13

Capítulo 3
Formas de ondas

Neste capítulo são apresentadas formas de ondas de tensões e correntes, com ênfase
para as alternadas.

3.1 Introdução

Em circuitos elétricos, as tensões e correntes apresentam um comportamento ao
longo do tempo que pode ser caracterizado graficamente, o que corresponde ao que
se denomina forma de onda. Assim, a forma de onda de uma grandeza elétrica é
representada pelo respectivo gráfico em função do tempo. Por exemplo, a tensão
u
1
(t) dada por:
u
1
(t)=U
1
.sen(at) V (3.1)

corresponde a uma forma de onda senoidal e seu comportamento ao longo do tempo é
mostrado na Figura 3.1(a).


a
π

u
2
(t)
t
U
2
-U
2
2t
0

0
(b) Quadrada
t
0

U
1
-U
1
u
1
(t)
t
0
(a) Senoidal
a
π
a
π 2

Figura 3.1 - Formas de ondas

A tensão u
2
(t), cujo comportamento ao longo do tempo é mostrado na Figura 3.1(b),
apresenta uma forma de onda quadrada. A expressão que a define é:
¦
¹
¦
´
¦
=
+ < ≤ + −
+ < ≤
=
0,2,4,6 n
2)t (n t 1)t (n para U
1)t (n t nt para U
(t) u
0 0 2
0 0 2
2
V (3.2)
Três categorias de formas de ondas são de especial interesse, e suas
características são apresentadas a seguir.

• Formas de ondas oscilatórias: são formas de ondas que crescem e decrescem
alternadamente ao longo do tempo de acordo com alguma lei definida. A Figura
3.2(a) apresenta uma corrente elétrica cuja forma de onda é oscilatória. A lei
que a define é:
bt
e
sen(at)
i(t)= A (3.3)

• Formas de ondas periódicas: são formas de ondas oscilatórias cujos valores se
repetem a intervalos de tempo iguais. A Figura 3.2(b) apresenta uma corrente
periódica. A lei que a define é do tipo:

α) .sen(3at I .sen(at) I I i(t)
3 1 0
+ + + = A (3.4)

Os valores instantâneos da corrente se repetem a cada intervalo de tempo T, ou
seja, para qualquer instante de tempo t, assim como para t=t
0
mostrado na Figura
3.2(b), tem-se:
) i(t T) i(t
0 0
= + (3.5)
14

t
t
t
0

t
0
+T
T
t
T
t
1
t
2

t
I
M

-I
M

T
t
2
t
1

∆I
(c) Alternada (d) Periódica
(a) Oscilatória (b) Periódica
i(t)
i(t)
i(t) i(t)


Figura 3.2 – Tipos de formas de ondas

• Formas de ondas alternadas: são formas de ondas periódicas cujos valores médios
são nulos. A definição matemática de valor médio de uma forma de onda é
apresentada somente na próxima seção. No entanto, é possível identificar uma
forma de onda alternada através de uma interpretação intuitiva de valor médio.

Observe a Figura 3.2(c) na qual está representada uma forma de onda triangular
que, evidentemente, possui as características de uma forma de onda periódica, ou
seja, seus valores se repetem a intervalos de tempo T. Além disso, no intervalo
0<t<t
1
, a corrente assume valores instantâneos positivos e no intervalo t
1
<t<t
2
,
valores instantâneos negativos. A partir de t=t
2
, os valores instantâneos de
corrente passam a se repetir, seguindo a mesma seqüência do intervalo 0<t<t
1
.
Através da simples visualização do gráfico, nota-se que a área contida entre a
forma de onda e o eixo das abscissas (tempo) no primeiro intervalo de tempo 0<t<t
1

é igual em módulo à área correspondente ao segundo intervalo de tempo t
1
<t<t
2
. De
acordo com a figura, a área para o primeiro intervalo de tempo é:

( ) t I t I A
M M
∆ = − = . .
2
1
0 . .
2
1
1 1
(3.6)

Para o segundo intervalo de tempo, a área é:

( )
1 2 2
). .(
2
1
t t I A
M
− − = (3.7)
e como (t
2
-t
1
)= ∆t:
1 2
. .
2
1
A t I A
M
− = ∆ − = (3.8)

Verifica-se que a soma das áreas para o intervalo de tempo 0≤t≤t
2
é igual a zero.
Basicamente, o valor médio de uma forma de onda é diretamente proporcional à área
total calculada para o intervalo de tempo referente ao conjunto de valores que se
repetem. Como esta área é nula, o valor médio também é nulo, podendo-se, de acordo
com a definição, classificar a forma de onda da Figura 3.2(c) como alternada.
15

A Figura 3.2(d) mostra uma forma de onda triangular semelhante àquela da Figura
3.2(c), porém deslocada verticalmente de ∆I. Neste caso, verifica-se que o
intervalo de tempo em que os valores se repetem continua o mesmo, mas as áreas
para os intervalos de tempo em que a forma de onda assume valores positivos e
negativos são diferentes, o que resulta em uma soma não nula. Assim, esta forma de
onda não pode ser classificada como alternada, mas apenas como periódica.


3.2 Valores característicos das formas de ondas periódicas

Os valores característicos apresentados nesta seção são aplicáveis às formas de
ondas alternadas, que formam uma classe particular das formas de ondas periódicas.
Entre as formas de ondas alternadas destaca-se a forma de onda senoidal, que é a
utilizada comercialmente na geração, transmissão e distribuição de energia
elétrica. Assim, a descrição dos valores característicos das formas de ondas
periódicas é exemplificada na maioria dos casos através de formas de ondas
senoidais, sem perda da generalidade.

• Ciclo: é o conjunto completo de valores instantâneos que se repetem a
intervalos de tempo iguais. Na Figura 3.3, em linha contínua, é destacado um
ciclo da corrente senoidal i(t).

t
2
t
1

T
T
ciclo
t
i(t)

Figura 3.3 - Ciclo e período de uma forma de onda periódica

• Período: é o intervalo de tempo T em que ocorre um ciclo. Veja na Figura 3.3 a
indicação desta grandeza. Definido um instante de tempo qualquer como
referência (por exemplo, t
1
na Figura 3.3) obtém-se outro instante de tempo t
2

tal que a diferença t
2
-t
1
seja o menor intervalo de tempo possível para o qual
sempre se tem:
) i(t ) i(t
1 2
= (3.9)
Logo, o período corresponde a:

1 2
t t T − = (3.10)



Exemplo 3.1

Determinar o período da forma de onda
da tensão u(t) mostrada na Figura 3.4.


U
m

-U
m

0 1 2 5 10
u(t)
t[ms]

Figura 3.4 - Forma de onda de tensão
16
Considerando o instante de tempo t
1
=1 ms como referência, de acordo com a definição
apresentada para o período de uma forma de onda, obtém-se t
2
= 9 ms e u(9)=u(1)=U
m
.
Logo:
8 1 9 t t T
1 2
= − = − = ms (3.11)

Pode-se notar no gráfico que para t
3 = 3 ms tem-se também u(3)= u(1)= U
m
. No entanto,
de acordo com a definição apresentada, o período deve corresponder ao menor
intervalo de tempo possível para o qual sempre se tem u(t
3
)=u(t
1
). Considerando os
instantes t
1
e t
3
, o que corresponderia a um intervalo de tempo de 2 ms, essa
definição não é atendida, pois, por exemplo, u(10)≠ u(8).

• Freqüência: medida em Hertz (Hz), esta grandeza corresponde à quantidade de
ciclos por unidade de tempo e portanto é expressa por:

T
f
1
= Hz (3.12)
em que T é o período.

Exemplo 3.2
Obter a freqüência da forma de onda da tensão u(t) mostrada na Figura 3.4.
125
10 . 8
1 1
3
= = =

T
f Hz (3.13)

• Velocidade angular ou freqüência angular: a Figura 3.5 mostra a forma de onda
de uma corrente senoidal expressa pela função:

i(t)=I
max
.sen(t) ou i(t)=I
max
.sen(wt) A (3.14)


(a)

i(t)
I
max

-I
max

0
2π π
wt[rad]
i(t)
I
max

-I
max

0
t [s]
T/2
T
1 ciclo
(b)
(a)

Figura 3.5 - Velocidade angular ou freqüência angular de uma forma de onda

Pode-se constatar na Figura 3.5(a), que um ciclo ocorre entre os instantes de
tempo t=0 e t=T. Portanto, o período desta forma de onda é T. Na Figura 3.5(b)
tem-se a mesma forma de onda em função do ângulo wt, cuja unidade é radianos. Um
ciclo ocorre entre os ângulos wt = 0 e wt = 2π rad. Comparando os dois gráficos para
i(t), nota-se que um mesmo valor instantâneo de corrente ocorre para o instante de
tempo t=T (Figura 3.5(a)) e para o ângulo wt = wT = 2π rad (Figura 3.5(b)). Assim:
f 2.π.
T

w = =
rad/s (3.15)
A grandeza w corresponde à velocidade (ou freqüência) angular da corrente i(t).
17

Exemplo 3.3
No Brasil, a freqüência da tensão senoidal gerada nas usinas (hidrelétricas ou
termelétricas) é 60 Hz. Calcular o período e a velocidade angular.

Período → 67 , 16
60
1 1
= = =
f
T ms (3.16)

Velocidade angular → 377 60 2 2 ≅ = = π πf w rad/s (3.17)

• Valor de pico: é o valor instantâneo máximo que a forma de onda atinge no
ciclo. Considerando a forma de onda para a corrente i(t) da Figura 3.5, o seu
valor de pico corresponde a:
max p
I I = (3.18)

• Ângulo de fase: ou simplesmente fase, é um ângulo arbitrário definido para a
forma de onda de modo a estabelecer um referencial de tempo para a mesma. Na
Figura 3.6 tem-se duas formas de onda para uma corrente senoidal, sendo
matematicamente representadas por:

α) .sen(wt I i(t)
p
+ = A α) .sen(wt I i(t)
p
− = A (3.19)

i(t)
I
p

-I
p

wt [rad]
α
0 π-α
-α 2π-α

-
i(t)
I
p

-I
p

wt [rad]
0
π+α

α 2π+α

Figura 3.6 - Ângulo de fase de uma forma de onda

Nas duas formas de onda, α corresponde ao ângulo de fase e no instante t=0 o valor
instantâneo da corrente é:

α) .sen( I i(0)
p
= A α) .sen(- I i(0)
p
= A (3.20)

Através de (3.19) e das formas de onda da Figura 3.6 pode-se concluir que α
corresponde ao valor do deslocamento horizontal da onda em relação à referência
“zero”.

• Diferença de fase ou defasagem: é a diferença entre os ângulos de fases de duas
formas de ondas. Considerando duas formas de ondas de corrente cujas funções
são:
i
1
(t)=I
1
.sen(wt+α) A (3.21)
i
2
(t)=I
2
.sen(wt+β) A (3.22)

a diferença de fase φ entre elas é dada por:

α β φ − = (3.23)

A Figura 3.7 ilustra a diferença de fase (defasagem) entre duas formas de ondas.
18

i
2
(t)
0
wt [rad]
α
β
φ
defasagem
P
1
P
2

i
1
(t)

Figura 3.7 - Diferença de fase entre duas formas de ondas

Neste caso, diz-se que a corrente i
2
(t) está adiantada de φ em relação a i
1
(t) ou,
de outra forma, i
1
(t) está atrasada de φ em relação a i
2
(t). Um método simples de se
determinar a forma de onda que está adiantada ou atrasada está ilustrado na Figura
3.7. Identifica-se os picos das formas de onda mais próximos entre si (ambos
positivos ou negativos) que na figura 3.7 correspondem aos pontos P
1
e P
2
. O ponto
que se encontra à esquerda do outro indica que a respectiva forma de onda está
adiantada, que na figura corresponde ao ponto P
2
e portanto i
2
(t) está adiantada em
relação a i
1
(t) ou ainda, i
1
(t) está atrasada em relação a i
2
(t).

Assim sendo, agora se pode entender porque na expressão (3.23) φ é calculado em
módulo, pois o sinal de φ depende da referência. Se na Figura 3.7 i
1
(t) for a
referência, φ é positivo e se i
2
(t) for a referência, φ é negativo. Veja exemplo
numérico a seguir.

Exemplo 3.4
Na Figura 3.8 tem-se as formas de ondas da tensão e das correntes em um circuito
composto por uma fonte de tensão alternada senoidal que alimenta um resistor, um
indutor e um capacitor, todos conectados em paralelo.


~
i
R
(t)
R L
C
i
C
(t)
u(t)
i
L
(t)

wt
u(t)
i
C
(t)
i
L
(t)
i
R
(t)
Figura 3.8 - Formas de ondas de tensão e corrente em um circuito

Tomando-se como referência de ângulo de fase, a tensão fornecida pela fonte:

u(t)=U
p
.sen(wt) V (3.24)

As correntes pelos elementos do circuito são expressas por:

) wt sen( . I ) t ( i
p
R R
= A (3.25)
) wt sen( . I ) t ( i
p
L L
2
π
− = A (3.26)
) wt sen( . I ) t ( i
p
C C
2
π
+ = A (3.27)

19
Constata-se que a corrente no resistor está em fase com a tensão da fonte; a
corrente no indutor está atrasada de 90
0
(φ =-90
o
) em relação à tensão e a corrente
no capacitor está adiantada de 90
0
(φ =+90
o
) em relação à tensão.

Nas seções seguintes é evidenciado que as diferenças de fase entre tensões e
correntes para um determinado circuito elétrico são bem determinadas e dependem
somente dos elementos que o constituem, bastando definir, como referência, a fase
de apenas uma das formas de ondas. Todas as outras terão suas fases determinadas
em função da referência e dos elementos que constituem o circuito.

• Valor médio: é definido para uma forma de onda periódica u(t) de período T como:

+
=
T t
t
m
0
0
dt t u
T
U ). ( .
1
(3.28)

Para uma forma de onda senoidal com período T:
|
¹
|

\
|
+ = + = α t
T

.sen U α) .sen(t U u(t)
p p
V (3.29)
a integral de u(t) no intervalo [t
0
, t
0
+T] que aparece na equação (3.28) pode ser
escrita como:
43 42 1
43 42 1
2
1
). ( ). ( ). (
A
T t
2
T
t
A
2
T
t
t
T t
t
0
0
0
0
0
0
dt t u dt t u dt t u
∫ ∫ ∫
+
+
+ +
+ =
(3.30)

A
1
corresponde à área da forma de onda em relação ao eixo das abscissas no
intervalo [t
0
, t
0
+T/2], enquanto que A
2
corresponde à área no intervalo [t
0
+T/2,
t
0
+T], como mostra a Figura 3.9.
2
T
t
o
+
T
A1
A2
t
0
+T
t
0

u(t)
t

Figura 3.9 - Interpretação gráfica do valor médio de uma forma de onda

Assim, a integral da equação (3.28) corresponde à área total da forma de onda em
relação ao eixo das abscissas no período. Torna-se então mais clara a análise
feita na seção 3.1, em que foi apresentada a forma de onda alternada e foi
mencionado que seu valor médio é proporcional à sua área no período T. No caso de
u(t) definida segundo a equação (3.29):

( ) 0 A A .
T
1
U
2 1 m
= + = V (3.31)
Analise:
Por que U
m
resultou igual a zero em (3.31) e quando isto é válido?
20
Exemplo 3.5
Calcular o valor médio das seguintes formas de ondas periódicas:

(a) u(t)=15.sen(wt) V

(b) i(t)=7+10.sen(wt+π/6) A

(a) A forma de onda de u(t) é mostrada na Figura 3.10. A freqüência angular é w e
o período é:
w
T
π 2
= s

0
t (s)
u(t) (V)
15
-15
π/
w
2π/
w

Figura 3.10 - Forma de onda de u(t)

Considerando como referência de tempo t
0
=0, o valor médio de u(t) é calculado por:


=
w

0
m
dt ). wt sen( . .

w
U 15

0
w

m
w
cos(wt)
.

15.w
U

− =
[ ] 0 1 1 .
2
15
= − − =
π
V

Assim, de acordo com a definição apresentada na seção 3.1, u(t) é uma forma de
onda alternada, pois seu valor médio é igual a zero. Naturalmente, uma simples
inspeção da forma de onda de u(t) mostrada na Figura 3.10, leva à conclusão de que
seu valor médio é nulo.

(b) Na Figura 3.11, a corrente i(t) também tem período igual a
w
π 2
mas é uma
forma de onda senoidal deslocada no eixo vertical de 7 A, conforme pode-se
constatar nesta figura.


i(t) (A)
17
-3
t (s)
0


Figura 3.11 - Forma de onda de i(t)
21
Considerando também como referência de tempo t
0
=0, o seu valor médio é calculado
por:
[ ]

+ + =
w

0
m
.dt
6
π
10.sen(wt 7 .

w
I

( )

+ + =
∫ ∫
w

0
w

0
m
dt
6
π
wt sen 10. dt 7 .

w
I 7 .t

7.w
0
w

= = A

Portanto, a corrente i(t) é uma forma de onda periódica, porém, não é alternada.


• Valor eficaz: a Figura 3.12 corresponde a um circuito em que uma lâmpada pode
ser conectada a uma fonte de corrente contínua (fechando-se a chave ch1) ou a
uma fonte de corrente alternada (fechando-se a chave ch2). A tensão da fonte
c.c. é igual a U
cc
e a da fonte c.a. é senoidal e igual a:

α) .sen(wt U u(t)
p
+ = V (3.32)


~
ch1 ch2
u(t) lâmpada
-
+
U
cc



Figura 3.12 - Circuito exemplo para a definição de valor eficaz

Com a chave ch1 fechada, circula pela lâmpada uma corrente contínua de valor I
cc
.
A potência entregue a ela corresponde a:

2
. ). . ( .
cc cc cc cc cc cc
I R I I R I U P = = = W (3.33)

em que R é a resistência do filamento da lâmpada (desconsiderar a sua variação com
a temperatura).

Tomando como referência um instante de tempo t
0
, a energia consumida pela lâmpada
em um intervalo de tempo T vale:


+
=
T t
t
cc cc
0
0
.dt P E

+
=
T t
t
cc
0
0
dt I R
2
.
⇒ T I R E
cc cc
. .
2
= Wh (3.34)

Com a chave ch2 fechada, circula pela lâmpada uma corrente alternada do tipo:

) wt sen( . I
R
) t ( u
) t ( i
p
= = A (3.35)

Neste caso, a potência entregue à lâmpada é variável no tempo, pois resulta do
produto de uma tensão por uma corrente, ambas variáveis no tempo.

) ( . ) ( ). ( ) (
2
t i R t i t u t p = = W (3.36)
22
A energia consumida pela lâmpada em um intervalo de tempo T a partir de t
0
é dada
por:

+
=
T t
t
ca
0
0
p(t).dt E
(3.37)


+
=
T t
t
ca
0
0
dt t i R E ). ( .
2
(3.38)

Impondo-se a condição de que a energia consumida pela lâmpada nos dois casos seja
a mesma, tem-se:
ca cc
E E = ⇒

+
=
T t
t
cc
0
0
dt t i R T I R ). ( . . .
2 2



+
=
T t
t
cc
0
0
dt t i
T
I ). ( .
1
2
A (3.39)

Sendo T o período da corrente i(t), o termo do lado direito da expressão anterior
é denominado valor eficaz da corrente alternada i(t), ou seja:


+
=
T t
t
ef
0
0
dt t i
T
I ). ( .
1
2
A (3.40)

Assim, se a fonte de corrente contínua é ajustada de tal forma que a corrente que
circula pela lâmpada, I
cc
, é igual ao valor eficaz I
ef
da corrente alternada i(t), a
energia consumida pela lâmpada nos dois casos é a mesma. O valor eficaz de uma
forma de onda é também conhecido como valor RMS (root-mean-square).

Exemplo 3.6
Calcular o valor eficaz da tensão alternada:

(wt) . u(t) sen 6 , 179 = V

Sendo o período de u(t) igual a
w
π 2
o valor eficaz (U
ef
) é dado por:


=
w

0
2
2
dt ). t ( u .
w
U
ef
π

=

0
2
) ( ). ( .
2
1
wt d wt u
π
[ ]

=

0
wt d wt ) ( . ) sen( . 6 , 179 .
2
1
2
π

U
ef
( )
[ ]

=

0
wt d wt ) ( . ) sen( .
2
6 , 179
2
2
π


Considerando a relação trigonométrica:
[ ] [ ] ) 2 cos( 1 .
2
1
) sen(
2
wt wt − =
o valor eficaz de u(t) vale:

( )

− =
∫ ∫

0

0
ef
wt d wt wt d U ) ( ). 2 cos( ) ( .
4
6 , 179
2
π
( )

− =
0
2
0
2
2
2
) 2 sen(
.
4
6 , 179
π
π
π
wt
wt

U
ef

( )
[ ]
( )
127
2
6 , 179
2
6 , 179
) 0 0 ( ) 0 2 ( .
4
6 , 179
2 2
≅ = = − − − = π
π
V

23
Da solução do exemplo 3.6, conclui-se que a relação entre o valor de pico e o
valor eficaz, para uma onda alternada senoidal, é:
2 =
ef
p
U
U
(3.41)
ou
2
p
ef
U
U = (3.42)
Analise:
Obter o valor eficaz para cada uma das formas de onda do exemplo 3.5.


Valores Nominais

Os equipamentos eletro-eletrônicos e componentes de um circuito elétrico devem ser
comercializados dispondo de informações mínimas com relação aos valores das
respectivas grandezas elétricas, denominados Valores Nominais, tais como:
magnitude da tensão, potência, etc.. No caso da lâmpada incandescente, no bulbo
devem estar gravadas a potência e a magnitude da tensão, como por exemplo, 100 W e
220 V, respectivamente.

Assim sendo, convencionou-se que os valores nominais das magnitudes da tensão e da
corrente devem corresponder aos respectivos valores eficazes e portanto, nos
equipamentos/componentes que podem ser conectados em uma fonte c.a. ou em uma
fonte c.c., o valor da tensão especificada (tensão nominal) é o mesmo para ambos
os tipos de fonte, sendo que no caso da fonte c.a. o valor nominal corresponde ao
respectivo valor eficaz.


3.3 Visualização de formas de ondas no osciloscópio

O osciloscópio é o mais versátil dos instrumentos eletrônicos de medição. Pode-se
com ele examinar qualitativa e quantitativamente os sinais elétricos, mostrando
sua variação em função do tempo, amplitude, nível CC, freqüência, período, fase,
etc. Alguns osciloscópios possuem recursos que permitem a comparação de dois ou
mais sinais na tela, base de tempo atrasada, frequencímetro, leitura digital das
escalas, etc.

IMPORTANTE: Qualquer sinal a ser examinado em um osciloscópio, deve ser traduzido
em uma tensão. Por exemplo: a forma de onda da corrente que circula por um motor
deve passar por um resistor linear cuja diferença de potencial (d.d.p.) será
aplicada ao osciloscópio (Figura 3.13). Com isso, observamos uma onda de tensão
proporcional à onda de corrente, mas que conserva todas as características desta.

Figura 3.13

• Medida de amplitude e freqüência

Devidamente calibrado, o osciloscópio fornece no eixo vertical a medida da
amplitude do sinal (Volts). Se a amplitude do sinal for tal que a maior escala do
controle de ganho não é suficiente para medi-la, pode-se usar uma ponta de prova
com atenuação, por exemplo, uma que reduz em 10 vezes a amplitude do sinal.

24
Se o osciloscópio em uso não possibilita medir a freqüência do sinal ( f ), pode-
se calculá-la calibrando a escala horizontal (TIME/CM) e medindo o período ( T )
do sinal, conforme indicado na Figura 3.14.


Figura 3.14
• Referencial para as medidas

Nos osciloscópios, as partes metálicas (parte externa das conexões de entrada dos
canais verticais, parafusos, suportes, etc.) estão interconectadas, ou seja, estão
em um mesmo potencial elétrico. Quando o cabo de alimentação do aparelho possui um
terceiro pino (pino de terra), todas estas partes metálicas estão a ele conectadas
e, portanto, as medidas correspondem às diferenças de potencial entre os pontos
medidos e o terra. Deve-se cuidar para que o terminal correspondente ao terra do
cabo com o qual se faz a medida (GND da ponta de prova), não seja colocado em um
ponto com potencial diferente de zero, o que provocará um curto-circuito. Também
se deve estar atento ao fato de que os GND’s das pontas de prova são ligados ao
terceiro pino.

Uma alternativa para eliminar tal precaução é utilizar um transformador conectado
entre a rede elétrica e o cabo de força (alimentação) do osciloscópio (Figura
3.15), fazendo com que os terminais de medida do osciloscópio não estejam
referenciados a qualquer potencial da rede.


Figura 3.15 – Osciloscópio isolado da rede elétrica

• Conexão das pontas de prova

Observe na Figura 3.16 as conexões do osciloscópio nos terminais dos componentes
do circuito.
25

Figura 3.16

As indicações CH1 e CH2 referem-se a dois canais do osciloscópio, através dos
quais poderemos observar na tela (display) as formas de ondas da tensão no
resistor (CH1) e da tensão no capacitor (CH2). Isto é possível porque o GND está
conectado entre os dois bipolos.

Analise:
Se os contatos do GND e do CH2 forem trocados, quais formas de ondas serão
observadas na tela do osciloscópio?


• Recursos para medidas de grandezas elétricas

Os fabricantes têm incorporado aos osciloscópios recursos tecnológicos para a
obtenção de medidas de grandezas elétricas tais como magnitude da tensão;
freqüência; defasagem entre duas formas de ondas e outras. No respectivo manual há
explicações para uso desses recursos, sendo em geral fáceis de serem assimilados.


3.4 Leituras adicionais

• Análise de Circuitos Elétricos
W. Bolton, MAKRON Books do Brasil Editora Ltda., São Paulo, 1994.

• Circuitos de Corrente Alternada - Um Curso Introdutório
Carlos A. Castro Jr e Márcia R. Tanaka, Editora da Unicamp - Campinas - 1995.

• Circuitos Elétricos
Robert A. Bartkowiak, MAKRON Books do Brasil Editora Ltda., São Paulo, 1994.

• Circuitos Elétricos
Yaro Burian Jr. e Ana Cristina Cavalcanti Lyra
Editora: Pearson Prentice Hall, 2006.

• Laboratório de Eletricidade e Eletrônica
Francisco Gabriel Capuano e Maria Aparecida Mendes Marino, Livros Érica Editora
Ltda. - São Paulo - 1993.

Vídeo:
Conceito de Valor Eficaz
http://www.youtube.com/watch?v=nxpSgrKOrLU

seguindo a mesma seqüência do intervalo 0<t<t1.I M . De acordo com a figura.∆t 2 2 Para o segundo intervalo de tempo. A partir de t=t2. classificar a forma de onda da Figura 3. o valor médio de uma forma de onda é diretamente proporcional à área total calculada para o intervalo de tempo referente ao conjunto de valores que se repetem.2(c) como alternada. No entanto. o valor médio também é nulo.8) Verifica-se que a soma das áreas para o intervalo de tempo 0≤t≤t2 é igual a zero. seus valores se repetem a intervalos de tempo T.∆t = − A1 2 (3. evidentemente. a área é: (3.2(c) na qual está representada uma forma de onda triangular que.(− I M ). Além disso.(t1 − 0 ) = . A definição matemática de valor médio de uma forma de onda é apresentada somente na próxima seção.I M .i(t) i(t) t t0 T (a) Oscilatória i(t) IM (b) Periódica i(t) ∆I t1 t2 t0+T t t t1 -IM T (c) Alternada t2 t T (d) Periódica Figura 3. a corrente assume valores instantâneos positivos e no intervalo t1<t<t2. é possível identificar uma forma de onda alternada através de uma interpretação intuitiva de valor médio. Através da simples visualização do gráfico. Observe a Figura 3. podendo-se.7) (3. de acordo com a definição.2 – Tipos de formas de ondas • Formas de ondas alternadas: são formas de ondas periódicas cujos valores médios são nulos.(t 2 − t1 ) 2 1 A2 = − .6) e como (t2-t1)= ∆t: 1 A2 = . possui as características de uma forma de onda periódica. os valores instantâneos de corrente passam a se repetir. ou seja. a área para o primeiro intervalo de tempo é: 1 1 A1 = . nota-se que a área contida entre a forma de onda e o eixo das abscissas (tempo) no primeiro intervalo de tempo 0<t<t1 é igual em módulo à área correspondente ao segundo intervalo de tempo t1<t<t2.I M . no intervalo 0<t<t1. valores instantâneos negativos. Como esta área é nula. 14 . Basicamente.

9) Logo. t1 na Figura 3. que é a utilizada comercialmente na geração. T i(t) t1 t2 t ciclo T Figura 3.10) • u(t) Exemplo 3. o período corresponde a: T = t2 −t1 (3. • Ciclo: é o conjunto completo de valores instantâneos que se repetem a intervalos de tempo iguais. verifica-se que o intervalo de tempo em que os valores se repetem continua o mesmo.2(c). transmissão e distribuição de energia elétrica.Forma de onda de tensão 15 . é destacado um ciclo da corrente senoidal i(t). mas as áreas para os intervalos de tempo em que a forma de onda assume valores positivos e negativos são diferentes. Definido um instante de tempo qualquer como referência (por exemplo. Um t[ms] 0 1 2 5 10 -Um Figura 3.2 Valores característicos das formas de ondas periódicas Os valores característicos apresentados nesta seção são aplicáveis às formas de ondas alternadas. Neste caso. o que resulta em uma soma não nula. esta forma de onda não pode ser classificada como alternada.3 a indicação desta grandeza.3 . 3.A Figura 3. mas apenas como periódica.3. Na Figura 3. sem perda da generalidade. Entre as formas de ondas alternadas destaca-se a forma de onda senoidal. porém deslocada verticalmente de ∆I. Assim. que formam uma classe particular das formas de ondas periódicas.Ciclo e período de uma forma de onda periódica Período: é o intervalo de tempo T em que ocorre um ciclo.1 Determinar o período da forma de onda da tensão u(t) mostrada na Figura 3.2(d) mostra uma forma de onda triangular semelhante àquela da Figura 3. Assim.3) obtém-se outro instante de tempo t2 tal que a diferença t2-t1 seja o menor intervalo de tempo possível para o qual sempre se tem: i(t2 ) = i(t1 ) (3. em linha contínua.4 . a descrição dos valores característicos das formas de ondas periódicas é exemplificada na maioria dos casos através de formas de ondas senoidais. Veja na Figura 3.4.

16 .5(a)) e para o ângulo wt = wT = 2π rad (Figura 3.5 mostra a forma de onda de uma corrente senoidal expressa pela função: i(t)=Imax. 1 T Hz (3. nota-se que um mesmo valor instantâneo de corrente ocorre para o instante de tempo t=T (Figura 3. o período deve corresponder ao menor intervalo de tempo possível para o qual sempre se tem u(t3)=u(t1).4.π. essa definição não é atendida. de acordo com a definição apresentada. Na Figura 3. Portanto. o período desta forma de onda é T.10 −3 (3. u(10)≠ u(8). cuja unidade é radianos.5 .sen(t) (a) ou i(t)=Imax.2 Obter a freqüência da forma de onda da tensão u(t) mostrada na Figura 3. que um ciclo ocorre entre os instantes de tempo t=0 e t=T. o que corresponderia a um intervalo de tempo de 2 ms. Logo: T = t2 −t1 = 9 − 1 = 8 ms (3. obtém-se t2 = 9 ms e u(9)=u(1)=Um. No entanto.12) Exemplo 3. por exemplo.11) Pode-se notar no gráfico que para t3 = 3 ms tem-se também u(3)= u(1)= Um.5(b) tem-se a mesma forma de onda em função do ângulo wt.5(a).f T rad/s (3.Velocidade angular ou freqüência angular de uma forma de onda Pode-se constatar na Figura 3. de acordo com a definição apresentada para o período de uma forma de onda. Considerando os instantes t1 e t3. • Freqüência: medida em Hertz (Hz).sen(wt) A (3.15) w corresponde à velocidade (ou freqüência) angular da corrente i(t). pois.14) i(t) Imax T/2 0 T t [s] (a) -Imax 1 ciclo i(t) Imax 0 π 2π (b) wt[rad] -Imax Figura 3. Comparando os dois gráficos para i(t). Assim: w= A grandeza 2π = 2.5(b)).13) Velocidade angular ou freqüência angular: a Figura 3. Um ciclo ocorre entre os ângulos wt = 0 e wt = 2π rad. f = • 1 1 = = 125 Hz T 8. esta grandeza corresponde à quantidade de ciclos por unidade de tempo e portanto é expressa por: f = em que T é o período.Considerando o instante de tempo t1=1 ms como referência.

23) A Figura 3.6 tem-se duas formas de onda para uma corrente senoidal.17) Valor de pico: é o valor instantâneo máximo que a forma de onda atinge no ciclo.16) Velocidade angular → w = • 2πf = 2π 60 ≅ 377 rad/s (3.20) Através de (3.sen( α) A i(0) = I p .22) φ = β −α (3. é um ângulo arbitrário definido para a forma de onda de modo a estabelecer um referencial de tempo para a mesma. sendo matematicamente representadas por: • i(t) = I p .sen(wt+β ) a diferença de fase φ entre elas é dada por: A (3. Calcular o período e a velocidade angular.Ângulo de fase de uma forma de onda Nas duas formas de onda.5.sen(wt+α) A (3.3 No Brasil. 17 . α corresponde ao ângulo de fase e no instante t=0 o valor instantâneo da corrente é: i(0) = I p .sen(wt + α) i(t) Ip A Ip i(t) = I p . • Diferença de fase ou defasagem: é a diferença entre os ângulos de fases de duas formas de ondas. Na Figura 3.18) Ângulo de fase: ou simplesmente fase.7 ilustra a diferença de fase (defasagem) entre duas formas de ondas.sen(wt − α) i(t) A (3.Exemplo 3. Período → T= 1 1 = = 16. o seu valor de pico corresponde a: I p = I max (3.6 pode-se concluir que α corresponde ao valor do deslocamento horizontal da onda em relação à referência “zero”. Considerando a forma de onda para a corrente i(t) da Figura 3. Considerando duas formas de ondas de corrente cujas funções são: i1(t)=I1.6 . a freqüência da tensão senoidal gerada nas usinas (hidrelétricas ou termelétricas) é 60 Hz.sen(-α) A (3.19) e das formas de onda da Figura 3.19) -α 0 2π-α π-α wt [rad] 0 α -α 2π+α π+α wt [rad] α -Ip -Ip Figura 3.21) i2(t)=I2.67 ms f 60 (3.

iR(t) u(t) iL(t) iC(t) u(t) iC(t) iR(t) iL(t) ~ R L C wt Figura 3.26) (3.24) As correntes pelos elementos do circuito são expressas por: i R ( t ) = I R p . sen( wt ) A A A (3. sen( wt − π ) 2 π ) iC ( t ) = I C p .Diferença de fase entre duas formas de ondas Neste caso. todos conectados em paralelo. φ é negativo. um indutor e um capacitor. que na figura corresponde ao ponto P2 e portanto i2(t) está adiantada em relação a i1(t) ou ainda.25) (3. a tensão fornecida pela fonte: u(t)=Up. pois o sinal de φ depende da referência. diz-se que a corrente i2(t) está adiantada de φ em relação a i1(t) ou. Identifica-se os picos das formas de onda mais próximos entre si (ambos positivos ou negativos) que na figura 3.23) φ é calculado em módulo.8 tem-se as formas de ondas da tensão e das correntes em um circuito composto por uma fonte de tensão alternada senoidal que alimenta um resistor.8 . Um método simples de se determinar a forma de onda que está adiantada ou atrasada está ilustrado na Figura 3. i1(t) está atrasada de φ em relação a i2(t).27) i L ( t ) = I L p . Assim sendo. O ponto que se encontra à esquerda do outro indica que a respectiva forma de onda está adiantada.sen(wt) V (3.4 Na Figura 3. agora se pode entender porque na expressão (3.7 . Veja exemplo numérico a seguir. de outra forma. φ é positivo e se i2(t) for a referência.7.P2 P1 i2(t) 0 i1(t) wt [rad] α β φ defasagem Figura 3.7 i1(t) for a referência. Exemplo 3.Formas de ondas de tensão e corrente em um circuito Tomando-se como referência de ângulo de fase.7 correspondem aos pontos P1 e P2. Se na Figura 3. sen( wt + 2 18 . i1(t) está atrasada em relação a i2(t).

29): Um = Analise: 1 .dt (3. • Valor médio: é definido para uma forma de onda periódica u(t) de período T como: Um = 1 t0 + T .dt 1 1 42 43 2 A1 A2 t0 + T t0 + T (3.dt = u t ).sen t + α  T  V (3. t0+T/2]. a fase de apenas uma das formas de ondas. Torna-se então mais clara a análise feita na seção 3.28) pode ser escrita como: ∫ t0 + T t0 u ( t ).31) Por que Um resultou igual a zero em (3. bastando definir.9. enquanto que A2 corresponde à área no intervalo [t0+T/2. t0+T] que aparece na equação (3.Interpretação gráfica do valor médio de uma forma de onda Assim. t0+T]. a corrente no indutor está atrasada de 900 (φ =-90o) em relação à tensão e a corrente no capacitor está adiantada de 900 (φ =+90o) em relação à tensão. Nas seções seguintes é evidenciado que as diferenças de fase entre tensões e correntes para um determinado circuito elétrico são bem determinadas e dependem somente dos elementos que o constituem.sen(t + α) = U p . T ∫ t0 u (t ).30) A1 corresponde à área da forma de onda em relação ao eixo das abscissas no intervalo [t0. a integral da equação (3.1. como mostra a Figura 3.29) a integral de u(t) no intervalo [t0.dt ∫ t0 42(43 + ∫ t0 +T 2 u (t ).28) Para uma forma de onda senoidal com período T:  2π  u(t) = U p . u(t) A1 t0 to + T 2 t 0+ T A2 t T Figura 3.28) corresponde à área total da forma de onda em relação ao eixo das abscissas no período.9 .Constata-se que a corrente no resistor está em fase com a tensão da fonte.31) e quando isto é válido? 19 . Todas as outras terão suas fases determinadas em função da referência e dos elementos que constituem o circuito.( A1 + A2 ) = 0 T V (3. No caso de u(t) definida segundo a equação (3. em que foi apresentada a forma de onda alternada e foi mencionado que seu valor médio é proporcional à sua área no período T. como referência.

10 . 15. uma simples inspeção da forma de onda de u(t) mostrada na Figura 3. pois seu valor médio é igual a zero.[1 − 1] = 0 2π V Assim.Exemplo 3.1.11 . i(t) (A) 17 0 -3 t (s) Figura 3. sen( wt ). o valor médio de u(t) é calculado por: Um = w 2π w .10. u(t) é uma forma de onda alternada.10. Naturalmente.Forma de onda de i(t) 20 .5 Calcular o valor médio das seguintes formas de ondas periódicas: (a) u(t)=15. leva à conclusão de que seu valor médio é nulo.w  cos(wt) = .− 2π  w    =− 0 15 . conforme pode-se constatar nesta figura.11.sen(wt+π/6) (a) A forma de onda de u(t) é mostrada na Figura 3. (b) Na Figura 3.dt 2π ∫ 0 2π w Um 15. A freqüência angular é w e o período é: T= u(t) (V) 15 2π w s t (s) 0 π/w 2π/w -15 Figura 3. a corrente i(t) também tem período igual a 2π w mas é uma forma de onda senoidal deslocada no eixo vertical de 7 A.sen(wt) V A (b) i(t)=7+10. de acordo com a definição apresentada na seção 3.Forma de onda de u(t) Considerando como referência de tempo t0=0.

a corrente i(t) é uma forma de onda periódica. 7 + 10.I cc .I cc ).Circuito exemplo para a definição de valor eficaz Com a chave ch1 fechada. circula pela lâmpada uma corrente contínua de valor Icc . p (t ) = u (t ). é igual a Ucc e a da fonte c. não é alternada.I cc = ( R. A potência entregue a ela corresponde a: 2 Pcc = U cc .t 0 0 2π  ( ) 2π 0 w =7 A Portanto. A tensão da fonte c.c. • Valor eficaz: a Figura 3.12 corresponde a um circuito em que uma lâmpada pode ser conectada a uma fonte de corrente contínua (fechando-se a chave ch1) ou a uma fonte de corrente alternada (fechando-se a chave ch2). ambas variáveis no tempo. a energia consumida pela lâmpada em um intervalo de tempo T vale: Ecc = ∫ t0 +T t0 2 Pcc .a.I cc W (3. é senoidal e igual a: u(t) = U p . sen( wt ) R A (3.I cc ∫ t0 +T dt t0 ⇒ 2 E cc = R. circula pela lâmpada uma corrente alternada do tipo: i( t ) = u( t ) = I p .sen(wt + α) V (3.w Im = .sen(wt + π .dt 6 2π ∫0 [ ] 2π w  2π w  7.Ucc ch2 ~ u(t) lâmpada Figura 3.i 2 (t ) W (3.T Wh (3.Considerando também como referência de tempo t0=0. a potência entregue à lâmpada é variável no tempo. pois resulta do produto de uma tensão por uma corrente.35) Neste caso. Tomando como referência um instante de tempo t0. o seu valor médio é calculado por: Im = w 2π w .33) em que R é a resistência do filamento da lâmpada (desconsiderar a sua variação com a temperatura).7 ∫ dt + 10.dt = R.I cc = R.i (t ) = R. porém.32) ch1 + .∫ w sen wt + π dt  = 6  2π .34) Com a chave ch2 fechada.36) 21 .12 .

6 2 ≅ 127 V 22 . tem-se: E cc = E ca ⇒ 2 R.6.6)2 .6. Icc.37) Eca = R.d ( wt ) = . se a fonte de corrente contínua é ajustada de tal forma que a corrente que circula pela lâmpada.d (wt ) ∫0 2π Considerando a relação trigonométrica: [sen(wt )]2 = 1 .I cc .T = R. o termo do lado direito da expressão anterior é denominado valor eficaz da corrente alternada i(t).wt 4π   2π 0 − sen(2 wt ) 2 2π 0    Uef = (179.6 )2 . i (t ).38) Impondo-se a condição de que a energia consumida pela lâmpada nos dois casos seja a mesma.dt I cc = 1 t 0 +T 2 .∫ [179.6)2 .d ( wt )  =  0  2π (179.dt = 2π 0 1 2π 2 1 2π 2 .6)2 4π 2 = 179.40) Assim.[(2π − 0) − (0 − 0)] = (179.dt T t0 I ef = ∫ A (3.39) Sendo T o período da corrente i(t).6)2 . ∫ i 2 (t ).∫ u ( wt ).dt t0 t0 +T t0 (3. a energia consumida pela lâmpada nos dois casos é a mesma. ∫ t0 +T t0 i 2 (t ). sen( wt )] .d ( wt ) 0 0 2π 2π Uef = (179. é igual ao valor eficaz Ief da corrente alternada i(t). Exemplo 3.A energia consumida pela lâmpada em um intervalo de tempo T a partir de t0 é dada por: E ca = ∫ t0 +T p(t).dt T t0 ∫ A (3. 2π [sen(wt )]2 .dt (3. O valor eficaz de uma forma de onda é também conhecido como valor RMS (root-mean-square).[1 − cos(2wt )] 2 o valor eficaz de u(t) vale: U ef = (179.6 Calcular o valor eficaz da tensão alternada: u(t) = 179. ou seja: 1 t 0 +T 2 .sen (wt) Sendo o período de u(t) igual a 2π V w o valor eficaz (Uef) é dado por: U ef = w 2π w 2 . i (t ).∫ u ( t ). 4π ∫  2π 0 d ( wt ) − ∫ cos( 2wt ).

5. etc. nível CC. tais como: magnitude da tensão. o valor nominal corresponde ao respectivo valor eficaz. uma que reduz em 10 vezes a amplitude do sinal. Valores Nominais Os equipamentos eletro-eletrônicos e componentes de um circuito elétrico devem ser comercializados dispondo de informações mínimas com relação aos valores das respectivas grandezas elétricas. Alguns osciloscópios possuem recursos que permitem a comparação de dois ou mais sinais na tela. sendo que no caso da fonte c. Figura 3.. No caso da lâmpada incandescente.c.d. ou em uma fonte c. Pode-se com ele examinar qualitativa e quantitativamente os sinais elétricos. mas que conserva todas as características desta. período. etc.42) Analise: Obter o valor eficaz para cada uma das formas de onda do exemplo 3. é: Up U ef ou = 2 (3. Se a amplitude do sinal for tal que a maior escala do controle de ganho não é suficiente para medi-la.6.a. Por exemplo: a forma de onda da corrente que circula por um motor deve passar por um resistor linear cuja diferença de potencial (d. 23 .) será aplicada ao osciloscópio (Figura 3. 100 W e 220 V. observamos uma onda de tensão proporcional à onda de corrente. conclui-se que a relação entre o valor de pico e o valor eficaz. base de tempo atrasada. amplitude. deve ser traduzido em uma tensão. pode-se usar uma ponta de prova com atenuação. mostrando sua variação em função do tempo. para uma onda alternada senoidal.13).p. freqüência. respectivamente. denominados Valores Nominais.a. Com isso.3 Visualização de formas de ondas no osciloscópio O osciloscópio é o mais versátil dos instrumentos eletrônicos de medição.13 • Medida de amplitude e freqüência Devidamente calibrado.Da solução do exemplo 3..41) U ef = Up 2 (3. etc. fase. o valor da tensão especificada (tensão nominal) é o mesmo para ambos os tipos de fonte. no bulbo devem estar gravadas a potência e a magnitude da tensão. 3. IMPORTANTE: Qualquer sinal a ser examinado em um osciloscópio. o osciloscópio fornece no eixo vertical a medida da amplitude do sinal (Volts). convencionou-se que os valores nominais das magnitudes da tensão e da corrente devem corresponder aos respectivos valores eficazes e portanto. como por exemplo. potência. leitura digital das escalas. nos equipamentos/componentes que podem ser conectados em uma fonte c. por exemplo. frequencímetro. Assim sendo.

parafusos. Uma alternativa para eliminar tal precaução é utilizar um transformador conectado entre a rede elétrica e o cabo de força (alimentação) do osciloscópio (Figura 3. Figura 3. as medidas correspondem às diferenças de potencial entre os pontos medidos e o terra. todas estas partes metálicas estão a ele conectadas e. etc.14 • Referencial para as medidas Nos osciloscópios. Também se deve estar atento ao fato de que os GND’s das pontas de prova são ligados ao terceiro pino. Deve-se cuidar para que o terminal correspondente ao terra do cabo com o qual se faz a medida (GND da ponta de prova). Figura 3. o que provocará um curto-circuito.14.Se o osciloscópio em uso não possibilita medir a freqüência do sinal ( f ). ou seja. estão em um mesmo potencial elétrico. as partes metálicas (parte externa das conexões de entrada dos canais verticais. conforme indicado na Figura 3. 24 . suportes.15 – Osciloscópio isolado da rede elétrica • Conexão das pontas de prova Observe na Figura 3. fazendo com que os terminais de medida do osciloscópio não estejam referenciados a qualquer potencial da rede. não seja colocado em um ponto com potencial diferente de zero.16 as conexões do osciloscópio nos terminais dos componentes do circuito. podese calculá-la calibrando a escala horizontal (TIME/CM) e medindo o período ( T ) do sinal. Quando o cabo de alimentação do aparelho possui um terceiro pino (pino de terra).) estão interconectadas.15). portanto.

freqüência. Editora da Unicamp . São Paulo. sendo em geral fáceis de serem assimilados. • Vídeo: Conceito de Valor Eficaz http://www.. Bolton. No respectivo manual há explicações para uso desses recursos. Analise: Se os contatos do GND e do CH2 forem trocados. 2006.com/watch?v=nxpSgrKOrLU 25 .1995. MAKRON Books do Brasil Editora Ltda. quais formas de ondas serão observadas na tela do osciloscópio? • Recursos para medidas de grandezas elétricas Os fabricantes têm incorporado aos osciloscópios recursos tecnológicos para a obtenção de medidas de grandezas elétricas tais como magnitude da tensão. 1994.São Paulo . Laboratório de Eletricidade e Eletrônica Francisco Gabriel Capuano e Maria Aparecida Mendes Marino.Um Curso Introdutório Carlos A. defasagem entre duas formas de ondas e outras.youtube. Castro Jr e Márcia R. Isto é possível porque o GND está conectado entre os dois bipolos.4 • • • • Leituras adicionais Análise de Circuitos Elétricos W.Campinas . . Circuitos de Corrente Alternada . Circuitos Elétricos Robert A. MAKRON Books do Brasil Editora Ltda.16 As indicações CH1 e CH2 referem-se a dois canais do osciloscópio. Circuitos Elétricos Yaro Burian Jr.Figura 3.. Livros Érica Editora Ltda.1993. 3. através dos quais poderemos observar na tela (display) as formas de ondas da tensão no resistor (CH1) e da tensão no capacitor (CH2). Tanaka. Bartkowiak. São Paulo. e Ana Cristina Cavalcanti Lyra Editora: Pearson Prentice Hall. 1994.

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