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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho” FACULDADE DE CIÊNCIAS Licenciatura em Pedagogia UNESP-BAURU

ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”-UNESP, como prérequisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, orientado pela Profª. Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes.

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia submetida à Comissão Examinadora designada pelo Curso de Graduação em 01/11/2008 como requisito para obtenção do grau de Pedagogia.

BANCA EXAMINADORA

Orientador: Profª Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Marcia Cristina Argenti Perez Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Thais Cristina Rodrigues Tezani Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura:

Data de aprovação: 11 de novembro de 2008.

paciência.4 Dedico este trabalho aos meus pais cujo carinho. cujos sorrisos e gestos me fizeram seguir a cada dia. . companheirismo. E aos meus queridos e amados alunos. amor. dedicação e confiança não me permitiram desistir de muitos sonhos.

ao meu pai Walmir pelo amor. Principalmente por me ensinarem a ter fé e acreditar em mim. À minha irmã Ariane.5 AGRADECIMENTOS A Deus. incentivo e por toda lição de vida que presenciei durante os meus vinte e dois anos de existência. carinho e amor dedicados a mim. pelos sorrisos. Obrigada a todos pelos ensinamentos e conhecimentos oportunizados. pelos ensinamentos. . Companheira e amiga. À todos os funcionários da instituição na qual foi realizada a pesquisa e onde trabalhei por dois anos. pela paciência e confiança a mim dedicados. Por todas as brigas e reconciliações. À minha mãe Nilsa. Obrigada pelo incentivo e apoio desde a época do cursinho. Obrigada pelo incentivo e torcida. Pelos ensinamentos baseados em experiência. À toda a minha família. carinho e dedicação incondicionais. Dirce e Anísio. Aos meus queridos alunos. por todas às vezes em que brincamos de escolinha e que ela foi minha “aluninha”. por ter me concedido está maravilhosa oportunidade de no decorrer desses quatro anos conviver com tantas pessoas especiais. Aos meus padrinhos Regina e Paranhos por torcerem por mim mesmo que de muito longe. Obrigada por todos os ensinamentos. Aos meus avós. As amigas Caroline e Kéthlen por não me deixarem desistir. À minha tia-madrinha Marli e ao meu tio Marisvaldo. Obrigada por respeitar minhas decisões e acreditar em minha capacidade. À minha querida chefe Mariane. pelos momentos de alegria e tristeza juntos compartilhados que nos ajudaram a construir pontes indestrutíveis no caminho da amizade.

À todas as pessoas que passaram e permanecem em meu caminho durante esses quatro anos de Unesp. As professoras Thaís Tezani e Márcia Cristina Argenti Perez pelas contribuições enquanto banca examinadora.6 Ao professor Antonio Francisco Marques pelo exemplo a ser seguido. .

alunos e educadores. . legais e científicas do brincar na educação infantil. O estudo qualitativo utilizou a metodologia do tipo descritivo e contou com a participação de pais. A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação. a legislação e as principais concepções da criança de educação infantil e o papel do brincar. Palavras-chave: Educação infantil.7 Resumo Este trabalho analisou as bases históricas. assim como a aplicação de uma intervenção que promoveu o resgate da concepção de infância por meio de brincadeiras. concluí-se que a brincadeira também é uma forma de proporcionar o aprendizado. O estudo demonstrou a importância do brincar para o desenvolvimento sócio-cognitivo da criança que foi comprovado pela literatura consultada e os resultados ao final da intervenção realizada propiciou um novo olhar para a educação infantil abandonando uma rotina sistematizada que deixa o lúdico em segundo plano. das 06h30min às 17h30min. A base teórica da pesquisa buscou nos textos disponíveis o histórico. O universo da pesquisa abrangeu uma classe do Maternal II e outra do Pré da Educação Infantil. O trabalho foi formulado a partir da prática da pesquisadora na educação infantil. criança e lúdico. do brinquedo e da brincadeira no cotidiano das crianças da educação infantil atual. sendo sujeitos da pesquisa todos os alunos de ambas as salas. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram a pesquisa semi-estruturada e observações participantes. ou seja. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. A pesquisa empírica foi realizada em uma instituição de educação infantil com funcionamento em período integral.

from 06h30am to 5h30pm. . The study demonstrated the importance of playing for the socio-cognitive development of the child and was proven by the literature. Every child from each group participated. toy and playful. legal and scientific basis of playing during the child education and execute an intervention for the rescue of the childness conception by means of games. The research universe covers two groups of children from the elementary school. Key-Words: child education. The qualitative study use descriptive methodology and counted with the participation of the parents. child. the current legislation and the main concepts of child education. because to play is also to learn. setting focus on the children as the active member of their development process. The instruments used for data collection were the semi-structured research and participative observations. dismissing the systematized routine which leaves the ludic in second plan. as well as the role of playing. The work was developed based on the researcher activities in child education. The research was realized in an institution for child education with full period operation. The methodology used was the research-action. The source of the research are the historical records.8 Abstract This work intend to analyse the historical. toys and jokes in the current child education daily activities. students and educators. that is. The acquired results at the end of the intervention held a new way of seeing the child education.

Anexos 90 I-Questionário dos pais 91 II .1 Intervenção 68 4.1 O Desenvolvimento da Criança 32 2.Considerações Finais 86 6.2 Educação Infantil no Brasil 20 1.2 Teorias do desenvolvimento 34 2.3.1.2.3.2 Henri Wallon 35 2.Questionário dos professores 93 .3 Desenvolvimento 39 3.2 Brincar.4 Análise de dados 55 4. Vygotsky 36 Cap.2 Avaliação 77 5.1 Jean Piaget 34 2.2.Referencias 88 7.3 Lev S.3.3 Concepção de creche 23 Cap.2 Caracterização da instituição pesquisada 42 3. brinquedo e brincadeira 26 2.3 O brincar no cotidiano 47 Cap.1 Procedimentos 41 3.9 SUMÁRIO Introdução 11 Cap.1 Infância e Educação Infantil 15 1.3.1 Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos 17 1.

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III - Projeto “A Importância da recreação para o desenvolvimento sócio-cognitivo de crianças no maternal” 94 IV - Projeto “O resgate da infância por meio do brinquedo e da brincadeira na educação infantil” 99

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Introdução Desde o nascimento as crianças são inseridas em um contexto social, seu primeiro contato social se dá pela interação com os pais. Nos primeiros meses de vida a criança entra em contato com o mundo da brincadeira por meio das brincadeiras de esconder o rosto e em seqüência aparecem às brincadeiras cantadas. Os adultos muitas vezes não percebem a importância desse tipo de brincadeira, por meio dela transmite-se muitas características da cultura folclórica. Primeiro a criança brinca sozinha, depois procura companheiros para brincadeiras paralelas e com brinquedos. Só então ela incorpora o sentimento de socialização, descobrindo os prazeres e dissabores do brincar em conjunto. Conforme as crianças vão crescendo suas brincadeiras se tornam mais ricas, com diversos elementos, conteúdos e valores que receberam em seus primeiros anos de vida. Para muitos a idéia de infância se caracteriza como o período que antecede a idade adulta, Postman(1999) em seu livro O Desaparecimento da Infância, se refere a infância como um artefato social e não uma categoria biológica. Isso significa que infância é uma fase específica da vida, que tem variações históricas e sociais. Por exemplo, uma criança que trabalha desde cedo nos fornos quentes das cerâmicas, não tem o sentido de infância, pois ela não teve direito a educação, a brincar, ao cuidado, etc. Segundo este autor, a idéia de infância é uma invenção da Renascença. No livro A História Social da Infância o pesquisador Áries (1986), destaca que o sentimento de infância começa a existir no final do século XVI, perpetuando-se no final do século XVII. Antes disso a criança era tratada como adulto em miniatura sendo ignorada pela sociedade. A visão trazida pelo romantismo sobre a infância trata as crianças como futuro da nação, um ser frágil, inocente e em desenvolvimento cabendo a educação transformá-las em homens educados.

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Algumas mudanças como a expansão do mercado de trabalho para as mulheres, a mudança da estrutura familiar, antigamente o modelo de família nuclear na qual o pai/homem era responsável por manter financeiramente a casa e a mãe/mulher era responsável apenas pela educação dos filhos, nos dias de hoje os arranjos familiares tendo a mulher como provedora da casa, a intensa urbanização e a preocupação da sociedade com a escolarização das crianças culminaram na expansão do ensino no Brasil e no mundo, sendo os principais fatores para a entrada cada vez mais cedo de crianças nas instituições de ensino. Principalmente as de período integral, anteriormente tratada como creche. Foi criada em 1959, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada por unanimidade pela ONU, criada com o fim de defender e integrar as crianças na sociedade e zelar pelo seu convívio e interação social, cultural e até financeiro conforme o caso, dandolhes condições de sobrevivência até a sua adolescência. Tendo como base e fundamento os direitos a liberdade, estudos, brincar e convívio social das criança que devem ser respeitados e preconizadas em dez princípios. Destacando o princípio VII no qual se afirma que : “A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito”. Neste mesmo princípio se afirma que: ”A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares (...)”. As mudanças sociais ocorridas no Brasil e no Mundo fizeram com que grande parte da sociedade civil e órgãos governamentais se engajassem em um grande movimento para que o atendimento educacional de crianças de 0 a 6 anos e a infância fossem reconhecidos na Constituição Federal de 1988, o que se concretiza em vários de seus artigos. A partir de então a educação infantil em creches e pré-escolas foi legalizada (artigo 208) e um direito de todos e dever do estado e da família (artigo 205).

em creches e pré-escolas. o que fez com que o Brasil se tornasse o primeiro país a adequar a legislação interna aos princípios consagrados pela Convenção das Nações Unidas. conseqüência do direito da criança à educação e não direito da mulher trabalhadora . baseada no princípio do direito universal à educação para todos. já previstos na Constituição de 1988. como primeira etapa da educação básica. promulgado pelo então presidente Fernando Collor de Melo com o objetivo de estipular os direitos e responsabilidades das crianças e adolescentes. A atual LDB (Lei 9394/96) sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. Sendo um dos direitos fundamentais da criança é o direito de brincar presente no artigo 16. que elevou a criança e o adolescente a preocupação central da sociedade. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBEN) disciplina o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em 1989. avançou no direito das pessoas ao explicitar os princípios da proteção integral e da prioridade absoluta. Sabendo que o papel da escola de educação infantil seja ela em período integral ou não é antes de tudo promover a socialização das crianças e que o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização.13 Nossa Constituição (BRASIL.Tem por objetivo possibilitar aos sistemas de ensino a aplicação dos princípios educacionais constantes da Constituição Federal. trouxe diversas mudanças em relação a lei anterior entre elas a inclusão da educação infantil.1988) demonstra que já havia um interesse por parte dos brasileiros com relação à mudança nos direitos da criança. portanto toda vez que se promulga a Constituição é necessário a elaboração de uma nova LDB. inciso IV. .

Identificar as características cognitivas. sendo eles: Introdução . brinquedo e brincadeira. afetivas e psico-sociais da criança de 2 à 6 anos. Este trabalho será apresentado em capítulos. Caracterizar o funcionamento da escola de período integral. Desenvolvimento da pesquisa e Considerações Finais. Os objetivos específicos da pesquisa foram: . Sem deixar de privilegiar a criança como principal objeto de estudo do trabalho. Brincar.Definir brinquedo e brincadeira.14 Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo dessas crianças. Observar a realidade identificando os tipos de atividades lúdicas e os recursos disponíveis para o desenvolvimento das mesmas. Pesquisar junto aos pais e dos alunos e educadores a concepção deles sobre brinquedo e brincadeiras. O desenvolvimento da criança. Contextualizar a realidade estudada no cenário municipal. . a presente pesquisa almejou analisar a importância do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. Aspirou analisar o papel do educador diante da questão do brinquedo e da brincadeira no desenvolvimento de seus alunos. Relacionar os dados obtidos através de questionários com dados obtidos nas observações. para essa faixa etária tanto a organização pedagógica e filosófica das atividades desenvolvidas. . bem como a estrutura física e organizacional da escola.Infância e educação infantil.

. No primeiro as crianças as crianças aparecem na forma de anjos.15 1. Por se tratar de uma construção histórica nos séculos X-XI havia profundo desinteresse pela infância. No século XIV surgem novos modelos para representar a infância. O segundo modelo de criança seria a imagem da criança sagrada representada pelo Menino Jesus ou por Nossa Senhora Menina. pois se considerava que antes dos sete anos a criança era incapaz de falar e expressar seus pensamentos e desejos. O terceiro modelo de criança é a representação da criança nua. sendo considerada como um período de transição sem nenhuma lembrança ou importância para a vida adulta. que constrói sua história no decorrer dos anos. Nos registros da arte Medieval não se encontra nenhum relato sobre o tema até o meio do século XII. está ligada a noção de família e ao desenvolvimento escolar no século XVII. A conceituação de infância que conhecemos é recente. nessa época a idéia de infância estava ligada a Maria. Recorrendo-se ao seu significado literal. deixando a antiga idéia de adultos em tamanho reduzido. por isso era representada como adulto em miniatura. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo”. a palavra infância oriunda do latim infantia significa “incapacidade de falar”. a criança era menos que o adulto. Desde a antiguidade a palavra infância estava atrelada a incapacidade. Segundo o historiador Phillipe Áries em seu livro História Social da Criança e da Família (1981) no qual elaborou estudos sobre a infância na Europa “É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade. A partir desse pressuposto a noção ou sentimento de infância foi construído ao longo da história.Infância e Educação Infantil O homem é um ser histórico social.

p. A visão contemporânea de infância se depara com uma série de mudanças. porém a valorização da imagem da criança permaneceu e consolidou-se então a noção de família. A criança passou a ser representada sozinhas sendo modelos favoritos dos pintores da época. infância e família existiram da mesma forma. historicamente de acordo com a modificação nas formas de organização da sociedade. As crianças começaram a sair do anonimato quando os adultos iniciaram o gosto pelo retrato. Segundo a pesquisadora Kramer (2003) “entende-se comumente. A nova visão de infância possui outras características. O gosto novo pelo retrato indicava que as crianças começaram a sair do anonimato em que sua pouca possibilidade de sobreviver as mantinha. o consumismo e a globalização. “criança” por oposição ao adulto: oposição estabelecida pela falta de idade ou de “maturidade” e “de adequação integração social”. Se para a sociedade feudal a criança se tornaria adulta assim que a mesma ultrapassasse o período de alta mortalidade e já pudesse trabalhar. Para a pesquisadora Kramer (2003) a idéia de infância não existiu sempre e foi modificada com o passar do tempo.16 No século a densidade demográfica da época explica a indiferença com relação às crianças. essas necessidades estão atreladas ao novo sistema vigente. que nessa época de desperdício demográfico se tenha sentido o desejo de fixar os traços de uma criança que continuaria a viver ou uma criança morta. novos olhares e algumas rupturas com o modelo de infância concebido até então. o capitalismo. a fim de conservar sua lembrança” (ARIÉS. É notável.23) No século XVII passou-se a conservar a imagem da infância pela arte. novos interesses e necessidades que não existiam antes. já que a possibilidade de perda das mesmas era muito alta. Todas essas características demonstram que nem sempre escola. conforme ocorrem as mudanças na relação social da criança.1981. . de fato. para a sociedade burguesa a criança deve ser amparada e escolarizada. Ela aparece com a sociedade capitalista. No século XIX substitui-se a pintura pela fotografia.

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Por muitos anos a escola e a família eram os grandes responsáveis pela socialização e interação da criança com o mundo, nos dias de hoje outras mídias como a televisão e a internet responsáveis por essa função. Segundo Pfron Neto as crianças tem interesse pela televisão a partir dos 6 meses de vida , passando a assistir com maior regularidade a programação por volta dos 2 a 3 anos de idade. Outro fator que convém ressaltar na mudança da concepção de infância está ligada a nova característica da sociedade contemporânea, a individualização das pessoas. Os pais presos a sua rotina estressante profissional, deixam seus filhos aprisionados em suas casas, permanecendo sozinhos por um longo tempo. Com isso a televisão por sua vez invade a vida das crianças pregando determinado estilo de vida, com modismos e ideais, ditando regras, brincadeiras, formas de ver o mundo. Estimulando a consumir casa vez mais, transformando as crianças em consumidores desenfreados. Nesse sentido a mídia altera a noção de infância construída até os dias de hoje, reduzindo a criança a um sujeito-consumidor,
Ser criança é ter corpo que consome coisa de criança. Que coisas são essas? Primeiro coisas que a mídia define como tendo sido feitas para o corpo da criança. Segundo coisas que ela define como sendo próprias do corpo da criança. Respectivamente, por um lado bolachas, danoninhos, sucos, roupas, aparatos para jogos, etc, por outro gesto, comportamento, posturas corporais, expressões, etc. Ser criança é algo definido pela mídia na medida em que é um corpo-que-consomecorpo (GHIRALDELLI JR. 1996, p. 38).

Nesse aspecto a mídia constrói um significado diferente de infância, deixando de ser uma fase natural da vida, pois sendo então objeto de manipulação, construído, ditado, instruído pela mídia. Diferentemente da visão que prega a criança feliz, protegida, educada, segura. Ou seja, o que vemos hoje é a simulação da noção de infância. 1.2 - Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos

Assim como o conceito de infância, a escola infantil do modo como a conhecemos é muito recente e sua concepção se confunde com a concepção de infância . A percepção de

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escolarização em tempos passados se resumia ao convívio das crianças em grupos adultos e como eles aprendiam a se tornar membros desse grupo. Sem que houvesse a percepção de que a infância é uma fase distinta da vida, que como tal tem suas próprias características, especificidade e necessidades. Na Idade Média ao completar sete anos de idade, a criança entrava em outra família para aprender os afazeres domésticos e costumes, adquirindo conhecimento e experiência prática. Apenas os clérigos de todas as idades, principalmente do sexo masculino é que podiam freqüentar os colégios existentes na época dirigidos pela Igreja Católica. Nas famílias em que os meninos estudavam as meninas não aprendiam nada. Nessa época não havia trajes para diferenciar as crianças dos adultos, os trajes eram diferentes apenas para as classes sociais, sendo assim serviam apenas para perpetuar as diferenças de classes. Áries (1981) explica que a idade Média vestia indiferentemente todas as classes de idade, preocupando-se apenas em manter visíveis através da roupa os degraus da hierarquia social. Nada, no traje medieval, separava a criança do adulto. Segundo Áries:
Essa função demográfica da escola não surgiu imediatamente como uma necessidade. Ao contrário, durante muito tempo a escola indiferente à repartição e à distinção das idades, pois seu objetivo essencial não era a educação da infância. (ÁRIES, 1981, p.124)

Na Idade Moderna, o crescimento da população urbana, a Revolução Industrial e o Iluminismo proporcionaram uma nova etapa à educação infantil, a ruptura de paradigmas considerados arcaicos trouxe modificações sociais e intelectuais a criança. Surgem as primeiras propostas de educação dissociando o desenvolvimento social do desenvolvimento da educação. A obrigatoriedade da escola foi bastante discutida entre os séculos XVIII e XIX, nesta época questionava-se a eficácia das escolas mistas. A disciplina na idade escolar era rigorosa e efetiva, por considerar a criança frágil e incompleta. A Reforma Protestante trouxe a idéia da universalização da escola, surge então uma nova perspectiva sobre a educação infantil levando em consideração como ensinar.

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As idéias de Pestalozzi e Froebel deram origem ao conceito de educação compensatória, seguidas por Montessori e Mc Milam no final do século XIX e sua aplicação efetivamente ocorreu no século XX. A educação pré-escolar era encarada de forma a compensar a pobreza, miséria e a carência das famílias.
A educação pré-escolar começou a ser reconhecida como necessária tanto na Europa quanto nos Estados Unidos durante a depressão de 30. Seu principal objetivo era o de garantir emprego a professores, enfermeiros e outros profissionais e, simultaneamente, fornecer nutrição, proteção e um ambiente saudável e emocionalmente estável para crianças carentes de dois a cinco anos de idade. (KRAMER, 2003, p.23)

Com a Segunda Guerra Mundial o atendimento pré-escolar tomou novo rumo, passando a atender os filhos de mães que trabalhavam na indústria bélica e daquelas que substituíam o trabalho masculino. Por ter caráter de urgência a necessidade desse tipo de atendimento teve índices elevados e culminou com duas medidas importantes para o âmbito da educação pré-escolar. Por um lado a educação pré-escolar assumiu caráter assistencialista de grande importância para a comunidade, já que a partir de então as mães poderiam trabalhar. Por outro lado despertou interesse por novas formas de pensar a educação de crianças, surgiu então à preocupação com as necessidades sociais e afetivas das crianças. Nesse momento aumentaram os estudos sobre a as teorias do desenvolvimento da criança e sobre psicanálise no âmbito pré-escolar. Na década de 60 as pesquisas na educação pré-escolar seguiam a linha do pensamento sobre o pensamento da criança e sobre a influência da linguagem no desenvolvimento escolar. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre testes de inteligência indicavam que as crianças que freqüentaram a jardins de infância ou creche eram melhores do que as que não freqüentaram nenhum tipo de instituição escolar. Atualmente os objetivos da educação na Europa têm sido o desenvolvimento integral do indivíduo e a aprendizagem de diversos meios de expressão para o ensino básico.

No 3° período. faltava. interesse da administração pública pelas condições da criança brasileira. Já no 2° período de 1874 até 1889 há registros de projetos assistencialistas elaborados por alguns grupos especialmente médicos.20 1. de maneira geral. 2003. porém muitos projetos não saíram do papel. principalmente a pobre (KRAMMER. 2º período de 1874 até 1889 e o 3º período de 1889 até 1930.2 . a criança já estava sendo assistida por diversas leis e instituições que principalmente durante as duas primeiras décadas prestavam atendimento médico. p. Nesse período havia apenas casas para os abandonados de primeira idade e uma escola para os abandonados com mais de doze anos.Educação Infantil no Brasil Ao analisar o histórico da Educação Infantil. Mas.). Neste período predominou o desejo de alguns grupos em diminuir o desinteresse do governo em relação às políticas para as crianças. . Podemos observar que a assistência às crianças pequenas era praticada por médicos sanitaristas e associações de damas beneficentes sendo deixada de lado pelos órgãos públicos. Os poucos projetos que se concretizaram durante este período segregavam as crianças negras filhas de escravos das crianças da elite filhas dos senhores. Para estudar alguns aspectos históricos ligados à história da educação no Brasil.divide a história em três períodos sendo eles: 1º período vai desde o descobrimento até 1874. devemos considerar que sua construção está ligada à concepção histórico-social de instituições como a família e da infância. associações de damas beneficentes etc. a pesquisadora Kramer(2003). até 1930. Segundo Kramer (2003) do período do descobrimento até 1874.50). escolar e higiênico. se existiam algumas alternativas provenientes de grupos privados (conjuntos de médicos. no Brasil não se pensava na infância tanto do aspecto jurídico quando do atendimento as crianças.

(idem. atribuídos a “concepção abstrata da infância”. foi inaugurado o Jardim de Infância Campos Salles.21 Em 1899 foi criado o Instituto de Proteção e Assistência a Infância do Brasil para receber menores de oito anos. UNICEF em 1946. maternidade e jardins de infância. em 1909. A década de 30 é considerada aqui como limite pelas modificações políticas. OMEP em 1969 e COEPRE em 1975. porém foi mantido por doações.56). p. (idem. O Estado cria vários órgãos de amparo assistencial e jurídico para a infância afirmando a política de valorização da criança.52). como adulto em potencial. maternidades e da realização de encontros e publicações. criar creches. promover congressos. Surgiu então o Estado autoritário preocupado com as crianças consideradas não aproveitadas. Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar em 1953. Em 1908. Este departamento possuía diferentes tarefas. divulgar boletins e uniformizar as estatísticas brasileiras sobre a mortalidade infantil. .e que se refletiriam na configuração das instituições voltadas às questões de educação e saúde.em estreita relação com o cenário internacional . Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição em 1972. jardins de infância. CNAE em 1955. teve inicio a “primeira creche popular cientificamente dirigida” a filhos de operários até dois anos e. como também na sua política. Em 1919 inicialmente sob responsabilidade do Estado foi criado o Departamento da criança no Brasil. criar leis para a proteção dos recém-nascidos. p. Neste breve estudo do contexto educacional da educação Infantil no Brasil pré 1930 percebemos que a educação da criança pequena se baseou no assistencialismo médico e na psicologização da educação. econômicas e sociais ocorridas no cenário nacional . Legião Brasileira de Assistência em 1942 e Projeto Casulo. com o objetivo de privilegiar as necessidade das crianças pobres e as crianças com necessidades de algum cuidados. Dentre os órgãos criados pelo governo se destaca: o Departamento Nacional da Criança em 1940. SAM – 1941 e FUNABEM. A valorização da criança pelo Estado ocorreria gradativamente pós 1930. promover iniciativas de amparo à criança e mulher grávida pobre. A fundação do instituto foi contemporânea a uma certa movimentação em torno da criação de creches . dentre as quais: monitorar a proteção da infância no Brasil. sem vida social. no Rio de Janeiro.

A pré-escola serviria para suprir a carência educacional e suprir os requisitos básicos que não foram anteriormente transmitidos por seu meio social para garantia do sucesso escolar. Nota-se que a educação era fragmentada. Com caráter compensatório que visava suprir a falta de condições sociais. com recursos escassos e atendimento voltado mais para os problemas de saúde do que para os da educação propriamente ditos. culturais e nutricionais. jardins de infância e instituições equivalentes. O segundo sugere o estimulo para que as empresas instalem instituições de ensino para os filhos das mães trabalhadoras. . A crença na pré-escola e na educação compensatória como solução para os problemas sociais pressupõe uma dada posição perante o mundo e a sociedade. sendo regulamentada por vários órgãos e continuava a ser vista como assistencialista. Enquanto as instituições particulares caminhavam na direção contraria visando o desenvolvimento cognitivo.22 Mesmo com esforços empreendidos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961) discorre dois artigos sobre a educação pré-escolar. essa carência existia porque os pais das famílias pobres não conseguiam proporcionar oportunidades para um bom desenvolvimento escolar. p. A educação pré-escolar (educação compensatória) foi instituída para amenizar a evasão escolar e alta taxa de repetência no 1ª sério do 1º grau entre as crianças carentes nos anos 70.107). O primeiro é dedicado à educação de crianças até sete anos em escolas maternais. que faria com que seus filhos repetissem o ano letivo. Sendo assim a maioria das creches e préescolas públicas tinham essa função assistencialista. emocional e social das crianças atendidas. a política de assistência social não atingiu a todos. Acentuando assim os problemas de desigualdade social já existentes na sociedade. O fracasso dos programas nela fundamentados pode significar um retrocesso na medida em que sirva para justificar uma pretensa inferioridade das crianças (idem. sendo que sua prática foi muito desigual. Neste sentido a educação compensatória visava preencher o “vazio” cultural que atingia as crianças carentes antes que entrassem no 1º grau.

os municípios se tornaram responsáveis pela infância e adolescência. Com a Constituição de(BRASIL. a urbanização e a necessidade de mão-deobra formada por pessoas sadias. . Retirando a responsabilidade de o Estado atuar sobre os programas de educação infantil. municipal e beneficente. Deveria ser integrada ao sistema de ensino. 1. A partir de então a educação pré-escolar passou a seguir uma concepção pedagógica que completava a ação da família deixando a atuação assistencialista para trás.Concepção de creche A pesquisadora Haddad (2002) nos revela que segundo estudos históricos as creches surgiram nos países europeus e norte-americanos no século XIX e no Brasil no inicio do século XX com a estruturação do capitalismo. fragmentação dos programas educacionais e de saúde e ausência de uma política integrada para a educação. bem como nas ações desenvolvidas por iniciativas estadual. pertencentes a uma determinada classe cultural e social tornando obsoleta a prática da educação compensatória. a insuficiência de docentes qualificados. Contudo o direito a educação pré-escolar até os 5 anos está longe de ser concretizado para a boa parte das crianças das camadas populares.3 . No entanto a educação compensatória é vista como solução para o problema da educação e sociedade brasileiras. fortes e nutridas. escassez de recursos e ações concretas para sua viabilização. Essa visão pedagógica tinha a criança como ser histórico e social. Seu reconhecimento começa a ser notado nos documentos oficiais e em pronunciamentos. 1988) a educação pré-escolar passou a se vista como um direito da criança e dever do Estado. Em 1990 com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente.23 Nos anos 80 a educação pré-escolar passou por problemas dentre os quais o caráter assistencialista da educação.

Essas duas novas conquistas são importantes para a história da educação e do cuidado das crianças.24 A creche foi por muito tempo alvo de discriminação por algumas pessoas. financeiras e emocionais e procuram a Creche para deixar os seus filhos enquanto trabalham. Normalmente essas famílias têm carências sociais. Sendo uma instituição social cuja finalidade é prestar atendimento a famílias desamparadas e/ou desestruturadas. recreacionistas. esperando preencher ou completar os espaços vazios causados pela sua própria insuficiência de recursos. Neste contexto a idéia inicial de creche é caracterizada pela iniciativa privada com caráter filantrópico e assistencialista. psicólogos. Vista como medida de emergência e último lugar a ser procurado pelas famílias. instáveis. Essa concepção passa a ser revista apenas na década de 60. ou ainda para as mães consideradas incapazes de criar seus filhos. 2002. com a introdução dos discursos pedagógicos baseados nas teorias de privação cultural. A creche passa a ser vista como um lugar privilegiado para compensar deficiências bio-psico-culturais apresentadas no desenvolvimento da criança. A creche não surgiu como necessidade da mulher trabalhadora. moral e social das famílias. 2002. cujo objetivo é prestar atendimento às famílias. demonstrando interesse e preocupação da sociedade com essa etapa de ensino das crianças.p. na maior parte dos casos como decorrência da corrente migratória. a creche passou a ser vista com a ajuda de pesquisas . medidas de reorganização como jogos educativos.07) Sendo assim a necessidade da creche apenas se justifica para atender as viúvas ou abandonadas que tenham a necessidade de trabalhar para manter a casa. diminuição do tempo de espera da criança e ênfase na sua autonomia e independência (HADDAD. Alterações significativas são introduzidas no funcionamento das creches visando ao treino de habilidades específicas: novas categorias profissionais. o atendimento de crianças em creches e préescolas é dever do Estado. (ARANHA. p. quase sempre parcialmente constituídas. mal-assentadas. Na década de 60 observa-se a entrada de outra corrente de pensamento nas creches. suprindo a carência econômica. pedagogos. Aranha define creche como: Creche é uma instituição social.28) Pela primeira vez na história do país. como professores. pois é rodeada por assistencialismo. pois deveria prevenir e evitar a desestruturação familiar. com atuação de forma compensatória. redistribuição do espaço. A creche é procurada por pais que trabalham em período integral e necessitam deixar seus filhos sob o cuidado de terceiros.

O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) decorre sobre a necessidade de mudança desse paradigma educacional no país: Modificar essa concepção de educação assistencialista significa atentar para várias questões que vão muito além dos aspectos legais.25 recentes como local de grande importância para o desenvolvimento infantil. expresso pelo artigo 29: A educação infantil.17). Podemos notar que a construção da concepção de creche ao longo do tempo tem interesses políticos e econômicos dependendo do contexto histórico. Envolve. deve fazer parte do processo educativo das crianças.1998. . completando a ação da família e da comunidade. Porém salvo algumas exceções a creche ainda possui caráter assistência. Conforme visto na referida lei. privilegiando a importância dessa fase na formação integral do individuo. intelectual e social. assumir as especificidades da educação infantil e rever concepções sobre a infância. principalmente. em seus aspectos físico. com profissionais despreparados para o exercício da profissão que privilegiam o ato de cuidar em detrimento ao ato de educar. pois é um espaço onde ocorre inumeras interações sociais. as relações entre classes sociais. as responsabilidades da sociedade e o papel do estado diante das crianças pequenas (BRASIL. A legislação em vigor Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) reconhece a importância de profissionais qualificados para o trabalho com as crianças. p. mesmo que implicitamente a creche não pode ser vista como substituta da mãe ou da família. e o papel do educador da creche só terá efeito se culminar com a parceria da família e da comunidade e que o tempo que a criança permanece nessa instituição de ensino terá fins de socialização e não como substituta da família no processo educativo. Os objetivos da creche estão explícitos na referida Lei. primeira etapa da educação básica. tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até os cinco anos de idade. psicológico.

compensação e um sentido a vida ele também causa estresse e cansaço. acredita-se que a criança brinque apenas por prazer. Brincar vem antes do jogo que supõe regras. pois sua interação com o objeto mas da função que a criança atribui. entra no mundo do adulto. Para a pesquisadora Wajskop(2001) a criança que brinca pode adentrar o mundo do trabalho pela via da representação. reproduz as relações sociais e de trabalho de forma lúdica e se apropria do mundo em seu processo de construção como sujeito histórico-social. É uma atividade lúdica. pois muitas vezes as crianças ficam muito envolvidas sendo difícil tirá-la de determinada brincadeira mesmo que ela esteja cansada ou então não esteja obtendo sucesso. Em comparação ao brincar da criança. assim como faz o adulto. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. Os adultos passam a maior parte de sua vida trabalhando. a criança assimila o mundo a sua maneira. Quando uma criança não alcança o objeto que quer pegar ou se cansa antes de atingir o objetivo da brincadeira. Piaget (apud Kishimoto. folgar e foliar.26 2. . Brincar possui vários significados dentre os quais: divertir-se infantilmente. A importância do brincar para a criança é uma construção histórica. esses fatos são exemplos de que a criança não brinca por prazer e sim por necessidade. livre e prazerosa. discorre sobre o brincar: quando brinca. brinquedo e brincadeira. quando brinca a criança experimenta sensações antes desconhecidas. entreter-se. Mesmo que o trabalho dê alegria. mas não o fazem por simples prazer.Brincar. Os adultos trabalham para obter dinheiro para seu sustento.2002).1 . sem compromisso com a realidade. A maior razão para o fato dos adultos trabalharem é a necessidade.

escolares ou esforços físicos. apropriando-se assim em larga escala a sua cultura. A criança desenvolve-se. essencialmente. embora transitórias. Na idade Média o jogo foi considerado “não-sério” por estar associado ao azar. Só a partir do Renascimento é que o jogo ganha importância.. o uso do jogo para favorecer o ensino de conteúdos escolares e diagnóstico da personalidade infantil e recurso para ajustar o ensino às necessidades infantis. assim.] a especificidade . No século XVIII Rousseau inicia a perspectiva genética em sua obra ÉMILE. a criação de intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações volitivas .117). A ação na esfera imaginativa. Com o brinquedo a criança ultrapassa limites que lhe são preestabelecidos.27 Segundo Vygotsky (1998) o brincar cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. “O Renascimento vê a brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo. seja pela criação . Salienta ainda que no brinquedo a criança comporta-se de maneira mais avançada do que é normalmente é.28). Kishimoto (2002) explica que dentro do Romantismo a criança passou a ser vista como um ser em desenvolvimento com características próprias. que se constitui. Sobre as relações entre jogo e educação Kishimoto (2002) acredita que antes da revolução romântica. A nova concepção do jogo está relacionada à consciência de infância que nasceu com o Renascimento. p. 1988. três concepções estabeleciam essas relações: o uso do jogo para recreação. através da atividade do brinquedo (VYGOSTKY.. pela imitação ou ainda pela definição de regras específicas. 2002.tudo aparece no brinquedo. numa situação imaginária. p.” (KISNHIMOTO. no mais alto nível do desenvolvimento infantil. contrariando a visão da criança como adulto em miniatura ressaltando “[. a criança é vista como ser que imita e brinca. É nesse contexto que o jogo aparece como típico da criança. interpreta situações e incorpora e altera significados. O jogo desde a antigüidade greco-romana foi visto como recreação sendo necessário para aqueles que exerciam atividades intelectuais.

Jogo. O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto. a criança como portadora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida[.]”. 2002.2002. Nesse campo de estudo o jogo por Gross foi considerado necessidade da espécie. Já outros teóricos como Vygostky e Bruner focalizam o contexto sociocultural e a estrutura da linguagem para subsidiar o estudo da brincadeira. integra predominantemente elementos da realidade. p.31) Para a autora alguns teóricos freudianos como Melanie Klein a brincadeira infantil é o meio para estudar e perceber os comportamentos da criança. No caso da criança.19) Com o surgimento da psicologia no século XIX fortemente influenciada pela biologia. Claparède citado por Kishimoto (2002)recorreu à psicologia da criança para conceituar pedagogicamente a brincadeira. demonstrando falta de conceituação neste campo de estudo. (KISHIMOTO.. o imaginário varia conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos.28 infantil. brinquedo e brincadeira ainda são indistintos no Brasil. Para Kisnhimoto (2002) o jogo pode ter três significados distintos.. no primeiro o jogo expressa valores sociais... (aput KISHIMOTO. no segundo o jogo é um sistema de regras e o terceiro caso refere-se ao jogo como um objeto. (apud Kishimoto.. está carregando de animismo: de 5 a 6 anos. em conseqüência método natural de educação [.19) . O brinquedo difere-se do jogo por sua indeterminação enquanto ao uso e pela ausência de regras que estabelecem sua utilização. com influência da biologia e do romantismo. 2002.p. p. E possui variações em seu imaginário e varia de acordo com cada faixa etária. O autor destaca “[.] que o jogo infantil desempenha papel importante como o motor do autodesenvolvimento e..]”. os estudos com animais foram transpostos para o campo infantil. criador do objeto lúdico.

de seus pais. professores.. APUD WAJSKOP. pode ser um objeto namufaturado. um objeto adaptado. da apropriação da cultura. pois desde cedo elas aprendem com as experiências que tem com o mundo dos adultos e das pessoas ao seu redor. Reiterando as idéias de Brougère (apud Wajskop. Atividade essa que a criança faz para recrear-se ou por diversão.31): [. com o espaço e com a cultura na qual está inserida. No primeiro caso. Pode ser o objeto comprado ou um objeto criado pela própria criança que às vezes usa esse objeto para essa específica brincadeira. Este paradoxo da brincadeira. Tudo. o brinquedo é aquilo que é utilizado como suporte numa brincadeira. do exercício da decisão e da invenção. Se a liberdade caracteriza as aprendizagens efetuadas na brincadeira. amiguinhos. a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos” (Wajskop. ela produz também a incertitude quanto aos resultados. A brincadeira é uma atividade que a criança desenvolve em suas relações sociais. espaço de aprendizagem fabuloso e incerto (BROUGÈRE. .p. seja a uma representação social.2001. Aquele que brinca pode sempre evitar aquilo que não gosta. Não se pode organizar. da administração da relação com outro.29 Brougère afirma que o brinquedo é um objeto com características peculiares àquele que brinca. com outras crianças da mesma idade sem objetivos educacionais ou de aprendizagem. um objeto fabricado por aquele que brinca uma sucata. efêmera. nesse sentido se torna brinquedo e o sentido de objeto lúdico só lhe é dado por aquele que brinca enquanto a brincadeira perdura (BROUGÈRE. de seus professores e das pessoas envolvidas na instituição escolar. a partir da brincadeira. 2001. Os brinquedos podem ser definidos das seguintes maneiras: seja em relação à brincadeira. Neste contexto a brincadeira da criança encontra papel fundamental na educação infantil. “Dessa forma.] é o lugar da socialização.25).62). p.31). pois as crianças se desenvolvem e conhecem o mundo a partir das interações estabelecidas com a história e cultura de outras crianças. p. 2001. na idade escolar com seus familiares.p. 2001. que só tenha valor para o tempo da brincadeira. Mas tudo isso se faz segundo o ritmo da criança e possui um aspecto aleatório e incerto. De onde a impossibilidade de assentar de forma precisa às aprendizagens na brincadeira.. um programa pedagógico preciso. com seus pais. A criança desde seu nascimento está inserida em um contexto social.

mas também projetando o futuro como reitera Kishimoto. porém só ganhou força com a expansão da educação infantil. brinquedos de tabuleiro que servem para ensinar números e operações matemáticas. tamanho e forma. As brincadeiras que representam papéis sociais ou jogo sociodramático. As crianças brincam de educação ou escolinha.. Esses brinquedos são entendidos como recursos para se educar de forma prazerosa. mãe e filho entres outros papéis que representam as pessoas de seu meio social. representam as relações familiares como papai e mamãe. como o amor pela mãe e os ciúmes do irmãozinho que recebe os cuidados maternos. Os brinquedos educativos surgiram nos tempos do Renascimento. Brincar de boneca permite-lhe representar seus sentimentos ambivalentes. A menina que brinca com bonecas antecipa sua possível maternidade e tenta enfrentar as pressões emocionais do presente.. as brincadeiras tradicionais. Nas brincadeiras de faz-de-conta ou jogo simbólico os temas são comuns dentro de uma mesma cultura. Segundo Kishimoto (2002) “a utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento. mas também tenta resolver problemas do passado. [.] o brincar da criança não está somente ancorado no presente. brincadeiras de faz-de-conta e as brincadeiras de construção. típica do lúdico”. Brincar com bonecas numa infinidade de formas está . As representações no faz-de-conta podem ser experimentadas não só no passado. de médico ou de casinha são considerados por Piaget (1971) como jogo simbólico. O jogo simbólico surge aos 2/3 anos na medida em que a criança se apropria da linguagem e da representação. que deixa evidente a presença da situação imaginativa tais como brincar de escolinha. Alguns exemplos desse tipo de brinquedo são: o quebra-cabeça: cuja função é ensinar formas e cores. por contar com a motivação interna. Porém a utilização desse material pedagógico exige a ajuda de parceiros e a sistematização de conceitos. brinquedos de encaixe que trabalham a noção de seqüência.30 Alguns tipos de brincadeiras mais comuns na educação infantil são os brinquedos educativos. ao mesmo tempo que se projeta para o futuro.

são transmitidas oralmente e possuem características de anonimato. desenvolver capacidades da criança e estimular a criatividade. p. da situação imaginária”. 2002. privilegiando o desenvolvimento afetivo e intelectual infantil. modificadas com o passar do tempo ou podem permanecer da mesma forma. p. Nesses jogos as crianças constroem. (BETTELHEIM apud KISHIMOTO. (KISHIMOTO. permanecendo na memória infantil. ninguém conhece a origem da amarelinha ou do pião. a fim de enriquecer a experiência sensorial.69). “Por permanecer à categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança. 2002. A origem de tais brincadeiras é desconhecida. a brincadeira tradicional infantil garante a presença do lúdico. Essas brincadeiras são filiadas ao folclore e incorporam a cultura popular. das parlendas ou das formulas de seleção.31 intimamente ligado à relação da menina com a mãe. . As brincadeiras tradicionais infantis são brincadeiras passadas de geração a geração. transformam e destroem expressando seu imaginário.39) Os jogos de construção foram desenvolvidos por Froëbel. Tais jogos mantêm uma estreita relação com os jogos de faz-de-conta à medida que as crianças constroem casas e cenários para as brincadeiras simbólicas.

“Na primeira infância. .32 2. Neste sentido MUKHINA(1996. os objetos passam a ser vistos de acordo com sua função. ou seja. Os avanços mais importantes adquiridos pelas crianças ao final da primeira infância são: o andar ereto. Alguns pesquisadores acreditam que as aquisições adquiridas nesse período da vida são tão importantes que dividem o desenvolvimento humano em duas etapas. Nessa fase a criança adquire nova concepção em relação aos objetos.O Desenvolvimento da Criança Primeira Infância A criança de três anos encontra-se no fim de uma fase considerada pelos pesquisadores de suma importância para o desenvolvimento do homem: a primeira infância. que antes serviam apenas para manipulação.3. (idem. 1996.103). Nessa fase a criança absorve novas e grandes conquistas.1. As transformações quantitativas que a criança experimenta nos três primeiros de anos de vida são tão notáveis que certos psicólogos consideram que o desenvolvimento do homem pode ser dividido em duas metades: do nascimento até os 3 anos e dessa idade pelo resto da vida (MUKHINA. O ato de andar permite a criança maior contato com os objetos e maior contato com o mundo externo. a linguagem progride por duas causas: porque a criança aperfeiçoa sua compreensão da linguagem do adulto e porque desenvolve sua linguagem ativa própria”. p. E suas interações com o adulto bem como a mediação feita por ele são fontes importantes para o seu aprendizado. pois a partir de então a criança passa por mudanças na forma de comunicação com o adulto. a atividade objetal e a aquisição da linguagem.p.124). passam a ser vistos com a sua determinada finalidade.43) salienta que a experiência social é a fonte do desenvolvimento psíquico da criança. O desenvolvimento da linguagem é de extrema importância para a criança.p.

os jogos e atividades produtivas influenciam nessa preparação. A criança em idade pré-escolar conhece mais pessoas e torna-se mais independente. um menino de seis anos considera que presta ajuda à mãe”. O trabalho educativo no jardim-de-infância é de suma importância para essa preparação. Pois nessas atividades formam-se as primeiras noções sociais e hierarquia das motivações. por volta dos 6 anos. Para que a integração com seu meio social possa acontecer a criança precisa dominar a linguagem.199). assim as crianças incorporam conhecimentos generalizados e sistematizados e conseguem se orientar na nova realidade. Também pode controlar a sua atividade intelectual. O pré-escolar já consegue controlar sua percepção. está bem mais consciente de seus atos e desejos e em muitas vezes demonstra essa consciência em atos concretos. A criança pode se lembrar de determinada atividade que lhe foi solicitada ou ainda se lembrar de música ou poesia que gosta. MUKHINA(1996. Nesta fase a criança já está apta a controlar os processos de memorização e reprodução. aumente os limites das relações familiares e estabelece comunicação com maior número de pessoas. O pré-escolar está se preparando para a entrada na escola. p. . Podemos perceber que o mesmo comportamento em crianças com idades diferentes se difere em relação a intencionalidade. ou seja. especialmente com as da sua idade. Por exemplo “um menino de três anos que joga migalhas para as galinhas faz isso para vê-las reunir-se e bicar.33 Pré-escolar A criança pré-escolar maior. seu pensamento e sua memória. formam-se também a inteligência e a percepção e se desenvolve habilidades sociais.

são eles: Jean Piaget. Em 70 anos publicou mais de cinqüenta livros e teses.13).3. Diante da teoria psicogenética Piaget dividiu o equilíbrio em vários períodos: Período Sensório-motor (0 a 24 meses): Ao final deste período o sujeito será capaz de se diferenciar dos objetos. p. Em sua teoria epistemológica Piaget discorre sobre as relações do sujeito e do objeto no processo de construção do conhecimento. abordaremos alguns pressupostos básicos das teorias de desenvolvimento de três importantes teóricos. na interação com o objeto. além de centenas de artigos em revistas. Nesse processo cada indivíduo é um sujeito ativo de seu desenvolvimento cognitivo. assinalando cada passo de suas vidas. ... Piaget passou a observar o desenvolvimento dos próprios filhos.1.3. com efeito.34 2. (PIAGET. formando uma noção do eu.1 Jean Piaget Jean Piaget formou-se em Biologia e especializou-se nos estudos do conhecimento humano em todas as disciplinas e toda a história da humanidade. Graças à conquista da percepção e dos movimentos. mostra ainda como o conhecimento se desenvolve.] não se pode. Esquemas são estruturas mentais pelos quais os indivíduos organizam o meio intelectualmente. Vygtsky. Henri Wallon e Lev S. Para ele “[. sendo seu maior foco o desenvolvimento intelectual da criança. Aprofundou os conhecimentos sobre os esquemas mentais da criança através de entrevistas que fazia com as mesmas. senão indagar se toda informação cognitiva emana dos objetos e vem de fora informar o sujeito”.1 Teorias do desenvolvimento Para ilustrar as fases do desenvolvimento infantil. Nessa abordagem interacionista Piaget procurou entender quais os mecanismos que o sujeito utiliza para compreender o mundo ao seu redor. 2. 1971.

2 Henri Wallon Contemporâneo de Piaget. A psicologia. Wallon considera que o sujeito constrói-se nas interações com o meio. cognitivo e motor do desenvolvimento em suas diferentes etapas e vínculos.3. meio peculiar à infância e “obra fundamental da sociedade contemporânea”. Via a escola. mas também contribui com a educação formando uma relação dialética entre psicologia e pedagogia. Assim como Piaget. Seu estudo não apenas privilegiou a compreensão do desenvolvimento do psiquismo infantil. Assim. Torna-se consciente do seu próprio pensamento e adquire noção espacial e temporal. O pensamento egocêntrico passa a ser estruturado pela razão. Adquire capacidade para conhecer e criticar suas regras e leis. por sua vez. os esquemas simbólicos.2. Período das Operações Concretas (7-11. como nos esclarece Galvão: Considerava que entre a psicologia e a pedagogia deveria haver uma relação de contribuição recíproca. A criança nessa fase percebe-se como individuo um ser no universo que pouco a pouco se estrutura pela razão. Período das Operações Formais (12 anos em diante): Neste período o sujeito será capaz de formar operações abstratas que lhe permite ultrapassar o real. Wallon focalizou os domínios afetivo. seu interesse pela psicologia da criança o levou a tentar compreender o psiquismo humano. como um contexto privilegiado para o estudo da criança. 2. ou seja.12 anos): Período onde há um equilíbrio acentuando nas operações lógicas.35 Período Pré-Operatório (2-7anos): Ocorre progresso da inteligência pré-verbal e inicia-se o período da imitação em representações onde o sujeito representa uma coisa pela outra. Condições necessárias para a aquisição da linguagem. mas também questões para investigação. ao construir . Nessa fase o indivíduo atingiu sua forma final de equilíbrio de acordo com a teoria Piagetiana. transmissões e interações sociais. a pedagogia oferecia campo de observação à psicologia. Wallon formou-se em Filosofia e em seguida Medicina. pois através dela é possível ter acesso a gênese dos processos psíquicos.

. deixou um enorme volume de produção acadêmica. Estágio Impulsivo-emocional (primeiro ano de vida): Nesta fase a emoção é o instrumento de interação da criança com o meio. 2002. acontece por meio dos interações sociais. Há um predomínio das relações com o meio. (GALVÃO. há interesse pelo mundo exterior fortalecendo as relações com o meio. Para melhor ilustrar a teoria psicogenética Walloniana descreveremos as características dos estágios propostos por ele. passando a manipular objetos e explorar espaços.2. apesar de sua morte prematura aos 37 anos. Vygotsky Estudioso de literatura e psicólogo. Na obra de Vygostky não consta relatos detalhados de seus trabalhos científicos. As idéias se difundiram nas mãos de seus colaboradores. nem uma concepção formulada do desenvolvimento humano. Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos): Nesta fase a criança consegue autonomia. desregulada devido à ação dos hormônios. Estágio categorial: Nesta fase a criança consolida a função simbólica e obtém avanços na inteligência e personalidade com relação à fase anterior. alternando afetiva e cognitivamente.3. existências e pessoais. Estágio adolescência: Necessidade de nova definição da personalidade. 2. Estágio do personalismo (3 a 6): Fase em que a personalidade da criança se forma e ela toma consciência de si. porém suas idéias não se limitaram a uma construção individual. p. Esta fase há uma retomada de questões morais.36 conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da prática pedagógica.23) Wallon concebe o desenvolvimento da pessoa como uma construção progressiva onde as fases ocorrem uma após a outra. dos quais se destacam Alexander Romanovich Luria e Alexei Leontiev.3 Lev S.

“é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal”. (OLIVEIRA. . Os signos agem como instrumentos da atividade humana. ou seja. (idem. p. “A utilização de marcas externas vai se transformar em processos internos de medição esse mecanismo é considerado por Vygotsky processo de internalização”. Por volta dos dois anos a fala da criança torna-se intelectual e generalizante com função simbólica. 1997. Os elementos que auxiliam as relações mediadas são os signos e os instrumentos. E é nela que acontecem as primeiras interações com o meio físico e social através da aquisição da linguagem e da mediação.34). preocupou-se em compreender s mecanismos psicológicos mais complexos da natureza humana. a interação com o meio social. Sendo assim a presença de um mediador é de suma importância para as relações do organismo com o meio. Para ele a criança é um ser social. p. Nas relações entre pensamento e linguagem os significados das palavras mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. que nasce inserido em um ambiente social que é a família. Ou seja. Durante o desenvolvimento do individuo as relações mediadas se sobressairão sobre as relações diretas. com indivíduos de maior cultura propicia maior desenvolvimento para a linguagem verbal da criança. Para Vygotsky ao longo da evolução do indivíduo ocorrem duas mudanças significativas: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. p.26). ou seja. 1997.26).37 Vygotsky privilegiou em seus estudos as “funções psicológicas superiores ou processos mentais superiores” (OLIVEIRA. Os instrumentos por sua vez são elementos externos aos indivíduos. “Mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação”. como diz VYGOTSKY (1987).

1997. pois o aprendizado incentiva o desenvolvimento. (OLIVEIRA. p. dirigir o ensino não para as etapas já alcançadas pelo indivíduo e sim para as etapas em que ele ainda não incorporou. O nível de desenvolvimento potencial é o intervalo entre o nível de desenvolvimento proximal e o nível de desenvolvimento real. Dentro da teoria de Vygostky a instituição escolar tem função fundamental no desenvolvimento dos indivíduos. O nível de desenvolvimento real refere-se às etapas já alcançadas pela criança. sendo assim formulou um conceito especifico em sua teoria: os níveis de desenvolvimento. O nível de desenvolvimento proximal é a capacidade que o indivíduo possui para fazer determinada atividade com a ajuda do outro. uma interação social. a função da escola só será adequada se conhecer o nível de desenvolvimento dos alunos. Nessa perspectiva a imitação “não é a mera cópia de um modelo. ou seja. ou seja.63) .38 Para Vygotsky a aprendizagem e o desenvolvimento humano só ocorrem quando o individuo interage com o meio social. aquilo que ela consegue fazer sozinha. mas a reconstrução individual daquilo que é observado nos outros”.

onde o resultado experimentado deve ser comprovado. Na pesquisa–ação o papel dos participantes é ativo no que diz respeito ao equacionamento e acompanhamento dos problemas levantados e também quanto ao acompanhamento e avaliação das ações desencadeadas no processo. pois sendo a pesquisa-ação de base social não trabalha apenas com dados quantitativos muito comuns em pesquisa nas áreas exatas. A pesquisa-ação é flexível. A escolha da metodologia da Pesquisa-Ação deu-se pelo fato de que o objeto de pesquisa que vem a ser a o brincar infantil. 2004. Segundo o autor: A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. (THIOLLENT. assim como na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB). vem ao encontro com as necessidades da pesquisa.Desenvolvimento O trabalho se estruturou metodologicamente por meio da Pesquisa-Ação. Desta forma foi necessário um embasamento teórico sobre o tema. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciaram o resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil. p. O método em questão não perde a legitimidade científica pelo fato de incorporar raciocínios subjetivos e argumentativos em sua investigação. A coleta de dados foi feita a partir da observação do contexto educacional e de pesquisas com pais e professores. portanto uma preocupação social. .39 3 . através de pesquisas bibliográficas. pois sabemos o quanto os brinquedos e brincadeiras influenciam no desenvolvimento infantil. objetivou analisar de um modo geral como se encontra a relação do brincar no cotidiano de crianças na educação infantil. Desta forma a metodologia apresentada por Thiollent (2004). Foi utilizada para o desenvolvimento deste projeto a pesquisa-ação com base em Thiollent (2004).14). não se limitando a uma simples reprodução de acontecimentos e situações já estudadas.

]identificar as expectativas.p.48). Segundo Thiollent (2004. Intervenção e Avaliação. p. O tema da pesquisa deve ser definido de acordo com o problema prático e a área do conhecimento a ser abordados. A etapa final da Pesquisa-Ação é a Avaliação. Paralelamente a esses primeiros contatos. Nesta etapa. de acordo com o autor o pesquisador deve: [. Para Thiollent (2004. dos problemas prioritários e das eventuais ações do campo de pesquisa.70) “a ação corresponde ao que precisa ser feito (ou transformado) para realizar a solução de determinado problema”. estabelece-se uma problemática através da colocação dos problemas que se pretende resolver em um campo teórico e prático.. Desta maneira. Assim. considerando os problemas prioritários. p. o pesquisador estabelece os objetivos da pesquisa.2004. Segundo Thiollent (2004. para fazer . Após o levantamento de informações. A Intervenção é a fase na qual o pesquisador formula hipóteses a respeito de possíveis soluções para o problema colocado na pesquisa. O Diagnóstico consiste em estabelecer o levantamento da situação. o campo de observação e os sujeitos que estarão focalizados no processo de investigação. de forma que pesquisadores e participantes evoluam no processo de aprendizagem através da intervenção realizada. a equipe de pesquisa coleta todas as informações disponíveis(THIOLLENT.40 A Pesquisa-Ação se divide em Diagnóstico. p57) “Tratase de hipóteses sobre o modo de alcançar determinados objetivos. na Pesquisa-Ação é necessário que haja uma relação entre o saber formal e o saber informal. que consiste na concretização da pesquisa através da realização de uma ação planejada.. sobre os meios de tornar a ação mais eficiente e sobre a avaliação dos possíveis efeitos. desejados ou não”.51) “um tema que não interessa a população não poderá ser tratado de modo participativo”. os problemas da situação as características da população e outros aspectos que fazem parte do que é chamado diagnóstico. Deve haver o retorno da informação aos grupos envolvidos na pesquisa.

Para a intervenção foi utilizada a observação do contexto educacional. . elaborado pela pesquisadora juntamente com mais duas alunas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista. sendo uma efetiva e duas estagiarias. entrevista e intervenção realizadas na instituição de ensino foram realizadas tendo como orientação um roteiro especifico elaborado de acordo com as questões que caracterizam o problema da pesquisa. sendo observada as ações pedagógicas de três educadoras da instituição de ensino. A intervenção foi realizada em uma Escola de Educação Infantil que funciona em período integral na cidade de Bauru. intervenção e avaliação.41 conhecer os resultados da pesquisa e contribuir para a tomada de consciência sobre o tema pesquisado. entrevistas estruturadas e a realização de um projeto de intervenção de estágio curricular intitulado “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras”. As observações realizadas.Procedimentos Para esse estudo foram utilizados os seguintes procedimentos: pesquisa bibliográfica que sustentou a fundamentação teórica. responsáveis pelo Maternal II e pelo Pré.1 . Pesquisa-Ação Diagnóstico Intervenção Avaliação 3. posteriormente realizada a entrevista semi-estruturada com as educadoras e com os pais das crianças das turmas observadas.

recebendo alunos de vários bairros distantes da cidade. profissão e estado civil dos pais. A maioria das casas são construções antigas. Maternal II de 02 anos e meio a 03 anos e meio. sendo próxima ao Corpo de Bombeiros. Jardim I de 03 anos e meio a 4 anos e meio.42 3. escritórios de contabilidade. Berçário II de 1 ano a 2 anos. supermercado e posto de gasolina. Jardim II de 4 anos e meio a 5 anos e meio e Pré de 5 anos e meio a 6 anos. costureiro.Caracterização da instituição pesquisada A instituição está localizada na região central do município de Bauru. Por ser uma das únicas creches instaladas no centro da cidade a instituição é bastante procurada. situada na zona urbana da cidade. sendo que em seu regulamento interno consta que a instituição deveria atender a 112 criança. casas residenciais.2 . época da pesquisa. escritórios de advocacia. No ano de 2008. a instituição atendia cerca de 130 alunos. algumas aparentemente bem conservadas. possui vizinhança em geral bem movimentada. Os alunos são provenientes de diversos bairros da cidade. As pessoas que moram ao redor da instituição são pessoas com um nível sócioeconômico relativamente bom e moram a um bom tempo na região. distribuídos por faixa etária: Berçário I dos 04 meses a 1 ano. sendo que em 2008 ano da pesquisa será o último ano a ter sala de pré na instituição devido a revisão da emenda Constitucional que altera a idade para o término da educação infantil para cinco anos. Escolaridade dos Pais . escolaridade. alguns fazem o trajeto de ônibus urbano ou com a perua escolar. A instituição apresenta em seu projeto político pedagógico uma pesquisa detalhada sobre as características socioeconômica. filhos de pessoas que trabalham na região central. A maioria dos alunos faz o trajeto de casa para a escola e vice-versa de carro. estacionamentos. comércio central. Maternal I de 2 anos a 2 anos e meio.

43 Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Profissões dos Pais Profissão Segurança Operador de Máquinas Garçon Auxiliar Adminstrativo Agente Penitenciário Pedreiro Pintor Eletricista Salgadeiro Técnico em Laboratório Serralheiro Truqueiro Moto Táxi Auxiliar de Cobrança Auxiliar de Limpeza Marceneiro Técnico em Radiologia Encanador Coletor de Lixo Ajudante Geral Entregador de Água Técnico em Eletrônica Micro empresário Contabilista Auxiliar de Produção Instrutor de Dança Quantidade de Pais 04 04 02 05 02 16 08 01 01 01 03 01 01 02 01 01 01 02 01 14 02 01 02 01 03 01 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 .

44 Professor de Informática Aposentado Funileiro Mecânico Motorista Auxiliar de Cozinha Vendedor Porteiro Balanceiro Repositor Auxiliar de Enfermagem Dentista Desempregado Profissões das Mães Profissão Assistente Social Berçarista Professora Enfermeira Operadora de Caixa Atendente de rouparia Empregada Doméstica Vendedora Auxiliar Administrativo Secretária Atendente de Telefonia Aposentada Manicure Cozinheira Escriturária Auxiliar de Limpeza Cabelereira Auxiliar de Enfermagem Auxiliar de Cobrança Copeira Funcionária Pública Técnica em Informática Operadora de Telemarketing Auxiliar de Dentista Estudante Desempregada Estado Civil dos Pais Estado Civil Casado União Estável 01 02 02 02 02 01 16 01 01 02 01 01 05 Quantidade de Mães 01 01 01 01 04 02 13 21 09 10 07 01 02 03 02 06 03 09 03 02 02 01 03 02 01 11 Quantidade de Pais 51 23 .

1 auxiliar administrativo. 3 professoras. . 7 auxiliares de creche. 1 cozinheira e 5 estagiárias.45 Divorciado Solteiro Estado Civil das Mães Estado Civil Casada União Estável Divorciada Solteira Escolaridade dos Pais Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Renda Familiar Salário 1 Salário 2 Salários 3 Salários 4 Salários S/ Renda (c/ auxílio de outros) pesquisa. 1 assistente social. 26 21 Quantidade de Mães 51 23 26 21 Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 Quantidade 09 22 35 48 07 *As tabelas foram extraídas do Projeto Político Pedagógico da instituição de Educação Infantil pesquisada nesta O quadro de funcionários da creche é composto por: 1 coordenadora pedagógica.

em 2008 a instituição contava com uma sala de maternal II com 24 crianças matriculadas e uma de pré com 22 crianças matriculadas. Na lista de material escolar tanto do maternal II quanto do pré foi pedido um brinquedo pedagógico e um baldinho para brincar na areia do playgraund. dezessete levaram baldinho e apenas doze levaram brinquedos pedagógicos. ou seja. Quadro 1 . A freqüência oscilava entre 14 a 18 crianças por dia em cada sala pesquisada.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do maternal II.46 Durante o ano da pesquisa. Sendo que 02 crianças do maternal II foram transferidas. Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no maternal II. Quadro 2.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do pré Jogos de encaixe Bola Carrinho Quebra-cabeça Boneca 5 1 1 4 1 . Brinquedos Jogos de encaixe Boneca Bola Carrinho Números de borracha Pelúcia Ocorrências 6 1 1 1 2 1 Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no pré quatorze levaram baldinho e doze levaram brinquedos pedagógicos.

Para que as atividades semanais e diárias fossem contempladas durante a observação. cada dia uma das turmas era observada nos diferentes períodos. os professores são livres para assumir a metodologia ou teoria pedagógica que achar melhor. O roteiro de observação possuía as seguintes questões: . São realizadas uma vez por bimestre reuniões pedagógicas. Todos os funcionários são abertos a cursos de capacitação oferecidos por diversos órgãos da cidade. entre as turmas do maternal II e pré. São desenvolvidos projetos. porém a maioria utiliza os pontos positivos das diversas teorias existentes. Todos os profissionais da instituição são conscientes de seu papel na educação das crianças. das 06h30min as 17h30 min.O brincar no cotidiano Observações em campo As observações aconteceram em uma Escola de Educação Infantil com funcionamento em período integral. ou seja. sabem que todos os seus atos servem de modelo.47 Em geral a escola não impõe nenhuma concepção pedagógica.3. tais como a Secretaria Municipal da Educação e Secretaria Municipal da Cultura. 3. de fevereiro a março de 2008.Participa ativamente das brincadeiras das crianças? Como? -Propicia a criança atividades lúdicas que estimulem o seu desenvolvimento? . dinâmicas e outros.De que maneira o educador observa e intervem nas brincadeiras? . do município de Bauru.A instituição possui espaços adequados para a realização das brincadeiras? . são discutidos textos. Enquanto educadora da instituição a pesquisadora pode alternar os períodos da manhã e da tarde.Respeita a criatividade e espontaneidade das crianças? . para refletir sobre os princípios norteadores da prática pedagógica.

Permite que a criança explore diversos materiais enquanto brinca? . logo em seguida guardam as mochilas nos ganchos separados por turma e vão para o refeitório que devido a falta de espaço é também a sala de TV e DVD. uma turma espera a outra sair para poder sair também. As crianças aguardam ansiosas pela chegada da professora.De que ela brinca? .A criança consegue interagir plenamente com outras crianças através da brincadeira? Logo a seguir será feito um relato individual das turmas com base nas observações. Devido à falta de espaço é necessário que as crianças permaneçam quietas. sendo esta formada por vinte e uma crianças de dois a três anos. lá as crianças permanecem até as 08 horas e assistem a filmes infantis e tomam café da manhã enquanto aguardam a entrada das professoras. tendo como objetivo de pesquisa o brinquedo. Desde a entrada até a saída as crianças se encontram em um ambiente favorável ao aprendizado.Como a criança brinca? . as crianças interagem com alunos de outras turmas e principalmente com irmãos ou amigos mais próximos. sem deixar de privilegiar a criança e o educador como sujeitos desta pesquisa. Em seguida vão para a sala de aula ainda em fila. . Como o maternal não possui sala de aula as crianças permanecem no refeitório.48 . Nesse tempo em que aguardam as professoras. sem fazer movimentos bruscos. a brincadeira e o papel do educador. Inicialmente serão relatadas as impressões e observações relativas à turma do Maternal II. Como as crianças sentem muita vontade de se movimentar ao ouvirem a professora chamar eles saem correndo até a porta para formar a fila. Na hora da entrada das 06h30 às 08h00 as crianças são levadas pelos pais e recepcionadas no segundo portão pelas auxiliares de creche e coordenadora.

porém houve muita reclamação dos pais que diziam que as crianças voltavam muito sujas pra casa. Para evitar acidentes por excesso de criança é feito o rodízio do parque. entrega os cadernos para cada um dos alunos e pede que todos fiquem com as mãos embaixo da mesa para não estragar o caderno. brincadeiras como patinho-feio. por isso a coordenadora instituiu o “dia do brinquedo”. Após a saída dos bebês a auxiliar do maternal faz chamada e inicia as atividades. onde toda criança leva o seu brinquedo favorito para a escola. No período de observação as crianças tiveram acesso a deferentes e variados materiais para o desenvolvimento das atividades lúdicas propostas. massinha. pintura. jogos de encaixe. tanque de areia com baldinhos e pazinhas. Desta maneira podemos . Durante o percurso de um espaço para outro já que o maternal não possui sala de aula. no início do ano letivo às sextasfeiras eram livres para outras atividades. Depois das 10h15min da manhã as crianças lavam as mãos para entrar no refeitório e almoçar. Depois da atividade as crianças vão para o parque ou brincam no fundo da escola. entre outras. hora da história. Depois do almoço as crianças escovam os dentes para dormir. Entre as 11h00 e as 13h00 acontece o repouso das crianças pois acordam muito cedo. as crianças seguiam em forma de “trenzinho”. tais como. passa-anel. esse é o horário de almoço da maior parte das funcionárias. geralmente as crianças ficavam o dia todo no parque e não tomavam banho. foram proporcionadas e realizadas atividades diversas. Antes de servir o almoço é feita uma oração simples e em seguida as educadoras servem o almoço. a turma do maternal tem o direito de brincar no parque as terças e quintas-feiras. Nesse momento as crianças cantavam músicas referentes a “trenzinho”. sendo dirigidas pelas educadoras. canto de música.49 No refeitório as crianças do maternal esperam os bebês do berçário tomar café da manhã para depois iniciar suas atividades. parque.

oralidade e criatividade. A educadora fazia as mediações necessárias para que as crianças desenvolvessem suas capacidades e habilidades durante a realização de atividades em sala de aula. o desenvolvimento e o progresso de cada aluno. foi feitos teatros em palitos. tendo como único recurso disponível além do livro era um palco e um Kit de fantoches. a educadora explicava as regras da brincadeira às crianças e participava brincando com elas. a brinquedoteca . O tempo destinado para a realização de cada atividade lúdica era de aproximadamente trinta minutos. atendendo as diversas áreas do desenvolvimento. estava presente até mesmo quando as crianças dessa turma sem movimentavam pela instituição de ensino. mesmo quando não havia necessidade de fazer intervenções ou mediações.o parque e tanque de areia e o pequeno pátio da frente . além do uso dos fantoches. tais como. Durante a atividade “hora do conto”. a educadora do maternal II utilizava de criatividade para contar as historias e despertar o interesse das crianças. Ficou evidente a preocupação da educadora com relação à estimulação da criatividade. imaginação e fantasia infantil. giz e guache. A educadora observava a realização de todas as atividades lúdicas propostas. tais como patinho-feio e passa-anel. no caso as músicas. motricidade. tais como. desenho e pintura como materiais diversos. dentre as quais se destacam: socialização.50 observar que o lúdico. como por exemplo. Tentava motivar todas as crianças a efetuarem as atividades propostas e evidenciava a produção. Nas atividades lúdicas dirigidas. Procuravam variar e diversificar as atividades. visto que é difícil manter a atenção dos alunos por longos . As atividades propostas pela educadora aconteciam nos diferentes espaços possíveis. Nas atividades lúdicas propostas pela educadora era perceptível a preocupação com o desenvolvimento global das crianças.

não bater nos amigos. a educadora observava as crianças fazendo intervenções relacionadas ao cuidado físico das crianças. ao sair do refeitório nos dias de calor as crianças tiram o excesso de roupa e depois vão para a sala de aula. Essa rotina só é alterada nos dias de chuva. ursos de pelúcia. As crianças da turma do maternal II tiveram acesso a diversos materiais. por exemplo. como parque e tanque de areia e o “Dia do brinquedo”. telefone. panelinhas entre outros. ou seja. Durante as atividades livres.51 períodos de tempo. depois disso elas vão dormir na sala do pré. Os alunos que terminam primeiro suas atividades vão primeiro para o parque. giz de cera. A turma do pré formada por vinte e uma crianças de cinco a seis anos. jogo de boliche. para tomarem cuidado para não se machucar enquanto brincavam também se preocupava com a interação social das crianças. A rotina do pré é um pouco diferente da rotina do maternal. Assim que terminam de almoçar as crianças também escovam os dentes sozinhas sobre o olhar da professora. por exemplo. não pegar o brinquedo do colega sem pedir e não correr. A educadora fazia também intervenções e mediações que propiciassem às crianças o desenvolvimento de suas habilidades e capacidades enquanto brincavam. como por exemplo: jogos de encaixe. bonecas. A professora entrega os cadernos e inicia as atividades que nessa faixa etária visa a alfabetização de português e matemática. no que diz respeito ao cumprimento de regras que estabeleciam como. . não jogar brinquedo pra fora do parque. pelo fato de os mesmos serem muito pequenos e ainda não conseguirem se concentrar. enquanto realizavam suas brincadeiras e atividades lúdicas. nessa turma as educadoras atuam em períodos alternados sendo que a Professora trabalha no período da manhã e a estagiária no período da tarde. carrinhos. baldinhos. bolas. massinha de modelar. piscina de bolinha. As 10h45min as crianças do pré começam a lavar a mão pra entrar no refeitório para o almoço. tintas. pazinhas. cadernos.

jogo da memória. piscina de bolinha. narração de histórias e brincadeiras dirigidas diversas. assim como as educadoras do maternal II . quebra-cabeça. Também fazia parte da rotina das crianças ficar mais ou menos por uma hora e meia no parque após o término das atividades em sala de aula até o horário do almoço. E em seguida voltam para o fundo para atividades variadas como a “hora do conto”. etc. . Para a turma do pré foram proporcionadas as mesmas atividades lúdicas que a turma do maternal II. por exemplo. Depois disso as crianças brincam um pouco mais até que as 15:30 horas voltam para o refeitório para jantar. como por exemplo. parque e tanque de areia com baldinhos e pazinhas. O banho é separado entre meninos e meninas e as crianças maiores das menores. assimilada pelas crianças desde cedo.52 As 13h30min as crianças acordam e voltam para o refeitório para tomar o “lanchinho” depois disso as crianças do pré vão para o fundo brincar e ficam aos cuidados da estagiária e as do maternal vão para o parque enquanto esperam para tomar banho. observavam as crianças. Bem como a maioria das instituições de ensino a creche também segue uma rotina sistemática. desenhos. jogos de encaixe. brincadeiras com aviões de papel. fazendo intervenções relacionadas tanto ao cuidado físico das crianças quanto as mediações necessárias ao desenvolvimento das capacidades e habilidades das crianças enquanto brincavam. Durante as atividades livres como parque. Geralmente as crianças do pré permaneciam na sala de aula para as atividades voltadas para a alfabetização por volta de uma hora e meia. bola. canto de músicas. As 17:00 horas as poucas crianças que ainda não foram embora voltam para o refeitório para assistir a um DVD que elas trazem de casa com o desenho favorito para esperar os pais. amarelinha. as educadoras do pré.

baldinhos. As crianças dessa turma tiveram acesso a materiais e brinquedos tais como: bola. as crianças sentavam em roda e as crianças permaneciam sentadas ouvindo a leitura do livro infantil. sendo importante considerar que por ter funcionamento em período integral. jogos de encaixe. não formavam “trenzinho” para se locomover pela instituição. Assim como toda instituição de educação infantil a instituição observada na presente pesquisa segue uma rotina com horários pré-estabelecidos. mas era necessário devido ao horário e para que a rotina estabelecida fosse cumprida. enquanto observavam as gravuras. Apenas participavam motivando o acontecimento do faz-de-conta. massa de modelar. pazinhas. As crianças indisciplinadas apenas observavam as outras brincando como castigo para seu mau comportamento. pincéis. jogo da memória. a atividade lúdica que as crianças mais gostam. giz de cera e giz de lousa. boliche. ursos de pelúcia. Muitas vezes as crianças não queriam para suas brincadeiras. Nas duas turmas foi possível observar que mesmo enquanto participavam ativamente das brincadeiras das crianças a educadora tanto do maternal II quanto as do pré. não criticando e nem julgando suas regras e decisões. das 06h30min às 17h30min. Normalmente as crianças permaneciam em silêncio ouvindo atentamente enquanto a história estava sendo contada. o período da manhã está dividido de maneira a privilegiar as atividades . respeitavam a espontaneidade e criatividade das mesmas.53 O parque. guache. quebra-cabeça. ou seja. ou seja. era privilégio daquelas crianças que se comportavam. diversos tipos de papel. carrinhos. A narração de histórias era feita pela professora de forma tradicional. Já a estagiaria ora contava as histórias de forma tradicional ora usava materiais lúdicos para este fim e ao final da atividade pedia que os alunos desenhassem a parte que mais gostaram da história contada. As crianças do pré diferentemente das crianças do maternal II.

Os materiais que as crianças das duas turmas tiveram acesso são praticamente os mesmos. já no caso das meninas era bonecas e maquiagens. Alguns pais preferem não deixar as crianças levarem brinquedo para a escola já que podem estragar ou perder. Porém algumas crianças principalmente do maternal II por serem menores se esqueciam de levar o brinquedo para a escola. Como discorre a pesquisadora Wajskop e como observamos na instituição o professor deve ocupar lugar central na educação das crianças. ficando o período da tarde para a recreação. Os brinquedos levados pelas crianças no “Dia do brinquedo” em sua maioria era bonecos de lutinha ou personagens de filmes e carrinhos no caso dos meninos. Sendo que o pré permanecia por maior tempo no parque. conclui-se que nas duas turmas observadas.54 pedagógicas no caso do maternal II de coordenação motora e no caso do pré exercícios para a alfabetização. bem como na brincadeira na . se diferindo apenas em relação ao pré que por ter maior idade também tinha acesso a brinquedos como boliche. ocasionando desentendimentos entre os mesmos. O tempo destinado às atividades lúdicas variou de acordo com a turma. escolinha entre outras. ou seja. A maioria das brincadeiras livres das crianças são as de jogo simbólico. Sintetizando as observações realizadas em campo. tais como casinha. médico. o maternal II e o pré há muita semelhança entre a prática dos educadores responsáveis tanto em relação às atividades lúdicas quanto a rotina que seguem. Outra atividade lúdica comum as duas turmas era a “hora do conto” ou narração de história. jogo da memória e quebra-cabeça. realizada pelas educadoras ora de forma tradicional ora de forma lúdica e prazerosa. Por diversas vezes as turmas mesmo que contrariadas tiveram que parar a brincadeira por conta do horário e para que a rotina fosse seguida.

já que a educação infantil é um lugar privilegiado para esse tipo de interação. esconde.04 morto carrinho 03 . p.Análise de dados O Diagnóstico foi realizado a partir das observações e pesquisa qualitativa com o objetivo de analisar a prática dos educadores e dos pais em relação ao brincar no desenvolvimento infantil. criando os espaços. Foram entrevistados 26 em um total de 39 pais. Quadro 3 com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Maternal II. ainda. 2001.esconde. vivo. entendo que o professor é figura fundamental para que isso aconteça. Agindo desta maneira. A entrevista foi realizada no mês de fevereiro do ano de 2008. de forma criativa. social e partilhada.112) 4. Estará. Questão 01: Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 07 05 0 01 Questão 02: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Ocorrência Pega-pega. sendo 13 pais de alunos matriculados no Maternal II e 13 deles pais de alunos matriculados no Pré. (WAJSKOP.55 educação infantil. Considerando que a brincadeira deva ocupar um espaço central na educação infantil. oferecendo-lhes material e partilhando das brincadeiras das crianças. ele estará possibilitando às mesmas uma forma de aceder às culturas e modos de vida adultos. transmitindo valores e uma imagem da cultura como produção e não apenas consumo.1 .

etc) Faz-de-conta Brincadeiras de roda Não respondeu Ocorrência 01 10 06 08 0 .bloco lógico.56 Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Futebol Não respondeu 02 02 01 03 01 03 01 02 01 02 02 02 02 Questão 03: Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos de construção(lego.bichão) Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.mamãe.chapeuzinho vermelho.

57 Questão 04: Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1a3 4a6 Não brinca Ocorrência 04 09 0 Questão 05:Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança. Resposta Passa anel Amarelinha Pega-pega Esconde-esconde Casinha Corda Poponeta Roda Cabra-cega Peão Morto-vivo Salada-mista Pega-bandeira Bola Abstenção Ocorrência 01 06 07 06 04 03 01 05 02 01 03 02 02 08 01 .

você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 07 0 05 .58 Questão 06:Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 10 0 02 Questão 07:Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.Todas Algumas Nenhuma Ocorrência 01 11 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho.

59 Questão 10:Quando compra um brinquedo.Porque ajuda no desenvolvimento da 12 criança. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 04 Questão 11: Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 10 02 Quadro 4.com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Pré. Questão 01: Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 08 05 0 0 .

esconde.etc) Faz-de-conta de Ocorrência 05 construção(lego. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Não respondeu 03 07 04 06 01 03 05 01 Questão 03: Que tipo de brincadeira seu filho brinca em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos lógico.60 Questão 2: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Pega-pega.bloco 07 08 .esconde. vivo-morto Ocorrência 10 carrinho Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.bichão) 05 06 02 03 12 Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.mamãe.chapeuzinho vermelho.

pois trabalha. Ocorrência 06 06 01 Questão 05: Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança: Resposta Passa anel Amarelinha Corda Esconde-esconde Pega-pega Elástico Patinho-feio Roda Casinha Dama Bola Boneca Escolinha Ocorrência 01 05 05 11 04 03 01 06 02 01 10 04 03 .61 Brincadeiras de roda Não respondeu 01 0 Questão 04: Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1 a 3 vezes por semana 4 a 6 vezes por semana Não tem tempo para brincar.

62 Bicicleta Quebra-cabeça Mamãe da rua Vídeo-game Taco Pipa Abstenção 02 01 01 02 03 01 01 Questão 06: Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Sim Não Não respondeu Ocorrência 12 01 0 Questão 07:Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.Todas Algumas Ocorrência 05 07 .

Porque ajuda no desenvolvimento da 13 criança. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 13 0 . você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 10 01 02 Questão 11: Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.63 Nenhuma 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 05 Questão 10: Quando compra um brinquedo.

também conhecida como simbólica. já que as crianças passam a maior parte do tempo na instituição de ensino. incorpora a mentalidade popular. A maior parte dos pais afirma que ensinou alguma das brincadeiras de sua infância para seus filhos no caso do maternal II temos dez ocorrências e no caso dos pais do pré temos treze ocorrências. podemos observar uma contradição já que os pais responderam quando questionados sobre o tipo de brincadeira que os mesmos desenvolvem com seus filhos em casa são os brinquedos de construção “Os jogos de construção são considerados de grande importância por enriquecer a experiência sensorial. Os pais entrevistados são unânimes aos afirmar que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seus filhos. No caso do pré as brincadeiras favoritas das crianças segundo seus pais são as brincadeiras de faz-de-conta “A brincadeira de faz-de-conta. é a que deixa mais evidente a situação imaginária” (idem. filiada ao folclore. p. sobretudo. expressando-se. de representação de papéis ou sociodramática. podemos constatar que a maior parte dos pais do maternal II e do pré tem um ou dois filhos. p. esconde-esconde e vivo-morto com quatro ocorrências para o maternal II “A brincadeira tradicional infantil. p. 2002.39) com doze ocorrências e as brincadeiras tradicionais com sete ocorrências. estimular a criatividade e desenvolver habilidades da criança” (idem. As brincadeiras mais freqüentes no cotidiano das crianças em casa são as brincadeiras tradicionais como pega-pega. pela oralidade” (KISHIMOTO.38) e as que ocorrem com menor freqüência são os jogos educativos para o maternal II.64 Ao analisar os resultados do questionário. O questionário revela que a maior parte dos pais participa em torno de quatro a seis vezes por semana da brincadeira de seus filhos. Quando questionados sobre as brincadeiras da sua infância notamos que a maior parte dos pais entrevistados se lembra dos jogos tradicionais como pega-pega e escondeesconde tanto para os pais dos alunos do maternal II quanto para os pais dos alunos do pré.40) com dez ocorrências. Questionados sobre o conhecimento .

toda atividade lúdica que proporcione ao individuo momentos de lazer. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brincadeira? Brincadeiras são atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado. ao brincar. também suas capacidades psicológicas. (educadora I do pré) . (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brinquedo? Brinquedos são instrumentos/objetos usados no brincar. (educadora do maternal II) É um objeto ou uma atividade lúdica. através de questionário estruturado.65 das brincadeiras que os filhos aprendem na escola os pais responderam que conhecem algumas atividades lúdicas desenvolvidas por seus filhos. Quando o assunto é a compra de brinquedos a maior parte respondeu que leva em consideração o fato de que o brinquedo estimula o desenvolvimento infantil. Na pedagogia. (educadora do maternal II) É o que a criança faz por livre e espontânea vontade e aprende sem perceber através do brincar. de forma criativa através de fantasiar situações ajudam também a estimular o raciocínio. desenvolve situações. porém dois pais do maternal II não concordam com o projeto da instituição de ensino pesquisada sobre o “dia do brinquedo”. Os pais entrevistados são unânimes ao afirmar que acredita que a utilização dos brinquedos seja importante no cotidiano escolar. integração. a professora e a estagiaria do pré da instituição pesquisada. Foram entrevistadas a educadora (estagiária) do maternal II . um brinquedo é qualquer objeto que a criança possa usar no ato de brincar que enquanto diverte ensina. Uma forma de estimulo a imaginação. socialização e aprendizagem. Segue abaixo os resultados da pesquisa realizada com as educadoras da instituição. A maioria dos pais está atenta à faixa etária indicada na embalagem do brinquedo. para o lazer e geralmente associada a criança. (educadora I do pré). Pesquisadora: O que você entende por brincar? Entendo por brincar. (educadora I do pré) Brinquedo é o objeto através do qual a criança. onde uma vez por semana a criança leva seu brinquedo favorito para a escola. É o intermediário entre a criança e o brincar. Brincar no meu entendimento é uma maneira da criança desenvolver além de suas capacidades motoras.

remete a “regras”. para o raciocínio. a induz ao raciocínio. (educadora II do pré) . (educadora I do pré). o imaginar. um jogo tem sempre suas regras. mas ao mesmo tempo regulamenta (possuí regras). (educadora do maternal II) Utilizo com eles todo tipo de atividade lúdica que possa ser considerada brincadeira. (eles identificam as cores nos brinquedos). espontânea. ou seja. com a rotina corrida da instituição. Brincar (brincadeira) é uma atividade paradoxal. (educadora do maternal II) Acredito que o educador deve mediar à brincadeira quando nela esta inserida regra. astronauta. boneca. não só com o estimulo do brinquedo. casinha. (educadora II do pré). Tudo de acordo com o grau de raciocínio de cada um.66 Brincadeira é o resultado da junção do brinquedo com o brincar. panelinhas. (educadora do maternal II). brincam com jogos. mas também dos colegas ou do professor. Mas. etc). ou até mesmo pedaços de outros brinquedos). através dos baldinhos. Sim. Para que atividade seja considerada brincadeira e não alienação ela deve estar conectada com a realidade. participo das brincadeiras. etc. enfim.(educadora II do pré) Pesquisadora: De que seus alunos brincam? Brincam de atividades de imitação (jogo simbólico). por exemplo. da forma apresentada e questionada. diferente do brinquedo que é utilizado para estimular a imaginação da criança. aviãozinho e com brinquedos que trazem para o dia do brinquedo: bonecas. por isso é bastante utilizado o brinquedo (carrinho. e às vezes faço ou as utilizo como “gancho” para lembrar das atividades feitas. um sistema de regras. como cores e números. colher e pá. um objeto. pelúcias. massinha. no meu entendimento. A criança segue regras do jogo. livre. é a fantasia. (educadora do maternal II) O jogo pode ser visto como: o resultado de um sistema lingüístico dentro de um contexto social. a brincadeira quando livre deve ser apenas observada. não só o “pronto” (industrializado) mas também o imaginário (que eles criam através de outros objetos. ou principalmente. a situação criada pela criança. (educadora I do pré) Jogo. que leva a criança a seguir de forma mecânica e também.que pra mim. Ex: escolhinha. é intermediário muito importante entre a criança e esse imaginário. eles pode criar coisas como o bolo(com terra). Pesquisadora: Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? Sim. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é jogo? São atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado através de suas regras. carrinhos. Também brincam no parque. sempre que possível faço intervenções durante as brincadeiras. às vezes deixo as crianças brincarem livremente. O lego também é bastante utilizado.(educadora I do pré) Pela idade deles (dois anos e meio a três anos) é trabalhado o estimulo. o sentir. sendo assim quando alguém joga está desenvolvendo uma atividade lúdica. chapéus (baldinho na cabeça) etc.

ou no caso do dia do brinquedo (que ocorre toda sexta-feira. como por exemplo. (educadora I do pré) Sim. jogos de interação (patinho-feio. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é possível perceber durante a brincadeira da criança? Durante as brincadeiras. porém poderia ser mais rico na questão da diversidade. também por conta do cuidado (nem todos tem cuidado. é capaz de fazer mais do que ela pode compreender e é justamente essa ação que permite que a criança possa compreender o que move sua ação. (educadora do maternal II) Sim. (educadora II do pré) Pesquisadora: Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? O jogo simbólico. “Não se pode fazer isso” ou “você deve fazer aquilo”. e ele é suficiente. brincadeiras cantadas (pica-pica-picolé) entre outras. Mas sempre que possível é dada a importância a tais. (educadora I do pré) Depende da turma e da faixa etária. acriança traz seu brinquedo de casa). os alunos) com o material disponível apesar de estimulado pelos professores. esconde-esconde) e brincadeiras antigas como roda. a professora. além de que existem atualmente tantos materiais lúdicos e eles em boa parte são bem caros. a criança ao brincar. os colegas. as crianças imitam cenas de sua realidade. que essa mediação deve existir quando a situação ou a brincadeira nos propicia a isso. Em alguns casos sim. pular corda. possibilitando de que se obtenha todos numa instituição. dando dicas sobre a realidade.(educadora do maternal II) Sim. (educadora I do pré) Acredito que não há um momento exato. o material lúdico não é suficiente.67 Pesquisadora: Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? Não. Imitam os pais. corre-lenço). (educadora do maternal II) Quando por si só elas se sentem perdidas sem vontade de criar. (educadora II do pré). outros não. o professor deve procurar intervir sem dar respostas prontas para as crianças. até mesmo pela preferência por tal brinquedo. de conservar o brinquedo ou jogo. já que a brincadeira é um ato livre. (educadora I do pré) . atividades físicas através da brincadeira (amarelinha. Pesquisadora: Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? Na mediação. As mediações devem ser feitas sempre que houver a oportunidade de desenvolver as capacidades e habilidades dos alunos. percebemos a sua realidade.

essa afirmação pode ser comprovada quando verificamos nas observações a educadora brinca com as crianças quando a rotina sistematizada da instituição permite. Assim como a educadora I do pré. Já a educadora II do pré acredita que as brincadeiras só devem ser mediadas se as crianças se sentirem perdidas. De uma maneira geral a coerência entre o discurso do professor e sua prática pedagógica.2 Intervenção Na intervenção do presente estudos. pois em cada brinquedo (brincadeira) sempre se esconde uma relação educativa. A educadora I do pré afirma que procura mediar as brincadeiras. verificamos que essa educadora realiza intervenções não apenas referentes ao cuidado com relação a integridade física das crianças. A educadora II do pré afirma que só é necessário haver mediação quando a brincadeira apresentar regras e conforme seu discurso. Conforme dito pela educadora do maternal II “as intervenções devem ser realizadas quando a brincadeiras nos propicia a isso”. (educadora do maternal II) Toda e qualquer brincadeira é importante no desenvolvimento cognitivo. 4. mas também interage nas brincadeiras como patinho-feio e “história da serpente”. a criança quando brinca aprende a se expressar no mundo. esta só faz mediações quando alguma criança transgride as regras da brincadeira.68 Quase todas. na observação verificamos que esta educadora geralmente apenas observa a brincadeira das crianças. foram realizadas as seguintes ações no período de fevereiro a agosto de 2008: . (educadora II do pré) Analisaremos o conteúdo das entrevistas realizadas juntamente com os dados obtidos nas observações feitas em campo para que seja possível verificar se o discurso e a ação pedagógica das educadoras estão de acordo. Quanto a mediação a educadora do maternal II afirma mediar as brincadeiras de modo a resgatar conteúdos apresentados para os alunos em atividades pedagógicas.

estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. O presente projeto é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru . a coordenação juntamente com a assistente social e os educadores resolveram que seria implantado o “dia do brinquedo”. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. pois eles sempre se lembravam de levar o brinquedo favorito para a escola. b-) Projeto de intervenção “ O Resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. onde toda criança deveria levar seu brinquedo favorito para a escola. Neste sentido a escola necessita contar com a participação dos pais. Para a maioria das crianças do pré a iniciativa deu certo. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. Pois aquela criança que ao levará o brinquedo queria tomar o brinquedo da outra para não ficar sem o brinquedo. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. Porém como nesse dia não havia banho as mães reclamaram que as crianças iam embora muitos sujas devia ao fato de ficar o dia todo na areia. socialização. A maioria das crianças do maternal II sempre se esquecia de levar o brinquedo. Como solução para o problema. A atividade mais praticada era a ida ao playgrand. Vou enviado bilhete comunicando aos pais o fato estabelecido. era o dia sem banho e sem atividades pedagógicas dentro da sala da de aula. afetivo e físico das crianças. para que estes não esqueçam que toda sexta-feira deve ser levar brinquedo na escola. ocasionando brigas entre os alunos. Este projeto de intervenção foi desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru.69 a-) Implementação do “Dia do brinquedo” Toda a sexta-feira a rotina da instituição mudava.

O projeto foi desenvolvido no período de fevereiro a junho de 2008. que é composta por várias casas de diferentes formas e cada casa representa uma história. A história montada pelas crianças seguiu a seguinte seqüência: está chovendo. Então. Recursos: Giz colorido Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 2: DEDOCHE Série: Pré e Maternal Disciplina: Artes Objetivos: . Atividade 1: AMARELINHA DIVERTIDA Série: Pré Disciplina: Artes/ Educação Física Objetivos: . corra da chuva. dorme.Respeitar as regras do jogo . toma sol. Depois. toma banho. passa pelo redemoinho. escova os dentes. rega as plantas .Expressar-se corporalmente através da brincadeira . montamos mais uma história para ser representada na amarelinha. entra no carro e vai para a escola. A atividade foi planejada pensando nas turmas do maternal II e do pré. as crianças brincaram na amarelinha.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Montamos a amarelinha.70 As atividades foram desenvolvidas com as crianças do maternal II e do pré. Contamos as histórias presentes na amarelinha para as crianças e explicamos que ao pular nas casinhas das amarelinhas elas deveriam representar a história que está desenhada na casinha. chega em casa e abre a porta. assiste televisão e lê um livro.Desenvolver a coordenação motora . acorda. porém mobilizou as outras crianças da creche.Interagir com os colegas . juntamente com a sala. janta.

Expressar-se corporalmente através da brincadeira . Para essa atividade usamos os personagens folclóricos.71 . Depois entregamos material para que cada um enfeitasse seu bilboquê e brincasse livremente.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Realizamos uma oficina de dedoches. crepom. barbante. cola gliter. Depois entregamos materiais para que enfeitassem seus personagens e deixamos que brincassem com o brinquedo confeccionado. lantejoula.Desenvolver a coordenação motora . lã . isopor. cola relevo.A. Entregamos os materiais prépreparados para que cada criança confeccione o seu dedoche. Avaliação: Participação e registro. durex. o Lobisomem e o Saci Perere.V. os ajudamos na confecção.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Entregamos a garrafa pet já cortada e um pedaço de barbante para que prendessem na garrafa. Recursos: Garrafas pet.Explorar a criatividade . Depois os auxiliamos a prender uma bolinha de isopor ao barbante. Recursos: E. Os auxiliamos durante o processo. cola quente. cola relevo.Desenvolver a coordenação motora . ATIVIDADE 3: BOLBOQUÊ Série: Pré Disciplinas: Artes / Educação Física Objetivos:. tais como: a Kuka. Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 4: RODA VENTO Série: Pré Disciplinas: Artes/ Educação Física Objetivos: .

Depois deixamos as crianças brincando e os supervisionamos. barbante. explicando que o peão é um brinquedo antigo. Deixamos que brincassem livremente com o brinquedo que confeccionaram em um espaço amplo. Recursos: Peão .Desenvolver a coordenação motora . ATIVIDADE 6: PEÃO Série: Pré e maternal Disciplinas: Educação Física Objetivos: . Depois entregamos barbante para que amarrassem a bola de papel e tiras de crepom para que colassem no roda-vento.Interagir com os colegas . crepom. Avaliação: Participação e registro. durex colorido.Respeitar as regras do jogo Desenvolvimento: Dividimos a sala em grupos e os ensinamos a brincar de bola de gude. Recursos: Sufite.Conhecer uma brincadeira antiga Desenvolvimento: Entregamos um peão para cada aluno e os ensinamos a brincar.Conhecer uma brincadeira antiga . Recursos: Bolinha de gude. ATIVIDADE 5: BOLINHA DE GUDE Série: Pré Disciplinas: Educação Física Objetivos: . Avaliação: Participação e registro. que seus pais e avós brincavam.Desenvolver a coordenação motora .72 Desenvolvimento: Entregamos para cada criança uma folha sulfite para que amassassem e fizessem a base do roda-vento.

CD . Ao término pedimos para que os alunos do pré registrassem através de desenhos a história. Recursos: Apito . os sentamos em roda e ao som da música História da Serpente. sem se soltar dos demais colegas. ATIVIDADE 7: HISTÓRIA DA SERPENTE Série: Pré e Maternal Disciplinas: Educação Física/ Artes Objetivos: .Expressar-se corporalmente através da brincadeira .Interagir com os colegas .Explorar a criatividade Desenvolvimento: Iniciamos a atividade contando para a sala a história de uma serpente que foi visitar sua tia e perdeu parte do seu rabo no morro.73 Avaliação: Portfólio e registro. que deveria passar por baixo das pernas de quem estava dançando e juntar-se ao grupo. que quando apitamos.Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos os alunos na formação de trenzinho.Rádio Avaliação: Portfólio e registro. tentaria pegar o ultimo da fila ( o rabo). Depois.Desenvolver a coordenação motora . Recursos: . dançamos e convidamos uma criança por vez. formando o rabo da serpente. O primeiro da fila foi a cabeça. ATIVIDADE 8: CABEÇA PEGA RABO Disciplina: Educação Física Série: Pré Objetivos:.

Desenvolver a atenção . pena.Respeitar as regras da brincadeira Desenvolvimento: Colocamos as cadeiras dispostas em filas. guache.Desenvolver a coordenação motora . Quando os alunos estivessem andando paramos a música e eles se sentaram. Recursos:. ATIVIDADE 10: PETECA Série: Maternal Disciplina: Artes/Educação Física Objetivos:.CD . de modo que o número de cadeiras fosse um número menor do que o número de alunos. durex. Avaliação: Participação e registro. Os alunos formaram um círculo em volta das cadeiras quando soltamos à música.74 Avaliação: Participação e registro.Música . ATIVIDADE 9: DANÇA DAS CADEIRAS Série: Pré Disciplina: Educação Física Objetivos:. areia. eles andaram em volta da cadeira.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . .Cadeiras Avaliação: Participação e registro. Recursos: Bexiga.Explorar a criatividade Metodologia: Entregamos uma peteca confeccionada com materiais acessíveis para que cada criança enfeitasse e brincasse. O aluno que ficou em pé saiu da brincadeira.

pulseiras e fizeram bolinhas. óleo. sal.Desenvolver a atenção .Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos a sala em roda e explicamos a brincadeira.Desenvolver a atenção . ATIVIDADE 13: PASSA ANEL Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos:. ATIVIDADE 12: MIA GATO Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos: . Avaliação: Participação e registro.Desenvolver a coordenação motora . guache. onde um aluno foi escolhido para ser o gato.Explorar a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Entregamos massinha colorida para que os alunos manuseassem e montassem o que quisessem. água. Avaliação: Participação e registro. As crianças tanto do maternal II quanto do pré montaram cobrinhas.Interagir com o grupo . Recursos: Venda para os olhos. Recursos: Farinha. O aluno de olhos vedados deveria adivinhar quem miou. relógios.75 ATIVIDADE 11: MASSINHA Série: Maternal Disciplinas: Artes Objetivos:. que devia miar.

Recursos: anel Avaliação: Participação e registro.CD Avaliação: Participação e registro.Desenvolver a coordenação motora . . CD.Recrear-se através da música . Rádio.Conhecer cantigas populares . Com o retorno da pesquisa.Desenvolver a oralidade e a atenção Desenvolvimento: Foi feita uma pesquisa com os pais sobre cantigas de roda e brincadeiras de roda. assim como canções pesquisadas pelo grupo.76 Metodologia: Dispomos a sala em roda e escolhemos um aluno para passar o anel.Rádio . aplicamos estas canções e brincadeiras no cotidiano do maternal. Depois escolhemos outro. Recursos: Fantoches. ATIVIDADE 15: ATIVIDADE DE ENCERRAMENTO: Contador de histórias Série: Maternal e Pré Objetivos: . que deveria adivinhar com quem o anel estava. O aluno que estava com o anel continuava a brincadeira. ATIVIDADE 14: CANTIGAS DE RODA Série: Maternal Disciplina: Artes/ Português / Educação Física Objetivos: .Conhecer histórias populares .Desenvolver a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Apresentamos para ambas as turmas a história “O menino e o pinto do menino” em teatro de fantoches. Recursos: .

77 Avaliação: Participação e registro. . . OBJETIVO GERAL .Explorar a linguagem. atenção e concentração. A avaliação foi feita com base . . .Desenvolver a identidade.Estimular a interação com pessoas e objetos.3 Avaliação Segundo o método da pesquisa-ação a avaliação é o terceiro passo da metodologia e consiste em avaliar os resultados obtidos com a intervenção. criativas e que nos traga prazer. .Desenvolver noções espaciais e temporais. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. 4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS . -Desenvolver a coordenação motora ampla. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. auto-estima e cooperação. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. Foi elaborado pela pesquisadora juntamente com outra funcionária da instituição.Explorar a imaginação. .Explorar os movimentos corporais. .Desenvolver a cognição e imitação. o pensamento e a ação. c-) Projeto Recreação O projeto sobre Recreação foi elaborado para o ano letivo de 2008 a fim de fundamentar teoricamente as práticas desenvolvidas com as crianças na área de recreação. diminuindo as tensões e preocupações. autonomia. criatividade. ritmo e equilíbrio. independência.Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar.Desenvolver a ludicidade. É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. a coordenação motora fina.

06 anos) Sim. Do roda-vento. (Aluno G. . (Aluno E.06 anos) Sim. 05anos. Massinha. sobre o roda-vento) Um tem que fazer assim e assim (gesticulando com os braços). Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. (Aluno D. Eu gostei da amarelinha. 06 anos) Sim. A maior parte das crianças gostaram da brincadeira do roda-vento e da amarelinha divertida. No outro tem que dirigir. (Aluna J. (Aluna L. 06anos) Quando questionados sobre como se desenvolve a brincadeira a maioria não soube explicar muito bem.(Aluna F. (Aluna A. Do roda-vento. rodar e depois montanha-russa. pisar nas pegadas. Do roda-vento e amarelinha. 06anos) Sim. (Aluna B. 05anos) Sim.(Aluno C.06anos) Sim. Pesquisadora: Como se brinca? Roda. (Aluna H. 06 anos) Sim. 06 anos) Não estava presente nos dias das atividades. Na avaliação da pesquisa nada mais importante do que entrevistar os mais beneficiados com o projeto sobre brinquedo e brincadeira. abrir a porta. Daquela lá da amarelinha.06anos) Sim. as crianças.5 anos) Sim. Foram entrevistadas 11 crianças do pré e doze crianças do maternal II. De massinha. (Aluno I.78 nas entrevistas semi-estruturadas no mês de junho de 2008. Roda vento.Segue abaixo as entrevistas do pré e em seguida as entrevistas do maternal II. quando a gente fez no papel. pular o rio. porém sabe brincar. Eu gostei daquele que roda (roda-vento). (Aluna A. Do roda-vento. Com os alunos do maternal II e do pré.

06 anos) Não. (Aluna J. Não lembro. (Aluno G. Pra fazer você amassa o papel e coloca fita colorida. 06 anos) É de girar o “negócio”. (Aluno E. 06anos. 06anos). sobre a massinha). 05anos) Não. Brinca rodando. 06anos. (Aluna J. 06anos) Não lembro. (Aluna F. 06 anos. 06 anos. sobre o roda-vento). Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Não. (Aluna F. (Aluno D. 06 anos) Não. (Aluna H. (Aluno C. 06anos) Não lembro. (Aluno E. (Aluno I. pro colega de sala. (Aluna H. Não. 06anos) . 06anos) Tem que girar. comer e dormir. 06 anos) Não.79 cantar. 5 anos) Não lembro. (Aluno D. Não. pular o rio. (Aluna B. (Aluno C. 06anos) A maioria das crianças não ensinou a brincadeira para outras crianças pois não se lembra muito bem de como se brinca. coloca no dedo e fica girando. Não lembro. só do ultimo que é de dormir. 06anos). (Aluno I. . (Aluna A. abrir a porta. 06 anos) Sim. . 06 anos. 06 anos) Não lembro. depois eu não lembro. sobre o roda vento e a amarelinha) Eu fiz um relógio. sobre a amarelinha). Não. mas não lembro como faz. 05anos) Você “cata”. escovar os dentes. 06 anos). (Aluno G. sobre o roda-vento). (Aluna L. montanha-russa. (Aluna B. (Aluno I. Não estava presente nos dias das atividades. (Aluna L.

06 anos) Não respondeu. 06anos) . esconde-esconde. (Aluna H. boneca. (Aluna L. (Aluno D. A minha vó também. 06 anos) Pais. (Aluno G. (Aluna B. 5 anos) Patinho-feio. (Aluna H. (Aluno J. 05anos) Com meu amigo. (Aluno I. Com a minha mãe. 06 anos) De controle remoto. (Aluna A. 06anos). 06 anos) Amiga. de burica e de vídeo-game. bem como foi relatado nas observações esses são os brinquedos que as crianças mais levaram no “dia do brinquedo”. Sozinha. (Aluno J. Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? De boneca. 06 anos) Na creche de patinho-feio. (Aluno C. ela brinca comigo. De pega-pega. (Aluno I. 06anos). visita outra ai visita outra e você vê que uma amiga “ta” grávida e tem que ir ao médico. (Aluno G. Não respondeu. pega-pega. mais ou menos de barbie. 06 anos) Com a minha mãe. cinema. Em casa gosto de brincar de pipa. 05anos) Carrinho.. de urso e de Barbie. Boneca. (Aluno E. (Aluna A. (Aluna F. 06 anos). 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. (Aluna B. (Aluno D. 06 anos). (Aluno E. Com meu ursinho. 06 anos) Sozinho. 06anos) Pesquisadora: Com quem você brinca? Eu brinco com a minha mãe. 06 anos) Gosto de brincar de futebol.80 Como podemos observar a maior parte das crianças gosta de brincar de boneca no caso das meninas e no caso dos meninos o carrinho foi bastante citado. 06anos) De massinha. É assim. 06anos). de comidinha com meu primo. (Aluna F. (Aluno C. 06anos).

(Aluno J. (Aluna L. (Aluna F. E cozinha. (Aluno C. 5 anos) A comidinha e de restaurante. (Aluna F. meu pai também brinca. Os meus ursos. Boneca e bolsa. É o boliche. Brinco e lutinha. 06anos) De escolinha com a minha irmã. 06 anos) Eu brinco de colocar a “burica” em roda e jogo a outra. 06 anos) Vídeo-game. depois ela acorda. 05anos) Brinco com meu pai e minha mãe. eu amo boneca.( Aluna L. Eu brinco no meu quarto. (Aluna A. Sim. 05anos) Meu pirata.81 Com a minha irmã. 06 anos) Solto pipa com meu pai. ela senta. 06anos) Boneca. 06anos). (Aluno I. (Aluna H. 06anos) Pesquisadora: Qual seu brinquedo favorito? Boneca. 06anos). se a “burica” sair eu tenho que pegar. De mamãe e filhinha. (Aluno E. (Aluno D. 06anos).06anos) . só a minha irmã brinca comigo. 06 anos) Videogame. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse.06anos) Pesquisadora: Como você brinca em casa? Eu arrumo as coisas. (Aluna B. (Aluno G. (Aluna A. (Aluno C. 06anos).(Aluno D. Não por que ela (a mãe) tem que trabalhar. (Aluno G. essas coisas. A minha mãe brinca. (Aluno I.Meu pai brinca comigo de jogar futebol. 06 anos). 06 anos). ela trabalha até chegar a noite. (Aluna B. 06 anos) Meu computador. (Aluna H. 06 anos) Brinco com minha amiga. 06 anos) De futebol com meu pai. (Aluna L. (Aluno E. 06 anos) Carrinho. mas só que a mamãe segura “nóis”. aquela cozinha que aperta e sai água. Minha mãe brinca de futebol. (Aluno J. Com vídeo-game mesmo. Meus pais não brincam. Deito a boneca.

06 anos) Sim de qualquer coisa. 02 anos e 10 meses) Sim. Gosto. 03 anos) Sim. (Aluna F. 03 anos) Sim. (aluno F. Gosto quando ela brinca de patinho-feio. (aluno E. . 06anos). (aluno D. Amarelinha. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Não tem nenhuma professora que brinca comigo. 06 anos). Roda-vento. (Aluno G. amarelinha. (Aluna B. História da serpente. De massinha. História da serpente. (Aluna H.(Aluno D. 03 anos) Sim. 06 anos) Eu gosto quando ela brinca de carrinho. (aluno I. História da serpente. (Aluno E. (aluna B. (aluno H. (aluna C. 06anos) Sim. (Aluno I. 03 anos) . Massinha. 06 anos). 03 anos) Sim. (Aluno J. você tem que dar o recado. De massinha. 5 anos) Gosto quando ela brinca de patinho-feio. 03 anos) Não Sei. (aluno J.06anos) Entrevista com as crianças do maternal II Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. 06 anos). 03 anos) Sim. Sim de patinho-feio. 03 anos) Sim de massinha. 06anos). Gosto quando ela brinca de carteira. de massinha.82 Como podemos concluir até as crianças acreditam que a intervenção dos professores é fundamental para o desenvolvimento das atividades e para a aprendizagem deles. 05anos) Sim de vôlei. (Aluno C. (aluno G. (Aluna A. (aluno A. 03 anos) Sim. Sim. (Aluna L. pica-pica-picolé e adoleta.

03 anos) Não. assim. Assim. Não respondeu (aluno C. (aluno G. se referindo a amarelinha). (aluno I. 03 anos). 03 anos) Não respondeu. 03 anos. se referendo a massinha) Tem que pular e rodar. Assim (aluno E. Pega-pega. 03 anos) Não respondeu.83 Grande parte das crianças do maternal II se lembra do desenvolvimento das atividades propostas no projeto. 03 anos. (aluna C. 03 anos) Sim pra minha irmã. (aluno I. (aluno C. 02 anos e 10 meses) Sim. De carrinho. 03 anos). se referindo ao roda-vento) Tem que amassar. 03 anos) Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? Não respondeu.(aluna B. se referindo a história da serpente). Não respondeu. (aluno A. Tem que fazer a menininha. pras minhas amigas. Tem que pular. 03 anos. (aluno A. (aluno A. 03 anos) Não. ( aluno H. 03 anos). 03 anos) Não. (aluno F. se referindo a massinha) Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Sim pra um coleguinha de sala. (aluno D. (aluno E. Pesquisadora: Como se brinca? Amassa e brinca. 03 anos) Não. Porém a maioria não ensinou a atividade para outra criança. 03 anos. (aluno F. Tem que cantar. se referindo a massinha). (aluno D. 02 anos e 10 meses) Rodando o brinquedo. 03 anos. . 03 anos) Não respondeu.( aluno J. (aluna B. 03 anos) Sim. 03 anos. 03 anos. (aluno D. (aluno H. (aluna B. 03 anos). (aluno G. (aluno J. 03 anos) Não. se referindo a amarelinha). pro meu irmão.

(aluna I. 03 anos). 03 anos). 03 anos) Com a minha mãe e com meu pai. (aluna B. (aluno E. (aluna C. Roda-roda (aluna I. Dinossauro e carrinho. 03 anos). 02 anos e 10 meses).84 Casinha (aluna E. Casinha (aluna G. 03 anos). 03 anos). Casinha (aluna J. Pesquisadora: Com quem você brinca? Com meu irmão. 03 anos). Maquiagem. 03 anos) Com meus amiguinhos de sala e com a minha irmã. Maquiagem (aluna H. (aluno F. (aluno J. 03 anos) Lego. Boneca. Casinha (aluna F.03 anos). 03 anos). Boneca. (aluna H. 03 amos) Assim como as crianças do pré. 02 anos e 10 meses) Não respondeu. (aluno D. Sozinha. 03 anos). (aluna F. 03 anos). 03 anos) Sozinho. Com meu irmão. Pesquisadora: Como você brinca em casa? Você brinca com seus pais? . 03 anos) Amiguinhos. (aluno C. 03 anos). Pesquisadora: Qual é o seu brinquedo favorito? Carrinho. 02 anos e 10 meses).(aluno I. 03 anos). 03 anos) Boneca. (aluna B. (aluna I. 03 anos) Sozinha. 03 anos) Boneca. (aluno A. (aluna G. (aluno D. Não respondeu. (aluno A. (aluna E. 03 anos). Boneca. a maioria das crianças pesquisadas respondeu que o brinquedo favorito é carrinho para os meninos e boneca para as meninas. (aluna H.

(aluno G. 03 anos) Sim de roda (aluno J. Oliveira (1997) nos esclarece que segundo sua pesquisa sobre a teoria de Vygotsky “ O professor tem papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos. 03 anos). 03 anos). Com a mamãe e o papai de ursinho. (aluna J.p. 03 anos) Sim de trenzinho (aluna B. Com a minha mãe e com meu pai de casinha. . 03 anos) Sim minha mãe brinca de boneca. (aluna F. provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (OLIVEIRA. (aluno H. 03 anos) Sim de história da serpente. (aluno H. só de cavalinho. (aluna B. (aluno G. (aluna C.1997. (aluna D. (aluna D.03 anos) Sim minha mãe brinca comigo de boneca. 03 anos). (aluna F.03 anos).03 anos). 03 anos) Sim. 03 anos) Não respondeu.85 Com meus pais de carrinho.62). (aluna C. Quando ela canta atirei o pau no gato. (aluno A. 03 anos). Não respondeu. Com a mamãe de pentear a mamãe. atuar nas ações que a criança não consegue desenvolver por si própria. sendo assim observamos que esse é o papel da intervenção do educador no desenvolvimento do brincar infantil. (aluno I. (aluna E. 03 anos) Meu pai não sabe brincar de boneca. 03 anos) Não respondeu. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Sim de caminhão (aluno A. (aluna E. 03 anos) A maioria das crianças respondem que gostam quando a professora brinca com eles.03 anos) Sim de trenzinho. 02 anos e 10 meses). Roda. 03 anos) Esconde-esconde. 02 anos e 10 meses) Sim. Com a mamãe de lego e o papai também. (aluna I. Sim. Roda-roda.

Considerações Finais A escola de educação infantil é um lugar privilegiado para a ocorrência de jogos e brincadeiras características da infância. . físico. afetivo e cognitivo das crianças que puderam ser confirmadas por diversos teóricos. Quanto às condições propicias para a realização do brincar na instituição infantil notamos que a falta de espaço físico e o tempo são fatores que dificultam a realização do brincar.86 5. na medida em que as crianças passam a maior parte de seu tempo dentro das instituições de ensino. Para as educadoras o ato de brincar é inerente à infância e é a forma que a criança possui para incorporar as relações sociais e a cultura do meio em que esta inserida. A maior parte dos pais entrevistados participa ativamente das brincadeiras no cotidiano de seus filhos. as ações desenvolvidas na instituição no decorrer da pesquisa. bem como dos jogos. Verificamos também nas observações realizadas em campo assim como na visão dos educadores que a mediação deve acontecer de acordo com a intenção da brincadeira. o ato de brincar deve ser valorizado e estimulado educadores. tais como a implantação do “dia do brinquedo” e o projeto “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” são atitudes positivas que valorizam e respeitam a infância e o desenvolvimento infantil. Sendo assim as concepções apresentadas pelas educadoras não se baseiam no senso comum. As educadoras possuem concepções claras sobre a importância do ato de brincar. brinquedos e brincadeiras para o desenvolvimento social. Se a brincadeira possuir regras pode ser mediada. se for livre deve ser apenas observada. Quanto à percepção dos pais dos alunos verificamos que a mesmo partindo do senso comum a maioria compreender a importância do brinquedo e da brincadeira para o desenvolvimento das crianças.

Para as educadoras do pré o material lúdico existente na instituição não é suficiente. porém deveria existir mais materiais lúdicos para que as atividades sejam mais diversificadas propiciam o desenvolvimento integral das crianças. porém não existe a conservação dos materiais lúdicos por parte dos alunos mesmo com estimulo dos professores. De acordo com as observações realizadas.87 Quanto a questão dos materiais lúdicos disponíveis na instituição. as educadoras possuem visões diferentes quanto a disponibilidade dos mesmos. os pais e os professores privilegiem a importância do ato de brincar para o desenvolvimento global das crianças. uma das educadoras do pré alega que deveria haver maior diversidade. . a instituição conta com variado material lúdico. a educadora do maternal II acredita que eles sejam suficientes. Ressaltamos que é extremamente importante que as pessoas envolvidas no cotidiano das crianças.

K. Acesso em: 01 de junho de 2007. M. Significado e função do brinquedo na criança. 2002. São Paulo: Loyola. T.88 6. Rio de Janeiro: LTC.gov. 5ª ed. (org). BRASIL. adaptada por Gisele Wajstop. MUKHINA. PIAGET. Brinquedo e Cultura. V. 1995. L.O desaparecimento da infância. SP: Cortez.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%E7ao. 2ª ed. KISHIMOTO. G. Rio de Janeiro: Graphia. 2ªed. S. BRASIL. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. 10ª ed. BROUGÈRE. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. 2002.069. Brinquedo. POSTMAM. 1998. São Paulo: Scipione. 3ª ed. 4ª ed. Philippe. 1995.planalto.html. São Paulo. Brincadeira e Educação. de 20 dez 1996.br/sedh/dca/eca. LEBOVICI. inhttps://www. Desenvolvimento infantil na creche. SP: Alínea. 1997.1971. 1988.gov. ARIÈS. 2 a ed.htm. J. KRAMER.Referências bibliográficas ARANHA. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. 1981. Porto Alegre. Lei 8.mj. I. 2002. HADDAD. 4ª ed. 5ªed. SP: Martins Fontes. Jogo. N. Acesso em 01 de novembro de 2007.Lúcia. GALVÃO. Rio de Janeiro: Vozes. CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. PFREONM NETO. Campinas. S. Leis Diretrizes e Bases da Educação Nacionais. Rio de Janeiro:Vozes. n° 9394/96.1999 . São Paulo: Cortez. in http:///www. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. História social da criança e da família. OLIVEIRA. Psicologia da idade pré-escolar. M. São Paulo: Cortez. M. 2001. de 13 de julho de 1990. S. 1ª ed. A creche em busca de identidade. A epistemologia genética. São Paulo.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. São Paulo: Edições Loyola. 2002.

S. VYGOTSKY. L.89 THIOLLENT.ed. M. 2004. (Coleção Psicologia e Pedagogia). ed. Pensamento e linguagem. 5ª. São Paulo: Cortez. 1988. A Formação Social da Mente. VYGOTSKY. 1987. S. São Paulo: Martins Fontes. . São Paulo. SP: Cortez Editora. Brincar na pré-escola. WAJSKOP. 2001. G. 2ª. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Martins Fontes. L.

90 Anexos .

Quais brincadeiras eles costumam brincar? 03. Desde já agradeço a colaboração. 05. pois trabalho. ( ) Não tenho tempo para brincar com meu filho(a).Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança. Atenciosamente. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. Lembrando o que o questionário tem fins estatísticos e sua identidade bem como a de seu filho(a) não será revelada.Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu(sua) filho(a)? ( ) Sim. ( ) Não. etc) ( ) Brincadeiras de faz-de-conta ( ) Brincadeiras de roda ( ciranda-cirandinha. 07.Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu(sua) filho (a)? ( ) Sim. ( ) De 04 a 06 vezes por semana. 06 .91 I-Questionário dos pais Bauru. Todas ( ) Algumas . ( ) Não.Quantos filhos menores de 10 anos você tem? 02. etc) ( ) Não tem tempo para brincar com o filho 04-Com que freqüência você brinca com seu filho (a) ? ( ) De 01 a 03 vezes pro semana. fevereiro de 2008 Senhores pais. Aline Fernandes Guimarães 01. 08-Você conhece as brincadeiras que seu(sua) filho (a) aprende na escola? ( ) Sim.Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? ( ) Vídeo-game ou jogos no computador ( ) Brinquedos de construção (legos. blocos lógicos.

você presta atenção na faixa etária indicada por ele? ( ) Sim. ( ) Às vezes. 11. onde as crianças levam seu brinquedo favorito toda sexta-feira? ( ) Sim. ( ) Não. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? ( ) Sim. ( ) Às vezes. ( ) Não. . ( ) Não. 12.Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? ( ) Sim. 10.Quando compra um brinquedo.Você considera importante o “ Dia Internacional do brinquedo”. ( ) Não.92 ( ) Nenhuma 09. Porque ajuda no desenvolvimento da criança.Quando compra um brinquedo para o seu (sua) filho (a).

é possível perceber a realidade na qual estão inseridos? 10-) Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? .Questionário dos professores Bauru.93 II. Aline Fernandes Guimarães 1-)O que você entende por brincar? 2-)O que é brinquedo? 3-) O que é brincadeira? 4-) O que é jogo? 5-)De que seus alunos brincam? 6-)Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? 7-) Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? 8-) Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? 9-) Enquanto as crianças brincam. Para tanto conto com sua colaboração. fevereiro de 2008. desde já agradeço. Atenciosamente. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. Prezado Senhor (a).

Projeto da instituição “A IMPORTÂNCIA DA RECREAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-COGNITIVO DE CRIANÇAS NO MATERNAL” ALINE FERNANDES GUIMARÃES RENATA PLETI TARCINALLI .BAURU 2008- .94 III.

Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. coopera.70) Para brincar a criança necessita de tempo. A principal atividade da criança é brincar (recrear).p. fantasia. o raciocínio. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças.INTRODUÇÃO A palavra latina recreação em sua primeira definição significa ato de recrear-se e na segunda definição significa ocupação agradável para um descanso de um trabalho e recuperação de forças para sua continuação. Neste contexto o objeto ou brinquedo oferecido pelos adultos tem a função de ajudar a compreender as propriedades e o uso social dos objetos e estabelecer as funções sociais destes no grupo social em que a criança esta inserida. espaço. onde tem brincadeira existe recreação. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto. distrair-se. a criatividade. ao invés de numa esfera visual externa. Por sua vez o verbo recrear está embutido por diversos significados. desenvolve a atenção. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. em suma. se diverte enquanto aprende. por exemplo. A brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psico-social da criança.95 TEMA: Recreação ALUNOS ENVOLVIDOS: Maternal I (faixa etária de 1 ano e 6 meses a 2 anos e 6 meses )e Maternal II(faixa etária de 2 anos e 6 meses a 3 anos e 6 meses). reinventa a realidade. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. dos quais pode-se destacar alegrar.brincar e se divertir. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. brinca com o medo e o monstruoso.1988. tanto no aspecto lúdico. exprime emoções e sensações. reproduz valores culturais.1997. .sentir prazer ou satisfação. PERÍODO DE REALIZAÇÃO: ano letivo de 2008. materiais como brinquedos. socializadores . manipula valores (o bem e o mal).desenfardar-se. Segundo (Vygotsky. 1.P. aprende a tomar decisões. fantasias) com conteúdos sociais. (BROUGÉRE.109) é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. deitar.

Ela passa a interiorizar os esquemas de ação (o que faz na ação passa a fazer também em pensamento) e a fazer uso da função simbólica. A recreação pode ser desenvolvida em prol do desenvolvimento pleno (motor afetivo. Nos espaços livres e áreas de lazer o homem sempre busca novas formas para se recrear. ou seja. permite a variação do brincar ora como atividade livre ora orientada. etc. Quando as crianças brincam não estão interessadas no resultado da brincadeira em si. comprimento). e não por incentivos fornecidos por objetos externos. O período sensório-motor é fundamental na recreação. mas prolonga os mecanismo de assimilação e a construção do real própria ao período sensório-motor anterior (Piaget. estão descobrindo o mundo e o universo que as cerca. etc. A teoria froebeliana. sendo ela ainda pré-lógica. (Kishimoto. O período sensório-motor (do nascimento até dois anos de vida) caracteriza-se pelas sensações e pelas atividades motoras. pois ele é o início de tudo. Sendo estimulada a partir de objetos concretos. suas respostas são apoiadas basicamente na percepção. 1983). ao considerar o brincar como atividade livre e espontânea da criança e. cognitivo e social). A recreação faz parte da história do homem. de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação. 1980). um suporte para o ensino. descobrir novos meios e solucionar alguns pequenos problemas (PIAGET. porém para elas o jogar e o brincar são momentos que vão além da diversão. Existem três manifestações importantes da função simbólica: a . pois elas aprendem o que ninguém pode lhes ensinar. Com a sucção. O pensamento da criança. além das sensações ocorre um aumento gradativo na capacidade do bebê em adquirir hábitos. no período pré-operatório. dons e atividades.1996). Estágios de desenvolvimento segundo Jean Piaget Para Jean Piaget os estágios e períodos de desenvolvimento caracterizam as diferentes maneiras de a criança interagir com a realidade. O período pré-operatório abrange a primeira infância (aproximadamente dos dois aos sete anos) e é anterior ao aparecimento das operações propriamente ditas. dos olhos. é intuitivo e.96 dependendo das motivações e tendências internas. coordenar visão e preensão. os movimentos das mãos.. para a aquisição de conhecimentos que ajudaram na resolução de situações ao longo da vida. coordenar esquemas. a criança pode recrear-se a partir da exploração do seu sensório-motor. no plano tridimensional (largura. Os períodos ocorrem de maneira espiral sendo que cada período engloba o período anterior.

pois uma única palavra pode substituir representar uma diversidade de ações antes efetuadas na prática pela criança. é a partir da fala que a representação se acentua. auto-estima e cooperação. * Explorar os movimentos corporais. * Desenvolver a ludicidade. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. * Desenvolver a coordenação motora ampla. a coordenação motora fina. que é a mais importante manifestação da função simbólica. criativas e que nos traga prazer. 4-CONTEÚDOS . * Explorar a linguagem.1.JUSTIFICATIVA É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. * Desenvolver a cognição e imitação. criatividade. diminuindo as tensões e preocupações. 3. * Desenvolver a identidade. o brinquedo simbólico ou “faz de conta”. ajuda-ajuda. e a fala. independência. autonomia. 3-OBJETIVO GERAL * Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. quando a criança passa a imaginar suas brincadeiras e interage em sua imaginação. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. duro ou mole. ritmo e equilíbrio. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. atenção e concentração. quando a criança é capaz de imitar uma determinada situação ou pessoa sem a presença da mesma. 2.OBJETIVOS ESPECÍFICOS * Explorar a imaginação. * Desenvolver noções espaciais e temporais.97 imitação diferida. o pensamento e a ação. * Estimular a interação com pessoas e objetos. vivo ou morto.Atividades de corrida (pega-pega. pegador corrente) .

corrida.Ocorrerá de modo contínuo valorizando e respeitando o desenvolvimento e aprendizado da criança. T.AVALIAÇÃO . 5-RECURSOS .Danças. . São Paulo: Cortez. 5. 7-REFERENCIA BROUGÈRE. uso dos dois pés de forma alternada. Jogo. S. Brinquedo e Cultura. C.Atividades com salto (uso somente de um pé. 1. .Atividades de imitação (imitar animais.. mesas.Atividades com brinquedos pedagógicos e outros. R. uso dos dois pés juntos. 4. criar personagens. criar novas situações.).(Org). salto. adaptada por Gisele Wajstop. A Formação Social da Mente.Atividades de arremessos (uso de uma das mãos.29-42. jacaré. 2ª.).Giles. arremesso com corridas.1997 Cavallari. dança. A. p.Umuarama.ed. Recreação em Ação: Recreação na educação infantil.sociais e estrutura. arremesso com saltos. RIZZI. B. cantigas de roda ( atirei o pau no gato.Maria. 2001. . v.ed. 2004. São Paulo: Ícone. pessoas. KISHIMOTO. fazer rolamentos. etc. sucata. Brincadeira e Educação. COSTA. de duas mãos. São Paulo: Cortez.).).(org). etc. C. L.Cordas . .Atividades de arremesso. n. M. etc. 2ª ed. Vania. São Paulo: Martins Fontes.Rádio e CD’s 6. arcos. . .98 . VYGOTSKY. cordas. representar histórias.Brinquedos (carrinho e boneca) . Educere. etc.Bolas . 1988. O Período de desenvolvimento das operações formais na perspectiva piagetiana: aspectos mentais.Bastão .2006.Bambolês . Brinquedo. bastões.etc) . etc. carteiras. -Atividades com objetos diversos (bolas.

BAURU 2008 .Campus Bauru Licenciatura em Pedagogia Projeto de Intervenção ALINE FERNANDES GUIMARÃES CAROLINE PETIT DE ARAGÃO KÉTHLEN DAYANE RODRIGUES TERECIANI O RESGATE DA INFÂNCIA POR MEIO DA BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL.99 IV.Projeto de intervenção desenvolvido na instituição UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Ciências .

não existia ainda uma atenção afetiva por parte dos homens que justificasse a necessidade de se preocupar com a infância. Muitos brinquedos e brincadeiras pertencentes ao universo infantil atual (como. Entretanto. assim que a criança desenvolvia um conjunto de habilidades. Os adultos não tinham a menor preocupação sobre a preservação de certos assuntos. brincadeiras e festas. com músculos e traços semelhantes. atitudes e ações. Em sua obra História Social da Criança e da Família.100 Resumo Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. Planeja-se realizar essa pesquisa em um instituição pública de educação infantil do município de Bauru. tanto na forma como eram vestidas. Aline Fernandes Guimarães. o pesquisador francês Philippe Ariès retrata a construção histórica do conceito da infância.Introdução A concepção da infância na atualidade é o resultado de transformações históricas e sociais. documentos ou pinturas que registravam ou retratavam algum conceito sobre a infância (ARIÉS. bonecas e marionetes) eram compartilhados entre adultos e crianças. A partir desse momento. sendo então designada como uma fase “irracional”. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. Portanto. esconde-esconde. por exemplo: pega-pega. as crianças eram tratadas como adultos em miniatura. por ser uma fase passageira. falavam . Caroline Petit de Aragão e Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani. é necessário verificar como a questão da infância era tratada no passado. O presente pesquisa é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru. jogos. a infância era vista como a fase na qual a criança ainda não dominava a fala. quanto na participação de conversas. Segundo sua pesquisa. que era desconhecida antes da Idade Média. 1. Pelo menos não existiam relatos. Segundo Áries. as representações estéticas (as pinturas) mostravam uma criança semelhante a um adulto. em tamanho reduzido. e não demonstrava ainda os comportamentos esperados pelos adultos. 1981). Por volta do século XIII. poderia ser considerada como adulto (em contraposição a infância). geralmente em reuniões e datas comemorativas. pois em determinados momentos históricos a visão que a sociedade tinha em relação à criança era bem diferente da visão moderna. como raciocínio.

Porém. p. Dentro deste contexto. Porém. a prática do abandono era comum. por ser “natural” e também por desconhecer a inocência e a diferença entre a infância e a fase adulta. a partir do século XVII. a saúde. Através de diversos documentos históricos. eram consideradas “livres” e “sem-modos”. supondo então que a educação e o sentimento da infância surgem primeiramente dentro dessas famílias. As camadas populares. a criança exercia na família um papel utilitário.12). portanto. o pesquisador Moysés Kuhlmann Jr. . a escola (ARIÈS. com auxílio dos poderes públicos e também pela própria família (resultados de uma transformação cultural): A família começou então a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância. é possível dizer que existia infância dentro das camadas pobres. houve uma transformação realizada pela Igreja e pelos órgãos públicos. nas reuniões coletivas. a higienização. Uma educação informal. que consentia a ida de seu filho a escola. preocupandose com o seu desempenho durante o processo de aprendizagem.101 vulgaridades na presença das crianças. as brincadeiras nas praças. Não existiam cuidados específicos que garantiam uma sobrevivência efetiva durante essa fase. 2001). Era necessário para essa função uma criança saudável. cumprindo funções que contribuíssem com a sociedade. A criança deixa de ser uma utilidade para o trabalho familiar. que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem uma enorme dor. mas principalmente retratando a construção da infância em camadas abastadas. Kuhlmann aponta o caráter unilateral da pesquisa de Ariès. (ARIÈS. que direciona seus relatos de modo generalizante. que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes. Diante da elaboração da instituição escolar. Entretanto. Foi instituída então. recebendo uma preocupação com seu bem-estar. em contraposição sobre algumas idéias. 1981. porém existente na vida dessas crianças (KUHLMANN. era “normal” que ocorressem eventuais fatalidades. que defendiam a separação entre adultos e crianças. através das conversas com os adultos. Por não existir um sentimento por parte da família. como também a preocupação com a educação e o cuidado com os pequenos. por sua vez. e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. que a criança saiu de seu antigo anonimato. As contribuições de Ariès foram extremamente importantes em relação à história da criança. o autor constata que havia uma preocupação com a infância em épocas posteriores e o sentimento de infância era existente durante a Idade Média. em sua obra Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica analisa e reinterpreta algumas concepções. 1981). visão construída pelas camadas dominantes. surgiu um sentimento de afeição e cuidado por parte da família. e as taxas de mortalidade eram elevadas.

102 Ao abordarmos o tema proposto no referido projeto será necessário analisar a história e a evolução da educação de crianças de 0 a 6 anos no Brasil. 2004. a escola. 211). Saviani (2004) esclarece sobre o que a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional define para educação infantil: No que diz respeito à educação infantil (Seção II. estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional. propiciando uma formação de qualidade para a criança. (SAVIANI.31). para caracterizar as instituições educacionais pré-escolares. para crianças de até três anos de idade e em pré-escolas. que sustenta a dinâmica transformadora do que pode ser definido como um novo momento na história da educação infantil. de 1996. Na atualidade verificamos um processo de expansão do atendimento à criança de 0 a 6 anos.7). a partir da qual pode-se detectar a dimensão pedagógica que subsiste no . Entretanto. Para Saviani (2005. para crianças de quatro a seis anos (art. 2001.14) a educação não se reduz ao ensino. sem muita preocupação com o desenvolvimento infantil e suas especificidades. Essa expansão quantitativa é um elemento fundamental. material. “neste sentido. artigos 29 a 31). a lei se limita a indicar sua finalidade (art. dificultando a expansão qualitativa para este nível de ensino. configura uma situação privilegiada. p. básico.394 (1996). no caso brasileiro. já que sua natureza se encontra na produção do trabalho não-material. p. que deverá garantir a todas crianças o acesso e a permanência escolar.30) e que a avaliação será feita pelo acompanhamento e registro do desenvolvimento infantil. A Nova Carta Constitucional (1988) reconhece o dever do Estado de garantir creches e pré-escolas para todas as crianças de 0 a 6 anos. assim como na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. consagrada nas disposições expressas na Constituição de1988. o atendimento prestado a crianças de 0 a 6 anos era visto apenas como assistencialismo. abarcando o atendimento dos 0 aos 6 anos de idade.29). (KUHLMANN. Lei nº 9. ou na década de 1970. sem objetivo de promoção (art. A partir da década de setenta a educação de crianças pequenas começa a ser reconhecida através da ampliação das políticas governamentais de atendimento para esta faixa etária. Kuhlmann (2001) relata o processo de expansão das creches e pré-escolas no Brasil: As creches e pré-escolas têm vivido um amplo processo de expansão desde o final da década de 1960 na Europa e América do Norte. mas para que este direito seja garantido será necessário que haja legislação e recursos específicos. essa educação não era assegurada pela legislação. A própria expressão educação infantil foi adotada recentemente em nosso país. De início. a sua organização em creches. processo acompanhado da ampliação das pesquisas sobre o tema. p.

o envolvimento de pais na escola/creche é. com uma trajetória escolar caracterizada por imprevistos. Bhering e Nez (2002) definem a importância da relação família e creche nos primeiros anos de aprendizagem da criança. portanto. é a instituição responsável pela formação da infância. Uma infância em um mundo urbano. a criança de hoje está inserida em um novo contexto: dentro de um mundo globalizado e capitalista. repleto de transformações econômicas. podem promover situações complementares e significativas de aprendizagem e convivência que realmente vão de encontro às necessidades e demandas das crianças e de ambas as instituições. e nem no preparo para o processo de alfabetização. é através dela que a criança será inserida ao mundo ao seu redor. substituindo as brincadeiras populares por brinquedos eletrônicos. a institucionalização da escola como meio de difusão do saber sistematizado afirma a especificidade da educação. 65). p. políticas. atualmente. A família desempenha um papel fundamental. A relação com o adulto nesta fase do desenvolvimento será essencial para a efetivação desse processo infantil de conhecimento do mundo. A educação infantil possui características próprias. brincando em espaços reduzidos. influenciada pelas culturas midiáticas. (BHERING e NEZ. ingressando precocemente em instituições educacionais. não se fundamenta na compensação de deficiências sociais. fruto da desigualdade social vigente na atualidade. . A criança encontra-se atualmente em um cenário pós-industrial ou pós-moderno. O objetivo da educação infantil. A escola. possui uma linguagem própria que deverá ser aperfeiçoada no processo de ensino aprendizagem. 2002. ambientes e atividades favoráveis para o desenvolvimento da criança é um dos objetivos (e desejos) de ambas as instituições. Apesar de haver diferenças distintas entre as obrigações da família e da escola. A família e a escola dividem e partilham suas responsabilidades no que diz respeito à educação e a socialização das crianças. p. há também responsabilidades e objetivos incomuns entre elas. Desta forma. Segundo o autor. conseqüência da terceira revolução industrial (FURLAN e GASPARIN. juntas. a qualidade de seus serviços e o atendimento às comunidades carentes é cada vez mais discutido. A creche é um dos contextos onde um número bastante expressivo de crianças pequenas passa grande parte de seu tempo. a formação integral do indivíduo é de finalidade da escola ao passo que tem como objetivo primeiro tornar os alunos cidadãos críticos. como também em uma outra perspectiva. considerado um componente importante e necessário para o sucesso das crianças. trabalhando desde cedo.103 interior da prática social global”. sociais. Entretanto. Sendo assim. 2002. afirmando que: A importância do envolvimento de pais nesta fase é então auto-explicativa: a família e escola/creche. Criar condições. A criança desta faixa etária conhece o mundo diferentemente do adulto.9). pois.

espaço. socializadores . manipula valores (o bem e o mal). (QUINTEIRO. exprime emoções e sensações. por estar relacionada à construção da identidade. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. reinventa a realidade. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto. brinca com o medo e o monstruoso. 12). jogo e brinquedo. de fantasia. a brincadeira era geralmente considerada como fuga ou recreação. Todavia. por exemplo. aprende a tomar decisões. 2003. o raciocínio..) um intervalo no dia e não como um período peculiar da vida. areia com água vira comidinha de boneca. tanto no aspecto lúdico. fantasias) com conteúdos sociais. fantasia.70) Para brincar a criança necessita de tempo. a infância atualmente aparece como um momento em que a criança pode ser ela mesma. da formação social. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. como creches e pré-escolas.104 A imagem de um adulto em miniatura surge novamente. Admite-se que a infância é uma fase importante na vida da criança. é apenas com a ruptura do pensamento romântico que a valorização da brincadeira ganha espaço na educação das crianças pequenas. (2001) revela que os brinquedos destinados às atividades simbólicas. um cabo de vassoura pode virar um foguete. desenvolve a atenção. Atualmente as crianças entram cada vez mais cedo nas instituições de educação infantil. reproduz valores culturais. de construção e socialização têm percentuais de 4% a 35% nas instituições pesquisadas. se diverte enquanto aprende. “(. Na brincadeira de faz-de-conta ou jogo simbólico a criança utiliza-se da imaginação. p.P. de amadurecimento”. da construção cognitiva e crítica. (BROUGÉRE. Sendo um dos poucos lugares na área da educação onde o lúdico é tratado como natural ou apropriado. a criatividade. porém com novos significados. da autonomia. Segundo a mesma pesquisa a maioria dos materiais são de jogos geométricos e alfabetização. na .. Em sua pesquisa sobre Brinquedos e materiais pedagógicos na educação Infantil a pesquisadora Kishimoto. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. materiais como brinquedos. em suma. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. Segundo Wajskop (2001). Porém a brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psicosocial da criança. um papel amassado se transforma em uma bola de futebol. por exemplo. coopera.1997. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. Anteriormente.

1997). etc.. pois brincando a criança vai além do que está acostumada a fazer.p.. Ainda na teoria de Vygotsky. p. ao mergulhar na ação lúdica. bolas e outros acessórios enquanto a brincadeira é mais livre podendo existir regra ou não. 1999.21). a idéia da bola de futebol e não com o objeto que tem nas mãos. Mas para brincar a criança precisa de espaço dentro do cotidiano das instituições de educação infantil. (1999) “a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos”. a criança se relaciona com o significado em questão. isto é. que define como “a descrição de uma ação lúdica envolvendo situações estruturadas pelo próprio tipo de material. (WAJSKOP. Para a autora Wajskop. (Oliveira. A diferença fundamental entre jogo e brincadeira é que o jogo delimita regras. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. Kishimoto(2001).Justificativa Com base nas experiências realizadas durante o período de estágio em escolas de educação infantil.( KISHIMOTO. tabuleiros. por exemplo. a menina vira mãe e o menino vira pai. nível em que a criança precisa da ajuda do adulto para desempenhar determinadas tarefas. Alguns pesquisadores diferenciam brinquedo. ao brincar com a bola de papel amassado. por parte do sistema educativo do ato de brincar na educação de crianças de 0 a 6 anos. 2. o brinquedo também cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. a distância entre o nível real em que a criança é capaz de fazer determinada atividade sozinha e o nível de desenvolvimento potencial.2001. como xadrez.105 brincadeira de escolinha: a criança imita o papel do professor e dos alunos. . trilha ou dominó. faz a distinção entre a brincadeira – entendida por ela como a “ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo. brincadeira e jogo e mostram a importância deles para o desenvolvimento e aprendizado das crianças. é o lúdico em ação ” e o jogo. Segundo Vygotsky(1988).25). podendo necessitar de materiais específicos como quadras. O conceito central na teoria de Vygotsky é o da Zona de Desenvolvimento Proximal. as pesquisadoras perceberam a desvalorização. Portanto o papel amassado serve de representação para uma realidade ausente.

. 3. Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo das crianças o presente trabalho pretende resgatar a concepção do conceito de infância através do brinquedo e da brincadeira na educação infantil.Objetivos Específicos . por meio de intervenções pedagógicas que privilegiem a criança como sujeito ativo durante seu processo de desenvolvimento. Serão realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação.Promover o resgate do conceito de infância através da vivência de brincadeiras populares. Objetivos 3. é antes de tudo promover a socialização das crianças e o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização.Metodologia Este projeto de intervenção pretende ser desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. com a finalidade de identificar a qualidade e a diversidade de recursos disponíveis para as atividades cotidianas das crianças na instituição. socialização. Para a realização do presente trabalho será feita revisão de literatura.2.Conhecer as diversas formas de brincadeiras populares. . seja ela em período integral ou não. 4. 3.Objetivo Geral . que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. buscando em referências bibliográficas e outras bases de dados a teoria necessária para fundamentar teoricamente o trabalho. afetivo e físico das crianças. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância.106 Sendo que o papel da escola de educação infantil.Explorar a ludicidade através de brinquedos e brincadeiras. . Investigação do material para atividades lúdicas disponíveis na escola. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. Observação do contexto educacional: observação das crianças em situações de brincadeiras.Reconhecer a brincadeira enquanto uma característica fundamental à infância. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento.1.

107 5.Brinquedos pedagógicos . Elaboração dos instrumentos de pesquisa Observação Elaboração relatório parcial Análise dos dados /Avaliação Redação e revisão para entrega do relatório final D E Z X J A N F E V M A R X X X X X X 8. tinta. CD Room.Recursos Humanos Professora orientadora: Marcia Cristina Argenti Perez Professora avaliadora: Vera Lucia Messias Capellini Fialho Pesquisadoras: Aline Fernandes Guimarães Caroline Petit de Aragão Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani Público em geral: Crianças de 0 a 6 anos 7. etc) . giz de cera.Brinquedos populares . periódicos.Cronograma ETAPAS Levantamento Bibliográfico: Fichamento de livros. cola.Sucatas .Materiais pedagógicos ( sulfite. pasta. vídeos.Fotos 6. busca nas bases de dados. tesoura.Avaliação .Recursos Materiais .

adaptada por Gisele Wajstop. História Social da criança e da família.Giles. Caderno UEM.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. QUINTEIRO.ed. Abr 2002. Marta Regina e GASPARIN. Campinas. e Pesq. J. .18.63-73. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica. KUHLMANN Junior. 2001. sendo seu ponto principal a elaboração de um portfólio da aprendizagem contendo o registro de todas as etapas do projeto através de fotos registro realizados pelos os alunos. K.. 1. São Paulo: Cortez. 8-22. T.1988. SP: Autores Associados. São Paulo: Martins Fontes. 5.n 2. A Formação Social da Mente. Porto Alegre. 5. São Paulo: Cortez. E. 2000. 2002.: Teor.108 Será realizada durante todo processo. S. M. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. Porto Alegre. A emergência de uma sociologia da infância no Brasil. LEBOVICI. In: Educação e Pesquisa. __________ Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis. VYGOTSKY. . p.ed. 2ª ed. BROUGÈRE. Caderno UEM. V. João Luiz.1997 FURLAN. RJ:Guanabara-Koogan. Maringá. Jogo. 33ª ed.ed.27. e DE NEZ. WAJSKOP. T. SP: Autores Associados. 9ª ed. 1997. Brincar na pré-escola. São Paulo: Scipione. M. 2005.S.2001. Dermeval.(org). A construção do “ser” criança na sociedade capitalista. SAVIANI. no. G. Mediação. 2001. OLIVEIRA. 2002. vol. SAVIANI. 1981 BHERING. 2ª. Brinquedo e Cultura. São Paulo: Cortez. Moysés. Escola e democracia. Brinquedo.Referencias ARIÈS. Envolvimento de pais em creche: possibilidades e dificuldades de parceria. 9. Campinas. p. Brincadeira e Educação. 4ª ed. 1988. 2001. B. Significado e função do brinquedo na criança. p. 6-14 KISHIMOTO. Philippe. L. Dermeval. Maringá. Psic.

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