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A REFORMA DO CÓDIGO PENAL – A NOVA LEI DE CRIMES SEXUAIS

Durante os trabalhos da CPI da PEDOFILIA na ALEPA foi promulgada a lei federal


12.015 de sete de agosto de 2009 que traz diversas mudanças ao Código Penal, ao ECA
e à Lei dos Crimes Hediondos. Em uma primeira leitura, fica evidente que a intenção do
legislador, ao elaborar a nova redação, era punir com mais vigor aqueles que cometem
crimes contra a liberdade sexual, principalmente quando há o envolvimento de menores
de 18 anos de idade. Esta lei, com certeza reflete alguns anseios da sociedade, como a
punição mais severa nos casos de crimes contra crianças e adolescentes com menos de
18 anos de idade.

A CPI da PEDOFILIA compreende que em alguns aspectos avançou o texto


legislativo, em outros retrocedeu, pois as alterações da novíssima lei são de cunho do
direito material e processual, ou seja, possuem caráter híbrido, o que muda as regras do
jogo. Tanto os processos em andamento como aqueles com sentença definitiva serão
atingidos merecendo atenção por parte do Poder Judiciário e Ministério Público.

A unificação do crime de estupro, por exemplo, passa a ser estupro tanto a


conjunção carnal quanto os atos libidinosos diversos. A pena mínima foi equiparada à do
homicídio simples, ou seja, 06 (seis) anos de reclusão. E o ponto que nos chama mais
atenção e motivo de preocupação é a aplicação da nova lei (Novatio Legis), pois, ao que
indica, haverá a aplicação de pena mais branda ao acusado, já que estupro e atentado
violento ao pudor, agora são o mesmo delito. Se de fato, pela exposição de motivos da lei
era punir com mais gravidade os crimes sexuais, errou o legislador ao “fundir” os dois
crimes.

Segundo especialistas do direito criminal a aplicação da nova lei impede aplicação


da decisão do STF de que o estupro e atentado violento ao pudor são crimes
continuados, bem como a aplicação do artigo 69 do CP. Com a Novatio Legis
provavelmente as penas deverão ser revistas pois a Lei nº 12.015 retroage porque é mais
benéfica para o réu. Segundo o Juiz Paraense Helder Lisboa: “É na verdade uma Novatio
legis com uma abolitio criminis às avessas”.

Como pontos positivos vemos a criação de novos tipos penais como o crime de
Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente quem pratica, na
presença de menor de 14 (catorze) anos, ou o induz a presenciar, conjunção carnal ou
outro ato libidinoso, desde que seja para satisfazer a lascívia própria ou de outrem e outro
tipo penal sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes que pela nova lei
chamada de “exploração sexual de vulnerável” expressamente descrita no Código Penal.

A Lei 12.015/2009 passa a punir também quem agencia, alicia, vende ou compra a
pessoa traficada, assim como, tendo conhecimento dessa condição, a transporta, a
transfere ou a aloja. Além disso, também há aumento de pena caso o agente seja
ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador,
preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de
cuidado, proteção ou vigilância.

O estatuto da criança e do adolescente também foi alterado om a inclusão do


artigo 244-B, que criminaliza, in verbis, a conduta daquele que “Corromper ou facilitar a
corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou
induzindo-o a praticá-la”, mais a maior novidade é o parágrafo primeiro desse mesmo
artigo, que afirma que também comete o crime quem o faz por meios eletrônicos,
inclusive salas de bate-papo da Internet.

Por sua vez, o Ministério público passa a ter mais destaque como titular da ação
penal, pois a ação penal deixa de ser privada, mediante queixa da vítima e agora passa a
ser pública, põem o Ministério Público ainda dependerá da representação da vítima. Após
a reforma, a regra será a ação penal pública condicionada – mediante representação -,
salvo quando a vítima for menor de 18 (dezoito) anos, ou vulnerável. Nessas hipóteses,
serão objetos de ação penal pública incondicionada.