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FACULDADE DE EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE

MARIANA BRUSTOLON MARIANO

ANÁLISE COMPARATIVA DE TÉCNICAS


ANALÍTICAS NA DETERMINAÇÃO DO TEOR DE
ESTANHO NA CASSITERITA

ARIQUEMES - RO
2017
2

Mariana Brustolon Mariano

ANÁLISE COMPARATIVA DE TÉCNICAS


ANALÍTICAS NA DETERMINAÇÃO DO TEOR DE
ESTANHO DA CASSITERITA

Monografia apresentada ao curso de


Licenciatura em Química da Faculdade
de Educação e Meio Ambiente –
FAEMA, como requisito parcial à
obtenção do Grau de Licenciada em
Química.
Profº. Orientador: Msº. Jhonattas Muniz
de Souza.

Ariquemes - RO
2017
Mariana Brustolon Mariano

ANÁLISE COMPARATIVA DE TÉCNICAS


ANALÍTICAS NA DETERMINAÇÃO DO TEOR DE
ESTANHO NA CASSITERITA

Monografia apresentada ao curso de Licenciatura


em Química da Faculdade de Educação e Meio
Ambiente como requisito parcial à obtenção do
grau de Licenciada em Química.

COMISSÃO EXAMINADORA

__________________________________________
Profº. Orientador: Msº. Jhonattas Muniz de Souza
Faculdade de Educação e Meio Ambiente – FAEMA

__________________________________________
Prof. Msº Rafael Vieira
Faculdade de Educação e Meio Ambiente – FAEMA

__________________________________________
Profª. Esp° Isaías Fernandes Gomes
Faculdade de Educação e Meio Ambiente - FAEMA

Ariquemes, 26 de junho de 2017.


A Deus por ser minha fonte de vida.
Meu esposo por me amar e por ser meu companheiro.
Aos meus pais por me amarem e me ensinarem a vida.
Aos meus amigos e professores pela contribuição.
AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus pelo dom da vida, e por ter me


proporcionado a oportunidade de me graduar em um curso pelo qual sou apaixonada.
Agradeço, imensamente, aos meus pais José Mariano Neto e Maria Ap.
Brustolon Mariano por minha formação como cidadã e por todo amor e carinho
dedicados a mim.
Ao meu esposo Jefferson Mattos por estar ao meu lado durante esses anos de
faculdade e por sempre me apoiar e entender minhas ausências.
Agradeço aos meus amigos, em especial, Jessé Castro por ter me incentivado
a cursar licenciatura em química, aos meus queridos amigos de classe Ezequiel,
Mayara, Estela, Karina e Luana por terem estado ao meu lado me ajudando,
suportando em momentos que ficaram sempre em minha carreira acadêmica.
Aos professores, tenho real apreço por terem me proporcionado a
aprendizagem, em particular quero agradecer ao meu orientador, profº. Msº. Jhonattas
Muniz de Souza pela paciência e por sua parceria na realização desta pesquisa, não
seria o mesmo sem sua contribuição. Ao coordenador profº. Msº. Rafael Vieira tenho
imenso carinho em dizer que sua contribuição será sempre destacada por me fazer
entender o real sentido de dizer que “amo a educação”. A profª. Msa; Filomena M.M.
Brondani sou grata por ser mãe acadêmica por abraçar e perguntar se estávamos
bem seu carinho e amor me marcou.
E não poderia deixar de agradecer de uma forma toda especial a Camilo Gomes
um companheiro de trabalho que disponibilizou tempo, paciência e conhecimento para
contribuir de forma imensurável em minha pesquisa.
Que Deus esteja com todos, abrindo novas portas e que todos possam marcar
outras vidas como marcaram a minha.
“A humildade vai afrente da honra”.

Prov. 18
RESUMO

A cassiterita é um minério, é a matéria prima do estanho, o qual é um metal com valor


aquisitivo considerável e com uma importância fundamental na fabricação de ligas,
soldas e revestimentos de produtos metálicos. Este minério é encontrado nas diversas
partes do planeta, nos estudos científicos destaca-se a jazida Bom Futuro, localizada
no município de Ariquemes – RO, considerada a maior a céu aberto do mundo e de
fundamental importância para o desenvolvimento da região e do Brasil. O valor do
estanho é agregado por meio de análises quantitativas de seu teor nas amostras de
cassiterita, na presente pesquisa a amostra para análise foi extraída do Garimpo Bom
Futuro e objetivou-se comparar as técnicas analíticas Iodometria e as de Via raio x
como métodos de determinação do teor de estanho, demostrando nos parâmetros
científicos que a técnica iodometria possui maior eficiência para este tipo de análise,
visto que o desvio padrão das técnicas via raio x WDXRF, EDXRF foram superior a
2% e a técnica AAS apresentou coerência no resultado porem podendo variar de uma
amostra para outra, sendo que o desvio padrão da iodometria foi de 0,001703917%
considerado baixo e aceitável, para tais objetivos das análises.

Palavras-Chave: técnicas analíticas, via raio x, iodometria, cassiterita, estanho.


ABSTRACT

Cassiterite is an ore, it is the raw material of tin, which is a metal with considerable
purchasing value and of fundamental importance in the manufacture of alloys, welds
and coatings of metallic products. This mineral is found in various parts of the planet.
In the scientific studies the Bom Futuro deposit is located, located in the municipality
of Ariquemes - RO, considered the largest open pit in the world and of fundamental
importance for the development of the region and Brazil. The value of tin is aggregated
by means of quantitative analyzes of its content in the cassiterite samples, in the
present research the sample for analysis was extracted from the Bom Futuro Garimpo
and it was aimed to compare the analytical techniques Iodometria and those of x-ray
as methods Of determination of the tin content, demonstrating in the scientific
parameters that the iodometry technique has greater efficiency for this type of analysis,
since the standard deviation of the techniques via x-ray WDXRF, EDXRF were superior
to 2% and the AAS technique presented consistency in the result But may vary from
one sample to another, with the standard deviation of iodometry being 0.001703917%
considered low and acceptable for such analysis purposes.

Key Words: analytical techniques, cassiterite, Iodometry, tin.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01: cassiterita cristalizada...............................................................................13

Quadro 01. Características da cassiterita..................................................................14

Figura 02 – (processo de redução da cassiterita........................................................15

Figura 3 – Consumo nacional de estanho..................................................................17

Figura 04 esquema de titulação.................................................................................18

Figura 05 - espectrometria de fluorescência de raios X por dispersão de comprimento


de onda......................................................................................................................19

Figura 06. Espectrometria de fluorescência de raios X por energia dispersiva...........20

Figura 07: Diagrama de um espectrômetro de absorção atômica com chama...........21

Figura 08. Pulverizador de amostra...........................................................................24

Figura 09 - pastilha prensada em seu molde..............................................................25

Figura 10 supermini200.............................................................................................26

Figura 11 aparelho de espectrometria de absorção atômica (SpectrAA 55B) ............27

Figura 12:Rigaku NEX CG Energy Dispersive Spectrômetro de fluorescência de raios


X................................................................................................................................28

Figura 13 pastilha prensada para análise no EDXRF.................................................29

Figura 14--- Espectograma obtido pela técnica WDXRF para uma amostra de
cassiterita..................................................................................................................31
.
Figura 15 – Espectograma obtido pela técnica EDXRF.............................................32

Tabela 02 – Resultados das análises via úmida.........................................................33


SUMÁRIO

RESUMO..................................................................................................................... 7
INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 11
2 REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................. 12
2.1 CONTEXTO HISTÓRICO E OS FATORES RELEVANTES DA EXTRAÇÃO DO
ESTANHO ................................................................................................................. 12
2.2 OCORRENCIA E CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E QUÍMICAS DO ESTANHO. 13
2.3 USO INDUSTRIAL DO ESTANHO ...................................................................... 14
2.4 METODOS ANALITICOS PARA A DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ESTANHO
.................................................................................................................................. 17
3 OBJETIVOS ........................................................................................................... 23
3.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................. 23
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................... 23
4 METODOLOGIA .................................................................................................... 24
4.1 ANÁLISE QUANTITATIVA VIA TÉCNICA ANALÍTICA ESPECTROMETRIA DE
FLUORESCÊNCIA DE RAIOS X POR DISPERSÃO DE COMPRIMENTO DE ONDA
(WDXRF) ................................................................................................................... 24
4.2 ANÁLISE QUANTITATIVA VIA TÉCNICA ANALÍTICA ESPECTRÔMETRO DE
ABSORÇÃO ATÔMICA (ASS) .................................................................................. 26
4.3 ANÁLISE QUANTITATIVA VIA TÉCNICA ANALÍTICA ESPECTROMETRIA DE
FLUORESCÊNCIA DE RAIOS X POR ENERGIA DISPERSIVA (EDXRF) ............... 28
4.4 ANÁLISE QUANTITATIVA VIA TÉCNICA ANALÍTICA IODOMETRIA ................ 29
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................. 31
5.1 TEOR DE SN OBTIDO VIA TÉCNICA ESPECTROMETRIA DE
FLUORESCÊNCIA DE RAIOS X POR DISPERSÃO DE COMPRIMENTO DE ONDA
(WDXRF). .................................................................................................................. 31
5.2 TEOR DE SN OBTIDO VIA TÉCNICA ESPECTROMETRIA DE
FLUORESCÊNCIA DE RAIOS X POR ENERGIA DE DISPERSIVA (EDXRF) ......... 32
5.3 ANÁLISE QUANTITATIVA VIA TÉCNICA ANALÍTICA ESPECTRÔMETRO DE
ABSORÇÃO ATÔMICA (ASS) .................................................................................. 33
5.4 ANÁLISE QUANTITATIVA VIA TÉCNICA ANALÍTICA IODOMETRIA ................ 33
CONCLUSÃO ........................................................................................................... 35
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 36
INTRODUÇÃO

De acordo com Rondônia (2015), a produção de estanho na região de


Ariquemes/RO vem se destacando no setor por estar investindo para ampliação de
suas fundições e exportações. Uma das formas de investimentos está na tecnologia
adquirida pelas empresas siderúrgicas no controle de qualidade do teor do Estanho,
garantindo a qualidade e a credibilidade das empresas.
Dessa forma, este trabalho apresenta análises laboratoriais realizadas em uma
amostra de cassiterita extraída do referido Garimpo, realizando comparativamente,
análises via úmidas e vias raio x.
A necessidade de comparação entre tais procedimentos analíticos possibilita a
identificação da técnica que melhor se ajusta ao processo custo-benefício das
empresas mineradoras da região. O estudo da temática busca estabelecer uma
análise entre os métodos Via Úmida e Vias Raio x dentro eficácia na análise da do
teor de Estanho da cassiterita, essas técnicas analíticas vêm se destacando de forma
significativa nas últimas décadas, isso se deve aos avanços tecnológicos que
possibilitam o desenvolvimento de novos softwares de operação e a montagem dos
equipamentos que passam a ser mais eficientes e compactados, otimizando o tempo
de análise e interpretação dos resultados.
Tal fato, também possibilitou a redução nos preços destes equipamentos,
facilitando a aquisição para os laboratórios que os necessitam, mas não se pode
deixar de falar da técnica analítica via úmida muito utilizada em industrias,
principalmente, em metalúrgicas e mineradoras, garantindo os resultados dos teores
exatos dos matérias recebidos e vendidos pelas empresas.
A este contexto, se deve a importância desta pesquisa que analisará algumas
técnicas já usadas para a determinação do teor de estanho na cassiterita, analisando
assim quais delas apresenta uma eficiência melhor, buscada pelas empresas do
ramo.
12

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 CONTEXTO HISTÓRICO E OS FATORES RELEVANTES DA EXTRAÇÃO DO


ESTANHO

O estanho possui uma relação milenar com a humanidade, pois estudos


arqueológicos realizados no rio Tigre e Eufrates, localizados na antiga Mesopotâmia,
atualmente Iraque, revelam que o bronze (liga metálica de cobre e estanho) já era
usado por volta de 3.500 a 3.200 a.C. Neste contexto, houve o reconhecimento de
que um dos primeiros metais a serem trabalhados pelo homem foi o estanho, que era
usado em ligas, juntamente com o cobre, contribuindo na evolução tecnológica das
civilizações, conhecida como Idade do Bronze. (RODRIGUES, 2001).
O mesmo autor destaca que, os povos do Oriente Médio utilizavam o estanho
desde os tempos remotos devido, provavelmente, às suas características físicas e
químicas, tais como: baixo ponto de fusão, resistência a corrosão e oxidação,
formação de ligas com outros metais, não apresentar toxidade, além de obter uma
aparência lustrosa e prateada sendo usada assim, como revestimento em outras
peças metálicas.
Segundo Silva (2001), a história relata que por volta de 2.500 a.C. ocorreu uma
escassez de estanho em determinadas áreas da região oriental, este fato estimulou a
ampliação das rotas comercias que tinham destino às reservas estaníferas da
Espanha e “Cassiterides” ou “Ilhas de Estanho” descritas pelo historiador Heródoto. É
previsto que Ilhas de estanho se referia às formações geológicas de Cornwall
(Inglaterra), sendo relevante destacar que até o século XIX esta região era
responsável por um terço de toda produção de estanho do mundo e hoje se encontra
esgotada.
No Brasil, nas décadas de 40 e 50, a história registra que houve os primeiros
indícios de cassiterita na região de São João Del Rey – MG. E ainda, na região norte,
onde se destacou a exploração de cassiterita, com a descoberta da jazida Bom Futuro
em Rondônia por madeireiros e seringueiros próximos ao Rio Santa Cruz. Atualmente
esta região se denomina Garimpo Bom Futuro, considerada a maior mina de
cassiterita a céu aberto do mundo.
No início das explorações, segundo Souza Filho, Prado e Silva (2013), aumento
da garimpagem foi realizado de forma rudimentar, pois a matéria-prima era de fácil
13

extração, sem haver a necessidade de equipamentos mecanizados. Com o progresso


da extração, novos métodos foram inseridos para otimizar a busca pela cassiterita
As jazidas que classificaram o Brasil como maior produtor do mundo, no triênio
1988-1990 foram a do Pitinga, no Amazonas e Bom Futuro em Rondônia, descobertas
na década de 80. Essa condição de maior produtor mundial de estanho possibilitou
ao país ser um dos maiores exportadores de estanho metálico no mercado
internacional. (RODRIGUES, 2001).

2.2 OCORRÊNCIA E CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E QUÍMICAS DO ESTANHO

O estanho é um elemento químico, seu nome vem do latim stannum,


representado pelo símbolo Sn na tabela periódica e metal não-ferroso. Atualmente
considerado escasso na forma pura, denominado de estanho nativo. Sua gênese está
interligada a processos de diferenciação magmática, associada às rochas graníticas.
A cassiterita representada na Figura 1, apresenta-se em diferentes ambientes
geológicos, presente nas 5 placas continentais do planeta, sendo que em alguns
lugares essas reservas estaníferas são de maior abundância.

Fonte: https://www.cristaisaquarius.com.br/comprar-pedra-a-d/ca-cn/cassiterita
Figura 01: cassiterita cristalizada.
14

A cassiterita é um dióxido de estanho (SnO2), com características químicas


variáveis. As principais propriedades da cassiterita estão descritas no quadro 01.

Propriedades Características
Dureza 6-7
Densidade relativa 6,8 -7,1
Brilho Adamantino e sub-metálico
Teores 60,0 % a 78,8 %
Coloração Castanha ou preta, raramente vermelha e amarela
Toxidade Não apresenta

Quadro 01. Características da cassiterita

Tais características servem de orientação para sua aplicação na área,


agregando em si um valor comercial significativo. (CAVIANATO, 1998).

2.3 USO INDUSTRIAL DO ESTANHO

Após a extração da cassiterita há um processo minucioso de redução, que


segue as normas de qualidade, meio ambiente e segurança da (ISO 9001), neste
processo o minério é depositado em fornos elétricos de redução, onde ocorre um
processo piro metalúrgico (decomposição do oxigênio da partícula de estanho),
transformando assim o minério em metal, ainda em forma de estanho bruto.
Todo processo de redução da cassiterita realizado é baseado em cálculos
estequiométricos para a preparação dos traços, estes são combinações de insumos
e matéria-prima que irão para a redução, tais traços devem estar devidamente
balanceados para que haja uma redução satisfatória. A química analítica tem forte
presença nesta etapa pois é a partir dos resultados das análises da cassiterita que se
baseia a preparação dos traços para uma melhor redução do estanho.
Após essa etapa, o material bruto passa por outros aparelhos de tratamento,
sendo um dos principais o cristalizador, que tem a função de separar o chumbo
presente no estanho. Este equipamento faz essa separação por meio das diferenças
de peso molecular. Devido a densidade do chumbo ser maior, este deposita-se na
parte inferior do equipamento, e é retirado através de um dreno. O chumbo drenado é
15

comercializado para a produção de ligas, apesar de ainda possuir um alto teor de


estanho. O objetivo da purificação do material é para que atenda a especificação de
comercialização.
Esse processo de refinamento pode ser visualizado na Figura 02.

Fonte: Adaptado, BRASIL (2009).


Figura 02 – (processo de redução da cassiterita)

Na figura 02, pode-se identificar os diversos processos empregados para que


possa ter o estanho como produto acabado, pronto para comercialização. Esse
refinamento do estanho possibilita uma gama de aplicação industrial, com destaque
aos produtos: folhas de flandres, soldas, ligas metálicas e químicos. Esses produtos
possuem composição definida, e são submetidos a processos específicos devido às
funções de aplicabilidade. Diante do acima exposto, Brasil (2009), destaca os
16

principais produtos derivados do estanho, que por sua vez são os mais consumidos
no país, apresentados nos tópicos a seguir:
a) Estanhagem: o processo de estanhagem normalmente é usado em circuitos
impressos para a indústria eletrônica, na fabricação de folhas-de-flandres, além de ser
usado no revestimentos de utensílios domésticos com o objetivo de evitar a corrosão.
b) Folhas-de-flandres: principal campo de aplicação do estanho, com 90% de sua
produção destinada para a área de embalagens alimentícias, vale salientar, que o alto
custo do estanho levou o mercado a buscar novas alternativas para as embalagens
como o vidro, alumínio e o plástico, que por sua vez são mais baratos, e isso gerou
uma redução no consumo de estanho, porém, foi minimizada com a ampliação do uso
de folhas-de-flandres.
c) Soldas: as soldas são ligas compostas por estanho, com predominância do
chumbo, além de outros elementos, sendo ela a segunda maior aplicação do estanho,
correspondendo a cerca de 28% do consumo brasileiro. Mas como a tecnologia vem
crescendo rapidamente novas técnicas já estão sendo utilizadas para que este
consumo diminua.
d) Liga branca: uma inovação importante na indústria de estanho foi a de Isac
Babbit, que é uma “liga branca” muito utilizada na fabricação de soldas, ligas, fusíveis,
mancais, peças ornamentais entre outras, logo após surgiu o estanho eletrolítico e os
compostos organoestanosos, que hoje são insumos indispensáveis para a metalurgia.
e) Bronze: estes são ligas de (Cobre e estanho) - Cu-Sn que apresentam
resistência química e mecânica. Esta liga é empregada na construção de navios e
indústrias químicas, no Brasil este produto corresponde a cerca de 6% da demanda
de estanho.
f) Ligas de Pewter: essas ligas são compostas essencialmente de estanho,
antimônio e cobre, muito utilizada na confecção de utensílios de uso doméstico
chapas e laminas.
g) Produtos químicos: o estanho é usado na produção de tintas, plástico e
fungicidas. Os compostos orgânicos de estanho não se encontram de forma pura na
natureza, e sim produzidos em indústrias com características químicas físicas e
biológicas específicas, proporcionando uma ampla aplicação industrial.
O Brasil é um dos poucos países produtores que possui um alto consumo
interno de estanho. O consumo nacional em porcentagem e sua respectiva aplicação
está apresentado na Figura 3. A região Sudeste, onde se concentra a industrialização
17

do país, é considerada a região mais consumidora, com uso nos produtos folha-de-
flandres e as soldas, que prevalecem nas vendas, somando juntas 79% de todo
consumo setorial, de acordo com última estimativa. (BRASIL, 2009).

Fonte: adaptado, Ministério de Minas e Energia, 2009.


Figura 3 – Consumo nacional de estanho

2.4 MÉTODOS ANALÍTICOS PARA A DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ESTANHO

Para Vaz Junior (2010), o conhecimento científico tem alcançado grandes


dimensões, mérito baseado no trabalho conjunto de pesquisadores, com elevado grau
de especializações. A Química Analítica é a área responsável por desenvolver novas
metodologias de análises sendo variado seu campo de atuação, aplicáveis em
laboratórios de mineradoras que demandam precisão nos resultados e possuem uma
alta frequência de análise.
Para a determinação de um analito existem diferentes métodos, cada um se
caracteriza por suas particularidades de detecção e/ou quantificação. (VAZ JUNIOR,
2010).
Para as análises de cassiterita nos laboratórios de mineradoras e metalúrgicas,
são aplicadas várias técnicas analíticas, sendo que a mais utilizada é a titulometria,
um método no qual o teor de uma substância desconhecida (problema) é determinada
através da comparação do volume gasto da solução padrão com a massa ou volume
18

da solução problema. A solução-padrão é adicionada gradativamente até que ocorra


a reação completa com o analito. Para isso é usado um indicador, que para as
soluções de iodo é o amido, que apresenta uma coloração azul intenso determinando
o ponto de viragem para as amostras de cassiterita. Este procedimento é denominado
Iodometria, por empregar uma solução padrão de Iodeto de potássio e Iodato de
potássio. Esta solução deve ser preparada e padronizada utilizando uma amostra de
cassiterita com teor conhecido.
Antes da titulação (figura 4), é realizada a preparação da amostra, onde a
mesma é cominuída, medindo sua massa em balança analítica e segue para o
processo de fusão. Nessa etapa, partículas de estanho ficam totalmente solúveis o
que possibilita a reação com a solução-padrão. Vale destacar que, na iodometria
somente o teor de estanho é analisado, este fato gera uma segurança nos resultados
pois elimina a interferência de outro elemento, o que pode acontecer com análises em
métodos analíticos via raio x, devido a cassiterita variar sua composição dependendo
da região de extração.

Figura 04 esquema de titulação

Outro método utilizado é o raio x, usado para a determinação do teor da


cassiterita e análise por FRX, que visa estabelecer os aspectos quantitativos e
qualitativos da amostra. Este método baseia-se na medição das intensidades dos
19

raios x, característicos de cada elemento que compõem a amostra analisada. Por


meio da excitação dos elétrons, prótons e íons são acelerados e produzem fótons de
luz ao mudarem seu estado energético. (MELO JÚNIOR, 2007). Barckla descobriu em
1904 que os metais com massa molecular maior produziam radiação secundária de
comprimento de onda maior que o do feixe de raios x primários, os estudos também
apresentaram que os raios x podem ser polarizados, permitindo a constituição da
radiação eletromagnética transversa.
Frequentemente, utilizado nas indústrias, o FRX é empregado por promover
análises rápidas para controle de qualidade de produtos, em mineradoras as análises
se baseiam em estudos geológicos e em análises de minérios para redução.
Gameiro (2013) explica que a técnica de difração por sistema de dispersão -
WDXRF separa os comprimentos de onda emitidos pela amostra de cassiterita. A
fonte de raio x irradia uma porção fluorescente de radiação na amostra que passa por
meio de um colimador para a superfície do dispositivo de difração, neste momento da
análise, os comprimentos de ondas são difratados individualmente para o detector.
Um goniômetro é usado para manter o ângulo entre o dispositivo de difração e o
detector, este processo é apresentado na Figura 5:

Fonte GAMEIRO (2013).


Figura 05 - espectrometria de fluorescência de raios X por dispersão de
comprimento de onda

O aparelho de Espectrometria de fluorescência de raios X por energia


dispersiva (EDXRF), outra técnica analítica empregada nas mineradoras, consiste em
20

duas unidades básicas: o sistema de detecção e a fonte de excitação, conforme


apresentado na Figura 06. Usualmente este equipamento funciona com um
semicondutor de alta resolução, pois a resolução do sistema de dispersão de energia
é igual e diretamente com a resolução do detector. Este detector permite a
determinação de todos os raios X emitidos pela amostra em uma mesma análise, isso
acontece quando o detector está combinado a um analisador multicanal,
proporcionando a visualização dos dados de forma rápida. (SANTOS, 2013).
A escolha da aquisição de um método analítico FRX pode se basear em
diversos requisitos segundo as necessidades especificas de cada laboratório, como
afirma Gameiro (2013):

A seleção do equipamento mais adequado é baseado nos requisitos para um


dado propósito. Os espectrómetros de EDXRF são preferíveis se a
informação multielementar for fundamental. Os espectrómetros WDXRF são
escolhidos se o propósito for a determinação rápida e precisa de alguns
elementos, mas onde a flexibilidade é de pouca importância. (GAMEIRO, p.
41, 2013)

Fonte: GAMEIRO (2013).


Figura 06. Espectrometria de fluorescência de raios X por energia dispersiva

A um método que exige um pouco mais de tempo para a obtenção dos


resultados é a Espectrometria de Absorção Atômica (AAS), este método tem como
princípio fundamental analisar o elemento metálico de interesse no estado atômico
vapor, onde seus elétrons transitam da camada de valência para um nível mais
enérgico, isso gera um comprimento de onda. A radiação gerada por este processo é
21

absorvida pelo aparelho, e está diretamente ligada com a concentração dos átomos
no estado fundamental do elemento analisado.
Houve uma grande evolução na produção de aparelhos de AAS,
especificamente na década de 60, isso se deve a Amos e Willis que proporam a
utilização da chama de óxido nitroso–acetileno, esta chama quando associada às
características redutoras proporcionaram a atomização de elementos refratários que
até então, não apresentavam resultados satisfatórios com este método. Existem
diferentes aparelhos de AAS, na figura 07 podemos observar o esquema de
funcionamento do aparelho espectrômetro de absorção atômica com chama.

Fonte: FIGUEIREDO (2008).


Figura 07: Diagrama de um espectrômetro de absorção atômica com chama

Dentro do campo de ciências exatas há uma necessidade de aplicação de


ferramentas analíticas capazes de determinar características quantitativas e
qualitativas presentes em amostras de cassiterita como é o caso dos raios X.
(NAGATA et al., 2001).
Tais métodos de análise precisam garantir resultados precisos e confiáveis, e
mesmo que o desenvolvimento destes instrumentos permitam avanços nas análises
de cassiterita, em muitos casos os instrumentos disponíveis não apresentam a
confiabilidade necessária, além de ser comum a análise de amostras impuras
dificultando ainda, mais a satisfação dos resultados devido a interferência de
22

contaminantes na leitura dos resultados. (CARASEK et al., 2002).


23

3 OBJETIVOS

3.1 OBJETIVO GERAL

Comparar as técnicas analíticas Iodometria e as de Via raio x como métodos


de determinação do teor de estanho.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Investigar os aspectos históricos sobre o minério da cassiterita.


 Quantificar o teor de estanho nas amostras de cassiterita pelas técnicas
Iodometria e via raio x.
 Relacionar a eficácia dos resultados das técnicas realizadas.
24

4 METODOLOGIA

A amostra de cassiterita utilizada para a realização da pesquisa foi extraída no


Garimpo Bom Futuro, considerada a maior mina ao céu aberto do mundo. Os métodos
usados para determinar o teor de estanho contido nessa amostra foram quatro
métodos o WDXRF, EDXRF, AAS e Iodometria.

4.1 ANÁLISE QUANTITATIVA VIA TÉCNICA ANALÍTICA ESPECTROMETRIA DE


FLUORESCÊNCIA DE RAIOS-X POR DISPERSÃO DE COMPRIMENTO DE ONDA
(WDXRF)

O método de WDXRF foi realizado no laboratório da Cooperativa Coopermetal


localizada no distrito de Ariquemes, Garimpo Bom Futuro. O primeiro passo foi a
preparação da amostra, este processo se baseia na diminuição das partículas da
amostra, até obter uma amostra pulverizada, processo que faz o uso do equipamento
descrito na Figura 08.

Fonte: DIALMÁTICA (2017).


Figura 08. Pulverizador de amostra.
25

Após a pulverização a amostra foi prensada em uma prensa hidráulica com o


auxílio de uma fôrma de metal, formando uma pastilha ilustrada na figura 09. Essa
pastilha é composta por 1g de cera de análise e 10 g de amostra de cassiterita
puverizada.

Figura 09 - pastilha prensada em seu molde.

O aparelho usado para análise de WDXRF, foi o Supermini200 da marca


Rigaku (Espectrômetro sequencial WDXRF de alta potência para bancada)
apresentado na figura 10. A pastilha foi analisada pelo programa de varredura, no qual
é realizado uma análise geral de todos os elementos presentes na amostra. O
resultado é expresso em forma de picos e é a partir de suas interpretações que o
equipamento gera um resulatdo final dado em porcentagem de SnO 2.
Para obtermos o resultado em Sn metálico é preciso utilizar cálculos descritos
na equação 01.

Teor de Sn = resultado em óxido de Sn x fator de correção (0,7876). Equação


1
26

Fonte: RIGAKU (2017)


Figura 10 supermini200.

4.2 ANÁLISE QUANTITATIVA VIA TÉCNICA ANALÍTICA ESPECTRÔMETRO DE


ABSORÇÃO ATÔMICA (AAS)

O metodo de AAS foi realizado na empresa White Solder Metalurgica® de


Ribeirão Preto, São Paulo. Foi realizado uma Curva de Calibração do equipamento
com as leituras dos padrões (amostras de cassiterita com teor de estanho conhecido),
e assim avaliou-se o R2, que apresentou o valor de 0,9985.
Na realização do procedimento de análise via AAS fez uso do aparelho
apresentado na figura 11.
27

Fonte: MINIBIZ (2017).


Figura 11 aparelho de espectrometria de absorção atômica (SpectrAA 55B).

A preparação da amostra para análise de AAS seguiu os seguintes passos:


pesagem de 0,1386g de cassiterita, fusão em cadinho de níquel com carbonato de
sódio (Na2CO3), e iodeto de potassio (KI) a 1.050°C por 15 min. Após resfriamento, a
amostra foi solubilizada em HCl a 50%. Adicionou-se 20 mL de peróxido de hidrogênio
para clarear a amostra turva. Levou-se à fervura por 40 min até reduzir o volume. A
amostra foi filtrada e diluida em 200 mL, e retirado uma alíquota de 5 mL, transferido
para um balão volumétrico de 100 mL e completou com água destilada (diluição de 20
vezes). A amostra passou por quatro leituras e o resultado final foi apresentado pelo
equipamento sendo esse sendo uma média das 4 leituras.
Para interpretação dos dados obtidos nas analises faz uso das equações 2, 3
e 4.
volume de ácido
Teor de Sn = × nº de diluições
massa de cassiterira Equação 2

Concentação de Sn em ppm = Teor em ppm diluido × leitura em ppm Equação 3


28

concentração de Sn em ppm
Concentração (%) = Equação 4
10.000

4.3 ANÁLISE QUANTITATIVA VIA TÉCNICA ANALÍTICA ESPECTROMETRIA DE


FLUORESCÊNCIA DE RAIOS X POR ENERGIA DISPERSIVA (EDXRF)

O método de raio x usado para análise é o EDXRF, o aparelho usado está


apresentado na (figura 12). Neste método realizou-se a leitura da amostra em forma
de pastilha prensada representada pela (figura 13). Neste ensaio foi pesado uma
massa de 10 g de cassiterita e ácido borico para a confecção da pastilha e a amostra
tambem foi analisda em forma líquida diluída inicialmente, onde pesou-se 0,0832g de
cassiterita e fundiu em 3 gramas de pirosulfato de potássio (K2S2O7) e diluiu em 50 ml
de água.

Fonte: RIGAKU (2017).

Figura 12:Rigaku NEX CG Energy Dispersive Spectrômetro de fluorescência


de raios x.
29

Figura 13 pastilha prensada para análise no EDXRF.

Como a análise de EDXRF na amostra líquida, foi somente com diluição inicial,
a expressão dos resultados é dado pela equação 5.

volume de ácido Equação 5


Teor de Sn = × resultado do aparelho em ppm
massa de SnO2

Para que se tenha o resultado em Sn metálico da amostra prensada, é preciso


realizar uma convenção do resultado obtido pelo aparelho que está em óxido (SnO2),
este resultado se dá por meio da equação 1. Já o resultado de Sn metálico em %
obtido a partir da amostra diluída é resultante da equação 4.

4.4 ANÁLISE QUANTITATIVA VIA TÉCNICA ANALÍTICA IODOMETRIA

As análises via úmida foram realizadas baseadas nas normas da Associação


Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Norma Brasileira(NBR) – 6315 e American
Society for Testing and Materials (ASTM) – B 339, feitas em triplicatas, sendo repetido
o procedimento para obtermos uma ampla base de dados que se baseiam na
pesagem de aproximadamente 0,2000 g de amostra de cassiterita. A dissolução da
amostra é feita por meio da fusão em cadinho de ferro tendo como fundente o
hidróxido de sódio (NaOH) em pérolas. A amostra funde por 5 min a 500°C.
Após o resfriamento é diluída em ácido clorídrico (HCl), adiciona-se
aproximadamente 4 g de alumínio metálico na solução (este tem a função de atacar a
amostra quebrando a ligação do oxigênio na molécula de estanho. É adicionado
30

Bicarbonato de sódio NaHCO3 para evitar a presença de oxigênio (O2)). Em seguida


foi realizada a titulação após a amostra atingir a temperatura ambiente, utilizando
como solução padrão iodeto de potássio (KI) e iodato de potássio (KIO). O indicador
usado é solução de amido de milho que apresenta um cor azul intensa para indicar o
termino da reação, neste processo da reação o iodo se liga ao Sn+ livre na solução
substituindo assim o Oxigênio,
Para que possa se chegar ao resultado em porcentagem de Sn metálico, é
preciso realizar um cálculo descrito na equação 6, que relaciona o volume gasto de
solução padrão com a massa usada.

voleme de solução padrão gasto × fator da solução padrão


Equação 6 Teor % =
massa de cassiterita
31

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados das técnicas utilizadas são apresentadas nos parágrafos


seguintes. Foi divido em quatro subcapítulos para destacar os resultados obtidos em
cada análise.

5.1 TEOR DE SN OBTIDO VIA TÉCNICA ESPECTROMETRIA DE


FLUORESCÊNCIA DE RAIOS-X POR DISPERSÃO DE COMPRIMENTO DE ONDA
(WDXRF).

Para a análise via WDXRF, a amostra foi analisada no programa varredura sem
curva específica para o elemento Sn, com possível desvio de 4%, no resultado obtido
de SnO2 que foi de 83,4566% com este resultado calculou-se, de acordo com a
equação 01, obtendo como resultado final 65,7304% de Sn metálico, o resultado
apresentado pode variar de 61,7304% a 69,7304% de Sn.
A leitura realizada gerou alguns gráficos, um deles apresenta a leitura através
do cristal de lítio, flúor e escândio. O pico que representa melhor o resultado é o k-alfa
sendo esse o mais sensível ao elemento Sn apresentado na figura 14.

Figura 14--- Espectrograma obtido pela técnica WDXRF para uma amostra de
cassiterita
32

5.2 TEOR DE SN OBTIDO VIA TÉCNICA ESPECTROMETRIA DE


FLUORESCÊNCIA DE RAIOS X POR ENERGIA DE DISPERSIVA (EDXRF)

O resultado obtido por meio desta técnica foi de 61,05% de Sn metálico na


amostra de cassiterita, este resultado tem 5% de erro podendo variar entre 57,99% a
64,1%), esta variação pode estar relacionada as seguintes variáveis, como calibração
do aparelho ou interferências de contaminantes presentes na amostra, na leitura do
equipamento.
A leitura do material prensado foi de 79,0047% de SnO 2, ou seja óxido de
estanho e para atender nosso objetivo de termos o resultado em Sn metálico
desenvolveu os cálculos seguindo a equação 1, que apresentara um teor de Sn
metálico de 62,22 %.
Como a leitura não foi especifica para o elemento Sn o resultado pode
apresentar variação de 2% sendo que o resultado pode variar de 60,22% a 64,22%
de estanho metálico contido na amostra de cassiterita.
O aparelho disponibiliza a visualização dos espectrogramas (figura 15) gerados
na análise da amostra de cassiterita, o cristal que é escolhido para obtenção dos
dados de Sn é o de alumínio (Al) que por ser especifico para elementos com massa
molecular maior, apresenta um resultado com menos variação. O espectrograma
usado é o Sn ka localizado em 25 keV.

Figura 15 – Espectrograma obtido pela técnica EDXRF


33

5.3 TEOR DE SN OBTIDO VIA TÉCNICA ANALÍTICA ESPECTRÔMETRO DE


ABSORÇÃO ATÔMICA (AAS)

Depois do equipamento calibrado e com a curva pronta, realizou se quatro


leituras no equipamento de absorção atômica, essas leituras apresentaram uma
média de resultado de 10,76 ppm, o que equivale a 61,6% de Sn metálico.
A variação deste equipamento pode ser de 2% sendo possível o resultado de
Sn se apresentar de 59,6% a 63,6%, esta variação é relativamente baixa.

5.4 TEOR DE Sn OBTIDO VIA TÉCNICA ANALÍTICA IODOMETRIA

Os resultados obtidos na realização das análises por via úmida são


apresentados na tabela 02. Foi utilizada a equação 6 para determinar tais valores.

Amostra Massa (g) Volume (mL) Teor Sn (%)


01 0,2023 24,11 61,53 %
02 0,2547 30,5 61,38 %
03 0,2002 23,9 61,19 %
04 0,2047 24,6 61,60 %
05 0,2132 25,7 61,79 %
06 0,2204 26,4 61,40 %
Tabela 02--- Resultados das análises via úmida

A média dos resultados obtidos nas titulações foi de 61,37% de Sn,


apresentando um desvio padrão de 0,001703917%, com base neste resultado pode
se afirmar que os resultados das titulações apresentados na quarta coluna foram
exatos, gerando uma confiabilidade maior para esta técnica.
Os procedimentos que estão descritos nesta pesquisa são muito importantes
para as metalúrgicas e mineradoras, pois é a partir destes resultados que se agrega
um valor financeiro no material analisado, sendo assim a amostra de cassiterita deve
passar por um processo de preparação minucioso e detalhado, para que todas as
análises sejam procedidas de forma correta, para isso é preciso que uma pessoa
capacitada as realize.
34

Nos equipamentos há uma grande dificuldade na interpretação dos dados


obtidos por se tratar de um minério que possui diversos contaminantes que podem
variar de acordo com o local onde foi extraído esta cassiterita, este fato dificulta a
precisão dos equipamentos via raio x por causarem interferências no resultado
principal que é o Sn metálico, porém esses equipamentos podem sim apresentar um
resultado correto como foi observado na técnica AAS, mas como já se destacou a
cassiterita é variável dificultando uma técnica padrão, via raio x. Já na análise via
úmida as soluções usadas são preparadas para determinarem somente o Sn, mesmo
que os contaminantes estejam presentes na amostra estes não interferem pois não
reagem com as soluções usadas nas análises, dando uma confiança maior para os
resultados desta técnica.
CONCLUSÃO

Foi possível realizar ensaios nas amostras de cassiterita aplicando as técnicas


via iodometria e via raio x para determinar o teor de Sn. Todas as técnicas
apresentaram resultados coesos, sendo que pode se destacar a iodometria. Isso se
deve ao fato de apresentar baixo custo de analise, exatidão nos resultados, por
determinar somente Sn metálico, além da facilidade do procedimento de análise, em
comparação com as técnicas via raio x utilizadas. Também se destaca por apresentar
resultados de fácil interpretação sem interferência de contaminantes, como
normalmente ocorre nas técnicas via raio x, ambas técnicas são utilizadas em
empresas metalúrgicas e mineradoras, porém a que é validada para a determinação
do teor de Sn nos procedimentos internos é a iodometria.
Dessa forma esse trabalho serve como documento técnico norteador para
auxiliar as empresas mineradoras na aquisição de equipamento e também no
investimento de capacitação de seus colaboradores, além de possibilitar maximizar
seus lucros.
REFERÊNCIAS

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Qualidade de Biocombustíveis. Circular Técnica, Brasília, v. 1, n. 1, p.1-7, dez. 2010.
Mensal. Disponível em:
<https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/872917/1/CIT03.pdf>. Acesso
em: 18 maio 2017.

ANDRADE, Ronaldo Quintela de. Iniciação á pratica de laboratório. 2. ed. São Paulo:
Delicatta, 2012.

BRASIL, Ministério de Minas e Energia. Relatório Técnico 67 Perfil do Estanho,


Brasília: Ministério de Minas e Energia, 2009. Disponível em:<
http://www.mme.gov.br/documents/1138775/1256652/P41_RT67_Perfil_do_Estanho
.pdf/d681a8e2-aa84-49bc-aed9-ea498c7570b6>. Acesso em:29 out. 2016.

BRISOLA, Daisiana; FERNANDES, Thais de Lima Alves Pinheiro. Otimização no


preparo de amostras para análise em espectrofotometro de fluorescencia de raios x.
2008. Disponível em: <http://www.ufjf.br/baccan/files/2012/11/Quarteamento.pdf>.
Acesso em: 22 out. 2016.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia cientifica. 6. ed.


São Paulo: Atlas S.a, 2011.

MARIA LUCIA CAVIANATO (Sao Paulo). Quantum Books Ltd. Rochas e minerais:
guia pratico. Sao Paulo: Nobel, 1998.

RONDÔNIA. Montezuma Cruz. Governo Estadual (Org.). MINÉRIO DE ESTANHO: É


de Rondônia quase a metade da cassiterita do País. 2015. Disponível em:
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SOUZA FILHO, Marinho Celestino de; PRADO, Marcelo Lazaretti Rodrigues do;
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