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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA

CENTRO DE HUMANIDADES – CH
LICENCIATURA PLENA EM HISTÓRIA
COMPONENTE CURRICULAR: PSCOLOGIA E DESENVOLVIMENTO DA
APRENDIZAGEM
DOCENTE: ANA RAQUEL
DISCENTES: MARIA CECÍLIA BRITO MARQUES E MARIA EDUARDA DE
OLIVEIRA FÉLIX

1. INTRODUÇÃO
Antes do século XIX não existia um conceito formado sobre o que seria a
adolescência, que só surgiu a partir do século XX, caracterizando-os como pequenos
adultos que já estavam prontos para iniciar a vida no trabalho (meninos) e a vida no
casamento (meninas). Contudo, a partir de meados do século XX, novas característica
para esse conceito foram sendo atribuídas, tornando-se comum que as pessoas entre a
infância e a vida adulta serem taxadas como indisciplinados, questionadores e passando
por crises de identidade. Dessa forma, a adolescência representa atualmente a fase onde
o indivíduo busca constante aceitação da sociedade, ao passo em que luta pela
constituição da sua própria noção de sujeito.

2. DESENVOLVIMENTO
No filme Preciosa: uma história de esperança a personagem principal,
Clarisse Preciosa, enfrenta uma fase de turbulência no que deveria ser uma fase de
descobertas em sua vida. A busca por autoaceitação, assim como aceitação por parte de
sua família e colegas fez com que ela questionasse seu próprio conceito de beleza e
inteligência. Assim, diferentemente da maioria dos jovens da sua idade, Preciosa não
cresceu em um ambiente saudável, enfrentando problema como abuso infantil por parte
do seu pai, violência física e psicológica por parte de sua mãe e desprezo por parte de
seus colegas de escola, levando a um quadro de traumas consecutivos e gerando uma
adolescente agressiva e sempre na defensiva.

Mesmo que Clarisse não se sentisse acolhida em sua escola, esta sentia uma
grande necessidade de ir além (embora não soubesse bem o porquê), assim a partir da
mediação da diretora Lichtenstein de sua antiga escola ela é encaminha para uma escola
alternativa chamada Cada Um Ensina Um, onde encontra um refúgio para os problemas
que enfrentava. A partir do que foi estudado na aula sobre Síndrome da Adolescência
Normal foi possível perceber que Preciosa, apesar de ter pensamentos e curiosidades
comuns de sua idade, não possuía o meio adequado para desenvolvê-las. Assim como
traz o texto, Preciosa enfrenta uma crise de identidade, seja em questão da sua aparência
física, seja com relação ao seu pertencimento étnico-racial. Já com relação ao que seria
a tendência grupal, Preciosa transfere toda sua dependência para suas novas colegas,
fazendo delas sua âncora. No que trata a necessidade de fantasiar e sonhar, Clarisse
usava esse artifício como um mecanismo de defesa para fugir da realidade triste que
vivia.

Assim, no que concerne a deslocalização temporal é perceptível um


processo inverso, onde Clarisse se vê obrigada a demonstrar uma maturidade e
responsabilidade que não condiziam com a sua idade (cuidar da casa, dos filhos, da mãe
etc.). Consequentemente, a partir do abuso sexual sofrido, é notório um processo de
sexualização precoce tanto por parte dos seus pais (ao enxergá-la como consciente de
seus desejos sexuais), quanto por parte de si mesma ao buscar um namorado que
suprisse sua necessidade afetiva emocional e sexual. Além disso, percebe-se
contradições sucessivas em suas manifestações de conduta, visto que em certos
momentos ela busca se mostrar durona, forte, independente, agressiva, e em outros ela
se permite demonstrar fraqueza, dependência e carência afetiva. Já nos momentos finais
do filme, à medida que Clarisse toma consciência de si e passa a formular sua
identidade, ela consegue passar pelo processo de separação progressiva de seus pais,
enxergando este como uma abusadora psicológica que deposita em uma criança a culpa
por todos os desastres da sua vida, e como um estuprador que abusa da própria filha
desde antes mesmo que esta seja capaz de falar.

3. CONCLUSÃO
O filme rompe com o imaginário de uma “adolescência normal”, tida pela
classe média alta, branca e privilegiada como um momento de simples transição da
infância para a vida adulta. Dessa forma ele nos mostra a complexidade desse processo,
o qual vai estar condicionado pelo ambiente social, familiar e físico, podendo estes
fatores tornar esse processo mais leve e fácil de lidar, ou mais turbulento e desafiador.

4. REFERÊNCIAS
ABERASTURY, A.; KNOBEL. M. Síndrome da Adolescência normal. In:
ABERASTURY, A.; KNOBEL. M. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.p.29-59.
“Preciosa” (Precious, EUA, 2010, 110m, dir. Lee Daniels)