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A INTEGRAL DE LEBESGUE:VIA MÉTODO DE RIESZ

Izabella Durante Temporini Furtado (PIBIC/CNPq/FA/Uem), Valéria Neves


Domingos Cavalcanti (Orientador), e-mail: vndcavalcanti@uem.br.

Universidade Estadual de Maringá /Centro de Ciências Exatas /Maringá, PR.

Área e subárea do conhecimento: Ciências Exatas e da


Terra/Matemática

Palavras-chave: funções simples, integral de Lebesgue, teorema da


convergência dominada

Resumo:

Tendo como base as ideias de Riemann, desenvolveu-se, inicialmente, uma


teoria de integração. Esta teoria, entretanto, continha alguns inconvenientes
que a tornavam inadequada ao estudo de vários problemas da Análise
Matemática.
Assim, desejava-se obter um novo conceito de integral, de modo que a nova
classe de funções integráveis contivesse a classe das funções integráveis à
Riemann, isto é, onde os dois conceitos de integrais deveriam coincidir, e na
qual os inconvenientes da integral de Riemann desaparecessem ou, pelo
menos, fossem minimizados.
O passo decisivo no sentido de se obter uma definição de integral que
eliminasse as deficiências existentes na integral de Riemann foi dado por
Henri Lebesgue (1875-1941).

Introdução

O projeto em tela, permitiu o estudo da noção de integral segundo


Lebesgue, porém apresentado por meio de um método simples e didático, o
método de Riesz,de acordo com [3] responsável por introduzir este novo
conceito de integral.
A integral de Lebesgue generaliza a noção de integral previamente
idealizada por Cauchy, Riemann e Darboux , além de ser fundamental para
a definição dos espaços de Sobolev. Com isso, daremos enfoque a definição
da Integral de Lebesgue e o Teorema da Convergência Dominada também
conhecido como Teorema de Lebesgue.

Materiais e Métodos

Foram realizados estudos individuais com apresentações de seminários,


propiciando discussões acerca do conteúdo presente nas obras [1],[2] e [3] .
.
Resultados e Discussão

Apresentaremos um dos resultados principais concernentes a integral de


Lebesgue, o Teorema de Lebesgue ou mais conhecido como Teorema da
Convergência Dominada. Sua aplicação na resolução de problemas da
física-matemática num contexto fraco (não clássico), torna este resultado um
dos centrais da teoria desenvolvida por Lebesgue.
O método que usaremos para definir a integral de Lebesgue é o método de
Riesz. Neste método, apesar de não ser necessária a construção de uma
teoria de medida para os conjuntos, necessitamos, contudo, do conceito de
conjunto de medida nula.

Definição 01: Diz-se que um conjunto E tem medida nula quando para todo
ε > 0 existe uma família enumerável de intervalos abertos
{I k }k∈N satisfazendo às seguintes condições:

(i) E ⊂ U I k , isto é, {I k }k∈N é um recobrimento de E.
k =1

(ii) ∑ amp( I
k =1
k )<ε .

Agora, definiremos o conceito de função escada (ou simples), pois ela é


fundamental, no método escolhido, para o estudo da integral de Lebesgue.

Definição 02: Diz-se que u: (a, b) → R é uma função escada, quando


existe uma decomposição D do intervalo (a, b) tal que u é constante em
cada subintervalo I k = ( x k −1 , x k ) , k = 1, 2, . . . , n, de D. A decomposição D
associada à função escada u, não é univocamente determinada para cada
u.

Lema: Sejam u e v duas funções escada definidas em (a, b). Então existe
uma decomposição de (a, b) associada, simultaneamente, a u e v.

Com auxílio do Lema conseguimos imediatamente ver que a classe das


funções escadas definidas em (a, b) é um espaço vetorial real. Para
representá-lo será usada a notação C 0 (a, b) ou apenas C0

Passaremos a demonstrar duas proposições, as quais sobre elas está


moldada a definição de integral de Lebesgue apresentada por F. Riesz.
Dada a importância de ambas, resolvemos identificá-las como “Primeiro
Lema Fundamental” e “Segundo Lema Fundamental”
Proposição 01(Primeiro Lema Fundamental) : Seja (u k ) uma sequência
decrescente de funções escada não negativas em (a, b). Se lim u k = 0
k →∞
b
quase sempre em (a, b) então lim ∫ u k = 0 .
k →∞
a

Proposição 02 (Segundo Lema Fundamental): Seja (u k ) uma sequência


de funções escadas em (a, b), crescente e tal que a sequência das integrais
( ∫ u k ) tenha um majorante finito, isto é, existe uma constante M tal que

∫u k < M para todo k ∈ N. Então a sequência (u k ) converge para um limite


finito u quase sempre em (a, b).

No espaço vetorial C0 a integral definida é um funcional linear. A próxima


etapa é estender este funcional linear a um espaço vetorial contendo C0 ,
que será o espaço vetorial das funções integráveis à Lebesgue. Antes,
passaremos por uma etapa intermediária, construindo uma classe C1 que
contém C0 mas não é ainda um espaço vetorial.

Definição 03 : Representaremos por C1 ou C1 (a, b) a classe de todas as


funções u: (a, b) → R que são limites quase sempre de sequência de
funções de C0 , satisfazendo as hipóteses do Segundo Lema Fundamental.
Isto significa dizer que uma função u: (a, b) → R pertence a C1 se e somente
se existe uma sequência crescente (u k ) de funções de C0 tal que a
sequência das integrais ( ∫ u k ) tem um majorante e lim u k ( x) = u ( x ) quase
k →∞

sempre em (a, b). Diremos que uma tal sequência define u.

Definição 04 : L(a,b) é o subespaço das funções reais em (a; b) gerado por


C1 (a, b) . Ou seja , se w pertence a L(a; b) então ele será representado por
m
w = ∑ λν wν
ν =1
sendo λν reais e wν ∈ C1 (a, b) . Decompondo o somatório em coeficientes
λν ≥ 0 e λν < 0, representados , respectivamente por λ'ν e λ"ν , encontra-se
m' m"
w = ∑ λ ν wν + ∑ λν wν
' "

ν =1 ν =1

Fazendo λ ν = − µν , sendo µν > 0 , resulta que


"

w=u-v
sendo u, v ∈ C1 (a, b) . Resulta que w ∈ C1 (a, b) se e somente se w
representa-se como a diferença de duas funções de C1 (a, b) .
Definição 05: Seja w ∈ L(a, b) e escrevamos w = u−v onde u, v ∈ C1 .
Define-se a integral de w em L(a, b) como sendo ∫ w = ∫ u − ∫ v , onde as
integrais do segundo membro são definidas em C1.

Definição 06: L(a, b) é dito espaço vetorial das funções integráveis à


Lebesgue. A integral definida em L(a, b) denomina-se integral de Lebesgue.

Teorema de Lebesgue( Teorema da Convergência Dominada): Seja


(u n ) uma sequência de funções integráveis em (a, b), convergente quase
sempre para a função u. Se existir uma função integrável u 0 tal que | u n |≤ u 0
quase sempre para todo n ∈ N, então u é integrável e tem-se ∫ u = lim ∫ u n .
n→∞

Conclusões

É indiscutível a necessidade do estudo da teoria de integral na formação dos


matemáticos com tendência para a Análise Matemática e suas aplicações.
Por este motivo, decidimos pelo estudo da Integral de Lebesgue. E de modo
a tornar este estudo simples e inteligível, optamos pelo método de Riesz.
Observamos que a demonstração e, consequente compreensão do Teorema
apresentado, requer um grande embasamento teórico, desenvolvido ao
longo do projeto. Os conceitos necessários não são triviais, embora
amplamente utilizados.

Agradecimentos

Os autores agradecem o suporte financeiro concedido pelo CNPq, sem o


qual este projeto não se realizaria.

Referências

[1] FERNANDES, P. J. Medida e Integração. 2.ed. Rio de Janeiro: Projeto


Euclides, IMPA, 2015.

[2] FRID, H. Introdução Integral de Lebesgue. 1999. 79f. Monografias del


IMCA: Nº 5 ,Universidad Nacional de Ingeniería, Lima, 1999.

[3] MEDEIROS, L. A. ; DE MELLO, E. A. A Integral de Lebesgue. 6.ed. Rio


de Janeiro: UFRJ.IM, 2008.

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