Você está na página 1de 6

Determinação de coeficientes convectivos de transferência de calor

Disciplina: Laboratório de Engenharia Química II


Docente: Prof.º Dr.º Leandro Lodi

Discentes:
Amanda Shaianne Rodrigues - 2016.2.36.008
André Franchini - 2016.2.36.009
Pedro Henrique Morandin Darú - 2015.2.36.021

Setembro/2020
1. Diferentes formas de transferência de calor

A transferência de calor é a energia térmica em trânsito devido a uma


diferença de temperaturas no espaço. Podem existir três diferentes tipos de
transferência de calor, são eles a condução, a convecção e a radiação. É de grande
importância o entendimento de mecanismos físicos que fundamentam esse
processo.

1.1 Transferência por condução

O mecanismo de condução de calor está associado à transferência de calor


de um material a nível molecular por transferência de energia sensível. As partículas
mais energéticas transferem parte de sua energia vibracional, rotacional e
translacional por contato com outras partículas menos energéticas. A transferência
é efetuada no sentido do gradiente, portanto no sentido de maiores temperaturas
para os níveis de menor temperatura.

Esse tipo de transferência ocorre tanto em gases e líquidos como também em


sólidos. A quantidade de calor transferida de um material é medida pela
condutividade térmica do mesmo, sendo alguns materiais mais propensos a
condução do que outros, isso depende de sua estrutura molecular, quanto mais
elétrons livres, maior será a condução de energia pela superfície.

1.2 Transferência por convecção

O processo da convecção, é utilizado para descrever a transferência de


energia entre um fluido em movimento sobre uma superfície. A convecção inclui
transferência de energia pelo movimento global do fluido, advecção, e pelo
movimento aleatório das moléculas do fluido (INCROPERA et al., 2015).

A convecção ocorre entre uma superfície e um fluido em movimento quando


eles estiverem em diferentes temperaturas. Neste processo pode haver
transferência de energia devido ao movimento molecular aleatório (difusão) e
também através do movimento global do fluido. O movimento do fluido está
associado a uma grande quantidade de moléculas se movendo coletivamente ou
como agregados, este movimento na presença de um gradiente de temperatura
contribui para a transferência de calor. Essa transferência total de calor é então
resultado da superposição do transporte de energia pelo movimento aleatório das
moléculas com o transporte por conta do movimento global do fluido (INCROPERA
et al., 2015)
De acordo com Incropera et al. (2015) dentro do fenômeno da convecção
existe o coeficiente de transferência de calor (h) , este varia com o tipo de fluxo
(laminar ou turbulento), com a geometria do corpo e a área de escoamento, com as
propriedades físicas do fluido, com a temperatura média e com a posição ao longo
da superfície do corpo, e ainda, depende do tipo de convecção (forçada ou natural).

1.3 Transferência por radiação


A radiação, no contexto da transmissão de calor, consiste no transporte de
energia por meio de ondas electromagnéticas. As ondas electromagnéticas
propagam-se no vazio à velocidade da luz e, assim, a radiação, ao contrário da
condução e da convecção, não necessita de um meio material para que a
transferência de energia se efetue.
A transferência de calor por radiação térmica ocorre através dos sólidos,
líquidos e gases, ela é designada por toda energia radiante emitida na gama de
comprimentos de onda (0,1 a 100 μm) do espectro eletromagnético. Resulta da
emissão e propagação de ondas eletromagnéticas por alteração na configuração
eletrônica de átomos e moléculas. Para efeitos de clareza, todo corpo emite
radiação e quanto mais quente um material está, mais radiação ele emitirá.

2. Transferência de calor por convecção


A convecção é o processo de transporte de energia pela ação combinada da
condução de calor, armazenamento de energia e movimento de mistura. As
partículas quando aquecidas em um contato direto com o sólido tendem a se
movimentar, migrando para locais onde as temperaturas são mais baixas. A medida
em que o objeto esquenta, os elétrons se movimentam cada vez mais rápido,
transmitindo calor para todas as partículas buscando o estado de boa.
O calor transmitido de uma superfície sólida para um fluido por convecção em
função do tempo pode ser calculado da seguinte forma:

( ΔQΔt )= A . h . ΔT (1)

Sendo h(kcal/h) na fórmula acima representado pelo coeficiente médio de


transmissão de calor por convecção, sendo o mesmo dependente da geometria da
superfície, da velocidade e das propriedades físicas do fluido. A grandeza “A”
representa a área de transmissão do calor, em m² e o ΔT é a diferença de
temperatura entre a superfície e a do fluido em um local específico.

3. Dados tabelados para coeficiente de convecção do ar


Tabela 1 - Valores típicos do Coeficiente de convecção "h" para gases em
transferência de calor:

Processo h [ W / m².K ]

Convecção Natural 2 - 25

Convecção Forçada 25 - 250

Convecção com mudança de fases 2500 - 100000


(condensação ou ebulição)
Fonte: INCROPERA et al., 2015, pg 6

4. Método de capacitancia global


O método da capacitância global tem como essência a hipótese de que a
temperatura do sólido é uniforme no espaço, em qualquer momento durante o
período transiente, esta hipótese implica que os gradientes de temperatura no interior
do sólido sejam desprezíveis. É o método mais simples e conveniente que pode ser
utilizado na solução de problemas transientes de aquecimento e resfriamento. Como
considera os gradientes de temperatura no interior do sólido desprezíveis, é utilizado
um balanço global de energia no sólido relacionando a taxa de perda de calor na
superfície com a taxa de variação da energia interna (INCROPERA et al., 2015).
A partir da equação abaixo, obtida através do balanço de energia no sistema,
é possível calcular a temperatura alcançada no sólido em algum tempo t
(GIORGETTI, 2008).

θ T −T ∞ h As
=
θi T i−T ∞
=exp −
[ ( )]
ρV C p
t (2)

aplicando logaritmo neperiano temos uma equação linearizada:

T −T ∞ h As
ln
T i −T ∞[ ( )]
=−
ρV C p
t (3)
Onde:
T= temperatura alcançada em determinado tempo;
T i= temperatura do corpo em determinado tempo;
T ∞= temperatura ambiente;

h = coeficiente convectivo;
A s= Área superficial do corpo;

ρ = densidade do corpo;
C p = calor específico;

V = volume do corpo;
t = tempo no instante que se mede cada temperatura.

Apesar de usar critérios que obedecem a um regime estacionário essas


condições podem ser estendidas para processos transientes.O número de Biot
desempenha um papel fundamental nos problemas de condução que envolvem
efeitos convectivos nas superfícies. Ele fornece uma medida da queda de
temperatura no sólido em relação à diferença de temperaturas entre a superfície e o
fluido (BERTI, 2019).
Se Bi ≪ 1 , a resistência à condução no interior do sólido é muito menor do que a
resistência à convecção através da camada limite do fluido, dessa maneira a hipótese de
distribuição de temperaturas uniforme no interior do sólido é razoável se o número de Biot for
pequeno. Caso Bi ≫ 1 , a diferença de temperaturas ao longo do sólido é muito maior do que a
diferença entre superfície e o fluido (INCROPERA et al., 2015).
Este parâmetro pode ser calculado através da seguinte equação:

h Lc
=Bi (4)
k

Onde:
h= coeficiente convectivo;
Lc = comprimento característico;

k= condutividade térmica;
Bi = número de Biot.

Para se obter o valor do comprimento característico ( Lc ) é utilizado a seguinte


equação:

V
Lc = (5)
As

Onde:
V=volume do corpo;
A s= Área superficial.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA, Marcelo de Rosário. Princípios Fundamentais de Transferência de


Calor. 2020. 48 f. TCC (Graduação) - Curso de Engenharia Naval e Oceânica, Usp,
São Paulo, 2004.

INCROPERA, Frank P. et al. Fundamentos de Transferência de Calor e de


Massa. 7ª. ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2015.

RASTEIRO, Maria da Graça. TRANSFERÊNCIA DE CALOR. 2007. Disponível em:


http://labvirtual.eq.uc.pt/siteJoomla/index.php?
option=com_content&task=view&id=248&Itemid=422#2. Acesso em: 28 set. 2020.

Você também pode gostar