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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE ARQUITETURA ENGENHARIA E TECNOLOGIA


DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
DISCIPLINA DE TRATAMENTO DE ÁGUA PARA ABASTECIMENTO

DIMENSIONAMENTO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

Mateus Martins
Noam Pimenta
Ronaldo Andrade
Thiago Cardozo
William Duardo

Cuiabá – MT
2020
SUMÁRIO

1. DIMENSIONAMENTO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA............3


1.1. ESTIMATIVA DA POPULAÇÃO....................................................................4
1.2. VAZÃO DE PROJETO......................................................................................4
1.3. CALHA PARSHALL.........................................................................................4
1.3.1. Altura da Lâmina d’ água............................................................................6
1.3.2. Trecho Convergente (largura na seção de medida).....................................6
1.3.3. Velocidade na seção de medida...................................................................6
1.3.4. Energia Total Disponível.............................................................................7
1.3.5. Ângulo Fictício............................................................................................7
1.3.6. Velocidade da água no início do ressalto....................................................8
1.3.7. Altura de água no início do ressalto............................................................8
1.3.8. Número de Froude de montante (fundo horizontal)....................................8
1.3.9. Altura de água no final do ressalto..............................................................9
1.3.10. Profundidade no trecho final divergente..................................................9
1.3.11. Velocidade média de escoamento no trecho divergente........................10
1.3.12. Perda de carga no ressalto......................................................................10
1.3.13. Tempo médio de detenção da água no trecho divergente......................11
1.3.14. Gradiente de velocidade médio..............................................................11
1.4. FLOCULADORES...........................................................................................12
1.5. DECANTADOR...............................................................................................21
1. DIMENSIONAMENTO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA
Este trabalho apresenta o dimensionamento de uma estação de tratamento de água
do tipo convencional, a ser instalado no município de Nova Olimpia, no estado do Mato
Grosso, localizada a uma latitude 14º47'50" sul e a uma longitude 57º17'17" oeste.
De acordo com o IBGE, possui uma população estimada em 20.563 habitantes no
ano de 2020. Com população para fim de projeto estimada em 23.751 habitantes, que
deverão ser atendidos pela estação de tratamento de água.

Figura 1. Localização geográfica do município de Nova Olimpia

Fonte: Wikipédia, 2020.

3
1.1. ESTIMATIVA DA POPULAÇÃO

P=P 0 . ( 1+ i )t −t 0

P= População final (hab);


P0= População inicial (hab);
i= taxa de crescimento anual (%);
t= ano final de projeto (anos);
t0= ano inicial de projeto (anos).

Projeção de projeto adotado foi de 20 anos, com projeção de crescimento populacional


de 1% ao ano.

1.2. VAZÃO DE PROJETO

Adutora de água bruta (captação até a ETA)

Q K
( 86400
1= +Q ) . C
1. P. q
esp ETA

P = população da área abastecida (hab);


q = consumo per capita de água (l/hab.dia) (120 l/hab.dia – ONU);
K1 = coeficiente do dia de maior consumo;
Qesp = vazão específica, por exemplo, grandes consumidores (indústrias, comércios, etc),
(l/s);
CETA = Consumo na ETA (2 a 3%).

1.3. CALHA PARSHALL

De acordo com a vazão de projeto, consultar a Tabela 1, que possui as dimensões do


Vertedor Parshall.

4
Tabela 1: Dimensões do Vertedor Parshall e vazão com escoamento livre.
Dimensões do Vertedor Parshall (cm) Vazão (l/s )
w (pol) w A B C D E F G K N
1” 2,5 36,3 35,6 9,3 16,8 22,9 7,6 2,3 1,9 2,9 0,3 a 5,0
3” 7,6 46,6 45,7 17,8 25,9 45,7 15,2 30,5 2,5 5,7 0,8 a 53,8
6” 15,2 61,0 61,0 39,4 40,3 61,0 30,5 61,0 7,6 11,4 1,4 a 110,4
9” 22,9 88,0 86,4 38,0 57,5 76,3 30,5 45,7 7,6 11,4 2,5 a 252,0
1’ 30,5 137,2 34,4 61,0 84,5 91,5 61,0 91,5 7,6 22,9 3,1 a 455,9
1 ½’ 45,7 144,9 42,0 76,2 102,6 91,5 61,0 91,5 7,6 22,9 4,2 a 696,6
2’ 61,0 152,5 49,6 91,5 120,7 91,5 61,0 91,5 7,6 22,9 11,9 a 937,3
3’ 91,5 167,7 64,5 122,0 17,2 91,5 61,0 91,5 7,6 22,9 17,3 a 1427,2
4’ 122,0 183,0 79,5 152,5 193,8 91,5 61,0 91,5 7,6 22,9 36,8 a 1922,7
5’ 152,5 198,3 94,1 183,0 230,3 91,5 61,0 91,5 7,6 22,9 45,3 a 2423,9
6’ 183,0 213,5 209,0 213,5 266,7 91,5 61,0 91,5 7,6 22,9 73,6 a 2939,8
7’ 213,5 228,8 224,0 244,0 303,0 91,5 61,0 91,5 7,6 22,9 85,0 a 3437,7
8’ 244,0 244,0 239,2 274,5 349,0 91,5 61,0 91,5 7,6 22,9 99,1 a 3950,2
10 305,0 274,5 427,0 366,0 475,9 122,0 91,5 183,0 15,3 34,3 200,0 a
5660,0

Figura 2: Indicação das dimensões padronizadas do Vertedor Parshall.

5
1.3.1. Altura da Lâmina d’ água

Para calcular utiliza-se a fórmula conforme a largura nominal da garganta (w) em m:

W= 7,6 cm → Q=0,1765. H 1,547


a

W= 15,2 cm → Q=0,381. H 1,580


a

W= 22,9 cm → Q=0,535. H 1,530


a

0,026
1,568. ( w )
30,5 cm ≤ w ≤ 244 cm→ Q=0,372.w . ( 3,281. H a )

1,6
H a)
305 cm≤ w ≤ 1525 cm→ Q=( 2,2926. w+ 0,4737 )(

1.3.2. Trecho Convergente (largura na seção de medida)

2
D'= . ( D−W )+W=
3

D’ = 2/3 . (0,403-0,152)+0,152 = 0,319333 m

Onde:
D’= medida da largura na seção (m);
D= Largura de entrada (m);
W = Largura nominal da garganta (m).

1.3.3. Velocidade na seção de medida

Q Q
V a= =
A D ' . Ha

6
0,014661
Va = = 0,360952 m/s
0,319333.0,127196

Onde:
Va= Velocidade na seção de medida (m/s);
Q= vazão de projeto (m³/s);
D’= medida da largura na seção (m);
Ha= Altura da Lâmina d’ água (m).

1.3.4. Energia Total Disponível

V 2a
Ea =H a + +N
2.
0 ,360952²
g
Ea = 0,0127196+ + 0,114 = 0,247836 m
2.9,81

Onde:

Ea = Energia total disponível (m);


Ha= Altura da lâmina d’ água (m);
Va= Velocidade na seção de medida (m/s);
g= Aceleração da gravidade (m/s²);
N= Dimensão do vertedor parshall (m).

1.3.5. Ângulo Fictício

Ângulo φ (ângulo fictício representando a variação da quantidade da massa líquida).

−g .Q
cos( ϕ)=
W .(0, 67 . g . Ea )1,5

−9,81.0,014661
cos(φ) = 1,5 = -0,45512
0,152. ( 0,67.9,81 .0,247836 )

7
Onde:

cos(φ)= Ângulo fictício (graus);


g= Aceleração da gravidade (m/s²);
Q= Vazão de projeto (m³/s);
W = Largura nominal da garganta (m);
Ea = Energia total disponível (m).

1.3.6. Velocidade da água no início do ressalto

1 /2
ϕ 2. g . Ea
( )[
V 1 =2. cos .
3 3 ]
−0,45512 2.9,81.0,247836
V1 = 2.cos( ).[ ]^1/2 = 1,602234 m/s
3 3

Onde:
V1=Velocidade média de escoamento no início do ressalto (m/s);
cos(φ)= Ângulo fictício (graus);
g= Aceleração da gravidade (m/s²);
Ea = Energia total disponível (m).

1.3.7. Altura de água no início do ressalto

2 2
V V1
Ea =E1 ⇒ Ea = y 1 + 1 ⇒ y 1 =Ea −
2.g 2. g
1, 602234²
y1= 0,247836 - = 0,032428 m
2. 9,81

Onde:
y1=Altura de água no início do ressalto (m);
Ea = Energia total disponível (m);
V1=Velocidade média de escoamento no início do ressalto (m/s);
g= Aceleração da gravidade (m/s²).

8
1.3.8. Número de Froude de montante (fundo horizontal)

V1
F1 =
√ g . y1
1,602234
F1= = 2,840746
√ ¿¿

Onde:
F1= Número de froude;
V1=Velocidade média de escoamento no início do ressalto (m/s);
g= Aceleração da gravidade (m/s²);
y1=Altura de água no início do ressalto (m);

F1 > 1 = supercrítico
F1 < 1=subcrítico
Quanto > F1 melhor a mistura.

1.3.9. Altura de água no final do ressalto

y1
y 3= . √ 1+ 8. F 21−1
[ ]
2

0,0324
y3 = . [√ ¿²) – 1 = 0,1151 m
2

Onde:
y3= Altura de água no final do ressalto (m);
y1=Altura de água no início do ressalto (m);
F1= Número de froude.

1.3.10. Profundidade no trecho final divergente

y 2 =( y 3 −N + K )

y2 = (0,1151 – 0,114 + 0,076) = 0,0771 m

9
Onde:

y2= profundidade no trecho final divergente (m);


y3= Altura de água no final do ressalto (m);
N= Dimensão do vertedor parshall (m);
K= Dimensão do vertedor parshall (m).

Figura 3: Esquema do trecho divergente com as alturas de água do ressalto hidráulico.

1.3.11. Velocidade média de escoamento no trecho divergente

Q
V 2=
y2 . C

0,0146611
V2 = = 0,4828359 m/s
0,0771. 0,394

Onde:
V2= Velocidade média de escoamento no trecho divergente (m/s);
Q= Vazão de projeto (m³/s);
y2= profundidade no trecho final divergente (m);
C= Dimensão do vertedor parshall (m).

10
1.3.12. Perda de carga no ressalto

En =( H a + N ) − y 3

En = (0,1271959 + 0,1140) – 0,1151 = 0,1261 m

Onde:
En= Perda de carga no ressalto (m);
N= Dimensão do vertedor parshall (m);
y3= Altura de água no final do ressalto (m).

1.3.13. Tempo médio de detenção da água no trecho divergente


G
T mr ==
( V 1 +V 2 )
2

Tmr = 0,61 = 0,585112 s


¿¿¿

Onde:
Tmr= Tempo médio de detenção da água (s);
G= Dimensão do vertedor parshall (m);
V1=Velocidade média de escoamento no início do ressalto (m/s);
V2= Velocidade média de escoamento no trecho divergente (m/s);

1.3.14. Gradiente de velocidade médio

γ . En
G=
√ μ . T mr

10000 .0,1261
G=√ = 1468,206 s-1
0,001 . 0,585112

Onde:
G= Gradiente de velocidade médio (s-1);
γ =Peso espec í fico da á gua (N.m-3) (10.000 N.m-3) ;
En= Perda de carga no ressalto (m);

11
μ=Viscosidade da á gua ( N . s . m−2) (1.10−3 N . s . m−2 );
Tmr= Tempo médio de detenção da água (s);

1.4. FLOCULADORES

1.4.1 Cálculo do volume para cada trecho, considerando a vazão de 18 l/s e um


tempo de retenção de 10 minutos para cada trecho.

Trecho 1, Trecho 2 e Trecho 3

𝐕 = 𝐐𝟏 × 𝐓

V = 0,05278 × 25 × 60

V = 79,17 m³

1.4.2 Profundidade (HU) dos floculadores

Adotada como 0,5 m (Por motivo de facilidade na manutenção e limpeza)

1.4.3 Área necessária (AN) para cada trecho2.

Trecho 1, Trecho 2 e Trecho 3

V
𝐀𝐍 =
Hu

79,17
AN =
0,5

AN = 158,34 m²

1.4.4 Largura (L1) de cada trecho

Adotada como 6m

1.4.5 Comprimento de cada trecho (CT)

Trecho 1, Trecho 2 e Trecho 3

12
An
𝐂𝐓 =
L1

158,34
CT =
6

CT = 26,39 m

1.4.6 Os floculadores serão constituídos de 3 trechos com velocidades de


escoamento entre chicanas decrescentes (faixa recomendada de 0,3 m/s a 0,1 m/s),
sendo elas:

V1 = 0,18 m/s (bibliografia Di Bernardo, adotar entre 0,07 e 0,3m/s)


V2 = 0,15 m/s (bibliografia Di Bernardo, adotar entre 0,07 e 0,3m/s)
V3 = 0,10 m/s (bibliografia Di Bernardo, adotar entre 0,07 e 0,3m/s)

1.4.7 Seção de escoamento entre chicanas

Q1
𝐒𝐂 =
V

Trecho 1

Q1
SC1 =
V

0,05278
SC1 =
0,18

SC1 = 0,293222 m²

Trecho 2

0,05278
SC2 =
0,15

SC2 = 0,3518666 m²

Trecho 3

0,05278
SC3 =
0,1
13
SC3 = 0,5278 m²

1.4.8 Espaçamento entre chicanas

Sc
𝐞=
Hu

Trecho 1

Sc
e1 =
Hu

0,081451
e1 =
0,5

e1 = 0,162902 m

Trecho 2

0,097741
e2 =
0,5

e2 = 0,195482 m

Trecho 3

0,146611
e3 =
0,5

e3 = 0,293222 m

1.4.9 Número de chicanas (N)

C
𝐍=
e

Trecho 1

C
N1 =
e1
14
6
N1 =
0,162901

N1 = 36

Trecho 2

C
N2 =
e2

6
N2 =
0,195481

N2 = 30

Trecho 3

C
N3 =
e3

6
N3 =
0,293222

N3 = 19

1.4.10 Cálculo de v2 (velocidade na curva da chicana)

2
𝐯𝟐 =
3
.v

Trecho 1
2
v21 = . v21
3

v21= ⅔ . 0,18

v21 = 0,12 m/s

Trecho 2

15
2
v22 =
3
. 0,15

v22 = 0,1 m/s

Trecho 3

2
v23 =
3
. 0,1

v23 = 0,067 m/s

1.4.11 Distância da chicana à parede DC (m)

Q1
𝐃𝐂 = Hu. V 2

Trecho 1

Q1
DC1 =
Hu. V 21

0,05278
DC1 =
0,5 .0,12
DC1 = 0,244352 m

Trecho 2

Q1
DC2 =
Hu. V 22

Q10,05278
DC2 =
0,5 .0,1

DC2 = 0,293222 m

Trecho 3

16
Q1
DC3 =
Hu. V 23

0,05278
DC3 =
0,5 .0,067
DC3 = 0,439833 m

1.4.12 Comprimento percorrido pela água (CP)

𝐂𝐏 = 𝐕 × 𝐓

Trecho 1

CP1 = V1 × T

CP1 = 0,18 × 10 × 60

CP1 = 108 m

Trecho 2

CP2 = V2 × T

CP2 = 0,15 × 10 × 60

CP2 = 90 m

Trecho 3

CP3 = V3 × T

CP3 = 0,1 × 10 × 60

CP3 = 60 m

1.4.13 Perda de carga nas curvas das chicanas

De acordo com Fair et al. (1968), as perdas de cargas nas curvas da chicana resulta
em:

( N + 1 ) . V 2 + N .V 2²
𝐡 𝐜𝐮𝐫𝐯𝐚𝐬 (𝐦) =
2. g

Trecho 1

17
( N + 1 ) . V 2 + N .V 22
h1 curvas (m) =
2. g

( 36+1 ) .0,18 2+36 . 0 , 12²


h1 curvas (m) =
2.9,81

h1 curvas (m) = 0,00058 m

Trecho 2

( 30+1 ) . 0,152 +30 . 0 ,1²


h2 curvas (m) =
2.9,81

h2 curvas (m) = 0,08176 m

Trecho 3

( 19+ 1 ) . 0,12 +19 .0 ,067²


h3 curvas (m) =
2. 9,81

h3 curvas (m) = 0,00009 m

1.4.14 Raio Hidráulico entre chicanas RH (m)

Am
𝐑𝐇 =
Pm

Trecho 1

Am
RH1 =
Pm

e 1. Hu
RH1 =
e 1+2 . Hu

0,162901 . 0,5
RH1 =
0,162901+ 2. 0,5

RH1 = 0,07004 m

18
Trecho 2

0,195481 . 0,5
RH2 =
0,195481+ 2. 0,5

RH2 = 0,08176 m

Trecho 3
0,293222 . 0,5
RH3 =
0,293222+ 2. 0,5

RH3 = 0,11337 m

1.4.15 Perda de carga entre chicanas

De acordo com Fair et al. (1968), as perdas de cargas por atrito entre chicanas resulta
em:

( V . n )2 .C
𝐡 𝐜𝐡𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚𝐬 = 3
( )
4
RH

sendo,

h chicanas: perda de carga por atrito nos canais das chicanas (m)

n: 0,012 (coeficiente de rugosidade de Manning para concreto alisado)

V: velocidade da água nos canais entre chicanas (m/s)

C: comprimento percorrido pela água entre chicanas (m)

RH: raio hidráulico (m)

Trecho 1

( V 1 . n )2 . C
hc1 = 3
( )
4
RH

19
( 0,18 .0,012 )2 .108
hc1 = 3
( )
4
0,07004

hc1 = 0,00058 m

Trecho 2

( 0,15.0,012 )2 . 90
hc2 = 3
4
0,05033 ❑

hc2 = 0,00033m

Trecho 3

( 0,1. 0,012 )2 .60


hc3 = 3
( )
4
0,11337

hc3 = 0,00009 m

1.4.16 Perda total em cada trecho

𝐡 𝐭𝐨𝐭𝐚𝐥 = 𝐡 + 𝐡 𝐜𝐮𝐫𝐯𝐚

Trecho 1

h1 total = h1 + h1 curva
h1 total = 0,0877 m

Trecho 2

h2 total = h2 + h2 curva
h2 total = 0,05066 m

Trecho 3

20
h3 total = h3 + h3 curva
h3 total = 0,01493 m

Comentários:

Como se deve prever uma declividade de ordem de 1% no fundo dos canais,


para facilitar a descarga durante a limpeza, o valor resultante de 6cm deve ser
comparado à perda de carga total em cada um deles. No primeiro canal o enchimento do
fundo será de 7cm (maior que 6 cm), resultando lâminas líquidas paralelas ao fundo e
declividades de fundo maiores que1%, sendo igual a 1,16%. A declividade no fundo do
segundo e terceiro canal, igual a 6cm, será maior que a perda de carga total neste, de
forma que a lâmina líquida não resultará paralelo ao fundo.

1.4.17 Cálculo do gradiente de velocidade médio em cada floculador (trecho)


Segundo Di Bernardo, o gradiente de velocidade médio em cada canal com
chicanas igualmente espaçadas pode ser estimado utilizando-se a equação 35. O tempo
de detenção otimizado em jarteste pode ser adotado para projeto, uma vez que a
interação entre as partículas no reator estático é similar à que ocorre no escoamento tipo
pistão, observando nos sistemas de floculação de chicanas.

1
γ .h
𝐆= ( )
μT
2

Trecho 1
1000.0,00058 12
G1 = (
0,0001 .600
= 37,6901 s^-1
)
Trecho 2
1
1000.0,00033
G2 = ( 0,0001 .600 ) 2
= 28,6455 s^-1

Trecho 3

1
1000.0,00009
G3 = ( 0,0001.600 ) 2
= 15,5518 s^-1

21
1.5. DECANTADOR

1.5.1 Estação de tratamento de ciclo completo 24h por dia, sendo sua vazão de
14,661L/s.

1.5.2 Vazão para cada decantador:

𝐐 = 475,02 m³/dia

1.5.3 Taxa de aplicação

Ta = 25 m³/m² x dia (ABNT NBR 12216:1992)

1.5.4 Dimensões de cada unidade

Q1 . 86400
𝑨𝒔 =
Ta

475,02. 86400
𝐴𝑠 =
25

As = 19,0008 m²

𝐋 = 𝐂𝟏 + 𝐂𝟐 + 𝐂𝟑

L = 3,6 + 3,6 + 3,6 2


L = 5,4 m

𝐂 = 𝟏𝟎, 𝟖 𝐦 (𝐀𝐝𝐨𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐋 𝐂 = 𝟐 )

As adotado = L × C

As adotado = 58,32 m² > Necessário OK!

T = 2,4h (arbitrado)

Q1
. T . 3600
𝐇𝐮 = 2
As

Hu = 1,086008 m

22
1.5.5 Comportas de Acesso (3 COMPORTAS DE SEÇÃO QUADRADA LC × LC
POR DECANTADOR)

G = 14 s -1 (gradiente final do último trecho dos floculadores)

Q1 ³
32. γ . f .
𝐆 = √( 2.6 )
7
Dh . μ.g. π ³

Q1³
32. γ . f .
𝐃𝐡 = 𝐋𝐜 = ( 2 . 6 )1/7
Dh 7 . μ . g . π ³

475 ,02³
32 .1000 . 0,03 .
Dh = Lc = ( 2 .6 )1/7
0,112724 7 . 0,000103 . 9,81. 31 , 00628³

Dh = Lc = 0,112724m

1.5.6 Larguras dos canais de água floculada

Hc = 0,3 m (adotado)

Vc = 0,1 m/s (adotado)

Antes da primeira comporta

L1 = [( 6/6 ) x 0,014661/(0,1 x 0,3)] = 0,488704 m

Antes da segunda comporta

L2 = [( 5/6 ) x 0,014661/(0,1 x 0,3)] = 0,407253 m

Antes da terceira comporta

L3 = [( 4/6 ) x 0,014661/(0,1 x 0,3)] = 0,325802 m

Antes da quarta comporta

L4 = [( 3/6 ) x 0,014661/(0,1 x 0,3)] = 0,244352 m

Antes da quinta comporta

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L5 = [( 2/6 ) x 0,014661/(0,1 x 0,3)] = 0,162901 m

Antes da sexta comporta

L6 = [( 1/6 ) x 0,014661/(0,1 x 0,3)] = 0,081451 m

1.5.7 Distância da parede das comportas à cortina distribuidora = 1,0 m (ABNT


NBR 12216:1992)

1.5.8 Cortina distribuidora composta por 5 filas horizontais e 20 filas verticais de


orifícios circulares, totalizando 100 orifícios.

Dados:

Qo = ( 0,014661 100×2 ) = 7,3-5 m³/s

Go = 12 s-1

𝑓 = 0,03

32. γ . f .Qo ³ 1/7


𝐃𝐡 = 𝐃𝟎 = (
G ². μ . g . π ³
)

32 .1000 .0,03 .(7,3−5 )³


Dh = D0 = ( )1/7
12².0,000103 . 9,81.31,00628

Dh = D0 = 0,036m

1.5.9 Velocidade Longitudinal

Q
𝐯= 2
Hu. L

Q 0,014661
v= 2
1,086008. 5,4

v = 0,000453 m/s = 0,0453 cm/s (≤ 0,5cm/𝑠 ) NBR 12216

24
1.5.10 Coleta de água decantada

Cada decantador contará com 6 calhas longitudinais centrais de 3m de comprimento


(adotado).

1.5.10.1 Vazão por metro linear de borda de calha (Qb)

Q
𝐐𝐛 = 2
nº de calhas . 2. comprimento da calha

0,014661
Qb = 2
6 .2 . 3

Qb = 0,40725307 l/s.m (< 1,8 L/s – NBR 12216)

1.5.10.2 Altura de água no início da calha (HI)

Largura da calha (li) = 0,4 m

Segundo Camp (1942), a altura de água no início da calha é dada por:

Q
2 3/2
𝐇𝐈 = [ ( nº de calhas ) ]
1,38 . li

0,014661
2
HI = [ ( ) ]3/2
6
1,38 . 0,4

HI = 0,00029452 m

1.5.10.3 Vertedores triangulares de 90o ajustáveis

Segundo Di Bernardo (2005), em razão de diversos fatores que concorrem para que
a crista do vertedor das calhas não resulte perfeitamente nivelada, a coleta uniforme de
vazão pode ser conseguida por meio de placas ajustáveis contendo vertedores
triangulares.

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 Número de vertedores triangulares de 90 graus por metro linear de calha =
1,0/0,2 = 5

 Vazão por vertedor triangular de 90 graus (Qv)

Qb
𝐐𝐯 =
nº de vertedores

0,40725307
Qv = = 0,3 l/s
5

1.5.10.4 Altura de água no vertedor triangular de 90 graus (Hv)

Qv 2/5
𝐇𝐯 = ( 1,4 )

0,3 2/5
Hv = ( 1,4 )

Hv = 0,03407197 m

1.5.10.5 Distância entre bordas das calhas (Db)

9−4 . 0,6
Db = ( 4 )

Db = 1,65 m

(GERALMENTE ENTRE 0,25 × 3 = 0,75 m e 0,6 × 3 = 1,8 m) ok!

1.5.11 Altura adicional para acúmulo e compactação de lodo (HL)

HL = 0,37 m (adotado)

1.5.12 Descarga do lodo

A remoção do lodo será feita de forma manual respeitando preceitos da NRB


ABNT 12216 quanto a:

 A descarga do decantador deve situar-se preferencialmente na zona de maior


acumulação de lodo;

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 O fundo deve ter declividade mínima de 5% no sentido do ponto de descarga
Segundo Di Bernardo (2005), a quantidade total de sólidos gerados na ETA pode ser
estimada por meio do uso de equações empíricas, que consideram alguns parâmetros de
qualidade da água bruta e dosagens de produtos químicos.

𝐏𝐬𝐬 = 𝐐 ( 𝟒, 𝟒𝟗 × 𝐃𝐚𝐥 + 𝐒𝐒𝐓 + 𝐃𝐩 + 𝐃𝐜𝐚𝐩 + 𝟎, 𝟏 × 𝐃𝐜𝐚𝐥) × 𝟏𝟎-3

Em que:

Pss: Produção de SST (kg/d)

Q: vazão de água bruta a ser tratada (m³/d) = 475,02 m³/d

Dal: dosagem de sulfatos alumínio (mg AL/L) = 20 mg/d = 9,1 % de Al (adotado)

SST: concentração de sólidos suspensos totais na água a ser tratada (mg/L) = 30 mg/L
(adotado)

Dp: dosagem de polímero seco = 0 (adotado)

Dcap: dosagem de carvão ativado em pó (mg/L) = 0 (adotado)

Dcal: dosagem de cal hidratada (mg/L) = 7 mg/l (adotado)

𝐏𝐬𝐬 = 475,02 ( 𝟒, 𝟒𝟗 × 𝟎, 𝟎𝟗𝟏 × 𝟐𝟎 + 𝟑𝟎 + 𝟎 + 𝟎 + 𝟎, 𝟏 × 𝟕) × 𝟏𝟎-3

𝐏𝐬𝐬 = 36,9297635 𝐤𝐠/𝐝

Considerando a densidade de lodo variando entre 1.002 Kg/m³ até 1236 Kg/m³ (Richter,
2001).

ϒ lodo = 1.002 Kg/m³ (Adotado)

Segundo ABNT NBR 12216:1992, deve-se prever uma altura suficiente para um
acumulo de lodo resultante de 60 dias de funcionamento

Pss 60DIAS = 61,58 x 60 = 2215,78581 Kg

Vss 60DIAS = 3,68 m³

Área total do fundo dos decantadores = 116,64 m²

Altura de acumulo do lodo = 0,031m < 0,37m OK!

Segundo ABNT NBR 12216:1992, a canalização para descarga de lodo, com


comprimento até 10 m, deve ter diâmetro mínimo de 150 mm e, quando situada sob
estruturas ou locais de difícil acesso, ou ainda, com comprimento superior a 10 m, o
diâmetro mínimo deve ser de 200 mm. Considerando que a ETA está situada em locais
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de fácil acesso, a canalização terá diâmetro de 150mm. Posteriormente, deve ser
verificado se haverá um esvaziamento no tempo máximo de 6h.

Vss 60DIAS = 3,68 m³

V descarga = 1,2 m/s (adotado)

T max = 6h

D = 150 mm

Q min = 3,68/(6x60x60) = 0,00017037 m³/s

Q real = (1,2 x 3,14 x 0,15²) /4 = 0,021195 m³/s

Q real > Q min OK!

Di Bernardo (2005) esclarece que para a recepção dos resíduos gerados nas
ETAs, é possível efetuar o tratamento posterior por meio de unidades de clarificação,
adensamento, desaguamento e disposição final da torta ou então conduzir os resíduos
para a rede coletora de esgotos, de forma que o tratamento seja efetuado na ETE. Sendo
assim, os resíduos gerados pela ETA de Campo Florido serão conduzidos para a rede
coletora de esgotos para posteriormente serem tratados.

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