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ANOTAÇÕES PARA AULA.

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*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido.
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos....
Aulas de Ciência Política e Teoria Geral do Estado
Prof. João Paulo de Campos Echeverria.
Aula 1.
Apresentações. Questões gerais.

Aula 2.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA


O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos
de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias das
elites. Ideologias.

1. O que é política?

a. Conceito e terminologia;
i. Decorre da expressão grega “polis”, que designa cidade, coisa urbana, civil, publico
talvez, e “até mesmo social e sociável”1.
ii. Historicamente era um termo restrito a tratar de obras relacionadas ao Estado, e que
hoje são adjetivadas pelo uso da ciência ou teoria, como a ciência política e a teoria
de Estado.
iii. Na modernidade o termo ganha um aspecto mais amplo, e a política passa a ser
utilizada de maneira mais ampla, para tratar das coisas que, de uma forma ou de
outra, se relacionam em alguma medida com o Estado.
iv. Segundo Norberto Bobbio, “a polis é, por vezes, o sujeito, quando referidos à esfera
da Política atos como o ordenar ou proibir alguma coisa com efeitos vinculadores
para todos os membros de um determinado grupo social, o exercício de um domínio
exclusivo sobre um determinado território, o legislar através de normas válidas erga
omnes, o tirar e transferir recursos de um setor da sociedade para outros etc. (...)” 2
v. Aristoteles: “§ 9 É evidente, pois, que a cidade faz parte das coisas da natureza, que
o homem é naturalmente um animal político, destinado a viver em sociedade, e que
aquele que, por instinto, e não porque qualquer circunstância o inibe, deixa de fazer
parte de uma cidade, é um ser vil ou superior ao homem. Tal indivíduo merece, como
disse Homero, a censura cruel de ser um sem família, sem leis, sem lar. Porque ele é

1 BOBBIO. Dicionário.
2 BOBBIO. Dicionário.
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ávido de combates, e, como as aves de rapina, incapaz de se submeter a qualquer
obediência”.3
• A percepção de Aristóteles era a de que uma organização comunitária
hierarquicamente estruturada era uma necessidade do homem, algo que
decorre de sua essência e natureza como um fenômeno moral orientado e
superior ao próprio indivíduo. Mais do que isso, ele indicava que o homem
só se realizava enquanto tal no Estado, pois que fora desse organismo
moral (para Aristóteles o Estado era um organismo moral), o homem não
passaria de um animal servil.
vi. “O conceito de polícia como práxis humana está intimamente relacionado com a
noção de poder”.4
vii. O conceito de política ainda pode ser estar ligado à ideia de distribuição de poder no
Estado, ou até na sociedade. “A palavra política enfatiza ‘o processo de tomada de
decisões no que diz respeito a atividades públicas ou produtos: acerca do que é feito,
de quem o recebe e o quê. (...) qualquer comunidade maior do que a família contém
um elemento de política.
A política pode, também, ser definida ‘como atividade através da qual são conciliados
os diferentes interesses, dentro de uma determinada unidade de governo, dando a
cada um deles uma participação no poder, proporcional à sua importância para o
bem-estar e a sobrevivência de toda comunidade.” Nesse sentido, pode-se afirmar
que a política é uma forma de governar nas sociedades divididas, sem o uso indevido
da violência.”5
viii. Para Max Weber, por outro lado, a política está em tudo quanto relacionado ao
Estado e dentro do Estado, ainda que não relacionado diretamente a ele. Se insere
como uma categoria de direção organizacional da sociedade e entre ela, ou seja, nas
relações de poder que são travadas dentro da sociedade em sentido amplo. Como,
por exemplo, a “política de uma esposa hábil, que procura governar seu marido”.
Refere-se, aqui também, a divisão do poder. 6
ix. “Podemos também entender a arte da política como destreza, habilidade, perícia,
com que se maneja assunto delicado ou uma atitude já estabelecida com respeito a
determinados assuntos. Nesse sentido, também, uma questão se torna política
quando e na medida em que se transforma em uma questão polêmica”. 7
• Política, assim, pode ser compreendida como instrumento de distribuição
de poder por meio do diálogo.
x. Terminologia em inglês: Policy, politics e polity.

3 ARISTOTELES. A Política. Tradução de Nestor Silveira. São Paulo: Folha de São Paulo, 2010, pp. 2-3
4 Reinaldo Dias. Pg. 2.
5 Reinaldo Dias. Pg. 3.
6 WEBER. Duas Vocações. Pg. 65-66.
7 Reinaldo Dias. Pg. 5.
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• Importante não confundir os significados, usualmente transpostos para
nosso dia a dia de maneira confusa. Policy significa ação de governo, tipo
uma política pública, por exemplo. Politics como instrumento, estratégia
de diálogo, tal como nos usamos o termo “política” em sentido amplo, ou
seja, mecanismo de interação estratégica. Polity, por fim, trabalha a ideia
de sistemas de governo.8

b. Finalidade;
i. Método de governo imanente. Ou seja, baseado na experiência possível e no diálogo
entre os homens, e não sob a regência metafísica de um deus.
• Finalidade essa que é limitada, portanto, cuidado. Isso porque se temos a
política como instrumento de diálogo, é claro que ela não é limitada ao
critério de secularidade, ou seja, da distinção entre o governo dos homens
e o governo de um deus.
ii. Política usada com a finalidade de gestão do poder;
• A obra de Nicolau Maquiavel (“O príncipe”) é um dos melhores exemplos
do uso da política como meio. A finalidade da política, no caso, está no
meio.

c. Prática;
i. Enquanto instrumental, a prática da política é realizada no dia a dia das relações
cognitivas na sociedade e na administração do poder no âmbito da sociedade, e em
todos os microcosmos sociais (seja no lar, na empresa, no Estado, no time de futebol,
no sindicato, enfim, em todos os cantos onde há ação diretiva de poder).

d. Política e direito;
i. O direito é um mecanismo de pacificação social;
• Nesse ponto, interessante notar que a política serve de instrumental de
necessária aplicação no aparato do direito, seja na formulação das bases
do ordenamento jurídico, que reduz a complexidade social em sentido
normativo, ou ainda na dinâmica dos litígios e relações sociais reguladas,
ou ainda no direito privado.
• Se a política está na dinâmica da distribuição do poder na sociedade, seja
diante do Estado ou no âmbito das relações sociais, tem-se que o direito
depende da política para se materializar.

8 Reinaldo Dias. Pg. 6.


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ii. O direito não é reflexo de imposição de justiça social ou de justiça em sentido
abstrato, até mesmo porque a justiça é um elemento moral, logo de complexa
universalização.
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Aula 3.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA


O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos
de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias das
elites. Ideologias.

1. O Poder.
a. “O poder é um processo social”.9
i. O poder é um processo social na medida em que se manifesta na sociedade a partir
de um movimento relacional entre os indivíduos.
b. Existência do poder, manifestação do poder, realidade do poder.
i. O poder manifesta-se na sociedade a partir da manifestação de vontades, e se
realiza, ou melhor, se torna realidade, quando essa vontade manifesta é capaz de
influir na realidade de um grupo ou de determinada pessoa de maneira direta
(relação cognitiva).
ii. O poder existe na medida da eleição de valores pelo grupo – legitimidade do
poder. Um exemplo é a violência, que quando valorizada no campo social é um
instrumento de poder (nesse caso, não necessariamente legítimo). Caso da
religião. O poder da religião é maior quando mais presente for a fé na sociedade.
Assim, será “poderoso” o sacerdote em uma sociedade religiosa.
iii. O poder pressupõe um ato relacional entre dois indivíduos ou entre organizações,
ou entre pessoas e organizações. Sempre implica em relação.10
iv. Poder pressupõe a sobreposição e superioridade de um sobre outro? Ou
dependência? *Não creio, pois a relação de poder, penso, é independente, na
medida a realidade pode impor um poder sem a existência de dependência ou
superioridade de um sobre o outro. Nesse ponto, Reinaldo Dias trabalha com a
ideia de que a superioridade e/ou dependência é necessária.11
c. Poder na sociedade.
i. O poder está em todas as relações sociais, e as vezes legitimado por um valor em
abstrato, como a economia, a política, a cultura, a família etc.

9 Reinaldo Dias. Pg. 29.


10 Reinaldo Dias. Pg. 30.
11 Reinaldo Dias. Pg. 30.
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ii. Diversas “ordens” de poder coexistem na sociedade. O poder econômico coexiste
com o poder político, e com o poder militar ou familiar etc.
• Veja que podemos perceber na sociedade uma diversidade de
movimentos de poder em diversas direções, com interesses
diversos, e em campos diversos.
• Os âmbitos de poder se relacionam na sociedade, ora se
sobrepondo uns sobre os outros, de acordo com o valor social
eleito, ou coexistem em planos iguais, ou ainda concorrem entre
eles nos mesmos interesses.
iii. Poder do Estado: O poder do Estado é legitimado pela sociedade, que atribui à
uma entidade fictícia o direito de influir na realidade social de todos (indivíduos e
organizações). Lógica de consenso ou de força.

2. A Origem do Poder
a. Nasce com a capacidade de coagir;
b. E quanto relacional, pela perspectiva consensual e cooperativa;
c. Reinaldo Dias defende que o poder se manifesta – e tem origem – quando “o
indivíduo se encontra com o poder quando a sua conduta não é decidida por
ele mesmo, mas uma decisão tomada por outro que é capaz de determinar
seu comportamento”.12
• Nesse ponto, registro, entendo que o poder parte de uma
abstração outra que não diretiva, ou seja, não depende de um
cenário em que um indivíduo se submete a outro – ou a uma
organização que seja.
• No caso, penso que o poder se manifesta de maneira mais
abstrata na sociedade, não necessariamente de maneira
personificada em alguém. Exemplo é a economia, ou o poder
econômico, que não necessariamente personificado em uma
pessoa é capaz de dirigir comportamentos, tal como o poder
político ou da própria violência. O caso da violência é até
emblemático, pois o poder se dá pela autoridade da violência em
abstrato.
d. O Poder simbólico. O poder que se manifesta na pessoa que sofre o poder e
não na que impõe o poder. É invisível e sensível por quem desenha a conduta
a partir de uma realidade imposta e não personificada (Pierre Bourdieu). Ex.:
o tal racismo institucional “sofrido”. A questão das classes sociais e mesmo de
gênero.

12 Reinaldo Dias. Pg. 30.


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e. Fontes de Poder:
i. A força: ameaça ou uso de coerção física, ou impositiva moral. Ou
ainda constritiva no âmbito social.
• O poder pela força pode se dar pela ameaça pura e simples, que
cause ao indivíduo alguma forma de sofrimento, seja físico, moral
ou de qualquer ordem.
ii. Autoridade: poder conferido a outro (submissão, mesmo que
voluntária, como no contrato social), como o caso de consenso.
Resumindo, autoridade também vem do consenso (é o caso da
democracia, dos sistemas políticos, etc).
1. Autoridade burocrática ou racional-legal: clássica autoridade
do Estado manifesta em lei e do modelo institucional (cargos)
• Lembro do caso do Secretário de Estado dos EUA, Gen. Collin Powel. O cargo é
maior que a pessoa. Caso contado por Simon Sinek (youtube..).
• Caso da relação entre advogados, juízes e membros do Ministério Público.
2. Autoridade tradicional: autoridade pela tradição. Autoridade,
por exemplo, conferida à Igreja, a fé. Tradição e costumes (caso
da autoridade no âmbito familiar, no caso da mãe o do pai).
3. Autoridade Carismática: autoridade da pessoa, por ela ou a ela
atribuída (Dalai Lama, Papa). Baseada na veneração. Lula e
Bolsonário (?). Populismo.
f. Legitimidade: tem fundamento na origem do poder. O que confere
legitimidade a alguém ou à alguma coisa é o poder que lhe é atribuído. A
legitimidade tem origem em uma autoridade acolhida pelo que sofre o poder
de alguém, ou em sentido geral, uma autoridade acolhida pela coletividade.
g. Legalidade: tem fundamento na autoridade do Estado. Obedece a um sistema
de normas. Se insere no ordenamento jurídico.
h. “Não se deve confundir legitimidade com legalidade. Enquanto a
legitimidade relaciona o poder com determinado sistema de valores, a
legalidade, pelo contrário, o faz em relação a determinado ordenamento
legal”.13
3. A política e o poder: A política é o instrumental estratégico necessário para designar
condutas, promover retratos cognitivos pré-estabelecidos, enquanto o poder é a
autoridade conferida à pessoa que se vale desse instrumental.
a. Um bom instrumental político exige menos do poder, e vice e versa.

13 Reinaldo Dias. Pg. 43.


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b. O poder político: “Nenhum grupo humano pode articular-se ou manter-se
sem um poder que o estruture e mantenha coeso, exercendo a sua direção e
direcionando o conjunto em ordem para atingir seus objetivos. Em qualquer
sistema político surge como forma de autoridade o poder político. Todo
agrupamento humano para a realização de fins comuns necessita da direção
de uma vontade; esta vontade, que irá organizar e dirigir a execução de suas
ordens, é o que chamamos poder de associação; daí que toda associação, por
mínima que seja a força que possua, tem um poder peculiar que aparece como
uma unidade distinta daquela de seus membros”.14
• Essa lógica de direção e direcionamento do conjunto é materializada pela política,
que se manifesta com legitimidade a partir do poder que lhe é atribuído no âmbito
da sociedade.
• Com isso, o poder tem uma tendência a se estabilizar, para em seguida se
estruturar e, finalmente, se institucionalizar.
• A institucionalização do poder é o resultado de um discurso histórico, ou melhor,
de um processo histórico social.
• Mais uma vez, instituições e poder simbólico. E ainda: dominação: “probabilidade
de encontrar obediência a uma ordem”. 15

c. Política no Estado: A política tem ganha autonomia no Estado, e se


materializada na legitimidade que é conferida ao Estado pela sociedade; Há
um fator cíclico, na medida em que o poder atribuído ao Estado promove sua
autoridade e legitimidade para manifestação do poder político, ou melhor, do
poder de maneira estratégico.
d. Poder-político como jurisdição: Quando manifestado no âmbito do Estado,
deve ser considerado o monopólio do uso da força e, mais, nesse caso o poder
político pode se manifestar na jurisdição, ou seja, enquanto função do Estado.
e. Nicolau Maquiavel (sec. XV-XVI): Teoria política moderna. Conquista e
manutenção do poder. “os fins justificam os meios”. Manual prático de
governança, independente da legitimidade. A força, para Maquiavel, era
suficiente.

14 Reinaldo Dias. Pg. 35


15 Weber.
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Aula 4.
CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA
O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos
de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias
das elites. Ideologias.

1. Teoria das elites.


“Poucos dirigem, controlam e infundem seus padrões de conduta a muitos. O grupo dirigente
não exerce o poder em nome da maioria, mediante delegação ou inspiração pela confiança que
o povo, como entidade global, se irradia. É a própria soberania que se enquista, impenetrável e
superior, numa camada restrita, ignorante do dogma do predomínio da maioria. Não há,
entretanto, mesmo quando ainda não se consagram os princípios democráticos, o governo
isolado, absolutamente alheio do povo: o recíproco influxo entre maioria e minoria, mesmo nas
tiranias mais cruas, responde pela estabilidade dos regimes políticos.” 16

2. A lógica das elites está associada ao poder, especialmente no sentido de quem carrega o
poder compõe a elite.
3. Então, quem tem o poder econômico, compõe a elite econômica, quem tem o poder
político, compõe a elite política, quem tem grande conhecimento, compõe a elite
intelectual, e etc.
a. Todos os campos influenciam na tomada de decisões do poder público,
especialmente no campo político. Há uma disputa constante.

4. Trata-se, a rigor, de uma minoria que se destaca no campo social a que está envolvido ou
que pretende influência. A ideia da chamada teoria das elites trabalha com a ideia
segundo a qual em toda a sociedade existe um grupo minoritário que detém o poder
sobre os demais, nos mais diversos campos de poder.
a. Teoria de Gaetano Mosca: Governantes x Governados. Quem tem o poder contra
quem não tem. O aparato estatal estaria a disposição da elite governante.
b. Teoria de Vilfredo Pareto: aristocracia e elite. Primeiro a usar do termo. Existem
um campo de desigualdades naturais entre os homens que, por sua vez,
estabelece uma lógica de superioridade e inferioridade, que Pareto identificou a
partir da riqueza e do poder (quanto mais rico ou poderoso, mais forte ou
pertencente à elite).
i. Para ele, há uma luta constante no âmbito das elites e de participação nas
elites.
ii. Fonte das revoluções.

16 Raymundo Faoro. Pg. 107/108.


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c. Wright Mills: Desenvolveu sua teoria a partir da percepção da sociedade
estadunidense. Para ele, como afirma Reinaldo Dias, “o homem comum é aquele
cujos poderes são limitados pelo mundo cotidiano em que vive e parece movido
por forças que não pode compreender nem controlar; e a elite no poder, por sua
vez, é composta por homens que se encontram em posições tais que lhes
permitem transcender o ambiente do homem comum e ocupam as posições
estratégicas da estrutura social em que estão concentrados os instrumentos do
poder, da riqueza e do prestígio, e onde tomam decisões de grandes
consequências”.17

5. Carrega uma perspectiva qualitativa, no sentido de atribuição de valores (poder) sobre


uma pessoa ou a um grupo.

5537 adi

17 Reinaldo Dias, Pg. 48.


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Aula 5.
CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA
O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos
de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias
das elites. Ideologias.

1. Ideologia: Estudo das ideias provenientes da interação do homem com o ambiente em


que vive.
2. Lógica de Antoine Destutt de Tracy, no século XIX. Para ele, o campo das ideias resulta
da interação dos elementos da memória, percepção espacial, razão e o desejo (ou
vontade, interesses).
3. Pensamento de Destutt influenciou Auguste Comte, que trabalhou a lógica do positivismo
(percepção sistemática e pré-ordenada da sociedade.
4. Napoleão crítica Destutt, pois entende que a lógica da ideologia trabalha com uma
fantasia diante da realidade histórica, especialmente em sentido de oposição ao status
quo.
5. “falsa consciência sistematizada da realidade social, política e econômica, cujo objetivo é
perpetuar a dominação da classe burguesa sobre trabalhadores por meio do falseamento
da realidade.” - Karx Marx18
6. Ideologia materialista e crítica

a. Materialista: Relação do indivíduo com o mundo físico;


b. Crítica: Dissociação entre a realidade e as ideias. Ou seja, há uma distância entre
o que se extrai da relação entre o indivíduo e o mundo físico e a própria realidade.
Trata-se de ilusão. Algo contraposto ao pragmático.

7. Ainda em Marx, vê-se um sentido de ideologia relacionado à dominação das massas pela
classe burguesa. Como se essa pequena classe incutisse na massa uma falsa realidade
proveniente das relações do indivíduo com o ambiente espacial, ou seja, com o mundo. 19
8. Vilfredo Pareto também faz críticas à lógica da ideologia conceitual, referindo-se à uma
percepção de falsidade do mundo, a partir de teorias da sociologia e da política.
9. A diferença de Marx e Pareto reside no fato de que enquanto Marx trabalha a “ideologia
como produto da sociedade”, para Pareto trata-se de um produto da consciência
individual.
10. Giovanni Sartori: ideologia x pragmatismo: a ideologia refere-se à um sistema de crenças
de caráter cognitivo (reativo, interativo) e passional, enquanto o pragmatismo,
inversamente, nega uma realidade estabelecida sob crenças.

18 BOBBIO, Dicionário Pg. 584.


19 BOBBIO, Dicionário Pg. 584.
ANOTAÇÕES PARA AULA. 12
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11. As ideologias têm uma função determinante nos conflitos políticos, pois estabelecidas
em crenças, ou seja, dissociada do mundo físico. Segue no plano das ideias, numa
construção cognitiva, que pode ser individual ou coletiva (social), em prol de terminados
interesses.
12. “Instrumento fundamental que as elites políticas têm à disposição para conseguir
mobilização política das massas e para levar a um grau máximo a sua manipulação”. 20
13. Robert D. Putnam: ideologia como visão utópica do futuro a partir de um raciocínio
politico dedutivo, fundado em princípios gerais.

14. O ESTADO!!! O que é o Estado? Qual a origem do Estado? Porque existe o Estado?

20 BOBBIO, Dicionário Pg. 5888-589.


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Aula 6.

O ESTADO
Conceitos e concepções. Justificativas teóricas. A construção histórica dos Estados na Europa.
Elementos constitutivos. Finalidades. Funções. O Poder Executivo. O Poder Legislativo. Formas
de Estado. A soberania.

ESTADO.

Estudar o Estado implica em “analisar os mais variados aspectos que envolvem o próprio
funcionamento das instituições responsáveis por essa sociedade.”21

1. Conceito:
a. O Estado é o reflexo do seu povo.
b. O Estado é uma entidade fictícia criada para estabelecer um convívio harmônico.
i. Civilização x barbárie: necessidade do Estado e complexidades
consequentes;
ii. Soberania;
iii. Jurisdição como função de substituição dos indivíduos na resolução de
conflitos sociais;

2. Teoria Geral do Estado:


a. JELLINEK: Principal teórico: entende o Estado a partir de um modelo ideal,
baseado na lógica do Estado alemão do final do Séc. XIX.

b. HELLER: Realista. Na qual concordo, diga-se, pois que entende o Estado a partir da
realidade, “ou seja, como formação histórica, a partir de suas ligações com a
realidade social”.

i. Outra vez: O Estado é o espelho do povo, ou a realidade do povo, para ficar


mais adequado.
ii. Nesse caso de Heller, até mesmo pela perspectiva adotada, não se pode
falar em Teoria GERAL do Estado, mas apenas teoria do Estado, pois cada
Estado sem sua realidade histórica particular.

21 Lênio. Pg. 19.


ANOTAÇÕES PARA AULA. 14
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3. Cada Estado tem uma realidade particular, e parte de um processo histórico específico,
cujas circunstâncias sociais fomentam uma estrutura absolutamente única.
a. Embora as características formais guardem similaridade entre os mais diversos
Estados, a realidade histórica os torna particular.
b. Pressupostos de validade: “pressuposto de sua inevitabilidade, diante do papel
fundamental que ainda tem de cumprir”. 22

4. Formas Estatais pré-modernas:

a. Teocracia;
b. A Polis grega;
c. Civitas romana;
d. Outras formas antigas de Estado (características gerais):
i. Não tinha caráter “nacional”, em termos de um povo ligado à raízes
históricas comuns, seja por tradições, lembranças, costumes, língua e
cultura, mas geralmente estavam unidos pela guerra;
ii. Modelo social por classes em forma rígida (escravos, por exemplo);
iii. “governos marcados pela autocracia ou por monarquias despóticas e o
caráter autoritário e autoritário e teocrático do poder político;
iv. Sistema econômico sob domínio da escravidão;

22 Lênio. Pg. 23.


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Aula 6.

O ESTADO
Conceitos e concepções. Justificativas teóricas. A construção histórica dos Estados na Europa.
Elementos constitutivos. Finalidades. Funções. O Poder Executivo. O Poder Legislativo. O Poder
Judiciário. Formas de Estado. A soberania.

Voltando ao Estado....

O Estado é uma figura abstrata criada pela sociedade. Também podemos entender que o Estado
é uma sociedade política criada pela vontade de unificação e desenvolvimento do homem, com
intuito de regulamentar a vida em sociedade.
O Estado é uma criação humana.
O Estado originou-se da vontade de preservação desse interesse ou bem comum, pois que a
sociedade natural não detinha os mecanismos (regulamentação) necessários para promover a
paz e o bem estar de seus membros. Assim, a única forma de preservação do bem comum foi a
delegação de poder a um único centro, o Estado.

Dalmo de Abreu Dallari fala em 3 posições concernentes à origem do Estado:


• 1º Posição: conceitua que o Estado sempre existiu, desde que o homem habita o planeta
Terra. Encontra-se em um contexto de organização social.
• 2º Posição: a sociedade humana existia antes mesmo do Estado, assim ele foi criado para
atender às necessidades do grupo social.
• 3º Posição: o Estado como uma sociedade política é dotado de certas características bem
definidas. Assim, ele é concreto e histórico, não de caráter geral e universal. O Estado
surgiu quando nasceu a ideia de “soberania”.

A formação de um Estado consiste em três elementos: uma população, um território e um


governo.

Visão contratualista:
“A visão instrumental do Estado na tradição contratualista aponta para a instituição estatal como
criação artificial dos homens, apresentando-o como um "instrumento" da vontade racional dos
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indivíduos que o "inventam", sempre buscando o atingimento de determinados fins que marcam
ou identificam as condicionantes de sua criação.”
...
Assim, o pensamento contratualista pretende estabelecer, ao mesmo tempo, a origem do Estado
e o fundamento do poder políti co a partir de um acordo de vontades, tácito ou expresso, que
ponha fim ao estágio pré-político (estado de natureza) e dê início à socie dade política (estado
civil).” 23

Visão orgânica:
“A concepção orgânica contrapõe-se à ideia contratualista, vendo a sociedade como "natural" ao
homem. Nesta, por outro lado, a Sociedade/Estado é vista como uma criação artificial da razão
humana através do consenso, acordo tácito ou expresso entre a maioria ou a unanimidade dos
indivíduos... Fim do Estado Natural e o início do Estado Social e Político.” 24

Estado de natureza: Estágio pré-político e social.


1. Thomas Hobbes: “guerra de todos contra todos; o homem é o lobo do homem...”.
2. John Locke: o pai do liberalismo via o Estado de natureza como uma sociedade de “paz
relativa”, onde ainda prevalecia um domínio racional das paixões e dos interesses.25

23 Lênio, pg. 29.


24 Lênio, pg. 29.
25 Lênio, pg. 31.
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O ESTADO
Conceitos e concepções. Justificativas teóricas. A construção histórica dos Estados na Europa.
Elementos constitutivos. Finalidades. Funções. O Poder Executivo. O Poder Legislativo. O
Poder Judiciário. Formas de Estado. A soberania.

Já estudamos que Estado é....

1. Reflexo do povo;
2. Organização da sociedade;
3. Estruturação do poder;
4. Exercício de soberania;
5. Limitação de território.

1. É reflexo do povo, porquanto reflete os valores de um determinado grupo de indivíduos;


2. Organiza a sociedade na medida das instituições necessárias para garantia de convivência
harmônica;
3. Estrutura o poder enquanto único legitimado para exercício de força cogente sobre o
povo;
4. Exerce soberania nos limites da autoridade conferida pelo povo e na proteção de seus
valores;
5. Tem limitação territorial aplicada a expressão da soberania.

Contrato Social: momento de passagem do Estado de natureza para o Estado político e social.

1. Cada um dos autores, entre Hobbes, Locke e Rousseau, enxergam essa passagem de
forma distinta, embora todos eles compreendam a necessidade de um “acordo” de
vontades e submissão de todos sob esse mesmo organismo de poder, o Estado.

2. Para Hobbes: “contrato social, à maneira de um pacto em favor de terceiro, é firmado


entre os indivíduos que, com o intuito de preservação de suas vidas," transferem a
outrem não partícipe (homem ou assembleia) todos os seus poderes - não há, aqui, ainda,
em se falar em direitos, pois estes só aparecem com o Estado em troca de segurança”.26

26 Lênio, Pg. 31-32.


ANOTAÇÕES PARA AULA. 18
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido.
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos....

3. Locke: “O "pacto de consentimento" que se estabelece serve para preservar e consolidar


os direitos já existentes no estado de natureza. O convênio é firmado no intuito de
resguardar a emersão e generalização do conflito. Através dele, os indivíduos dão seu
consentimento unanime para a entrada no estado civil e, posteriormente, para a
formação do governo quando, então, se assume o princípio da maioria.”27

4. Rousseau: “...o caos teria vindo pela desigualdade, pela destruição da piedade natural e
da justiça, tornando os homens maus, o que colocaria a sociedade em estado de guerra.
Na formação da sociedade civil, toda a piedade cai por terra, sendo que “desde o
momento em que um homem teve necessidade do auxílio do outro, desde que se
percebeu que seria útil a um só indivíduo contar com provisões para dois, desapareceu a
igualdade, a propriedade se introduziu, o trabalho se tornou necessário.”28

• Para Rousseau, diferentemente de Hobbes, o homem se torna mau, nas nasce mau. E o
que faz ganhar essa natureza é o próprio desenvolvimento da civilização 29.
• CONTRATO SOCIAL DE ROUSSEAU: “"A passagem do estado de natureza até o estado
social produz no homem uma mudança bem acentuada, substituindo, em sua conduta, o
ins tinto pelo sentimento de justiça, e outorgando a suas ações relações morais que antes
estavam ausentes. Somente assim, quando a voz do dever substitui o impulso físico, e o
direito substitui o apetite, o homem, que até então se havia limitado a contemplar-se a si
mesmo, se vê obrigado a atuar segundo outros princípios, consultando com sua razão
antes de escutar as suas inclinações. No entanto, ainda que esse novo estado acarrete
privações de muitas das vantagens que lhe concede a natureza, obtém compensações
muito grandes, suas faculdades se exercitam e se ampliam, suas ideias se desenvolvem,
seus sentimentos se enobrecem e sua alma se eleva até um grau tal que - se o mau uso
da nova condição com frequência não lhe aviltasse, fazendo com que se situe mais abaixo
de seu estado originário – teria que agradecer sem parar o feliz instante em que foi
arrancado para sempre daquele lugar, convertendo o animal estúpido e limitado que era,
em um ser inteligente, em um homem.” 30

• A vontade geral que moveria os homens a formação desse conjunto estaria no bem
comum, percebido pelo convívio coletivo. Não se origina na autoridade imposta por um
terceiro, ou na submissão do povo sobre esse poder, como diz Hobbes, mas
essencialmente “da união entre iguais”. Momento em que cada indivíduo renúncia aos
próprios interesses em prol da coletividade.

27 Lênio, Pg. 33.


28 Francisco Weffort, 201.
29 Lênio, Pg. 37.
30 Reale apud Lênio, pg. 38.
ANOTAÇÕES PARA AULA. 19
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido.
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos....
• Estado moderno. O Estado moderno, por sua vez, surge das deficiências da “sociedade
política medieval”.

• Tem-se a transmudação da autoridade, que antes conservada no ideal do soberano, passa


ao indivíduo, como detentor e soberano das próprias ideias; o humanismo tomou conta
do mundo.

• Características do Estado moderno: povo e território como elementos materiais;


governo, poder e autoridade como elementos formais.

Tipos de ESTADO.
1. Estado absolutista: Poder absoluto (legislador absoluto, supremo e inquestionado);
2. Estado totalitário: “toda e qualquer organização de poder em que o autoritarismo e a
centralização estão fortemente presentes;
3. Estado liberal: reconhecimento amplo da autonomia do indivíduo; marcado pela menor
participação do Estado na vida dos indivíduos;
4. Estado social: conserva sua adesão à ordem capitalista, de liberdade do indivíduo
empregada no Estado liberal, mas impõe a participação do Estado na coesão e harmonia
social. Em resumo, para além da liberdade plena dos indivíduos, cujos interesses plurais
tornam inconciliável a vida em sociedade, o Estado precisa garantir bem estar.

5. Organização do Estado e estruturação do poder;


6. Divisão dos poderes; Teoria de Aristoteles, Locke e Montesquieu;

a. Aristoteles trabalhava de forma rudimentar, ressaltando que os poderes regentes


da sociedade eram necessariamente divididos por tarefas especificas a fim de
garantir aplicação (poder deliberativo; magistratura; e jurisdição);
b. “É obvio que a funcionalidade, a divisão de poderes com noções que hoje temos
não é diretamente advinda de seu pensamento. A semente sim, e nem poderia
ser diferente, porquanto em 348 a.C. a organização estatal encontrava-se
primitiva se cmparada com os dias modernos.”31

c. Locke: Trabalhava com a ideia do fim do absolutismo. Para ele, o poder


dependeria da vontade dos indivíduos. “... a forma de governo dependeria do uso
que a maioria ou a comunidade faria do poder.” Com isso, instituí a ideia da
necessidade de um “legislativo”.
d. Diante da perspectiva de que o homem é detentor de poderes inalienáveis, ainda
que o interesse da coletividade quanto ao uso do poder fosse supremo, ele não
poderia ser arbitrário, motivo pelo qual outras formas institucionais de poder

31 Marcelo Figueiredo, pg. 11.


ANOTAÇÕES PARA AULA. 20
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido.
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos....
seriam necessárias para exercer esse controle. Locke, com isso, identifica a
necessidade de um Poder Executivo e do Poder Legislativo;

e. Montesquieu: “Diz que a liberdade política do cidadão é aquela tranquilidade de


espírito que provém da convicção que cada um tem da sua segurança”. 32
f. A premissa da teoria, trabalhada a partir da lógica política da Inglaterra do Séc.
XVI, era de que o indivíduo precisava se sentir seguro diante do Estado e, para
tanto, seriam necessários três poderes, que controlariam cada um o outro no
sentido de criar essa proteção contra arbitrariedades;

32 Marcelo Figueiredo, Pg. 13.


ANOTAÇÕES PARA AULA. 21
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido.
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos....

O ESTADO
Conceitos e concepções. Justificativas teóricas. A construção histórica dos Estados na Europa.
Elementos constitutivos. Finalidades. Funções. O Poder Executivo. O Poder Legislativo. O
Poder Judiciário. Formas de Estado. A soberania.

O Estado e a separação dos poderes.

Até aqui estudamos que...:


1. Que a teoria contratualista pressupõe uma limitação da liberdade em prol do
coletivo;
2. Montesquieu: “Diz que a liberdade política do cidadão é aquela tranquilidade de
espírito que provém da convicção que cada um tem da sua segurança”. 33
3. O Estado estrutura o poder a partir das suas instituições;
4. De Aristoteles à Locke houve uma percepção de controle de poder entre as
instituições para garantia do princípio maior de liberdade e segurança, mas
apenas em Montesquieu é que esse fenômeno ganhou corpo e tratou o Estado a
partir de 3 poderes harmônicos, que exercem controle recíproco sobre suas
atividades;

1. Os três poderes para Montesquieu:


a. Poder Legislativo faz as leis, as modifica e revoga;
b. Poder Executivo, mais do que conferir efetividade as leis, se presta a representar
o grupo, assim como, “norteado pelo direito das gentes, isto é, pelos princípios
naturais e consuetudinários que regem as relações entre os povos, declara a
guerra e assina a paz, envia e recebe embaixadas, firma a segurança, previne
invasões”;
c. Poder de julgar emerge quando para garantir a execução das leis, inclusive para
punir os crimes e resolver disputas entre particulares.
d. Em harmonia, o sistema de Estado indicado por Montesquieu permite que o
“poder” seja diluído, diversificando sua interação no âmbito social e permitindo
controle de um poder sobre o outro, na mesma categoria.

2. Os Federalistas norte americanos lembraram no Papper n. 78, que o Poder Judiciário


seria o de menor estatura de poder no âmbito do Estado, pois só exerceria função quando

33 Marcelo Figueiredo, Pg. 13.


ANOTAÇÕES PARA AULA. 22
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido.
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos....
provocado e nos limites do que estaria sendo tratado pelo legislativo e aplicado pelo
executivo, ou entre particulares, a bem de proteger o interesse coletivo.

3. Separação dos poderes na contemporaneidade.


a. Hoje a separação de poderes já não carrega a simplicidade do passado, pois que a
complexidade migratória dos indivíduos em torno do globo exige mais do que
segurança do grupo, e por isso os poderes passaram, tanto quanto, por
transformações;
b. Hoje há maior participação social, o que exige mecanismos de controle de poder
mais complexos, especialmente para acolher essa participação dos indivíduos;
c. Enquanto princípio, entretanto, a separação dos poderes ainda está presente na
formatação constitucional moderna, tanto quanto no passado, ou seja, para efeito
de impedir a concentração de poder, ou melhor, que um dos poderes do Estado,
usurpando competências do outro, venha a investir-se de um poder de arbítrio;
d. Enquanto princípio, ademais, está a serviço do próprio grupo, e não do Estado
como figura autônoma.
e. O Estado tem personalidade jurídica autônoma, podendo contrair direitos e
obrigações, seja no âmbito interno ou internacional.

4. ESTADO X GOVERNO:
a. A distinção acontece com o fenômeno contratualista de Jean Jacques Rousseau;
b. Estado não se confunde com governo;
c. Estado é uma figura abstrata, porem perene e estática no sentido institucional;
d. Governo é transitório por excelência, e, portanto, dinâmico;
e. Governos passam, o Estado continua.
f. Ideologias são carregadas enquanto valores de governo, não do Estado;
g. Governo, quando democrático, é representativo de ideais da maioria;
h. Estado é representativo de valores do todo. Daí porque dizer que sobre direitos e
garantias fundamentais não há que se impor a maioria, porquanto é
representativo da totalidade a fim de proteger individualmente a todos;

5. Formas de Estado: unitário, federado e confederado.

a. Unitário:
i. caracteriza-se “pela organização política compacta, centralizada, sem
divisões ou atribuições de poder que não as administrativas”.
ii. Pode haver ou não separações das funções do Estado, mas não há divisão
interna de poderes – não existem outras figuras autônomas no Estado
além dele mesmo;
iii. EX: China, Itália, Israel, Coreia, Irã, Japão, Jamaica, Cuba, e muitos outros:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_unitário#Lista_de_Estados_unitário
s
b. Federado:
ANOTAÇÕES PARA AULA. 23
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido.
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos....
i. Modelo criado com o constitucionalismo estadunidense;
ii. Não se tratava de uma construção teórica, mas de uma aplicação da
realidade vivenciada pelas 13 colônias inglesas que conformaram o
fenômeno constitucional na Filadélfia em 1787.
iii. “Estado soberano, formado por uma pluralidade de Estados, no qual o
poder do Estado emana dos Estados-membros, ligados numa unidade
estatal” (Jellinek apud Bonavides).
iv. “Descentralização política fixada na Constituição (ou, então, na repartição
constitucional de competências)” – Michel Temer.
v. Os modelos federalistas divergem de acordo com a formação histórica de
cada Estado;

c. Confederado:
i. “união permanente de Estados independentes, união que assenta-se num
pacto, pelo qual se unem os Estados com o objetivo de proteger o
território da Confederação exterior ente e assegurar entre eles a paz
interior”.
ii. Aliados permanentes, mas alheios a um poder central;
iii. Direito autônomo no âmbito interno;
iv. Cada Estado conserva sua personalidade jurídica e soberania
independente;

6. SOBERANIA

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