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Dinâmica de um sistema de partículas

Sumário:

Cap. 6: Dinâmica de um sistema de partículas.


Centro de massa.
Momento linear.
Momento angular.
Energia.
Colisões elásticas: energética e cinemática.
Colisões inelásticas.

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Cap. 6 – sistema de partículas
Dinâmica de um sistema de partículas
Mecânica do ponto material – consideramos que os corpos se podem
aproximar a uma partícula.

Nos próximos dois capítulos vamos alargar os conceitos de modo a


incluir:
• Sistemas de muitas partículas: as n partículas podem ser por
exemplo bolas de bilhar, as moléculas de um gás,...
• Sólidos, que designamos por corpo rígido, em que temos de
considerar a sua orientação no espaço, isto é, além do
movimento de translação temos movimento de rotação.
Exemplos: o arremesso de um tijolo, uma bola a rolar num
plano inclinado,...

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Cap. 6 – sistema de partículas
Dinâmica de um sistema de partículas

terceira lei de Newton:


para uma par de partículas as forças
exercidas uma na outra são iguais em
intensidade e opostas em direção.

! !
fab = - f ba

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Cap. 6 – sistema de partículas
Centro de massa
massa total
n
M = å mi
i =1

centro de massa
! ! 1 n
!
rCM = R =
M
å mi ri
i =1

ri vetor de n partículas
O centro de massa é único, posição de cada uma com
cada partícula massa mi
mas o vetor de posição R
depende do sistema de
coordenadas
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Cap. 6 – sistema de partículas
Centro de massa

distribuição contínua de massa

! ! 1 !
rCM = R =
M ò r dm

Problemas:
1) calcule o centro de massa de um cubo de lado a,
considerando um sistema de eixos com origem num dos
vértices do cubo.
2) calcule o centro de massa de uma semiesfera de raio a
R=(0,0,3a/8)

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Cap. 6 – sistema de partículas
Momento linear de um sistema

A força que atua numa partícula do


sistema é em geral composta por uma ! ! ext !
força externa Fext e a força resultante Fi = Fi + å f ij
das interações com as restantes n-1 j ¹i

partículas

Pela segunda lei de Newton


d2 ! ! ext !
2
(mi ri ) = Fi + å f ij
dt j ¹i
Somando esta expressão para todas as partículas
d2 ! ! ext !
dt 2
å mi ri = å Fi + åå f ij
i i i j ¹i

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Cap. 6 – sistema de partículas
Momento linear de um sistema
Aceleração do centro de massa soma das forças externas
d2 " !"! ! ext ! ext
2 å
mi ri = MR F = å Fi
dt i i

O segundo termo do lado direito é nulo. Por exemplo, para 3 partículas


! ! ! !
åå ( ) ( )
f ij = å f1 j + å f 2 j + å f 3 j ( )
i j j ¹1 j ¹2 j ¹3
! ! ! ! ! !
= f12 + f13 + f 21 + f 23 + f 31 + f 32
=0

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Cap. 6 – sistema de partículas
Momento linear de um sistema
Conclusão:

"!" ! ext
O centro de massa do sistema
move-se como se fosse uma
partícula de massa M, sob a ação
MR = F
da força externa total.

O momento linear do sistema " " "! "!


é a soma dos momentos P = å pi = å mi ri = MR
i i
individuais de cada partícula

!" "!" ! ext


P = MR = F
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Cap. 6 – sistema de partículas
Momento linear de um sistema

O momento linear do sistema é igual ao de uma partícula de


massa M na posição do centro de massa, e movendo-se da
maneira como este se move.

Se não estiverem forças externas aplicadas no sistema o


momento total é constante. A derivada em ordem ao tempo do
momento total é nula, pelo que o momento total se conserva.

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Cap. 6 – sistema de partículas
Momento angular total

vetor posição da momento angular


partícula i: da partícula i:
! ! !' ! ! !
ri = R + ri Li = ri ´ pi

momento angular total:


" " " " " "' "! " '
( )
L = å Li = å ri ´ pi = å m i R + ri ´ R + r!i ( )
= å m [(R ´ R )+ (r ´ r ) + (R ´ r ) + (r ´ R )]
i i i
" "! " "! " " " "!
'! ' ' '
i i i i i
i

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Cap. 6 – sistema de partículas
Momento angular total

Os dois últimos termos são nulos

" ' "! é " " ù "! é " ù "!


( ) "
åi mi ri ´ R = êëåi mi ri - R úû ´ R = êëåi mi ri - åi mi Rúû ´ R
"
[ " "!
= MR - MR ´ R = 0 ]
Pelo que o momento angular total é dado por
! ! !" ! ' !" ' ! !" !' !" '
L = å m i R ´ R + å m i ri ´ ri = R ´ MR + å ri ´ m i ri
i i i
! ! !' ! '
= R ´ P + å ri ´ pi
i

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Cap. 6 – sistema de partículas
Momento angular total
O momento angular total é a
momento angular total soma do momento angular do
! ! ! !' ! ' centro de massa em relação à
L = R ´ P + å ri ´ pi origem, mais a soma dos
i momentos angulares em relação
à posição do centro de massa.

derivada em ordem ao tempo


do momento angular total:
!" ! ! ! æ ! ext ! ö
Li = ri ´ pi = ri ´ çç Fi + å f ij ÷÷
"
è j ¹i ø
!" !" ! ! ext ! !
L = å Li = å ri ´Fi + åå ri ´ f ij
i i i j ¹i
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Cap. 6 – sistema de partículas
Momento angular total

Problema: mostrar que o ultimo termo é


nulo. Sugestão: Considere pares da forma
de
! ! ! !
ri ´ f ij + r j ´ f ji

e mostre que eles são nulos

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Cap. 6 – sistema de partículas
Momento angular total
derivada em ordem ao tempo do
momento angular total:
!" ! ! ext
L = å ri ´Fi
i

soma dos torques


externos aplicados no
sistema

Se o momento das forças


externas for nulo o momento
angular total conserva-se.

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Cap. 6 – sistema de partículas
Energia cinética

A energia cinética total T = å Ti = å 12 mi v i2


do sistema é a soma da i i
energia cinética de
cada partícula = 12 MV 2 + å 12 mi v '2i
i

A energia cinética total é


A energia mecânica total é
igual à energia cinética do
constante se as forças
centro de massa mais a
externas e internas a atuar
soma das energias cinéticas
no sistema forem
das partículas referidas à
conservativas.
posição do CM

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Cap. 6 – sistema de partículas
Energia

No caso de sistemas conservativos: E=T+U=const.

Problema: Um projétil de massa M explode em voo em três


fragmentos. Um de massa m1=M/2 continua a mover-se na
direção original do projétil, o segundo de massa m2=M/6
move-se na direção contrária, e o terceiro m3=M/3 fica em
repouso. A energia libertada na explosão é cinco vezes a
energia cinética do projétil no momento da explosão. Calcule
as velocidades de cada fragmento.

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Cap. 6 – sistema de partículas
Colisões

Colisões entre duas partículas

aplicação da conservação de
energia e momento.

As colisões podem ser


elásticas (Q=0) ou T1i + T2i + Q = T1 f + T2f
inelásticas (Q<>0)

colisões elásticas:
T1i + T2i = T1 f + T2f
conservação da energia !i !i ! f ! f
cinética e do momento p1 + p2 = p1 + p2

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Cap. 6 – sistema de partículas
Colisões

colisões inelásticas: T1i + T2i + Q = T1 f + T2f


há energia dissipada ou !i !i ! f ! f
p1 + p2 = p1 + p2
libertada na colisão.

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Cap. 6 – sistema de partículas
exercício (sistema de massa variável)

Qual a aceleração inicial de um


foguete cuja massa inicial é de
3x106 Kg e a massa final é 10% da
inicial, após ter expelido gases de
combustão à taxa de 1,5x104Kg/s à
velocidade de 2600m/s ?
Qual a velocidade do foguete após
expulsão dos gases?
exercício (sistema de massa variável)

instante t: Momento linear do


sistema

v ( M + dm)v
M + dm

instante t+dt : Momento linear do


sistema
relativamente
ao foguete dm V+dv M (v + dv) + dm(v - ve )
ve M
exercício (sistema de massa variável)

Pela conservação do momento linear:

(M + dm)v = M (v + dv) + dm(v - ve )

Mdv = dm × ve
dm
dv = ve > 0
M
exercício (sistema de massa variável)

Mas dm = - dM,

dv dM
Mdv = -ve dM M = -ve
dt dt

Força de reacção:
força que os gases expelidos exercem sobre o foguete

dv dM
F =M = ve
dt dt
exercício (sistema de massa variável)

Substituíndo os valores:

Força de reacção:

dM
FR = ve = 2600 ´1,5 ´10 4 = 3,9 ´10 7 N
dt

Aceleração inicial:
FR-P = ma
==> a = FR-g = 13-9,8 = 3,2 m s-2
exercício (sistema de massa variável)

determinação da velocidade do foguete:

M f
vf 1
ò vi
dv = -ve ò
Mi
M
dM

Mi
v f - vi = ve ln
Mf

Mi e Mf :
massa inicial e final do foguete
mais combustível
exercício (sistema de massa variável)

Substituíndo os valores:

Mi
v f = vi + ve ln
Mf

v f = 2600 ´ ln10

v f = 5990m / s

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