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PGE-SP
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Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada, Futuros Procuradores(as) do Estado de São Paulo.
Como andam os estudos? Espero que muito bem!!!! Os dias vão passando e as atividades do nosso
cronograma aumentando, certo? Não se desesperem. Um recadinho: pendências, nesta reta final, são
normais (ainda bem que existe o domingo para colocar, um pouco, em dia, né?). Mas, lembrem-se: “se
não der para fazer tudo, faça tudo o que puder”. Nesta reta final, precisamos saber o que estudar e
como estudar com FOCO TOTAL E MUITA ESTRATÉGIA. Então, se o tempo está apertado, #SEJOGA no
TOP 8 do Raio X (#CONFIAESÓVAI).

Hoje, teremos a nossa primeira dica de Direito Civil. E já vamos começar com aquele assunto que
você (quase sempre – confessa aí!) deixa para estudar no final e, muitas vezes, sequer consegue chegar
nessa parte da matéria: o Direito Sucessório (temido? Não, jamais, sempre amamos, né?! kkkkkkk).

Qual a notícia que eu quero transmitir para vocês? Definitivamente, não se trata de um assunto que
você pode negligenciar, pois, em TODAS (sim, eu falei todas) as provas anteriores da PGE-SP, caiu uma
questão de sucessão. Isso significa que já temos uma #APOSTACICLOS #VAICAIRREALOFICIAL.

No último edital (2012), o ponto sobre Direito Sucessório englobava os seguintes itens: “Sucessão.
Sucessão legítima. Herança jacente. Herança vacante. Inventário. Partilha de bens”.

Perceba que são pontos gerais, bastando uma noção global da matéria. Nas provas, geralmente
a matéria é cobrada mediante casos práticos (não se preocupem: vamos treinar nos simulados durante
o curso). Dentre eles, o que vamos aprofundar é sucessão legítima, pois, com o conhecimento deste
assunto, você responderá, com mais facilidade, as questões (juro que as questões não são difíceis). Vamos
englobar, nesta dica, conceitos, artigos de lei e julgados recentes do STJ/STF. Tudo isso com a didática que
você já conhece: linguagem fácil e muitas tabelas (#VAITERTABELASIM).

Para quem acha que não sabe nada dessa matéria, eu estou aqui para lembrar:
#VCDÁCONTADORECADO. Simbora, só na coragem, pega o cafezinho (sim, você vai precisar!) e vem
comigo!

1 Por Bruna Daronch.

2 Dica elaborada com base nos seguintes materiais: Manual de Direito Civil do Flávio Tartuce, Anotações de aula, Buscador
de Jurisprudência do Dizer o Direito (#AJUDAMARCINHO) e dispositivos do Código Civil.

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1. REGRAS E CONCEITOS BÁSICOS:

Para começar, vamos organizar nossa mente com regras e conceitos básicos. Vejam a tabela abaixo:

#TABELADESOBREVIVÊNCIA:

Art. 1.784 do CC. Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos
herdeiros legítimos e testamentários (droit de saisine). Herdeiro legítimo é aquele
apontado pela lei; herdeiro testamentário é aquele nomeado por testamento,
legado ou codicilo (art. 1.796 do CC)
Art. 1.787 do CC. A sucessão e a legitimação para suceder serão reguladas pela
REGRAS BÁSICAS
lei do tempo da abertura da sucessão.
DA SUCESSÃO
Art. 1.788 do CC. Se a pessoa falecer sem testamento, a sua herança será
(LEIA E RELEIA NO
transmitida aos herdeiros legítimos. O mesmo vale para os casos de ausência de
VADE)
testamento, de caducidade ou nulidade absoluta do ato de disposição.
Art. 1.789 do CC. Havendo herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e
cônjuge), o testador somente poderá dispor de metade da herança. Trata-se da
famosa proteção da legítima (50% do patrimônio), que é a quota dos herdeiros
necessários.
A herança defere-se de forma unitária, ainda que haja pluralidade de herdeiros.
A herança, antes da partilha, constitui um bem imóvel por determinação legal,
ADMINISTRAÇÃO
indivisível e universal (universalidade jurídica), nos termos do art. 1.791 do CC. A
DA HERANÇA
herança é administrada pelo inventariante, que exerce um mandato legal e, na
sua falta, pelo administrador provisório (art. 1.797 do CC).
A aceitação ou adição da herança é o ato pelo qual o herdeiro manifesta a sua
vontade de receber os bens do falecido, confirmando a transmissão sucessória.
Trata-se de um ato jurídico unilateral, que produz efeitos independentemente da
concordância de terceiros, tendo, portanto, natureza não receptícia.
Três são as formas de aceitação da herança, a saber:
(a) Aceitação EXPRESSA – feita por declaração escrita do herdeiro, por meio de
instrumento público ou particular.
ACEITAÇÃO DA
HERANÇA (b) Aceitação TÁCITA – resultante tão somente de atos próprios da qualidade
de herdeiro. Como exemplo, cite-se a hipótese em que o herdeiro toma posse de
um bem e começa a administrá-lo e a geri-lo como se fosse seu.
(c) Aceitação PRESUMIDA – tratada pelo art. 1.807 do CC, segundo o qual o
interessado em que o herdeiro declare se aceita ou não a herança, poderá, 20
dias após aberta a sucessão, requerer ao juiz prazo razoável, não maior de 30
dias, para nele se pronunciar o herdeiro. Isso, sob pena de haver a herança por
aceita.

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#TOP3 sobre aceitação: (i) NÃO pode ocorrer sob CONDIÇÃO ou TERMO; (ii)
NÃO se admite aceitação PARCIAL; (iii) a aceitação é IRRETRATÁVEL.
É o ato solene pelo qual uma pessoa, chamada à sucessão de outra, declara que
a não aceita. Duas são as modalidades de renúncia à herança:
(a) Renúncia ABDICATIVA – o herdeiro diz simplesmente que não quer a
herança, havendo cessão pura e simples a todos os coerdeiros, o que equivale à
renúncia pura. Em casos tais, não há incidência de Imposto de Transmissão Inter
Vivos contra o renunciante.
(b) Renúncia TRANSLATIVA – quando o herdeiro cede os seus direitos a
favor de determinada pessoa (in favorem). Como há um negócio jurídico de
transmissão, verdadeira doação, incide o Imposto de Transmissão Inter Vivos
contra o renunciante.
#TOP3 sobre renúncia (principais efeitos práticos da renúncia): (i) exclusão do
RENÚNCIA herdeiro renunciante da sucessão (art. 1.804, parágrafo único, CC); (ii) acréscimo
da parte dos renunciantes aos outros herdeiros da mesma classe (art. 1.810, CC)
E se ele é único da classe? Devolve-se a classe subsequente; (iii) não há direito
de representação na renúncia, excluindo o renunciante e toda a sua estirpe (art.
1.811, primeira parte, CC).
#OLHAOGANCHO-ITCMD: Aqui não é Tributário, mas é sempre bom lembrar:
 Renúncia Translativa Gratuita - incide 2x (ITCMD causa mortis por aceitar a
herança/ ITCMD doação por doar a algum beneficiário)
 Renúncia Translativa Onerosa - ITCMD causa mortis por aceitar a herança/
ITBI transmissão onerosa de bens IMÓVEIS
 ITCMD NÃO incide: na Renúncia Abdicativa - em favor do monte.
De acordo com o art. 1.824 que o herdeiro pode, em ação de petição de herança,
demandar o reconhecimento de seu direito sucessório, para obter a restituição
PETIÇÃO DE da herança, ou de parte dela, contra quem, na qualidade de herdeiro, ou mesmo
HERANÇA sem título, a possua.
Súmula 149 do STF. É imprescritível a ação de investigação de paternidade, mas
não o é a de petição de herança

2. TIPOS DE SUCESSÕES:

Galera linda, vamos ter #SURRADETABELA agora. É importante ter uma visão geral dos tipos de
sucessão previstos no nosso ordenamento jurídico.

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Sucessão inter vivos Sucessão causa mortis

A sucessão inter vivos se opera por um acordo de A sucessão causa mortis se dá com a transmissão
vontades ou por disposição da lei, entre pessoas de direitos e obrigações de uma pessoa morta
físicas ou pessoa jurídica. Exemplos: cessão de à outra viva, sendo objeto de estudo do Direito
crédito, cessão de bens, sucessão tributária, etc. Sucessório (#VAICAIR).

Sucessão legítima ou ab intestato


Sucessão testamentária
(#SELIGANOSINÔNIMO)
A sucessão testamentária decorre da disposição
de última vontade (autonomia privada).
Nesse caso, teremos os herdeiros testamentários
A sucessão legítima decorre da lei, estabelecendo-
se de acordo com a ordem de vocação hereditária (também chamados de herdeiros instituídos -
(art. 1.829, CC). #SELIGANOSINÔNIMO), que são indicados
como beneficiários da herança por disposição de
Por isso, diz-se que os herdeiros legítimos são
última vontade.
os eleitos pelo legislador através da ordem de
vocação hereditária. Havendo herdeiros necessários (art. 1.845, CC),
pode-se somente testar metade do patrimônio
(a chamada metade disponível) a fim de que seja
preservada a parte legítima.

#SELIGA: Ocorre a sucessão legítima (ou ab intestato) em caso de inexistência, invalidade


ou caducidade do testamento E em relação aos bens que eventualmente não forem objeto
dele. Nesses casos, ocorre a sucessão por força de lei, transmitindo-se a herança para familiares ou,
na ausência desses, para a Fazenda Pública.

Em última análise, representa a vontade presumida do de cujus e tem caráter supletivo.

Sucessão a título singular Sucessão a título universal

Na sucessão a título universal, o sucessor concorre


Na sucessão a título singular, o sucessor recebe
a uma universalidade de bens (patrimônio do de
um bem certo e determinado.
cujus no todo ou em parte).

#APROFUNDANDO #DEOLHONANOMENCLATURA:

Sucessão ANÔMALA: É aquela não regulada pelas regras normais do direito sucessório, estando

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presentes no direito previdenciário (Lei 8.391/91), que prevê, por exemplo, no art. 74 que a pensão
por morte do segurado pela Previdência Social deverá ser rateada entre seus dependentes cujo rol
é disposto no art. 16 do mesmo diploma legal (bem difere daquele da ordem de vocação hereditária
da lei cível prevista no art. 1.829, CC).É assim também com relação ao fundo de garantia por tempo
de serviço (art. 20, IV, da Lei 8.036/90). A partilha do seguro de vida também se utiliza o conceito de
beneficiário que não é herdeiro, e, sim o indicado como tal em contrato (art. 792, CC).

#NÃOCUSTALEMBRAR:

O sistema brasileiro proíbe a chamada “sucessão contratual”, já que não pode ser objeto de
contrato a herança de pessoa viva (art. 426, CC), também conhecida como PACTA CORVINA.

3. ABERTURA DA SUCESSÃO:

A abertura ocorre com a morte, seja ela real ou presumida do ausente, aplicando-se o denominado
princípio da saisine em que a transmissão é considerada imediata e independe de manifestação
de vontade dos herdeiros, na medida em que a aceitação possui natureza meramente confirmatória.

Art. 1.804. Aceita a herança, torna-se definitiva a sua transmissão ao herdeiro, desde a
abertura da sucessão.

Parágrafo único. A transmissão tem-se por não verificada quando o herdeiro renuncia
à herança.

#OLHAOGANCHO: Lembrando da classificação de bens (art. 79 a 103, CC), vale lembrar que o
ordenamento jurídico classifica como bem IMÓVEL o direito à sucessão aberta (art. 80, inciso
II, CC).

4. TIPOS DE HERDEIROS:

a) Herdeiros legítimos e testamentários:

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Herdeiros legítimos Herdeiros testamentários


São aqueles contemplados no art. 1.829 do CC, São aqueles contemplados no testamento.
quais sejam:
#NÃOCONFUNDIR: Testamentário não se
descendentes, confunde com LEGATÁRIO, pois esse último é
ascendentes, aquele que, necessariamente, recebe um bem
singular.
cônjuge/companheiro,
colaterais até 4º grau.

b) Herdeiros necessários e facultativos:

Herdeiro necessário Herdeiro facultativo

O herdeiro necessário é aquele que, em regra,


não pode ser afastado da sucessão, salvo por
indignidade ou deserção.
O herdeiro facultativo é aquele que pode
#SELIGANASINÔNIMO: São chamados de ser afastado da herança, enquadrando-se os
herdeiros forçados ou reservatários, tendo colaterais até o 4º grau.
direito à sucessão legítima.
#RECORDARÉVIVER: São parentes em linha
#RECORDARÉVIVER: São herdeiros necessários colateral ou transversal, até quarto grau, as
os descendentes, os ascendentes e o cônjuge pessoas provenientes de um só tronco, sem
(art. 1.845, CC). descenderem uma da outra (art. 1592, CC), sendo
O cálculo da legítima segue a regra do artigo eles: irmãos (2º grau); tios e sobrinhos (3º
1.847, CC: sobre o valor dos bens existentes à grau); sobrinhos-netos, tios-avôs e primos
época da abertura da sucessão, abatidas as (4º grau).
despesas de funeral, as dívidas do falecido,
acrescido o valor dos bens trazidos à colação.
Corresponde a 50% da herança do falecido.

#SELIGA: A capacidade sucessória consiste na aptidão para alguém ser qualificado como herdeiro,
devendo ser levado em consideração a lei vigente à época da abertura da sucessão.

Quais são as pessoas compreendidas no art. 1.798? Pessoas vivas, herdeiros testamentários, herdeiros
concebidos, herdeiros não concebidos (desde que observado o prazo do art. 1.800, §4º c/c art.
1.799, inciso I) e o nascituro3.

3 Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão.

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5. APROFUNDAMENTO DA SUCESSÃO LEGÍTIMA:

#FOCONALEI #LEIAERELEIA #VAICAIR #REALOFICIAL

Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:

I - Aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado


este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória
de bens (art. 1.640, parágrafo único4); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor
da herança não houver deixado bens particulares;

II - Aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;

III - ao cônjuge sobrevivente;

IV - aos colaterais.

#REGRASGERAIS #CHECKLIST #TOP8:

1. Nunca se esqueça de retirar a MEAÇÃO do cônjuge, caso ele tenha direito.

2. Os parentes mais próximos excluem os mais remotos, sem prejuízo do direito de representação.

3. #RECORDARÉVIVER: O direito de representação existe na linha reta descendente; na


ascendente, não. E para a aplicação do instituto é necessário que o representando seja pré-morto
em relação ao autor da herança ou, ao menos, que tenham ambos morrido no mesmo instante
(comoriência). Na linha colateral (também chamada de transversal), o direito de representação
defere-se apenas ao filho de irmão. Nos demais casos, não há representação. É importante
notar que, na linha reta, defere-se o direito de herdar por estirpe aos descendentes (expressão
genérica), enquanto na colateral apenas ao filho do irmão (espécie restrita de descendente).

4. Não há diferença entre descendentes (filiação biológica ou adotiva).

5. Se os descendentes são comuns, a quota do cônjuge não pode ser inferior a quarta parte (1/4).
Se os descendentes não são comuns, o cônjuge concorre em igualdade (sem reserva da quarta
parte).

6. Na sucessão de ascendente em concorrência com o cônjuge, independe do regime de bens.

7. Na sucessão do cônjuge, não há direito de representação e só herdará sozinho, se for o único

4 A referência no CC/02 indicou artigo errado: o artigo correto é o 1.641.

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sobrevivente, possuindo, ainda, o direito real de habitação. Os requisitos estão no art. 1.803 do CC:
(i) ser casado; (ii) não estar separado judicialmente; (iii) não estar separado de fato há mais de 02
anos, salvo nos casos de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente 5.

8. Na sucessão dos colaterais, os mais próximos sucedem os mais remotos, só existindo o direito
de representação no 2º grau (classe dos irmãos). #ALERTA: Os irmãos unilaterais fazem jus a
metade da cota dos irmãos germanos ou bilaterais.

Quem nunca se atrapalhou com o inciso I deste artigo que atire a primeira pedra. É confuso mesmo
e cheio de detalhes. Meu objetivo é descomplicar tudo isso. Vamos lá:

Nos termos do dispositivo acima, o cônjuge (e agora o companheiro6) NÃO terão direito de
concorrer com os descendentes, se o regime de bens adotado for:

a) Comunhão universal;

b) Separação obrigatória7;

c) Comunhão parcial, se o autor da herança NÃO deixou bens particulares.

Haverá, por outro lado, SIM, direito de concorrer com o descendente, se o regime de bens
adotados for:

a) Participação final nos aquestos;

b) Separação convencional;

c) Comunhão parcial, se o autor da herança deixou bens particulares.

A proibição da concorrência sucessória em relação à comunhão universal ou da separação


obrigatória de bens é algo bem simples de entender. Ora, na comunhão universal, o viúvo ou a viúva
não concorrerão com os descendentes, pois já irão participar da meação! Isso significa que a metade dos
bens será do viúvo/viúva e agora do companheiro sobrevivente também. Dessa forma, a lei já lhe deu o
amparo necessário, concordam8?

5 Art. 1.830. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, não estavam
separados judicialmente, nem separados de fato há mais de dois anos, salvo prova, neste caso, de que essa convivência se
tornara impossível sem culpa do sobrevivente.

6 Já, já vamos comentar essa decisão do STF. Segura essa ansiedade aí!!!

7 Art. 1.641 do CC/02.

8 Confessa aí, super fácil de entender.

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Por outro lado, em relação à separação obrigatória (art. 1.641 – não custa repetir, hein?), a própria
lei instituiu uma forçada separação patrimonial, quando ainda em vida. Não faria nenhum sentido haver
uma comunhão de bens após a morte. Em suma, o viúvo/viúva ou companheiro9, em caso de separação
obrigatória, não herda e não vai participar da meação.

Ah, só isso, Coach? Sim, só isso! Segue o jogo! No caso de comunhão parcial, temos que fazer uma
análise bem de leve, gente! Está aí, ainda? Vai lá e pega mais um café. Eu espero! Agora, a brincadeira vai
começar.

Ora, se o falecido não deixou bens particulares, o cônjuge ou companheiro(a) sobrevivente vai
participar da meação tal qual fosse casado ou #amigado sob o regime de comunhão universal de bens,
concorda? Se não há bens particulares do falecido, é porque todos os bens do falecido se comunicam
com o sobrevivente.

 Falecido sem bens particulares – Cônjuge sobrevivente (e agora companheiro(a) sobrevivente)


não herda. No entanto, faz jus à meação (você não vai esquecer da meação, né? Promete para
mim! Pega um post it aí e #COLANARETINA).

E no caso do falecido que deixa também bens particulares? Aqui, existe a velha e boa
#POLÊMICA! No entanto, não se preocupem, pois há posicionamento consolidado no STJ sobre o tema.
Aliás, gente, é o entendimento da III Jornada de Direito Civil, em seu enunciado 270: O art. 1.829, inc. I,
só assegura ao cônjuge sobrevivente o direito de concorrência com os descendentes do autor da herança
quando casados no regime da separação convencional de bens ou, se casados nos regimes da comunhão
parcial ou participação final nos aquestos, o falecido possuísse bens particulares, hipóteses em que a
concorrência se restringe a tais bens, devendo os bens comuns (meação) ser partilhados exclusivamente
entre os descendentes.

#DEOLHONAJURIS #AJUDAMARCINHO:

O cônjuge sobrevivente casado sob o regime de comunhão parcial de bens concorrerá com


os descendentes do cônjuge falecido apenas quanto aos bens particulares eventualmente
constantes do acervo hereditário.   Por fim, ressalte-se que essa linha exegética é a mesma
chancelada no Enunciado 270 do Conselho da Justiça Federal, aprovado na III Jornada de Direito
Civil. Precedente citado: Resp. 974.241-DF, Quarta Turma, DJe  5/10/2011. REsp 1.368.123-SP, Rel. Min.
Sidnei Beneti, Rel. para acórdão Min. Raul Araújo, julgado em 22/4/2015, DJe 8/6/2015.

9 #LEMBRAR: a regra da união estável é a comunhão parcial, mas pode haver acordo dispondo de modo diverso.

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Em resumo, o posicionamento consolidado é que o cônjuge ou companheiro(a) sobrevivente irá


participar da meação dos bens comuns e irá herdar, em concorrência com os descendentes, só em
relação aos bens particulares.

Falecido com bens particulares – Cônjuge ou companheiro (a) sobrevivente vai ser meeiro
dos bens comuns e vai herdar (concorrendo com os descendentes) os bens particulares. (vou
repetir até cansar: você não vai esquecer da meação, né? Promete para mim! Pega um post it aí e
#COLANARETINA).

Para finalizar, vamos colocar tudo isso em uma tabela? Sim ou com certeza?

#TABELAAMIGA #PRANÃOESQUECERJAMAIS #REVISÃODEVÉSPERA:

Situações em que o cônjuge/companheiro Situações em que o cônjuge/companheiro não


herda em concorrência com os descendentes herda em concorrência com os descendentes
Regime da comunhão parcial de bens, se não
Regime da comunhão parcial de bens, se havia bens particulares do falecido.
existirem bens particulares do falecido.
Regime da separação legal (obrigatória) de bens
Regime da separação convencional de bens (é (é aquela prevista no art. 1.641 do CC).
aquela que decorre de pacto antenupcial).
Regime da comunhão universal de bens.

6. A FIGURA DO(A) COMPANHEIRO(A):

A pergunta que não quer calar: e a situação do companheiro, Coach? Como fica? Sim, eu sei que você
já sabe: “tem julgado do STF novo, importante e com chances de cair na sua prova”. Exatamente
isso. Vamos analisá-lo?

Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto


aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes:
(Vide Recurso Extraordinário nº 646.721)  (Vide Recurso Extraordinário nº 878.694):

I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei
for atribuída ao filho;

II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que


couber a cada um daqueles;

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III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança;

IV - não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança.

#STFINOVANDO #DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #IMPORTANTE #REPERCUSSÃOGERAL:

No sistema constitucional vigente, é inconstitucional a diferenciação de regimes sucessórios


entre cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido
no artigo 1.829 do Código Civil. STF. Plenário. RE 646721/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Roberto Barroso e RE 878694/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 10/5/2017 (repercussão
geral) (Info 864).

#CEREJADOBOLO #FUNDAMENTAÇÃO: O STF decidiu que o art. 1.790 do mencionado Código é


inconstitucional, porque viola os princípios constitucionais da igualdade, da dignidade da pessoa
humana, da proporcionalidade na modalidade de proibição à proteção deficiente e da vedação
ao retrocesso.

#SELIGA: O julgado teve modulação de efeitos. Assim, ficou destacado que, com a finalidade de
preservar a segurança jurídica, o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 1.790 do Código
Civil deve ser aplicado apenas aos inventários judiciais em que a sentença de partilha não
tenha transitado em julgado e às partilhas extrajudiciais em que ainda não haja escritura
pública. A tese final firmada, para os devidos fins de repercussão geral, foi: “no sistema constitucional
vigente, é inconstitucional a diferenciação de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros,
devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no artigo 1.829 do Código Civil”.

Apesar do alerta anterior feito por parte da doutrina, algumas questões ficaram pendentes no
julgamento do STF:

 A primeira delas diz respeito à inclusão ou não do companheiro como herdeiro


necessário no art. 1.845 do Código Civil10. O julgamento nada expressa a respeito da dúvida. Todavia,
lendo os votos prevalecentes, especialmente o do Relator do primeiro processo, a conclusão parece ser
positiva. Como consequências, alguns efeitos podem ser destacados. Vejamos três deles: a) incidência
das regras previstas entre os arts. 1.846 e 1.849 do CC/2002 para o companheiro, o que gera restrições
na doação e no testamento, uma vez que o convivente deve ter a sua legítima protegida, como herdeiro
reservatário; b) o companheiro passa a ser incluído no art. 1.974 do Código Civil, para os fins de rompimento
de testamento, caso ali também se inclua o cônjuge; c) o convivente tem o dever de colacionar os bens
recebidos em antecipação (arts. 2.002 a 2.012 do CC), sob pena de sonegados (arts. 1.992 a 1.996), caso

10 Art. 1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge.

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isso igualmente seja reconhecido ao cônjuge.

 No que concerne ao direito real de habitação do companheiro, também não


mencionado nos julgamentos, não resta dúvida da sua existência, na linha do que vinham reconhecendo
a doutrina e a jurisprudência superior. Nesse sentido, entre os acórdãos mais recentes: “o Código Civil
de 2002 não revogou as disposições constantes da Lei 9.278/96, subsistindo a norma que confere o
direito real de habitação ao companheiro sobrevivente diante da omissão do Código Civil em disciplinar
tal matéria em relação aos conviventes em união estável, consoante o princípio da especialidade” (STJ,
AgRg no REsp 1.436.350/RS, Rel. ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado
em 12/04/2016, DJe 19/4/2016). Mas qual a extensão desse direito real de habitação ao companheiro?
Terá o direito porque subsiste no sistema o art. 7º, parágrafo único, da Lei 9.278/1996, na linha do último
julgado? Ou lhe será reconhecido esse direito real de forma equiparada ao cônjuge, por força do art. 1.831
do Código Civil? Como é notório, os dois dispositivos têm conteúdos distintos. O Supremo Tribunal Federal
não enunciou expressamente essa questão, apesar de tender à última resposta, cabendo à doutrina e à
própria jurisprudência ainda resolvê-la.

Pronto, meus amigos. Se vocês tivessem essa noção de Direito Sucessório, vocês vão respondem com
tranquilidade as questões, que geralmente são cobradas mediante casos práticos, certo? Vamos finalizar
com aquela jurisprudência recente que você ama (diz que simmmmm!)? Sim ou com certeza? Vem comigo,
só mais um pouco, está acabando!

7. DE OLHO NA JURISPRUDÊNCIA:

No embalo #AJUDAMARCINHO, vamos analisar os julgados mais importantes sobre o assunto


desta dica?

A cláusula de incomunicabilidade imposta a um bem transferido por doação ou testamento só


produz efeitos enquanto viver o beneficiário, sendo que, após a morte deste, o cônjuge sobrevivente
poderá se habilitar como herdeiro do referido bem, observada a ordem de vocação hereditária. A
cláusula de incomunicabilidade imposta a um bem não interfere na vocação hereditária.
Assim, se o indivíduo recebeu por doação ou testamento bem imóvel com a referida cláusula, sua
morte não impede que seu herdeiro receba o mesmo bem. STJ. 4ª Turma. Resp. 1552553-RJ, Rel.
Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 24/11/2015 (Info 576).

Ocorrendo a morte de um dos cônjuges após dois anos da separação de fato do casal, é legalmente
relevante, para fins sucessórios, a discussão da culpa do cônjuge sobrevivente pela ruptura da vida

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em comum, cabendo a ele o ônus de comprovar que a convivência do casal se tornara impossível
sem a sua culpa. Assim, em regra, o cônjuge separado há mais de dois anos não é herdeiro,
salvo se ele (cônjuge sobrevivente) provar que não teve culpa pela separação. STJ. 4ª Turma.
Resp. 1513252-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 3/11/2015 (Info 573).

O filho do morto tem o direito de exigir de seus irmãos a colação dos bens que estes receberam
via doação a título de adiantamento da legítima, ainda que sequer tenha sido concebido ao tempo
da liberalidade. Para efeito de cumprimento do dever de colação, é irrelevante se o herdeiro nasceu
antes ou após a doação, não havendo também diferença entre os descendentes, se são eles irmãos
germanos ou unilaterais ou se supervenientes à eventual separação ou divórcio do doador. Ex:
em 2007, João doou todo o seu patrimônio (casas, apartamentos, carros etc.) para seus três filhos
(Hugo, Tiago e Luis). Em 2010, João teve um novo filho (João Jr.), fruto de um relacionamento com
sua secretária. Em 2012, João faleceu. Foi aberto inventário de João e, João Jr., o caçula temporão,
representado por sua mãe, habilitou-se nos autos e ingressou com incidente de colação, distribuído
por dependência nos autos do inventário, requerendo que todos os bens recebidos em doação
por Hugo, Tiago e Luis fossem colacionados (devolvidos) para serem partilhados. Os donatários
(Hugo, Tiago e Luis) contestaram o pedido afirmando que João Jr. ainda não havia nascido e sequer
tinha sido concebido ao tempo das doações, o que afastaria o seu interesse em formular pedido
de colação. STJ. 3ª Turma. REsp 1298864-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/5/2015
(Info 563).

O cônjuge, qualquer que seja o regime de bens adotado pelo casal, é herdeiro necessário
(art. 1.845 do CC). No regime de separação convencional de bens, o cônjuge sobrevivente
concorre com os descendentes do falecido. A lei afasta a concorrência apenas quanto ao
regime da separação legal de bens previsto no art. 1.641 do CC. STJ. 2ª Seção. REsp 1382170-
SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. para acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em 22/4/2015
(Info 562)

O cônjuge irá herdar se o falecido deixou descendentes? Depende. Para responder a isso deveremos
analisar o regime de bens (art. 1.829, I, do CC). Se o cônjuge era casado sob o regime da comunhão
parcial de bens e o falecido deixou descendentes, o cônjuge terá direito à herança? • Se o falecido
NÃO deixou bens particulares: o cônjuge sobrevivente não terá direito à herança. Vale ressaltar,
no entanto, que ele, como cônjuge, já tem direito à metade desses bens por ser meeiro. Ex: João
morreu e deixou quatro casas de igual valor; João não deixou bens particulares; Maria (esposa de
João) terá direito a duas casas por ser meeira; os filhos de João herdarão as outras duas casas;
Maria não terá direito à herança. • Se o falecido deixou bens particulares: tais bens particulares
serão herdados tanto pelo cônjuge como pelos descendentes (eles dividirão/concorrerão). Ex: João

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morreu e deixou quatro casas de igual valor; duas dessas casas eram bens comuns do casal (casas
“A” e “B”); as duas outras eram bens particulares de João (casas “C” e “D”, que ele possuía em seu
nome mesmo antes de se casar); Maria (esposa de João) terá direito a uma casa (ex: “A”) por ser
meeira (a meeira tem direito a metade dos bens comuns); os filhos de João herdarão sozinhos (sem
a participação de Maria) a casa ”B”; os filhos de João, em concorrência com Maria, herdarão também
as casas “C” e “D” (bens particulares de João). O entendimento do STJ está em harmonia com o
enunciado da Jornada de Direito Civil: Enunciado 270-CJF: O art. 1.829, inciso I, só assegura ao
cônjuge sobrevivente o direito de concorrência com os descendentes do autor da herança quando
casados no regime da separação convencional de bens ou, se casados nos regimes da comunhão
parcial ou participação final nos aquestos, o falecido possuísse bens particulares, hipóteses em
que a concorrência restringe-se a tais bens, devendo os bens comuns (meação) ser partilhados
exclusivamente entre os descendentes. Resumindo: o cônjuge sobrevivente, casado sob o regime
de comunhão parcial de bens, somente concorrerá com os descendentes do cônjuge falecido com
relação aos bens particulares eventualmente constantes do acervo hereditário. STJ. 2ª Seção. REsp
1368123-SP, Rel. Min. Sidnei Beneti, Rel. para acórdão Min. Raul Araújo, julgado em 22/4/2015 (Info
563) #IMPORTANTE #COLANARETINA

É de 4 anos o prazo de decadência para anular partilha de bens em dissolução de união estável,
por vício de consentimento (coação), nos termos do art. 178 do Código Civil. Cuidado: • Prazo para
anulação da partilha do direito sucessório (morte): 1 ano. • Prazo para anulação da partilha
em caso de divórcio ou dissolução de união estável: 4 anos. STJ. 4ª Turma. REsp 1.621.610-SP, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 7/2/2017 (Info 600). #NÃOCONFUNDIR

O pedido de abertura de inventário e o arrolamento de bens, com a regularização processual


por meio de nomeação de advogado, implicam a aceitação tácita da herança. Assim, se depois
de constituir advogado e pedir a abertura de inventário, a pessoa morre, os herdeiros desta não
poderão renunciar à herança porque já houve aceitação tácita. A aceitação da herança (expressa
ou tácita) torna definitiva a qualidade de herdeiro, constituindo ato irrevogável e irretratável.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.622.331-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 8/11/2016 (Info 593)

Parentes colaterais (exs: irmão, tios, sobrinhos) não possuem legitimidade ativa para ajuizar
ação pedindo que se anule a adoção realizada pelo seu parente já falecido, no caso em que o
de cujus deixou cônjuge ou companheira viva. Isso porque tais parentes colaterais não terão direito
à herança mesmo que se exclua o filho adotivo. Não terão direito à herança porque o art. 1.790
do Código Civil, que autoriza os colaterais a herdarem em conjunto com a companheira
sobrevivente, foi declarado inconstitucional pelo STF. Logo, em caso de sucessão causa
mortis do companheiro, deverão ser aplicadas as mesmas regras da sucessão causa mortis do
cônjuge, regras essas que estão previstas no art. 1.829 do CC. Em outras palavras, se o indivíduo

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faleceu deixando uma companheira (união estável), esta herdará exatamente como se fosse esposa
(casamento). Pelas regras do art. 1.829, se o falecido morreu sem deixar descendentes (filhos, netos
etc.) ou ascendentes (pais, avós etc.), a sua companheira terá direito à totalidade da herança, sem
ter que repartir nada com os demais parentes colaterais (como irmãos, tios, sobrinhos etc.). Ex:
João e Maria viviam em união estável. Decidiram adotar uma criança (Lucas). Logo em seguida,
João faleceu. Seus únicos herdeiros eram Maria e Lucas. Pedro, irmão de João, de olho nos bens
deixados pelo falecido, ingressou com ação pedindo a anulação da adoção de Lucas. Como o art.
1.790 do CC não vale mais, para Pedro, nada muda juridicamente se conseguir anular a adoção
feita por seu irmão. Ele não terá nenhum ganho jurídico com essa decisão. Dessa forma, se ele não
possui interesse jurídico no resultado do processo, ele não tem legitimidade para propor esta ação
de anulação. STJ. 4ª Turma. REsp 1.337.420-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/8/2017
(Info 611). #VAICAIR #REALOFICIAL #APOSTACICLOS

Com as informações acima delineadas, vocês estão munidos de muito conteúdo para a prova que se
aproxima. Bons estudos, galera!

“É justo que muito custe aquilo que muito vale”.

Um abraço da Coach e amiga,

Bruna Daronch

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