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Introdução

Teoria significa dizer o oposto da prática, ou seja, um conhecimento puro. Trata-se ainda, de
um conjunto de hipóteses que tem por finalidade a elucidação, explicação ou interpretação de
determinado conhecimento.  Em outras palavras, teoria é aquilo que explica a prática.

Já a Crítica é o elemento que permeia todo o processo de conhecimento, não somente pondo
em questão uma hipótese explicativa de um problema específico, mas suscitando uma atitude
de desconfiança face ao conhecimento como tal, cujos objectivos e resultados são
permanentemente questionados. Sendo assim, a Crítica vem a ser o elemento constituinte do
método e da teoria crítica que se unem com o objectivo político e social a ser alcançado.

A Escola de Frankfurt foi uma escola de análise e pensamento filosófico e sociológico que


surgiu na Universidade de Frankfurt, situada na Alemanha. Tinha como objectivo estabelecer
um novo parâmetro de análise social com base em uma releitura do marxismo.

A teoria estabelecida pelos intelectuais da Escola de Frankfurt é chamada de teoria crítica por


dois motivos: primeiro, porque faz uma crítica social do desenvolvimento intelectual da
sociedade que incide sobre as teorias iluministas; e, em segundo lugar, porque propõe uma
leitura crítica do marxismo, com novas propostas para além dele sem perder de vista os
principais ideais da esquerda.

1.1.Metodologia
A pesquisa bibliográfica foi elaborada a partir de material já publicado, constituído por livros,
revistas e materiais acessíveis ao público e foram ainda recolhidos dados em fontes primárias
e secundárias. Este tipo de pesquisa tem como objectivo conhecer diferentes formas de
contribuição científica que servem de apoio para o desenvolvimento desta pesquisa sobre
importância da liderança como factor de motivação na organização.
Durante a investigação bibliográfica é necessário e importante fazer a selecção de leituras que
devem ser realizadas com muita atenção.
Contexto histórico da Escola de Frankfurt
O século XX foi muito turbulento. No início da década de 1920, o mundo já havia
presenciado a Primeira Guerra Mundial, e, no fim dessa mesma época, ele presenciou a
grande crise económica de 1929.

Em meio à grande mudança tecnológica, à nova configuração social e às experiências do


século XX, os teóricos da Escola de Frankfurt perceberam que os ideais do iluminismo e do
positivismo haviam falhado em sua teoria de que o avanço científico aliado à ampliação do
conhecimento por meio da escolarização e da disseminação da informação levariam ao
avanço moral da sociedade.

Os filósofos do iluminismo francês defenderam que o avanço moral da sociedade se daria


com o avanço do conhecimento científico e filosófico e sua disseminação global, com vistas a
esclarecer as pessoas sobre as questões relativas ao mundo e à sua organização.

Dentre os teóricos iluministas, podemos destacar Voltaire, defensor das liberdades


individuais; Montesquieu, criador da teoria da tripartição do Estado; e Diderot e D’Allambert,
fundadores da enciclopédia. Todos eles colocaram-se contra o absolutismo na França e
defenderam a popularização do conhecimento para a melhoria da sociedade.

Os positivistas, liderados pelo filósofo francês Auguste Comte, já no século XIX, foram mais
radicais. Para eles, o avanço social somente ocorreria pelo investimento na criação e
disseminação da ciência e numa rígida reorganização da sociedade, com vistas a colocar o
avanço novamente para o povo europeu, em especial o povo francês.

Em geral, os filósofos da Escola de Frankfurt defenderam que as teorias iluminista e


positivista não se sustentaram, tendo-se em vista os fenómenos ocorridos no século XX. Em
primeiro lugar, os pensadores vivenciaram a primeira grande guerra. Em seguida, eles, que
eram judeus, vivenciaram a perseguição nazista contra seu povo. Entre eles, o filósofo e
crítico literário Walter Benjamin morreu sob domínio dos nazistas, e os filósofos Theodor
Adorno, Herbert Marcuse e Max Horkheimer tiveram que se refugiar nos Estados Unidos
para escaparem da perseguição.

Na reflexão empreendida pelos teóricos da Escola de Frankfurt após a Segunda Guerra


Mundial, a barbárie da perseguição nazista e da criação da câmara de gás (uma invenção feita
para matar de maneira mais eficaz, com menos gasto) era a maior comprovação de que não
havia um progresso, mas sim um regresso social.

No entanto, existem registros mais precisos sobre a história da criação da Escola de


Frankfurt. O socialismo estava sendo fortemente debatido na Europa após a Revolução
Russa, dividindo os intelectuais quanto à aplicação ou não dos ideais socialistas na política
europeia. Uma visão que se sobressaía era a de que o marxismo já não satisfazia as
necessidades do século XX, que eram outras e iam além da relação entre trabalhador e
burguesia no mundo industrializado.

Nesse sentido, Felix Weil, intelectual judeu argentino radicado na Alemanha, organizou
a Primeira Semana de Trabalho Marxista, um evento que reuniu intelectuais marxistas em
Frankfurt no ano de 1922. Uma das propostas da semana foi colocada em prática no ano
seguinte: a criação do Instituto de Pesquisa Social. O instituto foi patrocinado por Herman
Weil, pai de Félix, e subsidiado pelo governo alemão.

No início, o instituto foi gerido pelo sociólogo Kurt Albert Gerlach, que faleceu ainda no
primeiro ano de gestão. O instituto ficou vinculado à Universidade de Frankfurt, justificando
o título dado ao conjunto de seus pensadores de Escola de Frankfurt, décadas mais tarde.
Entre 1923 e 1930, a gestão do instituto ficou a cargo de Karl Grümberg.

Em 1930, foi criado um escritório do instituto em Genebra, que passou a abrigar a sede da
instituição após a perseguição e o fechamento da escola pelos nazistas em 1933. Somente em
1950, com a efetiva retomada das atividades do instituto, é que ele passou a chamar-se Escola
de Frankfurt.

Características da Escola de Frankfurt

Apesar da gama de diferentes pensadores e diferentes gerações formada pela Escola de


Frankfurt, o que une a produção intelectual de todos é a teoria crítica. Todos eles se
dedicaram a construir teorias críticas contra o capitalismo e a atualizar as leituras sobre o
marxismo, criando novas alternativas ao socialismo marxista que se encaixassem no século
XX.
O aspecto cultural foi um dos mais debatidos pelos pensadores da instituição. Seria
necessário, segundo uma visão geral da teoria crítica, olhar para a cultura a fim de perceber
que as bases da sociedade capitalista somente eram tão sólidas por conta da disseminação de
uma cultura que favorecia o capitalismo. Nesse sentido, todos os autores da Escola de
Frankfurt partiram da leitura marxista, mas atualizaram-na, criando interpretações
condizentes com a realidade vivida pelo século XX, que era diferente da enfrentada pelas
pessoas no século XIX.

Pensadores da Escola de Frankfurt

Como a Escola de Frankfurt perdura desde a década de 1930, vários pensadores formaram-se
lá e produziram suas teorias com bases parecidas. No entanto, a diferença entre gerações é
um traço marcante das teorias produzidas por eles. Por isso, dividimos, a seguir, os
pensadores de acordo com as suas gerações, sabendo que existem duas delas notáveis e uma
terceira em curso.
 Primeira geração: composta pelos filósofos e sociólogos Theodor Adorno, Max
Horkheimer, Herbert Marcuse, Erich Fromm, Otto Kirchheimer, Friedrich Pollock e Leo
Löwenthal. Esses pensadores compuseram as primeiras bases do pensamento frankfurtiano e
da teoria crítica, além de receberem importantes contribuições de teóricos associados ao
Instituto de Pesquisa Social, como Walter Benjamin e Ernst Bloch.

 Segunda geração: formada pelos filósofos e sociólogos Axel Honneth, Albrecht


Wellmer, Jürgen Habermas, Oskar Negt, Franz Neuman e Alfred Schmidt.

Jürgen Habermas é um dos mais célebres pensadores da segunda geração da Escola de


Frankfurt.
Teoria Crítica e suas perspectivas.
A Teoria Crítica da Sociedade é o modelo de teoria que, contrapondo-se à
Teoria Tradicional, de tipo cartesiano e aristotélico, busca unir teoria e prática, ou
seja, incorporar ao pensamento tradicional dos filósofos uma tensão com o
presente. Teve seu início definido a partir de uma ensaio-manifesto, publicado por
Max Horkheimer em 1937, intitulado "Teoria Tradicional e Teoria Crítica". Foi
utilizada, criticada e superada por diversos pensadores e cientistas sociais, em face
de sua própria construção como teoria, que é auto-crítica por definição.
a Teoria Crítica é a tentativa de redefinir um conceito de razão mais amplo, tanto
na dimensão teórica como no plano da prática, de maneira que se possam destruir
as barreiras da racionalidade instrumental. A Teoria Crítica diz que essa razão se
transformou num poder que define os homens como meros manipuladores de
instrumentos e transforma as pessoas em máquinas. Esses pressupostos se apóiam
no princípio objetivista da ciência que reduz o sujeito a mero objeto de
observação e controle. Os valores e máximas que orientam esse tipo de agir
reduzem-se à lógica dos enunciados formais, qualificando o conhecimento apenas
a partir da racionalidade instrumental.

CORENTES DA TEORIA
Para o referido autor, a teoria crítica estaria filiada a três correntes
filosóficas alemãs, ou seja: a kantiana, a hegeliana e a marxista. Na primeira,
estariam estabelecidos os limites do exercício da razão no conhecimento da
natureza: a razão só pode legislar no âmbito do espaço e do tempo; apenas os
fenômenos são objetos da ciência; os juízos na ciência pertencem a uma instância
lógica – o entendimento, que trabalha com a identidade dos objetos e com conceitos
abstratos. Na segunda, há uma crítica a tal forma de pensamento, isto é,
ao princípio da identidade e ao exercício formalizador do entendimento kantiano,
considerando que as coisas e os seres históricos e sociais não possuem uma
identidade permanente, mas se constituem por sua negação interna. Ao afirmativo
e positivo kantianos, Hegel responde com a dialética, o pensamento do negativo,
da contradição que não separa sujeito e objeto, natureza e cultura. E, por fim, na
terceira, a dialética é mantida, porém Marx a submete a uma transformação
radical: no lugar do espírito está a Matéria, as condições reais de produção do
homo economicus. Apesar da adoção de tais bases, em especial a marxista, os
frankfurtianos não levaram a cabo a tese de Marx de que “os filósofos já
interpretaram o mundo; trata-se, agora, de transformá-lo” 27, mas buscaram
separar a reflexão e a formulação teóricas do ativismo bem como dos riscos de
ideologização da teoria crítica.

Escola de Frankfurt e a indústria cultural

Foi no bojo da Escola de Frankfurt que surgiu o conceito de indústria cultural, mais
especificamente no livro Dialética do esclarecimento, escrito pelos filósofos da primeira
geração Theodor Adorno e Max Horkheimer. Para eles, uma das maneiras de dominação
capitalista se daria pela cultura. Adorno e Horkheimer entenderam que havia dois tipos de
cultura autêntica: a cultura erudita e a cultura popular.

A cultura erudita é aquela produzida por uma elite intelectual, mais refinada e menos
intuitiva. Essa cultura teria um valor estético maior, visto que é mais elaborada. A cultura
erudita seria o escape para que a intelectualidade se desenvolvesse plenamente, e, na visão
dos autores, ela deveria ser ampliada.

A cultura popular é uma forma autêntica de fazer-se arte e cultura vinculadas às culturas


tradicionais dos povos. Ela é autêntica, mas composta por menor refinamento técnico e
intelectual, sendo mais intuitiva.

Por último, tem-se a cultura de massa. Diferente dos outros dois tipos, esta é inautêntica.
Fruto de uma fusão de elementos da cultura erudita e da popular e da possibilidade de alta
reprodutibilidade técnica, a cultura de massa seria um recurso capitalista para vender
uma forma inferior de arte que, ao mesmo tempo, manteria a população sob controle. A
indústria cultural se limitaria a levar o entretenimento como se fosse arte ao consumidor, que
se sentiria satisfeito ao  deparar-se com elementos aparentemente agradáveis e de fácil
consumo.

Walter Benjamin foi um dos contribuidores externos do Instituto de Pesquisa Social da


Universidade de Frankfurt.
Em relação às formas de reprodutibilidade técnica, os teóricos citavam a gravação
audiovisual (considerando-se, na época, a gravação de discos, de filmes, de fotografia e de
radiodifusão). Nesse sentido, o autor da obra de arte não precisaria criar, a cada performance,
uma obra, mas sim reproduzir em larga escala uma obra criada anteriormente.

O filósofo Walter Benjamin declarou ser essa forma de reprodução o fim da aura que
conferiria à obra de arte a sua autenticidade. Para aprofundar-se mais nesse conceito tão
importante para a Escola de Frankfurt, leia: Indústria cultural.