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MATERIAIS DE PROTEÇÃO DO COMPLEXO

DENTINO-PULPAR

DOCENTE:
Prof. Ms. Thiago Machado
OBJETIVOS

 Identificar os diferentes tipos de materiais protetores

 Definir a seleção, uso específico e limitação de cada material


Aspectos histológicos do complexo dentina-polpa

POLPA DENTAL

Polpa Células Subst. fibrilar Subst. fundamental


Jovem muita pouca muita
Adulta diminui aumenta equilíbrio
Senil pouca muita pouca

TARCISIO A. PAES JUNIOR


Esmalte/Dentina

 O conjunto esmalte/dentina é a estrutura responsável pela


proteção biológica da polpa.

 Ao mesmo tempo estes tecidos se protegem mutuamente.


Esmalte/Dentina

 O esmalte é um tecido duro (98% mineral), resistente ao desgaste,


impermeável e bom isolante elétrico.

 O esmalte protege a dentina que é permeável, pouco


resistente ao desgaste e boa condutora de eletricidade.

 A dentina, graças à sua resiliência, protege o esmalte que pela sua dureza e
alto grau de mineralização, é extremamente friável.
Estrutura da Dentina

 A dentina apresenta um aspecto tubular.

 Sua quantidade e diâmetro médios variam de acordo com a


proximidade com o tecido pulpar.

Mandarino F. Departamento de Odontologia Restauradora. Ribeirão Preto: Departamento de Odontologia Restauradora da FOUSP; [atualizada em 2003 Jul 11; acesso em 2010
Apr 26]. Adesivos Odontológicos; [aprox 30 p]. Disponível em: http://www.forp.usp.br/restauradora/dentistica/temas/adesivos/adesivos.htm.

Terra, G.
Próximo à junção amelodentinária

10.000 túbulos mm2

• O diâmetro próximo à junção amelodentinária gira em torno de


0,87 micrômetros.

Dentina superficial

Mandarino F. Departamento de Odontologia Restauradora. Ribeirão Preto: Departamento de Odontologia Restauradora da FOUSP; [atualizada em 2003 Jul
11; acesso em 2010 Apr 26]. Adesivos Odontológicos; [aprox 30 p]. Disponível em:
http://www.forp.usp.br/restauradora/dentistica/temas/adesivos/adesivos.htm.

Terra, G.
Próximo à polpa

50.000 túbulos mm2

• O diâmetro próximo à polpa gira em torno de 2,5


micrômetros.

Dentina profunda

Mandarino F. Departamento de Odontologia Restauradora. Ribeirão Preto: Departamento de Odontologia Restauradora da FOUSP; [atualizada em 2003 Jul 11; acesso em 2010 Apr 26]. Adesivos Odontológicos; [aprox 30 p].
Disponível em: http://www.forp.usp.br/restauradora/dentistica/temas/adesivos/adesivos.htm.

Terra, G.
Permeabilidade Dentinária

Dentina superficial

Menor Permeabilidade

Maior Permeabilidade

Dentina profunda
Tecido pulpar

 A polpa dentária é um tecido conjuntivo altamente diferenciado,


ricamente inervado, vascularizado e, conseqüentemente,
responsável pela vitalidade do dente.

 As características da polpa dentária são produzir dentina e alertar,


por meio da dor, qualquer injúria ao elemento dentário.
Tecido pulpar

 A polpa proporciona nutrição à dentina através dos prolongamentos


odontoblásticos.

 Quando a polpa é sujeita a injuria ou irritações mecânicas,


térmicas, químicas ou bacterianas, desencadeia uma reação
efetiva de defesa.

 Essa reação defensiva é caracterizada pela formação de dentina


reparadora (injúria menor), ou por uma reação inflamatória (injúria
maior).
Tecido pulpar

 Sempre que um dente tenha necessidade de ser restaurado é


necessário que a vitalidade pulpar seja preservada por meio de
adequada proteção.

 As proteções do complexo dentino/pulpar consistem da aplicação de


agentes protetores.
DENTINA

TIPOS DE DENTINA
- Primária - formada antes da erupção dental.
- Secundária - por estímulos externos (alimentação, mudanças de temperatura,
ação da bochecha e língua).
- Terciária - reacional, formada a partir de agentes externos (cárie, restaurações,
traumas)
TARCISIO A. PAES JUNIOR
DENTINA

Teoria Hidrodinâmica - movimentação do fluido dentinário pressiona


as terminações nervosas causando a sensação dolorosa.
FATORES QUE CAUSAM AGRESSÃO AO TECIDO PULPAR:
- CAPACIDADE REATIVA DO ORGANISMO
- FATORES QUÍMICOS
- FATORES FÍSICOS

TARCISIO A. PAES JUNIOR


Proteção ao Complexo Dentina-Polpa

RELATIVO AOS PROCEDIMENTOS CLÍNICOS

ANESTESIA
PREPARO CAVITÁRIO (calor gerado ao dente
pelo atrito)
- Qualidade das brocas
- Refrigeração das Turbinas
- Vibração
- Cuidados relativos ao desgaste dental

TARCISIO A. PAES JUNIOR


Qualidade das brocas

Brocas desgastas
após o uso

Superfície de brocas confeccionadas


por dois sistemas distintos

TARCISIO A. PAES JUNIOR


Refrigeração das Turbinas

TARCISIO A. PAES JUNIOR


Proteção do complexo dentino-pulpar

 Idade do paciente, condição pulpar e profundidade da cavidade são


aspectos que devem ser considerados ao realizar a proteção.

 Existem duas técnicas distintas que podem ser utilizadas na proteção


do complexo dentino/pulpar: proteções indiretas e proteções diretas.
Proteção do complexo dentino-pulpar

 Proteção indireta:

 Aplicação de agentes seladores, forradores e/ou bases protetoras nas


paredes cavitárias.

 manter a vitalidade pulpar;


 inibir o processo carioso;
 reduzir a microinfiltração;
 estimular a formação de dentina reparadora.
Proteção do complexo dentino-pulpar

 Proteção direta:

 Aplicação de um agente protetor diretamente sobre o tecido pulpar exposto.

 Manter a vitalidade pulpar;


 Promover o restabelecimento da polpa;
 Estimular a formação de dentina reparadora.
Agentes Protetores

 Um material protetor será considerado ideal se tiver as seguintes


características:

 Ser um bom isolante térmico e elétrico;


 Ser bactericida e bacteriostático;
 Ter adesão à estrutura dentária;
 Estimular a formação de dentina reparadora;
 Produzir analgesia e ser biocompatível;
Agentes Protetores Utilizados

 Vernizes Cavitários;

 Hidróxido de Cálcio;

 Cimentos Dentários;

 Adesivos Dentinários.
Vernizes Cavitários

 São compostos à base de resina dissolvida em clorofórmio, éter


ou acetona.

 O solvente evapora-se rapidamente, deixando uma película


forradora que veda com eficiência a superfície dentinária.

 Verniz Caulk (Dentsply).


Hidróxido de Cálcio

 Bastante difundidos e muito utilizados.

 Comprovada propriedade de estimular a formação de dentina


reparadora.

 Possui Ph alcalino, é biocompatível, bacteriostático.


Hidróxido de Cálcio

 Pode ser utilizado nas seguintes formas de apresentação:

 Solução de Hidróxido de Cálcio;

 Hidróxido de cálcio pró-análise (P.A.);

 Cimentos de Hidróxido de Cálcio.


Solução de Hidróxido de Cálcio

 Solução de hidróxido de cálcio P. A. em água destilada, numa


concentração de aproximadamente 0,2%.

 Conhecido também como água de hidróxido de cálcio.

 Atua como hemostático nos casos de exposição pulpar.


Hidróxido de cálcio pró-análise (P.A.)

 Hidróxido de cálcio em pó.

 Utilizado em cavidades muito profundas ou quando


ocorre exposição pulpar acidental.
Cimentos de Hidróxido de Cálcio

 Apresentam relativa dureza e resistência mecânica.

 A pasta base é constituída por dióxido de titânio (56,7%) em glicol


salicilato, com um pigmento (pH 8,6).

 A pasta catalisadora é composta de hidróxido de cálcio (53,5%),


óxido de zinco (9,7%) em etiltolueno sulfonamida, cujo pH é 11,3.
Cimentos de Hidróxido de Cálcio

 Apresenta-se sob a forma de duas pastas, uma base e outra


catalisadora.

 Não têm adesividade junto à estrutura dentária.

 Deve ser protegido antes da aplicação do sistema adesivo.


Cimentos de Hidróxido de Cálcio Fotopolimerizáveis

 Muito questionado em Proteção pulpar.

 Contém matriz resinosa em sua composição.

 Pode provocar danos pulpares devido ao monômero residual não polimerizados da


matriz resinosa.
Cimentos Dentários

 Os cimentos dentários possuem as mais diferentes composições e


comportamentos físicos e biológicos.

 Os mais utilizados em forramentos e proteção são: fosfato de zinco,


óxido de zinco e eugenol (OZE), Ionômero de vidro (CIV).
Fosfato de zinco

 Não apresenta adesão à estrutura dentária.

 Altamente solúvel.

 Pode promover irritação pulpar devido ao seu pH ácido.

 Bom isolante eletro-térmico.


Óxido de zinco e eugenol (OZE)

 Apresenta efeito terapêutico sobre a polpa.

 Baixa resistência mecânica.

 Péssima adesividade à estrutura dental.

 Inibe a polimerização das resinas compostas e adesivos


dentinários.
Material restaurador intermediário (IRM)

 Apresenta efeito terapêutico sobre a polpa pela presença do


eugenol em sua composição.

 Resistência mecânica melhorada em relação ao OZE.

 Péssima adesividade à estrutura dental.

 Inibe a polimerização das resinas compostas e adesivos


dentinários.
Ionômero de vidro (CIV)

 Adesividade às estruturas dentárias por quelação.

 Promove a remineralização pela liberação de flúor.

 Coeficiente de expansão térmica-linear próximo ao da dentina.

 Biocompatível.

 Excelente resistência como protetor e/ou forrador.


Adesivos Dentinários

 Utilizados, em proteção pulpar, como selante cavitário.

 Excelente adesão à estrutura dental.

 Seu monômero residual é irritante à polpa.

 Deve ser utilizado após a aplicação de um ácido fosfórico.

 Formação da camada híbrida


Profundidade real da cavidade

 Determinada pela quantidade de tecido


removido.

 Medido da ângulo cavo superficial


ao assoalho da cavidade.
Profundidade biológica da cavidade

 Determinada pela espessura da dentina


remanescente entre o assoalho da cavidade
e a polpa.

 Classificadas em cavidades superficiais,


rasas, médias, profundas e muito
profundas.

 Ela que irá determinar qual o tipo de proteção


que deverá ser utilizado.
Profundidade biológica da cavidade
Profundidade biológica da cavidade
Cavidades superficiais

 Cavidades em esmalte ou ultrapassando ligeiramente


a junção amelodentinária.

 Não se aplica nenhum tipo de Proteção pulpar, apenas o


material restaurador.
 Sistema adesivo para retenção do material restaurador
 Cavidades superficiais podem ser seladas com selante de
fóssulas e fissuras (não é necessário adesivo)
Cavidades rasas

 Cavidades com mais de 2mm de estrutura remanescente


entre o assoalho e a polpa.

 Não se aplica nenhum tipo de Proteção pulpar, apenas o


material restaurador.
Cavidades médias

 Cavidades com mais de 1mm e menos de 2mm de estrutura


remanescente entre o assoalho e a polpa.

 Restaurações em resina composta:


 Opcional, pode-se fazer capeamento indireto com ionômero de vidro
 Adesivo dentinário.

 Restaurações em amálgama:
 Verniz cavitário.
Cavidades profundas

 Cavidades com mais de 0,5mm e menos de 1mm de estrutura


remanescente entre o assoalho e a polpa.

 Restaurações em resina composta:


 Cimento de hidróxido de cálcio, CIV e adesivo dentinário.

 Restaurações em amálgama:
 IRM e verniz cavitário.
Cavidades muito profundas

 Cavidades com menos de 0,5mm de estrutura remanescente


entre o assoalho e a polpa.

 Restaurações em resina composta:


 Hca (P.A.) , Cimento de Hca, CIV e adesivo dentinário.

 Restaurações em amálgama:
 HCa, IRM e verniz cavitário.
Cimentos de Hidróxido de Cálcio
Proteção Pulpar

 A - DENTINA
REMANESCENTE

 B – CIV

 C – HIDRÓXIDO DE
CÁLCIO
Exposições acidentais

 Capeamento pulpar direto

 Parâmetros para indicação

 Exposição acidental

 Polpa não contaminada

 Sangramento que não seja abundante

 Isolamento absoluto

 Idade do dente pós erupção


Capeamento pulpar direto

 Cavidades muito profundas onde a polpa é exposta no preparo em


algum ponto.

 Restaurações em resina composta:


 Hca P.A, Cimento de Hca, CIV e adesivo dentinário.

 Restaurações em amálgama:
 Hca P.A, IRM e verniz cavitário.
Condicionamento Ácido em Polpa Exposta

 O ácido fosfórico a 37%, pode causar danos às células odontoblásticas.

 Porém esse dano é superado pela capacidade de recuperação de


um tecido pulpar saudável.

 Contudo, muitos dos componentes dos sistemas adesivos são


tóxicos para as células pulpares.

 Possibilidade de dor intensa pós-operatória


 Evita-se dor pós-operatória procedendo capeamento pulpar

Brannstrom M, Nordervall KJ. Bacterial penetration, pulpal reaction and inner surface of concise enamel bond. Composite
fillings in etched and unetched cavities. J Dent Res. 1978;57(1):3-10.
Terra, G.
Tratamento expectante

 Proteção indireta que consiste na aplicação de materiais com propriedades


de estimular a formação de dentina reacional.

 A dentina necrótica e a infectada devem ser removidas, preservando a


dentina afetada.

 Cimento de Hca e CIV.

 Evitar o uso de materiais que contenham eugenol, por seu poder de


irritação à polpa.
Tratamento expectante

 O tratamento restaurador definitivo deverá ser realizado entre


45 e 120 dias após o tratamento expectante.

 Remover o cimento temporário e a dentina que não foi


remineralizada.

 Proceder como uma cavidade muito profunda.


Proteção X Base

 Proteção ou forramento: Obliteração dos túbulos e isolamento


termo-químico-elétrico do complexo dentino-pulpar.
 Finas camadas.

 Base: “Dentina artificial” em cavidades profundas.


 Camadas mais espessas.
Obrigado!