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Capítulo I: Fundações superficiais - recalques

Texto extraído do seguinte livro:


1. Introdução
Um caso muito conhecido de recalque em construções é do da Torre de Pisa,
localizada na cidade de Pisa, Itália.

Com 58 m de altura. Em 1990 o recalque diferencial atingiu o valor de 4,50 m, o que


causou sua interdição e a reparação foi concluída em 2001.

Na cidade do México, alguns edifícios atingiram cerca de 2,0 m de recalque, como


pro exemplo, o Palácio de Belas Artes.

No Brasil, são celebres as dezenas de edifícios inclinados na orla de Santos,


alguns apresentam desaprumo com tendência de se estabilizar com o tempo, mas
alguns exigem providências para não tombar completamente.

Estes são casos incomuns. A quase totalidade dos edifícios sofre recalques de
poucas dezenas de milímetros, normalmente imperceptíveis a olho nu, o que
transmite a falsa impressão que não existem recalques. A verdade é que todos os
edifícios recalcam e que a hipótese de apoio fixo em pilares, geralmente adotada no
cálculo estrutural, é mera ficção.
Por isso, deve-se fazer parte da rotina
de cálculo de projetos de fundação a
estimativa dos recalques, e a adequação do
projeto de fundações para que os recalques
sejam inferiores aos valores admissíveis.

Defini-se recalque de uma sapata como


um deslocamento vertical para baixo, da
base da sapata em relação a uma referência
fixa e indeslocável.

Os recalques ocorrem por diminuição


de volume e ou mudança de forma do
maciço de solo compreendido entre a base
da sapata e o material indeslocável.
Além do recalque total ou absoluto de cada sapata, tem-se o recalque diferencial
ou relativo entre duas ou mais sapatas.

Se o maciço de solo for homogêneo e todas as sapatas de mesmas dimensões e


com as mesmas cargas, os recalques podem ser uniformes, porém em função da
variabilidade dos solos e das cargas os recalques são normalmente diferentes.

Recalques absolutos elevados, mas de mesma grandeza para todas as partes da


fundação podem geralmente ser tolerados, porém os recalques diferenciais devem ser
analisados e evitados.

Os recalques diferenciais normalmente são maiores quando os recalques


absolutos são maiores. Por isso, a magnitude do recalque absoluto pode ser aceita
como medida indireta para o recalque diferencial.
O recalque absoluto que dá origem ao recalque diferencial e aos movimentos do
edifício, e pode ser decomposto em duas parcelas:

O recalque por adensamento se processa com a dissipação das pressões neutras,


lentamente no decorrer do tempo devido a baixa permeabilidade das argilas, que
dificulta a expulsão da água intersticial. Pode-se dispor da fórmula de Terzaghi para o
cálculo do recalque final de adensamento, bem como para o cálculo do recalque por
adensamento parcial, para um determinado tempo.

Não vamos revisar o cálculo do recalque por adensamento, mas ele não pode ser
ignorado no caso de fundações diretas apoiadas em argilas saturadas, a não ser que
as sapatas e tubulões estejam apoiados em argilas sobreadensadas, sujeitas a
tensões inferiores as tensões de pré-adensamento.
As fundações diretas podem também sofrer recalques provenientes de
deformações a volume constante (sem redução do índice de vazios), este processo
ocorre em curto intervalo de tempo, quase que simultaneamente á aplicação do
carregamento, por isso é denominado recalque imediato.

O recalque imediato ocorre devido a deformação do solo sem que ocorra redução
de volume, por isso alguns autores preferem a designação de recalque de distorção.

Pode ser calculado pela Teoria da Elasticidade Linear. Entretanto os solos não são
materiais elásticos, em conseqüência os recalques imediatos geralmente não são
recuperáveis com o descarregamento, podendo ser reversíveis apenas parcialmente.

Por este motivo denominar recalque imediato de recalque elástico é inadequado.

Adotar a Teoria da Elasticidade Linear para a estimativa de recalques imediatos se


justifica até níveis de tensão suficientemente distantes da ruptura e também é
importante substituir o Módulo de Elasticidade pelo Módulo de deformabilidade.
É importante entender que um material pode apresentar comportamento elástico-
linear, elástico-não linear e linear não elástico, conforma mostrado na figura a seguir.

No comportamento linear, o módulo de deformabilidade (Es) é definido pelo


coeficiente angular da reta que representa o carregamento enquanto no
comportamento não linear podem ser considerados os módulos tangente e secante à
curva.
Definido o Módulo de Deformabilidade, é necessário avaliar sua variação com
a profundidade.

Se Es for constante com a profundidade, o meio é chamado de elástico


homogêneo (MEH), como por exemplo ocorre nos casos de argilas
sobreadensadas.

Se Es variar com a profundidade, o meio é chamado de elástico não


homogêneo, como ocorre com as areias, consideradas um meio linearmente não
homogêneo, com a variação do Módulo com a profundidade (z) representada pela
seguinte função:
2. Recalques imediatos em MEH - Meio Elástico Homogêneo

2.1. Camada semi-infinita

Para uma placa circular rígida, com diâmetro B, apoiada na superfície de um


MEH, como uma camada semi-infinita de argila sobreadensada, com uma tensão
média na superfície de contato - σ, o recalque imediato pode ser estimado pela

seguinte função (Teoria da Elasticidade - Boussinesq):


O coeficiente de Poisson varia de 0,50 (material incompressível com distorção na
forma sem variação de volume e sem redução do índice de vazios) até 0 (material
compressível com redução de volume e redução do índice de vazios). Observando a
Tabela 3.1 pode-se constatar que o recalque imediato do centro de uma placa
quadrada flexível é o dobro do recalque que ocorre nos cantos. Para placas rígidas
ocorre o inverso, conforme esquematizado na figura a seguir.
2.2. Camada finita

Para casos onde a camada de solo de MEH de espessura finita sobrejacente a um


material muito rígido ou quase indeformável, o topo desta camada pode ser
considerado indeslocável.

Para uma sapata retangular (largura B e comprimento L) ou circular (diâmetro


B) assentada a uma profundidade h da superfície do maciço de solo, e que a
camada deste solo apresente ES constante (com a profundidade) e uma espessura
H, contada da base da sapata ao topo indeslocável, a previsão de recalque pode
ser realizada com auxílio da figura a seguir.
2.3. Bulbos de recalques
2.4. Multicamadas

Para o caso de maciço de solo sobreposto ao indeslocável constituído por mais de


uma camada, e cada camada com seu módulo de deformabilidade, conforme
apresentado na figura a seguir.
A seguir são apresentadas formas de solução do problema

a) Camada hipotética
Determina-se o recalque para cada uma das camadas (ρ1 e ρ2), para depois obter o

recalque total da sapata:

No cálculo de ρ1, faze-se a aplicação direta do caso de camada finita, com o artifício

de subir o indeslocável para o topo da segunda camada.


Para a obtenção de ρ2, calcula-se primeiro o recalque de uma camada hipotética

com espessura total das duas camadas e com módulo de deformação da segunda
camada (ES2), para depois subtrair o que foi considerado a mais, ou seja, o recalque
da primeira camada suposta com módulo ES2. De maneira análoga pode-se
considerar a presença de uma terceira camada e até mais. Para o caso de
multicamadas, o cálculo pode ser interrompido até que se encontre uma camada
com contribuição de recalque desprezível do recalque total, desde que sob esta
camada não exista uma camada de solo compressível.
b) Sapata fictícia
Neste processo, considera-se uma sapata fictícia apoiada no topo da segunda
camada com dimensões ampliadas através da projeção 1:2 (H:V), conforme ilustra
a figura a seguir.

Este procedimento conduz a resultados bem próximos aos da solução anterior. Por
analogia pode-se considerar a presença de mais camadas. Pela sua simplicidade este
método é de fácil resolução e de boa aceitação
c) Média dos módulos
Uma solução direta será considerar a média ponderada dos módulos de
deformabilidade dos solos das camadas segundo a seguinte equação.

Esta solução conduz a resultados com erros consideráveis, portanto deve ser
descartada.
3. Recalques imediatos em areia
3.1. Método de Schmertmann

Por meio de análise teóricas, estudos de modelos e simulação pelo método


dos elementos finitos, Schmertman pesquisou a variação da deformação
vertical ao longo da profundidade em solos arenosos, sob sapatas rígidas
quadradas e corridas, sendo o resultados apresentados nos diagramas da
figura a seguir
3.2. Bulbo de recalques
4. Tolerância de recalques

4.1. Distorção angular


4.2. Recalques totais limites
4.3. Recalque admissível
5. Parâmetros de compressibilidade

5.1. Módulo de deformabilidade


5.2. Coeficiente de Poisson
Exemplo: Recalques imediatos em MEH - Meio Elástico Homogêneo -
Camada semi-infinita

Estimar o recalque imediato da sapata indicada na figura a seguir considerada


rígida, com B=L=3,00m, aplicando ao solo a tensão de 0,20 MPa (σ)
Exercício 1 (para casa)
Estimar o recalque imediato da sapata indicada na figura a seguir considerada
rígida, com B=L=3,00m, aplicando ao solo a tensão de 0,20 MPa (σ), com a
sapata apoiada à cota -1,50m e com o indeslocável (topo rochoso) à cota -7,50m
Exemplo: Recalques imediatos em MEH - Meio Elástico Homogêneo -
Camada semi-infinita – duas camadas

Estimar o recalque imediato da sapata indicada na figura a seguir considerada


rígida, com B=L=3,00m, aplicando ao solo a tensão de 0,20 MPa (σ), mas com
uma segunda camada antes de atingir o indeslocável.
Exemplo: Recalques imediatos em areias - sapata
Exemplo: Recalques imediatos em areias – tubulão

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