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GESTÃO DA INFORMAÇÃO NO AGRONEGÓCIO:

UMA VISÃO ESTRATÉGICA

Paulo Roberto de Castro Villela


Agrosoft - Softex / Universidade Federal de Juiz de Fora
Caixa Postal 20.037, Juiz de Fora – MG, 36016-970.
Telefone: (32) 3229-3427
paulo.villela@agrosoft.com.br

RESUMO
Este trabalho apresenta a visão estratégica desenvolvida pelo Núcleo Softex de Juiz de Fora,
Lavras e Viçosa, voltada para o agronegócio, especialmente nos aspectos que motivaram a
organização do Curso de Gestão da Informação no Agronegócio e, a partir daí, na proposta de um
ambiente aberto de ensino à distância.

Palavras-chave : agronegócio; ensino à distância; desenvolvimento de software; software aberto

INFORMATION MANAGEMENT IN AGRIBUSINESS: A STRATEGIC VISION


ABSTRACT
This paper shows the strategic vision of Agrosoft (Núcleo Softex de Juiz de Fora, Lavras e
Viçosa) in proposing and developing a course about information management in agribusiness sector,
and a open software for e-learning.

Key Words : agribusiness; E-learning; software development; open software.

INTRODUÇÃO
Desde 1993 quando foi criado, o Núcleo Softex de Juiz de Fora, o Agrosoft, definiu sua
opção estratégica focada no fomento ao desenvolvimento do setor de informática aplicado à
agropecuária e ao agronegócio. A definição deste foco não inibiu que o Núcleo fomentasse também
empresas com produtos para outras áreas, como por exemplo, para a área de saúde e que tem no
Prodoctor e no Detalpro, hoje dois sucessos incontestáveis de vendas nascidos no Softex.

A definição deste foco vem permitindo que as empresas associadas usufruam desta estratégia
de modo compartilhado. O setor de software agropecuário, em que pese a pujança do agribusiness
brasileiro, ainda é relativamente pobre na uso da informática, quando comparado com outros
setores da nossa economia. Contribui para isso a benevolência de recursos naturais (clima, água e
terra) e a uma bem conduzida política de pesquisa conduzida pela Embrapa e pelas universidades
brasileiras, o que tem permitido proezas em termos de aumento da produtividade e incorporação de
novas áreas ao nosso estoque de terras agricultáveis, cujo o maior exemplo de sucesso se encontra
na produção agrícola dos cerrados brasileiros.

Entretanto, não é difícil perceber que apesar de todos estes recursos a disposição do setor
agropecuário brasileiro, há e haverá cada vez mais, uma saturação no uso dos mesmos, agravado
por nossa eterna carência de recursos financeiros (crédito a juros baixos e subsídios diretos e
indiretos), fartos nos EUA e Europa. As mudanças climáticas já são objeto de preocupações em
escala mundial; a terra é um recurso finito e há pressões internacionais muito fortes para que se
conserve a floresta amazônica ao máximo; a disponibilidade de água já dá sinais claríssimos de
esgotamento em algumas regiões brasileiras; e aliado a tudo isto, a população brasileira é cada vez
mais urbana e a sua taxa de crescimento anual global é cada vez menor.

CURSO DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO NO AGRONEGÓCIO


Novas tecnolo gias, principalmente a informática e a biotecnologia, deverão exercer um papel
fundamental na reciclagem e na otimização no uso dos fatores produtivos usados pelo setor
agropecuário. Há contudo uma certa cautela do agricultor e do pecuarista na adoção e uso destas,
principalmente no que diz respeito à biotecnologia. São amplamente conhecidos os temores que os
alimentos transgênicos estão despertando no mundo todo, especialmente no Japão e na Europa, esta
importadora, em larga escala, de produtos agropecuários do Brasil (mais da metade das
exportações brasileiras de soja, por exemplo, vão para a Europa). O que os consumidores destas
ricas regiões pensam sobre os alimentos transgênicos, influi decisivamente na decisão dos nossos
agricultores e pecuaristas.

A informática, apesar de ser uma tecnologia cujo uso não desperta os temores que as bio
manipulações despertam, seu uso requer uma adaptação cultural muito maior, tanto por parte de
quem usa quanto por parte de quem a produz. Basicamente ainda não está muito claro para os
agricultores e pecuaristas qual o ganho que o uso da informática pode trazer às atividades
agropecuárias. Contribui para isto, a abundância de fatores produtivos. Por exemplo, se a água
ainda é farta, porque se preocupar em racionalizar seu uso. A superação deste obstáculo passa
fundamentalmente por uma ação educativa que está em curso mas que precisa ser repensada.
Contribui para isto a formação universitária recebida pelos profissionais de ciências agrárias, quase
que exclusivamente voltada para melhorar a reprodução e o crescimento das espécies vegetais e
animais.

Pouquíssima ênfase é dada nestes cursos, aos aspectos ligados à administração do


agronegócio que cada agricultor e pecuarista enfrenta no seu dia a dia. A informática, ferramenta
básica para uma boa administração, praticamente não é ensinada nos cursos de graduação das
nossas universidades. Vale dizer que no meio rural, na grande maioria das vezes, quando muito, se
dispõe de apenas um desses profissionais de ciências agrárias. Assim é de fundamental importância
que este técnico tenha uma formação bastante eclética.

Percebendo estas deficiências estruturais na formação básica do profissional de ciências


agrárias, o Agrosoft tem investido na educação, a nível de pós-graduação, lançand o em 2000 o
Curso Especialização em Gestão da Informação no Agronegócio, que conta com o apoio de três
universidades federais (UFJF, UFLA, e UFV) e da Embrapa Gado de Leite, visando exatamente
cobrir esta lacuna no nosso ensino universitário básico. O curso se encontra na sua segunda turma e
a partir de 2002 se transformará no MBA Agrosoft a ser ministrado quase que exclusivamente pela
Internet, tendo como base uma ferramenta desenvolvida pela própria equipe do Núcleo e que está
sendo repassada às empresas associadas.
PLATAFORMA ABERTA DE ENSINO A DISTÂNCIA
Na verdade, o Curso de Gestão da Informação no Agronegócio tem servido a dois
propósitos, o primeiro objetiva melhorar a formação do profissional graduado de ciências agrárias; e
o segundo induz e cria uma grande oportunidade para que empresas desenvolvam tecnologias de
comunicação em grupo via Internet, da qual se utiliza o ensino a distância, a comunicação
corporativa e outras aplicações.

Este segmento, o da comunicação em grupo via Internet, ainda está num estágio primário de
desenvolvimento, não tanto por causa das questões tecnológicas mas muito mais por que não
aprendemos ainda a viver no novíssimo mundo da interatividade propiciada pela Internet. Tentando
explicar melhor, um evento (reunião, aula, etc.) virtual ainda é comparada ao evento presencial
congênere. Nossa postura no evento virtual ainda é como se estivéssemos no evento presencial.
Nossa mente fica constantemente "traduzindo" os nossos sentimentos e ações de um mundo para o
outro. Na verdade, chegará o dia em que o mundo virtual irá se incorporar ao nosso mundo sem
necessidade de "traduções" em tempo real. É mais ou menos o que acontece quando aprendemos
uma nova língua ao residir num outro país, no início ficamos traduzindo as palavras e frases, depois
de um certo tempo, nosso pensamento se dá na língua estrangeira, sem tradução.

Do ponto de vista tecnológico, ainda não se definiu um padrão para as ferramentas de


comunicação em grupo via Internet. Existem centenas (talvez bem mais) de softwares a disposição
do mercado sem que nenhum, por enquanto, ainda tenha se firmado como líder. Talvez por que a
aplicação seja muitíssimo nova para todos nós, usuários. Este tipo de software não é como um
editor de texto pois neste todo mundo sabe exatamente o que se quer dele (há milhares de anos as
pessoas vêm aperfeiçoando a forma de editar e publicar textos escritos). Esta indefinição abre um
amplo espaço para empresas e países nascentes na indústria de software, como o Brasil. O
momento é muito oportuno para a definição de uma plataforma de comunicação em grupo via
Internet, ou de uma de suas aplicações específicas. É provável que nos próximos 5 a 10 anos se
consolide uma plataforma para esta esta área. Neste sentido nossa estratégia no Agrosoft é propor,
articular e desenvolver uma plataforma aberta, isto é, de amplo conhecimento e domínio público, de
ensino a distância, tendo como referencial os modelos de desenvolvimento de outros softwares
abertos, entre os quais se destaca o sistema operacional Linux. Acreditamos que a iniciativa da
Plataforma Agrosoft (www.agrosoft.com.br/plataforma) será uma boa estratégia para quem é
emergente pois permite a uma rápida agregação de valor ao produto, a ser desenvolvido por uma
comunidade adepta do software aberto; garante estabilidade e segurança para quem usa pois a
trajetória tecnológica do produto será sempre conhecida e portanto sem surpresas ou riscos; e abre
amplo espaço profissional para os desenvolvedores e empresas de software atuarem na consultoria,
ensino e "customização" de aplicações específicas.

CONCLUSÃO
Ao adotar uma política de fortalecimento tanto na direção da educação do profissional de
ciências agrárias quanto no desenvolvimento de uma plataforma aberta de ensino a distância, o
Agrosoft concentra seus esforços materiais e humanos em busca de uma estratégia que dê
visibilidade e resultados nestas áreas de seu foco, procurando beneficiar tanto o setor do
agronegócio quanto o setor de software.
REFERÊNCIAS
VILLELA, PAULO R. C. & Carvalho, Carlos A. (2001) UM AMBIENTE ABERTO DE
ENSINO A DISTÂNCIA PELA INTERNET. III Congresso da SBI-Agro, Foz do Iguaçu
(PR).
AGROSOFT - SOFTEX (2001). CURSO ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DA
INFORMAÇÃO NO AGRONEGÓCIO (www.agrosoft.com.br/posgrad).