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Prof.

João Pedro Marra Nogueira


Direito Eleitoral
Fidelidade partidária –

Prevê o artigo 17,§1º, da Constituição que o estatuto do partido deve “estabelecer


normas de disciplina e fidelidade partidária”.

No plano infraconstitucional, o artigo 25 da Lei 9.096/95 estabelece:

“O estatuto do partido poderá estabelecer, além das medidas disciplinares básicas de


caráter partidário, normas sobre penalidades, inclusive com desligamento temporário
da bancada, suspensão do direito de voto nas reuniões internas ou perda de todas as
prerrogativas, cargos e funções que exerça em decorrência da representação e da
proporção partidária, na respectiva Casa Legislativa, ao parlamentar que se opuser,
pela atitude ou pelo voto, às diretrizes legitimamente estabelecidas pelos órgãos
partidários.”

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A perda do mandato por infidelidade partidária está prevista no 22-A da Lei nº 9.096/95, que dispõe:

Art. 22-A. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido
pelo qual foi eleito.
Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária somente as seguintes
hipóteses:
I - mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário;
II - grave discriminação política pessoal; e
III - mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que antecede o prazo de filiação
exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente.

Posteriormente, a EC 97/2017 acrescentou o §5º ao artigo 17 da CF, no qual é veiculada uma nova
hipótese de justa causa para desfiliação partidária:

§ 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos previstos no § 3º deste artigo é assegurado o
mandato e facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro partido que os tenha atingido, não
sendo essa filiação considerada para fins de distribuição dos recursos do fundo partidário e de acesso
gratuito ao tempo de rádio e de televisão.

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Alistamento eleitoral –

Conforme estabelece a Constituição Federal, Todo poder


emana do povo, que exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente (CF, art. 1º, parágrafo único).
A democracia representativa pressupõe a existência de um
corpo eleitoral bem estruturado. Não fosse assim, seria
impossível que os cidadãos escolhessem seus mandatários.
Daí a importância do alistamento eleitoral, pois é ele que
propicia a organização do eleitorado em todo o território
nacional com vistas ao exercício do sufrágio.

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Entende-se por alistamento o procedimento administrativo-eleitoral pelo qual
se qualificam e se inscrevem os eleitores.

Nele se verifica o preenchimento dos requisitos constitucionais e legais


indispensáveis à inscrição do eleitor.

Uma vez deferido, o indivíduo é integrado ao corpo de eleitores, podendo


exercer direitos políticos, votar e ser votado, enfim, participar da vida política
do País.

Em outras palavras, adquire cidadania. Note-se porém que, com o


alistamento, adquire-se apenas a capacidade eleitoral ativa; a passiva ou a
elegibilidade depende de outros fatores.

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Não havendo alistamento, não é possível que o indivíduo exerça
direito políticos, já que não terá título de eleitor, seu nome não
figurará no rol de eleitores de nenhuma seção eleitoral,
tampouco constará da urna eletrônica.

Por isso, tem-se dito que o alistamento constitui pressuposto


objetivo da cidadania, sem o qual não é possível a concretização
da soberania popular.

Ao tratar dessa matéria, a Constituição Federal distingue três


situações: alistamento obrigatório, alistamento facultativo e
casos de inalistabilidade.

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Domicílio eleitoral –

No campo eleitoral, o domicílio determina o lugar em que o


cidadão deve alistar-se como eleitor e também é nele que
poderá candidatar-se a cargo eletivo.

Para concorrer às eleições, o candidato deverá possuir


domicílio eleitoral na respectiva circunscrição pelo prazo de,
pelo menos, seis meses (LE, art. 9º - com a redação da Lei
13.488/2017).

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Art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 6.996/82 dispõe:

Art. 4º - O alistamento se faz mediante a inscrição do eleitor.


Parágrafo único - Para efeito de inscrição, domicílio eleitoral é o lugar de residência ou
moradia do requerente, e, verificado ter o alistando mais de uma, considerar-se-á
domicílio qualquer delas.

Art. 42, parágrafo único, do Código Eleitoral:

Art. 42. O alistamento se faz mediante a qualificação e inscrição do eleitor.


Parágrafo único. Para o efeito da inscrição, é domicílio eleitoral o lugar de residência
ou moradia do requerente, e, verificado ter o alistando mais de uma, considerar-se-á
domicílio qualquer delas.

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Transferência – art. 55 do Código Eleitoral

Art. 55. Em caso de mudança de domicílio, cabe ao eleitor requerer ao juiz do novo domicílio sua transferência, juntando
o título anterior.

§ 1º A transferência só será admitida satisfeitas as seguintes exigências:


I - entrada do requerimento no cartório eleitoral do novo domicílio até 100 (cem) dias antes da data da eleição.
II - transcorrência de pelo menos 1 (um) ano da inscrição primitiva;
III - residência mínima de 3 (três) meses no novo domicílio, atestada pela autoridade policial ou provada por outros meios
convincentes.

§ 2º O disposto nos nºs II e III, do parágrafo anterior, não se aplica quando se tratar de transferência de título eleitoral
de servidor público civil, militar, autárquico, ou de membro de sua família, por motivo de remoção ou transferência.

Art. 57. O requerimento de transferência de domicílio eleitoral será imediatamente publicado na imprensa oficial na
Capital, e em cartório nas demais localidades, podendo os interessados impugná-lo no prazo de dez dias.

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Alistamento Eleitoral obrigatório –

Reza o artigo 42 do CE que o alistamento se faz


mediante qualificação e inscrição do eleitor.

Impende recordar o disposto no artigo 91 da LE:


“Nenhum requerimento de inscrição eleitoral ou de
transferência será recebido dentro dos 150 (cento e
cinquenta) dias anterior à data da eleição”. Observa-se
que o legislador usa o termo inscrição como sinônimo
de alistamento.

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Pessoas obrigadas a se alistar –

Prescreve o artigo 14, §1º, I e II, alínea b, da Constituição Federal que o alistamento
eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de 18 e menores de 70 anos.

O brasileiro que não se alistar até os 18 anos ou o naturalizado que não se alistar até
um ano depois de adquirida a nacionalidade brasileira incorrerá em multa imposta
pelo juiz eleitoral e cobrado no ato da inscrição (TSE – Res. Nº 21.538/2003, art. 15).

No entanto, essa sanção não se aplicará ao não alistado que requerer sua inscrição
eleitoral até o 151º dia anterior à eleição subsequente à data em que completar 19
anos.

Além da multa, o brasileiro que não se alistar fica privado de exercer os direitos
políticos, bem como todos os demais deles decorrentes.

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Apesar de o alistamento do analfabeto ser facultativo, tão logo se alfabetize surge o dever de inscrever-
se eleitor. Todavia, se não o fizer, não fica sujeito à multa referida por alistamento tardio (Res. TSE nº
21.538/2003, art. 16, parágrafo único).

Os absolutamente incapazes (art. 3º, Código Civil) não podem inscrever-se como eleitores.

Os relativamente incapazes (art. 4º, Código Civil) devem alistar-se e votar. Excetuam-se apenas os
“maiores de dezesseis e menores de dezoito anos”, pois, quanto a eles, o alistamento e o voto são
facultativos (CF, art. 14, §1º, I e II, c).

Brasileiros residentes no exterior são obrigados a se alistar e votar. Apesar do CE, pelo artigo 225, indicar
a possibilidade de voto apenas em presidente e vice-presidente, a Constituição Federal alterou a
disciplina dessa matéria, a teor de seu artigo 14, §1º, I, o alistamento e o voto são facultativos apenas
para analfabetos, maiores de 70 anos e maiores de 16 e menores de 18 anos.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE - Art. 49. Os cegos alfabetizados pelo sistema "Braille", que reunirem as
demais condições de alistamento, podem qualificar-se mediante o preenchimento da fórmula impressa
e a aposição do nome com as letras do referido alfabeto.

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Alistamento eleitoral facultativo –

Em seu artigo 14, §1º, a Lei Maior estabelece que o alistamento eleitoral e o voto são facultativos para :
analfabetos; maiores de 70 anos; maiores de 16 e menores de 18 anos.

Considera-se analfabeto quem não domina sistema escrito de linguagem, carecendo dos saberes
necessários para ler e escrever. Assim, a noção de analfabetismo prende-se ao conhecimento mínimo da
escrita e à compreensão de textos, ainda que singelos. O dever de inscrever-se eleitor surge, para o
analfabeto, assim que venha a ser alfabetizado.

Quanto aos maiores de 16 e menores de 18 anos, a resolução do TSE nº 21.538/2003 faculta o


alistamento, no ano em que se realizarem eleições, do menor que completar 16 anos até a data do
pleito, inclusive (art. 14). Logo, poderá alistar-se o menor que conte com apenas 15 anos de idade,
desde que até a data da eleição complete 16 anos. Não fosse assim, não seria possível o exercício do
direito de voto daquele que, no dia da eleição, já contasse 16 anos. Todavia, não se pode olvidar que
nenhum requerimento de inscrição eleitoral ou de transferência será recebido dos 150 dias anteriores á
data da eleição (LE, art. 91).

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O artigo 6º, inciso I, do Código Eleitoral dispõe que o
alistamento é facultativo para: inválidos; maiores de 70
anos; os que se encontrem fora do país.

No entanto, essa regra somente foi recepcionada pela CF


quanto aos maiores de 70 anos e “inválidos” que forem
absolutamente incapazes.

Sendo facultativo o voto, não é necessária a apresentação


de justificação por parte de quem se ausentar no dia do
pleito, tampouco incidem quaisquer penalidade.

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Ano: 2020 Banca: IBFC Órgão: TRE-PA Prova: IBFC - 2020 - TRE-PA - Analista Judiciário - Administrativa
O Código Eleitoral, instituído pela Lei n° 4.737/1965, traz disposições acerca do alistamento eleitoral.
Sobre o assunto, analise as afirmativas abaixo.
I. O alistamento eleitoral é obrigatório para os analfabetos.
II. O alistamento faz-se mediante a qualificação e inscrição do eleitor.
III. Os cegos alfabetizados pelo sistema "Braille", que reunirem as demais condições de alistamento,
podem qualificar-se mediante o preenchimento da fórmula impressa e a aposição do nome com
as letras do referido alfabeto.
Assinale a alternativa correta.
A - As afirmativas I, II e III estão corretas
B - Apenas as afirmativas I e II estão corretas
C - Apenas as afirmativas II e III estão corretas
D - Apenas a afirmativa I está correta

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Ano: 2020 Banca: IBFC Órgão: TRE-PA Prova: IBFC - 2020 - TRE-PA - Analista Judiciário - Administrativa
O Código Eleitoral, instituído pela Lei n° 4.737/1965, traz disposições acerca do alistamento eleitoral.
Sobre o assunto, analise as afirmativas abaixo.
I. O alistamento eleitoral é obrigatório para os analfabetos.
II. O alistamento faz-se mediante a qualificação e inscrição do eleitor.
III. Os cegos alfabetizados pelo sistema "Braille", que reunirem as demais condições de alistamento,
podem qualificar-se mediante o preenchimento da fórmula impressa e a aposição do nome com
as letras do referido alfabeto.
Assinale a alternativa correta.
A - As afirmativas I, II e III estão corretas
B - Apenas as afirmativas I e II estão corretas
C - Apenas as afirmativas II e III estão corretas
D - Apenas a afirmativa I está correta

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