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ENSINO

MÉDIO
PET MÓDULO III- 2021

COMPONENTE CURRICULAR: SOCIOLOGIA


ESCOLA:

ESTUDANTE:____________________________

PROFESSORA:

NÚMERO DE HORAS POR PET/MÓDULO: 3 HORAS


CAPÍTULO 1

EIXO TEMÁTICO:
Modos de produção, trabalho.

TEMA/TÓPICO:
Compreender os modos de produção através das teorias de Karl Marx e Friedrich Engels.

HABILIDADE(S):
Identificar a organização da sociedade ao longo do tempo, conhecendo os modos de produção até a
chegada do capitalismo.

CONTEÚDOS RELACIONADOS:
História, Geografia, Filosofia, Português (Redação)

Neste módulo, vamos falar a respeito do trabalho e dos modos de produção, como e onde
surgiram, quem eram as pessoas aptas para trabalhar, entre outras características que
foram mudando com o passar dos anos. A Sociologia, como sabemos, trabalha com
diversos objetos de estudos.
A partir de agora, vamos falar especificamente da Sociologia do Trabalho, mais
particularmente sobre a busca da compreensão da organização e evolução do mundo do
trabalho na sociedade, as relações de trabalho e suas implicações sociais.

O TRABALHO
Rafael Devilson dos Santos Junior
Podemos definir trabalho como sendo toda a atividade desenvolvida, pelos seres humanos.
seja ela física ou mental, da qual resultam bens e serviços. Quando pesquisamos a
etimologia da palavra trabalho, descobrimos que está relacionada ao tripalium, instrumento
composto de três estacas, utilizado inicialmente na agricultura e, com o passar do tempo, foi
empregado para fins de tortura. Isso porque, ao longo da História, o trabalho esteve
relacionado com esforço físico e cansaço.

Disponível em: < http://meriti.rj.gov.br/home/wp-content/uploads/2020/05/EJA-Anos-inicias-


1%C2%BA-ciclo-2.pdf>. Acesso em: 06. Set. 2020.
MODOS DE PRODUÇÃO
Neste momento, falaremos sobre os modos de produção e você conseguirá perceber sua
relação com o trabalho, uma vez que ambos estão relacionados. Definimos como modo de
produção a maneira pela qual a sociedade produz seus bens e serviços, seja ele
manufaturado, artesanal ou industrial, como os utiliza e os distribui. O modo de produção de
uma sociedade é formado por suas forças produtivas que são os elementos necessários
para produzir, por exemplo, as terras, ferramentas e conhecimentos técnicos e pelas
relações de produção existentes na sociedade, que são a forma que o homem se organiza
socialmente para produzir, como a dividindo de tarefas e funções.
Segundo Karl Marx, os modos de produção foram sendo moldados conforme a sociedade
da época. Na antiguidade, o modelo era o modo de produção primitivo, baseado nos modos
de vida do período que hoje conhecemos como pré-história, e seu objetivo era a
sobrevivência do grupo, não existia propriedade privada e as tarefas eram divididas entre
todos, ou seja, não existia dominantes e nem dominados. A relação entre os integrantes dos
agrupamentos humanos era de cooperação mútua. Em relação ao trabalho, cada pessoa
tinha “função”, atividade que executava de modo a ajudar seu grupo. Não existia uma
remuneração. Esse foi o modelo de produção mais duradouro e de maior alcance
geográfico.
Outro modelo de produção citado pela teoria de Karl Marx e que ocorreu principalmente na
América, Ásia e África foi o modelo asiático, nesse modo de produção a população
fabricava os bens e o Estado se apossava de uma parte através dos tributos. Desse modo
acabam surgindo diferentes classes sociais e um grupo pequeno com poder político e
econômico tem a supremacia. Em relação ao trabalho, as pessoas deveriam cultivar as
terras, como forma de pagamento ao governo por seu uso. Era uma espécie de trabalho
compulsório.
No modo de produção escravista passou a existir a divisão de classes: uma parte
dominante, que era minoria, dona das terras e dos instrumentos de trabalho, sendo também
dona das pessoas escravizadas, que eram maioria e acabaram sendo a parte dominada
deste modelo de produção. Um exemplo desse modo de produção pode ser verificado no
processo de colonização do continente americano, no qual pessoas foram trazidas da África
contra sua própria vontade e forçadas a trabalhar sem receber nenhuma contraprestação,
apenas alimento.
Outro modelo sustentado pela produção camponesa e ficou conhecido como modo de
produção feudal ou simplesmente feudalismo. Neste período, a divisão de classe se deu
principalmente entre os senhores feudais e os servos ou camponeses. Os senhores feudais,
donos das terras e dos meios de produção, cediam suas terras aos servos que produziam e
repassavam uma parte da produção ao senhor feudal. Na maioria dos casos, os
camponeses trabalhavam em regime de servidão e se submetiam às exigências de um
senhor feudal.
Outro modo de produção é o capitalismo, caracterizado pela transformação do trabalho em
mercadoria através do processo de assalariamento da força de trabalho. O capitalismo,
diferentemente do socialismo, é baseado na propriedade privada dos meios de produção
pela burguesia em substituição à propriedade feudal. O capitalismo é movido por lucros. O
trabalho, neste modo de produção, é caracterizado por ser remunerado: o trabalhador
vende sua mão de obra aos donos dos modos de produção.
O capitalismo compreende quatro etapas:
• Pré-capitalismo: o modo de produção feudal ainda predomina, mas já se desenvolvem
relações capitalistas.
• Capitalismo comercial: a maior parte dos lucros concentra-se nas mãos dos comerciantes,
que constituem a camada hegemônica da sociedade; o trabalho assalariado torna-se mais
comum.
• Capitalismo industrial: com a Revolução Industrial, o capital passa a ser investido
basicamente na indústria, que se torna a atividade econômica mais importante; o trabalho
assalariado firma-se definitivamente.
• Capitalismo financeiro: os bancos e outras instituições financeiras passam a controlar as
demais atividades econômicas através de financiamentos da agricultura, da indústria, da
pecuária, e do comércio.
Tendo como base as teorias de Karl Marx e Friedrich Engels, o modo de produção socialista
tinha o intuito de contrapor o modelo capitalista. A base econômica deste modo é a
propriedade social dos meios de produção, ou seja, não existiam empresas privadas e os
meios de produção eram públicos ou coletivos. O objetivo era a satisfação completa das
necessidades materiais e culturais da população como saúde, emprego, habitação e
educação. Nesse caso, as pessoas sairiam da condição de exploradas para trabalhar em
prol da coletividade. Seu trabalho deixaria de ser remunerado.
Aqui, finalizamos nossa primeira semana de estudos, na próxima semana iremos
aprofundar no capitalismo e conhecer um pouco mais as teorias dos sociólogos clássicos
Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim.
ATIVIDADES
01 – (UFMA) O modo de produção que se caracteriza pela relação entre trabalho
assalariado e capital é definido como modo de produção:
a) asiático.
b) camponês.
c) mercantilista;
d) capitalista.
e) socialista.

02 – Sobre o sistema capitalista, analise as alternativas abaixo, destacando a alternativa


correta: a) A propriedade pertence ao Estado.
b) Só existe um partido-monopartidarismo.
c) Só existe uma classe social, na qual todos ganham em média os mesmos salários.
d) Fechado para a participação política, ou seja, ninguém possui o direito a votar.
e) Visa ao lucro e a propriedade é privada, pertence a uma pessoa ou grupo de pessoas.
03 – Sobre o modo de produção escravista, indique quais das afirmações abaixo estão
corretas. I) No modo de produção escravista, o senhor tem a propriedade tanto dos meios
de produção, quanto do próprio escravo e a produção por ele criada.
II) Filósofos como Platão e Aristóteles condenavam veementemente a escravidão como algo
indigno da condição humana.
III) Embora inicialmente os gregos usassem como mão-de-obra predominante a escravidão,
à medida que criaram uma sociedade democrática, essa instituição foi completamente
abolida.
IV) O trabalho escravo estimulava a atividade produtiva e o progresso tecnológico,
contribuindo para o constante desenvolvimento da economia.
a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) Apenas a I.
e) Apenas a III.

CAPÍTULO 2

EIXO TEMÁTICO:
Capitalismo e as relações de trabalho durante a Revolução Industrial
TEMA/TÓPICO:
Karl Marx e a divisão do trabalho; Max Weber e o protestantismo; Émile Durkheim e a divisão
social do trabalho.
HABILIDADE(S):
Identificar e diferenciar os conceitos produzidos pelos sociólogos, Karl Marx, Max Weber e
Émile Durkheim durante o desenvolvimento do capitalismo.
INTERDISCIPLINARIDADE:
História, Filosofia

O CAPITALISMO
Rafael Devilson dos Santos Junior
A chamada transição do feudalismo para o capitalismo (ou do sistema econômico feudal
para o sistema econômico capitalista) começou no período da Baixa Idade Média,
especificamente a partir do século XIV. Entretanto, a expressão “transição” supõe um
processo de continuidade progressiva, como se não houvesse, nesse período, processos
complexos de avanço e retrocesso econômico tanto no campo, quanto na cidade medieval.
Fato é que o sistema feudal entrou em profunda crise no século XIV em razão de fatores
como a ascensão da burguesia nas cidades medievais, que passaram a ter uma intensa
movimentação comercial nesse período, a crise no campo, as revoltas camponesas, a
Peste Negra, entre outros. Com o passar do tempo, novos interesses ligados ao comércio e
ao mercado formaram o eixo central da nova sociedade capitalista que se estruturava. Esse
processo resultou, a partir do século XVIII, no chamado capitalismo industrial, uma
sociedade em que predominava a produção nas manufaturas e nas primeiras indústrias.

Karl Marx e a divisão do trabalho


Durante a constituição do capitalismo industrial, no século XVIII, firmou-se o trabalho
assalariado, reservado aos cidadãos sem posses. Por isso precisavam alugar ou vender
sua força de trabalho, energia física e mental despendida para realizar uma tarefa, em troca
de uma remuneração. No entanto, o pagamento não correspondia ao valor daquilo que era
produzido. Marx acreditava que a produção e seus excedentes geravam a divisão do
trabalho entre quem administrava (gerente/diretor) e quem produzia (operário). Para Marx
nascia, assim, a divisão de classes, que existia em todas as sociedades modernas.
Portanto, a divisão social do trabalho gera a divisão de classes.
Para Marx, as sociedades se dividem em classes sociais antagônicas, um grupo dominante
que subjuga os demais grupos, impondo as formas de governo, política e cultura. No
capitalismo, as classes antagônicas eram formadas pelos burgueses capitalistas, donos dos
meios de produção (dinheiro, equipa-139 mentos, terras, etc.), e do proletariado,
trabalhadores assalariados que vendiam sua força de trabalho, pois não dispunham dos
meios de produção.
Outra consequência do capitalismo para Marx era a alienação do trabalhador, que ocorria
quando o operário distanciava do que era produzido pela força do seu trabalho, pois tudo
que produzia era propriedade privada, ou seja, pertencia à outra pessoa, geralmente o dono
dos meios de produção ficava com o produto do trabalho do operário.
Outro ponto de observância de Marx em relação ao trabalho diz respeito à remuneração. O
trabalhador era contratado por valor X para trabalhar oito horas diárias na produção, com
quatro horas diárias o funcionário já produzia o valor relativo ao seu salário, mas, ainda sim,
ele continuava a cumprir sua carga horária de oito horas. Marx chamava de mais-valia o que
era produzido entre a hora que o empregado já tinha produzido para pagar seu salário e a
hora que ele tinha para largar o serviço.

Max Weber e o protestantismo


Max Weber, um dos sociólogos clássicos, propõe uma perspectiva bem diferente a respeito
do crescimento do capitalismo, em relação ao também alemão Karl Max e ao francês Émile
Durkheim. Para Weber, o capitalismo industrial tem sua origem na ideologia puritana
calvinista. No século XVI, com o surgimento da reforma protestante, a igreja católica deixou
de ter o monopólio religioso na Europa. Ao analisar puritanos e os calvinistas, foi notada
uma presença significativa de protestantes entre os empresários e trabalhadores
qualificados nos países capitalistas mais industrializados. Frente a esses dados, Weber
sugeriu que haveria uma ligação entre valores calvinistas e puritanos e a gênese do
capitalismo moderno. Ele chamou de espírito capitalista ao apontar conexões entre as
mudanças religiosas e as transformações na economia.
Os protestantes acreditavam que a forma mais óbvia de mostrar que estavam garantindo a
salvação espiritual era através do sucesso no mundo, especialmente em questões
econômicas. Essencial a esse resultado era uma ética do trabalho específica, que
enfatizava o trabalho como um valor social em si, bem como a necessidade absoluta de
austeridade, automonitoramento e autocontrole na conduta das questões econômicas.
Weber se referia a isso como o “espírito do capitalismo”. Prosperar economicamente é
demonstrar a si mesmo e aos outros a adesão à noção do “chamado”: quanto mais
esforçados no trabalho, austeros e autocontrolados forem os indivíduos em suas ações,
maior será a recompensa que irão colher. E quanto maior a riqueza acumularem, mais isso
poderá ser entendido como prova de sua pureza religiosa e indicativo da salvação.
Mais de um século se passou desde a publicação da teoria de Weber sobre a ética
protestante e o tema ainda é debatido entre os sociólogos e historiadores contemporâneos.
Luciano Pellicani, sociólogo italiano, argumenta que desde o período medieval já estava
presente o espírito do capitalismo, portanto muito antes do que Weber sugeriu. Já o
historiador inglês Guy Oakes, diz que o capitalismo medieval foi movido mais pela cobiça do
que pelo senso sóbrio de dever secular promovido pelo calvinismo. Mas como o capitalismo
industrial ocorreu primeiro nos países protestantes europeus, como Alemanha, Holanda e
Grã-Bretanha, confirma a relação que Weber fez entre o protestantismo e o empreendedor
que foi necessário ao capitalismo. Colin Campbell, no livro A Ética romântica e o espírito do
consumismo moderno (1987), usa a teoria de Weber para dar conta do crescimento da
cultura de consumo nos EUA e na Europa. Essa extensão das ideias de Weber confirma
que seu relato da ascensão do capitalismo inspirado na religião ainda exerce poderosa
influência no pensamento sociológico.

Émile Durkheim e a divisão social do trabalho


Émile Durkheim, assim como os últimos sociólogos estudados por nós, teve como contexto
do seu pensamento a Europa em processo de industrialização. Porém, diferente de Marx
que tinha uma visão mais 140 crítica, Durkheim argumenta que a divisão social do trabalho
se consolida como um dos fatores que possibilita a existência de coesão social.
Durkheim desenvolveu a ideia de que o trabalho representava todo tipo de característica ou
elemento que explicava a harmonia entre os indivíduos em uma sociedade. Conforme
Durkheim, a especialização do trabalho, independente da sua maior ou menor intensidade,
pode gerar dois modelos de solidariedade, que são:
A solidariedade mecânica: Típica das sociedades pré-capitalistas, onde a coesão social é
construída por meio da forte identificação dos indivíduos com os costumes e tradições da
comunidade na qual está inserido. Nesses casos, a consciência coletiva exerce intenso
poder de coerção nas ações dos indivíduos.
A Solidariedade orgânica: A grande diversidade de funções e de trabalhos produzidos nas
sociedades capitalistas faz com que se fortaleça a interdependência entre os integrantes.
Nesse caso, a coesão social não é garantida apenas pela coerção do coletivo sob as ações
dos indivíduos, mas baseia-se na exigência de que sejam supridas as necessidades
individuais a partir do que é produzido pelos outros membros da sociedade. Neste caso,
Durkheim interpreta as tensões criadas pela exploração capitalista como um problema
moral, ou seja, se a divisão do trabalho não produz coesão social é porque as relações
entre os diversos setores da sociedade não estão adequadamente regulamentadas pelas
instituições sociais existentes, o que gera anomia.

PARA SABER MAIS


Coesão social: Coesão social é um mecanismo de organização da sociedade, é o
conjunto de regras e procedimentos padronizados socialmente, reconhecidos, aceitos e
sancionados pela sociedade, cuja importância estratégica é manter a organização do grupo
e satisfazer as necessidades dos indivíduos que dele participam.
Anomia: Anomia significa a ausência de “nomia”, ou seja, de norma, de regras. Esse termo
é usado para retratar fatos em que o indivíduo está diante de uma situação na qual não
encontra regras que balizam seu comportamento, sentindo-se, por isso, emocionalmente
perdido frente a uma situação caótica. Esse sentimento é comum aos seres humanos
porque este procura pautar suas ações em regras coletivas impostas pela própria
sociedade, não de maneira direta, mas por meio de traições e comportamentos que são
tidos como padrões.

ATIVIDADES
01 – (Unicentro) Max Weber, um dos fundadores da Sociologia, tinha amplo conhecimento
em muitas áreas afins a essa ciência tais como economia, direito e filosofia. Assim, ao
analisar o desenvolvimento do capitalismo moderno, buscou entender a natureza e as
causas da mudança social. Em sua obra, existem dois conceitos fundamentais, ou seja:
a) cultura e tipo Ideal;
b) classe e proletariado;
c) anomia e solidariedade;
d) fato social e burocracia;
e) ação social e racionalidade;

02 – A Ética protestante e o espírito do capitalismo é um dos trabalhos mais conhecidos e


importantes de Max Weber. Nessa obra, o autor evidencia o papel do protestantismo na
formação do comportamento típico do capitalismo ocidental moderno. Weber estabelece
algumas características da doutrina sobre o desenvolvimento do capitalismo. Essas
características têm como base.
a) Os valores do protestantismo como: a disciplina ascética, a poupança, a austeridade, a
vocação, o dever e a propensão ao trabalho, atuando de maneira decisiva sobre os
indivíduos para formação de uma nova mentalidade, um ethos propício ao capitalismo.
b) A motivação do protestante que, segundo Weber, é o lazer enquanto dever e vocação,
como um fim absoluto em si mesmo.
c) Vocação, indisciplina e o dever.
d) Os valores do catolicismo presentes nos indivíduos que revelam a tendência ao
racionalismo econômico que predomina no capitalismo
e) A disciplina voltada para a construção de condutas de comportamento exteriores aos
indivíduos.

03 – (FCC) O conceito de mais-valia está relacionado à valorização:


a) Do trabalho, é um conceito de Marx.
b) Produtividade, e é um conceito de Taylor.
c) Da comunidade, e é um conceito de Durkheim.
d) Da racionalidade, e é um conceito de Weber. e) Da cultura, e é um conceito de
Malinowski.

04 – (FUMARC-2013) Em relação ao pensamento sociológico de Émile Durkheim, NÃO é


correto afirmar:
a) A solidariedade orgânica se dá pela semelhança entre indivíduos e funções que eles
desempenham na sociedade.
b) A solidariedade mecânica é o tipo de vínculo entre os indivíduos de uma determinada
sociedade, que ocorre devido à pouca diferenciação social entre eles.
c) Um fato social deve possuir três características: exercer coerção sobre os indivíduos, ser
independente das consciências individuais e apresentar traços gerais para a média dos
membros de uma sociedade.
d) Nas sociedades industriais, pode-se observar que os indivíduos são diferentes porque
não são todos socializados do mesmo modo ou no conjunto das experiências da sociedade,
e nem isso seria possível.

CAPÍTULO 3

EIXO TEMÁTICO:
Modernização dos modelos de produção no século XX.
TEMA/TÓPICO:
Modernização e padronização dos meios de produção no século XX.

HABILIDADE(S):
Identificar as características dos modelos de produção Toyotismo, Fordismo e Taylorismo.

INTERDISCIPLINARIDADE:
História, Geografia, Português (Redação).

RACIONALIZAÇÃO DO TRABALHO: UMA NOVA FORMA DE ORGANIZAÇÃO


Rafael Devilson dos Santos Junior
Neste capítulo vamos falar a respeito da racionalização do trabalho, conheceremos um
pouco sobre o Taylorismo, Fordismo e Toyotismo.
Com o crescimento da industrialização e a busca por mais produção e menores custos, o
que aumentaria os lucros, várias teorias foram desenvolvidas no final do século XIX e início
do Século XX. O Norte americano, Frederick Winslow Taylor, lançou em 1911 o livro
Princípios da Administração Científica, que propunha a aplicação de princípios científicos na
organização do trabalho, buscando maior racionalização do processo produtivo. Taylor
propunha estratégias gerenciais fundamentadas em um rigoroso controle de tempo e
movimentos, na especialização das atividades e na remuneração por desempenho. Esse
modelo ficou conhecido como Taylorismo, que buscava a padronização de todas as
atividades de produção, definidas pela administração e depois repassadas aos
trabalhadores.
Esse sistema tinha como objetivo o aumento da produtividade através de mecanismos que
permitiam aos administradores controlar e intensificar o ritmo e, assim, aumentar o lucro dos
donos dos meios de produção. Os ganhos de produtividade e a exploração da força de
trabalho foram bastante significativos. A ênfase na separação entre a concepção (gerência)
e a execução (trabalho) ampliou a alienação do trabalho. Partia-se do princípio de que os
trabalhadores eram pagos para executar, não para pensar.
Trabalhadores especialistas realizando um único tipo de atividade.
Um modelo prático de produção, que teve como base o Taylorismo e revolucionou a
indústria, foi o que ficou conhecido como Fordismo. Henry Ford inovou ao produzir veículos
padronizados e em grande quantidade, o que barateava os custos de produção e o preço do
produto final, dessa forma aumentava o mercado e alcançava um maior número de
consumidores. Para isso, Ford desenvolveu a linha de montagem em série, na qual os
trabalhadores se fixavam em seus postos de trabalho e os objetos de trabalho se
deslocavam em trilhos ou esteiras, cada trabalhador era especializado apenas em uma
única tarefa.
O ritmo era ditado pela velocidade da linha de produção. Ao repetir movimentos iguais, o
operário atuava como uma peça da engrenagem de produção, alienado do conjunto do seu
trabalho. À época em que foi implementado, o modelo de produção de Ford estabeleceu
carga horária de oito horas, salário de cinco dólares ao dia, o que, na prática, significava
renda e tempo de lazer suficiente para o trabalhador suprir suas necessidades básicas e até
adquirir um dos automóveis produzidos pela empresa.
Trabalhadores montando o Ford T na esteira de produção.

Nos anos de 1970 e 1980, o capitalismo entrou em uma grande crise, o que exigiu que a
indústria tivesse que se orientar para atender a um mercado consumidor mais segmentado,
que passou a exigir maior oferta, melhor qualidade e menor preço. Como o modelo Fordista
foi feito para produzir um grande volume e de forma padronizada, começou a receber
críticas pela falta de possibilidade de flexibilização.
Nesse contexto, surgiu um novo sistema de organização do trabalho, chamado de
Toyotismo, desenvolvido pelo engenheiro Taiichi Ohno, da Toyota Company. Esse modelo
foi utilizado pela Toyota desde a década de 1950, mas só 20 anos depois se tornou
paradigma do sistema industrial mundial. Suas principais características foram: flexibilidade
na produção, organização da produção e entrega no momento e em quantidades exatas,
importância da qualidade dos produtos, menor custo de produção com a redução de
estoques e número reduzido de trabalhadores.
O Toyotismo promoveu a mudança do sistema de produção “estático” para os “flexíveis”. O
Toyotismo pôde dar conta de pequenos pedidos com exclusividade pela demanda do
comprador. Atualmente, é possível identificar esse modo de produção nas empresas que
vendem produtos personalizados, que só são produzidos após as especificações do cliente
serem definidas pelo consumidor. Outra inovação do Toyotismo foi o sistema Just in time,
que se baseia na coordenação minuciosa de entrega de matéria- -prima para a produção,
ou seja, um sistema de terceirização pelo qual não é preciso estocar produtos. Esse modo
permite que a empresa venda o produto antes de adquirir as matérias-primas que serão
utilizadas para fabricá-lo.
Enquanto nos modelos taylorismo e fordismo o funcionário era especialista em uma única e
simples tarefa, no modelo Toyotismo o funcionário passou a ser “polivalente” ou
“multifuncional”, ou seja, deveria aprender e desempenhar várias tarefas. Apesar de
favorecer os aspectos ligados ao trabalho em equipe, à qualificação, entre outros, esse
modelo esbarra nos limites do trabalho alienado, ou seja, o trabalhador continua a ser
explorado e, também, a não dominar o processo produtivo.

PARA SABER MAIS


Filme: Tempos Modernos (Estados Unidos, 1936). Direção: Charles Chaplin. De forma
irônica e bem-humorada, Chaplin descreve como o trabalhador, com a implementação do
modelo de produção fordista, passou a ser uma peça na engrenagem produtiva. Link para
acesso ao filme: . Acesso em: 07 set. 2020.

ATIVIDADES
01 – As inovações na organização do processo de produção, desenvolvidas a partir do fim
do século XIX e início do XX, ficaram conhecidas a partir da derivação dos nomes de seus
principais expoentes, Frederick Winslow Taylor e Henry Ford. Além disso, o taylorismo e o
fordismo caracterizam, respectivamente, dois princípios de organização do trabalho,
denominados:
a) Empirismo e produção artesanal.
b) Administração científica e linhas de produção.
c) Administração científica e células de produção.
d) Administração empírica e linhas de produção.
e) Administração emotiva e produção dispersa.

02 – Ao adotar a linha de montagem, Henry Ford pretendia baratear a produção de


automóveis, para que se tornasse uma mercadoria comum a ponto de um operário de sua
empresa poder comprar um. O primeiro modelo produzido em uma linha de montagem ficou
mundialmente famoso. Este modelo era o:
a) Ford Fusion.
b) Lincoln.
c) Ford D.
d) Ford Mercury.
e) Ford T.
03 – Com a implantação do toyotismo, houve uma sensível alteração nos sistemas
produtivos industriais que:
a) Abandonaram a produção massiva e adotaram a produção flexível.
b) Trocaram a execução de serviços automatizados por trabalhos mecânicos.
c) Intensificaram a dinamização para a ampliação dos sistemas de estocagem.
d) Diminuíram os gastos com os meios de produção e investiram na formação dos
trabalhadores. e) Nenhuma das alternativas.

04 – _______________ são estratégias desenvolvidas para conduzir o comportamento da


indústria, visando maximizar os lucros e melhorar o desempenho da atividade industrial na
economia. O _____________ consolidou-se no Japão após a Segunda Guerra Mundial e,
depois, difundiu-se em todo mundo, tendo como papel a substituição do _______________
e a realização do trabalho compulsório e repetitivo pela adequação da produção conforme a
demanda e a flexibilização das funções do trabalhador.
A alternativa que possui as expressões que completam a lacuna do texto é:
a) Técnicas de venda, toyotismo, volvismo.
b) Modos de Produção, fordismo, taylorismo.
c) Sistemas econômicos, taylorismo, toyotismo.
d) Modos de Produção, toyotismo, fordismo.
e) Sistemas econômicos, volvismo, fordismo.

CAPÍTULO 4

EIXO TEMÁTICO:
Trabalho e mudanças sociais.

TEMA/TÓPICO:
Instabilidade, emprego, desemprego, empregabilidade.

HABILIDADE(S):
Identificar e ser capaz de buscar a possibilidade de se inserir no mercado de trabalho

INTERDISCIPLINARIDADE:
História, Filosofia, Geografia e Português (Redação)

O TRABALHO NO CONTEXTO DA PANDEMIA

Rafael Devilson dos Santos Junior


Para muitas pessoas, o trabalho ocupa a maior parte do tempo, alguns até consideram o trabalho algo
maçante. No entanto, há mais implicações no trabalho do que apenas uma atividade maçante; não fosse
assim, as pessoas não se sentiriam tão perdidas e desorientadas ao ficarem desempregadas. Como você se
sentiria se imaginasse que nunca iria arrumar emprego? Na sociedade moderna, ter emprego é importante
para manter a autoestima. A falta de um emprego pode enfraquecer a confiança do indivíduo em seu valor
social.

Neste período da pandemia, sabemos que a crise econômica que se instaurou fez com que muitas pessoas
perdessem seus empregos. Você provavelmente conhece alguém que passou ou está passando por essa
situação. Mas é importante se preparar para ir em busca de uma recolocação ou, mesmo você que está lendo,
uma primeira oportunidade de trabalho. Falaremos sobre isso no próximo tópico.

A população brasileira vem sofrendo com o desemprego muito antes do início da pandemia, cenário que se
agravou devido às restrições impostas para evitar a disseminação do vírus. Conforme dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego entre março e maio deste ano alcançou a
marca de 12,7 milhões de pessoas. Os números fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD). Essa metodologia de pesquisa é mais completa, pois abrange os trabalhadores formais e informais.
Outro modelo de pesquisa da situação de emprego e desemprego utilizado pelo governo são os dados do
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Essa metodologia utiliza dados das admissões e
demissões, ou seja, apenas dados do mercado de trabalho formal.

Empregabilidade, o trabalho e o jovem

Se a primeira crise a gente nunca esquece, a atual geração de jovens terá ao menos duas grandes recessões
para lembrar num período de apenas quatro anos: um impeachment presidencial e uma pandemia global.
Essa sucessão de crises produziu duros impactos no mercado de trabalho. Depois de quase 147 dobrar no
período de 2014 a 2018, a taxa de desemprego de jovens de 14 a 25 anos deverá atingir níveis recordes nos
próximos meses.

Dados levantados pela LCA Consultores, a partir de pesquisas do IBGE, mostram que o ciclo de piora do
emprego entre jovens começou em 2014, com a recessão provocada pela crise fiscal. A taxa de desemprego
da população de 14 a 25 anos saltou de 14,5% no quarto trimestre de 2014 para 26% no quarto trimestre de
2018, quando atingia 5,4 milhões de pessoas.
Além do alto índice de desemprego entre os jovens, existem diversas preocupações para
quem vai entrar ou tentar voltar ao mercado de trabalho. Como demonstrar competência
sem ter experiência profissional? E como saber se uma vaga, entre tantas, é perfeita para
você? Você sabe quais são seus pontos fortes no trabalho?
São tantas dúvidas que afligem os jovens na busca de uma oportunidade. Por isso, daqui
em diante vamos trazer diversas dicas para que você consiga ser bem sucedido nos
processos que vier a participar. Neste momento, falaremos sobre o termo empregabilidade,
que significa capacidade ou possibilidade de conseguir um emprego, o termo também é
utilizado para definir a capacidade de adaptação se adequar às necessidades atuais de um
mercado instável e competitivo
Pois bem, antes de você buscar uma vaga de trabalho, é importante criar um meio de
comunicação formal, que será utilizado por você para contato com as empresas e para
outras situações. Inclusive, você já deve estar utilizando um e-mail para enviar as atividades
do PET para os seus professores. Agora, resta avaliar se este e-mail que você já está
utilizando é adequado para isso. Aí vão algumas dicas.
• Primeira dica: devemos logo pôr de lado nomes como “barbie_sexy” ou “i_love_justin”.
Vocês podem achar estranho, mas, infelizmente, existe muita gente a criar e-mails assim.
• Segunda dica: evite nomes de endereços longos, pois acreditem que quanto maior, pior é
para a outra pessoa anotar, aumentando o risco de se enganar ao digitar.
• Terceira dica: o e-mail ideal deve ser o nosso primeiro e último nome. No entanto, pode já
estar registrado e não ser possível, então podemos acrescentar algum número ou mesmo a
abreviação do sobrenome.
Agora você terá a oportunidade de conhecer um pouco sobre o currículo, caso nunca tenha
visto ou ouvido falar sobre.
• Um currículo bem elaborado deve ser claro, objetivo e focado na área em que você está
buscando.
• Esta é uma grande oportunidade para você se apresentar para as empresas e
recrutadores.
• Manter a objetividade e descrever de forma correta as suas experiências e carreira
profissional também são pontos positivos que devem ser considerados para a produção do
documento.
• Jamais fale mentiras no currículo, as chances do recrutador descobrir são grandes. Agora
que você já começou a conhecer o currículo, vamos aprofundar um pouco mais e conhecer
a estrutura do mesmo.
Ele é o seu cartão de visitas, por isso tem que ser organizado, para facilitar a leitura do
recrutador.

ESTRUTURA DO CURRÍCULO
• Cabeçalho: Preencha com seu nome completo, idade, estado civil e contatos; coloque um
e-mail com endereço correto e atualizado;
• Objetivo: Colocar o cargo e área que pretende atuar. Ex.: Jovem aprendiz; Auxiliar
Administrativo;
• Formação: Nome da Instituição de ensino, curso, data de início e término;
• Experiência profissional: Nome das empresas, cargo e período em que trabalhou. Se
colocar responsabilidades, seja sucinto e objetivo, pode colocar experiência de trabalho
informal; (Sempre da mais recente para a mais antiga).
• Qualificações: Cursos de inglês, informática, entre outros.
• Informações adicionais: Habilitação categoria B, disponibilidade de horário.

Tenha muita atenção e cuidado ao preencher seu currículo, como já disse, ele é sua porta
de entrada para o mercado de trabalho, o recrutador não o conhece, não sabe quais são
suas habilidades e competências profissionais. Lembre-se, o recrutador irá selecionar para
a entrevista quem melhor conseguir chamar sua atenção por meio de um currículo
pertinente com o que ele está buscando. Na próxima página você encontrará um modelo de
currículo para ter uma Ideia melhor de como ele deve ser.
Agora que você já sabe como preencher e conhece a importância do currículo, sabe onde
cadastrar o seu? A seguir, alguns locais para os quais você pode enviar e cadastrar seu
currículo, a maioria você faz sem sair de casa.
PARA SABER MAIS
Vagas.com; Sine: https://empregabrasil.mte.gov.br/ Direto no site da empresa que você
deseja trabalhar. (opção trabalhe conosco); CIEEMG: http://www.cieemg.org.br/ ISBET
Estágios: https://www.isbet.org.br/ Rede de Carreiras (SENAC):
https://www.rededecarreiras.com.br/

CAPÍTULO 5
EIXO TEMÁTICO:
A Sociologia e a relação entre o indivíduo e a sociedade.

TEMA/TÓPICO:
Compreender o que é coerção social, estrutura social e padrão social.

HABILIDADE(S):
Compreender a relação entre o indivíduo e sociedade como uma questão central para o
desenvolvimento da teoria sociológica.

INTERDISCIPLINARIDADE: Filosofia e História

O INDIVÍDUO E A SOCIEDADE
Helder Augusto Ferreira Rocha
Você já parou para pensar, que para se viver em sociedade é necessário que tenhamos
alguns tipos de comportamentos que são considerados como corretos, ou no mínimo
aceitáveis, ou talvez inaceitáveis? E que caso não sigamos esses comportamentos a
sociedade nos impõe algum tipo de punição? Você já pensou em algum momento viver
numa sociedade sem regras? Você acredita ser possível que vivamos dessa maneira? Você
considera as normas/regras sociais importantes? Que tipos de normas/ regras sociais você
segue? Você já infringiu alguma regra ou teve algum comportamento que foi mal visto?
Somos nós que criamos as regras, ou elas já vêm prontas? As normas/regras sociais não
mudam nunca? Quanto aos padrões sociais, quem os estabelece? Que padrões sociais
você consegue visualizar na sociedade?
Pois bem, nesta primeira semana iniciaremos um diálogo sobre essa temática, a partir de
um olhar sociológico, que está mais presente no seu cotidiano do que se pode imaginar. A
relação entre indivíduo e a sociedade é um tema fundamental nas Ciências Sociais.
A vida em sociedade exige que os indivíduos se orientem conforme os comportamentos e
valores socialmente instituídos em cada cultura e momento histórico. Fazer parte de
determinado grupo, morar em uma cidade grande ou área rural são alguns dos fatores que
influenciam a formação dos diferentes valores e comportamentos individuais. Graças a sua
força e alcance, essa influência pode ser interpretada como limitadora da individualidade
humana. Você consegue entender a força com que os padrões sociais se impõem aos
indivíduos quando decide ir contra tais padrões. Um bom exemplo disso seria quando um
menino recusa o sonho de ser um jogador de futebol, e sonha em ser bailarino. Ou mesmo
quando uma menina se orgulha de seu corpo fora dos padrões estabelecidos, como um
corpo magro ou depilado.
Quando se quebra uma regra ou se transgride a lei, a sociedade prontamente aciona meios
de coerção social, ou seja, a influência que a sociedade tem em determinar certos
comportamentos, que podem ir de uma simples repreensão até a privação da liberdade.
Um bom exemplo de coerção social que se apresenta é que, se uma instituição de ensino
obriga seus alunos a usar uniforme, quem não seguir a regra poderá ser impedido de entrar
na escola. Ou mesmo se essa instituição estabelece horários de chegada e tolerância
máxima, quem não seguir, também poderá ser impedido de entrar na escola, ou mesmo
assinar uma ocorrência, ou ter que aguardar o próximo horário para entrar na sala, ou
ambas as coerções juntas.
É comum ouvir das pessoas: “a sociedade me impõe isto ou aquilo” ou “a sociedade me
reprime”. Há algo presente na sociedade, denominada estrutura social, que são regras que
nos regem independentemente da consciência que temos delas; são os princípios segundo
os quais não pensamos ao agir e falar, mas sem os quais não estabelecemos relações
sociais, não nos comunicamos, é basicamente a organização da sociedade. A estrutura
social é algo que direciona as ações do indivíduo, estabelece aos indivíduos que ajam
conforme certos comportamentos e valores, mas ao mesmo tempo seu funcionamento ou
transformação é fruto da ação individual.
Se pararmos um instante para pensar, quando chegamos ao mundo já há uma estrutura
social vigente, composta de normas, regras, valores, padrões sociais, mas nós é que a
executamos, e que também temos o poder de mudá-la. Nenhum de nós está simplesmente
determinado em nosso comportamento por um determinado contexto, possuímos e criamos
nossa própria individualidade. Então podemos ser sujeitos, agentes de mudanças e
transformações da sociedade, pois a estrutura social de que estamos dialogando, não
impacta a todos da mesma forma, há estruturas sociais que favorecem uns, em detrimento
de outros.
Por falar nisso, há também o chamado “padrão social”, que é construído tendo por base as
escolhas feitas por indivíduos que levam em conta as opiniões e crenças dos outros. Os
padrões sociais variam conforme as opiniões e crenças compartilhadas pelos indivíduos ao
longo da história, assim como as diferentes maneiras de se vestir adotadas pelas diversas
gerações. Um exemplo de padrão social seria a conformidade às diferentes maneiras de
vestir, por exemplo, o que já comentamos anteriormente, o uso do uniforme na escola, terno
em um casamento, bermuda em um domingo na praça. Então, se os padrões são
construídos por nós, é possível que sejam mudados. Mais uma vez é importante frisar que,
um padrão social impacta a vida das pessoas de maneiras diferentes. Então, seria melhor
que não existissem padrões sociais, não é mesmo? Ou que os padrões sociais atinjam a
todos da mesma maneira. Logo poderíamos citar como padrão, “todos terem alimentos”,
“todos terem moradia”, “todos terem saneamento básico”.
Mediante ao que já falamos sobre o indivíduo e a sociedade, vem a ser necessário
refletirmos algumas questões: Como é possível que os indivíduos, com suas diferenças,
convivam em sociedade de maneira 126 organizada? Serão os indivíduos capazes de
revoltar-se contra as regras sociais e transformá-las? Ou, ao contrário, as regras sociais
exercem uma força que restringe a capacidade de ação deles?
Ao discutir a relação entre o indivíduo e a sociedade, a partir do século XIX, a Sociologia
produziu três matrizes de resposta a essa questão, as quais podem ser simplificadas e
compreendidas mediante o seguinte esquema:
1) A sociedade determina os indivíduos, como evidenciam os fatos sociais;
2) A sociedade é compreendida como resultado da ação social dos indivíduos;
3) A sociedade e os indivíduos são expressão das contradições de classe e determinam-se
reciprocamente de acordo com os limites estabelecidos pelas condições materiais de
existência em dado período histórico.
Cabe aqui ressaltar que o esquema acima será trabalhado nas próximas semanas. Cada
uma dessas respostas se vincula a uma tradição específica do pensamento social, que
forma a sociologia clássica e serão apresentadas na visão de pessoas que estudaram
esses temas, como Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx, de maneira que se
compreenda sociologicamente os diferentes temas das realidades sociais. Especificamente
na próxima semana iremos dialogar sobre o conceito de fato social, apresentado pelo
sociólogo Émile Durkheim. Falaremos também sobre a coesão social e solidariedade social.
Agora vamos dedicar um tempo para realizar as atividades.

ATIVIDADES
01 – De que forma a estrutura social afeta sua vida?

02 – Atualmente, por quais normas sociais, padrões sociais e valores você se orienta? O
que aconteceria caso você não os seguisse?

03 – De que maneira você aprendeu as normas sociais, padrões sociais e valores na qual
você se orienta hoje?

04 – Você acredita ser possível viver numa sociedade sem normas e regras? Justifique.

CAPÍTULO 6

EIXO TEMÁTICO:
A Sociologia e a relação entre o indivíduo e a sociedade.

TEMA/TÓPICO:
Compreender o conceito de fato social, coesão social, solidariedade social e anomia.
HABILIDADE(S):
Relacionar o protagonismo do indivíduo ou da sociedade com as perspectivas sociológicas clássicas.

INTERDISCIPLINARIDADE: Filosofia e História.

O CONCEITO DE FATO SOCIAL E A EXPLICAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE INDIVÍDUO E


SOCIEDADE Helder Augusto Ferreira Rocha

A busca pelo agente principal dos fenômenos sociais (a sociedade ou o indivíduo) é, na


verdade, o movimento da ciência sociológica na procura de seu objeto de estudo. Sendo
assim, esse estudo foi estabelecido e sistematizado em um primeiro momento pelo
sociólogo francês Émile Durkheim (1858 - 1917).
Para Durkheim, a principal preocupação da sociologia é o estudo dos fatos sociais, e estes
deveriam ser examinados. Ele acreditava que as sociedades têm uma realidade própria, ou
seja, a sociedade é mais do que simplesmente as ações e os interesses de seus membros
individuais. Ainda segundo Durkheim, os fatos sociais são meios de agir, pensar ou sentir
que são externos aos indivíduos e têm sua própria realidade fora das vidas e das
percepções individuais.
Por fatos sociais compreende-se o conjunto de normas e regras coletivas que orientam e
condicionam a ação individual. São identificados por três características principais: são
exteriores aos indivíduos (existem independentemente de sua vontade ou reflexão),
coercitivos (impõe penalidades àqueles que não cumprem suas normas) e gerais (presentes
no conjunto de determinada sociedade).
Os fatos sociais podem forçar a ação humana numa diversidade de formas, indo da punição
absoluta (em caso de crime), à rejeição social (quando se tem um comportamento não
aceito) ou a simples incompreensão (quando se usa inapropriadamente a língua).
Para compreender melhor esse conceito, podemos pensar na lei, que são normas, que uma
vez em vigor passam a valer independentemente da vontade individual. Todos têm que
cumprir, mesmo que alguém não concorde (exterioridade), quem descumpre pode sofrer
punição prevista (coercitividade), e ao mesmo tempo serve de orientação a toda uma
população (generalidade);
Dessa forma, pode-se notar diversos fatos sociais em nosso dia-a-dia. A maneira como
agimos nos diversos ambientes, o modo como falamos, a forma como nos vestimos, entre
outros. Esses comportamentos, ainda que pareçam ou sejam tidos como escolhas
individuais, são estabelecidos socialmente.
Sistema educacional – um exemplo de fato social
Émile Durkheim (1858-1917).

Ordem, função, coesão e anomia: o diagnóstico de Durkheim para os conflitos sociais

Você já pensou na sociedade como uma grande máquina ou organismo vivo? Já pensou
que todos podem estar “ligados”, exercendo um papel que contribui para o funcionamento
dessa grande máquina? Pois bem, Durkheim também tratou desse tema, em uma
perspectiva sociológica: a questão da ordem e da função. Assim, a sociedade seguiria uma
ordem que direciona as partes (pessoas), conforme funções específicas que trabalham para
sua manutenção, andamento e aperfeiçoamento.
Então, haveria uma ordem na disposição das peças para que a máquina realizasse sua
função, e esse funcionamento só é ativado quando os elementos que constituem a
sociedade estão unidos, coesos. Dessa forma, a questão da ordem só é compreendida com
base no conceito de coesão social, onde cada elemento atua de modo que os demais
também cumpram seu papel, e todos juntos formem um organismo maior, então dizemos
que são solidários uns aos outros e ao todo. Pensemos na seguinte situação. Essa máquina
seria a sociedade, e nós as peças dessa máquina. Cada um de nós tem um papel, que se
não cumprido, prejudica o funcionamento da sociedade. Se um de nós tem comportamentos
que não contribuem para esse bom funcionamento, por exemplo, ação criminosa, corrupta,
de apatia social, isso prejudicará o bom funcionamento da sociedade.
A ordem social é compreendida através da ideia de coesão social, resultante da ação
solidária das partes, a solidariedade social, explicada pelos laços que unem os indivíduos à
coletividade. Esses laços podem ser construídos através das semelhanças entre as
consciências individuais, dando origem à solidariedade mecânica, ou pela interdependência
entre os indivíduos, que gera solidariedade orgânica.
A solidariedade social só é mantida quando os indivíduos são integrados com sucesso em
grupos sociais e regulados por uma diversidade de valores compartilhados. Para Durkheim,
instituições sociais como a religião, a escola e a família, por exemplo, são elementos
fundamentais na construção da solidariedade social. Por outro lado, as manifestações de
insatisfação de trabalhadores, as revoltas e as taxas elevadas de criminalidade são
exemplos de desvios dos padrões que definem uma vida social saudável, um processo de
interrupção da solidariedade a que ele chamou de anomia (ausência de regras).
Anomia é a ausência ou redução da capacidade da sociedade de regular a conduta dos
indivíduos, sendo um problema a ser solucionado, sob a pena de causar risco à coesão
social e levar a sociedade ao caos. O exemplo citado acima, das altas taxas de
criminalidade, compromete o bom funcionamento da sociedade.
Nesta segunda semana de leitura, podemos perceber que há uma relação direta entre o
indivíduo e a sociedade, através do conceito de fato social apresentado por Durkheim.
Podemos ver que independente da consciência do indivíduo, ele age em conformidade ao
que determinada sociedade espera. E para que uma sociedade se mantenha em
funcionamento é necessário uma coesão social, que é resultante da solidariedade social. Na
próxima semana, abriremos um espaço para falar sobre o suicídio, também na perspectiva
de Durkheim e traremos também uma abordagem da área da saúde. Agora, vamos
novamente dedicar um tempo para realizar as atividades.

ATIVIDADES
01 – (UERR 2018) - Para Émile Durkheim, os fatos sociais são o objeto da sociologia por
moldar o comportamento dos indivíduos em sociedade. De acordo com sociólogo francês,
os fatos sociais têm como características:
A) generalidade, exterioridade e solidariedade.
B) coercitividade, positividade e exterioridade.
C) generalidade, coercitividade e exterioridade.
D) naturalidade, coercitividade e generalidade.
E) interioridade, solidariedade e naturalidade.

02 – (CONSULPLAN 2019)

Uma das importantes contribuições de Émile Durkheim foi sua teoria sobre o fato social.
Buscando uma relação entre o diálogo apresentado na tirinha e o conceito de fato social, é
correto afirmar que o diálogo apresentado na tirinha:
A) se relaciona com o fato social porque, apesar da filha querer expressar sua
individualidade, ela acaba agindo como todo mundo e, segundo a definição de Durkheim,
fato social seria toda maneira de agir, pensar e sentir exterior ao indivíduo, dotada de um
poder de coerção.
B) não se relaciona com o fato social porque, apesar da filha querer expressar sua
individualidade, ela acaba agindo como todo mundo e, segundo a definição de Durkheim,
fato social seria toda maneira de agir, pensar e sentir exterior ao indivíduo, dotada de um
poder de coerção.
C) se relaciona com o fato social porque, apesar da filha querer expressar sua
individualidade, ela acaba agindo como todo mundo e, segundo a definição de Durkheim,
fato social seria o somatório dos indivíduos vivos que a compõem ou de uma mera
justaposição de suas consciências.
D) se relaciona com o fato social porque a filha pretende agir a partir da sua individualidade
e, segundo a definição de Durkheim, fato social seria toda maneira de fazer ou de pensar,
reconhecível pela particularidade de ser suscetível de exercer influência coercitiva sobre as
consciências particulares.

03 – (UERR - 2018) - “Em Roraima, a morte violenta de jovens entre 15 e 29 anos teve um
aumento de 83,3% no período apontado na pesquisa. Ao todo, 42 pessoas dessa faixa
etária foram mortas em 2005 no Estado, enquanto que, em 2015, subiu para 77. Já a taxa
de homicídios para a faixa etária entre 15 e 29 anos por 100 mil habitantes passou de 35,4,
em 2005, para 51,9, em 2015, um aumento de 46,5% no período” (FBV, 30/03/18). De
acordo com a sociologia de Émile Durkheim, esse quadro social verificado em Roraima
caracteriza uma situação de:
A) Função social.
B) Anomalia social.
C) Ação social.
D) Anomia.
E) Entropia.

04 – (FCC – 2015) - (...) consistem em maneiras de agir, de pensar e de sentir, exteriores


ao indivíduo, e que são dotadas de um poder de coerção em virtude do qual (...) se impõem
a ele”, além de ser “geral na extensão de uma sociedade dada”. (As regras do método
sociológico. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 3; 13) O conceito de Émile Durkheim
(1858-1917) que corresponde ao enunciado acima é:
A) Regras sociais.
B) Patologias sociais.
C) Fatos sociais.
D) Tipos sociais.
E) Estruturas sociais.

CAPÍTULO 7

EIXO TEMÁTICO:
A Sociologia e a relação entre o indivíduo e a sociedade.

TEMA/TÓPICO:
O suicídio por Émile Durkheim e uma abordagem da área da saúde

HABILIDADE(S):
Compreender a abordagem sociológica do suicídio, juntamente com a abordagem da área da saúde,
bem como a importância do diálogo sobre o tema.

INTERDISCIPLINARIDADE: História, Português e Matemática.

O ESTUDO DE DURKHEIM SOBRE O SUICÍDIO


Helder Augusto Ferreira Rocha
Podemos iniciar nossa reflexão, pensando: que fatores podem levar alguém ao suicídio?
Uma das respostas poderia ser “peso social” que seria a dificuldade em aceitar cumprir
determinadas imposições sociais. Um exemplo seria um indivíduo pertencente ao grupo
LGBTQIA + que tira sua vida por não conseguir se enquadrar no padrão social
heteronormativo.
Para entender melhor a questão do suicídio, falaremos agora de um dos estudos clássicos
para explorar a relação entre indivíduo e sociedade, que é a análise de Durkheim sobre o
suicídio, publicado pela primeira vez em 1897. Ainda que os indivíduos se vejam como
portadores de um livre-arbítrio e escolha, seus comportamentos são frequentemente
padronizados e moldados pela sociedade. Este estudo de Durkheim evidenciou que mesmo
um ato altamente pessoal como o suicídio é influenciado pelo mundo social. Então, o objeto
de estudo seria a sociedade e não o indivíduo.
Várias pesquisas haviam sido elaboradas a respeito da temática, antes de Durkheim, mas
ele foi o primeiro a insistir na explicação sociológica para o suicídio. Os estudos anteriores
haviam identificado a 134 influência de fatores sociais sobre o suicídio, mas procuravam
considerações como raça, clima ou desordem mental para explicar a predisposição de um
indivíduo para cometer suicídio. Contudo, para Durkheim, o suicídio era um fato social que
poderia ser unicamente explicado por outros fatores sociais.
Ao analisar os registros oficiais de suicídio na França, Durkheim descobriu que certas
categorias de pessoas eram mais predispostas a cometer suicídio do que outras. Um
exemplo dessas descobertas foi que havia mais suicídios entre homens do que entre
mulheres, entre protestantes em relação a católicos, mais entre ricos do que entre pobres, e
mais entre solteiros que entre casados. Durkheim também percebeu que, as taxas de
suicídio tendiam a ser menores durante tempos de guerra, e maiores em períodos de
mudança ou instabilidade econômica.
Tais descobertas levaram Durkheim a concluir que há fatores externos ao indivíduo que
afetam as taxas de suicídio, e tais taxas devem ser tratadas como um fato que somente
pode ser explicado em termos sociológicos, e não por motivações unicamente individuais.
Ele relacionou a sua ideia de solidariedade social a dois tipos de laços dentro da sociedade
– a integração social e a regulação social. Durkheim acreditava que as pessoas que
estavam fortemente integradas em grupos sociais nos quais seus desejos e aspirações
eram regulados por normas sociais, eram menos predispostas a cometer suicídio.
Em sua obra, Durkheim expõe os tipos de suicídio segundo as suas causas. Ele os
distingue em três grandes tipos, em concordância com a relativa presença ou ausência de
integração e regulação. Sendo estes:
A) Suicídio egoísta, que seria motivado por um isolamento exagerado do indivíduo em
relação à sociedade, que o transforma em um “solitário”, um marginalizado, que não possui
laços suficientemente sólidos de solidariedade com o grupo social.
B) Suicídio altruísta, que está noutro extremo, ou seja, quando o ser humano não está mais
desligado da sociedade, mas ao contrário está demasiadamente ligado a ela.
C) Suicídio anômico - o mais significativo para os fins de sua obra -, que vem da noção de
anomia, a ausência de normas. O suicida por anomia é aquele que não soube aceitar os
limites morais que a sociedade impõe; aquele que aspira a mais do que pode, que tem
demandas muito acima de suas possibilidades reais e cai, portanto, em desespero.
(DURKHEIM, 2000, p. 15).
Trazendo uma relação do suicídio com a sociedade, no caso do suicídio egoísta, por
exemplo, as baixas taxas de suicídio entre católicos podem ser explicadas por sua forte
comunidade social. O casamento protegeria contra o suicídio ao integrar o indivíduo a um
relacionamento social estável, enquanto pessoas solteiras ficam mais isoladas da
sociedade. A taxa menor de suicídio durante tempos de guerra, conforme Durkheim, pode
ser vista como um sinal de aumento de integração social.
No caso do suicídio anômico, ele ocorreria pelo fato das pessoas perderem um ponto de
referência fixo para normas e desejos, como em tempos de reviravoltas econômicas ou
disputas pessoais, como o divórcio. Já em relação ao suicídio altruísta, que ocorre pelo
indivíduo estar integrado demais, e seus laços sociais serem muito fortes, situação na qual
ele valoriza a sociedade mais que a si mesmo. Nessa situação, o suicídio se torna um
sacrifício para um “bem maior”. Um exemplo poderia ser os pilotos japoneses kamikaze ou
os “homens-bomba” islâmicos.
Além desses três tipos de suicídio, há um outro tipo, o fatalista, embora Durkheim o visse
como de pouca relevância contemporânea, ele acreditava que ocorreria quando um
indivíduo é regulado demais pela sociedade. A opressão do indivíduo resulta em um
sentimento de impotência diante do destino ou da sociedade.
As taxas de suicídio variam conforme cada sociedade, mas elas apresentam padrões
regulares dentro das sociedades através do tempo, e Durkheim tomou isso como uma
evidência de que há forças sociais consistentes que influenciam as taxas de suicídio. Uma
análise das taxas de suicídio evidencia como padrões sociais podem ser identificados
dentro das ações individuais.
Em sua obra, Durkheim aponta que o bem-estar ou a felicidade do indivíduo é socialmente
possível, se houver um equilíbrio entre suas expectativas, exigências e os meios
socialmente acordados.
A seguir será a apresentada a abordagem da área da saúde sobre o suicídio. Você
conseguirá perceber que ela é diferente da abordagem sociológica proposta por Durkheim.
Vamos lá!

Por que é tão importante dialogar sobre o suicídio? Uma abordagem da área da
saúde...

Cada suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros, tendo
efeitos que perduram nas pessoas deixadas para trás. É um problema grave de saúde
pública. Segundo o portal da Organização Pan-Americana da saúde - (OPAS) (2018), cerca
de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Para cada pessoa que comete o
suicídio, há muito mais pessoas que somente fazem a tentativa a cada ano. A tentativa
prévia é o fator de risco mais importante para o suicídio na população em geral. O suicídio
foi a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos em todo
o mundo no ano de 2016. De fato, 79% dos suicídios no mundo ocorrem em países de
baixa e média renda em 2016.
Embora a relação entre distúrbios suicidas e mentais (em particular depressão e abuso de
álcool) esteja bem estabelecida em países de alta renda, vários suicídios ocorrem de forma
impulsiva em momento de crise, com um colapso na capacidade de lidar com os estresses
da vida, tais como problemas financeiros, términos de relacionamento ou dores crônicas e
doenças.
Além disso, o enfrentamento de conflitos, desastres, violência, abusos ou perdas e um
senso de isolamento estão fortemente associados com o comportamento suicida. As taxas
de suicídio também são elevadas em grupos vulneráveis que sofrem discriminação, como
refugiados e migrantes, indígenas, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais
(LGBTQIA +) e pessoas privadas de liberdade. De longe, o fator de risco mais relevante
para o suicídio é a tentativa anterior.
O estigma, particularmente em torno de transtornos mentais e suicídio, faz com que muitas
pessoas que estão pensando em tirar suas próprias vidas ou que já tentaram suicídio não
busquem ajuda e, por isso, não recebam a ajuda necessária. A prevenção não tem sido
tratada de forma adequada devido à falta de consciência do suicídio como um grande
problema de saúde pública. Em diversas sociedades o tema é um tabu, e por isso não é
discutido abertamente. Até o momento, apenas alguns países incluíram a prevenção ao
suicídio entre suas prioridades de saúde e só 38 países disseram ter uma estratégia
nacional para isso.
A Organização mundial da saúde (OMS) reconhece o suicídio como uma prioridade de
saúde pública. O suicídio é uma das condições prioritárias do “Mental Health Gap Action
Programme (mhGAP)” (programa de saúde mental da OMS), que fornece aos países
orientação técnica baseada em evidências para ampliar a prestação de serviços e cuidados
para transtornos mentais e de uso de substâncias. No Plano de Ação de Saúde Mental
2013-2020, os Estados-Membros da OMS se comprometeram a trabalhar o objetivo global
de reduzir as taxas de suicídios dos países em 10% até 2020.  
Além disso, a taxa de mortalidade por suicídio é um indicador da meta 3.4 dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável: até 2030, reduzir em um terço a mortalidade prematura por
doenças não transmissíveis via prevenção e tratamento, e promover a saúde mental e o
bem-estar. Sensibilizar a comunidade e quebrar o tabu são ações de grande relevância aos
países para alcançar progressos na prevenção do suicídio. Os suicídios são evitáveis e há
várias medidas que podem ser tomadas junto à população, subpopulação e em níveis
individuais para prevenir o suicídio e suas tentativas. É uma questão complexa, em que os
esforços de prevenção necessitam de coordenação e colaboração entre os múltiplos
setores da sociedade.

ATIVIDADES
01 – Qual a relação que você consegue perceber entre a teoria de Durkheim sobre o
suicídio e o suicídio na sociedade atual?

02 – Leia o texto abaixo sobre a campanha “Setembro Amarelo” e veja a logo oficial da
campanha em 2020.
Após esta leitura do texto e visualização da logo da campanha, escreva um texto de no
mínimo 20 linhas comentando qual seu pensamento sobre a campanha “Setembro
Amarelo”, bem como do conteúdo da sua logo em 2020 e sua relação com a abordagem da
área da saúde.

03 – Frente à imagem abaixo, da campanha “setembro amarelo” em 2020, responda: Quais


ações você acredita serem importantes para redução das taxas de suicídio?
CAPÍTULO 8

EIXO TEMÁTICO:
Estatuto da Criança e Adolescente (E.C.A.).
TEMA/TÓPICO:
Fomentar uma reflexão sobre aspectos gerais do E.C.A., no que tange, aos direitos e deveres das
crianças e dos adolescentes.
HABILIDADE(S):
Identificar direitos e deveres das crianças e dos adolescentes. Conhecer a legislação que trata sobre
dos direitos e deveres das crianças e dos adolescentes. Posicionar-se criticamente dentro de um
protagonismo juvenil na luta por direitos.
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
Constituição Federal do Brasil, Juventude, Cidadania, Educação, Direitos Humanos.

INTERDISCIPLINARIDADE:
História, Português, Literatura, Matemática, Filosofia.

Figura 01: Adolescentes participando do Projeto de Contos de Terror. Dia das Bruxas.

É reservado a toda criança e adolescente, todos os direitos


Prof. Marcos Ferreira dos Santos Guimarães
Caro(a)s estudantes,
É uma honra escrever para vocês sobre o Estatuto da Criança e Adolescente (E.C.A.).
Acreditamos que vocês já tiveram algum contato com o E.C.A., seja pela mídia, pela
escola, ou até mesmo em reuniões comunitárias no bairro em que vocês moram. Para
aquele(a)s que nunca ouviram falar sobre o E.C.A., este é o momento! O contato com o
E.C.A. ajuda vocês a utilizarem esse instrumento para garantias de direitos previsto no
próprio Estatuto.
Para iniciar nosso papo, destacamos que o E.C.A. é uma lei. Refletir e compreender
sobre essa lei ajuda a ampliar seus horizontes, dando-lhes mais ferramentas para pensar a
realidade na qual você está inserido/a, possibilitando viver uma infância e adolescência de
forma reflexiva, possibilitando construir novos olhares sobre o mundo, como cidadãs/ãos
ativos e capacitados para intervir na realidade.
Salientamos que as reflexões sobre o E.C.A., que aqui começam, se darão em quatro
semanas de estudos. Nossa expectativa é que essas semanas possam auxiliar vocês na
busca de ampliação de conhecimentos e diálogo constante com o E.C.A. Como assim?
Vamos explicar! O tema central para os 1ºs anos do Ensino Médio do Plano de Estudo
Tutorado (P.E.T.) versão V, é o E.C.A. Na primeira semana, serão abordados
Conhecimentos Gerais do E.C.A. Já na segunda semana, o diálogo será sobre a
importância de estar atento à Saúde Mental das crianças e dos adolescentes. Chegando na
terceira semana, serão feitas ponderações sobre as Medidas Socioeducativas. Por fim, na
quarta semana do P.E.T., vocês estudantes refletirão sobre Consumo e Publicidade Infantil.
Querido(a)s estudantes, no dia 13 de julho de 1990, foi sancionada a Lei 8.069/90, pela
presidência da República do Brasil.
Vocês têm uma lei que lhes protegem!!! Vocês sabiam disso? É hora de entender um
pouco sobre essa lei, feita especialmente para você. Não se esqueçam, todos os espaços
sociais que vocês estão inseridos, seja na escola, casa, bairro, etc., isto é, em qualquer
lugar no Brasil, na cidade ou no campo, o E.C.A. se faz presente. É importante lembrar que
o E.C.A. deve ser respeitado, independentemente de cor, sexo ou condição social das
crianças e dos adolescentes.
De acordo com o art. 2º do E.C.A., considera-se criança a pessoa que não completou
12 anos de idade, e adolescente aquela entre 12 e 18 anos.

Estudantes, prestem bastante ATENÇÃO!


Entre os arts. 7 à 14 do E.C.A. é tratado um direito fundamental: o direito à vida e à
saúde. O direito à vida e à saúde se dá desde a barriga da mãe, passando pela fase de
amamentação, primeiras vacinas, chegando ao atendimento médico-hospitalar gratuito.
Ressalta-se que, em atendimentos médico-hospitalares, quando é identificado maus tratos,
violências, ou qualquer fato que interfira na saúde mental é necessário acionar o Conselho
Tutelar.
Como vimos até aqui, não restam dúvidas de que o E.C.A. oferece proteção integral
em todos os momentos das vidas de crianças e de adolescentes. Sua missão é resguardar
o desenvolvimento físico, emocional e biológico.
Assim, de acordo com a Lei 8.069/90, seus direitos são assegurados, inclusive no
que se refere ao acesso à escola, à cultura, ao lazer e ao esporte (arts 53 à 59), à
profissionalização (arts 60 à 69), à dignidade e ao respeito (arts 15 à 18).
Nos termos da Lei, cada parte da sociedade deve fiscalizar, denunciar, defender e
contribuir para que as crianças e os adolescentes possam ter uma convivência segura, com
qualidade e sem violações de direitos.
O E.C.A. prevê, além de direitos, uma série de deveres. São deveres da criança e do
adolescente: respeitar mães/pais e responsáveis; frequentar a escola e cumprir a carga
horária estipulada para sua série; respeitar os professores, educadores e demais
funcionários da escola; respeitar o próximo e suas diferenças (como religião, classe social,
cor da pele, sexualidades e etc), dentre outros!
Portanto, respeitar e praticar os deveres induz a criança e o adolescente a pensarem
coletivamente, criando uma consciência social, enquanto sujeitos.
Em situações de atos infracionais, o Estado deve garantir os dispositivos legais
estabelecidos no E.C.A.
Com o intuito de proporcionar uma infância e uma juventude de forma plena, a
Convenção sobre os Direitos da Criança, juntamente com o E.C.A. prevê ações e iniciativas
pontuais. Ambos documentos completaram 30 anos em 2020. Essas ações e iniciativas
ajudam e ajudaram a mudar a vida de milhões de crianças e de adolescentes em todo o
mundo. Tanto o E.C.A., quanto a Convenção caminham juntos no sentido de coibir crimes
como prostituição de vulnerável, trabalho infantil, crianças em situação de rua, maus tratos,
entre outros.
Segundo a UNICEF (2020), nesses 30 anos de leis de proteção à criança e ao
adolescente resultou em mais de 50% de redução nas mortes de crianças menores de 5
anos desde 1990. Caiu pela metade a proporção de crianças subnutridas desde 1990. Entre
1990 e 2020, o número de pessoas com água potável aumentou em 2,6 bilhões de pessoas.
Porém, milhões ainda são deixadas para trás: 262 milhões de crianças e de adolescentes
estão fora da escola, por exemplo.
No mais, fica uma dica: sempre se indigne com qualquer desigualdade social e atue
sempre para superá-la.
Abraços a todas e a todos!!!

ATIVIDADES
Questão 01: Leia a carta a seguir:
Carta de Brasília
13 de novembro de 2019
Querido Brasil,
Somos adolescentes em busca de um país melhor, somos de vários lugares: das
cidades, do campo, da floresta, das favelas, dos quilombos, das aldeias, das fronteiras.
Somos a diversidade: de sexualidades, identidades de gênero, credos, raças e etnias.
Somos pessoas, sujeitos de direitos.
Buscamos construir um Brasil melhor nos diversos espaços em que vivemos: nas
famílias, escolas, praças, coletivos e grupos.
Estamos aqui exercendo o direito de participar. Fazemos isso aqui, agora e no nosso
cotidiano: na luta contra o trabalho infantil, a violência sexual, o bullying, a xenofobia, o
racismo, a LGBTfobia, o machismo, o feminicídio, os ataques às terras indígenas e
quilombolas. Atuamos também na prevenção do homicídio de adolescentes, no fomento à
cultura e pelos direitos das pessoas com deficiência. 30 anos se passaram. Celebramos as
conquistas vindas da Convenção sobre os Direitos da Criança que impactaram diretamente
a nossa vida:
O princípio da prioridade absoluta;
A redução da mortalidade infantil; O Sistema de Garantia de Direitos; Os benefícios
socioassistenciais às famílias mais vulneráveis; Os canais de participação e denúncia de
violação; As campanhas de prevenção e enfrentamento das violências; As iniciativas do
UNICEF de promoção da participação de adolescentes no Semiárido, Amazônia e centros
urbanos; A criação dos conselhos de direitos de crianças e adolescente e a instituição do
Comitê de Participação de Adolescentes; A criminalização da homofobia; A obrigatoriedade
do ensino étnico-racial nas escolas (Lei nº 11.645) e o ensino da história e cultura afro-
brasileira (Lei nº 10.639); A lei do Menino Bernardo contra castigos físicos, tratamento cruel,
humilhante e degradante (Lei nº 13.010).
Ainda assim, violações de direitos continuam acontecendo contra meninas e meninos
e a juventude não binária. Entre os desafios a ser superados, destacamos: A distância entre
a família e a comunidade escolar; A falta de importância da voz de crianças e de
adolescentes; A dificuldade para garantir os direitos de crianças e de adolescentes
migrantes e/ou refugiados; A não responsabilização dos casos de intolerância religiosa,
racismo e LGBT+fobia; O adultocentrismo; O trabalho infantil; O homicídio de jovens,
principalmente homens, pobres e negros.
Dado esse cenário, exigimos o cumprimento integral da Convenção sobre os Direitos
da Criança, reafirmando o compromisso já assumido pelo Brasil. Nesse sentido,
reivindicamos: Estratégia de educação continuada sobre os direitos; Formação dos
profissionais em Direitos Humanos (nas áreas de saúde, educação, segurança pública,
entre outras); Discussões sobre gênero e sexualidade nas escolas, promovendo a educação
entre pares e a garantia do respeito e integridade de todas as pessoas, independente de
sua orientação sexual e identidade de gênero; O fortalecimento dos equipamentos do
Sistema de Garantia de Direitos no apoio às famílias; A priorização das investigações dos
homicídios de crianças e adolescentes; A proteção contra as armas, tanto para evitar que
pessoas armadas frequentem ambientes de convivência de crianças e adolescentes como
para evitar o acesso de crianças e de adolescentes a armas de fogo; Implementar de fato os
princípios da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação; Facilitar o acesso dos
imigrantes aos direitos básicos; Garantir os direitos de adolescentes em cumprimento de
medidas socioeducativas; Promover espaços de participação formal e informal de
adolescentes; Garantir o princípio da prioridade absoluta no orçamento das políticas
públicas e execução das emendas parlamentares.
Vocês estão ligados que, em 1989, 500 crianças e adolescentes ocuparam o plenário
do Congresso Nacional? Saíram da invisibilidade e abriram as portas da democracia do
País. Não permitiremos que essa trajetória seja interrompida. Resistiremos sem deixar
nenhuma criança ou adolescente esquecido.

Atividade: Com base na leitura da carta, redija outra carta, no caderno, descrevendo
momentos em que você presenciou ou foi vítima de violações de direitos. (mínimo de
15 linhas).

CAPÍTULO 9

EIXO TEMÁTICO:
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

TEMA/TÓPICO:
Saúde Mental.

HABILIDADE(S):
Compreender o que é saúde mental, desenvolver do equilíbrio emocional e resiliência diante dos
desafios da vida, atentar aos fatores bio-psíquico-sociais para uma vida saudável.

CONTEÚDOS RELACIONADOS:
ECA; relações interpessoais; autoestima; prazer de viver; estilo de vida saudável; discriminação social;
Bullying.

INTERDISCIPLINARIDADE:
Biologia; Psicologia; Sociologia; Filosofia; Geografia; História; Português (interpretação de texto e
escrita).
SAÚDE MENTAL
Ródinei Páscoa Amélio
Olá queridas e queridos estudantes! Nesta semana temos um assunto muito interessante: A
Saúde Mental de crianças e de adolescentes, como está escrito no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA). A maior parte das pessoas, quando ouve falar em “Saúde Mental”,
pensa em “Doença Mental”. Mas, a saúde mental é muito mais do que a ausência de
doenças mentais.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde é “o estado de bem-estar
do corpo físico (biológico), da mente (ter uma ‘cuca legal’ / ‘cabeça boa’) e das relações com
família, amigas/os, colegas de escola, parentes e com as pessoas com as quais temos
algum contato (social)”.
Mas, afinal de contas, o que é Saúde Mental? Pessoas com “cabeça boa”, ou seja,
mentalmente saudáveis, compreendem que ninguém é perfeito, que todas as pessoas
possuem limites e que não se pode ser tudo para todos o tempo todo. Por exemplo: nem
sempre é possível para todas as pessoas serem disponíveis, destemidas, abertas para
ouvir, dinâmicas nas atividades, felizes, realizadas, preparadas para tudo, pacientes, etc.
Nem sempre é possível.
De maneira geral, as pessoas mentalmente saudáveis vivenciam diariamente uma série de
emoções como alegria, amor, satisfação, tristeza, raiva e frustração por meio de situações
diversas como: um amor correspondido ou não; uma oportunidade de emprego, ou de
desemprego; a separação; a alta ou a baixa produtividade nos estudos ou no trabalho; a
doença, a recuperação da saúde, a morte de um ente querido; ouvir constantes palavras
desrespeitosas; sofrer agressão física; presenciar a desunião familiar; vivenciar a
competitividade no mundo do trabalho; entre outros acontecimentos que cada pessoa pode
reagir de diferentes maneiras. Pessoas com saúde mental são capazes de enfrentar os
desafios e as mudanças da vida cotidiana com equilíbrio e sabem procurar ajuda quando
têm dificuldade em lidar com conflitos, perturbações, traumas ou transições importantes nos
diferentes ciclos da vida.
A Saúde Mental de uma pessoa está relacionada à forma como ela reage às exigências da
vida e ao modo como ela faz para ser feliz na vida sempre tentando levar em conta os seus
desejos, as suas capacidades, as suas ambições, as suas ideias e as suas emoções. Hoje
em dia, por exemplo, cada vez mais, 120 adolescentes e jovens se relacionam via internet.
O uso frequente e intenso de aplicativos da internet podem tanto trazer realizações
pessoais, como originar frustrações e também podem provocar dor e sofrimento a si próprio
ou a outras pessoas.

Ter saúde mental é:


(1) Estar bem consigo mesmo e com os outros;
(2) Aceitar as exigências da vida;
(3) Saber lidar com as boas emoções e também com aquelas desagradáveis, mas que
fazem parte da vida;
(4) Reconhecer seus limites e buscar ajuda quando necessário.

Praticar hábitos saudáveis, ajudam a manter a saúde mental em dia. Aqui vão algumas
dicas de hábitos saudáveis que podem te ajudar bastante:
(1) Jamais se isole;
(2) Consulte o médico regularmente;
(3) Faça o tratamento terapêutico adequado quando precisar;
(4) Mantenha o físico e o intelectual ativos;
(5) Pratique atividades físicas;
(6) Tenha alimentação saudável;
(7) Reforce os laços familiares e de amizades.

Adotar um estilo de vida que promova a autoestima e o desenvolvimento pessoal mediante


atividades culturais e de lazer também é benéfico para a saúde mental. Exemplos de
atividades culturais: ouvir músicas com os amigos, dançar, cantar, brincar, sorrir, ler
quadrinhos ou mangás, assistir filmes legais adequados à sua idade, desenhar, colorir,
participar de teatrinhos, acessar conteúdos interessantes na internet seguir páginas no
instagram que traga debates que te enriquecem, etc.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU),
diversos fatores podem colocar em risco a saúde
mental das pessoas, de modo geral, das crianças e
dos adolescentes. Entre esses fatores estão: rápidas
mudanças da vida da sua família; o trabalho infantil
e do adolescente; quando uma pessoa é impedida
de fazer algo ou então é indesejada pelas outras
simplesmente pelo fato de ser negra ou menina ou
menino ou uma pessoa travesti, lésbica ou gay, ou
grande ou pequena; quando uma pessoa só come
“porcarias”; quando sofrem ou vê violência; quando
os direitos como criança ou adolescente não são
respeitados; quando nós vivemos uma situação de
pandemia como esta agora que estamos
vivendo(COVID-19), entre outros fatores.
A SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS E DE ADOLESCENTES NA ESCOLA
É fundamental que os estudantes tenham bons relacionamentos dentro da escola, seja com
o professor, diretoria da escola, colegas de turma, amigos e familiares, para que todos
desenvolvam suas habilidades e potencialidades, tanto dentro como fora da escola. Vale a
pena lembrar que a educação é um direito de todas as crianças e adolescentes. Como você
viu na semana passada, no PET, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) a garantia
dos estudos é um dever da família, da escola, do Estado e de toda a sociedade.
Estudar com alegria e poder contar com a colaboração dos colegas contribui para a saúde
mental de todos os estudantes. Brincar e ter senso de humor é extremamente importante e
necessário nas relações humanas. Entretanto, precisamos nos atentar para que não
aconteçam brincadeiras de mau gosto, porque a prática de xingamentos, ridicularização,
agressão física, bullying, racismo, homofobia, entre outras formas desrespeitosas de
tratamento, simplesmente podem arruinar a autoestima de uma pessoa, ou seja, são
extremamente prejudiciais à saúde mental e podem causar sérias complicações na vida de
alguém, como traumas, depressão, transtornos de ansiedade, síndrome do pânico,
esquizofrenia, etc.
Nos casos de pessoas já diagnosticadas com algum tipo de transtorno mental, será
necessária a ajuda profissional da equipe de saúde local com atendimento psicológico,
médico-psiquiátrico, medicação específica e terapias ocupacionais.

A SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS E DE ADOLESCENTES NA FAMÍLIA


O ideal seria que todas as pessoas, de todas as idades tivessem boas relações
familiares a fim de se desenvolverem socialmente, fisicamente e mentalmente. Neste
contexto, fortalecer os laços sociais com a família e com os amigos, realmente, é muito
importante para a saúde mental tanto individual como coletiva. Entretanto, a qualidade das
relações interpessoais no ambiente familiar varia muito de família para família. Por isso, em
alguns casos extremos, de maus tratos, é necessário contar com a ajuda do Conselho
Tutelar da Criança e do Adolescente quando ocorrem situações de abusos, violência
doméstica (física ou psicológica), violência sexual praticada por parentes ou “amigos”,
formas de alienação, entre outras consideradas violações de direitos humanos da criança e
do adolescente. Outra forma de pedir ajuda também é conversar com o professor, com a
diretora da sua escola, uma pessoa com quem você possa confiar. Nos casos de abuso e
de maus tratos, existe também um serviço do governo federal chamado “Disque 100”.
Ligando para este número você pode fazer uma denúncia anônima. Desta forma, o
Conselho Tutelar local será acionado para resolver o problema.

ATIVIDADES
QUESTÃO 01. Abaixo apresentamos algumas situações que podem ocorrer na
vida real. Escolha um dos casos e auxilie para que os estudantes tenham uma
boa saúde mental.
Caso 1. Jéssica sempre foi a garota mais alta da escola. Declara ser uma pessoa negra,
tem cabelos crespos e é muito inteligente. Na hora do recreio os colegas a chamam de
girafa e de cabelo duro. Ao longo do ano, nós observamos que as suas notas foram ficando
cada vez piores. Algumas de suas amigas disseram para a professora que Jéssica sempre
chorava em um canto sozinha, agachada, até passar a hora do recreio. Parou de estudar.
Ultimamente tivemos notícia de que ela está fazendo tratamento psicológico e tomando
remédios antidepressivos. O que podemos fazer para ajudar Jéssica?

Caso 2. Carlos é um cara muito tímido que detesta esportes e matemática. Ele tem um
monte de amigas e quase nenhum amigo. Tem uns caras lá da escola que ficam gozando
da cara dele e insinuando que ele é gay. Quando isso acontece, ou ele fica quieto ou parte
para a agressão. Ultimamente, ele tem faltado muito às aulas e suas notas pioraram. Rola
um boato que ele vai deixar de estudar porque não está mais suportando viver daquele jeito.
O que nós podemos fazer para que ele continue na escola e que parem com essa
discriminação?

Caso 3. O pai de Leandra faleceu de câncer há 6 meses. Sua família até fome já passou e
se mudou para a cidade grande para tentar a sorte de trabalhar e estudar. Mas, Leandra
não consegue acompanhar o ritmo da turma na escola. Ora está muito dispersa, ora muito
agitada, ora triste. Algumas vezes ela chora. De que forma podemos ajudar a Leandra?

CAPÍTULO 10

EIXO TEMÁTICO:
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

TEMA/TÓPICO:
Medidas Socioeducativas.

HABILIDADE(S):
Identificar as tensões entre os direitos e deveres da cidadania com foco no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA).

CONTEÚDOS RELACIONADOS:
Doutrina da Situação Irregular; Doutrina da Proteção Integral.

INTERDISCIPLINARIDADE:
História, Filosofia.

Estatuto da Criança e do Adolescente e Medidas Socioeducativas


Olá estudantes, vamos continuar conversando sobre o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA)? Como você pode perceber esse é o assunto central desse PET V e,
agora, nessa terceira semana, falaremos especificamente sobre as Medidas
Socioeducativas. Veja bem, o ECA, que fez 30 anos em 2020, é um documento que aponta
para uma doutrina de proteção integral. Agora você deve estar se perguntando: o que é
essa doutrina? É uma ideia baseada em novas formas de se enxergar a infância e a
adolescência; formas essas, mais inclusivas, que estão em sintonia com as diretrizes da
Organização das Nações Unidas (ONU) e que se orientam pela perspectiva de que todas as
pessoas são iguais e devem ter sua dignidade garantida e preservada.
Fruto da mobilização popular e do processo de retorno do país ao sistema democrático no
final dos anos 1980, o ECA é um documento que nos diz o seguinte: devemos olhar para as
crianças e para os adolescentes como prioridades, pessoas cujos direitos devem ser
preservados e que devem se desenvolver com pleno acesso à educação, à liberdade, à
dignidade, à saúde, à convivência familiar e comunitária, à cultura, ao lazer e à alimentação.
Segundo o ECA, crianças e adolescentes são pessoas em desenvolvimento e que devem
ser protegidas pelo Estado, pela comunidade e pela família contra todas formas de
violência. Ora, esse é o ponto de onde partimos para compreendermos os modos como o
ECA aborda as Medidas Socioeducativas, modos esses que podem ser resumidos na
afirmação da doutora em Políticas Sociais, Francisca Pini, que nos diz o seguinte: “Lugar de
criança e adolescente é na praça, na escola, no parque, nos centros culturais e das
juventudes, na comunidade, na família e NÃO na cadeia.
Por mais de cem anos, desde o início do nosso período republicano, em 1889, até a
Constituição Federal de 1988 e, em especial, até 1990, quando a lei que apresenta o ECA
foi aprovada, prevalecia no país a compreensão de que crianças e adolescentes, pobres e
negros em sua maioria, que viviam ou que eram suspeitas de viver em alguma condição de
risco ou ilegalidade, tais como o abandono familiar ou a prática de atos ilícitos, deveriam ser
institucionalizadas, ou seja, retiradas do convívio social e internadas, para que fossem
protegidas ou disciplinadas. Até então, vigorava no Brasil a doutrina da situação irregular,
aplicada àqueles que eram considerados como “de Menor”, ou seja, que não tinham
completado a maioridade e que viviam de modos diferentes daqueles que eram
considerados como modelos socialmente adequados, sendo esses modelos, por exemplo,
tanto os de família, quanto de comportamento.
Por longos anos a palavra “Menor” esteve presente em nossas leis e nas instituições da
Justiça, assim, podemos vê-la no Tribunal de Menores de 1923, no Código de Menores de
1927 ou no Novo Código de Menores de 1979. Ainda sobre essa palavra, autoras como
Vera Malaguti Batista nos informam que o termo Menor produz discriminações porque
carrega consigo uma associação direta com criminalidade, com a pobreza e com a questão
racial, tendo marcado, principalmente, as crianças e os adolescentes pobres e negros/as.
Foram estes/as que, em sua maioria, ficaram sob a custódia do Estado e foram
institucionalizados, ou seja, internados, para que, sobretudo, não se tornassem marginais e,
nesse sentido, um risco para a sociedade. Nessa linha de atuação, podemos listar
instituições de internação tais como as colônias correcionais, reformatórios e a FEBEM.
Nossa história encontra-se marcada por inúmeros relatos de maus tratos e violência
experimentados pelas crianças e adolescentes que passaram por essas instituições.
A partir do ECA, que visa romper com a perspectiva excludente e punitiva presente na ideia
do “de Menor” que descrevemos acima, é apresentada à sociedade brasileira em geral e,
mais especificamente, ao Sistema de Justiça, a compreensão de que a institucionalização
deve ser a última alternativa para se lidar com crianças e adolescentes em situação de risco
ou que tenham praticado atos ilícitos.
O ECA considera como crianças as pessoas ainda em formação na barriga da mãe e que
não completaram 12 anos, já as pessoas que possuem 12 anos ou mais e que ainda não
completaram 18 anos são consideradas como adolescentes. Saber dessas divisões de
idade é importante porque, segundo o ECA, apenas a partir da adolescência os sujeitos
passam a ser responsabilizados individualmente pelos seus atos, quando esses atos são
contrários ao que é estabelecido pela lei, como, por exemplo, a prática de agressões físicas
ou de ameaças, de um furto ou de um homicídio. Se uma criança comete qualquer um
desses atos, a responsabilidade em relação à justiça recai sobre sua família.
Em termos de linguagem, quando um adolescente descumpre a lei, não dizemos que ele
cometeu um crime, e sim de um ato infracional, com isso, entre outras coisas, enfatiza-se a
importância de não estigmatizar esse adolescente como sendo um criminoso. Mas alguém
que fez algo ilegal e que, tendo a chance socioeducativa de repensar e responder por essa
situação, pode escolher por formas diferentes de agir e que não impliquem o confronto com
a lei. Trata-se de uma perspectiva que deixa explícita a crença e a aposta na mudança
positiva. Conforme texto publicado em 2010 pelo Instituto da Criança e do Adolescente
(ICA-PUC Minas): “A diferença do ECA para as outras legislações é que o Estatuto, mesmo
quando considera um adolescente em conflito com a lei, leva em conta que a
responsabilização dele deve ser diferente da do adulto e não desconsidera seus direitos”.
Ou seja, a partir da perspectiva de que adolescentes estão em fase de desenvolvimento,
elaborou-se um sistema de direitos e deveres que visa garantir que a responsabilização
pelo ato infracional seja, antes de tudo, um caminho socioeducativo, que ao invés de
apenas reprimir propriamente, vise também e, sobretudo, educar.
Por vezes, é comum ouvirmos frases como: “adolescentes fazem o que querem,
porque não dá nada pra eles”. Às vezes ouvimos adolescentes dizendo: “não dá nada pra
mim”, ao se referirem à prática de atos infracionais. Essas são visões de Senso Comum,
que, primeiro, deixam de considerar o enorme índice de violência letal que atinge
adolescentes neste país e, segundo, desconsideram todos os mecanismos de
socioeducação previstos para a responsabilização de atos infracionais. Com base no ECA,
foi instituído em 2006 o Sistema Nacional de Ações Socioeducativas (SINASE) e, de acordo
com esse sistema, o processo de responsabilização de um adolescente que comete ato
infracional deve ser proporcional à gravidade desse ato ou à reincidência do adolescente na
prática de atos infracionais. Temos, ao todo, seis tipos de medidas socioeducativas, sendo
elas: Advertência, Obrigação de Reparo ao Dano, Prestação de Serviços à Comunidade;
Liberdade Assistida, Semiliberdade e Internação. Para 125 que o adolescente não seja
retirado da convivência comunitária e familiar, consideradas de suma importância para o
desenvolvimento do indivíduo, o SINASE enfatiza a importância do cumprimento de
medidas de meio aberto, reservando as medidas de meio fechado (Semiliberdade e
Internação) apenas para infrações que representem graus elevados de ameaça e violência.
Feita a apresentação das Medidas Socioeducativas, importa que prestemos atenção
ao fato de que, mesmo depois de todas as novidades apresentadas pelo ECA, com vistas à
garantir a dignidade e cidadania de crianças e de adolescentes, independente do gênero,
raça ou classe social, vivemos, ainda, sob a influência dos longos anos de uso do termo
“Menor” e do significado social que ele possui. Outro ponto importante refere-se ao fato de
que, apesar de bem descrito no texto do SINASE, na prática os estados e cidades
brasileiras ainda possuem diversas dificuldades em relação à implementação de um
Sistema Socioeducativo que funcione plenamente. Ou seja, há um caminho a ser percorrido
pela sociedade e pelo Estado para que o atual modelo das Medidas Socioeducativas se
concretize efetivamente.
Por fim, para finalizarmos a reflexão que desenvolvemos até aqui sobre o ECA e
sobre a busca de parcela da nossa sociedade pela superação da ideia do “de Menor”,
podemos ficar com as palavras de Fabiana Zapata a respeito das Medidas Socioeducativas:
“ao contrário do que muitos pensam, não é um sistema de benesses ao adolescente que
praticou ato infracional [...] mas o ideal de lhe oferecer uma pedagogia voltada à formação
da pessoa e do cidadão”.

ATIVIDADES
Agora, vamos praticar nosso processo reflexivo e de escrita!!! No texto dessa
semana, conversamos um pouco sobre as Medidas Socioeducativas. Com base naquilo que
você aprendeu e que você já sabia, escreva um texto que tenha entre 5 e 10 linhas para
responder à seguinte questão: quais as principais mudanças trazidas pelo ECA e pelo
SINASE em relação aos adolescentes que, em algum momento, se encontram em conflito
com a lei?

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