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COLEGIADO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

DISCIPLINA: BIOFÍSICA CELULAR E DE SISTEMAS

DOCENTE: LUCIANO AUGUSTO DE ARAUJO RIBEIRO

DISCENTE: GIZELE AUGUSTA LEMOS DA SILVA

RESUMO DE RADIOATIVIDADE E RADIAÇÕES EM BIOLOGIA

O fenômeno da Radioatividade consiste na emissão espontânea de partículas ou energia pelo


núcleo do átomo. As partículas mais comuns são a alfa e a beta, e a energia é sempre a radiação
gama. Podem ocorrer fenômenos secundários nos elétrons orbitais, com ejeção de elétrons ou
Raio X orbital. Os átomos que assim se comportam são denominados Radioisótopos ou
Radionuclídeos. A radioatividade existe em átomos naturais e átomos preparados
artificialmente, e constitui um fenômeno de alta significância científica, técnica, industrial e,
especialmente, social. Seu impacto na civilização é tão grande, que ainda está mal avaliado.

A radioatividade natural remonta à formação dos átomos, e pode ter milhões de anos. Se
existem átomos radioativos naturais, cuja radioatividade dura pouco tempo, é porque se
originaram de precursores de vida mais longa. A produção artificial de radioisótopos são
fabricados em pilhas atômicas, reatores atômicos e aceleradores de partículas. Explosões
nucleares e fusão nuclear também geram radioisótopos. Os átomos se compõem de núcleo e
órbitas. O núcleo possui prótons, nêutrons e as partículas beta negativa (negatron) e beta
positiva (pósitron), que estão associados aos prótons e nêutrons. Os orbitais possuem elétrons.

Os isótopos ocupam o mesmo lugar na classificação periódica dos elementos e possuem


obrigatoriamente o mesmo número de prótons, variando o número de nêutrons. Se dividem em
duas grandes classes: estáveis, que não se modificam espontaneamente e em instáveis, que
emitem espontaneamente partículas de energia pelo núcleo e se denominam Radioisótopos,
Radioelementos ou Radionuclídeos. Os isômeros possuem as mesmas partes constituintes,
possuem o mesmo número de prótons e nêutrons e diferem apenas no conteúdo de energia do
núcleo. Os isômeros existem sempre em dois estados: metaestável, com excesso de energia e o
fundamental, sem símbolo, após emissão da energia.
A partícula alfa é a mais pesada, tendo massa 4 e carga elétrica +2. Por esse motivo, ela é
altamente ionizante, deixando um rastro espesso de íons positivos e negativos pelo seu trajeto.
Ela tem mínima penetração, não atravessando mais que alguns centímetros de ar, sendo detida
por uma folha de papel. Seu uso é proibido em humanos. A ingestão de alimentos contaminados
com emissões de alfa muito grave. A partícula beta é o elétron; tem massa ínfima em relação ao
próton ou nêutron, e possui uma carga negativa. Ela é capaz de atravessar vários centímetros
de uma camada de ar, e betas mais energéticas passam através de folha de papel ou de lâmina
pouco espessa de mica, As betas ionizam menos do que a alfa. E as radiações gama são
altamente penetrantes e conforme a energia atravessam paredes de chumbo de vários
centímetros de espessura. Elas são as menos ionizantes das radiações, mas seu perigo reside
justamente na dificuldade de proteção.

As Radiações X e Ultravioleta fazem parte do amplo espectro eletromagnético. As ionizantes são


as Radiações gama e os Raios X, e possuem energia suficiente para ionizar a matéria. As
excitantes são as radiações ultravioleta (UV). O limite e o UV excita os materiais biológicos. Os
Raios X são produzidos essencialmente por dois mecanismos: Raios X orbital e Raios X de
frenagem, quando elétrons são acelerados acima de certa velocidade, e chocam-se contra
obstáculos, a Energia Cinética é liberada como Raio X. Com energização de átomos, usando
calor, Radiação fama ou X, eletricidade, os elétrons podem absorver a energia e saltar para
orbitais mais externos. A luz ultravioleta é excitante dos tecidos, e havendo condições propícias,
pode até ionizar a matéria, embora essa situação seja exceção nos sistemas biológicos.

O estudo dos efeitos causados pelas emissões radioativas sobre a Natureza, especialmente os
seres vivos, constitui o tema da Radiobiologia. Inicialmente, apenas o efeito sobre os sistemas
biológicos era apreciado. Hoje, inclui-se a vasta coleção de dados sobre os efeitos ecológicos das
radiações. A Radiobiologia é um conhecimento indispensável na sociedade moderna. Os seres
vivos estão permanentemente expostos à radiação do ambiente. Essa radiação é conhecida
como radiação de fundo, e tem várias origens. As radiações agem sobre os Biossistemas porque
há interação radiação-matéria. A matéria dos sistemas biológicos se comporta da mesma forma
que a matéria inerte, apenas com alguns aspectos peculiares. Os efeitos biológicos das radiações
podem ser observados em vários níveis, nos organismos. É evidente que a lesão inicial é
molecular, e se alastra até sintomas de lesão no corpo inteiro.

O estado atual do conhecimento biológico deve suas grandes descobertas ao uso Radioisótopos
para estudar os processos que ocorrem nos sistemas biológicos. O uso de isótopos
(especialmente os radioisótopos), permite identificar e diferenciar um grupo de moléculas de
outras. Essas moléculas marcadas mostram os caminhos biológicos. Se a molécula marcada é
radioativa, o processo atinge sensibilidade extraordinária. Os radioisótopos podem ser usados
sob duas formas principais: Radionuclídeos e Radiocompostos. O princípio fundamental do uso
consiste em: ‘’ Os radionuclídeos e radiocompostos se comportam de maneira semelhante aos
similares não-radioativos. O inverso também é verdadeiro’’. A diluição isotópica é um método
que possui muitas variantes, inúmeras aplicações, e se baseia no seguinte princípio: ‘’ Quando
uma determinada radioatividade é diluída, a atividade específica diminui, mas a atividade total
é a mesma’’. Os radioisótopos e radiações são os instrumentos mais usados em Biologia. O
campo de aplicação é vasto, podendo ser encontrado nas categorias Analítico, Diagnóstico,
Terapêutico e Ecológico.
Referência:
HENEINE. I.F. Biofísica Básica. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2010.

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