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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha

Edição dezembro/2008

Gerência de Comunicação

Ana Paula Costa

Transcrição:

Marilene Rocha

Copidesque:

Adriana Santos

Revisão:

Ana Paula Costa e Marcelo Ferreira

Capa e Diagramação:

Luciano Buchacra
Introdução

Nestes últimos dias, o Espírito Santo trouxe ao nosso co-


ração uma necessidade tremenda de compartilhar com os
irmãos acerca do que é realmente ou significa ser a Igreja. Se
Adão, por exemplo, no Jardim do Éden, soubesse quem ele
era, não teria feito o que fez, ou seja, não teria desobedecido
a Deus, privando a si mesmo da comunhão plena e irrestrita
com o Pai. Se pudéssemos ver a Bíblia como sendo um ro-
mance, diria que ela traduziria a relação que há entre Cristo
e a Igreja. A Palavra diz que Cristo amou a Igreja e a si mesmo
se entregou por ela. Assim sendo, a Igreja não pode ser vista
como apenas uma organização. Ela é mais que isso. É um or-
ganismo vivo, a Noiva do Senhor representada pelo povo de
Cristo, santo, habitado e submisso, remido, para adorar em
comunidade neste mundo, para a glória de Deus.

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Em mais uma edição da Série Mensagem quero tra-
zer uma definição do conceito de Igreja, a fim de que
tenha o entendimento claro das implicações disso, a fim
de que possa desfrutar do prazer e da alegria dessa glo-
riosa relação de amor e cumplicidade santos, já que por
toda eternidade estaremos juntos, na condição de Igreja
e Noiva daquele que nos ama realmente, a ponto de ter
se entregado por nós: Jesus Cristo, o Noivo dessa Igreja,
que somos nós.

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A razão de
ser da Igreja

O apóstolo Paulo, em sua carta aos Efésios (capítulo


5) querendo descrever a relação de Cristo e a Igreja, toma
como exemplo e referência a relação marido e mulher,
ou seja, ele fala do casamento. Antes, porém de entrar no
mérito da questão, voltemos um pouco no tempo para
falar de Paulo.
Quando Paulo, outrora Saulo, respirando ares de ódio,
perseguia a Igreja do Senhor, Jesus encontrou com ele no
caminho de Damasco. Foi quando ele ouvira o Senhor Je-
sus falar: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Visto que
Paulo perseguia a sua Igreja, então composta pelos discí-
pulos e por todos os que iam se convertendo, o próprio

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Jesus que habitava em cada um desses e com esses esta-
va, se manifestou a Paulo. Daí, a pergunta: “Saulo, Saulo,
por que me persegues?”
A Igreja é povo de Deus, feita de “pedras vivas”, de
gente. É uma Igreja que respira, chora, sorri, que tem
compaixão, que caminha nos passos de Jesus. A Igreja é
o povo de Cristo, um povo santo. E justamente falando
dessa relação entre Cristo e a Igreja, que somos nós, é
que Paulo toma como exemplo e referência o casamento,
para dizer que somos um com Ele. O casamento não é um
mais um, mas um vezes um. E ela, a Igreja, é também o
Corpo de Cristo aqui na Terra, composta por seus santos.
E “santo” aqui significa “separado”. É que a palavra “igreja”
no grego significa “eclésia”, cujo significado são “os cha-
mados”, os “separados”. Mas “separados” aqui não um do
outro, mas no sentido de escolhidos, para cumprir e com-
por algo no Reino.
Amados, amadas, a Igreja é o povo de Cristo, santo,
habitado. Sim, somos habitação de Deus. E algo que você
sempre precisa guardar é isso: você é o templo do Espírito
Santo de Deus. O Senhor Jesus disse: “Se alguém me ama,
o meu Pai o amará e viremos, e faremos nele morada.” (João
14.23). Deus, ao criar o homem, o fizera para que Ele pu-
desse morar no homem por meio do seu Espírito. Esse é o
propósito pelo qual existimos hoje.
A Igreja é a morada de Deus. E somos essa morada.
Somos coletivamente a morada do Senhor, e cada um,
individualmente, sendo habitado por Ele. É na Igreja que

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a vontade do Senhor é plena, soberana, total. E nessa de-
finição de Igreja está o conceito de remido. E remissão é
algo pago por alguém. E na condição de integrantes de
sua Igreja, fomos comprados por Jesus, ao custo do der-
ramamento de seu sangue na cruz do calvário. A Palavra
nos revela que Ele nos comprou não com prata ou ouro,
com coisas corruptíveis, mas pelo seu sangue, a “moeda”
de compra, de resgate, de remissão. E essa remissão se
deu para um único propósito: para sermos seus, em de-
finitivo. Para que o adoremos, pois esse é nosso primeiro
chamado. Que resposta maior de gratidão poderíamos
dar a quem nos comprou se não pela adoração? E a Pala-
vra nos diz que o Pai procura verdadeiros adoradores, que
o adorem “em espírito e em verdade” (João 4.23).
Então podemos concluir que a razão de fazermos par-
te da Igreja é a de adorarmos ao Senhor. Esta adoração
inclui também o serviço em comunidade. Interessante
é que são duas palavras interligadas: “com” e “unidade”.
Juntas, formam a palavra “comunidade”. Isso é algo que
você precisa entender porque, caso contrário, você pode
estar na Igreja, ser membro dela, e mesmo assim nunca
desfrutar de toda a realidade do que é ser Igreja do Se-
nhor.

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Aliança

Vejamos o texto de Efésios, capítulo 5, verso 25: “Mari-


dos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja
e assim mesmo se entregou por ela.” Cristo amou a Igreja.
Não as paredes, a construção, mas a cada um de nós, sal-
vo e remido em Cristo por seu sangue. Somos ao mesmo
tempo sua Noiva e ainda o templo do Espírito Santo de
Deus, local e morada dele em nós. Esta é a verdade. Ele
escolheu nos amar. E o amor do Senhor é sempre incon-
dicional. A obra do Espírito Santo hoje é exatamente a
de preparar a Noiva para o encontro com o Noivo. Hoje a
Igreja é vista nas Escrituras como a Noiva de Cristo.
No Antigo Testamento há uma figura lindíssima do
amor do Noivo para com a Noiva. Abraão tinha um filho
chamado Isaque. Preocupado com seu futuro, Abraão

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não queria que seu filho se casasse com as mulheres de
onde eles moravam. Então, Abraão mandou que seu ser-
vo Eliezer fosse buscar uma esposa para seu filho Isaque,
alguém da sua parentela. Eliezer então buscou para Isa-
que uma esposa. Essa ação de Eliezer tipifica a ação do
Espírito em nós e por nós que é a de nos fazer cada vez
mais apaixonados por Jesus. Uma vez que Eliezer achou
uma noiva para Isaque que se apaixonara por ela, assim é
o Espírito Santo que nos faz apaixonar cada dia mais por
Jesus, nosso Noivo, já que somos a Igreja, Noiva de Cristo.
A obra que o Espírito Santo faz é esta: descortinar diante
de nós a glória, a beleza, o amor, e a fidelidade do Senhor
Jesus. E um dia, dentro em breve, acontecerá o momento
mais glorioso chamado as “bodas do Cordeiro”, quando o
Cordeiro, Jesus, e a Igreja, estarão juntos por toda a eter-
nidade. Algo que você precisa entender sempre é o amor
do Senhor pela Igreja.
Querido, não sei se o seu coração consegue perceber
toda esta realidade, todo este entendimento do que seja
a expressão “Cristo amou a igreja”. E diz a Palavra: “[...] para
que a santificasse, tendo a purificado por meio da lavagem
de água pela Palavra, para apresentar a si mesmo, igreja
gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, po-
rém santa e sem defeito.” (Efésios 5.26-27). É interessante
que Paulo estivesse falando do amor de Cristo, o Noivo,
pela Igreja, a Noiva, justo num contesto de admoestação
acerca dos deveres do marido para com a mulher e vice-
versa. Paulo assim escreve: “Assim, também, os maridos

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devem amar as suas mulheres, como a seus próprios corpos.
Quem ama a sua esposa a si mesmo se ama. Porque nin-
guém jamais odiou a sua própria carne, antes, alimenta e
dela cuida como também Cristo faz com a igreja, porque so-
mos membros do seu corpo. Eis por que deixará o homem a
seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os
dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro
a Cristo e à Igreja.” (Efésios 5.28-32).
Este é o grande mistério: dois sendo um. Deixe o seu
coração absorver toda a realidade de que a Igreja é o povo
de Cristo. Você faz parte da Igreja, do povo de Cristo! Mas
não sob qualquer condição. Santidade e a exigência são
as condições requeridas. Isso porque a Palavra nos revela
que sem a santificação, ninguém verá a Deus (Hebreus
12.14).
A obra que o Espírito Santo está fazendo hoje é a de
nos apresentar ao Senhor como uma Igreja gloriosa, sem
mácula. Mácula é mancha, sujeira. Precisamos perceber
e discernir a realidade da nossa posição. Quando temos
o entendimento de que o Espírito do Senhor habita em
nós, que somos o seu templo e que fomos remidos, tudo
à nossa volta se transforma. O Senhor nos comprou com
o seu precioso sangue para que possamos adorá-lo em
comunidade neste mundo.
Vejamos em Efésios, capítulo 2, a partir do versículo 1
até ao 10, um pouco daquilo que Ele fez para conosco:
“Ele vos deu vida, estando vós mortos em vossos deli-
tos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso

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deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do es-
pírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os
quais também todos nós andamos outrora, segundo as in-
clinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como
também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia,
por causa do grande amor com que nos amou, e estando
nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com
Cristo, pela graça sois salvos e, juntamente com ele, nos res-
suscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo
Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema rique-
za da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem
de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se
glorie. Porque somos feitura dele, criados em Cristo Jesus
para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou
para que andássemos nelas.”
Quando você, querido irmão, querida irmã, estiver real-
mente com os seus olhos abertos para cada momento e per-
ceber a glória da Igreja, o centro, Jesus, verá que tudo gravita
em torno dele. Tudo. O Senhor Jesus disse: “Edificarei a mi-
nha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
(Mateus 16.18). “Eu edificarei a minha igreja!”, disse Jesus. Em
Efésios 2.20-22 está escrito: “Edificados sobre o fundamento
dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pe-
dra angular; no qual todo edifício, bem ajustado, cresce para
santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamen-
te estais sendo edificado para habitação de Deus no Espírito.”

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Somos esta habitação do Senhor. Quando você não
apenas proclama externamente, mas interiormente, esta
verdade, ou seja, que é habitação do Senhor, tudo é tão
diferente, não?! Por isto é que a Palavra diz que ao cele-
brarmos a ceia, precisamos discernir o corpo de Cristo.
Paulo escreve ainda em Efésios, capítulo 2, verso 4,
a primeira parte: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia...”
Vemos na Palavra, por intermédio do profeta Jeremias,
que a misericórdia do Senhor é a causa de não são sermos
consumidos, e que as misericórdias do Senhor renovam-
se cada manhã. (Veja Lamentações de Jeremias 3.23.)
As misericórdias do Senhor. Tão somente elas.
“Bendito seja o teu nome porque tu nos fizestes um povo
santo. Nos cobristes com o teu manto de graça e santidade.
Bendito seja o teu nome porque tu vieste fazer morada em
nossa vida. Bendito seja o teu nome porque em submissão
a ti te honramos. Bendito seja o Senhor que nos remiu, que
nos comprou para te adorarmos, te servirmos em comuni-
dade neste mundo, te honrando, para a tua própria glória, a
tua honra e o teu próprio louvor.”

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De muitos
membros, mas
uma só

Jesus Cristo, em tom já de despedida e num momen-


to de intimidade com seus discípulos ante a iminência
da crucificação, em oração ao Pai, clama pela unidade
daqueles que um dia seriam sua Noiva. O desejo e cla-
mor para que todos nós sejamos realmente um! E esta é a
verdade que passa pelos evangelhos, pelas cartas escritas
pelo apóstolo e por toda a Palavra.
Na sua primeira carta aos Coríntios, capítulo 1, verso
10, Paulo escreve: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso
Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que

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não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente uni-
dos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer.”
Paulo nos deixou esse desafio em tom de súplica.
A única maneira de falarmos todos a mesma coisa é
bebermos da mesma fonte, ou seja, da Palavra. De fato,
a unidade da e na Igreja é um grande desafio. Porque ao
mesmo tempo em que essa unidade é almejada, busca-
da, desejada, percebe-se todo um contexto de “anarquia
espiritual”, em que todos parecem ter a sua “verdade”.
Quando nos voltamos para Jesus e dizemos ser servos
dele significa que temos um Senhor. Não devemos fazer o
que queremos, mas aquilo que precisamos fazer porque
é a vontade dele. É como diz o próprio Paulo: não que já
tenha alcançado tudo, mas estou caminhando e prosse-
guindo para o alvo. E posso fazer alguma diferença.
Ainda tratando da unidade da Igreja, gostaria de falar
acerca do cuidado que devemos ter ao ouvir e receber
ministrações. É preciso cautela com igrejas que têm ên-
fase em doutrinas humanas e sem referencial bíblico. Há
tantas pessoas que acabam se perdendo por causa disso.
O Novo Testamento começa com a genealogia de Je-
sus, registrada em Mateus. Por que isso? É que a Palavra
quer mostrar as raízes de Jesus. Quem é Jesus? Quem é
sua família? Quem é Ele? Então, sempre que for receber
a ministração de alguém, você precisa saber quem é
esta pessoa, qual é a sua raiz, se é solteiro, casado, viúvo,
descasado. Enfim. Não se impressione em presenciar mi-
lagres, sinais, pois não são, necessariamente, evidências,

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de forma alguma, da bênção de Deus. A própria Palavra
registra que no último dia, o dia do acerto de contas,
muitos irão chegar diante do Senhor dizendo: “Jesus, em
teu nome fiz isto, fiz aquilo”. E Jesus então dirá: “Nunca vos
conheci. Apartai-vos de mim, o que praticais a iniqüidade.”
(Mt 7.22-23).
A cruz traz união. Já as doutrinas trazem divisão. Pau-
lo deixa um recado claro em muitas das suas cartas acerca
da importância da unidade: “Aperfeiçoai-vos, consolai-vos,
sede do mesmo parecer, vivei em paz.” E a única maneira de
você se aperfeiçoar, além do estudo e meditação na Pa-
lavra, é por meio do seu irmão ou de sua irmã em Cristo.
É como uma família. E ninguém consegue se aperfeiçoar
sozinho. Daí a recomendação da Palavra de não deixar-
mos de nos congregar.

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Consolo e
integridade
na unidade

A Palavra nos orienta também a “consolai-vos”. Quantas vezes


entramos na igreja com o coração quebrado, machucado – seja pela
morte de um parente, pela perda do emprego, pelo fim do namoro
ou noivado, pela morte de algum animal de estimação e tantas outras
coisas. As razões podem ser muitas e pessoais, mas a dor está alojada. E
algo precisa acontecer: o consolo. Ninguém consola a si mesmo. Preci-
sahaverombrosparachorar,joelhosparaorar,braçosparaabraçar.São
irmãos consolando irmãos. Ou seja, é a unidade em ação!
Encontramos também na Palavra o ensinamento acerca
de nossa idoneidade. “Sede do mesmo parecer”, diz a Palavra.

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Mas como podemos ser do mesmo parecer se um fala uma
coisa e o outro diz outra? Se um vai por uma direção e outro
vai para outra? É tanta confusão, não é verdade?!
Outro princípio da unidade é a paz. Diz a Palavra: “Vivei
em paz!” Não é viver em paz porque há guerra. É você viver
de paz. É você viver em paz com o seu irmão. O resultado:
“[...] e o Deus de amor e de paz estará convosco.” (2Co 3.11).
Vejamos agora Efésios, capítulo 4, versículo 3: “Esforçando-
vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo
da paz.” Nem sempre é fácil. Há um preço a ser pago. Há luta,
esforço, dedicação. Quantas vezes o irmão “pega no seu pé” e
você diz: “Eu vou embora! Estou decepcionado”. Tantas situações
infantis! Porém, a Palavra nos exorta: “Esforçai-vos”. É fácil? Não!
Mas devemos nos esforçar para preservar a unidade. O Senhor
conta com cada um de nós. Em Filipenses, capítulo 1, versos 27
a 30, está escrito: “Vivei, acima de tudo, por modo digno do evan-
gelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente,
ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito,
como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica; e que em
nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles
prova evidente de perdição é, para vós outros de salvação, e isto da
parte de Deus. Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por
Cristo e não somente de crerdes nele, pois tendes o mesmo comba-
te que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é meu.”
“Vivei, acima de tudo, por modo digno de Evangelho”. Ou seja,
a nossa vida, o nosso modo de viver, deve ser prazeroso. É viver-
mos de um modo digno da posição que o Senhor nos colocou.
Também em 1 Pedro 3, versos 8 e 9, lemos: “Finalmente, sede

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todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, mi-
sericordiosos, humildes, não pagando mal por mal ou injúria por
injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo
fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança.” Que
herança queremos? Bênçãos! E como estas bênçãos virão como
herança? “Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos,
fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes [...]”
Amados, o grande inimigo da unidade é a contenda. Sabe-
mos que a força da Igreja vem por meio da cobertura espiritual,
de um irmão cobrindo o outro, de vivemos em unidade, em
amor, buscando todos ter o mesmo parecer, fluindo na graça,
na adoração e deixando o coração ser totalmente encharcado
pelo amor do Senhor. Mas, agora, por outro lado, precisamos
nos esforçar. Assim lemos: “Jamais pleiteies com alguém sem ra-
zão, se te não houver feito mal.” (Provérbios 3.30). E ainda: “Como
o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda; desiste, pois,
antes que haja rixas.” (Provérbios 17.14).
Imaginemos uma represa com apenas um furinho só.
Sai muita água de uma vez? Não. Só um filete. Mas as águas
estão ali. E mais dias, menos dias, se esse pequeno furo não
for reparado, fechado, as conseqüências poderão ser desas-
trosas. Por isso a Palavra registra: “Como o abrir-se da represa,
assim é o começo da contenda [...]” Desista. Abra mão. Entre-
gue os seus direitos a Deus. De que vale ganhar uma causa
e perder um irmão? Há muitos irmãos que com a maior boa
intenção acabam criando problemas seríssimos.
Vivemos um momento delicado na economia. Quando
um irmão lhe pedir um dinheiro emprestado, se você tiver, dê a

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ele. Agora, se você não tiver, fique vermelho por cinco minutos
e diga: “Eu não tenho!” Muitas vezes, o que pode acontecer é o
que sempre tem acontecido: um irmão empresta um dinheiro
para o outro e o outro não lhe paga. Daí a pouco, os dois que
antes se assentavam juntos, passam a ficar separados, cada
um de um lado. Surge o constrangimento. E pode ser que um
ou outro ou até os dois deixe de ir à igreja. Quem ganhou com
isto? O inimigo. Se você tem, você deve dar. Dar! Ou, então, pro-
cure os pastores da igreja e peça orientação.
A Bíblia nos revela e exorta a sermos “prudentes como as
serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10.16). Muitos
fazem negócios, como compra e venda, sem a menor pru-
dência. E o resultado é confusão, angústia e dor. Se a pessoa
não estiver resolvida com as coisas de Deus, seja prudente
caso tenha que envolver com ela em algum assunto.
Onde repousa a honra do homem? Algumas pessoas
acham que a honra para o homem é ele não levar desaforo
para casa. Porém, a Palavra de Deus nos ensina: “Honroso é
para o homem o desviar-se de contendas, mas todo o insensa-
to se mete em rixas.” (Provérbios 20.3). Há pessoas que se sen-
tem atraídas pela rixa e confusão porque gostam disso. Fuja
da confusão. Seja sábio! O que procura destruir a unidade
é a contenda, é a rixa. E olha a advertência: “Não te apresses
a litigar, pois, ao fim, o farás, quando o teu próximo te puser
em apuros?” (Provérbios 25.8). Não se intrometa na vida do
outro, na família do outro. Se você é sogra, querida, nunca
intrometa na vida dos seus filhos. Quantos casamentos são
estragados pela sogra, pelo sogro, pelo genro, não é verda-

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de? Ou seja, ele vai achar o caminho. Leva tempo. Algumas
pessoas dão muitas cabeçadas na vida até aprender. Mas
vão aprender. Por isto a Palavra diz: “Aperfeiçoai-vos”.
Provavelmente, você já viu um cachorro bravo. E a ad-
moestação de Salomão é essa: “Quem se mete em questão
alheia é como aquele que toma pelas orelhas um cão que pas-
sa.” (Provérbios 26.17). Ou seja, está passando ali um cão bra-
vo e um sujeito resolve pegar o cachorro pela orelha. Qual
será a reação do cão? Creio que ele irá morder esse indiví-
duo. Como é imprevisível a reação do cão para com aquele
que puxa suas orelhas, assim também serão as conseqüên-
cias para quem se mete em rixa, em confusão.
Você tem de amar as pessoas e orar por elas. Mas, agora,
você precisa entender também o seu nível e a sua maturida-
de na fé. Quando você intromete em questões que não têm
nada a ver com você, é como pegar um cachorro pela orelha
para receber uma mordida. Aí depois, você vem todo “mor-
dido” para a igreja, todo “machucado”, para tomar a “vacina”.
Lembro-me de certa vez ter sido mordido por um cachorro.
Tive que tomar vacina por muitos dias. Doía muito. E quan-
tas vezes, no mundo espiritual, isso também acontece.
Temos de buscar a unidade, o compromisso, os rela-
cionamentos, as amizades. A igreja não é local para so-
mente se assentar nos bancos e ir embora após os cultos.
A Igreja acontece todos os dias. O culto deve acontecer
continuamente na vida. Veja o desafio: “Nada façais por
partidarismo ou vanglória, mas por humildade, conside-
rando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha

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cada um em vista o que é propriamente seu, senão também
cada qual o que é dos outros.” (Filipenses 2.3-4). A igreja é
uma comunidade terapêutica, de cura de uns para com
os outros. “Nada façais por partidarismo ou por vanglória”,
diz a Palavra.
Há pessoas que me procuram e dizem: “Pastor, eu que-
ria que o senhor me desse oportunidade para louvar a Deus”.
Eu respondo: “Pode louvar à vontade!” Mas elas dizem: “Eu
quero louvar a Deus lá na frente!” E eu respondo novamen-
te: “Você pode louvar a Deus no meio dos irmãos”. A pessoa
retruca: “Assim não! Eu queria é ministrar lá de cima, do al-
tar, perto do púlpito!” Creio que elas não queriam louvar.
Queriam é ser vistas, estar na plataforma. E para louvar ao
Senhor não é preciso estar com o microfone nas mãos ou
em cima de uma plataforma. “Nada façais por vanglória”.
É uma glória vã. A beleza do Evangelho consiste em você
passar toda a glória para Jesus, toda honra a Ele. Quem
somos nós, não é verdade? A nossa atitude, como cren-
tes, deve ser como a de João Batista, que disse: “Convém
que ele cresça e que eu diminua.” Quando o crente tem esta
compreensão, o diabo não encontra espaço na vida dele.
Que não haja nenhum espaço de vaidade no seu co-
ração. Seja simples, seja criança, seja inocente. A vida cris-
tã é assim. Jesus é assim! A beleza da Igreja é que nela não
há (ou pelo menos não deve haver) esta divisão de raça,
de cor, de intelecto, de posição social, de bens que se tem
ou não. A Palavra diz que nós somos um em Cristo Jesus.

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Força que
vem da
unidade

O povo de Israel tinha saído do Egito e estava cami-


nhando para Canaã, para a terra da promessa. Mas diz en-
tão a Palavra que Amaleque estava no encalço de Israel. E
Amaleque simboliza o inimigo, Satanás e seus demônios.
Diz então o texto: “Então, veio Amaleque e pelejou contra
Israel em Refidim. Com isso, ordenou Moisés a Josué: Esco-
lhe-nos homens, e sai, e peleja contra Amaleque; amanhã,
estarei eu no cimo do outeiro, e o bordão de Deus estará na
minha mão. Fez Josué como Moisés lhe dissera e pelejou
contra Amaleque; Moisés, porém, Arão e Hur subiram ao

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cimo do outeiro.” (Êxodo 17.8-10). Moisés não disse que
iria subir sozinho? Ele sabia que a obra de Deus não po-
deria ser feita sozinha. Como precisamos uns dos outros!
Jesus ali no Getsêmani, quando estava só, orou pedindo
aos seus discípulos para estarem com Ele.
Continuando ainda acerca do relato de Moisés, diz o
texto no verso 11 que ele subira, mas levara consigo Arão
e Hur: “Quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia;
quando, porém, ele abaixava a mão, prevalecia Amaleque.”
Ou seja, no exato momento em que Moisés abaixava a
mão, o exército de Amaleque virava o jogo e feria o exér-
cito de Israel. Era uma coisa instantânea. Quando Moi-
sés abaixava a mão, o exército de Israel sofria derrota. E,
novamente, quando Moisés levantava a mão, o povo de
Israel prevalecia. E Arão e Hur sustentavam as mãos de
Moisés. Um de um lado e outro, do outro. Assim ficaram
firmes até o pôr-do-sol, até o fim da batalha.
Há necessidade de um irmão segurar as mãos do
outro irmão. Quantas vezes, amados, somos derrotados
porque falta alguém para segurar as nossas mãos. Quan-
tas vezes você está cansado, passando por uma situação
delicada e sente que não dá conta e pensa em entregar
os pontos! Você abaixa as mãos e o inimigo prevalece.
Porém, quando há a compreensão de que irmãos podem
sustentar as suas mãos ou você as deles, nasce a força para
continuar. Moisés ficou assentado em uma pedra. Ele não
ficou segurando a pedra. E é tão interessante que a Bíblia
menciona a pedra num contexto profético, referindo-se

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a Jesus como sendo essa pedra, a rocha. Jesus é o nosso
descanso, a rocha inabalável. Podemos descansar nele.
Nos versos de 13 a 16 de Êxodo 18 está escrito: “E Josué
desbaratou a Amaleque e a seu povo ao fio da espada. En-
tão, disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num
livro e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a
memória de Amaleque de debaixo do céu. E Moisés edificou
um altar e lhe chamou: O Senhor É Minha Bandeira. E disse:
Porquanto o Senhor jurou, haverá guerra do Senhor contra
Amaleque de geração em geração.”
Até hoje há guerra do inimigo, de “Amaleque” – Sa-
tanás e seus demônios – contra o povo de Deus. Mas
enquanto existirem “Moisés”, ou seja, pessoas para nos
sustentar os braços, a vitória vai continuar. Meus irmãos,
em tempos de fraqueza, quando os braços ficam pesa-
dos, precisamos de apoio. Eis o motivo da unidade: exata-
mente para nos sustentar, para trazer a graça, a bênção, o
favor do Senhor. Precisamos compreender que nas bata-
lhas da vida, não podemos lutar individualmente. Temos
é que estar juntos. Em 1 Samuel 14.6-7, está escrito: “Dis-
se, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, passemos à guarni-
ção destes incircuncisos; porventura, o Senhor nos ajudará
nisto, porque para o Senhor nenhum impedimento há de
livrar com muitos ou com poucos. Então, o seu escudeiro lhe
disse: Faze tudo segundo inclinar o teu coração, eis-me aqui
contigo, a tua disposição será a minha.” Por que a vitória?
Porque os dois passaram a ter um único coração, uma dis-
posição única.

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Em 1 Crônicas 12.38 também está escrito: “Todos estes
homens de guerra, postos em ordem de batalha, vieram a
Hebrom, resolvidos a fazer Davi rei sobre todo o Israel; tam-
bém todo o resto de Israel era unânime no propósito de fazer
a Davi rei.” A unanimidade! Um só coração no propósito
de fazer Davi rei. Em Neemias 4, versos 16 e 17, também
lemos: “Daquele dia em diante, metade dos meus moços
trabalhava na obra, e a outra metade empunhava lanças,
escudos, arcos e couraças; e os chefes estavam por detrás de
toda a casa de Judá. Os carregadores, que por si mesmo to-
mavam as cargas, cada um com uma das mãos fazia a obra
e com a outra segurava a arma.” Todos faziam a obra que
precisava ser feita.
Há ocasiões em que você precisa ter alguém ao seu
lado, orando com você. Jesus falou sobre isso em Mateus
18.19: “Em verdade também vos digo, se dois entre vós, so-
bre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que,
porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que
está nos céus.” Por isto, quando você participa de uma reu-
nião de oração, é preciso que haja concordância. Concor-
dar significa falar a mesma coisa. No verso 20 de Mateus
18 encontramos o motivo de o inimigo querer provocar
contenda, separação: “Porque, onde estiverem dois ou três
reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.”
Em Marcos 2.3, encontramos o episódio de um ho-
mem que era paralítico. Ele não andava. Suas pernas
eram mortas. Mas ele tinha amigos e estes o ajudaram
a se aproximar de Jesus. Os quatro amigos o carregaram

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e foram até onde Mestre estava. Porém, o local estava
cheio. Não puderam entrar. Eles então concordaram em
subir no telhado para entrarem com o paralítico, tamanha
era a unidade entre eles. Um deles poderia ter dito: “Não!
Já fizemos muito só pelo fato de estarmos aqui. Fizemos a
nossa parte. Mas agora não tem mais jeito mesmo. Vamos
voltar para casa”. Mas por causa da unidade entre eles, dis-
seram: “Nós vamos”. Subiram no telhado, removeram as
telhas e desceram o paralítico em um lençol pelas cordas,
até onde Jesus estava. Aqueles quatro tinham esperança.
A unidade traz a presença de Jesus, assim como faz
com que levemos os outros a Jesus. Se um fosse para um
lado, outro para outro, ou se algum deles desistisse, o que
seria desse paralítico? Entretanto, seus amigos tinham no
coração o propósito da unidade.
No caso de Israel, por que a vitória veio? Por que Ama-
leque foi destruído? Por que houve aquela vitória naquela
ocasião? Moisés estava cansado, mas ele possuía pessoas
para segurar as suas mãos. Há uma canção cuja estrofe
inicial diz: “Eu sei que foi pago um alto preço, para que con-
tigo eu fosse um, meu irmão. Quando Jesus derramou a sua
vida, Ele pensava em mim; ele pensava em ti, pensava em
nós. Ele nos via redimidos pelo seu sangue, lutando o bom
combate do Senhor [...]” Veja o que Paulo escreveu em 1
Coríntios 1.11: “Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui in-
formado, pelos da casa de Cloé, de que há contenda entre
vós.” Pode-se perceber a fraqueza que a igreja de Corinto,
na Bíblia, sofria?! Era uma igreja sempre cheia de proble-

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ma, de confusão. E qual era a fonte das confusões? A con-
tenda. No capítulo 3, no verso 3, está escrito: “Porquanto,
havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois
carnais e ainda andais segundo os homens? E mais à frente,
no capítulo 6.6, lemos: “Mas irá um irmão a juízo contra ou-
tro irmão, é isto perante incrédulos!”
Veja o que Paulo escreve, agora em 2 Coríntios l2.20:
“Temo, pois, que, indo ter convosco, não vos encontre na
forma em que vos quero, e que também vós me acheis di-
ferente do que esperáveis, e que haja entre vós contendas,
invejas, iras, porfias, detrações, intrigas, orgulho e tumultos.”
Veja também o que ele diz em Filipenses, capítulo 4, ver-
so de número 2: “Rogo a Evódia e rogo a Síntique, pensem
concordemente, no Senhor.”

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Conclusão

Poderia citar inúmeros exemplos da Bíblia que de-


monstram que o inimigo pode minar uma igreja, também
por meio de contendas. Já a unidade traz a vitória. O com-
promisso traz vitória. O relacionamento traz a vitória. Em
Efésios 2.14-18 está escrito:
“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e,
tendo derribado a parede da separação que estava no meio,
a inimizade, aboliu na sua carne, a lei dos mandamentos na
forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mes-
mo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos
em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, des-
truindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós
outros que estáveis longe e paz também aos que estavam
perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um

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espírito. Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas
concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edifica-
dos sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele
mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo edifício,
bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor,
no qual também vós juntamente estais sendo edificados
para habitação de Deus, em Espírito.”
Que o Espírito do Senhor nos leve realmente a viver
como Igreja, comprometidos. Eu sei que o preço já foi
pago para isso. O sangue de Jesus não foi em vão. Foi der-
ramado para nos salvar. Não houve preço maior do que
este.

Amado leitor, guarde esta preciosa verdade em seu


coração.

No amor que nos une,

Pr. Márcio Valadão

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