INSTITUTO CUIABANO DE EDUCAÇÃO FACULDADES INTEGRADAS MATO-GROSSENSES DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

FLUXO DE CAIXA NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

EVARISTO DE ARRUDA E SILVA NETO

CUIABÁ

2005

EVARISTO DE ARRUDA E SILVA NETO

FLUXO DE CAIXA NAS MICROS E PEQUENAS EMPRESAS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca examinadora do curso de Ciências Contábeis das Faculdades Mato-Grossenses de Ciências Sociais e Humanas como requisito parcial para a conclusão do Curso de Graduação em Ciências Contábeis. Prof. Eliberto Francisco da Cruz - Orientador

CUIABÁ

2005

FLUXO DE CAIXA NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Por EVARISTO DE ARRUDA E SILVA NETO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à banca Examinadora do Curso de Ciências Contábeis das
Faculdades Mato-Grossenses de Ciências Sociais e

Humanas, como requisito parcial para conclusão do Curso de Graduação em Ciências Contábeis.

Presidente: Prof. Eliberto Francisco da Cruz Membro: __________________________ Membro: __________________________

pelo companheirismo durante a nossa caminhada. Enfim. pelo incentivo para que chegasse ao término deste trabalho. Luiz e Benedita (in memorian). que me deram o ensinamento da vida. . pela dedicação que demonstrou durante a orientação desta monografia. dando-me força todos os dias de minha vida. Ao meu orientador Profº. por me acompanhar. para que eu tivesse a força em continuar nessa vida mostrando tudo o que deve ser feito com dignidade. agradeço a todas as pessoas que direta ou indiretamente colaboraram. Aos meus amigos e colegas de curso.AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar a Deus. Aos professores do curso de Ciências Contábeis. Aos meus pais. honestidade e fidelidade. Eriberto. A minha esposa Valéria. pela dedicação e transmissão de conhecimento.

.DEDICATÓRIA A minha esposa Valéria e a minha mãe Benedita.(in memorian).

a fim de salvaguardar a atividade empresarial e alcançar o objetivo almejado pela empresa. implementação do fluxo de caixa em MPEs. verifica-se uma crescente necessidade das empresas em buscarem instrumentos que as auxiliem no planejamento e controle de seus recursos para que estes sejam usados de maneira adequada. características. importância do planejamento. tendo como base artigos. vantagens e desvantagens. Seu objetivo principal é enfatizar a importância do demonstrativo de Fluxo de Caixa como ferramenta para os gestores obterem eficiência na administração financeira de sua empresa. Assim sendo. em virtude da complexidade da economia. buscamos comentar os mecanismos de elaboração. Finalizando. seus objetivos. conseqüências e apresentando medidas de saneamento para este desequilíbrio. O sucesso empresarial demanda cada vez mais o uso de práticas financeiras apropriadas. caracterizando as situações de equilíbrio e desequilíbrio financeiro. A realidade aponta para gestores sedentos por informações relevantes que irão auxiliar seu processo decisório. informações para elaborar o fluxo de caixa e sua forma de apresentação. apresentamos a necessidade de uma gestão financeira . iniciamos ressaltando a importância do planejamento financeiro e definindo fluxo de caixa. . livros e dissertações. da expansão e competitividade dos mercados. Palavras chaves: planejamento. seus sintomas. controle. o fluxo de caixa. causas. Num segundo momento.RESUMO No contexto mundial. o trabalho ora intitulado: A Importância do Fluxo de Caixa nas micro e pequenas empresas. foi elaborado através de pesquisa bibliográfica e exploratória sobre o assunto em questão. Para tanto. decisão. para ressaltar sua importância no processo empresarial.

............................................1 Equilíbrio financeiro................... 1 2 CAPITULO II .................. 1 1...........................................................................................2..........................................................................................................................................................................................................................................FLUXO DE CAIXA: UMA FERRAMENTA GERENCIAL.........3 Características do Fluxo de Caixa.... 8 1 CAPITULO I – INTRODUÇÃO..............SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS..........................5 Justificativa.................................................................... 0 1.... 1 1......................................................................................2 Causas do desequilíbrio financeiro.......6................................... 1 2...............................2 2.......................................2........................................................1........................5 2...................................................................... 0 LISTA DE TABELAS.............................6.....................................................................................................................................................................................................................2 Objetivo Geral......1 Sintomas do desequilíbrio financeiro..........................................................1 ... 0 1....................6 Equilíbrio e Desequilíbrio Financeiro.......................................................1 Conceitos do Fluxo de Caixa....................................................................... 1 2.........6 Metodologia.................. 2 2.................... 9 1.................1 Problema............1 Características do equilíbrio financeiro...............5 Fatores que Afetam o Fluxo de Caixa..............................6........6...................................................... 4 2................................ 3 2........................................3 Objetivo Especifico......... 1 2........6...................................................................................2 Objetivos do Fluxo de Caixa................... 1 1..................................................................4 Delimitação do Estudo..........................4 Vantagens e Desvantagens do Fluxo de Caixa....... 1 2.......................... 3 2............. 1 2....................................................2 O desequilíbrio financeiro...

.....7............................... 2 8 2 9 ....................2 3..............4 Medidas de Saneamento Financeiro.... 5 2.....2 Método Direto............................6 Implantação do Fluxo de Caixa......1 Planejamento........................2 3........................................................... 1 3 CAPITULO III .........................................1 Método Indireto............................................7 Forma de apresentação do Fluxo de Caixa................... 1 3.......................................................3 Informações preliminares para elaborar-se o Fluxo de Caixa...............................................6....................................................3 Conseqüências do desequilíbrio financeiro.................................... 6 4.................................................... 2 3...............MECANISMOS DE ELABORAÇAO DO FLUXO DE CAIXA................................................1 Fluxo de Caixa Operacional..................... 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................7.........................................2 3............2 Fluxo de Caixa Extra-Operacional..................................2............. 5 2 4.............. 2 4......................................................................................................2 3........0 3......................................................................................................6...............................................2 O fluxo de caixa em MPE's........................................................ 6 3.........................................4 Requisitos Básicos para o Planejamento do Fluxo de Caixa........ 7 4.6.5 Requisitos Básicos para a Implantação do Fluxo de Caixa.........................................2.2.....................................................................2 CONCLUSÃO..........1 A necessidade de uma gestão financeira nas MPE's...............2 Importância do Planejamento. 2 3................................................................................1 3............................................................ 7 3........ 2 4 CAPITULO IV .....................6....................2........O FLUXO DE CAIXA COMO FERRAMENTA DE TOMADA DE DECISÃO NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS......2.........................................1 Etapas para a Implementação do Fluxo de Caixa em MPE's.............2 Importância do Fluxo de Caixa para MPE's...........................

3 0 3 0 3 1 3 4 3 5 3 6 3 7 3 7 3 8 3 8 3 9 4 0 .

.................. 38 .... 20 FIGURA 3: Fluxo de Caixa........4 2 4 2 4 3 4 4 4 5 4 8 5 1 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: Característica do fluxo de caixa...................................................................................................................................... 21 FIGURA 4: Fluxograma.................................................................... 19 FIGURA 2: Forma simples do fluxo de caixa.........................................................

.......................................................45 ................................... 44 TABELA 2: Fluxo de Caixa – Método Direto...................LISTA DE TABELAS TABELA 1: Fluxo de Caixa – Método Indireto..

principalmente as micro e pequenas empresas que precisam adaptar-se e pensarem em alternativas para permanecerem no mercado.INTRODUÇÃO Inúmeras são as empresas que surgem com grandes potencialidades. Contudo. embora tenham todas estas premissas a seu favor acabam não traduzindo seus resultados de forma a satisfazer as expectativas de seus empreendedores. com um promissor mercado a ser conquistado.CAPITULO I . As estatísticas revelam que boa parte das empresas que surgem no mercado encerra suas atividades já no primeiro ano de existência. Atingem esse .

O propósito desta pesquisa é ressaltar a importância do fluxo de caixa no contexto empresarial como instrumento para a eficiência da administração financeira das micro e pequenas empresas. a empresa deve dispor de um suporte de informações que lhe serão úteis para a realização dos planejamentos necessários. Essas informações são fornecidas através dos demonstrativos do Fluxo de Caixa. Para tal. O grande responsável por este desagradável panorama é o próprio empresário. permitindo. prolongam esta melancólica aventura empresarial. de maneira a salvaguardar e dar condições para que seu projeto possa se desenvolver financeiramente de maneira equilibrada e harmoniosa. através de empréstimos descabidos que apenas aumentam o endividamento da entidade e consolidam a situação terminal da empresa. pelo descaso com que trata o planejamento financeiro. Neles estão contidos todos os acontecimentos que modificam e regem o patrimônio da empresa. Informações relevantes são de suma importância neste contexto. bem como informações sobre sua atual condição no mercado onde está inserida. visando a otimizar ou projetar situações financeiras futuras. A solução está em realizar alguns procedimentos de maneira lógica e responsável. É através delas que os gestores conseguem identificar tanto as oportunidades quanto as ameaças que o ambiente oferece à empresa.tempo de duração porque seus proprietários. tanto no âmbito interno . aliado à ausência de uma política de administração dos recursos financeiros da empresa. por despreparo e desconhecimento de uma gestão financeira. Todas essas adversidades podem ser previstas e perfeitamente administradas desde que seja feito um planejamento.

equilíbrio financeiro e desequilíbrio financeiro. sintomas. objetivos. definição do problema. o acesso às informações para uma adequada tomada de decisões. através de embasamento teórico sobre o assunto em questão. Mais especificamente serão abordados os conceitos. uma vez que no fluxo de caixa estão refletidos os ingressos e egressos de caixa da empresa em determinado período. causas e conseqüências do desequilíbrio financeiro. requisitos para implantação e planejamento. objetivo geral. objetivo específicos. suas considerações. importância do planejamento. justificativa e metodologia. delimitação do estudo. do mesmo e a sua forma de apresentação . ressaltando os fatores que afetam o fluxo de caixa. salvaguardando seu equilíbrio financeiro. Essa pesquisa foi dividida em 4 capítulos. as características e as informações que podem ser extraídas desses demonstrativos. No terceiro capítulo. de forma ampla. onde no primeiro é a introdução. a necessidade de se fazer uso do fluxo de caixa no auxílio ao gerenciamento de recursos e tomada de decisões nas empresas. foram abordados os mecanismos de elaboração do fluxo de caixa. No segundo capitulo foram relacionadas as vantagens e desvantagens do fluxo de caixa. informações para elaborar o fluxo de caixa. busca-se.quanto externo. demonstrar. e as medidas de saneamento financeiro. Assim sendo. A análise das informações contidas no fluxo de caixa permite a empresa e aos usuários destas informações tomarem suas decisões no sentido de otimizar o gerenciamento de seus recursos e desenvolver suas atividades.

pois.2 Objetivo Geral Tem por finalidade apresentar uma visão geral das ferramentas de gestão financeira na administração do fluxo de caixa. tendo o publico alvo as micro e pequenas empresas. o fluxo de caixa. etapas para implementação.1 Problema Hoje o planejamento financeiro dentro das empresas passou a ser obrigatório. 1.3 Objetivo Especifico . Espera-se que a realização desta pesquisa possa ser útil para que as empresas e seus gestores se convençam da necessidade do uso de ferramentas que possam servir de base para o processo decisório da entidade. comenta-se sobre o fluxo de caixa como ferramenta de tomada de decisão nas micro e pequenas empresas. 1. ressaltando a necessidade de uma gestão financeira nas MPEs. sem o mesmo não tem como se analisar a saúde financeira da entidade. e a importância do fluxo de caixa para MPEs. sendo assim: Qual a importância da utilização do fluxo de caixa das micro e pequenas empresas? Qual a vantagem da utilização do fluxo de caixa nas micro e pequenas empresas? 1.No quarto capítulo.

Empregar de forma eficaz os recursos disponíveis.Relatar de forma ampla que possibilite organizar registro e obter informações gerencias adequada. Buscar o equilíbrio financeiro entre os fluxos de entradas e saídas de recursos. podendo assim cada vez mais aumentar a sua carteira. pois independente do ramo de atividade no qual a empresa está inserida. o fluxo de caixa. 1. prazos médios e necessidade de capital de giro. É sabido que uma empresa bem estrutura financeiramente.4 Delimitação do Estudo Este trabalho versará sobre assuntos de extrema importância para a empresa. evitar . evitando que fiquem se remuneração. com isso. Planejar e controlar os recursos financeiros em termos das entradas e saídas. índices de atividades. Utilizando as mesmas informações. onde pode. tem maiores possibilidades de negociar prazo junto o seus clientes. pode a empresa avaliar sua flexibilidade para negociação com fornecedores. por saber quais são seus limites para atuação. Proporcionar o levantamento das necessidades de recursos financeiros para a realização das transações definidas no planejamento da micro e pequena empresa. necessita fazer uso desta ferramenta para melhor administrar seus recursos financeiros. através de análise e controle das atividades de planejamento de vendas e despesas.

encargos financeiros fazendo compras à vista ou, até mesmo, viabilizar prazos mais esticados para pagamentos, evitando desembolsos altos em data de baixo ingresso.

1.5 Justificativa

Contextos econômicos modernos de concorrência de mercado exigem das empresas maior eficiência na gestão financeira de seus recursos, não cabendo indecisões sobre o que fazer com eles. Em verdade, a atividade financeira de uma empresa requer acompanhamento permanente de seus resultados, de maneira a avaliar seu desempenho, bem como proceder aos ajustes e correções necessários. O objetivo básico da função financeira é prover a empresa de recursos de caixa suficientes de modo a respeitar os vários compromissos assumidos e promover a maximização de seus lucros. Neste contexto que se destaca o Fluxo de Caixa como um instrumento que possibilita o planejamento e o controle dos recursos financeiros de uma empresa. Gerencialmente, é indispensável ainda em todo o processo de tomada de decisões financeiras.

1.6 Metodologia

O desenvolvimento do trabalho foi baseado em pesquisa bibliográficas de diversos autores que escrevem sobre o tema em discursão, buscando sempre demonstrar através de método, modelo e formula o assunto em questão.

2 - CAPITULO II - FLUXO DE CAIXA:UMA FERRAMENTA GERENCIAL
2.1 Conceitos do Fluxo de Caixa

O Fluxo de Caixa demonstra tanto o passado como o futuro, o que permite projetar o dia-a-dia, a evolução do disponível de forma que se possa tomar medidas cabíveis com antecedência para evitar a escassez ou o excesso de caixa. Campos Filho (apud Jucius e Schelender, 1996, p.50), define que: fluxo de caixa é o instrumento de controle que permite gerenciar, no dia-a-dia, as disponibilidades dos recursos e os compromissos da empresa, possibilitando a

administração de caixa, o planejamento das aplicações financeiras e garantindo a visualização antecipada dos recursos. O Fluxo de Caixa, para Matarazzo (1998, p. 368) consiste na representação da situação financeira de uma empresa, levando em conta todas as fontes de recursos e todas as aplicações na atividade produtiva, bem como em investimentos. A curto prazo para fins de capital de giro e a longo prazo, para fins de investimento em itens do ativo permanente. A demonstração do fluxo de caixa é peça imprescindível na mais elementar atividade empresarial e mesmo para pessoas físicas que se dedicam a algum negócio. Segundo Assaf (1998, p. 01), o fluxo de caixa mede as necessidades futuras de recursos, a capacidade de pagamentos pontual dos compromissos assumidos, bem como a disponibilidade para investimentos. Isso mostra que o fluxo de caixa não pode ser dispensado em nenhuma atividade econômica, sendo peça fundamental para que se possa projetar as futuras operações financeiras, sempre objetivando o lucro.

2.2 Objetivos do Fluxo de Caixa

O principal objetivo do fluxo de caixa é a projeção das entradas e saídas de recursos financeiros para determinado período, tornando possível analisar a necessidade de captar empréstimos ou aplicar excedentes de caixa nas operações mais rentáveis para a empresa.
“O fluxo de caixa descreve as diversas movimentações financeiras da empresa em determinado período de tempo, e sua administração tem por objetivo preservar uma liquidez imediata essencial à manutenção das atividades as empresa. (ASSAF NETO; SILVA; 1998, p. 36)”.

esse equilíbrio propiciará à empresa alcançar seus objetivos em termos de rentabilidade de seus investimentos e lucratividade de seus negócios. 41). Com estas informações. d) empréstimos e financiamentos: permite estudar um programa saudável de empréstimos e financiamentos. e) Resgates de débitos: projeta um plano efetivo de resgate de débitos. h) recursos: determina quanto de recursos próprios a empresa dispõe em dado período e analisa a conveniência do comprometimento desses recursos. g) planejamento: planeja os egressos de acordo com as disponibilidades de caixa. c) excedentes de caixa: verifica a possibilidade de aplicar possíveis excedentes de caixa. . ou seja. b) nível de caixa: fixa o nível de caixa. i) intercâmbio entre departamentos: proporciona o intercâmbio entre diversos departamentos da empresa com a área financeira. f) programação: permite programar os ingressos e egressos de caixa. em termos de capital de giro. a saber: a) Linha de crédito: facilita a análise e o cálculo na seleção das linhas de crédito. relaciona-se o mais importante objetivo do fluxo de caixa. caberá ao gestor financeiro analisar como a empresa deverá se comportar no período.De acordo com Zdanowicz (1998. a função principal do administrador é assegurar o controle financeiro da empresa. Assim ele proporcionará o equilíbrio entre as entradas e saídas de caixa. p.

fluxo de recursos financeiros. fornecendo informações corretas e objetivas ao gestor financeiro. ele valese do disponível. 25) da seguinte maneira: Tesoureiro Dinheiro Duplicata Caixa Bancos Aplicações No Mercado Financeiro A Receber A Pagar Figura 01: Característica do fluxo de caixa Fonte: Zdanowicz (1998. fluxo de capitais. maneja o numerário e as duplicatas. Pode-se caracterizar o fluxo de caixa conforme Zdanowicz (1998. p. Para desempenhar estas funções. fluxo monetário e movimento de caixa. .3 Características do Fluxo de Caixa O termo fluxo de caixa é também conhecido pela expressão inglesa cash flow. quando da elaboração de seu fluxo de caixa e de orçamento financeiro.Para que isso ocorra de forma perfeita é de suma importância a participação de todos os setores da empresa. 25) O tesoureiro guarda os valores monetários. p. 2. mas outras denominações são utilizadas: orçamento de caixa. da circulação do dinheiro.

dinheiro e segurança que este representa no mercado. bancos e administrações financeiras de resgate imediato da empresa. ingressam no caixa e de que forma eles são desembolsados. n Figura 02: Forma simples do fluxo de caixa Fonte: Zdanowicz (1998. Procura-se administrar financeiramente. de representar-se o fluxo de caixa. 26)”. pois somente através desse conhecimento pode-se realizar as análises do fluxo destes recursos no caixa da empresa. Venda à vista Venda a prazo Ao caracterizar-se o fluxo de caixa. o montante de dinheiro vivo existe na Recursos de empresa e reduzido. mais simples.. e por si so. através do fluxo de caixa. 25). facilidade de conversão em escritural. Ativo Permanente Investimento amortizações Custos de operações Mercado Financeiro CAIXA INGRESSOS .. uma reserva. (ZADANOWICZ.. está disposta a seguir: CAIXA Ingressos Desembolsos 1 2 3 4 5 6 . p. consiste no fluxo do disponível. para muitas empresas. “A conta caixa constitui-se hoje. que DESEMBOLSOS caracterizam o fluxo financeiro de uma empresa. as transações econômicoRecursos terceiros financeiras realizadas pelas empresas são através de moeda Próprios o cheque. em síntese. p.Outra forma. um fundo de caixa para pagar pequenas despesas. deve-se conhecer quais são os tipos de recursos que. Atualmente. pela aceitação . n 1 2 3 4 5 6 . ou melhor. as seguintes contas: caixa. normalmente. Estas são as principais entradas e saídas financeiras de caixa.. 1998.

27). empréstimos e resgates de aplicações no mercado financeiro.4 Vantagens e Desvantagens do Fluxo de Caixa . 2. nota-se que os desembolsos de caixa podem ser para: financiar o ciclo operacional da empresa. vendas de itens do ativo imobilizado. amortizar os empréstimos ou financiamentos captados pela empresa e investir em itens do ativo permanente ou aplicar no mercado financeiro. receitas de aluguéis. p. Por outro lado. recebimentos de vendas a prazo. (1998.Figura 03: Fluxo de Caixa Fonte: Zdanowicz. aumentos de capital social. Os principais ingressos no caixa são: vendas à vista.

Uma de suas principais finalidades do Fluxo de Caixa é indicar à empresa sua real condição de pagamento das dívidas. contudo. p. Além destas. em decorrência. a necessidade de obter recursos externos. os problemas de caixa que poderão surgir devido à redução de ingressos e aumento do volume de egressos e. . d) possibilita à empresa fazer uso de suas disponibilidades de caixa de maneira racional e mais lucrativa possível. Com isso o administrador financeiro tem a possibilidade de estimar. inúmeras vantagens. 284) são as seguintes: a) Permite programar os ingressos e egressos de caixa. pode-se dizer que o fluxo de caixa apresenta. g) projeta as necessidades financeiras futuras. f) instrumento fundamental no processo decisório da empresa. ele obriga a empresa a planejar e a controlar seus recursos financeiros. acarretar problemas financeiros para a empresa. independentemente do método utilizado. Algumas vantagens da utilização do fluxo de caixa conforme Zdanowicz (1998. c) auxilia na verificação dos períodos em que a empresa terá excedentes de caixa. sem comprometer sua liquidez. também. sem. permitindo que se busquem alternativas de suprimento de caixa mais rápidas e em tempo hábil. há inúmeras outras finalidades e. com a devida antecedência. por conseqüência. e) através da elaboração do fluxo de caixa. b) demonstra o momento adequado para as retiradas de caixa.

Mas. são as seguintes: . efetivamente. 2. i) possibilita a interligação entre os vários setores da empresa com setor financeiro. b) deve ser elaborado com base em informações confiáveis e corretas e caso não o seja. conforme Zdanowicz (1998. As principais causas que podem afetar os recursos da empresa. Apesar das vantagens do fluxo de caixa. sua utilidade torna-se inválida.h) é considerado de fácil entendimento pelos usuários. permitindo aprimorar a comunicação contabilidade-usuário. p. provocando sua escassez. o Fluxo de Caixa não deve ser enfocado como uma preocupação exclusiva da área financeira. 42). deve haver comprometimento de todos os setores empresariais com os resultado líquidos de caixa.5 Fatores que Afetam o Fluxo de Caixa A ausência de recursos na empresa afeta consideravelmente todo seu processo operacional e conseqüentemente a conduz a uma situação financeira desagradável. também podem ser listadas algumas desvantagens. perde sua função gerencial. Segundo Assaf Neto e Silva (1998. p. quando necessárias. segundo Zdanowicz (1998. c) sua análise é fundamental: se a empresa não tiver percepção de seu fluxo de caixa para adotar ações corretivas.45). p. 285) como: a) É tão manipulável como qualquer outra informação contábil.

g) capital fixo: sub-ocupação temporária do capital fixo. os fatores externos podem ser assim relacionados: em função de . devido a limitações de mercado ou insuficiência de capital de giro. em função dos prazos de vendas e de compras. c) prazo de venda: ampliação exagerada dos prazos de vendas pela empresa. d) necessidade de compras: maior necessidade de compras de porte. exigindo maiores disponibilidades de caixa. ocasionando um aumento do grau de endividamento da empresa. além das disponibilidades de caixa. ou seja. Segundo Zdanowicz (1998. e) recebimento versus pagamento: diferenças acentuadas na velocidade dos ciclos de recebimentos e pagamentos. f) rotação do estoque: baixa velocidade na rotação de estoques e nos processos de produção. p. b) insuficiência de capital próprio: insuficiência de capital próprio e utilização em proporção excessiva do capital de terceiros. h) lucros: distribuição de lucros. 43).a) Superexpansão: expansão descontrolada das vendas. implicando maior volume de compras e de custos pela empresa. i) custos financeiros: altos custos financeiros planejamento e controle de caixa irregular. de caráter cíclico ou para reserva. Constantemente. para conquistar o mercado. existem fatores de origem interna e externa que influenciam diretamente a composição de seu saldo. o caixa da empresa sofre oscilações.

ou seja. 43). vendas. O equilíbrio financeiro surge quando a empresa mantém um volume de negócios elevados com capitais reduzidos. g) inadimplência. 2. pessoal.6 Equilíbrio e Desequilíbrio Financeiro O Equilíbrio financeiro é de fundamental importância para saber como a empresa se apresenta e planeja possíveis situações para que a empresa não tenha decaída. que seus gestores tenham controle de sua situação financeira. Ao que se refere aos fatores internos Zdanowicz (1998. f) alterações nas alíquotas de impostos. c) elevação do nível de preços. compras. afirma que é importante que o administrador financeiro seja capaz de reconhecer as conseqüências financeiras das alterações nas políticas de produção.a) Declínio das vendas. b) expansão ou retração do mercado. e) inflação. 2. distribuição. p. etc. para preservar seu equilíbrio financeiro e planejar ações que .1 Equilíbrio financeiro É fundamental.6. em todas as empresas. estejam cientes de como a empresa se apresenta. d) concorrência.

para viabilizar seus negócios e obter o retorno econômico do investimento realizado. podendo levar a empresa a uma situação de insolvência. identificada como aqueles capazes de serem convertidos em caixa. identificadas pelas disponibilidades. O capital de giro tem participação relevante no desempenho operacional das empresas. 15)”. o capital de giro representa os recursos demandados por uma empresa para financiar suas necessidades operacionais identificadas desde a aquisição de matérias-primas (ou mercadorias) até o recebimento pela venda do produto acabado (ASSAF NETO. 1999. p. ou seja. assegurar a compatibilização entre as saídas de caixa para honrar as obrigações assumidas e os ingressos de recursos provenientes de produtos e serviços. “Num sentido mais amplo. O capital de giro ou capital circulante é representado pelo ativo circulante. valores a receber e estoques. “A função do administrador responsável pela gestão de caixa é assegurar o equilíbrio financeiro da empresa. no prazo máximo de um ano. fazse necessário comentar sobre o capital de giro. (CREPALDI.possam corrigir possíveis situações capazes de fazer com que a empresa não sofra problemas financeiros graves que possam levá-la à falência. já que este está profundamente inserido no contexto das decisões financeiras das empresas. Pode ser obtido pela diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante.1998. Ou seja. Empresas que mantêm um capital de giro adequado estão financeiramente mais preparadas. p. sendo que a má administração do mesmo provoca sérios problemas financeiros. O termo giro refere-se aos recursos correntes (curto prazo) da empresa. 261)”. . pelas aplicações correntes. Para melhor entendimento do equilíbrio financeiro nas empresas.

maior morosidade no recebimento de clientes. recursos do disponível em trânsito e maiores vendas em certos meses do ano. Para isso. a empresa deve procurar a eficiência na gestão de recursos. o capital de giro pode ser dividido em dois segmentos: capital de giro fixo(ou permanente) e capital de giro variável(ou sazonal). É o que se observa a seguir: a) capital de giro permanente: refere-se ao volume mínimo necessário de ativo circulante. Administrar o capital de giro significa administrar as contas dos elementos de giro. venda e cobrança não serem sincronizadas entre si. de forma consistente com os objetivos da . b) capital de giro sazonal: é definida pelas necessidades adicionais e temporais de recursos verificadas em determinados períodos e motivadas. por compras antecipadas de estoque. é importante a empresa ter conhecimento das evoluções destas atividades como forma de dimensionar mais adequadamente o investimento necessário em capital de giro e efetivar seu controle. 15). Para tal. dos ativos e passivos circulantes e suas interrelações. critério de gerenciamento de caixa e estrutura dos passivos circulantes. ou seja. Por promoverem variações temporais no circulante é que são denominadas sazonais ou variáveis. principalmente. Conforme Assaf Neto (1998. p. para manter a empresa em condições normais de funcionamento. devem ser avaliados os níveis adequados de estoques. maximizando seus retornos e minimizando seus custos.Pelo fato de as atividades de produção. os investimentos em créditos a clientes.

p. . 24)”. 43) são os seguintes: a) Capital próprio tende a aumentar. o equilíbrio financeiro exige vinculação entre a liquidez dos ativos e os desembolsos demandados pelos passivos. p.6. “O conceito de equilíbrio financeiro de uma empresa é verificado quando suas obrigações financeiras se encontram lastreadas em ativos com prazos de conversão em caixa similares aos dos passivos. em relação ao capital de terceiros. (ASSAF NETO. b) rentabilidade do capital é satisfatória. Uma opção para que a empresa se mantenha em equilíbrio financeiro é utilizar os recursos de longo prazo para cobrir o capital de giro permanente.1. nem é insuficiente para o volume necessário de produção e de comercialização. c) menor necessidade de capital de giro. e) os prazos médios de recebimentos e de pagamentos tendem a estabilizar-se. O capital de giro em um nível satisfatório é um dos fatores que faz com que a empresa se mantenha em equilíbrio financeiro. f) não há imobilizações excessivas de capital.empresa e tendo por base a manutenção de determinado nível de rentabilidade e liquidez. 2. d) há uma tendência a aumentar a rotação de estoques.1 Características do equilíbrio financeiro Além do nível satisfatório de capital circulante. deixando o passivo circulante para financiar as necessidades sazonais dos ativos correntes. outras características identificam empresas em situação de equilíbrio financeiro para Zdanowicz (1998. 1998. Em outras palavras.

6. p. a empresa pratica vendas acima de sua capacidade de sustentação dos capitais próprios. normalmente durante ciclos de maior prosperidade e maiores taxas de inflação. mantém um volume de negócios elevados com capitais reduzidos. porque esta unidade adicional está sendo financiada por recursos onerosos. ser definido como Overtrading ou Superexpansão. Estando em situação de Overtrading. “Caracteriza-se por uma situação de exagerada expansão de planta. O desequilíbrio surge quando a empresa tenta negociar mais que a capacidade financeira. normalmente financiada em grande parte por capitais de terceiros. também. 1995. Estar em situação de Overtrading significa dizer que as fontes operacionais não cobrem os acréscimos da necessidade de capital de giro (NCG). (IUDÍCIBUS. a empresa promove vendas em nível superior ao suporte dos financiamentos inerentes ao ciclo operacional e com isso precisa buscar o complemento necessário em fontes alternativas onerosas. 2. o . instalações e equipamentos da empresa. Cada empresa tem uma certa capacidade de manter um determinado volume de negócios a que ela não deve transpor sob pena de sofrer duras e indesejáveis conseqüências. 221)”.g) não há falta de produtos prontos ou mercadorias para o atendimento das vendas. mais prejuízo é gerado. ainda. sendo que a cada unidade vendida. ou.2 O desequilíbrio financeiro O desequilíbrio financeiro pode. a qual não corresponde uma adequada expansão do volume de negócios.

o que resulta em uma possível falência. gratificações. a situação financeira da empresa entra em crise. e) aumento de dívidas desproporcionais em relação ao aumento de contas a receber. Se o Overtrading se concretizar e não for sustado a tempo por medidas drásticas de controle interno.1 Sintomas do desequilíbrio financeiro O desequilíbrio financeiro apresenta os seguintes sintomas segundo Zdanowicz (2000. f) recurso sistemático ao crédito a curto prazo (pagamentos excessivos de juros. 2. implicando descapitalização). d) aumento do passivo circulante. . ou prazos médios de recebimentos superiores ao de pagamento. p.que pode provocar uma redução da lucratividade unitária e global por unidade vendida.6.2. 44) são eles: a) Insuficiência crônica de caixa. dividendos. b) a constatação da rotação do capital de trabalho em relação às vendas. j) perda do controle empresarial. g) obtenção de prejuízos por não conhecimento do seu verdadeiro custo. h) sensação de esforço desmedido. c) diminuição de disponibilidades. A morte empresarial se dá pelo desequilíbrio econômico-financeiro. i) sensação de quebra repentina.

2.2.2 Causas do desequilíbrio financeiro São inúmeros os motivos para que o desequilíbrio financeiro se instale. São causas internas: a) Excesso de investimentos em estoque. Necessidade de estoques forçados. p. 2. São causas externas: a) b) c) Inflação e alta de preços. c) aumento desmesurado das despesas financeiras como conseqüência do grande volume de recursos tomados por empréstimos. b) excesso de imobilizações.2. Zdanowicz (1998. apesar da inexistência de receita adequada. escassez de capital de gira e difícil situação financeira. também. 45) relata que as causas podem ser de dois tipos: internas e externas. sem a compensação de um aumento expressivo nas vendas. significando. d) decréscimo na relação Patrimônio Líquido/Ativo Permanente.6. e) tendência à continuidade de certas despesas fixas e encargos.6. o que deteriora ainda mais a situação.3 Conseqüências do desequilíbrio financeiro . Aumento desmesurado dos impostos.

2. Falência. Adequação do nível de operações ao de . apresenta as seguintes medidas de saneamento: a) Aumento do Capital próprio através da entrada de novos sócios ou do reinvestimento dos lucros. p. Tensões Internas.2. p. as quais são relatadas abaixo: a) b) c) d) e) Vulnerabilidade ante as flutuações de mercado.Uma vez detectados os sintomas e as causas do desequilíbrio financeiro.6. Concordata. segundo Zdanowicz (2000.4 Medidas de Saneamento Financeiro Após identificar todas as conseqüências relacionadas ao desequilíbrio financeiro. b) c) recursos disponíveis. Planejamento e controle financeiros. d) operacionais. Atrasos nos pagamento de dívidas. a empresa pode adotar algumas medidas de saneamento para reverter a situação. 44). e) f) Desmobilização de recursos ociosos. Zdanowicz (2000. 44) . Contenção dos custos e despesas Redução do ritmo das atividades operacionais. a empresa terá conseqüências.

3 CAPITULO III . a fim . A proposta é dispor de um mecanismo seguro para estimar os futuros ingressos e desembolsos de caixa na empresa. prática e econômica. conforme as necessidades ou conveniências de cada empresa. O fluxo de caixa é um dos instrumentos mais eficientes de planejamento e controle financeiros.MECANISMOS DE ELABORAÇAO DO FLUXO DE CAIXA 3.1 Planejamento O processo de planejamento do fluxo de caixa da empresa consiste em implantar uma estrutura de informações útil. o qual poderá ser elaborado de diferentes maneiras.

D = desembolsos. I = ingressos. com a finalidade de detectar se o saldo inicial de caixa adicionado ao somatório de ingressos. O fluxo de caixa projetado pode ser visto de forma genérica pela seguinte equação: SFC = SIC + I – D Onde: SFC = saldo final de caixa. a programação de captação de recursos quando há insuficiência de caixa. 371). 125).de permitir que se visualize os futuros ingressos de recursos e os respectivos desembolsos (ZDANOWICZ. menos o somatório de desembolsos em determinado período. Se houver excedentes financeiros. possibilitará este captar nas fontes menos onerosas do mercado. o planejamento financeiro é fundamental na medida em que possibilita a adequada aplicação dos recursos em situações em que há excedentes de caixa.2 Importância do Planejamento . SIC = saldo inicial de caixa. p. 1998. Neste caso. o fluxo de caixa é o instrumento utilizado pelo administrador financeiro. Se houver falta de recursos financeiros. permitirá ao administrador financeiro dar a destinação mais eficiente dos mesmos. apresentará excedentes de caixa ou escassez de recursos financeiros pela empresa. 3. p. como também. Segundo Fávero (1997.

Estimar os recursos que serão necessários para executar os planos operacionais da empresa. o controle é inócuo. decidir antecipadamente constitui-se em controlar seu próprio futuro. pois. Um dos planejamentos geralmente desenvolvido pelas organizações é o planejamento financeiro que formaliza o método pelo qual as metas financeiras devem ser alcançadas. p. existe uma falha de retroalimentação. Se o planejamento é adequado. conforme Braga (1989. Freqüentemente. p. em função de preferências. Assim. quando se fizerem necessários. O processo de planejamento financeiro compreende os seguintes passos. Decidir implica optar por uma alternativa de ação em detrimento de outras disponíveis.Identificar os melhores meios e fontes para obtenção de recursos adicionais. disponibilidades. 230): . compreende a programação avançada de todos os planos da administração financeira e a integração desses planos com os planos operacionais de todas as áreas da empresa. O planejamento financeiro. . portanto. . “Se o planejamento é inadequado. o termo controle é citado quando se fala em planejamento. 22) afirma que: “Planejamento é o conjunto de linhas de ação e a maneira de executá-las para alcance dos objetivos”. grau de aceitação do risco. na verdade. mas a filosofia de controle é meramente voltada para a constatação. É uma declaração formal do que será feito no futuro. Crepaldi (1999.Planejar significa decidir antecipadamente. o que se pretende no universo empresarial é garantir que decisões tomadas realmente acorram. O que se pretende considerar é que cada organização interprete e defina a ênfase desejada para o planejamento e o controle dos seus negócios FREZATTI ( 2000. 17 )”. . e é utilizado de maneira enfática. p.Determinar o montante de tais recursos que poderá ser obtido no âmbito da própria empresa e quando deverá provir de fontes externas.

O planejamento financeiro a curto prazo reflete os resultados esperados de ações a curto prazo e geralmente cobrem um período de um ou dois anos. Segundo Braga (1989. há alguns elementos comuns em qualquer planejamento financeiro. 231). obtidos internos ou externamente. porque as vendas dependem do comportamento futuro incerto da economia. p. que são: a) Previsão de vendas: todos os planos financeiros exigem uma previsão de vendas. atividades de pesquisa e desenvolvimento. c) necessidades de ativos: o plano descreverá os gastos de capital projetados.. . O planejamento financeiro de uma empresa não pode ser idêntico ao de outra. amortização de dívidas. para executar os planos operacionais. discutirá as aplicações propostas de capital de giro líquido. Além disso. uma vez que estas são diferentes em tamanho e produtos/serviços que oferecem.Estabelecer o melhor método para aplicação de todos os recursos. Previsões de vendas absolutamente precisas são impossíveis. Entretanto. Este plano tende a focalizar a implementação de dispêndios de capital propostos. O planejamento financeiro de longo prazo geralmente cobre períodos que vão de dois a cinco anos e são continuamente revistos à chegada de novas informações. Os principais insumos incluem a previsão de vendas e várias formas de dados operacionais e financeiros. b) demonstrações financeiras projetadas: o plano financeiro envolve as demonstrações financeiras da empresa. “o planejamento financeiro pode ser de curto prazo ou de longo prazo. entre outros”.

b) opções: o plano financeiro oferece oportunidade de examinar diversas opções de investimento e financiamento. e) premissas econômicas: o planejamento financeiro deve declarar explicitamente o ambiente econômico que a empresa espera existir durante o prazo coberto pelo plano. uma das finalidades do planejamento financeira é evitar surpresa. Portanto.d) necessidades de financiamento: esta parte do planejamento deverá discutir a política de dividendos e a política de endividamento. d) previsão: o planejamento financeiro deve identificar o que pode ocorrer no futuro. 3. O planejamento financeiro é muito importante para a empresa. A meta mais freqüentemente buscada pelas empresas é o crescimento e o planejamento financeiro deve ser utilizado para melhor compreender como o crescimento pode ser conseguido. obriga a empresa a refletir sobre suas metas. c) viabilidade: os diversos planos devem se ajustar ao objetivo global de maximização da riqueza dos acionistas.3 Informações preliminares para elaborar-se o Fluxo de Caixa . caso certos eventos aconteçam. pois possibilita: a) Interações: o plano financeiro deve explicitar as vinculações entre propostas de investimento de atividades operacionais distintas e as alternativas de financiamento disponíveis. Desta forma.

Na elaboração do fluxo de caixa deve-se partir das informações coletadas dos diversos departamentos. seções da empresa. setores. remetido ao Departamento ou Gerência Financeira. Em função das informações preliminares para sua elaboração. com base em informações fornecidas pelas várias áreas participantes. . o fluxo de caixa projetado não deve ser montado isoladamente por uma área. mas deve ser um compromisso conjunto da empresa toda. Para Frezatti (2000. seguindo o cronograma anual. demonstra-se abaixo um fluxograma com os principais elementos envolvidos. p. mensal ou diário de ingressos e desembolsos. 35).

130). . 1998. c) levantamento das cobranças efetivas com os créditos a receber de clientes. conforme (Zdanowicz.Fonte: Zdanowicz. 131): a) projeção das vendas. b) estimativas das compras e as respectivas condições oferecidas pelos fornecedores. p. p. considerando-se as prováveis proporções entre as vendas à vista e a prazo da empresa. (1998. De acordo com os períodos de tempo. as informações são úteis para a elaboração do fluxo de caixa.

Com isso. previamente fixados. . p. tamanho. organização da empresa e ramo de atividade.determinar o nível desejado de caixa. .4 Requisitos Básicos para o Planejamento do Fluxo de Caixa Para utilizar o instrumento de gestão financeira e alcançar os objetivos e as metas propostas. a partir da constituição de reservas necessárias à empresa.assegurar ao caixa um nível desejado. e) orçamento dos demais ingressos e desembolso de caixa para o período em questão. de acordo com as necessidades. e é importante que seus responsáveis estejam conscientes da exatidão.obter maior liquidez nas aplicações dos excedentes de caixa no mercado financeiro. Com o objetivo de obter resultados positivos com o seu fluxo de caixa. bem como estabelecer tendências desses mercados. . aliado a um amplo conhecimento da situação econômica do país e do mundo.d) determinação da periodicidade do fluxo de caixa. clareza e confiabilidade dos dados prestados. mediante as experiências adquiridas pela empresa. em termos empresariais. possuindo certos padrões de segurança.131): .fixar limites mínimos. Com os dados acima o administrador financeiro deverá estar atualizado no que diz respeito as mudanças que possam ocorrer no mercado em que a empresa opera. permitindo realizar os ajustes quando for necessário.buscar a maximização do lucro. . a empresa não deve medir esforços na sua implantação e implementação. 3. a partir das contas que compõe o disponível da empresa. a empresa deve seguir alguns requisitos básicos para o seu planejamento. o administrador financeiro irá buscar informações em outros departamentos da empresa. conforme Zdanowicz (2000. .

definição dos responsáveis pela entrega. especialmente da movimentação bancária.. ou seja.5 Requisitos Básicos para a Implantação do Fluxo de Caixa A implantação do fluxo de caixa consiste em apropriar os valores fornecidos pelos vários departamentos da empresa. .fluxograma das atividades na empresa. p. . . . 3. mantendo assim a flexibilidade desse instrumento de trabalho do administrador financeiro. pode investir parte de seus recursos disponíveis. Mas antes da implantação é preciso seguir alguns requisitos básicos. .apoio total da cúpula diretiva da empresa. considerar as oscilações que possam eventualmente ocorrer e irão implicar ajustes dos valores projetados. conforme Zdanowicz (1998. -comprometimento dos responsáveis de cada área. .treinamento do pessoal envolvido na implantação do fluxo de caixa. 3. É importante para a elaboração do fluxo de caixa. . 132): .utilização do fluxo de caixa para avaliar com antecedência os efeitos da tomada de decisões que tenham impactos financeiros na empresa.ainda que a empresa observe certos padrões de segurança. de acordo com os períodos que efetivamente deverão ocorrer os ingressos e desembolsos de caixa.estabelecimento claro dos níveis de responsabilidade de cada área da empresa. definir as atividades meio e as atividades fins.controles financeiros adequados. mas nunca além do mínimo necessário para as suas atividades.integração total de todas os setores da empresa ao sistema do fluxo de caixa. dentro do prazo estabelecido dos formulários.6 Implantação do Fluxo de Caixa .

A implantação do fluxo de caixa consiste essencialmente em estruturar as estimativas de cada unidade monetário em dois grandes itens: o planejamento dos ingressos e o planejamento dos desembolsos. segundo o regime de caixa. recebimentos. p. despesas com vendas. O importante é considerar todos aqueles itens que alterarão a posição de caixa da empresa”. os principais ingressos operacionais são: as vendas à vista. 3. despesas administrativas. 133) “O principal aspecto a ser levado em consideração é quanto à apropriação dos valores.A implantação do fluxo de caixa consiste em apropriar os valores fornecidos pelas varias áreas da empresa. Conforme enfatiza Zdanowicz (2000. que poderão ser subdivididos em fluxo operacional e fluxo extra-operacional. salários e ordenados com os encargos sociais pertinentes.6. 134). cauções e cobranças das duplicatas de vendas a prazo realizadas pela empresa. . despesas financeiras e despesas tributárias. descontos.1 Fluxo de Caixa Operacional O fluxo de caixa operacional compõe-se de itens estritamente decorrentes da atividade fim da empresa. conforme as épocas que irão ocorrer os efetivos recebimentos e pagamentos de caixa pela empresa. p. Segundo Zdanowicz (1998. isto é de acordo com os períodos que efetivamente deverão ocorrer os ingressos e os desembolsos de caixa. custos indiretos de fabricação. Os principais desembolsos operacionais são: compras de matériasprimas à vista e a prazo.

a fim de não se deslocar e congelar recursos que poderiam ser usados no capital de giro da empresa. geralmente contratados com garantias reais de bens dos sócios ou da empresa. como: imobilizações. pagamentos de contraprestações (leasing). 140) as amortizações compreendem os pagamentos de empréstimos ou financiamentos de longo prazo.6. é preciso ter precaução. vendas de itens do ativo permanente. 1998.3.7 Forma de apresentação do Fluxo de Caixa . 140)”. p. 3. É preciso salientar que as informações até este estágio apresentadas devem refletir a posição do fluxo de caixa da empresa em cada período. (ZDANOWICZ. amortizações de empréstimos ou de financiamentos. desta forma estará recuperando uma posição de liquidez normal.2 Fluxo de Caixa Extra-Operacional O fluxo de caixa extra-operacional salienta os ingressos e os desembolsos de itens não relacionados à atividade principal da empresa. Como se trata de aplicações. deve ser elaborada pela administração da empresa. Quanto as imobilizações. Para Zdanowicz (1998. “Empresas que apresentam situação de desequilíbrio financeiro devem se reestruturar. p. aluguéis recebidos ou pagos. receitas financeiras. Uma situação de atrasos de pagamentos compromete seriamente o sucesso do fluxo de caixa. planejando para cada período o pagamento de uma parcela que por ventura esteja em atraso.

De acordo com Zdanowicz (1998.A seguir veremos duas formas de apresentação o método indireto que é mais utilizado para análise e o método direto que é o mais utilizado pelas empresas. . afirma Yoshitake (1997. amortização e exaustão mas não modificam o caixa da empresa. tais como: depreciação.1 Método Indireto Método Indireto é uma complementação das Demonstrações das Origens e Aplicações de Recursos. considerando-se as mutações do CCL. sendo ajustados pelos itens que não afetam o Capital Circulante Líquido. exceto Disponibilidades. 3.7. 150). 67). p. p. o método indireto consiste na demonstração dos recursos provenientes das atividades operacionais a partir do lucro líquido. ajustado pelos itens que afetam o resultado. pois os recursos provenientes das atividades operacionais são demonstrados com base no lucro líquido.

FLUXO DE CAIXA . Algumas . Os principais valores podem ser apurados por meio da análise das contas patrimoniais e de resultados.2 Método Direto O Método Direto demonstra efetivamente as movimentações de recursos financeiros ocorridas no período.Exigível a Longo Prazo (+/-) Resultado não-operacional Variações nos ativos e passivos circulantes Aumento em clientes Aumento nos Estoques Aumento de Fornecedores Aumento de Impostos a Recolher Aumento de Salários/Encargos a Pagar Aumento de Outras Contas a Pagar Aumento de Impostos s/ o Lucro a Pagar Diminuição de Impostos s/ o Lucro a Pagar Total dos Ajustes Fluxo de Caixa Líquido das Operações DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS Investimentos no Ativo permanente Resultados não Operacionais Aplicações no Realizável a Longo Prazo Fluxo de Caixa Utilizado para Investimento DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTOS Novos financiamentos Amortizações de Empréstimos Integralização de Capital Resultados Distribuídos Fluxo de Caixa Líquido de Financiamentos AUMENTO/REDUÇÃO DE CAIXA (=) Saldo do inicio do período (=) Saldo do final do período Total Tabela 01: Fluxo de Caixa – Método Indireto Fonte: Zdanowicz 3.METODO INDIRETO Periodo 1 Periodo 2 Periodo 3 DAS ATIVIDADES OPERACIOANIS Lucro Liquido ( antes da distribuição de resultados) Ajustes para reconciliar o lucro líquido para o fluxo caixa liquido oriundo das operações Depreciações e Amortizações (+/-) Correção Monet´ria de Balanço (+/-) Equivalência Patrimonial Despesas Financeiras .7.

p. este método consiste em classificar os recebimentos e pagamentos utilizando as partidas dobradas e tem como vantagem permitir a geração de informações com base em critérios técnicos livres de qualquer interferência da legislação fiscal. Yoshitake (1997.MODELO DIRETO INGRESSOS Vendas à vista Recebimento de Duplicatas Empréstimos Aluguéis recebidos Receitas Financeiras Outros DESEMBOLSOS Compras à vista Pagamentos de Duplicatas Pagamentos de serviços de terceiros Salários Amortizações de Financiamentos Impostos e Taxas FGTS a recolher INSS a recolher Outros AUMENTO OU DIMINUIÇÃO DE CAIXA SALDO INICIAL DO CAIXA SALDO FINAL DO CAIXA Tabela 02: Fluxo de Caixa – Método Direto Fonte: Zdanowicz (2000.informações que precisam ser mais detalhadas devem ser buscadas nos controles internos e/ou na contabilidade financeira. 152). p.165) . p. FLUXO DE CAIXA . 33). Segundo Campos Filho (1996.

A principal razão para preocupação com este grupo de empresas está relacionada ao seu papel sócio-econômico.CAPITULO IV .1 A necessidade de uma gestão financeira nas MPE's Na visão de Leone (1999. devido à sua heterogeneidade. 4. para que as micro e pequenas empresas possam administrar seus custos e receitas de modo eficaz. apresenta-se o fluxo de caixa como ferramenta de gerenciamento e controle financeiro. 13). simplesmente porque muitas práticas financeiras das grandes empresas não são necessárias para as pequenas. No entanto. 98% dos comerciais e 99% dos estabelecimentos do setor de serviços (SEBRAE.O FLUXO DE CAIXA COMO FERRAMENTA DE TOMADA DE DECISÃO NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Neste capítulo. que implicam a dificuldade de aumentar o capital da empresa e. o gerenciamento financeiro de pequenas empresas é fundamentalmente diferente do gerenciamento das grandes. . também. A literatura financeira aponta como preocupações principais a disponibilidade e o custo de capital. p. Sabe-se que estas empresas representam grande importância no cenário econômico brasileiro.4 . os pesquisadores encontram grande dificuldade em estudar as MPE's e esta particularidade tem atrasado os estudos e pesquisas e tem prejudicado a proposição de teorias e conclusões adequadas e diferentes daquelas aplicadas às grandes empresas. dificuldades na obtenção de financiamento. 2000). sendo responsáveis por 95% do total dos estabelecimentos industriais.

1998. 115). entendese aquela que naturalmente não só amplia a participação nos mercados em que atua. Quanto maior o número de movimentações financeiras de entradas e de saídas mais difícil se . 4. . sendo o Fluxo de Caixa uma das mais utilizadas entre o meio empresarial. Busca-se. Como afirma Cândido (1998. tornou-se mais exigente e a instabilidade dos mercados é crescente. 98). o fator que limita o crescimento de uma empresa é o gerenciamento. a nova ordem mundial cobra uma nova postura do empresariado: o cliente mudou. que exige cada vez mais preço e qualidade para suportar a pressão da concorrência interna e externa. que demandam registros manuais ou mecânicos para seu controle. .2 O fluxo de caixa em MPE's Atualmente.Dessa forma.Assim sendo. p. Para Zdanowicz (1998. então. a economia e o processo de desenvolvimento local. Como empresa competitiva. que a essas são necessárias bases sólidas e adequadas que possam contribuir a favor da solução dos problemas gerenciais e tecnológicos essenciais ao seu desenvolvimento. mesmo a familiar. toda organização. diversificação e diminuição do ciclo de vida dos produtos. p. é senso comum na literatura especializada sobre causas de mortalidade das MPEs. para que uma empresa possa administrar seus custos e receitas de modo eficaz. pode apresentar diariamente um fluxo de entradas e saídas financeiras. p. encontrar algumas respostas e propor modelos práticos oriundos da contabilidade gerencial e adaptada à realidade deste segmento. 92). efetivamente. E uma dessas ferramentas é o fluxo de caixa.Para ajudar. devido às condições de competitividade global. . é o alicerce básico necessário. como conquista novos campos de atuação. as experiências e observações mostram que o treinamento gerencial. que é uma forma de controle e planejamento econômico-financeiro para os empreendimentos desse porte (Cândido. é indispensável que ela utilize ferramentas de controle financeiro. apesar de não ser suficiente para provocar todas as mudanças requeridas pelo mercado.Não bastasse isso. estas empresas precisam ser competitivas dentro de um mercado global.

a falta de recursos. 156). Apesar de ser um relatório simples. segundo os autores. . os gestores dessas empresas atribuem à carga tributária. têm falido ou enfrentam sérios problemas de sobrevivência. "São raras as vezes que se tem contabilidade não se tem banco de dados para tomada de decisões". Por fim.torna o controle manual. os autores afirmam que. reais. os juros altos. principalmente as micro e pequenas. Geralmente. 157) sem dúvidas. produzidos pela contabilidade. como causa para a mortalidade das empresas de pequeno porte. constantemente. os encargos sociais. dentre outros. distorcida. Na verdade. Lembrando o contexto das MPEs. as vendas à vista. observa-se que várias empresas. SOARES. a "célula cancerosa" não repousa nesses fatores. (MARION. Entretanto. 4. conforme Marion e Soares (2000. p.1 Etapas para a Implementação do Fluxo de Caixa em MPE's O primeiro ponto indispensável para a implementação do fluxo de caixa em MPEs. em conseqüência de ter sido elaborada única e exclusivamente para atender às exigências fiscais. nas decisões tomadas sem respaldo. os autores ainda observam que a contabilidade dessas empresas é uma contabilidade irreal. Mas a maior parte das informações é coletada dos controles de contas a pagar e contas a receber. sem dados confiáveis. afirmam que com certa freqüência. que representa a situação financeira da organização em cada momento. envolvendo previsões.2. 121). p. como por exemplo. caracteriza-se por ser um instrumento de planejamento. Marion e Soares (2000. p. 2000. mas na má gerência. é ter dados fiéis. Esse conjunto de ingressos e de desembolsos pode ser resumido no fluxo de caixa.

159). capital e a própria informação. a valores competitivos. interpretar os relatórios para as tomadas de decisões.muitas empresas tentam confundir o fisco com uma contabilidade obscura. tecnologia. 35). ou por outros motivos. Corresponde à matéria-prima para o processo administrativo de tomada de decisão. Ela é elaborada também para facilitar as funções de planejar. ou seja. de posse das informações contábeis. 4.2. levando a empresa à situações embaraçosas. SOARES. no âmbito financeiro. 2000. no sentido de sonegar. Tais recursos são representados por pessoas. o propósito básico da informação decorrente do fluxo de caixa é habilitar a empresa a alcançar seus objetivos pelo uso eficiente dos recursos disponíveis.2 Importância do Fluxo de Caixa para MPE's Na visão de Meziara Júnior (2001. p. por não saber o que fazer com eles. A informação é qualquer espécie de conhecimento ou mensagem que pode ser usada para aperfeiçoar ou tornar possível uma decisão ou ação. afirma Kanitz (1999. p. decorrente do primeiro. se por um lado há ganhos pelos impostos não recolhidos. é saber. O segundo ponto. com a necessidade de produzir mais e melhor. mas acabam sendo prejudicadas. "É comum observar gerentes e administradores engavetando relatórios riquíssimos em dados. por outro lado há uma perda maior que aquele ganho. ou não evidenciar a verdade. ignoram a sua utilidade e acabam não tomando a melhor decisão" (MARION. Dessa forma. p. dirigir e controlar operações. as tomadas de decisões são inadequadas (não há dados confiáveis para se basear). organizar. pois. para um mercado mais exigente são empreendidos esforços contínuos a fim de se obter. um . 96).

os ingressos devem ser suficientes para cobrir os desembolsos de caixa. com melhor qualidade. eficientes e seguras. principalmente em tempos de globalização da economia. bem como os excedentes devem ser aplicados e os recursos necessários detectados e captados nas fontes menos onerosas à empresa. Para Longen (1997. mesmo nos períodos de liquidez e de mercado em expansão. p. em termos de captação e aplicação de recursos financeiros à empresa e o fluxo de caixa é uma ferramenta poderosa para esses fins. suspensão de entregas de materiais e mercadorias causando a descredibilidade junto aos clientes e ser causa de descontinuidade em suas operações. mesmo em situações normais. a custos e preços menores. pois esta desatenção pode afetar sua saúde financeira quando os recursos ficam mais escassos e o mercado se retrai. 22). o acirramento da competitividade no mercado exige das empresas. sobretudo as micro e pequenas. a qual vem exigindo bens e serviços das empresas. ou seja. Cândido (19982. Sobre o assunto. e por falta de capital . deve existir um sistemático e rigoroso planejamento e controle sobre o fluxo de caixa. Portanto. as empresas não podem descuidar da administração de seus recursos.equilíbrio entre o fluxo de caixa decorrente de receitas e despesas. A insuficiência de caixa pode determinar cortes de créditos. maior eficiência na gestão financeira de seus recursos. Isto requer do administrador financeiro tomada de decisões rápidas. sobretudo nas MPEs. p. por serem consideradas alvos fáceis da instabilidade do ambiente econômicofinanceiro da atualidade. 93) manifesta-se afirmando que.

manter uma posição estável no atual ambiente competitivo. perdendo o controle sobre seu endividamento. e conseqüentemente. disponibilidade para os acionistas. Com o fluxo de caixa continuamente atualizado é bem possível diagnosticar e prognosticar os objetivos máximos de liquidez e rentabilidade para um período em apreciação. planejamento e controle da gestão financeira e controle do capital de giro. tendo em vista as alternativas de movimentação de fundos. abertura de mercado para fornecedores. com liquidez. pode-se diagnosticar e planejar a liquidez. é preciso identificar as causas que provocaram tais desvios na liquidez. a empresa apresenta maior possibilidade de atingir suas metas. O diagnóstico e o planejamento da liquidez da empresa são relevantes devido ao fato de que. tais como: garantias para adquirir novos empréstimos e financiamentos. . assim como as políticas que devem ser reorientadas para o planejamento de liquidez. recorrer a recursos de custos financeiros elevados. de uma forma quantificada em função das metas propostas. As atividades de compra e venda. mais credibilidade e segurança para os clientes.de giro. integram as operações de fluxo de caixa. Com a adequada formulação do fluxo de caixa obtém-se a real posição de liquidez da empresa em relação a outras e se conhecem quais as variações que provocaram as alterações na liquidez. e a partir deste. Para a gerência das MPEs não basta apenas uma análise econômicofinanceira que detecta desvios através de cálculos e comparações de Índices. prazos de pagamentos e recebimentos.

Mas há o problema de obtenção de informações confiáveis das demonstrações contábeis para calcular a previsão do fluxo de caixa. visando a contínua atualização de suas estratégias para adequar-se à dinâmica das mudanças do sistema produtivo. expondo-se aos acontecimentos incertos futuramente. sem um mínimo de planejamento e controle financeiro. por conseguinte. ou seja. . a capacidade de satisfazer a demanda de caixa e.O termo liquidez é difícil definir com precisão. sem que haja distorções entre o planejado e o realizado. mas para os propósitos deste trabalho será suficiente defini-lo como a capacidade que uma empresa tem de saldar seus compromissos na medida em que forem vencendo. é um dos fatores-chave que determinam as possibilidades de êxito ou de fracasso de uma empresa. A administração das MPEs não pode se sustentar em aventuras. pois além do controle dos recursos financeiros. é necessário que se tenha uma avaliação constante dos investimentos e riscos.

busca-se embasamento teórico através da pesquisa em bibliografias existentes sobre o assunto. É uma ferramenta imprescindível para o bom desempenho da administração financeira da empresa por fornecer informações que auxiliam a empresa nas decisões a serem tomadas. Contextualizadas todas as informações disponíveis e analisadas. As informações. Procura-se provar através de inúmeras atribuições do fluxo de caixa. Um planejamento financeiro adequado. elabora-se esta monografia com o intuito de revelar a importância do fluxo de caixa como instrumento para uma administração financeira eficiente. Pode-se destacar também a importância do planejamento financeiro. o fluxo de caixa toma mais viável a administração de recursos da empresa.CONCLUSÃO Conhecendo a necessidade que as empresas possuem em fazer uso adequado de seus recursos financeiros e se manterem em uma situação de equilíbrio financeiro. aliado a um . neste caso. podese comprovar a colaboração da hipótese apresentada. Assim pode-se afirmar. Para tal. fundamental para que as empresas tornam-se mais organizadas e tenham mais êxito em suas atividades. sua utilidade e importância para o contexto empresarial. são de grande valia para o processo decisório das empresas e a contabilidade ganha importância por fornecer informações que auxiliam a empresa na gestão de negócios. nesta etapa de conclusões que.

Desta forma. Outro aspecto importante que evidencia a importância do fluxo de caixa é a possibilidade de antever através dele se a empresa corre o risco de entrar em uma situação financeira desfavorável. Dessa forma a empresa saberá antecipadamente se haverá excedente ou escassez de caixa. ser empregado em todas as empresas. por isso. após análises. pelo contrário. tomar as decisões cabíveis para o estabelecimento ou restabelecimento do nível de caixa desejado. O uso do fluxo de caixa como ferramenta gerencial dará ao gestor uma margem de erro muito reduzida e uma probabilidade de acertos muito grande na sua gestão financeira. sempre procurando manter o equilíbrio financeiro e salvaguardando a liquidez e o processo produtivo da empresa. permitindo ao gestor agir rapidamente para evitar o problema. não pode o gestor aceitar de maneira passiva as informações do fluxo de caixa. possibilita programar seus recursos financeiros através dos ingressos e egressos de caixa. pois. independentemente do tipo de atividade que realize.controle eficiente. com certeza encurta as distâncias dos acertos e das decisões conscientes e seguras. e deve. Verifica-se que o fluxo de caixa pode. Podemos afirmar que uma boa interpretação e. um planejamento correto do fluxo de caixa. deve aproveitar estas preciosas informações para tomar decisões no momento exato e contornar as adversidades. permite a empresa medir seu desempenho e estabelecer metas a serem alcançadas. . não satisfaz as necessidades da empresa apenas o registro das informações no fluxo de caixa. Cabe ao gestor.

até em uma mesma empresa em virtude de mudanças políticas ou sazonalidades. Com o passar do tempo e dos resultados encontrados. . para entenderem as informações e participarem de maneira atuante e segura nas atividades da empresa. Cabe aqui salientar que a pesquisa não teve a intenção de esgotar o assunto abordado. por isso as variantes de um fluxo de caixa para outro pode mudar. Cada caso. pois sempre existirá a necessidade de desenvolvimento e aperfeiçoamento dos conceitos e idéias até então apresentados. em analisá-lo de forma correia. na qualidade de usuários da contabilidade.Não existe um único fluxo de caixa ideal para todas as empresas. mas que os empresários estejam preocupados. Pode-se dizer que a grande vantagem deste importante aliado do empresário é a forma simples e acessível que esta demonstração se apresenta. cada atividade possui características próprias de administração e de mercado. deve-se aperfeiçoar o fluxo de caixa até encontrar os resultados mais condizentes com a realidade do momento. toma-se relevante e necessário efetuar pesquisas futuras. Sendo assim. podem provocar mudanças de um período para outro. possibilitando a todos os usuários colocar em prática e com rapidez a visualização de seus recursos financeiros. É preciso que não apenas o fluxo de caixa seja difundido e empregado por todos.

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