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‘’Vida em movimento'' é um documentário que ganhou destaque no cinema

internacional ao retratar o estilo de vida pós-moderno e trata das complicações causadas


pela falta de movimento cotidiano que ameaçam a saúde e o bem-estar de milhões de
pessoas. No longa, é mostrado os gastos do Estado em decorrência da saúde das pessoas
sedentárias estarem afetadas, além de incentivar a adesão a mudanças simples no estilo de
vida, independente do perfil, faixa etária ou condição socioeconômica da pessoa. Sem
desconsiderar o caráter distópico do filme, é nítido que muitas das temáticas abordadas por
essa produção se fazem presentes nos núcleos urbanos brasileiros e o sedentarismo
generalizado é, sem dúvidas, uma delas. Logo, é necessário debruçar-se sobre o principal
motivo dessa problemática e seu maior impacto social seja, no mínimo, solucionado.
Com efeito, é evidente que o crescimento do sedentarismo em países
subdesenvolvidos, como o Brasil, está diretamente associado ao acesso desigual aos
alimentos de boa qualidade nutricional. A partir do pensamento do geógrafo Josué de
Castro, para quem o problema da fome é fruto da má distribuição das riquezas no país,
nota-se que as desigualdades socioeconômicas continuam reverberando na saúde da
população. Isso persiste, porque a política do agronegócio visa à exportação da produção
agrícola, enquanto o mercado interno é abastecido pela agricultura familiar, que possui
pouca modernização e baixa produtividade. Prova disso está na histórica relação do
brasileiro com a alimentação retratada até na ficção, no século XX, por João Cabral de M.
Neto, quando denuncia a condição de Severino, um brasileiro vulnerável a várias mazelas
pela baixa qualidade nutricional, além de outras faltas sociais, apesar da elevada produção
de commodities no país.
Com efeito, percebe-se que, por ser um país mantido na condição de explorado
desde 1500, a centralização elitizada do acesso às práticas esportivas é uma condição,
evidentemente, sintomática. Tal questão ocorre, pois, de acordo com os estudos da
historiadora Lilia Schwarcz - para quem a Independência do Brasil fez surgir, pela relação
de dependência com a metrópole, não uma Nação, mas sim um Estado - os anacronismos
da estrutura colonial ainda interferem na capacidade de democratizar o acesso a
instituições voltadas às práticas físicas. Sob esse viés, percebe-se que, infelizmente, os
investimentos em clubes acadêmicos e o incentivo a uma alimentação adequada são
apresentados à população como um gasto desnecessário para a economia do país. Assim,
é visto um país sem desenvolvimento artístico com a justificativa de ser emergente e de
possuir, como qualidade, o potencial de ser produtor de commodities, e não de ‘’atletas’’.
Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para reverter o sedentarismo
instaurado a muito tempo na sociedade brazuca. Logo, urge que o Estado, por meio de
envio de recursos ao Ministério da saúde, promova a construção de centros acadêmicos
especializados em sedentarismo e a capacitação de profissionais para atuarem não apenas
nessas instituições, mas em academias públicas, objetivando a ampliação do incentivo de
práticas físicas. Dessa forma, a utopia do documentário ‘’Vida em movimento’’ poderia ser
concretizada.

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