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A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE

LICENCIATURA EM MATEMÁTICA E O USO


Versão do autor para leitura e divulgação acadêmica – Livro não comercializado

DE TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA

Ana Paula Maffezzolli


Administradora e Coordenadora do Curso de Administração da Faculdade de Itaituba
E-mail: anaitb@hotmail.com

Gilson Pedroso dos Santos


Secretário Executivo da Universidade Federal do Oeste do Pará
E-mail: gilson.santos@ufopa.edu.br

Angel Pena Galvão


Coordenador do Curso Técnico de Informática Integrado ao EJA
do Instituto Federal do Pará – Campus Óbidos
E-mail: angel.galvão@ifpa.edu.br

José Ricardo e Souza Mafra


Docente na Universidade Federal do Oeste do Pará
E-mail: jose.mafra@ufopa.edu.br

Resumo
O artigo em questão tem como objetivo apresentar uma pesquisa sobre a formação do
professor de Matemática e o uso de tecnologias em sala de aula, tendo como pergunta
norteadora, como se delineou a formação do professor de Matemática quanto ao uso
de tecnologias e como é sua utilização em sala aula? Para a realização da pesquisa,
utilizou-se de investigações bibliográficas e elementos da pesquisa de cunho quanti-
tativo. Para a organização e discussão de dados, foi utilizado um questionário com
14 perguntas objetivas e subjetivas aplicadas com 06 professores de matemática que
atuam em escola pública municipal no município de Itaituba/PA. Após as análises dos
dados, que os professores entendem o básico sobre a utilização de tecnologias em sala
de aula, sendo que muitos utilizam tecnologias apenas para apresentar slides e vídeos.
Alguns não utilizam afirmando que a escola não oferece a estrutura adequada. Além
disso, pode-se verificar que os professores afirmam não terem sido preparados em seu
curso de formação inicial para a utilização de tecnologias em sala de aula. Apesar de
terem tido contato com disciplinas voltadas para a Informática, as informações anali-
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TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA

sadas indicaram que nenhuma contribuiu efetivamente para o preparo inicial em lidar
com esses recursos tecnológicos em sua atuação profissional. Outro fator observado
é que grande parte dos professores afirmam que a utilização de recursos tecnológicos
é de fundamental importância, porém, não buscam aperfeiçoamento específico nesta
área, alguns por não ter tempo, outros por não ter recursos e por não ter no município
cursos que os preparem para o uso de tecnologias em sala de aula.

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Palavras-chave: Matemática. Tecnologia. Ensino.

Introdução

As tecnologias desenvolveram-se de tal forma que, atualmente, fazem


parte do nosso cotidiano e não conseguimos mais nos desvincular dessas tec-
nologias. Atualmente, os alunos e professores tem acesso a todos os tipos
de informações através do uso de tecnologias. Isso faz com que a sociedade
cobre uma melhor e mais efetiva utilização destas no meio educacional.
São diversos os aparelhos tecnológicos que estão cada vez mais fre-
quentes no cotidiano das pessoas, sejam computadores, celulares, câme-
ras, filmadoras ou qualquer outro recurso, sempre estão presentes no dia a
dia, tanto em casa como no trabalho, assim como na escola. Muitos asso-
ciam o conceito de tecnologia a materiais eletrônicos como computador,
projetor, celulares, tablets e outros, porém, tecnologia pode ser qualquer
objeto que estabeleça uma interface ou uma espécie de mediação entre o
processo de ensino e aprendizagem em sala de aula.
Boer et al. (2010) usam como exemplo de tecnologias que podem
ser usadas em sala de aula, os quadros negros virtuais ou lousa digital
que permitem ao professor ter imagens, modelos, fórmulas, à disposição
advindos de vídeos ou de blog, da Internet. Em tempo real, o professor é
capaz de sublinhar, riscar, redesenhar com uma caneta especial ou com
seu dedo indicador no quadro. São muitos os recursos tecnológicos que
podem ser utilizados em sala de aula, softwares específicos, programas e
simuladores, para a maioria das disciplinas conhecidas e que se adaptam
rapidamente aos conteúdos disciplinares.
O uso de tecnologias nas escolas esbarra em alguns problemas como
infraestrutura inadequada, falta de profissionais qualificados para seu uso
e muitas vezes o despreparo pela própria escola quanto à utilização desses
recursos ou o professor recursa-se a utilizá-los. Alguns dos problemas re-
sultam das condições da formação dos professores, que não são preparados
para utilizar de forma correta esses recursos tecnológicos em sala de aula.

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Partindo dessa premissa, buscou-se investigar se a formação inicial


dos professores Licenciados em Matemática que atuam em escolas públi-
cas municipais no município de Itaituba/PA, os prepararam para a utili-
zação de tecnologias em sala de aula. O desenvolvimento desta pesquisa
é relevante, pois, é cada vez mais frequente o uso de tecnologias em sala
de aula, e buscar saber se a formação inicial dos professores licenciados
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em Matemática prepararam-lhes para a utilização dessas tecnologias no


processo de ensino e aprendizagem dos alunos.

Formação do professor e o uso de tecnologias

As tecnologias digitais estão em constante evolução e apresenta-se


como diversas formas de interação, para a busca de conhecimentos, de
informações. Assim, muitos autores afirmam que é preciso repensar a
forma de ensinar e assim assegurar o aprendizado do aluno, porém, para
repensar as formas de ensinar, deve ser também repensada a formação
inicial e continuada do professor.
A formação do professor não é autônoma, assegura Costa (2010),
afirmando que a formação está inserida em um contexto histórico e políti-
co, e sua orientação depende do conceito de Escola para uma determinada
sociedade, além de depender do que está sendo adotado como modelo de
ensino e modelo de currículo de cada período.
Para isso, afirma a autora, a escola precisa de um professor que quer
aprender e ensinar, que entenda o contexto em que está atuando, domine
conteúdo de sua área específica e possa moldar a diversidade de alunos que
frequentam as escolas. Frisa ainda que o conteúdo programático também
deve ser visto pelo professor como um meio para dar as aulas e não como
um fim. O material didático deve ser usado pelos professores para estimular
a busca pelo conhecimento e assim, transformando a escola em um espaço
de geração de conhecimento e não apenas de transmissão de conhecimento.
Alonso (1999) acrescenta que existe uma grande diferença entre
a atual educação e a sociedade que se apresenta como usuária da tecno-
logia. Podendo afirmar então, que fora da escola, os alunos têm contato
com as mais variadas e modernizadas tecnologias, enquanto que nas es-
colas, esse acesso é limitado e, muitas vezes, inexistente.
O autor acrescenta que mudanças são necessárias, e que vão desde a
cultura escolar disseminada em nossa sociedade, até ao currículo do profes-
sor. Não são mudanças simples e rápidas, não basta só colocar tecnologias
em sala de aula ou incluir disciplinas no currículo escolar, a mudança par-
te da forma de pensar, na revisão de conceitos, na tomada de consciência

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sobre os desafios existentes com a evolução tecnológica na educação e,


particularmente, qual a visão de nação ou sociedade que se quer estruturar,
nos próximos séculos, com as contribuições das tecnologias.
A aula conhecida como tradicional já não chama mais à atenção
dos aprendizes, fazendo com que o professor tenha que disputar a atenção
dos alunos com os recursos tecnológicos. A formação inicial do professor

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é fundamental para prepará-lo para o que vai enfrentar na realidade do
dia a dia, para enfrentar as adversidades, as complexidades da profissão.
Muito se exige desse profissional, mas será que ele é preparado em sua
formação para cumprir com essas exigências?
Bratti (2016, p. 23) aborda que o processo de formação profissional
do docente é planejado e coordenado por outros professores, e é a partir
desses formadores e de suas concepções e influências que os futuros pro-
fessores moldam seu perfil como profissional. No entanto, exige-se desse
profissional formador, uma postura que condiz com a “nova realidade”
na educação, um profissional que forme professores aptos a cumprir com
as exigências do atual mundo globalizado, contudo, as instituições de
ensino superior devem adaptar-se a essas mudanças, desenvolver em seus
currículos, meios para que os profissionais que ali se formam, estejam
aptos a exercer de forma eficiente sua função em sala de aula. Portanto, a
ação do professor influencia outros indivíduos. A formação do professor
deve ser um processo contínuo e realizado ao longo da vida.
Contudo, são exigidos do professor que esteja em constante formação
e que saiba trabalhar com tecnologia de modo que promova a transformação
nas práticas letivas. Para que isso aconteça, é necessário que este professor
esteja amparado pelas políticas públicas educacionais que considerem a edu-
cação como um processo contínuo. Importante lembrar, que não depende
unicamente do professor essa responsabilidade de formar profissionais ap-
tos a lidar com todas as adversidades existentes no mercado de trabalho. A
mudança só ocorrerá quando todos os envolvidos trabalharem de forma in-
tegralizada para atender as necessidades e as exigências que surgiram com a
evolução da tecnologia e a disseminação de conhecimentos.

Informática na educação matemática

Como o ensino de Matemática faz parte do desenvolvimento huma-


no, o professor deve priorizar a construção do conhecimento pelo fazer e
pensar do aluno, afirma Carvalho (2009). Esta construção fornece indica-

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dores do papel do professor no processo de ensino: facilitador, orientador,


estimulador e incentivador da aprendizagem, ajudando o aluno a elaborar
e desenvolver seus conhecimentos.
Os recursos tecnológicos como computador, softwares, internet e
outros, oferecem oportunidades que facilitam o desenvolvimento e en-
tendimento de conceitos, inclusive da Matemática. Com a grande quan-
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tidade de opções existentes, as tecnologias podem ser utilizadas para o


aprimoramento do processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos ma-
temáticos, por parte do professor.
Purificação et al. (2010) afirmam que pesquisas em Educação Ma-
temática têm mostrado a importância da tecnologia na educação para a
aprendizagem da Matemática. Afirmam ainda que trabalhos científicos
desenvolvidos, apresentam o potencial do uso do computador e da inter-
net, em atividades algébricas e geométricas.
Acrescentam que se pode escolher, dentre as diversas possibilida-
des, desde banco de dados até conteúdos matemáticos específicos. No
quesito domínio técnico, a circunstância envolve as funções e os sistemas
do computador. No domínio de algoritmos, percebe-se a análise e a des-
crição na resolução de um problema. E, na esfera social, observam-se os
efeitos de uma nova cultura, também, em sala de aula.
Purificação et al. (2010) explicitam a teoria de Chaachoua (2003)
em que afirma ter dois obstáculos que dificultam a integração do compu-
tador e sua utilização pelo professor de Matemática em sala de aula:

O professor que não tem referência ou experiência de aprendi-


zagem em conduzir atividades no ambiente informático hesita
em usar o computador e necessita, assim, de uma justificação a
priori que lhe aponte as possibilidades do uso do computador
no ensino de matemática. Nesse caso, prevalece a insegurança
com essa ferramenta e o menor dinamismo no ensino; O se-
gundo obstáculo está ligado aos efeitos da transposição infor-
mática. Os objetos do saber se modificam na relação didática e
informática (PURIFICAÇÃO, 2010, p. 40-41).

Portanto, o computador é um novo caminho para o processo de


ensino e aprendizagem, desde que utilizado de forma correta. Para os
autores, o professor deve estar preparado para analisar as potencialida-
des e as possibilidades das tecnologias e suas limitações. Acrescenta
que, uma formação de qualidade exige do professor o mínimo quanto à

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percepção do uso de recursos tecnológicos, e deve adequar-se ao con-


texto em que está inserido.

Encaminhamentos metodológicos

O artigo teve como base metodológica a pesquisa bibliográfica,

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que consiste na localização e consulta de fontes diversas de informações
escritas. Classificada ainda como sendo qualitativa, que, de acordo com
Lakatos (2010), é o tipo de pesquisa que procura analisar e interpretar
aspectos mais profundos, descrevendo a complexidade do comporta-
mento humano. Fornece uma análise mais detalhada sobre a investiga-
ção, hábitos, atitudes, tendências de comportamento e outros.
A pesquisa pode ser classificada ainda como sendo descritiva que
tem como objetivo descrever as características de uma população, um
fenômeno ou experiência para o estudo realizado, uma vez que se bus-
cou descrever características de determinado fenômeno e população e
para obter tais informações foi utilizada uma técnica personalizada que
foi à aplicação do questionário realizado no mês de novembro de 2017.
A escolha pelo questionário foi feita devido a agilidade e disponibili-
dade dos professores de participarem da pesquisa, sendo este, um meio
mais ágil de se obter dados e propiciar determinados conhecimentos
aos pesquisadores.
O questionário conteve 14 perguntas, destas, 05 foram objetivas e
com intuito de definir o perfil dos entrevistados e 09 foram subjetivas.
Os sujeitos da pesquisa foram professores licenciados em Matemática,
um total de 06 (seis) professores dos 20 questionários enviados que atu-
am em escolas municipais do município de Itaituba/PA, o critério de
escolha para preenchimento do questionário se deu através da escola que
atuam, três escolas foram sorteadas e os questionários foram aplicados.

Resultados

Verificou-se com a organização dos dados realizada, a partir do


questionário aplicado, as seguintes informações: dos 06 entrevistados, 03
são do gênero masculino e 03 são do gênero feminino. A idade dos en-
trevistados varia entre 29 a 53 anos, tendo predominância da faixa etária
de 34 a 38 anos, destes. Pode-se apontar também que o tempo de atuação
como professor vai de 03 ano a 17 anos de profissão. Apontou-se que

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05 são especialistas em áreas como “Matemática para o Ensino Médio,


Docência para o Magistério Superior e áreas afins” e 01 dos entrevistados
não respondeu. Vale lembrar que todos os entrevistados são Licenciados
em Matemática.
Ao serem questionados se atuam somente em escola pública, todos
afirmam trabalhar em escola pública, destes, 02 afirmam atuar também
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em escola particular. Também foi aplicada uma pergunta para saber se os


entrevistados possuem computadores: Todos os professores participantes
da pesquisa possuem computador, 05 possuem notebooks e 01 possui
computador fixo em casa.
Foi perguntado, quais as principais atividades, relacionada a edu-
cação, que realizam com a utilização do computador? Os entrevistados
afirmam que utilizam o computador, principalmente, para a elaboração
de aulas, fazer os planejamentos das aulas, planos de ensino, pesquisas e
acesso a e-mails e redes sociais. Dois dos professores também utilizam o
computador para passar filmes e slides na sala de aula.
Questionados sobre o grau de conhecimento em Informática e se
conhecem softwares específicos de Matemática: 05 responderam que
possuem o conhecimento básico de como utilizar os principais softwares,
01 afirma que entende pouco sobre utilização de computadores. E sobre
conhecer programas específicos para aula de Matemática, 04 dos pro-
fessores afirmam que já tiveram acesso ao Geogebra, planilhas como do
Excel mas que não tem conhecimento suficiente para utilizá-los em sala
de aula, outros 02 professores não responderam.
Estas informações mostram, conforme Boer et al. (2010), o quanto
o mercado dispõe de uma grande quantidade de equipamentos e ferra-
mentas tecnológicas de uso tanto por parte da sociedade como um todo e
das escolas. Citam exemplos como computadores, softwares, CD-ROM,
DVDs, câmeras digitais dentre outros recursos, que podem ser imple-
mentados como fonte de atividade pedagógica, em sala de aula, na rela-
ção de ensino e aprendizagem.
Indagados sobre a utilização de recursos tecnológicos em sala de
aula: dos 06 entrevistados, 04 afirmam que utilizam computadores e pro-
jetor em sala de aula para apresentação de slides ou vídeos quando os
recursos estão disponíveis, 02 deles buscam utilizar também o laboratório
de Informática, porém, nem sempre existe esta disponibilidade. 02 afirma
que não utilizam tecnologias durante as aulas pois preferem o método
tradicional, utilizando os livros e cadernos para a prática do conteúdo.

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Purificação et al. (2010) afirmam que a “inserção da informática


na relação ensino e aprendizagem pode modificar a relação entre aluno-
-professor-objeto matemático, na qual o professor pode se deparar com
situações em que o próprio saber matemático é questionado”. Assim se
o professor não estiver preparado para utilizar os recursos tecnológicos,
criará obstáculos que o impedirão de utilizar os computadores em sala de

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aula, buscando assim os meios tradicionais para lecionar.
Foi questionado se, durante a formação, obtiveram disciplinas e/ou
aulas que os incentivassem/ensinassem a utilizar as tecnologias em sala
de aula: Os professores, em unanimidade, afirmam que não, eles tiveram
disciplina de informática, mas que não foi com o intuito de prepará-los
para a utilização destes recursos enquanto profissionais.
Verifica-se, na questão acima que, na formação dos professores en-
trevistados, não houve uma qualificação quanto à utilização de recursos
tecnológicos em sala de aula, ou seja, o professor não teve oportunidade
de conhecer tais recursos quando de sua atuação profissional futura.
Imbernón (2000) corrobora com a afirmação de que, a formação do
professor assume um papel importante e deve ser capaz de criar espaços
de participação, de reflexão e de formação para que se aprenda a adaptar
as mudanças e as incertezas.
Foi perguntado, se consideram de fundamental importância a uti-
lização de recursos tecnológicos em sala de aula para lecionar, obteve-
-se as seguintes respostas: o professor A respondeu que “Não vejo tanta
importância assim, é mais fácil explicar o conteúdo como sempre faço,
utilizando os livros e cadernos, o aluno tem que praticar para entender
a matéria”. O professor B disse que “Sim, considero muito importante
pois através de computadores e outras tecnologias, podemos aproximar
o aluno da escola e melhorar as aulas”.
O professor C respondeu que “Entendo que pode ajudar, mas não
vejo como fundamental, prefiro utilizar livros e quadro para ensinar”,
o D disse que “Vejo o computador como algo que pode ajudar, já ouvi
falar em alguns programas que podem ajudar nas aulas, ajudar a ex-
plicar melhor pro aluno, mas não tenho experiência em utilizar”, o do-
cente E afirma que “Usar tecnologias em sala de aula é importante, até
porque os nossos alunos é quem acabam trazendo tecnologias para a
escola e temos que buscar nos adaptar a elas” e o professor F diz que
“É sim de fundamental importância, mas não temos recursos para usar
como deveriam ser usadas, parte desde o preparo do professor que não

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é dada a devida atenção e a falta de estrutura na escola que possui


computadores mas a maioria não funciona”.
Verifica-se, nas respostas acima, que o professor A prefere livros
a tecnologia, talvez por sua faixa etária ser de 53 anos, tendencialmen-
te é mais redutível a mudanças. A maioria considera importante a utili-
zação de tecnologias em sala de aula, porém, alguns não tem recursos
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para utilizá-las.
Como já afirmado por Purificação et al. (2010), o professor deve
estar preparado para analisar as potencialidades e as possibilidades que
as tecnologias podem ofertar assim como suas limitações. Contudo, há
a necessidade de uma formação de qualidade e exige do professor o
mínimo quanto às formas de uso de recursos tecnológicos, adequando-
-os ao contexto em que está inserido.
Segundo Bratti (2016), é comum professores se sentirem ameaça-
dos com as novas tecnologias, entenderem que o método tradicional é
ainda o meio mais eficiente para ensinar, porém, não tem como não en-
volver a tecnologia no processo educacional, visto que já é uma realidade.
Contudo, é necessário que os professores se adequem a essas mudanças,
já que a tecnologia assume um papel fundamental na sala de aula.
Por conta das tecnologias, torna-se necessário reconfigurar a edu-
cação, os modelos utilizados para sua propagação e a forma como os
professores aliam essas tecnologias na realização do processo de ensino
e aprendizagem. Por fim, foi perguntado se os professores entrevista-
dos, buscam aperfeiçoamento profissional quanto ao uso de computa-
dores e demais tecnologias em sala de aula. Todos afirmam que não,
alguns colocaram como empecilho a falta de tempo, outros a falta de
recursos e 02 afirmam que não tem cursos nesta área no município.

Considerações finais

Pode-se observar, baseado nas respostas, que, os professores par-


ticipantes da pesquisa têm conhecimento básico para a utilização de
computadores. Eles os utilizam para preparar as aulas, pesquisa e ela-
boração dos planos de ensino dentre outras atividades pessoais. Veri-
ficou-se também, que os professores têm conhecimento básico sobre
como utilizar recursos tecnológicos em sala de aula, que apesar de não
terem sido preparados para isso em sua formação inicial, buscam utili-
zar mesmo assim.

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Os meios mais comuns de utilização de recursos tecnológicos em


sala de aula é a utilização de computador e projetor para a apresentação
de slides ou vídeos, ações bem limitadas considerando a grande diversi-
dade de opções existentes para incorporar tecnologia em sala de aula. É
possível, no entanto, afirmar que os professores entrevistados não foram
preparados, em sua formação inicial, para utilizar de forma adequada os

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recursos tecnológicos em sala de aula.
Pode-se entender também, que os professores, mesmo não sabendo
utilizar os recursos como propõe a teoria, buscam utilizá-los para dife-
renciar as aulas e chamar a atenção do aluno, porém, não basta somente
saber utilizar os recursos tecnológicos, é necessário saber integrar estes
ao conteúdo curricular e ao contexto em que se está inserido.
As possibilidades constatadas para o uso de tecnologias em sala
de aula são variadas e dão oportunidades aos professores de apresen-
tar, de forma diferenciada, as informações aos alunos. Os recursos
tecnológicos possibilitam a adequação do contexto e as situações do
processo de aprendizagem às diversidades em sala de aula. As tecno-
logias fornecem recursos didáticos adequados às diferenças e necessi-
dades de cada aluno.
Atualmente, as tecnologias cada vez mais são utilizadas em ar-
ticulação com as disciplinas ou para realizar trabalhos extracurricula-
res. Com base nas informações obtidas junto aos professores, pode-se
concluir que a maior parte dos recursos tecnológicos ainda não são
considerados recursos do cotidiano para pesquisa e criação/produção
de conhecimento.
Contudo, é preciso analisar sobre o que realmente pode ser feito a
partir da utilização dessas tecnologias, como por exemplo, a Internet, no
processo educativo. É preciso, cada vez mais, compreender quais são as
especificidades técnicas e o potencial pedagógico das tecnologias, com o
intuito de as escolas fazerem uso das mesmas, como meios de aprendi-
zagem em relação aos aspectos do currículo escolar, indicando formas e
alternativas de propostas aos docentes, para a produção de conhecimento,
com base em pressupostos tecnológicos.

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BRATTI, Marilia Pizzato. Tecnologia no ensino superior: da prática almejada à


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CARVALHO, Dione L. Metodologia do ensino da Matemática. 3. ed. São Paulo:


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PURIFICAÇÃO, Ivonélia da; NEVES, Garcia Tatiani; BRITO, Gláucia da Silva.


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