Você está na página 1de 26

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

MARCO ANTONIO GAYA DE FIGUEIREDO

APOSTILA DE INSTRUMENTAÇÃO

Rio de janeiro abril 2020


INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA DE


CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

ii
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

Apresentação ao aluno

Prezado aluno, este material tem com finalidade, auxiliá-los no acompanhamento da


disciplina de instrumentação industrial. Conforme será informado ao longo deste
material, existem inúmeros livros, seja em português como em inglês dedicados a
disciplina, da mesma forma existem inúmeras disciplinas na internet que falam sobre o
assunto.
Neste material, pretende-se dar um foco mais prático, buscando aproximar da pratica da
implantação ou primeira seleção da instrumentação por um engenheiro de processo.
Alguns conhecimento que já foram passados em disciplinas que, em tese, antecederiam a
de instrumentação (não existe pré requisito) serão utilizadas, outras, que somente serão
vistas após ou neste mesmo período.

Não se pretende, neste material, esgotar o assunto, até mesmo por conta da dinâmica a
eletrônica. A proposta é o de construir uma base de conhecimento, que permita o leitor
identificar o tipo básico de instrumento deve ser utilizado para que o processo funcione
minimamente.
Como complemento, apesar de não ser preconizado na ementa da disciplina, conforme
será mostrado a seguir, serão tratados assuntos mais associados a projetos de processo,
por exemplo, controles típicos (ou básicos) das operações mais praticadas na área química
e petroquímica, uma visão a respeito da estratégia de controle e noções sobre Análise de
Risco (Hazop) e Classificação de área. Completando o curso será mostrada a aplicação
de analisadores de linha.

3
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

4
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

INTRODUÇÃO

Um “Projeto de Processo” é um conjunto de informações definido por uma


sequência de operações químicas e físicas; condições de operação; principais
especificações e materiais de construção de todos os equipamentos de processo; arranjos
de todos os equipamentos necessários para assegurar um correto funcionamento da
planta; dimensionamento de linhas e principais instrumentos.
De uma forma simplificada, podemos dizer que num processo, os insumos (matérias
primas) são alimentados num sistema reacional gerando o produto de interesse, alguns
subprodutos, emissões atmosféricas e resíduos

Numa abordagem um pouco mais detalhada, via um diagrama de blocos pode-se


associar diferentes passos até a obtenção do produto desejado dentro das especificações
de mercado

5
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

Como exemplo podemos ver a obtenção da gasolina via destilação atmosférica do


petróleo associado a outras operações para melhoramento da qualidade, como o
hidrotratamento para remoção de contaminantes de enxofre entre outros.
Em qualquer processo, o estabelecimento de um sistema descontrole deve atender
a três pilares básicos
1. Maximizar o lucro
2. Minimizar o impacto ambiental
3. Atender aos padrões de segurança de meio ambiente

Na indústria, a área responsável pelo desenvolvimento do processo, estabelece as


condições básicas para que o processo ocorra dentro do estabelecido. Para tal, o
engenheiro deverá, conhecendo as diferentes operações unitárias (transferência de calor,
de massa, de momento) associá-las de forma a permitir que estas etapas ocorram
conforme o estabelecido no desenvolvimento da tecnologia.
A importância da instrumentação está na exata seleção dos instrumentos e funções
adequadas que irão ser responsáveis pelo perfeito funcionamento da unidade.

6
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

1. NOÇÕES PRELIMINARES SOBRE PROCESSOS E OPERAÇÕES UNITÁRIAS

1.1 Considerações gerais


Falar em instrumentos sem abordar alguns aspectos relacionados as operações
unitárias, sobre a estruturação de um processo de fabricação e, logico sobre controle fica
um pouco complicado. Não será objetivo desta apostila entrar em detalhes relacionados
a teoria de controle, este assunto é coberto pela disciplina especifica. A intenção aqui será
a de mostrar como o conhecimento básicos das operações unitárias e as respectivas
associações formando um processo produtivo, são importantes para se estabelecer uma
primeira estratégia de controle, e a identificação dos instrumentos que irão constituir o
sistema de controle bem como ajudar no entendimento dos diferentes instrumentos que
constituem um laço de controle.
O primeiro aspecto a ser entendido é a noção do tipo de processo que será objeto
da instrumentação. Basicamente temos os seguintes tipos:
a) Processo continuo: A meta é operar em regime estável (steadty state), mantendo
as condições ajustadas constante ao longo do tempo. Em linhas gerais a planta
irá funcionar durante 8000 horas (330 dias), ininterruptas, sofrendo apenas
intervenções ocasionais, por falha de algum tipo de equipamento ou mesmo
instrumento ou então por algum tipo de contaminação de matéria prima. Fora
isso o processo deverá operar mantendo os parâmetros de controle (pressão,
temperatura, vazão, nível, etc.) dentro da normalidade. Normalmente a maioria
dos processos industriais são contínuos.

b) Processo em batelada: Normalmente estes processo são empregados na área de


fármacos (química fina) e em alguns processos de polimerização onde são
obtidos polímeros que atendem a segmentos específicos. De uma forma
simplificada, neste tipo de processo quando as matérias primas são alimentadas
no reator , o processo ira transcorrer por um tempo determinado, ao fim do qual
o reator será descarregado limpo e realimentado para uma nova batelada.

c) Processo semi contínuo: Neste caso, a diferença deste para o de batelada é que,
iniciando a reação, uma determinada matéria prima é alimentada continuamente
por um determinado tempo, fim do qual o processo é terminado e com acima, o
reator descarregado e limpo.

7
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

1.2 As operações unitárias

Com o passar do tempo, estudando-se os diferentes procedimentos utilizados na


indústria observou-se que determinadas etapas eram usadas com frequência e que o uso
dessas etapas era semelhante para um grande número de aplicações. Essas etapas ficaram
conhecidas como operações unitárias. Organizar o processo em operações unitárias além
de simplificar o design do processo também simplifica o design dos controles de processo
necessários para a instalação.
As operações mais comuns da unidade são transferência de momento do fluido
incompressível (bombas), transferência de momento do fluido compressível
(compressores, sopradores, ventiladores), transferência de calor (trocadores de calor,
fornos), separação gás / líquido (tambores de flash, tambores de nocaute), líquido / líquido
separação (separadores bifásicos), separação líquido / sólido (filtros, tambores de
decantação), separadores constituintes com base no equilíbrio vapor-líquido (destilação,
tambores flash, evaporadores), separadores constituintes com base na força motriz
química (absorvedores, extratores, lixiviação, membranas, adsorção), separadores de
constituintes com base no ponto de bolha ou no ponto de congelamento (condensadores
parciais, secadores, fornos, cristalizadores), reatores químicos e transferência de
momento sólido (transportadores, extrusores).
A seguir serão apresentados fundamentos básicos das principais operações de sorte
a facilitar o leitor no entendimento dos fundamentos da referida operação, o que irá
facilitar a identificação do tipo de controle a ser utilizado. Não é proposito deste item,
abordar questões associadas ao dimensionamento, apenas os aspectos operacionais só
serão brevemente mostrados permitindo que o leitor seja levado a buscar qual a melhor
forma de controlar a operação,
a) Transferência de momento fluido compressível / incompressível

i. Fluido incompressível.

Neste caso temos as bombas. A depender do tipo de serviço e das propriedades


físico químicas do fluido podemos ter as centrifugas que transmitem energia cinética
(velocidade) a de deslocamento positivo que transmitem pressão. Estes equipamentos
normalmente são dimensionados com folga necessitando na maioria das vezes ter um

8
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

ajuste na vazão de transferência. No caso das centrifugas podemos ter a variação da


rotação (seja por variação da potência ou na vazão do fluido de acionamento (caso
bombas acionadas por utilidade)) ou um controle da vazão da descarga, Nestas bombas
um problema a ser observado está ligado a sua pressão na sucção. Caso atinja valores
inferiores a pressão de vapor do liquido a bomba entra num fenômeno chamado
“Cavitação”, ou seja existe a formação de pequenas bolhas entre o impelido e a carcaça
(voluta) causando a perda de capacidade de bombeio e danificando a bomba por erosão,
logo o equipamento a montante da bomba deverá ser analisado para evitar que isso ocorra.

Figura 1.2 Bomba com acionamento a vapor


Figura 1.1 Bomba com inversor de frequência

Nas bombas de deslocamento positivo, praticamente a pressão de descarga é


independente da vazão, neste grupo a vazão
poderá ser controlada da mesma forma por
variação da rotação (o mais comum) ou um
sistema que permita realimentar o fluido
bombeado para a sucção da bomba. Uma
peculiaridade destes equipamentos, devem ter
Figura 1.3 Bomba de engrenagem com sistema sempre uma válvula de segurança na descarga
de segurança
garantindo que, em caso de bloqueio da descarga
o fluxo será alinhado para a sução. Um outro aspecto interessante é que mesmo
acontecendo o fenômeno da cavitação a bomba mantem capacidade o que leva a se
transformar numa bomba de vácuo, ou seja o sistema deverá ser avaliado para que isso
não ocorra pois haverá dano no equipamento a montante da bomba

9
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS
ii. Fluido compressível (Compressores)

Primeiro temos que recordar a termodinâmica, a elevação da pressão concorre para


elevação da temperatura e que o gás a ser comprimido deve estar isento de partículas de
líquido, o que poderia causar um dano a máquina. Desta forma, nesta apostila, o
compressor será tratado como um sistema contendo outros equipamentos acoplados a
saber; um resfriador (intercooler) quanto tiver mais de um estágio, uma tanque que devera
remover as partículas de fluido arrastadas a montante (vaso de nocaute ou separador). A
depender do tipo de serviço poderá existir um vaso para recolhimento de condensado
gerado por conta do esfriamento do gás na descarga (separador ou vaso amortecedor). Em
linhas gerais, os fornecedores fabricam o sistema de compressão com esquemas de
proteção, tipo nível de óleo, temperatura de descarga entre outros. Um problema a ser
considerado é o que avalia o risco de vibração, conhecido como surge, que indica uma
reversão de fluido o que, em função da recuperação de pressão de um estágio pode levar
a vibração o que pode danificar a máquina

Figura 1.4 Sistema de compressão

b) Transferência de calor (trocadores / fornos)

No caso dos trocadores temos uma grande quantidade de funções, a saber:


condensador (total ou parcial) aquecedor e evaporador. Nestes sistemas, o convencional
é a utilização de um fluido identificado como “utilidade” que pode ser vapor, água de
refrigeração ente outros fluidos. A finalidade está em se manter o fluido de processo numa
determinada condição, ou seja garantir que a carga térmica necessária ao processo seja

10
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

devidamente controlada. No caso dos fornos, um sistema mais complexo pois


normalmente operam com chama direta. Neste caso existem inúmeros cuidados que
devem ser observado além da garantia da carga térmica necessária ao processo, tipo a
garantia de eficiência de queima, os controle para temperaturas muito elevadas entre
outros aspectos que devem ser verificados mais no detalhe de cada tipo de forno.

Figura 1.5 Esquema de trocador de calor


Figura 1.6 Trocador de casco e tubos

Figura 1.7 Esquema


2Esquema dede fornalha
Fornalha industrial
Industrial
Figura Erro! Nenhum texto com o estilo especificado foi
encontrado no documento.1.8 Fornalha industrial

c) Vasos separadores

Neste segmento temos: separação gás / líquido (tambores de flash, tambores de


nocaute), líquido / líquido separação (separadores bifásicos), separação líquido / sólido
(filtros, tambores de decantação). Neste caso, de uma forma geral quem comenda é a
velocidade de passagem da mistura no interior do vaso, logo existe, como em todas as
operações uma relação direta entro os parâmetros que devem ser considerados no
dimensionamento e garantidos no controle. Características como diâmetro de partícula
11
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

que irá levar a uma determinada velocidade terminal, diferença de densidade,


granulometria entre outros parâmetros.
Em linhas gerais nestes separadores, os tempos de residência não são elevados, o
volumes da fase líquida deve garantir que as bombas de transferência não cavitem. No
caso da pressão apenas os vasos de flash devem ser avaliados de forma diferente posto
que, nestes casos o propósito é o de separar os leves de uma mistura. Estes cálculos são
avaliados na operação de destilação a seguir mostrada. Os parâmetros de pressão e
temperatura são importantes.
Existem dois tipos de flash, o isotérmico com temperatura controlada e o adiabático
sem controle de temperatura. Assim como comentado em termos de transferência da fase
fluida deve-se garantir que a bomba não ira cavitar.

Figura 1.9 Separador Gás –Liquido (knockout) Figura 1.10 Vaso separador liquido líquido

d) Separadores constituintes com base no equilíbrio vapor-líquido (destilação, tambores


flash, evaporadores)

Também denominada de fracionamento, esta operação está baseada na diferença de


volatilidade. Na destilação uma fase vapor entra em contato com a fase líquida e há
transferência simultânea de massa do liquido para o vapor e vice versa. O liquido está no
seu ponto de bolha e o vapor em equilíbrio no seu ponto de orvalho. O efeito final é o
aumento da concentração do produto mais volátil no vapor e do componente menos volátil
no líquido.

12
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

De uma forma simplificada, a destilação é um sistema composto dos seguintes


equipamentos, um sistema de aquecimento da carga que alimenta a torre, a torre (um vaso
cilíndrico vertical).em linhas gerais, A carga que alimenta a torre, num ponto específico
está no seu ponto de bolha. Normalmente o produto de interesse é o destilado, está
usualmente é totalmente condensado. Parte deste liquido retorna para a torre para garantir
que apenas o produto de interesse saia do sistema, esta etapa, é conhecida como razão de
refluxo interno, um parâmetro de projeto do sistema de destilação. No fundo da torre,
abaixo do chamado ultimo prato temos um prolongamento da torre que é um vaso que
serve como suporte para o sistema de transferência de resíduo da torre e alimenta também
o refervedor, que fornece calor para o sistema. A torre poderá ser de pratos, tipo
convencional ou de recheio estruturado.

Figura1.11 Coluna de pratos

13
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

Atualmente a utilização da destilação foi acoplada a duas outras etapas de um processo,


operando num único sistema, a saber
D1. Destilação Extrativa: Nesta caso a utilização de um solvente tem a finalidade de
extrair um produto facilitando a destilação. O solvente sai junto o resíduo e alimenta
um segunda torre de recuperação retornando ao processo

Figura 1.12 Destilação extrativa

D2. Destilação reativa. Nesta sistema, um catalisador é suportado no interior da torre.


Os insumos são alimentados, reagem no interior da torre e o produto final já é separado
por destilação simultaneamente ao processo reacional

Figura1.13 Destilação extrativa

No caso dos evaporadores, o tratamento é o mesmo apresentado nos caso dos


trocadores de calor. Uma diferenciação está no fato de que os vasos dotados de camisa
onde circula uma utilidade ou com serpentinas internas, podem ser considerados

14
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

evaporadores. Na indústria podemos encontrar sistemas mais sofisticados porém o


princípio é o mesmo, disponibilizar uma área de troca térmica para provocar uma taxa de
evaporação constante.

Figura 1.14 Tipos de evaporadores

A operação de flash pode ser considerada como uma destilação que ocorre em um
único estágio. A finalidade é o de separar por descompressão, com ou sem controle de
temperatura, uma mistura, removendo os produtos leves e concentrando os pesados.

15
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

Figura 1.15 Flash isotérmico Figura 1.16 Flash adiabático

 Estripagem

A Estripagem (stripping) funciona com base na transferência de massa. Esta


operação, por vezes identificada como destilação com arraste a vapor, é utilizada quando,
por características do produto, outras operações tais como
extração/adsorção/absorção/destilação não podem ser utilizados. A ideia é tornar as
condições favoráveis para que o componente A na fase líquida seja transferido para a fase
vapor. Isso envolve uma interface gás-líquido que A deve atravessar. A quantidade total
de A que se moveu entre este limite pode ser definido como o fluxo de A. A estripagem
é essencialmente um processo de destilação em que o produto pesado é a água e o produto
leve é uma mistura de orgânicos voláteis. Esses orgânicos estão presentes na água de
alimentação em concentrações relativamente pequenas. O processo de remoção de vapor
ocorre em altas temperaturas em comparação com a remoção de ar, geralmente muito
perto do ponto de ebulição da água. Como a volatilidade dos orgânicos é uma função
muito forte da temperatura, as altas temperaturas de remoção inerentes à remoção a vapor
permitem a remoção de produtos orgânicos mais pesados e mais solúveis que não podem
ser removidos pelo ar.
Outra característica muito importante da remoção de vapor é o fato de que não é
necessário tratamento com gás e que o único fluxo de resíduos gerado é uma pequena
quantidade de orgânicos muito concentrados. Elas são facilmente tratadas por
incineração, tratamento biológico ou recicladas para processamento.
Em resumo, a remoção de vapor é uma boa solução para fluxos de águas residuais
que contêm compostos orgânicos não voláteis bastante solúveis e onde não é desejada
nenhuma corrente de efluentes gasosos
16
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

Além do vapor com gás de arras podemos utilizar gás inerte. Vários casos práticos
da utilização da estripagem podem ser encontrados na área petroquímica. Processo de
produção de SBR em emulsão, utiliza a estripagem com vapor para a remoção de
monômero residual. Em termos de pratica industrial, na maioria dos processos a
estripagem ocorre em pressão ligeiramente reduzida para evitar, no caso de vapor como
gás de arraste, que ocorra a sua condensação, permitindo que se trabalhe em temperaturas
mais baixas. A pratica indica uma relação molar de 1/10 entre o produto a ser arrastado e
a vazão de gás de arraste.

Figura 1.17 Torre de estripagem Figura 1.18 Torre de estripagem com torre
de recuperação

e) Separadores constituintes com base na força motriz química (absorvedores,


extratores, lixiviação, membranas, adsorção)

E1. Absorsorção / Dessorção.

A Absorção de um gás envolve a transferência de um componente solúvel de uma


fase gasosa, um exemplo clássico na indústria química é a operação ode lavagem de gases
para o lançamento na atmosfera em condições determinadas pela legislação, Varias
empresa utilizam este sistema, chamado também de “scrubber” Em linhas gerais, o
sistema opera com a admissão de gás na base do vaso/torre entrando em contracorrente
com o solvente. Este solvente fica reciclando via bombeio para o topo da torre. A medida
que o solvente vai saturando com o contaminante, parte dele alimenta um sistema de
recuperação e solvente novo (ou recuperado) alimenta o sistema. No caso de tratamento

17
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

de gases para exaustão para atmosfera, sendo o solvente água, está estando saturada é
transferida para a estação de tratamento de efluentes líquidos. O gás exausto é monitorado
na saída para a atmosfera.
Alguns detalhes sobre este sistema, as torres pode ser dotadas de recheio ou podem
possuir bicos atomizadores. O primeiro tipo é utilizado quando não existe material
particulado na fase gasosa, o segundo quando tem. O problema é a aglutinação do material
particulado no recheio, Um outro detalhe, no caso de torres de lavagem de gases para
exaustão, ela normalmente opera em ligeira depressão para garantir que o gás liberado
no processo efetivamente alimente a torre de lavagem.

Figura 1.19 Torre de absorção Figura 1.20 Torre de lavagem (scrubber)

E2. Torres de extração liquido - liquido

Uma mistura liquida pode, às vezes, ser separada pelo contato com um outro
líquido. Os componentes da mistura são solúveis, em diferentes graus no solvente. No
caso ideal, o componente a ser extraído é
solúvel e os demais não. Existem caso onde
podemos utilizar mais de um solvente. Para o
escopo desta apostila, será considerada a
utilização de um único solvente. É importante

Figura 1.21 Esquema de torre de extração notar que como apenas um determinado

18
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

componente é solúvel, existe uma diferença de densidades. Desta forma, para


entendermos o processo de entender a extração liquido- liquido é a de alimentar a carga
(soluto) e o solvente num vaso agitado. A descarga deste vaso irá alimentar um vaso
separador (decantador), Uma fase rica do produto não extraído (Rafinado) será drenada
pelo fundo do decantador e a mistura solvente com o produto de interesse (extrato) sairá
pelo topo do decantador. Como exemplo a extração de contaminantes em óleo
lubrificantes.
Existem vários tipos de torres extratoras, a saber: Com recheio, com agitador, de
pratos. Pulsante, etc.

Figura 1.22 Torre de extração com agitação Figura 1.23 torre de extração pulsante

E3. Torres de extração sólido líquido

Os componentes da fase sólida podem ser separados pela dissolução seletiva da


parte solúvel do sólido por meio de um solvente apropriado. Esta operação também é
chamada de lixiviação ou lavagem. Usualmente o componente de interesse é o solúvel. O
soluto deverá ser recuperado da solução do extrato numa outra separação. Como exemplo
temo o preparo do café ou a recuperação de azeite que fica aderido na semente macerada
da azeitona.

19
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

Figura 1.24 Torre de Figura 1.25 Torre de extração solido liquido


extração solido - liquido

f) Membranas,

De uma forma bastante simplificada podemos entender a utilização das membranas


com uma filtração utilizando-se um meio filtrante extremamente “fino”, sendo necessário
a utilização de pressões elevadas. Atualmente existem vários campos onde a filtração por
membrana é utilizada. Um dos mais conhecidos é a remoção de sais de enxofre utilizados
no tratamento de água salgada em plataformas. Uma outra aplicação está na separação de
gases. O processo utiliza a diferença de pressão forçando a passagem dos elementos mais
“finos” no permeado, ,

Figura 1.26 Cartucho de membranas Figura 1.27 Esquema de unidade de


membranas

g) Adsorção

A adsorção envolve a transferência de um constituinte seja de uma mistura gasosa


ou liquida para uma superfície sólida (adorvente). Em termos de aplicação o campo é
20
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

vasto, por exemplo. A remoção de odores em emissões atmosféricas, a adsorção


utilizando-se carvão ativado é bastante praticada. A remoção de humidade de solventes
para a área petroquímica, é feita com adsorção em zeólitas. Em termos práticos, quanto
utilizamos adsorção para tratamento de líquidos a velocidade de passagem na torre é da
ordem de 1 ft/mim e sendo gás 1 ft/sec.
No mínimo um sistema de adsorção deve ser constituído por duas torres, de modo
que quando um adsorvente entra em fase de regeneração, a segunda torre entra em
operação.

Quanto a regeneração,
existem várias possibilidades, a
saber: passagem de um solvente
ou de um gás aquecido, queima,
etc. O importante a ressaltar é
que a resistência a compressão é
um fator limitante em relação à
altura da torre. Todo o projeto
com unidade de adsorção deverá
sempre considerar a etapa de
dessorção e os equipamentos que
o constituem.

Figura 1.29 Comportamento do leito da torre de adsorção

h) Separadores de constituintes com base no ponto de bolha ou no ponto de


congelamento (condensadores parciais, secadores, fornos, cristalizadores),

i) Condensadores parciais

A utilização de condensadores parciais em sistemas de destilação normalmente


decorre de exigência de processo. De uma forma simplificada, conforme já visto em
21
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

trocadores de calor. Os processos exigem cargas térmicas ajustadas as suas necessidades.


Num trocador para que funcione com condensador parcial, basta que se monitore uma
carga térmica proporcional ao que se deseja condensar. Existem várias formas de se
ajustar a carga térmica indo da variação na vazão de utilidade até a variação na área de
troca térmica disponível. Existem casos também onde nem todos os componentes da fase
gasosa são condensáveis, o que leva a especificação de um condensador parcial.

j) Reatores químicos

Na linha de reatores químicos, existem inúmeros sistemas que podem atender a esta
operação, temos reatores dotados de agitador dotados de sistema de aquecimento e
refrigeração para todo o tipo de reação (exotérmica / endotérmica ou mesmo adiabático),
temos sistemas com catalisadores suportados identificados como leito fixo.
No caso dos vasos com sistema de aquecimento/refrigeração, normalmente suas
dimensões estão atreladas ao tempo de residência estabelecido pelo processo. Assim ao
dimensionar o reator, pode acontecer o seguinte, por força da exotérmica ou endotérmica
da reação, o reator não possuir área de troca térmica disponível que atenda às necessidades
do processo. Neste caso, algumas alternativas devem ser avaliadas tipo reator com
trocador de calor externo com recirculação ou reator com evaporação de um produto, com
retorno do condensado em temperatura inferior a de reação, ente outras alternativas.

Figura 1.30 Reator agitado Figura 1.31 Reator leito fixo Figura 1.32 Esquemas de reatores

22
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS
k) Transferência de momento sólido (transportadores, extrusores).

Manuseio de material sólido tem sua peculiaridade, primeiro temos que conhecer
as características do sólido para poder especificar o sistema mais adequado. O sólido pode
ser “friável” ou seja quebrar com facilidade formando pó, pode ter uma densidade
aparente tal que leva pequenas massas a ocupar volumes grandes, o ângulo de repouso,
em fim as características físico químicas do material.
São armazenados em silos, normalmente com fundo cônico, podem ou não possuir
sistema interno de revolvimento, tipo uma rosca helicoidal para evitar que ocorra a
estratificação por conta da variação na distribuição granulométrica. No passar eram
utilizados sistemas de vibração para evitar a agregação no bocal de descarga, atualmente
utiliza-se pulso de ar quando ocorre este problema. Os silos são atmosféricos, podendo
ou não p ter ciclones internos para evitar a perda de finos durante a operação de
recebimento de material.

Figura 1.33 Silos de armazenamento com transportador de rosca Figura 1.34 Silos de armazenamento

Uma atenção especial deve ser dada a questão de segurança. Material orgânico em
pó é inflamável, podendo incendiar ou causar uma explosão

23
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

Figura 1.35 Detalhe de fogo em silo de armazenamento

No que se refere a forma de transporte, sempre será função da capacidade,


Internamente a fábrica o usual é o transporte pneumático mas, conforme já comentado,
depende do material. Esteiras transportadoras, elevadores de caneca, roscas
transportadoras, sistemas vibratórios, etc. são os sistemas usuais. Válvulas rotativas são
utilizadas na interligação entre os silos e os dispositivos de transporte fazendo a
movimentação do material

Figura1.36 Esquema de Transporte pneumático Figura1.37 Detalhe de


sistema de transporte
pneumático

Figura1.38 Válvula rotativa para pó


Figura 1.39 conjunto de válvula rotativa

24
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

Figura 1.40 Rosca transportadora Figura 1.41 Transportador de canecos

1.3 Conclusão do capítulo

Dentro da proposta desta apostila, acima foi apresentado um apanhado geral dos
tipos de processo e das principais operações unitárias que, associadas, formam o processo
propriamente dito não foi proposta deste capítulo nem da apostila, entrar no detalhe das
respectivas operações unitárias, apensa sensibilizar o leitor a entender um pouco melhor
as referidas operações permitindo que, conforme será mostrado no próximo capitulo,
consiga identificar as variáveis que devem ser consideradas par o estabelecimento de
um sistema de controle mínimo e os respectivos instrumentos que irão compor o laço
de controle.

1.4 Bibliografia recomendada.

FOUST, A.S., WENZEL, L. A., CLUMP, C.W., MAUS, L., ANDERSEN, L.B.
Princípio das Operações Unitárias. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Dois, 1982.
GEANKOPLIS, C.J. Processos de transporte y princípios de processos de
separación. Compañía Editorial Continental, 2006.
PERRY, R.H., CHILTON, C.H. Manual de Engenharia Química. 5a ed., Guanabara
Dois, Rio de Janeiro, 1986.
BARBOSA-CANOVAS, Unit operations in food engineering, 2002.

25
INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

UMA VISÃO PRATICA APLICADA A ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIA


DE CONTROLE E SELEÇÃO DE INSTRUMENTOS

MCCABE, W.L.; SMITH, J.C., HARRIOTT, P., Unit operations of chemical


engineering, Boston: McGraw-Hill, 2005.
STEFFE, J.F., Rheological methods in food process engineering, East Lansing, MI:
Freeman Press, 1996.
TELLES, P.C.S., Tubulações industriais: materiais, projeto, montagem - Rio de
Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2001.
JUNIOR, J.; FERNANDES, C., Agitação e mistura na indústria, Rio de Janeiro :
LTC, 2007.
BARBOSA-CANOVAS, G., et al., Food powders: physical properties, processing,
and functionality, New York: Kluwer Academic/Plenum Publishers, 2005.
RAO, M.A.; RIZVI, S.S.H., Engineering properties of foods, New York: Dekker,
1995.
MACINTYRE, A.J.; Equipamentos industriais e de processo. Rio de Janeiro, LTC,
1997.

26

Você também pode gostar