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UM SHEIK

A RODA

Entrevista editada, leia a íntegra na revista Revista Caros Amigos, edição 56, outubro 2001.

O Sheik Ali Abdouni, presidente no Brasil da


Associação Mundial da Juventude Islâmica, foi
convidado por Caros Amigos para falar das leis do Islã, a
religião que conta com 1 (um) bilhão e 350 milhões de
seguidores no mundo. Mas foi provocado a falar de
outros assuntos, e a entrevista tornou-se um debate, no
qual ele acabou trazendo informações e externando
opiniões como estas: Bin Laden não tem nada a ver com
os atentados de 11 de setembro; a Agência Central de
Inteligência (CIA) não quer descobrir os autores desses
atentados; ato terrorista também é morrerem de fome no
Brasil 6.000 crianças por mês; havia uma mesquita dentro
do World Trade Center de Nova York; 1.000 (mil) civis
afegãos já haviam sido mortos pelos bombardeios
americanos até o fim de outubro; não existe hoje no
mundo um único governo 100%(cem por cento) islâmico.
Falou-se muito sobre o tratamento dado à mulher nos
países muçulmanos, que para o sheik sempre foi muito mais igualitário do que nos países
ocidentais.

Parte 1

Marina Amaral - O nosso tema é basicamente a religião. Acho que deveríamos aprofundar
essa questão da tolerância. Gostaria que o senhor explicasse, por exemplo, como no
Alcorão são vistos Jesus Cristo, a Virgem Maria, os profetas judeus...

Sheik Ali Abdune - Para conhecermos uma religião, nada melhor que conhecer seus princípios,
porque a partir deles você vai construir as demais idéias. Os princípios da religião muçulmana:
todo muçulmano deve crer em seis pilares básicos. Primeiro pilar: crer em Deus, que é o
absoluto em todos os sentidos, o criador de tudo o que existe; e o imortal, tudo além dele é
mortal. Somente esse Deus é merecedor de adoração. Deus de Abraão (a.s.), Deus de Moisés
(a.s.), Deus de Jesus (a.s.), Deus de Muhamad (s.a.w.s.), Deus de todos os mensageiros. Crer
nesse Deus, que em árabe é Allah. Um judeu ou cristão ou muçulmano árabes, todos vão falar
para você que o nosso deus é Allah. Segundo pilar: crer nos anjos, que são criaturas que Deus
criou da luz. Como nos criou do barro, criou os gênios da labareda do fogo. Terceiro pilar: crer
nas mensagens sagradas reveladas por Deus. Nós, muçulmanos, cremos em cinco mensagens
que Deus mandou para toda a humanidade. E qualquer muçulmano que deixa de crer numa
delas deixa de ser muçulmano. Essas cinco mensagens são: 1. as Escrituras reveladas ao profeta
Abraão (a.s.) e Moisés (a.s.); 2. o Velho Testamento, que é a Torá revelada ao profeta Moisés
(a.s.) – segundo livro; 3. os Salmos revelados ao profeta Davi (a.s.) – é o terceiro livro; 4. o
Novo Testamento, que é o Evangelho revelado ao profeta Jesus (a.s.); 5. o Alcorão revelado ao
profeta Muhamad (s.a.w.s.). E, desses livros, seguimos sempre o último, embora crendo no
anterior. Se estivéssemos no tempo de Jesus (a.s.), deveríamos crer nas mensagens anteriores a
ele, seguindo as suas mensagens. Se estivéssemos no tempo de Moisés (a.s.), seguiríamos a sua
mensagem, mas crendo nas mensagens anteriores. Veio o profeta Muhamad (s.a.w.s.), que é o
último mensageiro, seguimos a última mensagem, crendo nos princípios ou nas mensagens
anteriores a ele. Agora, para ficar claro: as Escrituras, a Torá, os Salmos, o Evangelho, o
Alcorão, escritos em português, inglês, espanhol etc., nenhum deles é a palavra de Deus. A
palavra de Deus é aquela que desceu na sua originalidade: o Alcorão em árabe, assim como
todos os outros em suas línguas originais.

Marina Amaral - Muhamad não é o messias como é Jesus para a religião católica, aquele
que é o filho de Deus?

Sheik Ali Abdune - Aí já entramos no quarto pilar, que é a crença nos mensageiros que Deus
mandou para a humanidade no decorrer do tempo. O primeiro foi o profeta Adão (a.s.), que é o
pai da humanidade, e o último foi o profeta Muhamad (s.a.w.s.), que selou as mensagens de
Deus. Após o profeta Muhamad (s.a.w.s.) não virão mais mensageiros. No decorrer desse
tempo, entre Adão (a.s.) e Muhamad (s.a.w.s.), Deus mandou para a humanidade 124.000
profetas e mensageiros, dentre eles os profetas Noé, Abraão, Isaac, Ismael, José, Salomão, Davi,
Moisés, Jesus, (a.s.), até o último, Muhamad (s.a.w.s.). Cada um teve a sua mensagem, teve seus
milagres, e os milagres não significam que esses profetas deveriam ser filhos ou sócios de Deus.
E aí entramos na sua pergunta. Jesus (a.s.), para nós, foi um grande profeta, e da Virgem Maria
(a.s.), o profeta Muhamad (s.a.w.s.) disse: “Dentre os homens, se completaram muitos – e houve
muitos profetas – e, dentre as mulheres, as mais completas são cinco; a primeira delas é a
Virgem Maria”. Um dos grandes capítulos do Alcorão se chama Capítulo de Maria, é ali que
você vai ver sobre a Virgem Maria (a.s.), sobre os seus paisquestões que você não encontra na
Bíblia, nem no Velho, nem no Novo Testamento. Sobre o nascimento de Jesus (a.s.), sobre a sua
profecia, sobre a mensagem que veio ao profeta Jesus (a.s.), de ele nascer de mãe sem pai, de
falar quando recém-nascido, de ressuscitar os mortos, curar o leproso, curar o cego, tudo poder
de Deus. São milagres que Deus deu a Jesus para mostrar ao seu povo que ele (a.s.) era um
profeta. O único ponto de divergência entre nós e os cristãos em relação a Jesus (a.s.) é que ele
não foi o filho de Deus; para nós, foi um grande profeta e não foi crucificado.

José Arbex Jr. - Eu queria voltar a uma declaração sua que me surpreendeu. O senhor
disse que não existe nenhum governo islâmico hoje. Quero saber se isso é porque nenhum
governo corresponde a cem por cento daquilo que diz o Alcorão ou se é porque, para
existir um governo realmente islâmico, primeiro tem que ter a Umma. Enquanto não
existir a Umma, não haverá governo islâmico, é isso?

Sheik Ali Abdune - Bom, a gente vai sair um pouco, depois voltamos na questão dos
princípios. Governo islâmico que governa cem por cento pelas leis do Alcorão não temos hoje.
Temos países que governam com algumas leis islâmicas, uns até com a maioria, como a Arábia
Saudita, mas você pode perceber que muitas questões eles não levam em relação à religião
islâmica. A Umma existe! A Umma forma a nação islâmica! A nação islâmica existe!!! Um dos
milagres do profeta Muhamad (s.a.w.s.) foi mostrar que este tempo que estamos passando
agora, esse Hadith vai tirar toda a dúvida do pessoal em relação ao governo islâmico: ele disse
que durante quarenta anos teríamos um governo islâmico cem por cento, e tivemos os quatro
primeiros califas, que governaram nesse período. Ele disse também que depois desses quatro
califas, depois desses quarenta anos, teríamos um governo islâmico baseado no poder de pai
para filho, que o pai entrega para o filho. Tivemos isso no governo dos omíadas, dos abássidas,
até o último governo, que seria o otomano. O profeta (s.a.w.s.) disse que isso se prolongaria por
um tempo grande e depois teríamos governos ditadores. Surgiriam por um período curto, e
depois teremos novamente um governo islâmico que governará naquilo que o Alcorão prega.

José Arbex Jr. - O Taleban, por exemplo, não é islâmico?

Sheik Ali Abdune - Hoje, você não pode falar para ninguém que não é islâmico. Se eles falam
que são muçulmanos, quem somos nós para falar que o Taleban é islâmico ou não, ou os
libaneses são ou não, os árabes são ou não? Toda pessoa que se diz muçulmana, para nós, é
muçulmana.

José Arbex Jr. - Agora o senhor está usando um truque de linguagem. O senhor disse que
nenhum governo é completamente islâmico.

Sheik Ali Abdune - Mas o Taleban governa um país e, se falamos do governo islâmico real que
queremos, esse será o que governa todos os países muçulmanos, não um país independente.

José Arbex Jr. - Por isso perguntei se tem que haver um único governo muçulmano.

Sheik Ali Abdune - Isso, um só que abranja toda a Umma. A Umma existe, só que há essas
divisões desses países.

Carlos Azevedo - O que é a Umma?

Sheik Ali Abdune - A Umma é a nação, a palavra Umma significa “nação islâmica”.

Carlos Azevedo - Que envolve o Estado e a religião, não há separação?

Sheik Ali Abdune - Para nós, na religião muçulmana não há separação entre o Estado e a
religião.

Parte 2

Marina Amaral - O senhor vem falando da literalidade ou não do Alcorão. Isso me parece
particularmente importante na questão das mulheres. Há lugares na Arábia Saudita onde
elas são terrivelmente oprimidas – não podem dirigir, não podem sair sem a permissão do
pai ou do marido. Mas as próprias feministas muçulmanas usam o Alcorão como arma. O
que elas dizem é que os que estão oprimindo a mulher não respeitam o Alcorão. Porque –
embora esteja estabelecida a diferença natural do sexo mais ou menos como os orientais
todos – há uma igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres muito bem
estabelecida no Alcorão.

Sheik Ali Abdune - Em relação às mulheres, a religião muçulmana foi a primeira que deu a
elas todos os direitos, que os preservou dentro do Alcorão estabelecido por Deus, e homem
nenhum – machista, não machista – poderá tirar essas leis. Elas são claras e um dos grandes
capítulos do Alcorão é chamado Capítulo das Mulheres, onde esses direitos foram preservados
há catorze séculos. Naquele tempo, como vivia a mulher na religião judaica, na cristã, entre os
romanos, os persas? Até hoje a mulher está pagando para conquistar alguns dos direitos que a
mulher muçulmana tem há catorze séculos. Vamos citar exemplos: desde esse tempo, a mulher
muçulmana tem o direito de voto completo. A mulher ocidental, aqui no Brasil, só teve esse
direito na década de 30, conseguiu meio voto. Na década de 70 é que conseguiu o voto
completo, depois de sair reivindicando os seus direitos. A mulher muçulmana há catorze séculos
tem o direito de herança, quando mãe, quando irmã, quando filha, quando esposa. Enquanto até
hoje, aqui no Brasil, a mãe, se o filho morrer, não tem direito à herança do filho. Em relação ao
direito de escolher o parceiro: ela tem o mesmo direito do homem. Ninguém pode obrigá-la a
escolher o parceiro. É diferente do que se vê na novela.

Marina Amaral - O senhor é consultor da atual novela da Globo, não é?

Sheik Ali Abdune - Em algumas partes, só que o texto, muitas vezes, foge um pouquinho dessa
questão religiosa. A questão cultural, no Egito, no Marrocos, está sendo mais usada do que a
religiosa.

Marina Amaral - Seria o papel da mulher nessas culturas.

Sheik Ali Abdune - Em algumas tribos, que podem ter ali muçulmanos, cristãos, judeus e
outras religiões.

Georges Bourdoukan - É importante que as pessoas saibam que tribos não são só de
muçulmanos. Tem tribos cristãs, judaicas, e as muçulmanas.

Marina Amaral - E mesmo a castração feminina, do clitóris, não é muçulmana, é inclusive


de tribos cristãs na Etiópia, na Eritréia.

Sheik Ali Abdune - Exatamente. É pré-islâmica essa tradição, o Islam veio para proibir essa
tradição, mas isso tem sido jogado em cima do Islã.

Marina Amaral - o Alcorão se diz que o marido deve dar prazer à mulher e a mulher ao
marido, não é?

Sheik Ali Abdune - Todo direito que o homem tem, na religião muçulmana, a mulher também
tem. Ele e ela têm o direito de escolher o parceiro. E ela tem muito mais do que isso: ela tem
todo o direito de se divorciar, se achar que não convive bem com o marido. Essas pessoas que
falam “ah, é muçulmana, só casa com casamento arranjado, é o pai que obriga”, ora, se eles
obrigam de um lado, elas têm o direito de se divorciar por outro lado, e casar com quem
quiserem.

Parte 3

Marina Amaral - Acho que falta abordar um preconceito muito importante. É a idéia de
que, para os islâmicos, morrer matando e se matando é ótimo: “Ah, você vai ser um
mártir e vai ter setenta e tantas virgens”. Essa idéia eu gostaria que o senhor explicasse
como funciona na realidade.

Sheik Ali Abdune - Tudo bem. Só deixa eu terminar a questão da mulher e vou entrar nessa
questão da guerra também. O Islam restringe algumas questões pelo benefício da mulher. A
vestimenta, seja num calor de 40 graus ou de 50, isso é uma opção dela. Elas usam por
convicção mesmo. E por que essa vestimenta? Em respeito. O Islam acha que a mulher é um ser
que deve ser respeitado, não pode ser assediado nem pelos olhos, nem pelas palavras, nem pelos
movimentos. Temos um grande respeito pela mulher e esse respeito é que leva o Islam a
preservar a mulher dessa maneira. Dentro da sua casa, ela tem toda a liberdade com seus íntimos
de se pintar, de andar decotada, de short, de camiseta, sem roupas, o que ela quiser. Já fora, eu,
particularmente, não queria que a minha mãe ou a minha filha ou a minha irmã saíssem e que as
pessoas as ficassem assediando, nem com os olhos e nem com as palavras. Eu exijo esse
respeito, e elas certamente vão compreender. Não posso obrigá-las. A religião muçulmana é
toda por convicção e no Alcorão Sagrado não há imposição quanto à religião. Porque, se
houvesse imposição, os muçulmanos teriam imposto a religião a todos os cristãos que viviam no
Império Islâmico. À Europa toda teria sido imposta a religião muçulmana. Dentro do
casamento, um muçulmano casado com uma judia ou com uma cristã, o Islam não exige que ela
se converta. Exige é respeito a ela. Se ela quiser ter um crucifixo, uma estrela de Davi, se vai ler
a Torá ou o Evangelho, o homem muçulmano tem como obrigação respeitar as idéias dela e
tudo o que ela pratica. Ela tem a opção de trabalhar, só que em lugares onde não se exponha ou
que possam prejudicá-la. Por exemplo, ser estivadora no porto de Santos. Isso o Islam não
permite, porque, mesmo que ela aceite, isso está indo contra a natureza dela. Agora, se quiser
trabalhar como médica, professora, jornalista e outras funções que estão ao seu alcance, o Islam
incentiva. Ela é obrigada a estudar, não a trabalhar. Dentro do lar, ela não é obrigada a cozinhar
para o marido, a lavar, a passar roupa. Os direitos dela estão no Alcorão e na doutrina do profeta
Muhamad (s.a.w.s.). Se ela for para qualquer sheik e falar “olha, meu marido me obriga a fazer
isso e eu quero os meus direitos completos aqui na minha frente”, ele os coloca e ela tem todo o
direito. E o homem tem a obrigação de cumpri-los ou trazer alguém que os cumpra. Agora, se
ela faz isso por espontânea vontade, por amor ao marido, isso o Islam não impede.

Michel Gordon - ão existem tendências, não existe um Islam moderado, liberal,


conservador?
Sheik Ali Abdune - Todo muçulmano – como já falamos e vamos repetir – deve seguir as
mesmas linhas. Se falarmos radical ou fundamentalista, as pessoas entendem que são palavras
erradas. Pelo contrário, se você é jornalista e é radical e fundamentalista no seu trabalho, você é
bem-vindo, está fazendo um trabalho bom. Se ele é professor e é radical e fundamentalista na
profissão dele, devemos dar os parabéns. Agora, fanatismo, isso é que não pode existir. Mas o
radicalismo, o fundamentalismo é você ir a fundo naquilo em que você crê.

Carlos Azevedo - É verdade que os muçulmanos são fatalistas? Um amigo meu esteve no
Afeganistão na década de 80 e conta que havia vários bombardeios e as pessoas ficavam
sentadas tomando chá, a bomba caía a 20 metros de distância e ninguém se mexia, ele
dava o maior pulo, porque o chão tremia, e eles diziam: “ ão tenho medo porque não é
comigo, a minha hora já está marcada”. Como é essa a questão?

Sheik Ali Abdune - Tínhamos começado com os princípios islâmicos e ia entrar essa questão,
só que fomos saindo e entrando, não é? Porque os princípios islâmicos são crer em Deus, nos
anjos, nos mensageiros, nos livros sagrados, no dia do juízo final e no destino, o sexto pilar. A
questão do destino: tudo é predestinado por Deus, só que o destino se divide em duas partes.
Tem uma que você não tem como interferir nela – quando nascer, quando morrer, tudo isso está
na mão de Deus. E na outra você pode interferir, mesmo sendo prescrito por Deus – é a questão
das suas atitudes. Você sabe o caminho do bem e o caminho do mal, é obrigado a seguir o
caminho do bem, só que pode tomar, por opção, o caminho do mal. É você escolher o seu
destino, só que no final você sabe que será julgado conforme as suas atitudes. O que não quer
dizer que vá me jogar de um prédio e falar que é o meu destino.
Mamede Mustafá Jarouche - O suicídio é proibido.

Sheik Ali Abdune - É totalmente proibido.

Parte 4

Carlos Azevedo - Você pode dizer então que o ataque às torres foi legítima defesa?
Sheik Ali Abdune - Não, não, vamos chegar nas torres. Estou começando a partir do Brasil. A
primeira coisa que aprendi quando pequeno na escola foi o Hino Nacional. O que falamos no
Hino Nacional? Você vai falar que o Brasil ensina o terrorismo: “Ou viver a pátria livre ou
morrer pelo Brasil”.

Carlos Azevedo - Esse é o Hino da Independência.

Sheik Ali Abdune - Hino da independência. Isso. E também “Independência ou morte”.

Mamede Mustafá Jarouche - E a questão das torres?

Sheik Ali Abdune - Condenamos esse ato contra as torres porque é um ato criminoso contra a
humanidade, foram mais de 5.000 inocentes (sic), dentre eles mais de quinhentos muçulmanos
que estavam dentro delas. Dentro daquele prédio tinha uma mesquita que era freqüentada, nas
sextas-feiras, por mais de 1.500 fiéis muçulmanos, que foi também pelos ares.

Marina Amaral - Havia uma mesquita lá dentro?

Sheik Ali Abdune - Dentro do World Trade Center. O que não podemos é suspeitar, a suspeita
no Islam é proibida. Suspeitar que foi você sem provas concretas é um pecado, agora, supor e
jogar as suspeitas nos líderes... naquele dia se ausentaram 4.500 judeus do trabalho, eu não sei,
há uma suspeita.

Marina Amaral - A Al Jazira é que falou isso. Alguns jornais deram a notícia logo em
seguida, mas depois ela desapareceu do noticiário, sem confirmação.

Sheik Ali Abdune - Não, não é a Al Jazira. São suspeitas. Só que essas suspeitas não
poderemos julgá-las antes de termos provas concretas. Naquela torre todos são suspeitos, os
judeus, os cristãos, os muçulmanos, os ateus, os budistas, o Exército Vermelho japonês, cinco
vezes eles ligaram para os Estados Unidos dizendo que foram eles os autores, só que ninguém
levou em consideração. Cinco vezes dizendo: “Somos os autores, somos os autores”. Por que
eles não levaram em consideração, sendo que tem uma grande ligação? A bomba de Hiroshima
foi jogada lá.

Carlos Azevedo - Seria a resposta.

Sheik Ali Abdune - Não poderia ser? Só que nós, muçulmanos, não poderemos julgar, nem
esses, nem aqueles, até serem mostradas as provas concretas. Antes disso, nada justifica eu
julgar o Bin Laden, o Taleban, ou os brasileiros, ou os chineses, ou os árabes, ou os judeus.
Coloque provas concretas, que estaremos juntos combatendo esses autores, porque o Islam é
contra esse tipo de agressão.

Marina Amaral - Os atentados de setembro não são os únicos atentados suicidas de que se
tem notícia, já há os de autoria conhecida, dos homens-bomba do Hizbollah, a história é
um pouco mais complicada.

Sheik Ali Abdune - Vamos lá. Fora dos países muçulmanos, os muçulmanos foram acusados
pelo atentado em Oklahoma. E foram muito perseguidos, mas depois se viu que os autores
verdadeiros eram americanos. Só que aí foi escondida a questão: “Não, deixa de lado”.

E TREVISTADORES:

Marina Amaral, Mamede Mustafá Jarouche, Michel Gordon, José Arbex Jr., Georges
Bourdoukan, Carlos Azevedo.

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