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ESTUDO: O USO DO VÉU NA

IGREJA DE CORINTO

No novo testamento é usada várias vezes a palavra “véu”. Essa palavra, dependendo do
contexto histórico-circunstancial, muda de significado. Nessa mensagem eu quero tratar,
especificamente, do significado que está na passagem bíblica a qual o Apóstolo Paulo dá o seu
parecer sobre o uso do véu na Igreja de Corinto. Bem, para que possamos entender o uso do véu
na Igreja de Corinto, primeiramente, precisamos saber como era a Cidade de Corinto nos dias do
Apóstolo. Em um ponto da cidade com cerca de 575 metros de altitude, foi construída uma
fortaleza chamada de Acrocorinto. Nessa fortaleza foi construído o templo da famosa deusa
Afrodite. Afrodite era considerada – pelo imaginário dos gregos do primeiro século – a deusa do
amor erótico, da sensualidade, da fertilidade e da beleza. Segundo textos da época, havia ali cerca
de mil sacerdotisas de Afrodite, que eram prostitutas cultuais da deusa. Elas cultuavam a deusa
através do oferecimento de seus corpos aos homens da região e aos viajantes estrangeiros. Com
a prática de prostituição, elas arrecadavam dinheiro para os seus sustentos e para a manutenção
do templo da deusa. Essas mulheres tinham o costume de deixar o cabelo curto ou raspado, de
modo que isso era a “marca registrada” delas na cidade. Todos naquela cidade sabiam bem disso.
Para uma mulher daquela cidade, ter o cabelo curto ou raspado era vergonhoso e um chamariz
para os taradões de plantão. Com essa cultura de prostituição e com os muitos taradões a solta
pela cidade, alguma coisa precisou ser feita pelas famílias gregas conservadoras, as quais não
compactuavam com tal prática. Então, a fim de resguardarem as mulheres que tinham marido e
as solteiras que se davam o respeito, foi criada a seguinte solução: manter os cabelos longos!
Todavia, muitas mulheres tinham cabelo curto, inclusive prostitutas cultuais que se converteram
dos seus modos desonrosos de viver. Acabou que o uso dos cabelos longos também virou uma
“marca registrada”; mas, agora, das mulheres que queriam se proteger da avidez dos homens que
procuravam pelo sexo das prostitutas. Pois bem, é basicamente esse o cenário da Corinto do
primeiro século. É nesse contexto que o Apóstolo Paulo escreveu as suas cartas aos Coríntios.
Agora vamos entrar no trecho da carta que fala sobre o uso do véu; mas antes, eu quero fazer
algumas considerações… Primeiro: esse assunto é mencionado uma única vez na bíblia; segundo:
o assunto sobre o uso do véu na Igreja foi direcionado – apenas – à comunidade cristã de Corinto;
terceiro: o texto em questão, a meu ver, é de difícil interpretação, pois não está, totalmente, claro
(apesar de, a não obrigatoriedade do uso do véu pelas mulheres de Cristo atuais, ser algo claro e
óbvio.); quarto: eu usei o texto da bíblia de Jerusalém, pois foi a melhor versão, que eu achei, para
entender esse texto; quinto e último: eu deixei, em cada versículo, um comentário explicativo
entre parênteses. O texto se encontra em 1 Coríntios 11: 2-16. Posto isso, vamos ao texto da
Escritura que fala sobre o uso do véu na Igreja: 2. Eu vos louvo por vos recordardes de mim em
todas as ocasiões e por vos conservardes as tradições tais como vo-las transmiti. (Esse versículo
não carece de maiores interpretações.) 3. Quero, porém, que saibais: a cabeça de todo homem é
Cristo, a cabeça da mulher é o homem, e a cabeça de Cristo é Deus. (O termo original para a
palavra “cabeça” aqui é “Kephalé”, que pode significar “origem” ou “fonte”. Aqui o Apóstolo faz
uma menção ao livro de Gêneses para deixar mais claro aquilo o que ele está querendo expressar.)
4. Todo homem que ore ou profetize (pregar/anunciar) de cabelos longos, desonra sua cabeça. (A
expressão “Desonrar sua cabeça” significa envergonhar à Cristo – que, como vimos , é o cabeça
do homem. O fato de um homem possuir cabelos compridos era vergonhoso para a cultura
judaica.) 5. Mas toda mulher que ore ou profetize (pregar/anunciar) com a cabeça descoberta,
desonra a sua cabeça; é o mesmo que ter a cabeça rapada. (“Cabeça descoberta” = sem o véu que
demostrava que aquela mulher tinha “autoridade”, aos olhos da sociedade daquela época.
“Desonra a sua cabeça” = envergonha o seu marido, diante dos olhares de terceiros. Na parte final
do versículo, Paulo diz que, para a cultura judaica, a “cabeça descoberta” é o mesmo que “ter a
cabeça rapada” – que, para os gregos, era uma vergonha. Ou seja, ele faz uma comparação entre
as duas culturas; expressando um pensamento judaico e comparando a um pensamento da
Corinto daquela época.) 6. Se a mulher não se cobre, mande cortar os cabelos! Mas, se é
vergonhoso para a mulher ter cabelos cortados ou raspados, cubra a cabeça! (Na parte “a” do
versículo, a meu ver, não combina com todo o resto do texto. Para quem conhece, pelo menos
um pouco, dos escritos de Paulo, vai concordar que a parte “a” do versículo não combina com os
seus pensamentos; pois aqui o autor parece ter uma atitude enérgica com relação a costumes –
comportamento típico dos rabinos do judaísmo. No versículo “b”, em outras palavras, Paulo
diz:“… Mas, por outro lado, se nessa cidade é vergonhoso, por causa das prostitutas de Afrodite,
as mulheres cristãs possuírem o cabelo curto, então resolvam isso colocando um véu sobre a
cabeça.) 7. Quanto ao homem, não deve cobrir a cabeça, porque ele é a imagem de Deus; mas a
mulher é a glória do homem. (“cobrir a cabeça” = ter cabelos longos. A mulher é a parceira fiel do
homem, sua felicidade e seu orgulho.) 8. Pois o homem não foi tirado da mulher, mas a mulher,
do homem. 9. E o homem não foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem. (Nesses
versículos, “Pois” é a conjunção explicativa que ele usa para explicar o motivo original pelo qual a
mulher é a felicidade orgulhosa do homem.) 10. É por isso que a mulher deve disciplinar seu
cabelo, por causa dos anjos. (“Deve disciplinar “ = colocar o véu (sinal de autoridade-respeito-
pertencimento) sobre a cabeça. A palavra “anjos” aqui é melhor traduzida por “mensageiros”,
que era qualquer transeunte da sociedade que poderia se escandalizar e sair comentando com
outras pessoas. Paulo prezava a prudência e o bom senso mediante as circunstâncias culturais
imediatas; por isso que ele aconselhou que as mulheres, da cultura daquela época, deviam usar o
véu – cultura judaica – ou manter os cabelos longos – cultura grega. Usar o véu ou ter cabelos
longos era, naquela época, o sinal estético que validava uma mulher como uma mulher de
respeito, aos olhos de terceiros.) 11. Entretanto, diante do Senhor, a mulher não existe sem o
homem e o homem não existe sem a mulher. 12. Pois, se a mulher foi tirada do homem, o homem
nasce pela mulher, e tudo vem de Deus. (Aqui, nos versículos 11 e 12, o autor da carta diz que,
apesar da referencia de Gêneses que ele citou nos versículos 8 e 9, para Deus não existe maior ou
menor em sua criação , pois dependemos uns dos outros para procriar e dar continuidade ao ciclo
da criação. Nós nos pertencemos mutuamente. Paulo estava tentando abrir a visão daquele povo
para um entendimento transcultural e transreligioso de Deus.) 13. Julgai por vós mesmos: será
conveniente que a mulher ore a Deus sem estar coberta de autoridade? (Aqui Paulo pede para os
coríntios exercerem o seu próprio discernimento e tirarem a sua própria conclusão sobre esse
impasse.) 14. A natureza mesma não vos ensina que é desonroso para o homem trazer cabelos
compridos, 15. ao passo que, para a mulher, é glória ter longa cabeleira, porque a cabeleira lhe
foi dada em lugar do véu? (Aqui Paulo faz uma observação sobre a natureza do homem e da
mulher, pois a cabelo do homem é naturalmente menos tendencioso a crescer do que o da
mulher. Essa observação foi uma ajudinha que Paulo deu aos coríntios, a fim de eles exercerem o
próprio discernimento sobre o uso do véu ou dos cabelos longos. Repare que, no final do versículo
6, Paulo orienta o uso do véu na Igreja de Corinto para as mulheres que possuem os cabelos curtos
ou raspados; mas agora, no final do versículo 15, ele fala que os cabelos compridos podem
substituir o véu em Corinto.) 16. Se, no entanto, alguém quiser contestar, não temos este
costume, nem tampouco as Igrejas de Deus. (Possivelmente alguém estava questionando aos
coríntios sobre outro costume, que não era o costume que Paulo ensinou nesses versículos que
acabamos de meditar. Em outras palavras, Paulo disse assim: “Se alguém quiser fazer polemica
sobre o assunto do uso do véu na Igreja de Corinto, mande falar que nós não temos o mesmo
costume daqueles que nos perguntaram, e pronto!) Note que o cerne da lição passada pelo autor
do texto é a preservação da integridade das mulheres cristãs, perante todos os olhares que
passavam por Corinto (Corinto, por ser uma cidade portuária, era uma cidade turística onde
passavam muitas pessoas, de diversas culturas e credos). Devido ao seu bom senso preventivo,
ele não queria “dores de cabeça” e queria, ao máximo, evitar escândalos. Todavia, ele sabia que
o uso do véu na Igreja de Corinto era uma medida temporal. Hoje, cerca de dois mil anos depois,
cidade de Corinto está em ruínas; e lá não existe mais as prostitutas de Afrodite. O cabelo curto
ou raspado não representa mais uma marca de prostituição para o povo local. Hoje, dependendo
do imaginário cultural de um determinado local do mundo, temos outros sinais que são
considerados como um sinal de que uma mulher é prostituta. Por exemplo, em muitos hotéis do
Brasil, as funcionárias, como medida de preservação, são proibidas de usarem unhas pintadas;
pois, para algumas culturas do mundo, isso é um sinal de que a mulher é prostituta e promiscua.
Sabe, culturas vem e vão, porém os princípios do Evangelho de Cristo permanecem para sempre;
de cultura em cultura e de circunstância em circunstância. Gostou dessa mensagem? Têm dúvidas
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