Você está na página 1de 6

Curso de Farmácia

Química Geral e Inorgânica

CINÉTICA DA REAÇÃO
DA FENOLFTALEÍNA COM OH-

Trabalho Laboratorial da Unidade Curricular de

Química Geral e Inorgânica

1.º ano do curso de Farmácia

Luísa Bia
I. Resumo
Começamos por preparar um banho a 10°C e outro a 40-45°C. 2. Etiquetamos 3 tubos de ensaio com a
identificação do grupo e com, respetivamente, “10”, TA” e “44” e transferimos 5,0 ml de NaOH 0,050 M para
cada um dos três tubos de ensaio. Colocámos um tubo no banho a 10°C, outro no banho a 44ºC e um à
temperatura ambiente e anotámos rigorosamente a temperatura de cada tubo. A cada tubo adicionamos
10,0 µl de solução fenolftaleína 0,5% e agitamos em vórtex.

Mantendo os tubos nos respetivos banhos, retiramos 500 µl para uma cuvette, lemos rapidamente a A550,
anotamos o valor, que corresponderá ao tempo zero, e iniciamos o cronómetro. A cada 3-5 minutos
voltamos a retirar 500 µl para uma cuvette e lemos rapidamente a A550, anotando rigorosamente a leitura e
o tempo em que foi tomada. Repetimos este processo 5 vezes ou até A550 ser inferior a 0,1.

II. Objetivo
Determinação da energia de ativação da reação da fenolftaleína com hidróxido de sódio.

III. Introdução
A fenolftaleína é um indicador de pH com a fórmula C₂₀H₁₄O₄ que se apresenta em solução alcoólica
como um líquido incolor. É frequentemente utilizada como um indicador de pH, pois, em meio ácido e
neutro é incolor, enquanto que em meio básico é a sua dupla desprotonação a Ind2- pelo que se torna
carmim ou fúcsia.

Contudo, a forma Ind2- reage lentamente com o ião hidroxilo para produzir uma nova espécie, cuja
solução é também incolor.

A concentração de fenolftaleína pode ser facilmente determinada ao longo do tempo medindo-se a


absorvência a 550 nm da solução utilizando-se um espetrofotómetro e aplicando-se a Lei de Lambert-Beer.

Assim, o declive do gráfico de lnA550 = t(s) permite encontrar a constante de velocidade específica
aparente, k’, para uma dada temperatura. A determinação das constantes a várias temperaturas permite
então encontrar a energia de ativação da reação através da equação de Arrhenius:

lnk = - (Ea/RT) + lnA

Pois, o declive do gráfico ln k = 1/T representa “-(Ea/R)” na equação de Arrhenius.

Page 2
IV. Materiais e Métodos
Materiais:

3 tubos ensaio 10 ml

20 cuvettes visível

Banho a 44°C

Banho a 10°C  

Vórtex

1 pipeta de 5,0 ml

1 micropipeta de 1000 µl + pontas

1 micropipeta de 20 µl + pontas

2 termómetro

1 cronómetro

1 Pompete

Espetrofotómetro

Reagentes:

NaOH 0,050 M

Fenolftaleína 0,5% em etanol (>95%)

Métodos:

Pipetagem com micropipeta

Medição da absorvência utilizando um espetrofotómetro

Page 3
V. Resultados

Cinética da reação da fenolftaleína

Tabela I – Absorvência ao logo do tempo a diferentes temperaturas


T1 = 10°C T2 =21°C T3 =44°C
t/s A550 t/s A550 t/s A550
0 1,041 0 1,235 0 0,958
200 - 200 1,092 200 0,775
450 0,919 450 0,936 450 0,631
700 0,871 700 0,826 700 0,549

0.3
0.2
f(x) = − 0 x + 0.2
0.1
0 f(x) = − 0 x + 0.04
0 100 200 300 400 500 600 700 800
ln A550/nm

-0.1
f(x) = − 0 x − 0.09
-0.2
-0.3
-0.4
-0.5
-0.6
-0.7
Tempo/s

10ºC 21ºC 44ºC

Gráfico 1 – Variação da absorvência ao longo do tempo a diferentes temperaturas

Determinação da Energia de ativação

Tabela II – Constante de velocidade específica aparente para diferentes temperaturas


T/K k' / s-1
283,15 -8,1117
294,15 -7,4186
317,15 -7,1309

Page 4
Gráfico 2 – Regressão linear correspondente à equação de Arrhenius

Cálculos para a determinação da energia de ativação

VI. Discussão e Conclusões


Page 5
A reação da fenolftaleína quando passa de um meio neutro para um meio básico, é descrita pela
seguinte equação iónica:
2−¿+ H 2 O ¿

H 2 C 20 H 14 O 4 +2(OH )−¿→ C 20 H 14 O4 ¿

2−¿ ¿
A espécie H 2 C 20 H 14 O 4 é incolor, e ao reagir com o ião hidroxilo vai formar a espécie C 20 H 14 O 4 que
é carmim, logo, quando mais escura tiver a solução, maior quantidade de H 2 C 20 H 14 O 4 se transformou em
C 20 H 14 O2−¿ ¿
4 .

Teoricamente quanto mais escura é a solução, maior é a absorvência da mesma e sendo que os
resultados obtidos revelam uma maior absorvência para a temperatura de 21C, significa que esta
temperatura é a mais favorável à reação.

A reação lenta da fenolftaleína na forma Ind2- com o ião hidroxilo é descrita pela seguinte equação
iónica:
−¿→ C 20 H 14 O4 ¿¿

C 20 H 14 O 2−¿+OH
4
¿

2−¿ ¿
A espécie C 20 H 14 O 4 é carmim e à medida de reage com o ião hidroxilo vai formando a espécie
C 20 H 14 O 4 ¿, que é incolor, logo, à medida que a reação ocorre a solução vai-se tornando cada vez mais
clara.
Teoricamente, quanto mais clara é a solução, menor é a absorvência da mesma e sendo que a solução se
vai tornando mais clara ao longo do tempo, significa que a absorvência diminuirá ao longo do tempo. Sendo
assim, os resultados que obtivemos para a absorvência são, nesse aspeto, satisfatórios, pois revelam que a
absorvência diminui ao longo do tempo.
Em relação às retas do gráfico 1, podemos observar que quando maior é a temperatura, maior o
módulo do declive da reta, o que significa que as altas temperaturas favorecem a reação da fenolftaleína na
forma Ind2- com o ião hidroxilo, pois, fazem com que a reação ocorra mais rápido. Sendo assim, conclui-se
que a reação é endotérmica.
Os resultados da tabela II estão de acordo com o pretendido, pois o módulo da constante de velocidade
específica aumenta com o aumento da temperatura, o que era previsível, porque, como verificámos
anteriormente, a reação é endotérmica, logo, é favorecida pelas altas temperaturas, o que significa que a
velocidade da reação é tanto quanto maior for o valor de temperatura.
Conclui-se então que a atividade laboratorial foi realizada com sucesso, pois, todos os valores obtidos
fazem sentido. Sendo assim e tendo em conta que a Energia de Ativação foi calculada corretamente, o seu
valor é realista.

Page 6