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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO

DA ___ª VARA DE FAMÍLIA DE _____

AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO

FULANA (qualificação), vem propor, perante Vossa


Excelência, a presente AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO em face de FULANO,
(qualificação), pelos fatos e fundamentos que passa a expor:

DA JUSTIÇA GRATUITA

Inicialmente a parte autora declara-se pobre na forma


da lei tendo em vista não ter condições de arcar com as custas e demais despesas
processuais sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família, razão pela qual
comparece assistido (a) pela Defensoria Pública do Estado do Ceará, autorizada a
atuar por força dos artigos 1º e 4º inc. IIII da Lei Complementar Federal nº 80/94.
Assim, requer (m) preliminarmente os benefícios da
gratuidade judiciária (artigo 3º da lei nº 1.060/50), tendo em vista enquadra-se na
situação legal prevista para sua concessão (artigo 4º da lei nº 1.060/501 e artigo
98 caput e § 1º,§ 5º do CPC/152).
DOS FATOS
A requerente casou com o senhor FULANO em 23 de
janeiro de 1989, no município de ___, sob o regime de comunhão parcial de bens,
conforme cópia da certidão de casamento em anexo.
Da união advieram dois filhos, BELTRANO, nascido no dia
11 de agosto de 1990 e SICRANO, nascido no dia 25 de julho de 1997, contando
atualmente com 28 e 21 anos de idade respectivamente, conforme cópia das
certidões de nascimento em anexo.

Após 25 (vinte e cinco) anos de convívio, o casal se


separou de fato, de modo que desde 2014 não convivem mais no mesmo lar
conjugal.
Embora o casal se encontre separado de fato, a autora
não quer nenhuma aproximação com o requerido, e todas as tentativas pretéritas de
divórcio consensual foram infrutíferas, razão porque informa desde já que não
pretende participar de audiência de conciliação.

Observa-se que o casal está separado de fato há


aproximadamente 4 (quatro) anos, inexistindo possibilidade de reconciliação. Assim,
vem o requerente ingressar com a presente ação perante este juízo objetivando
tutela jurisdicional que decrete a dissolução do vínculo matrimonial através do
divórcio.

DO DIVÓRCIO
A autora não tem mais interesse na união. É seu direito
potestativo divorciar-se do marido, não havendo motivo jurídico que justifique a
manutenção do casamento diante da falta de vontade da autora de seguir casada.

 DA PARTILHA:

No tocante aos bens, segue a descrição patrimonial


correspondente para que se efetue a partilha considerando o direito da autora à
metade de seu valor:
Imóvel:

– Um duplex, situado na Rua Tabajara, Cidade/UF, no


valor venal de aproximadamente R$ 52.140,18 (cinquenta e dois mil, cento e
quarenta reais e dezoito centavos).

Insta considerar que os imóveis acima descritos não


possuem registro no nome do requerido, pois todos os documentos relativos ao
imóvel, inclusive o contrato de compra e venda, foram perdidos.
Não obstante, o Sr. FULANO tem a posse do imóvel há
aproximadamente 25 (vinte e cinco) anos, período da constância do casamento, e
desses imóveis obtém renda dos aluguéis, conforme se extrai dos contratos em
anexo.

 DO NOME:

O cônjuge virago retornará ao nome de solteira, qual


seja, FULANA DA SILVA PEREIRA.
DO DIREITO
O artigo 1571 do Código Civil estabelece que o
casamento válido se dissolver pelo divórcio.
Art. 1.571. (…)
§ 1o O casamento válido só se dissolve pela morte de
um dos cônjuges ou pelo divórcio, aplicando-se a presunção estabelecida neste
Código quanto ao ausente.
Com o advento da Emenda Constitucional nº 66/2010,
que alterou o § 6º do artigo 226 da CF/88, deixou de existir a exigência
constitucional de separação de fato por mais de dois anos para concessão do divórcio
direto.
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial
proteção do Estado.
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo
divórcio.
No caso concreto, o ajuizado da presente ação
representa manifestação inequívoca de que a parte autora não tem interesse no
prosseguimento do vínculo matrimonial, o que por si só enseja o deferimento da
concessão do divórcio.

 DO RITO PROCESSUAL

Os artigos 693 e seguintes do Novo Código de Processo


Civil, estabelecem:
Art. 693. As normas deste Capítulo aplicam-se aos
processos contenciosos de divórcio, separação, reconhecimento e extinção de união
estável, guarda, visitação e filiação.
Parágrafo único. A ação de alimentos e a que versar
sobre interesse de criança ou de adolescente observarão o procedimento previsto
em legislação específica, aplicando-se, no que couber, as disposições deste Capítulo.
Art. 694. Nas ações de família, todos os esforços serão
empreendidos para a solução consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do
auxílio de profissionais de outras áreas de conhecimento para a mediação e
conciliação.
Parágrafo único. A requerimento das partes, o juiz pode
determinar a suspensão do processo enquanto os litigantes se submetem a mediação
extrajudicial ou a atendimento multidisciplinar.

Art. 695. Recebida a petição inicial e, se for o


caso, tomadas as providências referentes à tutela provisória, o juiz ordenará a
citação do réu para comparecer à audiência de mediação e conciliação, observado o
disposto no art. 694.
§ 1o O mandado de citação conterá apenas os dados
necessários à audiência e deverá estar desacompanhado de cópia da petição inicial,
assegurado ao réu o direito de examinar seu conteúdo a qualquer tempo.
§ 2o A citação ocorrerá com antecedência mínima de 15
(quinze) dias da data designada para a audiência.
§ 3o A citação será feita na pessoa do réu.
§ 4o Na audiência, as partes deverão estar
acompanhadas de seus advogados ou de defensores públicos.

Art. 696. A audiência de mediação e conciliação poderá


dividir-se em tantas sessões quantas sejam necessárias para viabilizar a solução
consensual, sem prejuízo de providências jurisdicionais para evitar o perecimento do
direito.
Art. 697. Não realizado o acordo, passarão a incidir, a
partir de então, as normas do procedimento comum, observado o art. 335.
Art. 698. Nas ações de família, o Ministério
Público somente intervirá quando houver interesse de incapaz e deverá ser ouvido
previamente à homologação de acordo.
Art. 699. Quando o processo envolver discussão sobre
fato relacionado a abuso ou a alienação parental, o juiz, ao tomar o depoimento do
incapaz, deverá estar acompanhado por especialista.

DOS PEDIDOS
Assim com fundamento no artigo 226 § 6º da CF/88,
artigos 1.571, § 1º e 1581 do CC/2002 e artigos 693 e seguintes do CPC/2015, requer
a Vossa Excelência:
1) o recebimento da inicial com a qualificação
apresentada (cf. artigo 319, inciso II, e § 2º e 3ºdo CPC/154);

2) o processamento da ação sob segredo de justiça (cf.


artigo 189, inciso II do CPC/155);
3) o deferimento da gratuidade judiciária
integral para todos os atos processuais (cf. artigo 98 caput e § 1º,§ 5º do CPC/156);

4) a citação do requerido para que conheça os termos


da presente ação e, querendo, apresente defesa no prazo legal. Requer-se, como já
indicado, que não seja designada sessão inicial de mediação por conta do potencial
infrutífero da iniciativa;
6) a intimação do Ministério Público Estadual para
intervir como fiscal da ordem jurídica (cf. artigo 178, incisos I e II do CPC/157  c\c
artigo 698 do CPC/158);
7) o julgamento antecipado TOTAL de mérito
caso: (7.1) não haja necessidade de produção de outras provas OU (7.2) o réu seja
revel (artigo 355, incisos I e II do CPC/159);

8) o julgamento antecipado PARCIAL de mérito


caso: (8.1) haja pedido (s) formulado (s) incontroverso (s) ou (8.2) haja pedido (s) em
condição (ões) de julgamento (cf. artigo 356, incisos I e II do CPC/1510);

9) Não ocorrendo nenhuma das hipóteses de julgamento


antecipado TOTAL ou PARCIAL de mérito, requer decisão de saneamento e de
organização do processo: (9.1) delimitando as questões de fato e definindo a
distribuição do ônus da prova e (9.2) designando se necessário de audiência de
instrução e julgamento intimação prévia e feita por via
judicial das testemunhas arroladas pela AUTORA (cf. artigo 357 e artigo 455, § 4º,
inciso IV do CPC/1511);

10) Ao final, proferir sentença de resolução de mérito


acolhendo os pedidos de:
10.1) decretação do fim do vínculo conjugal através
do DIVÓRCIO, expedindo-se mandado ao Cartório de Registro Civil para que proceda
a averbação devida e forneça ao autor a Certidão de Casamento atualizada de forma
gratuita (cf. artigo 98, § 1º, inciso IX do CPC/1512);

10.2) deferimento do retorno do cônjuge virago ao


NOME DE SOLTEIRA, FULANA DA SILVA PEREIRA. expedindo-se mandado ao Cartório
de Registro Civil para que proceda a averbação devida e forneça ao autor a Certidão
de Casamento atualizada de forma gratuita (cf. artigo 98, § 1º, inciso IX do
CPC/1513);

10.3) condenação do (a) promovido (a) ao pagamento


de honorários advocatícios a serem fixados entre 10% e 20% sobre o valor da
condenação/proveito econômico obtido OU sendo este valor irrisório, arbitramento
de valor por apreciação equitativa (cf. artigo 85, § 2º e § 8º do CPC/1514)

11) Após o trânsito em julgado, o (a) réu (a) deverá ser


intimado (a) para dar cumprimento voluntário da sentença (cf. artigo 513,§ 2º do
CPC/1515).

Protesta provar o alegado por todos os meios de provas


admitidas em direito, notadamente depoimento pessoal das partes, oitiva de
testemunhas e juntada de documentos.

Atribui à causa o valor de R$ 52.140,18 (cinquenta e dois


mil, cento e quarenta reais e dezoito centavos).

Nestes Termos

Pede deferimento.

Advogado

Cidade-UF, 31 de outubro de 2018.