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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA


Serviço de Assistência Judiciária “PUC MINAS / SERRO”

AO JUÍZO DE DIREITO DA VARA ÚNICA DA COMARCA DE SERRO/MG

ROSILANE DE FÁTIMA SANTOS, brasileira, casada, monitora de


transporte escolar, inscrita no CPF nº: 038.881.416-05 e portadora da Carteira
de Identidade nº: MG-92.507.01, residente e domiciliada na Rua Mariana, 160,
Bairro Morro de Areia, CEP: 39150-000, Serro/MG, vem, respeitosamente à
diante de V. Exa. Ajuizar

AÇÃO DE DIVÓRCIO C/C PEDIDO DE ALIMENTOS

em face de DEVAIR ANTONIO DE OLIVEIRA, brasileiro, casado, motorista,


inscrito no CPF nº: 003.476.836-45, portador da Carteira de Identidade nº:
MG234574, residente e domiciliado na Rua José dos Santos Laje, 635, Bloco
B12, apto. 104, Via do Minério, CEP: 30644-220, Belo Horizonte/MG; pelos
seguintes fatos e fundamentos a seguir aduzidos:

I – DOS FATOS

A requerente e o requerido contraíram matrimônio no dia 11 de Abril de 2008,


tendo adotado o regime de comunhão parcial de bens, conforme a certidão de
casamento em anexo.

Desta união adveio ao casal 02 (duas) filhas, qual seja: ALICE MARIA DE
OLIVEIRA, de 08 anos de idade e ANA LUIZA DE OLIVEIRA de 12 anos de
idade, como fazem prova as Certidões de Nascimento anexadas.
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O casal não possui nenhum bem que constitua objeto de partilha.

A seguir, os fundamentos que amparam a pretensão da requerente.

II – DO DIREITO

a) Do Divórcio

Vejamos, preambularmente, o que estabelece a Constituição da República


Federativa do Brasil de 1988:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial


proteção do Estado.
§6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.
O art. 226, §6º da Constituição da República Federativa
do Brasil de 1988, alterado pela Emenda Constitucional
nº: 66, apresentou nova redação excluindo a parte final do
referido artigo, desaparecendo toda e qualquer restrição
para a concessão do divórcio, que cabe ser concedido
sem prévia separação e sem o implemento de prazos, eis
que é direito potestativo da requerente.

Ainda prescreve o Código Civil 2002:

Art. 1571. A sociedade conjugal termina:


IV- pelo divórcio.
Tendo em vista a infrutífera tentativa de reatar o casamento, a requerente se vê
obrigada a judicializar a questão, amparada, pois, no ordenamento jurídico
presente.

b) Dos Alimentos

Vejamos o que estabeleceu o constituinte originário quando deu letra ao


princípio da solidariedade:

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado


assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária, além de coloca-los a
salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
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Ainda reitera o ECA, em seu art. 22, acerca da obrigação inerente à dos
detentores do poder familiar:

Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e


educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no
interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir
as determinações judiciais.

As menores precisam da pensão para que sejam garantidos o acesso à saúde,


à alimentação, vestuário, à educação, ao esporte e ao lazer, todos esses
direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

De acordo como §1º do artigo 1694 do Código Civil de 2002:

Art. 1694 §1º: Os alimentos devem ser fixados na


proporção das necessidades do reclamante e dos
recursos da pessoa obrigada.

Na fixação dos alimentos deve-se observar a análise do binômio necessidade-


possibilidade. Levando em consideração o princípio da proporcionalidade ao
estabelecer que a fixação de alimentos deve atentar às necessidades de quem
os reclama e as possiblidades da pessoa obrigada a prestá-los.

O Código Civil de 2002 em seu artigo 1695, expõe o seguinte:

Art. 1695. São devidos os alimentos quando quem os


pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo
seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se
reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do
necessário ao seu sustento.

Diante da impossibilidade da requerente e da necessidade das menores,


reconhece-se o dever de prestar alimentos de tal sorte que se requer, desde já,
a fixação em R$ 800,00 (oitocentos reais) a título de alimentos definidos, o que
corresponde hoje a 83,85% do salário mínimo vigente, como acordado
informalmente entre as partes.

c) Da Mudança do Nome

Não há alteração do nome, visto que a requerente não integrou o sobrenome


de seu cônjuge.

d) Da Guarda

O art. 1583 do Código Civil dispõe que:

Art. 1583. A guarda será unilateral ou compartilhada.


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§ 1º. Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a


um só dos genitores ou a alguém que o substitua (art.
1584 § 5º) e, por guarda compartilhada a
responsabilização conjunta e o exercício de direitos e
deveres do pai e da mães que não vivam sob o mesmo
teto, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns.

Tendo em vista que na guarda unilateral os interesses dos menores serão


priorizados, tem-se como melhor juízo, que as menores permaneçam residindo
com a sua genitora.

Desta forma, pleiteia-se a concessão à autora da guarda unilateral das


menores, Alice Maria de Oliveira (08 anos) e Ana Luiza de Oliveira (12 anos)
com base na fundamentação jurídica aqui tratada, resguardando os interesses
da menor.

e) Da Regulamentação de Visitas

O direito de prestar visita é um direito fundamental em razão da necessidade


de um bom convívio familiar, visto que o vínculo afetivo permanece.

Dessa forma, o pai das menores, Sr. Devair Antônio de Oliveira, poderá
exercer o seu direito de visitas de acordo com sua disponibilidade de tempo em
decorrência de suas ocupações laborais e também por residir em município
distinto, comunicando com antecedência à genitora-guardiã, levando-se em
consideração o não comprometimento das atividades escolares de suas filhas.

Sendo assim, fica assegurado ao pai e à mãe o direito de permanecer com as


filhas no dia de seus respectivos aniversários de nascimento (dos pais).

Fica assegurada a presença do pai e da mãe, ou mesmo o contato destes com


as crianças, no dia de seus aniversários de nascimento (das filhas), como
também em qualquer festividade ou comemoração alusiva.

Fica assegurado ao pai o direito de permanecer com as filhas no dia em que e


comemora o dia dos pais, ficando também assegurado à mãe o direito de
permanecer com as filhas no dia em que se comemora o dia das mães.

Terá o pai, ainda, durante as férias escolares das menores, assegurado o


direito de ficar com as filhas, pelo período de 15 (quinze) dias, podendo elas,
inclusive, empreender viagens.

f) Dos Bens

Não há bens a serem partilhados.


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III – DOS PEDIDOS

Diante do exposto, presentes as condições da ação e pressupostos


processuais, pede que seja recebida a presente inicial e, no mérito, sejam
julgados procedentes os pedidos abaixo formulados, para:

a) A concessão do pedido para fixar alimentos em favor das menores, no


valor de R$800,00 (oitocentos reais), a ser pago em conta criada para
tal;

b) Julgar procedente o presente pedido, para decretar o divórcio do casal,


expedindo-se o competente mandado de averbação;

c) Que seja julgado procedente o pedido de guarda unilateral das menores,


a ser concedida em favor da requerente;

d) A condenação do requerido no pagamento das custas e dos honorários


advocatícios.

IV- DOS REQUERIMENTOS

E requer, por fim:

a) Que seja citado o réu, para que se for o caso, apresente defesa no
prazo legal sob pena de revelia;

b) Que seja concedido à requerente o benefício da justiça gratuita, eis que


a requerente não tem condições, no momento, de arcar com as custas
do presente feito;

c) Intimação do Ministério Público para acompanhar o presente feito;

d) A requerente manifesta o desejo na realização de audiência de


conciliação.

Pretende-se provar o alegado por todos os meios permitidos em direito.

Dá a causa o valor de R$9600,00 (nove mil e seiscentos reais).

Nestes termos pede-se deferimento.

Serro/MG, 28 de novembro de 2018.


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Alan Michell Generoso

OAB/MG 146.471

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