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IDENTIFICAÇÃO

FANTASMA.

DOS

ASPECTOS

ASSOCIADOS

À

DOR

E

SENSAÇÃO

Identification of aspects associated with pain and feeling ghost.

Valéria da Silva Lucas ¹ e Rosângela Aparecida Botinha Assumpção ²

1 Acadêmica do curso de Fisioterapia da Faculdade Assis Gurgacz. vah_cvel@hotmail.com

2 Professora com graduação em Matemática pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (1999), mestrado

em Engenharia Agrícola pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (2004) e está cursando doutorado em Engenharia Agrícola pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (de 2007 até presente data). Atualmente é revisor da revista Acta Scientiarum. Agronomy (Online) e professor titular da Faculdade Assis Gurgacz. Tem experiência na área de Matemática, Estatística e Bioestatística.

2

RESUMO

A maioria dos pacientes submetidos a amputações desencadeiam algum tipo de desconforto no membro ausente,

uma característica deste desconforto é a dor, reduzindo a qualidade de vida do paciente. Essa impressão é conhecida como sensação fantasma, dor fantasma ou dor no coto. O objetivo deste trabalho é identificar os aspectos associados à dor e sensação fantasma. Foi realizado um questionário com 17 perguntas descritivas e objetivas, relacionadas à amputação de membros, onde as perguntas enfatizavam, a causa, o tempo e o nível de amputação, bem como se havia ou não presença de dor e sensação fantasma. O questionário foi aplicado aos

pacientes amputados atendidos no centro de reabilitação da Faculdade Assis Gurgacz (FAG) durante o período de julho a agosto de 2008. Os resultados desta pesquisa mostraram que o tempo de amputação e o nível de

amputação, não são fatores predisponíveis a dor e sensação fantasma, pois os valores de p foram maiores que 0.05, não sendo significativo. No entanto as causas de amputações foram significativas (p=0.01), mostrando que

as causas de amputação desencadeiam a dor e sensação fantasma, tendo como causas principais a Trombose e

Diabete melitos. Com esse fator identificado para a predisposição a dor e sensação fantasma a reabilitação do paciente amputado pode tornar-se mais clara e mais capaz de se ter um atendimento multidisciplinar, com ênfase

ao problema principal do amputado que a dor e sensação fantasma em seu coto.

PALAVRAS CHAVES: amputação, dor fantasma, causas.

ABSTRACT

The majority of the submitted patients the amputations unchain some type of discomfort in the absent member, a characteristic of this discomfort are pain, reducing the quality of life of the patient. This impression is known as sensation ghost, pain ghost or pain in I quote it. The purpose of this study is to identify the factors associated with ghost pain and sensation. This was a questionnaire with 17 questions descriptive and objective, related to the amputation of members, where the questions emphasized the cause, time and level of amputation, and whether or not the presence of phantom pain and sensation, was applied to patients amputees attended a rehabilitation center in the Faculty of Assisi Gurgacz (FAG) during the period from July to August 2008. The results of this study showed that the time of amputation and the level of amputation, are not factors preavailable the pain and ghost sensation, as the p-values were higher than 0.05 and not significant. However the causes of amputations were significant (p = 0.01), showing that the causes of amputation trigger the pain and ghost sensation, with the main causes for Thrombosis and diabetes mellitus. With this factor identified for the predisposition to feel phantom pain and the rehabilitation of amputee patients becomes clearer and more capable

of having a multidisciplinary care, emphasizing the main problem of the amputee ghost pain and sensation in his

stump.

WORDS KEYS: amputation, pain ghost, causes.

3

INTRODUÇÃO

As amputações de membros são bem antigas, o relato mais antigo de uma amputação

foi em 2300 a.C., quando arqueólogos russos descobriram um cadáver com um pé artificial,

onde a prótese era composta por um pé de cabra adaptado ao coto com a própria pele do

animal. Essa noticia só surgiu em janeiro de 1971 em um artigo, e esta foi uma das primeiras

próteses a ser realizada. As amputações na Idade Média eram realizadas com guilhotinas

enquanto a anestesia era realizada por ingestão de bebida alcoólica, para cauterizar a região

amputada eram utilizados óleo e ferro quente. Como muitas vezes as hemorragias não

cessavam, o prognóstico dos pacientes era muito ruim, principalmente se a amputação fosse

mais proximal. Só em 1850 descobriram a anestesia e as amputações passaram a ser realizada

com mais cuidado favorecendo a protetização. (1)

Compreende-se por amputado um individuo que por motivos variados, retirou um

membro ou parte dele. Amputação é uma palavra temida, pois significa mutilação, derrota,

perda, trazendo para o amputado um sentimento de medo e incapacidade para o futuro. No

entanto, uma amputação não deve ser considerada como o fim, pois muitas pessoas que

sofrem de problemas vasculares, traumáticos, tumorais, infecciosos, estarão diminuindo o seu

sofrimento e pessoas que nascem com má formação congênita e graves anomalias, podem ter

a possibilidade de uma melhor qualidade de vida. (2)

Carvalho (1) diz que existem vários níveis de amputação de membros inferiores e

superiores, cada nível possui sua característica, no qual são realizados para uma melhor

protetização. Os níveis para membros superiores são: desarticulação escapular; desarticulação

do braço; amputação do braço em terço proximal, médio e distal; desarticulação do cotovelo;

amputação

do

antebraço

terço

proximal,

médio

e

distal;

desarticulação

radiocárpica;

amputação do carpo; amputação transmetacarpianas e amputação dos dedos da mão. Os níveis

4

de amputação para membros inferiores são: amputação interfalangiana; metatarsofalangiana;

transmetatarsiana; Lisfranc; Chopart; Syme; Pirogoff; amputação transtibial terço proximal,

médio e distal; desarticulação do joelho; amputação transfemoral terço proximal, médio e

distal; desarticulação do quadril e hemipelvectomia.

As causas mais freqüentes de amputações são devido às insuficiências arteriais

periféricas,

complicações

da

diabete

mileto,

deformidades congênitas. (3)

infecções

severas,

traumas,

neoplasias

e

As complicações que podem surgir decorrente da cirurgia de amputação são: os

esporões quando a amputação é feita através da diáfise, em geral assintomáticos, o neuroma

doloroso, o membro fantasma doloroso, sensação de membro fantasma e dor no coto, essas

são as alterações mais comuns após uma cirurgia de amputação de membros. (4 5 6) Além disso,

também pode ocorre uma baixa da auto-estima, medo e depressão. (3)

A maioria dos pacientes submetidos a amputações desencadeiam algum tipo de

desconforto no membro ausente, uma característica deste desconforto é a dor, reduzindo a

qualidade de vida do paciente. Essa impressão é conhecida como sensação fantasma, dor

fantasma ou dor no coto, que são três características diferentes de desconforto no amputado.

Ela pode ser de caráter grave e de difícil controle, dificultando a reabilitação do paciente. (7)

A sensação do membro fantasma é notada imediatamente após a amputação é

descrita como formigamento, dormência, posição do membro e temperatura. E a dor fantasma

é a sensação dolorosa do membro ausente. (8)

Essa percepção no membro amputado é tão real que o amputado pode até ficar em

pé, andar ou apoiar-se sobre o membro que não existe mais. Tanto dor fantasma como

sensação fantasma, são sensações que aparecem após alguns dias da amputação e tendem a

diminuir com os passar dos meses. Durante o período de reabilitação essas intercorrências

retardam a melhora do paciente. (9)

5

Infelizmente, ainda não há uma abordagem terapêutica eficaz para a dor fantasma,

uma vez que sua fisiopatologia não foi estudada plenamente. A abordagem terapêutica para

este acometimento é organizada em três modalidades: medicamentosa, de apoio e cirúrgica,

podendo ser usada em conjunto ou separadamente. No grupo de medicamentos, são utilizados

drogas, como antidepressivos, tricíclicos, bloqueadores de canal de sódio, anticonvulsivantes,

anestésicos, calcitonina e os menos eficazes como opióides e antiinflamatórios não-esteróides.

Por outro lado os tratamentos de apoio incluem técnicas não invasivas como estimulação

elétrica, terapia vibratória, acupuntura e biofeedback, já as abordagens cirúrgicas não tem

resultados eficazes e é pouco utilizada. (7)

As técnicas manuais convencionais, que são percussões leves, esfregar de algodão,

lixas, buchas, escova de bebê, são as técnica mais utilizado pelos profissionais. Mas a técnica

com correntes elétricas (aparelhos) como, Corrente Interferencial (CI) e Neuroestimulação

Elétrica Transcutânea (TENS), também podem ser utilizados para o tratamento dessas

dessensibilizações. (10)

A dessensibilização é uma tentativa de normalização das sensibilidades exacerbadas

ou diminuídas, início de estímulos proprioceptivos. Com o esfregar de algodão, escova de

bebê, esponja face fina e grossa, tatetização, massoterapia com compressão, deslizamento

superficial e profundo, amassamento e fricção (contra indicados em deiscências de suturas ou

neuromas superficiais). O enfaixamento também é um ótimo tratamento, proporcionando, o

“enxugamento do edema”, melhora o retorno venoso, nutrição sanguínea, diminuição do

quadro álgico, forma final para moldagem da prótese provisória e estímulos proprioceptivos.

(11)

Benedetto et. al. (12) diz que o fato da dor fantasma não ser um fenômeno puramente

físico, social ou psíquico, mas a integração destes três fatores, nos remete à importância de

um

tratamento

multidisciplinar,

em

que

médico,

fisioterapeuta,

terapeuta

ocupacional,

6

nutricionista, psicólogo, assistente social, educador físico e técnico protético devem trabalhar

em equipe visando o desenvolvimento e a participação ativa do paciente no decorrer do seu

treinamento.

Este trabalho tem como objetivo principal identificar os fatores associados à dor e

sensação fantasma, e como objetivo específico, associar a dor e sensação fantasma com o

nível de amputação, a causa e o tempo de amputação, bem como identificar quais as causas de

amputação que mais ocorrem e correlacionar o tempo de amputação com o grau da dor,

identificada pela Escala Visual Analógica (EVA). Com todas essas associações, será possível

estabelecer quais fatores são mais predisponíveis a dor ou sensação fantasma, nos pacientes

amputados de membros.

METODOLOGIA

A pesquisa se caracteriza por um estudo de campo, quantitativo, exploratório de

corte transversal. Onde os dados foram analisados, no programa Software SPSS 13.0, com

realização de gráficos, tabelas, correlação, teste qui-quadrado, análise da variância (ANOVA),

spearman e teste-t de comparação de médias, todos com 5% de significância para a obtenção

dos resultados. Para a realização deste artigo foi elaborado um questionário pela própria

autora com ênfase nas condições dos amputados, o questionário era composto de 17 perguntas

descritivas e objetivas, relacionadas à amputação de membros, aplicados aos pacientes

amputados atendidos no centro de reabilitação da Faculdade Assis Gurgacz (FAG) durante o

período de julho a agosto de 2008. Os pacientes foram submetidos às perguntas onde o

próprio pesquisador perguntava e respondia ao questionário as respostas dos entrevistados, foi

explicada cada pergunta ao paciente para que ele não tivesse dúvida de sua resposta. O

entrevistado só participava da pesquisa se assinasse o termo de consentimento livre e

7

esclarecido. O questionário foi aplicado antes ou após o seu atendimento normal agendado

pela clínica. A amostra foi composta de 50 indivíduos, que se encaixassem aos critérios de

inclusão do trabalho, sendo eles: ser paciente do Centro de Reabilitação da FAG; ser

amputado em qualquer nível; ser amputado a mais de 45 dias; ter idade entre 10 a 85 anos; ter

cognitivo preservado e assinasse o Termo de consentimento livre e esclarecido.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Dentre os 50 questionários aplicados, foram entrevistadas 14 pessoas do sexo

feminino (28%) e 36 pessoas do sexo masculino (72%), com uma média de idade de 56 anos,

sendo 18 anos a idade mínima e 82 anos a idade máxima.

Entre

eles

1

(2%)

tinha

amputação

do

terço

proximal

do

braço,

1

(2%)

hemipelvectomia, 2 (4%) amputação de chopart, 24 (48%) transfemoral (TF), sendo 2 distal

(D), 12 medial (M), 1 medial bilateral (M-Bi), 8 proximal (P) e 1 proximal bilateral (P-Bi), 20

(40%) transtibial (TT), sendo 1 distal (D), 9 medial (M), 1 medial bilateral (M-Bi), 8 proximal

(P) e 1 proximal bilateral (P-Bi), 1 (2%) amputação transfemoral (TF) + transtibial (TT) P e D

e 1 (2%) transtibial (TT) + transmetatarsiana (TMT) M.

Gráfico I: Níveis de amputação.

40%

2% 2%

2% 4% 2%

I: Níveis de amputação. 40% 2% 2% 2 % 4 % 2% 48% Braço Chopart Hemipelvectomia
48% Braço Chopart Hemipelvectomia TF TT TF+TT TT+TMT
48%
Braço
Chopart
Hemipelvectomia
TF
TT
TF+TT
TT+TMT

Boccolini (2) e Carvalho (1) afirmam que a amputação transtibial é realizada entre a

articulação tibiotársica e a do joelho, sendo esta amputação no mínimo duas vezes mais

8

comum que em outros níveis. Já a amputação transfemoral, segundo Calmel et al. (13) e

Carvalho (1) refere-se a toda amputação realizada entre a articulação do joelho e quadril.

Segundo a pesquisa o nível de amputação que mais ocorreu foi transfemoral com

48% da amostra, o que não condiz com os autores Boccolini (2) e Carvalho (1) que relatam que o

nível transtibial é o mais comum entre todos os outros.

As

causas

de

amputação

foram

classificadas

da

seguinte

maneira:

acidente

automobilístico (carro, moto e trator) (AAM) 10 (20%), câncer (CA) 8(16%), diabete melitos

(DM) 12(24%), hanseníase 1(2%), trombose (TB) 14(28%), trombose + diabetes (TB + DM)

3(6%) e tétano 2(4%).

Gráfico II: Causas de amputações.

4% 6% 20% 28% 16% 2% 24% Acidente automobilístico Diabetes Trombose Tétano Câncer Hanseníase Tombose
4%
6%
20%
28%
16%
2%
24%
Acidente automobilístico
Diabetes
Trombose
Tétano
Câncer
Hanseníase
Tombose e Diabete

De acordo com os estudos de Spichler et. al. (14) no período de 1990 a 2000, no Rio

de Janeiro, foram realizadas 5.539 amputações de membros inferiores, tendo como etiologia:

2.853 casos de Doença Arterial Periférica (51,5%), 2.170 casos de Diabete Melitos (39,2%),

314 traumas (5,6%), 93 casos de osteomielites (1,7%), 66 casos de gangrena gasosa ou

enfisematosa (1,2%) e 43 casos de neoplasia ou tumor (0,8%).

A pesquisa mostra maior índice para Trombose e Diabetes melitos o que condiz com

o autor Spichler (14) que em sua amostra também relata maior incidência para Doença arterial

periférica e Diabete melitos.

9

O relato da presença de dor e/ou sensação fantasma dos 50 entrevistados foi que 29

disseram que tinham dor e/ou sensação fantasma (58%) e 21 que não tinham (42%), mas

desses 21, 17 já tiveram a presença de dor ou sensação fantasma (81%), totalizando 46

pessoas que tem ou já tiveram essa sensação (92%).

Gráfico III: Relato da presença de dor e sensação fantasma.

42% Tem 58% Não tem
42%
Tem
58%
Não tem
19% Já tiveram 81% Nunca tiveram
19%
Já tiveram
81%
Nunca
tiveram

Segundo Martins et. al. (15) a sensação da presença do membro fantasma é relatada

por quase todos os doentes submetidos à amputação, podendo iniciar-se imediatamente após a

cirurgia.

Sensações

de

pontada,

dormência,

queimação

e

cãibra,

dentre

outras,

são

freqüentemente descritas na extremidade do membro fantasma. Nos pacientes submetidos à

amputação, 70% a 85% desenvolvem dor do membro fantasma e 5% a 10% permanecem com

dor do coto de amputação. O exame clínico do coto de amputação tem revelado alteração de

sensibilidade em pelo menos 50% dos casos.

Embora a dor fantasma seja um tema muito discutido na literatura científica, nos

últimos anos, estudos com enfoque em sua prevalência em pacientes amputados são escassos

e

apresentam

grande

variabilidade

nos

resultados.

Neste

estudo,

observou-se

que

a

prevalência de dor fantasma variou entre 26% e 80%. Essa variação já havia sido indicada por

outros autores que apontam como principais fatores: a falta de conhecimento sobre o assunto

por parte dos pacientes e médicos assistentes, a falta de homogeneização de critérios e

instrumentos de coleta de dados que caracterizam o fenômeno e as diferentes respostas

terapêuticas. (7)

10

De acordo com os autores Martins (15) e Probstnert (7) o relato da presença de dor e

sensação fantasma é comum entre os pacientes submetidos a amputações, o que confirma os

resultados desta pesquisa.

Das 29 pessoas que tem presença de dor fantasma e sensação fantasma (58%),

segundo a Escala Visual Analógica (EVA), 6 (21%) relatam grau 5, 5(17%) grau 6, 14(48%)

grau 8 e 4(14%) grau 10. Apenas 2(4%) disseram que não estão tratando e 27(54%) estão em

tratamento, destas 19(70%) realizam tratamento

com Técnicas Manuais Convencionais

(TMC) e 8(30%) com Técnicas Manuais Convencionais + Aparelho (TMC+AP).

Segundo Pastre et. al. (3) alguns tratamentos são executados para essas alterações de

sensibilidade, como a dessensibilização do coto com, percussões leves e graduais, esfregar de

algodão,

lixas levemente

(TMC) e

também tratamento

eletroterapêutico

com

Corrente

Interferencial Vetorial (CIV) e TENS onde é uma modalidade não invasiva, atuando em

terminações nervosas e reduzindo os reflexos aferentes.

As técnicas manuais convencionais, que são percussões leves, esfregar de algodão,

lixas, é a técnica mais utilizado pelos profissionais. Outra técnica utilizada são as correntes

elétricas

(aparelhos)

como,

Transcutânea (TENS). (10)

Corrente

Interferencial

(CI)

e

Neuroestimulação

Elétrica

Os resultados do trabalho, mostram que as técnicas manuais convencionais (TMC)

fazem parte do tratamento com os amputados em 100% dos casos, mesmo associado a outros

recursos eletroterapêuticos, justificando o que os autores Pastre (3) e Lianza (10) relatam.

Em relação ao tempo de tratamento dos 27(54%) pacientes que tem a presença de dor

e sensação fantasma, 17(34%) estão realizando tratamento até 12 meses, 8(16%) de 12 a 24

meses, 1(2%) de 24 a 36 meses e 1(2%) de 48 a 60 meses, sendo que 23 disseram que houve

melhora, 13(48%) em até 12 meses e 10(37%) em mais que 12 meses e apenas 4 (15%)

disseram que não houve melhora, no entanto estão com tratamento inferior a 12 meses.

11

Dos entrevistados que já tiveram a presença de dor e sensação fantasma, 2(12%)

nunca realizaram tratamento e pararam de sentir a dor e 15(88%) realizaram tratamento e

obtiveram melhora não sentindo mais dor. Destes 15(88%), 13(87%) realizaram tratamento

com Percussões manuais e 2(13%) com percussões manuais + aparelho. Dos que realizaram

tratamento 4(27%) tiveram melhora em menos de 12 meses, 7(46%) em até 12 meses e

4(27%) em mais de 12 meses.

Dos 50 entrevistados, 24(48%) pessoas usam próteses e 26(52%) não usam, das que

usam 17(71%) já utilizam a prótese até 12 meses e 7(29%) usam a mais de 12 meses e destas

19(79%) disseram que a dor e sensação fantasma não atrapalhou o processo de protetização, e

sim que após a colocação da prótese melhorou a dor e sensação fantasma. No entanto apenas

5(21%) pessoas relataram que a dor e sensação fantasma atrapalharam a protetização.

Gabriel et. al. (11) relata alguns achados que sugerem a influência dor fantasma no uso

de prótese. Dois estudos mostraram que a dor fantasma foi responsável pela interrupção do

uso da prótese. Num dos casos, 38% da amostra referiu que não usava prótese devido à dor

fantasma, já no outro, isso ocorreu em apenas 11% de uma amostra de 80 amputados.

O

tratamento

deve

ser

iniciado

precocemente

com o

objetivo

de

acelerar

a

protetização. Uma das causas mais freqüentes de atraso ao processo de protetização são as

dores fantasmas, sensação fantasma, dor no coto, que dificultam a evolução do paciente na

reabilitação. (3) As presenças de alterações que afetam as condições gerais dos amputados

dificultam as fases do processo de reabilitação. Freqüentemente pacientes amputados de

membro inferior, evoluem com sensação fantasma ou dor fantasma, com prejuízo da evolução

nos programas terapêuticos, sobretudo a protetização. (9)

O tratamento deve ser aplicado de acordo com a liberação do paciente, a fisioterapia

será iniciada para ajudar no desenvolvimento de força muscular, evitando contraturas e

12

proporcionando um preparo do paciente para a protetização. As fases desse processo de

reabilitação decorrem desde o momento de amputar até o uso do aparelho protético. (16)

Segundo a pesquisa apenas 21% da amostra relatou que a dor e sensação fantasma

atrapalhou o processo de protetização, mas segundo os autores Gabriel (11) , Pastre (3) , Lima (9)

e Gallegos (16) relatam que a dor e sensação fantasma atrapalha a protetização na maioria dos

casos estudados por eles.

Em relação às análises, foram obtidos os seguintes resultados. Na comparação

através do Teste-T das médias entre o grau da dor (EVA) com o nível de amputação

(Transfemoral e Transtibial), que mais ocorreram. O valor de p foi igual a (p=0.78), não

havendo diferença significativa ao nível de 5% dos tipos de amputações.

TABELA I- Comparação de médias através do Teste-T

 

TF

TT

p-valor

Médias (EVA)

7,5

7,4

0,78

Desvio Padrão

1,6

1,4

O teste qui-quadrado para a associação entre a dor e sensação fantasma com o nível

de amputação não foi significativo (p=0.96), comprovando que a dor fantasma não tem

associação

com o

nível

de

amputação,

logo, o

nível de

amputação

não

é

um

fator

predisponível a dor e sensação fantasma, nesta pesquisa.

Através do teste qui-quadrado, foi realizado a associação da dor e sensação fantasma

com os intervalos de tempo de amputação, o (p=0,53), não teve diferença significativa, com

isso, o tempo de amputação não esta associado com a presença dor e sensação fantasma, não

sendo um fator que cause essas alterações sensitivas, nesta pesquisa. Isso também explica o

porquê que somente 2 pessoas que tinham dor e sensação fantasma melhoram sem tratamento.

Com a ANOVA, foi feito a comparação das médias entre o grau da dor (EVA) e a

causa de amputação, onde obtivemos o (p=0,93), não sendo significativo para esta pesquisa.

13

TABELA II- Comparação de médias através da ANOVA

Causa

Média

Desvio Padrão

p-valor

AAM

7,6

0,9

CA

7,2

2,2

DM

7,2

1,8

0,93

TB

6,8

1,6

TB+DM

8

2

Realizou-se o teste qui-quadrado buscando verificar se as causas de amputação

estavam associadas à presença de dor e sensação fantasma. Com o (p=0,01), identificou-se a

Trombose e a Diabete melitos como significativas para a dor e sensação fantasma, ou seja, as

causas que mais desencadeiam a dor e sensação fantasma são a Trombose e Diabete melitos,

de acordo com esta pesquisa. Sendo elas também as causas de amputação que mais ocorrem

em amputados.

De acordo com Nunes et. al. (17) as amputação de membros inferiores é uma das

principais conseqüências do diabetes melitos e das ulcerações nos pés. Os doentes diabéticos

têm um risco 15 vezes maior de serem submetidos a amputações de membros inferiores do

que os que não têm a doença.

A doença vascular aterosclerótica que afeta os membros inferiores é a forma mais

comum de doença arterial periférica, originando condições clínicas que variam desde

claudicação intermitente, dor em repouso, ulceração, gangrena e amputações. Além de

estarem associada ao diabetes melitos. (13)

De acordo com Leite et. al. (18) a revascularização periférica é o método terapêutico

mais efetivo para o tratamento da isquemia crítica, embora não interfira na evolução natural

da doença aterosclerótica. Alguns fatores de risco são bem conhecidos por influenciarem a

progressão da doença arterial obstrutiva periférica, tais como idade avançada, tabagismo e

diabetes melitos, sendo que a gangrena incide com maior freqüência em diabéticos do que em

não diabéticos e é responsável pelos maiores número de amputações.

14

A correlação entre o tempo de amputação e o grau da dor (EVA), foi realizado

através de Spearman. A correlação foi de 0.08 e o (p=0.66), não havendo significância para

esta pesquisa.

CONCLUSÃO

Conclui-se que não há um nível de amputação que produza maior ou menor dor e

sensação fantasma, que o tempo de amputação não influencia no desenvolvimento de dor e

sensação fantasma, mas que a causa de amputação é um fator predisponível a essa alteração, e

como vimos às causas de amputações que mais desencadeiam a dor e sensação fantasma são a

Trombose e Diabete melitos, que também são as causas de amputação que mais ocorrem nos

pacientes amputados.

Como

foi

identificado

um

fator

predisponível

a

dor

e

sensação

fantasma,

necessitamos

de

mais

trabalhos

científicos,

englobando

outras

áreas,

como

nutrição,

psicologia, enfermagem, terapia ocupacional e medicina. Para se obter maiores informações

sobre essas alterações que tanto incomodam os amputados.

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2001;44(8):499-507.

14 Spichler D, Junior F M, Spichler E S, Franco L J. Amputações maiores de membros

inferiores por doença arterial periférica e diabetes melitos no município do Rio de Janeiro, Jornal Vascular Brasileiro 2004;3(2):111-122.

15 Martins MAO, Bender PFM, Paula AJF, Azevedo REU, Miceli AVP. Relato de caso:

dependência a opióides. Rev brasileira de cancerologia 2003;49(2), 99-102.

pacientes

amputados por arriba de rodilla en periodo preprotésico estúdio de 10 casos. Revista Mexicana de Medicina Física y Rehabilitación 2004;v.16, p.104-109.

16 Gallegos

MRP.

Fortalecimiento

muscular

con

ejercicios

isocineticos

em

17 Nunes MAP, Resende KF, Castro AA, Pitta GBB, Figueiredo LFP, Junior FM. Fatores

predisponentes para amputação de membro inferior em pacientes diabéticos internados com pés ulcerados no estado de Sergipe, Jornal Vascular Brasileiro 2006;5(2):123-130.

18 Leite CF, Frankini AD, David EB, Hanffners J. Análise retrospectiva sobre a prevalência

de amputações bilaterais de membros inferiores. Jornal Vascular Brasileiro 2004;3(3):206-

213.

16

ANEXO – A: QUESTIONÁRIO

Idade: Sexo:

1) Qual é o nível de amputação?

2) Há quanto tempo está amputado?

3) Qual foi a causa da amputação?

4) Tem presença de dor ou sensação fantasma?

( )Sim

( )Não

5) De acordo com a escala de dor EVA. Qual é o grau de sua dor?

( )1

( )2

( )3

( )4

( )5

( )6

( )7

( )8

6) Está tratando a dor ou sensação fantasma?

( )Não

7) Com qual método de tratamento?

( )Sim

( )9

( )10

8) Há quanto tempo está tratando? Houve melhora?

9) Já teve presença de dor ou sensação fantasma?

( )Sim

( )Não

10) Fez algum tratamento?

( )Sim

( )Não

11) Qual tratamento foi realizado?

12) Por quanto tempo tratou?

13) Houve melhora?

( ) Sim

( ) Não

14) Faz uso de prótese? Há quanto tempo?

15) A dor atrapalhou a protetização? Ou atrapalha?

( )Sim

( ) Não

16) Quanto tempo realiza tratamento fisioterapêutico?

17) Porque realiza fisioterapia?