drama pungente e que adquire a dimensão que só uma


pessoa como Eduardo Campos, autor também de O Morro do Ouro,
poderia reproduzir com tanta fidelidade. E é também com simplici-
dade e fidelidade que Haroldo Serra dirigiu o espetáculo, um dos
mais importantes apresentados em S. Paulo nos últimos anos. Só a
vinda de uma peça como Rosa do Lagamar já justifica o Projeto
Mambembão. Rosa do Lagamar atinge, apesar da simplicidade pro-
posta, dimensões que vão desde o teatro brechtiano até os autos de
Gil Vicente.
Quanto aos intérpretes, Hiramisa Serra pode ser considerada,
quer pela sua voz, verdade e qualidades de intérprete entre as pri-
meiras atrizes brasileiras. É a protagonista total do espetáculo e
todo o elenco a começar por Haroldo Serra, um excelente intérprete
ao lado de Zulene Martins, Arlindo Araújo, Lourdinha Falcão,
Ricardo Guilherme, Paulo Alencar, Walden Luiz, Antonieta
E R R A

Noronha e Deugiolino Lucas.


Simples e direto, o diálogo de Eduardo campos é muito bom e
S

apesar de ter sido escrito há dez anos, mantém o interesse e não cai
A R O L D O

no “ lugar-comum”.
Hilton Viana – Diário da Noite – 27/01/79
H
FINALMENTE ROSA DO LAGAMAR CONSEGUE

E A R E N S E
LEVANTAR O ASTRAL

C
“Finalmente um bom espetáculo “. A exclamação de um anô-

O M É D I A
nimo espectador do 9o Festival Nacional de Teatro Amador, mostra
bem a insatisfação do público com as peças apresentadas antes da
“Rosa do Lagamar”, pelo grupo Comédia Cearense, um verdadeiro

C D A
e bem acabado exemplo do teatro popular, daquele que ri de peque-
nas tragédias que acontecem todos os dias e que discute a luta pela

N O S
sobrevivência contra o poderio econômico de forma simples, direta

A
sem metáforas e metalinguagens.

4 5
Pela primeira vez, dentro do 9o Festival uma apresentação ,

R E T R O S P E C T I VA
sem grandes produções, simples, mas espontânea e direta, conse-
guiu a unanimidade da platéia, que por várias vezes aplaudia o
espetáculo a cena aberta. Pela primeira vez um grupo mostrou que
se pode fazer teatro de linha popular sem recorrer a grosserias e
palavrões. Um teatro popular que ainda consegue agradar, fazer rir
e ao mesmo tempo pensar sobre os problemas de todos.
A encenação de ontem à noite, feita pela Comédia Cearense foi
irrepreensível. No palco algumas peças com restos de madeira for-
mam a casa de Rosa da Aldeota, que já foi do Lagamar e que queria
apenas um lugar tranqüilo e seco para morar e educar a sua filha
Maria Galante. O texto de Eduardo Campos, adaptado por Haroldo
Serra consegue ao mesmo tempo mostrar as dificuldades de Rosa
com uma boa dose de humor e fazer a crítica social.
Um espetáculo que beirou o perfeito, com truques que agrada-
ram o público, como a projeção de slide imitando um automóvel
trazendo o rico. Num ativo trabalho de interpretação, Hiramisa
Serra é a Rosa sofrida, Lourdinha Falcão dá a graça que a persona-
gem Emilia exige e Haroldo Serra é o malandro Vasques com todos
os seus “tiques” e “truques”. A espontaneidade do elenco foi outro
trunfo de Rosa do Lagamar, que finalmente conseguiu tirar a im- 49
pressão de enfado que pairava sobre o Festival. Como disse o espec-
tador: finalmente um bom espetáculo.
MCS – Diário da Região – 25/07/87 - S.J. do Rio Preto/SP
50 O grupo Comédia Cearense, que está completando 30 anos de
existência, mostrou ontem no Festival que permanece fiel às suas
origens, ou seja, fazer teatro popular da forma mais simples que há
– sem invencionices. “Rosa do Lagamar”, de Eduardo Campos, o
mesmo autor de “O Morro do Ouro”, trata da eterna temática da
disputa pelo espaço urbano onde a “justiça” tem se mostrado sem-
pre ao lado do mais forte, do mais poderoso. Sem ser piegas o trata-
mento dado pelo diretor do espetáculo, emocionou-me pela limpeza
da concepção cênica. Teatro popular é isso: claro, cômico, trágico,
farsesco. É disso que o povo gosta. Superou a todos os outros espe-
táculos apresentados até agora. Dispara como favorito. Nota 10.
Luiz Carlos Bardari – S. José do Rio Preto – 25/07/87

HIRAMISA SERRA OU O “CAVALO DA ROSA”

“Hiramisa Serra está festejando trinta anos de teatro, 24 dos


quais, emprestando seu corpo para que o espírito de Rosa do Lagamar
nele se manifeste em toda sua plenitude. A carreira da Hiramisa
nasceu ao acaso, esse acaso que às vezes determina vidas, profis-
sões, alinha e entorta caminhos e até programa a morte.
Com Haroldo Serra, “companheiro de sina e de cruz”, partici-
pa da mesma luta pelo teatro e também na batalha pela própria
existência, que casados estão ( ou são) desde que ela se fez atriz.
Pois a história da Comédia Cearense é a história desse casal obsti-
nado que ao longo dos anos tem participado, melhor dizendo, tem
ajudado (com toda força) a fazer o teatro de nossa terra.
Óbvio, que em trinta anos, Hiramisa já “incorporou” muitos
outros personagens que vão do nosso Eduardo Campos até Molière,
patrono do teatro francês. Mas foi a Rosa que marcou a vida de
E R R A

Hiramisa, determinando, inclusive, mudanças no comportamento


da atriz.
S

Em 24 anos vivendo a sofrida e ingênua Rosa do Lagamar,


A R O L D O

num total de 500 “incorporações”, Hiramisa Serra está de tal for-


ma unida ao personagem, que até as pessoas que privam da sua
H
intimidade afirma não saber mais quando ela deixa de ser Hiramisa

E A R E N S E
e começa a ser a Rosa e vice-versa.
Qual irmã siamesa, Hiramisa não pode mais prescindir da sua

C
“companheira” que passou a integrar sua vida e seu cotidiano. Pois

O M É D I A
Hiramisa e Rosa se fundiram...
Levada a várias cidades brasileiras, inclusive Rio e São Paulo,
Hiramisa chegou a disputar com monstros sagrados do teatro, como

C D A
Fernanda Montenegro, o título de melhor atriz do ano. Pôr causa
da sua Rosa. E do seu talento também, é evidente.

N O S
Em 24 anos, o elenco da Rosa do Lagamar tem sofrido sucessi-

A
vas alterações e só Hiramisa permanece imbatível, donde se conclui

4 5
que não é mais possível a gente conceber a Rosa “incorporar” em

R E T R O S P E C T I VA
outro “cavalo”, digo em outra atriz, tal a simbiose existente entre
as duas criaturas. A Rosa nasceu para a Hiramisa, assim como a
planta parasita depende de outra para sobreviver.
Em 30 anos de carreira das mais dinâmicas, sempre partici-
pando de todas as montagens da Comédia Cearense como uma de
suas vigas mestras que é, Hiramisa é hoje, uma intérprete comple-
ta, quer no drama, na comédia escrachada ou na sofisticada e até na
tragédia. Ela dá conta do recado em qualquer personagem e em qual-
quer situação seja na pele de uma dondoca socialite ou “recebendo”
a simplória Rosa do Lagamar, cheia de sonhos e ilusões.
Nos últimos anos, senhora absoluta do mundo do teatro,
Hiramisa, além de atriz, tomou para si, outros encargos e tem-se
revelado, também, excelente figurinista com apuradíssimo bom gos-
to, cuidando ela própria de todo o setor de criação de vestuários
quer seja de uma peça infantil ou de montagens mais sofisticadas e
difíceis, inclusive de época, que exige mais pesquisa e o máximo de
equação.
Nesta atual montagem da Rosa do Lagamar com a qual
Hiramisa festeja suas vitórias, poderia comentar outros persona-
gens e outros intérpretes, porém, como este não é um comentário 51
crítico e sim uma homenagem a Hiramisa Serra, direi apenas, que
Arnaldo Matos, está notável, como o milionário, que Lourdinha
52 Falcão é a própria “lavadeira” e que dificilmente outro ator faria
um simplório vigia com tanta convicção como o tarimbado e vete-
rano Ary Sherlock. Para Haroldo nota “mil” pela idéia do carrão do
milionário em “slide”, bem como pelo achado do “carro da polícia”.
Mas, como disse, a festa é da Hiramisa, da Rosa e do Eduardo
Campos. 30 anos de carreira de Hiramisa que soma 24 anos “rece-
bendo” a Rosa em nada menos de 500 incorporações”. Não são nú-
meros cabalísticos, são somas de vitórias e conquistas após tantas
batalhas escondidas, batalhas que sempre se refugiam do público
por trás dos bastidores.
Triste é dizer que a Rosa ainda vai “incorporar” muito, pelos
anos porvir. Em Hiramisa e em outros “cavalos”, digo atrizes. Pois
a Rosa do Lagamar é uma síntese de outras Rosas e Marias e Joanas
e Joaquinas e Sebastianas para as quais os lagamares da vida serão
uma constante, já que a Aldeota não passa de uma miragem. Ou de
uma triste decepção.
Marciano Lopes – Diário do Nordeste

A VALSA PROIBIDA
de Paurillo Barroso com diálogos de Silvano Serra

A Valsa Proibida com música e enredo de Paurillo Barroso e


diálogos de Silvano Serra é sem dúvida o mais carismático dos es-
petáculos cearenses. Sua primeira encenação, promovida pela Soci-
edade de Cultura Artística, ocorreu em l941. “Uma seleta assistên-
cia enchia literalmente o Theatro José de Alencar...”, registrava o
Jornal Unitário, edição de l6/12/41, transcrito por Marcelo Costa
em sua História do Teatro Cearense. Outra montagem ocorreu em
E R R A

1943 e no ano seguinte A Valsa Proibida passou a ser a única opereta


brasileira a ser encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
SA R O L D O

Mas, sem dúvida foi com a Comédia Cearense que A Valsa


Proibida recebeu o tratamento de grande espetáculo que merecia.
Expoentes da cultura local se uniram para realizar um dos espetá-
H
culos mais importantes da teatrografia cearense. O maestro Orlando

E A R E N S E
Leite ficou responsável pela direção musical e interpretou com mui-
ta dignidade o príncipe tenor. Ayla Maria, talento indiscutível vi-

C
veu Mitz de forma brilhante. O maestro Nelson Eddy regeu a

O M É D I A
orquestra com Dina Piccinini ao piano e Dalva Stela orientou as
vozes e integrou o coral. Hugo Bianchi coreografou e dançou com
Tereza Paiva. Um dos pontos altos da montagem foram os cenários

C D A
e figurinos de Flávio Phebo aplaudidos a cena aberta em todas as
apresentações. Haroldo Serra produziu e Hiramisa atuou e cuidou

N O S
da realização dos figurinos. B. de Paiva foi o responsável pela dire-

A
ção. O empreendimento teve apoio parcial do Prefeito Murilo Borges.

4 5
60 dias em cartaz e nas quartas feiras era difícil comprar ingresso

R E T R O S P E C T I VA
para o fim de semana. Todo o custo coberto pela bilheteria.. Uma
glória.
Em noite de gala representamos para o Presidente cearense
Castelo Branco que no final vai a caixa-de-cena ciceroneado por
Armando Vasconcelos, para cumprimentar o elenco. Presentes tam-
bém vários de seus Ministros e os Reitores das Universidades Bra-
sileiras que realizavam congresso em Fortaleza e o Prefeito do Re-
cife que formulou convite para que A Valsa Proibida fosse a
Pernambuco. Fomos e também a Maceió onde ganhamos linda crô-
nica do saudoso Teotônio Villela, publicada abaixo na íntegra. A
Valsa... ganhou reportagem colorida no “O Cruzeiro”, à época a
revista mais importante do país e “Placa de Bronze”, no Theatro
José de Alencar.
20 anos depois Haroldo Serra resolveu, com a experiência da
primeira montagem, reencenar o espetáculo. O mesmo processo:
contatar as pessoas certas, testes de voz, construir cenários, confec-
cionar figurinos, ensaiar... ensaiar.. ensaiar... Felizmente muita gente
da primeira montagem voltou a participar: Flávio Phebo, Hugo
Bianchi, Hiramisa, Dalva Stela, Ayla Maria. Muita gente nova
embarcou no projeto: Raimundo Arrais, Hiroldo Serra, Thadeu 53
Nobre, Haroldo Júnior. O maestro Mozart Brandão, de volta ao
Ceará, regeu a orquestra. Novo sucesso. Dois meses em cartaz. Es-
54 tréia dentro da programação oficial do Estado comemorativa do cen-
tenário da abolição no Ceará. Teatro lotado. Presentes, dentre ou-
tros, o Governador Gonzaga Mota e D. Mirian Mota, Ernane Bar-
reira, José Macedo e D. Maria Macedo, secretários de estado, Afon-
so Barroso, filho do autor e que participou da primeira montagem,
e Orlando Miranda, diretor do Inacen que convidou a Comédia a
participar do 1o Mês da Ópera no Teatro Dulcina numa promoção
do Serviço Brasileiro de Ópera, organizado pela atriz Beatriz Veiga.
Elenco, cenários e o maestro Mozart Brandão, com o apoio do pre-
feito César Cals Neto enfrentaram a estrada. No Rio a orquestra e
coral da Somusica, com apoio do maestro Ciro Braga, participaram
da temporada. No saguão do teatro exposição do primitivista
cearense, J. Arraes e uma mostra do nosso artesanato. Estréia lotada
com gratas presenças: Rachel de Queiroz, Fagner, Carlos Durval,
Norma Geraldy, César de Alencar, Maurício Shermam, Oswaldo
Louzada, Paulo Pinheiro, Carlos Miranda, Humberto Braga, Mírian
Pérsia, Orlando Miranda, Stanley Whibbe e muita gente boa.
Receptividade excelente... Valeu...
Em 1990 mais um desafio para a Comédia Cearense: montar
em arena uma opereta encenada tradicionalmente em palco italia-
no. A concepção é outra. Uma maior interação público/ator dando
maior dinâmica ao espetáculo e relegando a um segundo plano a
cenarização que era predominante nas encenações anteriores. Em
relação à música novamente o espaço modifica a concepção da peça.
Ao contrário das outras montagens a música não é executada por
uma orquestra ao vivo. É criada uma trilha sonora à base de
sintetizadores e som eletrônico comandados por um computador. O
responsável pela inovação foi Herlon Robson que criou os arranjos,
executou e gravou. Deu certo... Mais uma vez o público prestigiou...
E R R A

O texto de A Valsa Proibida foi publicado no n. 10 da revista Comé-


dia Cearense (esgotado).
SA R O L D O

Estréia: 21/04/65 – Theatro José de Alencar


H
Com Ayla Maria, Orlando Leite, Hiramisa Serra, Afonso Bar-

E A R E N S E
roso, Haroldo Serra, José Humberto, Edinardo Brasil, Lourdes
Martins, Rufino Gomes de Matos, Matos Dourado, Roberto

C
César, Léa Maria, Ninito Cavalcante e F. Mesquita. Corpo de

O M É D I A
Baile: Tereza Paiva, Hugo Bianchi, Maria Helena Veríssimo,
Sônia Mariah, Nilma Carneiro, Marília Barros e Maria de
Lourdes. Oficiais e Coro: Zady, Lázaro, Zito Mark, Feijó

C D A
Benevides, Roberto Araújo, Paulo Afonso, Steferson, Luiz
Gonzaga, Miguel Araújo, Joventina, Isaltina, Lourdes e

N O S
Antonieta. Túlio Ciarlini foi substituto de Orlando Leite.

A
Cenotécnicos: Helder Ramos e Artur Pereira – Luz: Lamartine

4 5
– Direção Musical: Orlando Leite – Regência da Orquestra:

R E T R O S P E C T I VA
Nelson Eddy – Coreografia: Hugo Bianchi - Assist. de Dire-
ção: Afonso Barroso – Cenários e Figurinos: Flávio Phebo –
Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

Segunda Versão

Estréia: 25/03/84 - Theatro José de Alencar

Com Ayla Maria, Raimundo Arrais, Thadeu Nobre, J. Arraes,


César Ferreira, Arnaldo Matos, Hiramisa Serra, Jorge Paulo,
Haroldo Serra, Luiz Arrais, Maria Auxiliadora, Rita de Cássia,
Hiroldo Serra, Luzia Eveline, Mônica Silveira. Oficiais e Coro:
Sandra de Borba, Maria Lucenígia, Jomar Júnior, Jorge Braga,
Francisco José, Feijó Benevides, Erasmo Amaral, João Batista
Veras, Haroldo Júnior, Ricardo Melo, José Cassiano
(Muriçoca), Ozires e Valberto – Corpo de Baile da Academia
Hugo Bianchi: Solange Fernandes, Ticiana Almada, Fábia
Vieira, Scherezad Leite, Airtes Vasconcelos, Edna Rita,
Adriana Pereira, Nádia Vasconcelos, Lina Márcia, Luciana
Arrais, Roberto e Angelino Albano – Coral: Ceci, Leontina, 55
Joventina, Apolinário Fernando e Sarto. Cenotécnicos: An-
tônio Guedes, Antonio Vieira, e Puraquê – Confecção figu-
56 rinos masculino: Domenico –Confecção figurinos feminino:
Hiramisa Serra, Judite Lúcia e Fátima Albano – Chapéus e
Arranjos: Conceição de Alencar – Adereços: Antônio Mare-
chal, Pimentel Ramos e Cláudio Bringel – Lustres: Falanga –
Pinturas: J. Arraes – Logotipo: Thadeu Nobre – C. Regra:
Trepinha – Regente : Mozart Brandão – Pianista Dina
Piccinini – Vocalização: Dalva Stela - Coreografia: Hugo
Bianchi. – Cenários e Figurinos: Flávio Phebo – Produção e
Direção: Haroldo Serra.

Dentro da programação oficial do Estado comemorativa do


Centenário da Abolição no Ceará. Publicada na revista Comédia
Cearense n. 10 (esgotado).

Terceira Versão

Estréia: 26/06/90 - Teatro Arena Aldeota

Com: Ayla Maria, Raimundo Arrais, Haroldo Serra, Hiramisa


Serra, J. Arraes, Manoela Villar Queiroz, Hiroldo Serra, Ro-
gério Medeiros, Guglielmina Saldanha, Euler Muniz, Thadeu
Nobre, Mônica Silveira, Muriçoca, Feijó Benevides, Kildary
Pinho, Jorge Ritchie, Adriana Pereira, Idolberto Santos,
Ticiana Almada, Dayse Abreu, Roxane Alencar, Ana Vládia
Lima, Poliana Gonçalves, Vinícius Borges, Ulisses Narciso,
Francisco Costa.
Cenários e Figurinos a partir dos desenhos originais de Flá-
vio Phebo – Confecção de Figurinos Masculinos: Domenico
- Som/Luz: Sandro Camilo, Criação de Arte: Euler Muniz e
E R R A

Antonio Marechal - Coreografia: Hugo Bianchi, Arranjos,


Execução e Gravações: Herlon Robson – Participação Espe-
S

cial: Dalva Stela, Teógenes e Luiz Arrais - Cenotécnica:


A R O L D O

Raimundo e Bila – Iluminação, Ambientação e Direção:


Haroldo Serra
H
COMENTÁRIOS À PRIMEIRA VERSÃO

E A R E N S E
“Sempre gostei de operetas. Todavia, é um gênero de teatro que

C
não se explora mais no Brasil.

O M É D I A
A inflação, que aniquila a vida do país, como era natural, teria
que se sentir no setor do teatro. Nenhum empresário hoje, sem aju-
da do poder público, se arriscaria a montar opereta.

C D A
Quando a “Comédia Cearense” anunciou que iria montar a
opereta de Paurillo Barroso e Silvano Serra, supus que os seus dire-

N O S
tores haviam enlouquecido. Tanto Haroldo Serra como Zé Maria

A
estavam carecendo de repouso em Santo Antônio de Pádua.

4 5
Finalmente a “Comédia Cearense” concretizou o que prome-

R E T R O S P E C T I VA
teu, oferecendo ao público amante de teatro um espetáculo deslum-
brante. E as pequenas falhas, que porventura se observam, esca-
pam, escondidas no termo deslumbramento.
E a “Comédia Cearense”, embora ajudada, em parte pela
Edilidade, merece registro especial pela coragem e arrojo do empre-
endimento.
“A Valsa Proibida” é, pois, um espetáculo belíssimo e que me-
rece ser visto por todo o Ceará. Compensa, por exemplo, uma via-
gem do Cariri a Fortaleza , para assistir uma encenação que se leva-
rá tempo para esquecer.
Eu sabia das dificuldades que a “Comédia” vinha enfrentando
para preparar o espetáculo que eu assisti no sábado.
Sabia, por exemplo, que os cenários seriam majestosos, pois já
os tinha visto em “croquis” e na “estiva”. Sabia também que a or-
questra, apesar do seu número exagerado (33) não prestava. Falta-
va regência e retoques de partitura, partitura que primava em desa-
certo de acordes, que o ex-regente nunca ouviu nem sentiu.
E como não costumo meter o bedelho onde não sou solicitado,
aguardei, preocupado, porque estavam em jogo o nome do teatro
cearense e o grande capital investido. 57
Desse modo, não fui ao teatro com a disposição de espírito de
quem vai assistir a um grande espetáculo. Entretanto, a noite de
58 sábado, foi para mim uma noitada de surpresas .Uma sucessão de
surpresas agradáveis. A primeira delas foi o regente Nelson Eddy.
Essa história de Nelson Eddy ser um estreante na regência ,
não será, porventura, uma dessas mentirinhas de que se serve a
publicidade , para valorizar, ainda mais o esforço dos dirigentes da
função para contornar a crise eclodida com a atitude do ex-regente?
Se Nelson é, realmente, um estreante, estaremos, por sem dúvida
em face de um gênio...
Vejamos agora qual o comportamento das autoridades do Cea-
rá, em face do fenômeno Nelson Eddy. Será que ficarão em atitude
contemplativa, como se estivessem na observação de um bibelô?
Domingos Gusmão de Lima – O Povo - 26/04/65

“A opereta de Paurillo Barroso, ora encenada no Teatro José de


Alencar, não é apenas um musical, o primeiro, aliás, a ser levado
pela Comédia Cearense. Dizer-se da obra de Paurillo Barroso ape-
nas isso, é reduzir demais o seu valor.
Tudo que se assiste na Valsa Proibida é algo de belo, agradável,
repousante e, mais do que isto, motivo especial de orgulho.
A opereta em si não tem falhas. Sim, porque seria vaidade tola
e exibicionismo vazio o estar-se buscando erro, lapso, hiato na obra
do nosso conterrâneo. Seria um sadismo doentio, inaceitável, prin-
cipalmente, da parte de quem, pela primeira vez assiste espetáculo
dessa natureza. Além do mais, não ha faltas a se apontar. Há sim,
boas coisas a salientar.
Será que já vimos cenários mais bonitos? Aposto o meu
dauphine se alguém me disser que já viu algo, pelo menos seme-
lhante, na categoria da Valsa Proibida.
Abrir a boca, esnobar frisando que já viu isto ou aquilo no Rio
E R R A

e em S. Paulo, é tão fútil quanto o virar crítico, quando não se passa


de... sapateiro. Porque eu já tenho visto grandes espetáculos por
S

este Brasil, inclusive o grande “My fair lady”, com Bibi Ferreira e
A R O L D O

Paulo Autran.
Mas eu estou deixando muito de lado os cenários de Flávio
H
Phebo. Tudo é tão belo que da platéia partem exclamações de con-

E A R E N S E
tentamento, surpresa, alegria e palmas que coroam a criação do jo-
vem artista.

C
Os diálogos são vivos, movimentados, leves e muitas vezes

O M É D I A
hilariantes, trazendo sempre o espectador num estado de euforia.
Os artistas... bem os artistas são Haroldo Serra, Hiramisa,
Afonso Barroso, José Humberto – que não precisam de adjetivos.

C D A
Os “novatos” impressionam por sua desenvoltura, como
Lourdes Martins, Matos Dourado e toda aquela bela equipe de jo-

N O S
vens da nossa sociedade. Moças e rapazes se movimentam com de-

A
sembaraço.

4 5
E os dois: Ayla e Orlando Leite? Ultrapassam a toda expecta-

R E T R O S P E C T I VA
tiva e independem de sinônimos.
Tereza Paiva e Hugo Bianchi – estes são os mestres do ballet
deleitando nossas vistas tão pobres de exibição desta categoria.
Os músicos? Deus do Céu: souberam encher o José de Alencar
com beleza contida na obra de Paurillo.
Tudo isto se deve ao diretor, este fenomenal B. de Paiva – talen-
to que tem plasmado a geração nova de artistas conterrâneos e que
planta a mais duradoura semente que se pode orgulhar um povo: a
cultura artística.
Mas é bom parar por aqui – porque a Valsa Proibida não pode
ser descrita: ela foi feita para ser vista. E para orgulhar toda cabeça-
chata que se preza porque é toda ela cearense.
E vamos ao teatro.”
Adísia Sá – Gazeta de Noticias - 1965

“Dentre as efetivas qualidades de “A Valsa Proibida” de Paurillo


Barroso, apreciaríamos de logo destacar o que aqui chamaríamos de
senso de proporção crescente dos efeitos artísticos. De maneira mais
clara: uma cena parece ser sempre melhor que a outra; os três atos
em que se divide a peça ganham proporcionalmente em grandeza: o 59
segundo para o primeiro, o terceiro para o segundo. Esse, por sinal,
será, fundamentalmente um mérito da obra literária, sobretudo
60 quando se trata de teatro: o melhor é sempre dado com parcimônia,
para enfim alcançar-se o resultado máximo. Será esse ainda um
dom exclusivo do autor (o seu senso de proporção ou equilíbrio),
ainda que o diretor, especialmente quando se trata de um B. de Paiva,
possa enriquece-lo, como de fato, no caso o enriqueceu.
A pluralidade de estilo, já em relação às canções e árias, todas
elas de grande harmonia e beleza, já em relação ao espaço tangível,
pois que Paurillo Barroso funde num todo Ocidente e Oriente, dan-
do-nos o conhecimento e o exótico, é também outro dote do autor
que ele pouco pode dividir com outros. Faremos referências ainda à
precisão e graça dos diálogos em parte à colaboração de Silvano
Serra, ao que estamos informados.
Dentro de tudo isso, a segurança da direção, quer nas cenas
mais vazias de participantes (apenas Mitz e o Príncipe, por exem-
plo), quer nas cenas de movimentação de muitas figuras como no
caso da festa inicial ou na recepção, quando do casamento dos heróis.
Marcação perfeita, gesto oportuno, elegante ou cômico, se é o caso,
tudo nos levando a esquecer o palco, a ribalta, para sentir a vida.
Canções, árias de suavidade e beleza, particularmente a
romanza com que o príncipe, pela primeira vez e em cena solitária,
confessa a sua afeição a Mitz. No mesmo nível de beleza emocional
a canção do lenço, com que se encerra a cena em que esse amor
parece desfeito.
Paurillo então se completa como compositor e autor, unidade
sem dúvida nem sempre fácil de encontrar.
De outra parte, embora destacando como de justiça, o desem-
penho admirável de Orlando Leite e Ayla Maria, não saberíamos
dizer de outras preferências, se todos estão magistralmente equili-
brados desde esse fabuloso José Humberto (o coronel frascário) ao
E R R A

capitão Afonso, com passagem pelo general que outro não é, em


vida, senão o Dourado do “Romcy Gira a Sorte”, com a sua perma-
S

nente presença de espírito, valendo aqui a gravidade do seu desem-


A R O L D O

penho. Nem em plano diverso fica o rei caquético, decrépito como


sempre imaginamos todos os velhos reis donos de impérios deca-
H
dentes, ainda que muito acordado para as coisas de dinheiro. De-

E A R E N S E
sempenho a cargo do próprio Serra, o corajoso e já agora vitorioso
idealizador da Comédia Cearense. A esse conjunto juntemos a har-

C
monia do grupo de jovens militares que forma o fundo da peça, o

O M É D I A
corpo de bailarinos, onde Hugo Bianchi e Tereza Paiva são figuras
de primeiro plano, sem esquecer o equilíbrio e a graça com que esti-
veram em cena Hiramisa Serra, Lourdes Martins e Léa Maria.

C D A
Diríamos que para esta segunda encenação de “A Valsa Proibi-
da” houve um desses momentos raros e felizes, em que foi possível

N O S
reunir um punhado de artistas autênticos nos seus diversos planos,

A
por que não seria possível esquecer também a atuação da orquestra

4 5
regida pelo violinista Nelson Eddy, que em tão pouco tempo reali-

R E T R O S P E C T I VA
zou milagre inesperado.
É uma vitória de Paurillo Barroso. É mais uma vitória de B. de
Paiva e Haroldo Serra. E particularmente mais um triunfo da Co-
média Cearense e do próprio Ceará.
Moreira Campos – Unitário – 25/05/65

“Nunca antes o importante casarão da Praça José de Alencar


vibrara tanto. Nunca antes tantas luzes emanaram do seu vetusto
palco inundando a platéia, subindo para as galerias e esvaindo-se
pelas janelas e portas. Nunca antes o arco-íris derramara tanta be-
leza fazendo embriagar o público.
Parecerá inacreditável, porem, foi um espetáculo cearense, es-
crito por cearense, montado por um elenco cearense, com cenários,
figurinos e iluminação de artista e técnicos cearenses, que conse-
guiu transformar o Teatro José de Alencar naquele fabuloso palácio
de contos de fadas, durante mais de dois meses.
Reunindo um elenco dos mais harmoniosos , orquestra de pro-
fessores, coro de alto nível, , bailarinos, coreógrafos, maquiladores,
maquinistas, enfim uma equipe de mais de uma centena de pessoas,
a Comédia Cearense, por seus dirigentes Haroldo Serra, B. de Paiva 61
e Serra Filho, conseguiu mostrar ao povo brasileiro o elevado nível
atingido pela arte cênica entre nós.
62 Foi essa, podemos assegurar, a primeira vez que um espetáculo
cearense mereceu as atenções de uma grande revista nacional, sen-
do honrada com ampla reportagem em cores no semanário “O Cru-
zeiro”.
Vindo a Fortaleza participar das festividades centenárias do
Colégio da Imaculada Conceição, o Presidente da Republica, Mare-
chal Castelo Branco, como bom cearense, fez questão de assistir ao
mais bem-feito até então levado à cena em nossa terra. E em noite
de grande gala, S. Exa., acompanhado de seus ministros, bem como
dos reitores de todas as universidades do Brasil, foi recebido com
todas as honras no Palácio da Arte de Fortaleza, sendo seus anfitri-
ões os jovens arrojados dirigentes da Comédia Cearense, além do
autor da obra, o internacional Paurillo Barroso.
Após a representação, o mandatário da Nação fez questão de
subir ao palco, afim de cumprimentar pessoalmente, os artistas,
técnicos e dirigentes do monumental espetáculo, tendo oportunida-
de de abraçar Paurillo Barroso pela sua grande vitória alcançada no
ano em que comemorava o seu Jubileu de Ouro na música.
Motivo de grande atração dessa representação foi a presença
de Ayla Maria, artista das mais conhecidas e admiradas pelo públi-
co, a qual pela primeira vez pisava um palco de teatro, cantando,
dançando e representando, caracterizada como cantora de café-con-
certo e princesa oriental, respectivamente.
Em suma, A Valsa Proibida foi uma apoteose de luzes e cores,
sons e movimentos. Uma festa de encantamento, uma afirmação
da Arte e da Cultura cearenses, tornada realidade graças a abnega-
ção de elementos como B. de Paiva e Haroldo Serra, que resolveram
dotar nossa terra de um movimento sério, fazendo teatro que em
nada fica a dever aos conjuntos profissionais do Sul do País.
E R R A

A Valsa Proibida ficou nos anais da História das Artes


Cearenses, como uma de suas páginas mais brilhantes, o troféu que
S

o nosso povo deu ao insigne musicista Paurillo Barroso, uma das


A R O L D O

glórias maiores do mundo artístico de nossa querida província”.


Marciano Lopes
H
“... Louve-se antes de tudo a versatilidade da temática

E A R E N S E
sutiíissima que presidiu tão insuflado momento criador de Paurillo
Barroso. E tudo tão bem ajustado, numa seriação de acontecimen-

C
tos cênicos tão agradáveis, que o grotesco ali posto e magnificamente

O M É D I A
posto, na atitude e na expressão do secretário da embaixada ameri-
cana , tão bem vivido por Edinardo Brasil, não arrepia aquele ex-
traordinário tapete de veludo da dialogação musical desse univer-

C D A
sal Orlando Leite e dessa descomunalíssima e esperançosa Ayla
Maria, que encarnam num triunfo teatral raramente observado as

N O S
personagens do príncipe e da plebéia tornada princesa da urdidura

A
delicada.

4 5
Tereza Paiva – gênio do palco – enche de maravilhosa fragrân-

R E T R O S P E C T I VA
cia todos os lances da opereta com a essência esquisita do seu
miraculoso poder de interpretação, seja quando apenas contracena
numa passagem comum, seja quando dá largas à perfeição rítmica
dos seus bailados, que as mais civilizadas platéias têm o que ver e
aplaudir.
Haroldo Serra, vivendo o Rei gagá, ridículo, com uma caracte-
rização de vestimenta impecável, sabe assumir como um mestre da
dramaturgia todos os gestos e inflexões, para que o personagem se
realize na dimensão exata que o autor quis revelada para a captação
sensorial do auditório.
José Humberto em Floflô, a famosa Lourdes Martins em Tanara,
Matos Dourado em Gen. Cynão, Afonso Barroso em Vavá, além da
atuante presença de Hiramisa Serra, Ninito Cavalcante, Roberto
César, Efe Mesquita, Léa Maria, Rufino Gomes de Matos, todos,
enfim. que completam tão significativamente o elenco dessa soberba
“Valsa Proibida”, dão com suas peregrinas qualidades para a cena,
um verdadeiro show de inequívoca afirmação de que o Ceará pode
ir onde quiser, ao Rio ou S. Paulo, à cultíssima Bahia ou a civiliza-
da Porto Alegre. E colher muito mais sucesso, receber mais frenéti-
cas palmas, porque de mais grossas avalanches de espectadores, e 63
sobretudo, mais habituados ao esplendor de manifestações dessa
ordem.
64 Homem feliz esse meu querido e formidável Paurillo Barroso
que chega aos 70 anos debaixo de tantos guizos que os ouvidos só
ouvem o sol-a-pino da mocidade. Esses 70 anos que ele está come-
morando nesta festa em que os deslumbrantes cenários de Flávio
Phebo esplendem e vibram na musicalidade maior de tudo quanto é
capaz de conceber, nas pautas do colorido infinito do talento de ar-
rojadas fulgurações de B. de Paiva, não são setenta, mas apenas 20,
que o carro da glória é essa “Valsa Proibida”, e o carro parou no
tempo. E vem lá em cima , espargindo juventudes, o gênio imortal
de Paurillo...”
Quixadá Felício

“... A Valsa Proibida, que é um canto de aleluia, não será, es-


tou certo, o canto do cisne, do compositor aureolado numa vivência
histórica de dedicação à cultura artística de sua terra.
A flor do seu idealismo, na paisagem dessa realidade memorá-
vel, seria nada, se não contasse Paurillo com o apoio, talento e voca-
ção artística desse consórcio admirável que é a Comédia Cearense.
Ali se aglutinam os mais autênticos e brilhantes valores da arte
cênica no Ceará.
Entre os responsáveis por essa primorosa organização, se des-
tacam Haroldo Serra e B. de Paiva, muito embora, e não sei porque,
na sinopse histórica que preambula a programação musical, se es-
conda uma personalidade de requinte intelectual, num truque de
magia eufórica, em que se tece a identidade espiritual daquele gru-
po que persegue o ideal. Diz assim: - eu e B. de Paiva, Haroldo
Serra e eu, e um só sonho verdadeiro – a Comédia Cearense. Fran-
camente, nisto vai um delicioso slogan de comediante.
A montagem da opereta está a capricho, um primor de ceno-
E R R A

grafia e roupagem, em cenários de admirável concepção e movi-


mento. Flávio Phebo, cenógrafo e figurinista, deu ao Ceará a encan-
S

tadora realidade de seu sonho e de sua vocação.


A R O L D O

Na impossibilidade, todavia, de perfilar todos os intérpretes


dos personagens configurados na opereta, excelentes e felicíssimos
H
numa exibição conjunta, quero destacar as estrelas centrais dessa

E A R E N S E
constelação de artistas diletantes que povoou a ribalta: - Ayla Ma-
ria e Orlando Leite.

C
Médio-soprano, Ayla acalanta o dom das modulações varia-

O M É D I A
das e oportunas. É um encanto quando define emoção nos momen-
tos de transposição vocal. A Valsa Proibida deu-lhe oportunidade
de se revelar dominadora dos caprichos da cena lírica. Rapidamente

C D A
conquistou o delírio da platéia ao surgir na cena.
Orlando Leite revelou-se um artista completo. Ungido na sin-

N O S
fonia de esplendentes madrigais, Orlando passou de intérprete e

A
criador de melodias corais, ao domínio do “bel canto”, em estilo

4 5
napolitano, ensaiando grandes vôos para a cena lírica.

R E T R O S P E C T I VA
Orlando e Ayla, Fred e Mitz, conduziram-se com maravilhoso
desempenho, estrelando a vitoriosa estréia da Comédia Cearense.
A orquestra. Prata de casa, valores excepcionais disciplinados
sob a batuta de um jovem e talentoso discípulo de Paganini, pela
continuidade da vocação artística: Nelson Eddy. Ele é que, num
impulso sereno e confiante, comandou aquela congregação de artis-
tas, nucleados por Dina Piccinini, “fada” e mestra no conluio sin-
fônico do maravilhoso espetáculo. É mais um orgulho para a cultu-
ra artística cearense.
Leite Maranhão

“O último ato é uma verdadeira apoteose... Parabéns aos jo-


vens artistas da Valsa Proibida... Espetáculo emocionante...”
José Cláudio de Oliveira – Tribuna do Ceará - 1965

“Ayla Maria e Orlando Leite vivendo os principais papeis são


estrelas de primeira grandeza. Brilharão em qualquer palco brasi-
leiro”
Paulo Sampaio de Oliveira - Unitário
65
“ Todas as dependências do Teatro Santa Isabel tomadas, pre-
sentes o prefeito Augusto Lucena e várias autoridades municipais e
66 uma representação de sacerdotes que tomam parte no II Encontro
Vocacional do Nordeste – estreou ontem , nesta capital, a opereta “A
Valsa Proibida “, de Paurillo Barroso. A peça encenada pela Comé-
dia Cearense, recebeu consagradora manifestação de aplausos do
enorme público presente, que em todo o transcorrer da encenação,
se mostrou admirado pela beleza dos cenários e o desempenho dos
artistas.
O desempenho de Ayla Maria encantou o público presente
ontem no Teatro Santa Isabel. No final do terceiro ato, o público
levantou-se e aplaudiu, de pé, por vários minutos, o elenco da Co-
média Cearense. Todos os presentes declararam-se satisfeitos e ad-
mirados com “A Valsa”.
Os integrantes da Comédia Cearense vibraram de emoção com
os aplausos, que pela primeira vez, receberam além-fronteiras
cearenses. Haroldo Serra e B. de Paiva foram vivamente cumpri-
mentados pelo prefeito do Recife, tendo o Sr. Augusto Lucena afir-
mado: “voltarei aqui por mais vezes”.
Egídio Serpa – Correspondente de O Povo no Recife

“Tudo expliquei a Haroldo Serra e B. de Paiva, que nos trazem


com a Comédia Cearense, “ A Valsa Proibida”, para o Santa Isabel:
tinha eu de publicar, primeiro, a série de crônicas já escritas sobre a
Escola de Música da Universidade do Rio Grande do Norte. Só
depois – e isso acontece hoje – poderia manifestar-me sobre o espe-
táculo, que quase heroicamente, trouxeram ao Recife, dando-nos a
conhecer o admirável trabalho que vem realizando em seu Estado,
já agora transbordando dos seus limites para projetar-se, lisonjei-
ramente pelo Nordeste.
Reencontrei-me com “A Valsa Proibida” e suas lindas melodi-
E R R A

as, coisa de que está cheia a partitura do meu velho amigo Paurillo
Barroso, sobressaindo-se a valsa que dá título à peça, de fácil fixa-
S

ção auditiva. Outros números podia citar, todos de bela invenção


A R O L D O

melódica, caracteristicamente do seu autor.


Destaque especial merecem, não apenas pelo caráter de suas
H
personagens, Ayla Maria e Orlando Leite, ela, já conhecida de rá-

E A R E N S E
dio e televisão, ele, músico excelente e voz muito agradável, que
aplaudimos ( e coroamos) como regente do Madrigal do Ceará, que

C
aqui participou, há algum tempo, vitoriosamente, de uma competi-

O M É D I A
ção orfeônica. Outros elementos merecem anotação simpática, en-
tre eles J. Humberto, Hiramisa Serra, Roberto Araújo e Lourdes
Martins. Haroldo Serra compôs, com felicidade, um Rei mentecap-

C D A
to e Matos Dourado defendeu bem o General Synão.
Aqui fica, com um apertado abraço a Paurillo Barroso, a mi-

N O S
nha palavra de profunda simpatia pelos que fazem a Comédia

A
Cearense que nos trouxeram esse espetáculo, em que igualmente

4 5
ressaltam a vistosa montagem e o rico quarda-roupa.

R E T R O S P E C T I VA
Waldemar de Oliveira – Jornal do Comércio – 07/65

“ A presença entre nós do teatro cearense, com A Valsa Proibi-


da, é uma suave mensagem cultural de congraçamento entre as gen-
tes que fazem a arte e aquelas outras que admiram a arte. Conside-
ro-me incluído entre as últimas e daqui proclamo a excelência da
peça. A opereta atrai mais ainda o meu aplauso pelo fato de ser filha
legítima da terra de José de Alencar; nada ali é alienígena. Autores,
produtores, cenário, música – tudo traz a marca registrada do ta-
lento de um povo que sabe vencer com igual tenacidade as intempé-
ries climáticas e a rotina da mediocridade atenta simplesmente às
aflições e fuxicos do prosaísmo social. Essa importância do aprovei-
tamento do valor local em toda sua extensão vale para nós, homens
do Norte, uma manchete nova e acalentadora contra as velhas man-
chetes do subdesenvolvimento e do atraso.
E para se agitar a consciência adormecida do país para os imen-
sos problemas dessa região, nada mais sugestivo e atraente do que o
lembrete da cultura. E esta, felizmente, continua viva e ativa, a
cumprir a sua missão de contribuinte em dia com o tesouro da civi-
lização. Muito embora pouquíssima amparada e sem o estímulo 67
desejado – quase que tida como elemento de pouca confiança junto
ao trono dos poderes chamados competentes. Na verdade é bem pos-
68 sível que dentro em pouco possamos ir à Lua e Marte; mas se não
prestigiarmos e consolidarmos o lado puramente espiritual da cri-
atura humana – é bem possível, também, que nessa ânsia incontida
em busca de novos mundos, , arrisque-se o nosso mundo velho a
cair permanentemente na órbita da brutalização final.
Assim como nós temos em medicina doenças provenientes da
civilização, temos decerto na cultura geral os mitos da civilização.
A ilusão da necessidade atira o homem nas aventuras
interplanetárias mais ousadas com precisão científica de estarrecer
os mais incrédulos. Entretanto o sociólogo ou o economista não
atina com a solução mais elementar para trazer um pequeno rotei-
ro, seguro de subsistência ou de segurança física, a uma comunida-
de onde vive, convive e estuda. Podemos prever o eclipse do sol com
precisão absoluta, não podemos dar uma palavra sobre a utilização
humana da bomba atômica se corremos para o Apocalipse ou para a
tranqüilidade universal. No meio da inquietação que abala e cons-
trange a humanidade, uma voz de muitos séculos ou melhor do
princípio dos séculos se alevanta com a superioridade do seu valor
eterno, para chamar os homens ao reduto legítimo de sua
essencialidade – a voz da cultura artística. Pois é esta voz que ago-
ra estamos ouvindo no Teatro Deodoro, enviada pelo Ceará, graças
ao esforço e a desambição de grupo de artistas missionários – desses
que não fazem só arte pela arte e muito menos arte por dinheiro,
desses que dominam a arte como instrumento sublime de reeduca-
ção e fortalecimento da vida espiritual do homem.
A peça tem nos seus três atos o poder dos tranqüilizantes
medicinais: - deixa a gente leve e livre de opressões de qualquer
espécie. E empolga e emociona e cria no espectador condições de se
associar à movimentação do palco, não através de repelões violen-
E R R A

tos mas de sugestões que se infiltram e se fixam na sensibilidade da


platéia. A equipe é simplesmente fabulosa; o apuro do trabalho de
S

cada um dá ao conjunto uma ação global harmoniosa, como se tudo


A R O L D O

funcionasse na vida real; e não há exagero nisso nem utilizo velho


chavão do manual de etiqueta para visitas.
H
Quem desejar algumas horas de bem estar vá ao teatro. A ini-

E A R E N S E
ciativa de Valter Oliveira – esse maluco pernambucano que só pen-
sa no que é bom; a responsabilidade de Bráulio Leite que esposou a

C
idéia na igreja do ideal sob o admirável impulso filosófico de que

O M É D I A
nem só de pão vive o homem; o patrocínio de Luiz Gutemberg que
andou fazendo mágicas perigosas para salvar a palavra empenhada
– tudo isso, senhores, está salvo e bem pago pela beleza do espetácu-

C D A
lo que os artistas amadores do Ceará estão proporcionando ao povo
alagoano. De minha parte, quero ser e faço questão de ser apenas

N O S
um atrevido camelô e berrar aos quatros cantos da cidade: - o Deodoro

A
está aberto. Vamos ao Teatro”.

4 5
Teotôneo Villela

R E T R O S P E C T I VA
COMENTÁRIOS À SEGUNDA VERSÃO

“... Crítica fizeram ontem e repetem hoje, de que a opereta é


gênero superado e de que o enredo nada tem a ver conosco. Ingênuo
e superficial ponto de vista. Nos mais cultos países, não apenas a
opereta como a ópera tem vez independentemente do tema, como é o
caso de “Madame Buterfly”, ainda hoje no Teatro de Berlim. Quan-
to ao enredo, meu Deus, é o amor, as aspirações de liberdade de um
povo sufocado por um regime despótico, é a ganância do poder, rea-
lidade tão do aqui e do agora..
O êxito da Valsa Proibida, em termos de público e de crítica,
vem demonstrar, graças a Deus, que estamos deixando o
provincianismo de lado e saímos de casa para aplaudir os de casa”.
Adísia Sá – O Povo

“Quando escrevo estas linhas a opereta de Paurillo Barroso e


Silvano Serra continuava em cartaz no Teatro José de Alencar, cum-
prindo dois meses de exibições, mensuração de tempo que expressa
de modo significativo com que apreço a têm os apreciadores de bons 69
espetáculos. O trabalho é da Comédia Cearense, único conjunto te-
atral do Ceará que se tem mantido fiel ao culto do teatro, fazendo-o
70 por mais de vinte e seis anos, alheio a invejosos, a intrigantes de
ribalta, gente que sobra nos movimentos artísticos de província,
enquanto mingua os de melhor índole e vocação a favor da cultura
cearense.
Vale a pena dizer ao leitor, antes de qualquer apreciação de que
estofo é feito o diretor Haroldo Serra: temperamento ágil, inovador,
e sobretudo audacioso, não medindo esforços para materializar os
sonhos de artista. E o resultado, quase sempre, é como o que se colhe
agora com “A Valsa Proibida”.
“A Valsa Proibida”, como opereta, se sobrepõe a qualquer
questionamento de fundo social. É peça de entretenimento, leve,
graciosa, fadada a ser historicamente o último trabalho desse gêne-
ro entre nós, com a inesperada felicidade de ter um libreto da auto-
ria de compositor da estirpe de Paurillo Barroso, e texto, bem deli-
neado, conciso e delicado, escrito por Silvano Serra, nome que me-
recia mais citações pelos que estudam as peculiaridades de nossa
dramaturgia.
Como espetáculo, temos que reconhecer, antes de mais nada, a
conjunção de outro talentos, que concorrem para o êxito da opereta,
a começar do diretor Haroldo Serra que, a cada dia mais aprimora o
seu bom senso de “metteur-en-scéne”; de Fávio Phebo, cujos cená-
rios convencem e emocionam, a ponto de arrancar aplausos da pla-
téia. E dele ainda, desse cenarista primoroso, o guarda-roupa
irrepreensível, proposta de um grande artista para encher com no-
breza, alegria e cor, os melhores momentos do musical de Paurillo e
Silvano, fato que ocorre de modo indiscutível, no primeiro ato e
segundo quadro do terceiro, ao término do espetáculo.
Seríamos injustos não ressaltando aqui outras participações
decisivas à afinação da reapresentação da opereta: a condução da
E R R A

orquestra pelo maestro Mozart Brandão( faz milagre com um pu-


nhado de músicos bem disciplinados), regente e orquestrador de
S

apreciáveis méritos; Hugo Bianchi, bailarino e coreógrafo de dimen-


A R O L D O

são, que repete a surpresa que colhi dele, quando transpôs para o
palco em ritmo de balé, “Os Deserdados”; da professora Dalva Stela
H
, competente força de trabalho que não deserta dos compromissos

E A R E N S E
artísticos, a responder pela condução das vozes harmoniosas que
reforçam a moldura sonora da exibição.

C
Como observa o leitor, fizemos uma inversão da análise, fu-

O M É D I A
gindo à norma tradicional de comentários artísticos, preferindo co-
meçar pelos que dirigem. Nem sempre a ficha técnica, como se men-
ciona hoje, é discutida com atenção , ignorando-se que o êxito de

C D A
uma encenação teatral não pode estar dissociado do talento de todos
os seus participantes. Diferindo de qualquer outra atividade artís-

N O S
tica , o teatro alcança maior sucesso quando todos os seus valores

A
(de concepção, direção e representação) situa-se em igual nível de

4 5
realização.

R E T R O S P E C T I VA
Feliz sociedade que pode dispor de apreciáveis valores na arte
do canto, como o que nas três fases da encenação da opereta, ora
comentada, subiram ao palco em Fortaleza, notadamente Orlando
Leite e Ayla Maria (na segunda encenação) e agora, novamente,
Ayla Maria acompanhada de Raimundo Arrais, uma voz que se
impõe, vivendo ambos delicados duetos nos papéis de Mitz e Fred.
Solange Fernandes e Angelino Albano, no corpo de baile, cum-
prem exibição digna, ajustados a trabalho inteligentemente dirigi-
do, e coadjuvados pelas graciosas Sherezad, Airtes, Edinarita,
Ticiana, Fábia e Adriana.
Muito boas as interpretações do Cel. Floflô (Arnaldo Matos):
Theodor (J. Arraes); General Synão (César Ferreira), papel que in-
terpretei quando da primeira apresentação d’ A Valsa Proibida em
1941; Mr. Smith (Thadeu Nobre); Vavá (Luiz Arrais), seguidos
por Hiramisa Serra, na figura da ingênua e trêfega Sachia; e nesse
enquadramento, Rita de Cássia, Maria Auxiliadora e as damas que,
muito bem vestidas, concorrem para a formação de quadro cênico
realmente encantador.
O espetáculo que vimos transcorreu sem o menor comprome-
timento técnico ou artístico. Toda a inspiração e criatividade postas 71
em cena funcionaram corretamente com a seriedade da participação
dos bons oficiais de primeira e terceira linhas, e dos convidados,
72 bastante ciosos de sua colaboração em cena, envergando trajes de
Domênico (masculinos), Judite Lúcia e Fátima Albano (femininas)
, dignos de menção especial.
Pena que só de raro em raro possa a sociedade fortalezense ver
e aplaudir espetáculos como o d’ A Valsa Proibida.
Eduardo Campos - Correio do Ceará

Agora que terminou a vitoriosa temporada de encenação da


primeira opereta de Paurillo Barroso – A Valsa Proibida – cabe-me
louvar por dever de justiça o esforço heróico desse extraordinário
lutador que é Haroldo Serra.
Foram magnificamente superados todos os impasses surgidos
para ser garantido o êxito desse espetáculo inesquecível, que deliciou
a quantos ficaram deslumbrados com a perfeição desse espetáculo
teatral, cantarolando todos a beleza da Valsa Proibida.
O maestro Mozart Brandão veio do Rio para renovar o mila-
gre de um acompanhamento orquestral, que mereceu o aplauso
consagrador do povo que acorreu ao Teatro José de Alencar.
Louvor especial merece a excelente cantora que é Ayla Maria,
por haver renovado com notável enriquecimento a apresentação da
inesquecível Mitz.
Mas a revelação maior que foi proporcionada nessa reencenação
corre à conta dos irmãos Arrais, permitindo-me destacar a ímpar
atuação de Raimundo Arrais, na interpretação do papel de “Prínci-
pe” que foi anteriormente representado por esse músico de escol
que é o maestro Orlando Leite.
Os cenários admiráveis de Flávio Phebo, mais uma vez, con-
correram muito para o notável êxito da encenação de agora.
Cumpre-me também ressaltar a cooperação artística de Hugo
E R R A

Bianchi, a cuja responsabilidade se deve o êxito dos números de


bailado.
S

Já louvei e agradeci a Haroldo Serra, através do meu depoi-


A R O L D O

mento televisionado, todo o esforço que desenvolveu, para assegu-


rar a plenitude do sucesso alcançado por sua corajosa iniciativa.
Parsifal Barroso
H
“... Os cenários de Flávio Phebo, que muitos elogios coleciona-

E A R E N S E
ram, fazem com que o espectador retroceda ao tempo do romantis-
mo... Ayla Maria magistral em sua interpretação somou com os ir-

C
mãos Raimundo e Luiz Arrais as notas máximas do espetáculo quando

O M É D I A
extensão, sonoridade e beleza vocal se harmonizam. Hiramisa Serra
e Arnaldo Matos catalogam mais aplausos aos muitos que já recebe-
ram em apresentações outras. Maestro Mozart Brandão, talento ím-

C D A
par através do tempo e cada dia consegue ser melhor... e o “maestro”
da direção do teatro cearense Haroldo Serra merece aplausos de todos

N O S
nós e o cearense que não for ao Teatro José de Alencar aplaudir , fica

A
devendo apoio e incentivo aos talentos da terra...”.

4 5
Edmundo Vitoriano - O POVO

R E T R O S P E C T I VA
“... A opereta do saudoso Paurillo Barroso terminou sendo
aplaudida de pé. Não somente pelo luxo e beleza do figurino, des-
lumbramento dos cenários de Flávio Phebo, como também pela atu-
ação segura de Ayla Maria além da bela voz de Raimundo Arrais e
dos impecáveis Haroldo e Hiramisa Serra. Lindas canções, diálo-
gos interessantes, enredo sem muitas pretensões. “A Valsa Proibida
“ é um espetáculo que nos envaidece por ser todo “made in Ceará ”.
Regina Marshall - O Povo

“... A abertura da opereta é de impacto. Emocionante. Bela. A


estória de contos de fada sem mensagens intelectualistas vai-se
desenvolvendo em meio a músicas lindíssimas valorizadas pelo ta-
lento desse extraordinário Mozart Brandão, que enche o teatro com
as melodias de Paurillo Barroso, dirigidas ao coração, tendo a arte
de Dalva Stela a tocar todo o nosso ser, com um coral fulgurante.
O final do primeiro ato em que Ayla Maria canta a Valsa Proibida,
está divino. O grande trunfo do genial diretor Haroldo Serra foi ter
assumido o romantismo da peça.
O terceiro ato, por exemplo, está um deslumbramento... Os 73
bailados coreografados por Hugo Bianchi estão lindos...”
Ezaclir Aragão – O Povo
74 “... Uma opereta com o pessoal de casa é que nos desperta o
carinho que vai preencher todas as lacunas. O coração do Arman-
do, a tarimba do Haroldo, da Hiramisa e de todos os Serras, as
mágicas do Mozart e da Dalva, as vozes desprendidas de Ayla,
Raimundo e seu irmão Luiz, o Feijó representando o bom gosto de
um vasto círculo de amizades, o Flávio Phebo, o Hugo Bianchi e,
ainda por cima de tudo, uma revista com o retrato do Paurillo e o
Afonso Barroso, do elenco anterior e filho do compositor, lembran-
do toda a força da almas do saudoso compositor...”.
Cid Carvalho – Tribuna do Ceará

DE PRÓPRIO PUNHO... Teatro Dulcina - Rio

“ Este espetáculo que assisti, me trazendo uma saudade imen-


sa do querido Paurillo, me encantou pela realização tão bonita, qua-
se difícil de imaginar com os recursos modestos do nosso Ceará.
Verdade que se os recursos são modestos, a gente toda é um luxo. E
como são lindas as moças e os rapazes. Comovidamente
Rachel de Queiroz

“ Fiquei muito emocionado ao assistir pela primeira vez A Val-


sa Proibida e gostaria de parabenizar todo o elenco, direção e todos
que participam deste trabalho que ha muito tempo orgulha muito o
nosso Ceará. De coração “.
Raimundo Fagner

“Um espetáculo verdadeiramente onírico a Valsa Proibida, de


Paurillo Barroso. De parabéns Haroldo Serra e toda a sua equipe
por esta maravilhosa encenação”.
E R R A

Sheila Maghi – Cantora lírica


S

“ É comovente a bravura deste elenco com tantos talentos sig-


A R O L D O

nificativos desta cultura indomável do Ceará... Bravo. Abraço de


um niteroiense”.
Maurício Shermam
H
“ É um bonito espetáculo. Para mim que trabalhei muitos anos

E A R E N S E
em opereta, foi um momento de gostosa saudade. Parabéns ao
Haroldo Serra que armou o espetáculo com tanta harmonia e bom

C
gosto. Parabéns a este esforçado grupo que muita garra nos propor-

O M É D I A
cionou estes momentos tão gostosos sem esquecer o meu “velho
amigo” Flávio pelos seus cenários e figurinos”.
Carlos Durval - Ator

C D A
“Parabéns Haroldo. É preciso raça e você tem. Foi um privilégio...

N O S
Paulo Pinheiro - Ator

A
4 5
“ Essa Valsa jamais será proibida. Alegra, comove e nos honra

R E T R O S P E C T I VA
de ser brasileiros. Um beijo”
Norma Geraldy - Atriz

“ Beleza de espetáculo. Um elenco cearense no Rio fazendo o


encantamento de quantos os assistem. Ayla Soberba. Parabéns “.
César de Alencar - Radialista

“Espetáculo digno de qualquer cidade onde a cultura é reco-


nhecida. Obrigado pelas horas de enlevo que me proporcionaram.
Oswaldo Louzada - Ator

“A emoção que senti nasceu de uma Valsa Proibida. O trabalho


da Comédia Cearense engrandeceu a nosso opereta, que voltou a
reflorir em nossa alma um pouco adormecida”.
Paulo Saavedra – Ator

Carta de Afonso Barroso

Caro Amigo Haroldo


75
Depois da estréia da “Valsa Proibida” não pude lhe dizer o que
achei da remontagem do espetáculo, fazendo-o agora com mais cal-
ma, se bem que tomado da mesma emoção.
76 O mais lógico seria lhe escrever apenas duas palavras numa
paródia a sua fala do dia 26:
“Sem voz, sem discurso.”
“Sem voz”, pelo esgotamento da árdua tarefa a que você se
propôs, “sem discurso”- porque o mais lindo discurso já tinha sido
feito nos três atos apresentados.
Mais uma vez você nos mostra que a “Comédia” é “Cearense”,
com Paurillo ( meu pai), Silvano Serra, você, Hiramisa, Flávio Phebo,
Mozart Brandão, Hugo Bianchi, Dalva Stela, Ayla, Arrais, Luis e
tantos outros – todos da terra. Só isso já vale muito: o aproveita-
mento de nossos próprios valores, sem ter que os “importar”, por-
que sabemos que, muitas vezes, é bem mais fácil busca-los lá fora.
Mas você foi muito além disso...
Nos deu o deslumbramento dos figurinos e cenários criados
por Flávio, superando a ele mesmo quando da montagem de 1965.
A pequena orquestra que tira efeitos de uma grande, sob a ba-
tuta do Mozart;
Os momentos maravilhosos do ballet, criados por Hugo
Bianchi;
Ayla, já consagrada no papel, nos transmite uma “Mitz” com
sua graça, leveza, tessitura de voz feita sob medida para o gênero
“opereta”, que dificilmente teríamos outra igual. Magnífica ! ;
Os irmãos Arrais (Raimundo e Luis) estrearam como vetera-
nos: vozes seguras e tipos perfeitos nos respectivos papéis;
Hiramisa e Arnaldo fazem uma dupla cômica, de uma
performance impecável. J. Arraes no “Theodor” e Tadeu no “Mister
Smith” estão ótimos;
O personagem criado por você (o Rei) está esplêndido;
A sua direção segura tem pontos verdadeiramente sublimes,
E R R A

como o fim do 1o ato, em que estamos habituados a vê-lo de uma


forma poética e tristonha, passa a ser revolucionária e arrebatadora;
S

A agradável surpresa do número 10 da revista da Comédia,


A R O L D O

que serve como programa.


H
É tanta coisa que, como lhe disse no começo da carta, o mais

E A R E N S E
lógico seria lhe escrever apenas duas palavras – porque resumiria
tudo:

C
Obrigado, Haroldo.

O M É D I A
Afonso Barroso

C
A FARSA DO CANGACEIRO

D A
N O S
ASTUCIOSO,

A
de Eduardo Campos

4 5
R E T R O S P E C T I VA
Estréia: 08/09/65 – Theatro José de Alencar

Com B. de Paiva, Haroldo Serra, Rinauro Moreira, Roberto


César, Hiramisa Serra, Lourdes Martins, Túlio Ciarlini, An-
tônio Mendes, Matos Dourado e Jório Nerthal.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenários e
Figurinos: Nearco Araújo- Produção: Haroldo Serra – Dire-
ção: B. de Paiva.

Segunda Versão

Dentro das comemorações dos setenta anos do Theatro José de


Alencar. Publicada na revista Comédia Cearense, n. 6 (esgotado).

Estréia: 17/06/80 – Theatro José de Alencar

Com B. de Paiva, Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Francisco


Arruda, Nairo Gomez, Lourdinha Martins e Raimundo Lima.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Hiroldo Serra – Cenários
e Figurinos: Nearco Araújo – Produção: Haroldo Serra – Di-
77
reção: B. de Paiva.
78 AMOR A OITO MÃOS
de Pedro Bloch

Estréia: 12/11/65 - Theatro José de Alencar

Com: Jório Nerthal, Dora Barros, José Maria Lima e Lourdes


Martins.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenário:
Neudson Braga – Assist. de Direção: Roberto César – Produ-
ção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

OS TRÊS RATOS CEGOS


( A Ratoeira), de Agatha Christie

De tanto divulgar e se envolver com as montagens da Comé-


dia Cearense, o colunista Lúcio Brasileiro terminou por fazer a sua
experiência como ator em Os Três Ratos Cegos.

Estréia: 20/01/66 – Theatro José de Alencar

Com: Hiramisa Serra, Jório Nerthal, Haroldo Serra, Nadir


Papi Saboya, Marister Gentil, B. de Paiva, Ernesto Escudero
e participação especial do colunista Lúcio Brasileiro.
Cenotécnicos: Célio Facundo e Hélio Brasil – Luz: Lamartine
– Figurinos: M. Socorro – Cenário: Liberal de Castro Produ-
ção: Haroldo Serra – Direção; B. de Paiva.
E R R A

O CASAMENTO DA PERALDIANA
S

de Carlos Câmara
A R O L D O

A Comédia Cearense busca resgatar um dos mais importantes


comediógrafos cearenses: Carlos Câmara. Escrita e montada em 1919
H
pelo Grêmio Dramático Familiar, “O Casamento da Peraldiana”,

E A R E N S E
foi um dos maiores sucessos do teatrinho do Joaquim Távora. Até
então as músicas interpretadas nas burletas, eram na sua maioria,

C
paródias de operetas de sucesso. No Casamento da Peraldiana são

O M É D I A
músicas originais compostas pelo talentoso maestro Silva Novo e
por Wagner Donizetti. A redescoberta de Carlos Câmara foi em
super produção. Flávio Phebo projetou cenários que reproduziam o

C D A
tradicional Passeio Público com suas estátuas e fonte com água
jorrando e figurinos retratando 1920 com muito brilho e muitas

N O S
cores. Uma grande orquestra com regência do maestro Cleóbulo

A
Maia, que também foi responsável pela orquestração, valorizou so-

4 5
bremaneira a musicalidade de Silva Novo. Haroldo Serra interpre-

R E T R O S P E C T I VA
tou a viúva Peraldiana Pimenta mantendo a tradição da persona-
gem ser vivida por homem. Estréia lotada com a presença do Gov.
Virgílio Távora. Foram dois meses de sucesso. (publicada na revista
Comédia Cearense n. 3 ( esgotado)

Estréia: 21/04/66 – Theatro José de Alencar

Com: Haroldo Serra, Matos Dourado, Hiramisa Serra, Jório


Nerthal, Túlio Ciarlini, Tereza Paiva, Hugo Bianchi, Roberto
César, Ayla Maria, Regina Jaborandy, Lourdes Martins, Jomar
Farias, Rinauro Moreira, Leda Maria, Ernesto Escudero, Salete
Dias, Feijó Benevides, Cláudio Pamplona, Paulo Steferson,
Rufino Gomes de Matos, José Cassiano (Muriçoca) e Hélio
Brasil. Corpo de Baile: Jacaúna, Fernandes, Luiz Derossy,
Lázaro Medeiros, Léa, Lizete, Maria José e Lucy.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Assist. de
Direção: Inácio Ratts – Coreografia: Hugo Bianchi – Cenári-
os e Figurinos: Flávio Phebo – Arranjos: Orlando Leite –
Orquestração e Regência: Cleóbulo Maia – Produção:
Haroldo Serra - Direção: B. de Paiva. 79
80 PROCURA-SE UMA ROSA
de Pedro Bloch e Gláucio Gil

Colaboraram nesse espetáculo os artistas plásticos Sérgio Lima


e Nearco.

Estréia: 22/09/66 – Theatro José de Alencar

Com Gonzaga Vasconcelos, João Falcão, Haroldo Serra,


Hiramisa Serra e José Humberto.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenários:
Sérgio Lima e Nearco – Produção: Haroldo Serra – Direção:
B. de Paiva.

O FAZEDOR DE MILAGRES
de Eduardo Campos

Estréia: 21/04 67 – Theatro José de Alencar

Com Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Marcus Miranda, Karla


Peixoto, Aldenir de Castro, Antônio Mendes, Juarez Silveira,
Geraldo Oliveira e Francisco Falcão. Cenotécnico: Helder
Ramos – Luz: Lamartine – Cenário: Arialdo Pinho – Ilumi-
nação e Direção: Haroldo Serra.

ARMADILHA PARA UM HOMEM SÓ


E R R A

de Robert Thomas – Tradução: Luís de Lima


S

Montagem extremamente bem cuidada. Além dos figurinos e


A R O L D O

cenários de Flávio Phebo, a divulgação (cartaz, programa e convite


da estréia) foi uma criação do nosso cartunista maior: Mino.
H
Estréia: 20/08/68 – Theatro José de Alencar

E A R E N S E
Com Aderbal Freire Filho, Hiramisa Serra, Almir Pedreira,

C
João Falcão, Haroldo Serra, Lourdinha Falcão e Pedro

O M É D I A
Américo.
Cenotécnico: Helder Ramos - Luz: Lamartine – Som: Hélio
Brasil – Efeitos Especiais: Prof. Waldemar Garcia – Decora-

C D A
ção: Luiz Antonio – Adereços: Jacaúna – Penteados: Elza
Maciel – Administração: Afonso Jucá – Confecções do figuri-

N O S
no: Glamour – Arte: Mino - Cenário e Figurinos: Flávio Phebo

A
– Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

4 5
R E T R O S P E C T I VA
UM POLICIAL NA CIDADE

Policial - gênero difícil para qualquer autor, mormente quando


se trata de obra para o teatro, que exige elaboração especial da tra-
ma, a colocação do “suspense” na devida ocasião e, o que é mais
complicado, saber dar o desfecho, depois de conseguir a indispensá-
vel dose de tensão. Inteligentemente e perspicaz, Robert Thomas,
soube construir uma trama, que desde os primeiros minutos, man-
tém o público em constante sobressalto. Na verdade, o desenrolar
dos acontecimentos são uma autêntica descarga nos nervos dos as-
sistentes. Obra de grande mestre na especialidade.
Mostrando mais uma vez a sua força, a vitoriosa Comédia
Cearense conseguiu arrebanhar um elenco de categoria para levar a
cena o trabalho de Robert Thomas. Aderbal Junior, bonita figura
cênica, sai-se a contento no desempenho do marido envolto na
trama ( a armadilha); Haroldo Serra, num papel curto mas de grande
efeito, marca bem sua presença em cena, encarnando o original “va-
gabundo”; João Falcão, vivendo o padre, figura misteriosa e cheia
de intriga, chega a impressionar; o mesmo poderíamos dizer de
Lourdinha, na pele da astuciosa enfermeira. Hiramisa, vestida por 81
Flávio Phebo e maquilada por Neto, é a grande presença. Seu perso-
nagem precisa ser bem sentido pelo público para que se possa aqui-
82 latar o alto desempenho da atriz. Finalmente, Almir Pedreira, a
querida figura do Rádio, com efêmeras passagens pelo palco, sur-
preende na pele do comissário de polícia: frio, metódico, analisando
cada detalhe, juntando os fatos. Peca pela falta de uma melhor dic-
ção, porém é rico de nuanças de voz, de gestos, de expressões. Uma
acertada escolha.
A cenografia de Flávio Phebo é um dos pontos de relevo do
espetáculo. Em dois planos, fixo, cem por cento funcional, é este,
sem favor, o melhor cenário que já se fez no Ceará, merecendo sua
execução os melhores encômios. Trabalho de fôlego do Mestre Helder
Ramos, verdadeiro artista na sua especialidade, que vem de supe-
rar-se a si próprio. Iluminação da melhor qualidade, bem dosada e
funcionando com precisão, sem atropelos, sem falhas. Demais efei-
tos cênicos a cargo do Professor Waldemar Garcia, o grande mestre
do Teatro Cearense.
Haroldo Serra surpreende os aficcionados do teatro e revela-se
Diretor. Diretor com letra graúda, nivelando-se aos bons, ciente e
consciente do real papel de um diretor. Sem rebuscados, sem os ner-
vosismos que caracterizam os diretores, com simplicidade e muita
vontade de acertar. Haroldo apresenta-nos um espetáculo bonito,
agradável homogêneo, cada peça da engrenagem funcionando no
devido lugar, dentro da bitola. Inteligente e cuidadoso desde a esco-
lha do texto, o mais novo mestre da “mis-en-scene” cearense pode
receber, sem inibição, os louros pelo seu merecido sucesso.
“Armadilha Para Um Homem Só”, é um espetáculo que deve
ser visto por todos, pois se trata de uma bem urdida história polici-
al, com todos os ingredientes que o público aprecia. Com excelente
direção, desempenho de nível elevado, cenário de alta categoria.
Alertamos os apreciadores do gênero: não percam esta rara
E R R A

oportunidade de assistir a um espetáculo tão bom! Mas, rogamos:


não revele o desfecho nem mesmo para seu amigo mais íntimo.
S

Mesmo que ele insista!


A R O L D O

Marciano Lopes
H
O SIMPÁTICO JEREMIAS

E A R E N S E
de Gastão Tojeiro – Adaptação: Haroldo Serra

C
Texto escrito em 1919 por Gastão Tojeiro. A peça era o “cavalo

O M É D I A
de batalha” do grande Leopoldo Froes. Nas suas andanças, remédio
para temporada fraca era o “Simpático Jeremias”. Isso motivou

C
Haroldo Serra. Transformando o texto em espetáculo corrido, man-

D A
tendo o charme das melindrosas da época e assumindo a comédia

N O S
escrachada, a peça teve excelente receptividade em Fortaleza e numa
mostra de teatro amador no Recife. O espetáculo ganhou muito

A
4 5
com os figurinos de Flávio Phebo e o cenário do arquiteto Neudson
Braga. A reação da crítica e principalmente do público encorajou o

R E T R O S P E C T I VA
grupo a participar, pela primeira vez de um festival nacional. Supe-
rando as dificuldades costumeiras e conhecidas, o elenco conseguiu
chegar. Era o II Festival Nacional de Teatro Amador de S. José do
Rio Preto – SP, organizado pela professora Dinorah do Vale e
Humberto Sinibaldi. Grupos de Santos, Rio de Janeiro, Minas Ge-
rais, Paraná e Rio Grande do Sul participavam do Festival. A Co-
média Cearense era o único representante do Nordeste. Foi uma
experiência ímpar para o grupo. A preocupação maior da Comédia
Cearense era realizar uma encenação correta. Foi surpreendente a
receptividade do público, da crítica e dos componentes dos outros
grupos. Surpresa maior no entanto, foi o resultado do Festival. A
Comédia trouxe para o Ceará o troféu “Arlequim“ de “Melhor Es-
petáculo” e mais os prêmios de “Melhor Diretor” e “Melhor Ator”
(Haroldo Serra); “Melhor Figurino” (Flávio Phebo); “Melhor
Sonoplastia” (Helio Brasil); “Melhor Ator Coadjuvante” (Walden
Luiz); “Menção Honrosa de Atriz” (Jacy Fontenele ); “Menção
Honrosa de Atriz Coadjuvante” (Regina Távora); “Menção Hon-
rosa de Ator Coadjuvante” (Paulo Silveira). Este resultado foi im-
portante, não só para o grupo, mas também para a auto-estima do
nordestino. O grupo foi recepcionado pelo Gov. César Cals no Palá- 83
cio da Abolição e ganhou Placa de Bronze no Theatro José de Alencar,
por iniciativa do Jornal “O Povo”. Posteriormente o espetáculo fez
84 temporadas em Teresina (Theatro 4 de Setembro), São Luiz (Teatro
Artur Azevedo) e Manaus (Teatro Amazonas). Em 1988, foi
reencenada no Teatro Arena Aldeota.

Estréia: 20/04/69 – Theatro José de Alencar

Com: Antonieta Noronha, Haroldo Serra, Walden Luiz,


Hiramisa Serra, Karla Peixoto, Jesus Serra Silveira, Edinardo
Brasil, Marcelo Costa, João Falcão, Lourdinha Falcão e Marcus
Jussier.
Contra-Regra: Muriçoca – Cenotécnica e Luz: Hélio Brasil –
Assist. de Direçào: Marcus Jussier - Cenário: Neudson Braga
– Figurinos: Flávio Phebo – Coreografia: Hugo Bianchi – Pro-
dução e Direção: Haroldo Serra.

S. José do Rio Preto – 15/07/70 – Teatro da Basílica

Com: Haroldo Serra, Lourdinha Falcão, Hiramisa Serra, Re-


gina Távora, Jacy Fontenele, Walden Luiz, Marcelo Costa,
Paulo Silveira e Luiz Antônio.
Cenário: Neudson Braga: Figurinos: Flávio Phebo – Som e
Luz: Hélio Brasil - Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

Segunda Versão

Estréia: 27/10/89 - Teatro Arena Aldeota

Com: Antonieta Noronha, Haroldo Serra, Poliana Moraes,


Guglielmina Cavalcante, Euler Muniz, Rogério Medeiros,
E R R A

Márcia Paiva, Kildary Pinho, Hiroldo Serra e J. Arraes.


Cenotécnico: Catita – Luz: Fábio Melo – Som: Sandro Melo –
S

Maquiagem: Gurgel do Amaral - Piano: Dina Piccinini – Fi-


A R O L D O

gurinos: Hiramisa Serra e M. Socorro – Ambientação e Dire-


ção: Haroldo Serra.
H
“... Pelo o que nos foi dado a observar durante a realização do I

E A R E N S E
Festival de Teatro do Nordeste, a melhor performance do certame
foi dada pela Comédia Cearense, sob a direção de Haroldo Serra,

C
com a roupagem nova que deu ao carcomido texto de Gastão Tojeiro.

O M É D I A
A concepção cênica dada pelo “metteur-en-scène” não é original,
todavia correspondeu à expectativa, seguindo a linha imposta por
Hermilo Borba Filho, a outro texto também de Gastão Tojeiro, “Onde

C D A
Canta o Sabiá”, montada no Recife pelo Teatro de Amadores de
Pernambuco...

N O S
... A direção apresentou apreciáveis marcas, concorrendo para

A
que o velho texto, com uma adequada roupagem, pudesse ser aceito

4 5
com agrado geral”.

R E T R O S P E C T I VA
Adeth Leite – Diário de Pernambuco – 05/ 08/69

Fenômeno de Comunicação

“... A gostosíssima comédia de Gatão Tojeiro, sob a espetacular


direção de Haroldo Serra, se constituiu em verdadeiro fenômeno de
comunicação, arrancando uma seqüência interminável de garga-
lhadas do numeroso público presente. O elenco surpreendeu a to-
dos que não esperavam tanto do grupo do Nordeste”.
A Notícia - 19/07/70

“... O auditório estava completamente lotado por um público


cheio de curiosidade. Uma expectativa justificada, já que o grupo
vinha de tão longe e portanto inevitável uma concepção teatral bas-
tante diversa; um espetáculo que nos mostraria os rumos seguidos
pelo amadorismo num Estado tão distante do nosso. Quando a peça
se iniciou, todas as falsas motivações caíram por terra: o “ pitoresco”
de um grupo que viajou tantos quilômetros até chegar aqui, a simpá-
tica modéstia dos componentes, a curiosidade em torno de teatro teo-
ricamente inferiorizado, isso desapareceu imediatamente, quando o 85
público foi envolvido por uma autêntica atmosfera teatral, recebendo
o impacto de uma encenação bastante comunicativa”.
A Notícia - 30/07/70
86 “... No contexto do festival, o grupo do Ceará foi o mais origi-
nal. “Atacou” com o “Simpático Jeremias” de Gastão Tojeiro, com a
maior tranqüilidade desse mundo. A principal vantagem do grupo
foi a de ter em cada ponta um bom ator. O diretor e ator Haroldo
Serra usou de todos os “truques” convencionais e alcançou logo de
início a adesão total do público que, nos momentos de música, batia
palmas acompanhando o ritmo.
Além disso eles fazem a já famosa “cafonália” com a facilidade
de dar inveja (muitos dos nossos diretores profissionais adorariam
o espetáculo). Para se ter uma idéia, basta se dizer que quando um
ator entra em cena, seu nome real é iluminado em pisca-pisca num
dos cantos do cenário.
Eles nos trouxeram, sei lá se criticando ou não, uma espécie de
“Broadway Cearense”, com muitas luzes piscando, passos de dan-
ça, plásticos estampados com florzinhas, etc.
”O Simpático...” foi um espetáculo sem pretensões, mas agra-
dável, sincero e da maior honestidade artística.”
Armando Sérgio – Palco + Platéia – n. 5

O TERRIVEL CAPITÃO DO MATO


de Martins Pena

Integrando o “Plano Anual de Divulgação Artística”, promo-


vido pela Secretaria de Cultura e Comédia Cearense, no Theatro
José de Alencar, com apoio do jornal “O Povo “, direcionado para
alunos de escolas públicas com teatro, música e ballet.

Estréia: 14/05/73 – Theatro José de Alencar


E R R A

Com: Lourdinha Falcão, Marcelo Costa, Marcus Fernandes,


SA R O L D O

Hiramisa Serra, Carlos Karrah, Odenísio Holanda, Marcus


Miranda e Haroldo Jr.
Cenotécnico: Helder Ramos - Luz e Som: Hélio Brasil – Fi-
H
gurinos: Hiramisa Serra – Cenário, Iluminação e Direção:

E A R E N S E
Haroldo Serra.

C O M É D I A
ALVORADA
de Carlos Câmara

C D A
Novamente Carlos Câmara. Agora com seu texto mais popu-

N O S
lar: Alvorada. Montada para a inauguração do Teatro Móvel, em
noite de muita chuva com a presença do Gov. César Cals. Uma

A
4 5
iniciativa da Comédia Cearense com apoio do Governo do Estado,
Inacen e jornal “O Povo”. De 1974 a 1976 a peça integrou o Proje-

R E T R O S P E C T I VA
to Mobral Cultural em dezenas de municípios cearenses. (Outras
informações no capítulo “Comunicações“). Foi também encenada
no Teatro do IBEU.
Com o apoio do Secretário de Cultura Paulo Linhares e da
FUNARTE, Alvorada teve nova montagem que marcou os 40 anos
de fundação da Comédia Cearense. No processo de encenação o es-
petáculo contou com a assessoria do diretor José Renato, do maes-
tro Murilo Alvarenga e do cenógrafo Renato Scripilliti. Por ocasião
da estréia, a Comédia homenageou com o troféu “Tripé” (Autor/
Ator/Público), alguns de seus muitos colaboradores: Professora
Maria Lúcia Lima de Carvalho Rocha (Colégio Christus); Orlando
Miranda (pelo seu apoio quando diretor do SNT ); Eduardo Cam-
pos e B. de Paiva.
Por proposição da vereadora Luizianne Lins,(PT), Haroldo
Serra recebeu do presidente da Câmara Municipal, vereador
Acilon Gonçalves o título de “Cidadão de Fortaleza”, em
solenidade realizada antes do espetáculo e prestigiada por,
entre outros, Fábio Brasil, Dr. José Lima de Carvalho Rocha e
sua esposa Valéria Brasil Rocha (apoio permanente ao grupo).
Alvorada foi publicada na revista Comédia Cearense n. 8
87
(esgotado).

Estréia: 10/06/74 – Teatro Móvel


88 Com: Marcus Miranda, Hiramisa Serra, Ricardo Guilherme,
Carlos Karrah, Walden Luiz, Beth Cardoso, Arlindo Araújo,
Antonieta Noronha, Odenísio Holanda, Erotilde Honório e
Roberto Celso. Luz: Haroldo Jr. – Figurinos: Walden Luiz -
Consultor Musical: Clóvis Matias – Pianista: Luiz Assunção
–Ambientação e Direção: Haroldo Serra – Apoio: Secretaria
de Cultura e Inacen.

Segunda Versão

Estréia: 09/08/97 – Teatro Arena Aldeota

Com: Itauana Ciribelli, Walden Luiz, Odair Prado, Hiramisa


Serra, Haroldo Serra, Eveline Soares Vieira, depois Silvana
Sales, Alex Allan, Hiroldo Serra, Irish Salvador, Poliana Mo-
rais e Marcos Araújo.
Cenotécnico: Catita – Luz e Som: Haroldo Neto – Figurinos:
Hiramisa Serra – Direção Musical: Carlinhos Crisóstomo –
Música: Maestro Silva Novo e Wagner Donizeti – Assesso-
ria: José Renato; Murilo Alvarenga e Renato Scripilliti –
Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

40 ANOS DE COMÉDIA

A burleta “Alvorada”, de Carlos Câmara, foi a peça escolhida


pela tradicional Comédia para comemorar os seus 40 anos. Com
elenco de onze atores e ficha técnica onde se lêem na sua maioria a
força da família Serra, a festa de comemoração contou com presença
da afetividade de alguns amigos da classe teatral e convidados espe-
E R R A

ciais, que aplaudiram a terceira peça de Carlos Câmara montada


pelo grupo.
S

Com o apoio do Ministério da Cultura, Secut –Governo do


A R O L D O

Estado, Haroldo Serra realizou esse espetáculo bem ao gosto de seu


público, com assessoria artística do famoso diretor carioca José Re-
nato, à época, presidente da Sbat.
H
Idealizado por Haroldo Serra, montado letrinha por letrinha

E A R E N S E
por seu filho Haroldo Júnior, o Toféu “Tripé” fez a abertura da
noite comemorativa, comandada por B. de Paiva, surgido por entre

C
as filas do Arena, surpreendendo com a postura de um prólogo, tão

O M É D I A
usado nos primórdios do teatro, a exemplo da Comédia Dell’Arte.
Como num passe de mágica, abriu-se a cortina e eis que a família
Serra, em traje de gala, aparece para os aplausos da platéia.

C D A
Os distinguidos para receberem o “Troféu Tripé” foram aque-
les historicamente ligados ao grupo. Maria Lúcia de Carvalho Ro-

N O S
cha por permitir a continuidade do Projeto Teatro Permanente, ce-

A
dendo o Teatro Arena; Eduardo Campos, por ter contribuído (atra-

4 5
vés de seus textos) para a projeção da Comédia Cearense, e Orlando

R E T R O S P E C T I VA
Miranda, cearense honorário, que muito fez pela Comédia e pelo
teatro brasileiro, em suas várias gestões na direção do Inacen/
Fundacen.
Quando nos referimos à Comédia Cearense, dizendo tratar-se
de um dos grupos mais antigos do Brasil, não estamos apelando
para o exagero. Estamos, na verdade, divulgando o mérito de per-
manecer em cartaz tanto tempo, formando novos atores e novas
platéias através de seus projetos e ações e na preocupação de querer
acertar sempre. Parabéns aos que fazem a Comédia Cearense e, par-
ticularmente, ao Haroldo e Hiramisa, que batalham cotidianamen-
te pela permanência da família em cena.
Fernanda Quinderé – O Povo – 12/08/97

A GUERRA DO BENZE-CACETE
de Nertan Macêdo, adaptação de Haroldo Serra

Mais uma experiência teatral do escritor Nertan Macedo, es-


crita especialmente para o Plano de Divulgação Artística, promo-
vido pela Comédia, jornal O Povo e Sec. de Cultura. Posteriormen- 89
te foi montada com o mesmo elenco no Teatro Móvel. O texto foi
publicado na revista Comédia Cearense, n 5 (esgotado).
90 Estréia: 2705/74 – Theatro José de Alencar

Com: Marcus Miranda Arlindo Araújo, Haroldo Serra,


Ricardo Guilherme, Hiramisa Serra, Odenísio Holanda,
Walden Luiz, Mauro Portela, Carlos Karrah, Cláudio Madru-
ga e Edinardo Barros. Participação do Grupo de Tradições
Cearenses, dirigido por Elzenir Colares – Luz e Som: Haroldo
Jr. – Figurinos: Hiramisa Serra -Ambientação e Direção:
Haroldo Serra.

A VIGILIA DA NOITE ETERNA


de B. de Paiva

Apresentada durante os meses de novembro e dezembro de l974


em várias cidades do interior e no Projeto Cultural do Mobral. Pos-
teriormente encenada na Casa Amarela e Teatro Universitário com
os alunos do Curso de Informação e Prática Teatral ministrado por
Haroldo Serra com Promoção do SNT. Publicada em separata da
revista Comédia Cearense número 2 (esgotado).

Com Ricardo Guilherme, Marcus Miranda, Hiramisa Serra,


Walden Luiz, Erotilde Honório, Odenísio Holanda, Arlindo
Araújo e Antonieta Noronha.
Luz e Som: Haroldo Jr.- Figurinos: Hiramisa Serra – Música:
Quinteto Agreste – Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

O DEMÔNIO FAMILIAR
E R R A

de José de Alencar – adaptação de Haroldo Serra


SA R O L D O

Essa peça é sem dúvida a mais importante na dramaturgia de


José de Alencar. No processo de encenação foi sentida a necessidade
de uma adaptação que procurou eliminar as redundâncias tão co-
H
muns aos dramaturgos da época. Foi incluído ballet e música de

E A R E N S E
outro cearense, Alberto Nepomuceno, quase tão ilustre quanto o
patrono do nosso teatro. Música, teatro e ballet juntos transforma-

C
ram o texto declamado num espetáculo de rara beleza. A peça em

O M É D I A
três atos ganhou dinâmica na encenação corrida, sem intervalos.
Os cenários de Flávio Phebo ganharam aplausos nos momentos em
que “escravos à Debret” promoviam mutações cênicas com cena

C D A
aberta. O espetáculo dirigido por Haroldo Serra contou com parti-
cipações importantes como as de Dalva Stela (orientação musical),

N O S
Hugo Bianchi (coreografia) e Nízia Diogo (piano). Encenada no

A
dia do aniversário de José de Alencar na reabertura do teatro após a

4 5
restauração de 1974. Posteriormente reinaugurou, o Teatro São

R E T R O S P E C T I VA
João, em Sobral.

Estréia: 01/03/75 - Theatro José de Alencar

Com: Ayla Maria, Nadir Papi Saboya, Hiramisa Serra, Ricardo


Guilherme, Erotilde Honório, Laerte Bedê, Haroldo Serra e
Maurício Estevão. Corpo de Baile: Mônica Xavier, Jovita Fa-
rias, Goreti Quintela, Marcus Jussier, D. Martins e Gil Sodré.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Haroldo Jr. – Música:
Alberto Nepomuceno – Pianista: Nízia Diogo – Direção Mu-
sical: Dalva Stela – Cenários e Figurinos: Flávio Phebo - Ilu-
minação e Direção: Haroldo Serra.

EQUINÓCIO
adaptação de Haroldo Serra de um conto do
escritor José Alcides Pinto.

Montada com alunos do Curso de Informação e Prática Tea-


tral, ministrado por Haroldo Serra. A peça participou do Festival 91
de Campina Grande.
92 Estréia: 28/02/77 - Theatro José de Alencar

Com: Francisco Marques, Edneuma Melo, Afrânio Marques,


Eliene Vieira, Maria Ronilda, Francisco Darcísio, Joaquim
Stone, Carminha Serra Azul, Josefa Amilda, Rosa Nogueira,
Eloina Marques, Francisco Célio, Francisco Perez, Mário
Bahia, Benedito Portela, Dárcio e Dagoberto.
Caracterização: Deugiolino Lucas – Luz e Som: Haroldo Jr.-
Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A CAÇA E CAÇADOR
de Francisco Pereira da Silva

Convidado pelo economista Raimundo Padilha, Haroldo Ser-


ra projetou um teatro de arena para compor o Espaço Cultural da
Crédimus, na Aldeota. O texto escolhido para a primeira experiên-
cia da Comédia Cearense, em arena foi “A Caça e o Caçador”, de
Francisco Pereira da Silva, um dos mais importantes dramaturgos
brasileiros. O primeiro ato da peça é inspirado no conto “A faca e o
Rio“, de Odílio Costa Filho, que esteve presente à estréia. A encena-
ção marca a primeira participação do bonequeiro Pedro Boca Rica
no teatro. Posteriormente uma nova versão foi produzida para inau-
gurar as novas instalações do Teatro Móvel. Presentes o Prefeito
Lúcio Alcântara, Reitor Paulo Elpídio, Liberal de Castro, Orlando
Miranda, Demócrito e Vânia Dummar, Aldomar Conrado e os crí-
ticos José Anderson, do DN, Eliézer Rodrigues, de O Povo e Yan
Michalski do Jornal do Brasil. Platéia lotada.
Agora, em 2002, nos quarenta e cinco anos da Comédia
E R R A

Cearense, voltamos a encena-la.


Sendo um dos mais importantes textos da literatura teatral
SA R O L D O

brasileira, usado como texto-tema por vários professores de cursos


de teatro, elogiada por todos os diretores que conhecemos, continua
entretanto, praticamente inédita fora do Ceará. Assim, a Comédia
H
Cearense toma a si a responsabilidade de procurar resgatar esse ex-

E A R E N S E
celente texto do Nordestino/Piauiense/Universal: Francisco Perei-
ra da Silva, “Chico”, para os que privaram da sua amizade.

C
Na noite da estréia a Comédia Cearense outorgou o “Troféu

O M É D I A
Tripé” a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento
do grupo: Dr. José Lima de Carvalho Rocha, Diretor do Colégio
Christus; Prof. Barros Pinho, Presidente da Funcet; Stanley Whibbe,

C D A
Coordenador de Teatro da Secretaria da Música e Artes Cênicas da
Funarte e Dr. Francisco Jereissati, Diretor do Pão de Açúcar.

N O S
Paranifaram os agraciados, Armando Vasconcelos; Eliézer

A
Rodrigues; José Anderson e Artur Bruno. Mário Barbosa, Edilmar

4 5
Norões, Fco. Ribeiro, José Augusto Lopes e Sônia Pinheiro deram

R E T R O S P E C T I VA
importante apoio na divulgação do evento.

Estréia: 29/10/77 - Inauguração do Teatro de Arena da


Crédimus

Com: Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão,


Antonieta Noronha, Walden Luiz, Arlindo Araújo, Eliene
Vieira, Rejane Lima Verde, Paulo Alencar, Joaquim Stone,
Deugiolino Lucas e Maurício Estevão.
Luz: Haroldo Jr. – Som: Hiroldo Serra – Contra-Regra:
Deugiolino Lucas – Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

Segunda Versão

Estréia: 20/11/79 - Reinauguração do Teatro Móvel

Com: Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão,


Antonieta Noronha, Walden Luiz, Nairo Gómez, Paulo
Alencar, Zulene Martins, Ricardo Guilherme, Deugiolino
Lucas, Beth Araújo e B. de Paiva. 93
Luz: Haroldo Jr -. Som: Hiroldo Serra – Bonecos: Pedro Boca-
Rica e Fran Menezes – Iluminação, Ambientação e Direção:
Haroldo Serra.
94 Terceira Versão

Estréia: 04/06/02 – Teatro Arena Aldeota

Com: Hiroldo Serra, Itauana Ciribelli, Poliana Moraes, Silvana


Sales, Ana Cristina Viana, Lucio Leonn, Odair Prado, Paulo
César Cândido, Haroldo Serra, Paulo Roque, Jorge Ritche e
Aline Pereira.
Figurinos: Hiramisa Serra –Bonecos: Hiramisa Serra, Augusto
Bonequeiro, Carri Costa e Pedro Boca Rica – Luz e Som:
Gustavo Portela – Direção de Arte e Fotos: Haroldo Júnior-
Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

COMENTÁRIOS:

“Para a reinauguração do Teatro Móvel, a Comédia Cearense


estava preparando Calu, do clássico cearense Carlos Câmara. A
doença de um dos intérpretes principais obrigou o grupo a adiar
este lançamento e a substitui-lo por uma remontagem de “A Caça e
Caçador”, de Francisco Pereira da Silva. Premiada num dos con-
cursos do SNT há muitos anos, é incompreensível que esta bela
peça, que mostra uma realidade nordestina algo diferente do que
estamos acostumados a ver em cena, e se presta a experiências de
direção bastante ricas, não tenha até hoje encontrado quem quises-
se ou conseguisse produzi-la no Rio.
A encenação de Haroldo Serra mostra que a Comédia Cearense
chegou a cristalizar um estilo de interpretação farsesca inconfun-
divelmente seu, do qual tivemos uma amostra em Rosa do Lagamar
apresentada no último Mambembão, mas que em A Caça e Caçador
E R R A

alcança um rendimento bem mais nítido e convincente. E o fato de


tratar-se de um elenco que trabalha junto ha muito tempo pode ser
S

concretamente sentido, de maneira agradável, em cada momento


A R O L D O

do espetáculo.
Yan Michalski – Jornal do Brasil – 26/11/79
H
Novamente em Sintonia

E A R E N S E
“Pesa muito numa encenação teatral o nível do elenco encarre-

C
gado de levar até o público o proposto pelo autor, e esquematizado

O M É D I A
pela direção do espetáculo.
Novamente montada, a peça “A Caça e o Caçador”, de Francis-
co Pereira da Silva, ganha desta feita um dimensionamento mais

C D A
eloqüente quanto a sua feitura cênica, na representação da Comédia
Cearense.

N O S
A farsa social do autor, solidifica-se uma linha de estilística de

A
representação própria da Comédia, com a direção de Haroldo Serra

4 5
sequenciando o tom regional, estacionado, na “Rosa do Lagamar”,

R E T R O S P E C T I VA
de Eduardo Campos, quando a troupe empunhava técnica de
amostragem dos caracteres do personagem, sedimentada num tea-
tro lúdico e prazerosamente enraizados em concepções repassadas
para uma linguagem teatral telúrica.
E essa retomada de sintonia está ocorrendo, na remontagem
da “Caça”, atualmente em cartaz no Teatro Móvel, com a exibição
de um espetáculo, que se não foi reestruturado na sua forma pri-
meira, partiu para uma aceleração de ritmo interpretativo com um
elenco que se apresenta muito melhor de que na temporada anteri-
or. Sem falar dos dois protagonistas Haroldo e Hiramisa Serra, a
direção apóia-se na experiência interpretativa de B. de Paiva, na
primorosa atuação de Antonieta Noronha, no “rush” interpretativo
de Ricardo Guilherme, a sempre comedida atuação de Walden Luiz,
com grau de extensão permitido por Lourdinha Falcão, Nairo Gomez,
Zulene Martins, Paulo Alencar, Deugiolino Lucas e Beth Araújo.
O texto em si já permite um caminho para um amplo entendi-
mento e deduções por parte do público pela sua incrível semelhança
com o Nordeste povoado pelo arbítrio do coronelismo, pelo mandos
e desmandos latifundiários, pela descrença dos mais, quanto ao pa-
pel da justiça. E mais ainda o texto, agora peça teatral emerge para 95
uma atualidade, no ato final, exatamente no julgamento do todo
poderoso, o sertanejo Raimundo Moça (Haroldo Serra), numa feliz
96 antecipação dos tempos da justiça brasileira da era Doca Street. O
clima de inanição do júri, formado por bonecos de pano, o machismo
tropical que ainda perdura, a corrupção transformando criminosos
em heróis nacionais aprofunda a farsa em realidade que ainda fa-
zem parte do contexto social.
Para transpor o concedido pela criação do autor, a direção do
espetáculo aplica sugestões cênicas as mais variadas, tomando, como
ponto de partida logo na chegada de Raimundo Moça com argu-
mentação servida com o apoio de teatro de mamulengos. O mesmo
apelo é vibrante quando do contraponto dos bonecos com o assassi-
nato de Maria (Hiramisa Serra) mulher de Raimundo Moça, num
bonito dueto visual carregado de emoções.
A atual temporada da “Caça” contemporiza valores da Comé-
dia Cearense, pelas marcações cênicas inerentes do grupo, como se
estivessem reassumindo postos para o fato intemporal de uma arte
teatral visceralmente, e antes de tudo, motivado pelo ambiente que
nos circundam.
Eliézer Rodrigues – O Povo – 28/11/79

COMENTÁRIOS Á TERCEIRA VERSÃO

Farsa, desejo e simulacro

Como Martins Pena esboçou o retrato do país em várias de


suas peças, o piauiense Francisco Pereira da Silva, um dos mais
importantes dramaturgos contemporâneos , lançou mão da farsa
para retratar também um país cheio de mazelas e contrastes, com o
poder econômico sobrepondo-se aos outros poderes – o Executivo,
Legislativo e Judiciário.
E R R A

Esquecido no Brasil – talvez por ser piauiense – Pereira da


Silva tem suas peças montadas em países da Europa. Entre as mais
S

conhecidas estão “A Caça e o Caçador”, “O Vaso Suspirado” e “Cha-


A R O L D O

péu de Sebo”. Para se ter uma medida da importância de Francisco


Pereira da Silva – não citado por Sábato Magaldi em seu cânone
H
“Panorama do Teatro Brasileiro”, Pereira da Silva teve sua peça

E A R E N S E
“Chapéu de Sebo” incluída numa antologia traduzida para o ale-
mão em que figuram cinco autores do moderno teatro brasileiro.

C
Sua peça foi encenada na Alemanha, Finlândia e Tchecoslováquia.

O M É D I A
A Comédia Cearense para marcar os seus 45 anos de ativida-
des ininterruptas resgatou uma das peças mais representativas do
teatro de Francisco Pereira da Silva – “A Caça e o Caçador”. Um

C D A
texto dos mais comunicativos, de fácil percepção pela platéia, mas
com alguns obstáculos para a sua montagem. Dificuldades trans-

N O S
postas com sucesso pela mão de um hábil diretor de teatro: Haroldo

A
Serra. Um homem que, nos seus 50 anos de cena, vive sob o signo

4 5
do teatro e, como poucos, conhece seus meandros, às vezes concre-

R E T R O S P E C T I VA
tos, objetivos; mas outras vezes subjetivos, fechados. Códigos só
abertos e lidos por quem, por tantos anos, desvenda os mistérios de
uma arte das mais difíceis da humanidade.
“A Caça e o Caçador” passa-se em vários planos. Planos não
temporais, nem dialéticos com personagens investidas de grande
carga psicológica, problematizadas com a sua relação com o mundo.
Mas a geografia da peça de Francisco Pereira é complicada. Ora a
ação passa-se na beira de um rio de um povoado do interior nordes-
tino; ora numa feira com toda a sua algaravia. A ação é transposta
depois para gabinetes, tribunais e casas de políticos corruptos. Em
outro momento, o conflito estabelece-se numa prolongada viagem
de balsa por caudaloso rio, onde os dois protagonistas Raimundo
Moça (Hiroldo Serra) e Maria (Itauana Ciribelli cumprem seus
destinos. A seqüência de acontecimentos de “A Caça e o Caçador”
envolve muitos personagens, lugares diferentes, complexas viagens,
enfim, diferentes cenários.
Haroldo Serra utilizou-se de recursos simples, retirados do te-
atro popular, para resolver todos os problemas cênicos postos pelo
texto de Francisco Pereira da Silva. Utilizou abertamente o teatro
de bonecos, nosso tão rico mamulengo, para representar feiras po- 97
pulares, portos e até o júri que julgou Raimundo Moça pelo assas-
sinato de Maria. Uniu atores e bonecos dando um ritmo alegre e
98 fantástico à farsa, esboçando um retrato carnavalizado de um po-
voado largado no interior do Nordeste brasileiro com um insinuan-
te jogo de luzes.
Raimundo Moça chega à sua cidade natal depois de um longo
tempo trabalhando nos seringais do Amazonas, lugar onde enricou
e comprou fazendas. Voltou para a mulher e, logicamente, com o
objetivo de constituir uma rede de novos negócios no povoado. No
entanto, Maria, sem notícias de Raimundo, entregou-se a outro
homens, enchendo-se de filhos. Raimundo, logo ao chegar, descobre
a traição da mulher. Apesar de rico, ele vira motivo de chacota da
população ribeirinha, só lhe restando, no contexto patriarcal brasi-
leiro, uma saída: matar Maria e lavar a sua honra. Para isso, conta
com o beneplácito dos poderosos do povoado. Existe aí um recorte
dos mais interessantes entre o comportamento das duas estâncias:
o povo e a minoria dominante. Para a comunidade mais pobre,
Raimundo com todo o seu dinheiro, tem a sua honra de homem
enxovalhada. Para os poderosos, o interesse recai não na honra, nem
na moral tão cara aos ribeirinhos; nem tampouco no assassinato de
Maria por Raimundo. Mas sim no poder econômico simbolizado
pelo protagonista. Um deles chega a entregar sua mulher para o
influente Raimundo Moça servir-se dela sexualmente em troca de
favores econômicos.
Como num grande banquete antropofágico unindo sexo, dinheiro
e religião, o protagonista é ungido, no final do espetáculo, pelas clas-
ses dominantes com vestes litúrgicas, símbolo do seu poder terreno.
Fica assim, patente a relação entre o profano e o sagrado.
Somente uma pessoa, uma outra mulher, tenta socorrer Maria
de seu infortúnio : Rosa (Ana Cristina Viana). Amante do gover-
nador (Lucio Leonn), Rosa tenta através do sexo salvar Maria do
E R R A

seu destino trágico. O que não consegue diante da manipulação do


poder econômico exercido por Raimundo Moça. Ele compra juízes,
S

governadores e políticos.
A R O L D O

A questão do sexo é colocada pelo autor em dois pólos: Maria


será assassinada pelo marido por tê-lo traído – problematizando a
questão da posse sexual – e Rosa exerce um tênue poder sobre o
H
governador também por questões sexuais. O capitalismo, afinal,

E A R E N S E
exige o controle dos corpos e desejos.
A montagem da Comédia é alegre. O ritmo da farsa está pre-

C
sente na composição dos personagens, figurinos, cenários, guar-

O M É D I A
dando uma sutil ponte entre a comédia e o drama. A bela música
medieval pontua toda ação. Numa balsa, no meio do rio, com um
punhal de prata (uma bela figura de Garcia Lorca ou Jorge Luís

C D A
Borges), Raimundo mata Maria. Mata por amor e ódio, orgulho e
paixão. Por ser rico é absolvido. Maria paga por seu ato falho (a

N O S
paixão) com a morte. O dinheiro protege Raimundo, juizes e políti-

A
cos corruptos. Eles estão livres. É a lógica, a razão, do nosso mundo

4 5
barroco. Como quer Calderon de la Barca – “A vida é sonho” ou “ A

R E T R O S P E C T I VA
vida é uma comédia”. Ou ainda como escreveu Francisco de
Quevedo: “a vida é desengano”.
José Anderson Sandes - 21/06/02 – Diário do Nordeste

TEMPOS NEM SEMPRE MODERNOS

Os tempos passam e o Brasil continua o mesmo. Corrupção,


pobreza, desmandos administrativos, impunidade, violência e ou-
tras mazelas sempre atormentaram principalmente a maioria da
população. Se por um lado, a ação dos governantes é impotente
para deter catástrofes sociais, os meios de comunicação (a televisão
por excelência) de alguma forma maquiam e até camuflam causas
dos problemas. O teatro segue a sua trilha. Fiel, quando a lingua-
gem cênica é requisitada para retratar transformações e deforma-
ções em grupos sociais, o santuário do palco continua altaneiro. A
peça A Caça e o Caçador, encenada nas comemorações dos 45 anos
da Comédia Cearense, ratifica a intemporalidade que faz do teatro o
espelho da vida.
O texto do piauiense Francisco Pereira da Silva, mesmo tendo
sido escrito há quarenta anos, apresenta situações e personagens 99
verossímeis aos viventes da conjuntura neoliberal em terras tropi-
cais deste o início de século. A prepotência do ex-exportador de bor-
100 racha, Raimundo Moça, voltando, rico, ao interior nordestino onde
nasceu e viveu parte da vida, provoca um escorchante contraponto.
A força econômica corrompe e devasta poderes constitucionais. A
cara podre do Brasil de hoje. Motivado por um machismo crônico,
Moça humilha e mata sua mulher, Maria, diante de vozes que, en-
quanto se calam, o perdoam, e o exaltam, entorpecidas por um pu-
nhado de dinheiro.
O elenco da Comédia Cearense cumpre direitinho o dever de
casa ensinado pelo mestre Haroldo Serra. Texto bem ensaiado,
posicionamentos adequados no palco, cortes de falas concatenados,
acrescidos do cuidadoso figurino criado por Hiramisa Serra. En-
quanto que na condução dos personagens, o casal de atores prota-
gonistas, Hiroldo Serra e Itauana Ciribelli, parece chegar ao limite
interpretativo. Hiroldo cumpre a missão, numa performance con-
vincente, conduzindo Raimundo Moça. Enquanto que Ciribelli
cuida bem de Maria, todavia, poderia adicionar mais carga emocio-
nal harmonizada com o destino da infeliz mulher. Ana Cristina
Viana tem uma interpretação condizente com a prostituta Rosa. Já
Lúcio Leonn é exuberante, rouba a cena na pele do caricato gover-
nador mulherengo e corrupto.
A direção, iluminação e ambientação do espetáculo ratificam o
talento deste premiado ( duas vezes melhor diretor no Festival
Nacional de Teatro em São José do Rio Preto) e incansável guerrei-
ro do teatro cearense: Haroldo Serra. A sincronia que ele cria numa
encenação sobre o palco/arena (no caso da Caça) é para consagrá-lo,
em definitivo, nestes seus 50 anos de ribalta. As cenas da balsa,
artifícios complicados inventados pelo autor, devem levar diretores
teatrais à loucura (no cinema, por exemplo, seria uma delícia).
Haroldo resolve o problema usando iluminação verticalizada, com-
E R R A

pondo com movimentos corporais cadenciados do atores,


sugestionando uma viagem, valorizando os diálogos ocorridos den-
S

tro dela.
A R O L D O

A inclusão do teatro de fantoches e de bonecos enriquece o con-


texto em que acontece a trama, provocando uma empatia com o
clima regional. Solução cenográfica que faz elo para a cena final,
H
esta carregada de misticismo e religiosidade popular no canto do

E A R E N S E
bendito “O Senhor é nosso Rei”. Crença nascida da fé do povo. Só
que na Caça e o Caçador, apenas os ricos e corruptos ganham o

C
paraíso. Os tempos não mudaram.

O M É D I A
Eliézer Rodrigues é jornalista e editor da Revista Singular

C
OITO MULHERES

D A
N O S
de Robert Thomas, tradução de Luiz de Lima

A
4 5
Outra grande produção da Com édia Cearense com cenário e
figurinos de Flavio Phebo. Montada com a participação de várias

R E T R O S P E C T I VA
senhoras de nossa sociedade com renda em benefício de obras soci-
ais. Também foi encenada no Teatro São João , em Sobral, com o
apoio do Serviço de Promoção Social do Estado do Ceará.

Estréia: 15/12/77 – Theatro José de Alencar

Com: Helena Macêdo, Edneuma Melo, Hiramisa Serra, Ma-


ria José Bráz, Carla Facundes, Ana Maria Macêdo, Dayse
Greiser, Walderez Vitoriano e Isabel Bráz.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Haroldo Jr - Som: Hiroldo
Serra – Móveis: Holanda Arte – Penteados: Nellie Cabelei-
reiro - Cenário e Figurinos: Flávio Phebo – Produção, Ilumi-
nação e Direção: Haroldo Serra.

RASHOMON
de Eduard Fay e Michel Kamin, tradução de Mário da Silva.

Montado especialmente para a inauguração do Teatro do Cen-


101
tro de Convenções e integrando as comemorações do Cinqüentenário
do jornal “O Povo”. Ganhou o prêmio SNT de “Melhor Espetáculo
do Ano” de 1978, no Ceará.
102 Estréia: 24/02/78 – Inauguração do Teatro do Centro de
Convenções.

Com: Fernanda Quinderé, Haroldo Serra, Nadir Papi Sabóya,


Hiramisa Serra,Tereza Paiva, Ricardo Guilherme, B. de Paiva
e Arlindo Araújo.
Cenotécnico: Helder Ramos – Iluminação: José Luiz – Luz:
Maneco Quinderé e Haroldo Jr. – Som: Hiroldo Serra - Con-
tra-Regra: Deugiolino Lucas – Cenário: Sérgio Lima e B. de
Paiva – Figurinos: Pernambuco de Oliveira – Produção:
Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

O CAPETA DE CARUARÚ
de Aldomar Conrado

Resultado do Curso de Informação e Prática Teatral, ministra-


do por Haroldo Serra no Teatro Móvel. Foi encenada no III Ciclo de
Estudos de Literatura de Cordel, promovido pela Coordenação de
Extensão do Centro de Humanidades da UFC. Vários participan-
tes do curso foram aproveitados no elenco da Comédia Cearense.
Patrocínio do Serviço Brasileiro de Teatro – Mec.

Estréia: 1981 - Teatro Móvel

Com: Tânia Dourado, Eglacine Monteiro, Mariza, Cáudia


Leocádio, Lucídia Fonteles, Francisca Barbosa, Valter Mar-
ques, Jorge Paulo, Adriano Lúcio, Sergio de Franco, Joaquim
Paulo, Auxiliadora Lima, Jaqueline Caprone e Haroldo
E R R A

Halanda. Participação especial: Hiramisa Serra, J. Arraes,


Zulene Martins e Francisco Arruda.
S

Música: César Barreto e Haroldo Holanda – Luz e Som:


A R O L D O

Hiroldo Serra – Gravações: Mauro Coutinho – Adereços:


Antonio Marechal e J. Arraes – Iluminação, Ambientação e
Direção: Haroldo Serra.
H
O ANDARILHO

E A R E N S E
de Eduardo Campos

C
Leitura dramática realizada, no Theatro José de Alencar, em

O M É D I A
comemoração aos 40 anos de atividades teatrais do autor, em 1979.

C
Com: B. de Paiva, Haroldo Serra e Paulo Alencar.

D A
N O S
CALU

A
4 5
de Carlos Câmara

R E T R O S P E C T I VA
Nova incursão ao teatro de Carlos Câmara. Com o apoio do
SNT e Sec. de Cultura do Estado, a Comédia Cearense promoveu
temporada no Rio e S. Paulo em comemoração ao centenário de
nascimento de Carlos Câmara. No Rio, uma turma de alunos do
“Tablado” escolheu Carlos Câmara para tema de trabalho de fim
do ano e em São Paulo, foi tema de discussão na Escola de Arte
Dramática.
Numa promoção da Prefeitura Municipal de Fortaleza, a peça
integrou com grande sucesso, o projeto “Caminhão da Cultura”,
em dezenas de bairros da cidade.O teatrólogo Márcio de Sousa,
veio a Fortaleza prestigiar o projeto. Encenada também na soleni-
dade de mudança do nome do Teatro da Emcetur para Teatro Carlos
Câmara. Publicada na revista “Comédia Cearense n. 8” (esgota-
do).

Estréia: 30/11/80 – Teatro Móvel

Com: Arnaldo Matos, Antonieta Noronha, Nairo Gómez, Francisco


Arruda, Deugiolino Lucas, Lourdinha Falcão, Zulene Martins, B.
103
de Paiva, Walden Luiz, Cláudia, Sônia, Regina Queiroz, J. Arraes,
Haroldo Serra e Trepinha.
Luz: Haroldo Jr. – Som: Hiroldo Serra – Figurinos: Sandoval –
104 Adereços: Hiramisa Serra – Música: Silva Novo, Luiz Assunção e
Francisco Arruda – Instrumentistas: Zémaria e José Arteiro –
Slides: Nirez – Ambientação: Descartes – Direção: Haroldo Serra.

COMENTÁRIOS

“Já muito conhecido entre nós, o grupo da Comédia Cearense


está se apresentando no Teatro Experimental Eugênio Kusnet com
mais um espetáculo de seu repertório. Falamos de “Calu”, uma
burleta escrita em 1920 e de autoria de Carlos Câmara. O espetácu-
lo foi montado em comemoração ao centenário de nascimento do
autor. Fez muito sucesso em Fortaleza e no Rio de Janeiro recebeu
consagração total, por sinal a cidade que mais burletas apresentou
no passado, graças a Arthur Azevedo, o criador do gênero que veio
do Maranhão e foi morar no Rio no início do século.
O texto é de inegável qualidade. Em todas as cenas o hilarísmo
que faz parte desse gênero de espetáculo, aqui aparece mais bem
encaixado do que nunca. Quer como contexto global, como suges-
tão ao público e como rendimento final, graças a mão firme de
Haroldo Serra, também um excelente ator.
Hilton Viana – Diário Popular – 27/09/81

“Com a encenação de “Calu”, de Carlos Câmara, a Comédia


Cearense completa a tríade auspiciosa deste ano, celebrada junta-
mente com as encenações de “A Caça e o Caçador”, de Francisco
Pereira da Silva, e da comédia musical infantil “Zartan, o Rei das
Selvas”, de Ilclemar Nunes. Brilhantismo que transparece com mais
vivas pinceladas, justamente em “Calu”, por intermédio de um elen-
co, coeso e alegre, comandado por Antonieta Noronha e Arnaldo
E R R A

Matos, os atores principais.


A Fortaleza dos anos vinte é reavivada nas suas cores de pro-
S

víncia, dos bondinhos, da paisagem humanística da Praça do


A R O L D O

Ferreira, por intermédio do ativista do circuito artístico da época, o


autor dessa comédia de costumes, que atualmente está em cartaz no
H
Teatro Móvel. O cunho passadista se equipara na encenação pela

E A R E N S E
satisfação do diretor Haroldo Serra, colocando em cena toda uma
carga de informações visuais, configurações e ilustrações equiva-

C
lentes à época, acresce o potencial informático próprio do período.

O M É D I A
O texto inegavelmente é o melhor trabalho de Carlos Câmara.
Eliezer Rodrigues – O Povo – 06/12/79

C D A
“Com a encenação da burleta de Carlos Câmara, Calu, no Tea-
tro Móvel, a Comédia Cearense dá mais uma vez uma valiosa con-

N O S
tribuição ao movimento teatral da cidade.

A
De há muito identificado com as vertentes de um teatro

4 5
compromissado com a nossa realidade, o diretor Haroldo Serra atesta

R E T R O S P E C T I VA
a sua capacidade de aviventar com soluções do código circense o
aludido espetáculo, que se nos apresenta com rendimento proveito-
so para a proposta cênica.
Ele recria a atmosfera brejeira do Ceará da década de vinte,
trazendo até a nova geração a presença de Carlos Câmara, como
cronista teatral de nossa terra e nossa gente.
Constatamos, no entanto, que nas entrelinhas de Calu aflora,
aqui e ali, o conflito entre a cidade (Fortaleza) e o sertão (Quixará –
hoje Farias Brito) que o autor, através do jocoso, soube tão bem re-
fletir.
É um espetáculo que, sem sombra de dúvida, pode ser conside-
rado o melhor do ano.
Euzélio Oliveira – O Povo

MINHA NORA INGLESA


de Walderez Vitoriano

Estréia: 04/09/81 – Palácio da Abolição


105
Experiência teatral da escritora Walderez Vitoriano. O espetá-
culo foi montado com renda revertida em benefício da escolinha da
106 ACF. Sua estréia ocorreu nos Jardins do Palácio da Abolição. Tendo
em vista a excelente receptividade do público, a peça foi montada
posteriormente com sucesso no Teatro José de Alencar e Teatro Carlos
Câmara.

Com: Arnaldo Matos, Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Maria


José Bráz, Hiroldo Serra, Ana Paula, Ana Maria Macêdo, Vera
Tigre, Walderez Vitoriano e Edna de Oliveira.
Luz: Neto – Som: Mauro Coutinho – Figurinos: Victor
Moreira – Cenário, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

OS FUZIS DA SENHORA CARRAR


de Bertolt Brecht – tradução: Antônio Bulhões

Encenada no Teatro José de Alencar nas comemorações dos trin-


ta anos da morte de Brecht. Apoio do Centro de Cultura Germânica,
Inacen, Minc e Sec de Cultura. Foi também apresentada no Teatro
Universitário Paschoal Carlos Magno em mostra promovida pela
Federação de Teatro Amador – Festa.
“Os Fuzis da Senhora Carrar”, marcou a experiência
cenográfica do excelente artista plástico Roberto Galvão.
Em 1988 nova montagem para a inauguração do Teatro Are-
na Aldeota, espaço construído pelo Colégio Christus em convênio
com a Comédia Cearense. Para prestigiar a inauguração do Arena
esteve presente Antônio Carlos Gerber, representando Carlos
Miranda, diretor da Fundação Nacional de Artes Cênicas. O novo
espaço foi entregue à comunidade em brilhante fala do Dr. Roberto
de Carvalho Rocha, patriarca da instituição Christus.
E R R A

Estréia: 09/10/86 – Theatro José de Alencar


SA R O L D O

Com: Hiramisa Serra, Nadir Papi Saboya, Haroldo Serra,


Raimundo Arrais, Daíse de Castro, Valter Marques, Hiroldo
H
Serra, Clovis Matias, Luiz Simões, Ivan Lima, Nilda Magno,

E A R E N S E
Seny Furtado, Raimunda Coelho e Pádua Alencar. Voz:
Nonato Albuquerque – Cenotécnico: Evandro dos Santos e

C
Antônio Guedes – Luz: Sérvulo Brasil – Som: Hiroldo Serra

O M É D I A
– Gravação: Luiz Carlos – Adereços: Antônio Marechal e
Nirez – Cenário: Roberto Galvão - Produção e Direção:
Haroldo Serra.

C D A
Segunda Versão

A N O S
Estréia: 18/06/88 – Inauguração do Teatro Arena Aldeota

4 5
R E T R O S P E C T I VA
Com: Hiamisa Serra, Glyce Sales, Haroldo Serra, Arnaldo
Matos, Tânia Dourado, Hiroldo Serra, Ary Sherlock, Rogé-
rio Medeiros, Massilon, Sérgio Alexandre, Marinina Gruska,
Eugênia Siebra, Seny Furtado, Pádua e José Domingos.
Cenotécnico: Bira e Catita – Luz e Som: Hiroldo Serra – Assist.
de Direção: Rogério Medeiros – Adereços: Walden Luiz e
Nirez –Figurinos: Hiramisa Serra – Cenário: Roberto Galvão
– Produção Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

“É comum: quem aniversaria, recebe presentes. Aqui no Ceará


a regra não foi cumprida. A Comédia Cearense, para comemorar a
sua fundação, nos deu um belo presente: “Os Fuzis da Senhora
Carrar”, de Bertolt Brecht.
Quem teve o prazer especial de assistir a sua exibição compro-
vou a qualidade dos artistas, o alto senso profissional de seus qua-
dros, a competência da figura maior do teatro cearense: Haroldo
Serra. Um casal vocacionado, Hiramisa e Haroldo, com grandes
vitórias na sua vida profissional, e com um belo futuro, ainda, a
palmilhar, em benefício do teatro no Ceará.
A peça em si – “Os Fuzis da Senhora Carrar”, encontrou in- 107
térpretes à altura do acontecimento, a partir da Velha Senhora, Nadir
Papi de Sabóia, prima-dona do teatro cearense. Hiramisa, como in-
108 térprete do personagem título, saiu-se com um desempenho de pri-
meira qualidade, repetindo êxitos anteriores. Os demais participan-
tes não destoaram a performance de Haroldo, Hiramisa e Nadir –
pequena passagem, mas presença forte no palco.
Sou muito exigente em termos de teatro e posso afirmar: valeu
a pena sair de casa e aplaudir os nossos artistas. E formular um
voto especial à Comédia Cearense: não seja melhor do que é. Seria
exagero.
Adísia Sá – O Povo – 15/10/86

“A inauguração do Teatro Arena Aldeota, no último fim de


semana, significou, antes de tudo, a criação de um espaço digno
para a montagem de espetáculos que podem prescindir do palco con-
vencional. De propriedade do Colégio Christus, que o construiu, a
gente sente, desde a bilheteria, que ali teve a orientação técnica de
quem entende do metier. Haroldo Serra, cuja Comédia Cearense é a
usuária do referido espaço, nos fins de semana, foi o autor da obra
que vem preencher uma grande lacuna em nossa cidade, melhor
dizendo, veio dar dignidade às apresentações teatrais em Fortaleza.
Simples e sem rebuscados tão comuns às casas do gênero, o
Arena Aldeota, é o melhor teatro na espécie que conheci. Espaçoso e
funcional, tem refrigeração perfeita, cadeiras confortáveis, sistema
de iluminação e som dentro da mais moderna técnica e, o que é
mais importante a uma casa de espetáculos, acústica irrepreensível.
Com vários espaços livres entre os lances de cadeiras , as mon-
tagens podem ser feitas, permitindo aos atores, maior liberdade de
marcações, além de grandes efeitos de plasticidade em montagens
sofisticadas que venham a exigir o uso indiscriminado da platéia,
juntando-a ao espaço cênico convencional e formando um todo numa
integração palco-platéia ou atores-público.
E R R A

A peça de estréia – “Os Fuzis da Senhora Carrar”, de Brecht –


S

foi sem dúvida, escolha das mais felizes, pois embora seja uma obra
A R O L D O

de forte envergadura em sua temática de cunho político, é de fácil


montagem e Haroldo, que faz a direção, foi felicíssimo na seleção de
atores que compôs o seu elenco.
H
Hiramisa Serra, está segura e tranqüila, dominando a cena,

E A R E N S E
com sua tarimba de palco e experiência de centenas de interpreta-
ções de Rosa do Lagamar, papel que lhe outorgou vários prêmios e

C
garantia para interpretar fortes papéis dramáticos. Nesta monta-

O M É D I A
gem, Hiramisa confirma sua maturidade de notável intérprete, seja
numa personagem de Eduardo Campos como numa figura clássica
de Brecht.

C D A
Haroldo, que reservou para si, o papel do operário, está tão à
vontade no seu personagem que fica difícil separar os dois. Tânia

N O S
Dourado, um dos valores da atual geração de artistas dos nossos

A
palcos, precisaria de uma Senhora Carrar, para demonstrar todo o

4 5
seu talento. Glyce Sales, como sempre, irrepreensível, faz a conten-

R E T R O S P E C T I VA
to a senhora Perez. Glyce é dessas intérpretes que a gente tem pra-
zer em rever. Não sei se foi esta a primeira vez que Ary Sherlock foi
dirigido por Haroldo Serra, porém o que o público vê é um Ary
diferente, mais solto e bem mais à vontade dentro do seu persona-
gem, o Padre. Hiroldo Serra é plenamente razoável, da mesma ma-
neira que os demais atores que fazem os pescadores e as mulheres,
compondo um conjunto harmonioso.
Mas, é Arnaldo Matos, quem impressiona por uma interpre-
tação perfeita de José. Trabalho difícil, pois fica permanentemente
em cena. É perfeito até quando faz contraponto, sentado sem falar,
enquanto outros atores dialogam em plano principal. Acredito ser
este o melhor momento na carreira de Arnaldo, que reafirma ser o
melhor ator cearense da atualidade.
Quanto à obra de Brecht, é eterna. Escrita na década de trinta,
quando um tirano assumiu a Espanha, é tão presente e tão moder-
na que a gente conclui serem os tiranos, males de todos os tempos e
de todos os lugares.
Inteligente o cenário de Roberto Galvão.
Marciano Lopes - Diário do Nordeste – 27/06/88
109
“A Comédia Cearense, o mais antigo grupo cênico em ativida-
de no teatro cearense, reassume a sua postura histórica e dá sinais
110 de que produzir teatro, no Ceará, ainda é possível, mesmo atraves-
sando turbulências econômicas nessa crise ingovernável. A Comé-
dia Cearense inaugura com a peça “Os Fuzis da Senhora Carrar”,
de Bertolt Brecht, o Teatro Arena Aldeota, uma belíssima casa de
espetáculos , aparelhada com requintes técnicos de primeira linha.
Um primor de teatro.
Precursora na produção teatral cearense, a Comédia, dirigida
pelo incansável Haroldo Serra, volta a ocupar o seu devido lugar
na animação cultural da cidade. Apoiada na estrutura econômica
do Colégio Christus, proprietário do Teatro Arena, a Comédia ide-
alizou aquela casa de espetáculos dentro dos padrões mais moder-
nos da tecnologia a serviço das artes cênicas. É um exemplo signifi-
cativo, partindo da iniciativa privada, nessa caatinga desértica, onde
a expressão teatral cearense padece de inanição ante a omissão e
incompetência dos órgãos públicos.
Quanto ao espetáculo, o texto revela o lado político do
engajamento circunstancial do autor alemão. Na família de pesca-
dores, comandada pela Sra. Carrar, viúva de um opositor do regime
franquista, durante a guerra civil, na Espanha, o teatro brechtiniano
empunha bandeira em defesa dos oprimidos, sufocados pela violên-
cia praticada na ditadura de Franco, que fulminou tantas vítimas.
O texto, por ser circunstancial e documentário de um período ne-
gro na história de um povo, meio século depois de escrito e encena-
do hoje, num Brasil a caminho da democracia, para nós, ecoa ape-
nas como uma revisão didática da obra de Brecht.
Na carpintaria interpretativa da peça , a trupe, formada na
maioria por atores detentores de currículos respeitados, o teatro
cearense, absorve aquilo consagrado na obra dramatúrgica de Brecht,
conhecido como distanciamento. Isto é, o mecanismo teatral, onde
E R R A

sentimentos e idéias dos indivíduos são secundários diante das ações


que eles podem provocar num contexto histórico/social. Nesse pro-
S

cesso peculiar à obra do autor, nem todos os atores cumprem à risca


A R O L D O

os princípios teóricos da linha arquitetada por ele. Embora imbuí-


dos do referencial brechtiniano, Arnaldo Matos (José) e Ary Sherlock
H
(Padre) esforçam-se para conter emoções e uma possível

E A R E N S E
interiorização dos personagens. Enquanto Hiramisa (Sra. Carrar)
e Haroldo Serra (Operário) formam um duo afinado, compenetra-

C
do na transposição do teatro épico do autor. Os demais integrantes

O M É D I A
do elenco não destoam no contexto geral.
Fica para a direção da peça (Haroldo Serra) a função mais
complicada na proposta do grupo. Por ser uma das obras que foge

C D A
a dialética de Brecht, e que resvala no ilusionismo, característica
teatral susceptível a exercícios de efeitos, “Os Fuzis da Senhora

N O S
Carrar”, permite o uso de recursos no teatro convencional. Ora,

A
como conjugar o raro artifício ilusionista de Brecht numa sala

4 5
construída para a realização do teatro aberto, como é o Arena? As

R E T R O S P E C T I VA
soluções aplicadas por Haroldo, em grande parte, resolvem situa-
ções de adaptação ao teatro de arena. Em outras, como o abrir e
fechar janela, através do uso da mímica, quebram o natural da
ambientação. Em contrapartida a estrutura técnica, cenotécnica,
iluminação, adereços e cenários sustentam com competência a apli-
cação do trabalho.
Eliézer Rodrigues – O Povo – 22/10/88

A MENTE CAPTA
de Mauro Rasi

Grande sucesso da Comédia Cearense. Montada em duas tem-


poradas (89/90). “A Mente Capta” teve excelente receptividade por
parte do público e da crítica. Nos destaques do Grupo Balaio, de
1990 , a peça foi distinguida como “Espetáculo”; “Direção”(Haroldo
Serra);”Atriz Protagonista” (Hiramisa Serra); “Atriz Coadjuvan-
te” (Eugênia Siebra ); “Ator Coadjuvante”(Rogério Medeiros) e
“Revelação” (Poliana Moraes e Guglielmina Saldanha).
111
Estréia: 14/04/89 – Teatro Arena Aldeota
112 Com: Hiramisa Serra, Poliana Moraes, Euler Muniz, Eugênia
Siebra, Ary Sherlock, Guglielmina Saldanha, Marinina
Gruska, Glyce Sales, Kildary Pinho, Augusto Alencar, Rogé-
rio Medeiros, Sérgio Alexandre, José Domingos, Haroldo
Serra e J. Arraes.
Cenotécnicos: Raimundo, Bila e Catita – Figurinos: Hiramisa
Serra – Cartaz: Hemetério – Luz : Hiroldo Serra – Som:
Sandro Melo – Adereços: J. Arraes - Iluminação, Ambientação
e Direção: Haroldo Serra

Segunda Versão

Estréia: 04/01/90 – Teatro Arena Aldeota

Com: Hiramisa Serra, Poliana Moraes, Hiroldo Serra,


Manoela Villar Queiroz, Veimires Lavor, Silvana Salles, Ary
Sherlock, Guglielmina Saldanha, Roberto Reial, Irish Salva-
dor, Rogério Medeiros e Lúcio Leonn.
Cenotécnicos: Catita e Bila – Luz e Som: Haroldo Neto – Fi-
gurinos: Hiramisa Serra – Cartaz: Hemetério - Ambientação
e Direção: Haroldo Serra.

COMENTÁRIOS

“Nos últimos anos da conturbada década de sessenta, a portu-


guesa Ruth Escobar revolucionou o teatro brasileiro, com as sensa-
cionais montagens de Cemitério de Automóveis, de Arrabal e O
Balcão, de Jean Jenet. Foram verdadeiras extravagâncias teatrais,
que chamaram as atenções para a capital paulista, pelo inusitado
E R R A

da coisa: simplesmente, Ruth, fugindo ao convencional de criar


cenários para as suas produções, praticamente destruía teatros, para
S

adapta-los às exigências de suas montagens. Realmente uma revo-


A R O L D O

lução que mexeu com os meios teatrais do país.


Cerca de vinte anos depois desses desvarios de La Escobar, aqui
H
em Fortaleza, o veterano ator-diretor Haroldo Serra, causa nova

E A R E N S E
revolução, por sinal, bem mais interessante: ele constrói atores e
atrizes para os seus espetáculos. Surpreendente. Ele começou, com

C
as peças infantis, deu certo e logo adotou o mesmo sistema para as

O M É D I A
produções dramáticas e para as comédias, como esta que está em
cena no Teatro Arena Aldeota, A Mente Capta, de Mauro Rasi,
paulista, detentor do “Molière” (1988) para autores.

C D A
É muito simples o procedimento de Haroldo Serra. Ele minis-
tra pequenos cursos de teatro a rapazes e moças com talento com-

N O S
provado e que o procuram, com desejos de ingressar no mundo do

A
teatro. O que Haroldo faz, é tão somente, despertar os valores ador-

4 5
mecidos desses jovens. E ensina os rudimentos da maquina teatral,

R E T R O S P E C T I VA
condicionando cada um ao papel que irá interpretar na peça pro-
gramada.
O resultado é surpreendente e pode ser constatado na peça aci-
ma referida, no Arena, A Mente Capta, na qual, de doze intérpretes
em cena, apenas quatro são profissionais, pois os estreantes, em
número de oito, formam um conjunto de peso e medida, perfeita-
mente harmônico e capaz de sustentar qualquer espetáculo, quer
seja uma comédia ou um drama de forte densidade. Do naipe estre-
ante, uma surpresa, é a Poliana Moraes, talvez a maior revelação
do nosso teatro, desde a talentosíssima Fernanda Quinderé. Ela
consegue impressionar e é preciso muita força interpretativa e muito
exercício cênico para contracenar com essa menina que, em silêncio
e sozinha em cena, tem o dom de “contar” uma história, tanto em
uma peça histriônica quanto uma tragédia. Ela é realmente incrí-
vel. Não fica muito distante, a talentosa Eugênia Siebra, também
de grande força dramática, da mesma maneira que Marinina Gruska
(agora substituída pela veterana Glyce Sales) Guglielmina Saldanha,
Sergio Alexandre, Euler Muniz e Kildary Pinho, este último, tam-
bém, uma agradável revelação de comediante. Dos profissionais,
além de Ary Sherlock, Rogério Medeiros e J. Arraes, que faz uma 113
“Carmem Miranda “mais aperfeiçoada nos trejeitos e no revirar
dos olhos do que a Carmem original. Uma gracinha. Quanto a
114 Hiramisa Serra, tarimbadíssima , é a “doutora Rosa Cruz”, a ana-
lista esquizofrênica, e é esta, sem dúvida, a sua criação maior, a
prova incontestável do seu imenso talento. Sua performance, é im-
pressionante. Seu semblante, graças a pequenos truques de maqui-
lagem e ao seu olhar, convence como uma verdadeira louca. É, sem
dúvida, uma das maiores atrizes desse país.
A Mente Capta, é uma deliciosa sátira aos modernos conceitos
da psiquiatria e da psicanálise, com as neuroses e esquizofrenias do
mundo conturbado de hoje e os seus analistas ou “médicos de Alma”,
não raro, mais neuróticos ou loucos do que os pacientes que os pro-
curam.
Sem jamais ter visto a montagem original da obra de Mauro
Rasi, Haroldo Serra fez uma direção livre e inseriu personagens
estranhos ao texto, como o “Ney Matogrosso” de Rogério Medeiros
e a “Carmem Miranda” de J. Arraes. E criou uma espécie de prólo-
go que fica a cargo do talento de Eugênia Siebra.
Obs. – O espetáculo começa antes de começar (?). Tome cuida-
do com Ella!
Marciano Lopes – Diário do Nordeste – 24/06/89

“Um espetáculo pronto para um público ávido.“A Mente Cap-


ta” permanece em cartaz no Teatro Arena Aldeota, dentro de um
louvável projeto da Comédia Cearense de permanência teatral no
circuito local. É raro, diga-se de passagem, ver-se uma peça perma-
necer mais de quatro apresentações consecutivas numa casa de es-
petáculo, isto quando é uma realização dos grupos cearenses.
Haroldo Serra, diretor de “Mente Capta” e da Comédia Cearense,
conseguiu manter durante vários meses esta montagem nos finais
de semana.
E R R A

A peça transcorre dentro de um clima hilário realizado numa


linguagem real e surreal, exigência da comédia. O texto de Mauro
S

Rasi foi bem captado pela visão de Haroldo Serra. O público


A R O L D O

empatiza-se com a cena e seus elementos. Existe um equilíbrio e


uma dosagem que harmoniza a peça como um todo.
H
... O diretor interpretou bem a loucura da cabeça do autor.

E A R E N S E
Mauro Rasi é um iluminado nesta panorâmica moderna do absur-
do”.

C
Ivonilo Praciano – O Povo - 26/08/89

O M É D I A
“A Mente Capta” mostrou que a cultura cearense está no mais
alto nível. A peça é hilariante, mas deixa bastante ensinamentos

C D A
pisquiátricos”
Lêda Craveiro –Professora Universitária

A
4 5 N O S
A CASA DE BERNARDA ALBA

R E T R O S P E C T I VA
de Garcia Lorca – Tradução de Walmir Ayala

Depois de várias tentativas, finalmente a Comédia consegue


reunir um elenco capaz de encenar Lorca. Foram quatro meses de
trabalho. A montagem foi muito bem recebida pelo público e parti-
cularmente pela classe teatral.

Estréia: 11/09/93 - Teatro Arena Aldeota

Com: Hiramisa Serra, Martha Vasconcelos, Poliana Moraes,


Silvana Salles, Mônica Silveira, Guglielmina Saldanha,
Veimires Lavôr, Astrid Miranda Leão, Neidinha Castelo Bran-
co, Maria de Jesus Silveira, Lindy Saldanha e Sonia Sales.
C/Regra: Ana Patrício – Cenotécnicos: Bila e Catita – Cartaz:
Marivaldo – Som e Luz: Hiroldo Serra – Fotos e Direção de
Arte:Haroldo Junior – Figurinos: Flávio Phebo – Execução
de Figurinos: Maisa Castro – Iluminação, Ambientação:
Haroldo Serra

115
116 O GÓLGOTA – A PAIXÃO DE CRISTO
a partir do original de Almeida Garret

Era uma tradição da cidade...Durante quase 50 anos, o pro-


grama do fortalezense durante a Semana Santa, era assistir O
Gólgota no José de Alencar. Afonso Jucá, José Lima Verde, José Júlio
Barbosa, Abel Teixeira e outros amadores comandavam a produção.
A morte de alguns dirigentes enfraqueceu o projeto. Sem os princi-
pais líderes e a falta de apoio financeiro acabaram com essa impor-
tante manifestação do teatro cearense. Várias gerações de amadores
cearenses participaram das encenações.
Em 2001, com o integral apoio da direção do Colégio Christus,
a Comédia Cearense tomou a si a responsabilidade de reviver essa
tradição.
Para “caber” a produção no Arena, metade das poltronas fo-
ram retiradas e foram construídos vários espaços suplementares de
forma a permitir a continuidade das várias cenas. Um elevador
hidráulico foi instalado para a perfeita “ascensão” de Cristo. Marcus
Fernandes, Walden Luiz, Haroldo e Hiramisa Serra, remanescen-
tes das últimas temporadas do José de Alencar, se juntaram a novos
atores nessa empreitada. Excelente a receptividade do público e da
classe teatral. Agora, em 2002, ano 45 da Comédia Cearense, além
do Christus, contamos com o apoio da Funcet e da iniciativa priva-
da através de uma proveitosa parceria com o “Pão de Açúcar”. Tal-
vez, quem sabe, consigamos retomar mais uma tradição que o
Ceará deixou morrer.

Estréia: 23/03/01 - Teatro Arena Aldeota


E R R A

Com: Odair Prado, Veimires Lavôr, Marcus Fernandes,


Hiramisa Serra, Walden Luiz, Hiroldo Serra, Paulo Roque,
S
A R O L D O

Haroldo Serra, Paulo César, Irish Salvador, Paulo Freitas, Si-


mone Sucupira, Silvana Salles, Itauana Ciribelli, Carlos
Jamacaru, Marcos Aurélio, Wagner Pereira, Jadeilson Feitosa,
H
Lúcio Leonn, Aldo Pio, Marcos Araújo, Raimundo Nonato,

E A R E N S E
Carlos Magno, Wagner Ramos, Raul César, Jade Ciribelli,
Ismael Mattos e as meninas Lia e Carolina Serra.

C
Apoio Cênico: Francisco Falcão, Walden Luiz e Jadeilson

O M É D I A
Feitosa – Perucas: Thony – Cenotécnico: Bila – Som e Luz:
Haroldo Neto – C/Regra: Ana Patrício – Caracterização, Fo-
tos e Direção de Arte: Haroldo Junior – Figurinos: Hiramisa

C D A
Serra – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

N O S
VERSÃO 2002

A
4 5
Com: Odair Prado, Veimires Lavor, Marcus Fernandes,

R E T R O S P E C T I VA
Hiramisa Serra, Hiroldo Serra, Walden Luiz, Haroldo Serra,
Lana Soraya, Eliacy Saboya, Rachel Haddad, Paulo Roque,
Paulo César Cândido, Francisco Falcão, Paulo Freitas, Wagner
Pereira, Edson Paz, José Tarcísio, Lúcio Leonn, Marcus Araú-
jo, Nonato Soares, Victor Augusto, Santana Júnior, João Ca-
valcante, Jaccidey Cavalcante, Aldo Pio, Lia e Carolina Serra.
Penteados: Paulinho Cabeleileiros - Luz e Som: Gustavo
Portela – Conta-Regra: Ana Patrício – Cenotécnico: Bila –
Apoio Técnico: Francisco Falcão e Walden Luiz – Adereços,
Fotos e Direção de Arte: Haroldo Júnior – Texto Original:
Almeida Garret – Iluminação, Ambientação e Direção:
Haroldo Serra.

COMENTÁRIOS

Cena Roubada

“Na muito boa montagem do Gólgota, pela Comédia Cearense


no Teatro Arena Aldeota, com presença de bom público, quem rou-
ba a cena é o ator Hiroldo Serra, filho do grande Haroldo Serra, no 117
papel de Judas Iscariotes. Uma atuação simplesmente irrepreensível,
apesar da abominável figura do traidor”.
Alan Neto – O Povo – 08/04/01
118 Um dos melhores espetáculos do ano

“ Vi e gostei. Aliás não me surpreendi com a platéia lotada.


Sempre tive certeza de que um espetáculo no gênero, principalmen-
te no ciclo quaresmal, tem público garantido. E foi o que ocorreu
com “O Gólgota – A Paixão de Cristo”. Em artigo publicado ante-
riormente eu já havia alertado aos produtores teatrais para não dei-
xarem cair na poeira do tempo, um tema tão identificado com as
pessoas (nunca é demais tratar do Cristianismo) e que tem tradição
em Fortaleza dantanho.
Lembre-se que o “Mártir do Calvário” fazia parte das monta-
gens do Conjunto Teatral Cearense, do mestre J. Cabral que percor-
ria o interior do Estado, usando espaços dos Salões Paroquiais ( e
nisto ele ousou muito). Em Fortaleza era exibido no então Teatro
Pio XII, dos franciscanos da Igreja do Coração de Jesus. Outro mes-
tre das artes cênicas, Waldemar Garcia (com quem convivi no Cur-
so de Arte Dramática), encenava “Cristo no Calvário”, no palco do
Colégio Cearense. Antes, nos anos 30, a “Vida de Cristo” já era
vista no saudoso Centro Artístico Cearense, que tombou recente-
mente na onda das obras do Metrofor.
Mas quem marcou época mesmo foi “O Gólgota”no Theatro
José de Alencar. Como era gratificante ver o trabalho de atores como
Walden Luiz (Jesus), Haroldo Serra (Anás), Hiramisa Serra (Cláu-
dia), Marcus Fernandes (Pilatos), Jane Azeredo (Madalena) Mizael
Fernandes (Judas), Edilson e Gracinha Soares, Erotilde Honório,
Lourdinha , Muriçoca, Clovis Matias e , no passado, Gasparina
Germano (Madalena), José Lima Verde (Pilatos), Abel Teixeira.
J.Oliveira e Oliveira Filho. Uma olhada no livro “”História do Te-
atro Cearense”, de Marcelo Costa, comprova a importância do refe-
E R R A

rido espetáculo.
O que interessa aqui, de fato, é ressaltar a feliz iniciativa da
S

Comédia Cearense, comandada pelo empreendedor cultural Haroldo


A R O L D O

Serra (uma das pilastras do teatro do Ceará) em resgatar uma peça


que dormita em nosso inconsciente ancestral. Montar “O Gólgota
H
– A Paixão de Cristo”, no Teatro Arena Aldeota, anexo ao Colégio

E A R E N S E
Christus, tem um significado muito amplo para o fortalezense e
para a classe teatral. E mais que isto, oportuniza a conhecer um

C
ícone da dramaturgia universal, agora com uma roupagem, utili-

O M É D I A
zando técnicas da encenação moderna. Assim, para comportar a
produção no Arena, metade das poltronas foram retiradas, dando
lugar a vários palcos complementares, de forma a permitir conti-

C D A
nuidade das muitas cenas. Um elevador hidráulico foi instalado
para dar realismo à “ascensão” de Cristo ao céu.

N O S
O elenco foi integrado por Odair Prado, Veimires Lavôr, Marcus

A
Fernandes, Hiramisa Serra, Walden Luiz, Hiroldo Serra, Paulo

4 5
Roque, Haroldo Serra, Paulo César Cândido, Irish Salvador, Paulo

R E T R O S P E C T I VA
Freitas, Simone Sucupira, Silvana Salles, Itauana Ciribelli, Carlos
Jamacaru, Marcos Aurélio, Wagner Pereira, Jadeilson Feitosa, Lú-
cio Leonn, Marcos Araújo, Raimundo Nonato, João Luiz, Carlos
Magno, Wagner Ramos, Raul César, Jade Ciribelli, Ismael Matos,
e as meninas Lia e Carolina Serra. No apoio cênico: Francisco Fal-
cão, Walden Luiz e Jadeilson Feitosa. Perucas: Thony. Cenotécnico:
Bila. Som e Luz: Haroldo Neto. C/Regra: Ana Patrício, Caracteri-
zação, fotos e direção de arte: Haroldo Júnior. Figurinos: Hiramisa
Serra. Iluminação, ambientação e Direção: Haroldo Serra. Este com-
pletando 50 anos de teatro em 2002.
Quem perdeu a apresentação não fique triste, pois terá oportu-
nidade na próxima Semana Santa. Afinal “O Gólgota – A Paixão
de Cristo”, inspirado no original de Almeida Garret, retornou para
ficar. Que bom!
Paulo Tadeu – O Estado – 21/12/01

O DOMINGO DA TRADIÇÃO

Qual o terceiro dia de seu herói crucificado, O Gólgota, resurge,


pondo de pé, junto consigo, toda tradição que dele emerge. Encena- 119
do pela Comédia Cearense permanece em cartaz durante os finais
de semana de março, no Teatro Arena Aldeota.
120 “O Gólgota – A Paixão de Cristo”, tudo inspira tradição. A
partir de seu texto, do português, Almeida Garret, duma
dramaturgia sacra absolutamente comedida e alinhada a interesses
católicos (há traços anti-semitas e uma análise inteiramente oficial
da paixão) a seu próprio histórico de montagens em Fortaleza desde
princípios de outro século, e, sobretudo, por como é montada para
agora, pela Comédia Cearense, não posso guardar outra senão a
impressão de estar diante de um ritual antigo que insiste em pre-
servar – qual a mesma igreja.
Verdade agora houve algumas tentativas de modernização,
como o uso da projeção em sombra, praticáveis hidráulicos que le-
vam Jesus aos céus e o local da encenação em si, um teatro de arena
(ampliado, com a retirada de inúmeras poltronas), para tragédia
tão horizontal. Contudo, até que ponto isso é novo não sei precisar,
e parte desses recursos, como as tais projeções, não me pareceram
convincentes na sua naturalidade cênica, inserção tecnológica numa
montagem clássica, mais lembraria. O numeroso elenco também
não investe em novas perspectivas de interpretação; projeta-se como
se estivesse num anfiteatro, num teatro de ópera, feito o velho José
de Alencar, onde antigamente O Gólgota se apresentava: persona-
gens como o Cristo, de Odair Prado, são pura grandiloqüência .
Nada, entretanto, que traduza uma incoerência. Há a ciente
noção por parte de Haroldo Serra, o diretor, de que O Gólgota teria
de ser assim, tradicional, em face da tradição em que esse espetáculo
se insere. Para tanto é sugerida uma grande produção, bem cuida-
da, de dezenas de figurinos, adereços, cenários suntuosos (apesar
de simples). O cuidado, aliás, beira o excessivo, nas vestes tão dis-
tintas e emperdigadas para o Cristo e seus seguidores, todos, na
realidade, uns pobretões mercê de zombaria. Seria mesmo difícil
E R R A

esperar outra coisa, já que nas estações de pintores clássicos Jesus e


seus discípulos também se mostram trajados dignamente.
S

Nessa montagem é assim, afinal: a visão da paixão de Cristo é


A R O L D O

emblemática, evoca o mito que nos é repassado há séculos e que


mais recentemente vem confirmado pelo teatro e pelas épicas pro-
H
duções holliwoodianas, a despeito do texto de Garret já suscitar

E A R E N S E
questões mais sutis , como as conjecturas e embates pessoais em
torno do julgamento de Jesus, e a própria marcante presença de

C
Judas como ente permeador da trama. Tais sutilezas, todo o teor

O M É D I A
implícito e menos ritualizado do espetáculo, são relegados em nome
de uma concepção cênica de projeção, feito já apostasse que o públi-
co, doutrinado pela tradição, houvesse de distinguir o drama deli-

C D A
cado por baixo de suas cenas imponentes. Para ajudar nisso, O
Gólgota cumpre seu mister de imprimir um ritmo bem resolvido

N O S
nas cenas e entre elas, de apresentar personagens seguros na sua

A
interpretação, e, salvo algum relapso em instantes tensos tratados

4 5
com descuido como a cena em que Pedro corta a orelha do Soldado e

R E T R O S P E C T I VA
Jesus nem-te-ligo; no mais o espetáculo é competente ao que se pro-
põe apresentar.
Apenas acredito que atuações como as de Hiroldo Serra, na
carne-alma de um Judas atormentado, Lucio Leonn, como um Dou-
tor implacável, e mesmo Paulo Roque, na espontaneidade telúrica
de seu general Romano, deveriam, por suas ampliações
interpretativas, escapando da retidão de um padrão, servir como
modelo para toda a montagem, afim de esta lograr uma perspectiva
trágica (porque humana) mais rica. Mas sei que isso é difícil, que
muito raramente as Paixões de Cristo pelo mundo afora, aqui perto
mesmo, em Nova Jerusalém, fogem ao prazer de evocar o mito que
há tantos (e há tempos) emociona pela própria tez mitológica. Ques-
tão de gosto.
Thiago Arrais – O Povo – 14/03/02

NOS TRILHOS DA PAIXÃO


de Caio Quinderé

Primeiro lugar no Prêmio de Dramaturgia Eduardo Campos, 121


promovido pela Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Forta-
leza. “Os Trilhos da Paixão” foi selecionado pelo projeto EnCena
122 Brasil, do Ministério da Cultura. Foi também apresentado no
Theatro 4 de Setembro, em Teresina.
A mídia deu bastante destaque a troca de experiência entre o
elenco dos “Trilhos” e o elenco da peça “Caixa Dois”, de Juca de
Oliveira, que realizava temporada no José de Alencar.

Estréia: 18/05/01 – Teatro Arena Aldeota

Com: Lúcio Leonn, Hiroldo Serra, Itauana Ciribelli, Odair


Prado e Hiramisa Serra.
C/Regra: Ana Patrício – Luz: Leir Ponte – Som: Marcos Araú-
jo – Figurinos: Hiramisa Serra - Caracterizações e Direção de
Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção:
Haroldo Serra.

NOS TRILHOS DE UMA PAIXÃO IMPOSSÍVEL

“Você esperaria trinta anos por um grande amor? Esta per-


gunta inicia a chamada de televisão que divulga o espetáculo “Nos
Trilhos da Paixão”, em cartaz no Teatro Arena Aldeota.
A pergunta, e o espetáculo em si, fazem o público refletir sobre
o tempo e o que fazer com ele. Um tempo que escorre por entre os
dedos e termina quando menos se espera. Tempo invisível, gozador,
que escraviza pessoas, principalmente quando se diz que tempo é
dinheiro. Isso nos faz lembrar, que as esperas, hoje, estão cada vez
mais impacientes. Temos pressa, como se fossemos perder o trem da
vida.
Você esperaria trinta anos por um grande amor? E quando
essa espera significa parar tudo, não fazer mais nada além de espe-
E R R A

rar? Uma briga contra o tempo, para não desistir de um sonho?


José Maria dos Anjos, o personagem principal da peça “Nos Trilhos
S

da Paixão” faz isso. Há trinta anos ele espera por um grande amor
A R O L D O

de carnaval, um amor de pierrô e colombina.


Esperar às vezes vale mesmo a pena. Esperar por um novo
autor teatral com um bom texto, por exemplo. E ver surgir um Caio
H
Quinderé, que está estreando como dramaturgo com o texto “Nos

E A R E N S E
Trilhos da Paixão”, o vencedor do Prêmio Eduardo Campos de
Dramaturgia.

C
Caio teve a sorte de ver seu rebento vir ao mundo teatral, atra-

O M É D I A
vés das mãos do experiente, criativo e competente Haroldo Serra,
que além da direção, assina também a iluminação e a ambientação
do espetáculo.

C D A
Para dar vida ao texto, Haroldo Serra encontrou soluções sim-
ples, mas brilhantes. Um trem em cena, com seus sons e movimen-

N O S
tos. Uma chuva de serpentina luminosa. Um ponteiro de relógio,

A
que gira rapidamente. Fantasias, que caem do céu por um fio. Re-

4 5
cursos que funcionam com perfeição.

R E T R O S P E C T I VA
Um dos pontos fortes da montagem é a iluminação. As lem-
branças aparecem envoltas num misterioso azul poético. A luz azul
suaviza, dá um tom de melancolia.
Outro acerto é da marcação, limpa, sem atropelar as mensa-
gens. Marcação fielmente seguida pelo elenco que consegue, assim,
transmitir bem as características dos personagens criados por Caio
Quinderé.
Odair Prado faz uma boa interpretação do vendedor de livros,
viciado em palavras cruzadas, que espera vender uma de suas cole-
ções.
Expressiva, Itauna Ciribelli encarna a jornalista impaciente,
mas que também espera por um furo jornalístico – custe o que cus-
tar.
Hiroldo Serra está muito seguro no papel de malandro, cheio
de ginga e sedução, à espera de novos clientes para seu produto
suspeito.
Hiramisa Serra, já bem conhecida dos palcos cearenses, traz o
tom cômico à peça, quebrando um pouco a tensão causada pela pa-
tética espera de José Maria dos Anjos, vulgo Pierrô, pela sua
colombina. 123
Ao ator Lúcio Leon coube a parte mais difícil: viver o intrigan-
te José Maria dos Anjos. Transmitir sua fé, sua paciência e resigna-
ção de quem espera por trinta anos, preso a um sonho.
124 Toda a espera de José Maria dos Anjos nos parece curta, no
entanto, quando assistimos a um espetáculo de qualidade, com fei-
ção moderna, que agrada pelo conjunto e pela poesia. Ainda mais
quando estamos no Nordeste, onde fazer teatro é sempre um desa-
fio.
Mônica Silveira - Diário do Nordeste – 14/06/01

“Uma das boas coisas da atual safra teatral cearense é o espetá-


culo “Nos Trilhos da Paixão”, texto de Caio Quinderé e direção de
Haroldo Serra. Montagem mais recente da Comédia Cearense, gru-
po que está chegando aos 45 anos de palco. O espetáculo já tem
agendadas temporadas no Rio, São Paulo, Brasília e Teresina.
Com primorosa direção do craque da ribalta, Haroldo Serra,
“Nos Trilhos da Paixão” foi a melhor coisa feita no teatro do Ceará
este ano. Emociona ouvir texto tão pungente e encenação tão com-
petente e bela. O elenco está super afinado – Hiramisa Serra, Itauana
Ciribelli, Hiroldo Serra e Odair Prado. A direção se vale de recur-
sos simples que caem como uma luva ao bem arquitetado texto de
Caio Quinderé e a cena na qual se forma o triângulo Arlequim-
Colombina-Pierrot, bem como a ambientação criada para a “morte”
da tão esperada Colombina são riquíssimas de signos. Um espetá-
culo que merece nossos melhores aplausos e deve abocanhar muitos
prêmios em outras praças por onde passar. Parabéns a todos com
destaque especial para este monumental ator que é Lúcio Leonn,
um gigante dos palcos brasileiros”.
Gente de Ação, n. 3 – Julho de 2001

O DESTINO DO PIERROT É ESPERAR PELA


COLOMBINA
E R R A

“Imagine esperar 30 anos por alguém. Promessa de amor per-


S

dida numa estação onde o trem há muito deixou de parar – “Ocea-


A R O L D O

nos distanciando sonhos...”


Imagine um ícone de carnaval desses que povoam o sonho de
todo folião tímido, para quem a máscara é escudo indispensável.
H
Agora foque sua retina no cenário de um espetáculo teatral,

E A R E N S E
onde tudo é muito simples e absolutamente enquadrado no contex-
to. Os refletores serão acesos e em cena estará um “Pierrot”... Falta

C
a Colombina.

O M É D I A
É por ela que ele está a esperar. E o público será emocionalmen-
te conduzido a esperar também. A espera é inquietante e ansiosa.
Três décadas... Fácil imaginar mas a Dramaturgia não surge do

C D A
nada. Do cotidiano brota a inspiração do autor. Afinal, a vida é
muito mais teatral que a Dramaturgia.

N O S
Foi num detalhe perdido numa notícia de jornal que a inspira-

A
ção soprou baixinho e fundo na sensibilidade de Caio Quinderé. E

4 5
assim nasceu a poética e instigante história de “Nos Trilhos da Pai-

R E T R O S P E C T I VA
xão”.
Sozinho numa estação de trem, onde o frio muitas vezes inco-
moda e a solidão é companheira contumaz, José Maria dos Anjos
espera insone a amada.
Dificilmente, Haroldo Serra teria encontrado outro ator à al-
tura de Lúcio Leonn para interpretar José Maria dos Anjos, o
“Pierrot”. Hiramisa Serra, a grande atriz que os cearenses conhe-
cem, arranca risos da platéia com sua despachada personagem. Em
seus breves minutos no palco, confirma o talento que Deus lhe deu.
Itauana Ciribelli é jovem, bonita e tem vasto caminho a percorrer.
Odair Prado é outra boa surpresa. Em pequena participação, revela
estudo na composição do personagem e está muito bem em cena.
Hiroldo Serra faz o malandro, vivendo talvez seu melhor momento
no teatro. É linda a cena na qual ele, Itauana e Leonn compõem o
triângulo Arlequim-Colombina-Pierrot. Todos de máscara, simbo-
lizando essa grande paixão pela qual todos nós sempre esperamos –
É o destino invariável de toda criatura humana, e as exceções só
confirmam a regra.
O “ José Maria dos Anjos” de Lúcio Leonn é o anjo que
cada um de nós carrega dentro de si, escondido no fundo 125
do coração à espera do momento de completa entrega.
126 “Nos Trilhos da Paixão” é um documento vivo da força do Te-
atro Cearense, do teatro sério, comprometido com a qualidade, nas-
cido de estudos e dedicação, de partilha e troca de experiências.
O texto de Caio Quinderé é recheado de vários momentos de
farta poesia. Bom de ouvir, gostoso de ver. Dá vontade de levar uma
cópia para casa.
Vencedor do Prêmio Eduardo Campos de Dramaturgia, o tex-
to justifica o prêmio. Caio é um autor novo, de futuro promissor,
como disse Juca de Oliveira após ver o espetáculo. A Direção de
Haroldo Serra é primorosa! São funcionais, delicados e bonitos os
objetos cênicos e muito criativa a forma como chegam ao palco. É
especialmente bela a cena na qual a jornalista vai entrevistar o
Pierrot, acusando-o de ter assassinado a Colombina: uma cortina
se abre e num ambiente roxo, ornado por rosas vermelhas de vários
tamanhos, surge um caixão branco... A cena é de uma plasticidade
irrepreensível e comovente. Arrepia e emociona. É o ápice da dire-
ção de Haroldo. O espetáculo, não à atoa, foi selecionado para o
projeto EnCena Brasil, do Ministério da Cultura.
Aurora Miranda Leão - Diário do Nordeste – 17/12/01
E R R A
S
A R O L D O
H
TEATRO INFANTIL

Antes de completar um ano de atividades, e por influência de


Hiramisa Serra, a Comédia Cearense criou o seu departamento de
teatro infantil. A preocupação de formar platéia e preencher a lacu-
na de diversão sadia para as crianças da cidade, motivou o projeto.
A receptividade do público e o apoio da imprensa estimulou a con-
tinuidade das montagens infantis. Maria Clara Machado, ícone
da literatura teatral para crianças, influenciou sobremaneira as
nossas encenações. Muitos dos seus textos, como em todo o país,
foram encenados pela Comédia Cearense. O projeto encorajou os
autores locais permitindo o surgimento de várias experiências no
campo do teatro infantil. Autores consagrados como Eduardo Cam-
pos, Nertan Macêdo e Ciro Colares criaram textos para crianças.
Posteriormente os autores jovens embarcaram na empreitada. A
constância das temporadas para crianças e o sucesso de público fez
com que outros grupos enveredassem pelo mesmo caminho. Hoje,
temos no Ceará, um intenso movimento de teatro infantil. Espetá-
culos simultâneos preenchem as pautas de nossos teatros. E o im-
portante é a preocupação pela qualidade com que estão imbuídos a
maioria dos atores e diretores que fazem teatro infantil em Fortale-
za.
128 A REVOLTA DOS BRINQUEDOS
de Pernambuco de Oliveira e Pedro Veiga

Estréia: 11/05/58 – Theatro José de Alencar

Com: José Humberto, Hiramisa Serra, Cybele Pompeu,


Haroldo Serra, Ary Sherlock, Mizael Fernandes, Franciran
Cavalcante e Eliete Maria.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:
Hiramisa Serra Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A BRUXINHA QUE ERA BOA


de Maria Clara Machado

Estréia: 01/06/58 – Theatro José de Alencar

Com: Hiramisa Serra, Cybele Pompeu, Francisco Falcão, Sér-


gio Luiz, José Humberto, Haroldo Serra e Mariinha
Drumond. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine –
Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. .

Segunda Versão

Estréia: 08/10/66 – Theatro José de Alencar

Com: Ayla Maria, Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Roberto


César, Hugo Bianchi, Salete Dias e B. de Paiva.
E R R A

Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Hélio Brasil – Figurinos:


Hiramisa Serra – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de
S

Paiva.
A R O L D O
H
Terceira Versão

E A R E N S E
Resultante do Curso de Informação e Prática Teatral, minis-

C
trado por Haroldo Serra, para sócios da AABB. Foi apresentada na

O M É D I A
sede do clube e posteriormente no Arena.

Estréia: 01/04/89 – Teatro Arena Aldeota

C D A
Com: Marinina Gruska, Eugênia Siebra, Poliana Moraes,

N O S
Sônia Sales, Adriana Bezerra, Rogério Medeiros e Kildary

A
Pinho.

4 5
Cenotécnicos: Raimundo e Catita – Luz e Som: Hiroldo Ser-

R E T R O S P E C T I VA
ra – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e
Direção: Haroldo Serra.

QUE MÁGICA BOBA


de Olegário Azevedo

Estréia: 06/07/58 – Theatro José de Alencar

Com: Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Clóvis Matias e


Mariinha Drumond.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine - Figurinos:
Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção:
Haroldo Serra.

O RAPTO DAS CEBOLINHAS


de Maria Clara Machado
129
Primeira participação de Emiliano Queiroz na Comédia
Cearense. À época integrante do cast da TV Ceará.
130 ESTRÉIA: 03/ 08/58 – Theatro José de Alencar

Com: Emiliano Queiroz, Hiramisa Serra, Mariinha Drumond,


Clóvis Matias, Haroldo Serra, José Humberto, Sérgio Luiz e
Mizael Fernandes.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:
Hiramisa Serra – Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

SIMBITA E O DRAGÃO
de Lúcia Benedetti

Estréia: 07/09/58 – Theatro José de Alencar

Com: José Humberto, Emiliano Queiroz, Haroldo Serra,


Antônio Pinheiro, Hiramisa Serra, Mariinha Drumond,
Mizael Fernandes e Sérgio Luiz.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:
Hirmisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo
Serra.

A LENDA DO SAPATINHO DE CRISTAL


Adaptação livre de Emiliano Queiroz

Estréia: 12/10/58 – Theatro José de Alencar

Com: Cybele Pompeu, Hiramisa Serra, Mariinha Drumond,


E R R A

Neide Maia, Haroldo Serra, Ary Sherlock e Clóvis Matias.


Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:
S

Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção:


A R O L D O

Haroldo Serra.
H
Segunda Versão

E A R E N S E
Estréia: 07/09/66 – Theatro José de Alencar

C O M É D I A
Com: Ayla Maria, Hiramisa Serra, Salete Dias, Hugo Bianchi,
Tereza Paiva, Roberto César e B. de Paiva.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:

C D A
Hiramisa Serra – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de
Paiva.

A N O S
Terceira Versão

4 5
R E T R O S P E C T I VA
Estréia: 14/12/75 – Theatro José de Alencar

Com: Ayla Maria, Hiramisa Serra, Ricardo Guilherme, Má-


rio Mesquita, Antonieta Noronha, Erotilde Honório e
Trepinha. Cenotécnico: Antônio Mendes – Som: Hiroldo Ser-
ra – Luz: Haroldo Jr. – Figurinos: Hiramisa Serra –
Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

O CASACO ENCANTADO,
de Lúcia Benedetti

Estréia: 23/11/58 – Theatro José de Alencar

Com: Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Clóvis Matias, José


Humberto e Matos Dourado.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:
Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção:
Haroldo Serra.
131
132 PLUFT, O FANTASMINHA
de Maria Clara Machado

Estréia; 21/12/58 – Theatro José de Alencar

Com: Cybele Pompeu, Hiramisa Serra, Mariinha Drumond,


Haroldo Serra, Giácomo Genari, Carlos David, Clóvis Matias
e José Silva.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:
Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção:
Haroldo Serra.

Segunda Versão

Estréia: 02/02/90 – Teatro Arena Aldeota

Com: Márcia Sucupira, Glyce Sales, Euler Muniz,


Guglielmina Saldanha, Hiroldo Serra, Rogério Medeiros, J.
Arraes e Kildary Pinho.
Cenotécnicos: Bila e Catita – Luz: Sandro Camilo – Adere-
ços: Glice Salles, J. Arraes e Euler Muniz - Figurinos: Hiramisa
Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

JOÃOZINHO ANDA PRA TRÁS


de Lúcia Benedetti

Estréia: 01/03/59 – Theatro José de Alencar


E R R A

Com: Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Clóvis Matias, Sérgio


Luiz e Mariinha Drumod. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz:
S

Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra - Iluminação e Dire-


A R O L D O

ção: Haroldo Serra.


H
OS TRES EXPLORADORES

E A R E N S E
de J. Reis

C
Estréia: 10/05/59 – Theatro José de Alencar

O M É D I A
Com: Hiramisa Serra, Mariinha Drumond, Cybele Pompeu,

C
Gonzaga Vasconcelos e Francisco Falcão. Cenotécnico: Helder

D A
Ramos - Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra –

N O S
Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

A
4 5
A BELA ADORMECIDA

R E T R O S P E C T I VA
adaptação de Mariinha Drumond

Estréia: 10/09/59 – Theatro José de Alencar

Com: Hiramisa Serra, Maria Aglais, Haroldo Serra, Francis-


co Falcão, Gonzaga Vasconcelos, Mariinha Drumond e Pau-
lo Lima Verde.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:
Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção:
Haroldo Serra.

BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES


adaptação de Haroldo Serra

Estréia: 18/10/59 – Theatro José de Alencar

Com: Hiramisa Serra, Mariinha Drumond, Cybele Pompeu


e Maria Helena. Participação de crianças da Escola Sacy. 133
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:
Hiramisa Serra – Ambientação e Direção: Haroldo Serra.
134 Segunda Versão

Estréia:03/10/66 – Theatro José de Alencar

Com: Ayla Maria, Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Solange


Palhano, Valesca Vale, Soraya Palhano, Haroldo Jr., Harolmisa
Serra, Isabel Cristina Braz e Elizabeth Paiva. Cenotécnico:
Célio Facundes – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Ser-
ra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

Terceira Versão

Estréia: - Teatro Arena Aldeota

Com: Manoela Villar Queiroz, Hiroldo Serra, Guglielmina


Saldanha, Roberto Reial, Rogério Medeiros, Cristina Men-
des, Joelise Collyer, Gina Kerly, Sara Lacet, Jerton Uchôa,
Neiara Serra, Nager Uchôa, Cecilia Uchôa, Naiana Serra,
Pedrinho e Paulinho Uchoa -
Cenotécnicos: Bila e Catita - Trilha Sonora: Herlon Robson -
Figurinos: Hiramisa Serra –Luz e Som: Bento – Caracteriza-
ção e Arte: Haroldo Jr. – Ambientação, Iluminação e Direção:
Haroldo Serra.

Quarta Versão

Estréia: 02/03/96 – Teatro Arena Aldeota

Com: Itauana Ciribelli, Roberto Reial, Silvana Salles, Lúcio


E R R A

Leonn, Hiroldo Serra, Jailson Feitosa, Igor Carvalho, André


Aguiar, Bruno Silva, Ana Biatriz, Diego Parente, Samuel Ro-
S

cha, Naiana Serra, Neiara Serra, Mariana Magalhães, Rafaela


A R O L D O

Matoso, Carolina Serra e Lia Serra.


Cenotécnicos: Bila e Catita – Contra-Regra: Ana Lúcia - Arte e
H
Caracterização: Haroldo Jr. – Figurinos: Hiramisa Serra – Trilha

E A R E N S E
Sonora, Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

C O M É D I A
CIRCO RATAPLAN
de Pedro Veiga

C D A
Estréia: 12/10/60 – Theatro José de Alencar

N O S
Com: Tereza Paiva, Hiramisa Serra, J. Oliveira, Haroldo Ser-

A
4 5
ra e Edilson Soares.
Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos:

R E T R O S P E C T I VA
Hiramisa Serra – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de
Paiva.

Segunda Versão

Estréia: 15/03/68 – Theatro José de Alencar

Com: Haroldo Serra, Walden Luiz, Hiramisa Serra,


Lourdinha Falcão e João Falcão.
Cenotécnico: Célio Facundes – Luz e Som: Hélio Brasil – Fi-
gurinos: Hiramisa Serra - Ambientação, Iluminação e Dire-
ção: Haroldo Serra.

Terceira Versão

Estréia: 24/06/95 – Teatro Arena Aldeota

Com: Hiroldo Serra, Cláudio Jaborandy, Veruska Donato,


Poliana Moraes, Irish Salvador, Silvana Salles, Roberto Reial,
Oscar Roney e Haroldo Serra.
Cenotécnico: Bila e Catita – Luz e Som: Paulo Henrique –
135
Arte, Foto e Caracterização: Haroldo Jr. – Figurinos: Hiramisa
Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.
136 O JULGAMENTO DOS ANIMAIS
de Eduardo Campos

Publicada na revista Comédia Cearense, n.7 (esgotado).

Estréia: 17/10/63 – Theatro José de Alencar

Com: Emiliano Queiroz, Jane Azeredo, Hiramisa Serra, Ary


Sherlock e Haroldo Serra.
Cenotécnico: Célio Facundes – Luz e Som: Hélio Brasil – Fi-
gurinos: Hiramisa Serra – Produção: Haroldo Serra – Dire-
ção: B. de Paiva.

Segunda Versão

Estréia: 12/10/67 – Theatro José de Alencar

Com: Hiramisa Serra, Marcus Miranda, Zulene Martins, João


Antônio, Walden Luiz e Roberto César e Luiz Derossy.
Cenotécnico: Célio Facundes - Luz e Som: Hélio Brasil –
Direção e Figurino: Hiramisa Serra.

Terceira Versão

Estréia: 02/05/82 - Teatro Móvel

Com: Hiramisa Serra, Zulene Martins, J. Arraes, Walden Luiz


e Francisco Neto.
Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra
E R R A

Quarta Versão
S
A R O L D O

Estréia: 13/10/90 - Teatro Arena Aldeota


H
Com: Márcia Sucupira, Euler Muniz, Hiroldo Serra, Rogério

E A R E N S E
Medeiros, Kildary Pinho, Ricardo Moreira e Poliana Moraes.
Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

C O M É D I A
“A qualidade de uma peça infantil a gente mede pela parti-
cipação do público no desenrolar do espetáculo. Neste Julga-
mento dos Animais”, Eduardo Campos, o inimitável mestre do

C D A
folclore, encontra um dos momentos mais felizes como
teatrólogo.

N O S
Demonstrando um profundo conhecimento da nossa gente do

A
campo, Manuelito, transpõe para o mundo diminutivo do palco

4 5
toda a vida movimentada de uma fazenda típica do sertão, sem fal-

R E T R O S P E C T I VA
tar inclusive as diabruras de um moleque insolente, no caso o “Meia-
Pataca”, que é “um carvão”.
A exceção do moleque “Meia-Pataca”, de seu Valadão, do mé-
dico e do Vaqueiro, todos os demais personagens são animais: ju-
mento, vaca, cavalo, que encontraram admiráveis intérpretes nessa
encenação elogiável. O excelente texto é farto de diálogos
saborosíssimos e plenos daquele espírito tão característico do autor
de “O Morro do Ouro”.
Os intérpretes muito bem conduzidos por Hiramisa Serra, que
também faz o papel de “Meia-Pataca”, todos estão à altura do texto,
merecendo maiores encômios o “Jumento” de Luiz Derossy, ator
que se revela magistral comediante. Walden Luiz, como o médico, é
inigualável, o mesmo acontecendo com Zulene, que faz uma “vaca”
gozadíssima. João Antônio fazendo o “cavalo” está quase
irreconhecível, arrancando gargalhadas do público grande e peque-
no que tem acorrido ao José de Alencar todos os fins de semana.
Marcus Miranda, na pele do cruel e depois complacente fazendeiro
Valadão é o ator seguro de sempre. Hiramisa travestida de moleque
“Meia-Pataca”, dá mais um “show” de interpretação e ratifica o
título de atriz mais versátil do Ceará. 137
Em suma, “O Julgamento dos Animais” é um bom trabalho
de Eduardo Campos, plenamente aproveitado pela Comédia
138 Cearense e que merece ser visto mais de uma vez, não só por cri-
ança mais também pelos adultos, pois sua mensagem é válida para
todos.
Além do mais, “Meia- Pataca” é um carvão, queima!
Marciano Lopes – O Estado – 08/11/86

PEDRO E O LOBO
Adaptação de Haroldo Serra

Estréia: 18/11/66 – Theatro José de Alencar

Com: Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão, e Haroldo Serra.


Figurinos: Hiramisa Serra – Iluminação, Ambientação e Di-
reção: Haroldo Serra.

A VIAGEM DO ANJO PAULINHO À


TERRA
de Nertan Macedo

Experiência teatral do escritor Nertan Macedo. O texto foi


publicado na revista Comédia Cearense, n. 2 (esgotado).

Estréia: 12/12/66 – Teatro Universitário

Com: Tereza Paiva, Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão,


Antonieta Noronha e Haroldo Serra.
E R R A

Produção: Haroldo Serra – Ambientação e Direção: B. de


Paiva
S
HA R O L D O
O CHAPEUZINHO VERMELHO

E A R E N S E
adaptação de Haroldo Serra.

C
Estréia: 05/03/67 – Theatro José de Alencar

O M É D I A
Com: Ayla Maria, Antonieta Noronha, Haroldo Serra,

C
Hiramisa Serra e Marcos Miranda.

D A
Figurinos: Hiramisa Serra - Ambientação, Iluminação e Di-

N O S
reção: Haroldo Serra.

A
4 5
Segunda Versão

R E T R O S P E C T I VA
Estréia: 06/07/91 – Teatro Arena Aldeota

Com: Manoela Villar Queiroz, Poliana Moraes, Rogério


Medeiros, Guglielmina Saldanha, Hiroldo Serra, Joelise
Collyer, Gina Karla, Sônia Lacet e Ana Cristina.
Música: Haroldo Serra – Direção Musical: Herlon Robson –
Figurinos: Izidoro Santos – Luz e Som: Francisco Costa –
Cenografia: Bila – Iluminação, Ambientação e Direção:
Haroldo Serra

A BELA ADORMECIDA
adaptação de Geraldo Markan e Leão Junior.

Estréia: 01/10/67 – Theatro José de Alencar

Com: Ayla Maria, Lourival Brasileiro, Ayla Markan, Leão


Junior, Rodolfo Markan, Hiramisa Serra, Geraldo Markan,
Harolmisa Serra, Cláudia Markan, Antonita Noronha e Hugo
139
Bianchi.
Cenários e Figurinos: Sergei de Castro – Coreografia: Hugo
Bianchi – Iluminação e Direção: Haroldo Serra.
140 D. PATINHA VAI SER MISS
de Arthur Maia

Estréia: 04/07/68 – Theatro José de Alencar

Com: Hiramisa Serra, Antonieta Noronha, Marcus Miranda,


Francisco Falcão, Walden Luiz e Haroldo Serra.
Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Di-
reção: Haroldo Serra.

Segunda Versão

Prêmio SNT de “Melhor Espetáculo Infantil”-1977 – Tam-


bém apresentada no Teatro de Arena da Crédimus.

Estréia: 15/10/77 – Theatro José de Alencar

Com: Ayla Maria, Antonieta Noronha, Walden Luiz, Arlindo


Araújo e Francisco Marques.
Figurinos: Hiramisa Serra – Música: Mário Mesquita e Arlindo
Araújo – Som: Mauro Coutinho – Luz: Haroldo Junior –
Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

Com o mesmo elenco e ficha técnica esta versão foi também


encenada no Teatro Móvel com temporada iniciada em 19/07/81.

Terceira Versão

Estréia: 21/10/89 - Teatro Arena Aldeota


E R R A

Com: Márcia Sucupira, Hiroldo Serra, Antonieta Noronha,


S

Rogério Medeiros e Kildary Pinho.


A R O L D O

Cenografia: Catita – Luz: Fábio Melo – Som: Sandro Melo –


Figurinos: Hiramisa Serra – Iluminação, Ambientação e Di-
reção: Haroldo Serra.
H
A ONÇA E O BODE

E A R E N S E
de Kleber Fernandes

C
Estréia: 12/10.68 – Theatro José de Alencar

O M É D I A
Com: Haroldo Serra e Hiramisa Serra.

C
Cenário: Equipe de Alunos da Faculdade de Arquitetura da

D A
UFC – Figurinos: Hiramisa Serra – Cenotécnico: Helder Ra-

N O S
mos- Luz: Helio Brasil – Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

A
4 5
SEGUNDA VERSÃO

R E T R O S P E C T I VA
Estréia: 05/01/80 - Teatro Móvel

Com: Lourdinha Falcão e Haroldo Serra – Mesma equipe


técnica

TERCEIRA VERSÃO

Estréia: 24/09/88 - Teatro Arena Aldeota

“Melhor Diretor“ (Haroldo Serra) – “Melhor Ator” (Arnaldo


Matos) – “Melhor Atriz” (Eugênia Siebra) no I Festival de Teatro
Infantil do SESC/Ce – 1988.

Com: Eugênia Siebra e Arnaldo Matos.


Cenotécnico: Catita – Som e Luz: Hiroldo Serra – Caracteri-
zação e Arte: Haroldo Junior – Cenário: Equipe de Alunos
da Faculdade de Arquitetura da UFC – Iluminação e Dire-
ção; Haroldo Serra.

QUARTA VERSÃO 141

Estréia: 31/08/96 - Teatro Arena Aldeota


142 Com: Hiroldo Serra e Silvana Salles.
Mesma equipe técnica.

ABELINHA SONHADORA
de Nati Cortez

Estréia: 19/01/75 – Teatro Carlos Câmara (Emcetur)

Com: Ayla Maria, Hiramisa Serra, Jovita Farias, Erotilde


Honório, Ricardo Guilherme, Elizabeth Cardoso, Rochele
Cardoso, Patrícia Batista, Norma Brasil e Harolmisa Serra.
Cenários e Figurinos: Eubirajara Garcia – Música: Pe. Linhares
– Coreografia: Jovita Farias – Luz e Som: Haroldo Junior –
Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

O ANÃOZINHO SABIDO E OUTRAS


ESTÓRIAS
adaptação de textos para fantoches de Glyce Sales

Apresentado durante o mês de maio de 1975 na cadeia de super


mercados “Romcy”.

Com: Glyce Sales, Hiramisa Serra, Ricardo Guilherme,


Haroldo Serra, Gil Sodré e Haroldo Junior – Direção:
Hiramisa Serra.
E R R A

O PLANETA DAS CRIANÇAS ALEGRES


S
A R O L D O

de Ciro Colares – Música de Haroldo Serra com


arranjos de Mário Mesquita.
H
Experiência teatral do cronista e romancista Ciro Colares. Foi

E A R E N S E
“Melhor Espetáculo Infantil”, prêmio SNT de 1976 – Publicado na
revista Comédia Cearense n. 7 (esgotado).

C O M É D I A
Estréia: 10/10/76 - Theatro José de Alencar

Com: Ayla Maria, Walden Luiz, Antonieta Noranha, Ricardo

C D A
Guilherme, Arlindo Araújo e Hiroldo Serra.
Música: Haroldo Serra – Arranjos e Interpretação: Mário

N O S
Mesquita e Arlindo Araújo – Figurinos: Hiramisa Serra – Luz

A
e Som: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientaçãso e Dire-

4 5
ção: Haroldo Serra.

R E T R O S P E C T I VA
A MENINA SEM NOME
de Guilherme Figueiredo e música de Aluysio de Alencar Pinto

Estréia: 20/08/78 – Theatro José de Alencar

Com: Ayla Maria, Arlindo Araújo, Paulo Alencar, Beth Araú-


jo, Francisco Marques, Galba, Janson e Lourenço.
Direção Musical: Nízia Diogo e Descarte Gadelha –
Instrumentistas: Grupo Pixinguinha – Figurinos: Hiramisa
Serra – Luz e Som: Haroldo Junior – Iluminação,
Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

ZARTAN, O REI DAS SELVAS


de Ilclemar Nunes

Estréia: 25/11/79 – Teatro Móvel


143
Publicada na revista Comédia Cearense n. 7 (esgotado).
144 Com: Walden Luiz, Ayla Maria, Nairo Gomez, Deugiolino
Lucas, Lourdinha Falcão, J. Arraes e Paulo Alencar.
Figurinos: Hiramisa Serra – Luz e Som: Hiroldo Serra – Ilu-
minação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A LENDA DO VALE DA LUA


de João das Neves

Estréia: 12/04/81 – Teatro Móvel

Com: Arnaldo Matos, Hiramisa Serra, Rachel Haddad e


Walden Luiz.
Música: César Barreto – Luz e Som: Hiroldo Serra - Ilumina-
ção, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

SEGUNDA VERSÃO

Estréia: 08/07/89 - Teatro Arena Aldeota

Com: Glyce Sales, Hiroldo Serra, Guglielmina Saldanha e


Rogério Medeiros.
Contra-Regra: Ana Patrício – Cenografia: Catita - Figurinos:
Hiramisa Serra – Música: César Barreto – Iluminação,
Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

“A Lenda do Vale da Lua”, de João das Neves, montagem da


Comédia Cearense, ressuscita um dos folguedos da maior significa-
ção estética e social do país: o bumba-meu-boi, um personagem,
E R R A

sem dúvida, apagado da memória de grande parte das crianças bra-


sileiras. Mas este não é o único mérito do espetáculo, ele vai muito
S
A R O L D O

mais longe. Nele a criança participa ativamente da ação, e o que é


melhor, é despertada para o jogo do teatro, um jogo onde se usam
basicamente estórias e idéias.
H
Logo de início é quebrado o gelo palco/platéia, tão comum no

E A R E N S E
teatro tradicional. Munidas de papel e lápis, as crianças, junta-
mente com os atores, desenham à vontade. A sensação é de que ali,

C
no pequeno espaço do Teatro Móvel, está nascendo um mundo novo,

O M É D I A
onde são tomadas decisões e criadas formas de vida: terra ou não,
máquina ou não... tudo pode ser mudado, afinal o mundo é passível
de transformações. Aliás, parece ser este o principal objetivo pro-

C D A
posto pelo criativo João das Neves quando escreveu “A Lenda do
Vale da Lua”.

N O S
Também bastante criativa é a montagem da Comédia Cearense.

A
Simples, despojada, mas riquíssima em brincadeiras populares, coi-

4 5
sas que não se fazem há muito tempo. Os próprios atores fazem

R E T R O S P E C T I VA
questão de assumir a simplicidade e pobreza do espetáculo, como
querendo dizer às crianças: “Olha, nosso povo, infelizmente, é muito
pobre, mas tem brincadeiras ricas e alegres”.
E assim a peça se desenvolve, com imaginação e criatividade.
Pedaços de lenços são transformados em brisas, de papelão em tele-
visores, e o próprio Boi Estrela é montado em cima do tablado com
varetas e tiras de pano. Os atores Arnaldo Matos, Hiramisa Serra,
Walden Luiz e Rachel Hadad, com leveza e harmonia, comandam o
espetáculo, Sonham com as estrelas, contam histórias da lua – sem-
pre atormentada pelos astronautas que lhe roubam preciosas pedri-
nhas – e criam o Boi Estrela, a alegria do vale.
O conflito é estabelecido quando as crianças e o fogoso boi dei-
xam o vale e resolvem dar um passeio pela cidade: edifícios, carros,
televisores. Lá o Boi Estrela é atropelado por um carro, e como no
folguedo tradicional, morre, sendo ressuscitado mais tarde, com
canções populares. Fica aí estabelecida também a morte da cultura
popular na cidade grande.
É bastante significativa a montagem da Comédia Cearense,
principalmente quando sabemos que poucos grupos no Brasil se
dedicam honestamente ao teatro infantil. O que se vêem, atual- 145
mente, com raras exceções, são empreendimentos comerciais,
cujos espetáculos são vendidos como picolés da Kibon ou choco-
146 lates da Nestlé. A Lenda do Vale da Lua está sendo mostrada, no
Teatro Móvel, sempre aos domingos, às 17 horas. Vale a pena
assistir.
José Anderson – Diário do Nordeste

O REI SOLIMÃO E A RAINHA DE JABÁ


de José Argemiro da Silva

Estréia: 13/06/81 – Teatro Móvel

Com: Arnaldo Matos, Hiramisa Serra, Zulene Martins, Rachel


Haddad, Deugiolino Lucas, Antonieta Noronha e Guiomar
Carleal.
Figurinos: Hiramisa Serra, Luz e Som: Hiroldo Serra, Ilumi-
nação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

ROMÃO E JULINHA
de Oscar Von Pfuhl

Esse espetáculo contou com duas participações importantes:


o artista plástico José Tarcísio e o músico César Barreto. Ambos,
posteriormente, voltaram a colaborar com a Comédia Cearense. A
segunda versão, em 1988, ganhou o prêmio de “Melhor Espetácu-
lo”, no I Festival de Teatro Infantil do SESC, organizado por W.
Salmito.
E R R A

Estréia: 19/07/86 – Theatro José de Alencar


S

Com: Ayla Maria, Arnaldo Matos, J, Arraes, Anchieta Lacerda,


A R O L D O

Valter Marques, Maria Auxiliadora, Wagner Fernandes, Ta-


deu Nobre, Hiroldo Serra, Andréa Fontenele, Rose,
Fernando, Douglas, Sérgio, Pádua, Valéria e Gabriela.
H
Divulgação: Terraço - Cenário: José Tarcísio – Figurinos:

E A R E N S E
Hiramisa Serra – Som e Luz: Brasil - Música: César Barreto-
Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

C O M É D I A
Segunda Versão

Estréia:03/07/88 - Teatro Arena Aldeota

C D A
Com: Arnaldo Matos, Ayla Maria, Rogério Medeiros, J.Arraes,

N O S
Anchieta Lacerda, Dora Lima, Hiroldo Serra, Domingos Neto,

A
Angela Cristina, Karine Bessa, Kelly de Castro, Rosana

4 5
Schiaerentolla, Érico, Álvaro, Pierre, Roberto, Dodth, e

R E T R O S P E C T I VA
Haroldo Neto.
Som e Luz: Massilon Moura – Figurinos: Hiramisa Serra –
Ambientação: José Tarcísio – Música: César Barreto – Ilumi-
nação e Direção: Haroldo Serra.

“Durante toda a semana as crianças recebem, o dia inteiro,


doses maciças de Xuxas, He-Men, Bozos, Esqueletos, Shyrras,
Thundercast, Maravilhas afora “maravilhas outras que fundem (e
confundem) as frágeis cabecinhas infantis, tal a constante
belicosidade sobre os mais díspares tipos de forças que levam a
gurizada a se indagar quem de fato representa o bem e quem real-
mente sintoniza o mau. Por causa disso, para aliviar tensões é ne-
cessário que nos finais de semana os pais levem seus rebentos para
uma reciclagem, melhor dizendo, para uma “desintoxicação” dos
enlatados alienígenas, no Teatro Arena Aldeota, onde a Comédia
Cearense está levando a peça “Romão e Julinha”, uma versão infan-
til da tragédia “Romeu e Julieta”.
De autoria do Paulista-alemão Oscar Von Pfuhl, “Romão e
Julinha” é uma engraçadíssima comédia escrita especialmente para
as crianças que Haroldo Serra transformou num delicioso musical 147
e dosou sua versão com inteligentes pitadas de humor que provo-
cam as gargalhadas da criançada e dos adultos.
148 A peça conta a história de uma cidade onde duas comunidades
de gatos se degladiam. De um lado os refinados, belicosos e pregui-
çosos gatos brancos, cujo chefe, o rei dos gatos brancos é o pai da
bela e pacífica Julinha. Do outro lado, os ordeiros e laboriosos gatos
amarelos que têm por líder o endiabrado Romão. Enquanto os ama-
relos constroem varas de pescar, os brancos fazem baladeiras para
guerrear com “inimigos”. As duas castas vêm a ser o equivalente
das famílias Capulleto e Montecchio da obra original de William
Shakespeare.
Sabedores das exigências do público infantil, Haroldo e
Hiramisa fizeram um espetáculo perfeito: ricos figurinos, impo-
nentes adereços de cena para dar clima medieval, canções bem urdi-
das (por César Barreto) e um minueto bem marcado e melhor ainda
executado. A iluminação funciona na medida e o som idem, sob o
comando de Massilon. Quanto ao elenco, mais uma vez Haroldo
demonstra sua extraordinária capacidade como diretor e ensaiador
e os intérpretes começam a surpreender logo no prólogo, quando os
irrepreensíveis Domingos Neto e Hiroldo Serra, com muita catego-
ria e elegância fazem os arautos. O veterano J. Arraes interpreta o
engraçadíssimo rei dos gatos brancos, monarca velho, preguiçoso e
com insaciável apetite por peixes. Seu ministro, bajulador e subser-
viente é Anchieta Lacerda e Rogério Medeiros vive Amarildo, o
astucioso gato amarelo que é amigo de Romão. Haroldo Neto é o
compenetrado “bufãozinho” que está sempre atrás do rei conduzin-
do seu trono. Hiroldo Serra, faz ainda o cozinheiro chinês do fa-
minto rei e Maria Auxiliadora é a aia da princesa Julinha.
Sobre Ayla Maria e Arnaldo Matos, intérpretes do par român-
tico da peça quase nada precisa ser dito, talvez, apenas que mais
uma vez pisam o palco com a desenvoltura dos bons profissionais:
E R R A

seguros, tranquilos e tarimbados. Arnaldo que à noite no mesmo


espaço interpreta um papel dramático, mais uma vez revela seu
S

talento como ótimo comediante. Por sua vez, Ayla Maria, além de
A R O L D O

talentosa, está mais linda do que nunca.


Nestes tempos de gatonas e gatões, nada mais adequado do
que esse delicioso musical feito para as gatinhas de todas as faixas
H
etárias. Em tempo: O Hiroldo é filho de Haroldo e Hiramisa, que

E A R E N S E
são avós de Haroldo Neto. Domingos Neto, é filho da talentosa
Glyce Sales. Um atestado de que o Teatro Cearense começa a fazer

C
gerações. E tradições...“

O M É D I A
Marciano Lopes – Diário do Nordeste – 10/09/88

C
CINDERELA

D A
N O S
Adp. Livre de Hiramisa Serra

A
4 5
Estréia: 07/04/91 – Teatro Arena Aldeota

R E T R O S P E C T I VA
Com: Manoela Villar Queiroz, Hiroldo Serra, Guglielmina
Saldanha, Poliana Moraes, Solange Teixeira, Adriana Chagas,
Kildary Pinho, Ulisses Narcísio, Sara Lacet, Simone Sucupira,
Cibele Mathias, Joelise Collyer, Carolina Firmino, Poliana
Gonçalves e Karla Farias.
C/Regra: Ana Patrício – Cenotécnica: Bila – Penteados:
Paulinho Cabeleireiro – Perucas: Marlene Silveira -Som e Luz:
Francisco Costa – Música: Herlon Robson – Figurinos:
Hiramisa Serra – Iluminação, Ambientação e Direção:
Haroldo Serra.

2a. Versão

Estréia: 26/05/96 – Teatro Arena Aldeota

Com: Itauana Ciribelli, Yuri Oliveira, Hiramisa Serra, Poliana


Moraes, Silvana Salles, Lucio Leonn, Lúcia Menezes, Nágila
Sobral, Renata Gomes, Juliane, Lídia Rodrigues, Carolina e
Lia Serra.
Som/Luz: Haroldo Neto – Figurinos: Hiramisa Serra – Ar- 149
ranjos Musicais: Herlon Robson - Iluminação, Ambientação
e Direção: Haroldo Serra.
150 O CASAMENTO DE D. BARATINHA
adaptação de Walden Luiz

Estréia: 14/03/92 – Teatro Arena Aldeota

Com: Manoela Villar Queiroz, Hiroldo Serra, Odair Prado,


Haroldo Neto, Eudstone Paixão, Rogério Medeiros, Poliana
Moraes, Guglielmina Saldanha.
Cenotécnica: Bila – Figurinos: Hiramisa Serra – Arranjos
Musicais: Herlon Robson – Luz/Som: Sandro Camilo – Ilu-
minação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

O GATO DE BOTAS
adaptação livre de Walden Luiz

Estréia: 05/06/92 – Teatro Arena Aldeota

Com: Hiroldo Serra, Odair Prado, Joelise Collyer, Rogério


Medeiros, Guglielmina Saldanha. Eudstone Paixão e Poliana
Moraes.
Contra Regra: Ana Patrício – Figurinos: Hiramisa Serra -
Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior –
Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

PINOCCHIO
adaptação livre de Walden Luiz
E R R A

Estréia: 10/10/92 – Teatro Arena Aldeota


S
A R O L D O

Com: Márcia Sucupira, Euler Muniz, Rogério Medeiros,


Felipe Furtado, Guglielmina Saldanha, Eudstone Paixão,
Hiroldo Serra e Odair Prado.
H
Contra-Regra: Ana Patrício - Direção musical: Herlon Robson

E A R E N S E
– Figurinos: Hiramisa Serra – Caracterização e Direção de
Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção:

C
Haroldo Serra.

O M É D I A
O QUEBRA-NOZES

C D A
Adap: Walden Luiz

N O S
Adaptada a partir de um conto de Alexandre Dumas Filho

A
4 5
(inspirado em Hoffman) e música de Tchaikovsky. Encenada em
homenagem ao centenário de morte do compositor.

R E T R O S P E C T I VA
Estréia: 13/03/93 – Teatro Arena Aldeota

Com: Sara Lacet, Hiroldo Serra, Rogério Medeiros, Eudstone


Paixão, Guglielmina Saldanha, Poliana Moraes, Naiana e
Neiara Serra, Clice Norões, Cecilia Uchôa e Nágila Sobral.
C/Regra: Ana Patrício – Figurinos: Hiramisa Serra – Ilumina-
ção, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS


Adp. Livre de Walden Luiz

Estréia: 03/07/93 – Teatro Arena Aldeota

Com: Clice Norões, Poliana Moraes, Hiroldo Serra, Rogério


Medeiros, Guglielmina Saldanha, Odair Prado, Nágila Sobral,
Naiana e Neiara Serra, e Irish Salvador.
Contra-Regra: Ana Patrício – Cenografia: Bila - Som e Luz:
Haroldo Neto – Figurinos: Hiramisa Serra – Direção Musi- 151
cal: Carlinhos Crisóstomo – Adereços: Carri Costa – Caracte-
rização e Direção de Arte: Haroldo Júnior – Ambientação,
Iluminação e Direção: Haroldo Serra.
152 Segunda Versão

Estréia: 03/07/99 - Teatro Arena Aldeota

Com: Clice Norões, Jadeílson Feitosa, Silvana Salles, Hiroldo


Serra, Paulo Roque, Poliana Moraes, Yuri Oliveira, Christiane
Goes, Alice Carvalho e Ana Maria.
Som e Luz: Haroldo Neto – Cenografia: Bila – Adereços: Carri
Costa; Figurinos: Hiramisa Serra – Contra-Regra: Ana Patrício
– Direção Musical: Carlinhos Crisóstomo – Caracterização e
Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação
e Direção: Haroldo Serra.

A BELA E A FERA
adp. livre de Glyce Sales

Estréia:18/02/93 – Teatro Arena Aldeota

Com: Mônica Silveira, Hiroldo Serra, Guglielmina


Saldanha, Rogério Medeiros e Sônia Sales.
Contra-Regra: Ana Patrício – Figurinos: Hiramisa Serra
–Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Ilumi-
nação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra

ABRACADABRA,
de Maria Irismar - Música de Paurillo Barroso
E R R A

Encenada para comemorar o centenário de nascimento de


Paurillo Barroso.
S
A R O L D O

Estréia: 23/04/94 – Teatro Arena Aldeota


H
Com: Poliana Moraes – Guglielmina Saldanha –Irish Salva-

E A R E N S E
dor - Odair Prado – Maira Saldanha – Nágila Sobral - Naiana
e Neiara Serra.

C
Coreografia: Nádia Uchôa – Arranjos Musicais: Nízia Diogo

O M É D I A
– Luz: Serra Neto - Ambientação, iluminação e Direção:
Haroldo Serra.

C D A
O MÁGICO DE OZ

N O S
Adap. livre de Walden Luiz

A
4 5
Estréia: 06/08/94 - Teatro Arena Aldeota

R E T R O S P E C T I VA
Com: Márcia Sucupira, Hiroldo Serra, Cláudio Jaborandy,
Odair Prado, Irish Salvador, Silvana Salles, Marcos Araújo,
Poliana Moraes e Roberto Reial.
Contra-Regra: Ana Patrício – Som e Luz: Bento – Figurinos:
Hiramisa Serra – Arranjos Musicais: Haroldo Ribeiro – Ca-
racterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação,
Ambientação e Direção; Haroldo Serra.

PETER PAN,
Adap. livre de Walden Luiz

Estréia: 18/03/95 Teatro Arena Aldeota

Com: Clice Norões, Roberta Brasil, Tiago Bessa, Jailson


Feitosa, Igor Arruda, Lucas Lucena, Jadeilson Feitosa, Hiroldo
Serra, Irish Salvador, Odair Prado, Neiara e Naiana Serra.
Carpintaria: Bila - Contra-Regra: Ana Patrício – Luz e Som:
Paulo Henrique – Direção Musical: Carlinhos Crisóstomo - 153
Adereços: Carri Costa – Figurinos: Hiramisa Serra – Caracte-
rização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação,
Ambientação e Direção: Haroldo Serra.
154 Segunda Versão

Estréia: 06/03/99 – Teatro Arena Aldeota

Com: Hiroldo Serra – Christiane Goes -Irish Salvador –


Itauana Ciribelli – Gabriel Carvalho – Igor Carvalho – Neiara
Serra – Carolina Serra - Jadeilson Feitosa – Jailson Feitosa –
André Goes – Lia Serra e Ricardo Medeiros.
Cenotécnica: Bila - Contra-Regra: Ana Patrício – Luz e Som:
Haroldo Neto – Adereços: Carri Costa – Figurinos: Hiramisa
Serra- Direção Musical: Carlinhos Crisóstomo – Caracteriza-
ção e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação,
Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

O DETESTINHA
de Dimitri Túlio

Estréia: 16/11/96 – Teatro Arena Adeota

Com: Hiroldo Serra, Lúcio Leonn, Itauana Ciribelli e Simo-


ne Sucupira.
Contra-Regra: Ana Patrício – Caracterização e Direção de
Arte: Haroldo Junior – Som e Luz: Jadeilson Feitosa - Ilumi-
nação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JOÃO E


E R R A

MARIA
Adap. livre de Hiroldo Serra
S
A R O L D O

Estréia: 01/03/97 - Teatro Arena Aldeota


H
Com: Jailson Feitosa, Thaís Furtado, Itauana Ciribelli, Hiroldo

E A R E N S E
Serra, Poliana Moraes, Carolina e Lia Serra.
Contra-Regra: Ana Patrício – Luz e Som: Jadeilson Feitosa –

C
Figurinos: Hiramisa Serra - Caracterização e Direção de Arte:

O M É D I A
Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção:
Haroldo Serra.

C D A
A DAMA E O VAGABUNDO

N O S
Adap. de Hiroldo Serra

A
4 5
Estréia: 11/05/97 – Teatro Arena Aldeota

R E T R O S P E C T I VA
Com: Itauana Ciribelli, Hiroldo Serra, Odair Prado, Irish Sal-
vador, Hiramisa Serra, Silvana Salles, Jadeilson Feitosa, Kalina
de Carvalho, Nayane de Carvalho, Carolina e Lia Serra.
Contra-Regra: Ana Patrício – Luz e Som: Haroldo Neto –
Direção Musical: Carlinhos Crisóstomo – Figurinos: Hiramisa
Serra - Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior –
Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra

VIVA EU... VIVA TU...


VIVA A CASA DO TATU
de Walden Luiz

Estréia: 1997 – Teatro Arena Aldeota

Com: Hiroldo Serra, Silvana Salles, Odair Prado, Poliana


Moraes e Irish Salvador.
Contra-Regra: Ana Patrício – Som e Luz: Haroldo Neto – 155
Música: Haroldo Serra – Arranjos e Gravação: Carlinhos
Crisóstomo – Adereços: Carri Costa – Caracterização e Dire-
156 ção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação:
Haroldo Serra.

FAMÍLIA ADDAMS
Adap. livre de Hiroldo Serra e Itauana Ciribelli

Estréia: 04/04/98 - Teatro Arena Aldeota

Com: Hiroldo Serra, Itauana Ciribelli, Hiramisa Serra, Irish


Salvador, Haroldo Serra, Yuri Oliveira - Jailson Feitosa –
Christiane Goes – Kalina de Carvalho e Nayane de Carva-
lho. Contra-Regra: Ana Patrício – Cenografia: Bila - Figuri-
nos: Hiramisa Serra – Caracterização e Direção de Arte:
Haroldo Junior – Luz e Som: Haroldo Neto – Iluminação,
Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

O SOLDADINHO DE CHUMBO
adap. livre de Hiroldo Serra

Estréia: 05/09/98 – Teatro Arena Aldeota

Com: Yuri Oliveira – Sabrina Romero -Itauana Ciribelli –


Silvana Salles – Irish Salvador – Hiroldo Serra - Christiane
Goes e Jadeilson Feitosa
Contra-Regra: Ana Patrício – Cenografia: Bila - Caracteriza-
ção e Direção de Arte: Haroldo Junior – Luz e Som: Haroldo
E R R A

Neto - Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra


S
A R O L D O
H
MOGLI, O MENINO LOBO

E A R E N S E
Adap. livre de Hiroldo Serra

C
Como resultado de um teste, com mais de cem garotos para

O M É D I A
escolha do intérprete para o personagem Mogli, três candidatos se
destacaram: Pablo, André e Arthur. A Direção resolveu aproveitar

C
os três, revezando os candidatos a cada semana.

D A
N O S
Estréia: 09/10/99 – Teatro Arena Aldeota

A
4 5
Com: Pablo Vitoriano, André Goes, Arthur Frota, Hiroldo
Serra – Silvana Salles – Poliana Moraes – Paulo Roque – Lú-

R E T R O S P E C T I VA
cio Leonn – Christiane Goes – Lia e Carolina Serra.
Luz e Som: Haroldo Neto - Caracterização e Direção de Arte:
Haroldo Junior – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação,
Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

500 ANOS DO SR. MOLEZA NO


REINO DA PREGUIÇA
de Daniel Adjafre

Estréia: 06/05/00 – Teatro Arena Aldeota

Com: Hiroldo Serra, Pablo Vitoriano, Nancy Vitoriano, Irish


Salvador, Haroldo Serra, Odair Prado, Paulo Roque,
Christiane Goes e Jadeilson Feitosa.
Contra-Regra: Ana Patrício – Luz e Som: Haroldo Neto -
Figurinos: Hiramisa Serra – Caracterização e Direção de Arte:
Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção:
Haroldo Serra. 157
158 AS MIL E UMA NOITES
adaptação livre de Walden Luiz

Estréia: 19/08/2000 – Teatro Arena Aldeota

Com: Eveline Soares Vieira - Hiroldo Serra – Paulo Roque –


Rafael Martins – Luiza Torres – Irish Salvador – Marcos Araú-
jo – Bailarinas: Manuela Lustosa - Luiza Torres – Elza – Ceci-
lia, Catherine, Elaine – Crianças: Carol, Lia e Carolina Serra.
Som e Luz: Haroldo Neto – Figurinos: Hiramisa - Cenários,
Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Coreogra-
fia: Manuela Lustosa – Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

Talento e obstinação de uma família teatral

“Revejo as lindas e milenares lendas árabes das “Mil e Uma


Noites” agora em cores cearenses. A montagem, direção, guarda
roupa, interpretação, pertencem a Haroldo Serra, ou dizendo me-
lhor, à sua família, mulher, filhos e netos incluídos.
Minha amizade com Haroldo Serra remonta aos anos cinqüen-
ta, quando juntos militamos no rádio local.
Já então, Haroldo Serra devotava com entusiasmo e carinho à
arte teatral, inicialmente como ator e depois como diretor, cenarista
e o mais que exija a arte do palco.
Unindo-se pelo casamento à moça Hiramisa, o casal passou a
constituir um ponto de referência e apoio à cultura teatral no Cea-
rá, com projeção em todo o país.
No Theatro José de Alencar, em palcos e arenas menores ou
maiores, anos a fio, Haroldo e Hiramisa foram mostrando a força
E R R A

de seu talento em espetáculos inesquecíveis, a exemplo de “A Valsa


Proibida”, a consagrada opereta de Paurillo Barroso, e de monta-
S
A R O L D O

gens memoráveis de “O Morro do Ouro” e da “Rosa do Lagamar”,


de Eduardo Campos.
Com estas peças, Haroldo Serra concorreu e ganhou, a nível
H
nacional, importantes prêmios de reconhecimento aos méritos in-

E A R E N S E
discutíveis de sua obra.
O tempo parece não reduzir o ânimo e a capacidade do querido
amigo na realização daquilo que é o oxigênio de sua vida, a força

C O M É D I A
que move sua ação cotidiana: o Teatro. E é com prazer que o reen-
contramos agora na produção de uma peça infantil de tanto bom
gosto e de agrado absoluto, em cena no espaço do Teatro de Arena

C
do Colégio Christus, na Aldeota.

D A
Nesta versão alencarina de “As Mil e Uma Noites” depara-

N O S
mos-nos com muitos detalhes que fazem de Haroldo e Hiramisa

A
artistas de respeitável grandeza no campo do teatro brasileiro. Es-

4 5
tão presentes na peça, antes de tudo, o poder de improvisação e o

R E T R O S P E C T I VA
talento criativo que superam as limitações para uma montagem
mais suntuosa.
O guarda-roupa, por exemplo, foi produzido por Hiramisa
Serra e consegue encantar pela graciosa policromia das fantasias
ostentadas pelas várias e belas odaliscas.
Vale a pena ver “As Mil e Uma Noites”, aos sábados e domin-
gos, no Christus, mais uma forte demonstração do talento dessa
predestinada família de artistas devotada ao teatro.
Blanchard Girão – Diário do Nordeste

OS DÁLMATAS
adap. livre de Hiroldo Serra

Estréia: 13/10/01 – Teatro Arena Aldeota

Com: Eveline Soares Vieira, Hiroldo Serra, Itauana Ciribelli,


Jadeilson Feitosa, Hiramisa Serra, Poliana Moraes, Lia e Ca-
rolina Serra, Priscyla Prado, Paulo César Cândido, Odair Pra-
do, Andre Góes, Francisco Falcão e Christiana Góes.
C/Regra: Ana Patrício – Luz e Som: Lucas - Figurinos: 159
Hiramisa Serra – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo
Júnior – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.
PRÊMIOS E
HOMENAGENS

Há uma certa “mania” do artista cearense dizer que não é


prestigiado na terrinha. Se fala da falta de apoio financeiro, por
parte das “autoridades” locais... é a pura verdade. Mas, em com-
pensação, o reconhecimento da imprensa, dos intelectuais e princi-
palmente do povo, é patente. Talvez a forma carinhosa com que
sempre tenha sido tratada a Comédia Cearense, seja o motivo da
nossa permanência na cidade. É ótimo receber prêmios pelo nosso
trabalho fora do Ceará. Agora, um simples cartão de cumprimento
de um conterrâneo nos dá uma imensa satisfação.
O primeiro reconhecimento público do trabalho da Comédia
Cearense, a partir do primeiro espetáculo, “Lady Godiva”, de Gui-
lherme de Figueiredo, foi do programa - 7 Dias em Destaque – da
extinta e saudosa TV Ceará. Um troféu em forma de jangada, cha-
mado carinhosamente de “Jangadinha”, era oferecido semanalmen-
te às pessoas ou entidades que haviam se destacado. A cada nova
peça uma “Jangadinha”, ora recebida por mim, ora por B. de Paiva.
Eu tenho, muito bem guardadas, sete “Jangadinhas” e, acho que o
B. um outro tanto. Foi um programa importante para a valorização
do talento local.
Somente 13 anos depois de sua fundação a Comédia Cearense
achou-se apta a participar de um Festival de Teatro a nível nacio-
nal. Entendemos que quando um grupo teatral apresenta-se em
outros Estados, quer queira ou não, ele representa a cultura do nos-
so Ceará. Daí a nossa preocupação.
Mas, valeu a espera. Nessa sua primeira participação a Comé-
dia trouxe para o Ceará, prêmios importantes.
162 1963
Por requerimento do Deputado Raimundo Ivan foi registrado
em ata, em 17/07/63, voto de aplauso e congratulações à Comédia
Cearense, pela encenação da peça “O Morro do Ouro”, de Eduardo
Campos

1965
“Placa de Bronze” no Theatro José de Alencar:

“À Comédia Cearense e a Paurillo Barroso pelo sucesso da


opereta “A Valsa Proibida” produzida por Haroldo Serra, dirigida
por B. de Paiva e nos principais papéis, Orlando Leite e Ayla Ma-
ria, a homenagem do Governador e do Povo do Ceará. - 29/05/65”.

1966
“Placa de Bronze” no Theatro José de Alencar – 19/10/66

“À Eduardo Campos e a Comédia Cearense pelo sucesso


no Rio de Janeiro e pela 100 a. apresentação de “Rosa do
Lagamar. A homenagem do Prefeito Murilo Borges e do Povo
de Fortaleza”. Descerrada por Paulo Sarazate, Diretor-Presi-
dente de “O Povo”.

1970
E R R A

II Festival Nacional de Teatro Amador de São José do


Rio Preto – SP – 1970
S
A R O L D O

Peça: “O Simpático Jeremias”, de Gastão Tojeiro – Adap. de


Haroldo Serra
H
“Prêmio Arlequim – Melhor Espetáculo” pela Comissão

E A R E N S E
julgadora e “Segundo Lugar” pelo Júri Popular
“Melhor Diretor” – Haroldo Serra

C
“Melhor Ator” - Haroldo Serra

O M É D I A
“Melhor Figurino” - Flávio Phebo
“Melhor Sonoplastia” - Hélio Brasil
“Melhor Ator Coadjuvante” - Walden Luiz

C D A
“Menção Honrosa de Atriz” – Jacy Fontenele
“Menção Honrosa de Atriz Coadjuvente” – Regina Távora

N O S
“Menção Honrosa de Ator Coadjuvante” – Paulo Silveira

A
4 5
De volta a Fortaleza, é promovida pelo Jornal O Povo, “A Noi-

R E T R O S P E C T I VA
te do Arlequim” com presença do Governador do Estado, várias
autoridades e a classe teatral. A Comédia ganha “Placa de Bronze”
no saguão do Theatro José de Alencar:
“À Comédia Cearense e a Haroldo Serra que com a peça “O
Simpático Jeremias”, de Gastão Tojeiro, ganharam no II Festival de
Teatro de São José do Rio Preto, os troféus de “Melhor Espetáculo”,
“Melhor Diretor” e Melhor Ator”, a homenagem do Jornal O Povo
- Agosto de 1970”

A Câmara Municipal de São José do Rio Preto, a requerimento


do Veareador José Barbar Cury, aprova por unanimidade, “ voto de
grande júbilo pelo extraordinário sucesso com a realização do II
Festival de Teatro, o qual foi brilhantemente vencido por este notá-
vel grupo de teatro com a peça “O Simpático Jeremias”, que tantos
aplausos arrancou dos espectadores e dos críticos especializados”.

163
164 1971
III Festival Nacional de Teatro Amador de São José do
Rio Preto – SP - 1971

Peça: O Morro do Ouro, de Eduardo Campos


Adap. de Haroldo Serra
Música: Belchior e Jorge Mello

“Prêmio Arlequim de Melhor Espetáculo”, pela Comissão


Julgadora
“Melhor Espetáculo”, pelo Júri Popular
“Melhor Cenógrafo” - Haroldo Serra
“Melhor Atriz Coadjuvante” – Socorro Noronha
“Menção Honrosa de Diretor” – Haroldo Serra

1974
Em 5 de outubro a Comédia ganha “Placa de Bronze”, pela
inauguração do Teatro da Emcetur, com a peça de Eduardo Cam-
pos, “O Morro do Ouro”.

1976
Com a peça infantil “ O Planeta das Crianças Alegres”, de
Ciro Colares, a Comédia Cearense ganha o prêmio “Melhores do
Ano” pelo Serviço Nacional de Teatro.
E R R A

1977
S
A R O L D O

Prêmio “Melhor Espetáculo Infantil” do Serviço Nacional


de Teatro, com a peça “D. Patinha Vai Ser Miss”, de Arthur Maia.
H
Plaqueta de Bronze: “Ao querido casal Haroldo e Hiramisa Serra

E A R E N S E
com a amizade e a gratidão das “Oito Mulheres” – Maria José Braz,
Dayse Griezer, Maria Helena Macêdo, Carla Fagundes, Edneuma

C
Melo, Ana Maria Macêdo e Walderez Vitoriano. 12/77”.

O M É D I A
“Do Dr. Luiz Campos ao Diretor e Ator Haroldo Serra - Abril /77”

C D A
“Em homenagem aos 25 anos de teatro de Haroldo Serra, o
Instituto Brasil-Estados Unidos apresenta a peça Abe Lincoln em

N O S
Illinois” no Teatro do IBEU, dia 4 de abril às 21 horas. Em seguida

A
será oferecido um coquetel no pátio do Ibeu”.

4 5
R E T R O S P E C T I VA
“Placa de Bronze” no Theatro José de Alencar:

“Haroldo Serra – Jubileu de Prata


O reconhecimento da Secretaria de Cultura e da Classe Teatral
aos seus 25 anos de trabalho e amor ao Teatro Cearense”.

Dezembro de 1977

1978
“Melhor Espetáculo” – Serviço Nacional de Teatro – com
a peça “Rashomon”, de Eduard Fay e Michel Kamin com
tradução de Mário da Silva, que inaugurou o Teatro do Cen-
tro de Convenções, dentro das comemorações do
Cinqüentenário do jornal “O Povo”. - 24/02/78.

“Conselho Deliberativo Sociedade Brasileira Autores Tea-


trais aprovou voto congratulações dirigentes Teatro Móvel pelo êxito
iniciativa que muito contribuirá cultura teatral nosso grande povo
que habita férteis regiões glorioso nordeste deste nosso imenso et 165
muito querido Brasil pt Daniel Rocha Diretor de Comunicações”.
166 Conselho Estadual de Cultura, aprovou, por unanimidade, a
proposta do Conselheiro Eduardo Campos, no sentido de que fosse
registrado em ata um voto de louvor ao ensejo da passagem do 21º
aniversário de fundação da Comédia Cearense. - 21/09/78.

O Círculo dos Trabalhadores Cristãos Autônomos de Fortale-


za, concede o Título de Sócio Benemérito ao Sr. Haroldo Serra, pe-
los relevantes serviços prestados a este Círculo. – Lyrisse Porto –
Presidente. Em 27/03/78.

Diploma de Consagração Pública – Diploma de Honra ao


Mérito conquistada na consulta pública, realizada na cidade de
Fortaleza, pela Organização Informativa da Imprensa Brasileira,
realizada com a assistência da Sociedade Brasileira de Pesquisa e
Estatística, conforme resultado publicado no matutino “Unitário”
e divulgada na TV-Ceará e Ceará Radio Clube, por haver classifica-
do-se em Primeiro Lugar entre os realizadores do Setor Teatral. -
30/09/68.

1979
A Câmara Municipal de Fortaleza, no ano do transcurso do
Sesquicentenário de Nascimento de José de Alencar, concede a
Haroldo Serra o “Diploma Sesquicentenário de Alencar” pelo seu
devotamento à causa da Cultura Brasileira. José Barros de Alencar
– Presidente. Em dezembro de 1979

A atriz Hiramisa Serra é indicada, em São Paulo para o “Prê-


mio MEC - Troféu Mambembe”, categoria Atriz, pela peça de Eduar-
E R R A

do Campos “Rosa do Lagamar ‘.


S
A R O L D O
H
1981

E A R E N S E
“Plaqueta de Bronze” oferecida pelas entidades assistenciais,

C
ACE e ACAD – em 04/09/81

O M É D I A
1982

C D A
“Plaqueta de Bronze”- Haroldo Serra, as palmas da platéia e

N O S
do elenco do Morro do Ouro, nos seus 30 anos de Teatro – Martha

A
Vasconcelos – em 15/09/82.

4 5
R E T R O S P E C T I VA
“À Comédia Cearense a homenagem do Programa Irapuan
Lima, pelos 25 anos de Atividades”.

“No transcurso do “Dia do Artista” nossa homenagem a


Haroldo Serra pelos seus 30 anos dedicados ao Teatro Cearense.
Rotary Club – Fortaleza/Oeste – Cláudio Bedê – Presidente”.

Conselho de Cultura
Sr. Haroldo Serra
17/09/82

Temos a satisfação de comunicar a V.Sa. que, o Conselho Esta-


dual de Cultura, por iniciativa desta presidência, aprovou que lhe
fosse enviado um voto de congratulações pela transcorrência dos
25 anos da Comédia Cearense.
Comunicamos-lhe, outrossim, que esse testemunho de admi-
ração e reconhecimento, contou com o apoio dos Conselheiros pre-
sentes, Manuel Albano Amora, Mirian Carlos Moreira, Artur
Eduardo Benevides, Nízia Diogo, Mozart Soriano Aderaldo e Dálva
Stella Nogueira
167
Atenciosamente,
Manuel Eduardo Pinheiro Campos
168 Sec. de Cultura e Desporto e Pres. do Conselho Estadual de
Cultura.
Secretaria de Cultura e Desporto
15/12/82
“Amigo da Cultura”

A Secretaria de Cultura e Desporto homenageou com o diplo-


ma “Amigo da Cultura”, Nadir Papi de Saboya e Haroldo Serra. O
Sec. Eduardo Campos exaltou as virtudes dos homenageados: “ar-
tistas de memoráveis representações cênicas, os dois novos amigos
da cultura, marcam presença no cenário artístico cearense, especi-
almente nas artes cênicas, como diretores de peças e incentivadores
de movimentos artístico-culturais”.

1984
Hiramisa Serra – Diploma de Grande Colaborador da Cultu-
ra Cearense, por seu Apoio e Participação nos Eventos Culturais do
Ceará – Paulo Peroba Produções Culturais do Nordeste.

Haroldo Serra – Diploma de Grande Colaborador da Cultura


Cearense, por seu Apoio e Participação nos Eventos Culturais do
Ceará – Paulo Peroba Produções Culturais do Nordeste

1985
Diário Oficial
27/07/85
E R R A

“Conselheiro”
S
A R O L D O

Nomeação de Haroldo Serra para o Conselho Estadual de Cul-


tura pelo Gov. Adauto Bezerra.
H
1987

E A R E N S E
“Troféu Carlos Câmara” – Agraciado: Haroldo Serra Pro-

C
moção do Grupo Balaio - (Outros agraciados: B. de Paiva e Edilson

O M É D I A
Soares)

C
“Plaqueta de Bronze”- Honra ao Mérito – 30 anos de Comédia

D A
Cearense – 1957/1987 - Fundação Cultural de Fortaleza – Presi-

N O S
dente Cláudio Pereira.

A
4 5
Assembléia Legislativa
Sr. Haroldo Serra

R E T R O S P E C T I VA
Tenho a satisfação de comunicar-lhe que a Assembléia
Legislativa do Ceará, em atendimento ao requerimento do Senhor
Deputado Teodorico Menezes, aprovou e inseriu em Ata voto de
congratulações pelos trinta anos da Comédia Cearense.
Atenciosamente,
Deputado Luiz Pontes
Primeiro Secretário

1988
I Festival de Teatro Infantil do SESC
Organizado por Walfrido Salmito

“Melhor Espetáculo”:“Romão e Julinha” de Oscar Von Pfuhl

“Melhor Diretor”: Haroldo Serra (Romão e Julinha)

“Melhor Ator”: Arnaldo Matos ( A Onça e o Bode)


169
“Melhor Atriz: Eugênia Siebra ( A Onça e o Bode)
170 “Plaqueta de Bronze” Hiramisa Serra pelos 30 anos de Teatro
– Homenagem da TV Educativa.

“Plaqueta de Bronze”- Honra ao mérito à Hiramisa Serra


inexcedível interprete de Rosa do Lagamar”.

Fundação Demócrito Rocha – 10/12/88

Conselho de Cultura
Sr. Diretor da Comédia Cearense
07/11/88

O Conselho de Cultura congratula-se com todos os compo-


nentes desse tradicional grupo artístico, pelo recebimento do prê-
mio de “Melhor Espetáculo” com a peça “Romão e Julinha” no I
Festival de Teatro Infantil, revelando o estágio de seus talentos ar-
tísticos.
Atenciosamente,
José Blanchard Girão
Sub-Secretário de Cultura, Turismo e Desporto

Conselho de Cultura
Ilustríssima Atriz, Hiramisa Serra

O Conselho de Cultura, atendendo proposta do Conselheiro


Antônio Girão Barroso, consignou na ata da última sessão ordiná-
ria realizada em 1988, um voto de congratulações a V.Sa. pelo seu
excelente trabalho na peça “Rosa do Lagamar” no Teatro Arena
Aldeota.
E R R A

Atenciosamente,
José Blanchard Girão
S

Sub-Secretário de Cultura, Turismo e Desporto


A R O L D O
H
“Troféu Carlos Câmara” – Agraciado: Hiramisa Serra –

E A R E N S E
Promoção do Grupo Balaio – (Outros agraciados: Glyce Sales e
Hugo Bianchi).

C O M É D I A
“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

Diretor: Haroldo Serra (Conjunto de Trabalhos)

C D A
Atriz: Lourdinha Martins ( Rosa do Lagamar )
Hiramisa Serra (Conjunto de Trabalhos)

N O S
Cenário: Roberto Galvão (Os Fuzis da Senhora Carrar)

A
Especiais: Colégio Christus (Construção do Teatro

4 5
Arena Aldeota)

R E T R O S P E C T I VA
Hiramisa Serra (30 anos de Teatro}

1989
I FESTIVAL DE TEATRO DO SESC

Melhor Atriz: Hiramisa Serra, em a Mente Capta de Mauro


Rasi

“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

Espetáculo: A Mente Capta, de Mauro Rasi


Diretor: Haroldo Serra (A Mente Capta)
Atriz: Hiramisa Serra (A Mente Capta)
Antonieta Noronha (O Simpático Jeremias)
Atriz Coad.: Eugênia Siebra (A Mente Capta}
Ator Coad.: Rogério Medeiros (Conjunto de Trabalhos}
Revelação: Poliana Moraes (A Mente Capta)
Guglielmina Saldanha (A Mente Capta)
171
172 1990
“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

Espetáculo: A Valsa Proibida, de Paurillo Barroso


Produção: A Valsa Proibida
Figurino: Flávio Phebo (In Memoriam)
Atriz: Ayla Maria (A Valsa Proibida)
Dir. Musical: Herlon Robson (A Valsa Proibida)
Ator Coad.: Haroldo Serra (A Valsa Proibida)
Revelação: Márcia Sucupira (O Julgamento dos Animais)

1991
Plaqueta de Bronze- “À Comédia Cearense pelo transcurso do
segundo aniversário do Projeto Teatro Permanente. – Fundação
Cultural de Fortaleza – Presidente Cláudio Pereira – Julho de 1991”.

“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

Espetáculo: Cinderela, de Hiramisa Serra


Ator: Walden Luiz (O Morro do Ouro)
Atriz: Guglielmina Saldanha (Branca de Neve)
Hiramisa Serra (O Morro do Ouro)
Poliana Moraes (Conjunto de Trabalhos)
Autor: Eduardo Campos: (O Morro do Ouro)
Figurino: Hiramisa Serra (Cinderela)
Música: Belchior e Jorge Melo (O Morro do Ouro)
E R R A

Dir. Musical: Mário Mesquita (O Morro do Ouro)


S
A R O L D O
H
1992

E A R E N S E
“Plaqueta de Bronze” – 82o Aniversário do Theatro José de

C
Alencar – Homenagem aos Ex-Diretores – À Sra. Hiramisa Serra o

O M É D I A
nosso agradecimento – 17/06/92

C
“Plaqueta de Bronze” – 82o. Aniversário do Theatro José de

D A
Alencar – Homenagem aos Ex-Diretores – À Haroldo Serra o nos-

N O S
so agradecimento – 17/06/92

A
4 5
“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

R E T R O S P E C T I VA
Ator: Euler Muniz ((Pinocchio}
Sonoplastia: Haroldo Serra (Casamento de Dona Baratinha)
Revelação: Odair Prado (O Gato de Botas)
Especial: Haroldo Serra (40 anos de Teatro)

1993
A Fundação Cultural de Fortaleza concede a Hiramisa Serra a
Placa de Honra ao Mérito pelos seus relevantes serviços prestados à
Cultura e a Ciência. Dia da Cultura – Cláudio Pereira – Presiden-
te. Em 05/11/93.

O catálogo da XII Bienal de São Paulo registra a participação


de Haroldo Serra, Carlos Morais e Aderson Medeiros na Bienal
com o trabalho “A Morte do Circo”– 25 m2 de Arte/Comunicação.
(outubro/novembro/73).

“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”


173
Esp. Infantil: Alice no País das Maravilhas
Ator: Hiroldo Serra (Conjunto de Trabalhos)
174 Atriz: Martha Vasconcelos (A Casa de Bernalda Alba)
Veimires Lavôr ( A Casa de Bernarda Alba)
Especial: Colégio Christus (Construção do Teatro
Paurillo Barroso

1994
“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

Esp. Infantil: O Mágico de Oz


Figurino: Hiramisa Serra (O Mágico de Oz)
Atriz Coad.: Silvana Salles (O Mágico de Oz)
Especial: Antonieta Noronha

1995
I FESTIVAL DE FORTALEZA – 1995
Prêmio Waldemar Garcia

“Melhor Atriz” – Hiramisa Serra (A Mente Capta)


“Melhor Figurino” – Hiramisa Serra ( A Mente Capta)

“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

Produção: A Bela Adormecida, de Walden Luiz


Diretor: Haroldo Serra (Circo Rataplan)
Ator Coad.: Irish Salvador (Peter Pan)
Revelação: Roberta Brasil (Peter Pan)
E R R A
S
A R O L D O
H
1996

E A R E N S E
“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

C O M É D I A
Autor: Dimitri Túlio (O Detestinha)
Figurino: Hiramisa Serra (A Onça e Bode)

C
Atriz Coad.: Poliana Moraes (Cinderela)

D A
Revelação: Itauana Ciribelli (Branca de Neve)

N O S
1997

A
4 5
R E T R O S P E C T I VA
“Troféu Carlos Câmara”- Agraciado: Comédia Cearense –
40 Anos. Promoção do Grupo Balaio (Outros agraciados: Ilclemar
Nunes e Muriçoca)

“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

Ator Coad.: Walden Luiz (Alvorada)


Maquilagem: Haroldo Júnior (Conjunto de Trabalhos)

Assembléia Legislativa do Ceará


17 de março de 1997

Senhor Diretor

Atendendo ao requerimento de autoria do Senhor Deputado


Artur Bruno, subscrito pelos Senhores Deputados Eudoro Santana,
Tomaz Brandão, Barros Pinho e Artur Silva, aprovado em Plená-
rio, comunicamos a V. Sa. o registro em Ata dos trabalhos desta
Casa de voto de congratulação a esse grupo teatral, pelo transcurso
alusivo aos “40 anos” de suas atividades.
175
Deputado Welington Landim
Primeiro Secretário
176 Assembléia Legislativa do Ceará
03 de abril de 1997

Prezado Senhor

Atendendo ao Requerimento de autoria do Senhor Deputado


Barros Pinho, subscrito pelos Senhores Deputados João Alfredo,
Tomaz Brandão, Artur Bruno e Arthur Silva, comunicamos a V.
Sa. o registro em Ata dos trabalhos desta Casa de voto de congratu-
lação, pelo transcurso alusivo ao “Dia Mundial do Teatro”.
Deputado Welington Landim
Primeiro Secretário

Agência Mark Propaganda


Kroma Produções
Cliente: Mercadinhos São Luiz
Duração: 90”
Roteiro: Garcia Júnior

Veiculado na televisão em homenagem aos 40 anos da Comé-


dia Cearense (Me Acostumei Com Você)

Aos Atores Haroldo e Hiramisa Serra e demais integrantes da


Comédia Cearense. 20/09/97

O Teatro da Praia, na figura do seu diretor, o ator Carri Costa,


parabeniza tão importante grupo teatral pelos 40 anos de intensa e
significativa atividade cultural no campo das Artes Cênicas em
Fortaleza, no Ceará e no Brasil.
E R R A

“Sinto-me demasiadamente estimulado a continuar o meu tra-


balho e pôr que não dizer: luta diária, que amo profundamente, ao
S

me deparar com o testemunho de vossas vidas voltadas para essa


A R O L D O

fascinante arte. A história do teatro no Ceará se orgulha de ter sido


ornada com as pérolas de suas produções e com certeza qualquer
H
homenagem que ressalte e valorize esses atos de bravura, cairão de

E A R E N S E
forma mais justa.
Diante disso o Teatro da Praia, filho caçula do movimento te-

C
atral, sente-se no dever de saudar esse importante antecessor e de-

O M É D I A
sejar que suas produções continuem a atravessar décadas, num res-
gate honroso daquilo que sabemos melhor fazer: Teatro”.
Carri Costa

C D A
Câmara Municipal de Fortaleza

N O S
Presidente: Acilon Gonçalves

A
20 de setembro de 1997

4 5
R E T R O S P E C T I VA
“Cidadão de Fortaleza”

Haroldo Serra recebe, por propositura da Vereadora


Luiziane Lins, o título Cidadão de Fortaleza

Haroldo Serra Fortaleza está mais cidadã fazendo


cena com alegria – Parabéns – Artur Bruno

Conterrâneo juntos faremos mais por Fortaleza.


Fortitudne – Abraços Orlando Miranda.

Parabéns pela honrosa e merecida homenagem -


Fátima Mendes Belchior.

Receba minhas congratulações justa homenagem


ao dileto colega extensivas Comédia Cearense.
Martha Vasconcelos

Apraz-me cumprimenta-lo merecida homenagem prestada a


V. Sa. através Câmara Municipal de Fortaleza.
Atenciosamente – Adolfo Marinho Pontes 177
Parabéns merecido título cidadão de Fortaleza.
Kécia Morais Lopes
178 Assembléia Legislativa do Ceará
20 de setembro de 1977

Prezado Haroldo Serra

Atendendo requerimento de autoria do Senhor Deputado João


Alfredo, aprovado em plenário, comunicamos o registro em Ata dos
trabalhos desta Casa de voto de congratulação por ter sido agraci-
ado com o título de “Cidadão de Fortaleza” concedido pela Câmara
de Vereadores.
Atenciosamente, Deputado Ricardo Almeida- Seg. Secretário

Merecimento

“Em solenidade especial, na decorrência dos 40 anos da Co-


média Cearense, Haroldo Serra recebeu da Câmara Municipal o
título de “Cidadão de Fortaleza”. Uma homenagem super mereci-
da a um artista que trabalhou, incansavelmente, ao longo de dé-
cadas, pela manutenção de um elenco permanente de (bom) teatro
no Ceará”.

Lêda Maria - Diário do Nordeste – 28/09/97

1998
“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

Espet. Infantil: A Família Addams


Maquilagem: Haroldo Júnior
E R R A

Revelação: Jadeilson Feitosa (A Familia Addams)


Christiane Goes (A Familia Addams)
S
A R O L D O
H
1999

E A R E N S E
“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

C O M É D I A
Ator: Hiroldo Serra (Peter Pan)
Ator Coad.: Jadeilson Feitosa (Peter Pan)

C
Paulo Roque (Mogli, O Menono Lobo)

D A
N O S
2000

A
4 5
Governo do Estado do Ceará

R E T R O S P E C T I VA
Secretaria de Educação Básica
Homenagem Especial

Haroldo Serra e Hiramisa Serra

Homenagem pelos relevantes serviços prestados no campo da


arte, com notável contribuição para o desenvolvimento de uma edu-
cação pública de qualidade.

Antenor Naspolini
Secretário de Educação Básica – 27/11/2000

“Prêmio Destaque do Grupo Balaio”

Produção: As Mil e Uma Noites, de Walden Luiz


Ator: Walden Luiz (Conjunto de Trabalhos)
Ator Coad.: Haroldo Serra (500 Anos do Sr. Moleza)
Figurino: Hiramisa Serra (As Mil e Uma Noites)
Sonoplastia: Haroldo Neto (Conjunto de Trabalhos)
Especial: Hiroldo Serra (25 Anos de Teatro)
179
180 2001
Prefeitura Municipal de Fortaleza
FUNCET – 29/11/01

O Professor Barros Pinho presta homenagem a Haroldo Serra


no Dia da Cultura e Ciência por sua dedicação ao Teatro Cearense.

2002
HAROLDO SERRA RECEBE HOMENAGEM NO TJA

O diretor teatral Haroldo Serra foi homenageado, ontem, na


abertura do I Festival de Teatro de Fortaleza, pelos seus 50 anos de
dedicação à arte. A cerimônia aconteceu no Teatro José de Alencar e
contou com as presenças dos dirigentes da Fecomércio, Luiz Gastão
Bittencourt, e da Fundação de Cultura Esporte e Turismo de Forta-
leza (Funcet), Barros Pinho, promotores do evento.
Ao receber o troféu em sua homenagem, Haroldo Serra anun-
ciou está organizando a criação da Casa da Comédia Cearense que
deve dispor, em seu espaço, de uma biblioteca para estudo, pesquisa
e discussão sobre teatro.
Haroldo Serra também falou da família e destacou a alegria de
ter envolvidos com o teatro a esposa (Hiramisa Serra), filhos e ne-
tos.
“O maior mérito do Haroldo é a persistência em superar difi-
culdades, num meio ainda pequeno e onde o apoio nunca é bastan-
te. Ele lutou aqui, venceu aqui, e abriu espaços com o teatro do
E R R A

Christus, por sua determinação. É uma homenagem muito mereci-


da porque tem feito muito pelo teatro cearense”, afirmou o senador
S

Lúcio Alcântara, que participou da solenidade.


A R O L D O

O Povo – 07/01/02
H
Coordenadoria de Assistência Social

E A R E N S E
Célula em Co-Gestão da Secretaria do
Trabalho e Ação Social – SETAS

C O M É D I A
Esta Coordenação tem a honra de participar que V. Sa. foi in-
dicado para ser homenageado por seus relevantes serviços presta-
dos às Artes Cênicas, tanto no Ceará quanto a nível nacional.

C D A
Contamos com sua presença no dia 17 de janeiro de 2002 no
teatro SESC Emiliano Queiroz às 15h para receber nossas homena-

N O S
gens.

A
4 5
Regina Ângela Sales Praciano

R E T R O S P E C T I VA
Coordenadora

O troféu foi entregue pela atriz Jane Azeredo, atual presidente


do Sindicato dos Artistas do Ceará.

Câmara Municipal de Fortaleza

Prezado Haroldo Serra

Levamos ao conhecimento de V. Sa. que foi aprovado o Reque-


rimento No. 002/02, de autoria do Vereador Heitor Férrer, solici-
tando “Votos de Congratulações”, pelo transcurso de 50 anos de
vida dedicada ao povo cearense através de seu enorme talento nas
artes cênicas.

Atenciosamente,
Vereador Francisco Matias
Primeiro Secretário

Por ocasião da estréia de “O Gólgota” no Teatro Arena Aldeota, 181


o Deputado Artur Bruno homenageou, com “Placa de Bronze”, em
nome da Assembléia Legislativa do Ceará, a Comédia Cearense,
182 por seus 45 anos de fundação e a Haroldo Serra por seus 50 anos de
Teatro. Integrou a comitiva o Deputado João Alfredo.

Teatro da Praia

No dia 29/06/02, no encerramento do Festival de Esquetes,


promovido pelo Teatro da Praia, Carri Costa, dirigente do grupo,
outorgou a Comédia Cearense, por seus 45 anos de fundação e a
Haroldo Serra, pelos seus 50 anos de teatro, o troféu “Gasparina
Germano”. No saguão do teatro exposição retrospectiva da Comé-
dia Cearense.

Academia Cearense de Letras


Artur Eduardo Benevides
Presidente

Haroldo Serra, Orlando Leite, Beatriz Alcântara, Mauro


Benevides, Pedro Henrique Saraiva Leão, Lourdes Sarmento e João
Dummar foram distinguidos com o “Diploma de Mérito Cultural”
na sessão solene realizada em 15 de agosto de 2002, na sede da
Academia Cearense de Letras.

IX Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga

Fernando Piancó, em nome da organização do IX Festival Nor-


destino de Teatro de Guaramiranga, comunicou que o referido fes-
tival fará homenagem a Comédia Cearense, pelos seus 45 anos de
atividades e a Haroldo Serra pelos seus 50 anos de teatro. Solicitou
E R R A

ao grupo material para promover uma exposição retrospectiva da


Comédia Cearense durante o Festival que será realizado de 13 a 21/
S

09/02.
HA R O L D O
“Sereia de Ouro”

E A R E N S E
Edilmar Norões comunicou a Haroldo Serra, em nome de D.

C
Yolanda Queiroz, a sua escolha para o troféu “Sereia de Ouro”.

O M É D I A
Também foram agraciados: Irmã Elizabeth Silveira; Prof. Roberto
Cláudio Bezerra e Jornalista Luiz Edgar Andrade. A solenidade
acontecerá no dia 27 de setembro de 2002, no Ideal Clube.

C D A
Por iniciativa do Vereador Heitor Férrer a Câmara Municipal

N O S
de Fortaleza, outorgará a Haroldo Serra, a “Medalha Boticário

A
Ferreira”.

4 5
R E T R O S P E C T I VA

183
EDITORA COMÉDIA CEARENSE

Assim como as exposições de artes plásticas de artistas


cearenses, das mostras de artesanato quando em viagem, a editora é
também uma atividade paralela da Comédia Cearense. A sua cria-
ção deveu-se a necessidade da publicação da Revista “Comédia
Cearense”. A partir daí fomos publicando eventualmente, contos,
romances e peças teatrais de autores conterrâneos. Os 45 anos
não nos fez arrefecer, ao contrário, nos estimula. A partir deste ano
vamos intensificar as publicações.
As nossas edições fazem parte do acervo de várias bibliotecas
municipais e de universidades. Dentre elas:
Biblioteca da Universidade Federal de Uberlândia; Biblioteca
da Prefeitura Municipal de Uberlândia; Biblioteca Latinoamericana
Benson da Universidade do Texas em Austin/EUA; Biblioteca Cen-
tral da Universidade Federal de Goiânia; Biblioteca do Serviço So-
cial do Comércio – SESC/Pernambuco; Biblioteca da Escola de Co-
municações e Artes de São Paulo; Biblioteca Mário de Andrade do
Departamento de Bibliotecas Públicas da Prefeitura Municipal de
São Paulo.
Endereço para pedidos: Rua Canuto de Aguiar, 707/602 – CEP
60160 120 – Meireles – Fortaleza/Ce.
186 PUBLICAÇÕES:

Revista Comédia Cearense:

Nº 1 – Informações do grupo e texto completo da peça “Mor-


ro do Ouro”, de Eduardo Campos – 1964 (esgotada).

Nº 2 - Informações do grupo; “História do Theatro José de


Alencar ”, por Raimundo Girão; “Curta História de uma Ve-
dete” (Concha Acústica), por Milton Dias e textos comple-
tos das peças “Rosa do Lagamar ”, de Eduardo Campos; “A
Viagem do Anjo Paulinho a Terra”, de Nertan Macêdo e em
separata “A Vigilia da Noite Eterna”, de B. de Paiva – 1964
(esgotada)

Nº 3 – Informações do grupo e texto completo da burleta


“O Casamento da Peraldiana”, de Carlos Câmara - 1966 (es-
gotada).

Nº 4 – Informações do grupo; “Mais de Meio Século de


Theatro José de Alencar”, por Raimundo Girão e texto com-
pleto da peça “Os Deserdados”, de Eduardo Campos – em
português e espanhol, com tradução de Geraldina Amaral –
1967 (esgotada).

Nº 5 – Informações do grupo; Mobral e Teatro Móvel e tex-


to completo da peça “A Execução, ou antes, O Assassinato
Jurídico do Cel. Joaquim Pinto Madeira, ou ainda, A Guerra
do Benze-Cacete”, de Nertan Macedo - 1978 (disponível).
E R R A

Nº 6 – Informações do Grupo; “Novo Teatro Móvel” e “Pla-


S

no Anual de Divulgação Artística e textos completos das


A R O L D O

peças “A Caça e o Caçador ”, de Francisco Pereira da Silva e


“A Farsa do Cangaceiro Astucioso”, de Eduardo Campos. 1980
(disponível).
H
Nº 7 – Informações do Grupo e textos completos das peças

E A R E N S E
infantis “Zartan, O Rei das Selvas”, de Ilclemar Nunes; “O
Planeta das Crianças Alegres”, de Ciro Colares e “O Julga-

C
mento dos Animais”, de Eduardo Campos. 1981 (esgotada).

O M É D I A
Nº 8 – Informações do Grupo e textos completos das burletas
“Calu” e “Alvorada”, de Carlos Câmara. 1981 (esgotada).

C D A
Nº 9 – Informações do Grupo – Comemorativa dos 25 anos

N O S
da Comédia Cearense e textos completos das peças “O

A
Morro do Ouro” e “Rosa do Lagamar” de Eduardo Cam-

4 5
pos. 1982 (esgotada).

R E T R O S P E C T I VA
Nº 10 – Informações sobre o Grupo e texto completo da
opereta “A Valsa Proibida”, de Paurillo Barroso. 1984 (esgo-
tada).

Nº 11 – Informações sobre o Grupo e texto completo da


peça “Minha Nora Inglesa”, de Walderez Vitoriano. 1985 (dis-
ponível).

Nº 12 – Informações sobre o Grupo – “História do Theatro


José de Alencar, por Ricardo Guilherme e texto completo da
peça “O Pão”, de Oswald Barroso. 1986 (disponível).

Nº 13 – Informações sobre o Grupo – Comemorativa dos 30


anos – “ Trajetória da Comédia Cearense”, por Marcelo Cos-
ta. 1987 (disponível).

Nº 14 – Sobre o “Teatro Arena Aldeota” e a implantação do


“Projeto Teatro Permanente”. 1989 (disponível).
187
188 Outras Publicações

LP -“Pastoril – Cantigas do Cearᔠ– Poesia e Crônicas de


Jáder de Carvalho, Blanchard Girão, Eduardo Campos, Mil-
ton Dias, Moreira Campos, Juarez Barroso, Filgueiras Lima e
Martins D’Alvarez. Canções de Aluysio de Alencar Pinto.
Com as participações de José Domingos, João Falcão,
Giacomo Mastroiani, Narcelio Lima Verde, José Humberto,
B. de Paiva, Aderbal Júnior, Haroldo e Hiramisa Serra e do
Madrigal da Universidade do Ceará, com regência do Maes-
tro Orlando Leite.
Brevemente em CD (remasterizado) como apoio de Calé
Alencar.

“Os Grandes Espantos” – Eduardo Campos - 1965

“O Clã dos Inhamuns” – Nertan Macêdo – 1965

“As Cunhãs” – Milton Dias – 1965

“As Danações” - Eduardo Campos – 1966

“Os Deserdados” – Teatro - Portugues/Espanhol – Tradução


de Geraldina Amaral – 1967

“Eduardo Campos – Ator e Autor, 40 Anos a Serviço do Tea-


tro Cearense – 1979

“Teatro na Escola” – Peças Teatrais – Hiroldo Serra - 2001


E R R A

“Novelo do Tempo” - Poesia - Caio Quinderé – 2002


S
A R O L D O

“Retrospectiva” – 45 Anos da Comédia Cearense – Haroldo


Serra – 2002
H
BASTIDORES

Quem já não ouviu a promessa: me dá o endereço que eu te


mando o texto. Fica quase sempre na promessa. De certa feita,
Procópio Ferreira, que fazia temporada no José de Alencar, aceitou,
com todo o elenco da cia., convite para um jantar preparado pela
Hiramisa. O papo era variado: teatro...teatro e teatro. Comentei
com Procópio sobre um grande sucesso de sua carreira: “Flores de
Sombra” e que eu gostaria muito de conhecer o texto. Antes do
final da temporada, Procópio manda me chamar no camarim e me
surpreende: - Eis a peça que você queria...”
Quebrou a máxima... mandou vir do Rio a peça de Cláudio de
Souza, em rara edição de 1919, e me ofertou com honroso ofereci-
mento:

Haroldo,

Aproveito a oportunidade para dizer da grande alegria que


tive em lhe conhecer. Muitos homens de teatro, e que se dizem de
teatro, nada entendem de teatro, eis a razão pela qual manifesto o
enorme contentamento de ver em você um verdadeiro homem de
teatro. Graças a Deus.
A você a minha solidariedade, a minha admiração e a minha
estima.
Seu, do coração

Procópio – 30/11/69
190 Como se vê, Procópio, além de grande ator, era um verdadeiro
“gentleman”. Felizmente tive o prazer de conhecer na área teatral
outras personalidades não menos cordiais, uma delas é Sábato
Magaldi.
Em princípios de 1981 era iminente a venda, pela Universida-
de Federal do Ceará, do prédio vizinho ao Theatro José de Alencar,
que por direito pertencia ao Estado do Ceará. À época diretor do
teatro, procurava evitar, por todos os meios, que de repente, o pré-
dio privatizado, viesse abrigar sei lá o que...
Enviei correspondência consubstanciada a Sábato, então mem-
bro do Conselho Federal de Cultura, municiado por dados que me
foram fornecidos por Liberal de Castro. A resposta se fez de pronto:

Rio, 16/10/81

Prezado Haroldo:

Estou enviando a você a proposta que fiz ontem no Conselho


Federal de Cultura e foi aprovada por unanimidade. A Rachel de
Queiroz e o Djacir Menezes, que são cearenses, apoiaram com vee-
mência minhas palavras e redigiram a nota anexa, que acompanha-
rá a indicação ao ministro Ludwig e a outras autoridades.
A decisão do Conselho – espero – poderá resolver o caso, evi-
tando que o imóvel seja vendido a terceiros. O Orlando Miranda
será também acionado, para que fortifique as reivindicações.
O Conselheiro Adonias Filho, presidente do Conselho, não vê
objeção que este material se torne do conhecimento dos interessa-
dos. Assim, você está livre para dar-lhe o destino que julgar conve-
niente.
E R R A

Lembranças à Hiramisa e um abraço para você.


Sábato
S
A R O L D O
H
A proposta na íntegra:

E A R E N S E
Sr. Presidente, Srs. Conselheiros:

C O M É D I A
O Magnífico Reitor da Universidade Federal do Ceará
oficiou ao Excelentíssimo Senhor Governador daquele Es-
tado, propondo a venda do imóvel situado na esquina da

C D A
rua 24 de Maio com Liberato Barroso, em Fortaleza, onde
se acha instalada a antiga Faculdade de Odontologia, atual

N O S
Curso de Odontologia do Centro de Ciências da Saúde. O

A
terreno se incorporaria ao Theatro José de Alencar, tomba-

4 5
do pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Naci-

R E T R O S P E C T I VA
onal, o que é uma velha reivindicação dos responsáveis pela
casa de espetáculos, já que ampliariam os jardins e se adap-
taria uma construção ali existente para apoio das ativida-
des artísticas.
Informa o Magnífico Reitor que a alienação do imóvel
foi autorizada pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da
Republica, por meio do Decreto n. 86.031, de 27 de maio de
1981, e pondera que, se terceiros o adquirissem, poderia que-
brar-se a unidade arquitetônica do Teatro, com uma
edificação inconveniente para a beleza do logradouro.
É de louvar-se a preocupação do Magnífico Reitor que,
de acordo com a avaliação feita pelo Departamento de Obras
e Projetos da UFC, propõe a compra pelo preço de
Cr$124,897.040,00 (cento e vinte e quatro milhões oitocentos
e noventa e sete mil e quarenta cruzeiros).
Pelo que sei, ninguém admite em Fortaleza que o imó-
vel tenha destino diferente da incorporação ao Theatro José
de Alencar.
Ciente das dificuldades financeiras e jurídicas do Go-
verno do Ceará para realizar a transação, venho pedir que 191
este Conselho seja mediador no encaminhamento do pro-
blema, para que ele tenha um desfecho feliz.
192 E não me parece difícil. Na realidade, o imóvel que a
Universidade pretende agora vender ao Estado do Ceará foi
por ele cedido à Faculdade de Medicina, mediante condi-
ções constantes da Lei n. 55, de 17 de novembro de 1947. As
cláusulas salvaguardam os interesses do Estado, inclusive a
de voltarem os mencionados prédios e terreno ao patrimônio
do mesmo Estado se a Faculdade de Medicina não for efeti-
vamente fundada ou, se o for, não preencher de qualquer
maneira as suas finalidades”. Ora, instalando-se a Faculda-
de de Odontologia da Universidade, atual ocupante do imó-
vel, no bairro de Porangabussu. Deixa ele de preencher as
suas finalidades, devendo pura e simplesmente reverter ao
patrimônio do Estado, que lhe dará a melhor destinação. A
devolução da área ao Governo do Ceará, sem nenhum ônus,
já que o imóvel serviu durante trinta anos ao ensino, é ato
elementar de justiça.
Sem aprofundar a questão jurídica, seria possível pre-
ver que, se a Universidade Federal alienasse o imóvel a ter-
ceiros, o Estado, em face das condições previstas na citada
Lei n. 55, de novembro de 1947, teria o direito de impugnar
a transação. E, entre dois órgãos da administração pública,
não cabe esse gênero de pendência.
O Governo do Ceará já havia solicitado ao Ministro da
Educação e Cultura a doação ou cessão gratuita do imóvel,
com o objetivo de construir o jardim da face poente do
Theatro José de Alencar. O Excelentíssimo Senhor Ministro
Eduardo Portella, então titular da pasta, respondeu ao
Excelentíssimo Senhor Governador do Ceará, alegando que,
“No momento, entretanto, torna-se difícil atender a solicita-
E R R A

ção, por não ter a Universidade Federal do Ceará outro local


para abrigar a referida escola” (Faculdade de Odontologia).
S

Proximamente, com a mudança do estabelecimento, esse


A R O L D O

óbice desaparece, não havendo mais motivo para que se deixe


de atender ao pedido.
H
A interveniência do Conselho Federal de Cultura junto

E A R E N S E
ao Ministério poderá pôr fim a uma questão do maior inte-
resse para o embelezamento de uma área tombada pelo

C
Patrimônio Histórico. O Estado do Ceará compromete-se,

O M É D I A
em contrapartida, a implantar os jardins projetados pelo
grande paisagista Roberto Burle Marx, demolindo todas as
edificações sem significado arquitetônico ora ali remanes-

C D A
centes, conservando apenas o pequeno e quase secular edi-
fício construído para a sede da Escola Normal, que será de-

N O S
vidamente restaurado para uso de serviços auxiliares do Te-

A
atro, tais como ensaios de peças, escolas de dança etc.

4 5
A boa vontade do Excelentíssimo Senhor Ministro Ru-

R E T R O S P E C T I VA
bem Ludwig poderá levar à revogação do Decreto n. 86.031,
de 27 de maio de 1981, que autorizou a Universidade Fede-
ral do Ceará a alienar o imóvel, devolvendo-se ele ao Estado
do Ceará, com o objetivo de servir a um tão nobre projeto
artístico e cultural.

Sábato Magaldi, conselheiro

Abaixo o adendo conjunto de Rachel de Queiroz e Djacir


Menezes:

Crescidos à sombra do tradicional Theatro José de


Alencar, edifício julgado por Rodrigo Mello Franco de
Andrade, um dos mais belos exemplares da arquitetura Art-
Noveau existentes no Brasil, fazemos nossa a argumentação
exposta pelo Conselheiro Sábato Magaldi no presente rela-
tório, a decisão que se aplaudirá, se favorável nesse proces-
so, tocaria profundamente o coração cearense, em nome do
qual pretendem falar os dois signatários.
193
Rachel de Queiroz
Djacir Menezes
194 Outra gentileza de Sábato foi atender ao nosso convite para
vir a Fortaleza prestigiar a inauguração da Biblioteca Carlos Câ-
mara, do Theatro José de Alencar, cujo acervo, com mais de mil
títulos, adquiri do ator José Domingos, contemporâneo de Carlos
Câmara, e doei ao Teatro. É evidente que primeiro José Domingos
procurou as “autoridades competentes”. Ele queria apenas o valor
do frete do Rio para Fortaleza. Foi recebido, mas não atendido.

Tão grave quanto a história do prédio vizinho ao José de Alencar


foi a notícia de que o Teatro São João, em Sobral, seria demolido
para em seu lugar ser construída a “moderna” sede da Prefeitura
Municipal.
Novamente com o apoio do Liberal de Castro, alunos da Facul-
dade de Arquitetura e vários outros artistas, fomos aos jornais e
televisões para denunciar. Deu excelente resultado... o Prefeito José
Prado, de Sobral, nos procurou e de forma ingênua (?) disse: - Vocês
criticam... eu quero saber se vão ajudar na recuperação do Teatro
São João. Liberal, de pronto, organizou uma equipe da Arquitetu-
ra, conseguiu verba federal e fomos muitas vezes a Sobral acompa-
nhar os trabalhos. É bom que se diga: sem receber qualquer remune-
ração. Na reabertura do Teatro, a Comédia encenou “O Demônio
Familiar”, de José de Alencar, e um grupo de artistas sobralenses
montou uma adaptação de “Luzia Homem”, de Domingos Olimpio.
Uma história com final feliz...

De tanto ouvir as estórias de Waldemar Garcia sobre Crato,


acabamos por nutrir uma afeição especial por aquela cidade. Foi
portanto prazeroso, ter tido a oportunidade de ajudar na implanta-
E R R A

ção do Teatro Rachel de Queiroz – uma justa homenagem à nossa


escritora maior.
S

Ganhamos o reconhecimento da Sociedade de Cultura Artísti-


A R O L D O

ca do Crato, em missiva assinada pela batalhadora Divani Cabral:


“ ... A sua interferência junto ao SNT, nos fez conseguir a
H
verba para o teatro. Até que enfim este sonho vai se realizar. O

E A R E N S E
Teatro Rachel de Queiroz será terminado...
... Mais uma vez o nosso agradecimento e aqui na Sociedade

C
de Cultura Artística o sr. terá sempre boa vontade, interesse e ale-

O M É D I A
gria em lhe servir”.
Há melhor pagamento?

C D A
O bom nesse apoio que temos dado a implantação de casas de

N O S
espetáculos de nossas cidades interioranas é, quase sempre, a opor-

A
tunidade da Comédia Cearense encenar, na inauguração, um espe-

4 5
táculo de seu repertório.

R E T R O S P E C T I VA
A pedido do então Governador Adauto Bezerra, acompanha-
mos a implantação do Teatro Municipal de Juazeiro. Para inaugu-
ra-lo, por convite do Prefeito Orlando Bezerra, encenamos “O Morro
do Ouro”, de Eduardo Campos. Teatro lotado, muitos aplausos.
Uma noite memorável...

Outra figura admirável, “meu tipo inesquecível” de todos os


que fazem teatro no Brasil, era Paschoal Carlos Magno. Duvido
que alguém o tenha procurado e recebido um não como resposta.
Chamada telefônica certa no Ano-Novo; um quadro ou um objeto
artístico quando o visitávamos. Oferecia muito e pedia pouco. Pena
não ter podido atender a uma sua solicitação:
Haroldo

É realmente uma pena que a Comédia Cearense não possa par-


ticipar do Festival da Aldeia.
Fico até namorando a possibilidade de “O Demônio Familiar”
ser representada para gente de todas as idades.
Eu me lembro que, trabalhando em Manchester, assisti á 195
“Macbeth”, de Shakespeare, representada para crianças, motivando
um clima polêmico.
196 Os pedagogos respondiam que a tragédia vinha carregada da-
quela poesia, que é mais fácil ser compreendida pelas crianças que
pelos adultos.
Ora, “O Demônio Familiar” não tem crimes e é uma deliciosa
aventura dos nossos avós. Sua linguagem é limpa. Sua história é
uma lição de sobriedade e bons costumes.
Se o Governador César Cals, que é um homem lúcido e inteli-
gente, e fez um governo voltado para a cultura, resolver nos dar o
presente de encerrar o “VII Festival” com “O Demônio Familiar”,
seria o melhor prêmio para este velho combatente.
De qualquer maneira, terminado o Festival e inaugurado em
Niteroi o Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, vou a Fortaleza,
que é uma das terras que amo, desde os vinte anos.
Lembranças a Hiramisa, ao pintor e a dançarina.

Abraço do seu amigo


Paschoal

Tal qual a biblioteca, também sem custos para o Teatro, foi a


instalação do “Museu de Teatro de Fortaleza”. Ricardo Guilherme,
seu criador, nos oficiou:

Senhor Diretor

Vimos, por meio desta, propor a V. .Sa., a instalação, nesta


casa de espetáculos, do Museu de Teatro de Fortaleza, atualmente
em funcionamento no Teatro São José. Tal proposição visa a melhor
atender aos nossos objetivos de difundir e preservar acervos refe-
E R R A

rentes à história da Arte Dramática Cearense, proporcionando as-


sim a turistas, estudantes e pesquisadores em geral o estudo mais
S

detalhado e a averiguação curiosa do assunto,


A R O L D O

Outrossim, esclareceríamos que a adesão que nos fosse dada


não implicaria em ônus, posto que nos responsabilizaríamos pela
H
disposição de todo o material (folhetins, retratos, programas, tex-

E A R E N S E
tos, recortes, documentos, etc.) e nos encarregaríamos de promover,
junto a estabelecimentos de ensino e entidades culturais, a visita a

C
interessados.

O M É D I A
Ficaria, ainda, acertado que no caso de não ser mais possível a
permanência do Museu no T. J. de Alencar, o acordo seria desfeito,
sem que nenhuma parte envolvida tivesse direito a objeções.

C D A
Aproveito o ensejo para apresentar-lhe os mais sinceros pro-
testos de elevada estima e consideração.

A N O S
Atenciosamente

4 5
Ricardo Guilherme

R E T R O S P E C T I VA
Diretor do Museu de Teatro de Fortaleza

B. de Paiva, velho companheiro das primeiras investidas no


teatro e parceiro na Comédia em muitos e importantes momentos,
da o seu testemunho sobre os 45 anos do grupo e fala sobre muita
gente da nossa geração.

“Em 1952, um grupo de sonhadores criava o Teatro Experi-


mental de Arte, em Fortaleza. Era um começo, a definição para al-
guns de participarem como geradores de um processo cultural em
uma região. Eram os da geração teatral dos anos 50.
Entre muitos, alguns permaneceram e outros se desgarraram.
Os que ficaram: Marcus Miranda ou Viana (se formaria alguns
anos depois no Conservatório Nacional de Teatro, que no futuro
viria a ser o curso superior de teatro da UniRio; Haroldo Serra
(mais tarde, também advogado, administrador e funcionário públi-
co); Hugo Bianchi (depois se transferiu de armas e bagagens para a
Dança); José Humberto Cavalcante, (este virou funcionário do Banco
do Nordeste, foi para o Rio, tornando-se advogado; hoje foi trans- 197
portado para o Olimpo) e este escriba, (que fez um bocado de bestei-
ra pelo mundo afora). Outros começaram e depois se transferiram
198 para novos palcos, aqui ou além: Eme Socorro ou Socorro Serra
(notável e bela atriz de “O Morro dos Ventos Uivantes” e “Irene”,
papéis em que foi insuperável); Maria José Gonçalves a maior e
única “centro dramática”, portadora da mais completa expressão
verbal e prosódica que conheci nos meus cinqüenta anos de teatro.
Essa paraense de nascimento, educada no Maranhão, foi magnífica
no papel de avó Deolinda da peça de Pedro Bloch, “Irene”); Bismark
de Paula, (onde andará hoje o galã de “Irene”) casado com a atriz
Maria de Nazaré, filha de Lima Verde – o mais famoso homem de
rádio de Fortaleza , inesquecível “Pilatos” do “ Gólgata” que ele
produzia , com Abel Teixeira e Afonso Jucá. Um dos meninos ficou
famoso no sul, na TV-Globo, Emiliano Queiroz, estreante de “Com-
plexo”, peça minha e “Lampião” da Raquelzinha, depois ator de
primeira da TV-Ceará e que um dia foi “Simbita”. Estes que ai fo-
ram citados foram início , não de um movimento amadorista, sim-
plesmente. Os que ficaram não se utilizaram do palco, apenas, como
atividade pequeno burguesa em períodos bissextos. Todos permane-
ceram fiéis ao seu apostolado. Da comunidade receberam estímulo,
homenagens, ás vezes reconhecimento. Aquele grupo idealizado por
Marcus Miranda, o TEA, desde o título até sua organização civil
teve como segundo colaborador, este Pero Vaz cearense. Os dois sa-
íram pela cidade , à cata de novos elementos. O terceiro encontro foi
com Hugo Alves Mesquita, o “Bianchi”, amador conhecido em For-
taleza, surgido no Teatro das Irmãs Ferreira Lima, (Ginásio Santa
Maria, no Benfica – hoje, Teatro Universitário Paschoal Carlos
Magno, na av. Da Universidade, então Visconde de Cauipe). Hugo
já tivera experiências profissionais na Cia. de Marquise Branca com
quem itinerou pelo norte e nordeste; depois. Estudando balé no Rio,
inclusive com a imortal Eros Volusia, chegaria a trabalhar em gran-
E R R A

des musicais do antigo Distrito Federal, entre eles os da Cia. Walter


Pinto.O quarto participante foi Luiz Haroldo Cavalcante Serra,
S

nosso Haroldo Serra, na época trilhando os primeiros passos como


A R O L D O

radialista, locutor, produtor de programas e publicitário. Ai o pri-


meiro núcleo do Teatro Experimental de Arte que estrearia em 27
H
de novembro de 1952, no Theatro José de Alencar, “O Morro dos

E A R E N S E
Ventos Uivantes” – adaptação do romance de Emille Brontè.
Estes quatro permaneceram fiéis ao sonho original. Suas

C
teatrografias somam mais de um milhar de criações de espetáculos,

O M É D I A
como autores, atores e diretores. Hoje em dia na história do Teatro
Brasileiro, poucos são os que mais produziram, não apenas no Cea-
rá, em todo o Brasil. Nenhum grupo permaneceu mais fiel aos seus

C D A
princípios, enfrentado todas as transformações sócio-politíco-eco-
nômicas porque tem passado a província e o país. Não sobrevive-

N O S
ram somente do trabalho cênico, todos têm atividades outras. Marcus

A
Miranda, que Deus levou recentemente, era professor da Universi-

4 5
dade Federal do Ceará, tendo feito televisão onde criou um dos per-

R E T R O S P E C T I VA
sonagens mais famosos da crônica cultural de Fortaleza, o
“Praxedinho”. Hugo Bianchi, foi professor do Conservatório Naci-
onal de Teatro, depois lecionou no Curso de Arte Dramática da
UFC e, por acidente de percurso burocrático, bastante injusto, não
recebeu o direito de aposentadoria. Este escrivinhador é professor
aposentado da Universidade de Brasília, (com passagens na UFC e
na UniRio, ator e diretor de Teatro, rádio, cinema e televisão) e
Haroldo Serra. Dos quatro, dois constituíram famílias: Haroldo
Serra tem três filhos: Haroldo Júnior, artista plástico e publicitário
premiado, Hiroldo, (Pedagogo, pós-graduado em Educação Artísti-
ca, Professor de Teatro e também Ator, fazedor de muitas coisas no
palco, continuador das artes do pai e da mãe Hiramisa) e a filha
Harolmisa... e lhe deram netos. O escriba que assina esta memória,
tem dois filhos: o mais novo, Carlos Bittencourt, está em Fortaleza,
graduado e pós-graduado em comunicações e Elizabeth, museóloga,
está mornado no Rio, cada um com uma filha.
De todos, o permanente e fiel amigo de Fortaleza, Haroldo Serra,
foi quem conseguiu concretizar o maior trabalho em termos de
experimentalismo e fidelidade às suas origens. Nenhum diretor re-
alizou o que, em termos nacionais, tanto projetou o nome de seu 199
Estado, na área de teatro. Diretor convidado para encenar espetá-
culos em São Paulo, reconhecido como inovador nas suas “mise-en-
200 scene” de “O Simpático Jeremias” e “O Morro do Ouro”, (espetá-
culos premiados em festivais nacionais, reconhecidos por críticos
como Sábato Magaldi, a quem a Comédia deve muitas recomenda-
ções; criou um espaço cênico que foi modelo para várias regiões do
País, o Teatro Móvel, sem fins lucrativos, apresentava as mais di-
versas manifestações culturais. Haroldo vem editando ha mais de
30 anos, a “Comédia Cearense”, revista que é documento histórico
dos mais importantes do Ceará, como crônica das atividades
fortalezenses das últimas décadas. Poucos são os amadores destes
últimos 45 anos que não passaram pelas mãos do Haroldo Serra:
Ricardo Guilherme, (que lhe deve não apenas a oportunidade de
iniciar-se ao reconhecimento público do sul e a quem deu apoio,
quando diretor do Theatro José de Alencar, para a criação do Museu
Cearense de Teatro); Aderbal Júnior, (homem de rádio no inicio,
ator de muitos espetáculos e hoje – Aderbal Freire Filho – um dos
mais importantes encenadores do País, inclusive no Uruguai, dei-
xou a advocacia, herança da família, a partir do pai, Aderbal Freire);
Glyce Sales, (integrante do TEA em 52, que fez a estréia nacional
de “Lampião”, de Rachel de Queiroz, magnífica atriz e poeta),
Lourdinha Falcão, (que é das nossas melhores intérpretes... e cada
vez menos aparece no palco) e esta notável atriz e mulher de teatro,
Hiramisa Serra, esposa, companheira de ideal e de trabalho de H.S
(o casal tem as mesmas iniciais), braço direito da Comédia, forma-
da em nível superior e ex-Diretora do Theatro José de Alencar, por
competência e história de vida.
O Theatro José de Alencar, tombado no Governo Virgílio
Távora, por intercessão deste escriba, sobre projeto de Liberal de
Castro, graças ao gesto de Juarez Távora, teve em Haroldo Serra
um dos mais dedicados e dinâmicos administradores. Aliás, lem-
E R R A

brando do assunto, não tivesse acontecido o tombamento, certa-


mente em lugar do prédio erguer-se-ia hoje, como em quase toda a
S

nossa antiga arquitetura histórica da cidade, um belíssimo edifício


A R O L D O

“moderno”. Foi idéia de Haroldo o aproveitamento do espaço vizi-


nho ao TJA, o prédio da antiga Escola de Medicina, depois Odonto-
H
logia; por isso não foi também derrubado, como a Fênix Caixeral e

E A R E N S E
antiga sede da Academia Cearense de Letras. Mas Haroldo fez mais:
deve-se à sua iniciativa, junto ao Governador César Cals, a recupe-

C
ração da estrutura comprometida e o surgimento do jardim anexo

O M É D I A
ao Teatro, onde antes funcionava o Centro de Saúde. Ainda: o Tea-
tro da Emcetur. (hoje abandonado, quase em ruínas) foi construído
graças ao espírito de um governador e ao assessoramento perma-

C D A
nente de HS, que soube aproveitar o espaço de um quintal para
erguer um teatro, a seu tempo dos melhores da cidade. Também é

N O S
creditado a HS nomina-lo de Carlos Câmara, justa homenagem ao

A
nosso grande comediógrafo. Naquele momento o Governo Cals tam-

4 5
bém salvava o antigo prédio da cadeia pública, para transforma-lo

R E T R O S P E C T I VA
em centro cultural pioneiro em Fortaleza, quando não haviam ain-
da influências pré-globalizantes na terra de Iracema.
O “Centro de Convenções” que no projeto seria apenas um
auditório virou teatro, dos maiores do Brasil, pela feliz frase de HS
- ... um auditório não é um teatro, mas um teatro é um auditório –
César Cals autorizou a Neudson Braga refazer o projeto. Eu e
Haroldo o inauguramos, como teatro, no Governo Adauto Bezerra,
com a peça “Rashomon” que foi “Melhor Espetáculo”, pelo Serviço
Nacional de Teatro. No elenco a talentosa atriz Fernanda Quinderé,
uma das mulheres de teatro que mais pugnaram pelo TJA, desde o
final dos anos 80. Uma curiosidade: Maneco Quinderé, filho de
Fernanda, começou a sua carreira, de um dos melhores iluminadores
do País, nesse espetáculo da Comédia Cearense.
Nos anos 70, Haroldo Serra, por suas boas relações com o pes-
soal de teatro do Rio, fez com que vários teatros de Fortaleza tives-
sem sistema de iluminação dos mais modernos, inclusive Theatro
José de Alencar, Emcetur e Teatro do Centro de Convenções.
Uma das testemunhas de reconhecimento do trabalho criativo
e organizador de Haroldo Serra está expressa em crônica do jorna-
lista, crítico, historiador, memorialista e professor de artes cênicas, 201
Yan Michalski, publicada no Jornal do Brasil: Yan define Haroldo
como um homem que realizou uma unidade de equipe na busca da
202 forma interpretativa, batizando um estilo próprio e coerente como
encenador. Nesta hora de comemoração do ritual de 45 anos de Co-
média, falo eu: Haroldo Serra foi o homem de teatro mais impor-
tante de sua geração, que nunca abandonou seu torrão para buscar
sucesso lá fora, que sobreviveu idealisticamente por todo este tem-
po, a partir daquele núcleo chamado Teatro Experimental de Arte,
criando o único grupo de teatro permanente do Ceará. Um dos
únicos que sobreviveram além do Teatro de Amadores de Pernambuco
e O Tablado de Maria Clara Machado. Além da Comédia, somente
o grupo Clã, tanto significou nestes últimos 50 anos para a nossa
terra. Haroldo encenou os mais significativos nomes do Teatro
Moderno, de Lorca a Brecht. Foi quem mais estreou e fez represen-
tar autores cearenses, entre eles o mais importante dramaturgo,
depois de Carlos Câmara: Eduardo Campos. Paurillo Barroso, em
termos cênicos, sobreviveu pela Comédia.
Não podendo, por falta de apoio à época, erguer o seu teatro,
na “Estância”, continuou a buscar o seu espaço físico, que encon-
trou graças ao entendimento de cultura e arte que sempre pautou a
trajetória do Colégio Christus, tão bem conduzido pelo prof. Roberto
de Carvalho Rocha. Ali, na quina da João Carvalho com a Silva
Paulet, desenvolveu-se um teatro de repertório, além da retomada
do mais permanente movimento em busca de uma linguagem cêni-
ca para o público infantil, igual ao que fizera a Comédia Cearense
no Theatro José de Alencar nos anos 60, quando, em termos de
recordes nacionais de encenações e público, realizou, apresentou em
mais de 60 fins de semana, com casas cheias, diversos autores, mui-
tos deles nascidos no Ceará – um fato inédito na história do teatro
brasileiro.
A Comédia Cearense chega aos seus 45 anos. Seu idealizador,
E R R A

hoje aposentado do serviço público, continua, depois de tanto fazer


pelos caminhos da vida e da arte. Criador de circo, elencos perma-
S

nentes, “mambembeiro” por todo o interior do Estado do Ceará,


A R O L D O

levando, ora Carlos Câmara, ora Eduardo Campos, as principais


cidades da terra em que nasceu, (quem tanto fez em outro estado do
H
Brasil?) criando teatros de arena e de palco italiano, publicando

E A R E N S E
revistas de cultura, editando vários autores cearenses, mestre em
“mídia” e “marketing”, inventor do mais original título para um

C
bar destinado ao público do José de Alencar: o “Chopin-Bach”, no

O M É D I A
antigo bar do Teixerinha... Meu Dionisos!
O tempo passou e eu não senti, porque sonhava. Nossa terra
sempre foi a terra do esquecimento, que só é boa para se sentir sauda-

C D A
de. Cadê o Afonso Jucá, (revolucionário de 32 em S. Paulo e admi-
nistrador do TJA, de 36 a 63), o Teixirinha , (poeta, boêmio sério e

N O S
culto da Fortaleza de Nogueira Accioli, e dono do barzinho do TJA,

A
desde a inauguração do Teatro até ir-se para sempre, em fins dos

4 5
anos 70; pai de Jório Nerthal, ator da Comédia e figura histórica da

R E T R O S P E C T I VA
memória teatral cearense; o Queiroz (por cinqüenta e tantos anos
zelador do TJA, limpador das cadeiras, do chão e do piano da Cul-
tura Artística, e cujo melhor espetáculo que assistira foi “ aquele
que terminou mais cedo”); o Fialho,(1o porteiro do TJA, por mais de
50 anos) o Brasil, (iluminador de cena e eletricista, iniciador de
uma geração de iluminadores cearenses; seus filhos. Netos e o gen-
ro, o Lamartine, que o sucedeu (não posso esquecer que o Brasil
construiu um refletor para me alumiar em “As Mãos de Eurídice”,
num tempo em que só havia luz de ribalta e gambiarras no TJA); o
Helder Ramos (que me ensinou carpintaria cênica e construiu mui-
tos cenários para a Comédia e que ainda continua ali); o Carlinhos,
filho do Queiroz, (que pelos ensaios “adivinhava” o sucesso ou
fracasso das peças); Evanry Gurgel, que nos deu os primeiros apoi-
os na imprensa do sul, um dos co-criadores da revista “Comédia
Cearense” e redator do 1o número; Maestro Orlando Leite (que foi
diretor do TJA; que cantou e foi diretor musical de “A Valsa Proibi-
da” e criou a 1a orquestra de câmara e coral do Estado do Ceará,
apresentando-se com grupos de dança na nossa casa oficial de espe-
táculos, entre eles o dirigido por Tereza Bittencourt, em sua Acade-
mia de Ballet Vaslav Veltchek, que funcionou por quase dez anos no 203
“Foyer” do TJA); Tereza (atriz destacada em muitos dos espetácu-
los da Comédia. Entre eles “Morro do Ouro”, “Lady Godiva”, “Ca-
204 samento da Peraldiana”, “A Valsa Proibida” e “Rosa do Lagamar”);
o Mestre de tantos de nós. Waldemar Garcia, (completo em tantos
segredos do palco, e que tantas vezes nos deu seu apoio crítico, sua
ironia cultural, sua ajuda profissional, sua competência permanente,
sua influência caririense); Serra filho, Serrinha, dinâmico e muito
amigo que Deus levou tão cedo; Ayla Maria, esta diva cênica que
tanto legou de seu talento ao grupo do Haroldo. E Paurillo Barroso
, graças a quem foi realizado o primeiro processo de tercerização
entre a Comédia e o Governo do Estado que permitiu a Comédia
administrar, por Ato do Governador Parsifal Barroso, o TJA. Esta
idéia do Haroldo antecipava os projetos do governo federal em fim
de século... Neste instante, inicio dos anos sessenta, junta-se à dire-
ção da Comédia Afonso Barroso, como ator e co-administrador, so-
mando-se ao sonho e muito tendo participado desta aventura, aquele
que chamei um dia de “meu irmão Alegria”. E tantas outras pesso-
as e lendas que não consigo recordar agora. Entretanto, de coração
e lembrança, estamos agora, todos juntos, batendo palmas pelos 45
anos de Comédia Cearense”.
B. de Paiva

Precursor da Comédia Cearense e celeiro de toda uma geração


de talentos teatrais, o “Teatro Experimental de Arte” ganhou um
eficiente resumo no livro de Marcelo Costa: “A História do Teatro
Cearense”, que aqui reproduzimos:

“Fundado por Marcus Miranda, Hugo Bianchi, B. de Paiva e


Haroldo Serra, estreou no dia 27 de novembro de 1952 no Theatro
José de Alencar, com “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily
Brontè, adaptação de B. de Paiva. O espetáculo alcançou grande
E R R A

êxito na cidade, sendo hoje um dos marcos da história do nosso


teatro. Otacílio Colares no Correio do Ceará de 28 de novembro
S

escreveu: “Fomos à nossa velha casa oficial de espetáculos com


A R O L D O

um certo receio – por que não dize-lo? Tratava-se de um con-


junto do qual não tínhamos ouvido falar senão há poucos
H
dias e nos fazia temerosos o arrojo da primeira empreitada –

E A R E N S E
a encenação de um drama forte como o imaginado e escrito
pela grande romancista inglesa. Foi em tal estado de ceticis-

C
mo que começamos a ver desenrolar-se no palco do Theatro

O M É D I A
José de Alencar as primeiras seqüências do enredo que, al-
gum tempo atrás, Sandro e Maria Della Costa nos forneci-
am. A verdade é que logo nos primeiros momentos, eviden-

C D A
ciou-se em nós a certeza de que o Teatro Experimental de
Arte sabia com que contava para dar seus primeiros passos

N O S
decisivos. Ali estava gente que estudara a peça que se im-

A
pregnara do acre sabor daquele drama terrível de amor e

4 5
ódio”. No mesmo jornal a 1/12/52: “O autor da adaptação

R E T R O S P E C T I VA
soube escolher no romance o que havia de mais preponde-
rante como matéria-prima do drama e lançou muito na peça
em três atos e seis quadros que nos foi apresentada sem dar-
nos canseira, antes interessando-nos vivamente (...) elogian-
do Hélder Ramos pelo muito que conseguiu na montagem
dos cenários (...) Eme Socorro que se nos revelou uma artista
realizada, pouco necessitando para poder ser considerada
sem defeitos.”
O sucesso de Eme Socorro foi estrondoso; jamais uma estrean-
te no Ceará conseguiu tanto sucesso. Seu desempenho é hoje um
dos mitos do teatro cearense. O Estado de 14/12/52 publicou: “Eme
Socorro foi sem dúvida o ponto alto do programa. Com uma
estréia brilhante e uma interpretação segura no papel de
Catty, ajudada pela graça feminina e pela voz simpática. ”Es-
tavam no elenco os grandes esteios do nosso teatro, então principi-
antes, Marcus Miranda, B. de Paiva, Haroldo Serra, Hugo Bianchi
e mais Maria José Gonçalves, Hilka Rosane, Wagner Wanderley.
O idealismo desses jovens foi recompensado e, animados pelo
êxito, montaram “Irene”, de Pedro Bloch. Eme Socorro fez Irene;
Maria José Gonçalves, Deolinda; B. de Paiva, Rocha; e Marcos 205
Miranda fez Gentil. Com estas duas peças e mais “A força do Cora-
ção”, de Alda Miranda, viajaram a Sobral, Teresina e São Luis,
206 onde conheceram Gracinha Figueiredo e J. Figueiredo, então dire-
tor do Teatro Artur Azevedo.
O Teatro Experimental de Arte (TEA) se organizou. Seus es-
tatutos, publicados no Diário Oficial de 12/06/56 diz: Seu objetivo
é congregar todos os idealistas da arte teatral, objetivando com isso
desenvolver no Estado a arte dramática. O TEA teria número ili-
mitado de membros (eram conhecidos como “Teanos”) dividido em
três categorias: artistas, contribuintes e beneméritos. Eram obriga-
dos a difundir a campanha do teatro cearense e pagar sua mensali-
dade: cada sócio podia levar três pessoas ao teatro mediante apre-
sentação de recibo. Em muito dos seus espetáculos não cobravam
ingressos, passando, no final, uma bandeja entre os espectadores
para recolher contribuições.
Sofriam penalidades, se faltassem três vezes consecutivas ou
não aos ensaios, sem justificação por escrito; e por atos moralmente
condenáveis nos ensaios ou espetáculos. Esta penalidade poderia
ser em dinheiro. De Cr$ 5,00 a Cr$ 50,00 ou suspensão de cinco a
trinta dias ou mesmo exclusão do quadro de sócios, sendo que as
duas primeiras poderiam ser aplicadas cumulativamente. Muito
rigorosos, como vemos, os estatutos do TEA. Os poderes eram divi-
didos em: Conselho Diretor, composto de sete membros (Presiden-
te, Secretário Geral, Tesoureiro Geral, Diretor Técnico, Diretor So-
cial, Diretor de Publicidade e Diretor Cultural); o Conselho Artís-
tico era composto de tantos membros quanto fossem necessário à
montagem; e a Assembléia Geral, por todos os sócios.
Ainda em 1953 o TEA realizou uma “Temporada Pedro Bloch”
com “Os Inimigos Não Mandam Flores”( Haroldo Serra e Eme
Socorro; “As Mãos de Eurídice” (com B .de Paiva) e “Morre um
Gato na China” (com Marcus Miranda, Haroldo Serra e Eme So-
E R R A

corro – direção de B. de Paiva). O Teatro Experimental de Arte


comemorou o seu primeiro aniversário com um espetáculo intitulado
S

“Retalhos”. Composto de “Reflexo no Espelho”, adaptação de B. de


A R O L D O

Paiva, “Prelúdio” e “Pingo d’Água”, de Olegário Mariano, “Presi-


dente Antes de Nascer”, de Mauro de Almeida e “Lágrimas de um
H
Palhaço”, de B. de Paiva, sendo esta a primeira peça de sua autoria,

E A R E N S E
de que temos notícia.
Em 1954 o Teatro Experimental de Arte, prosseguindo suas

C
atividades, produz um importante espetáculo, tanto pela monta-

O M É D I A
gem como pelo texto de Rachel de Queiroz, “Lampião”. Direção de
Vicente Marques com B. de Paiva, Glyce Sales, Tarcísio Tavares
(assistente de direção), Marcus Miranda (fez Lampião),, Emiliano

C D A
Queiroz, Helder Sousa, Othon Damasceno e José Humberto (fa-
zendo Ezequiel ou Ponto Fino). “Lampião” foi mais um ponto posi-

N O S
tivo para os rapazes do TEA, antecipando-se ao Teatro Duse e à

A
Cia. Dramática Nacional que no Rio disputavam o direito de ence-

4 5
nar o texto.

R E T R O S P E C T I VA
Sobre “Lampião”. Antes da estréia: O Povo, de 7/1/54 – “Ine-
gavelmente a encenação da peça de Rachel de Queiroz re-
presenta muito bem a audácia e coragem dos moços do TEA.
Os ensaios vêm se prolongando desde muitas semanas, em
meio de pesquisa e estudos estafantes. Os teanos chegaram
até a empreender uma viagem a Juazeiro, a serviço da ence-
nação da discutida peça”. Depois da estréia – O Povo, de 22/
2/54 – “Lampião” foi o espetáculo que maior repercussão alcançou
nas representações teatrais de nossa terra. Nem uma outra anterior
foi mais comentada nem mereceu mais acaloradas discussões.”
1954 foi ainda o ano de “O Noivo de Luiza”, de Saint-Clair
Sena; “Simbita e o Dragão”, de Lúcia Benedetti: “Morre um Gato
na China”, de Pedro Bloch, e “Mortos sem Sepulturas”, de Sartre,
dirigido e traduzido por Vicente Marques, com Ary Sherlock, José
Humberto, Paulo Silveira e outros.
A 30 de setembro estreou “Complexo”, de B. de Paiva. O Povo,
de 27/7/54, publicou:” B. de Paiva, este irrequieto elemento
movimentador de nossos palcos, escreveu “Complexo” sem
ligar para o convencionalismo, sem atinar para as regras te-
atrais há milênios estabelecidas e criou um espetáculo novo, 207
diferente daqueles que estamos acostumados a assistir.” O
mesmo jornal de 30/7/54: “Maria José, que já constitui uma gló-
208 ria para nós, fará o papel de Marina, mulher viciada em
morfina, de caráter depravado, que constitui uma dupla, em
identidades espiritual com seu filho Cícero, o traficante que
tem em José Humberto uma interpretação magnífica. O ter-
ceiro personagem, um aleijado em conseqüência da malda-
de do irmão, é interpretado pelo próprio B. de Paiva.”
No ano seguinte (1955) o TEA, num plano audacioso, produz
para seus associados uma peça por mês. Estreando em abril com
“Quilômetro 156”, de Luciana Peotta., direção de Marcus Miranda.
Em maio – “Paiol Velho”, de Abilio Pereira da Silva, direção de
Haroldo Serra com Glyce Sales, Marcus Miranda, José Humberto,
Haroldo Serra, Maria José Gonçalves. Emília Correia Lima, então
Miss Ceará e Miss Brasil, foi homenageada pelo Teatro Experimen-
tal de Arte com a peça “Aconteceu Naquela Noite”, de J. Wanderley
e Daniel Rocha, foi a peça de junho e com ela o TEA viajou a Iguatu
e Icó. “A Revolta dos Brinquedos”, de Pernambuco de Oliveira, em
julho com Emiliano Queiroz, José Humberto, Marcus Miranda e
Glyce Sales. “Os Inimigos não Mandam Flores” de Pedro Bloch e
direção de Haroldo Serra com Esther Barroso, em agosto. “Deu Freud
Contra”, de Silveira Sampaio com direção de Marcus Miranda, em
setembro. “A Camisola do Anjo”, de Pedro Bloch, em outubro, com
Haroldo Serra, Emiliano Queiroz, Glyce Sales, Nyl Rocha, dirigi-
do por Haroldo Serra, cenários de Marcus Miranda e iluminação
de Lamartine. “Era uma Vez um Vagabundo”, de J. Wanderley e
Daniel Rocha, comemorou o seu terceiro aniversário e foi a peça de
novembro. Neste espetáculo a atriz Glyce Sales, estrela do Tea, foi
homenageada pelo Círculo Militar de Fortaleza. ”Um Cravo na
Lapela”, em dezembro, completou o ano de 1955; neste espetáculo a
atriz Maria José Gonçalves retornava ao TEA, depois de uma tournée
E R R A

com a Cia. De Raul Levy.


Em 1956 o Teatro Experimental apresentou “Essa Mulher é
S

Minha”, de Raimundo Magalhães Junior, com Marcus Miranda,


A R O L D O

Esther Barroso, Glyce Sales, José Humberto, Emiliano Queiroz e


Maria José Gonçalves. Os cenários eram de Emiliano Queiroz e a
H
direção de Marcus Miranda. A peça foi encenada na Casa de Juvenal

E A R E N S E
Galeno em homenagem a Henriqueta Galeno. Também na Casa de
Juvenal Galeno o TEA apresentou “Um Pedido de Casamento”, de

C
Thecov, com Marcus Miranda, Helder Sousa, Glyce Sales e cenári-

O M É D I A
os de Estrigas; e “Presidente Antes de Nascer”, compondo um úni-
co espetáculo.
Com o elenco do Teatro Experimental de Arte, Waldemar Garcia

C D A
montou “Cristo no Calvário”. No Patronato N. S. Auxiliadora;
Emiliano Queiroz era Jesus; Glyce Sales, Madalena, Ary Sherlock,

N O S
Caifaz; e a estréia de Aderbal Júnior, fazendo um soldado. A seguir,

A
o TEA remontou “Irene”, desta vez com Glyce Sales no papel-títu-

4 5
lo, e “Aconteceu Naquela Noite” com Marcílio Nogueira, Marcus

R E T R O S P E C T I VA
Miranda, Bismark de Paula, Nyl Rocha e Glyce Sales
“Almanjarra”, de Artur Azevedo, inaugurou o Teatro de Bolso
do Teatro Experimental de Arte, a 9 de agosto de 1956, localizado
na rua Pedro Primeiro, n. 1214. Em cima de uma garagem de ôni-
bus. “Com cem cadeiras, um palco pequeno, o Teatro de Bol-
so ficou muito agradável” (O Povo, 15/9/56). “Almanjarra”, com
direção de Marcus Miranda, teve Glyce Sales, Maria José Gonçal-
ves e Marcílio Nogueira como protagonistas. “Deu Freud Contra”,
com modificações no elenco, comemorou o seu quarto aniversário.
No ano de 1957, Marcus Miranda ganhou bolsa de estudo do
Gov. Paulo Sarazate para o Conservatório Nacional de Teatro. O
incansável diretor do TEA vai para o Rio, para onde já tinham
seguido Hugo Bianchi e B. de Paiva. Mas antes lança “Amanhã é
Feriado”, de sua autoria, Domingos Gusmão comentando o espetá-
culo, (O Povo, 14/2/57) fala da peça do Miranda: “Amanhã é Feri-
ado”, comédia ligeira de Marcus Miranda, não entedia, so-
bretudo pelas situações hilariantes, que provoca sem descer,
todavia à classe de humorismo de bas-fond tão em voga
hoje em dia... Há no dramaturgo estreante duas coisas pre-
judiciais, a sofreguidão de acabar logo e a ânsia do happy 209
end.” A peça tratava da vida de uma atriz. Miranda não fez mais
nenhuma tentativa neste campo, firmando-se como ator e como di-
210 retor hábil (é excelente diretor de ator). Com sua viagem acaba um
dos principais grupos do Teatro Cearense, embora Tarcísio Tavares
ainda tenha tentado prosseguir com o Teatro Experimental.
Numa olhada pelas fichas do TEA vemos a ficha n. 25 de Ezaclir
Aragão e ficamos sabendo que seu gênero preferido era a tragédia.
A ficha de Marcus Miranda tem número 001 e ele preferia a comé-
dia; a de José Humberto é 008 e preferia a tragédia; a ficha de B. de
Paiva é a 002 e tinha uma preferência mais ampla (drama e tragé-
dia). Uma ficha tinha a fotografia de um garoto, é a 14 de Emiliano
Queiroz, que não tinha preferências; Glyce Sales tinha ficha 007 e
Euzélio Oliveira a de n. 19.
Eu nunca vi nenhum espetáculo feito pelo Teatro Experimen-
tal de Arte, a não ser fotografias; por isso peço emprestadas as pala-
vras de um amigo e observador do processo do teatro nesta terra:
Carlos Paiva – “O Teatro Experimental de Arte foi o maior celeiro
de jovens idealistas que já surgiu no Ceará.” (Revista Comédia
Cearense, n. 2).”

Marcelo Costa - História do Teatro Cearense

Ainda de Marcelo Costa, agora sobre os 45 anos da Comédia


Cearense.

Quarenta e cinco anos de Comédia Cearense. É um feito extra-


ordinário. Há poucos casos no Brasil. E o que é mais importante:
desde de 1957 vem a Comédia Cearense se apresentando
ininterruptamente. É um grupo que tem um trabalho continuado.
Aí está o seu maior patrimônio. A história da Comédia
Cearense, seu passado glorioso, é um fato incontestável. Números e
E R R A

fatos, a Comédia tem o que mostrar. Temporadas fantásticas no José


de Alencar, como o “Pagador de Promessas”, “Morro do Ouro”,
S

“Rosa do Lagamar”, “Valsa Proibida”, “Casamento da Peraldiana”,


A R O L D O

para só citar algumas poucas. Prêmios em festivais nacionais, pe-


ças infantis, revista publicadas, discos editados, descoberta de no-
H
vos talentos.

E A R E N S E
Haroldo Serra, Hiramisa Serra e a nova geração – Haroldo
Júnior e Hiroldo Serra – estão de parabens. Vamos torcer para a

C
continuidade deste grupo que faz parte da história do Ceará e par-

O M É D I A
ticularmente contribuiu para aumentar meu amor pelo teatro.

Marcelo Costa

C
A
4 5 D A
N O S
R E T R O S P E C T I VA

211
HAROLDO SERRA,
O VELHO GUERREIRO

Entrevista a Eliézer Rodrigues

Ele é bacharel em Direito, formado em Administração


Pública, aposentado do Tribunal de Contas do Estado (quan-
do ingressou no serviço público, via concurso, obteve o 1º
lugar). Nada a ver com uma das paixões da sua vida: o tea-
tro. A outra é a família, integrando mulher - a atriz Hiramisa
Serra - filhos e netos envolvidos, também com arte. Haroldo,
67 anos, comemora neste mês cinqüenta anos vivenciados
nos palcos, montando espetáculos, formando milhares de
atores, encenando textos de autores cearenses e ganhando
os melhores prêmios em importantes festivais. E a vida se-
gue na ribalta: semanalmente a sua Comédia Cearense monta
trabalhos no Teatro Arena Aldeota. Um velho e atuante guer-
reiro!

Como foram as suas primeiras aproximações ao teatro?

As primeiras reminiscências da minha ligação com tea-


tro recordam algumas peraltices da infância. Eu fazia parte
de uma turma que, sem dinheiro para pagar ingresso, des-
cobriu que o acesso ao José de Alencar poderia ser feito, pu-
lando o muro do antigo prédio do Centro de Saúde, vizinho
ao Teatro. Era o pulo-da-morte que consistia em “voar” qua-
se dois metros entre os dois muros. E assim comecei a fre-
qüentar o teatro. O tempo passou. Anos depois, freqüentan-
do a Praça do Ferreira, onde se reuniam também os artistas
214 da cidade, nos famosos bate-papos, conheci em 1952, pesso-
as que já faziam teatro. Ali Marcus Miranda, B. de Paiva, Hugo
Bianchi estavam iniciando os primeiros planos para a cria-
ção do Teatro Experimental de Arte. Aliás, eles estavam pon-
do em prática os ensinamentos dados por Paschoal Carlos
Magno que havia passado por Fortaleza com o seu Teatro do
Estudante do Brasil, trazendo no grupo excelentes atores,
como Sérgio Cardoso. Por onde Paschoal passava, deixava
semente na juventude para a criação de grupos teatrais. E
por aqui não foi diferente. Os jovens cearenses, entusiasma-
dos, levaram a idéia à frente. Fiquei interessado, e logo fui
convidado por eles para integrar ao grupo que, por sinal,
era muito organizado: todos fardadinhos, debates, tudo es-
crito em ata... O Teatro Experimental foi muito importante
para a cultura cearense, porque naquela época o teatro
cearense, em particular o de Fortaleza, era muito incipiente.

Como surgiu a Comédia Cearense?

Alguns anos depois, entre 1956 e 57, Marcus Miranda


foi para o Rio de Janeiro fazer curso onde ingressou no tea-
tro profissional, Hugo deixou de fazer teatro e passou a se
dedicar ao balé, indo trabalhar, no Rio com Eros Volúsia. B.
de Paiva tomou o mesmo rumo dos dois: radicou-se no Rio
de Janeiro, onde juntou-se ao grupo de Paschoal Carlos
Magno. Eu fiquei por aqui. Por natureza ética, tinha que for-
mar um novo grupo, iniciar uma outra proposta. Aí surgiu a
Comédia Cearense. A Hiramisa, à época, minha namorada,
ainda sem ligação com o teatro, logo descobriu as qualida-
E R R A

des como atriz e começou a integrar o grupo. E logo depois


nos casamos, os filhos foram nascendo, isso deu margem para
S

que a Comédia pudesse sobreviver. Porque passou a ser uma


A R O L D O

entidade onde o apoio familiar e a vivência caseira, sem gas-


tos supérfluos, tornavam os custos menores e razoáveis. Além
H
das encenações, surgiu depois a Revista da Comédia com a

E A R E N S E
finalidade de registrar todo o trabalho do grupo, além de
criar uma memória do Teatro Cearense com a publicação de

C
textos de autores locais. É um ponto que gosto de ressaltar:

O M É D I A
publicar e montar trabalhos de autores cearenses, nada tem
a ver com bairrismo, e sim com uma busca da qualidade. A
escolha sempre foi feita por meio de seleção. Durante muito

C D A
tempo não participamos de festivais de teatro. Só em 1970 é
que a Comédia realmente se sentiu que já estava com um

N O S
nível de trabalho capaz de participar das mostras e festivais

A
nacionais. A primeira experiência foi um sucesso para nós:

4 5
ganhamos nove dos 12 prêmios (dentre eles, o de Melhor Ator,

R E T R O S P E C T I VA
Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Figurino, Melhor Diretor e
Melhor Espetáculo) em disputa no Festival Nacional de São
José do Rio Preto, em São Paulo, com a adaptação da peça O
Simpático Jeremias, de Gastão Tojeiro. O interessante é que o
Gastão até então era considerado um autor superado. Só que
a nossa leitura entusiasmou o júri e os outros grupos. No
ano seguinte fomos convidados para o mesmo Festival e le-
vamos a peça, Morro do Ouro, de autor cearense, Eduardo
Campos, e fomos muito, muito bem recebidos. Aliás, na vo-
tação de júri popular, a peça recebeu 96% na escala Bom e
Ótimo. Um recorde até hoje não quebrado. Além de ganhar-
mos o prêmio de Melhor Espetáculo pelo júri popular, a peça
foi escolhida como o Melhor Espetáculo, eleito pelos julgadores.
Claro que foi um grande estímulo, não à vaidade, mas in-
centivo para fortificar um trabalho que estava no caminho
correto. E a Comédia teve, também, a oportunidade de en-
cenar o espetáculo na Capital paulista, no Rio e foi convida-
da para participar do Festival de Nancy, na França. Todavia,
não deu certo, porque teríamos que bancar a viagem ida e
volta dos 38 integrantes do elenco. 215

Quando você dirigiu o Theatro José de Alencar foi fei-


216 ta uma grande reforma nas estruturas da tradicional casa
de espetáculos. Não deixou mágoas o fato de que, anos de-
pois, arrancaram das paredes as placas que registravam sua
passagem à frente do José de Alencar?

Penso que a gente não deve alimentar essa coisa de


revanchismo, de mágoa, porque é preciso manter a certeza
de que existe o reconhecimento da comunidade, não para a
Comédia Cearense, mas para quem realmente faz um traba-
lho. Essa questão das placas realmente existiu, mas depois
eles repuseram e até hoje elas estão expostas no jardim. Ago-
ra, com relação àquela reforma do Theatro José de Alencar
pode ser analisada sob o ângulo da política atual imposta
pelos administradores dos órgãos oficiais ligados à cultura.
Evita-se de ser lembrada. Questão de procedimentos políti-
cos. Mas, o que foi feito naquela época, deveria ser registra-
do, não por ter sido realizada na minha administração, e sim
pela importância da reforma. Porque, enquanto essa última
reforma foi voltada para o embelezamento, em 1974, o que
ocorria é que o Theatro estava na iminência de desabar. A
parte estrutural estava comprometida em todos os vigamen-
tos e arcos de sustentação, pela ação da ferrugem. E sob a
orientação e apoio do arquiteto Liberal de Castro, nós infor-
mamos ao governador César Cals sobre o perigo de se per-
der o belo monumento arquitetônico. Ele, muito sensível,
determinou a efetivação dos trabalhos. Não se importou com
o detalhe que a obra não ia render dividendos políticos, por-
que não aparecia aos olhos. Sugeri que as funções do Teatro
não deveriam ser interrompidas. Nos dias de espetáculos,
E R R A

os andaimes e outros equipamentos da construção eram re-


tirados. Platéia e palco foram os últimos setores restaurados.
S

E quanto aos recursos humanos, técnicos, engenheiros e ar-


A R O L D O

quitetos, toda a equipe era composta por cearenses, coman-


dada por Liberal de Castro. Diferente da reforma mais re-
H
cente, pois grande parte da equipe técnica veio de fora. En-

E A R E N S E
tão, a reforma de 1974 mostrou que os cearenses tinham e
têm capacidade para executar obra de tal envergadura.

C O M É D I A
Você que conviveu com políticas culturais de diferen-
tes governos, principalmente nos governos dos coronéis
César Cals e Adauto Bezerra, como avalia a relação atual-

C D A
mente entre a Comédia Cearense e instituições culturais
oficiais?

A N O S
O maior problema é o acesso. Se você quer defender

4 5
uma proposta que é justa e importante para a comunidade,

R E T R O S P E C T I VA
torna-se mais fácil quando a sua voz é ouvida. Hoje em dia,
você não tem acesso às autoridades. Tenta-se marcar uma
audiência, não consegue. Algumas são marcadas para seis,
sete meses depois. É humilhante. Pra gente, que já foi rece-
bido, sem maiores protocolos, por ministros, governadores,
parlamentares, fica difícil aceitar tais regras protocolares. À
época dos governadores Adauto Bezerra e César Cals, você
tinha acesso e apoio muito mais objetivo. Um exemplo: du-
rante muitos anos foi desenvolvido um projeto chamado
Caravana da Cultura, patrocinado pela Secretaria do Estado,
à época comandada por Ernando Uchôa Lima, em convênio
com as prefeituras do Ceará, quando se faziam apresenta-
ções de teatro, música, balé, literatura etc. Mais de cem mu-
nicípios foram visitados. Hoje, nós não temos nenhuma re-
lação com esse tipo de trabalho. Tínhamos, aqui em Fortale-
za, o Caminhão da Cultura que ia aos bairros. Além de tudo, a
gente tem a predisposição de achar que a pessoa que não
tem um nível cultural elevado, não gosta de teatro. Não é
isso. Não precisa ser um intelectual pra gostar de uma peça!
De uma música erudita! É questão de sensibilidade. E a 217
receptividade do público era algo fantástico.
218 E o que falta para a execução de uma parceria mais ob-
jetiva e satisfatória entre a classe artística e políticas gover-
namentais?

A política cultural dos órgãos governamentais da atuali-


dade é apresentada de forma muito esdrúxula, estranha. Na
realidade quando uma unidade cultural procura um órgão
oficial, as autoridades evitam até de receber os representan-
tes. Penso diferente. A idéia que faço de um órgão governa-
mental, responsável pela política cultural da cidade, é que
essa instituição planeje os acontecimentos artísticos, e que
procure as lideranças artísticas, associações de pintores, de
artistas de teatro, de dança, e com eles tracem planos. Na
maioria dos nossos empreendimentos, a Comédia nem pro-
cura, pois é difícil, complicado e burocrático, que só realmente
em alguns momentos de extrema necessidade é que a gente
procura apoios oficiais. Imagino que em última análise, os
grupos artísticos estão prestando um serviço aos órgãos que
planejam projetos culturais. Nada é mais barato do que a
cultura. Não adianta a cidade possuir teatros construídos com
altos investimentos financeiros, super aparelhados, com
manutenção caríssima, se o acesso do público, e principal-
mente o uso das salas tornam quase inacessível aos grupos.
Resultado: as casas de espetáculos passam a maior parte do
tempo, fechadas. A Comédia se acostumou às dificuldades
financeiras, a projetar coisas economicamente viáveis, sem
muitas parafernálias com soluções de acordo com as condi-
ções. Então isso termina tornando o espetáculo relativamente
barato, como uma promoção do governo. Agora, o que acon-
E R R A

tece no presente é a falta de entrosamento do governo com


os artistas.
S
A R O L D O
H
Antigamente, apesar de a população de Fortaleza ser

E A R E N S E
menor e os teatros em número reduzido, comparando com
a situação de hoje, o público ia com mais freqüência às ca-

C
sas de espetáculos. O que influiu para minguarem as ence-

O M É D I A
nações e um decréscimo de platéia, principalmente nas exi-
bições de grupos cearenses?

C D A
Alguns artistas locais falam, magoados de que o público
não prestigia o que é produzido na terra. Eu discordo, radi-

N O S
calmente. No caso da Comédia, o público e a imprensa sem-

A
pre prestigiaram o nosso trabalho, pela qualidade das peças,

4 5
pelos prêmios que já ganhamos e homenagens que recebe-

R E T R O S P E C T I VA
mos. O que ocorre é que houve uma transformação na soci-
edade e na cidade. Fortaleza era uma província até a década
de oitenta. Ocorre que com o desenvolvimento turístico,
aumentaram as atrações, inclusive mais chamativas (casas
de forrós, shows de humor, temporadas de cantores, barra-
cas de praia etc) quase em locais que oferecem bebida, janta-
res, e isso motiva muito as pessoas. A segurança tem um peso
muito grande (um exemplo é a Praça José de Alencar que foi
transformada em logradouro de ambulantes e sem estacio-
namento, e isso também fez com que as pessoas se afastas-
sem do Theatro José de Alencar). Outra coisa: a televisão não
tinha a força que tem hoje. O número de emissoras aumen-
tou e conseqüentemente a briga pelo Ibope provocou que as
atrações fossem diversificadas ao máximo. Por outro lado, a
televisão ajuda, de certa forma, o teatro, quando, algumas
peças vão a reboque de estrelas televisivas. E quando estre-
las televisivas participam de espetáculos é o chamariz na
certa. O que fez o cidadão: diante da falta de segurança para
sair de casa, tendo dentro do seu lar amplas opções de di-
versões, praticamente gratuitas, ele acomodou-se no lugar 219
mais seguro. Também pode ser incluído como fator contra o
teatro, a omissão da imprensa como elemento estimulador,
220 divulgando as peças, fazendo críticas aos espetáculos. A fal-
ta de continuidade de trabalho e a ausência de campanhas
de marketing, ostensivo nos meios de comunicação estimu-
lando o público, dificultam a propagação de temporadas. O
que acontece é que as encenações são, na maioria, de grupos
que cumprem temporadas eventuais.
Então, não é um problema estrutural da cidade. Tudo
faz parte de um contexto. A cultura não é um bem de pri-
meira necessidade do ponto de vista material. Espiritual, sim.
Entre um jantar num restaurante e uma peça teatral, a mai-
oria das pessoas, quase sempre, prefere a primeira opção.

Sempre que crises econômicas e outras mazelas atra-


palham os operadores de projetos culturais, o teatro é um
dos primeiros a sofrer conseqüências. O teatro vive em cri-
se?

Não é de hoje que se fala que o teatro está em crise. E


isso quando é estimulado por aqueles que fazem teatro, trans-
forma-se num referencial muito mais negativo. Ninguém
gosta de fracasso. O público não vai a um espetáculo que
antecipadamente é anunciado incompleto, porque faltou
dinheiro para a produção. As pessoas apreciam as coisas que
fazem sucesso. Particularmente, nunca dei entrevista pelo
viés do pessimismo. Mesmo essa falta de apoio governamen-
tal não é uma constante nas minhas entrevistas. Porque, se
falta a colaboração oficial, você vai encontrar outros cami-
nhos. Dedicação e trabalho sempre fizeram parte da pauta
da Comédia Cearense.
E R R A

Eliézer Rodrigues
SA R O L D O

* Entrevista publicada na Revista Singular, edição de maio de 2002


H
SOB O SIGNO DO TEATRO

E A R E N S E
São 45 anos de devoção ao teatro. Seu mentor comemora tam-

C
bém uma efeméride ainda mais significativa. Os protagonistas des-

O M É D I A
sa saga ininterrupta pelas arenas e palcos (italianos) brasileiros são
a Comédia Cearense e seu diretor, Haroldo Serra. Na noite de hoje,
no Teatro Arena Aldeota, a trupe inicia as suas comemorações com

C D A
a montagem de um dos clássicos do moderno teatro nordestino: “A
Faca e o Rio” ou “A Caça e o Caçador”, do piauiense Francisco Pe-

N O S
reira da Silva.

A
Ano após ano, o público cearense se acostumou a conferir as

4 5
montagens da Comédia Cearense. O grupo teve várias formações,

R E T R O S P E C T I VA
passeou por dramas, comédias, histórias nordestinas, histórias uni-
versais. Infantis e adultas. Conquistando o reconhecimento da crí-
tica e do público.. No Ceará e em outros Estados.
Haroldo Serra, maestro dessa trupe, constantemente renova-
da, é verdade, considera que o maior mérito da Comédia está na sua
continuidade. “Nunca deixamos de nos apresentar um semestre
sequer”. Feito raro em um país onde a cultura se habituou a se
fragmentar.
Aliado a essa longevidade, a Comédia se notabilizou pela di-
versidade e a qualidade de suas montagens. “ O teatro no Ceará é
uma prática eventual, que a pessoa administra com outras ativida-
des. Então procuramos estimular ao máximo essa diversidade, como
forma de não privar o elenco de experiências distintas”.
Assim, a Comédia Cearense exercitou sua versatilidade até em
montagens mais populares, como a sua versão de “O Gólgota”, apre-
sentada na Semana Santa deste ano. No mais, entre clássicos dos
Irmãos Grimm e outros textos infantis mais contemporâneos. A
companhia conquistou também o público adulto em montagens de
Mauro Rasi, Bertolt Brecht, Carlos Câmara, Eduardo Campos ou
Garcia Lorca, entre outros, como Gastão Tojeiro, autor de “O Sim- 221
pático Jeremias”, ovacionado e detentor de nove prêmios no Festi-
val de São José do Rio Preto.
222 A dramaturgia cearense também foi uma das características
marcantes da atuação do grupo. Do infantil “O Detestinha”, de
Demitri Túlio, aos legendários textos do também jornalista Eduar-
do Campos, montados nos anos 70 e 80. De o “Morro do Ouro”,
musical que ficou em cartaz durante quase 10 anos, ao célebre “Rosa
do Lagamar”, que deu vários prêmios a Hiramisa Serra, esposa e
fiel escudeira de Haroldo.
Também pudera. O envolvimento do diretor da Comédia
Cearense com a cena começou na companhia de outras celebridades
alencarinas. Ao lado de nomes como Marcus Miranda, B. de Paiva
e Hugo Bianchi, Haroldo estreou em 1952, no Teatro Experimental
de Arte. Sua primeira direção foi “Paiol Velho”, de Abílio Pereira de
Almeida, com Glyce Sales, José Humberto e o próprio Haroldo no
elenco.
Nos cinco anos que separam o início da sua atuação na Comé-
dia, o ex-animador da Rádio Iracema e seus parceiros, sobretudo B.
de Paiva, podiam ser vistos incrementando sua formação dramáti-
ca, além dos palcos, nas boas salas de projeção da cidade. “Às 10
horas, estávamos no Majestic. Às duas, íamos ao Moderno e às
quatro, na hora da paquera, íamos para o Diogo. Já a noite, às oito
era a hora do Cine Rex, que era vizinho lá de casa”, narra Haroldo,
então vivendo na Rua Major Facundo.
Uma das ousadias do Teatro Experimental de Arte foi romper
com o ponto, antigo recurso utilizado para facilitar a vida de certos
atores em cena.”Também acabamos com aquela estética da voz pro-
jetada preferindo uma linguagem mais coloquial.
No “finalzinho” do Teatro Experimental, Haroldo conhe-
ceu Hiramisa, moça ousada que tocava acordeón e adorava qua-
drilhas de S. João. Logo os dois se casaram e a jovem atriz pode
E R R A

finalmente subir aos palcos.”Antes a família dela não deixaria


nunca”. Em setembro de 1957, a Comédia faria sua primeira
S

apresentação com “Lady Godiva”, de Guilherme Figueiredo.


A R O L D O

Nunca mais o casal se separaria dos palcos. Bem depois, em 88,


a Comédia passou a ter seu nome atrelado ao Teatro Arena
H
Aldeota, formato que estimulou a companhia a novas pesquisas

E A R E N S E
de linguagem.
Uma história de dificuldades e de vitórias que será descrita

C
agora em livro, “Retrospectiva – 45 Anos da Comédia Cearense”, e

O M É D I A
numa exposição que também poderá ser vista no Arena Aldeota.
Em agosto, a companhia inaugura a Casa da Comédia Cearense,
espaço de memória e renovação das histórias do grupo, reunindo

C D A
uma biblioteca especializada, além de cursos e até um Teatro Jardim
para seus alunos. “Vai ser um espaço mais periférico, oferecendo

N O S
uma alternativa cultural à cidade e onde pretendemos mostrar como

A
o teatro e a Comédia Cearense refletem as transformações sociais

4 5
que nos acompanham”.

R E T R O S P E C T I VA
Longa vida a essa séria empreitada.

Henrique Nunes – 14/06/02 – Diário do Nordeste

O TEATRO, HAROLDO SERRA E A COMÉDIA

A Comédia Cearense estréia hoje o espetáculo “A Faca e o Rio”


ou “A Caça e o Caçador”, de Francisco Pereira da Silva, com direção
de Haroldo Serra. A montagem integra a programação de comemo-
ração dos 45 anos de atividades da Comédia e meio século de teatro
de Serra.

HISTÓRIAS PARA CONTAR

Em meio século de dedicação ao teatro, o cearense Haroldo Serra


está mais do que disposto a continuar sua luta pelo bom teatro
cearense. Prestes a apresentar um espetáculo dentro do projeto de
circulação EmCena Brasil por três capitais brasileiras, ele é orgulho
só quando o assunto é o aniversário da sua Comédia.“O aniversá-
rio é em setembro, mas não é uma coisa individualizada. Então a 223
gente tirou o ano – que houve uma coincidência de eu fazer 50 anos
de teatro – e vamos tentar fazer isso com o máximo de eventos,
224 inclusive inaugurar a Casa da Comédia Cearense, já em agosto. Vai
ter um memorial, com uma exposição de prêmios e projetos de cená-
rios, uma biblioteca especializada em teatro... Vai ser no Rodolfo
Teófilo, porque o objetivo é exatamente atender todos aqueles bair-
ros: Parquelândia, Damas, São Raimundo, Parangaba. É a primei-
ra tentativa de promover nos bairros, cursos de várias atividades
artísticas”, afirma.
Tendo iniciado no rádio como locutor e rádio-ator, foi no Tea-
tro Experimental de Arte que Haroldo – ao lado de B. de Paiva,
Marcus Miranda e Hugo Bianchi – voltou os olhos com mais aten-
ção para o palco. Extinto o grupo, criou então a Comédia Cearense
no ano de 1957. A Comédia Cearense foi criada com o objetivo de
fazer um repertório eclético, com uma preocupação muito grande
com o autor local mas sem problema de bairrismo. Um texto não é
escolhido apenas em função do autor ser cearense e sim em razão da
qualidade.
Haroldo Serra e o teatro cearense são dois nomes praticamente
indissociáveis. Completando 50 anos dedicados ao teatro, o
teatrólogo cearense aproveita a deixa e pede passagem para mais
uma de suas montagens. O elenco da Comédia Cearense estréia
hoje, às 20h30min, a peça “A Faca e o Rio” ou “A Caça e o Caçador”,
de Francisco Pereira da Silva. O palco será mais uma vez o do Tea-
tro Arena Aldeota, local em que o grupo, há 14 anos, vem firmando
um fiel convênio.
Tido como um dos mais importantes teatrólogos do Brasil, Fran-
cisco Pereira da Silva escreveu a peça e transpôs para o palco algu-
mas questões, como o famigerado poder do dinheiro, a corrupção, o
machismo e a linha tênue que separa o amor do ódio. No palco, uma
volta às raízes nordestinas dá a ambientação da história por meio
E R R A

da mistura entre atores e bonecos e a literatura de cordel.


O grupo, por ocasião da estréia logo mais, também fará home-
S

nagem especial a algumas pessoas que ajudaram de alguma forma


A R O L D O

para a sustentação da Comédia. São elas: Barros Pinho (presidente


da Funcet), José de Carvalho Rocha (diretor do Colégio Christus),
H
Francisco Jereissati (diretor do Pão de Açúcar) e Stanley Whibbe

E A R E N S E
(coordenador de teatro da Funarte). O Vida & Arte conversou com
Haroldo Serra e selecionou alguns tópicos pertinentes em sua opi-

C
nião. Cheio de projetos a curto prazo, inclusive a inauguração da

O M É D I A
Casa da Comédia Cearense, o diretor destacou curiosidades sobre a
escolha do texto, o autor e a peça em si.

C D A
O AUTOR

N O S
O autor, Francisco Pereira da Silva, já falecido, é na realidade

A
um dos mais importantes autores do Brasil. Ele nasceu no Piauí,

4 5
mas morava no Rio de Janeiro onde era funcionário da Biblioteca

R E T R O S P E C T I VA
Nacional. É um autor publicado e representado na Europa. A Caça
e o Caçador é um texto que os diretores no Rio e São Paulo adoram,
usam inclusive como tema de cursos, mas eles acham que o espetá-
culo daria melhor pra cinema porque tem uma série de dificuldades
cênicas. A peça tem várias cenas que ocorrem numa balsa dentro de
um rio. A peça tem uma feira, um bumba-meu-boi, um tribunal de
julgamento, o gabinete de um governador, uma intendência... En-
tão o espetáculo é muito complexo em termos de espaço. Ocorre que
quando você parte para o simples, o Nordeste, o teatro de cordel, o
mamulengo, você tem possibilidades muito ricas e soluções muito
simples como é a própria cultura do nordestino. Então, em vez de
partir para soluções mecânicas, de teatro de Broadway ou qualquer
coisa assim, a gente buscou exatamente as raízes e as soluções fo-
ram realmente muito interessantes para o espetáculo, além de tor-
nar o texto nordestino mais acessível. Na medida em que você pega
um texto de uma problemática do Nordeste e dá um tratamento que
não o da própria cultura, fica meio difícil do espectador ter uma
relação maior. Então essas soluções tornaram a peça muito mais
fácil. A maioria dos grupos do Nordeste sempre buscaram traba-
lhar a partir das próprias raízes. 225
226 O ESPETÁCULO

A linha mestra da peça é a história de um nordestino que, na


época do período áureo da borracha, vai pro amazonas em busca de
riqueza e, dez anos depois, ele volta. Tinha deixado a mulher ainda
sem filhos. Ela teve vários filhos na ausência do marido com ho-
mens diferentes. Essa diversidade de homens era para não se fixar a
ninguém, justifica a personagem. Raimundo volta, rico, cheio de
poder e se sente traído. Ele vinha se apresentar como pessoa que
tinha ganho bastante. Tinha crescido, e encontra... um par de chi-
fres, né? (risos). Machista, com todo aquele poder, ele se sente traí-
do, frustrado e resolve matar a mulher. Então entra a parte política
da história, a corrupção. No decorrer da peça surge uma prostituta
que revoltada por não ver nenhuma autoridade tomar providênci-
as, resolve lutar contra todos. É a única personagem a defender
Maria.

A COMÉDIA E OS DRAMATURGOS

A Comédia sempre procurou montar autores cearenses, sem


esquecer o autor nacional e o universal. Já montou Brecht, Lorca. A
verdade é que ainda há um preconceito contra o autor nordestino.
Mas um texto com essa qualidade não pode ficar inédito. Então eu
achei que seria uma oportunidade interessante porque a Comédia
está inscrita no projeto EnCena Brasil na categoria Circulação de
Espetáculos e estamos tentando levar a peça a Brasília, São Paulo e
Rio. Na oportunidade encenaremos também um autor novíssimo
que é Caio Quinderé, cuja peça “Nos Trilhos da Paixão” apresenta-
mos ano passado. Paralelo a isso, nós vamos divulgar o livro que
E R R A

estou escrevendo: uma retrospectiva que registra todo o percurso


da Comédia Cearense nesses 45 anos. Vamos levando também fotos
S

e cartazes dos principais espetáculos para divulgar o trabalho da


A R O L D O

gente no Ceará.
Teresa Monteiro – 14/06/02 – O Povo
H
COMUNICAÇÕES

Fortaleza,07/11/68
Do Presidente da Sociedade Musical Henrique Jorge
Ilmo. Sr, Professor Haroldo Serra

A Sociedade Musical Henrique Jorge tem a honra de


comunicar a V.Sa., que a Comissão Diretora do IV Festival
da Música Popular do Ceará, promoção desta entidade, es-
colheu, entre as mais destacadas figuras do mundo cultural
e artístico cearense, a sua digníssima pessoa para integrar a
Comissão Julgadora do grande certame que empolga a opi-
nião pública.

A Comissão Julgadora, referida, contará com os seguin-


tes nomes;

Prof. Orlando Leite – Diretor da Escola Superior de Música e


do Conservatório Alberto Nepomuceno
Prof. Haroldo Serra – Diretor da Comédia Cearense
Professora Dalva Stella – Conservatório Alberto Nepomuceno
Professor Jader de Carvalho – Escritor, poeta e sociólogo
Prof. Luis Róseo – Prof. De canto do Colégio Estadual do
Ceará. Do Conselho Regional da OMB
Jornalista Pantaleão Damasceno – Unitário e Correio do Ce-
ará
Dr. Manuel P. Eduardo Campos – Presidente da ACL
Dr. Arthur Eduardo Benevides – Prof. Da Faculdade de Filo-
sofia da UFC
Dr. Otacílio Colares – Academia Cearense de Letras
Ivanildo José da Silva – Diretor de Orquestra de dança
228 Assim, convidamos a V. Sa. a aceitar a escolha e participar
do Júri, dando maior realce à promoção em retábulo.

Prof. José Artur de Carvalho


Presidente da S.M.H.J.

Ministério da Educação e Cultura


Serviço Nacional de Teatro
Rio.16/09/74

Em encontro Nacional de Diretores de Teatro Amador,


promovido por este Serviço nos dias 4, 5, 6, 7, 8 e 9 de setem-
bro próximo passado, na cidade de Petrópolis, foi criada a
Federação Nacional de Teatro Amador, que visa a unificar o
trabalho dos Grupos Amadores existentes no país.
O Sr. Luiz Haroldo Cavalcante Serra
Eleito em Assembléia Geral para o Conselho Adminis-
trativo, está pois, credenciado a representar a Federação, para
fins de levantamento e cadastramento dos Grupos Amado-
res em sua região, bem como para as atividades que para
este fim se façam necessárias.

Orlando Miranda - Diretor

Teatro Novo Universitário da Universidade Federal do


Rio Grande do Norte
E R R A

DECLARAÇÃO
S

Como participante do Primeiro Encontro Nacional de


A R O L D O

Diretores de Teatro Amador e Universitário, realizado em


Petrópolis, nos dias 4,5,6,7,8, e 9 de setembro passado, e sob
H
os auspícios do Serviço Nacional de Teatro, declaro que, o

E A R E N S E
diretor de teatro Luiz Haroldo Cavalcante Serra, do Ceará,
foi escolhido juntamente com Tácito Borralho, do estado do

C
Maranhão, para Coordenadores Regionais da Segunda re-

O M É D I A
gião que compreende os estado do Maranhão, Piauí, Rio
Grande do Norte e Ceará. Outrossim, declaro que esta esco-
lha foi feita por unanimidade.

C D A
Natal, 15 de outubro de 1974

N O S
Carlos Alberto da Silva Furtado

A
Diretor Artístico do TONUS

4 5
R E T R O S P E C T I VA
Ministério da Educação e Cultura
Universidade Federal do Ceará
Centro de Humanidades
Departamento de Comunicação social e Biblioteconomia

DECLARAÇÃO

Declaro, para os devidos fins, que o teatrólogo Luiz


Haroldo Cavalcante Serra prestou inestimável colaboração
ao professor José Alcides Pinto na ministração da disciplina
“Teatro”, ofertada para o Curso de Comunicação Social do
Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará,
nos 2os Períodos Letivos de 1973 e 1974.
Departamento de Comunicação Social e Biblioteconomia
do Centro de Humanidade da Universidade Federal do Ce-
ará, em Fortaleza, 17 de julho de 1975.

Prof. Heitor Faria Guilherme Chefe do Departamento de


Comunicação Social e Biblioteconomia 229
230 III Seminário de Estudos sobre o Nordeste - o Teatro

Prezado Haroldo Serra

Tenho o prazer de fazer chegar às suas mãos as Resolu-


ções e Recomendações do III Seminário de Estudos sobre o
Nordeste – o Teatro, recentemente realizado em Salvador.
Agradecendo a colaboração que V.Sia. prestou à realiza-
ção deste encontro da gente de teatro do Nordeste, expresso
as minhas mais

Cordiais saudações
Nelson Araújo

Rio, 19/03/76
Ilmo. Sr. Haroldo Serra

Saudações

Tenho o prazer de comunicar-lhe que em Sessão do Con-


selho Deliberativo, realizada a 16 de março corrente, foi o
nome de V. Sa. incluído no quadro social da Sociedade Bra-
sileira de Autores Teatrais, na categoria de Sócio Administra-
do.
Fazendo a presente comunicação, valho-me do ensejo
para apresentar a V. Sa. os mais cordiais cumprimentos.

Roberto Ruiz
E R R A

Diretor de Comunicações e Divulgação


S
A R O L D O
H
Secretaria do Interior e Justiça

E A R E N S E
25/06/76

C
Dr. Haroldo Serra

O M É D I A
De ordem do Exmo. Sr. Secretário de Interior e Justiça,
desejamos expressar a V.Sa., nesta oportunidade, os nossos

C D A
melhores agradecimentos pela encenação da peça “Alvora-
da”, do consagrado e saudoso Carlos Câmara, para os inter-

N O S
nos recolhidos ao Instituto Psiquiátrico Governador Stênio

A
Garcia, Instituto Penal Paulo Sarazate e Instituto Penal Femi-

4 5
nino.

R E T R O S P E C T I VA
Referida apresentação, agradou sobremaneira aos inter-
nos dos citados Estabelecimentos Penais e contribuiu
grandemente para a política de reintegração social ora posta
em prática pelo Departamento do Sistema Penal de nosso
Estado.
Na expectativa de que sejamos honrados com novas
apresentações, prevalecemo-nos da oportunidade para, pe-
nhoradamente, apresentar a V.Sa. protestos de elevada esti-
ma e consideração.

Dr. Francisco Feijó de Sá Benevides


Inspetor Geral de Presídios

231
232 Do: Secretário Executivo da Fundação Mobral
Ao: Diretor da Comédia Cearense
Assunto: agradecimento (faz)
17/02/77

Senhor Diretor

Estamos cientes de que o Mobral deve ao apoio e entu-


siasmo do Grupo Teatral Comédia Cearense, grande parte
do sucesso obtido pelo Programa Cultural no Estado do
Ceará.
Tal fato nos permite constatar, três anos após a implan-
tação do Mobral Cultural e especificamente, do Subprograma
Teatro, haver atingido um milhão de brasileiros carentes des-
sa atividade cultural, além de ter-se constituído num agente
mobilizador para os outros programas do Mobral, bem como
ter estimulado a criação de novos núcleos teatrais nos Pos-
tos Culturais e nas localidades por onde atuou o Grupo
Amador.
Pretendemos no decorrer de 1977 realizar Encontros e
Treinamentos de Grupos Amadores vinculados aos Postos
Culturais. Neste sentido esperamos contar com a preciosa
colaboração de V. Sa. de cuja experiência não podemos pres-
cindir.
Isso posto, queremos agradecer a V.Sa. e a todos os inte-
grantes do Grupo, pela magnífica colaboração prestada à
nossa ação cultural e registrar a nossa satisfação pela atua-
ção sempre correta, dinâmica, entusiasta dos elementos de
toda a equipe.
E R R A

Aproveitamos a oportunidade para reiterar nossos pro-


testos de estima e consideração.
S
A R O L D O

Sérgio Marinho Barbosa - Secretário Geral


H
Fortaleza, 29/11/77

E A R E N S E
À Hiramisa Serra

C
Congratulo-me com a prezada amiga motivo sua mere-

O M É D I A
cida designação pelo Governador Adauto Bezerra para ele-
vadas funções Diretora Teatro José de Alencar na certeza que
fará excelente administração, continuando assim grande obra

C D A
realizada pelo Haroldo Serra. Cordialmente

N O S
Armando Vasconcelos

A
4 5
R E T R O S P E C T I VA
Universidade Federal do Ceará
Gabinete do Reitor
13/09/79
Dr. Luiz Haroldo Cavalcante Serra

Tenho o prazer de convidar V. Sa. para participar da


Comissão Examinadora da matéria – FORMAS DE EXPRES-
SÃO E COMUNICAÇÃO ARTÍSTICA, como parte da Sele-
ção de Professores, que esta Universidade vai realizar, a par-
tir do dia 15 de setembro em curso.
Na hipótese de V. Sa. aceitar o convite ora formulado,
gostaria de poder contar com sua presença ao Campus da
Universidade, em Itaperi, às 8.00 (oito) horas do menciona-
do dia 15 de setembro.
No ensejo, apresento a V. Sa. protestos de elevado
apreço.

Danísio Dalton da Rocha Corrêa


Reitor
233
234 Excelentíssimo Gov. Luis Gonzaga Mota
Palácio da Abolição
1984

Em nome do Inacen e meu próprio congratulamos-nos


com o governo desse Estado, na pessoa de V. Excia., pela
demonstração de sensibilidade cultural, portanto política, na
demonstração dada pela apresentação da opereta A Valsa
Proibida, possibilitada pôr V. Excia. e estreada no nosso Tea-
tro Dulcina no Rio de Janeiro com grande sucesso e casa
lotada.

Atenciosamente
Orlando Miranda de Carvalho
Presidente do Inacen
E R R A
S
A R O L D O
H
TEATRO ARENA ALDEOTA

SURGE UMA ESTRELA NO TEATRO: O ARENA

É fato mais do que conhecido que o Teatro, como forma de arte,


surgiu numa arena. Na Grécia, para ser mais exato. Tempos depois
é que o comodismo e o preconceito da burguesia européia, evitando
misturar-se à chamada plebe rude, levaram-no ao interior dos palá-
cios, o que originou o chamado “palco italiano”.
Nesses séculos todos, essa manifestação artística tem voltado
ao convívio das massas, seja nas ruas e avenidas ou utilizando-se
de locais que ficaram conhecidos como teatro de arena. Fortaleza
mesmo, já teve um. Ficava na Santos Dumont.
Durou pouco, porém agora mais uma tentativa. A partir desta
semana surge uma nova estrela em meio à constelação de atores,
autores e diretores, beneficiando, inclusive, ao público, a quem sua
mensagem se destina.
É o Teatro Arena Aldeota.
Quem passar pela rua João Carvalho, esquina da Silva Paulet,
certamente, terá sua atenção voltada para um cartaz em neon, anun-
ciando a chegada de mais uma nova casa de espetáculos do Ceará..
Ela fica para ser mais preciso, pôr trás do Colégio Christus,
encravada no setor leste do conjunto arquitetônico do estabeleci-
mento, de onde se sobressai a quadra de esportes.
Fechando com a idéia antiga do diretor Haroldo Serra, de cons-
truir um teatro que servisse de base às funções da Comédia Cearense,
a direção do Christus resolveu criar essa nova opção em termos de
casa teatral. E, pelo visto, não foram medidos esforços para que ela
se ajustasse aos modernos padrões da realidade teatral, preocupan-
do-se, principalmente, em atender as exigências da platéia.
236 FUGINDO À REGRA

“O teatro brasileiro, como um todo, não tem a preocupação


com o público”, acusa Haroldo Serra, 36 anos de carreira, sempre
defendendo a tese de que o Teatro é um tripé formado pelo autor,
ator e público. O desprezo para com esse último, porém, tem sido
testemunhado pôr ele nessas três décadas de existência da Comédia
Cearense.
O Arena surge como promessa de alterar essas deformações
oriundas, até mesmo, da falta de uma maior consciência profissio-
nal de certos grupos. Espaço agradável, com hall de espera onde
funcionarão barzinho, galeria de arte e uma mini-livraria especi-
alizada na bibliografia teatral, o Arena foi projetado pelo próprio
Haroldo e desenvolvido pelo engenheiro José Rolim.
Ele cobre um espaço físico de 30 por 15 metros, com 466 luga-
res, um palco com sete metros de diâmetro, ar refrigerado, três ca-
marins, além de dispor de 42 refletores de mil watts e de aparelha-
gem de som própria. Tudo foi criteriosamente planejado para aten-
der as necessidades de encenação, afora a quebra de idéia tradicio-
nal de todo teatro de arena obedecer a distribuição das cadeiras em
torno do palco. No Arena que a Comédia estará inaugurando ama-
nhã, com a peça “Os Fuzis da Senhora Carrar”, de Brecht, o círculo
rodeado por cadeiras transformou-se em dois blocos divididos entre
si e com a facilidade para o espectador de ter garantido o lugar que
lhe aprouver. Para isso todas as cadeiras serão numeradas e a bilhe-
teria não ultrapassará o limite de lotação sentada.

ELO MANTIDO
E R R A

Outra vantagem do Teatro Arena Aldeota em relação, por exem-


plo, ao que existiu na Crédimus (também idéia de Haroldo) é de que
S

este foi criado com todas as condições de o diretor fazer vários pla-
A R O L D O

nos e de criar a possibilidade de cenarização. A peça de estréia, pôr


exemplo, conta com cenários criados pelo artista plástico Roberto
H
Galvão e que será homenageado na galeria com exposição de traba-

E A R E N S E
lhos seus.
Quando Haroldo Serra pensou nessa idéia, consultou vários

C
empresários, sempre ouvindo recusas ligadas a motivos vários. Um

O M É D I A
deles. Provavelmente ligado à velha discussão de que o povo não
vai ao Teatro. O diretor pensa diferentemente. “Sempre depois de
cada espetáculo que nós montamos, as pessoas nos procuram e di-

C D A
zem exatamente o contrário. A questão toda está restrita à falta de
permanência de um espetáculo, levando a perder-se o elo de ligação

N O S
com o público”.

A
Para ser mais claro, Haroldo Serra admite que não há nenhu-

4 5
ma possibilidade de uma idéia ter continuidade se não houver per-

R E T R O S P E C T I VA
manência. Isso vale para qualquer trabalho. Fazer com que o públi-
co crie hábito é necessário que uma montagem estabeleça um tempo
maior na agenda de uma casa, o que em nível oficial se torna prati-
camente impossível, dada a obrigatoriedade de atender aos diversos
segmentos culturais.
Nonato Albuquerque – O Povo – 17/7/89
Esta matéria foi republicada na Revista da SBAT

FORTALEZA DE TEATRO NOVO

Em seus trinta e cinco anos de existência, a Comédia Cearense


lutou por um espaço para fazer teatro. Usaram mercados públicos,
centros comunitários, colégios, igrejas, alpendre de fazenda,
carroceria de caminhão, teatro tradicional e até mesmo as ruas.
Agora, o grupo finalmente conseguiu realizar um dos seus maiores
sonhos: ter um lugar permanente para mostrar o seu trabalho. No
próximo dia 18, sábado, a Comédia Cearense inaugura o Teatro de
Arena Aldeota com a peça “Os Fuzis da Senhora Carrar”, em co-
memoração aos noventa anos de nascimento de Bertolt Brecht. 237
Na abertura do Teatro Arena Aldeota – localizado na rua João
Carvalho com Silva Paulet, ao lado do Colégio Christus – haverá a
238 exposição de arte de Roberto Galvão e inauguração do barzinho e
mini-livraria especializada em publicações sobre teatro. O Arena
será administrado pela Comédia Cearense, encabeçado por Hiramisa
e Haroldo Serra, através de convênio firmado com o Colégio
Christus, responsável pela construção do teatro a partir de um pro-
jeto de Haroldo Serra.

PÚBLICO PERMANENTE

Com o Arena, pela primeira vez no Ceará, será testada a expe-


riência de teatro permanente. A Comédia Cearense garantirá espe-
táculos durante todos os finais de semana, para crianças e adultos.
A programação, segundo Haroldo Serra, será eclética atendendo a
diversos gostos: comédia, drama, clássicos, musicais, etc. Nas tar-
des de sábados e domingos, o teatro abre para o público infantil com
peças produzidas especialmente para a garotada.
Haroldo Serra sabe que a iniciativa é um desafio porque a Co-
média Cearense vai transformar a eventualidade do teatro cearense
em uma realidade permanente. Geralmente o cearense só tem opor-
tunidade de assistir peças teatrais esporadicamente, quando um
grupo aluga uma pauta num teatro e faz temporada, na maioria
das vezes, apenas de três dias. O compromisso da Comédia é ofere-
cer teatro todos os fins de semana.

TEATRO ARENA

Haroldo Serra quer criar no espectador a certeza de que ele


pode programar teatro para o fim de semana, pois encontrará espe-
táculos de qualidade. Depois de “Os Fuzis da Senhora Carrar”, a
E R R A

Comédia deverá encenar “Rosa do Lagamar”, de Eduardo Campos,


“A Casa de Bernarda Alba”, de Garcia Lorca, e “A Mente Capta”, de
S

Mauro Rasi. Para as crianças: “Romão e Julinha”, de Oscar Von


A R O L D O

Pfuhl e “A Lenda do Vale da Lua”, de João das Neves.


Com a abertura do Teatro de Arena Aldeota, Fortaleza ganha
H
pela primeira vez um teatro de arena, construido especialmente para

E A R E N S E
esse fim. “No teatro de arena a valorização do texto e do ator é
incomparavelmente maior. Em relação ao próprio espectador, o

C
envolvimento dele com o espetáculo, dado sobretudo à proximida-

O M É D I A
de, é muito superior ao teatro tradicional”.
No teatro tradicional a melhor localização é o centro. No Are-
na, onde a pessoa sentar, a visualização é boa.

C D A
CONFORTO

A N O S
As 466 poltronas do Teatro Arena Aldeota foram especialmen-

4 5
te fabricadas em fibra de vidro. O palco possui um diâmetro de sete

R E T R O S P E C T I VA
metros, possibilitando vários tipos de montagem, inclusive com dois
pequenos palcos laterais. O teatro possui três camarins planejados
para oferecer o que o ator necessita. O sistema de iluminação é mo-
derno com 42 refletores.
A entrada do teatro é simples: um pátio sombreado por frondoso
Jatobá, onde se localizam o barzinho e o local para exposição de
artes plásticas. Para chegar à platéia é preciso subir uma escada
helicoidal. Até aí, o espectador não imagina a beleza do Teatro Are-
na Aldeota. Assim que termina a escada, o piso acarpetado já mos-
tra um ambiente mais requintado, com paredes espelhadas. Neste
local estão as toilletes diferenciadas pelas denominações “Romeu” e
“Julieta”.
Dentro de um ano, Haroldo Serra espera que essa experiência
de um teatro permanente tenha rendido bons frutos ao Ceará.
Regina Luna – Diário do Nordeste – 09/06/89

TEATRO ARENA ALDEOTA


– O CHÃO DA COMÉDIA CEARENSE
239
Atípica, é a situação da Comédia Cearense na vida cultural do
Ceará. Com uma invejável folha de serviços prestados à nossa co-
240 munidade em mais de três décadas, tendo à frente o seu timoneiro
maior: Haroldo Serra. Foge ao nosso conhecimento o registro da
ação de um grupo cultural e artístico durante tanto tempo, tornan-
do-o ímpar em nossa história.
Haroldo Serra mostra-nos, entre tantas coisas, que teatro não
se faz somente com paixão, mas com obstinação, competência e or-
ganização.
A mais recente conquista deste grupo, com o patrocínio do
Colégio Christus, foi a construção do Teatro Arena Aldeota. É o
mais alto anseio que uma equipe de teatro tem direito: um chão
para pisar. E daqui vai o nosso regozijo e aplauso.
No que tange aos mecanismos de produção e formas de organi-
zação, Haroldo Serra e a Comédia Cearense dão-nos um banho de
lição, que deve ser atentamente observada, principalmente pelos mais
jovens, para que no limiar da década que se avizinha, deixemos de
ser só esperança de mudanças e conquistemos bravamente sólidas
formas de produção, público e espaços para trabalho.
Ivonilson Borges – O Povo – 23/12/89

“... Para Antônio Carlos Gerber, o Teatro de Arena Aldeota,


que o Colégio Christus criou junto com a Comédia Cearense, é uma
das obras mais bem planejadas, porque sua acústica e as formas
resolvidas para as saídas, permitem a movimentação dos atores,
além da possibilidade de se montar espetáculos com toda a carpin-
taria teatral. – Não é todo teatro que permite isso – considera”.
Diário do Nordeste – entrevista em 21/06/88
S
HE R R A
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ICONOGRAFIA
H A R O L D O S E R R A

242
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296
RELAÇÃO (MAIS OU MENOS COMPLETA) DOS
ATORES, ATRIZES, COMPOSITORES,
CENÓGRAFOS, DIRETORES E TÉCNICOS
QUE PARTICIPARAM DOS ESPETÁCULOS
DA COMÉDIA CEARENSE

Aderbal Freire Filho, Adail Carvalho, Adriana Bezerra, Adriana


Chagas, Adriana Pereira, Adriano Lúcio, Aécio de Borba, Afonso
Barroso, Afonso Jucá, Afrânio Marques, Agassi Barros, Agenor
Vieira, Aída Massipe, Ailêda Cavalcante, Airileda Moreira, Aírtes
Vasconcelos, Airton Silveira Bastos, Albaniza Cavalcante, Alberto
Magno, Alcides Barreira, Aldenir de Castro, Aldo Pio, Alex Alan,
Alex Sander, Alice Carvalho, Aline Pereira, Almir Klein, Almir Pe-
dreira, Aluysio de Alencar Pinto, Álvaro Maia, Álvaro Neto, Amá-
lia Riomar, Ana Beatriz, Ana Cecília Uchôa, Ana Cristina Viana,
Ana Isabel Pequeno, Ana Lúcia Patrício, Ana Maria, Ana Maria
Macedo, Ana Maria Viana, Ana Paula, Ana Virgínia Valente, Ana
Vládia Lima, Anchieta Lacerda, André Góes, André Luiz, Andréia
Fontenele, Ângela, Ângela Cristina, Angelino Albano, Antonieta
Noronha, Antônio Carlos Moreira, Antônio Guedes, Antônio Ma-
rechal, Antônio Mendes, Antônio Morais, Antônio Pinheiro, An-
tônio Vieira, Antônio Wagner Pinheiro, Apolinário Fernando,
Arialdo Pinho, Arlindo Araújo, Armen Boyadjan, Arnaldo Matos,
Arthur Frota, Arthur Pereira, Artur Pereira, Ary Sherlock, Astrid
Miranda Leão, Athualpa Frota, Atualpa Paiva Reis, Augusto
Alencar, Augusto Melo, Auxiliadora Lima, Avanson (grupo musi-
cal do Colégio Cearense), Ayla Maria, Ayla Markan.
298 B. de Paiva, Baman Vieira, Belchior, Benedito Portela, Benedito
Siqueira, Bento, Beth Araújo, Beth Cardoso, Bila, Bruno Silva.
Camila Abreu, Carla Facundes, Carlinhos Crisóstomo, Carlos
David, Carlos Jamacaru, Carlos Jorge Costa, Carlos Karrar, Carlos
Limaverde, Carlos Magno, Carlos Paiva, Carlos Rocha, Carminha
Serra Azul, Carolina Firmino, Carolina Girão, Carolina Serra, Carri
Costa, Catita, Catherine, Ceci Campos, Célia Cortez, Célio Facundes,
Celso Almeida, César Barreto, César Ferreira, Cleóbulo Maia,
Christiane Góes, Cibele Mathias, Cybele Pompeu, Cira Campos,
Cira Pereira, Ciro Braga, Cláudia Leocádio, Cláudia Markan, Cláu-
dia Regina, Cláudio Bringel, Cláudio Figueredo, Cláudio Jaborandy,
Cláudio Madruga, Cláudio Pomplana, Cláudio Pereira, Cláudio
Pinheiro, Cláutenes Aquino, Cleóbulo Maia, Clice Norões, Clóvis
Matias, Conceição Almeida, Conceição de Alencar, Consuelo
Ferreira, Cremilton Queiroz, Creuza Ferreira, Cristina, Cristina
Mendes.
Dalva Stela, D. Martins, Dagoberto, Daíse de Castro, Daniel,
Darcísio Dársio, Dayse Abreu, Dayse Griezer, Delfin, Descarte
Gadelha, Deugiolino Lucas, Diego Parente, Dina Piccinini, Djacir
Paraíba, Djalma Veríssimo, Domênico, Domingos Neto, Dora Bar-
ros, Dora Lima, Dorita Freire,Doth.
Edilson Soares, Edna Barros de Oliveira, Ednarita, Ednardo Bar-
ros, Edinardo Brasil, Edneuma Melo, Edson Paz, Efe Mesquita,
Eglacine Monteiro, Elaine Marques, Eliact Saboya, Eliene Vieira,
Eliete Maia, Eliete Regina, Elioneide Pereira, Elizabeth Cardoso,
Elizabeth Paiva, Eme Socorro, Emiliano Aquino, Emiliano Queiroz,
E R R A

Erasmo Amaral, Érico, Erivando, Ernesto Escudero, Erotilde


Honório, Esther Arantes, Esther Barroso, Eubirajara Garcia,
S

Eudstone Paixão, Eugênia Siebra, Eugênio, Euler Muniz, Evandro


A R O L D O

dos Santos, Eveline Serra, Eveline Soares, Everardo Gomes, Expe-


dito Pereira.
H
F. Mesquita, Fábia Vieira, Fábio Melo, Fátima Albano, Fátima

E A R E N S E
Alencar, Fátima Costa, Fernanda Quinderé, Feijó Benevides, Felipe
Furtado, Fernando Augusto, Fernando Castelo Branco, Fernando

C
Douglas, Fernando Holanda, Fernando Oliveira, Flávio Phebo,

O M É D I A
Florisvaldo Fernandes, Florisvaldo Frota, Fran Menezes, Franciran
Cavalcante, Francisca Alves, Francisca Barbosa, Francisco Luciano

C
Paiva, Francisco Araújo, Francisco Arruda, Francisco Célio, Fran-

D A
cisco Costa, Francisco Falcão, Francisco Fernandes, Francisco

N O S
Gilmar, Francisco Gláuter, Francisco Helder, Francisco Lúcio

A
Moreira, Francisco Marques, Francisco Menezes, Francisco Perez,

4 5
Francisco Pinto, Francisco Rocha, Francisco Zaní.
G alba, Geraldo Lopes, Geraldo Markan, Geraldo Oliveira,

R E T R O S P E C T I VA
Giácomo Genari, Gil Sodré, Gina Kerly, Glyce Sales, Gonzaga Vas-
concelos, Goretti Quintela, Gracinha Soares, Granjense, Grupo
Pixinguinha, Guglielmina Saldanha, Guiomar Carleal, Gurgel do
Amaral, Gustavo Portela.
Haroldo Serra, Haroldo Holanda, Haroldo Júnior, Haroldo Neto,
Haroldo Ribeiro, Harolmisa Serra, Helder Monteiro, Helder Pei-
xoto, Helder Ramos, Helana Macedo, Hélio Brasil, Hemetério,
Herlon Robson, Hiramisa Serra, Hiran Albuquerque, Hiroldo Ser-
ra, Hugo Bianchi.
Idolberto Santos, Igor Arruda, Ilclemar Nunes, Inácio Rates,
Irish Salvador, Isabel Brás, Isabel Cristina, Isaltina, Ismael
Mattos, Itamar Cavalcante, Itauana Ciribelli, Ivan Lima, Ivo
Rosa.
J. Arraes, J. Cassiano (Muriçoca), J. Figueiredo, J. Oliveira, J.
Wanderley, Jaborandy Matos Dourado, Jacaúna Aguiar, Jaccidey
Cavaalcante, Jacy Fontenele, Jade Ciribelli, Jadeilson Feitosa,
Jáderson Feitosa, Jaílson Feitosa, Jane Azeredo, Jânio Alves, Janson, 299
Jaqueline Caprone, Jerton Uchôa, Jesamar Leão, João Antônio, João
Batista Veras, João Cavalcante, João Falcão, João Freire, João
300 Linhares, João Luiz, Joaquim Paulo, Joaquim Ribeiro, Joaquim Stone,
Joelise Collyer, Jomar Farias, Jomar Júnior, Jorge Braga, Jorge Ca-
minha, Jorge Melo, Jorge Oliveira, Jorge Paulo, Jorge Ritchie, Jório
Nhertal, José Arteiro, José Carlos Maçal, José Carlos Matos, José
Gomes (Trepinha), José Humberto, José Luiz, José Maria, José Ma-
ria Cunha, José Maria Lima, José Neto, José Neuton, José Silva,
José Tarcísio, Josefa Anilda, Joventina, Jovita Farias, Juarez Alencar,
Juarez Silveira, Judith Lúcia, Juliane Santos, Juliana Medeiros,
Julieta.
Karla Peixoto, Karla Farias, Kalina de Carvalho, Karine Bessa,
Kelly de Castro, Kildary Pinho.
Laerte Bedê, Laís Freire, Lamartine Camurça, Lana Soraya, Lázaro
Medeiros, Léa Vasconcelos, Leão Júnior, Leontina, Leir Pontes, Lenir
Alexandre, Leonan Moreira, Lia Serra, Liberal de Castro, Lígia
Pereira, Lina Márcia, Lindy Saldanha, Lizete, Lourdinha Castelo
Branco, Lourdinha Falcão, Lourdinha Martins, Lourenço, Lourival
Brasileiro, Lucas Cavalcante, Lucas Lucena, Luciana Arrais, Lucídia
Fonteles, Lúcio Brasileiro, Lúcio Leonn, Lucy, Luiz Antônio, Luiz
Assunção, Luiz Derossy, Luiz Gonzaga, Luiz Simões, Luiza Tor-
res, Luizinho.
Marcus Miranda, Maira Cavalcante, Maíra Saldanha, Maísa Cas-
tro, Maneco Quinderé, Manoela Villar Queiroz, Manuela Lustosa,
Mara Verly, Marcelo Costa, Márcia Paiva, Márcia Sucupira,
Marcílio, Marcos Araújo, Marcos Aurélio, Marcus Antônio, Marcus
Fernandes, Marcus Jussiê, Margareth, Maria Aglais, Maria da
Glória Martins, Maria de Jesus Serra Silveira, Maria de Lourdes,
Maria Eliete, Maria Helena, Maria Helena Veríssimo, Maria Ivete
E R R A

Pereira, Maria José, Maria José Bráz, Maria Lindomar, Maria


Lucenígia, Maria Ronilda, Maria Vanda Albuquerque, Mariana
S

Magalhães, Mariinha Drumond, Marília Barros, Marinina Gruska,


A R O L D O

Mário Bahia, Mário Henrique, Mário Mesquita, Mário Santos,


Maristher Gentil, Marivaldo, Mariza, Marlene Silveira, Massilon
H
Moura, Matha Vasconcelos, Matos Dourado, Maurício Alves,

E A R E N S E
Maurício Estevão, Maurício Freitas, Mauro Coutinho, Mauro
Portela, Miguel Araújo, Mirian Carlos, Mirian de Souza, Mizael

C
Fernandes, Mônica Luiza Xavier, Mônica Silveira, Moura Matos,

O M É D I A
Mozart Brandão.
Nadir Saboya, Nádia Uchôa, Náger Uchôa, Nágila Sobral, Naiana

C
Serra, Nairo Gómez, Nancy Vitoriano, Nayane de Carvalho, Nearco

D A
Araújo, Neiara Serra, Neide Maia, Neide Castelo Branco, Neisse

N O S
Fernandes, Nelson Bezerra, Nelson Eddy, Nelson Vilela, Neudson

A
Braga, Nilda Magno, Nilma Carneiro, Ninito Cavalcante, Nirez,

4 5
Nízia Diogo, Nonato Albuquerque, Nonato Soares, Norma Brasil,

R E T R O S P E C T I VA
Noslean.
Odair Prado, Odenísio Holanda, Olavo Branco, Orlando Leite,
Orlanea Monteiro, Orlene Moura, Oscar Roney, Otávio Magno,
Otávio Neto, Otto Maciel, Ozires.
Pablo Vitoriano, Padre Linhares, Pádua Alencar, Palmeira Gui-
marães, Patrícia Batista, Patrícia Helena, Paula Ramalho, Paulinho
Cabeleireiro, Paulinho Uchôa, Paulo Afonso, Paulo Alencar, Paulo
César Cândido, Paulo Freitas, Paulo Henrique, Paulo Lima Verde,
Paulo Roberto, Paulo Roque, Paulo Silveira, Pedrinho Uchôa, Pedro
Américo, Pedro Boca-Rica, Pierre Barroso, Pimentel Ramos, Poliana
Gonçalves, Poliana Moraes, Polion Lemos, Priscyla Prado,
Puraquê.
Quinteto Agreste.
Rachel Haddad, Rafael Martins, Rafaela Matoso, Raimunda Co-
elho, Raimundo Crisóstomo, Raimunda Lima, Raimundo Marques,
Raimundo Nonato, Raul César, Regina Jaborandy, Regina Lessa,
Regina Távora, Rejane Limaverde, Rejane Medeiros, Renan Ca-
valcante, Ribeiro Soares, Ricardo Araújo, Ricardo Borges, Ricardo 301
Guilherme, Ricardo Medeiros, Ricardo Melo, Ricardo Moreira,
Ricardo Santos, Rinauro Moreira, Rita de Cássia, Roberta Brasil,
302 Roberto Araújo, Roberto Celso, Roberto César, Roberto Galvão,
Roberto Lessa, Roberto Reial, Roberto Vasconcelos, Rochele Cardo-
so, Rodolfo Galvão, Rodolfo Markan, Rogério Medeiros, Rosa No-
gueira, Rosana Schiarentolla, Rosilene, Roxane Alencar, Rubens,
Rufino Gomes de Matos, Ruy Diniz.
Sabrina Romero, Salete Dias, Samuel Boyadjan, Samuel Rocha,
Sandoval, Sandra de Borba, Sandra Elizabeth, Sandro Camilo,
Sandro Melo, Santana Júnior, Sara Lacet, Sarto, Sebastião Gomes,
Seny Furtado, Sérgio Alexandre, Sérgio de Franco, Sérgio Lima,
Sérgio Luiz, Sérgio Viana, Sergei de Castro, Sherezade Leite, Sidrack
Silva,Silva Novo, Silvana Salles, Silvânia, Simone Sucupira, So-
corro Noronha, Solange Fernandes, Solange Palhano, Solange
Teixeira, Sônia Mariah, Sônia Sales, Soraya Palhano, Steferson,
Studart Dória.
Tadeu Nobre, Tânia Dourado, Tarcísio Santos, Telma, Tereza Melo,
Tereza Paiva, Thais Furtado, Thiago, Thony, Tiago Bessa, Ticiana
Almada, Túlio Ciarlini.
Ulisses Narciso.
Veimires Lavôr, Valberto, Valesca Serra, Vânia Queiroz, Vera Ti-
gre, Veruska Donato, Victor Arantes, Victor Augusto, Victor Júnior,
Victor Moreira, Vinícius Borges.
Walden Luiz, Walderez Vitoriano, Wagner Donizetti, Wagner
Fernandes, Wagner Pereira, Wagner Ramos, Waldemar Garcia,
Walter Luiz, Walter Marques, Wanda Albuquerque, Wanderley
Pinto, Wilson Cirino.
Xexéu, Ximenes Araújo.
E R R A

Yêda Gurgel, Yêda Souza, Yúri Oliveira.


SA R O L D O

Zemaria Damasceno, Zeneida Parente, Zilma Duarte, Zito Mark,


Zonardo Leite, Zulene Martins.
H
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS

RIO:

Adail Daliano, Almir Teles, Antônio Morais, Cairo Trindade,


Célio Barros, Chico Silva, Delfim Pinheiro, Elizabeth Matos, Fran-
cisco Neto, Geraldo Darbilly, Jorginho de Carvalho, Manolo, Mary
Neubaeur, Milton Morais, Mirian Pérsia, Paulo Pinheiro, Paulo
Rogério, Rogério Fróes, Sérgio Palha, Vera Monteiro, Yara Victória.

SÃO PAULO:

Aiman Hamoud, Carlos Costa, Edélcio Vigna, Inês Otranto,


José Dumont, Júlia Grey, Jurandir Pereira, Luiza Carmelo, Olavo
Branco, Paulo Braga, Sérgio Migliaccio, Simone Miranda, Thaís
Andrade, Thereza Teller, Tom Santos, Vera Sílvia, Zélia Silva.
ÍNDICE REMISSIVO

Autores:

Agatha Christie, 78
Aldomar Conrado, 92, 102, 263
Almeida Garret, 116
Antônio Bulhões, 106
Argemiro Silva, 146
Arthur Maia, 140
B. de Paiva, 90, 186
Brecht, 106
Caio Quinderé, 121, 188, 226, 265
Carlos Câmara, 78, 87, 103, 186
Ciro Colares, 142
Daniel Adjafre, 142
Dias Gomes, 14
Dimitri Túlio, 154, 222,267
Eduard Fay, 101
Eduardo Campos, 16, 40, 77, 80, 87, 89, 94, 103, 136, 186, 187,
188, 281, 286
Emiliano Quiroz, 130
Francisco Pereira da Silva, 92
Garcia Lorca, 115
Gastão Tojeiro, 83
Geraldo Markan, 139
Gianfrancesco Guarnieri, 38
Glaúcio Gil, 80
Glyce Sales, 142, 152
Guilherme Figueiredo, 11, 143
Guilherme Neto, 39
306 Haroldo Serra, 83, 89, 90, 91, 133, 138, 139, 188
Hiramisa Serra, 149
Hiroldo Serra, 154 ,155 ,156 ,157 ,159
Ilclemar Nunes, 104, 143, 187
Itauana Ciribelli, 156
J. Reis, 133
José Alcides Pinto, 91, 229
José de Alencar, 90
João das Neves, 144, 145, 238
Kleber Fernandes, 141
Leão Júnior, 139
Lúcia Benedetti, 130, 131, 132
Luis de Lima, 80, 106
Maria Clara Machado, 128, 129, 132
Mariinha Drumond, 133
Maria Irismar, 152
Mário da Silva, 101
Martins Pena, 186
Mauro Rasi, 111, 112, 113, 114, 171, 174, 253
Michel Kamin, 101
Molière, 15
Nati Cortez, 142
Nelson Rodrigues, 39
Nertan Macêdo, 138 ,186, 188
Olegário Azevedo, 129
Oscar Von Pfuhl, 146
Paurillo Barroso, 52, 187
Pedro Bloch, 12, 37, 78, 80
Pedro Veiga, 128, 135
E R R A

Pernambuco de Oliveira, 128


Raimundo Magalhães Júnior, 12, 40
S

Robert Thomas, 80, 101


A R O L D O

Shakespeare, 13
Silvano Serra, 52
H
Silveira Sampaio, 14

E A R E N S E
Walden Luiz, 150, 151, 153, 155, 158
Walderez Vitoriano, 105, 187

C
Walmir Ayala, 115

O M É D I A
Jornais e Revistas

C D A
A Luta (Rio), 44
A Notícia (Rio), 45

N O S
A Notícia (SP), 26, 85

A
Correio da Manhã (Rio), 43

4 5
Correio do Ceará, 20, 72

R E T R O S P E C T I VA
Diário da Noite (SP), 48
Diário da Região (SP), 5, 25, 40, 49
Diário de Pernambuco, 85
Diário do Nordeste (Ce), 52, 99, 109, 114, 124, 126, 146, 159,
178, 239
Diário Popular (SP), 104
Estado de S. Paulo, 34
Este Mês em S.Paulo, 35
Folha de S. Paulo, 33
Gazeta de Notícias (Ce), 26, 30, 59
Gazeta do Ipiranga (Sp), 35
Gente de Ação (Ce), 124
Jornal da Semana (SP), 36
Jornal da Tarde (Sp), 32
Jornal de Brasília, 48
Jornal do Brasil (Rio), 44, 46, 94
Jornal do Comercio (Pe), 67
O Cruzeiro, 28, 35
O Dia (Rio), 29
O Estado (Ce), 119, 138 307
O Globo (Rio), 29, 46
O Jornal (Rio), 44
308 O Povo (Ce), 5, 46, 58, 69, 73, 89, 96, 101, 105, 108, 111, 115,
117, 121, 163, 165, , 226, 237, 240
Palco + Platéia (Sp), 86
Singular (CE), 101, 220
Tribuna do Ceará, 16, 74
Última Hora (Rio), 44
Unitário (Ce), 20, 61, 65
Visão, 35

Críticos e Articulistas

Acazé, 44
Adeth Leite, 85
Adísia Sá, 5, 16, 59, 69, 108
Afonso Barroso, 75, 77
Alan Neto, 117
Armando Sergio, 86
Alípio R. Marcelino, 36
Aurora Miranda, 126
B. de Paiva, 20, 197, 204
Blanchard Girão, 159, 170, 188
C. V., 44
Carlos Durval, 54, 75
César de Alencar, 54, 75
Cid Carvalho, 74
Clóvis Garcia, 34
Domingos Gusmão de Lima, 58
Edigar de Alencar, 45
Edmundo Vitoriano, 73
E R R A

Eduardo Campos, 75
Egídio Serpa, 66
S

Eliézer Rodrigues, 46, 96, 101, 105, 111, 213, 220


A R O L D O

Elvira Gentil, 35
Euzélio Oliveira, 105
H
Ezaclir Aragão, 73

E A R E N S E
Fernanda Quinderé,8, 89, 254
Fran Martins, 20

C
Gilberto Tumscitz, 29

O M É D I A
Henrique Nunes, 223
Hilton Viana, 48, 104
Ilka Marinho Zanoto, 17, 30, 35

C D A
Inácio de Almeida, 22
Ivonilo Praciano, 115

N O S
Ivonilson Borges, 240

A
Yan Michalski, 5, 44, 46, 94

4 5
Jacy Campos, 37

R E T R O S P E C T I VA
Jefferson Del Rios, 33
José Anderson, 8, 49, 92, 93, 99, 146, 263
José Cláudio de Oliveira, 65
José Gama, 38
Lêda Craveiro, 115
Lêda Maria, 178
Leite Maranhão, 65
Luiz Alberto Sanz, 44
Luiz Carlos Bardari, 50
M.C.S., 40,49
Marciano Lopes, 25, 52, 62, 109, 114, 137, 149
Maurício Sherman, 54, 47
Milton Dias, 186, 188
Miroel Silveira, 36
Mônica Silveira, 124
Marcelo Costa, 11, 33, 39, 187, 204, 210, 211
Moreira Campos, 61
Nadir Saboya, 23
Nonato Albuquerque, 237
Norma Geraldy, 54, 75 309
Oswaldo Louzada, 54, 75
Orlandino Rocha, 28
310 Otacílio Colares, 20, 26
Parsifal Barroso, 72
Paulo Pinheiro, 54, 75
Paulo Saavedra, 75
Paulo Sampaio de Oliveira, 65
Paulo Tadeu, 119
Péricles Leal, 20
Plínio Marcos, 37
Quixadá Felício, 64
Rachel de Queiroz, 54, 74, 190, 193, 194, 195, 200, 257
Regina Luna, 239
Regina Marshall, 73
Roberto de Cleto, 29
Roggiego, 35
Rubens de Falco, 38
Sábato Magaldi, 32, 190, 193, 200, 282
Sheila Maghi, 74
Sônia Margarida, 5, 25
Susy Arruda, 38
Tânia Pacheco,46
Teotônio Villela, 69
Tereza Monteiro, 226
Thiago Arrais, 121
Valter Vale, 26
Van Jafa, 37, 43
Waldemar de Oliveira, 67

Outras Citações:
E R R A

Acilon Gonçalves, 87, 177, 287


Adauto Bezerra, 41, 168, 195, 201, 223
S

Aderson Medeiros, 179


A R O L D O

Adolfo Marinho, 177


Adonias Filho, 190
H
Aluysio de Alencar Pinto, 143, 188

E A R E N S E
Álvaro Jarreta, 8, 289
Antenor Naspolini, 179

C
Antônio Carlos Gerber, 106, 240

O M É D I A
Armando Falcão, 17
Armando Vasconcelos, 8, 53, 93, 233, 255, 263
Arthur Eduardo Benevides, 167, 182, 227, 296

C D A
Arthur Silva, 175, 176
Artur Bruno, 176, 177, 181, 290

N O S
Barros Pinho, 93, 175, 176, 180, 231, 291, 292

A
Beatriz Alcântara, 182, 296

4 5
Beatriz Veiga, 54

R E T R O S P E C T I VA
Bibi Ferreira, 250
Braulio Leite, 69
Burle Marx, 193
Calé Alencar, 188
Carlinhos Morais, 179
Carlos Alberto da Silva Furtado, 236
Carlos Miranda, 54
Carri Costa, 176, 177, 182, 293
Castelo Branco, 53, 62, 255
César Cals, 17, 26, 196, 281
César Neto, 54
Ciro Braga, 54
Cláudia Melo, 289
Cláudio Bedê, 167
Cláudio César, 8
Cláudio Pereira, 169, 172, 173, 283
Daniel Rocha, 165
Danísio Dalton da Rocha Correia, 233
Demócrito Dummar, 8, 17
Dinorah do Vale, 83 311
Divani Cabral, 201
Djacir Menezes, 190, 193
312 Edilmar Norões, 8, 93, 183
Eduardo Portela, 192
Ernando Uchôa, 17, 28, 224
Ernane Barreira, 55
Estrigas, 15
Eudoro Santana, 181
Fábio Brasil, 87
Fagner, 54, 74
Fátima Belchior, 182
Fernando Eugênio, 8
Fernando Piancó, 182
Ferreira do Ceará, 17
Francisco Feijó Benevides, 231
Francisco Jereissati, 93, 289
Francisco Matias, 181
Fundação Demócrito Rocha, 41, 70
Geraldina Amaral, 186, 188
Giácomo Mastroiani, 188
Godofredo Pereira, 8
Gonzaga Mota, 54, 240
Grupo Balaio, 169, 171, 172, 173, 174, 175, 178, 179
Heitor Faria Guilherme, 229
Heitor Férrer, 181, 183
Helder Souza, 207
Humberto Bezerra, 281
Humberto Braga, 8, 54
Humberto Sinibaldi, 83
IBEU, 41,165
Irapuan Lima, 167
E R R A

Irmã Elizabeth Silveira, 183


Jack Lang, 17
S

Jane Azeredo, 181


A R O L D O

João Alfredo, 176, 178


João Dummar, 182, 296
H
José Augusto Lopes, 93

E A R E N S E
José Barbar Cury, 163
José Barros de Alencar, 172

C
José Lima de Carvalho Rocha, 87, 93, 224, 292

O M É D I A
José Dias Macedo, 54
José Dumont, 17, 31
José Renato, 87, 88

C D A
José Rolim, 242
Juca de Oliveira, 122, 126, 288

N O S
Kécia Morais Lopes, 177

A
Kroma Produções, 176

4 5
Liberal de Castro, 78, 92, 190, 194, 263

R E T R O S P E C T I VA
Lourdes Sarmento, 182, 296
Lúcio Alcântara, 92, 180, 263
Lúcio Brasileiro, 78
Luiz Campos, 165
Luiz Edgar Andrade, 183
Luiz Gastão Bittencourt, 180
Luiz Pontes, 169
Luiziane Lins, 87, 177
Lyrisse Porto, 166
Márcio de Sousa, 8, 103
Marcos Teixeira, 8
Maria Lúcia de Carvalho Rocha, 87, 89, 284
Maria Macedo, 54
Mário Barbosa, 93
Mark Propaganda, 176
Martha Vasconcelos, 167, 177, 258
Mauro Benevides, 188
Mino, 80
Miriam Mota, 54
Mirian Pérsia, 54, 247 313
Murilo Alvarenga, 87
Murilo Borges, 168
314 Narcélio Lima Verde, 188
Neudson Braga, 83, 201
Nilzon Falcão, 289
Odílio Costa Filho, 92
Orlando Bezerra, 195
Orlando Leite, 182, 188, 227, 255, 296
Orlando Miranda, 54, 87, 89, 92, 177, 190, 228, 234, 263, 285
Oswald Barroso, 187
Paschoal Carlos Magno, 195, 196
Paulo Autran, 295
Paulo Elpídio, 92, 263
Paulo Linhares, 87
Paulo Peroba, 174
Paulo Sarazate, 162
Pedro Henrique S. Leão, 182, 296
Procópio Ferreira, 189
Raimundo Ivan, 162
Raimundo Girão, 186
Raimundo Padilha, 92
Regina Ângela Sales Praciano, 181
Renato Scripilliti, 87
Ricardo Almeida, 178
Ricardo Guilherme, 196, 197, 200
Roberto de Carvalho Rocha, 8, 106, 202
Roberto Cláudio Bezerra, 183
Roberto Freire, 16
Roberto Galvão, 106, 107, 243, 244
Roberto Moreira, 8
Rozemberg Cariri, 263
E R R A

Ruben Ludwig, 190, 193


Samantha Tavares, 289
S

Sérgio Marinho Barbosa, 232


A R O L D O

Sônia Pinheiro, 93
Stanley Whibe, 8, 54, 93, 231, 292
H
Tarciso Tavares, 207

E A R E N S E
Tácito Borralho, 229
Teodorico Menezes, 175

C
Thereza Teller, 31, 33, 35

O M É D I A
Tom Santos, 17, 31, 33
Tomaz Brandão, 175, 176
Torres de Melo, 17, 287

C D A
Valéria Brasil Rocha, 87
Vânia Dummar, 17, 92, 263

N O S
Vicente Fialho, 28

A
Vicente Marques, 207

4 5
Virgílio Távora, 79

R E T R O S P E C T I VA
Vital Santos, 16
Walfrido Salmito, 169, 283
Wanda Palhano, 8
Welington Landim, 175, 176
Yolanda Queiroz, 183

315
SUMÁRIO

Apresentação ............................................................................. 7

Prefácio ....................................................................................... 9

Teatrografia:

Adulto ....................................................................................... 11

Infantil .................................................................................... 127

Prêmios e Homenagens ....................................................... 101

Editora Comédia Cearense ................................................ 185

Bastidores ............................................................................... 189

Comunicações ....................................................................... 227

Teatro Arena Aldeota ........................................................... 235

Iconografia ............................................................................. 241

Participantes da Comédia Cearense .................................. 297

Autores ................................................................................... 305

Jornais e Revistas .................................................................. 307

Críticos e Articulistas ............................................................ 308

Outras Citações ..................................................................... 309


Este livro fo composto na fonte ZapdCalligr BT,
corpo 12/16/20. O miolo foi impresso em papel
AP75 g/m2 e a capa com laminação fosca em car-
tão supremo 250 g/m2. Impresso pela Editora Grá-
fica LCR em setembro de 2002.