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INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

ICHLA

Psicologia

Disciplina: (75072) Laboratório de Redação Técnica – Semipresencial

Professora: (0001478) Rosemari Lorenz Martins

Aluna: (0108846) Fernanda da Silva Amaral

Crianças autistas, características e o tratamento pós diagnóstico

Novo Hamburgo, 28 de Junho de 2010


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Crianças autistas, características e o tratamento pós diagnóstico.


Resumo
O presente artigo apresenta as principais características do portador da síndrome de
autismo, o perfil da criança autista e o tratamento pós diagnóstico, bem como traça
um paralelo entre o tratamento comportamental e o tratamento social do autismo,
enfatizando as consequências da concepção da “incurabilidade” do autismo e
aspectos relevantes para a socialização do mesmo.

Palavras-chave: Autismo; diferentes abordagens; transtorno

Considerações iniciais

O autismo não é uma doença. É chamado de transtorno, ou síndrome, porque


tem várias causas envolvidas em seu surgimento e vários sintomas. Devido a essa
complexidade, seu diagnóstico é muito difícil. Nem todos os médicos estão treinados
a identificar o problema.

Autismo é uma alteração cerebral que afeta a capacidade da pessoa se


comunicar, estabelecer relacionamentos e responder de acordo com o ambiente em
questão. É basicamente uma alteração que causa uma ruptura nos processos
fundamentais de socialização, comunicação e aprendizado. Algumas crianças,
apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intactas, enquanto outras
apresentam retardo mental, mutismo ou retardos no desenvolvimento da linguagem,
seja ela verbal ou não verbal. Algumas parecem fechados e distantes outros presos
a comportamentos restritos e rígidos padrões de comportamento.

O diagnóstico se baseia em um conjunto de sintomas apresentados pela


criança – em maior ou menor intensidade. Os principais são a dificuldade em se
relacionar socialmente, ausência de comunicação e desvio na capacidade
imaginativa, ou seja, o autista é incapaz de se colocar no lugar do outro, de imaginar
uma solução para um problema e entender brincadeiras de faz de conta. Dentro
dessa tríade, há as particularidades. O autista tem aversão ao contato físico e a
manifestações de carinho (até mesmo por parte da mãe), pode não apresentar
linguagem verbal e gestual, isto é, não responde a estímulos, não consegue manter
contato visual e não manifesta expressões faciais ou emoções (não significa que
não tenha sentimentos) e apresentam comportamentos repetitivos.
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Além disso, há um atraso no desenvolvimento físico e intelectual. Alguns


autistas apresentam agressividade, não falam e dependem da ajuda de outra
pessoa para se alimentar, tomar banho e se trocar. Tudo vai depender do grau do
distúrbio. Por outro lado, há crianças que não tem comprometimento mental e
manifestam interesses excessivos por determinados assuntos, como dinossauros,
matemática e computação, aparentando uma inteligência acima da média. Essas
crianças têm síndrome de Asperger, um tipo de autismo mais leve. E há os autistas
que aprendem técnicas para conviver em sociedade e levam uma vida normal.

Diante de filhos com autismo, é comum, por parte dos pais, a sensação de
perplexidade e impotência. O início do autismo é sempre antes dos três anos de
idade, porém os pais normalmente começam a se preocupar entre os 12 e os 18
meses, na medida em que a linguagem não se desenvolve normalmente. Os pais
relatam que a criança era "demasiadamente boa", tinha poucas exigências e tinha
pouco interesse na interação social. Isso contrasta claramente com as crianças com
desenvolvimento normal, para as quais a voz, a face humana e a interação social
estão entre as características mais interessantes e evidentes do mundo que ainda
estão descobrindo.

Claramente, esta sensibilidade aos atrasos e desvios no desenvolvimento


social é maior em famílias em que um irmão mais velho já tenha sido diagnosticado
com autismo. Ocasionalmente, os pais de crianças autistas com alto grau de
funcionamento podem se preocupar menos no primeiro ou no segundo ano de vida,
especialmente se a fala e a linguagem estiverem surgindo. Mesmo nesses casos, os
pais ficam preocupados antes dos três anos de vida, na medida em que os déficits
na interação social se tornam mais aparentes em outras situações além do contato
próximo com os pais, por exemplo, comportamento em lugares públicos, interação
com colegas da mesma idade ou com familiares.

Desde sua primeira descrição, há mais de 60 anos, o autismo representa um


desafio fascinante e enigmático para neurologistas, psiquiatras, psicólogos e
psicopedagogos. Sabe-se hoje que o autismo não é uma doença única, mas sim um
distúrbio de desenvolvimento complexo associado a múltiplas etiologias e a graus
variados de severidade. Para o tratamento, é necessária a intervenção de uma
grande gama de profissionais para amenizar os efeitos dos prejuízos qualitativos na
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interação social, na comunicação verbal e não verbal, nas brincadeiras e no


repertório notavelmente restrito de atividades e interesses.

Visto isso, ficamos inclinados a concordar com relatos de diversos estudiosos,


quando os mesmos sugerem que aproximadamente 2/3 das crianças autistas têm
um desfecho pobre, ou seja, serão incapazes de viver independentemente e que
talvez somente 1/3 é capaz de atingir algum grau de independência pessoal e de
autossuficiência como adultos ditos “normais”. Entre estes, a maioria pode ter um
desfecho razoável como ganhos sociais, educacionais ou vocacionais, ao passo que
uma minoria, cerca de 1/10 de todos os indivíduos com autismo, pode ter um bom
desfecho, ou seja, capacidade de exercer atividade profissional com eficiência e ter
vida independente. É um relato triste, porém sabemos que quanto mais cedo for
diagnosticado o autismo, melhor poderá ser o tratamento dado ao paciente e
consequentemente, melhor poderá ser sua qualidade de vida e autonomia.

Idade e surgimento dos sintomas

Diversos autores pesquisaram e observaram uma imensa gama de crianças


com autismo para então chegar a um consenso breve de que a síndrome pode
aparecer mais tarde, por volta dos 30 meses, mas na maioria dos casos ela já pode
ser detectada nos primeiros meses após o nascimento.

Dentre as principais características dos autistas podemos citar uma grande


incapacidade de desenvolver relações sociais, isto é, a criança autista é indiferente
aos outros, ignorando-os. Esse desinteresse pelo “outro” explica facilmente a
incapacidade acentuada de desenvolver relações interpessoais. Os autistas, de uma
forma geral, não desenvolvem o apego às pessoas, pois não utilizam contato visual
ou respostas às mímicas como o sorriso de um adulto, por exemplo. Visto isso,
sabe-se que a aptidão a brincar em grupo ou mesmo desenvolver laços de amizade
será praticamente inexistente, pois as relações sociais dessas crianças são
superficiais e imaturas.

Tendo em vista a baixa sociabilidade das crianças autistas, seus jogos têm
tendência a serem mecânicos, repetitivos e desprovidos de qualquer criatividade.
Geralmente ela alinha objetos, cataloga os mesmos, separando-os por cores e
repete incansavelmente movimentos como rolar uma caneta entre os dedos, por
exemplo. Tipicamente, a criança autista tem fascínio por objetos em movimento, em
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particular, ventiladores, relógios, aquários, entre outros, podendo ficar observando-


os por horas a fio sem entediar-se.

Todavia, frequentemente, os autistas desenvolvem apego exagerado à


determinados objetos. Pode-se ressaltar que isso é verdadeiro para todas as
crianças, mas no caso de crianças autistas, os objetos normalmente não são
estimados por sua função ou valor simbólico, tal como o ursinho que o pai
presenteia a criança e a mesma passará a carregá-la para todos os lados. Eles
apenas desenvolvem esse apego sem uma motivação específica.

A linguagem dessas crianças também apresenta grande déficit, mais um


motivo pelo qual suas relações sociais são comprometidas. Cerca de metade dos
autistas não falam nunca, ou seja, eles não emitem som ou resmungo algum.
Aqueles em que a linguagem se desenvolve, os balbucios ou outras palavras por
eles emitidas, inicialmente não possuem nenhum valor de comunicação. Visto que,
inicialmente, isso se caracteriza por ecolalia imediata ou retardada. Ou ainda, pela
repetição de frases estereotipadas e por diversas vezes a inversão pronominal é
latente, ou seja, a utilização do “TU” quando na realidade isso significa “EU”.

A comunicação verbal é patológica sendo assim, a compreensão da


linguagem inicialmente é muito limitada. Há também relatos de respostas anormais
ao meio ambiente (cotidiano), em particular respostas estereotipadas e gestuais. No
caso de autistas com expressão verbal, a tendência a fazer perguntas de forma
estereotipada e esperar uma resposta muito precisa e sempre idêntica é um relato
comum. Quando a resposta se difere do habitual, eles mostram-se contrariados e
dependendo do grau de expressão verbal e comunicação, podem até responder a
própria pergunta sugerindo a resposta desejada.

A comunicação não verbal também apresenta suas limitações, se não for


ausente logicamente. Expressões gestuais e mímicas são inexistentes no cotidiano
da criança autista, pois ela não é capaz de atribuir valor simbólico aos gestos. Um
elemento característico é que as crianças autistas quando querem atingir um
determinado objeto, pegam a mão de um adulto para que o mesmo alcance-o com
sua própria mão. As crianças autistas nunca apontam para o objeto ou acompanham
seu pedido através de gestos simbólicos ou mímica. A imutabilidade é outra
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característica marcante no autista. Eles podem manifestar resistência e até reações


explosivas se a rotina for alterada ou objetos forem deslocados de lugar.

Considerações finais

Contudo, os fatores anteriormente relatados não impedem que a socialização


da criança autista seja feita. Para tanto, se faz necessário, como dito anteriormente,
que uma gama de profissionais realize acompanhamento periódico com a criança,
família, professores e escola, que realizarão esse processo de socializar o autista.
Pois a inserção do mesmo na sociedade se dá através do entendimento mutuo da
necessidade de ocorrê-lo. Sem tal entendimento a socialização do autista será
impossível, pois a heterogeneidade individual do autista deve ser preservada, visto
que um autista não apresenta o mesmo quadro que outro, em razão também, dos
diferentes graus de gravidade da síndrome. Vale ressaltar também que, autistas
adultos que possuem QI mais elevado melhoram significativamente suas
dificuldades relacionais, e este deve ser mais um motivo para que a escolarização e
socialização através da escola seja realizada em crianças autistas.

Finalizando, pode-se dizer que o estudo sobre autismo infantil nos orientou
para que sejamos profissionais capacitados sobre esse assunto, não desvalorizando
a criança, mas sim a tratando para que ela possa fazer parte do mundo em que vive.
Conclui-se também que, assim como todas as crianças, os portadores do autismo
possuem particularidades individuais, por isso o tratamento deve ser diferenciado
para cada tipo de paciente visto que cada um possui uma gravidade patológica
diferente.

Além de tudo, é preciso ver o autista com um olhar clínico retomado de


critérios para que seja identificado seu tipo comportamental, pois cada um deles dá
preferência a momentos e ambientes distintos. A criança que possui
acompanhamento profissional tem melhor oportunidade de evolução, pois mesmo
sendo uma doença mental menos abrasiva, a compreensão de um especialista é de
fundamental importância para a melhoria do seu desenvolvimento. Concluí-se que
este trabalho nos proporcionou conhecimentos sobre o autismo antes
desconhecidos de maneira que abrange os fatores facilitadores da assistência
prestada aos portadores de autismo.
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Referencial Bibliográfico

ASSUMPÇÃO Jr. Francisco. B. Transtornos Invasivos do Desenvolvimento

Infantil. São Paulo: Lemos, 1997.

LEBOYER, Marion. Autismo Infantil – Fatos e Modelos. Campinas: Papirus,

2005.

LOPES, Eliana Rodrigues Boralli. Autismo: trabalhando com a criança e com a

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MARCELLI, Daniel; COHEN Davi. Infancia e Psicopatoologia. Porto Alegre:

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http://www.appda-lisboa.org.pt/federacao/autismo.php

http://associacaobaianadeautismo.blogspot.com/2007/05/artigo-pe-em-foco-

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http://emedix.uol.com.br/doe/psi001_1f_autismo.php

http://www.indianopolis.com.br/si/site/1103

www.psicologia.com.pt