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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 6ª VARA
CÍVEL DA COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE - MT

Autos nº 0015555-98.2018.8.11.0045

MARCELINA BIZANTINO, já qualificada nos autos já


epigrafados de Ação de Indenização de Danos Materiais e Morais que move contra,
DANIEL DA SILVA, já qualificado, através de seu advogado infra-assinado, vem
respeitosamente a presença de Vossa excelência , com fulcro nos artigos 133, p. 2º, 134
caput e 135 p. 1º, todos do CPC, requerer

INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

O que faz argumentos de fatos e de direitos a seguir aduzidos.

I – BREVE RELATO DOS FATOS

Em 05/10/2017, às 12h35m, MARCELINA BIZANTINO foi atropelada pelo


veículo Chevrolet/Camaro, de placas ADM-1111, de propriedade e conduzido por
DANIEL DA SILVA, enquanto atravessava a pista de rolamento na faixa de
pedestre, na Rua Marialva esquina com Avenida Londrina, na Comarca de
Lucas do Rio Verde-MT.
Após receber alta médica, MARCELINA ingressou em juízo contra DANIEL DA
SILVA, requerendo indenização por danos materiais (despesas médicas, lucros
cessantes e pensão vitalícia), morais e estéticos, cuja ação foi distribuída perante
a 6ª Vara Cível da Comarca de Lucas do Rio Verde-MT, sob nº 0015555-
98.2018.8.11.0045.
Durante o curso da fase de conhecimento do referido processo, e após
operada a citação válida, descobriu-se que o Réu transferiu todo o seu
patrimônio para COLCHÕES ESQUILO LTDA, pessoa jurídica de direito

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privado da qual integra o quadro societário com 30% (trinta por cento) do
capital social.
Por este, fato a Autora requer a desconsideração da personalidade jurídica do
réu, para que seus bens fiquem livres e disponíveis para o cumprimento da
obrigação.
Esse é o breve relato.

II – DO DIREITO
O pedido tem amparo legal diante do atendimento aso
requisitos do artigo 50 do Código Civil que dispõe:

Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado


pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz
decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe
couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos
administradores ou sócios da pessoa jurídica.

No mesmo sentido, dispõe o art. 133, § 2o  do CPC a possibilidade de que


seja instaurado incidente de desconsideração de personalidade jurídica inversa por
simples petição.

Art. 133.  O incidente de desconsideração da personalidade jurídica


será instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando
lhe couber intervir no processo.

[...]

§ 2o Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de


desconsideração inversa da personalidade jurídica.

O abuso de personalidade e desvio de finalidade ocorrem


sempre que a pessoa jurídica é utilizada para encobrir ilícitos, seja da pessoa
jurídica ou dos sócios que a compõem.

No presente caso, fica caracterizado a má-fé do réu,


tendo em vista transferir todo seu patrimônio para a empresa para fugir de suas
obrigações.

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Destarte faz-se medida

II – DO MÉRITO RECURSAL

II.I – DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO

Decidiu o M.M. Juiz a quo que não houve má-fé da


empresa Ré, ora Apelada. Razão pela qual rejeitou o pedido de repetição de indébito de
R$ 14.200,00 (quatorze mil e duzentos reais).

Entretanto, tal decisão merece reforma, tendo em vista o


disposto no art. 42 do Código de Defesa do Consumidor:

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor


inadimplente não será exposto a ridículo, nem será
submetido a qualquer tipo de constrangimento ou
ameaça.
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia
indevida tem direito à repetição do indébito, por
valor igual ao dobro do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros legais, salvo
hipótese de engano justificável.

De acordo com o referido dispositivo, a única hipótese que


anula a obrigação ao pagamento é o “ENGANO JUSTIFICÁVEL”. Ocorre, Excelências,
que não houve engano na cobrança, pois se houvesse, teria sido arguido como matéria
de defesa na contestação, o que não ocorreu.

Assim tem decidido o Colendo Tribunal de Justiça do Rio


Grande do Sul
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO NÃO
ESPECIFICADO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR
DANOS MATERIAL E MORAIS. RESTITUIÇÃO DE
INDÉBITO. SERVIÇO NÃO CONTRATADO.
COBRANÇA INEXIGÍVEL. REPETIÇÃO DO
INDÉBITO EM DOBRO. DANO MORAL NÃO
CONFIGURADO. SENTENÇA PARCIALMENTE
REFORMADA. I. Trata-se de ação de indenização
por danos materiais e morais com pedido de
repetição de indébito em que o autor alega cobrança
indevida por serviços não contratados. Deferida a

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CostaPrevilato inversão do ônus da prova, incumbia a ré fazer
prova da existência de fato impeditivo, modificativo
ou extintivo do direito do autor, ônus não
desincumbido, pois deixou de comprovar que o
autor solicitou, contratou ou utilizou dos serviços
cobrados indevidamente. II. Os valores exigidos
indevidamente pela ré e pagos pelo autor deverão
ser repetidos em dobro, na forma do artigo 42,
parágrafo único, do Código de Defesa do
Consumidor, pois houve cobrança indevida de
serviço não contratado e o fornecedor não
comprovou hipótese de engano justificável. Exigir
do consumidor prova de que o fornecedor agiu com
má-fé inviabiliza a previsão legal consumerista. III.
A cobrança por serviço não contratado, por si só,
não enseja condenação à indenização por danos
morais. Sentença reformada, no ponto. APELO
PARCIALMENTE PROVIDO. UNÂNIME. (Apelação
Cível... Nº 70075149625, Décima Sétima Câmara
Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Liege
Puricelli Pires, Julgado em 19/10/2017).
(TJ-RS - AC: 70075149625 RS, Relator: Liege
Puricelli Pires, Data de Julgamento: 19/10/2017,
Décima Sétima Câmara Cível, Data de Publicação:
Diário da Justiça do dia 26/10/2017)

Desta forma, merece reforma a r. sentença recorrida para


julgar procedente o pedido de repetição do indébito condenando a Apelada a restituir
em dobro à Apelante o valor dos pagamentos mensais efetuados indevidamente.

II.II – DO VALOR DOS DANOS MORAIS

No tangente ao valor do dano moral, a r. sentença também


merece reforma, vez que, considerando a gravidade do dano e as condições econômicas
das partes, o valor fixado, qual seja, R$ 7.000,00 (sete mil reais), não atende o caráter
coercitivo e pedagógico da indenização, bem como aos princípios da proporcionalidade
e da razoabilidade.

Em casos parecidos aos dos autos, o Tribunal de Justiça


do rio Grande do Sul tem fixado valores consideravelmente superiores, conforme
seguintes decisões:

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Advocacia
CostaPrevilato APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO NÃO
ESPECIFICADO. AÇÃO ORDINÁRIA CULMINADA
COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA.
INSCRIÇÃO INDEVIDA EM ORGÃO DE
PROTEÇÃO AO CRÉDITO. MAJORAÇÃO DO
QUANTUM FIXADO A TÍTULO DE DANOS
MORAIS. CABIMENTO. Restando evidenciada a
inscrição indevida do nome do autor em órgãos de
proteção ao crédito, configurado está o agir ilícito da
requerida. Dano in re ipsa e que, por ser presumido,
dispensa a prova de seu alcance, deduzindo-se o
prejuízo dos efeitos nefastos que da própria
inscrição advém. No arbitramento da indenização
por danos morais, o juiz deve ater-se à dúplice
natureza da verba indenizatória, notadamente ao
seu caráter pedagógico, bem como aos elementos
concretos do caso em exame tais como gravidade,
repercussão da ofensa, sem perder de vista o
princípio da razoabilidade. Majoração do quantum
fixado, em atenção às peculiaridades da lide e aos
parâmetros desta Câmara Cível para casos análogos.
APELO PROVIDO. (Apelação Cível Nº
70075592121, Décima Sétima Câmara Cível,
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marta Borges
Ortiz, Julgado em 22/02/2018).
(TJ-RS - AC: 70075592121 RS, Relator: Marta
Borges Ortiz, Data de Julgamento: 22/02/2018,
Décima Sétima Câmara Cível, Data de Publicação:
Diário da Justiça do dia 02/03/2018)

Assim, a sentença deve ser reformada para que seja


majorado o valor fixado a título de danos morais.

II.III – DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

Ademais, cabe observar que não há que se falar em


sucumbência, tendo em vista a norma processual contida no art. 326, p. ú, CPC, que
diz:

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CostaPrevilato Art. 326. É lícito formular mais de um pedido em
ordem subsidiária, a fim de que o juiz conheça do
posterior, quando não acolher o anterior.
Parágrafo único. É lícito formular mais de um
pedido, alternativamente, para que o juiz acolha um
deles.

Ora, o pedido formulado pelo Apelado foi alternativo, de


forma que não houve improcedência do pedido, apenas foi julgado procedente o pedido
utilizando-se de uma das alternativas apresentadas, razão pela qual a r. sentença deverá
ser reformada, eximindo a Apelante do ônus de pagar os honorários sucumbenciais.

Além disso, dispõe o art. 86, p. ú. do CPC que ainda que o


litigante sucumba, se for em parte mínima, o outro deverá arcar com a totalidade da
sucumbência.

Desta forma, a sentença deve ser reformada, de maneira


que a Apelante não arque com honorários sucumbenciais.

Não obstante, não entendendo desta forma, requer seja


redistribuída sucumbência de forma justa.

III – DOS PEDIDOS FINAIS

Ex Positis, requer se digne Vossas Excelências em


conhecer do presente recurso de apelação para dar provimento e, por conseguinte,
reformar a sentença recorrida para julgar procedente o pedido de repetição de indébito
e majorar o valor dos danos morais para R$ 10.000,00 (dez mil reais).

Requer ainda, que seja imputado à Ré, ora Apelada, a


responsabilidade total pelas verbas de sucumbência ou que esta seja redistribuída de
forma justa.

Termos em que,
Pede e espera deferimento.

Umuarama, 20 de agosto de 2018

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Flávia Costa de Queiroz
OAB/PR 184.335

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