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UNIVERSIDADE DO CONTESTADO – UnC

CURSO DE DIREITO

ANDRÉ WILLIAM DOS SANTOS MOREIRA

A FALTA DE FISCALIZAÇÃO E DE NORMAS FISCALIZADORAS DA IMUNIDADE


TRIBUTÁRIA NOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO NO BRASIL

MAFRA
2015
ANDRÉ WILLIAM DOS SANTOS MOREIRA

A FALTA DE FISCALIZAÇÃO E DE NORMAS FISCALIZADORAS DA IMUNIDADE


TRIBUTÁRIA NOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO NO BRASIL

Projeto de Monografia apresentado para obtenção


de nota na disciplina de Metodologia da Pesquisa,
ministrado pela Universidade do Contestado-UnC,
sob orientação da professora Msc. Margarida
Berns Schafaschek.

MAFRA
2015
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...........................................................................................................4
1.1 APRESENTAÇÃO E DELIMITAÇÃO DO TEMA....................................................4
1.1.1 Tema....................................................................................................................4
1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA...........................................................................4
1.3 JUSTIFICATIVA.....................................................................................................4
1.4 OBJETIVOS............................................................................................................5
1.4.1 Objetivo Geral......................................................................................................5
1.4.2 Objetivos Específicos...........................................................................................5
1.5 HIPÓTESES...........................................................................................................5
2 REFERENCIAL TEÓRICO........................................................................................6
3 METODOLOGIA........................................................................................................7
3.1 MÉTODO DE RACIOCÍNIO....................................................................................7
3.2 MÉTODO DE ABORDAGEM..................................................................................7
3.3 DELINEAMENTO DA PESQUISA DE ACORDO COM OS OBJETIVOS..............7
3.3.1 Técnicas de Pesquisa..........................................................................................7
3.3.2 Instrumentos de Coleta de Dados.......................................................................7
3.4 PROPOSTA DE SUMÁRIO....................................................................................8
4 RECURSOS...............................................................................................................9
4.1 RECURSOS HUMANOS........................................................................................9
4.2 RECURSOS FINANCEIROS..................................................................................9
5 CRONOGRAMA......................................................................................................10
REFERÊNCIAS...........................................................................................................11
1 INTRODUÇÃO

1.1 APRESENTAÇÃO E DELIMITAÇÃO DO TEMA

As imunidades tributárias geram diversas dúvidas e dessas dúvidas surgem


questionamentos e problemas, rendendo assim novos estudos sobre o instituto das
imunidades. A cada passo encontramos conflitos no tocante ao instituto das
imunidades, seja como argumento de defesa ou do legislador para contorná-las,
achando brechas onde o Texto Maior não fechou as lacunas.
Muitos doutrinadores vêm mudando suas opiniões no aspecto crítico das
imunidades e demonstrando uma crescente insatisfação. Carvalho (2013) 1 trás que,
no seio da moderna doutrina do direito tributário brasileiro, com respeito ao modelo
tradicional de descrição do fenômeno jurídico da imunidade, fica demonstrado de
forma clara e visível por conta dos novos rumos que estão ocorrendo nas recentes
obras científicas, as insatisfações sobre o referido instituto.
Sobre o tema imunidade tributária, Paulo de Barros Carvalho, trás que :

[...] espécie normativa é a figura da imunidade, e já sabemos tratar-


se de regra que dispõe acerca da construção de outras regras. Além disso,
salientamos que o espaço freqüentado por tais normas é o patamar
hierárquico da Constituição da República, porquanto é lá que estão
depositadas as linhas definidoras da competência tributária, no direito
positivo brasileiro.2

O instituto da imunidade tributária está dividido em quatro espécies, sendo


que, sem sombra de dúvidas a espécie mais intrigante e obscura é a imunidade dos
templos de qualquer culto.
A referida imunidade está elencada no art. 5º, inciso VI, alínea “b”, da
Constituição Federativa do Brasil:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios: (EC nº 42/2003)
[...] VI – Instituir impostos sobre:

1
CARVALHO, Paulo de Barros, Direito tributário linguagem e método. 5 ed. São Paulo: Noeses,
2013.
2
CARVALHO, Paulo de Barros, Direito tributário linguagem e método. 5 ed. São Paulo: Noeses,
2013, p. 376.
b) templos de qualquer culto; [...]3

Trata-se de uma imunidade fundamentada no princípio da liberdade de crença


e prática religiosa, que também é posto pela Constituição.
Carvalho4 alega que, prescindível dizer que o interesse da coletividade e
todos os valores fundamentais tutelados pela ordem jurídica concorrem para
estabelecer os limites de efusão da fé religiosa e a devida utilização dos templos
onde se realize.
A suprema Constituição Federal, trás no bojo do art. 150, § 4º, o referido
tema “imunidade” e para ficar de forma clara, Sabbag 5, trás que “esse é o preceptivo
que desonera e alcança o patrimônio mobiliário e imobiliário dos templos, são as
rendas (decorrentes da prática do culto) e dos serviços, quando vinculados a
finalidades religiosas”.
Existem também os templos e cultos itinerantes, sejam eles estabelecidos em
embarcações, trailers, vagões de trens, tendas e afins, que se estabelecem em
vários locais por determinado período de tempo, sendo considerados imunes
somente o local em que está sendo realizado o culto naquele momento.
Porém existem diversos posicionamentos doutrinários, vejamos tais
posicionamentos nas palavras de Puccinelli Junior:

[...] destaca-se como sendo a primeira corrente mais restritiva,


representado por Sacha Calmon Navarro Coêlho e outros, defendendo que
a imunidade deve ser extensiva apenas ao local onde está sendo realizado
o culto. Representando a corrente liberal extensiva, o professor Aliomar
Baleeiro, que defende além da imunidade ao local de realização do culto,
essa também se estende a conventos, residência dos párocos ou pastores,
dependências contíguas, casas ou apartamentos pertencentes às
comunidades religiosas etc..., desde que não tenha fins lucrativos e que sua
utilização esteja amarrada a atividade fim da entidade religiosa. 6

No entendimento do doutrinador Andre Puccinelli Junior, no que diz respeito a


extensão da imunidade religiosa:

3
BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988.
Disponível em <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em 22 nov. 2015.
4
CARVALHO, Paulo de Barros, Direito tributário linguagem e método. 5 ed. São Paulo: Noeses,
2013.
5
SABBAG. Eduardo. Manual de direito tributário. 3 ed. São Paulo. Saraiva. 2011, p. 323.
6
PUCCINELLI JUNIOR, Andre. Coletânia ícones do direito : manual de direito tributário. 1 ed.
São Paulo: Saraiva, 2014, p. 121.
[...] deve-se adotar a corrente mais liberal, no objetivo de se
estender a imunidade não apenas ao prédio ou local em que se realiza o
culto, mas a todo conjunto de bens e atividades voltadas para o exercício da
atividade religiosa ou a ela vinculada.7

Diante do exposto, podemos observar o quanto a imunidade tributária de


templos de qualquer culto pode ser estendida e nesse contexto observamos que não
existe mecanismo de fiscalização, deixando o instituto imunidade de templos de
qualquer culto, aberto a diversas interpretações e práticas desonestas para o real
fim que se destina.
Sendo que o objeto desse trabalho se destinará à pesquisa das obscuridades
jurídicas para o fim real que a referida imunidade se destina e apresentação da
realidade da referida imunidade no Brasil.

1.1.1 Tema

A falta de fiscalização e de normas fiscalizadoras da imunidade tributária nos


templos de qualquer culto no Brasil.

1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

No Brasil é de conhecimento geral que vivemos em um Estado laico, ou seja,


todos temos a liberdade de participar de qualquer culto religioso ou mesmo de não
participar de nenhum. Tal instrumento é garantido a todos nós por diversos
princípios que a Constituição nos trás.
Sabbag em sua obra, elenca que o pluralismo religioso, corrobora o Estado
de direito, que prima pela necessária eqüidistância entre o Estado e as Igrejas,
servindo como um dos pilares do liberalismo e do Estado de Direito. A laicidade
implica que, havendo privilégio, todos os templos devem dele usufruir. 8
Ocorre que, como já mencionado anteriormente, a imunidade dos templos
religiosos tem como principal justificativa preservar a liberdade de escolha religiosa
individual.

7
PUCCINELLI JUNIOR, Andre. Coletânia ícones do direito : manual de direito tributário. 2014, p.
122.
8
SABBAG. Eduardo. Manual de direito tributário. 2011.
Porém o cenário atual é bem diferente da realidade estampada nos princípios
constitucionais, sendo lamentável que tal expansão, traga a reboque, casos de
fraudes de algumas pseudoigrejas, casos esses que são muito pouco divulgados e
algumas vezes sequer são revelados ao público.
O doutrinador Sabbag, ensina:

É corriqueira a divulgação na imprensa de casos retumbantes, em


que certas entidades religiosas realizam negócios ilícitos, valendo-se da
imagem puritana que a atividade naturalmente impinge. Difusoras de uma
religiosidade hipócrita, chegam a mascarar atividades ilícitas sob a função
de representantes do bem.9

Destarte que, nesse sentido, pode ser observado inclusive o desgosto dos
doutrinadores em relação para com algumas instituições religiosas.
A sociedade brasileira vem sofrendo constantes aumentos em suas
tributações, sendo que o Brasil é um dos países que mais cobram impostos no
mundo. As entidades religiosas são uma das instituições que mais arrecadam e que
tem mais poder aquisitivo.
Essa questão da falta de fiscalização tributária referente a imunidade dos
templos religiosos é sem dúvidas um dos motivos pelos quais surgem instituições
religiosas com a finalidade de usurpar da sociedade riquezas pela fé,
proporcionando um enriquecimento ilegal e pessoal. Até quando os órgãos
governamentais, irão se manter inertes, as práticas abusivas do instituto da
imunidade dos templos.

1.3 JUSTIFICATIVA

É de extrema importância que seja reanalisado o texto constitucional no


tocante a imunidade dos templos religiosos, não somente no sentido de reformular o
referido artigo que trata da imunidade, mas também fechar as lacunas abertas e
limitar especificamente até que ponto a imunidade vai atingir os templos de qualquer
culto, criando inclusive um roll taxativo de limitação da imunidade.
Certamente sem deixar que tal limitação afete os princípios da ampla
liberdade de escolha religiosa.

9
SABBAG. Eduardo. Manual de direito tributário. 2011, p. 338.
Cabe ressaltar que a falta de fiscalização de como está sendo utilizada a
referida imunidade é o que abre a brecha para instituições religiosas se utilizarem de
forma incorreta e fraudulenta do instituto da imunidade tributária.
Vejamos o que Ivo César Barreto de Carvalho trás sobre o tema em uma
visão do Supremo Tribunal Federal:

[...] por outro lado, uma interpretação ampla demais do instituto,


sem a devida fiscalização das entidades religiosas, pode levar ao outro
extremo: o do abuso do direito para a consecução de objetivos escusos ou
ilícitos. É sabido que, no Brasil, há uma imensa variedade de religiões. O
sincretismo da fé faz parte da própria cultura e história dos brasileiros. 10

Destarte que, imunidade afeta toda a população, pois atualmente existe


milhares de brasileiros que não compartilham de religião nenhuma, mas que de
forma indireta, custeiam as atividades dos cultos, em face da desoneração de
impostos, afetando literalmente o princípio da generalidade da tributação que a
todos atrela.
Se engana quem acredita que o instituto da imunidade tributária não
representa um grande número nas perdas dos cofres públicos, pois tal instituto
representa um grande deficet na economia.
Ao deixar de arrecadar impostos das instituições o governo deixa de
arrecadar para seus cofres, no entanto não podemos nos enganar ao achar que o
governo não recebe. O governo distribui de forma generalizada a toda a população
brasileira, independente de qual seja as convicções religiosas de cada indivíduo.
Nesse diapasão, fica evidente a importância do referido instituto frente à
ordem econômica, social e jurídica.

1.4 OBJETIVOS

1.4.1 Objetivo Geral

Trazer a baila os aspectos negativos da falta de fiscalização e de normas


fiscalizadoras no tocante a imunidade dos templos de qualquer culto e até que ponto
tal instituto reflete na sociedade e economia.

10
CARVALHO, Ivo César Barreto. Direito público: Imunidade tributária na visão do STF. v. 1.
Brasília: 2011. n 33 de pg. 69-86, 2011.
1.4.2 Objetivos Específicos

Histórico: buscar informações históricas a respeito das imunidades de forma


geral, para que possamos entender o surgimento da imunidade dos templos
religiosos no Brasil.
Imunidade dos templos religiosos na legislação atual: Trazer a baila como a
legislação elenca o referido instituto, analisando as lacunas e obscuridades.
Reflexo social e econômico da falta de fiscalização das instituições religiosas:
apresentar os aspectos negativos que a falta da fiscalização e normas mais rígidas
trás para a economia e sociedade.
Possíveis soluções para melhorar a aplicabilidade da imundade tributária nos
templos de qualquer culto: Apresentar possíveis mecanismos de fiscalização para
que o referido instituto não seja útlizado de forma a beneficiar falsas instituições da
fé.
2 REFERENCIAL TEÓRICO

Como surgiram e como se desenvolveram os tributos ao longo do tempo


e como se apresenta o pensamento político dominante de cada época? Estas são
perguntas cujas respostas facilitam a compreensão de temas tributários 11.
Foi esse cenário que:
“O Imperador promulgou a primeira Constituição Brasileira: a
Constituição Imperial de 1824, com uma importante lacuna: a ausência de
discriminação de rendas tributárias decorrente da centralização do poder
fiscal do Imperador, ficando as Províncias e Municípios sem competência
para tributar. Apesar de parcialmente tratada ao longo dos anos de vigência
da Constituição Imperial, a repartição de rendas entre os entes políticos
permaneceu na esfera do governo central”.12

Em 24 de fevereiro foi promulgada a Constituição da República dos


Estados Unidos do Brasil de 1891, inspirada na Constituição dos Estados Unidos da
América, redigida em sua maior parte por Rui Barbosa, na qual foi consagrado o
princípio federalista, com autonomia política, administrativa e financeira dos
Estados-membros.13
Apesar, que mais evoluída que sua antecessora, a Constituição de 1981
ainda trazia lacunas no sistema tributário, dentre elas: a) Não inclusão dos
Municípios na discriminação das rendas tributárias.
A imunidade é uma desoneração de tributos que estão reguladas em textos
constitucionais, sendo assim um comando normativo que tende a afastar a
incidência de determinados tributos sobre as pessoas, bens ou serviços. Essas
normas constitucionais buscam prestigiar valores que devem ser considerados como
superiores e mais importantes. As imunidades tributárias são limites constitucionais
ao poder de tributar, art.146, II, CF14, regula que os limites constitucionais para
tributar, devem ser por lei complementar, observando-se todos os requisitos
necessários para sua aprovação, que são definidos em quorum de aprovação por
“maioria absoluta”.
Na Constituição Federal de 1988, há vários dispositivos referentes a
imunidades, para diferentes tributos, tais como, Contribuições Sociais, Contribuições
interventivas e até mesmo para taxas.
11
MELLO, Elizabete Rosa. Direitos fundamentais e uma tributação justa. Editora Atlas, 2013, p 01
12
MELLO, Elizabete Rosa. Direitos fundamentais e uma tributação justa, p 02
13
MELLO, Elizabete Rosa. Direitos fundamentais e uma tributação justa, p 03.
14
BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988.
Disponível em <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em 15 mar. 2016.
As imunidades oscilam entre um tributo e outro, no entanto o mais importante
a ser mencionado, é o artigo 150 inciso VI, da Constituição Federal 15, pois nele esta
estabelecido as imunidades a impostos, única e exclusivamente.

"Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios: (EC nº 42/2003)
...VI – Instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviço, uns dos outros;
b) templos de qualquer culto;
c) patrimônio, renda ou serviço dos partidos políticos, inclusive suas
fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das
instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos,
atendidos os requisitos da lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.”
(Constituição Federal de 1988)

Por se tratar de uma imunidade referente apenas a impostos, os entes


beneficiados no referidos artigo, deverão cumprir com a incidência normal do
restante dos tributos, tendo então somente a imunidade referente ao artigo 150, VI,
da Constituição Federal, pois não se confunde imposto com as demais espécies
tributárias.
No que se refere o art. 150, VI, da Constituição Federal, tem as alíneas “a”,
“b”, “c” e “d”, que estipulam quais são os entes que são beneficiados pela imunidade
sobre impostos, sendo elas conhecidas como, Imunidade recíproca, Imunidade
Religiosa, Imunidade Política, Sindicatos dos Trabalhadores, Instituições de
Educação e Assistência Social e Imunidade de Imprensa 16.

Invocam-se os ensinamentos prestados por, Hugo de Brito Machado 17, para


quem a:
“imunidade é o obstáculo decorrente de regra da Constituição à
incidência de regra jurídica de tributação. O que é imune não pode ser
tributado” 

O entendimento do doutrinador Andre Puccinelli Junior, no que diz respeito a


extensão da imunidade religiosa:

15
. BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988.
16
BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988.
17
. MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 33. ed. São Paulo: Malheiros, 2012, p. 287.
“deve-se adotar a corrente mais liberal, no objetivo de se estender a
imunidade não apenas ao prédio ou local em que se realiza o culto, mais a
todo conjunto de bens e atividades voltadas para o exercício da atividade
religiosa ou a ela vinculada.”18

Quando se realiza a leitura da alínea “b”, do art. 150, VI, deve ser observado
também o § 4º do mesmo artigo, além de constar que o patrimônio, a renda e
serviço diretos das instituições religiosas, não poderão ser atingidos pelo imposto,
mais também conta que o patrimônio, renda e serviços que são relacionados às
entidades religiosas, esses não podem ser atingidos pelo imposto, dando assim um
conceito mais amplo da imunidade aos templos, ou seja, mesmo o patrimônio, renda
e serviços, que não estejam relacionados com as atividades eclesiásticas, mais que
pertença a instituição religiosa, não sofrerão incidência de impostos, desde que seja
comprovado a correspondência fática, ou seja, atrelado a uma atividade
eclesiástica.19
As imunidades se dividem em imunidades formais e imunidades materiais.
Difere a nomenclatura do instituto em relação aos franceses, pois, na técnica destes,
imunidade material é a irresponsabilidade parlamentar, e imunidade formal é a
inviolabilidade parlamentar.20
Dentre os direitos fundamentais de primeira dimensão, a liberdade de
pensamento autoriza o indivíduo a faculdade de externar ou não sua consciência,
possibilitando expressar valores e convicções pessoais, desde que essa externação
não afronte direitos alheios.21
Assim, a liberdade de pensamento acabou por refletir diversas outras
liberdades, como a liberdade de crença, objeto deste estudo. No Brasil, a liberdade
de crença foi instaurada com a separação da Igreja do Estado com a Proclamação
da República em 1891. Para melhor ilustrar essa evolução, até então o Estado
intitulava a religião católica como a oficial, tolerando as demais, desde que fossem
exercidas na privacidade do lar dos indivíduos adeptos. Essa separação tornou o
Brasil um país laico, autorizando o exercício público do culto religioso para as
demais religiões.22
18
PUCCINELLI JUNIOR, Andre.Col. ícones do direito: Manual de direito tributário, 1ª Ed. São
Paulo: Saraiva, 2014, p. 122.
19
BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988.
20
BISIGNOLI, Valéria Oneto. Revista Direito: Abuso de imunidade. Rio de Jáneiro. 1999. n 6. v 3.
Disponívelem:<http://www.camara.rj.gov.br/setores/proc/revistaproc/revproc1999/revdireito1999B/art
_abusoimunidade.pdf>. Acesso em: 23 nov 2015.
21
BISIGNOLI, Valéria Oneto. Revista Direito: Abuso de imunidade.
22
BISIGNOLI, Valéria Oneto. Revista Direito: Abuso de imunidade.
Essa liberdade de externar ou não a fé, foi reconhecida por todas as
Constituições posteriores à Proclamação da República. A neutralização do Estado
quanto à escolha de uma religião oficial permitiu que os indivíduos pudessem
escolher ou não determinada religião, tendo, ainda proibido embaraços, por parte do
setor público, à criação e realização dos cultos religiosos. 23
Tal proibição está prescrita na Constituição atual em seu artigo 19, inciso I,
ratificando, assim, os valores emanados pela primeira Constituição republicana.
Para garantir o direito à liberdade de crença, a Constituição de 1988 prescreve não
somente referido o direito, mas também protege o local destinado ao culto religioso.
Nesse pensar, o culto poderá ser exercido em qualquer lugar público, sem qualquer
interferência estatal.24
O doutrinador Silva Junior, explica que:
“A proteção ao local do culto religioso assegura, por conseguinte, a
entidade religiosa mantenedora do culto, isto é, a proteção contida na
Constituição de 1988 não está restrita à crença e à realização do culto, mas
também à pessoa jurídica de direito privado, que organiza, realiza, e
mantém o culto religioso. Essa proteção visa evita embaraços na realização
do culto religioso, posto que o Sistema Constitucional utiliza-se da
imunidade tributária para proteger os templos de qualquer culto (qualquer
religião, sem qualquer discriminação) das investidas fiscais do Estado
contra as entidades religiosas”.25

A imunidade tributária concedida pela Constituição da República Federativa


do Brasil de 1988 aos templos de qualquer culto, também denominada imunidade
tributária religiosa, e a sua relação com a prática de evasão fiscal por parte de
algumas entidades religiosas presentes na sociedade brasileira. 26
A análise contemporânea dos efeitos da evasão fiscal oriunda da imunidade
tributária religiosa se justifica pela repercussão que o tema tem adquirido nos
recentes debates políticos no âmbito do Poder Legislativo, pelas controvérsias
jurisprudenciais e pelo expressivo impacto sobre a economia nacional e a
arrecadação fiscal.27
Nesse diapasão:
“O cerne deste trabalho reside na reflexão sobre a extensão da
23
BISIGNOLI, Valéria Oneto. Revista Direito: Abuso de imunidade.
24
SILVA JUNIOR, Nilson Nunes. Liberdade de crença religiosa na Constituição de 1988. São
Paulo 2010.Disponívelem:<http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/267097/mod_resource/content
1/liberdade%20de%20cren%C3%A7a.pdf>. Acesso em: 23 nov 2015.
25
SILVA JUNIOR, Nilson Nunes. Liberdade de crença religiosa na Constituição de 1988.
26
BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988.
27
TOLLEMACHE, Mark. Imunidade tributária religiosa e a evasão fiscal. 2014. Trabalho
apresentado no 12. Encontro ciêntifíco cultural interinstitucional. Cascavel, 2014:<http://
http://www.fag.edu.br/upload/ecci/anais/55953a49b2639.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2016.
exoneração tributária como forma de garantia do direito à liberdade de
consciência e de crença e, em especial, na ponderação dessa imunidade
com os princípios da isonomia e da solidariedade fiscal. Retrata-se que a
imunidade tributária religiosa é hoje alvo de severos questionamentos por
parte da sociedade civil e do parlamento brasileiros, os quais aduzem pela
reestruturação do instituto e até mesmo sua supressão”.28

Não se discute que as imunidades aos templos é uma garantia constitucional,


desde que atendidos os requisitos já mencionados anteriormente. Há que se
mencionar que o cenário que ensejou esta imunidade consagrada pela Constituição
de 1988.29
Urge a necessidade de o Estado rever na prática, as regras e mecanismos de
controle que validam a imunidade a que se refere o art. 150, inciso VI, “b” do texto
constitucional, pois, não se admite que alguém, apoiado falsamente em lei, possa se
beneficiar com o descumprimento da mesma.30
Talvez, uma das alternativas, seria a criação de uma declaração anual,
prestada á Receita Federal do Brasil, a exemplo do que acontece com as Empresas,
feita através DIRPJ (Declaração de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas), pois,
do contrário, o controle efetivo, que existe atualmente, fiscaliza e controla ao mesmo
tempo a movimentação financeira das instituições religiosas, acobertadas pela
imunidade tributária constitucional e que não preenche nem de longe, os requisitos
legais de validade para tal.31

3 METODOLOGIA

3.1 MÉTODO DE ABORDAGEM

28
TOLLEMACHE, Mark. Imunidade tributária religiosa e a evasão fiscal.
29
BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988.
30
BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988.
31
PARDINI, Beatriz Gil. Olhar crítico sobre as imunidades aos templos de entidades religiosas.
2014. Trabalho apresentado no Encontro de iniciação ciêntifícal. Toledo, 2014.
A abordagem será quantitativa, buscando coletar dados de quantas pessoas
tem conhecimento sobre o instituto da imunidade trinutária nos templos de qualquer
culto e quantos novos templos surgiram nos últimos anos.
Também será qualitativa, pois a pesquisa busca informações acerca da
usurpação da fé de pessoas que desconhecem o instituto da imunidade tributária de
templos religiosos e que existem entidades religiosas que se usam de tal instituto
para enriquecimento pessoal.

3.2 DELINEAMENTO DA PESQUISA DE ACORDO COM OS OBJETIVOS

Histórico, o qual será delineado através do método de raciocinio indutivo,


pois buscará informações históricas a respeito das imunidades de forma geral,
para que possa se entender o surgimento da imunidade dos templos religiosos
no Brasil, sendo realizado através de pesquisa exploratória.
Imunidade dos templos religiosos na legislação, o qual será utilizado o
método de raciocinio indutivo, trazendo a baila como a legislação elenca o referido
instituto, analisando as lacunas e obscuridades, sendo realizado através de
pesquisa exploratória.
Reflexo social e econômico da falta de fiscalização das instituições religiosas,
através do método de raciocinio indutivo e método de raciocínio hipotético dedutivo,
pois buscará apresentar os aspectos negativos que a falta da fiscalização e normas
mais rígidas trás para a economia e sociedade e apresentar soluções hipotéticas
para amenizar o problema, nesse item será utilizado a pesquisa descritiva, pois
buscará opniões de pessoas aleatórias sobre o tema.
Possíveis soluções para melhorar a aplicabilidade da imundade tributária nos
templos de qualquer culto, se utilizando do método de raciocínio hipotético dedutivo,
vindo a apresentar possíveis mecanismos de fiscalização para que o referido
instituto não seja útlizado de forma a beneficiar falsas instituições da fé, será
utilizado uma pesquisa exploratória e descritiva, pois vai ser buscado informações
na própria legislação para solucionar o problema encontrado no instituto da
imunidade tributária e opniões pessoais para solucionar o referido prloblema.

3.2.1 Técnicas de Pesquisa


Será últilizando a técnica exploratória, pois será pesquisado o histórico das
imunidades no Brasil para familiarizar e enteder o surgimento da imunidade tributária
geral e em específico a imunidade dos templos de qualquer culto.
Será utilizada também a técnica descritiva, tendo em vista que será realizado
uma pesquisa de campo com questionários a serem preenchidos por pessoas
aleatórias no município de Mafra/SC, onde responderam perguntas a serem
formuladas.

3.2.2 Instrumentos de Coleta de Dados

Os dados a serem coletados para instruir o presente trabalho se darão


através de fichamento de livros, que tratem genericamente e específicamente do
instituto da imunidade tributária, e imunidade tributária dos templos de qualquer
culto, artigos publicados sobre o referido instituto, pesquisa na internete, tendo em
vista que o STF, STJ possuem muitas jurisprudência sobre o tema, ajudando
fomentar o presente trabalho.
A referida pesquisa é de estrema importância para instruir o trabalho de forma
objetiva, visando ainda saber qual a relevância que o tema tem frente à sociedade.

3.3 PROPOSTA DE SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
1 – HISTÓRICOS DAS IMUNIDADES NO BRASIL
1.1 - LIBERDADE DE PENSAMENTO
1.2 – LIBERDADE DE CRENÇA
2 – LIBERDADE DE CULTO E ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS
2.1 – PPREVISÃO DA IMUNIDADE NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
3 – IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO
3.1 – PREVISÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS TEMPLOS DE
QUALQUER CULTO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988.
3.2 – VISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL SOBRE A IMUNIDADE
DOS TEMPLOS
3.3 – JULGADOS A RESPEITO DA IMUNIDADE DOS TEMPLOS
3.4 - ABRANDENCIA DA IMUNIDADE DOS TEMPLOS
4 – CRÍTICAS AO INSTITUTO DA IMUNIDADE AOS TEMPLOS DE
QUALQUER CULTO
4.1 – FALTA DE FISCALIZAÇÃO AO INSTITUTO DA IMUNIDADE NOS
TEMPLOS
4.2 – FALTA DE NORMAS REGULADORAS E EFICIENTES
4.3 – USURPAÇÃO E ENRIQUECIMENTO ATRAVÉS DA FÉ
4.4 – O REFLEXO SOCIAL
4.5 – O REFLEXO ECONÔMICO
5 – SOLUÇÕES CABIVEIS PARA AMENIZAR O PROBLEMA
5.1 – POSICIONAMENTO DOS DOUTRINADORES
5.2 – OPNIÕES SOCIAIS SOBRE POSSÍVEIS SOLUÇÕES
6 CONCLUSÃO
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
4 RECURSOS

4.1 RECURSOS HUMANOS

4.1.1 Acadêmico:

André William dos Santos Moreira

4.1.2 Orientador Específico:

Clayton Gomes de Medeiros

4.2 RECURSOS FINANCEIROS

4.2.1 Materiais de Consumo (itens e valor aproximado)

MATERIAIS DE CONSUMO
01 resma de papel A4 R$ 18,00
01 cartucho de tinta preta R$ 80,00
01 caneta esferográfica azul R$ 4,00
01 Pen Drive R$ 60,00
4.2.2 Materiais Permanentes (itens e valor aproximado)

MATERIAIS PERMANENTES
01 Notebook R$ 1,800,00
01 impressora R$ 380,00
Livros R$ 1. 000,00

4.2.3 Total do Projeto

Somando-se todos os recursos necessários para a elaboração do projeto de


monografia, sejam materiais de consumo ou permanentes, tem-se o valor estimado
de R$ 3.342,00 (três mil, trezentos e quarenta e dois reais).

5 CRONOGRAMA

Atividades AGO/2015 SET/2015 OUT/2015 NOV/2015


Pesquisa do tema X
Definição do tema X
Pesquisa bibliográfica X X X X
Formulação do problema X
Elaboração dos objetivos geral e
X
específicos
Elaboração da justificativa X
Referencial teórico – projeto X
Elaboração do projeto final X
Entrega do projeto de monografia X

REFERÊNCIAS

BISIGNOLI, Valéria Oneto. Revista Direito: Abuso de imunidade. Rio de Jáneiro.


1999.n6.v3.Disponívelem:<http://www.camara.rj.gov.br/setores/proc/revistaproc/revp
roc1999/revdireito1999B/art_abusoimunidade.pdf>. Acesso em: 23 nov 2015.
BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de
outubro de 1988. Disponível em <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em 22 nov.
2015.

CARVALHO, Paulo de Barros, Direito tributário linguagem e método. 5 ed. São


Paulo: Noeses, 2013.

JUNIOR, Nilson Nunes da Silva. Liberdade de crença religiosa na Constituição


de1988.SãoPaulo2010.Disponívelem:<http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/26
7097/mod_resource/content 1/liberdade%20de%20cren%C3%A7a.pdf>. Acesso em:
23 nov 2015.

PARDINI, Beatriz Gil. Olhar crítico sobre as imunidades aos templos de


entidades religiosas. 2014. Trabalho apresentado no Encontro de iniciação
ciêntifícal. Toledo, 2014.

PUCCINELLI JUNIOR, Andre. Coletânia Ícones do Direito: manual de direito


tributário. 1 ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

SABBAG. Eduardo. Manual de Direito tributário. 3 ed. São Paulo. Saraiva. 2011.

TOLLEMACHE, Mark. Imunidade tributária religiosa e a evasão fiscal. 2014.


Trabalho apresentado no 12. Encontro ciêntifíco cultural interinstitucional. Cascavel,
2014:<http:// http://www.fag.edu.br/upload/ecci/anais/55953a49b2639.pdf>. Acesso
em: 18 mar. 2016.

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