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CONSENSO # 8

REPOSIÇÃO HORMONAL NA MELATOPAUSA

 Após criteriosa revisão da literatura científica, discussões com médicos representantes de todos os continentes e discussões entre médicos
brasileiros, todos profissionais versados e adequadamente qualificados em utilizar e prescrever hormônios em seres humanos com a finalidade
primária de promoção da saúde e, ainda, em total consonância com os preceitos e guidelines do Grupo Longevidade Saudável, da International
Hormone Society e da World Society of Anti-Aging Medicine, nós, médicos membros do Grupo de Consenso do Grupo Longevidade Saudável,
concluímos ter chegado o momento de considerar o tratamento da deficiência de melatonina em adultos.

Até o presente momento, nenhuma sociedade médica convencional no mundo reconheceu a necessidade e a importância de tratar a
deficiência da glândula pineal através da reposição de melatonina.

Como é de costume quando se trata do assunto reposição hormonal, a controvérsia também não foge à regra na reposição de
melatonina. Para algumas escolas constitui-se em um hormônio essencial, com importantes repercussões para a saúde humana. Já
para outras escolas, não passa de um placebo sem qualquer importância clínica. Em contraste com esta controvérsia, existe uma
unanimidade completa acerca da segurança e importância da reposição de melatonina entre pesquisadores renomados e médicos ao
redor de todo o mundo que acumularam vasta experiência no uso e aplicações clínicas deste hormônio em seres humanos. A
melatonina tem se mostrado tão segura, que até o presente momento não foi possível determinar os limites de doses tóxicas para
humanos e para animais. Doses extremamente elevadas tem sido utilizadas em experimentos com animais com o intuito de
estabelecer aqueles níveis, sem que se consiga produzir efeitos danosos ou mesmo a morte dos animais.

Após exaustiva revisão da literatura e troca de experiências entre grupos versados no emprego clínico da melatonina, o que se pode
concluir é que a sua reposição é capaz de produzir consistentes e significativos benefícios à saúde humana. Os efeitos mais notórios
são observados na qualidade do sono, controle do Jet Lag, varredura de radicais livres, metabolismo da glicose, ossos, sistema
cardiovascular, metabolismo cerebral, melhora do perfil lipídico e manutenção da ciclicidade e responsividade dos receptores
celulares para hormônio anabólicos.

Foram revistos mais de 350 estudos sobre o uso de melatonina e o sono, sendo que a quase totalidade dos mesmos ( 98,6%) deixa
evidente uma notória melhora da qualidade do sono, por ser a melatonina capaz de encurtar o tempo de indução do sono, encurtar o
início da fase REM do sono profundo e provocar um relaxamento muscular e nervoso através da estimulação do sistema
parassimpático. O conjunto destas ações facilita o sono e melhora a sua qualidade, além de contribuir diretamente para o processo
de reparo e recuperação metabólica ao longo do período de permanência no sono.

Com base na literatura e experiência mundial atuais, inexistem quaisquer justificativas plausíveis de ordem científica ou médicaque
contraindiquem ou desestimulem o tratamento de reposição com melatonina. Sua segurança e eficácia clínica são motivos mais do
que suficientes para ressegurar às autoridades de saúde a validade e aceitação do seu uso, desde de que tal seja feito sob criteriosa
prescrição e supervisão médica.

As doses terapêuticas situam-se entre 100 microgramas e 5 miligramas. Lembramos que a melatonina pode reduzir a atividade do
cortisol, de modo que, em casos de fadiga adrenal crônica deve-se iniciar o tratamento com doses menores e também corrigir a
deficiência de cortisol de forma concomitante.

Na opinião deste grupo, os seguintes argumentos dão suporte e fundamentam o tratamento de reposição de melatonina em adultos:

1. Melatonina é uma substância natural ao organismo humano e sua presença e abundante, principalmente no período noturno.
2. Melatonina está completamente adaptada ao corpo humano.
3. Melatonina exerce uma multiplicidade de benefícios na manutenção da saúde física e mental, bem como contra o desenvolvimento das
doenças degenerativas da velhice.
4. Melatonina é segura.
5. Melatonina tem custo acessível.

                O diagnóstico da deficiência de melatonina é baseado em critérios essencialmente clínicos. Pode-se, entretanto, em casos que se façam
necessários, recorrer à dosagem da excreção em urina de 24 horas da 6-sulfatoxi-melatonina, principal metabólito da melatonina, como parâmetro
diagnóstico laboratorial.

CONCLUSÃO DO CONSENSO:

 Com base na literatura científica atual, inexistem quaisquer justificativas plausíveis que contraindiquem ou desestimulem o tratamento de
reposição com melatonina em adultos com baixos níveis. Ao contrário, uma vasta base de dados e evidências dão suporte e validam o seu
emprego em indivíduos com deficiência e com baixos níveis, submetendo-os a um programa regular de acompanhamento médico.

São Paulo, 25 de Agosto de 2011

Grupo de Consenso do Grupo Longevidade Saudável

1. Professor Doutor Marco Antônio Botelho, PhD


2. Professor Doutor Marcelo Alexandre de Mattos, PhD
3. Professora Doutora Andreia Conceição Milan B. Antoniolli, PhD
4. Professor Doutor Marcos Renato Scholz, PhD
5. Professora Doutora Andrea Thomaz Soccol, PhD
6. Professora Doutora Ana Cristina Vendramini, PhD
7. Professor Ítalo Emmanuel Valeriano Rachid, Diretor Científico