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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

DECRETO Nº 4.895, DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003.

Disp‚e sobre a autoriza€•o de uso de espa€os fƒsicos


de corpos d’…gua de domƒnio da Uni•o para fins de
aq†icultura, e d… outras providˆncias.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribui€•o que lhe confere o art. 84, inciso IV, da
Constitui€•o, e tendo em vista as disposi€‚es da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, da Lei no 9.433, de
8 de janeiro de 1997, da Lei no 9.636, de 15 de maio de 1998, da Lei no 9.984, de 17 de julho de 2000, do
Decreto no 3.725, de 10 de janeiro de 2001, e do Decreto no 4.670, de 10 de abril de 2003,

DECRETA:

Art. 1o Os espa€os fƒsicos em corpos d’…gua da Uni•o poder•o ter seus usos autorizados para fins da
pr…tica de aq†icultura, observando-se crit‡rios de ordenamento, localiza€•o e preferˆncia, com vistas:

I - ao desenvolvimento sustent…vel;

II - ao aumento da produۥo brasileira de pescados;

III - ‰ inclus•o social; e

IV - ‰ seguran€a alimentar.

Par…grafo Šnico. A autoriza€•o de que trata o caput ser… concedida a pessoas fƒsicas ou jurƒdicas que
se enquadrem na categoria de aq†icultor, na forma prevista na legisla€•o em vigor.

Art. 2o Para os fins deste Decreto, entende-se por:

I - aq†icultura: o cultivo ou a cria€•o de organismos cujo ciclo de vida, em condi€‚es naturais, ocorre
total ou parcialmente em meio aqu…tico;

II - …rea aq†ƒcola: espa€o fƒsico contƒnuo em meio aqu…tico, delimitado, destinado a projetos de
aq†icultura, individuais ou coletivos;

III - parque aq†ƒcola: espa€o fƒsico contƒnuo em meio aqu…tico, delimitado, que compreende um
conjunto de …reas aq†ƒcolas afins, em cujos espa€os fƒsicos intermedi…rios podem ser desenvolvidas outras
atividades compatƒveis com a pr…tica da aq†icultura;

IV - faixas ou …reas de preferˆncia: aquelas cujo uso ser… conferido prioritariamente a determinadas
popula€‚es, na forma estabelecida neste Decreto;

V - formas jovens: sementes de moluscos bivalves, girinos, imagos, ovos, alevinos, larvas, p‹s-larvas,
n…uplios ou mudas de algas marinhas destinados ao cultivo;

VI - esp‡cies estabelecidas: aquelas que j… constituƒram popula€‚es em reprodu€•o, aparecendo na


pesca extrativa;

VII - outorga preventiva de uso de recursos hƒdricos: ato administrativo emitido pela Agˆncia Nacional
de Œguas - ANA, que n•o confere direito de uso de recursos hƒdricos e se destina a reservar a vaz•o
passƒvel de outorga, possibilitando, aos investidores, o planejamento para os usos requeridos, conforme
previs•o do art. 6o da Lei no 9.984, de 17 de julho de 2000;

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VIII - outorga de direito de uso de recursos hƒdricos: ato administrativo mediante o qual a ANA concede
ao outorgado o direito de uso de recurso hƒdrico, por prazo determinado, nos termos e nas condi€‚es
expressas no respectivo ato.

Par…grafo Šnico. Excetuam-se do conceito previsto no inciso I os grupos ou esp‡cies tratados em


legisla€•o especƒfica.

Art. 3o Para fins da pr…tica da aq†icultura de que trata este Decreto, consideram-se da Uni•o os
seguintes bens:

I - …guas interiores, mar territorial e zona econ•mica exclusiva, a plataforma continental e os …lveos das
…guas pŠblicas da Uni•o;

II - lagos, rios e quaisquer correntes de …guas em terrenos de domƒnio da Uni•o, ou que banhem mais
de uma Unidade da Federa€•o, sirvam de limites com outros paƒses, ou se estendam a territ‹rio estrangeiro
ou dele provenham; e

III - dep‹sitos decorrentes de obras da Uni•o, a€udes, reservat‹rios e canais, inclusive aqueles sob
administraۥo do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS ou da Companhia de
Desenvolvimento dos Vales do S•o Francisco e do Parnaƒba – CODEVASF e de companhias hidroel‡tricas.

Art. 4o A Secretaria Especial de Aq†icultura e Pesca da Presidˆncia da RepŠblica delimitar… a


localiza€•o dos parques aq†ƒcolas e …reas de preferˆncia com pr‡via anuˆncia do Minist‡rio do Meio
Ambiente, da Autoridade Marƒtima, do Minist‡rio do Planejamento, Or€amento e Gest•o e da ANA, no •mbito
de suas respectivas competˆncias.

• 1o A falta de defini€•o e delimita€•o de parques e …reas aq†ƒcolas n•o constituir… motivo para o
indeferimento liminar do pedido de autoriza€•o de uso de …guas pŠblicas da Uni•o.

• 2o A Secretaria Especial de Aq†icultura e Pesca solicitar… reserva de disponibilidade hƒdrica ‰ ANA


para cess•o de espa€os fƒsicos em corpos d’…gua de domƒnio da Uni•o, que analisar… o pleito e emitir… a
respectiva outorga preventiva.

• 3o A outorga preventiva de que trata o • 2o ser… convertida automaticamente pela ANA em outorga de
direito de uso de recursos hƒdricos ao interessado que receber o deferimento da Secretaria Especial de
Aq†icultura e Pesca para emiss•o da cess•o de espa€os fƒsicos para a implanta€•o de parques, …reas
aq†ƒcolas e de preferˆncia.

Art. 5o A autoriza€•o de uso referida neste Decreto nos espa€os fƒsicos decorrentes de …reas de
preferˆncia ou de fronteira, inclusive em …reas e parques aq†ƒcolas j… delimitados, ser… concedida a pessoas
fƒsicas ou jurƒdicas, observado o seguinte:

I - nas faixas ou …reas de preferˆncia, a prioridade ser… atribuƒda a integrantes de popula€‚es


tradicionais, atendidas por programas de inclus•o social, com base em crit‡rios estabelecidos em ato
normativo de que trata o art. l9 deste Decreto;

II - na faixa de fronteira, a autoriza€•o de uso ser… concedida de acordo com o disposto na legisla€•o
vigente.

Art. 6o A Uni•o poder… conceder ‰s institui€‚es nacionais, com comprovado reconhecimento cientƒfico
ou t‡cnico, a autoriza€•o de uso de espa€os fƒsicos de corpos d’…gua, de seu domƒnio, para a realiza€•o de
pesquisa e unidade demonstrativa em aq†icultura .

Par…grafo Šnico. Os crit‡rios e procedimentos para a autoriza€•o de uso de que trata o caput ser•o
estabelecidos em conformidade com o art. 19 deste Decreto.

Art. 7o A edifica€•o de instala€‚es complementares ou adicionais sobre o meio aqu…tico ou na …rea


terrestre contƒgua sob domƒnio da Uni•o, assim como a permanˆncia no local, de quaisquer equipamentos,
desde que estritamente indispens…veis, s‹ ser… permitida quando previamente caracterizadas no memorial
descritivo do projeto e devidamente autorizada pelos ‹rg•os competentes.

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Art. 8o Na exploração da aqüicultura em águas continentais e marinhas, será permitida a utilização de


espécies autóctones ou de espécies alóctones e exóticas que já estejam comprovadamente estabelecidas no
ambiente aquático, onde se localizará o empreendimento, conforme previsto em ato normativo específico do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA.

Parágrafo único. Para introdução de novas espécies ou translocação, será observada a legislação
pertinente.

Art. 9o A aqüicultura em unidade de conservação ou em seu entorno obedecerá aos critérios, métodos
e manejo adequados para garantir a preservação do ecossistema ou seu uso sustentável, na forma da
legislação em vigor.

Art. 10. O uso de formas jovens na aqüicultura somente será permitido:

I - quando advierem de laboratórios registrados junto à Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca;

II - quando extraídas em ambiente natural e autorizados na forma estabelecida na legislação pertinente;

III - quando obtidas por meio de fixação natural em coletores artificiais, na forma estabelecida na
legislação pertinente.

§ 1o A hipótese prevista no inciso II somente será permitida quando se tratar de moluscos bivalves e
algas macrófitas.

§ 2o A hipótese prevista no inciso III somente será permitida quando se tratar de moluscos bivalves.

§ 3o O aqüicultor é responsável pela comprovação da origem das formas jovens introduzidas nos
cultivos.

Art. 11. O cultivo de moluscos bivalves nas áreas, cujos usos forem autorizados, deverá observar,
ainda, a legislação de controle sanitário vigente.

Art. 12. A sinalização náutica, que obedecerá aos parâmetros estabelecidos pela Autoridade Marítima,
será de inteira responsabilidade do outorgado, incumbindo-lhe a implantação, manutenção e retirada dos
equipamentos.

Art. 13. A autorização de uso de áreas aqüícolas de que trata este Decreto será efetivada no âmbito do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, após aprovação final do projeto técnico pela Secretaria
Especial de Aqüicultura e Pesca.

Parágrafo único. O pedido de autorização, instruído na forma disposta em norma específica, será
analisado pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, pela Autoridade Marítima, pelo IBAMA, pela ANA
e pela Secretaria do Patrimônio da União do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão.

Art. 14. Verificada a existência de competição entre empresas do setor, a autorização de uso será
onerosa e seus custos deverão ser fixados mediante a instauração de processo público seletivo.

§ 1o Os critérios de julgamento do processo seletivo público, referido no caput deste artigo, deverão
considerar parâmetros objetivos que levem ao alcance das finalidades previstas nos incisos I a IV do art. 1o
deste Decreto.

§ 2o Para fins de classificação no processo seletivo público, a administração declarará vencedora a


empresa que oferecer maiores indicadores dos seguintes resultados socais, dentre outros:

I - empreendimento viável e sustentável ao longo dos anos;

II - incremento da produção pesqueira;

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III - criaۥo de novos empregos; e

IV - a€‚es sociais direcionadas a amplia€•o da oferta de alimenta€•o.

Art. 15. O instrumento de autoriza€•o de uso de que trata este Decreto dever… prever, no mƒnimo, os
seguintes prazos:

I - seis meses para conclus•o de todo o sistema de sinaliza€•o n…utica previsto para a …rea cedida, bem
como para o inƒcio de implanta€•o do respectivo projeto;

II - trˆs anos para a conclus•o da implanta€•o do empreendimento projetado; e

III - at‡ vinte anos para o uso do bem objeto da autoriza€•o, podendo ser prorrogada a crit‡rio da
Secretaria Especial de Aq†icultura e Pesca.

Par…grafo Šnico. Os prazos ser•o fixados pelo poder pŠblico outorgante, em fun€•o da natureza e do
porte do empreendimento.

Art. 16. O uso indevido dos espa€os fƒsicos de que trata este Decreto ensejar… o cancelamento da
autorizaۥo de uso, sem direito a indenizaۥo.

Art. 17. O outorgado de espa€o fƒsico de que trata este Decreto, inclusive de reservat‹rios de
companhias hidroel‡tricas, garantir… o livre acesso de representantes ou mandat…rios dos ‹rg•os pŠblicos,
bem como de empresas e entidades administradoras dos respectivos a€udes, reservat‹rios e canais ‰s
…reas cedidas, para fins de fiscaliza€•o, avalia€•o e pesquisa.

Art. 18. Os propriet…rios de empreendimentos aq†ƒcolas atualmente instalados em espa€os fƒsicos de


corpos d’…gua da Uni•o, sem o devido termo de outorga, dever•o requerer sua regulariza€•o no prazo de
seis meses, contado da data de publicaۥo deste Decreto.

Art. 19. A Secretaria Especial de Aq†icultura e Pesca, o Minist‡rio do Meio Ambiente, o Minist‡rio do
Planejamento, Or€amento e Gest•o, a ANA, o IBAMA e a Autoridade Marƒtima, de forma articulada ou em
conjunto, no •mbito de suas competˆncias, editar•o as normas complementares no prazo de noventa dias,
contado da publicaۥo deste Decreto.

Art. 20. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicaۥo.

Art. 21. Fica revogado o Decreto no 2.869, de 9 de dezembro de 1998.

Brasƒlia, 25 de novembro de 2003; 182o da Independˆncia e 115o da RepŠblica.

LUIZ INŒCIO LULA DA SILVA


José Dirceu de Oliveira e Silva

Este texto n•o substitui o publicado no D.O.U. de 26.11.2003

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