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III

O presente trabalho foi realizado principalmente com base no livro de Anna Freud,
titulo: “O Ego e o Mecanismos de Defesa” de 1946, sendo que inicialmente é discorrido breve
relato sobre a vida e obra da autora. A utilização do presente material vem de forma
indispensável para a prática clínica, terapêutica e teórica em psicanálise.
A proposta da autora é a descrição da normalidade, e apresentar os processos de
maturação da criança, vez que apresenta problemas comuns da educação, tentando responder
a problemas comuns do cotidiano. Apresenta também uma teoria dos mecanismos de defesa e
processos de manifestação do ego, contudo não conceitua detalhadamente aqueles. Historia
também o surgimento da análise em crianças, bem como os métodos utilizados.
Apresenta ainda o que a autora chama de variantes da normalidade, no sentido de
desenvolvimento normal. Fala sobre o processo de desenvolvimento da criança, suscitando os
perigos de, neste período, se originarem distúrbios que se manifestarão na fase adulta. E ainda
apresenta uma metodologia de análise infantil.

1. VIDA E OBRA: ANNA FREUD

Anna Freud foi a sexta e última filha de Sigmund Freud e Martha Freud, nasceu em
Dezembro de 1895 na cidade de Viena. Foi uma das pioneiras da Psicanálise Infantil e a única
a escolher a profissão do pai.
Anna tornou-se arrima da velhice de Freud e depois a guardiã da sua obra, fundou o
primeiro centro para investigação e treinamento de psicanálise infantil, escreveu extensas
séries de trabalhos científicos originais, integrando as teorias de seu pai á sua experiência
clinica e didática. Dedicou sua vida á psicanálise, cuidou da memória e da ciência do pai,
realizando o desejo de imortalidade deste.
A vida pessoal de Anna e a psicanálise sempre se mantiveram interligadas. Seu
nascimento coincidindo com a elaboração, por Freud, de seu trabalho “A Interpretação dos
sonhos”, publicado em 1900. Posteriormente, a análise que Anna fez com seu pai, os
resultados desta e os trabalhos científicos que ambos escreveram a partir desta experiência.
No inicio da Psicanálise não se tinha idéia exata de como os laços extra-analíticos podiam
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perturbar o processo, e havia considerações práticas em jogo: dificuldade de dinheiro por


causa da guerra, os analistas que Freud mais confiava moravam em outras cidades.
Nos anos 20, Anna Freud resolve tornar-se psicanalista, mesma época em que
conheceu Dorothy Burlinghan sua amiga e companheira de trabalho. Escreveu a obra
“Fantasias de Espancamento e Devaneios” que a habilitou na sociedade Psicanalítica de Viena
em 1923. Cinco anos depois, publicou uma de suas obras mais importantes “O tratamento
psicanalítico das crianças”. No ano seguinte, foi eleita diretora do novo instituto de
psicanálise de Viena. Nessa mesma época Melanie Klein, sua terrível rival, começava a
reformulação teórica da obra de Freud. Enquanto Melanie Klein inventava uma nova prática
da análise infantil, Anna Freud seguia o caminho indicado pelo pai. Anna defendia que uma
criança é frágil demais para ser submetida a uma verdadeira análise, com exploração do
inconsciente, o tratamento deveria ser feito sob a responsabilidade dos pais e juntamente com
as instituições educativas. Anna Freud considerava que o complexo de Édipo não deveria ser
examinado profundamente na criança, em razão da falta de maturidade do supereu. A sua obra
mais marcante foi o livro “O eu e os mecanismos de defesa”.
Em 1952, fundou o Hampstead Child Therapy Clinic, centro de terapia e pesquisas
psicanalíticas, onde aplicou suas teorias em estreita colaboração com os pais das crianças
atendidas. Nos anos 40 criou com Dorothy Burlingham, as “Hampstead Nurseis”, para cuidar
das crianças atingidas indiretamente pela guerra e depois o centro de estudo e tratamento
psicanalítico infantil, que hoje tem seu nome. O que marcou o nascimento do annafreudismo,
segundo corrente representado na International Psychoanalytical Association, foi a sua obra”:
“ O eu e os mecanismos de defesa”. Anna defendia radicalmente a ideia de que a análise de
uma criança não deveria se iniciar antes dos 4 anos de idade e nem ser aplicado diretamente a
ela, mas sim com a ajuda e autoridade dos pais. A ênfase estava centralizada em orientações
pedagógicas na medida em que considerava impossível o estabelecimento de relações
transferênciais com o analista. Anna filha e defensora das idéias de Freud voltava-se a questão
da adaptação da criança e do adulto ao mundo externo, valorizando a força do ego para conter
os impulsos, em contraste com a postulação teórica de Melanie Klein.
Anna Freud morreu aos 87 anos, em 1982, teve grande importância institucional e
grande capacidade de empreendimento.
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2. O EGO COMO SEDE DE OBSERVAÇÃO

2.1. Definição de Psicanálise

É fato que houve um período que abandonou-se os estudos do ego, vez que
acreditavam que os conteúdos importantes para análise estavam exclusivamente no Id. Antes
então se definia a psicanálise como uma psicologia do inconsciente. E tal assertiva é inócua
em função da impossibilidade da sua aplicação em análise, isso porque, o uso do método
analítico, desde o começo, preocupa-se com o Ego, apesar de se realizar um estudo do Id e
seu funcionamento, o que se pretende, afinal de contas, é a correção de anormalidades no Ego.
Diante disso, pode-se definir análise como o método pelo qual se coleta o máximo de
informações possíveis de todas as três instituições psíquicas confrontando as suas relações
como o mundo externo. No Ego conteúdo, fronteiras, funções e influências no mundo
externo, no Id e no Superego a maneira em que foram moldados. Com relação ao Id, dar uma
explicação dos instintos.

2.2. O Id, o Ego e Superego na Autopercepção

O conhecimento sobre o conteúdo do Id só é possível se ter acessar por meio de


derivativos que se apresentam nos sistemas consciente e pré-consciente. Por outro lado se este
conteúdo se permanecer em estado de calmaria, e ai não se produz impulsos instintivos, com
isso se torna ineficaz a observação, portanto não é possível se observar o Id em todas as
circunstâncias.
No caso do Superego, por seu conteúdo estar presente na consciência é permitida a
observação direta, tornando-se confusa quando ele se relaciona com o Ego, isso porque as
duas instituições se coincidem, não sendo permitida sua separação, só no momento em que
trata o Ego com hostilidade é que podemos defini-lo com clareza. Id e Superego só se tornam
perceptíveis quando se manifestam.
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2.3. O Ego como Observador

O campo de observação do analista é sempre o Ego, onde enxergamos as duas outras


instituições. Os impulsos instintivos partem do Id procurando uma manifestação motora em
busca de uma gratificação. Existindo casos em que o Ego não faz objeção e apenas tem
consciência da manifestação, neste caso não há distorções e, insta dizer, que o Ego não
participa. Contudo a manifestação dos impulsos instintivos pode gerar todo tipo de conflito,
daí então a interrupção da observação. No Id opera o princípio de obtenção de prazer, já no
Ego o que ocorre são as associações de idéias, surgindo então a necessidade de se respeitar os
imperativos da realidade, manifestação essa do Superego, o qual controla o comportamento.
Contudo os impulsos instintivos continuam a efetuarem incursões hostis no Ego na esperança
de derrubar a barreira. Nesse momento o Ego contra-ataca, invadindo o Id de maneira a tentar
mantê-lo fora de ação e se utiliza por meio de medidas defensivas.

2.4. Incursões do Id e do Ego, Consideradas como Material para Observação

No momento em que o Id realiza incursões no Ego e, por sua vez, o Ego se manifesta de
maneira a se defender por seus mecanismos, essa dinâmica ocorre de maneira silenciosa, não
sendo permitido que sejam observadas no momento em que acontecem, o que é possível é um
retrospecto reconstrutivo das situações para que se possa tomar conhecimento. Podemos dizer
ainda que as informações importantes são adquiridas por meio das incursões realizadas de
uma instituição em outra, e ai estuda-se o lado oposto, por meio do retorno do material
reprimido, tal como na neurose. Existe um momento em que se pode observar o impulso
instintivo e a defesa do Ego, lado a lado, no momento da manifestação do conflito, então se a
força invasora do Id derrotada, impera-se a paz na psiquê, o que é desfavorável para a
observação, força da qual, se for reforçada é positivo para o analista observar.
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2.5. Técnica Hipnótica no Período Pré-Analítico

Nessa época o Ego tinha caráter negativo. Isso porque, o hipnotizador acessava o
conteúdo do inconsciente e o Ego funcionava como um fator de perturbação. Então o médico
se utilizava da hipnose para se livrar dos efeitos do Ego e o objetivo era a revelação do
consciente. O material do inconsciente era então submetido a Ego, resultando em uma
eliminação dos sintomas. E esse efeito era temporário, uma vez que o Ego se revoltava e
procurava novas maneiras para se livrar daquele material apresentado à consciência. Esse
processo era então viciado, em função de que o Ego não participava da terapia e então era
prejudicial para os resultados. Portanto abandonou-se o suo dessa técnica.

2.6. Livre Associação

Nesse método pede-se ao Ego que se permaneça em silêncio e o Id é convidado a


falar. Contudo é necessário administrar essa situação, ora, pretende-se que os impulsos
instintivos apareçam no Ego, e para isso deve-se encorajar o paciente, de outro norte não se
deve deixar que recebam gratificação, daí então a dificuldade da aplicação da técnica
analítica. A autora então critica os analistas principiantes no sentido de que aqueles utilizam o
método analítico de maneira retilínea, uniforme ou invariável, enquanto que na verdade é
preciso tomar diversos tipos de posturas diante das diversas situações diferentes. Eu quero
dizer que, devemos utilizar a regra fundamental da análise no momento em o Id se manifesta,
e não durante toda a análise. No momento em que as incursões do Id dão lugar ao contra-
ataque do Ego ergue-se as resistências. Nesse momento o objeto de sua observação é a
resistência. E o trabalho agora é de promover vias de contorno, com o fim de rodear essa
manifestação de defesa e isso se dá por meio da reconstrução a partir das associações do
paciente. Portanto o trabalho do analista é de identificar as manifestações dos mecanismos de
defesa, e isso é a análise do Ego. E o próximo passo é desfazer o que foi feito pela defesa. E
ao restabelecer as ligações cortadas volta-se novamente a atenção para as manifestações do Id.
E ai se então a construção do método da psicanálise, que é exatamente o contrário da hipnose
que era unilateral.
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2.7. Interpretação de Sonhos

A técnica quando da interpretação do sonho é a mesma. A função do Ego se suspende


sob a influência do sonho. Faz-se com que o paciente se repouse o divã para que não permita
alcance de uma gratificação por meio da ação motora. Isso porque no sono o sistema motor
esta desativado. Agora se permite fazer associações, ainda que com uma certa resistência na
tradução dos conteúdos latentes em conteúdo manifesto, que é dada pelas distorções,
inversões, condensações, deslocamentos e omissões. Essa interpretação nos permite acessar o
conteúdo do Id.

2.8. Interpretação dos Símbolos

Os símbolos contribuem também na investigação do Id, haja vista que são relações
constantes e universais em determinados conteúdos do Id, com correlação à palavras ou
coisas. Sem termos que inverter, porque ali a defesa não age, simplesmente é feita a sua
interpretação que resulta em um encurtamento do caminho.

2.9. Parapraxes

São deslizes da língua e esquecimentos, que emergem do Id como se fossem


repentinamente iluminada uma parte do inconsciente então emerge uma manifestação de um
conteúdo, que serve para dar apóio as investigações analíticas, porém com importância
diminuída.
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2.10. Transferência

É um instrumento importante nas mãos do analista. Transferência são impulsos


experimentados pelo paciente em sua relação com o analista, sob influência da compulsão de
repetição.

2.11. A Relação entre a Análise do Id e a do Ego

Nessa relação existem dificuldades maiores e menores, maiores quando o Ego ao se


manifestar apresenta a resistência e menores quando se manifestam os derivativos do Id. Isso
porque estamos familiarizados quando trabalhamos na análise dos elementos do Id e menos
familiarizados com a manifestação dos mecanismos de defesa do Ego. Em função disso é que
a autora dispende maior dedicação para investigar seus fenômenos dando mais importância ao
tema.

2.12. Unilateralidade na Técnica Analítica e as Dificuldades daí Decorrentes

Sabe-se que a atenção às livres associações, pensamentos oníricos latentes, símbolos e ao


conteúdo da transferência, ajuda no processo investigativo do Id, contudo isso se dá de
maneira unilateral. Também o estudo das resistências, censura e mecanismos de defesa, nos
auxilia a identificar o conteúdo do Ego e do Superego, mas ainda é unilateral. Portanto só o
estudo combinado das situações acima é que se resta possível se imprimir uma imagem
completa da personalidade psíquica do analisando. Qualquer analise que considera somente
uma parte da aplicação dos conceitos seria em detrimento de outros, restando uma imagem
distorcida ou incompleta da personalidade.
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3. AS OPERAÇÕES DO EGO CONSIDERADAS COMO OBJETO DE ANÁLISE

O Analista, seguindo todas as técnicas analíticas a ele sugeridas, poderá igualar a


eficiência na captura de informações acerca da vida instintiva do analisando, em outras
palavras, ele irá manter a mesma distância entre ele e as três instituições (FREUD, 1946).
Como sabemos os impulsos instintivos do id sempre estarão em uma incessante busca
por emergirem-se do inconsciente para a consciência e o papel do analista em relação aos
impulsos do id é facilitar essa emergência. Já a relação do analista com o ego e superego é
desfazer o trabalho deles mantendo uma relação de antagonismo entre o analista e as duas
instituições. Ao facilitar o trabalho do id, o analista provoca a resistência por parte das outras
instituições. Ao provocar a resistência ele obtém imagens dessas instituições derivadas do id
(FREUD, 1946).
Segundo Anna Freud o material que nos ajuda a vislumbrar o ego aparece como forma
de resistência às incursões do id. Como o mediador das incursões do id é o analista, a defesa
do ego aparece diretamente contra a análise e contra o próprio analista (FREUD, 1946).
O ego além de defender-se resistindo aos impulsos instintivos, investe igualmente nas
defesas contra os afetos advindos dos impulsos. Amor, ódio, nostalgia, mortificação e furor
são alguns dos afetos que acompanha os impulsos. A ação do ego contra os afetos é de
submetê-los a transformações, ação essa que, permite ao analista observar o funcionamento
do ego. Mas o ego pode adotar vários tipos de resistência, podendo ser contra os impulsos
instintivos ou contra os afetos que o acompanham. O analista tem que estar atento ao tipo de
resistência que o ego do analisando adota para saber como ele reage diante de seus afetos
indesejáveis (FREUD, 1946).
As características pessoais como sorriso, atitudes hostis, irônicas e arrogantes são
importantes detalhes de processos defensivos que se dissociaram dos seus instintos ou afetos e
tornaram-se características permanentes, como características constantes que servem de
disfarce de caráter. Quando o analista encontra as origens históricas desses detalhes
permanentes torna-se acessível às operações em que o ego se empenha, facilitando o processo
de análise (FREUD, 1946).
Quando nos empenhamos em analisar as resistências e suas medidas defensivas,
encontramos novas características permanentes que são formadas quando o ego insisti em
utilizar o mesmo método defensivo, essas características são os sintomas. Se analista descobre
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a natureza das formações de sintomas ele consegue facilitar a busca por informações acerca
da estrutura da resistência que o analisando adota constantemente (FREUD, 1946).
Além da análise das defesas do ego contra seus instintos e afetos, em meio à formação
de sintomas, existem outras técnicas que são muito importantes na coleta de informações da
vida instintiva, principalmente na análise de crianças. Anna Freud afirma que há um defeito
na técnica analítica com crianças pela ausência da livre associação, e diz:

É muito difícil prescindirmos dela e não só por ser através das representações
ideacionais dos instintos de um paciente, emergentes nas suas livres associações,
que mais aprendemos a respeito do seu id. No fim das contas, existem outros meios
de obter informações sobre os impulsos do id. Os sonhos e divagações das crianças,
a atividade da sua fantasia nos jogos e brincadeiras, seus desenhos, etc., revelam
suas tendências do id numa forma muito mais indisfarçada e acessível do que é
usual nos adultos e, na análise, podem quase ocupar o lugar da emergência de
derivativos do id na livre associação (FREUD, 1946, p. 32).

Como a função do analista é ajudar na emergência dos conteúdos instintivos do id, e


com a ausência da livre associação, o analista fica impedido de gerar conflitos para tomar
conhecimento das defesas do ego do analisando. Então, somente com as outras técnicas
analíticas e sem a livre associação, a análise resulta em muitas informações sobre o id e
poucas informações sobre o ego (FREUD, 1946).

4. OS MECANISMOS DE DEFESA

A palavra “defesa” é empregada para descrever a luta do ego contra idéias ou afetos
dolorosos ou insuportáveis. Ao longo do tempo substitui a palavra defesa por “repressão”.
Freud reverteu ao antigo conceito de defesa, em um acréscimo a sua teoria Inhibitions,
Simptoms and Anxiety (1996), o conceito deve ser usado para designar todas as técnicas que
são utilizadas pelo ego que serve para converte a neurose. Já a “repressão” é direcionada para
um método especial de defesa, ocupa um lugar único entre os processos psíquicos. A
“repressão” e os outros processos têm como finalidade a proteção do ego pelos os impulsos
instintivos. O seu significado se reduz em proteção ao ego (FREUD, 1946).
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4.1. Sugestões para uma Classificação Cronológica

Valendo-se de varias hipóteses Freud (1946, p. 43) constata que:

Mesmo quando se concorde em der à repressão sua excepcional posição entre


os métodos de defesa do ego, isso não impede que sintamos em relação aos demais
métodos, ter incluído sob uma só categoria uma quantidade de fenômenos
heterogêneos. Métodos como isolamento e a anulação situam-se a par de genuínos
processos instintivos, tais como a regressão, a reversão e a inversão contra o eu.
Alguns destes servem para dominar vastas quantidades de instintos ou afeto, outras
apenas quantidades diminutas. As considerações que determinam à escolha deste ou
daquele mecanismo pelo ego mantêm-se duvidosas. Talvez a repressão seja
predominantemente valiosa no combate aos desejos sexuais, enquanto que outros
métodos poderão ser mais facilmente empregados contra forças instintivas de uma
espécie diferente, em particular, contra os impulsos agressivos. Ou pode ser que os
outros métodos tenham apenas de completar o que a repressão deixou por fazer ou
para lidar com tais idéias proibidas à medida que retornem à consciência, quando e
sempre que a repressão falhe.

Os processos de defesa do ego e a sua cronologia é algo obscuro na análise. É melhor


abandonar a classificação dos processos e direcionar os estudos e investigações para
evidenciar o que causa as provocações que utilizam as reações defensivas do ego (FREUD,
1946).

6. ORIENTAÇÕES DOS PROCESSOS DE DEFESA SEGUNDO A ORIGEM DA


ANSIEDADE E DO PERIGO

6.1. Motivo para a Defesa Contra os Instintos

Ansiedade do Superego nas Neuroses de Adultos - O ego agora pode ser considerado
como instrumento para a execução dos desejos do superego, ou seja, o ego, por si só, não se
opõe às exigências de gratificação dos desejos instintivos, ele apenas respeita,
obedientemente, as ordens do superego. Caso não respeitasse a essas ordens poderia resultar
em algum conflito neurótico. Segundo Anna Freud (1946, p. 47) “o ego do neurótico adulto
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teme os instintos porque teme o seu superego. Sua defesa é motivada pela ansiedade do
superego.”.
O superego é uma força que causa temor no ego impedindo-o de fazer acordos
amistosos com os instintos. Proíbe a agressão e a sexualidade que são ameaçadoras para a
saúde mental. O superego é o autor das neuroses que são produzidas pela austeridade que é
característica dele (FREUD, 1946).

6.2. Ansiedade Objetiva na Neurose Infantil

A maneira que as crianças têm de controlar os seus impulsos instintivos quase não
difere dos adultos. O que controla os instintos na criança não é o superego, e sim o mundo
exterior, ou seja, seus pais. Os adultos temem o seu superego e as crianças temem seus pais
(FREUD, 1946).
O ego não contra-ataca os instintos, ele apenas considera os instintos perigosos porque
sabe que a irrupção desses instintos pode gerar punições por parte dos pais, ou do mundo
exterior. Punições que Anna Freud considera exageradas e até compara com o estilo bárbaro
de punições em épocas antigas. O que motiva a defesa do ego contra os impulsos instintivos é
o mundo exterior, a defesa é causada pela Ansiedade Objetiva (FREUD, 1946).

6.3. Ansiedade Instintiva

O ego passou a ser uma área estranha aos instintos, ele evolui do princípio do prazer
para o princípio da realidade. Se as exigências dos impulsos instintivos se intensificam, ou se,
as exigências do superego ou do mundo exterior se afrouxam, ele muda o instinto
intensificando-o e causando a ansiedade. A ansiedade gerada pela força dos instintos, e pelo
descanso do superego e do mundo exterior, tem o mesmo efeito que a ansiedade do superego
e a ansiedade objetiva (FREUD, 1946).
Além dos últimos três motivos para a defesa contra os instintos (Ansiedade do
Superego, Ansiedade Objetiva e Ansiedade por Força Intensa dos Instintos) citados
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anteriormente, existem motivos, na vida adulta, advindos de uma necessidade de um acordo


entre os impulsos instintivos com a finalidade de harmonia. Esta tentativa de estabelecer
harmonia entre os instintos gera uma serie de conflitos de tendências contrárias como,
homossexualidade e heterossexualidade, passividade e atividade, etc. O que decide entre qual
dos impulsos será aceito ou negado é a intensidade da catexia que cada um carrega (FREUD,
1946).
Quando um instinto consegue a gratificação o primeiro efeito é o prazer e o segundo é
o repudio, a vergonha. Mas, se a gratificação não ocorrer é porque a defesa seguiu o princípio
da realidade, que tem por finalidade evitar os efeitos maléficos das gratificações dos instintos
(FREUD, 1946).
Sempre que os instintos forem contra-atacados pelo ego, seja por qualquer motivo
citado anteriormente, os afetos que estão associados a esses instintos serão rechaçados
também. Não fazendo diferença entre afetos agradáveis, dolorosos ou perigosos, pois, o ego
nunca experimentará os afetos exatamente como são. Dependendo da natureza do afeto, ele
pode ser agradável ou doloroso. Podemos observar detalhes de uma seleção de acordo com o
princípio do prazer, o ego resiste a essas proibições por um tempo, quando o afeto é
agradável, e tolera-lo por um tempo quando ele aparece com uma súbita erupção na
consciência, pelo simples fato do afeto ser agradável (FREUD, 1946).

6.4. Conclusões na Prática Analítica

O que tem que ser feito na análise é ajudar na emergência dos impulsos do id para
fazer o ego e o superego se manifestarem, abrindo o caminho do analista para saber os
métodos defensivos do analisando e inverter esses métodos.
Na análise infantil o processo é mais simples, quando o analista inverte os medos
defensivos do analisando, ele tem que orientar os educadores da criança a não aplicar métodos
severos em relação aos seus instintos (FREUD, 1946).
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7. EXEMPLOS DA EVASÃO DA “DOR” OBJETIVA E DE PERIGO OBJETIVO

7.1. Negação em Fantasia

Segundo Anna Freud (1946), os métodos defensivos que foram descobertos até hoje
pela análise servem todos uma única finalidade: auxiliar o ego na luta com a sua vida
instintiva. Tais métodos são motivados pelos três principais tipos de ansiedade a que o ego
está exposto – ansiedade instintiva, ansiedade objetiva e ansiedade da consciência. No mais, a
luta de impulsos conflitantes já é o suficiente para movimentar os mecanismos de defesa.
Valendo:se de várias hipóteses Anna Freud (1946, p. 59) constata que:

A investigação psicanalítica dos problemas de defesa desenvolveu-se da


seguinte maneira: principiando com os conflitos entre o id e as instituições do ego
(exemplificados na histeria, neurose obsessiva, etc.), passou a ocupar-se da luta
entre o ego e o superego (na melancolia) e dedicou-se depois ao estudo dos
conflitos entre o ego e o mundo exterior (cf. a fobia infantil dos animais, examinada
em Inhibitions. Symptoms and Anxiety). Em todas essas situações de conflito o ego
procura repudiar uma parte do seu próprio id. Assim, a instituição que estabelece a
defesa e a força invasora que é repelida é sempre a mesma; os fatores variáveis são
os motivos que impelem o ego a recorrer às medidas defensivas.

Sendo assim, a finalidade de tais medidas é garantir a segurança do ego e poupá-lo à


experiência da “dor”. O ego não se defende unicamente contra a “dor” originária de dentro,
ele experimenta igualmente a “dor” que tem sua origem no mundo externo. O ego possui um
íntimo contato com o mundo externo, de onde obtém seus objetos de amor e deriva aquelas
impressões que são registradas pela percepção e assimiladas pela inteligência.
De acordo com Anna Freud (1946); o ego de uma criança de tenra idade, ainda vive de
acordo com o princípio do prazer, ou seja, será preciso decorrer muito tempo até que esteja
treinado a suportar a “dor”. Nesse período de vida o indivíduo é ainda muito débil para se
opor ativamente ao mundo exterior, defender-se dele por meio de força física ou modifica-lo
de acordo com sua vontade. Nesse período de imaturidade e dependência da criança, o ego,
não somente se esforça para dominar os estímulos instintivos, mas tenta também por todos os
meios ao seu alcance defender-se contra a dor objetiva e os perigos que o ameaçam.
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Na maioria das neuroses da criança, essa neurose baseia-se em impulsos associados,


muito normalmente, ao complexo de Édipo. Onde no caso do menino por exemplo enamora-
se por sua mãe e, por ciúme, rivaliza intensamente com o pai.
Neste contexto as fantasias ajudam a criança a reconciliar-se com a realidade, assim
como a sua neurose a habilitara a chegar a um acordo com os seus impulsos instintivos.
Converter num oposto agradável a realidade por meio de fantasia é transformar essa realidade
de modo a ajustar-se às suas próprias finalidades, satisfazendo assim seus próprios desejos, e
aceitar essa realidade só num segundo momento.
Isso fica um pouco mais perceptível num caso clínico de Anna Freud: “Um menino de
sete anos a quem analisei costumava divertir-se com a seguinte fantasia. Possuía um leão
domesticado que aterrorizava todo o mundo e só gostava dele. Respondia quando o chamava e
seguia-o como um cachorrinho, para onde quer que fosse. Cuidava do leão, alimentava-o e
cuidava de seu conforto em geral, fazendo-lhe a cama, todas as noites, em seu próprio quarto.
Como é usual nas divagações transmitidas de dia para dia, a principal fantasia tornou-se a
base de uma série de episódios agradáveis. Por exemplo, houve uma divagação em que o
menino foi ao baile de máscaras e disse às pessoas que o leão, que ele levara consigo, era
apenas um amigo disfarçado. Isto era mentira, pois o “amigo disfarçado” era realmente o seu
leão. Deliciava-o imaginar como as pessoas ficariam aterrorizadas se adivinhassem o seu
segredo. Ao mesmo tempo, achava que não havia razões concretas para a inquietação das
pessoas, pois o leão era inofensivo, desde que ele o mantivesse sob seu controle.”
Segundo Anna Freud (1946); nessa criança a agressividade foi transformada em
ansiedade e o afeto foi deslocado do pai para um animal, arranjando as coisas de um modo
mais confortável para ele. Na sua fantasia do leão o menino converte o fato doloroso num
oposto agradável. Chamava o amigo ao animal-ansiedade e a força deste, em vez de constituir
uma fonte de terror, estava agora ao seu serviço. A única indicação de que, no passado, o leão
fora um objeto-ansiedade, estava na ansiedade das outras pessoas, tal como descrita nos
episódios imaginários.
Ainda de acordo com Anna Freud (1946), as fantasias com animais adquirem caráter
agradável através da completa inversão da situação real. A criança aparece não só como a
pessoa que possui e controla a poderosa figura de pai (o leão) e que, por isso, é superior a
todos os que a rodeiam: é também a educadora, que transforma gradualmente o mal em bem.
Com relação a fantasia do caso do menino citado anteriormente, o método pelo qual a
“dor” e a ansiedade objetivas são evitadas é muito fácil. O ego da criança se recusa a tomar
conhecimento de uma certa realidade desagradável para si. Primeiro ele lhe da as costas,
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nega-a e, em imaginação, inverte os fatos indesejáveis. Sendo assim, o pai que era visto como
“mau” passa a ser, na fantasia, o animal protetor, ao passo que a criança impotente se
transforma no senhor de poderosos substitutos paternos. Se esta transformação for bem
sucedida e, através das fantasias que a criança constrói, ela vier a se tornar insensível à
realidade em questão, o ego será poupado à ansiedade e não precisará recorrer a medidas
defensivas contra os seus impulsos instintivos, nem à formação de neurose.
A negação em fantasia é pertencente à uma fase normal no desenvolvimento do ego
infantil. No entanto se houver a repetição desse mecanismo em fases posteriores da vida,
indica um estágio avançado de doença psíquica. Em alguns estados agudos de confusão
psicótica, o ego do paciente se comporta diante a realidade dessa maneira. Sob a influência de
um choque, como a repentina perda de um objeto de amor, nega os fatos e substitui a
realidade insuportável por alguma ilusão a ele agradável.
Valendo:se de várias hipóteses Anna Freud (1946, p.68) constata que:

Se comparadas as fantasias das crianças com as ilusões psicóticas, ado


mecanismo – simultaneamente tão simples e tão superlativamente eficaz – de
negação da existência de fontes objetivas de ansiedade e “dor”. A capacidade do
ego de negação da realidade é inteiramente incoerente com uma outra função
altamente apreciada pelo ego: a sua capacidade para reconhecer e comprovar
criticamente a realidade dos objetos.

Na fantasia do menino do leão, a função de comprovação da realidade se manteve


inalterada, intacta. Ou seja, ele não acreditava realmente na existência do seu animal e nem na
sua própria superioridade em relação ao pai. Ele estava intelectualmente bem capacitado para
fazer a distinção entre fantasia e fato. No entanto o que se diz respeito ao afeto, o menino
cancela o doloroso fato objetivo e despenha uma hipercatexe da fantasia, onde esse fato foi
invertido para que o prazer que deriva da imaginação triunfasse sobre a “dor” objetiva.
Conforme Anna Freud, (1946 p.69-70) de qualquer modo, é certo que , na vida adulta,
essa gratificação por meio da fantasia deixa de ser inofensiva como seria na infância. Assim
sendo, logo que maiores quantidades de catexe estão envolvidas, a fantasia e a realidade
tornam-se incompatíveis, tem de ser uma coisa ou outra. Sabemos também que a entrada de
um impulso do id no ego, obtendo ai sua gratificação por meio da alucinação, significa, num
adulto, doença psicótica. Pois um ego que tenta livrar-se da ansiedade, evitar a renuncia ao
instinto e evitar a neurose negando assim a realidade, está forçando esse mecanismo.
XVIII

7.2. Negação em Palavras e Atos

Anna Freud (1946, p. 71) constata que:

Durante alguns anos o ego infantil está em condições de livrar-se de fatos


indesejáveis mediante a negação dos mesmos, enquanto mantiver intacta a sua
faculdade de comprovação da realidade. Faz o maior uso possível desse poder, não
se limitando exclusivamente à esfera das idéias e da fantasia, visto que não pensa
apenas: também representa.

O ego utiliza todos as classes de objetos externos para dramatizar a sua inversão das
situações reais. A negação da realidade é também, um dos muitos motivos subentendidos nas
brincadeiras das crianças, em geral, e nos jogos de personificação em particular.
Em seu livro O Ego e os mecanismos de defesa; Anna Freud se recorda de um livrinho
onde um autor inglês, em que a justaposição da fantasia e do fato, na vida do seu herói
infantil, é descrita de um modo particularmente delicioso.Ela se refiriu a When We Were
Very Young, por A. A. Milne. “No quarto desse menino de três anos há quatro cadeiras.
Quando se senta na primeira, ele é um explorador, subindo o Amazonas de noite. Na segunda
cadeira é um leão, assustando a sua babá com rugidos; na terceira, é um capitão, governando o
seu barco mar afora. Mas na quarta tenta fingir que é, simplesmente, ele próprio, apenas um
menino pequeno.”
De acordo com Anna Freud (1946, p.71-72) “Não é difícil perceber a intenção do
autor: os elementos para a construção de um agradável mundo de fantasia estão ao alcance da
criança, mas sua tarefa e sua conquista são o reconhecimento e a assimilação dos fatos da
realidade.”

Valendo-se de várias hipóteses Anna Freud (1946, p.72 ano) constata que:

É curioso que os adultos sejam tão propensos a utilizar esse mesmo


mecanismo, com a maior facilidade, em seu intercurso com as crianças, Muito do
prazer que dão às crianças deriva dessa espécie de negação da realidade. É uma
coisa muito comum dizer a uma criança ainda pequena: “Mas que rapagão ele é” e
declarar, contrariamente aos fatos óbvios, que é tão forte “como o Pai”, tão esperto
“quanto a Mãe” valente “como um soldado” e “robusto” como o seu “irmão mais
velho”. É mais natural que quando as pessoas querem confortar uma criança
recorram a essas inversões dos fatos reais. Os adultos asseguram-lhe, quando ela se
machucou, que “já passou” ou que “ não foi nada”, que certa comida que ela detesta
“é uma delícia”; e, quando ela está triste porque alguém partiu, dizemos-lhe que
essa pessoa “vai voltar logo”. Algumas crianças, realmente, adotam essas fórmulas
consoladoras e empregam uma frase estereotipada para descrever o que é doloroso.
Por exemplo, uma menina de dois anos costumava, sempre que a mãe saía do
XIX

quarto, anunciar o fato com um murmúrio mecânico: “Mamãe volta já”. Uma outra
criança (inglesa) costumava gritar em voz lamentosa, sempre que tinha de tomar
um remédio amargo: “gosta, gosta” – fragmento de uma frase usada pela sua babá
para encorajá-la a pensar que as gotas tinham bom paladar.

O que está em questão é saber até que ponto a tarefa educativa deve induzir as
crianças, mesmo as mais novinhas, a dedicarem todos os seus esforços à assimilação da
realidade e até que ponto é admissível encoraja-las a se desviarem da realidade e construírem
um mundo de fantasias.
Conforme Anna Freud (1946, p.73) quando os adultos consentem em participar nas
ficções por cujo intermédio as crianças transformam uma realidade dolorosa no seu oposto,
fazem-no invariavelmente de acordo com certas e rigorosas condições. Espera-se que as
crianças mantenham as representações de suas fantasias dentro de limites bem definidos.
A atitude das pessoas crescidas que estão sempre prontas a perdoar, em relação ao mecanismo
de negação da criança desaparece no momento em que a criança não faça, sem demora nem
encrenca a transição da fantasia para a realidade, ou tente moldar o seu comportamento real
de acordo com suas fantasias, ou seja, o momento em que a sua atividade na fantasia deixe de
ser uma “brincadeira” e se transforme em obsessão.
Para esse processo ficar mais claro, nos voltemos ao caso do menino domador de leão
de sete anos de idade, onde Anna Freud valendo-se de várias hipóteses chega a seguinte
conclusão:

Como sua analise mostrou, suas fantasias representavam não apenas uma
compensação para resíduos de “dor” e intranqüilidade mas também uma tentativa
para dominar a totalidade de sua aguda ansiedade de castração. O hábito de
negação desenvolveu-se nele até não poder mais acompanhar o progresso de seus
anseios para transformar os objetos de ansiedade em seres amistosos que
protegessem ou lhe obedecessem. Redobrou de esforços; aumentou a tendência
para apoucar e menosprezar tudo o que o aterrorizava. Tudo o que suscitava a sua
ansiedade tornava-se objeto de ridículo e, como todas as coisas à sua volta eram
causas de ansiedade, o mundo inteiro assumiu um aspecto absurdo. Sua reação à
constante pressão da ansiedade de castração era uma não menos constante fonte de
facécias. No começo, isso impressionava as pessoas como simples pendor
brincalhão, mas o seu caráter obsessivo foi denunciado pelo fato dele nunca estar
livre de ansiedades, exceto quando zombava, e também porque, ao tentar abordar o
mundo exterior com um espírito mais serio, pagou-o com acessos de angústia.

Anna Freud (1946, p.76) constata que, a medida defensiva a que o ego recorre não é
dirigida contra a vida instintiva, mas visa diretamente ao mundo exterior que provoca e inflige
a lei à frustração. Tal como, no conflito neurótico, a percepção de um estímulo instintivo
proibido é repudiada por meio da repressão, assim o ego infantil recorre à negação, a fim de
não tomar conhecimento de alguma impressão dolorosa vinda de fora. Já na neurose
XX

obsessiva, a repressão é garantida por meio de uma formação de reação que contém o inverso
do impulso instintivo reprimido (simpatia em vez de crueldade, timidez em lugar de
exibicionismo).
O método defensivo de negação por palavras e atos está sujeito às mesmas restrições
no que diz respeito à negação em fantasia, A criança pode emprega-la somente enquanto lhe
for possível coexistir com a capacidade de comprovação da realidade sem perturba-la. No ego
maduro a sua organização se torna unificada através da síntese e esse método de negação é
então descartado, só reatando se a relação com a realidade tiver sido perturbada e a função de
comprovação da realidade suspensa.
“No entanto o método de negação em palavras e atos está sujeito a uma segunda
restrição que não se aplica à negação em fantasia”. (FREUD, 1946, p. 77-78)
Em fantasias uma criança é suprema, isso enquanto ela não as contar a ninguém, sendo
assim não haverá qualquer motivo para que alguém interfira em suas fantasias. Porém, a
dramatização de fantasias em palavras e atos necessita de um “palco” no mundo exterior. Ou
seja, o emprego desse mecanismo está condicionado externamente na medida em que as
pessoas concordam ou não com a dramatização de suas fantasias, assim como está
condicionado internamente pelo grau de compatibilidade com a função de comprovação da
realidade.
Valendo:se de várias hipóteses Anna Freud (1946, p. 79) constata que:

[...] Seria perigoso tentar evitar as neuroses infantis aquiescendo na negação


da realidade por parte da criança. Quando empregado em excesso,é um mecanismo
que produz no ego excressências, excentricidades e idiossincrasias, das quais, uma
vez ultrapassado finalmente, o período de negação primitiva, é difícil a pessoa
livrar-se.

7.3. Restrição do ego

Mecanismo de negação e representação revelou-se um paralelismo nos métodos


adotados pelo ego para evitar a dor de origem externa e de origem interna.
O mesmo no mecanismo de defesa. O modo como são empregados os fatos reais nos
seus opostos é impossível, impressão dolorosa externa. Quando se trata de uma criança mais
velha a possibilidade dela esquivar-se desses estímulos são maiores devido às habilidades do
seu ego ser mais trabalhadas não tendo uma operação psíquica tão complicada com a negação.
XXI

Nesse caso em vez de perceber essa impressão dolorosa o catexe que está ao alcance do ego
recusa a situação perigosa com o externo assim evitando a dor, mecanismo de evitação
desenvolvimento normal do ego.
Na discussão teórica foi feita uma análise em um rapaz onde esse não conseguia a
evitação a dor. Foram aplicados algumas atividades objetos ,naturalmente durante essas
diretrizes ,onde o rapaz se colocou-se vulnerável a essa relação com outra pessoa sentindo
perturbador, adotando um papel de espectador sendo assim não sendo comparado com
desempenho do outro.
O seu método de dominar, inverter a dor em algo agradável sofrerá uma mudança.
Restringiu o funcionamento do seu ego e retraiu-se em detrimento do seu próprio
desenvolvimento renunciando a qualquer situação externa que pudesse dar origem ao tipo de
dor que ele mais temia só se sentia livre quando estava em poder da situação quando estava
com crianças mais novas assim livrava das situações e interessava por suas proezas.
Algumas escolas orientadas segundo diretrizes, os professores dizem que a uma
categoria intermediaria de crianças entre grupos as que são inteligentes, interessadas e
diligentes e as que são intelectualmente menos interessados menos brilhantes e de difícil a
indução ao trabalho. Essa comparação priva as crianças dos seus próprios valores dos seus
próprios olhos, não conseguindo uma realização recusa uma nova tentativa. mantendo-se
resistentes a vincularem-se a qualquer ocupação e satisfazendo-se em observar as atividades
do outro.
Essa ociosidade tem efeito anti-social estando aborrecidas, brigam com outras crianças
e estão absorvidas em seus trabalhos ou brincadeiras.
Tais atividades por parte do ego, são inofensivas em si mesmas; mas ficaram relacionadas
com atividades sexuais passadas e que o sujeito rechaçou. São estas as primeiras que
representam agora e terem ficado sexualizadas convertem os objetos, operações defensivas do
ego.
Ver as realizações superiores de uma outra pessoa significa estar vendo órgãos genitais
maiores do que os seus e é isso que lhe provoca a inveja. E quando são colocados em situação
de competição surge desesperada rivalidade da fase de Édipo ou a desagradável percepção da
diferença entre os sexos.
Uma pessoa que sofre uma inibição neurótica está se defendendo contra a tradução em
ação de um determinado impulso instintivo proibido é contra a libertação de dor através de
algum perigo interno. Mesmo nas fobias, a ansiedade e a defesa parecem estar relacionadas
XXII

com o mundo exterior, o neurótico está realmente com medo de seus próprios processos
internos.
Revertendo á comparação entre os mecanismos de repressão e negação, a diferença
entre inibição e restrição do ego é que na repressão o ego defende-se contra seus próprios
processos internos e na negação contra os estímulos externos.
Decorrem outras duas diferenças, duas situações psíquica, a idéia fixa do id em
transformar o simples acesso de inibição num sintoma neurótico fixo, qual representa um
conflito perpétuo entre o desejo do id e a defesa estabelecida pelo ego.
A restrição do ego á semelha a das várias formas de negação, quando o ego é jovem e
plástico, sua retirada de um campo e recompensada pela excelência num outro em que passa a
concentrar-se. Mas, quando se torna severo á dor ,se fixa no método de fuga e essa será
punida por um desenvolvimento defeituosa e só pode apresentar realizações medíocres.
Na tória da educação da determinação do ego infantil em evitar a dor não tem sido
suficiente nas experiências educacionais. O método é conferir ao ego infantil em
desenvolvimento uma maior liberdade de ação á escolha livremente de suas atividades e
interesses.
Assim o ego desenvolvera melhor a sublimação será realizada em suas várias
formas.Mas as crianças em período de latências poderão dar maior importância á evitação da
ansiedade e dor do que á gratificação direta ou indireta do instinto.
As mediadas de defesa contra a dor e o perigo objetivo representam a profilaxia da
neurose do ego infantil, a fim de evitar o sofrimento desenvolve a ansiedade e inflige
deformidade de se próprio. As crianças estão ainda tão dependentes de outras pessoas que tais
ocasiões para a formação de neurose podem ser fornecidas ou removidas como melhor
convenham aos adultos.

8. EXEMPLOS DE DOIS TIPOS DE DEFESA

8.1. Identificação com o agressor

Os mecanismos de defesa do ego são separados de acordo com conflitos e perigos


específicos. No caso da negação que é um perigo externo, a repressão estímulos instintivos. A
XXIII

semelhança exterior entre inibição e restrição do ego, inserto quando o processo faz parte de
conflitos externos e internos. As medidas defensivas se combinam quando o mecanismo é
empregado contra uma força interna, outra contra uma externa.
No processo de identificação um dos fatores no desenvolvimento do superego contribui para o
domínio do instinto.
Mas á em ocasiões uma combinação de outros mecanismos para formar uma da mais
poderosa arma do ego em seus tratos com objetos externos que provocam ansiedade.
Á exemplo no texto de casos onde as crianças identificam-se com suas próprias agressões
introjeta certa característica de um objeto causador de ansiedade e assim assimilando uma
experiência de analise que acabou de ser sofrida. Ao personificar o agressor, ao assumir os
seus atributos ou imitar a sua agressão, a criança transforma-se de pessoa ameaçada na pessoa
que ameaça. A mudança de papel de passivo para o ativo é uma forma de assimilar
experiências desagradáveis ou traumáticas na infância.
O processo de transformação quando a ansiedade não relaciona com algo acontecido
do passado, mas com alguma coisa que espera no futuro. Exemplo é quando essa criança
Emprega aquela pessoa de quem esperava a agressão e não alguém substituto, a inversão dos
papéis de atacante e atacado.
Outro exemplo que a crianças sofre ansiedade e suas passadas atividades sexuais
determinam em punição, e ameaças de pessoas mais velhas, estavam dando importante passo
no sentido da formação da instituição do superego internalizando as criticas de outras pessoas
ao seu comportamento. Quando uma criança repete o que o outro faz, ele esta internalizando e
introjetando a característica e opiniões dessa pessoa fornecendo o tempo todo material a partir
do qual o superego poderá adquirir forma, mas essas internalizarão ainda não é transformada
em autocrítica. Mediante um novo processo defensivo a identificação com agressor é
sucedida por um ataque ao mundo exterior.
No momento que a crítica e internalizada a ofensa é externalizada, o mecanismo de
identificação com agressor é suplementado por outra medida defensiva a projeção da culpa.
O com ajuda do mecanismo de defesa da projeção, introjeta as autoridades cuja crítica
está exposta e incorpora-as no superego, apto então para projetar seus impulsos proibidos para
o exterior. Sua severidade consigo mesmo é considerado censurável, esse mecanismo de
defesa, da desagradável autocrítica. A indignação pelas malfeitorias de qualquer outra pessoa
é precursora e substituta dos sentimentos de culpa própria.
Essa indignação cresce automaticamente quando sua percepção de sua própria culpa
está iminente. Esse estágio no desenvolvimento do superego é uma espécie de preliminar de
XXIV

moralidade. É possível que certo número de pessoas fique preso no estagio intermediário da
evolução do superego e nunca complete, inteiramente, a internalizarão do processo crítico. A
Identificação com o agressor representa ,por um lado uma fase preliminar do desenvolvimento
do superego e por outro um estágio intermediário no desenvolvimento da paranóia .A
identificação e projeção são atividades normais do ego e os seus resultados variam
grandemente de acordo com que se aplicam. Introjeção e projeção recebem o nome de
identificação com agressor. Quando o mecanismo de projeção é empregado como uma defesa
contra os impulsos de amor homossexuais combina-se ainda com outros mecanismos. Num
caso ou noutro defesa contra impulsos de amor heterossexuais ou homossexuais a projeção
deixou de ser arbitrária. A escolha pelo ego de um alojamento para os seus próprios impulsos
inconsciente é determinada pelo material percebido.
Quando a análise leva até á consciência do paciente os impulsos autênticos,
inconscientes e agressivos o afeto bloqueado buscará alivio através da aberração na
transferência. Enquanto os impulsos inconscientes forem proibidos, aumenta e desaparece
somente quando o medo da punição e do superego tiver sido dissipado.

8.2. Uma Forma de Altruísmo

Os mecanismos de defesa a repressão e a projeção impedem apenas que os impulsos


sejam percebidos. Na repressão a idéia objetável é lançada de novo para o id, e na projeção é
deslocada para o mundo externo (FREUD, 1946).
Segundo Anna Freud (1946), o uso da projeção é muito utilizado ao ego da criança, no
período inicial de sua infância. Sendo utilizada para desviar os seus desejos para objetos no
mundo externo. Quando esses desejos são de punição pelas autoridades o mecanismo desloca
esses desejos, e projetam em outras pessoas como se fossem bodes expiatórios. Podendo
também funcionar para constituir vínculos afetivos, ou seja, projetar o seu amor a alguém,
sendo assim uma forma de relação afetiva mútua. Isso poderia ser descrita como “rendição
altruísta”, os impulsos instintivos a favor a outra pessoa.
Anna Freud (1946) se refere a um caso clinico de uma jovem preceptora que relata
que quando criança havia alguns desejos, queria ter belos vestidos e também queria ter vários
filhos, queria ser melhor em tudo diante de suas amigas e a irmã mais velha. Como adulta era
solteira e sem filhos, suas roupas eram velhas e simples, mostrou não ter inveja ou ambição.
XXV

Contradizendo esta impressão ela era uma ótima casamenteira e mostrava um grande interesse
pela maneira de vestir de suas amigas. Não tendo filhos se dedicava aos cuidados de crianças
de outras pessoas pela a escolha da profissão de preceptora. Em vez de se dedicar a realizar
suas vontades próprias, a sua energia era deslocada em cuidar e se preocupar com os
problemas das pessoas que faziam parte do seu cotidiano, contudo ela se realizava a partir da
vida dos outros, em vez de realizar seus propósitos de vida.
A formação do seu superego foi muito severo, o que tornou impossível de satisfazer os
seus próprios desejos, o seu desejo de pênis e suas fantasias masculinas, foram proibidas,
assim como o desejo feminino de ter muitos filhos e o desejo de se exibir nua ou em belos
vestidos, diante do pai e conquistar a sua admiração. Esses impulsos não foram reprimidos
encontrou uma substituição no mundo externo, projetou a sua vaidade em suas amigas.
Mostrou simpatia pelos desejos dos outros e um vínculo muito forte em relação as suas
amigas. O seu superego a repreendia diante de alguns impulsos instintivos era
surpreendentemente tolerante em relação aos outros. A sua gratificação de seus instintos era
participativa através da gratificação dos outros, empregando os mecanismos de projeção e
identificação. Os seus esforços para gratificar os impulsos de outros, o seu comportamento só
podia ser considerado altruísta.
Aos treze anos de idade, ela se apaixona por amigo mais velho de sua irmã, com
grande convicção que ele tem interesse por ela se considerando mais e melhor que sua irmã
até quando esse rapaz convida sua irmã para um encontro ela se vê desapontada, subitamente
buscou a ajudar a irmã para que saísse bonita sua felicidade em ajudar a irmã era grande,
esquecendo que não era ela que iria sair para se divertir. Projetando o seu próprio de desejo de
amor se identificando com o seu objeto de inveja, desfrutou a realização de seu desejo.
Como preceptora gostava de dar boas comidas as crianças, quando uma mãe de uma
das crianças recusou dar guloseima ao filho sendo ela indiferente aos prazeres da mesa sofreu
uma grande frustração pelo desejo da criança. Ficando evidentes as transferências através de
outras pessoas e realizando seus desejos sem obstáculos.
Neste caso o substituto já foi um objeto de inveja, a mulher preceptora altruísta
deslocou seus desejos de ambição para seus amigos, estes substitutos foram identificados pela
inveja do pênis do pai e de seu irmão mais velho. Os seus desejos libidinais fora deslocada
para as amigas que representava a irmã, na forma de inveja da beleza.
XXVI

8.3. Altruísta e egoísta

O altruísta e o egoísta são identificados na relação dos pais com os filhos. Os projetos
que os pais tinham vontade de realizar e não foram realizados, os pais através dos filhos
tentam realizar esses desejos, depositam que os filhos são melhores qualificados em
comparação a eles próprios. A própria relação puramente altruísta entre a mãe e filho seja
largamente determinada por tal rendição de seus próprios desejos em favor do objeto cujo
sexo o torna “melhor qualificado” para a realização daqueles. O sucesso de um homem na
vida contribui imenso, de fato, para compensar as mulheres de sua família pela renuncia às
próprias ambições (FREUD, 1946).

8.4. Renúncia Altruísta

Os desejos que foram projetados fortemente nos outros, nada sabe sobre o medo da
morte. Em momento de perigo o seu ego não está preocupado com a morte, a sua preocupação
maior é com os objetos investidos pulsionalmente, a vida desses “objetos” é vital para sua
própria existência, assim se regrando pela vida do outro que realiza seus desejos. Por
exemplo, a mulher preceptora sofria de ansiedade excessiva a respeito da segurança de suas
amigas, durante a gravidez e o parto (FREUD, 1946).
Valendo-se de varias hipóteses Freud (1946, p. 113) constata que:

A análise mostra que tanto a ansiedade como a ausência de ansiedade é


devida, antes, ao sentimento, por parte do sujeito, de que sua própria vida só vale a
pena ser vivida e preservada desde que existam oportunidades nela para a
gratificação de seus instintos. Quando seus impulsos foram cedidos em favor de
outras pessoas, a vida destas tornou-se mais preciosa do que a própria.
XXVII

9. DEFESA MOTIVADA PELO MEDO DA FORÇA DOS INSTINTOS

9.1. O Ego e o Id na Puberdade

Os processos instintivos ganham importância suprema no período da puberdade. Há muito


tempo que os fenômenos psíquicos são considerados fator primordial que dão inicio á
maturidade sexual. Nos escritos não-analiticos, as perturbações no equilíbrio psíquico, e,
sobretudo, as incompreensíveis e irreconciliáveis contradições tão evidentes na vida psíquica
se dão durante a fase da puberdade, na qual ocorrem mudanças significativas no caráter
(FREUD, 1946).
Os adolescentes, em geral, são muito egoístas, consideram-se como o centro do
universo e o único objeto de interesse. Estabelecem as relações de amor mais apaixonadas e
intensas para rompê-las tão inesperadamente quanto as iniciaram. Por um lado são
entusiasmados para viver em coletividade, por outro, possuem uma irresistível ânsia de
solidão. Oscilam entre submeter-se a um líder autoeleito e revelar-se contra toda e qualquer
autoridade. Ao mesmo tempo em que são egoístas e materialistas possuem um idealismo
grandioso. O comportamento dos jovens nesta fase é muitas vezes turbulento e irrefletido em
suas relações com as outras pessoas, entretanto, são muito sensíveis. Variam constantemente
de humor, demonstrando um total otimismo num determinado momento e em outro o mais
sombrio pessimismo. Algumas vezes dedicam-se ao trabalho com total entusiasmo e em
outras são preguiçosos, desleixados e apáticos (FREUD, 1946).
Esse fenômeno denominado “Puberdade” é explicado por duas maneiras diferentes.
De acordo com uma das teorias da psicologia oficial, essa confusão na vida psíquica é a
conseqüência direta do inicio do funcionamento das glândulas sexuais, ou seja, seria o simples
acompanhamento psíquico de mudanças fisiológicas. Ao contrário, a segunda teoria rejeita a
idéia de qualquer conexão entre o físico e o psíquico. Ainda, segundo esta teoria, a revolução
que tem lugar na esfera psíquica é um sintoma de que o individuo atingiu a maturidade física.
As semelhanças e o ponto culminante que ambas teorias apresentam, são: As duas concordam
que não só os fenômenos físicos mas também os psíquicos da puberdade são de máxima
importância no desenvolvimento do individuo e é ai que se encontra o inicio e a raiz da vida
sexual, do caráter e da capacidade de amar (FREUD, 1946).
XXVIII

A psicanálise, em oposição, a psicologia acadêmica, mostrou-se não dar muita atenção


aos problemas psicológicos na puberdade, os autores analíticos negligenciaram este período e
dedicaram mais atenção para outros estágios do desenvolvimento. A explicação, para tal, se
dá no sentido em que a psicanálise não aceita que a vida sexual dos seres humanos se inicia na
puberdade. Segundo essa teoria, a vida sexual é dividida em dois momentos. Inicia-se pela
primeira vez no primeiro ano de vida, é nestes primeiros anos da infância, e não na puberdade,
que se registram os passos primordiais no desenvolvimento. A puberdade é apenas, uma das
fases no desenvolvimento da vida humana. Todos os períodos sexuais é uma renovação ou
revivescência das vivências infantis e cada um contribui com algo próprio para a vida sexual
humana. A maturidade física sexual é atingida na puberdade, por isso, a genitalidade ocupa o
primeiro plano nesse período e as tendências genitais predominam sobre os instintos
componentes do período pré-genital (FREUD, 1946).
No climatério, os impulsos genitais acendem-se pela última vez e os impulsos pré-
genitais florescem de novo. As obras psicanalíticas interessaram-se pelas semelhanças entre
esses três períodos de turbulenta sexualidade na vida humana. As principais semelhanças são
nas relações quantitativas entre a força do ego e a dos instintos. No primeiro período infantil,
na puberdade e no climatério, há um id relativamente forte que se defronta com um ego
relativamente fraco. Pode-se dizer que se trata de períodos em que o id é vigoroso e o ego está
debilitado. O id conserva-se igual durante a vida inteira, podendo sofrer uma transformação
quando entram em choque com o ego e as exigências do mundo exterior. Os desejos sexuais,
assim que se registra um reforço da libido, pouco se alteram na infância, na puberdade, na
vida adulta e no climatério. As semelhanças qualitativas entre os três períodos da vida humana
em que a libido aumenta são devidas à imutabilidade do id. A imutabilidade do id é
compensada pela mutabilidade do ego. O Ego na infância e o ego na puberdade, diferem de
âmbito, de conteúdo, de conhecimento e capacidades, consequentemente, em seus conflitos
com os instintos utilizam de mecanismos de defesa diferentes. Nas crianças o conflito entre o
ego e o id reveste-se de condições particulares. As constantes exigências de gratificação
instintiva que nascem dos desejos característicos da fase oral, anal e fálico são
extraordinariamente urgentes, os afetos e fantasias associados ao complexo de Édipo e no
complexo de castração são intensamente vividos. O ego que os defronta está em processo de
formação, é ainda fraco e subdesenvolvido. As influências educativas são um poderoso aliado
contra a vida instintiva da criança. A atitude infantil em relação ao seu próprio ego é ditada
pelas promessas e ameaças de outras pessoas, ou seja, pela esperança de amor e a expectativa
de punição. Devido à influência externa, as crianças com o passar do tempo, adquirem a
XXIX

capacidade para controlarem sua vida instintiva, mas é impossível determinar se essa é uma
atribuição do ego ou á pressão das forças externas. Porém, nas crianças existe um conflito
endo-psiquico, fora do alcance da educação. O mundo exterior cedo estabelece uma
representação na psique infantil, na forma de ansiedade objetiva. A ansiedade objetiva é a
previsão de sofrimentos que podem ser infligidos á criança. Nas crianças, o ego é o produto
do próprio conflito, quando termina o primeiro período infantil, o ego atinge certo estágio,
assume uma posição de batalha contra o id. No decurso de alguns anos, a situação altera-se, é
estabelecido o período de latência, concomitantemente, o ego torna-se mais forte em relação
ao mundo exterior e menos impotente e submisso. Sua atitude geral em relação aos objetos
externos muda á medida que supera a situação edípica. A dependência dos pais já não é tão
intensa e a identificação começa a ocupar o lugar do amor-objeto. Os princípios impostos á
criança por seus pais e professores são introjetados (FREUD, 1946).
O processo fisiológico que marca o advento da maturidade física sexual é
acompanhado pela estimulação dos processos instintivos e é transportado para esfera psíquica
na forma de um influxo da libido. O período pré-pubertal é preparatório para a maturidade
física sexual. Esse período é o intervalo entre a latência e a puberdade. A quantidade de
energia instintiva aumenta, há mais libido á disposição do id e precede a catexe. Os impulsos
agressivos são intensificados na fase da puberdade, chegando ao ponto de total de
desregramento, os interesses orais e anais voltam à superfície. Os hábitos de limpeza
adquiridos durante o período de latência, cedem lugar ao prazer na imundície e na desordem;
em vez de modéstia e simpatia, estes se comportam com brutalidades e crueldade com os
animais e são extremamente exibicionistas. As formações de reação, que pareciam
firmamente estabelecidos na estrutura do ego, torna-se agora frágil. Os desejos edípicos são
realizados na forma de fantasias e divagações, nas quais sofreram ligeiras transformações.
Nos meninos as idéias de castração e nas meninas a inveja do pênis, tornam-se mais uma vez
o centro de interesse. Há poucos elementos novos nas forças invasoras, sua investida traz á
tona outra vez o conteúdo familiar da sexualidade infantil das crianças de pouca idade. Cabe,
ressaltar,que a sexualidade infantil agora ressuscitada não encontra as mesmas condições
anteriores. O ego do primeiro período infantil não estava ainda desenvolvido, nem
determinado, era impressionável e flexível sob a influência do id. Já no período pré-pubertal,
encontramos um ego rígido e fortemente consolidado. O ego infantil era capaz de revoltar-se
contra o mundo externo e de aliar-se ao id para obter gratificação instintiva. Ao contrário, o
ego do jovem se fizer isso estará envolvido em conflitos contra o superego. A relação
firmemente estabelecida com o id, por uma parte, e com o superego, por outro, torna o ego
XXX

inflexível. Nessa luta para preservar a imutabilidade de sua própria existência, o ego é
igualmente motivado pela ansiedade objetiva e pela ansiedade da consciência, empregando
todos métodos de defesa, como recurso tanto na infância como durante o período de latência
(FREUD, 1946).
No período pré-pubertal há maior atividade da fantasia, lapsos na gratificação sexual e
pré-genital, o comportamento agressivo ou criminoso significa êxitos parciais do id. Atingida
a maturidade física sexual e o começo da puberdade, verifica-se uma nova mudança, os
impulsos genitais tornam-se mais fortes. A catexe libidinal é subtraída aos impulsos pré-
genitais e concentrada nos sentimentos, idéias de objeto e objetivos genitais. A genitalidade
adquire assim um primeiro plano, enquanto que as tendências pré-genitais ficam em segundo
plano.
Se os instintos se tornarem menos insistentes, o ego será mais flexível e disposto a
permitir a gratificação. Não há força absoluta dos instintos, durante a puberdade, esta não
proporciona qualquer prognóstico sobre o desfecho da puberdade. Podemos dizer que os
fatores determinantes nessa fase são relativos: primeiro, a força dos impulsos do id que está
condicionado pelo processo fisiológico na puberdade, a tolerância ou intolerância do ego em
relação ao instinto, o que depende fundamentalmente do caráter formado durante o período de
latência; o terceiro a natureza e a eficácia dos mecanismos de defesa a mando do ego, que
variam com a constituição de cada individuo (FREUD,1946).

9.2. O ascetismo e a intelectualidade na adolescência

O estudo analítico das neuroses sugeriu que existe na natureza humana uma disposição
a repudiar certos instintos principalmente os sexuais, de modo indiscriminado e hereditário,
ligado à herança filogenética. Segundo Anna Freud (1946) a tarefa do ascetismo é a de manter
o id dentro dos seus limites, impondo proibições e a finalidade da intelectualização é vincular
estritamente os processos instintivos aos conteúdos ideacionais, tornando assim os processos
instintivos acessíveis à consciência. Para melhor compreende-los vamos dividi-los em
tópicos.
XXXI

9.3. Ascetismo na puberdade

Para Anna Freud (1946) o repudio difere da repressão ordinário em dois pontos o
primeiro é que nos casos de neurose verifica-se haver sempre uma conexão entre a repressão
de um instinto e a natureza do mesmo. Contudo os adolescentes passam pela espécie de fase
ascética na qual temem mais a quantidade do que a qualidade de seus instintos desconfiam de
tudo que lhes é prazeroso, tendo como política de proteção contrariar seus desejos mais
urgentes com proibições mais severas. Tendo um embate entre o instinto que ao dizer “Eu
quero”, tem em resposta o ego dizendo “Não terás”. No entanto essa desconfiança que era a
principio apenas voltada aos desejos instintivos podem generalizar-se ás necessidade físicas
mais comuns, culminado em casos onde a principio evitava-se o prazer oral, passa a reduzir
alimentação diária ao mínimo, ou diversos outros casos em que se agride a integridade física
expondo-se a riscos desnecessários.
O outro ponto em que esse repúdio ao instinto difere da repressão ordinária é o de que
na neurose quando uma gratificação do instinto é reprimida encontra-se um substituto para a
mesma, no entanto no repudio da adolescência não há essa possibilidade de substituição, o
que acontece é uma transição radical do ascetismo para o excesso instintivo em que o
adolescente o adolescente reconsidera tudo aquilo que ele considerava proibido e despreza as
proibições externas, do ponto de vista analítico isso é visto como uma recuperação do período
de ascetismo. Existem alguns casos que o ego de maneira inexplicável consegue manter seu
repudio aos instintos não possibilitando essa recuperação o que pode causar uma afecção
psicótica.

9.4. Intelectualização na puberdade

Para Anna Freud (1946) com o afluxo de energia instintiva o adolescente passa a ser
uma criatura de instinto, mais moral, ascético e até mais inteligente com todos seus interesses
intelectuais mais vivos. Os interesses dos rapazes concentram-se em coisas concretas
deixando de lado as estórias abstratas da infância, exceto no caso dos adolescentes que
Bernfeld descreve como caracterizados por uma “puberdade prolongada” os quais meditam
sobre assuntos mais abstratos.
XXXII

Mas a intelectualidade adolescente parece servir apenas para divagações, pois quando
um rapaz fantasia um grande conquistador ele não se vê na necessidade de se tornar um par
mostrar coragem e resistência na vida real, ele deriva satisfação através do processo de
pensar, falar ou discutir. Um exame apurado dos processos intelectuais adolescentes mostra os
assuntos de maior interesse deles são os mesmo que deram origem aos conflitos entre as
instituições psíquicas. Pelo fato do ascetismo não realizar o que o adolescente espera, o ato de
refletir sobre o conflito instintivo, fazer a sua intelectualização, pode ser um bom meio. A
ânsia por orientação e apoio, levará esses processos instintivos a serem traduzidos em termos
de intelecto. A razão da atenção estar voltada para os instintos é uma tentativa de dominá-los
em um nível psíquico diferente, pois através dessa intelectualização que os processos
instintivos se vincularão a idéias e poderão alcançar pouco a pouco a consciência. O que nos
permite dizer que a intensificação da intelectualidade durante a adolescência faz parte dos
esforços do ego de dominar os instintos por meio do pensamento( FREUD, 1946).
Anna Freud (1946) traz um novo olhar ao declínio da inteligência durante a infância, pois a
infância e a adolescência são dois períodos de perigo instintivo e sua inteligência serve para
ajudar que ele o supere, já na latência e na vida adulta o ego é relativamente forte e pode
esforçar-se para intelectualizar os processos instintivos. Entretanto assim com fora dito que as
realizações mentais dos adolescentes são infrutíferas as das crianças também elas criam suas
teorias, contudo elas não conseguem alcançar a realidade.

9.5. Objeto de amor e identificação na puberdade

Anna Freud (1946),seleciona em seu livro as duas das mais importantes peculiaridades
da adolescência que são o objeto de amor e a identificação na puberdade. Os fenômenos mais
notáveis da adolescência estão ligados a relação com os objetos
A suspeita e o ascetismo do ego vão se voltar primeiramente para os objetos de amor
do sujeito na infância, que fará com que ele se isole, passando a enxergar os membros de sua
família como estranhos. Essa suspeita irá recair também sobre o superego, o qual ainda esta
carregada de energia da libido derivada das relações parentais, esse é então vitimado pelo
ascetismo, causando uma ruptura entre o ego e o superego. Que tem como principal efeito
aumentar o perigo ameaçador dos instintos, pois antes desse conflito os dois se aliavam na
XXXIII

defesa contra os instintos, fazendo com que o ego seja projetado violentamente ao nível de
pura ansiedade instintiva e aos mecanismos primitivos de proteção característicos do mesmo.
Apesar desse auto-isolamento e afastamento dos objetos de amor o adolescente
também criará novos vínculos que poderão ocupar o ligar a das fixações reprimidas dos
objetos de amor infantil, assumindo um caso de amizade fervorosa ou até de amor, apesar de
que essas são de curta duração, os objetos abandonados por ele são rapidamente e
completamente esquecidos.
Os adolescentes possuem uma capacidade de variabilidade muito maior do que em
outras fazes. Mudando completamente suas opiniões e convicções conforme muda seu
modelo. Helene Deutsch (citada por FREUD, 1946), classificou-as de pessoas do tipo “ como
se”, pois a cada novo objeto vivem como se tivessem a própria vida do mesmo, desde
sentimentos opiniões e pontos de vista.
Anna Freud em um de seus casos clínicos deparou-se com uma menina que mudou
seus objetos varias vezes e essa não era apenas indiferente com os objetos abandonados, mas
também sentia uma violenta empatia por eles, após varias sessões analítica ela chega a
conclusão de que esses sentimentos não realmente da menina, ma sim de um ciúme que ela
fantasiará que o novo amigo sentisse em relação a todos que um dia ela amará.
A volubilidade da puberdade não indica mudanças interiores no amor ou das
convicções, mas sim da perda de personalidade em conseqüência da mudança da
identificação, demonstrada pela necessidade de se ajustar às preferências das outras pessoas.
O adolescente esta em perigo de voltar sua libido para si próprio, regredindo do amor
ao abjeto para o narcisismo, encontrando fuga em esforços de estabelecer contato com objetos
externos mesmo que seja apenas por intermédio do se narcisismo, através de uma série de
identificações, com isso as relações apaixonadas na adolescência representam tentativas de
recuperação (FREUD,1946).