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MUITO ALÉM DE AUXILIADORA

Registro do Livro na Biblioteca Nacional: 734.186


Alexandra Costa de Santana
Curitiba PR Brasil
2018
Sobre a autora: Mãe do Cristofer e da Isadora.
Graduada em Comunicação Social – Habilitação Relações Públicas e também em Teologia.
Possui Especialização em Gestão de Pessoas.
Tem dois artigos publicados (UFPR e PUC-PR) relacionados ao tema proposto neste livro.
Agradeço primeiramente a Deus, Senhor da minha vida, pela oportunidade de
conhecer com profundidade a sua Palavra, por todo crescimento e amadurecimento que os
estudos me proporcionaram;
Agradeço à Faculdade Evangélica do Paraná, a qual me possibilitou estudar o curso
Bacharel em Teologia e por meio disto pude investigar a origem da discriminação em relação
ao sexo feminino, o que me permitiu descobrir o real propósito para o qual Deus criou as
mulheres.
Dedico este trabalho a todas as mulheres, moças e meninas, para que compreendam o
real propósito para o qual o Senhor as criou.
“As mulheres são capazes de fazer tudo o que os homens fazem; a única diferença entre elas e
nós, é que elas são mais amáveis”.
Voltaire

“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente


livres”.
Rosa Luxemburgo
INTRODUÇÃO
1 COMO FOI CONSTRUÍDO O ESTEREÓTIPO DA MULHER
1.1 A construção da identidade de inferioridade da mulher
1.2 O Movimento Feminista
1.3 A atuação feminina na guerra
1.4 O papel da mulher na sociedade hoje
2 RELATOS BÍBLICOS NO TOCANTE À MULHER
2.1 A atuação feminina no Antigo Testamento
2.2 A atuação feminina no Novo Testamento
3 INTERPRETAÇÃO ANDROCÊNTRICA DA BÍBLIA
3.1 Patriarcado
3.2 Preconceito contra a mulher por conta do pecado original
3.3 Textos inspirados por Deus, mas com influências de uma cultura
3.4 A questão da submissão
4 RESGATANDO O PAPEL DA MULHER
4.1 Compreensão do sentido de auxiliadora
4.2 A mulher na busca pela igualdade
4.3 Liderança Eclesiástica Feminina
CONSIDERAÇÕES FINAIS
OBRAS CONSULTADAS
INTRODUÇÃO

Desde os períodos mais remotos, a sociedade presenciou, e em muitos lugares


presencia o preconceito existente com relação ao sexo feminino no tocante à sua atuação
profissional e também no ministério eclesiástico. O mundo pôde assistir ao sofrimento, à
alienação e à exclusão social que muitas mulheres viveram durante longo período da história.
Grande parte das mulheres foi tratada como ser insignificante, com papéis e funções
limitadas, sendo responsáveis pelas tarefas domésticas e educação dos filhos. As mulheres não
tinham direito à profissão, o acesso à escola era limitado, e consequentemente, viviam sob o
domínio do homem, primeiro pelo pai e depois pelo esposo.
A ideia deste livro é fazer uma análise acerca da razão do preconceito contra o sexo
feminino, o impedimento de algumas igrejas proibirem a liderança e o exercício do ministério
eclesiástico, bem como a respeito da emancipação da mulher, suas lutas, seus desejos e suas
conquistas ao longo dos séculos, esclarecendo alguns estereótipos errôneos que foram criados
sobre o propósito do movimento Feminista, cujo objetivo não era e nunca foi conquistar a
superioridade sobre os homens, mas sim, buscar igualdade de direitos civis e políticos, bem
como o acesso ao ensino superior e às oportunidades profissionais.
Alguns conceitos com relação ao papel de auxiliadora também são objetos do estudo
realizado. Ora, a mulher pôde provar de forma gradativa que o sexo considerado “frágil” e
impotente também é capaz de pensar, criar e desenvolver projetos, assim como o sexo
masculino, estando o seu potencial além de atuar como mera auxiliadora.
A pesquisa expõe uma breve retrospectiva mostrando que o mundo, durante muitos
séculos, era regido por normas masculinas, sem direito à participação feminina. Entretanto, aos
poucos as mulheres tomaram consciência de que este estereótipo poderia ser transformado,
concedendo à mulher um lugar de maior dignidade e condizente com o seu ser.
Outro ponto a ser explanado nesta obra é discutir alguns fundamentos para a visão de
determinados líderes eclesiásticos que não aceitam o ministério ou a liderança feminina. Na sua
maioria, eles se firmam em interpretação de textos isolados da Bíblia que declaram que a mulher
deve ficar calada na igreja, ser obediente e dominada pelo seu esposo. Da mesma forma,
contrapondo a esta perspectiva, apresenta opiniões de outros líderes religiosos que entendem
como participação importante a atuação feminina no ministério eclesiástico, pois creem que as
mulheres também podem ter sua contribuição própria a oferecer.
Paralelamente, são apresentados argumentos baseados na Bíblia demonstrando a
atuação feminina no início do ministério cristão. É apresentada uma discussão, com base no
contexto em que os textos bíblicos foram escritos, que tentará esclarecer se tal discriminação e
impedimento têm respaldo nos textos bíblicos.
O trabalho sugere alternativas de compreensão procurando contextualizar as
influências que os autores bíblicos tiveram da cultura de sua época, procurando ressaltar as
transformações ocorridas na atualidade e assim, identificar qual a função da mulher nos dias de
hoje, sem desconsiderar, entretanto, as recomendações bíblicas.
No primeiro capítulo a ideia é fazer uma breve retrospectiva de como foi construído o
estereótipo da mulher como sujeito inferior ao homem. Traz uma leitura de como a mulher foi
vista por séculos, o que motivou este comportamento e mostra que o homem contribuiu para
este status quo.
A pesquisa relaciona alguns dados no tocante ao Movimento Feminista, sua origem,
objetivo e consequências para as mulheres. É apresentado um breve relato da atuação feminina
em algumas guerras revelando que mesmo num mundo regido por homens, as mulheres tiveram
oportunidade de realizar atividades tidas como masculinas. Por fim, o texto comenta o papel da
mulher na sociedade de hoje, com balanços das conquistas alcançadas pela mulher de forma
integral, salientando que no campo eclesiástico ainda existe resistência em confiar a elas uma
posição de liderança em algumas denominações.
No segundo capítulo, o trabalho descreve a atuação feminina tanto no Antigo, como
no Novo Testamento, mostrando que a atividade de algumas mulheres não se limitava a
atividades domésticas e criação dos filhos. Muitas exerceram ministérios, algumas delas
governaram, foram juízas e profetisas. Também o texto apresenta qual importância Jesus
concedeu às mulheres e qual modelo de tratamento ele deixou para a atualidade.
No terceiro capítulo é tratado sobre a interpretação androcêntrica da Bíblia, que prova
que muitos textos foram influenciados pela cultura que os produziu. Relata marcas de uma
cultura patriarcal, onde selecionou aspectos que privilegiavam os homens em detrimento das
mulheres. São relacionados alguns textos que ao serem estudados comprovam que não são
imparciais, pois não ficaram imunes às influências patriarcais, quando supervalorizava a figura
masculina, colocando-a em destaque. Alguns termos como “submissão” foram mal
interpretados, concebendo a ideia de que a mulher nasceu para servir ao homem. A ideia das
teólogas feministas é desconstruir a opinião de que são os homens os autores da história, afinal,
as mulheres tiveram ampla participação não apenas como auxiliadoras, mas também como co-
autoras da história.
O quarto e último capítulo tem por propósito fazer uma releitura do papel da mulher.
Mostra o significado e o sentido original do termo auxiliadora, mostrando que não implica em
algo subordinado, mas trata-se de dar ao homem uma ajuda que ele não conseguiria sozinho.
Diz respeito a um relacionamento recíproco, de ajuda mútua. O texto também esclarece que a
função deixada por Deus foi de ambos governarem e dominarem sobre a terra, não apenas ao
homem. Com relação à liderança eclesiástica feminina, o texto traz informações das principais
denominações evangélicas e apresenta que em várias delas há liberdade para as mulheres
atuarem, liderando assim como os homens, mas o trabalho deixa explícito que ainda existe
muita resistência por parte dos homens, sendo necessária conscientização na sociedade para
que aceitem todas as transformações vivenciadas pelas mulheres e compreendam o real papel a
qual elas foram destinadas a exercer.
1 COMO FOI CONSTRUÍDO O ESTEREÓTIPO DA MULHER

Em muitas culturas, povos e épocas existiram e em alguns locais ainda predomina o


pensamento de que a mulher é diferente do homem não somente no aspecto genético e
biológico, mas também na questão intelectual e no que diz respeito a habilidades específicas
que apenas o homem pode desenvolver. Estas ideias alimentam o estereótipo do sexo feminino
inferior ao sexo masculino.
Desde os tempos mais remotos, o homem teve o papel de destaque dentro da família.
Ele era o superior, merecedor de todo respeito e submissão. A mulher possuía papéis
específicos. A própria sociedade se organizou de modo a cristalizar os papéis femininos e
masculinos baseados principalmente nas questões biológicas. Como eram as mulheres quem
geravam e davam à luz, naturalmente elas ficaram confinadas ao lar, administrando toda a casa,
enquanto os homens saíam para caçar, em busca de alimento para a casa.
Pelo fato das tarefas masculinas serem consideradas mais importantes na época, levou
à concepção de que os homens estavam no comando e gradualmente a ideia da mulher como
dependente do homem, na qualidade de sexo “frágil”, foi sendo aceita na sociedade. O fato de
as mulheres em geral serem menores e mais fracas fisicamente também se traduziu numa visão
delas como inferiores ao homem.

1.1 A construção da identidade de inferioridade da mulher

Há séculos a mulher tem sido vista e tratada como sujeito secundário, limitada e
dependente do homem. Ao analisar a sua história, é possível perceber a origem deste
estereótipo. Suas raízes foram transmitidas de geração em geração, predominando em todas as
classes sociais a imagem da mulher como sexo frágil, dependente do homem, alimentando a
ideia de que a mulher nasceu para desempenhar atividades limitadas, pré-definidas e diferentes
do homem, como cuidar da casa e gerar filhos.
Há muito tempo há informações de que as mulheres têm sido subjugadas, oprimidas e
exploradas pelos homens. No Iluminismo as mulheres só podiam explorar a razão se essa
faculdade não a impedisse de exercer a sua natureza, ou seja, obedecer e ser fiel ao seu marido
e cuidar dos filhos. Não se acreditava que a mulher poderia pensar como o homem, a crença era
que ela nasceu para servir e satisfazer ao homem.
A submissão ia muito mais além. Por volta de 1848 era prática dos homens vender
suas esposas se ao menos desconfiassem de sua fidelidade ou por qualquer outro motivo. De
forma humilhante, o marido amarrava uma corda no pescoço da esposa e levava num mercado,
pendurando-a em um poste, da mesma forma que faziam com os animais. Tratavam-na pior que
um objeto.
Nos dias atuais, analisando estes comportamentos, causa muita indignação e revolta,
pois a cultura atual não admite tais atos, mas naquela época e naquela cultura não havia quem
questionasse tais atitudes, afinal, era o costume daquele povo.
Muitos cientistas, embora sejam homens, afirmam que desde as primeiras civilizações
até hoje, toda a sorte de críticas, de injúrias e imprecações têm sido lançadas contra as mulheres,
pelos homens de todas as crenças, de todas as classes sociais e de todas as épocas.
Assim, compreende-se que o homem teve papel fundamental no estabelecimento da
ideia da inferioridade feminina, que frequentemente manteve a mulher numa posição de
subordinação, delegando a ela funções domésticas, sem a preocupação de ajudá-la a elevar o
seu nível intelectual. Os homens, de uma forma geral, considerando a sua maioria, foram
relutantes em incentivar a mulher a crescer e desenvolver-se quando ela “acordou” da situação
alienada em que estava “acorrentada” por tantos séculos.
Existe a opinião de que é interessante que as mulheres não aspirem profissões como
as dos homens, para preservar o homem do serviço de sua esposa, pois uma vez que elas não
têm um compromisso externo, estariam sempre à disposição do marido. Este teria como
principal responsabilidade trabalhar fora e ter a garantia de um lar aconchegante. Por outro lado,
embora algumas mulheres aceitem esta condição, neste caso, elas não teriam chance de optar
por outra função dentro daquilo que elas sonham, e ficariam à dedicação exclusiva do lar,
cumprindo o papel de esposa e mãe.
Para o homem, pode em alguns casos ser cômodo que a mulher permanecesse como
apenas uma ajudante, no que diz respeito a administrar o lar e cuidar da educação dos filhos.
Neste caso, o homem estaria sempre numa posição superior à esposa, pois têm controle dos atos
dela e de suas limitações. A esposa não teria, nestas circunstâncias, oportunidade para
desenvolver-se integralmente como pessoa, como profissional atuante na sociedade. Seu papel
sempre estaria em servir seu esposo. E este, muitas vezes, a lembraria que esta realidade jamais
mudaria, lisonjeando a sua função.
Algumas pessoas da sociedade tinham a visão de que a mulher também era capaz de
exercer as mesmas atividades que o homem e serem valorizadas. Existem aqueles que as
defendem pelo fato das mulheres não terem sido criadas e educadas a pôr a sua inteligência em
prática, da mesma forma em que os homens eram oportunizados, recebendo formação e
desenvolvimento intelectual para tal.
Uma vez que as mulheres fossem incentivadas e apoiadas a estudar e a se desenvolver,
naturalmente seria possível elas atuarem em áreas tidas como masculinas. Mas para isto, haveria
a necessidade de terem o apoio masculino, considerando que eles eram os líderes da sociedade,
o que a princípio, foram bastante relutantes, pois era cômodo que as mulheres permanecessem
apenas como meras auxiliadoras.
Para que as mulheres pudessem definitivamente se libertarem do fardo opressor a elas
imposto por séculos, foram necessárias muitas transformações, mudança de mentalidade e
persistência, bem como lutas e revoluções para alcançarem o status que elas possuem hoje, o
da independência masculina.

1.2 O Movimento Feminista

Com o passar dos séculos e devido a situações específicas como guerras, pestes,
tragédias naturais, favoreceram a introdução das mulheres no trabalho social. Com isso, as
mulheres puderam reconhecer que trabalhando fora do lar, poderiam se tornar independentes e
respeitadas na sociedade. Elas passaram a compreender que estavam alienadas quando não
tinham liberdade para decidir sobre as suas vidas. Nem todas as mulheres estavam satisfeitas e
felizes com sua condição de dependente, incapaz e inferior. Ao longo dos séculos, já havia em
muitas mulheres o desejo de se libertarem do fardo opressor a elas imposto pela sociedade.
Algumas mulheres se conscientizaram que poderiam recusar a alienação em que
viviam. Assim, surge a iniciativa de algumas delas após tantos séculos de silêncio e sujeição.
A luta era contra a opressão específica em todas as áreas, ou seja, contra um mundo regido por
regras masculinas.
As mulheres puderam perceber o preconceito, reconhecendo que foram objeto de
opressão, injustiça e discriminação em toda a sociedade e igreja durante muitos séculos. A
cultura masculina proibia as mulheres de raciocinar, falar, exercer sua vontade.
O preconceito contra a mulher na vida pública era bastante evidente. Os homens se
opunham de todas as formas a permitir que as mulheres se tornassem independentes,
ridicularizando-as para que desistissem de trabalhar fora de casa.
Existe a ideia equivocada de que a intenção principal dessas mulheres era serem
superiores aos homens, mas na realidade, a luta era pela igualdade. Essas mulheres lutavam
pelo direito ao trabalho, ao estudo, ao desenvolvimento intelectual, à escolha, à decisão e à
administração, assim como o homem. Em meados de 1830, algumas mulheres tiveram
iniciativas para romper o estereótipo criado. Foram séculos de lutas para terem os seus direitos
respeitados.
Algumas mulheres se conscientizaram que poderiam recusar a alienação em que
viviam. Assim, surge uma voz em meio a tantos séculos de silêncio e sujeição. O Movimento
Feminista foi muito mais uma questão de justiça, do que de gênero. As mulheres puderam, após
muitos séculos de submissão e alienação ao homem, acordar de um sono letárgico em que
permaneciam. Para muitas delas, esta era a realidade em que viviam e nada poderiam fazer para
transformar o estereótipo, porém, aos poucos, foram conquistando o seu espaço e desfazendo a
imagem a elas atribuídas.
As mulheres receberam, a princípio, espaço em alguns setores, e conforme
demonstravam os seus talentos e capacidade, outros campos a elas foram confiados. Embora
tendo o seu direito conquistado de trabalhar fora como os homens, as mulheres enfrentaram
discriminações por longos períodos. A submissão e dependência apenas foram transferidas dos
pais para o patrão. Os pais eram quem decidiam aonde e quando elas iriam trabalhar e seus
salários eram entregues aos pais pelo patrão. Havia muita resistência em libertar a mulher de
uma cultura opressora e dominadora.
Uma vez livre, independente e pensante por si só, não foi suficiente para conquistar a
igualdade. Existe um pensamento até mesmo no século XXI de que as atividades domésticas
pertencem à mulher. Decidindo ela por trabalhar fora, terá que conciliar com as atividades do
lar e filhos, que não são poucas. Os homens, aos poucos, vêm compreendendo que da mesma
forma que as mulheres contribuem no orçamento doméstico, a responsabilidade pelas
atividades do lar também precisam ser divididas para que não sobrecarregue nenhuma das
partes. Contudo, após uma longa história, todo processo de mudança é também lento e
demorado no que tange à conquista da igualdade de gênero.
Por seu lado, as mulheres esperam que exista da parte dos homens a consciência da
cooperação, o sentimento de reciprocidade pelo empenho delas se desdobrarem a conseguir
cumprir todos os seus papéis. Caso não haja colaboração mútua de ambos os gêneros, poderão
ocorrer naturalmente os conflitos.
Todo o engajamento investido no Feminismo busca, sobretudo, respeito e igualdade.
Não é uma luta de braços, onde um dos sexos precisa vencer, mas a ideia genuína e primária do
Movimento Feminista foi devolver à mulher importância e valor na sociedade, bem como os
homens desfrutam.

1.3 A atuação feminina na guerra

Algo a ser mencionado é com relação ao civismo da mulher na guerra. Há fatos


históricos que comprovam sua participação de forma admirável.
Na era remota de 480 antes de Cristo, as mulheres se mostraram mais engajadas e
comprometidas que os homens, no patriotismo e em todo o procedimento bélico. A
manifestação feminina frente às guerras foi notória em todos os países em que foram
necessários militantes. Elas trabalhavam arduamente e não se mostravam desanimadas. A
participação das mulheres na Itália, bem como na América do Norte também são dignas de nota,
pois elas substituíram os homens em todas as áreas, quando foi necessário e eram elogiadas por
seus esforços e disciplina.
É possível compreender que a mulher substituiu o homem em diversas atividades, para
que a pátria mantivesse firme na batalha. Funções diversas a elas foram delegadas, e todas
foram cumpridas superando as expectativas masculinas e consideradas acima de todo elogio.
A mulher foi educada para funções únicas e jamais chegou à mente masculina que ela
fosse capaz de desenvolver as mesmas atividades que o homem, afinal tratava-se de um sexo
frágil, que não pensava, apenas obedecia a ordens, mas a mulher pôde provar a sua real
capacidade e tem provado ao longo dos séculos.
O trabalho não busca argumentos para a superioridade do sexo feminino sobre o
masculino. O objetivo é encontrar subsídios para comprovar que não há qualquer distinção que
justifique ao homem ser superior à mulher, pois em todos os campos e setores é possível
compreender que a ideia de que o homem nasceu para governar e a mulher apenas obedecer é
puramente humano e socioculturalmente construído.
Da mesma forma, há relatos em toda a parte do mundo de mulheres que agiram com
arrojo, abnegação, coragem, com competências inauditas e inesperadas tratando-se do sexo
feminino. Defendendo a nação, com espírito patriótico, sacrificando-se em nome da justiça e
do direito. Mulheres dignas de honra e que devem sempre ser lembradas pelas suas atitudes
louváveis.
Embora as mulheres contribuíssem significativamente na ausência dos homens, isto
foi apenas por tempo determinado, pois nota-se que devido à necessidade da Guerra, os homens
não tiveram alternativa, a não ser, incluir as mulheres nas tarefas tidas como masculinas. Não
obstante, na primeira oportunidade após a guerra, lutaram para permanecer as coisas como
sempre foram, as mulheres exercendo apenas os seus papéis limitados.

1.4 O papel da mulher na sociedade hoje

Após décadas de reflexão sobre a situação atual da mulher, é possível fazer um balanço
de grandes conquistas. Foi visto que todo o ganho adquirido foi de forma lenta e com muito
sofrimento, pois o padrão masculino foi a norma para a construção da humanidade por séculos.
Com as revoluções vivenciadas pela mulher, foi possível gradativamente conquistar
espaço em diversas áreas da sociedade, redefinindo sua posição de mulher. Atualmente as
mulheres atuam em quase todos os setores da sociedade. Elas atuam na ciência, no exército, na
medicina, na engenharia, no esporte, na justiça, na política, nas empresas privadas etc.
As mulheres passaram a ter novos olhares e uma mente crítica e questionadora. No
campo profissional, são consideradas mais atentas, criativas e organizadas e passam a exigir
salários justos e compatíveis, pois embora exercendo a mesma atividade, em diversos setores,
elas ainda recebem valores inferiores ao que é pago aos homens. Existe uma resistência
masculina em oferecer às mulheres salários iguais, mas percebe-se que como toda mudança é
morosa, espera-se que esta realidade um dia seja mais justa para as mulheres.
Se outrora a mulher tinha funções limitadas e existia um estereótipo de inferioridade e
dominação ao homem, hoje não existe mais. Muitas mulheres não seguem mais o padrão de
mãe e dona de casa. As jovens, na sua maioria, têm por propósito estudar, formar uma carreira
profissional e como segundo plano querem casar-se e ter filhos, isto quando não optam a não
enfrentar a maternidade.
Até mesmo na questão de permanecer ou não no casamento surge como uma opção
que em outros tempos era impensável. Caso a mulher no passado não estivesse feliz na relação,
era obrigada a suportar, pois não tinha apoio de sua família e nem da sociedade em romper o
relacionamento. E como dependia financeiramente do homem, estava fadada à frustração sem
escolha de uma diferente condição de vida. Quanto ao homem, este se prevalecia em ter o poder
em suas mãos e era ele quem decidia se a esposa permanecia ou não ao seu lado. Hoje as
mulheres encontraram meios de sobreviver, possuem profissão e muitas até criam sozinhas os
filhos.
No espaço doméstico, a figura masculina não é vista mais como o cabeça da família.
Papéis e responsabilidades são divididos, tanto afazeres domésticos, como com relação à
educação dos filhos. Na área sexual, foi possível observar grande vantagem, pois o prazer,
outrora monopólio masculino, agora já é visto como direito das mulheres e estas o exigem
quando não atende às suas expectativas e administram a relação da forma que lhe é mais
conveniente.
Soma-se a isto, o direito da mulher de frequentar universidades e assim, alcançar
títulos de mestras e doutoras, algo impensável há séculos. Com a educação ao seu alcance,
muitas se direcionaram à área teológica, sendo possível também a formação de teólogas e
estudiosas da Bíblia. Estudos estes que proporcionaram maior compreensão das Escrituras
Sagradas e possibilitaram uma releitura da Bíblia, principalmente no que tange a aspectos
discriminatórios, fruto de interpretações androcêntricas, que levaram as mulheres, por muito
tempo, a serem vistas de forma negativa e com estereótipo de causadoras do mal da
humanidade.
A questão de gênero, evidentemente, foi possível ser questionada e estudada, levando
à humanidade uma vez mais a se interrogar da origem do preconceito contra a mulher em
diversos campos da sociedade. Se outrora a mulher era incapaz de exercer papéis tidos como
masculino, e hoje, ela prova que é capaz, então qual a razão de hoje a mulher ser impossibilitada
de exercer ministérios eclesiásticos ou a ser ordenada pastora? Se o impedimento está nas
Escrituras, então é lá que as estudiosas da Bíblia buscam encontrar a resposta.

2 RELATOS BÍBLICOS NO TOCANTE À MULHER

Grande parte do preconceito e argumentos contrários à mulher ou que desqualificam a


sua imagem estão, conforme diversos líderes eclesiásticos, fundamentados nas Escrituras
Sagradas. A Bíblia é a base de fé para o Cristianismo. Nela estão escritos os fundamentos para
toda a prática de fé e doutrina. É nela que está regulamentada a conduta de todo crente e as
instruções de como seguir uma vida que agrada a Deus. O Cristianismo Protestante tem a
Palavra de Deus como única regra de fé, logo, toda e qualquer doutrina deve estar fundamentada
neste livro. Desta forma, a Bíblia traz informações relevantes sobre como foi a atuação feminina
nos nossos antepassados.

2.1 A atuação feminina no Antigo Testamento

A Bíblia relata alguns dados referentes à mulher. Nota-se que muitas nem nome
possuem, são conhecidas como esposa, viúva, filha ou mãe de algum homem e apenas o nome
deste é mencionado. Percebe-se nitidamente que a cultura que as produziu deixou nas Escrituras
marcas patriarcais, onde as mulheres não eram contadas, consideradas e valorizadas. Existia
nos tempos bíblicos a necessidade da mulher se purificar mensalmente devido ao período
menstrual. E quando a purificação se dava por conta do nascimento de uma menina o tempo era
dobrado. Nas sinagogas somente os homens podiam ler as Escrituras, mas as mulheres eram
obrigadas a conservar um rigoroso silêncio.
Soma-se a isto o fato da legislação judaica da época conter discriminação contra a
mulher. Nela estava escrito que a mulher era propriedade de seu pai ou do seu marido ou dos
irmãos. Durante o casamento, o homem tinha todo respaldo para despedir, rejeitar ou
discriminar a esposa por quaisquer motivos fúteis, como por exemplo, pelo seu corpo, por causa
dos seus períodos menstruais, considerando impuro tudo o que ela tocava ou tão somente por
queimar a comida. A mulher que era repudiada pelo seu esposo não tinha o apoio da sociedade
ou de sua família e muitas vezes era obrigada a tornar-se prostituta para poder sobreviver.
Em contrapartida, na Bíblia é possível perceber diversos exemplos onde fica notável a
marca da cultura dos tempos em que foi redigida e demonstra a desvalorização da mulher. No
entanto, da mesma forma que é estampada esta indiferença ao sexo feminino, também se vê
promessas de libertação ao oprimido e marginalizado, o que se pode esperar é que a mulher se
enquadre neste grupo.
As mulheres eram excluídas da vida religiosa, algo considerado tão importante naquela
época. A regra de obedecer aos mandamentos era somente para os homens. Mulheres, crianças
e escravos não tinham obrigação de observar. Existiam certas orações essenciais que as
mulheres também não precisavam fazer. Inclusive não tinham o direito de estudar a Bíblia, pois
se acreditava que elas não tinham capacidade de aprender.
Quando nos deparamos com grandes atrocidades vivenciadas histórica e culturalmente
pelas mulheres na antiguidade, e relatadas no Antigo Testamento e em alguns casos no Novo
Testamento, é importante considerar que o que para os dias contemporâneos seja uma injustiça,
naquele tempo era normal, pois se tratava de um período histórico demarcado e uma cultura,
onde sempre foram vivenciadas certas atitudes, tidas como normais.
Entretanto, na própria Bíblia, considerando o fato de ela ser a base da fé cristã e
também o fundamento de muitos preconceitos, devido a determinadas interpretações que dela
se faz até hoje, encontram-se relatos de como foi parte da atuação feminina. Muitas igrejas
ignoram a história que privilegia as mulheres, pois estão limitadas a um contexto histórico
social que por muito tempo não favoreceu a manifestação feminina.
Embora integrantes de uma sociedade patriarcal, algumas mulheres tiveram
participação na estrutura familiar. Conseguiram se sobressair, utilizar sua criatividade e talento,
tendo os seus nomes reconhecidos na Bíblia. Figuras femininas na Bíblia puderam deixar
exemplos para as mulheres de qualquer geração.
Sara foi um exemplo de fé, quando gerou a Isaque, dando início a formação da nação
israelita, quando não mais podia engravidar e foi lembrada na galeria dos heróis da fé em
Hebreus 11. Ana orou sem cessar clamando a Deus por um filho, prometendo-lhe entregar para
servir no templo e assim ela o fez, conforme 1 Samuel 1.1-25. Débora que ocupou um lugar de
destaque na liderança entre o povo, tida como profetisa e juíza, segundo Juízes 4.4-10. Hulda
foi uma profetisa, mesmo num tempo onde havia restrições para a mulher exercer sua voz para
ensinar ou pregar.
O Antigo Testamento fala que as mulheres também exerceram ministérios. Miriã era
profetisa do Senhor. Exerceu plenamente seu ministério e teve o reconhecimento do povo e de
Deus. Influenciou o povo e foi um exemplo. Ester foi escolhida por Deus para livrar e salvar o
povo. Teve ousadia para entrar na presença do rei sem ser convocada e este a ouviu, dando a
ela autoridade para governar.

2.2 A atuação feminina no Novo Testamento

A partir de Jesus, a sociedade conhece um novo tratamento dado às mulheres. Jesus


Cristo tratou-as de forma diferente, valorizando-as. Numa cultura onde as mulheres não eram
consideradas, Jesus resgatou a sua dignidade, estabelecendo o amor sem discriminações,
provando que todos são iguais perante Deus, recebendo o mesmo amor do Criador. Muitas
religiões ainda hoje menosprezam as mulheres, mas o Cristianismo mostrou que diante de Deus
não há distinção. Jesus tinha discípulas assim como tinha discípulos, diferente dos rabinos que
só aceitavam discípulos homens. São mulheres dignas de nota e exercem influências até os dias
atuais. Até mesmo as curas, eram estendidas também às mulheres. Jesus andou na contramão
da história, pois teve comportamentos contrários ao que era de costume do seu tempo. Tempo
este que mulheres e crianças não eram contadas.
Foi uma nova maneira de se relacionar com as mulheres, mas para isto, Jesus teve que
enfrentar discriminação social e também religiosa, conforme Marcos 5.21-43; Lucas 8.2;
Recebeu mulheres no seu grupo como discípulas, segundo Marcos 15.40-41; Lucas 8.1-3; Jesus
as tornou as primeiras anunciadoras de sua ressurreição, de acordo com Marcos 16.1-8; João
20.17-18.
Jesus não fez distinção, a todos curava: homens e mulheres. Ele curou a mulher que
tinha hemorragias, curou a sogra de Pedro, a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim, a filha da
mulher siro-fenícia, a mulher encurvada há dezoito anos. Muitas vezes Jesus foi escandalizado,
mas ele nunca se constrangeu. Jesus teve comportamentos que expressavam a igualdade entre
homem e mulher. Ele mesmo possuía um grupo de mulheres que lhe serviam e lhe prestavam
assistência. Jesus quebrou o protocolo em diversas ocasiões, quando absolveu e justificou
muitas mulheres discriminadas pela própria religião judaica; Deixou ser tocado por uma mulher
impura e perdoou o seu pecado; Aceitou ser beijado por uma mulher pecadora e a absolveu do
seu pecado; Conversou sozinho com uma mulher samaritana, algo desprezado naquela cultura,
e ainda assim, ofereceu-lhe a vida eterna.
A religião rabínica degradava a posição da mulher. Rabino algum teria se “rebaixado”
para instruir uma mulher, sendo, sobretudo uma mulher samaritana, como Jesus fez; Deixou
livre uma mulher pega em flagrante adultério e a perdoou para provar à multidão que todos têm
pecados. Quatro mulheres consideradas indignas fizeram parte da Genealogia de Jesus: Tamar,
Raabe, Rute e Bate-Seba; As mulheres permaneciam ativas na Igreja Primitiva, perseverando
em oração; Foram as primeiras a ver Jesus Ressuscitado; Eram grandes trabalhadoras do
Evangelho e muitas dessas mulheres também foram citadas pelo apóstolo Paulo, conforme
Romanos 16.3-6 e 12: “Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os
quais pela minha vida expuseram a sua cabeça; o que não só eu lhes agradeço, mas também
todas as igrejas dos gentios. Saudai também a igreja que está em sua casa. (...). Saudai a Maria,
que trabalhou muito por nós. Saudai a Trifena e a Trifosa, as quais trabalham no Senhor. Saudai
à amada Pérside, a qual muito trabalhou no Senhor”.
O Novo Testamento apresenta muitas mulheres que trabalharam na construção inicial
do Reino de Deus. Jesus quebrou preconceitos, pois naquele tempo os homens não se dirigiam
às mulheres na rua e ainda assim, atendeu a sua súplica. Febe foi um exemplo na assistência
social. Ela servia na igreja e nas casas, sem cessar. Priscila foi uma referência de serviço e
lembrada por seu conhecimento do Evangelho. Trifena e Trifosa foram destaques no
evangelismo, pois desempenhavam funções de liderança e de pregação do Evangelho.
Renunciaram suas vidas para anunciar o evangelho, tanto que foram aprisionadas.
Jesus se alimentava junto às mulheres, crianças, doentes. Para curar os considerados
impuros ele teve que tocá-los. E ainda mais, permitiu que uma prostituta lavasse seus pés e
quando uma mulher foi acusava de adultério, levada à sua presença para que tivesse
consentimento para apedrejá-la, ele a perdoou. Jesus lembrou-se de Marta e Maria em suas
parábolas, pois tivera amizade com elas e queria usá-las como exemplo de como devemos servir
a Deus.
É importante compreender e analisar que muitas práticas que se veem atualmente
foram costumes adotados dentro de uma cultura que acreditava que tal comportamento era o
correto e que glorificava o nome de Deus. Na época, as mudanças que foram acontecendo não
tinham espaços para questionamentos, até porque mulher não podia falar ou levantar questões.
Ela apenas aceitava.
A ideia de que a mulher foi a culpada pelo mal existente na humanidade perdurou por
muitos séculos, até que estudos trouxeram a informação de que por uma interpretação
androcêntrica é que chegou-se à ideia de que a mulher é o motivo do mal no mundo. Mas como
a humanidade evolui e então ela é capaz de chegar-se a outras respostas, buscou-se estudar e
compreender na história se tal afirmação tinha respaldo e fundamentação. E então, muito se
ouviu falar de forma positiva das mulheres.
Sabe-se que nas comunidades paulinas havia mulheres que eram líderes proféticas,
como por exemplo, no livro de Lucas são citadas Maria, Isabel e Ana. Havia também quatro
profetisas filhas de Filipe, como traz o livro de Atos 21.9.
A pessoa de Jesus e seus exemplos foram fundamentais para desconstruir a imagem
negativa atribuída ao sexo feminino. Jesus não se importou em ser mal visto quando se
encontrou com mulheres e conversava com elas. As pessoas na sociedade da época se
espantavam, pois Jesus não fazia diferença entre homens e mulheres, nem no trato, nem nas
curas, obras, perdão e libertação.
Com uma leitura minuciosa das Escrituras Sagradas, é possível perceber que de forma
maravilhosa é observada a atuação feminina ainda nos tempos bíblicos. Eram incansáveis,
ativas, devotas ao Evangelho. Ainda que originárias de uma cultura patriarcal, algumas
mulheres se destacaram e provaram que para servir a Deus não há distinção de sexo.
Ainda que muito ficou camuflado, é possível perceber que sempre existiu atuação
feminina no ministério eclesiástico. A ênfase era para os homens, no entanto, é impossível
apagar a obra também realizada pelas mulheres e claramente ficou visível que a atuação
feminina foi responsável pelo início de muitos ministérios. O que ficou relatado na Bíblia
Sagrada foi suficiente para obter respaldo de que nem toda mulher ficou limitada a serviços
domésticos. Muitas obedeceram ao chamado de Deus e foram trabalhar na obra missionária,
dedicando suas vidas à vocação que a elas também foi entregue.
3 INTERPRETAÇÃO ANDROCÊNTRICA DA BÍBLIA

Por muitos séculos e gerações discursos foram repetidos de que Deus privilegia o
gênero masculino como superior ao feminino. Este posicionamento é o que sustentou por muito
tempo o argumento da mulher possuir funções diferentes das do homem, sem qualquer exercício
de liderança no que diz respeito ao sacerdócio, à liderança eclesiástica, afinal, por ter a mulher
permitido que o pecado entrasse no mundo, jamais ela teria condições de levar a humanidade a
Deus, pois foi seduzida pela serpente e assim, não cabe a ela qualquer exercício no que diz
respeito ao ministério, à obra ou ao campo missionário.
O que é digno de nota é o fato de a Bíblia carregar em si elementos que selecionam
dados que favorecem a pessoa do sexo masculino, enquanto que informações a respeito de
mulheres são pouco mencionadas.
Uma das formas de privilegiar a figura masculina é no que diz respeito a valorizar os
ofícios masculinos. A Bíblia refere-se a homens como construtores de cidades (Josué 6.26),
construtores de templos e palácios (1Reis 5.18), construtores de altares (Josué 22.28; Juízes
6.27), fabricantes de ídolos (2Reis 17.30), espiões (Juízes 18.2), cavaleiros, agricultores e
fabricantes de armas (1Samuel 8,11-12). Quanto às mulheres, estas são costureiras (1Samuel
2.19), perfumistas, cozinheiras e padeiras (1Samuel 8.13), são porteiras (2 Samuel 4.6) e
cantoras (1Samuel 18. 6-7). Quando a Bíblia cita funções femininas e distingui-as das
masculinas caracteriza uma sutil discriminação sexual.
Entende-se que o que está explícito na Bíblia foi selecionado por homens, afinal, eram
os homens aqueles quem dominavam. O que consta na Bíblia são textos seletivos de histórias
e fatos que os homens julgavam importantes e não relatos fiéis de tudo o que ocorria na
sociedade.
O que para muitos teólogos surgiu como algo a ser negligenciado foi o fato de que
muitas teólogas femininas uniram-se a fim de estudar as Escrituras com profundidade e
encontrarem respaldos para afirmarem que o propósito da Criação de Deus nunca foi colocar o
gênero masculino acima do feminino, mas ao contrário, o intuito era que ambos se
completassem e ajudassem um ao outro. Tanto que o exercício da liderança aos dois foi
entregue, tanto ao homem quanto à mulher.
No entanto, foi necessário desconstruir alguns dogmas e teses praticadas e repetidas
por muitos séculos a fim de chegar ao consenso que há atualmente, ao menos entre as teólogas
feministas, em sua maioria, de que alguns textos bíblicos, embora inspirados por Deus, foram
escritos por homens que trouxeram e mantiveram sua cultura patriarcal e androcêntrica. Após
estudos, conclui-se que a exegese feminista busca questionar a autoridade da Bíblia, afinal,
numa parte significativa foi escrita por homens que não tinham interesse que a mulher fosse
destacada.
Ora, da mesma forma que no Antigo Testamento existiam diversas leis, dogmas e
costumes estabelecidos para um povo, certos conteúdos bíblicos foram escritos para um povo
específico numa época determinada, não sendo, porém, leis a serem cumpridas para toda a
humanidade, em todas as gerações, povos e épocas.
Compreende-se que se trata de uma forma de vida que por séculos foi permanecida,
tida como certa e inquestionável. Era fruto de uma cultura patriarcal, mas é necessário atualizar
a mensagem ou os textos para os dias atuais para que não se permaneça em costumes que não
cabem mais à época contemporânea.
Quando a Bíblia é lida e quando se busca a sua interpretação, é necessário considerar
o contexto em que ela foi escrita. Contexto social, econômico, religioso, cultural e todas as
situações da época que podem ter influenciado a escrita de determinado texto. Afinal, o
problema não está na mensagem bíblica em si, mas na interpretação contemporânea
androcêntrica que prega a subjugação das mulheres.
O erro encontrado é quando homens buscam respaldos nas Escrituras para
fundamentar um procedimento ou uma conduta machista, alegando que desde o princípio foi
assim que Deus o quis. Logo, usam a Bíblia como pretexto para perpetuar uma concepção
errada no que diz respeito às mulheres e argumentam que por ter sido inspirada por Deus, é Ele
quem deseja que assim se proceda. Quando na realidade Deus considera homens e mulheres
iguais. A ideia do homem ser superior às mulheres partiu unicamente da cabeça de alguns
homens da época.
Os textos bíblicos muitas vezes utilizam somente imagens e símbolos masculinos para
falar de Deus como rei, juiz, patriarca, esposo, senhor e pai, forte guerreiro, consolador etc.
Fato este que leva alguns homens a se prevalecerem de que são superiores e podem desfrutar
do auxílio de suas mulheres. Esquecem-se, porém, que a mesma Bíblia que se refere a Deus
como um homem, também usa, ainda que menos vezes, traços da face feminina e materna de
Deus. Mostra o amor de Deus como o amor de uma mãe que experimenta compaixão pelo filho
de suas entranhas.
Jesus se refere a Deus e a seu amor de misericórdia para com o pecador como uma
mulher que perde uma das dez dracmas que tinha e se esforça a encontrá-la. E em outra
passagem, Jesus, lançando um olhar de pranto e dor sobre a Jerusalém assassina dos profetas,
se compara à mãe desvelada e extremosa que tentou repetidas vezes, sem sucesso, reunir os
filhos de Israel como a galinha recolhe os seus pintinhos debaixo das asas. Deus carrega a nação
de Israel no ventre (Isaías 46.3); grita como a mulher em trabalho de parto (Isaías 42.14); gera
a nação judaica (Deuteronômio 32.18); tem compaixão de nós como a mãe se compadece dos
filhos que amamenta (Isaías 49.15); oferece o consolo de mãe (Isaías 66.13). São alguns
exemplos que revelam o aspecto feminino de Deus cuidar de seus filhos.
Infelizmente, devido à interpretação que se fez da Bíblia, a escritora Cady Staton
afirma: “A revelação divina está articulada em linguagem humana historicamente limitada e
culturalmente condicionada. Mas a interpretação feminista particulariza e relativiza a Bíblia
ainda mais ao especificar que a linguagem bíblica é linguagem masculina e que as condições e
perspectivas culturais da Bíblia são as do patriarcado”. O que muitas teólogas feministas
buscam é provar que é necessário estudar toda a Bíblia para buscar uma compreensão do
propósito de Deus tanto para os homens como para as mulheres.

3.1 Patriarcado

Por muito tempo, as civilizações viveram uma forma de sociedade onde cabia a figura
masculina toda reverência, respeito e submissão. Eram os homens quem comandavam e
exerciam toda a autoridade, estando todas as mulheres sujeitas a eles. Em algumas tradições
religiosas as mulheres são tidas como inferiores aos homens. Eis a época do Patriarcado.
Sabe-se que os textos bíblicos foram escritos há séculos por diversos homens que
buscaram relatar testemunhos de experiências em contato com Deus. A Bíblia contém a Palavra
de Deus, mas interpreta-se como sendo a genuína Palavra de Deus, o que é um equívoco, pois
homens foram inspirados para escrever, mas os textos não ficaram imunes às influências da
época em que foram escritos.
Desta forma, entende-se que a Bíblia não é um livro imparcial, tampouco um escrito
neutro, pois privilegia, em sua maioria, aspectos que favorecem a figura e feitos masculinos,
bem como deixa explícitos características de uma comunidade, sua forma de viver e costumes.
A Bíblia traz marcas das condições econômicas, sociais, culturais e políticas nas quais vivia a
sociedade. Inclusive é apontada a cultura patriarcal que predominava, a saber, uma forma de
viver em que a figura masculina era o que prevalecia e exercia o poder em todas as suas formas.
Como se não bastasse, a Bíblia foi ao longo de muitos séculos também interpretada por homens
que tinham os seus propósitos de disseminar uma ideia de que o propósito de Deus sempre foi
enaltecer ao homem, deixando a mulher sempre em situação de submissão, subordinação e de
inferioridade.
O modelo patriarcal busca manter a sociedade como sempre foi. O homem exercendo
papéis importantes e fundamentais e a mulher permanecendo apenas como sua auxiliadora.
Todo mérito ao homem. Todo o poder de criar, de sobressair, de inventos e de conquistas é
deixado para o homem. À mulher restam os trabalhos domésticos, apenas.
As teólogas feministas buscam desconstruir a opinião de que são os homens os autores
da história. A Bíblia ignorou muitos feitos das mulheres, fala de um Deus masculino, aprova a
submissão e impotência das mulheres, entre outras formas de discriminação. No entanto, as
mulheres tiveram ampla participação não somente como auxiliadoras, mas também como co-
autoras da história. Ainda que o texto bíblico traga poucas informações dos feitos femininos,
sabe-se que um olhar minucioso para as Escrituras estampa a valiosa participação feminina,
desde os tempos bíblicos até os dias atuais.
A conclusão que se tem é a de que houve uma exegese criada pelos homens que
interpretou a Bíblia da forma que lhes era conveniente e infelizmente prejudicaram as mulheres,
pois descartaram o direito delas serem também criaturas de Deus dignas de todo respeito e
igualdade. Além disto, esses exegetas apresentaram esta leitura como plano de Deus para a
criação.
A ideia foi produzir um discurso que, repetido muitas vezes, passou-se a acreditar que
a vontade e propósito de Deus era que as mulheres fossem apenas meras auxiliadoras dos
homens. Algumas mulheres conseguiram se sobressair e provar que poderiam exercer as
funções tidas como masculinas, mas são consideradas exceções e assim, os homens jamais
permitiriam que isto virasse regra. Nenhum papel de destaque a elas foi entregue, a não ser
serem ajudantes dos homens. Algumas mulheres romperam o estereótipo e alcançaram
reconhecimento, mas foram poucas, pois este não é o modelo patriarcal.
Compreendendo que os textos foram escritos por uma cultura que transmitiu marcas
do preconceito e estabeleceu isto como verdade imutável, eles precisam ser reinterpretados para
encontrar o seu sentido original. Este recurso é indispensável para investigar o fiel propósito
para o qual o texto foi escrito.
Portanto, faz-se necessário uma reflexão para compreender os acontecimentos da
história, sem desconsiderar os contextos da época, para somente então formular uma opinião
acerca da atuação feminina no ministério eclesiástico ou em qualquer outro campo da
sociedade. Para tanto, qualquer ideia, crença ou visão devem estar fundamentadas em princípios
analisados por meio de interpretação aprofundada e abrangente para não incorrer nos mesmos
erros cometidos pelos nossos antepassados, quando engessaram a atuação feminina, impedindo-
as de contribuir para o progresso econômico e intelectual da sociedade, assim como retardaram
o crescimento, propagação e proclamação do evangelho de Jesus Cristo.

3.2 Preconceito contra a mulher por conta do pecado original

A mulher sofreu preconceitos e discriminações por longo período desde os tempos


bíblicos e em algumas culturas ainda são subjugadas devido ao pecado de Eva. Entende-se que
por meio de Eva o pecado entrou no mundo. A questão que Adão foi conivente pouco é
considerada. O fato da ordem ter sido dada diretamente a Adão e ele ter sido convencido por
Eva, também é esquecido. Apenas ficou gravado o fato de Eva ter sido seduzida pela serpente
e por isto toda a humanidade sofreu.
O mito da criação foi o responsável por gerar o estereótipo da mulher eternamente
pecadora e responsável pelo pecado. Assim, era atribuído à mulher todo e qualquer mal
existente no mundo. Aproveitou-se a oportunidade para oprimi-la para sempre. E como estava
escrito na Bíblia, era inquestionável, afinal, tratava-se da Palavra de Deus.
Utilizando versículos bíblicos, os homens passam a afirmar que a causa da vinda do
pecado é somente da mulher e, como punição, ela deve estar subordinada para sempre ao
homem pelo fato de ter se deixado seduzir e como consequência, o pecado ter entrado no
mundo.

3.3 Textos inspirados por Deus, mas com influências de uma cultura

Por muito tempo pregou-se e afirmou-se a inerrância e infalibilidade da Bíblia, por se


tratar de um Livro Sagrado, escrito por Deus e inspirado por Deus. Ou seja, tudo o que nele está
escrito é regra e não se discute, pois é a vontade de Deus. No entanto, a Bíblia, embora inspirada
por Deus, foi escrita numa época em que os homens eram os líderes da sociedade, atuantes e os
únicos que exerciam posição e governavam.
Pode-se compreender que muitos textos foram influenciados pela cultura da época,
logo, pelo patriarcado. É relevante afirmar que na época em que a Bíblia foi escrita já havia
preconceitos com relação à mulher. Elas eram oprimidas, mas de forma sutil. Os homens eram
destaques em todas as áreas. As mulheres tinham pouca ou nenhuma chance de atuar de forma
diferente a que já estava estabelecida. E esta visão perdurou na sociedade por muitos anos.
E no tocante às mulheres, muitas foram oprimidas por causa de algumas interpretações
que se fizeram de alguns textos deste livro. Sabe-se que as mulheres não tinham voz. Eram
proibidas de falar em público, na rua ou nas igrejas e sinagogas. Assim, pouco se tem de
registros escritos de seus feitos, suas lutas e conquistas ocorridas há muitos séculos.
Contudo, ao realizar uma busca pelas Escrituras, é possível verificar que as mulheres
não foram totalmente apagadas, mas muitos dos seus atos foram menorizados, esquecidos e
talvez deixados de ser registrados, afinal não era propósito da cultura da época enaltecer a figura
feminina.
Entende-se por uma leitura androcêntrica, pois se conclui que o termo “diácono” era
do interesse dos homens que se referisse apenas aos homens, como se ficasse assim
compreendido que apenas os homens na igreja primitiva tinham o privilégio de atuar como
líderes de uma congregação. Logo, traduzindo o termo com relação às mulheres como serva ou
ajudante, não haveria respaldo nas Escrituras para dar às mulheres o direito de liderar, pregar
ou ensinar nas igrejas.

A tarefa de Febe não designa ajudante ou assistente de Paulo. Seu papel consistia na
função de mestra oficial e missionária na igreja de Cencréia habituada com pregações e cuidado
pela comunidade.
Acredita-se que todos os escritos do Novo Testamento foram escritos por autores
homens e sabe-se que a teologia dos primeiros séculos é chamada de Teologia Patrística. O que
leva a crer que as mulheres tinham pouca relevância na história da igreja. Fiorenza afirma que:
“Os autores cristãos primitivos selecionaram, redigiram e reformularam suas fontes e materiais
redacionais com referência a suas intenções teológicas e objetivos práticos. Nenhum dos
escritos e tradições do cristianismo primitivos está livre destas tendências”.
Assim fica esclarecido que tanto os autores cristãos como as comunidades viveram
num mundo patriarcal, onde o pensamento vivido na época era correspondente a esta cultura.
Desta forma é óbvio que todo o conteúdo no que diz respeito às mulheres foi filtrado e
selecionado, de forma que prevalecesse a autoridade patriarcal, pois qualquer destaque
feminino poderia ser visto de forma irrelevante ou como ameaça ao modelo predominante
existente.
O movimento feminista, o que abrange a Teologia Feminista, empenha-se em resgatar
a história das mulheres que ficou esquecida e perdida. Mulheres buscaram estudar de forma
acadêmica, envolvendo historiadores, filósofos, cientistas e antropólogos concluindo que fatos
da história são androcêntricos, logo, deficientes porque não consideram as mulheres, suas vidas,
contribuições e testemunhos. E formam uma história masculina, com fatos exclusivos de
homens.
É com estes fundamentos que houve e há a necessidade de se utilizar uma
hermenêutica crítica para uma correta interpretação bíblica de modo que possa extrair sua real
essência, sentido e propósito e, quando necessário, corrigir distorções na teoria e na prática para
restituir a igualdade entre os gêneros.

3.4 A questão da submissão

No meio eclesiástico, um tema bastante discutido é a questão da submissão. Muitos


líderes firmam-se em textos extraídos das Escrituras Sagradas, como por exemplo, Efésios 5.22-
23: “As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é
o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do
corpo”. Assim, a ala masculina prega que se o homem é o cabeça, ele pode exercer todo tipo de
autoridade sobre sua esposa e esta deve obedecê-lo, respeitando-o como alguém superior
instituído por Deus. No entanto, é necessário compreender o sentido original da palavra cabeça.
No grego, a palavra “kephale” não tem o significado de “chefe superior”, como posição de
mando, mas indica relação de origem (como a fonte é a “cabeça” do rio).
No entanto, o sentido original foi ignorado e o que permaneceu foi a concepção de que
Deus determinou que um sexo é superior ao outro, necessitando que um sirva ao outro, no caso
o sexo feminino servir ao sexo masculino. Com relação a 1Coríntios 11.3: “Quero, entretanto,
que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o
cabeça de Cristo”. É como dizer que o homem é a origem da mulher, mas não que ele é o senhor
da mulher.
Como foi discutido anteriormente, é necessário interpretar cada versículo
considerando a Bíblia como um todo. Não se deve analisar versículos isoladamente. É
necessário considerar tudo o que foi dito a respeito. Em 1Coríntios 11.11-12 consta que: “No
Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da
mulher. Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da
mulher; e tudo vem de Deus”. Assim, compreende-se que um sexo depende do outro, nem um
é maior, nem menor que o outro, ambos se completam.
Também está explícito em 1Coríntios 14.34-35: “conservem-se as mulheres caladas
nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o
determina. Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem, em casa, a seu próprio
marido; porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja”. O texto acima é um relato do que
culturalmente era vivido na Igreja de Corinto. Era uma situação específica, num local
determinado e também numa época restrita. Não se trata de uma doutrina a ser transmitida às
demais gerações e a todas as culturas.
Outro texto que também estampa a desigualdade enfrentada pelas mulheres está em
1Timóteo 2.12: “E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja,
porém, em silêncio”. Este versículo apresenta de uma forma bastante radical como viveram
muitas mulheres e bem se sabe que em muitos países e culturas ainda predomina este
comportamento.
O que determina a liberdade ou escravidão vivenciada pelas mulheres são os costumes
que um povo adota. Estas condutas são transmitidas de geração em geração, sendo aceitas como
certo, uma vez que não se conhece um comportamento diferente. Era algo inquestionável, onde
não se tem um padrão diferente.
A época citada por Paulo trata-se de um momento na história onde a mulher nem ao
menos podia ler a Torá. E no seio desta comunidade jamais uma mulher teria instrução para
ensinar ao homem, uma vez que ela não era capacitada para isto.
Assim, compreende-se que homens e mulheres dependem um do outro e
complementam-se um ao outro. O respeito deve ser recíproco e não existe autoridade que um
exerça sobre o outro. Os relatos bíblicos que oprimem as mulheres revelam modelos de uma
cultura específica, numa época restrita. Embora a Bíblia traga exemplos destes
comportamentos, eles não devem ser adotados como regras para as demais culturas, afinal, a
mensagem bíblica deve ser atualizada para cada povo, cultura e época.

4 RESGATANDO O PAPEL DA MULHER

Entendendo que o sexo feminino enfrentou opressão e desigualdades no passado por


conta de várias interpretações que se fizeram, existe a necessidade de compreender o real papel
da mulher na atualidade, não apenas na sociedade, mas neste momento, necessário se faz
também no campo eclesiástico.
Vale ressaltar que a mulher assumiu genuinamente e com grande intensidade o amor
ao próximo. Sendo a real base da fé cristã, esse mandamento foi levado ao extremo pelas
mulheres. No entanto, o amor que tudo suporta, encontrado em 1Coríntios 13 foi indevidamente
compreendido por elas como o amor ilimitado em favor dos outros.
E por muito tempo permaneceu esse pensamento da mulher ter que se sacrificar por
outrem, assumindo uma realidade que não era o propósito de Deus para a sua vida. Com o
passar do tempo e após muitos estudos, foi possível para a mulher compreender o real propósito
para o qual ela foi criada.

4.1 Compreensão do sentido de auxiliadora

Com relação ao legítimo papel da mulher quer seja na sociedade, família e igreja muito
tem se questionado. Afinal, existe a opinião de que, segundo a Bíblia, a mulher foi feita para
auxiliar o seu esposo, conforme a leitura que se faz de Gênesis: “Disse mais o Senhor Deus:
Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”. Quando a
Bíblia afirma que Deus criou a mulher para ser idônea e companheira do seu esposo, é
necessário compreender o significado da palavra para que seja feita interpretação correta, sem
deixar ser influenciado por contextos históricos.
Existe uma compreensão errada quanto ao sentido de ajuda. No original, ‘ezer’, do
hebraico, significa ajuda. No entanto, quando investigado detalhadamente revela que a palavra
não implica algo subordinado, como ajuda de uma empregada. A palavra masculina ‘ezer’ é
usada aqui para expressar uma ajuda que o homem não pode dar. Entendo como uma ajuda de
Deus ao homem. E tal ajuda não é limitada ao serviço de gerar filhos ou administrar o lar. Da
mesma forma que a mulher auxilia ao homem, ela também é ajudada por ele, numa troca mútua.
No entanto, por muito tempo houve um discurso repetido diversas vezes de que o papel
da mulher era apenas auxiliar ao homem. Bem como afirmações de que esta postura agradava
a Deus e confirmava o que consta no livro de Provérbios 14.1: “A mulher sábia edifica a sua
casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derruba”. Assim, criou-se o pensamento de que
é a mulher quem sustenta o lar e deve viver esforçando-se para agradar ao esposo e fazê-lo feliz.
Entendo que a mulher não deve priorizar ao marido mais que a ela própria. Jesus
mesmo disse que devemos amar ao próximo como a nós mesmos. A mulher jamais deve anular-
se devido ao casamento. Ela pode e deve se realizar como pessoa e profissionalmente, apesar
de estar casada.
Deus não faz acepção entre homem e mulher. Não seria justo um Deus de justiça, de
amor, criar a mulher para viver em função do seu esposo, abrindo mão de realizar-se como
pessoa. Esta não seria a vida abundante que o Senhor prometeu a todos, homens e mulheres.
Toda mulher tem a liberdade de criar, construir e edificar assim como o homem. Sua
tarefa de auxiliá-lo não a impede de exercer ministérios e assumir responsabilidades as quais a
ela são designadas.

4.2 A mulher na busca pela igualdade

O propósito aqui visa argumentar que não existem funções delegadas especificamente
aos homens e nem às mulheres. Embora homem e mulher sejam diferentes biologicamente, é
incoerente admitir que se façam diferenças no que diz respeito à capacidade laboral, a funções
no ministério eclesiástico ou no chamado de Deus para exercer a função pastoral.
A prática no passado era de que o homem possuía mais direitos no casamento,
inclusive de divorciar-se por motivos fúteis. Mas Jesus retomou a necessidade da igualdade
entre os sexos. No passado há exemplo de infrações cometidas por homens e mulheres, mas a
pena maior cabia à mulher, como se apenas ela fosse autora e responsável pelos atos.
Percebendo esta distorção e injustiça, Jesus prega a igualdade.
Na Comunidade de Paulo, este deixou explícito que não se deve fazer acepção de
pessoas, conforme Gálatas 3.28: “Nisto não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem
liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. Até mesmo
vemos o exemplo em Pentecostes, registrado em Atos 2.4, onde relata o início da igreja, quando
tanto homens como mulheres recebendo o Espírito Santo: “E todos foram cheios do Espírito
Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que
falassem”.
É um equívoco hermenêutico interpretar os textos sagrados de forma a defender uma
opinião baseada em preconceitos de gênero, principalmente em pleno século XXI,
desvalorizando a importância da mulher, principalmente ignorando o ato da criação quando
Deus considera ambos, macho e fêmea. Há uma corrente que afirma que a origem deste
preconceito contra a mulher até dentro da igreja parte do livro Gênesis, quando fala que o
homem deve dominar a Terra.
No entanto, é possível estudar cada versículo para fazer a correta interpretação. No
versículo: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e
sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que
rasteja pela terra.” (Gênesis 1.28), está explícito que Deus deu a ordem a ambos: macho e fêmea,
ou seja, os dois devem exercer autoridade, um auxiliando o outro para administrar os bens
deixados por Deus. Se o homem ou a mulher quiser dominar um sobre o outro, não está agindo
conforme os propósitos da Criação.
No livro de Gênesis, capítulo 1 mostra que Deus estabeleceu homem e mulher
como dominadores, pois se encontra efetivamente no plural. Assim, compreende-se que ambos
dividem a responsabilidade de dominar o mundo e encher a terra.
Ainda que o homem desfrute do privilégio de ter sido criado primeiro, as Escrituras
Sagradas nos fornecem respaldo para aceitar que homem e mulher foram criados para trabalhar
em conjunto, em igualdade e responsabilidade.

4.3 Liderança Eclesiástica Feminina

A mulher, após muitas lutas, pôde conquistar espaço na sociedade e no mercado de


trabalho. No entanto, no campo eclesiástico ainda existe resistência em algumas denominações
para confiar a elas uma posição de liderança.
Ao analisar a história, percebe-se que as mulheres exerciam liderança no templo de
Jerusalém e lideravam assembleias religiosas e políticas.
É notável e contraditório o que existe em afastar as mulheres do culto, afinal, a própria
Igreja ensina que Jesus Cristo andava sempre acompanhado por mulheres que o adoravam.
Enquanto uns discípulos dormiam e outros o negavam, as mulheres estavam sempre vigilantes,
dedicadas, corajosas e fiéis.
Segundo a autora Coelho, as mulheres eram humilhadas e homem algum podia
aproximar-se delas para conversar. “Corre mundo esta ordem do reformador religioso S.
Coriolano na antiga França: Todo aquele que conversar com uma mulher, sem testemunhas,
além de ser posto a pão e água, sofrerá 200 chibatadas”. E ainda, repetindo as palavras de Santo
Antonio: “Quando virdes uma mulher, crede que tendes na vossa presença, não um ser humano,
não um animal feroz, mas o diabo em pessoa”.
Coelho também afirma que há quem defendesse a mulher, um teólogo da Idade Média,
S. Tomás, interpretava a criação da mulher concluindo que: Deus a criara de uma costela do
homem, isto é, do lado, e não dos pés ou da cabeça, para insinuar que ela lhe não devia ser
superior nem inferior, presidindo, evidentemente, ao ato, a preocupação da igualdade dos sexos.
Fato que merece ser exposto foi com relação a um Concílio do século VI da nossa era.
A discussão era descobrir se mulher teria alma. Foi o cúmulo da ignorância. Neste Concílio
ficou determinado que os padres não conversassem com mulheres, nem mesmo as familiares.
Para alguns autores, o maior argumento que sustenta o preconceito contra a atuação
feminina no ministério eclesiástico baseia-se em textos extraídos da própria Escritura. Esquece-
se, porém, que o texto precisa ser interpretado.
Embora alguns textos tenham sido escrito no Novo Testamento, as palavras de Paulo
à cidade de Corinto e também a Timóteo, fonte principal de argumentação contra a mulher atuar
no ministério cristão, foi dirigido a um povo determinado, num lugar delimitado e
principalmente, numa época específica. Assim, é contra os métodos de interpretação bíblica
fundamentar doutrinas em textos isolados. O contexto de que trata Corinto é de que as mulheres
não eram contadas, nem consideradas. Elas não tinham direito de ler as Escrituras nas
sinagogas. Uma criança do sexo masculino tinha este direito, mas não as mulheres. E havia os
rabinos mais radicais que preferiam queimar a lei a ensinar uma mulher.
Textos isolados deram espaço a interpretações fora de contexto. É importante
compreender que a mulher que vive sob domínio e jugo do homem não consegue cumprir o
plano original da criação, a saber, atuar como auxiliadora e governar junto ao homem. Vários
autores utilizam diversos textos para fundamentar uma concepção machista, o que lhes coloca
em posição superior às mulheres, baseando os seus argumentos em textos isolados sem analisar
o contexto em que foram escritos.
Com relação ao campo ministerial eclesiástico, no tocante à atuação das mulheres
como pastoras e pregadoras, foi possível perceber, ao longo da história da igreja evangélica,
como era perceptível o desempenho das mulheres no ministério em diversas denominações. Sua
disposição era bastante atuante e assumiam responsabilidades. Há denominações que não
admitem cargos de liderança à mulher, mas isto não é posição unânime, pois outras reconhecem
a dedicação e empenho manifestado pelas mulheres. Existe a informação de que grandes igrejas,
como a Igreja do Evangelho Pleno, cujo pastor David Yonggi Cho observou que as mulheres
eram mais prestativas e possuíam mais dedicação que os homens, fazendo com que ele andasse
na contramão da história, autorizando o pastoreado feminino, sendo este ministério o grande
destaque de sua igreja.
Existem em diversas denominações impedimento para que as mulheres preguem,
sejam pastoras ou líderes. A elas só é permitido exercer algumas das funções tidas como
masculinas quando na ausência do líder masculino.
Essa discriminação no tocante ao exercício da mulher na igreja é presente de modo
fático, por vezes sutil e não documentado em diversas denominações evangélicas. Por outro
lado, existem no Brasil muitas mulheres que assumem postos de liderança no exercício
eclesiástico.
Muitas mulheres rompem os preconceitos e se firmam na crença de que o propósito de
Deus é usar a todos, desde que haja um compromisso com o Reino de Deus. Elas compreendem
os textos bíblicos que recusam a sua atuação no ministério como sendo direcionado àquela
época, quando as mulheres não possuíam a liberdade e independência que hoje já foi
conquistada.
Entende-se que toda mudança tende a ser lenta e da mesma forma que, ao longo dos
séculos, a mulher obteve avanços significativos em diversos campos da sociedade, acredita-se
que a legitimação da liderança eclesiástica em algumas denominações evangélicas seja, em
tempo oportuno, outra grande conquista.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A sociedade atual ainda enfrenta preconceitos e discriminação com relação à figura


feminina. Embora avançando consideravelmente na carreira profissional, no ministério
eclesiástico ainda existe preconceito em algumas denominações em confiar às mulheres cargos
de liderança. Em outros casos, a liderança é amplamente concedida, porém trabalha sem receber
remuneração ou reconhecimento específico sobre o trabalho realizado, o que pode ser
considerado um tipo de opressão.
O estereótipo da mulher como mera auxiliadora do homem ainda é cultivado em
muitas denominações. Muitas limitam as mulheres a funções de auxílio, sem confiar a elas um
lugar que as coloquem em posição de igualdade ou de liderança sobre os homens. A justificativa
que ainda impera é a de que, conforme as Escrituras Sagradas, Deus confiou apenas ao homem
a função de liderança.
O livro apresentou a origem destas discriminações. Nossos antepassados comprovam
que por séculos a mulher possuía um papel de subordinação. Era vista como sujeito secundário,
com funções pré-estabelecidas. Seu papel era de gerar filhos, cuidar do lar e servir. Sua
condição era de total dependência e submissão ao homem. A concepção que havia na época era
da mulher como sexo frágil, diferente do homem no que diz respeito a capacidades e habilidades
humanas. Sendo propriedade dos homens, sem poder sobre suas vidas, era impedida de sonhar,
de aspirar um futuro mais agradável que viesse a valorizá-la.
Depois de muito tempo, surge o pensamento de que se as mulheres fossem educadas
como os homens estariam aptas a exercer as mesmas funções. Desta forma, mulheres se unem
para lutar e exigir condições de crescimento e desenvolvimento a fim de encontrar espaço
profissional para si em um mundo ditado por homens. As exigências eram a favor da igualdade
e contra a discriminação, alienação e injustiças vivenciadas pelas mulheres.
Foram anos de lutas para que tivessem os seus direitos concedidos e seus esforços
reconhecidos. Situações diversas favoreceram a introdução das mulheres no trabalho social,
pois contribuíram para provarem que são capazes de exercer funções tidas como masculinas e
atuaram de forma surpreendente e extraordinária, provando que não há distinção entre os
gêneros no que diz respeito ao trabalho e à capacidade intelectual. A total liberdade ainda não
foi alcançada, mas gradativamente ela vem sendo conquistada e ampliada.
O presente estudo apresentou um balanço das conquistas alcançadas pelas mulheres.
Conquistaram posição em diversos setores da sociedade, embora em alguns campos ainda
recebam salários inferiores. A mulher pôde desenvolver uma mente crítica e questionadora, o
que fez com que pudesse optar em abdicar ou adiar sua função de mãe e dona de casa,
priorizando sua carreira profissional. Também faz parte de suas escolhas permanecer ou não no
casamento, uma vez que não existe mais o status de dependência, outrora presa em tempos
antigos.
No sexo, as mulheres procuram os relacionamentos que sejam mais funcionais e
saudáveis para sua vida, desfrutando do direito ao prazer, que em outros tempos era monopólio
dos homens. Hoje não existe mais a figura do chefe de família, segundo a antiga interpretação,
afinal, as responsabilidades são divididas. Algo fascinante é que as mulheres foram levadas a
estudar a Bíblia, o que proporcionou uma releitura, identificando aspectos discriminatórios
decorrentes de interpretações androcêntricas.
A pesquisa trouxe fatos bíblicos no tocante à mulher, mostrando que relatos diferentes
causaram interpretações androcêntricas, que desqualificaram a imagem feminina, colocando-a
numa posição inferior, afirmando que apenas o homem é imagem de Deus e toda a culpa do
pecado recai sobre a mulher. O texto buscou argumentar que ambos os sexos possuem
responsabilidade sobre o mal no mundo. Assim, entende-se que é um equívoco utilizar estes
textos bíblicos a fim de desvalorizar a figura feminina.
O trabalho também apresentou que os textos bíblicos relatam a vida de muitas
mulheres que nem nomes tinham, eram conhecidas por filhas ou esposas de algum homem,
considerando que se tratava de uma época em que as mulheres não eram contadas, consideradas
nem valorizadas. A Bíblia traz marcas desta discriminação, quando chama a mulher de impura
no seu período menstrual, bem como quando a considera propriedade do seu marido.
Entretanto a Bíblia também relata grandes feitos das mulheres ficando registrados no
Antigo Testamento grandes testemunhos de mulheres que mesmo em meio a uma sociedade
machista provaram seus talentos e capacidades, obtendo algumas o título de juíza, profetisa e
governadora. No Novo Testamento a sociedade conheceu um novo tratamento dado à mulher.
Jesus resgatou sua dignidade e as valorizou. Ele mostrou que diante de Deus não há distinção.
Jesus andou na contramão da história, pois teve comportamentos contrários ao que era costume
do seu tempo. Também foi possível perceber que várias mulheres iniciaram ministérios
eclesiásticos, tendo funções de pregadoras, missionárias e apóstolas. Eram incansáveis, ativas
e devotas ao Evangelho.
Outro aspecto relevante foi com relação à identificação de uma interpretação
androcêntrica que se fez de alguns textos bíblicos, quando privilegia o sexo masculino,
selecionando dados que favorecem os feitos dos homens e pouco é mencionado sobre a vida e
história das mulheres. Compreende-se que a Bíblia foi escrita por homens e trouxe marcas desta
cultura que a produziu, pois se tratava de um contexto onde as mulheres não tinham autoridade,
eram totalmente submissas, diferente da cultura dos tempos atuais.
A Bíblia é fruto de uma cultura onde o sistema do Patriarcado era o que prevalecia.
Vários textos bíblicos não ficaram imunes a essas tendências patriarcais, onde supervaloriza a
figura masculina, colocando-a em destaque. Pode-se considerar que a Bíblia não é um livro
imparcial, pois privilegia, em sua maioria, aspectos que favorecem o homem. As teólogas
feministas buscam desconstruir a opinião de que são os homens os autores da história, afinal,
as mulheres tiveram ampla participação.
Expressões da Bíblia relacionadas à submissão, tendem a fundamentar a necessidade
da mulher estar sempre em situação de subordinação. Uma análise aprofundada levou ao
entendimento de que algumas expressões contidas na Bíblia revelam a cultura vivenciada por
uma comunidade, devendo ser atualizada à época e cultura contemporânea. Ficou
compreendido que não há necessidade do homem exercer domínio e autoridade sobre a mulher,
pois ambos dependem um do outro e o propósito da criação é que se complementem um ao
outro.
A pesquisa destacou ideias nas quais se fundamentam autores contrários à liderança
feminina na Igreja. Seus argumentos estão fundamentados na Bíblia. No entanto, teólogos e
teólogas utilizaram determinada metodologia para estudar a Bíblia com profundidade a fim de
encontrar respaldos para afirmar que o propósito da criação de Deus nunca foi colocar o gênero
masculino acima do feminino. A exegese feminista utiliza o método de suspeita, ao questionar
a autoridade da Bíblia, porque em boa parte, foi produzida por homens que exerciam poder
sobre as mulheres. Ao interpretar a Bíblia é necessário considerar o contexto em que ela foi
escrita, buscando recuperar na sua essência a mensagem genuína que ela deseja transmitir,
revelando o propósito de Deus para homens e mulheres.
Para contrapor aos argumentos que impedem as mulheres de atuar na Igreja, a presente
pesquisa proporcionou um retorno à história e aos textos bíblicos a partir de outro olhar, o da
hermenêutica histórico-crítica demonstrando que mesmo no Antigo, como no Novo
Testamento, as mulheres já exerciam funções de liderança no ministério eclesiástico.
Atualmente, as mulheres já podem compreender que a função de auxiliadora não
implica em mera ajudante, mas está relacionada a governo e à administração. Diz respeito a
uma ajuda que o homem não conseguiria sozinho. É um relacionamento recíproco, de ajuda
mútua. Toda mulher é capacitada para construir, edificar e criar, assim como o homem, afinal
Deus criou ambos para dominarem sobre a terra.
As mulheres buscam igualdade e espaço no Ministério Eclesiástico, pois embora
muitas denominações já aceitem a ordenação de pastoras, ainda existem igrejas que mantém as
mulheres numa posição de auxílio ao homem, não confiando a elas uma posição de liderança,
ainda que já desenvolvam trabalhos que provam a sua capacidade. Entende-se que o preconceito
e resistência em impedir a liderança eclesiástica feminina é estritamente cultural e não propósito
de Deus. O texto mostrou que ao longo da história foi perceptível o desempenho das mulheres
em diversas igrejas. E até mesmo atualmente há várias denominações que concedem às
mulheres amplo espaço de trabalho inclusive de liderança como pastoras.
É necessário conscientização da parte de líderes masculinos, a fim de que incentivem
o trabalho feminino nas igrejas. Por fim, é possível compreender que a mulher foi criada para
governar ao lado do homem, com respeito, igualdade, auxiliando-o nas suas atividades, mas
livre para atuar, criar e liderar da mesma forma que o homem.

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