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FICHAMENTO DO LIVRO “RELAÇÃO CIDADE-CAMPO: como analisá-la?”.

O início da política urbana está assim marcado pela criação de um Banco de Habitação.
As principais razões para deslanchar uma política habitacional eram a pesada migração
rural-urbana e a contínua pressão inflacionária. O crescimento urbano tinha já sido
deteriorado através da proliferação de habitações sub-humanas, formando um potencial
político de revolta contra as autoridades, principalmente contra a política do governo de
Lacerda, de “desfavelamento” na cidade do Rio de Janeiro. (Pág. 13)

Depois de 1968, que corresponde à segunda fase, o BNH passa a operar programas de
desenvolvimento urbano na forma de financiamento de planos de saneamento a serem
implantados por autoridades locais e estaduais em todo o país. Este período também
compreendia outros programas visando a urbanização, o transporte e o equipamento
físico para fins comunitários. (pág 14)

Mais tarde, sob inspiração do Plano Nacional do Desenvolvimento – PND, no Governo


Médici, foi criado um grupo de trabalho para desenvolver o primeiro PND, baseado nos
conceitos metropolitanos. Assim, através da lei complementar no. 14, de 8 de junho de
1973, vieram à luz as oito primeiras regiões metropolitanas – São Paulo, Porto Alegre,
Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém. (pág 15)

Com a ascensão de Ernesto Geisel ao poder foi criada a Comissão Nacional de Regiões
Metropolitanas e Políticas Urbanas – CNPU, pelo decreto 74.156, em 6 de junho de
1974. As atividades da CNPU deveriam ser apoiadas pela criação de um fundo para
transportes, resultando no surgimento da Empresa Brasileira de Transportes Urbanos –
EBTUs. (Pág 15)

Em contrapartida, o ETR procurou transferir para o meio rural os dispositivos legais que
já amparavam o trabalhador urbano. Equiparando o proletariado agrícola ao proletariado
industrial, obter-se-ia, na visão do estatuto, um equilíbrio nas relações sociais do meio
rural, onde se definiria a formação de três classes sociais: os grandes proprietários,
transformados em empresários modernos, capitalistas; os pequenos proprietários,
formando a classe média rural, que funcionaria como uma espécie de pára-choque entre
os proletários rurais e as grandes empresas; e os proletários rurais, trabalhadores que,
agrupados em cidades e vilas, venderiam sua força de trabalho aos proprietários em
aglomerações rurais. (Pág 19)

Surgiram distorções que dificultavam a aplicação do Estatuto da Terra, provocando o


crescimento dos setores, o que favorecia a proletarização rural e o empresariamento da
agricultura. O Estatuto do Trabalhador Rural, apesar de haver contrariado inicialmente
os grandes proprietários, que viam o seu poder de arbítrio diminuído, a longo prazo
obteve maior aceitação, porque facilitou o avanço no campo, no meio rural, do modo de
produção capitalista, assim explica Andrade (1974).