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EXMO. SR. DR.

JUIZ DE DIREITO DA ª VARA CIVEL DA COMARCA DE XXXXX, ESTADO


DE SÃO PAULO.

Processo.: XXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXX, brasileira, solteira, criadora de cã es, portadora do RG sob nº
XXXXXXXXXXXe inscrita no CPF sob nº XXXXXXXXX, com endereço eletrô nico:
XXXXXXXXXXXX, residente e domiciliada Rua XXXXXX, XX, XXXXXX - SP, CEP
XXXXXXXXXXXX, nos autos da AÇÃO DE DESPEJO COM PEDIDO DE LIMINAR C/C
COBRANÇA DE ALUGUÉIS E ENCARGOS DA LOCAÇÃO, movida por XXXXXXXXXX,
devidamente qualificado nos autos em epígrafe, vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, através de sua procuradora (Doc. 1), nos termos do art. 335 e art. 343 do
Có digo de Processo Civil, apresentar

CONTESTAÇÃO c/c RECONVENÇÃO


Pelos fatos e fundamentos que, a seguir, passa a expor:
1) DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Inicialmente afirma a Ré, sob as penas da lei, ser juridicamente necessitada, nã o tendo
condiçõ es de arcar com as custas judiciais e honorá rios advocatícios, sem prejuízo de seu
sustento pró prio, fazendo jus aos benefícios da GRATUIDADE DE JUSTIÇA, na forma do que
dispõ e o art. 98 do CPC.
2) DA SUSPENSÃO DA LIMINAR DE DESPEJO – IMINENTE DESOCUPAÇÃO
VOLUNTÁRIA DO IMÓVEL.

Com intuito de cumprir com a ordem de desocupaçã o do imó vel, a Ré envidou todos os
esforços para providenciar sua mudança, entretanto somente foi possível localizar um
novo imóvel e agendar a mudança para o dia XXXXXXXX.
Como demonstrado no e-mail anexo (Doc.2), a Ré já notificou a Sra. XXXXX, responsá vel por
intermediar o contato com o locador (Doc.3), que a vistoria foi agendada no dia XXXXXXX.
A vistoria será realizada por profissional da á rea imobiliá ria, estando tudo conforme, a Ré
entregará as chaves mediante recibo assinado pelo Autor.
Deste modo, considerando que a Ré desocupará o imó vel na pró xima semana, não se
mostra razoável e proporcional ordenar a medida coercitiva contra a mesma, deixando-a
desamparada, uma vez que nã o possui familiares pró ximos que possam acolhê-la. A
medida, se levada a cabo nesse contexto, seria desumana e desproporcional,
considerando a iminente desocupação do imó vel.
Assim, com base no art. 8º do Có digo de Processo Civil[1], requer-se concessão de prazo
suplementar para conclusão da desocupação voluntária do imóvel até o diaXXXXX e
consequente entrega das chaves no dia XXXXXXXX, após a vistoria, afastando a ordem
de desocupaçã o coercitiva, com a possibilidade de uso da força policial e arrombamento.

3) SÍNTESE DO NECESSÁRIO

As partes celebraram o contrato de locaçã o, em xxxxxx de xxxxxxxx de 201x, pelo prazo de


12 meses, do imó vel situado à Rua xxxxxxxxxx, SP, CEP xxxxxxxx, com vencimento do
aluguel no sexto dia ú til de cada mês vincendo, ou seja, o primeiro pagamento foi no sexto
dia ú til de abril.
Na presente demanda, o Autor pretende o despejo da Ré face ao inadimplemento no
pagamento dos aluguéis a partir de xxxxxx de 201x, incluídos correçã o monetá ria, juros
de 1% e multa contratual no valor de 10% do valor devido, além do Imposto Predial
Territorial - IPTU vencido a partir de xxx de xxxxxx de 201x e demais aluguéis e
encargos que vencerem no curso da açã o.
Sustenta o Autor, conforme a planilha de cá lculo apresentada nos autos, que o montante da
dívida totalizaria R$ xxxxxxxxxx (xxxxxxxxxxxx).
A seguir, a Ré pretende esclarecer as inconsistências do caso e apresentar medidas para
conciliar a pretensã o do Autor à s suas condiçõ es financeiras e psicoló gicas.
4) DOS FATOS E DIREITOS
4.1) Dos Valores Supostamente Devidos
O Autor apresentou a planilha de débitos (fls. 24) incluindo o mês de xxxxxxxnos
cálculos, entretanto o saldo do referido mês foi pago no dia xxxxx de xxxxxxx de 201x,
antes do protocolo da presente açã o (05/09/2018), conforme demonstrado no e-mail e
comprovante de depó sito encaminhados para a administradora do imó vel, (Docs. 4 e 5).
Deste modo, deve-se considerar o abatimento de tal valor para contabilizar o débito ao
final desta demanda.
4.2) Dos problemas infra estruturais no imóvel e custos envolvidos (defeitos ocultos)
Logo no início do período de locaçã o foi identificado pela SABESP (Companhia de
Saneamento Bá sico do Estado de Sã o Paulo) um vazamento nos canos localizados no
subsolo do imó vel, resultando em despesas nã o previstas e contas elevadas. (Docs. 6 a 10).
A situaçã o foi levada ao conhecimento do Autor e de sua sobrinha, Susana, conforme e-mail
anexo (Doc. 11).
Ocorre que o problema hidrá ulico nã o foi completamente sanado no primeiro conserto e
devido aos desentendimentos relatados, os reparos estã o as expensas exclusivas da Ré.
Considerando as pendências e despesas indicadas, dispõ e a Lei nº 8.245/91:
Artigo 22. O Locador é obrigado a:
I - Entregar ao locatário o imóvel alugado em estado de servir ao que se destina;
Todo o exposto demonstra que o imó vel nã o estava em plenas condiçõ es de locaçã o e que
todas as providências necessá rias a Ré procurou para usufruir dignamente o imó vel,
demandando despesas e gastos nã o previstos, colaborando para os atrasos nos aluguéis.
4.3) Da Notificação Extrajudicial
A Notificaçã o Extrajudicial juntada à s fls. 20/22, apresenta erros que resultaram na
impossibilidade de notificaçã o vá lida da Ré, vejamos:
Atualmente, a Ré reside no imó vel situado à Rua xxxxxxxxxxxxxx, objeto do contrato de
locaçã o firmado com o Autor.
Ocorre que a Notificaçã o Extrajudicial apresenta objeto DIFERENTE do contrato de
locação e endereço INCORRETO da Ré, condiçõ es que inviabilizaram a regular notificaçã o
da Ré.
Nã o bastasse a falta de notificaçã o que, se positiva, poderia ter resultado em um acordo e
nã o estaríamos tratando deste caso na via judicial, o Autor ficou enfurecido e tentou fazer
justiça com as pró prias mã os, invadindo o imóvel locado, chutando portas e
intimidando a Ré de forma grosseira, alegando que ela recusou receber a notificaçã o
extrajudicial, supostamente postada pelos Correios.
A situaçã o acima foi informada para a intermediá ria, sobrinha do Autor, denominada Sra.
Susana (vide Doc. 12[2]) e como demonstraçã o de boa-fé, a Ré solicitou a có pia do suposto
documento e imagens de câ meras que poderiam indicar se os Correios passaram pelo
imó vel e nã o foram atendidos.
Ocorre que, nos moldes apresentados pela Notificaçã o Extrajudicial juntada nos autos, a
situaçã o prestou-se apenas para criar confusã o e gerar mais tensã o entre as partes,
afastando a possibilidade de uma composiçã o amigá vel.
A Ré possui testemunha (Sr. xxxxxxxxxxxxxxxxx) que presenciou o momento em que o Autor,
sem autorização, estava dentro do imó vel locado, enfurecido, chutando portas e do,
consequente, estado emocional que a Ré se encontrava.
4.4) Do Direito de Uso, Gozo e Fruição do Imóvel – ainda que inadimplente a Ré
Em que pese a Ré estar em inadimplência, é dever do Autor garantir a utilizaçã o pacífica e
privativa do imó vel, não devendo este ou qualquer outra pessoa adentrar o imóvel
sem prévio aviso ou permissão da Ré.
Segundo o art. 22, II da Lei 8.245/91, durante o tempo de locaçã o o proprietá rio do imó vel
deve garantir o uso pacífico do imóvel, respeitando a intimidade do detentor da posse do
imó vel.
Além do desentendimento no dia 22/08/2018, narrado anteriormente, os familiares do
Autor adentram o imó vel, deixando o portã o aberto, afetando a segurança e privacidade da
Ré.
A clá usula “Décima Terceira” do contrato de locaçã o, fls. 19, estabeleceu que o Autor
poderia utilizar a lateral esquerda do prédio, para armazenamento de material de
construçã o e nada mais além disso.
Evidente que tais condutas e, especialmente, o episó dio da invasão ocorrida em
22.08.2018 resultaram em grandes abalos psicológicos à Ré, configurando evidente
dano moral e quebra de contrato pelo Autor.
Não bastasse todo o constrangimento explanado, a Ré mora sozinha, não possui
familiares e se deparou com a atitude violenta do Autor, fazendo uso arbitrário das
próprias razões, gerando trauma e constrangimento à Ré.
A Ré é criadora de cã es e depende disso para viver, ocorre que no dia 17.09.2018, apó s uma
denú ncia anô nima de supostos maus-tratos aos animais, estes foram retirados de sua
guarda e recolhidos pelo departamento de zoonoses, encaminhando os animais para um
depositá rio em Mairinque/SP.
Evidente que a denú ncia é descabida, o que será demonstrado no devido processo e em
processo destinado a buscar indenizaçã o por perdas e danos, além dos lucros cessantes,
mas o Autor estava presente no momento que os policiais chegaram ao local e permitiu a
entrada dos policiais no imó vel, assinando documentos em nome da Ré sem o devido
consentimento.
Isso só piorou a condiçã o psicoló gica e financeira da Ré que busca diversificar seu ramo de
trabalho oferecendo hotelzinho para cã es e atividades de banho e tosa animal.
Infelizmente, as atividades acima nã o foram suficientes para cumprir com os deveres
contratuais, pagar os diversos consertos e manutençõ es que o imó vel vem demandando,
além de encargos e custos para manter as atividades e a moradia da Ré.
Ante o exposto, considerando a manifestação na exordial sobre o interesse do Autor
em composição dos débitos, requer que o Autor promova os ajustes e abatimentos
devidos na planilha de débitos, considerando os documentos acostados, para
oferecimento de acordo justo para ambos. O que poderá ocorrer em audiência caso
V. Exa. entenda necessário.
5) RECONVENÇÃO
Reconvençã o é a açã o do Réu contra o Autor no mesmo processo que é demandado. Esta
açã o amplia objetivamente o processo, obtendo novo pedido na presente açã o.
Nesse sentido, o art. 343 do CPC prevê:
Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão
própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa.
O Autor reconvindo invadiu o imó vel locado no dia 22/08/2018 e ameaçou seriamente a
Ré reconvinte, conforme descrito no tó pico anterior, por um equívoco gerado por
responsabilidade exclusiva deste.
O fato da existência de inadimplência na relaçã o imobiliá ria em discussã o, não autoriza o
Autor a fazer exercício arbitrário das próprias razões[3] contra a Ré, causando medo,
perturbaçã o da privacidade e constrangimento.
Tal situaçã o é ensejadora de indenizaçã o por danos morais, conforme destacamos o
seguinte julgado:
LOCAÇÃO DE IMÓVEL – AÇÃO INDENIZATÓRIA C.C. RESCISÃO CONTRATUAL - INVASÃO DO
IMÓVEL PELO LOCADOR - EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES – ATO
ILÍCITO – SENTENÇA QUE DECRETOU A RESCISÃO CONTRATUAL E RECONHECEU SOMENTE
OS DANOS MATERIAIS - DANO MORAL TAMBÉM CONFIGURADO NA HIPÓTESE –
ARBITRAMENTO EM R$ 3.000,00 – SENTENÇA REFORMADA NESSE PONTO – RECURSO DO
AUTOR PROVIDO E RECURSO DA RÉ NÃO PROVIDO. I. Ainda que restasse configurado o
abandono ou a inadimplência, a retomada do imóvel não poderia ter sido feita por força
própria, ou seja, ao arrepio dos meios legais previstos para tanto. Ato ilícito perpetrado pelas
rés devidamente reconhecido, devendo reparar os danos demonstrados nos autos,
incluindo-se os danos morais, que restaram configurados; (TJ-SP
10105087620158260320 SP 1010508-76.2015.8.26.0320, Relator: Paulo Ayrosa, Data de
Julgamento: 10/10/1017, 31ª Câmara de Direito Privado, Data e Publicação: 10/10/2017).
Considerando, todo o exposto no tó pico anterior e todo o constrangimento e dor gerados
indevidamente pelo Autor reconvindo à Ré reconvinte, postula-se a presente Reconvenção
a fim de pleitear a indenizaçã o por danos morais no valor de R$ 6.000,00 (Seis Mil Reais).
6) DOS PEDIDOS
A. A concessã o dos benefícios da JUSTIÇA GRATUITA, nos termos do art. 98 do CPC ou, caso
nã o seja esse o entendimento de V. Exa., que seja concedido prazo para o recolhimento das
custas e despesas processuais apuradas.
B. Requer que seja a presente Contestação julgada totalmente PROCEDENTE para os fins:
1) nos termos do art. 8º do CPC, determinar o afastamento da liminar com a concessão
de prazo suplementar para desocupação voluntária do imóvel, no dia xxxxxxxx e
vistoria agendada para o dia 30/11/2018, afastando a desocupaçã o coercitiva e força
policial, desnecessá rios para o caso;
2) a correçã o dos valores indicados como devidos e abatimento das despesas que nã o
foram ressarcidas pelo Autor;
3) considerando todo o cená rio, as dificuldades financeiras da Ré e a manifestaçã o do Autor
em realizar uma composiçã o, requer-se a atualizaçã o dos valores devidos e o abatimento
dos valores pagos até o momento para estabelecer um acordo a partir dos novos valores
apurados e corrigidos, designando audiência conciliató ria caso V. Exa. Entenda pertinente.
C. Requer que seja a presente Reconvenção julgada totalmente PROCEDENTE para os fins:
1) que o reconvindo seja condenado ao pagamento de danos morais no valor de R$
6.000,00 (Seis Mil Reais), bem como, ao pagamento dos honorá rios sucumbências;
2) indicar a testemunha Sr. xxxxxxxxxxx, bem como reserva-se o direito de apresentaçã o de
outras testemunhas no prazo legal;
3) Nos termos do art. 385, requer o depoimento pessoal do reconvindo;
D. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitida,
notadamente, documental, testemunhal, pericial e depoimentos pessoais.
Dá -se a Reconvençã o, nos termos do art. 292, V, do CPC, o valor de R$ 6.000,00 (Seis Mil
Reais).
Termos em que espera deferimento.
xxxxxxxx/SP, xxxxxxx de xxxxxxxxx de 201x.
ADVOGADA
OAB/SP Nº

[1] Art. 8o Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e à s
exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e
observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a
eficiência.
[2] e-mail informando o ocorrido a Sra. XXXXXXXX, no dia XXXXXX.
[3] O que, salvo melhor juízo, pode configurar fato previsto no art. 345 do Có digo Penal