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Universidade Anhembi Morumbi

Método de Seleção:
EPMURAS

Alicia K.C.A. da Silva RA:21418353

Caroline Silva dos Santos RA:21476453

Camilla Fernandes dos Santos Silva RA:21371550

Laura Parras Cabral RA:21373570

Danielly Regina de Araujo RA:21420987

Oliver Lins Martino RA:21419828

Luana Ranzatto Dogo RA:21065845

São Paulo

2021
EPMURAS

É uma metodologia simples e eficiente que separa animais através de escores


visuais, fazendo uma espécie de retrato falado do animal a partir de que se
identificam os biotipos mais favoráveis para cada sistema de produção, dessa
maneira torna-se melhor e mais fácil a comunicação na pecuária.

(E) - Estrutura Corporal


A estrutura corporal é um dos aspectos avaliados no sistema de EPMURAS, essa
fase do sistema avaliativo consiste em verificar o tamanho ou extensão (área) do
animal observado de lado, ou seja, do dorso/lombo ao solo, levando as pernas em
consideração. De uma forma mais compreensível, essa fase fundamenta-se na
análise do tamanho total do animal, pela contemplação do comprimento corporal,
altura e profundidade de costelas.

Essa etapa do processo é extremamente importante, pois indica os limites em


deposição de tecido muscular. Como em todas as outras etapas, a verificação da
estrutura corporal é mensurada com o auxílio de escores que podem variar de 3 a 6
- em animais adultos -, pois raramente o avaliador aplicará os escores 1 e 2. É
importante ressaltar que para a visualização ideal do contorno do corpo do animal
que se quer avaliar, é indispensável que a Estrutura corporal (E) seja avaliada
juntamente com os escores de Precocidade (P) e Musculosidade (M), pois eles têm
uma correlação importante:

a. Animal com escore alto para E e baixos para P = Biotipo mais exigente,
pendendo a demorados, tardios. Esses indivíduos podem ser úteis para atribuir
porte a rebanhos excepcionalmente franzinos.

b. Animal com escore baixo para E e altos para P = Apontam precocidade e maior
adequação a metodologias de produção a pasto.

O E funcional (Ef) - outro aspecto importante no desenrolar do acompanhamento da


característica E - bonifica em um (1) escore o animal de biotipo tido como precoce, e
penaliza também em um (1) escore o animal de biotipo exigente. Para a
característica Estrutura Corporal, será somado o Ef. Por exemplo:

● E = 6 e P = 5, Ef = 5; ou seja, E penalizado em um (1) escore.


● E e P iguais = E não muda em relação ao Ef.
● E = 5 e P = 6, Ef = 6; E bonificado em um (1) escore.

Portanto, obviamente que nenhum dos extremos é desejado para uma pecuária
efetiva. Isto posto, se 4 classes de tamanho de uma raça forem imaginadas, o
animal 6 é concentrado dentre os 25% maiores e o animal 3 entre os 25% menores,
pois como evidenciado anteriormente a pessoa que está realizando a avaliação
dificilmente empregará os escores 2 e 1. Dessa maneira, cada animal avaliado pode
estar envolvido nos seguintes cenários (decrescentemente):

6. Animal de grande porte perante a raça.


5. Animal de porte moderado perante a raça.
4. Animal compacto, de menor tamanho e comprimento perante a raça.
3. Animal pequeno perante a raça.

(P) - Precocidade

A precocidade trata-se de uma avaliação realizada com base na deposição de


gordura subcutânea, buscando animais com melhores proporções de profundidade
das costelas em relação ao comprimento dos membros. Também leva em
consideração a altura da virilha.
Em animais jovens, na qual muitas vezes ainda não apresentam gordura de
cobertura, o objetivo é identificar aqueles que irão depositar gordura mais
precocemente, e que, consequentemente, são os animais com mais profundidade
de costelas em relação ao comprimento dos membros.
Portanto, tal indicativo de deposição de gordura subcutânea coopera para a
avaliação do biótipo mais precoce.

São atribuídas aos animais em avaliação escores, que podem variar de 1 a 6.


Sendo os altos escores indicativos de um biótipo que tem tendência a apresentar
maior precocidade sexual e adaptativa aos sistemas de produção de pasto. Na
prática a aplicação e interpretação de P são descritas como:

1. Ultra Tardio - em relação à altura, apresenta menos de 25% de costelas;


2. Animal muito Pernalta, extremamente tardio - em relação à altura,
apresenta cerca de 30% de costelas.
3. Animal Pernalta - a proporção de suas costelas é menor que 40% com
relação a altura.
4. Animal Tendendo a Tardio - com relação à altura, a proporção de costelas é
de 40 a 45%.
5. Animal com boa profundidade de costelas - fica próximo de 50% com
relação a sua altura na idade adulta.
6. Animais que apresentam grande profundidade de costelas e baixa de
virilha, e que na idade adulta ultrapassam a relação de 58% entre costelas
e sua altura.

A cobertura de gordura na carcaça do animal é importante para o sistema de


refrigeração dos frigoríficos brasileiros. É necessário um mínimo de 3 a 6 mm de
camada de gordura de acabamento para que a carne não escureça e as fibras
musculares se tornem mais curtas devido ao rápido resfriamento, o que pode
comprometer sua características físicas. Além disso, animais mais precoces passam
menos tempo nos pastos/confinamentos, encurtando o ciclo de produção,
aumentando a eficiência da atividade e, consequentemente, os lucros do produtor.

(M) - Musculosidade

A avaliação da musculosidade do animal se dá em uma escala de 1 a 6, sendo 1 o


animal mais fraco em musculatura e 6 o animal que apresenta bastante destaque
nesse quesito (o rendimento/lucro é crescente nessa escala). As principais massas
musculares avaliadas são da linha dorso-lombar, tendo em vista que as carnes
nobres se encontram nesta região.
Vale lembrar que pode-se ter um resultado mais preciso quando é levado em
consideração dados como peso e altura, além de que padrões podem ser diferentes
para macho e fêmea.

(U) - Umbigo

Essa característica é avaliada de acordo com o posicionamento e tamanho da


prega do umbigo, esses que apresentam prolapso de prepúcio devem ser
descartados para reprodução.
Animais com umbigos grandes e pendulosos são mais propensos a lesões,
inflamações e traumas, por conta da vegetação que muitas vezes é tomada por
plantas invasoras e pasto alto. Além disso, alguns casos necessitam de intervenção
cirúrgica.

Os parâmetros variam de 1 a 6, sendo 1 colado, 2, 3 e 4 funcionais, 5 e 6


pendulosos.
(referência de escala de escores para a característica umbigo na raça nelore,
Brasilcomz zootecnia tropical 2009)

Na tentativa de diminuir a quantidade de animais com prolapso de prepúcio ou


enfermidades relacionadas ao tamanho do umbigo, deve-se selecionar diretamente
os machos com base nas características de prepúcio e as fêmeas de acordo com o
posicionamento de seus umbigos.

(R) - Características Raciais

Os atributos étnicos que concluem o aspecto geral de um animal têm um grande


valor de mercado e um considerável impacto econômico. E isto é bem
fundamentado porque se espera que indivíduos que apresentem as mesmas
características (fenótipo) venham a apresentar comportamento produtivo
semelhante. As características raciais, etapa R de EPMURAS, dependem de padrão
racial e geralmente são avaliadas por juízes ou pessoas que têm bom conhecimento
de uma determinada raça. Como exemplo de características raciais: formato da
cabeça,formato e colocação das orelhas,formato, cor e tamanho dos chifres,cor e
tipo da pelagem, dos cascos e da pele,formato de algumas partes específicas do
corpo, como cupim, ancas. E são classificadas por meio de escores que vão de 1 a
4, com significado de: 4 muito bom, 3 bom, 2 regular e 1 fraco. Onde avalia-se não
apenas a estética como também e, principalmente, a funcionalidade.
Os escores de padrão racial se aplicam na prática em:
4–Muito Bom: agrada demais no padrão racial e pode apresentar até um defeito
leve relacionado à raça.
3–Bom: agrada no padrão racial e não apresenta mais que dois defeitos leves e/ou
um defeito moderado relacionado a raça.
2–Regular:não agrada no padrão racial e apresenta pelo menos 1 defeito moderado,
podendo apresentar vários defeitos leves e até um defeito grave relacionado a raça,
porém ainda não é desclassificatório.
1–Fraco: apresenta pelo menos um defeito considerado gravíssimo e, portanto,
desclassifica o indivíduo pelos padrões das respectivas raças.

E são separados em grau de defeitos onde:


Leve (1)– caracteriza-se por chamar a atenção, mas não incomodar muito.
Moderado (2)– caracteriza-se por incomodar.
Grave (3)– caracteriza-se por incomodar bastante, mas ainda não ser
desclassificatório.
Desclassificatório– retira o animal do enquadramento no registro genealógico ou
CEIP ( Certificado Especial de Identificação e Produção ).
Se o fenótipo é uma função do genótipo e do meio ambiente, então a raça passa a
ser um componente importante no processo de escolha e um distintivo comercial
forte reconhecido no mercado.

(A) - Aprumos

Aprumos é a exata direção que os membros têm em relação ao solo, de modo que
o peso do animal seja igualmente distribuído.Bons aprumos são fundamentais para
o macho efetuar a monta a campo com eficiência, e para a fêmea suportar o peso
do touro na cópula, além de estar relacionado ao período de permanência do
indivíduo no rebanho.
Para avaliar corretamente o aprumo o animal precisa estar em estação, ou seja,
com as quatro patas em um terreno plano e utiliza-se de linhas imaginárias traçadas
sobre o aparelho locomotor. A avaliação conta com a vista de frente, de lado e por
trás, com o animal parado e em movimento.Qualquer irregularidade postural pode
determinar condições de desconforto de graus variados, que inclusive podem
passar despercebidos e agravar outros fatores clínicos ou até mesmo serem
descartados caso sejam comparados aos animais com aprumos corretos.
São avaliados por meios de escores que vão de 1 a 4, onde 4 significa muito bom, 3
bom, 2 regular e 1 fraco então a interpretação dos escores será:

1–Fraco: apresenta algum


desvio acentuado de membros
anteriores ou posteriores, e/ou
alterações graves de angulação
de jarretes e/ou quartelas que
chamam a atenção a ponto de
desclassificação do RGD, e que
comprometem o desempenho
do animal.
2–Regular: apresenta ossatura
delicada ou exagerada, e/ou
algum desvio notório de
membros anteriores ou
posteriores e/ou alterações
mais acentuada de angulação
de jarretes e/ou quartelas que
chamam a atenção, e que
podem comprometer o desempenho do animal-incomoda.
3–Bom: apresenta ossatura pouco mais delicada ou exagerada, e/ou algum
pequeno desvio de membros anteriores ou posteriores e/ou alteração na angulação
de jarretes e/ou quartelas que não passam totalmente despercebidos, mas que não
comprometem o desempenho
no momento.

4–Muito Bom: ossatura


compatível com o
desenvolvimento corporal,
correta angulação de jarretes,
em torno de 160° de ângulo
interno e 45° de quartelas, e não
apresenta desvios de membros
anteriores ou posteriores que
chamam atenção.

Animais com problemas de escores fracos podem prejudicar o andamento das


empresas, por exemplo, os machos tendem a ter dificuldades na hora da monta,
para caminhar e consequentemente para buscar alimentos e além disso geram
gastos para fazer a correção dos aprumos. As correções dos aprumos pela correção
do casco, somente poderá ser feita até os seis meses de idade do animal. Após
essa idade, qualquer alteração feita nos cascos acaba comprometendo o
desenvolvimento e desempenho do animal.

(S) - Características Sexuais

A etapa S do EPMURAS tem como objetivo calcular a fertilidade de cada animal


por meio de uma pontuação de 1 a 4, sendo 1 o animal menos fértil e 4 o que possui
maior fertilidade. O critério dessa avaliação se deve a observação do dimorfismo
sexual secundário, o desenvolvimento das genitais de acordo com os padrões da
raça, idade e sexo.
O macho ideal precisa ter uma cabeça curta e larga, chifres grossos, chanfro
proporcional ao fronte e mais largo e curto que as fêmeas, a musculatura da nuca
desenvolvida e larga, como exemplo nos zebuínos o cupim deve ser em forma de
castanha de caju, o períneo largo e comprido com a pele lisa e pelagem macia. O
bom desenvolvimento dos testículos de acordo com a idade está ligada diretamente
com a fertilidade, além de ter a possibilidade de movimento no saco escrotal e terem
o mesmo tamanho. Pesquisas mostram que bovinos com o perímetro escrotal maior
tem mais vantagens na reprodução. Em zebuínos é procurado testículos com o
comprimento maior, diâmetro menor e em formato de tubo, já nos taurinos os
testículos precisam ser grandes e em formato de globo.
Fêmeas com a maior pontuação precisam ter a cabeça estreita, chifres finos, o
cupim arredondado, garupa oblíqua, anca saliente, músculos de porte delicado e
menos sobressalentes que os machos, pelagem mais clara e macia indica mais
feminilidade a vaca, temperamento calmo, períneo curto com a pele lisa e pelos
sedosos, vulva escura e oblíqua e não menos importante o úbere bem desenvolvido
com a pele fina e macia e tetas bem espaçadas com tamanho pequeno.
Criptorquidismo, monorquidismo, bainha excessiva, prepúcio relaxado, vulva
atrofiada, úbere penduloso e pequeno com tetas longas e grossas e características
sexuais secundárias invertidas são exemplos de traços que levariam o animal a ter
avaliação 1, portanto são indivíduos considerados de baixa fertilidade.

Considerações finais:

O princípio de EPMURAS visa tornar a pessoa que trabalha com bovinos apta para
coletar dados visualmente e selecionar animais mais adequados para reprodução.
A avaliação feita através desse método tem se mostrado cada vez mais essencial
nos sistemas de produção. Selecionando os animais mais adaptados às
características que a indústria procura geram cada vez mais lucros para o criador e
frigoríficos.
Bibliografia:

-OLIVEIRA, Andrea. EPMURAS - Sistema de avaliação de bovinos. CPT. Disponível


em:
https://www.cpt.com.br/cursos-bovinos-gadodecorte/artigos/epmuras-sistema-de-ava
liacao-de-bovinos#:~:text=O%20EPMURAS%20refere%2Dse%20%C3%A0,%2C%2
0caracter%C3%ADsticas%20sexuais%20(S).

-GLEIDA MARQUES, Ednira. Análise dos índices de classificação de bovinos


avaliados em provas de ganho de peso, em confinamento. Cercomp UFG, 2011.
Disponível em:
https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/67/o/Dissertacao2011_Ednira_Gleida_Marques.
pdf?1349267407.

-KOURY FILHO, William. Escores visuais e suas relações com características de


crescimento em bovinos de corte. Associação Nacional de Criadores e
Pesquisadores (ANAP), 2005. Disponível em:
https://ancp.org.br/up_artigos/Tese%20Completa_Koury.pdf.

-KOURY FILHO, W. TRAMONTE, N. C.; BITTENCOURT, A.; ALVES, F. C. P.


Avaliação visual - EPMURAS descritivo. Caderno de Ciências Agrárias, [S. l.], v. 7,
n. Suppl, p. 12–21, 2015. Disponível em:
https://periodicos.ufmg.br/index.php/ccaufmg/article/view/2812.
-https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/325752/selecao-para-co
rrecao-de-prepucio-e-ausencia-de-prolapso-em-touros-de-corte

-https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/571967/1/doc177.pdf

-Livro Produção Animal - Bases da Reprodução, Manejo e Saúde, Antônio Francisco


Martin Rolim.

-https://cloud.cnpgc.embrapa.br/geneplus30/files/2018/07/Cap15_Avalia%C3%A7%
C3%A3oZootecnica_Funcional.pdf

-http://revistas.pucgoias.edu.br/index.php/estudos/article/viewFile/1868/1168

-https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/60884

-https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/127707/1/Melhoramento-Genet
ico-livro-completo.pdf

-https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1102533/1/Doc346.p
df

-https://utfprequinocultura.wixsite.com/equus/aprumos

-https://www.comprerural.com/a-importancia-dos-aprumos-dos-cascos-de-seu-gado-
para-a-boa-performance-produtiva-e-reprodutiva/

-https://pt.slideshare.net/boicombula/epmuras-seleo-e-acasalamento-dirigido

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