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AULA 13 / 14

1. TRANSFORMADORES PARA INSTRUMENTOS

São equipamentos elétricos projetados e construídos especificamente para


alimentarem instrumentos elétricos de medição, controle ou proteção. Há basicamente
dois tipos: transformadores de potencial (TP) e transformadores de corrente (TC).

Possuem uma outra função importante: a de desacoplar (isolar) o circuito primário do


secundário, ou seja, não há conexão elétrica entre o primário e o secundário. A
transferência de informação entre esses dois circuitos ocorre em nível eletromagnético.

1.1. O Transformador de Potencial (TP)

Possui o enrolamento primário e ligado em derivação com um circuito elétrico e cujo


enrolamento secundário se destina a alimentar bobinas de potencial de instrumentos
elétricos de medição, controle ou proteção. Na pratica, e considerado um "redutor de
tensão", pois a tensão no seu circuito secundário e normalmente menor que a tensão
no seu enrolamento primário.

Algumas características importantes:


• Finalidade: reproduzir a tensão primária em seu secundário, com amplitude
reduzida e com os sinais primário e secundário desacoplados entre si;
• Instalação: pode ser externa ou interna (abrigada);
• Alimenta a instrumentação de medição , proteção e controle
• Representação da relação de transformação:
o RTP = 13800 - 115V, ou RTPnominal = 120:1
• Polaridade é representada como um transformador comum de polaridade
subtrativa.

1.1.1. Cargas Nominais

As cargas nominais definidas por norma são:

A especificação da classe e da carga de um TP é dada da seguinte forma:


1.1.2. Grupos de Ligação e Tensões Primárias Nominais

Os TP’s são separados em três grupos de ligação:


• Grupo 1: destinados para conexão Fase-Fase, utilizados em sistemas onde se
necessita somente as tensões Fase-Fase, como funções de proteção e circuitos
de medição que utilizam a conexão Aron. Destaca-se a economia de um TP
(são utilizadas apenas duas unidades em um circuito trifásico) e em circuitos
até 69 kV.
• Grupo 2: destinados para conexão Fase-Terra em sistemas aterrados, utilizados
em sistemas onde se necessita as tensões Fase-Fase ou Fase-Terra, pois, são
utilizadas três unidades em um circuito trifásico e em circuitos de AT e EAT.
• Grupo 3: destinados para conexão Fase-Terra em sistemas isolados ou
fracamente aterrados, sendo mais robustos que o do grupo 2 pois deverão
suportar sobretensões em regime permanente de até 3 superior à tensão Fase-
Terra, por exemplo, durante uma falta à terra em um sistema isolado. São
utilizados em sistemas onde se necessita as tensões Fase-Fase ou Fase-Terra,
pois, são utilizadas três unidades em um circuito trifásico e em circuitos de AT
e EAT isolados.

Os TPs suportam uma sobretensão de até 10% em regime permanente, sem que
nenhum dano lhes seja causado. Como são empregados para alimentar instrumentos
de alta impedância (voltímetros, bobinas de potencial de wattímetros, bobinas de
potencial de medidores de energia elétrica, reles de tensão, etc.) a corrente secundaria
I2 é muito pequena e por isto se diz que são transformadores de potência que
funcionam quase em vazio.

Ainda, são projetados e construídos para uma tensão secundaria nominal padronizada
em 115 volts, sendo a tensão primaria nominal estabelecida de acordo com a tensão
entre fases do circuito em que o TP será ligado. Assim, são encontrados no mercado
TPs para: 2300=115V , 13800=115V , 69000=115V , etc., isto significa que:

a. Quando no primário se aplica a tensão nominal para o qual o TP foi construído,


no secundário tem-se 115 volts;

b. Quando no primário se aplica uma tensão menor ou maior do que a nominal,


no secundário tem-se também uma tensão menor ou maior do que 115 volts,
mas na mesma proporção das tensões nominais do TP utilizado. Ex: num TP
de 13800/115V, ao aplicar-se a tensão de 13400V no primário, tem-se no
secundário 112V; ao aplicar-se 14280V, tem-se no secundário 119V.

Os TPs a serem ligados entre fase e neutro são construídos para terem como tensão
primária nominal a tensão entre fases do circuito dividida por p √3, e com tensão
secundária nominal 115= √3 volts ou 115V aproximadamente, podendo ainda ter estas
duas possibilidades de tensões ao mesmo tempo por meio de uma derivação.

1.1.3. Relação Nominal

É a relação entre os valores nominais U1n e U2n das tensões primaria e secundaria,
respectivamente. A “relação nominal" é a indicada pelo fabricante na placa de
identificação do TP, também de "relação de transformação nominal", ou simplesmente
de "relação de transformação", sendo nas aplicações praticas considerada uma
constante para cada TP. Ela é muito aproximadamente igual a relação entre as espiras:

1.1.4. Relação Real


É a relação entre o valor exato U1 de uma tensão qualquer aplicada ao primário do TP
e o correspondente valor exato U2 verificado no secundário dele. Em virtude de o TP
ser um equipamento eletromagnético, a cada U1 corresponde um U2 e como
consequência, um Kr.

1.1.5. Fator de Correção de Relação - FCR

É o fator pelo qual deve ser multiplicada a "relação de transformação" Kp do TP para


se obter a sua relação real Kr.

Na pratica, lemos o valor da tensão U2 com um voltímetro ligado ao secundário do TP


e multiplicamos o valor lido por Kp para obter o valor da tensão primária, valor que
representa o “valor medido” desta tensão primária, e não o seu valor exato U1.

Exemplo: um TP de 13800=115V tem o primário ligado entre as duas fases de um


circuito de alta tensão e o secundário alimentando um voltímetro onde se lê: U2 =
113V. Como a relação de transformação e neste caso Kp = 120, considera-se que a
tensão do circuito é:

1.1.6. Classes de Exatidão

Definem a área onde um determinado TP está dentro de sua classe de exatidão, para
um determinado conjunto de cargas secundárias, definido em norma.

Classes de Exatidão e aplicação em TP´s


Para se estabelecer a classe de exatidão dos TPs estes são ensaiados em vazio e depois
com cargas padronizadas colocadas no seu secundário, uma de cada vez, sob as
seguintes condições de tensão: tensão nominal, 90% da tensão nominal e 110% da
tensão nominal. Estas tensões de ensaio cobrem a faixa de tensões prováveis das
instalações em que os TPs serão utilizados.

2. Transformadores de Corrente

São equipamentos que permitem a instrumentos de medição e proteção funcionarem


sem correntes nominais conforme a carga do circuito ao qual estão ligados. Possuem
um primário - de poucas espiras - e um secundário com a corrente nominal
transformada (5A). Dessa forma, instrumentos de medição e proteção são
dimensionados em tamanhos reduzidos, utilizados para suprir aparelhos que
apresentam baixa resistência elétrica, tais como amperímetros, relés de indução,
bobinas de corrente de relés diferenciais, medidores de energia, de potência, etc.

Finalidade: reproduzir a corrente primária em seu secundário, com amplitude reduzida


e com os sinais primário e secundário desacoplados entre si.

São projetados e construídos para uma corrente secundaria nominal estabelecida de


acordo com a ordem de grandeza da corrente do circuito em que o TC será ligado.

Assim, são encontrados no mercado TCs para: 200=5A, 1000=5A:

• quando o primário e percorrido pela corrente nominal para a qual o TC foi


construído, no secundário tem-se 5A;
• quando o primário e percorrido por uma corrente menor ou maior do que a
nominal, no secundário tem-se também uma corrente menor ou maior do que
5A, mas na mesma proporção das correntes nominais do TC utilizado.
Exemplo: se o primário de um TC de 100=5A e percorrido por corrente de
84A, tem-se no secundário 4,2 A, se e percorrido por 106A, tem-se no
secundário 5,3 A.

2.1.Classificação dos TCs

Conforme a disposição dos enrolamentos e do núcleo, os TCs podem ser classificados


nos seguintes tipos:
• Tipo enrolado: enrolamento primário constituído de uma ou mais espiras,
envolve mecanicamente o núcleo do transformador.
• Tipo barra: primário e constituído por uma barra, montada permanentemente
através do núcleo do transformador.
• Tipo janela: TC sem primário próprio, construído com uma abertura através do
núcleo, por onde passara um condutor do circuito primário, formando uma ou
mais espiras.
• Tipo bucha: tipo especial de TC tipo janela, projetado para ser instalado sobre
uma bucha de um equipamento elétrico, fazendo parte integrante deste.
• Tipo núcleo dividido: tipo especial de TC tipo janela, em que parte do núcleo
e separável ou basculante, para facilitar o enlaçamento do condutor primário.
O amperímetro tipo "alicate"nada mais e do que um TC de núcleo dividido, o
qual possibilita medir a corrente sem a necessidade de abrir o circuito para
coloca-lo em serie.

2.2.O Secundário de um TC Nunca Deve Ficar Aberto

Quando o primário está alimentado, o secundário nunca deve ficar aberto. Caso seja
necessário retirar o instrumento do secundário do TC, este enrolamento deve ser curto-
circuitado através de um condutor de baixa impudência, um fio de cobre por exemplo.
Razões desta precaução: a corrente I1 e fixada pela carga ligada ao circuito externo;
se I2 = 0, isto e, secundário aberto, não haverá o efeito desmagnetizante desta corrente
e a corrente de excitação I0 passara a ser a própria corrente I1, originando em
consequência um fluxo muito elevado no núcleo.

Consequências:

• Aquecimento excessivo causando a destruição do isolamento, podendo


provocar contato do circuito primário com o secundário e com a terra.
• Uma f.e.m. induzida E2 de valor elevado, com iminente perigo para o operador.
• Mesmo que o TC não se danifique, a este fluxo elevado correspondera uma
magnetização forte no núcleo, o que alterara as suas características de
funcionamento e precisão.

Por este motivo, nunca se usa fusível no secundário dos TCs.

2.3. Relação Nominal

É a relação entre os valores nominais I1n e I2n das correntes primaria e secundaria,
respectivamente. A “relação nominal" é a indicada pelo fabricante na placa de
identificação do TC, também de "relação de transformação nominal", ou de "relação
de transformação", sendo nas aplicações praticas considerada uma constante para cada
TC. Ela é muito aproximadamente igual a relação entre as espiras:
2.4. Relação Real

É a relação entre o valor exato I1 de uma corrente qualquer aplicada ao primário do


TC e o correspondente valor exato I2 verificado no secundário dele. Em virtude de o
TC ser um equipamento eletromagnético, a cada I1 corresponde um I2 e como
consequência, um Kr.

2.5. Fator de Correção de Relação - FCR

É o fator pelo qual deve ser multiplicada a relação de transformação “Kp” do TC para
se obter a sua relação real Kr.

Na prática lemos o valor da tensão I2 com um voltímetro ligado ao secundário do TPC


e multiplicamos este valor lido por Kp para obtermos o valor da corrente primária,
valor este que representa o “valor medido” desta corrente primária, e não o seu valor
exato I1.

Ex: um TC de 200/5A tem o primário ligado em série com uma carga e o secundário
alimentando um amperímetro onde se lê: I2 = 3,8V. Como a relação de transformação
e neste caso Kp = 40, considera-se que a corrente solicitada pela carga é:

2.6. Classes de Exatidão

Definem a área onde um determinado TC está dentro de sua classe de exatidão, para
um determinado conjunto de cargas secundárias, definido em norma.
2.7. Cargas Nominais

As cargas nominais definidas por norma são:

A especificação da classe e da carga de um TC é dada da seguinte forma:

Lista de Exercícios

1. O que é um TP?
2. Cite três características importantes dos TP’s.
3. Quais são os grupos de ligação em que se encontram separados os TP’s? Defina-os.
4. O que se entende por relação nominal em um TP?
5. Cite e defina as classes de exatidão e aplicação em TP´s.
6. Defina o que é um TC?
7. Os TC’s podem ser classificados conforme a disposição dos enrolamentos e do
núcleo. Dessa maneira, cite 4 tipos de como podem ser classificados?
8. Explique o motivo de que o secundário de um TC nunca deve ficar aberto.