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Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Mecânica Quântica I (graduação)

Prof. Marco Schreck 1 de Julho de 2021


Exercı́cios I Entrega: 15 de Julho de 2021

Exercı́cio 1: Experiência da dupla fenda


a) Consideramos a experiência da dupla fenda com fótons que tratamos nas aulas. Efeitos de inter-
ferência grandes surpreendentes podem ocorrer quando uma das duas amplitudes for pequena.
Considere tal experimento onde a probabilidade de passar a primeira fenda seja reduzida por um
fator de 100 em comparação à segunda fenda. Qual é o rácio entre os mı́nimos e máximos no
padrão de interferência? [3 pontos]

b) A fonte no experimento da dupla fenda mostrado na Fig. 1 emite nêutrons térmicos da velocidade
v = 2 km MeV
s e da massa mn = 940 c2 . Esses se movem para um anteparo com duas fendas
infinitesimais separadas por D = 10−8 m. Descreva a amplitude de probabilidade como fizemos
nas aulas para fótons onde k é agora o comprimento de onda de De Broglie associado com os
nêutrons. Qual é a distância entre o máximo central (n = 0) e os máximos vizinhos (n = ±1) no
padrão de interferência? [3 pontos]

Exercı́cio 2: Dualismo onda-partı́cula


Considere a experiência da dupla fenda para a qual uma da fendas não está totalmente aberta (par-
cialmente transparente). Pode-se descrever essa situação a seguir. Supomos que a amplitude de passar
a primeira (segunda) fenda seja a ≥ 0 (b ≥ 0). Assumimos que a ≥ b.

a) Modifique a conta feita nas aulas para conseguir a probabilidade Pf 7→d de observar a partı́cula
no anteparo final em termos do produto k∆s entre o número de onda k e a diferença ∆s dos
comprimentos dos dois caminhos. [3 pontos]

b) Calcule a grandeza

Pmax − Pmin
W ≡ , (1)
Pmax + Pmin

na qual Pmax e Pmin é o valor máximo e mı́nimo da probabilidade, respectivamente. Qual é o


valor de W para a = b (fendas iguais) e no caso b = 0 (segunda fenda completamente fechada)?

Figura 1: Experiência da dupla fenda.

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Explique porque se pode concluir que W = 1 (W = 0) descreve um comportamento tipo-onda
(tipo-partı́cula). [3 pontos]

c) Coloque um anteparo diretamente atrás das fendas. Calcule

Pfenda 1 − Pfenda 2
V ≡ , (2)
Pfenda 1 + Pfenda 2

onde Pfenda 1 e Pfenda 2 é a probabilidade de observar a partı́cula diretamente atrás da fenda 1 e


2, respectivamente. Qual é o resultado para a = b e b = 0? Argumente porque V = 1 (V = 0)
descreve um comportamento tipo-partı́cula (tipo-onda). [3 pontos]

d) Mostre que W 2 + V 2 = 1. [2 pontos]

Exercı́cio 3: Interferometria com nêutrons


Consideramos um interferômetro de nêutron (vide a Fig. 2). Dois raios de nêutron são partilhados
por um cristal e combinados de novo depois de propagarem ao longo dos caminhos (1) [A 7→ B]
e (2) [C 7→ D], respectivamente. O interferômetro seja orientado no plano vertical, quer dizer, os
caminhos B e C estejam em alturas diferentes no campo gravitacional. A energia potencial Vgr no
campo gravitacional seja igual a zero para o caminho C (tenha a altura z = 0). Trabalhe com uma
amplitude da forma exp(ikr) (com número de onda k = p/~ e momento p dos nêutrons) e calcule a
diferença de fase causada pela propagação ao longo das partes B, C nas alturas diferentes do campo
gravitacional. É suficiente fazer uma conta não-relativı́stica. Qual é o valor numérico desta diferença
para nêutrons térmicos cujo comprimento de onda de De Broglie é λ = 1.4 Å? Além disso, a área
dentro do interferômetro seja Lh = 30 cm2 . A observação desta diferença de fase foi a primeira prova
experimental que a mecânica quântica se aplica à interação gravitacional. [6 pontos]

Figura 2: Interferômetro de nêutron no campo gravitacional.

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